“CHOQUE E PAVOR – A VERDADE IMPORTA” (“SCHOCK
AND AWE”), 2017, Estados Unidos, 1h32m, direção de Rob Reiner, com
roteiro de Joey Hartstone. Baseada em fatos reais, a história aborda os
bastidores da cobertura da imprensa norte-americana após os atentados de 11 de
setembro de 2001. Primeiro, as tentativas fracassadas de capturar Osama Bin
Laden no Afganistão. Logo depois, o alvo do governo norte-americano seria o
Iraque de Saddam Hussein. Para justificar a invasão do país árabe, o governo
Bush garantia que o Iraque possuía armas de destruição em massa. Será que isso
era verdade? O governo norte-americano afirmava que sim, mas não apresentava
provas concretas. É aí que entram em ação os principais órgãos de comunicação
do Tio Sam. O filme apresenta os fatos a partir da cobertura de dois jornalistas
da editoria política da empresa Knight Ridder, especializada na publicação de
jornais e internet. Designados pelo editor-chefe John Walcott (papel do diretor
Rob Reiner), Warren Strobel (James Marsden) e Jonathan Landay (Woody Harrelson)
saíram a campo para verificar se realmente o Iraque tinha o tal arsenal de armas
de destruição em massa. Uma parte da imprensa norte-americana defendia a
invasão, confiando nas versões oficiais do governo, principalmente os
conservadores The Washington Post e o The New York Times. A disputa pelas
informações corretas levou a imprensa norte-americana a uma verdade guerra. O
editor John Walcott até chegou a contratar o jornalista Joe Galloway (Tommy Lee
Jones), veterano na cobertura da Guerra do Vietnam, para auxiliar os trabalhos
investigativos. O filme, elaborado num ritmo ágil, quase alucinante, destaca
muitas informações importantes sobre aquele período histórico e revela as
sequelas da guerra sobre os jovens soldados que morreram ou voltaram mutilados.
A pergunta que ficou no ar: valeu a pena sacrificar tanta gente, incluindo as perdas
humanas da população civil do Iraque? O filme é excelente, justificando a fama
de Rob Reiner como um dos cineastas mais importantes da atualidade – é só lembrar
que ele é responsável por filmes como o clássico “Conta Comigo”, “O Lobo de
Wall Street”, “Um Amor de Vizinha” e tantos outros. “Choque e Pavor” também tem
mulheres bonitas: Jessica Biel e Mila Jovovich. Filme indicado para estudantes
e profissionais de jornalismo, mas o público em geral deve assistir também,
pois contempla um fato histórico da maior importância.
sábado, 22 de junho de 2019
quinta-feira, 20 de junho de 2019
“O PACIENTE”, 2018,
Brasil – Globo Filmes – 1h40, direção de Sérgio Rezende, com roteiro de Gustavo
Liptzein. O filme revela, com detalhes, tudo o que se passou durante os dias em
que Tancredo Neves ficou internado. Os bastidores desse período, ilustrados com
imagens da época, estão no filme de Sérgio Rezende, cineasta que se notabilizou
por realizar obras enfocando personagens e eventos históricos nacionais, entre as
quais “Guerra de Canudos”, “Mauá – O Imperador e Rei”, “Lamarca” e “Zuzu Angel –
assisti a todos, ótimos. No caso de “O Paciente”, o roteiro foi adaptado do
livro “O Paciente – O Caso Tancredo Neves”, escrito pelo historiador Luís Mir e
lançado em 2010. Para escrever o livro, Mir fez uma extensa pesquisa e realizou
várias entrevistas com os envolvidos, além de ler os prontuários médicos e
documentos, até então confidenciais, do Hospital de Base de Brasília e do
Instituto do Coração, em São Paulo. O drama começa três dias antes antes da
posse, quando Tancredo (Othon Bastos) começa a sentir fortes dores abdominais.
