ENNIO, O MAESTRO (ENNIO, IL
MAESTRO), 2022, Itália, documentário de 2h36m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Giuseppe Tornatore. Quem acompanha meu blog já
percebeu que documentários são pouco comentados. Mas não poderia deixar de lado
o documentário sobre o maestro e compositor italiano Ennio Morricone (1928-2020),
um dos grandes gênios da música no século XX. Ainda mais que o diretor é Giuseppe
Tornatore, responsável por pequenas obras-primas do cinema, como “Cinema
Paradiso”, “Malèna”, “A Lenda do Pianista do Mar”, "Baaria – A Porta do Vento”,
entre tantos outros. A ideia do documentário sobre Morricone surgiu em 2016, e
o maestro só concordou se fosse dirigido por Tornatore. Para se ter uma ideia
da importância de Morricone para a música do século XX basta dizer que ele compôs
cerca de 500 trilhas sonoras para o cinema, além de centenas de outras composições.
O maestro italiano deixou fãs por todo o mundo, começando pelas trilhas dos
faroestes italianos da década de 60, entre os quais “Por um Punhado de Dólares”
e “Era uma Vez no Oeste”. Lembram-se daqueles assobios como parte da trilha?
Tornatore conseguiu inúmeros depoimentos de músicos, cantores, maestros e
cineastas para o documentário, entre os quais do próprio Morricone e Tornatore,
além de Clint Eastwood, Quincy Jones, Quentin Tarantino, Bruce Springsteen, Gino
Paoli, Gianni Morandi, Pat Metheny, Lina Wertmüller, Bernardo Bertolucci,
Sérgio Leone, Joan Baez e Brian de Palma, entre tantos outros, todos admiradores da obra de
Morricone. Intercaladas a estes depoimentos estão várias cenas dos filmes, um
trunfo a mais deste que é um documentário imperdível para músicos e cinéfilos.
Emocionante do começo ao fim!
sábado, 19 de julho de 2025
sexta-feira, 18 de julho de 2025
“UM TIPO DE LOUCURA” (“A KIND
OF MADNESS”), 2025, África do Sul, 1h39m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Christiaan Olwagen. Drama familiar, com uma história de amor
e aceitação, formando um verdadeiro carrossel de emoções. Esses ingredientes fazem parte
da história desse belo filme do pouco conhecido cinema sul-africano. Dan Hart (Ian
Roberts) e Elna (Sandra Prinsloo), se conheceram ainda muito jovens e, mesmo
sem se casarem oficialmente, tiveram três filhos. Começa o filme e voltamos no
tempo para acompanhar o início do romance de Daniel e Elna (vividos por Luke
Volker e Ashley de Lange). A história dá um salto no futuro e nos surpreende
com a fuga de Elna da clínica com a ajuda de Daniel. O objetivo do casal é
pegar a estrada, casar e chegar até o litoral, subir num barco e sair pelo mundo como
última viagem. Desesperados, Lucy, Olivia e Ralph, os três filhos, saem em
busca dos pais e, a partir daí, o filme se transforma num road-movie, durante
o qual os personagens terão a oportunidade de discutir o relacionamento,
aplacar divergências do passado e tomar as decisões que a situação está
exigindo. Completam o elenco – todos sul-africanos - Erica Wessels (Lucy), Amy
Louise Wilson (Olivia) e Evan Hengst (Ralph). O grande destaque é, sem dúvida,
a incrível atuação da veterana atriz Sandra Prinsloo, de 77 anos. Enfim, “Um Tipo de
Loucura” é um drama sensível e comovente. Cinema de qualidade. Não perca!
segunda-feira, 14 de julho de 2025
“APACHES – GANGUES DE PARIS” (“APACHES”), 2023, coprodução França/Bélgica, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Romain Quirot, que também
assina o roteiro com a colaboração de Fannie Pailloux e Antoine Jaunin. Para
contextualizar a história do filme, existiam na Paris do fim do século XIX
várias gangues de marginais que agiam na cidade, assaltando, sequestrando e
vandalizando. Os alvos eram os de sempre: os burgueses. Ou seja, a classe mais
abastada. Uma das gangues mais famosas e temidas era chamada “Os Apaches”, que aterrorizaram
a capital francesa de 1890 até 1905. Os autores do roteiro aproveitaram esse ingrediente
para criar uma história colocando como protagonista principal a jovem Billie
(Alice Isaaz), que ingressa na gangue para se vingar da morte do seu irmão
Tricky (Malik Frikah), anos antes, provocada pelo líder da gangue, o violento Jésus (Niels
Schneider). Para ingressar no grupo criminoso, ela é obrigada a cometer alguns
assassinatos, inclusive o de um novo chefe de polícia. Completam o elenco
Dominique Pinon, Rod Paradot, Bruno Lochet, Emilie Gavois e Chloé Peillex.
Resumindo, “APACHES” é um filme que proporciona uma primorosa ambientação de
época, incluindo cenários e figurinos, mas é desagradável de assistir por mostrar
uma Paris sem nenhum charme, com muita sujeira, pobreza, prostituição à luz do dia e violência. Em todo
caso... tem a presença da bela atriz Alice Isaaz.
“NOSFERATU”, 2024,
coprodução Estados Unidos/República Checa, 2h14m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro
e direção de Robert Eggers (“O Farol”, “A Bruxa”, “O Homem do Norte”). Esta é
mais uma adaptação para o cinema do romance “Drácula”, escrito em 1897 por Bram
Stoker. A mais famosa é a de 1922, “Nosferatu”, considerada uma obra-prima do
expressionismo alemão. Também posso citar “Nosferatu: O Vampiro da Noite”, de
1979, e “Nosferatu: A Symphony of Horror, de 2023. Esta última adaptação, de
2024, recebeu quatro indicações ao Oscar (Melhor Figurino, Melhor Cabelo e
Maquiagem, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte”). Não ganhou a estatueta
em nenhuma. No elenco, os papeis principais foram interpretados por Lily-Rose
Depp (filha do ator Johnny Depp e da atriz Marisa Paradis), Nicholas Hoult,
Aaron Taylor-Johnson, Bill Skarsgard, Emma Corrin e Willem Dafoe. Nesta última
versão, ambientada em 1838, na Alemanha, a vítima da vez é Ellen Hutter (Depp),
esposa do corretor imobiliário Thomas Hutter (Hoult). O Conde Orlok (Skarsgard), que nas
horas vagas se transforma no vampiro Nosferatu, se apaixona pela moça, que
desde jovem tem sonhos assustadores, visões sobrenaturais e alucinações. Esse
sofrimento só será evitado se ela se entregar sexualmente a Nosferatu, que sai
da Transilvânia para concretizar o seu desejo. O filme tem seus méritos, como a
excelente fotografia e a ambientação de época, mas o resultado final não me convenceu.