“OS AERONAUTAS” (“THE
AERONAUTS”), 2019, Inglaterra, produção Amazon Prime, 1h41m,
direção de Tom Harper, que também assina o roteiro juntamente com Jack Thorne.
A história, baseada em fatos reais, foi inspirada no livro “Falling Up Wards: How
We Took to the Air”, de Richard Holmes, que relembra a sensacional aventura de
um cientista e uma balonista (personagem fictício, que explico no final deste
comentário). O filme é ambientado no ano de 1862 em Londres. O cientista James Glaisher
associou-se à famosa balonista Amelia Wren (Felicity Jones) para um voo muito
especial: pesquisar formas de se prever a meteorologia. Enfrentando chuva
torrencial, temporais, raios, frio de congelar e muita ventania, a dupla
conseguiu, além da pesquisa em si, bater o recorde de altura da época: 8.700 quilômetros.
No filme, a personagem Amelia Wren foi criada à vontade do roteirista e do
diretor. Na verdade, o verdadeiro companheiro de Glaisher na missão foi o
também cientista Henry Coxell. Amelia Wren surgiu inspirada em uma balonista
muito famosa na época, Sophie Blanchard. Com relação a James
Glaisher, o cientista foi uma figura muito importante no mundo científico,
sendo pesquisador do departamento de Meteorologia do Observatório Real de Grenwich
e fundador da Sociedade Real de Meteorologia e da Sociedade Aeronáutica da Grã-Bretanha.
O filme é espetacular, com cenas de perigo de tirar o fôlego. A gente acompanha
tudo de muito perto, como se estivesse no balão. Méritos para o diretor Tom
Harper, que soube manter um ritmo frenético deste o início até o desfecho,
valorizando aquela que foi uma das aventuras mais espetaculares que o cinema já
produziu. Também estão no elenco Vincent Perez, Tom Courtnay, Himesh Patel,
Rebecca Front e Anne Reid. Relembro que Eddie Redmayne e Felicity Jones
trabalharam juntos em “A Teoria de Tudo” (2014), filme que resultou no Oscar de
Melhor Ator para Redmayne, que viveu o físico inglês Stephen Hawking. No caso
de “Os Aeronautas”, porém, o destaque maior fica para a dentucinha Felicity
Jones, que arrasa principalmente nas cenas de ação. IMPERDÍVEL!
quinta-feira, 26 de março de 2020
quarta-feira, 25 de março de 2020
“MINHA OBRA-PRIMA” (“MI OBRA
MAESTRA”), 2018, Argentina, 1h45m, roteiro e direção de Gaston
Duprat. Mais um filme argentino para dar inveja a nosotros. Trata-se de
uma divertida e inteligente comédia reunindo dois dos mais consagrados atores
do país de Maradona: Guillermo Francella e Luis Brandoni. Guillermo é Arturo
Silva, um conhecido marchand e galerista de Buenos Aires. Brandoni é
Renzo Nervi, um pintor que fez grande sucesso na década de 80, mas agora não
consegue vender mais nada. E, pior, virou um artista carrancudo, mal-humorado,
insuportável e difícil de se lidar. E, além do mais, falido. Mesmo com a
decadência do pintor, Arturo jamais abandonou o amigo de muitos anos, que o
ajudou a ganhar muito dinheiro. Agora, porém, Arturo está tendo enorme
dificuldade de ajudar Nervi, principalmente devido ao seu comportamento antissocial.
Quando um acidente ocorre com o pintor, obrigando-o a ser internado, Arturo vê
uma ótima possibilidade de reverter o quadro de penúria do amigo e também
ganhar dinheiro com isso. Eles bolam um plano macabro para valorizar os quadros
de Nervi, que assinou um documento doando-os ao marchand. Tudo caminha
bem até que um ex-aluno de Nervi, Alex (Raul Arévalo), meio que sem querer,
descobre um segredo que abalará o mercado das artes na Argentina. Graças ao roteiro
elaborado por Duprat, o filme diverte muito com seu humor corrosivo, que no
fundo é uma sátira ao mundo das artes. Mas seu maior trunfo é, sem dúvida, o
trabalho magistral dos atores Francella e Brandoni, que conseguem transformar
seus personagens em figuras simpáticas e cativantes. Eu já conhecia Francella
dos filmes “Coração de Leão – O Amor não tem Tamanho”, “Um Namorado para Minha
Esposa” e do espetacular “O Segredo dos seus Olhos”. Aos 79 anos, Brandoni é um
dos mais conhecidos atores argentinos, mas confesso que não lembro de tê-lo
visto em algum filme. Com relação ao roteirista e diretor Gastón Duprat, lembro
de dois de seus filmes, “O Homem ao Lado” e “O Cidadão Ilustre", ambos muito
bons. “Minha Obra-Prima” é mais um filmaço argentino. Imperdível!