Ao contrário dos conselhos médicos, que recomendaram uma operação urgente, já
que se tratava de uma apendicite, Tancredo se recusou a ser operado, pois queria
de qualquer jeito tomar posse e evitar uma possível crise institucional. Ele
temia, por exemplo, que se caso José Sarney assumisse em seu lugar, o então
presidente João Figueiredo não aceitaria entregar a faixa, o que de fato
aconteceu. Tancredo piorou e aí ele foi submetido a uma primeira cirurgia, que revelou
não ser o caso de apendicite e sim de diverticulite. O filme segue revelando detalhes
dos bastidores, o sofrimento de Tancredo com as várias cirurgias e
procedimentos, a angústia da família – e de todo o País -, as desavenças entre
os médicos – quase teve pancadaria -, o despreparo não só dos médicos como do
Hospital de Base de Brasília, e a transferência do ilustre paciente para o
Instituto do Coração, em São Paulo, onde acabaria falecendo no dia 21 de abril
de 1985, deixando o posto vazio para o glorioso José Sarney – e deu no que deu.
Além de Othon Bastos, em atuação comovente, estão no elenco Leonardo Franco, Paulo Betti,
Leonardo Medeiros, Esther Góes, Otávio Müller, Eucir de Souza, Luciana Braga,
Emílio Dantas e Lucas Drummond. Achei o filme excelente, tenso, revelador, angustiante,
reservando para o seu desfecho Milton Nascimento cantando “Coração de Estudante”
– de marejar os olhos. Imperdível!
quarta-feira, 19 de junho de 2019
“O PAI DE ITALIA” (“IL PADRE D’ITALIA”), 2017,
Itália, 1h22m, direção de Fabio Mollori, que também assina o roteiro com a
colaboração de Josella Porto. A história começa mostrando a tristeza do jovem
homossexual Paolo (Luca Marinelli), devastado com o fim do relacionamento de
oito anos com o namorado Mario (Mario Sgueglia). Ainda em depressão e com a
intenção de esquecer o antigo amante, Paolo vai a uma discoteca gay tentando conhecer
um novo parceiro, mas quem ele acaba conhecendo é a jovem Mia (Isabella
Ragonese, ótima), que faz bico como cantora em "inferninhos", mas nunca se destacou. Ela também está em
fase depressiva, depois de ser abandonada grávida pelo namorado. Ou seja,
juntou a fome com a vontade de comer. Paolo se propõe a ajudar a moça a
encontrar o pai da criança. Para isso, pega “emprestado” o carro de serviço da
loja de móveis onde trabalha. Paolo e Mia saem de Turim e iniciam um verdadeiro
périplo turístico, passando por Asti, Roma e chegando até Nápoles, onde mora a
família conservadora de Mia. O filme se transforma num road movie. Afinal, quem assumirá a filha que Mia
está esperando? Claro, “O Pai de Italia”. Mas quem será? Assista e desvende o
mistério. Não é que o filme seja ruim, mas achei exagero o fato de que tenha
sido premiado em vários festivais – na verdade, nenhum que seja importante.
Enfim, vale pela excelente atuação da dupla principal de protagonistas e pelos
cenários deslumbrantes, valorizados pela ótima fotografia assinada por Daria D'Antonio, além de alguns momentos sensíveis e comoventes.
