“ASSASSINOS
MÚLTIPLOS” (“ACTS OF VENGEANCE”), 2017, Estados Unidos,
disponível na plataforma Netflix, 1h27m, direção de Isaac Florentine (“Assalto
à Casa Branca”), seguindo roteiro escrito por Matt Venne. A história repete um
dos clichês mais utilizados em dezenas de filmes. Esposa e filha são assassinadas,
a polícia não se esforça e o pai parte para a vingança, fazendo justiça com as
próprias mãos. Ao chegar atrasado para a apresentação teatral da filha na
escola, o advogado criminalista Frank Varela (Antonio Banderas) se desencontra
da esposa Sue (Cristina Serafini) e da filha Olivia (Lilian Blankenship). Ele
vai para casa e fica esperando as duas, mas quem chega é a polícia para avisar
que elas foram assassinadas. Daí para a frente o roteiro viaja na
maionese. Cheio de culpa, Frank ingressa nas lutas de MMA, apanha pra valer e
vê esse sacrifício como forma de punição. Numa briga de rua, ele recebe uma
facada na perna e tenta estancar o sangue com um livro que estava no lixo.
Trata-se de “Meditações”, escritos pessoais e reflexões do imperador romano Marco
Aurélio (121 d.C./180 d.C.), que ele adota como livro de cabeceira enquanto se
recupera. Ao mesmo tempo, lê também “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu. As duas
leituras o convencem a partir para a vingança, incentivando-o a se preparar física
e mentalmente. Ele ingressa numa academia de artes marciais e resolve também
fazer um voto de silêncio para apurar os outros sentidos. Enquanto isso,
Frank continua a investigar por conta própria até chegar aos criminosos.
Exageros à parte, “Assassinos Múltiplos” funciona bem como filme de ação. Tem
pancadaria, suspense e muito sangue jorrando. Também estão no elenco a atriz
espanhola Paz Veja, grande amiga de Banderas na vida pessoal, Karl Urban,
Lilian Blankenship, Robert Forster e Cristina Serafini. O que me surpreendeu
favoravelmente foi a excelente forma física de Banderas aos 56 anos, idade que
tinha quando atuou no filme. Segundo o material de divulgação, o ator espanhol
treinou artes marciais durante meses para o papel. Antes de encerrar o
comentário, faço meu protesto quando ao título em português, que não condiz
muito com a história. Melhor seria a tradução literal: “Atos de Vingança”. Resumo
da ópera: o filme prende a atenção e não economiza nas cenas de ação, garantindo
um ótimo entretenimento.
sábado, 6 de junho de 2020
quinta-feira, 4 de junho de 2020
“MY
HAPPY FAMILY” (“Chemi Bednieri Ojakhi”), 2017, Geórgia (antiga
república soviética), 120 minutos, produção Netflix, direção e roteiro de Nana
Ekvtimishvili e Simon Gross. Trata-se de um drama familiar centrado em Manana
(a ótima Ia Shugliashvili), uma professora de 52 anos que está em crise
existencial por conta da rotina diária com a família conservadora. Ela, o
marido, os dois filhos e os pais dela moram todos juntos num apartamento simples
e apertado. Logo no café da manhã começam as discussões, que continuam durante
o almoço e o jantar. Ou seja, não existe um momento de sossego, que é o que
Manana sempre desejou. O marido é ausente, não tem opinião sobre nada, o filho
mais velho não trabalha, só fica no computador, e tem ainda o crônico mau humor
da matriarca, dona Lamara (Bertha Khapava) que reclama de tudo e pega no pé de
todo mundo, inclusive de Manana. No dia de seu aniversário, Manana logo avisa: “não
quero festa, não quero bolo, não quero nenhum convidado”, como quem diz “Quero
sossego!”. Para o seu desespero, acontece justamente o contrário. A casa enche
de parentes, tem bolo, velinhas e cantorias – o povo georgiano deve gostar de
música, pois a cada reunião, seja familiar ou com amigos, logo aparece alguém
tocando violão e todo mundo canta junto. Manana fica alheia à comemoração, deixando
os convidados aos cuidados do seu marido. Como era de se esperar, logo depois
Manana avisa que vai sair de casa, alugar um apartamento e morar sozinha. A
notícia se espalha pela família e logo em seguida aparecem seu irmão Rezo
(Dimitri Oraguelidze) e outros parentes, todos tentando fazer Manana mudar de
ideia. A pergunta que todos fazem é por que ela que ir embora, abandonar a
família. Ela nunca responde a verdadeira razão, mas quem entende um pouco de
psicologia vai saber o por quê, principalmente as mulheres que estão na mesma
situação com suas famílias. O filme parece um episódio do seriado da TV Globo “A
Grande Família”, mas foge bastante do seu humor. “My Happy Family”, título que representa
uma grande ironia, é muito interessante não apenas pela história em si, mas por
destacar os costumes, os valores e o comportamento do povo georgiano. É um belo
filme, com uma atriz excepcional (Ia Shugliashvili) e um ótimo elenco, embora
seja formado, em sua maioria, por atores amadores. O filme estreou na Seção
Fórum do 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim e depois foi exibido em
vários outros festivais mundo afora, conquistando nada menos do que 12 prêmios
e outras tantas indicações. O filme é realmente muito bom.
