“MILLENNIUM:
A GAROTA NA TEIA DE ARANHA” (“THE GIRL IN THE SPIDER’S WEB: A NEW DRAGON TATTOO
STORY”), 2018, EUA, 1h57m, roteiro e direção do uruguaio Fede
Alvarez. Trata-se da quarta adaptação para o cinema da série Millennium, na
minha opinião a melhor de todas. A hacker
profissional Lisbeth Salander, agora interpretada pela atriz inglesa Claire Foy (a esposa de Neil Armstrong em "O Primeiro Homem"),
é contratada para recuperar um programa de computador intitulado “Firefall”,
que dá ao seu usuário acesso ilimitado a um imenso arsenal bélico. O programa
está em poder do governo norte-americano, mas há outros interessados em se
apoderar dele, inclusive um grupo aliado à máfia russa chamado “Aranhas”. O
filme foi rodado em locações de Estocolmo e redondezas durante o rigoroso
inverno típico dos países nórdicos. As ótimas cenas de ação foram filmadas
nesses ambientes. Aliás, o filme tem muita ação, perseguições, tiros e
pancadaria, num ritmo bastante frenético. Além de Foy, ótima no papel da
anti-heroína, estão no elenco Stephen Merchant, Suerrir Gunadson, Sylvia Hoeks,
Lakeita Stanfield e a diva sueca Synnøve Macody Lund. Enfim, um filmaço para
quem gosta de filmes de ação. Como informação adicional, lembro que a trilogia
Millennium foi iniciada com “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, em 2008,
obtendo um grande sucesso mundial de vendas (o livro) e de bilheteria (o
filme). Com a morte repentina do autor da série, o jornalista sueco Stieg Larsson,
a Editora Norstedts contratou o escritor David Lagercrantz para dar sequência à
franquia. Em 2015, seria lançado o livro “Millennium: A Garota na Teia de
Aranha” (“Det Som Inte Dödar Oss”), adaptado para o cinema dois anos depois
pelo diretor Fede Alvarez.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
“A
AMANTE” (“INHEBBEK HEDI”), 2016, Tunísia/Bélgica/França, 88 minutos,
primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Mohamed Ben Attia (o segundo é
de 2018, “Meu Querido Filho”) e produzido pelos belgas Luc e Jean-Pierre
Dardenne, conhecidos como os irmãos Dardenne, conceituados diretores de cinema.
Um aval e tanto para esta produção do cinema tunisiano. A história é centrada
no jovem Hedi (Majd Mastoura), de 25 anos, um sujeito tímido, inseguro e
completamente dominado pela mãe autoritária Baya (Sabah Bouzouita). Ele sente
um ciúme doentio do irmão mais velho Ahmed (Hakim Boumessoudi), que vive em
Paris e cuja esposa não se dá com sua mãe. Como é comum nos países árabes, as
famílias muçulmanas escolhem os parceiros para seus filhos. Baya escolhe a bela
e doce Khedija (Omnia Ben Ghali), de uma família tradicional da cidade, para
casar com Hedi. Mas ele não se entusiasma muito, mas aceita calado, quase mudo.
Até o dia em que seu chefe na concessionária Peugeot, onde trabalha como
vendedor, o envia a outra cidade, Mahdi, para prospectar novos clientes. No
hotel onde está hospedado, à beira-mar, ele conhece a fogosa Rim (Rym Ben Messaoud),
cinco anos mais velha, e inicia um romance proibido. Mais paixão do que amor,
na verdade. Hedi muda seu comportamento da água para o vinho, torna-se mais
falante e alegre. Até o desfecho da história, Hedi terá de decidir se casa com Khedija
ou foge do casamento para ficar com Rim. Além da história em si, o filme
explora com sensibilidade as tradições familiares dos tunisianos, o que o torna
ainda mais interessante. “A Amante” foi exibido por aqui na programação da 40ª Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2016. No mesmo ano, recebeu
dois prêmios no Festival de Berlim: Melhor Filme de Estreia e Melhor Ator (Majd
Mastoura). Vale a pena conferir!