segunda-feira, 23 de março de 2020
“SALYUT–7: MISSÃO ESPACIAL” (“SALYUT–7”), 2017,
Rússia, 120 minutos, roteiro e direção de Klim Shipenko. A história é centrada
na missão Salyut-7, que em 1985 enviou dois cosmonautas para o espaço na nave
Soyuz com o objetivo de recuperar uma estação orbital morta. O resultado final
foi um gol de placa dos russos, que pela primeira vez na história das missões
espaciais - incluindo os norte-americanos - conseguiram acoplar e trazer a estação de volta ao serviço. Um ato heroico
que exigiu muita coragem por parte da dupla de astronautas. Vicktor (Pavel
Derevyanko) e Vladimir (Vladimir Vdovichenkov) eram os astronautas mais experientes
e bem e preparados para a difícil missão. Da Terra, na sede da Roscosmos
(agência espacial russa equivalente à Nasa), o diretor Valery Ryumin
(Aleksander Samoylenko) e sua equipe monitoravam os trabalhos. O filme tem
momentos de muita tensão, incluindo a agonia das esposas dos cosmonautas, uma
delas grávida, um dos clichês mais utilizados em filmes do gênero, embora “Salyut-7”
seja baseado em fatos reais. A gente acompanha na maior tensão a rotina perigosa
dos astronautas, a cada dia encontrando pela frente situações de alto risco, e
o drama vivido pela equipe de Valery, obrigada a tomar decisões em minutos nos
momentos mais cruciais. Como não poderia deixar de ser, o êxito da missão é
exaltado no filme de forma bem patriótica, coisa que o pessoal de Hollywood
cansa de fazer. “Salyut-7” é um dos melhores filmes que assisti sobre eventos
espaciais. Recomendo sem pestanejar.
“UM ROMANCE NAS ENTRELINHAS” (“VITA
& VIRGINIA”), 2018, Irlanda, 1h50m, segundo longa-metragem
dirigido pela jovem cineasta inglesa Chanya Button, de 33 anos. O roteiro foi
escrito pela atriz, romancista e dramaturga Eileen Atkins, autora do livro “Vita
& Virginia” e da peça teatral do mesmo nome. A história é inspirada num
acontecimento ocorrido no início dos anos 20 do século passado, ou seja, o
escandaloso romance entre a já consagrada escritora inglesa Virginia Woolf (Elizabeth
Debicki) e a aristocrata Vita Sackville (Gemma Arterton), também escritora e
grande admiradora de Virginia. Ambas eram casadas, Virginia com Leonard Woolf,
editor e dono de uma gráfica. Vita era casada com sir Harold Nicolson (Rupert
Penay-Jones), um dos diplomatas mais importantes do governo inglês. Na verdade,
Vita tinha um casamento de fachada, já que Nicolson era homossexual. O romance
entre as duas mulheres começa com o assédio de Vita. Virginia, de início, acha
que Vita é apenas uma fã ardorosa, mas logo percebe que se trata de uma paixão de verdade.
O roteiro do filme destaca a troca de cartas e poemas entre as amantes, lidas
pelas próprias protagonistas em frente da câmera. São momentos de tédio para o
espectador. Além disso, os diálogos são de um inglês empolado, extremamente pomposo,
que chega a incomodar. Não que prejudiquem o filme, mas que são entediantes,
são sim. Vale lembrar que Vita serviu de inspiração para Virginia criar o personagem
principal do livro “Orlando: Uma Biografia”, considerado o maior clássico da
literatura feminista do Século XX. Devo destacar como trunfos do filme a
primorosa ambientação de época, principalmente com relação aos figurinos e
cenários, e a fotografia, além da competente atuação de Gemma Arterton e Elizabeth Debicki,
duas ótimas atrizes. Outro destaque do elenco é a participação de Isabella
Rossellini como a baronesa Sackville, mãe de Vita. Enfim, não é um filme para o
público em geral, só para aqueles que curtem literatura e são fãs de Virginia
Woolf.