terça-feira, 2 de junho de 2020

segunda-feira, 1 de junho de 2020
“CONTOS DE GUERRA” (“ÁPRÓ
MESÉK”) – “Tall Tales” nos países de língua inglesa –, 2019, Hungria,
1h52m, direção de Attila Szász e roteiro de Norbert Köbli. Um filme bastante
interessante, um misto de drama de guerra e suspense noir, lembrando os
policiais de Hollywood dos anos 40/50. Mas a grande influência parece ter vindo mesmo dos filmes do diretor inglês Alfred Hitchcock, principalmente a utilização da trilha sonora
para acentuar as cenas de maior tensão. A história de “Contos de Guerra” é
ambientada na Hungria logo após o final de Segunda Guerra Mundial. O ex-combatente
Hankó (Tamás Szabó Kimmel), aparentemente um desertor, retorna a Budapeste e,
ao ler um jornal local, vê vários classificados de famílias pedindo informações
sobre o paradeiro de seus entes queridos que foram para o front. Hankó decide
visitar essas pessoas dizendo que foi companheiro de trincheira do tal soldado.
Confesso que não entendi muito bem qual era a sua verdadeira intenção: consolar
as famílias dizendo que o ente querido foi um herói ou se aproveitar da
situação para conseguir alguma vantagem. Quando descobrem sua maracutaia, Hankó
foge e se esconde na zona rural, onde conhece Judit (Vica Kerekes) e seu filho
Virgil (Bercel Tóth). Bérces, marido de Judit, não voltou da guerra e é dado
como desaparecido. Enquanto isso, Hankó e Judit se apaixonam e tudo vai às mil
maravilhas até Bérces (Levente Molnár) surgir inesperadamente. A partir daí é
que o suspense entra em jogo pra valer, pois Bérces, um sujeito violento, não
vai deixar em paz a esposa e o amante, garantindo muita tensão até o desfecho
do filme. “Contos de Guerra”, repito, é um filme bastante interessante e que
merece ser visto.
sábado, 30 de maio de 2020
“RIPHAGEN”, 2016,
Holanda, disponível na plataforma Netflix, 2h11m, direção de Pieter Kuijpers,
com roteiro de Paul Jan Nelissen e Thomas van der Ree. O filme é baseado em
fatos reais ocorridos na Holanda durante a 2ª Guerra Mundial. Bernardus Andries
Riphagen (Jeroen van Konings Brugge) foi um grande colaborador dos nazistas
invasores, denunciando pelo menos 200 judeus , principalmente em Amsterdam. Antes, porém, chantageava as vítimas, sequestrando os seus pertences – dinheiro, joias,
objetos de arte e até imóveis. Ele prometia às famílias judias que assim que a
guerra terminasse devolveria tudo aos proprietários. Em seguida, porém, dava os
endereços de suas vítimas aos nazistas, que as enviavam para os campos de
concentração na Polônia. Quando a guerra acabou, Riphagen foi considerado traidor
e maior criminoso de guerra da Holanda. Para não ser preso, conseguiu fugir para a Espanha e
depois para a Argentina, onde fez amizade com Juan e Evita Peron, que conseguiram
evitar sua extradição para a Holanda. O filme conta toda a essa história e
ainda revela os bastidores da vida de Riphagen, como seu casamento com Greetje
(Lisa Zeerman), sua ligação com os alemães e como chantageava suas vítimas. Enfim,
Riphagen foi um verdadeiro monstro. O filme é excelente e o elenco é ótimo (atuam também Kay Greidanus, Anna Raadsveld e Sigrid Ten Napel), além
de uma primorosa reconstituição de época, destacando-se os cenários e figurinos.
Filmaço!