segunda-feira, 17 de junho de 2019
“GLORIA BELL”, 2018,
EUA, 1h41. Trata-se do remake do filme chileno “Glória”, de 2013, que
disputou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O roteirista e diretor Sebastián
Lelio é o mesmo do original chileno. Gloria Bell (Julianne Moore) é uma
cinquentona divorciada há quatro anos que, para espantar a solidão, costuma ir
às discotecas de Los Angeles frequentadas por pessoas de meia-idade. Abro aqui
um parêntese especial para destacar a deliciosa trilha sonora, com hits da disco
anos 70, como “Ring My Bell”, “Gloria” etc., além de Paul McCartney. Bem, voltemos
à história. Entre um e outro romance/sexo casual, Gloria acaba conhecendo Arnold
(John Torturro), um sujeito também solitário e divorciado, que vive em função
dos problemas das filhas. O romance entre os dois transcorre aos trancos e
barrancos, principalmente devido à insegurança de Arnold, situação que segue
até o desfecho, quando Gloria Bell resolve agir com força e determinação, características de sua personalidade. Resumo da
ópera: o filme é bom, mas inferior ao original chileno. Seu único trunfo é
contar com a maravilhosa Julianne Moore, cuja atuação também é espetacular,
como a da chilena Paulina Garcia – só que Julianne Moore não teve coragem de encarar o nu frontal
de Paulina, apesar de aparecer nua em várias cenas. Nunca fui fã do ator John Torturro e continuo não sendo. Acho ele
um chato. Todos os remakes que assisti foram mais fracos que os
originais. Posso até citar alguns: “Olhos da Justiça”, com Julia Roberts,
adaptação do espetacular argentino “O Segredo dos Seus Olhos”; o sueco “Millennium:
Os Homens que não Amavam as Mulheres”, que Hollywood transformou em remake;
o francês “Os Intocáveis”, que ganhou versões do cinema argentino e do norte-americano;
“Coração de Leão – O Amor não tem Tamanho”, original argentino, copiado pelo
cinema francês como “Um Amor à Altura”.
domingo, 16 de junho de 2019

sábado, 15 de junho de 2019

quinta-feira, 13 de junho de 2019
“O ÚLTIMO GOLPE DE MARTELO” (“Le Dernier
Coup de Marteau” – a tradução em português é minha, já que o filme não chegou por
aqui – nos países de língua inglesa, ganhou o título de “The Last Hammer Blow”),
2014, França, 1h22m, segundo longa-metragem escrito e dirigido pela cineasta
francesa Alix Delaporte. A história toda é centrada no adolescente Victor
(Romaín Paul), de 13 anos, que vive com a mãe doente Nadia (Clotilde Hesme) num
velho e maltratado trailer à beira-mar na periferia pobre da cidade de Montpellier. Victor está
dividido entre cuidar da mãe, que tem um câncer terminal, e participar dos
treinos de uma equipe de futebol amadora, da qual é um dos atletas de maior
destaque. Quando sua mãe desiste de reformar o trailer por não ter dinheiro e
comunica a Victor que pretende se mudar para a casa dos pais, em outra cidade,
o garoto sai em busca de ajuda do seu pai biológico, o maestro Samuel Rovinski (Grégory
Gadebois), regente da Orquestra Sinfônica de Montpellier. Rovinski não sabia da
existência do filho e o encontro dos dois reserva ao espectador alguns momentos
comoventes e sensíveis do filme, cuja primeira exibição aconteceu no Festival
Internacional de Cinema de Veneza, durante o qual Roman Paul recebeu o Prêmio “Marcello
Mastroianni” de Melhor Ator Jovem. Para aumentar ainda mais o tom dramático da história, a diretora Delaporte utilizou na trilha sonora trechos da Sinfonia nº 6 em Lá Menor de Gustav Mahler, também conhecida como a "Trágica". Resumo da ópera: o filme é excelente, um drama francês da melhor qualidade. Especial para espectadores que curtem o bom cinema europeu.