sábado, 21 de março de 2020
“O LIMITE DA TRAIÇÃO” (“A FALL
FROM GRACE”), 2019, produção Netflix – estreou na plataforma
dia 17 de janeiro de 2020 -, 1h55m, roteiro e direção de Tyler Perry. A
cinquentona Grace Waters (Bresha Webb), uma divorciada e solitária funcionária de um banco que tem como melhor e única amiga Sarah (Phylicia Rashad). Ao
visitar a exposição de um fotógrafo especialista em fotos no continente
africano, Sarah conhece um rapaz bem mais novo que tenta flertar com ela. É o
próprio fotógrafo, Shannon (Mehcad Brooks), que aos poucos vai ganhando a
confiança de Grace, culminando num casamento. Ao longo de poucos meses, porém,
ela descobre que o cara é um pilantra de marca maior. Humilhada, Grace
assassina o marido a golpes de taco de beisebol. Ela acaba presa por homicídio,
confessa o crime e passa a ser grande candidata à prisão perpétua. Aí é que entra
em cena a inexperiente advogada Jasmine Bryan (Bresha Webb), cujo trabalho em
seu escritório está restrito a costurar acordos com a Promotoria Pública, sem jamais ter participado de um julgamento. Após
várias reuniões com a ré, Jasmine decide reverter a situação, desistindo do
acordo e disposta a defender Grace num julgamento com júri e tudo. E por aí segue a trama. O filme seguia fraco,
lento e entediante, mas eu continuava acreditando que quando o julgamento chegasse tudo
melhoraria. Que nada. Continuou chocho. Pelo menos há, no desfecho, uma surpreendente reviravolta, que também não consegue salvar o filme. Pior mesmo é a atuação de Bresha Webb
como a jovem e persistente advogada. Está sempre com cara de choro e sua única
expressão visível são os olhos esbugalhados. Péssima atriz. Aliás, o filme todo
não funciona, a não ser como um ótimo sonífero.
“TROCO EM DOBRO” (“SPENSER
CONFIDENTIAL”), 2019, EUA, produção e distribuição Netflix,
1h50m, direção de Peter Berg. O roteiro é assinado por Sean O’Keefe e Brian Helgeland,
que se inspiraram no romance policial “Robert B. Parker’s Wonderland”, escrito
por Ace Atkins em 2013. Vamos à história. Depois de agredir
violentamente seu oficial superior, o detetive Spenser (Mark Wahlberg), da
polícia de Boston, é condenado a 5 anos de prisão. Quando sai, sua ideia é
arrumar emprego como motorista de caminhão e viajar por aí. Só que seu plano é
adiado depois que, na mesma semana, dois ex-colegas da polícia são encontrados
mortos. Um deles, porém, é dado como suicídio, o que deixa Spenser desconfiado
de que tudo não passa de uma trama orquestrada por policiais corruptos ou pelo
crime organizado. Mesmo sem ter sido reintegrado à polícia, Spenser resolve
investigar os crimes por conta própria. Para isso, conta com o auxílio do grandalhão
Hawk “Falcão” (Winston Duke), que é lutador de MMA. A dupla, com a ajuda
intelectual de Henry Cimoli (Alan Arkin), um veterano técnico de boxe e MMA, elabora
um plano para elucidar os casos. No meio disso, entra em cena a escandalosa maluquete
Cissy (Iliza Shlesinger), ex-namorada de Spenser. Mark Wahlberg comprova mais
uma vez que é um ótimo ator de filmes de ação. Como referência, lembro de “22
Milhas”, “Horizonte Profundo: Desastre no Golfo”, “O Dia do Atentado” e “O
Grande Herói”, este último um filmaço de guerra. Todos esses filmes foram
dirigidos também pelo ator e diretor Peter Berg. “Troco em Dobro” é um ótimo
filme policial, com muita ação, pancadarias, tiros e humor na dose certa. É tão
bom que, ao estrear na Netflix no dia 6 de março de 2020, já é um grande
sucesso entre os assinantes, garantindo o Top 10 da plataforma. Entretenimento
garantido!
quinta-feira, 19 de março de 2020
“AS
FILHAS DO SOL” (“LES FILLES DU SOLEIL”), 2018, França, 2 horas,
roteiro e direção de Eva Husson. A história é baseada em fatos reais ocorridos
em 2014. Um grupo de guerrilheiras curdas lutam contra as forças opressoras do
Iraque e do Irã. O filme é centrado numa missão em que o pequeno batalhão de mulheres
é escalado para tomar a cidade de Gordyene, na fronteira entre Síria, Iraque e
Turquia. Enquanto os guerrilheiros curdos, homens, ficavam nas trincheiras
aguardando possíveis reforços e praticamente se escondendo, as mulheres foram à luta. O batalhão feminino,
comandado por Bahar (a bela atriz iraniana Golshifteh Farahani), foi
acompanhado em sua missão pela jornalista francesa Mathilde (Emmanuelle Bercot),
que registrou os acontecimentos para depois divulgá-los ao mundo. Nos momentos
em que é possível descansar, Bahar conta sua história para Mathilde, seu sequestro
e de seu filho pelos violentos iranianos, o assassinato do marido e os
terríveis momentos em que viveu no cativeiro juntamente com outras mulheres - os
iranianos chegaram a sequestrar mais de 7 mil mulheres curdas para depois vendê-las.