sexta-feira, 29 de maio de 2020

quinta-feira, 28 de maio de 2020
“A MULHER MAIS ODIADA DOS ESTADOS
UNIDOS” (“THE MOST HATED WOMAN IN AMERICA”), 2017, Estados Unidos,
1h31m – está no catálogo da Netflix. O roteiro e a direção são assinados por
Tommy O’Haver. Trata-se do filme biográfico de Madalyn Murray O’Hair, uma dona
de casa que nos anos 60 do século passado conseguiu que a Suprema Corte dos EUA
derrubasse a obrigatoriedade da leitura da Bíblia nas escolas públicas. Madalyn
defendia sua causa afirmando que “A religião é uma questão privada e só deveria
ser celebrada dentro de casa ou das igrejas”. Madalyn também questionou a
realização de cerimônias religiosas semanais na Casa Branca e contestou a
inclusão da frase “In God We Trust” (“Em Deus Nós Confiamos”) nas moedas e notas
de dólar. Não bastasse tudo isso, ainda conseguiu que a Constituição do Estado
do Texas eliminasse a exigência de acreditar em Deus para os candidatos a
cargos públicos. Além disso, ainda participava de debates com padres e pastores,
transmitidos pela TV, durante os quais falava um monte de palavrões, ofendia
Deus, o Papa e os santos, como também rasgava as Bíblias que estivessem ao seu
alcance. Imaginem a repercussão negativa que isso causou num país onde 70% da
população segue a religião cristã. Tanto é que, em 1964, ganhou capa na famosa
revista Life com o título “The Most Hated Woman in America” ao lado de sua
foto. Ao mesmo tempo, fundou a associação “Ateístas da América”, que durante
muitos anos arrecadou tantas doações que Madalyn ficou milionária, o que seria
motivo para o seu fim trágico, em 1995, quando foi sequestrada, juntamente com
seu filho e neta. O filme conta isso e mais um pouco, como as maracutaias
de Madalyn (Melissa Leo) para ganhar dinheiro e enganar o fisco. Ela chegou até
mesmo a encenar uma farsa com um pastor da igreja cristã – papel vivido por
Peter Fonda num de seus últimos filmes antes de morrer, em 2019 – para lucrar
ainda mais. Além de Melissa Leo e Peter Fonda, estão no elenco Juno Temple,
Adam Scott, Josh Lucas e Machel Chernus. Mas quem carrega o filme nas costas é
mesmo Melissa Leo, atriz norte-americana de 59 anos que já tem um Oscar de
Melhor Atriz Coadjuvante por “The Fighter” (2011). “A Mulher mais Odiada dos
Estados Unidos” é muito bom, tem um roteiro bem elaborado e atuações bastante
competentes.
quarta-feira, 27 de maio de 2020
“CONSPIRAÇÃO TERRORISTA” (“UNLOCKED”), 2017,
Inglaterra, produção Netflix, 1h43m, direção de Michael Apted (“Tudo por um
Sonho”), seguindo roteiro assinado por Peter O’Brien. O elenco é de primeira: Noomi
Rapace, John Malkovich, Michael Douglas, Toni Collette e Orlando Bloom. Mas o
filme nem tanto. Não que seja ruim. Como filme de ação até que funciona.
Trata-se de um thriller de espionagem centrado na ex-agente da CIA Alice
Racine (Rapace), especialista em interrogar suspeitos de terrorismo, mas que
agora trabalha numa Ong dedicada a atender refugiados que chegam à Europa. Quando
ela recebe o convite de seu antigo chefe na CIA, requisitando-a para ajudá-lo a
interrogar um árabe suspeito de planejar um futuro atentado com armas químicas em Londres, Alice acabará se
envolvendo num emaranhado de situações de perigo, envolvendo agentes de organizações governamentais como a
CIA, M15 e M16, estes dois últimos pertencentes ao serviço secreto da
Inglaterra. E dá-lhe tiros, pancadarias, perseguições e muita ação. A atriz
sueca Noomi Rapace, revelada nos filmes da Série Millennium (o primeiro foi “Os
Homens que não Gostavam de Mulheres"), dá conta do recado com muita competência. Ela é boa de briga e
não usa dublê para as cenas mais perigosas, tanto que quebrou o nariz durante
as filmagens. Rapace também é boa de língua: fala nada menos do que seis,
contando o sueco nativo - islandês, norueguês, dinamarquês, inglês e francês. Além
de boa atriz, Rapace também é bonita e muito simpática, conforme pude constatar
numa de suas entrevistas à televisão inglesa. Resumo da ópera: apesar de alguns
defeitos de roteiro e situações inverossímeis, “Conspiração Terrorista” é um
ótimo entretenimento.