terça-feira, 11 de junho de 2019
“MUSEU”
(“MUSEO”), 2018, México, 2h06m, segundo longa-metragem escrito e
dirigido por Alonso Ruizpalacios. A história é baseada num fato real ocorrido
em dezembro de 1985 na Cidade do México, ou seja, o roubo de 140 peças
pré-hispânicas de alto valor histórico do Museu Nacional de Antropologia. O filme
acompanha a façanha dos dois ladrões, os estudantes de Veterinária Juan Núñez
(Gael García Bernal) e Benjamin Wilson (Leonardo Ortizgris), desde o início do
planejamento do roubo, sua execução e depois as tentativas frustradas de vender
as peças. No início do filme, a frase “Esta é uma réplica da história original”
dá o tom de sátira ao que assistiremos. Embora baseado em fatos reais, o
diretor Ruizpalacios trata tudo o que aconteceu com bastante humor, aliviando a
carga dramática que poderia se esperar de um acontecimento sério que despertou
a revolta de toda a população mexicana. Só para se ter uma ideia do tipo de
humor utilizado por Ruizpalacios, numa cena em que Juan e Benjamin são parados
na estrada, um dos policiais olha para Juan/Gael García Bernal e pergunta se
ele é o famoso ator e pede um autógrafo. Aliás, por falar em Gael García
Bernal, o ator está bastante à vontade no papel. Embora não goste muito dele,
tenho de concordar que ele está ótimo. “Museu” estreou no 68º Festival
Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2018, conquistando o Prêmio
de Melhor Roteiro. Por aqui, fez parte da programação oficial da 42ª Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo. “Museu” é mais uma prova da excelente fase
do cinema mexicano, que na disputa dos últimos cinco Oscars de Melhor Diretor,
venceu quatro, dois para Alejandro G. Iñarritu, um para Guillermo Del Toro e
mais um para Alfonso Cuáron, sem falar no Oscar 2019 de Melhor Filme
Estrangeiro conquistado por “Roma”.
segunda-feira, 10 de junho de 2019

domingo, 9 de junho de 2019

sábado, 8 de junho de 2019
Imagine uma bomba
atômica de alto teor destrutivo, ou então um abacaxi tão azedo que é capaz de causar
morte por acidez. Escrevo esse introito para definir o que achei do suspense “CALMARIA” (“SERENITY”), 2018, EUA,
1h46, roteiro e direção de Steven Knight. Vamos à história: Baker Dill (Matthew McConaughey), um
ex-soldado do exército norte-americano, vive na ilha caribenha de Plymouth,
onde ganha a vida levando turistas para pescar em seu barco. Um dia aparece sua
ex-namorada Karen (Anne Hathaway) oferecendo uma grana preta para que ele mate
o seu marido milionário, Frank Zariakas (Jason Clarke). Ela chegou com o plano
pronto: Frank queria pescar em alto-mar e para isso alugaria o barco de Baker.
Quando Frank estivesse bêbado, Baker o jogaria aos tubarões. Para tentar
convencê-lo a seguir com o plano, Karen diz que Frank, além de espancá-la,
ainda maltrata o garoto Patrick (Rafael Sayegh), filho que teve com Baker antes
dele se alistar e partir para uma missão no Iraque. Depois de muito relutar,
Baker finalmente aceita assassinar o sujeito. Até aí, mais ou menos a metade do
filme, o suspense caminha numa sequência lógica e o espectador fica na
expectativa de como tudo acontecerá. Porém, numa reviravolta estapafúrdia, o enredo
nos leva a crer que tudo não passa de uma ilusão. E, pior, que tudo o que
estamos vendo foi arquitetado pelo filho de Baker, que criou um jogo pelo
computador e, através dele, domina as ações dos personagens. Risível demais,
ridículo demais, uma afronta à nossa inteligência, uma afronta ao cinema. Não
dá para acreditar que McConaughey e Anne Hathaway, além de Jason Clarke, Diane
Lane e Djimon Hounsou, tenham topado participar de uma bobagem tão grande. E olha que Steven Knight é considerado um ótimo roteirista em Hollywood. O
filme é tão ruim que, diante das críticas negativas após o seu lançamento nos Estados
Unidos, a Aviron Pictores, que o produziu, desistiu de utilizar a verba destinada para sua divulgação, e o filme, como se esperava, foi um grande fracasso de bilheteria. Conselho: FUJA A GALOPE!