A roteirista e diretora Eva Husson conta todo esse sofrimento em flashbacks,
justificando plenamente a adesão de Bahar aos grupos guerrilheiros, buscando vingança e também encontrar seu filho. Na
maioria dos filmes em que o tema é algum conflito, é mais comum mostrar heróis
masculinos e as mulheres apenas como espectadoras ou vítimas. Em “As Filhas do Sol”, as
mulheres é que assumem o espetáculo, provando que também têm coragem para lutar sem medo de morrer. O
filme estreou e disputou a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, em
maio de 2018, sendo exibido por aqui durante a programação oficial do Festival
Varilux de Cinema Francês em 2019. Recomendo!
quarta-feira, 18 de março de 2020
“SIMONAL”, 2019,
produção da Globo Filmes, 1h45m, filme de estreia na direção do carioca
Leonardo Domingues, com roteiro de Victor Atherino. O elenco: Fabrício
Boliveira (Wilson Simonal), Ísis Valverde (Tereza, a esposa), Leandro Hussum
(Carlos Imperial), Mariana Lima (a socialite Laura Figueiredo), Caco Ciocler
(delegado Santana), João Velho (Miéle), Rafael Sieg (Ronaldo Bôscoli), Lilian
Menezes (Elis Regina) e Bruce Gomlevsky (contador Taviani). O filme aborda o
período de quinze anos na vida do cantor Wilson Simonal, de 1960 a 1975, sua ascenção
ao estrelato e sua queda após o problema que levou seu contador a ser torturado
no DOPS. Simonal começou na vida artística participando de um grupo vocal que
cantava rock. O produtor musical Carlos Imperial incentivou Simonal a seguir
carreira solo. Arrebentou, principalmente depois de levado para algumas
apresentações no Beco das Garrafas por Miele e Ronaldo Bôscoli. Logo estava na
TV com programa próprio, arrasando no seu estilo swingado e malandro-chique. O
filme acompanha sua carreira nos palcos e discos, o casamento com sua grande
musa Tereza, o grande sucesso na TV e sua decadência após o episódio com o
contador. Sem dúvida, Simonal era um grande artista, um cantor fenomenal e um showman
capaz de entreter suas plateias por horas, além de uma voz poderosa. Como
aconteceu uma vez no Maracanãzinho, quando Simonal fez 30 mil pessoas cantarem
juntos seus maiores sucessos. E que trilha sonora: “Lobo Bobo”, Balanço Zona
Sul”, “Meu Limão, meu Limoeiro”, “Mamãe Passou Açúcar em Mim”, “Sá Marina”, “País
Tropical” e “Nem Vem que não Tem”. Só quem viveu aquela época sabe o que Simonal,
com seu estilo marcante, significou para a música brasileira. O filme tem o
mérito de acompanhar a carreira do grande cantor e apresentá-lo às novas
gerações. Fabrício Boliveira e Ísis Valverde, o casal principal de
protagonistas, estão muito bem em seus papeis – os dois já atuaram juntos em “Faroeste
Caboclo”, de 2013. Resumo da ópera: um filme obrigatório para quem quer
conhecer ou relembrar a história de vida daquele que foi um de nossos melhores cantores.
Nessa linha de biografias de artistas nacionais consagrados, recomendo também os
filmes sobre Cazuza, Tim Maia, Maysa, Chacrinha, Elis, Erasmo Carlos e Hebe. Quem
será o próximo?
terça-feira, 17 de março de 2020
Nem sempre um bom elenco é
capaz de salvar um filme. É o caso do suspense “ARANHA NA TEIA” (“SPIDER IN
THE WEB”), 2019, coprodução Israel/Inglaterra, 1h53m, direção de Eran Riklis,
cineasta israelense dos excelentes “Lemon Tree" (2008) e “A Noiva da Síria” (2004). O roteiro é assinado por Gidon Maron e Emmanuel Naccache. Só para citar dois
nomes do elenco de “Aranha na Teia”: o ator inglês Bem Kingsley e a atriz
italiana Monica Bellucci, minha musa desde sempre e de milhões de outros cinéfilos. Pois bem, nem eles foram capazes de salvar esse abacaxi. Vamos à história – vou
tentar explicar o que eu entendi. Aí eu pergunto: por que quase todo filme de
espionagem é difícil de entender? O Mossad, serviço secreto de Israel, quer
saber quem está fornecendo armas químicas para a Síria. Para essa missão, é
escalado Adereth (Kingsley), um famoso espião em final de carreira. Como o
Mossad deixou de confiar nele há tempos, o agente Daniel (Itay Tiran) ficou
encarregado de vigiá-lo de perto. Aí entra em cena a personagem Angela (Monica
Bellucci), que indica uma empresa localizada na Bélgica como fornecedora das
tais armas químicas. Agentes do serviço secreto da Bélgica entram em ação,
complicando ainda mais a situação. Para piorar, o roteiro ainda
abre espaço para um romance forçado entre Abereth e Angela. Os dois não
combinam nem um pouco, mesmo que tudo não passe de um jogo de interesses. Se
fosse na vida real, Bellucci mataria Kingsley do coração na primeira noite...