terça-feira, 26 de maio de 2020

Atenção, colegas e amigos cinéfilos, críticos e estudantes de cinema e amantes da Sétima Arte em geral. Não dá para perder “FILMANDO CASABLANCA” (“CURTIZ”), 2018, Hungria, 1h38m, produção Netflix (estreou dia 20 de março de 2020), direção de Tamás Yvan Topolánszky, que também assina o roteiro juntamente com Zsuzsanna Bak e Ward Parry. O filme é todo centrado no consagrado diretor húngaro Michael Curtiz (1886-1962), responsável por “Casablanca”, talvez o filme mais elogiado e badalado do século 20. Falado em inglês e húngaro e ambientado nos primeiros meses de 1942, “Filmando Casablanca” acompanha os bastidores das filmagens do clássico norte-americano, mas o foco central é sempre Curtiz, apresentado como um homem arrogante, autoritário (humilhava aos berros o pessoal da sua equipe, atores e figurantes) e mulherengo ao extremo, mas um gênio da Sétima Arte. Todo em preto e branco, com uma fotografia exuberante de Zoltán Dévényi, o set das filmagens de “Filmando Casablanca” foi construído como uma verdadeira réplica do cenário original, criado nos estúdios da Warner Bros. O filme mostra o alto nível de estresse que tomou conta das filmagens, a começar pelas reuniões entre Jack L. Warner (Andrew Hefler), o produtor Hal B. Wallis (Scott Alexander Young)o chefão do estúdio, e Michael Curtiz, que contavam ainda com a presença do representante (censor) do governo norte-americano, Johnson (Declan Hannigan), que insistia toda hora em interferir no roteiro – as filmagens começaram logo após o ataque dos japoneses a Pearl Harbor, o que resultou na entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial. Johnson insistia para que o filme servisse como propaganda patriótica em tempos de guerra. Não bastasse isso, Curtiz teria de lidar com a visita inesperada de sua filha Kitty (Evelin Dobos), que não via há muitos anos. Outro fator que atormentava Curtiz eram os pedidos desesperados de sua irmã que tentava fugir da Hungria para não ser mandada para algum campo de concentração (a família de Curtiz era judia). Para aumentar ainda mais a alegria dos cinéfilos, o filme mostra ainda como as gravações foram feitas, as inesperadas mudanças no roteiro e o surpreendente detalhe sobre o avião ao fundo na cena final, construído de papelão sobre uma armação de madeira. Os atores que representam Humphrey Bogard e Ingrid Bergman aparecem sempre de relance, desfocados, uma maneira que o jovem diretor Topolánszky, de apenas 33 anos, encontrou para enfatizar que o astro do seu filme é o diretor Michael Curtiz. Enfim, um filme delicioso que os amantes de cinema terão - como eu tive - o privilégio de saborear. IMPERDÍVEL com letra maiúscula!
domingo, 24 de maio de 2020

sábado, 23 de maio de 2020
“LOST GIRLS – OS CRIMES DE
LONG ISLAND” (“LOST GIRLS”), 2020, Estados Unidos, produção
Netflix, 1h35m, primeiro longa-metragem dirigido por Liz Garbus, conhecida e
premiada documentarista. O roteiro foi escrito por Michael Werwie, que adaptou
as informações fornecidas pelo livro “Lost Girls: An Unsolved American Mistery”,
escrito pelo jornalista Robert Kolker. A história é baseada num caso real ocorrido
em 2011 que chocou os Estados Unidos. Cerca de 16 mulheres foram encontradas
mortas na região de Long Island (ilha ao sudeste de Nova Iorque). A maioria
garotas de programa. As características dos homicídios faziam supor de que se
tratava de um serial killer. Desde o início, a polícia não deu muita
importância ao caso, ficando evidente que as vítimas, por serem prostitutas,
não mereciam um esforço maior. Resumindo, o assassino não foi preso até hoje. O
foco principal de “Lost Girls” está todo direcionado para Mari Gilbert (a
excelente Amy Ryan), a primeira mãe a exigir da polícia um empenho maior para
encontrar sua filha mais velha desaparecida, Shannan (Sarah Wisser). Quando a
polícia resolveu se mexer, quatro corpos de mulheres foram encontrados – mais
tarde, outros tantos. Sob a pressão da imprensa e da opinião pública, as investigações
foram finalmente reforçadas. Sempre ao lado das filhas menores Sherre (Thomasin
McKenzie) e Sarra (Oona Lawrence), Mari Gilbert não deu sossego ao detetive
Richard Dormer (papel do ator irlandês Gabriel Byrne), além de denunciar o
descaso policial para a mídia. Maria chegou até a participar de um grupo de
mães e familiares de jovens desaparecidas, o que virou pauta nos principais
meios de comunicação dos EUA, transformando o caso numa grande comoção
nacional. O filme é muito bom, repleto de suspense e muita tensão. Para reforçar
o enfoque realista do caso, a diretora Liz Garbus acrescentou inúmeras cenas dos
noticiários dos telejornais da época. Antes dos créditos finais, a verdadeira
Mari Gilbert aparece dando uma entrevista – em 2016, ela seria assassinada pela
própria filha Sarra. Como dizia minha vó, “desgraça pouca é bobagem”. Resumo da
ópera, aliás da tragédia grega: vale a pena assistir “Lost Girls”. Está lá à
disposição na plataforma Netflix.