quinta-feira, 6 de junho de 2019
“DARLING”, 2017,
Dinamarca, 1h43m, direção de Birgitte Staermose, que também assina o roteiro
com a colaboração de Kim Furz Aakeson. A história é centrada em Diana (Danica
Curcic), cujo nome artístico é Darling, uma bailarina dinamarquesa de fama
mundial e que há muitos anos está radicada em Nova Iorque com o marido Frans
(Gustaf Skarsgard), um renomado coreógrafo. A dupla recebe um convite especial
de um antigo amigo, Kristian (Ulrich Thomsen), diretor de um famoso teatro de
Copenhague, para ambos encenarem o balé clássico “Giselle”. De volta à
Dinamarca, o casal inicia os ensaios para a peça, mas a poucos dias da
apresentação, Diana se machuca e não poderá mais ser a “Giselle”. Polly (Astrid
Grarup Elbo), uma jovem e bela bailarina, é selecionada para o papel principal,
iniciando um duro treinamento sob a supervisão da própria Diana, que submete a
jovem bailarina a uma enorme pressão psicológica, talvez motivada pelo ciúme de
outra assumir o papel que lhe era destinado. Diana também aparentava sentir
ciúme do seu marido pela atenção dedicada a Polly durante os ensaios. Pouco
antes da estreia, o estresse chega ao seu ponto máximo, a ponto de ameaçar a
qualidade do espetáculo. O filme é muito bom, não só pela história bem contada,
mas pelo excelente desempenho do elenco, destacando-se a atriz sérvia Danica
Curcic radicada na Dinamarca e a jovem e bela atriz Astrid Grarup Elbo, que na
vida real também é bailarina da companhia do famoso The Royal Danish Ballet. Um
ótimo programa para quem gosta de balé e de cinema de qualidade.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

domingo, 2 de junho de 2019
“DOGMAN” –
2018, Itália, 1h39m, roteiro e direção de Matteo Garrone. Representante da
Itália na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, “Dogman” estreou
no 71º Festival de Cannes, em maio de 2018, sendo elogiado pelos críticos e
pelo público, além de ver premiado o ator Marcello Fonte com a Palma de Melhor
Ator. Uma conquista incrível, já que Fonte nunca foi ator. Na vida real, é
jardineiro num centro social em Roma. Sua atuação é impressionante, o maior
trunfo do filme. Ele interpreta Marcello, proprietário de um pequeno petshop (“Dogman”)
na periferia pobre da cidade de Castel Volturno, em Campânia, sul da Itália. Muito
querido pelos moradores do bairro, Marcello tem um carinho todo especial pelos cães
que recebe principalmente para dar banho e tosar. Com seu jeito bonachão,
ingênuo e simplório, ele costuma se submeter aos maus-tratos de Simone (Edoardo
Pesce), um ex-boxeador que vive aterrorizando o pessoal do bairro. Todo mundo
morre de medo do sujeito. Além de violento, Simone é viciado em cocaína e quem
fornece a droga a ele é justamente Marcello, que nunca recebeu um tostão por
isso. Quando cobrou, quase levou uma surra. O relacionamento de Marcello com
Simone é o mote da história. Como se fosse uma luta de boxe: Marcello apanha muito
durante 12 rounds, mas no 13º vira o jogo também de forma violenta. A caça vira
o caçador. Mais um ótimo filme do cineasta italiano Matteo Garrone, que já
havia nos brindado com os excelentes “Reality – A Grande Ilusão”, “O Conto dos
Contos” e, especialmente, “Gomorra”, ganhador do Grande Prêmio do Júri no
Festival de Cannes de 2008. Para escrever “Dogman”, Garrone se inspirou num crime
ocorrido nos anos 80 que chocou a Itália. Imperdível!