domingo, 24 de fevereiro de 2019
“UMA
NOITE DE 12 ANOS” (“La Noche de 12 Años”), 2018, Uruguai, 2h3m,
escrito e dirigido por Álvaro Brechner. Selecionado para representar o Uruguai
na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, “Uma Noite de 12 Anos” acompanha a prisão, o suplício e o sofrimento de três militantes do grupo guerrilheiro Tupamaros presos pela
ditadura militar uruguaia em 1973: Alfonso Torti (Eleutério Fernández Huidobro),
Maurício Rosencof (Chino Darín, filho do também ator argentino Ricardo Darín) e
José Mujica (Antonio de La Torre) – este último seria eleito presidente do
Uruguai em 2009. Ao lado de outros companheiros do Tupamaros, Mujica, Rosencof
e Torti foram mantidos em prisões das mais precárias até 1985, quando o o país
voltou a ser democrático. Os prisioneiros eram transferidos constantemente de
locais, provavelmente quartéis, encapuzados e proibidos de se comunicar uns com
os outros. Para diversão dos soldados, eram submetidos a violentas torturas. Um
martírio que parecia não ter fim e cuja sobrevivência era encarada com uma
grande vitória. O diretor Brechner conseguiu transmitir de forma bastante
realista o clima claustrofóbico das prisões e o isolamento que chegou a levar alguns
prisioneiros à loucura. Enfim, um filme muito pesado, a quilômetros de distância
de um entretenimento agradável. Pelo contexto da história, não poderia ter sido
feito de outra maneira. Além da ótima atuação do trio de protagonistas
principais, destaco a participação, embora pequena, da grande atriz argentina
Soledad Villamill, do espetacular “O Segredo dos Seus Olhos”, que interpreta
uma psiquiatra que servia ao regime militar uruguaio. Destaco ainda a fabulosa interpretação
da música “The Sound of Silence” (hino da dupla Simon & Garfunkel) pela
cantora Sílvia Perez Cruz – de arrepiar! Resumo da ópera: o filme é excelente e merece ser visto por quem gosta de cinema de qualidade.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
“UM
AUTÊNTICO VERMEER” (“EEN ECHTE VERMEER”), 2016, Holanda, 1h55m, roteiro
e direção de Rudolf Van Den Berg. Trata-se de uma história baseada em fatos
reais, ou seja, a trajetória do pintor holandês Han Van Meegeren (Jeroen
Spitzenberger), que ficou famoso na Amsterdã dos anos 20 do século passado por
apresentar, em suas telas, um estilo semelhante aos grandes pintores clássicos holandeses
do Século 17, Rembrandt e Johannes Vermeer. Seu sucesso, porém, teria vida
curta, principalmente depois que conheceu e se apaixonou pela atriz de teatro
Jolanka Lakatos (Lize Feryn), casada com Abraham Bredius (Porgy Franssen), o
mais importante marchand e crítico de
arte da Holanda. Enciumado pelo assédio de Meegeren sobre sua esposa, Bredius
destruiu a carreira de Meegeren, que resolveu se vingar não apenas tornando-se
amante de Jolanka, como também pintando telas falsas de Vermeer para o oponente
comercializar como sendo verdadeiras. O filme acompanha a trajetória de
Meegeren até depois da Segunda Guerra Mundial, quando ele é julgado como
suspeito de colaborar com o exército nazista que ocupou a Holanda durante o
conflito - ele presenteou os oficiais alemães e até Hitler com algumas de suas
obras. O diretor holandês Van Den Berg (“Süskind” e “Tirza”) acertou ao
escolher uma história tão interessante e pouco conhecida. Acertou também na
escolha do elenco, na fotografia e, principalmente, na reconstituição de época –
figurinos e cenários. Por aqui, o filme foi exibido durante a programação oficial
da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Vale a pena assistir!
