terça-feira, 5 de março de 2019


“COLETTE”, 2018, coprodução EUA/Inglaterra, 1h52m, roteiro de Richard Glatzer e Rebecca Lenkiewicz, com direção de Wash Westmoreland. Trata-se de um filme biográfico que acompanha a trajetória fascinante da romancista francesa Sidonie-Gabrielle Colette, mais conhecida apenas como Colette, que no início do século XX foi um grande sucesso de vendas com suas histórias apimentadas, recheadas de sexo com a personagem Claudine. A sociedade conservadora ficou escandalizada com os temas abordados por Colette. Jovem simples nascida no interior da França, ela foi pedida em casamento pelo então famoso escritor Willy (Dominic West), cujos livros, na verdade, eram escritos por jovens escritores em início de carreira (escritores-fantasmas). Willy só assinava como autor. Colette começou a escrever alguns romances que também seriam assinados por Willy. Anos mais tarde, se cansaria dessa situação, assumindo a autoria, com seu próprio nome, de outros romances, todos sucessos de vendas na época. Em sua vida pessoal, Colette se envolveria sexualmente também com outras mulheres, entre as quais a aristocrata norte-americana George Raoul-Duval (Eleonor Tomlinson) e a atriz de teatro Missy (Denise Gough), romances que seriam descritos em seus livros. Ou seja, para usar um clichê dos mais antigos, Colette era uma mulher à frente do seu tempo. Além de bonita, Keira Knightley é ótima atriz e vários diretores adoram colocá-la em filmes de época, como aconteceu em “Orgulho e Preconceito” e “Desejo e Reparação”, entre tantos outros. Exibido por aqui na programação oficial do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em novembro de 2018, “Colette” é um filme de muita qualidade, com um elenco dos melhores, uma excelente fotografia e uma primorosa reconstituição de época.   

segunda-feira, 4 de março de 2019


“O QUE AS PESSOAS VÃO DIZER” (“HVA VIL FOLK SI”, título original em norueguês, e “What Will People Say” nos países de língua inglesa), 2018, Noruega, 1h46m, roteiro e direção da norueguesa Iram Haq (seu segundo longa-metragem). O filme foi selecionado para representar a Noruega na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme, mas não emplacou, embora seja ótimo. Trata-se de um drama cujo pano de fundo é o radicalismo paterno, comum entre as famílias muçulmanas. A história é centrada na jovem Nisha (Maria Mozhdah), nascida e criada em Oslo, capital da Noruega. Aos 16 anos, ela vai a baladas, namora, fuma um baseado de vez em quando, enfim, tudo o que uma garota ocidental está acostumada a fazer. Nisha faz tudo isso bem escondida dos pais imigrantes paquistaneses, Mirza (Adil Hussain) e Najma (Ekavali Khanna), radicais à beira do fundamentalismo quanto às tradições culturais e religiosas de seu país de origem. Quando Nisha é surpreendida com o namorado nas preliminares, seu Mirza acaba espancando o rapaz. O caso termina na delegacia. Najma, a mãe, se desespera: “O que os outros vão dizer?”. Essa preocupação diz respeito, claro, à reputação não só de Nisha, mas de toda a sua família. Depois disso, o pai, num acesso de ódio, decide levar a filha à força para Islamabad (capital do Paquistão), para a casa de sua irmã. Nisha tenta se adaptar aos costumes da família, mas acaba se envolvendo com um primo. Aí a coisa piora de vez. Nisha é obrigada a voltar para Oslo, onde curtirá mais alguns momentos de infelicidade. A gota d’água acontece quando a família arranja um marido paquistanês residente no Canadá para casar com Nisha. O filme, falado em norueguês e urdu, é muito bom e impactante, apresentando uma realidade presente há séculos nas famílias muçulmanas, onde a mulher é desconsiderada como cidadã. Filmaço!  

domingo, 3 de março de 2019


“GREEN BOOK: O GUIA” (“Green Book”), 2018, EUA, 2h10m, roteiro e direção de Peter Farrelly. Antes de assistir a esta pérola, vi “Bohemian Raphsody” e “A Favorita”, outros dois fortes concorrentes ao Oscar 2019 de Melhor Filme. Achei que um desses dois ganharia o prêmio. Se tivesse visto “Green Book” antes da noite da premiação, apostaria nele todas as minhas fichas. Sem dúvida, um filme maravilhoso, sensível, divertido, enfim, cinema da melhor qualidade. O trunfo maior, porém, além da interessante história baseada em fatos reais, é a dupla de atores Viggo Mortensen e Mahershala Ali. Eles interpretam, respectivamente, o grosseirão Frank “Toni Lip” Vallelonga e o refinado pianista Don Shirley. O filme é ambientado em 1962 – a reconstituição da época é sensacional. Toni Lip trabalhava como segurança na discoteca Copacabana, em Nova Iorque. Quando o estabelecimento fechou para reformas, que durariam mais ou menos três meses, Toni arrumou um “bico” de motorista, assistente e segurança do pianista Don Shirley, um dos mais conceituados músicos de jazz que fazia enorme sucesso com seu “Trio Don Shirley”. Shirley e seu grupo foram contratados para uma turnê em várias cidades do sul, a região mais racista do país. O gozado da situação é que Toni Lip era um racista convicto e que seria obrigado a ter um chefe negro. É desse contexto que Farrelly conseguiu criar as mais hilariantes situações, principalmente no que se refere aos diálogos entre o motorista e seu chefe. Desta vez, Peter não trabalhou com seu irmão Bob, conhecidos como os irmãos Farrelly, responsáveis por ótimas comédias como “Debi & Lóide – Dois Idiotas em Apuros”, “Eu, Eu Mesmo & Irene” e “Quem vai Ficar com Mary?”. Além de dirigir “Green Book”, Peter escreveu o roteiro juntamente com Nick Vallelonga (filho de Toni na vida real) e Brian Hayes Currie. Por seu trabalho em “Green Book”, Mahershala Ali conquistou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante. Merecido. Viggo Mortensen concorreu a Melhor Ator, perdendo para Rami Malek, o Fred Mercury de “Bohemian Raphsody”. Mortensen era o grande favorito, pois antes do Oscar já havia sido premiado pela AACTA Internacional Award, pelo Critic’s Choise Award, pelo Bafta, Sindicato dos Atores e pelo Globo de Ouro. Sua atuação é mesmo fantástica. Ele chegou a engordar 20 quilos para interpretar Toni. Como informação adicional, lembro que o Green Book era um livro/guia de hotéis e restaurantes do sul dos EUA que aceitavam afrodescendentes. Quem ainda não assistiu está perdendo a oportunidade de conhecer um dos melhores filmes dos últimos anos. Imperdível!       