sábado, 1 de junho de 2019
“15
MINUTOS DE GUERRA” (L’ INTERVENTION”), 2018, França, 1h38m, roteiro
e direção de Fred Grivois. A história, baseada em fatos reais, é ambientada em fevereiro
de 1976 na então colônia francesa de Djibut, na África Oriental. Terroristas
somalianos – a Somália faz fronteira com Djibut – sequestram, na capital Djibut
(mesmo nome do país), 21 crianças francesas que ocupavam um ônibus que as
levaria para a escola. Sua intenção era atravessar a fronteira, ingressar na
Somália e depois exigir da França a soltura de somalianos presos por atos
terroristas. Ao chegar perto da fronteira, porém, o ônibus encalha num banco de
areia. As forças armadas francesas cercam o local, mas não conseguem impedir
que Jane Anderson (a bela atriz ucraniana Olga Kurylenko), professora das
crianças, entre no ônibus para tentar salvá-las. Acaba também como refém. Diante
da situação caótica, o governo francês envia para Djibut uma força especial do
Groupe D’ Intervention de La Gendarmerie Nationale (GIGN) comandada pelo
capitão André Gerval (Alban Renoir). São homens treinados para atuar em missões
anti-terroristas e a reagir em situações com reféns, tanto na França como em
qualquer outro lugar do mundo. André e seus homens querem acabar logo com os
terroristas, mas o governo da França impede que eles entrem em ação antes de
tentar um acordo diplomático com a governo da Somália. Só que a tensão aumenta
quando chega a informação de que um ônibus estaria vindo da Somália para levar as crianças para o outro lado da fronteira. Aí
não dá mais para esperar. André Gerval resolve planejar e executar a missão de
resgate das crianças, tomando cuidado para que elas não sejam alvejadas. A
tensão domina o filme inteiro e o desfecho conta com ótimas cenas de ação,
muito bem executadas pelo diretor Grivois. O filme revela-se mais interessante
ainda por recordar uma história que estava esquecida no tempo. Recomendo!
sexta-feira, 31 de maio de 2019
“NO
PORTAL DA ETERNIDADE” (“AT ETERNITY’S GATE” – embora seja uma produção
francesa, o título original ficou em inglês), 2018, direção e roteiro do
cineasta norte-americano Julian Schnabel. A história, baseada em fatos reais,
acompanha os dois últimos anos de vida do pintor holandês Vincent Van Gogh
(Willem Dafoe), ou seja, a partir de 1888 até sua morte em 1890. Com seu
trabalho rejeitado por grande parte das galerias de arte de Paris, Van Gogh, a
conselho de seu amigo e mentor Paul Gauguin (Oscar Isaac), segue para o sul da
França, mais especificamente para as aldeias de Arles e Auvers-Sur-Oise – suas despesas
eram bancadas por seu irmão Theo Van Gogh (Rupert Friend). Em contato direto
com a Natureza, o pintor holandês viverá o seu período mais prolífico, quando
criou inúmeras obras importantes. Ao mesmo tempo, porém, começará a apresentar
sintomas de demência e depressão, fatores que o levaram a cortar a própria orelha.
A arte de Van Gogh só seria reconhecida muitos anos após sua morte – o pintor
morreu na pobreza. O diretor Julian Schnabel, que além de cineasta é um
renomado pintor, reconhecido como um dos mais importantes nomes do
neo-expressionismo atual, fez questão de explicar a arte e o pensamento de Van
Gogh através de longos e esclarecedores diálogos principalmente com seu amigo Paul Gauguin, com
o dr. Paul Gachet (Mathieu Amalric), seu médico no sanatório, e ainda com o
padre (Mads Mikkelsen) responsável por sua avaliação psicológica. Como podem
perceber, um elenco de luxo, que conta ainda com Niels Arestrup, Lolita
Chammah, Vincent Perez, Emmanuelle Seigner e Anne Consigny. Lembro ainda que
Schnabel também dirigiu filmes importantes como “O Escafandro e a Borboleta”,
“Antes do Anoitecer”, “Miral” e Basquiat – Traços de Uma Vida”. No caso de “No
Portal da Eternidade”, Schnabel talvez tenha realizado o melhor e mais interessante filme sobre o
famoso e polêmico pintor holandês. Imperdível!