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
“ROMA”, 2018, México, 2h15m, produção e distribuição da Netflix, roteiro e direção de Alfonso
Cuarón. Totalmente filmado em preto e branco, esse maravilhoso drama recebeu
nada menos do que 10 indicações para disputar no Oscar 2019. Banido do Festival
de Cannes 2018 por ser da Netflix, “Roma” conquistou o Leão de Ouro como Melhor
Filme no Festival de Veneza e foi eleito o melhor longa-metragem de 1918 por
críticos de Nova Iorque, São Francisco, Los Angeles e Chicago. Ao assistir “Roma”,
fiquei propenso a acreditar que o diretor mexicano estava fazendo uma homenagem
a “Roma, Cidade Aberta” (1947), um clássico do neorrealismo italiano dirigido por
Roberto Rosselini. Ledo engano. Cuarón escreveu o roteiro inspirado na sua
infância, quando morava com sua família em Colônia Roma, um bairro de classe
média na Cidade do México. A personagem principal da história, Cleo (Yalitza
Aparício), por exemplo, foi baseada na sua antiga babá Libo. Tudo gira em torno
de Cleo, a babá e empregada da família, na verdade o braço direito de Sofia
(Marina de Tavira), a patroa da casa. O filme é ambientado nos primeiros anos da
década de 70, quando o México vivia um momento de grave instabilidade política,
com manifestações de trabalhadores e estudantes. Numa dessas manifestações, um
grupo de paramilitares assassinou 120 manifestantes, a maioria estudantes. Cuarón
toca nessa ferida e em outras mais. Porém, o foco central do filme é realmente o
relacionamento entre os familiares e Cleo, a cumplicidade que os une, sem
distinção de classe, puro amor fraternal. Nesse contexto, o filme reserva
momentos de grande sensibilidade capazes de emocionar até mesmo o espectador
menos sensível. Enfim, uma beleza de filme, cinema da mais alta qualidade.
Imperdível! (só para lembrar: Cuarón já conquistou três prêmios Oscar com “Gravidade”,
de 2014: Direção, Filme e Montagem).
domingo, 17 de fevereiro de 2019
“POLAR”, produção
da Netflix, é um filme de ação baseado na Graphic
Novel “Polar: Came From the Cold”, da Editora Dark House. Sua estreia
mundial aconteceu no dia 25 de janeiro de 2019. A história é centrada em Duncan
Vizla, o “Kaiser Negro” (o ator dinamarquês Mads Mikkelsen), um assassino
profissional chegando aos 50 anos e prestes a se aposentar. Ele trabalha para
Blut (Matt Lucas), um sanguinário chefe de uma quadrilha que se nega a pagar o
valor exigido pelo “Kaiser Negro” como prêmio aos serviços prestados. Blut
então convoca sua equipe de assassinos para eliminar Vizla. É ação o tempo
inteiro, muita violência explícita (o sangue jorra na tela) e cenas de sexo
bastante fortes. Portanto, ao assistir, tire as crianças da sala. A direção
ficou por conta do diretor sueco Jonas Akerlund, que há muitos anos está
radicado nos Estados Unidos, onde é mais conhecido como realizador de filmes de
curta-metragem e videoclipes. Embora massacrado pela crítica especializada, eu
achei “Polar” um ótimo entretenimento como filme de ação, sem contar que o
elenco é ótimo: além de Mikkelsen - que arrasa em qualquer papel - e Matt Lucas, atuam Vanessa Hudgens, a
loiraça Katheryn Winnick e veteraníssimo Richard Dreyfuss, que demorei a reconhecer. Diversão
garantida!
sábado, 16 de fevereiro de 2019

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
O drama “TRAMA FANTASMA” (“Phantom Thread”), 2017,
EUA, 2h11m, roteiro e direção de Paul Thomas Anderson, marca a despedida das
telas do ator britânico Daniel Day-Lewis, que ao final das filmagens anunciou
sua aposentadoria. Aos 61 anos, vencedor de três Oscars (“Lincoln”, “Sangue Negro”
e “Meu Pé Esquerdo”), Day-Lewis resolveu se aposentar num filme onde mais uma
vez tem uma atuação à altura da sua competência. Em “Trama Fantasma”, cuja
história é ambientada nos anos 50, ele interpreta Reynolds Woodcock, um
renomado estilista da alta costura em Londres, requisitado pelas mulheres da
elite londrina e até da realeza inglesa, assim como de outros países da Europa.