Passei a admirar o trabalho do
cineasta dinamarquês Bille August quando assisti “Pelle, O Conquistador”
(1991), filme que conquistou, entre outros prêmios importantes, a Palma de Ouro
do Festival de Cannes, o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Uma obra-prima. Depois vieram “A Casa dos Espíritos” (1993), “Mandela” (2007), “Marie
Kroyer” (2012), “Trem Noturno para Lisboa” (2013) e “55 Passos (2017), entre
tantos outros. Aos 71 anos, August continua em plena forma, como demonstra em
seu filme mais recente, “UM HOMEM DE SORTE” (“LYKKE-PER”), 2018,
produção Netflix, 2h47m. A história é baseada no livro autobiográfico do
escritor dinamarquês Henrik Pontoppidan (Prêmio Nobel de Literatura em 1917),
que leva o mesmo nome original do filme, o qual August transformou num
verdadeiro épico. Vamos acompanhar a trajetória do jovem Peter Andreas Sidenius
(Esben Smed), que um dia resolve sair de casa, em Jutland, para tentar a sorte
na capital Copenhague. Além de uma pequena mala de roupas, Sidenius também carregou
o trauma de uma infância pobre e uma educação religiosa cristã rígida à base de
tabefes. Peter sempre foi considerado um jovem sem futuro, principalmente por
não obedecer a religião da família. Peter chega a Copenhague e inicia seus
estudos de engenharia. Na cabeça, um projeto revolucionário na área de produção
de energia, o que o levaria a conhecer Ivan Salomon (Benjamin Kister), o
herdeiro de uma família judia muito rica. Peter é introduzido na família
Salomon e, a partir daí, inicia sua ascensão como figura proeminente na
sociedade de Copenhague. Casará com a filha mais velha da família Solomon, Jakobe
(Katrine Greis-Rosenthal), fará um período de estudos na Áustria com um
renomado professor de engenharia e voltará para Copenhague disposto a
implementar o seu projeto. Sua arrogância e um orgulho exagerado, porém, serão obstáculos
para os seus objetivos e determinarão sua posterior decadência. Enfim, uma história muito
interessante que August desenvolveu com maestria, principalmente com relação à primorosa
reconstituição de época, destacando-se os cenários e os figurinos. Enfim, mais
um belíssimo trabalho do cineasta dinamarquês. IMPERDÍVEL!
quinta-feira, 21 de maio de 2020
“OUÇA O SILÊNCIO” (“HÖRE DIE
STILLE”) – a tradução do título em português é minha, já que o
filme não chegou por aqui (nos países de língua inglesa, ficou “Hear the Silence”),
2016, Alemanha, 1h34m, direção de Ed Ehrenberg, seguindo roteiro de Axel
Melzener. É um drama ambientado em outubro de 1941, em plena Segunda Guerra
Mundial, contando a história trágica de um episódio que, aparentemente, foi
inspirado em um caso real, já que o filme começa e termina com um áudio em off
do que parece ser um interrogatório dentro de uma corte marcial. Vamos à
história: um grupo de soldados alemães fica perdido de seu batalhão após uma
escaramuça com o exército russo e vai parar numa pequena vila no interior da
Croácia, onde só há idosos, mulheres e crianças. Todos os moradores têm
descendência alemã e recebem os soldados alemães como seus libertadores, já que
temem a chegada dos russos e suas consequências. O fato de falarem a mesma
língua facilita o entrosamento entre soldados e moradores. Com a convivência
diária, o relacionamento melhora bastante, eliminando aquela desconfiança mútua
do início. Surgem até alguns romances. O mar de rosas, porém, acaba quando o tenente
Markus Wenzel (Lars Doppler) assassina uma moça e depois é morto num ato de
vingança. A partir daí, o clima fica péssimo e, claro, acaba em tragédia.
Quando fui verificar se o filme foi ou não baseado em fatos reais, descobri apenas
que foi planejado para ser um filme de graduação de estudantes da Academia de
Cinema de Munique, mais tarde roteirizado por Axel Melzener, transformando-se,
por fim, em “Höre Die Stille”. O contexto é trágico demais, triste e violento,
mas não há dúvida que é mais um excelente filme da fonte interminável de episódios
da Segunda Guerra Mundial, tanto é que foi premiado em vários festivais mundo
afora. Mas passa longe de ser um entretenimento agradável de assistir.
quarta-feira, 20 de maio de 2020
“O SILÊNCIO DO PÂNTANO” (“EL
SILENCIO DEL PANTANO”), 2020, Espanha, produção Netflix (estreou
dia 22 de abril), 1h32m, direção de Marc Vigil, seguindo roteiro
assinado por Carlos de Pando e Sara Antuña. Trata-se de um suspense psicológico
centrado numa figura meio sinistra e misteriosa, tão indecifrável que é
conhecido apenas como “Q” (Pedro Alonso, de “La Casa de Papel”), um
ex-jornalista que se tornou um escritor de sucesso, especializado em livros
policiais. Quando reunia subsídios para o seu próximo romance, que abordará
casos de corrupção, “Q” começa a desenvolver um lado psicótico, o mesmo que caracteriza
seu personagem principal no livro. Uma de suas primeiras vítimas (do autor ou do
personagem?) é um importante ex-ministro espanhol da área econômica, o hoje
professor universitário Ferrán Carretero (José Angel Egito). Depois de
descobrir que Carretero está envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro em
sociedade com uma quadrilha de traficantes, “Q” o sequestra e o mantém
preso numa casa isolada à beira do pântano. O sumiço do ex-ministro faz acender
o alerta vermelho para a gangue de traficantes comandada pela repugnante Puri
(Carmina Barrios), que coloca em campo o seu braço direito, o sanguinário Falconetti
(Nacho Fresneda), para tentar descobrir o que aconteceu com Carretero. O filme também retrata a corrupção reinante na polícia de Valência, na figura da delegada Isabel (Maite Sandoval). O resultado
final, assim como o filme inteiro, não convence, talvez pela falta de
experiência tanto dos roteiristas como do diretor, todos estreantes em
longa-metragem, que não souberam explorar uma história que poderia se transformar numa produção interessante. O bom elenco se esforçou e ainda tentou dar alguma dignidade ao filme, mas
mesmo assim não foi suficiente. Enfim, não me convenceu.