quinta-feira, 30 de maio de 2019
“BIGGER
– THE JOE WEIDER STORY” (o filme não chegou até aqui e, portanto,
ainda não há uma tradução para o título), 2018, EUA, 108 minutos, direção de
George Gallo, com roteiro do próprio com a colaboração de Ellen Brown Furman,
Brad Furman e Andy Weiss. Afinal, quem é esse tal de Joe Weider? Pois foi ele,
ao lado do irmão Ben Weider, quem criou o movimento de fisiculturismo e a
prática do fitness. Foi ainda um dos pioneiros na montagem de academias de
ginástica, além de fundador da Federação Internacional de Fisicultura e Fitness
(IFBB). Joe Weider ficaria ainda mais conhecido por ter descoberto e levado
para os Estados Unidos, no início dos anos 70, o austríaco Arnold Schwarzeneger
para competir no “Mr. Olympia”, famosa competição internacional de
fisiculturismo. Schwarzeneger ganhou e poucos anos depois estava em Hollywood. “Bigger”
acompanha a trajetória dos irmãos Weider desde os anos 40, quando moravam com a
família de poucos recursos em Montreal (Canadá). Ainda jovens, foram para Nova
Iorque atrás de novas oportunidades de trabalho. Joe resolveu editar uma
revista sobre fisiculturismo e logo se transformou num grande empresário, uma
verdadeira celebridade no mundo dos negócios e dos esportes. “Bigger” conta toda essa incrível história de pioneirismo
e empreendedorismo. O elenco conta com Tyler Hoechlin (Joe Weider), Aneurin
Barnard (Ben Weider), a estonteante Julianne Hough (Betty Weider), Kevin Durand
(Bill Hauk) e Calum Von Moger (Schwarzeneger), australiano eleito Mr. Universo
em 2014. Embora com alguma maquiagem, a semelhança com o jovem Schwarzeneger é impressionante.
Enfim, o filme é ótimo, tem uma primorosa recriação de época e, repito, uma
história bastante interessante que vale a pena ser conhecida.
terça-feira, 28 de maio de 2019
“O
PESO DO PASSADO” (“Destroyer”), 2018, Estados Unidos, 2h3m,
roteiro de Phil Hay e Matt Manfredi, direção de Karyn Kusama (diretora de
origem japonesa nascida no Tio Sam, conhecida por ter assinado filmes como “Aeon
Flux”, “Boa de Briga” e “Garota Infernal” – fracos, aliás). “O Peso do Passado”
conta a história de Erin Bell (Nicole Kidman), uma policial veterana que não consegue
se livrar de um trauma do passado. Vive bêbada e sua aparência é tão horrível
que lembra mais um zumbi (uma Nicole Kidman transfigurada como nunca se viu). Quando
ainda era uma novata na polícia, ela conseguiu se infiltrar numa gangue de
assaltantes de banco juntamente com seu parceiro Chris (Sebastian Stan). Num
dos assaltos em que eles também participariam, a coisa foge do controle e acaba
em tragédia, culminando com a descoberta, pelos bandidos, das suas verdadeiras identidades.
Dezoito anos depois, ainda traumatizada por aquele episódio trágico, Erin recebe
a informação de que Silas (Toby Kebbell), o antigo chefe da gangue, voltou a
agir. Pronto, ela fica obcecada por se vingar e vai atrás dele e de seus
comparsas. Em meio à investigação, Erin ainda enfrenta problemas com sua filha
adolescente, Shelby (Jade Pettyjohn), de 16 anos, que insiste em namorar um
tipo marginal. Li que o filme foi feito para Nicole ganhar seu segundo Oscar (o
primeiro foi por “As Horas”, em 2002). Vamos aguardar... De qualquer forma, é realmente Nicole quem carrega o filme nas costas.