Enfim, uma celebridade do mundo da moda. Ao mesmo tempo, é um sujeito egocêntrico
e grosseiro. A única pessoa que ele ainda se dá bem é sua irmã Ciryl (Lesley
Manville), sócia no negócio e seu braço direito. Em uma de suas viagens ao
interior para descansar, Reynolds conhece a jovem Alma (Vicky Krieps), garçonete
de um restaurante. Ele se encanta com o corpo e a postura da moça e a convida
para trabalhar vestindo seus novos modelos. Em pouco tempo os dois se
apaixonam, mas Alma logo descobrirá que Reynolds é, na verdade, um sujeito bastante
grosseiro, a quilômetros de distância do homem gentil que ela conheceu. Ele é
tão chato que implica com o barulho que Alma faz ao passar manteiga em uma
torrada. Mesmo assim, eles acabam se casando e pouco tempo depois a relação se
transforma num inferno, amor e ódio levados ao extremo. O filme é excelente,
como comprovam as cinco indicações que recebeu na disputa do Oscar 2018 –
venceu como Melhor Figurino. Mais um trabalho de alto nível criado pelo diretor
norte-americano Paul Thomas Anderson em seu primeiro filme realizado fora dos
Estados Unidos – as filmagens aconteceram na Inglaterra e na Escócia. Do
currículo de Anderson constam filmes muito bons, como “Sangue Negro”, “Magnolia”,
“Vício Inerente” e “Boggie Nights: Prazer sem Limites”. E, agora, “Trama
Fantasma”. Cinema da mais alta qualidade. Não perca!
domingo, 10 de fevereiro de 2019

sábado, 9 de fevereiro de 2019
“ANOS
DOURADOS” (“Nos Années Folles”), 2017, França, 1h43m, direção
do veterano André Téchiné. Baseado em fatos reais, o filme é uma adaptação do
livro “La Garçonne et L’Assassin: Histoire de Louise et Paul”, escrito pelos
historiadores Fabrice Virgili e Danièle Voldman, que também colaboraram com o
roteiro, juntamente com Téchiné e Cédric Anger. Ambientado entre os anos de
1914 e 1925, o filme conta a história incrível de Paul Grappe (Pierre Deladochamps),
que desertou do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial. Antes do início
do conflito, Paul casou com Louise (Céline Sallette), que trabalhava como costureira
numa confecção. Paul foi convocado para lutar no front, mas depois de sofrer
alguns ferimentos, resolveu desertar e se esconder, pois se fosse preso seria
fuzilado. Ele então se escondeu no porão da casa da avó de Louise. Não
suportando viver daquele jeito, ele resolve, com a ajuda da própria mulher, se
vestir de mulher e sair noite afora. Nas madrugadas, ele começa a frequentar o
bosque Bois, local onde mulheres e homens se encontravam para praticar as mais
variadas formas de sexo, inclusive homem com homem. Até 1925, quando foi
anistiado, Paul Grappe transou com homens e mulheres, com o consentimento de Louise.
O relacionamento do casal entrou em crise quando Louise engravidou e teve um
filho, culminando com uma grande tragédia. A história teve grande repercussão
quando foi revelada através de uma peça de teatro, causando comoção em toda a
França. Entre os vários motivos para assistir a esse excelente drama francês,
destaco as primorosas performances do ator Pierre Deladochamps e da atriz Céline
Sallette. Também vale pela incrível história, desconhecida totalmente por aqui - pelo menos por mim.
O filme concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2017 e fez parte da
programação oficial do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em
outubro de 2017.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
“PERDOAI
AS NOSSAS DÍVIDAS” (“RIMETRI A NOI I NOSTRI DEBITI”), Itália,
1h44m, produção da Netflix (lançamento aconteceu no dia 4 de maio de 2018),
roteiro e direção de Antonio Morabito. Surpreendente drama cujo pano de fundo é
a crise social-econômica que afeta a Itália. A figura central é o fracassado
Guido (Claudio Santamaria), que à beira dos cinquenta anos é demitido da
empresa de informática e também do armazém onde fazia uns bicos. Encalacrado em
dívidas e pressionado pelos credores, ele propõe trabalhar de graça como cobrador
para a empresa e assim pagar o que deve. Franco (Marco Giallini), um cobrador
de dívidas profissional, fica encarregado de treinar Guido para a função. Com
seu jeito truculento e sem escrúpulos, Franco utiliza métodos pouco católicos,
como pressionar o devedor em lugares públicos ou diante da família. Guido é
obrigado a seguir a cartilha do mentor, embora com a coração partido. Essa
dualidade entre Guido e Franco é explorada o filme inteiro com muita
competência, principalmente graças às ótimas atuações da dupla de atores.