segunda-feira, 18 de maio de 2020

domingo, 17 de maio de 2020
“O DESPERTAR DE MOTTI” (“WOLKENBRUCH”), 2019, Suíça,
1h33m, direção de Michael Steiner, com roteiro de Thomas Mey, representou a
Suíça na disputa do Oscar 2020 de Melhor Filme Estrangeiro. Trata-se de uma
comédia cuja história é baseada num livro do próprio roteirista Meyer, ou seja,
“A Maravilhosa Jornada Wonkenbruch nos Braços de um Shiksa”. O personagem
principal é o jovem Mordechai “Motti” Wolkenbruch (Joel Basman), que vive com os
pais judeus ortodoxos na comunidade judaica de Zurique. Com vinte e poucos
anos, Motti ainda é completamente dominado pela mãe Judith (Inge Maux Murer),
que insiste em incentivá-lo a seguir a tradição judaica, ou seja, casar com uma
jovem judia. Ela chega a promover nada menos do que 10 “shidduchs” (encontros
forçados entre jovens judeus para gerar casamentos) num único dia, para Motti
finalmente encontrar uma esposa, o que resulta em cenas hilariantes. A intenção
de Judith vai por água abaixo quando Motti conhece Laura (Noémie Schmidt) na faculdade
e se apaixona perdidamente. Só que Laura é uma jovem “shiksa” (não
judia) e, ainda mais, alemã. As crises histéricas de Judith ao ver o filho se
desvincular das tradições judaicas geram situações bastante engraçadas. Quando Motti
resolve raspar a barba e troca a armação dos óculos, ele chega a ser comparado
ao diretor Woody Allen, que costuma satirizar os judeus ortodoxos em seus
filmes, principalmente nas suas falas em off – Motti faz a mesma coisa,
mas dialogando com o espectador. Falado em iídiche, alemão e hebraico, “O
Despertar de Motti” é uma comédia muito divertida. Imperdível!
sexta-feira, 15 de maio de 2020
“NADA SANTO” (“LO SPIETATO”), 2019,
produção italiana da Netflix, 1h51m, direção de Renato De Maria, que também
assina o roteiro ao lado de Valentina Strada e Federico Gnesini. Baseado em
fatos reais, descritos no livro “Manager Calibro 9”, de Pietro Colaprico e
Lucia Fazzo, o filme acompanha a trajetória de Santo Russo (o excelente Riccardo
Scamarcio), um jovem pobre que se muda com a família da Calábria (sul da Itália)
para Milão no início dos anos 80. Logo ele se envolve em confusão e acaba
preso. Algum tempo mais tarde, ao lado de seu antigo colega de cela Slim
(Alessio Praticò) e o malandro Mario Barbiere (Alessandro Tedeschi), Russo
começa a prestar serviços para a Máfia, roubando, matando, sequestrando,
traficando. Aos poucos, ele mesmo vai subindo na hierarquia mafiosa, angariando
o respeito das outras famiglias. Além de mostrar a ascensão de Russo no
mundo da criminalidade, o filme também acompanha a sua vida particular,
especialmente seu casamento com Mariangela (Sara Serraiocco), que entra em
crise após ele se envolver com Annabelle (a francesa Marie-Ange Casta, irmã
mais nova da também atriz Laetitia Casta e tão bonita quanto). O roteiro
reserva para o final uma surpreendente reviravolta, que não se enquadra
exatamente nos tradicionais desfechos da maioria dos filmes de Máfia. “Nada Santo” agrada
não só por sua história, mas também pelo desempenho excepcional de Riccardo
Scamarcio, um de meus atores preferidos do cinema italiano, e ainda pela bela
fotografia noturna de Gian Filippo Corticelli. Enfim, mais uma ótima produção
da Netflix.