domingo, 26 de maio de 2019
“CAFARNAUM”
(“CAPHARNAÜM”), 2018, Líbano, duração de duas horas, terceiro
longa-metragem escrito e dirigido por Nadine Labaki. Impactante drama centrado no
garoto Zain (Zain Al Rafeea), de 12 anos, que mora com a numerosa família num
subúrbio de Beirute, onde o cenário é de grande pobreza, com desempregados, crianças
famintas, bebês abandonados e refugiados numa situação de miséria. A diretora
Labaki não economizou no drama e no realismo, mas conseguiu realizar um filme muito sensível e comovente. Logo que sua irmã preferida Sahar (Haia Izzan), de apenas
11 anos, é prometida e entregue para casar com um homem muito mais velho, Zain
se revolta e resolve sair de casa. Passa a morar nas ruas. É quando conhece
Rahil (Yordanos Shiferaw), uma refugiada etíope que mora com o filho num
casebre caindo aos pedaços num bairro onde vivem centenas de imigrantes
ilegais. Para Rahil trabalhar como faxineira num parque de diversões, Zain se
oferece para cuidar do bebê e ajudar no sustento de mãe e filho. Um dia, porém,
ao realizar uma visita à família que abandonou, Zain recebe uma trágica notícia
que o fará tomar uma atitude extrema, sendo preso, julgado e condenado por
cinco anos – lá no Líbano, a lei é dura para menores infratores. Lançado durante
a programação oficial do 71º Festival de Cannes, “Cafarnaum” disputou a Palma
de Ouro e conquistou o Prêmio do Júri. Ganhou ainda o Prêmio de Melhor Filme
Estrangeiro no “César” (o Oscar francês), o Prêmio de Público da 42ª Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo, além de ter sido indicado ao Oscar 2019
como Melhor Filme Estrangeiro, ficando entre os cinco finalistas. Mais um belo
filme da cineasta e atriz libanesa Nadine Labaki (além de competente, é
linda – ela aparece no filme como a advogada de Zain), que já havia nos
brindado com pequenas obras-primas como “Caramelo” (2007) e “E Agora, Onde Vamos?”
(2011). Informação adicional: Cafarnaum era uma cidade bíblica que ficava na
margem norte do Mar da Galileia. “Cafarnaum” é mais um filme para se escrever
IMPERDÍVEL com letras maiúsculas. E exclamar: “Viva o Cinema!”.
sábado, 25 de maio de 2019

quarta-feira, 22 de maio de 2019
“A
BUSCA DE CHARLOTTE” (“The Stoler”), 2017, Inglaterra, 98 minutos,
direção de Niall Johnson, que também assina o roteiro com Emily Corcoran
(atriz que também atua no filme). Se você pensa que o faroeste hostil só
existiu nos Estados Unidos, reveja seus conceitos. A distante Nova Zelândia,
principalmente na segunda metade do século 19, também teve seus bandidos
mascarados, índios (os maoris), aventureiros em busca de ouro, traficantes e saloons, socos e tiros. E até mineiros chineses, veja só. E ainda mocinho e bandido. No caso, mocinha e bandido. Esta produção
inglesa, ambientada em 1860, conta a jornada corajosa e heroica de Charlotte Lockton (a bela
e competente atriz Alice Eve), de uma família da alta aristocracia inglesa que
foi para a Nova Zelândia casar com um rico fazendeiro. Num certo dia, bandidos
mascarados assaltam a fazenda, matam o marido de Charlotte e sequestram seu
filho ainda bebê. Meses depois, ela recebe uma carta do sequestrador pedindo uma
vultosa soma como resgate. Charlotte, sem ajuda de ninguém, segue uma pista que
a leva a uma longínqua e inóspita região, frequentada por gente da pior
espécie. Nesse lugar, ela descobre quem matou seu marido e sequestrou seu
filho. O problema é enfrentá-lo e aos seus capangas. Não lembro de ter
assistido algum faroeste ambientado na Nova Zelândia. Por esse ineditismo e como
filme de ação, “A Busca de Charlotte” até que vale uma sessão da tarde com
pipoca. Tem lá seus momentos de suspense e, repito, a bela Alice Eve.
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