Embora o contexto seja bastante dramático, o filme reserva alguns bons momentos
de humor e aqui quem arrasa é o ator Marco Giallini. Este foi o segundo longa-metragem escrito e dirigido por Morabito (o primeiro foi "Il Venditore di Medicine", de 2013). O filme é excelente e
conta ainda com uma trilha sonora de primeira, incluindo desde obras do Século
18 do compositor Giovanni Báttista Pergolesi até Françoise Hardi. Cinema da
melhor qualidade. Não perca!
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
“BOHEMIAN
RHAPSODY”, 2018, EUA/Inglaterra, 2h13m, direção inicial de Bryan
Singer (dirigiu dois terços do filme e acabou sendo demitido pouco antes do fim
das filmagens), substituído por Dexter Fletcher. Indicado para disputar o Oscar
2019 em cinco categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, “Bohemian
Rhapsody” é uma cinebiografia de Freddie Mercury, vocalista e líder da banda de
rock inglesa “Queen”. A história começa em 1970, quando Mercury ingressa na
banda “Smile”. O novo vocalista sugere a mudança de nome para “Queen” e daí para
a frente a banda vira um sucesso mundial. O filme conta a trajetória de Mercury
e da “Queen” até 1985, quando a banda se apresenta no Estádio de Wembley, em
Londres, durante o concerto mundial intitulado “Live Aid” em prol da África –
segundo os críticos musicais, esta foi a melhor apresentação ao vivo da banda
em muitos anos. O filme revela detalhes desconhecidos pelo público em geral –
os fãs devem conhecer -, como, por exemplo, o fato de Mercury ser filho de
paquistaneses e de que seu nome verdadeiro era Farrokh Bulsara. Antes de
ingressar na banda, ele trabalhava como carregador de malas no aeroporto de
Heathrow, em Londres. O filme também acompanha a vida particular de Mercury,
seu romance e casamento com Mary Austin (Lucvy Boynton), além dos bastidores da
banda, incluindo algumas desavenças entre os integrantes do grupo. Mas o melhor
mesmo fica por conta de como algumas músicas de sucesso foram feitas,
principalmente “Bohemian Rhapsody”. Além de fornecerem detalhes sobre a
trajetória da banda, os músicos originais Brian May (guitarrista) e Roger
Taylor (baterista) também participaram como produtores – Robert De Niro também
foi um deles. Sucesso de bilheteria no mundo inteiro, o filme é um dos grandes
favoritos a ganhar o Oscar. Eu votaria nele, com certeza, além de escolher Rami
Malek, o intérprete de Freddie Mercury, como Melhor Ator. A cereja do bolo,
porém, é a trilha sonora. Imperdível!