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019


“MILLENNIUM: A GAROTA NA TEIA DE ARANHA” (“THE GIRL IN THE SPIDER’S WEB: A NEW DRAGON TATTOO STORY”), 2018, EUA, 1h57m, roteiro e direção do uruguaio Fede Alvarez. Trata-se da quarta adaptação para o cinema da série Millennium, na minha opinião a melhor de todas. A hacker profissional Lisbeth Salander, agora interpretada pela atriz inglesa Claire Foy (a esposa de Neil Armstrong em "O Primeiro Homem"), é contratada para recuperar um programa de computador intitulado “Firefall”, que dá ao seu usuário acesso ilimitado a um imenso arsenal bélico. O programa está em poder do governo norte-americano, mas há outros interessados em se apoderar dele, inclusive um grupo aliado à máfia russa chamado “Aranhas”. O filme foi rodado em locações de Estocolmo e redondezas durante o rigoroso inverno típico dos países nórdicos. As ótimas cenas de ação foram filmadas nesses ambientes. Aliás, o filme tem muita ação, perseguições, tiros e pancadaria, num ritmo bastante frenético. Além de Foy, ótima no papel da anti-heroína, estão no elenco Stephen Merchant, Suerrir Gunadson, Sylvia Hoeks, Lakeita Stanfield e a diva sueca Synnøve Macody Lund. Enfim, um filmaço para quem gosta de filmes de ação. Como informação adicional, lembro que a trilogia Millennium foi iniciada com “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, em 2008, obtendo um grande sucesso mundial de vendas (o livro) e de bilheteria (o filme). Com a morte repentina do autor da série, o jornalista sueco Stieg Larsson, a Editora Norstedts contratou o escritor David Lagercrantz para dar sequência à franquia. Em 2015, seria lançado o livro “Millennium: A Garota na Teia de Aranha” (“Det Som Inte Dödar Oss”), adaptado para o cinema dois anos depois pelo diretor Fede Alvarez.    

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019


“A AMANTE” (“INHEBBEK HEDI”), 2016, Tunísia/Bélgica/França, 88 minutos, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Mohamed Ben Attia (o segundo é de 2018, “Meu Querido Filho”) e produzido pelos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne, conhecidos como os irmãos Dardenne, conceituados diretores de cinema. Um aval e tanto para esta produção do cinema tunisiano. A história é centrada no jovem Hedi (Majd Mastoura), de 25 anos, um sujeito tímido, inseguro e completamente dominado pela mãe autoritária Baya (Sabah Bouzouita). Ele sente um ciúme doentio do irmão mais velho Ahmed (Hakim Boumessoudi), que vive em Paris e cuja esposa não se dá com sua mãe. Como é comum nos países árabes, as famílias muçulmanas escolhem os parceiros para seus filhos. Baya escolhe a bela e doce Khedija (Omnia Ben Ghali), de uma família tradicional da cidade, para casar com Hedi. Mas ele não se entusiasma muito, mas aceita calado, quase mudo. Até o dia em que seu chefe na concessionária Peugeot, onde trabalha como vendedor, o envia a outra cidade, Mahdi, para prospectar novos clientes. No hotel onde está hospedado, à beira-mar, ele conhece a fogosa Rim (Rym Ben Messaoud), cinco anos mais velha, e inicia um romance proibido. Mais paixão do que amor, na verdade. Hedi muda seu comportamento da água para o vinho, torna-se mais falante e alegre. Até o desfecho da história, Hedi terá de decidir se casa com Khedija ou foge do casamento para ficar com Rim. Além da história em si, o filme explora com sensibilidade as tradições familiares dos tunisianos, o que o torna ainda mais interessante. “A Amante” foi exibido por aqui na programação da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2016. No mesmo ano, recebeu dois prêmios no Festival de Berlim: Melhor Filme de Estreia e Melhor Ator (Majd Mastoura). Vale a pena conferir!      