Você acompanha todo o enredo sem entender muito bem o que está acontecendo. E
termina de assistir sem continuar entendendo. Fraquinho, fraquinho...
O drama “JUDY – MUITO ALÉM
DO ARCO-ÍRIS” (“Judy”), 2019, Inglaterra, 1h58m, direção de Rupert Goold, enfoca
os dois últimos anos da atriz e cantora Judy Garland (1922-1969), uma grande estrela
de Hollywood desde que atuou, ainda adolescente, no clássico “O Mágico de Oz”,
um dos filmes de maior sucesso do cinema mundial. O roteiro de “Judy” foi
escrito por Tom Edge, que se baseou no drama musical “O Fim do Arco-Íris” (“End
of the Rainbow”), do dramaturgo Peter Quilter, encenada com grande sucesso na Broadway.
No filme, Judy é interpretada de forma primorosa pela atriz Renée Zellweger,
que conquistou, merecidamente, os prêmios de “Melhor Atriz” no Globo de Ouro e
no Oscar 2020. Poucas vezes houve uma unanimidade tão grande nas
premiações de Melhor Atriz - "Judy" também teve uma indicação para disputar o Oscar na categoria "Maquiagem e Penteados". O ano é 1968, Judy Garland está em fase decadente,
sem dinheiro, afundada em dívidas e sem ter um lugar para morar com os dois
filhos menores. Devido à sua situação financeira caótica, Judy aceita realizar
uma série de shows na boate “Talk of the Town”, em Londres, onde ainda era adorada
pelo público. Para isso, ela deixa seus dois filhos com Sidney Luft (Angus Sewell),
pai das crianças e seu quarto marido. O
filme trata com maior destaque o tempo em que Judy passou em Londres, cantando
para plateias seletas – a própria Renée Zellweger interpreta, com muita
competência, as canções, o que deve ter sido um motivo a mais para tantas
premiações. Longe dos filhos, porém, ela entra em depressão e se apega cada vez mais aos remédios e ao álcool,
vícios aos quais se submetia há muitos anos e que a matariam pouco depois, com
apenas 47 anos de idade. Nem o quinto casamento com o músico Mickey Deans (Finn
Wittrock) foi capaz de tirar Judy da depressão. Ainda estão no elenco Jessie
Buckley (a assistente de Judy em Londres), Darci Shaw (Judy jovem), Gemma-Leah Devereux (Liza Minelli), Richard
Cordery (Louis B Mayer) e Gus Barry (Mickey Rooney). A opinião da maioria dos
críticos não foi muito favorável ao filme, mas foram unânimes em destacar a atuação
de Zellweger. Por ela, realmente vale a pena assistir. De qualquer forma, eu
gostei muito do filme e não tenho dúvidas em recomendá-lo.
domingo, 15 de março de 2020

sábado, 14 de março de 2020
“A HORA DO LOBO” (“THE WOLF
HOUR”), 2019, Estados Unidos, 1h39m, segundo longa-metragem
escrito e dirigido por Alistyair Banks Griffin. Trata-se de um suspense
psicológico ambientado no verão de 1977 em Nova Iorque. A personagem central é a
escritora June Engle (Naomi Watts), expoente da contracultura, que vive
enclausurada num apartamento no Sul do Bronx, em meio a livros, papelada espalhada pelo chão e lixo de todo tipo. Sujeira generalizada. June é uma mulher atormentada,
vivendo um período de depressão e pânico, não conseguindo colocar o pé para
fora do apê. Nessa época, a cidade vive um período de extrema violência, com
saques, atos de vandalismo e assassinatos – naquele ano, ficou famoso um serial
killer denominado “O Filho de Sam”. Como se não bastasse, faz um calor
infernal e a cidade vive sofrendo apagões diários. Seus únicos contatos com o
mundo exterior acontecem quando olha pela janela as pessoas se digladiando ou
quando recebe o entregador do mercado, um garoto de programa e um policial atendendo
a uma queixa de June a respeito de gente que está tocando seu interfone sem
parar. A única visita especial que recebeu por mais tempo foi Margot (Jennifer
Ehle), não sei se irmã, parente ou amiga – o roteiro não esclarece, que tenta tirar June daquela situação. Enfim, “A
Hora do Lobo” é um filme bastante angustiante, claustrofóbico, pesado, mas tem
o trunfo de contar com a primorosa atuação de Naomi Watts. Não há muito mais
motivos para justificar uma recomendação entusiasmada.