domingo, 3 de fevereiro de 2019
Muitas vezes a gente desiste
de ver um filme por causa da sua sinopse. Foi o que aconteceu comigo antes de
assistir “LUA DE JÚPITER” (“JUPITER HOLDJA”), 2017, Hungria, 2h3m, roteiro e
direção de Kornél Mundruczó ("Deus Branco"). Um resumo da sinopse que quase me fez desistir: um jovem imigrante sírio é assassinado com três tiros ao tentar cruzar a
fronteira da Hungria, depois ressuscita e descobre que adquiriu o poder de
levitar. Fala sério, você assistiria a um filme com essa apresentação? E ainda
por cima feito na Hungria? Pois eu arrisquei e me dei muito bem, pois o filme é surpreendentemente ótimo. Quando ressuscita, Aryan Dahni (Zsombor Jéger) acorda num campo de
refugiados e é medicado pelo dr. Gabor Stern (Marab Ninodze), que é
surpreendido com uma levitação do jovem. Dr. Stern vê nisso uma oportunidade de
ganhar dinheiro, pois precisa juntar um valor alto para pagar um processo de
indenização por causa de um antigo erro médico. Ao perseguir o imigrante
desaparecido, o policial Lászlo (György Cserhalmi), chefe da divisão de
fronteiras, também acaba conhecendo o dom de levitar do garoto, cujo pai é
acusado de praticar um atentato à bomba em Budapeste. Aryan acaba envolvido
também como suspeito e vai depender do dr. Stern para escapar da polícia. Para
escrever a história, o diretor Kornél Mundruczó se inspirou numa fábula que leu
durante a infância. Nela, um homem tinha o poder de levitar. O filme é bastante
interessante, muito bem feito e tem ótimas cenas de ação, uma delas uma
empolgante perseguição de carros pelas ruas de Budapeste. O filme estreou e disputou a
Palma de Ouro no 70º Festival de Cannes, em maio de 2017. Uma informação adicional sobre o título. Europa é uma das 67 luas de Júpiter, o que serviu de ideia ao diretor para fazer uma associação com a questão dos refugiados que ingressam naquele continente. Enfim, não digo que o filme é imperdível, mas, sem dúvida, muito interessante e criativo, tornando-o irresistível.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Representante da
Turquia na disputa do Oscar/2019 de Melhor Filme Estrangeiro, “A ÁRVORE
DOS FRUTOS SELVAGENS” (“AHLAT AGACI”) leva a assinatura do cultuado – não por
mim - roteirista e diretor Nuri Bilge Ceylan. A história: o jovem Sinan (Dogu
Demirkol) termina a faculdade e retorna à sua vila natal, no interior da
Turquia. Ao reencontrar sua família, vê
que as coisas não andam bem. Idris (Murat Cencir), seu pai, um professor à
beira da aposentadoria, é viciado em apostas de corridas de cavalo e está
endividado, a ponto de não poder pagar nem a conta de energia da casa. Asuman
(Bennu Yildirimlar), a mãe, trabalha como babá, não reage, sofre calada e vive
apenas se lamentando, mas não admite que Sinan fale mal do pai. Em meio a esse
clima melancólico e de rusgas familiares, Sinan, que sonha em ser escritor, enfrenta
dificuldades em levantar um financiamento para editar seu primeiro livro, cujo título é o mesmo do filme. E
assim vão passando as longas e entediantes 3h9m de filme, com longas cenas
recheadas de diálogos onde se discute filosofia, literatura e religião – algumas
dessas cenas demoram mais de 20 minutos. Eu já conhecia o estilo do diretor
Nuri Bilge Ceylan, depois de assistir a dois de seus filmes mais conhecidos, “Era
uma Vez na Anatolia” e “Sono de Inverno”. Ceylan teima em tornar seus filmes
monótonos, verborrágicos demais. Quando foi exibido no Festival de Cannes em
maio de 2018, onde concorreu à Palma de Ouro, parte da plateia de críticos
deixou a sessão, provavelmente para não pegar no sono. Eu consegui assistir até
o final, apesar de alguns cochilos. Resumo da ópera: o novo filme de Ceylan,
assim como os anteriores, exige uma paciência hercúlea. Não é para espectadores
iniciantes. Apesar dos pesares, o filme foi exibido por aqui durante a
programação oficial da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Duvido
que chegue ao circuito comercial.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Nesses tenebrosos
tempos de tantas notícias ruins, trágicas e estressantes, nada melhor do que se
divertir assistindo a uma boa comédia. É o caso de “JOHNNY ENGLISH 3.0” (“JOHNNY ENGLISH STRIKES AGAIN”), 2018, Inglaterra,
1h29m, roteiro de William Davies e direção de Peter Howitt. Este é o terceiro
filme da série que mostra as confusões do desastrado agente secreto britânico
Johnny English, interpretado pelo ator Rowan Atkinson (o “Mr. Bean”). O
primeiro foi “Johnny English”, de 2002, e o segundo “O Retorno de Johnny