domingo, 24 de fevereiro de 2019


“UMA NOITE DE 12 ANOS” (“La Noche de 12 Años”), 2018, Uruguai, 2h3m, escrito e dirigido por Álvaro Brechner. Selecionado para representar o Uruguai na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, “Uma Noite de 12 Anos” acompanha a prisão, o suplício e o sofrimento de três militantes do grupo guerrilheiro Tupamaros presos pela ditadura militar uruguaia em 1973: Alfonso Torti (Eleutério Fernández Huidobro), Maurício Rosencof (Chino Darín, filho do também ator argentino Ricardo Darín) e José Mujica (Antonio de La Torre) – este último seria eleito presidente do Uruguai em 2009. Ao lado de outros companheiros do Tupamaros, Mujica, Rosencof e Torti foram mantidos em prisões das mais precárias até 1985, quando o o país voltou a ser democrático. Os prisioneiros eram transferidos constantemente de locais, provavelmente quartéis, encapuzados e proibidos de se comunicar uns com os outros. Para diversão dos soldados, eram submetidos a violentas torturas. Um martírio que parecia não ter fim e cuja sobrevivência era encarada com uma grande vitória. O diretor Brechner conseguiu transmitir de forma bastante realista o clima claustrofóbico das prisões e o isolamento que chegou a levar alguns prisioneiros à loucura. Enfim, um filme muito pesado, a quilômetros de distância de um entretenimento agradável. Pelo contexto da história, não poderia ter sido feito de outra maneira. Além da ótima atuação do trio de protagonistas principais, destaco a participação, embora pequena, da grande atriz argentina Soledad Villamill, do espetacular “O Segredo dos Seus Olhos”, que interpreta uma psiquiatra que servia ao regime militar uruguaio. Destaco ainda a fabulosa interpretação da música “The Sound of Silence” (hino da dupla Simon & Garfunkel) pela cantora Sílvia Perez Cruz – de arrepiar! Resumo da ópera: o filme é excelente e merece ser visto por quem gosta de cinema de qualidade.        

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019


“UM HOMEM COMUM” (“AN ORDINARY MAN”), 2017, coprodução EUA/Sérvia, 1h30m, roteiro e direção de Brad Silberling. Um general criminoso de guerra, responsável por genocídios praticados durante a Guerra da Bósnia, na antiga Iugoslávia, é caçado por autoridades internacionais. Protegido por um grupo de antigos oficiais e soldados fiéis, ele circula por Belgrado, na Sérvia, sem ser molestado. Pelo contrário, é admirado pela população, que o trata como um herói nacional. Interpretado pelo ator inglês Ben Kingsley, ele sempre diz, orgulhoso, que cometeu os genocídios em nome da pátria e que é “o único criminoso de guerra que nunca foi levado à justiça”. Ele é obrigado a trocar constantemente de esconderijo e, num deles, aceita os serviços de Tanja (a atriz islandesa Hera Hilmar), uma jovem contratada para ser sua empregada – mais tarde, sua verdadeira função será revelada. O general é uma figura bem desagradável, arrogante, grosseiro e autoritário, dono de uma mente perversa e assassina – mais um show do ator inglês Ben Kinsgley. Esse lado psicológico de um criminoso de guerra é explorado com grande competência pelo diretor norte-americano Brad Silberling, que escreveu o roteiro inspirado no general sérvio Ratko Mladic, que ficou conhecido como “O Açougueiro da Bósnia”, um criminoso de guerra que foi procurado durante 12 anos e finalmente preso, julgado e condenado à prisão perpétua pelo Tribunal Internacional de Haia. O filme apresenta uma nítida estrutura teatral, com apenas dois protagonistas em evidência (o general e a empregada), sem praticamente nenhuma ação, apenas diálogos. Na verdade, o filme é uma espécie de continuação de outro filme com o mesmo nome, “Um Homem Comum” (“A Common Man”), de 2012, no qual Ben Kingsley faz um terrorista que provoca atentados à bomba no Sri Lanka. Nenhum crítico profissional percebeu esse detalhe, só este humilde cinéfilo. O filme ficou em cartaz no circuito comercial em várias cidades brasileiras em novembro e dezembro de 2018.    


Grande vencedor do Prêmio de Melhor Filme da Mostra “Um Certo Olhar” do Festival de Cannes 2017, “UM HOMEM ÍNTEGRO” (“Lerd” – o título nos países de língua inglesa ficou “A Man of Integrity”), 120 minutos, Irã, roteiro e direção de Mohammad Rasoulof, é uma crítica contundente ao governo iraniano, autoridades públicas e policiais, denunciando a corrupção que impera no país (não sei como passou pela rigorosa censura dos aiatolás). Bom lembrar que o filme foi realizado clandestinamente em locações no norte do Irã. Quando voltou dos Estados Unidos, onde participou de um festival que exibiu seu filme, Mohammad Rasoulof teve confiscado seu passaporte para que não pudesse sair mais do país - ele já tinha sido preso em 2010 juntamente com seu colega Jafar Panahi. Para piorar ainda mais a situação de Rasoulof, “Um Homem Íntegro” também foi premiado no Festival de Cinema de Jerusalém, o que aumentou ainda mais o rosnar das autoridades iranianas. Bem, vamos à história: depois de ser demitido como professor de uma escola de Teerã, Reza (Reza Akhlaghirad) resolve se mudar com a esposa Hadis (Sondabeh Beizaee) e o filho para uma zona rural ao norte do Irã, onde compra um terreno e monta um pequeno sítio para criar peixes dourados. O negócio ia bem até que seu vizinho, um tal de Abbas, um rico empresário, resolve um dia cortar o fornecimento de água. Ao reclamar, Reza acaba brigando com Abbas, que o processa pelo fato de ter quebrado seu braço. Daí para a frente, Reza viverá um verdadeiro inferno, terá que lidar com funcionários judiciários e policiais que exigem propina – para desespero da sua esposa, Reza não aceita o jogo dos corruptos e acaba sofrendo por isso. Ele e sua família. O filme é excelente e um de seus maiores trunfos é, sem dúvida, além do primoroso roteiro, a grande atuação da dupla de atores principais: Reza Akhlagfhirad e a belíssima Sondabeh Beizaee. Resumo da ópera: cinema da mais alta qualidade. Imperdível!  