quinta-feira, 14 de maio de 2020
“A ÚLTIMA COISA QUE ELE QUERIA”
(“The Last Thing He Wanted”), 2020, Estados Unidos,
produção Netflix, 120 minutos, direção da cineasta Dee Rees, que também assina
o roteiro com a colaboração de Marco Villalobos. Trata-se, na verdade, de uma
adaptação do livro escrito em 1996 pela jornalista, ensaísta e romancista norte-americana
Joan Didion (o título do livro é mesmo do filme em inglês). A história é
centrada na jornalista investigativa Elena McMahon (Anne Hathway), do jornal
Atlantic Post. Em 1982, ela é enviada como correspondente a El Salvador, ao
lado da fotógrafa Alma Guerrero (Rosie Perez), para cobrir o conflito armado entre
o exército do governo ditatorial de direita, apoiado pelo Tio Sam, e a Frente Farabundo Marti de
Libertação Nacional. Depois de quase serem mortas durante a cobertura, Elena e
Alma voltam com material jornalístico que denuncia a participação dos EUA fornecimento de armas para o governo de El Salvador. Quando estava disposta a ir
mais a fundo nas suas investigações, Elena recebe a ordem de esquecer El
Salvador para cobrir a campanha do republicano Ronald Reagan à reeleição, em
1984. Até aí, o filme segue um roteiro crível. Mas eis que de repente, não mais
do que repente, surge na trama o pai de Elena, o trambiqueiro Richard McMahon
(Willem Dafoe), que há muito tempo havia abandonado a esposa e a filha. Ele
chega contando uma história mirabolante, dizendo que está em meio a um negócio
de milhões de dólares e pede à filha para ajudá-lo. Sem saber exatamente do que
se tratava, Elena embarca numa aventura maluca que a leva até a Costa Rica,
onde descobrirá que o pai estava contrabandeando armas e recebendo como
pagamento carregamentos de drogas. Olha só que confusão! Tudo isso para dar a
entender que o pai de Elena fornecia armas também para El Salvador (Que
coincidência, hein?). Para tornar o roteiro ainda mais confuso, aparecem mais
dois personagens misteriosos, Treat Morrison (o canastrão e péssimo ator Ben Afflek), um
agente do governo norte-americano ligado à CIA, e o mais que esquisito Paul
Schuster (Toby Jones), que surge na história como um homossexual afetado que
mora num casarão à beira do mar do caribenho. Enfim, um filme que se perde a
partir da segunda metade, confundindo a cabeça do espectador mais atento com um
roteiro dos mais mirabolantes e fantasiosos. De qualquer forma, em meio a um
resultado final para lá de decepcionante, dá para destacar a boa atuação de
Anne Hathaway, uma boa atriz que ultimamente não tem tido muita sorte na
escolha de seus roteiros. Acompanho a trajetória de Hathaway desde o seu filme
de estreia, “O Diário da Princesa”, em 2001, passando, entre outros, por “O
Segredo de Brokeback Mountain” (2005), “O Diabo Veste Prada” (2006) até “Os
Miseráveis”, que lhe valeu o Oscar 2013 de Melhor Atriz Coadjuvante. Depois atuou
em bobagens como “As Trapaceiras” e o horrível “Calmaria”, sem dúvida um dos
piores deste século, onde contracenou com Matthew McConaughey. Após sua exibição
de estreia no Festival de Cinema de Sundance (EUA), “A Última Coisa que Ele
Queria” foi recebido com risadas, apesar do desfecho dramático. O filme ainda
recebeu severas e contundentes críticas por parte dos comentaristas
especializados. Tudo isso para confirmar minha opinião negativa sobre o filme.
Eu até trocaria o título em português para “A Última Coisa que Você Merecia Ver”.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
“RAINHA DE COPAS” (“DRONNINGEN”), 2019,
coprodução Dinamarca/Suécia, 2h08m, roteiro e direção de Mayel-Toukhy, cineasta
dinamarquesa de origem egípcia. A história é centrada na advogada Anne (Trine
Dyrholm), especialista no direito das crianças e dos adolescentes, além de
trabalhar com mulheres vítimas de estupro ou agressão física. Sua reputação
profissional é das melhores em Copenhague. Ela é casada com Peter (Magnus Krepper),
médico também conceituado, seu segundo marido. Os dois vivem um casamento tranquilo,
dedicando-se em grande parte do tempo às duas filhas gêmeas. Tudo vai às mil
maravilhas até a chegada de Gustav (Gustav Lindh), filho do primeiro casamento
de Peter, um adolescente rebelde que acaba de ser expulso de um internato em
Estocolmo (Suécia). Acostumada a lidar com jovens problemáticos, Anne aceita
receber Gustav em casa, mesmo com uma certa relutância por causa das gêmeas. Mas
Gustav interagiu bem com a madastra, com o pai e as novas irmãs. Até o dia em
que mostrou seu lado de menino malvado, roubando vários pertences da casa. Anne
descobriu, mas não denunciou o enteado, fortalecendo a amizade entre ambos. Aos
poucos, porém, desiludida com o casamento um tanto morno, Anne faz a besteira
de se entregar de corpo e alma – principalmente de corpo – para o jovem. Aí a
coisa desanda, pois a relação é descoberta e, a partir daí, o filme se
transforma num suspense envolvente, de grande tensão psicológica, até o triste mas não surpreendente desfecho. O principal trunfo de “Rainha de Copas” é realmente o desempenho
magistral da fabulosa atriz dinamarquesa Trine Dyrholm, cuja trajetória
acompanho desde que atuou no polêmico “Festa de Família” (1998), de Thomas
Vinterberg, passando por “Em Um Mundo Melhor”, “O Amante da Rainha” e “A
Comunidade”, entre tantos outros. “Rainha de Copas” foi o grande vencedor do
Prêmio do Público no Festival de Sundance (EUA). Resumo da ópera: cinema da melhor qualidade. IMPERDÍVEL!