sexta-feira, 13 de março de 2020
“O GÂNGSTER, O POLICIAL E O
DIABO” (“AKINJEON” no original, e “The Gangster, The Cop and The
Devil” nos países de língua inglesa), 2019, Coreia do Sul, 1h50m, roteiro e
direção de Won-Tae Lee (é o seu segundo longa-metragem). Quem tinha dúvidas
sobre a qualidade do cinema sul-coreano deve tê-las descartado após o grande
sucesso de “Parasita, maior vencedor do Oscar 2020. Eu já conhecia – e elogiava
- o cinema daquele país há muito tempo, tendo visto ótimos filmes dos mais
diferentes gêneros. Só para citar alguns: “OldBoy”, “A Criada”, “Mother – Em Busca
pela Verdade”, “Pânico na Torre” e aquele que considero um dos melhores filmes
de ação já realizados pelo cinema, “Onda de Choque”, de 2017, entre tantos
outros. Agora, com este “O Gângster, o Policial e o Diabo”, o cinema
sul-coreano reafirma sua qualidade também em filmes policiais. Trata-se de uma
história baseada em fatos reais ocorridos em 2005 na capital Seul. Um
misterioso serial-killer está matando pessoas com requintes de
crueldade, sempre a facadas. Até que um dia ele bate na traseira de um veículo
e sai para matar o seu motorista. Só que ele é um poderoso chefão da máfia
local, especialista em artes marciais, e consegue escapar do criminoso. Mas
jura vingança. A polícia de Seul também está atrás do serial killer. Numa
inusitada e inimaginável combinação, a gangue chefiada pelo mafioso une-se à
polícia para encontrar o psicopata. Essa união tem as suas contradições. Por
exemplo, o chefão da máfia quer pegar o assassino para a seguir matá-lo, como
manda a tradição, e a polícia, por seu lado, quer apenas prendê-lo e levá-lo a julgamento. Isso tudo em meio a muita ação e violência, pancadarias
sanguinolentas, perseguições de carros e muito sangue jorrando. O ótimo ator Ma
Dong-Seok está espetacular como o bandidão mafioso Jang Dong-Soo; o policial
Jung Tae-Seok é interpretado por Kim Moo-Yeol; e, por fim, também com uma
atuação destacada, o ator Kim Sung-Kyu, como o sanguinário psicopata Kang Kyungho,
também conhecido como “K”. Resumo da ópera: um filme policial de muita
qualidade.
quarta-feira, 11 de março de 2020

segunda-feira, 9 de março de 2020
“MIDWAY – BATALHA EM ALTO-MAR”
(“MIDWAY”), 2019, Estados Unidos, 2h19m, direção do
cineasta alemão Roland Emmerich, seguindo roteiro de Wes Tooke. Quem conhece um
pouco da história da Segunda Guerra Mundial sabe que foi nas Ilhas Midway, no
Pacífico, no dia 4 de julho de 1942, que as forças norte-americanas enfrentaram
a Marinha Imperial Japonesa, revidando com sucesso o ataque a Pearl Harbor,
seis meses antes. O filme destaca o trabalho de bastidores da inteligência
norte-americana, que conseguiu codificar mensagens que forneceram a localização
da frota japonesa. As cenas de batalhas aéreas e navais são de tirar de fôlego,
num ritmo frenético que vai do início ao fim. Ao contrário de “Midway – A Batalha
do Pacífico”, de 1976, o atual “Midway – Batalha em Alto-Mar” utiliza efeitos
especiais espetaculares e, em algumas cenas, parece que você está ali no meio
da batalha. O elenco é de primeira: Ed Skrein, Woody Harrelson, Patrick Wilson,
Luke Evans, Dennis Quaid, Aaron Eckhart, Mandy Moore, Nick Jonas, Alexander Ludwig e Tadanobu
Asano. O diretor alemão Roland Emmerich justificou plenamente a sua fama de
dirigir bons filmes de ação, como “Godzila”, “Independence Day”, “O Dia Depois
de Amanhã” e “O Patriota”. Embora os críticos tenham malhado o seu “Midway”,
elogiando apenas as cenas de batalha, achei o filme muito bem feito, repleto de
ação, um ótimo programa para uma sessão da tarde com pipoca.