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019


“UM AUTÊNTICO VERMEER” (“EEN ECHTE VERMEER”), 2016, Holanda, 1h55m, roteiro e direção de Rudolf Van Den Berg. Trata-se de uma história baseada em fatos reais, ou seja, a trajetória do pintor holandês Han Van Meegeren (Jeroen Spitzenberger), que ficou famoso na Amsterdã dos anos 20 do século passado por apresentar, em suas telas, um estilo semelhante aos grandes pintores clássicos holandeses do Século 17, Rembrandt e Johannes Vermeer. Seu sucesso, porém, teria vida curta, principalmente depois que conheceu e se apaixonou pela atriz de teatro Jolanka Lakatos (Lize Feryn), casada com Abraham Bredius (Porgy Franssen), o mais importante marchand e crítico de arte da Holanda. Enciumado pelo assédio de Meegeren sobre sua esposa, Bredius destruiu a carreira de Meegeren, que resolveu se vingar não apenas tornando-se amante de Jolanka, como também pintando telas falsas de Vermeer para o oponente comercializar como sendo verdadeiras. O filme acompanha a trajetória de Meegeren até depois da Segunda Guerra Mundial, quando ele é julgado como suspeito de colaborar com o exército nazista que ocupou a Holanda durante o conflito - ele presenteou os oficiais alemães e até Hitler com algumas de suas obras. O diretor holandês Van Den Berg (“Süskind” e “Tirza”) acertou ao escolher uma história tão interessante e pouco conhecida. Acertou também na escolha do elenco, na fotografia e, principalmente, na reconstituição de época – figurinos e cenários. Por aqui, o filme foi exibido durante a programação oficial da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Vale a pena assistir!  

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019


“ROMA”, 2018México, 2h15m, produção e distribuição da Netflix, roteiro e direção de Alfonso Cuarón. Totalmente filmado em preto e branco, esse maravilhoso drama recebeu nada menos do que 10 indicações para disputar no Oscar 2019. Banido do Festival de Cannes 2018 por ser da Netflix, “Roma” conquistou o Leão de Ouro como Melhor Filme no Festival de Veneza e foi eleito o melhor longa-metragem de 1918 por críticos de Nova Iorque, São Francisco, Los Angeles e Chicago. Ao assistir “Roma”, fiquei propenso a acreditar que o diretor mexicano estava fazendo uma homenagem a “Roma, Cidade Aberta” (1947), um clássico do neorrealismo italiano dirigido por Roberto Rosselini. Ledo engano. Cuarón escreveu o roteiro inspirado na sua infância, quando morava com sua família em Colônia Roma, um bairro de classe média na Cidade do México. A personagem principal da história, Cleo (Yalitza Aparício), por exemplo, foi baseada na sua antiga babá Libo. Tudo gira em torno de Cleo, a babá e empregada da família, na verdade o braço direito de Sofia (Marina de Tavira), a patroa da casa. O filme é ambientado nos primeiros anos da década de 70, quando o México vivia um momento de grave instabilidade política, com manifestações de trabalhadores e estudantes. Numa dessas manifestações, um grupo de paramilitares assassinou 120 manifestantes, a maioria estudantes. Cuarón toca nessa ferida e em outras mais. Porém, o foco central do filme é realmente o relacionamento entre os familiares e Cleo, a cumplicidade que os une, sem distinção de classe, puro amor fraternal. Nesse contexto, o filme reserva momentos de grande sensibilidade capazes de emocionar até mesmo o espectador menos sensível. Enfim, uma beleza de filme, cinema da mais alta qualidade. Imperdível! (só para lembrar: Cuarón já conquistou três prêmios Oscar com “Gravidade”, de 2014: Direção, Filme e Montagem).

domingo, 17 de fevereiro de 2019


“POLAR”, produção da Netflix, é um filme de ação baseado na Graphic Novel “Polar: Came From the Cold”, da Editora Dark House. Sua estreia mundial aconteceu no dia 25 de janeiro de 2019. A história é centrada em Duncan Vizla, o “Kaiser Negro” (o ator dinamarquês Mads Mikkelsen), um assassino profissional chegando aos 50 anos e prestes a se aposentar. Ele trabalha para Blut (Matt Lucas), um sanguinário chefe de uma quadrilha que se nega a pagar o valor exigido pelo “Kaiser Negro” como prêmio aos serviços prestados. Blut então convoca sua equipe de assassinos para eliminar Vizla. É ação o tempo inteiro, muita violência explícita (o sangue jorra na tela) e cenas de sexo bastante fortes. Portanto, ao assistir, tire as crianças da sala. A direção ficou por conta do diretor sueco Jonas Akerlund, que há muitos anos está radicado nos Estados Unidos, onde é mais conhecido como realizador de filmes de curta-metragem e videoclipes. Embora massacrado pela crítica especializada, eu achei “Polar” um ótimo entretenimento como filme de ação, sem contar que o elenco é ótimo: além de Mikkelsen - que arrasa em qualquer papel - e Matt Lucas, atuam Vanessa Hudgens, a loiraça Katheryn Winnick e  veteraníssimo Richard Dreyfuss, que demorei a reconhecer. Diversão garantida!