segunda-feira, 11 de maio de 2020
“ROSIE – UMA FAMÍLIA SEM TETO”
(“ROSIE”), 2018, Irlanda, 1h26m, direção de Paddy Breathnach (de “Viva”, filme
rodado em Cuba), com roteiro de Moe Dunford (ator no filme) e Roddy Doyle. Ao
estrear na Seção Contemporary World Cinema do Toronto International Film
Festival, em 2018, esta produção irlandesa foi alvo de rasgados elogios da
crítica especializada e do público. Trata-se de um drama muito triste, que
acompanha, durante dois dias e duas noites, uma família em Dublin sem um teto para dormir, em pleno inverno
irlandês. Rosie Davis (Sarah Greene), mãe solteira de quatro crianças, mais o
namorado John Paul (Moe Dunford, o roteirista), são despejados da casa onde
moravam e ficam sem ter para onde ir. Passam o tempo todo dentro do carro para
se proteger do frio, Rosie a trocar as fraldas do mais novo, fazer a lição com
outra e ainda levar a mais velha ao colégio. Ao mesmo tempo, Rosie fica no
celular tentando encontrar um quarto de hotel, o que é impossível, pois todos
de Dublin já estão ocupados por causa de um show de Lady Gaga. Enquanto isso,
John Paul trabalha como ajudante de cozinha num restaurante, e o que ganha mal
dá para comprar comida para a família. Mesmo com a situação de mal a pior, o
casal mantém a esperança de dias melhores, incentivando as crianças a acreditarem
nisso, embora a realidade mostre um quadro bem desolador. O filme foi realizado
tendo como pano de fundo a crise habitacional da Irlanda, país com a maior taxa
de famílias sem-abrigo da Europa por causa da especulação imobiliária. Não é
nada fácil assistir ao sofrimento do casal e das crianças confinadas num carro,
mal tendo o que comer ou vestir. Muito triste. De qualquer forma, o filme é
muito bem feito, uma fotografia primorosa e uma atriz sensacional, Sarah
Greene, que carrega o filme – e os filhos e o namorado – literalmente nas costas.
Recomendo separar, no mínimo, uma caixa de lenços de papel. Chororô garantido!

domingo, 10 de maio de 2020
“ENQUANTO
A GUERRA DURAR” (“MIENTRAS DURE LA GUERRA”), 2019, Espanha, 1h47m,
roteiro e direção do premiado cineasta chileno Alejandro Amenábar, radicado na Espanha
desde 1973. Trata-se de um drama histórico baseado em fatos reais, ambientado em
1936 na cidade de Salamanca. Aqui, vivia o famoso escritor e filósofo humanista
Miguel de Unamuno (Karra Elejalde), intelectual respeitado por várias correntes
de pensamento em toda a Espanha e Europa. Por seu apoio ao governo republicano,
Unamuno havia sido nomeado para o importante cargo de reitor da Universidade de
Salamanca. A trama do filme gira em torno desse riquíssimo personagem e como ele
vê toda a questão histórica que se desenrola na Espanha. Em 1936, descontente
com os rumos tomados pelo governo republicano, Unamuno vê com bons olhos o
golpe militar iniciado pelos militares comandados pelos generais Emilio Mola
(Luis Callejo) e Francisco Franco (Santi Prego) e passa a apoiá-los, o que lhe
custa o cargo de reitor da universidade. Porém, quando os militares começam com
suas atrocidades, prendendo, torturando e matando intelectuais, professores e
artistas, muitos deles seus amigos de longa data, Unamono passa a criticar
Franco e os militares, culminando com um violento discurso durante a solenidade
na aula magna da Universidade de Salamanca, da qual só saiu vivo por
interferência de Carmen Polo (Mireia Rey), justamente a esposa do generalíssimo
Franco e sua grande admiradora. O filme é pródigo em diálogos bastante
elucidativos sobre a situação política na Espanha naquela época, além de
revelar os bastidores de alguns dos momentos mais importantes da Guerra Civil,
como, por exemplo, a reunião da junta militar que elegeu Franco como o
comandante supremo do golpe. “Enquanto a Guerra Durar” é mais um excelente
filme de Amenábar, que já havia nos presenteado com pequenas obras-primas como “De
Olhos Abertos”, “Os Outros” e “Mar Adentro”, este último premiado com o Oscar
de Melhor Filme Estrangeiro em 2005.
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