domingo, 8 de março de 2020
“UMA VIDA OCULTA” (“A HIDDEN
LIFE”), 2019, coprodução Alemanha/EUA, roteiro e direção de
Terrence Malick, 3 horas de duração. Finalmente o polêmico e excêntrico cineasta
norte-americano oferece talvez sua obra mais acessível. Da mesma forma que
realizou filmes como “A Árvore da Vida”, “De Canção em Canção”, “Cavaleiro de
Copas” e “Amor Pleno”, obras de cunho existencialista com fundo religioso, em “Uma
Vida Oculta” Malick mantém seu estilo inconfundível de filmar paisagens da
natureza como céu com nuvens, correntezas de rios, florestas e planícies
verdejantes, usando e abusando de lente grande angular para ampliar os cenários.
Sem falar na trilha sonora clássica e nas locuções em off, com reflexões
filosóficas e religiosas, em sua maioria entediantes e com a profundidade de um
pires. A história de “Uma Vida Oculta”, inspirada em fatos reais, é ambientada na
Áustria bem no início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, logo após a invasão
do país pelo exército nazista. Franz Jägerstätter (August Diehl), um fazendeiro
da região de Santa Radegunda, interior austríaco, assim como milhares de
cidadãos do seu país, é convocado para lutar pelo exército alemão. Sua recusa,
por não acreditar nos ideais de Hitler, vira um caso de traição. Ele é preso e
condenado à morte. Até o final ele mantém sua posição, para desespero de seus
amigos. Franziska (Valerie Pachner), sua esposa, mesmo aflita com o desenrolar
dos acontecimentos, aceita a posição do marido e enfrenta a situação com altivez.
O cenário onde fica a fazenda de Franz lembra muito aquele em que Julie Andrews
canta e dança com os filhos do Capitão Von Trapp em “A Noviça Rebelde” (1965). Em
algumas ocasiões achei que a própria Julie Andrews de repente surgiria em cena. Embora o
elenco seja em sua maioria constituído por atores alemães e austríacos, o filme
é quase todo falado em inglês e um pouco de alemão. O elenco é ótimo: além de
Diehl e Pachner, os mais conhecidos são Matthias Schoenaerts, Alexander
Fehling, Michael Nyqvist, Bruno Ganz, Johannes Krisch, Karl Markovics, Tobias
Moretti, Ulrich Matthes e Maria Simon. Uma curiosidade que a maioria dos
críticos deixou passar: “Uma Vida Oculta” foi o último filme de dois grandes
atores, o suíço Bruno Ganz e o sueco Michael Nyqvist, falecidos logo depois do
fim das filmagens. O filme estreou no 72º Festival Internacional de Cinema de
Cannes, em maio de 2019, e também foi exibido por aqui durante a programação do
Festival Internacional de Cinema do Rio, em dezembro de 2019.
quinta-feira, 5 de março de 2020
“UMA MULHER ALTA” (“DYLDA”), 2019, Rússia,
2h19m, terceiro longa-metragem escrito e dirigido pelo jovem cineasta Kantemir
Balagov, de apenas 28 anos. Inspirada no livro “A Guerra não tem Rosto de
Mulher” (1983), escrito por Svetlana Aleksiévitch (Prêmio Nobel de Literatura
em 2015), “Uma Mulher Alta” retrata os acontecimentos pós-Segunda Guerra
Mundial em Leningrado, que se transformou num cenário de miséria, fome e
destruição, onde os moradores sobreviventes andam como zumbis em meio aos
destroços. Nesse contexto de colapso social, a trama é concentrada em duas
amigas ex-combatentes: Íya (Viktoria Miroshnichenko) e Masha (Vasilisa
Perelygina). Também chamada de “Varapau” pela sua altura, Íya voltou antes do front
e assumiu a responsabilidade de cuidar do filho de Masha. Ambas voltariam a se
encontrar trabalhando como enfermeiras num hospital militar repleto de soldados
feridos. Juntas, Íya e Masha tentarão sobreviver aos traumas de guerra, à fome
e à falta de perspectivas, além de um fato trágico envolvendo o filho de Masha. Uma se agarrará à outra para enfrentar as
dificuldades. Interessante que as duas protagonistas principais são atrizes
estreantes, mas nem por isso deixam de ter uma atuação magistral. O diretor
Balagov utiliza tons saturados de vermelho e verde, o que lembra, em menor
proporção, os filmes do diretor espanhol Pedro Almodovar. Selecionado para
representar a Rússia na disputa do Oscar 2020 na categoria “Filme Internacional”
(eu preferia como era, “Filme Estrangeiro”), “Uma Mulher Alta” não ficou entre
os cinco finalistas, o que achei uma grande injustiça. Antes, o filme recebeu o
prêmio de crítica internacional e de direção na mostra “Um Certo Olhar”, no
Festival de Cannes. Por aqui, foi exibido durante a programação oficial do 21º
Festival do Rio, em dezembro de 2019. Sem dúvida, um grande filme. Imperdível!