sábado, 16 de fevereiro de 2019


“O PRIMEIRO HOMEM” (“THE FIRST MAN”), EUA, 2h22m, 2018, direção de Damien Chazelle. O roteiro foi escrito por Josh Singer, baseado no livro “The First Man: The Life of Neil A. Armstrong”, de Jame R. Hansen. Trata-se da história do astronauta Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, em julho de 1969. O filme é ambientado no período de 1961 a 1969 e acompanha os testes realizados pela NASA para enfim enviar uma tripulação, comandada por Armstrong, para a Lua. A trajetória de Armstrong confunde-se com a evolução do programa espacial norte-americano, durante o qual morreram vários astronautas. Além do trabalho como engenheiro, piloto e astronauta, Armstrong é apresentado em sua vida particular, a relação com a esposa Janet e com os filhos. A história desses astronautas é incrível. O filme explora o interior dos módulos espaciais, mostrando as condições nada confiáveis dos antigos instrumentos de bordo, com peças rangendo e faíscas para tudo quanto é lado. Enfim, ser astronauta naquela época era para sujeitos muito corajosos. Armstrong era um deles. O elenco conta nos papeis principais com Ryan Gosling, Claire Foy e Jason Clarke. “O Primeiro Homem” foi indicado para disputar quatro categorias no Oscar 2019 (Direção de Arte, Mixagem de Som, Edição de Som e Efeitos Visuais). Acho que merecia muito mais, pois o filme é ótimo. Mais um gol de placa do jovem diretor Damien Chazelle, de apenas 33 anos, que já mostrou sua enorme competência em filmes como “La La Land: Cantando Estações” e o espetacular “Whiplash: Em Busca da Perfeição”.       

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

“FÚRIA EM ALTO MAR” (“HUNTER KILLER”), EUA, 2017, 2h02min, direção do sul-africano Donovan Marsh. O roteiro foi escrito por Jamie Moss e Arne Schidt, que adaptaram a história do romance “Firing Pint”, de Don Keith e George Wallace, de 2012. Trata-se de um filme de ação envolvendo os Estados Unidos e a Rússia, retomando o tema da Guerra Fria, como nos bons tempos de James Bond. Durante missão para monitorar as atividades militares da Rússia nas águas do Mar de Barents, situado ao norte da Rússia e da Noruega, um submarino norte-americano é abatido por um míssil. Ao mesmo tempo, um submarino russo sofre uma explosão provavelmente provocada por uma sabotagem. Para investigar o que realmente aconteceu, o almirante Charles Donagan (Gary Oldman) recruta o experiente comandante Joe Grass (o ator escocês Gerard Butler) para comandar a tripulação do submarino “SS Arkansas”. Para dar suporte à missão de Grass, o governo norte-americano convoca um pequeno grupo de fuzileiros navais para ingressar em território russo por terra. O clima é da maior tensão, pois as autoridades governamentais e militares tanto dos EUA como da Rússia acreditam que estavam sendo atacados pelo outro país. Guerra Fria levada ao extremo. Enfim, como logo descobririam os serviços de inteligência dos EUA, o que estava acontecendo na Rússia era um golpe de Estado comandado pelo próprio ministro da defesa Almirante Dimitriy Durov (Michael Gor), que sequestrou e prendeu o moderado presidente Zacarin (Alexander Diachenko). Será que os norte-americanos conseguirão libertar o presidente russo e evitar o golpe? Daqui por diante deixo a resposta para quem assistir. Só digo que na cena final só faltou tocar o hino norte-americano. Em todo caso e com todos os seus defeitos, “Fúria em Alto Mar” é um filme de ação que prende a atenção do começo ao fim. Como relatado nos créditos finais, o filme é dedicado ao ator sueco Michael Nyqvist, que faleceu logo depois do final das filmagens.          

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019


O drama “TRAMA FANTASMA” (“Phantom Thread”), 2017, EUA, 2h11m, roteiro e direção de Paul Thomas Anderson, marca a despedida das telas do ator britânico Daniel Day-Lewis, que ao final das filmagens anunciou sua aposentadoria. Aos 61 anos, vencedor de três Oscars (“Lincoln”, “Sangue Negro” e “Meu Pé Esquerdo”), Day-Lewis resolveu se aposentar num filme onde mais uma vez tem uma atuação à altura da sua competência. Em “Trama Fantasma”, cuja história é ambientada nos anos 50, ele interpreta Reynolds Woodcock, um renomado estilista da alta costura em Londres, requisitado pelas mulheres da elite londrina e até da realeza inglesa, assim como de outros países da Europa. Enfim, uma celebridade do mundo da moda. Ao mesmo tempo, é um sujeito egocêntrico e grosseiro. A única pessoa que ele ainda se dá bem é sua irmã Ciryl (Lesley Manville), sócia no negócio e seu braço direito. Em uma de suas viagens ao interior para descansar, Reynolds conhece a jovem Alma (Vicky Krieps), garçonete de um restaurante. Ele se encanta com o corpo e a postura da moça e a convida para trabalhar vestindo seus novos modelos. Em pouco tempo os dois se apaixonam, mas Alma logo descobrirá que Reynolds é, na verdade, um sujeito bastante grosseiro, a quilômetros de distância do homem gentil que ela conheceu. Ele é tão chato que implica com o barulho que Alma faz ao passar manteiga em uma torrada. Mesmo assim, eles acabam se casando e pouco tempo depois a relação se transforma num inferno, amor e ódio levados ao extremo. O filme é excelente, como comprovam as cinco indicações que recebeu na disputa do Oscar 2018 – venceu como Melhor Figurino. Mais um trabalho de alto nível criado pelo diretor norte-americano Paul Thomas Anderson em seu primeiro filme realizado fora dos Estados Unidos – as filmagens aconteceram na Inglaterra e na Escócia. Do currículo de Anderson constam filmes muito bons, como “Sangue Negro”, “Magnolia”, “Vício Inerente” e “Boggie Nights: Prazer sem Limites”. E, agora, “Trama Fantasma”. Cinema da mais alta qualidade. Não perca!      