English, de 2011. Trata-se de uma sátira aos filmes de espiões famosos como James
Bond, utilizando agentes atrapalhados e sem qualquer inteligência, como víamos
na famosa série “A Pantera Cor de Rosa”, com Peter Sellers no papel do inspetor
Jacques Clouseau. Em “Johnny English 3.0”, a missão do agente é descobrir o hacker que invadiu o bando de dados do
governo inglês, revelando a identidade de todos os agentes secretos ingleses –
só sobrou Johnny English, que estava aposentado. Além disso, o hacker prometia cometer atos terroristas
não só na Inglaterra, como no mundo todo. English e seu inseparável assistente
trapalhão Angus Bough (Ben Miller) serão responsáveis por grandes confusões
durante a missão, como, por exemplo, incendiar um famoso restaurante de luxo e
outras trapalhadas hilariantes. A comédia conta ainda com a participação da
bela atriz russa Olga Kurylenko como uma espiã contratada pelo vilão e a
inglesa Emma Thompson como a primeira-ministra. Claro que o filme é uma grande
bobagem, mas diverte muito.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
“UM PEQUENO FAVOR” (“A SIMPLE FAVOR”), EUA,
2018, direção de Paul Feig. Assina o roteiro Jessica Sharzer, que o escreveu inspirada
no livro “A Simple Favor”, o primeiro romance escrito pela norte-americana
Darcey Bell e que se transformou num grande best-seller, agora adaptado para o cinema. A história reúne duas mulheres com
personalidades totalmente opostas. Stephanie (Anna Kendrick) é mãe solteira, dona
de casa, vive solitária, um tanto carente e insegura, é baixinha e atrapalhada,
sem nenhum atrativo físico capaz de atrair um olhar masculino. Por sua vez,
Emily (Blake Lively) é segura de si, bonita, alta, muito charmosa e sensual, tem
classe e um corpaço. Além disso, é relações-públicas numa grande empresa e
ganha um dinheirão, como comprova a bela casa onde mora, as roupas e o carro.
As duas se conhecem na porta da escola onde estudam os seus filhos e daí nasce
uma forte amizade, a ponto de um dia Emily pedir “Um Pequeno Favor” a
Stephanie. Buscar seu filho no colégio. Só que Emily sumiu misteriosamente, dando margem a muitas especulações. Será que ela foi
assassinada ou fugiu com algum amante? O marido de Emily, Sean Townsend (Henry
Goldine), torna-se o primeiro suspeito, ainda mais depois de arrastar as asas
para cima de Stephanie, além de uma polpudo seguro de vida no meio. Até o desfecho, muitas reviravoltas acontecerão,
esclarecendo todo o mistério do desaparecimento de Emily. Resumindo: trata-se
de um misto de comédia e suspense, ou, como definiu um crítico, um “suspense
tragicômico”. Paul Feig é, sem dúvida, perito em comédias, como já demonstrou
em “Missão Madrinha de Casamento”, “As Bem-Armadas” e “A Espiã que Sabia de
Menos”. Faço questão de destacar, em “Um Pequeno Favor”, a presença da loiraça Blake
Lively, que, além de ótima atriz, é linda e muito sensual. Aos 31 anos, ela já
pode ser considerada, na minha modesta opinião, como a nova diva de Hollywood. Se
quiserem comprovar o que digo, assistam “Café Society”, “A Incrível História
de Adaline”, “Águas Rasas” e “Por Trás dos Seus Olhos”. Ela arrasa em todos.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
No transcorrer de “A FESTA” (“THE PARTY”), 2017,
Inglaterra, 1h11m, fiquei com a certeza de que se tratava de uma adaptação de
uma peça teatral. Afinal, a trama tem apenas sete personagens e o palco, aliás,
o cenário, é um só, o interior de uma casa, além de muitos diálogos. A casa é
de Janet (Kristen Scott Thomas) e de seu marido, Bill (Timothy Spall). A festa
é em comemoração à escolha de Janet para o cargo de ministra da Saúde da
Inglaterra. Um jantar para poucos amigos: Tom (Cillian Murphy), April (Patricia
Clarkson), Gottfried (Bruno Ganz), Jinny (Emily Mortimer) e Martha (Cherry
Jones). Enquanto rola a festa, algumas revelações bombásticas e surpreendentes são
feitas, estragando o caráter comemorativo do evento e aniquilando de vez algumas amizades. Há muito humor negro, com
diálogos corrosivos e muito inteligentes, envolvendo política, cultura,
religião, sexo e até assuntos esotéricos. O filme foi escrito e dirigido por
Sally Potter (“Ginger&Rosa”, “Por que Choram os Homens” e “Orlando, a
Mulher Imortal”). Ao assistí-lo, pelo estilo, lembrei de dois filmes de Luis
Buñuel, “O Anjo Exterminador” e “O Discreto Charme da Burguesia”. Não sei se foram eles que inspiraram a diretora Potter. Resumo da
ópera: “A Festa” é ótimo, melhor ainda pelo sensacional elenco.