domingo, 10 de fevereiro de 2019


Eleito o melhor filme do ano pelo American Film Institute e com 10 indicações ao Oscar 2019, “A FAVORITA” (“THE FAVOURITE”), 2h00, coprodução Reino Unido/EUA, direção do grego Yorgos Lanthimos, com roteiro escrito por Deborah Davis e Tony McNamara, é um dos mais deslumbrantes filmes de época que já assisti. Não sou muito fã do gênero, mas este em especial me impressionou positivamente. Tudo funciona muito bem: roteiro, fotografia, figurinos, ambientações, enfim, um esplendor visual que define com propriedade a opulência da corte inglesa no Século XIII. O grande trunfo do filme, porém, é o trio de protagonistas principais, Olivia Colman como a rainha Anne, Raquel Weisz como Sara Churchill – Duquesa de Marlborough (antepassada de Winston Churchill) e Emma Stone como Abigail Hill. Vamos à história, baseada em fatos reais: a Duquesa de Marlborough é a figura mais importante da corte. Além de ser a tesoureira da Casa Real, ela é quem influencia a rainha na tomada de decisões. Além disso, é amante da rainha. Seu poder só será ameaçado com a chegada de sua prima distante Abigail Hill, que começa como simples faxineira até cair nas graças da rainha, inclusive frequentando a cama real. O embate entre ela e a Duquesa de Marborough para ver quem é mais poderosa na corte faz o filme ficar ainda mais interessante. Ao contrário do que se vê nos filmes de época, onde a câmera é mais contemplativa, o diretor grego Lanthimos impõe um ritmo bastante ágil na tomada de cenas. Para dar amplitude e suntuosidade aos ambientes, ele utiliza lente-angular, produzindo um efeito dos mais interessantes. “A Favorita” estreou na programação oficial do 75º Festival Internacional de Cinema de Veneza, em agosto de 2018, e já conquistou dois prêmios: Melhor Atriz para Olivia Colman e Prêmio Especial do Júri. Eu já conhecia o trabalho do diretor Yorgos Lanthimos por filmes difíceis e sem nenhum apelo comercial, como “O Lagosta”, “O Sacrifício do Cervo Dourado” e “Dente Canino”. Ao dirigir “A Favorita”, ele tornou o filme mais acessível ao grande público, realizando um maravilhoso trabalho. Imperdível!

sábado, 9 de fevereiro de 2019


“ANOS DOURADOS” (“Nos Années Folles”), 2017, França, 1h43m, direção do veterano André Téchiné. Baseado em fatos reais, o filme é uma adaptação do livro “La Garçonne et L’Assassin: Histoire de Louise et Paul”, escrito pelos historiadores Fabrice Virgili e Danièle Voldman, que também colaboraram com o roteiro, juntamente com Téchiné e Cédric Anger. Ambientado entre os anos de 1914 e 1925, o filme conta a história incrível de Paul Grappe (Pierre Deladochamps), que desertou do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial. Antes do início do conflito, Paul casou com Louise (Céline Sallette), que trabalhava como costureira numa confecção. Paul foi convocado para lutar no front, mas depois de sofrer alguns ferimentos, resolveu desertar e se esconder, pois se fosse preso seria fuzilado. Ele então se escondeu no porão da casa da avó de Louise. Não suportando viver daquele jeito, ele resolve, com a ajuda da própria mulher, se vestir de mulher e sair noite afora. Nas madrugadas, ele começa a frequentar o bosque Bois, local onde mulheres e homens se encontravam para praticar as mais variadas formas de sexo, inclusive homem com homem. Até 1925, quando foi anistiado, Paul Grappe transou com homens e mulheres, com o consentimento de Louise. O relacionamento do casal entrou em crise quando Louise engravidou e teve um filho, culminando com uma grande tragédia. A história teve grande repercussão quando foi revelada através de uma peça de teatro, causando comoção em toda a França. Entre os vários motivos para assistir a esse excelente drama francês, destaco as primorosas performances do ator Pierre Deladochamps e da atriz Céline Sallette. Também vale pela incrível história, desconhecida totalmente por aqui - pelo menos por mim. O filme concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2017 e fez parte da programação oficial do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em outubro de 2017.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019


“PERDOAI AS NOSSAS DÍVIDAS” (“RIMETRI A NOI I NOSTRI DEBITI”), Itália, 1h44m, produção da Netflix (lançamento aconteceu no dia 4 de maio de 2018), roteiro e direção de Antonio Morabito. Surpreendente drama cujo pano de fundo é a crise social-econômica que afeta a Itália. A figura central é o fracassado Guido (Claudio Santamaria), que à beira dos cinquenta anos é demitido da empresa de informática e também do armazém onde fazia uns bicos. Encalacrado em dívidas e pressionado pelos credores, ele propõe trabalhar de graça como cobrador para a empresa e assim pagar o que deve. Franco (Marco Giallini), um cobrador de dívidas profissional, fica encarregado de treinar Guido para a função. Com seu jeito truculento e sem escrúpulos, Franco utiliza métodos pouco católicos, como pressionar o devedor em lugares públicos ou diante da família. Guido é obrigado a seguir a cartilha do mentor, embora com a coração partido. Essa dualidade entre Guido e Franco é explorada o filme inteiro com muita competência, principalmente graças às ótimas atuações da dupla de atores. Embora o contexto seja bastante dramático, o filme reserva alguns bons momentos de humor e aqui quem arrasa é o ator Marco Giallini. Este foi o segundo longa-metragem escrito e dirigido por Morabito (o primeiro foi "Il Venditore di Medicine", de 2013). O filme é excelente e conta ainda com uma trilha sonora de primeira, incluindo desde obras do Século 18 do compositor Giovanni Báttista Pergolesi até Françoise Hardi. Cinema da melhor qualidade. Não perca!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019


“BOHEMIAN RHAPSODY”, 2018, EUA/Inglaterra, 2h13m, direção inicial de Bryan Singer (dirigiu dois terços do filme e acabou sendo demitido pouco antes do fim das filmagens), substituído por Dexter Fletcher. Indicado para disputar o Oscar 2019 em cinco categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, “Bohemian Rhapsody” é uma cinebiografia de Freddie Mercury, vocalista e líder da banda de rock inglesa “Queen”. A história começa em 1970, quando Mercury ingressa na banda “Smile”. O novo vocalista sugere a mudança de nome para “Queen” e daí para a frente a banda vira um sucesso mundial. O filme conta a trajetória de Mercury e da “Queen” até 1985, quando a banda se apresenta no Estádio de Wembley, em Londres, durante o concerto mundial intitulado “Live Aid” em prol da África – segundo os críticos musicais, esta foi a melhor apresentação ao vivo da banda em muitos anos. O filme revela detalhes desconhecidos pelo público em geral – os fãs devem conhecer -, como, por exemplo, o fato de Mercury ser filho de paquistaneses e de que seu nome verdadeiro era Farrokh Bulsara. Antes de ingressar na banda, ele trabalhava como carregador de malas no aeroporto de Heathrow, em Londres. O filme também acompanha a vida particular de Mercury, seu romance e casamento com Mary Austin (Lucvy Boynton), além dos bastidores da banda, incluindo algumas desavenças entre os integrantes do grupo. Mas o melhor mesmo fica por conta de como algumas músicas de sucesso foram feitas, principalmente “Bohemian Rhapsody”. Além de fornecerem detalhes sobre a trajetória da banda, os músicos originais Brian May (guitarrista) e Roger Taylor (baterista) também participaram como produtores – Robert De Niro também foi um deles. Sucesso de bilheteria no mundo inteiro, o filme é um dos grandes favoritos a ganhar o Oscar. Eu votaria nele, com certeza, além de escolher Rami Malek, o intérprete de Freddie Mercury, como Melhor Ator. A cereja do bolo, porém, é a trilha sonora. Imperdível!  

domingo, 3 de fevereiro de 2019


Muitas vezes a gente desiste de ver um filme por causa da sua sinopse. Foi o que aconteceu comigo antes de assistir “LUA DE JÚPITER” (“JUPITER HOLDJA”), 2017, Hungria, 2h3m, roteiro e direção de Kornél Mundruczó ("Deus Branco"). Um resumo da sinopse que quase me fez desistir: um jovem imigrante sírio é assassinado com três tiros ao tentar cruzar a fronteira da Hungria, depois ressuscita e descobre que adquiriu o poder de levitar. Fala sério, você assistiria a um filme com essa apresentação? E ainda por cima feito na Hungria? Pois eu arrisquei e me dei muito bem, pois o filme é surpreendentemente ótimo. Quando ressuscita, Aryan Dahni (Zsombor Jéger) acorda num campo de refugiados e é medicado pelo dr. Gabor Stern (Marab Ninodze), que é surpreendido com uma levitação do jovem. Dr. Stern vê nisso uma oportunidade de ganhar dinheiro, pois precisa juntar um valor alto para pagar um processo de indenização por causa de um antigo erro médico. Ao perseguir o imigrante desaparecido, o policial Lászlo (György Cserhalmi), chefe da divisão de fronteiras, também acaba conhecendo o dom de levitar do garoto, cujo pai é acusado de praticar um atentato à bomba em Budapeste. Aryan acaba envolvido também como suspeito e vai depender do dr. Stern para escapar da polícia. Para escrever a história, o diretor Kornél Mundruczó se inspirou numa fábula que leu durante a infância. Nela, um homem tinha o poder de levitar. O filme é bastante interessante, muito bem feito e tem ótimas cenas de ação, uma delas uma empolgante perseguição de carros pelas ruas de Budapeste. O filme estreou e disputou a Palma de Ouro no 70º Festival de Cannes, em maio de 2017. Uma informação adicional sobre o título. Europa é uma das 67 luas de Júpiter, o que serviu de ideia ao diretor para fazer uma associação com a questão dos refugiados que ingressam naquele continente. Enfim, não digo que o filme é imperdível, mas, sem dúvida, muito interessante e criativo, tornando-o irresistível. 
      