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
“TRÊS
SEGUNDOS” (“Divizhenie Vverkh”
no original, “Three Seconds” nos países de língua inglesa – eu mesmo traduzi o título para o português),
2017, Rússia, 2h13m, roteiro da dupla Nikolay Kulikov e Andrey Kureychik, e
direção de Anton Megerdichev. O filme conta a história de uma das façanhas mais
incríveis, espetaculares e surpreendentes do esporte mundial: a vitória do time
masculino de basquete da Rússia sobre os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Munique
(Alemanha), em 1972, numa parte das mais polêmicas. Ninguém ganhava dos norte-americanos desde as Olimpíadas
de 1936. “Três Segundos” conta toda a história dessa grande conquista,
começando em 1970, quando Vladimir Garanzhin (Vladimir Mashkov) assume como
técnico da equipe, trocando quase todos os jogadores e introduzindo novos
métodos de treinamento. Em sua apresentação, numa concorrida coletiva de
imprensa, Garanzhin, que dirigia a equipe do Spartak, afirma que seu objetivo é
vencer os norte-americanos nas Olimpíadas de Munique, dois anos depois. Sua
declaração deixou as autoridades esportivas da Rússia revoltadas, pois ninguém
acreditava que algum time ganharia dos EUA. O filme mostra os bastidores dessa
trajetória, incluindo uma excursão aos Estados Unidos para jogos contra equipes
universitárias. Garanzhin queria que seus atletas jogassem como os
norte-americanos, o que seria, para ele, a única forma de vencê-los. O filme
todo é emocionante, tem bom humor, cenas comoventes e um espetacular desfecho,
com a reprodução da grande final. Inacreditável que um filme tão bom não tenha
sido exibido por aqui no circuito comercial. Simplesmente imperdível!
sábado, 19 de janeiro de 2019
Não é só Hollywood que
sabe fazer disaster movies. Os
noruegueses aprenderam a fazer bons filmes no gênero. Coitada de Oslo. Em 2015,
no filme “A Onda”, a capital da Noruega quase foi destruída pelo violento tsunami
de Geiranger. Três anos depois, Oslo seria atingida por um terremoto que
novamente quase a destruiu. É a história de “O TERREMOTO” (“SKJELVET” no original e “The Quake” nos países de
língua inglesa). Como no primeiro filme, o geólogo Kristian Eikjord (Kristoffer
Joner) alerta as autoridades noruegueses sobre o provável desastre. E também
como na primeira versão, Kristian viverá momentos de alta tensão para salvar
sua esposa e sua filha. O ritmo é alucinante, graças ao ótimo roteiro elaborado
por Harald Rosenløw Eeg e John Kare Raake, os mesmos de “A Onda” - só mudou o diretor, agora John Andreas Andersen. As cenas de
perigo são espetaculares, principalmente aquelas em que os protagonistas ficam
presos no alto de um edifício prestes a desmoronar. Os cenários são tão bem
produzidos que a gente quase nem percebe que tudo foi feito com computação
gráfica. Como informação histórica, o filme lembra o violento terremoto – este verdadeiro
- que aconteceu em Oslo em 1904 e alerta sobre a possibilidade de outros a
qualquer momento. Ou seja, visite Oslo antes que acabe. Exibido durante a
programação oficial do Festival de Cannes, “O Terremoto” recebeu críticas bastante
elogiosas, o que não é muito comum em se tratando desse gênero de filmes. Resumo
da ópera: “O Terremoto” é um entretenimento da melhor qualidade.
Assinar:
Postagens (Atom)