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019


Representante da Turquia na disputa do Oscar/2019 de Melhor Filme Estrangeiro, “A ÁRVORE DOS FRUTOS SELVAGENS” (“AHLAT AGACI”) leva a assinatura do cultuado – não por mim - roteirista e diretor Nuri Bilge Ceylan. A história: o jovem Sinan (Dogu Demirkol) termina a faculdade e retorna à sua vila natal, no interior da Turquia. Ao reencontrar sua família, vê que as coisas não andam bem. Idris (Murat Cencir), seu pai, um professor à beira da aposentadoria, é viciado em apostas de corridas de cavalo e está endividado, a ponto de não poder pagar nem a conta de energia da casa. Asuman (Bennu Yildirimlar), a mãe, trabalha como babá, não reage, sofre calada e vive apenas se lamentando, mas não admite que Sinan fale mal do pai. Em meio a esse clima melancólico e de rusgas familiares, Sinan, que sonha em ser escritor, enfrenta dificuldades em levantar um financiamento para editar seu primeiro livro, cujo título é o mesmo do filme. E assim vão passando as longas e entediantes 3h9m de filme, com longas cenas recheadas de diálogos onde se discute filosofia, literatura e religião – algumas dessas cenas demoram mais de 20 minutos. Eu já conhecia o estilo do diretor Nuri Bilge Ceylan, depois de assistir a dois de seus filmes mais conhecidos, “Era uma Vez na Anatolia” e “Sono de Inverno”. Ceylan teima em tornar seus filmes monótonos, verborrágicos demais. Quando foi exibido no Festival de Cannes em maio de 2018, onde concorreu à Palma de Ouro, parte da plateia de críticos deixou a sessão, provavelmente para não pegar no sono. Eu consegui assistir até o final, apesar de alguns cochilos. Resumo da ópera: o novo filme de Ceylan, assim como os anteriores, exige uma paciência hercúlea. Não é para espectadores iniciantes. Apesar dos pesares, o filme foi exibido por aqui durante a programação oficial da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Duvido que chegue ao circuito comercial.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019


Nesses tenebrosos tempos de tantas notícias ruins, trágicas e estressantes, nada melhor do que se divertir assistindo a uma boa comédia. É o caso de “JOHNNY ENGLISH 3.0” (“JOHNNY ENGLISH STRIKES AGAIN”), 2018, Inglaterra, 1h29m, roteiro de William Davies e direção de Peter Howitt. Este é o terceiro filme da série que mostra as confusões do desastrado agente secreto britânico Johnny English, interpretado pelo ator Rowan Atkinson (o “Mr. Bean”). O primeiro foi “Johnny English”, de 2002, e o segundo “O Retorno de Johnny English, de 2011. Trata-se de uma sátira aos filmes de espiões famosos como James Bond, utilizando agentes atrapalhados e sem qualquer inteligência, como víamos na famosa série “A Pantera Cor de Rosa”, com Peter Sellers no papel do inspetor Jacques Clouseau. Em “Johnny English 3.0”, a missão do agente é descobrir o hacker que invadiu o bando de dados do governo inglês, revelando a identidade de todos os agentes secretos ingleses – só sobrou Johnny English, que estava aposentado. Além disso, o hacker prometia cometer atos terroristas não só na Inglaterra, como no mundo todo. English e seu inseparável assistente trapalhão Angus Bough (Ben Miller) serão responsáveis por grandes confusões durante a missão, como, por exemplo, incendiar um famoso restaurante de luxo e outras trapalhadas hilariantes. A comédia conta ainda com a participação da bela atriz russa Olga Kurylenko como uma espiã contratada pelo vilão e a inglesa Emma Thompson como a primeira-ministra. Claro que o filme é uma grande bobagem, mas diverte muito.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019


“UM PEQUENO FAVOR” (“A SIMPLE FAVOR”), EUA, 2018, direção de Paul Feig. Assina o roteiro Jessica Sharzer, que o escreveu inspirada no livro “A Simple Favor”, o primeiro romance escrito pela norte-americana Darcey Bell e que se transformou num grande best-seller, agora adaptado para o cinema. A história reúne duas mulheres com personalidades totalmente opostas. Stephanie (Anna Kendrick) é mãe solteira, dona de casa, vive solitária, um tanto carente e insegura, é baixinha e atrapalhada, sem nenhum atrativo físico capaz de atrair um olhar masculino. Por sua vez, Emily (Blake Lively) é segura de si, bonita, alta, muito charmosa e sensual, tem classe e um corpaço. Além disso, é relações-públicas numa grande empresa e ganha um dinheirão, como comprova a bela casa onde mora, as roupas e o carro. As duas se conhecem na porta da escola onde estudam os seus filhos e daí nasce uma forte amizade, a ponto de um dia Emily pedir “Um Pequeno Favor” a Stephanie. Buscar seu filho no colégio. Só que Emily sumiu misteriosamente, dando margem a muitas especulações. Será que ela foi assassinada ou fugiu com algum amante? O marido de Emily, Sean Townsend (Henry Goldine), torna-se o primeiro suspeito, ainda mais depois de arrastar as asas para cima de Stephanie, além de uma polpudo seguro de vida no meio. Até o desfecho, muitas reviravoltas acontecerão, esclarecendo todo o mistério do desaparecimento de Emily. Resumindo: trata-se de um misto de comédia e suspense, ou, como definiu um crítico, um “suspense tragicômico”. Paul Feig é, sem dúvida, perito em comédias, como já demonstrou em “Missão Madrinha de Casamento”, “As Bem-Armadas” e “A Espiã que Sabia de Menos”. Faço questão de destacar, em “Um Pequeno Favor”, a presença da loiraça Blake Lively, que, além de ótima atriz, é linda e muito sensual. Aos 31 anos, ela já pode ser considerada, na minha modesta opinião, como a nova diva de Hollywood. Se quiserem comprovar o que digo, assistam “Café Society”, “A Incrível História de Adaline”, “Águas Rasas” e “Por Trás dos Seus Olhos”. Ela arrasa em todos.