terça-feira, 3 de março de 2020
Desde que a vi em “A
Insustentável Leveza do Ser”, em 1988, e depois, nos anos 90, na famosa trilogia do diretor polonês Krzysztof
Kieslowski (“A Liberdade é Azul”, A Igualdade é Branca” e “A Fraternidade é
Vermelha”, jamais deixei de assistir a um filme com a francesa Juliette Binoche. E foram muitos,
incluindo “O Paciente Inglês” etc. Um de seus filmes mais recentes é “QUEM
VOCÊ PENSA QUE SOU” (“CELLE QUE VOUS CROYEZ”), 2019, França, 1h41m,
roteiro e direção de Safy Nebbou. Binoche é Claire Millaud, uma professora
universitária divorciada, com dois filhos, que procura fugir da solidão com
namorados mais jovens. O último deles é Ludo (Guillaume Gouix), que de repente
resolve terminar a relação humilhando Claire. Ela resolve se vingar entrando
num site de relacionamentos com o nome de Clara, utilizando as fotos de uma
sobrinha linda de 24 anos de idade. A isca foi lançada e Claire pesca justamente quem
queria: Alex (François Civil), o melhor amigo de Ludo. A história vai se desenrolando
paralelamente às sessões de Claire com a psicanalista Catherine Bormans (Nicole
Garcia). O diretor Safy Nebbou insiste em manipular o enredo com algumas
dúvidas para o espectador. Por exemplo, se o que está acontecendo é na vida
real ou virtual. A complexidade da trama também está no fato de que Claire está
escrevendo um livro cujo conteúdo sugere muitas semelhanças com o que está
acontecendo no filme. Enfim, um “filme cabeça” não indicado para quem curte “Capitão
América” e assemelhados. E com uma vantagem especial: a presença de Juliette Binochet
em mais uma atuação impecável. “Quem Você Pensa que Sou” estreou no 69º
Festival Internacional de Berlim em fevereiro de 2019 e foi exibido por aqui,
antes de entrar no circuito comercial, durante a programação do Festival Varilux
de Cinema Francês, em junho de 2019.
segunda-feira, 2 de março de 2020
JOJO RABBIT”, 2019,
Estados Unidos, 1h48m, roteiro e direção do neozelandês Taika Waititi (que
também atua no filme). Indicado para disputar o Oscar 2020 em seis categorias,
inclusive de Melhor Filme, “Jojo Rabbit” ganhou apenas uma estatueta como Melhor
Roteiro Adaptado – do romance “Caging Skies”, da escritora neozelandesa Christina
Leunens, lançado em 2004. Realmente, o roteiro é primoroso, criativo, que soube
criar situações de bom humor num contexto trágico – a Segunda Guerra Mundial. A
história é toda centrada num garoto de 10 anos, Jojo Betzler (o estreante Roman
Griffin Davis), admirador do nazismo e de Adolph Hitler. Seu sonho é ingressar
na Juventude Hitlerista. A situação começa a mudar quando ele descobre que a
mãe Rosie Betzler (Scarlett Johansson) esconde uma garota judia (Thomasin
McKenzie) no armário, uma evidente referência a Anne Frank. Jojo fica sabendo
ainda que a mãe é uma antinazista convicta e que, por isso, sofrerá uma trágica
consequência. A simpatia de Jojo pelo nazismo é incentivada por seu amigo
imaginário, o próprio Adolph Hitler (papel do diretor), em aparições
hilariantes. O filme já começa de modo surpreendente, associando o histerismo dos
alemães diante dos discursos de Hitler com o histerismo das fãs que iam aos
concertos dos The Beatles. Uma sacada genial. Tudo funciona muito bem, mas o
grande trunfo do filme é realmente a atuação do estreante ator britânico Roman
Griffin Davis como Jojo. Ele domina o filme de cabo a rabo. Outro protagonista
que dá um show é o gordinho York (Archie Yates), responsável pelas cenas mais
engraçadas. O elenco conta ainda com Sam Rockweel, Rebel Wilson e Stephen
Merchant. O filme estreou durante o 44º Festival de Cinema de Toronto,
arrancando elogios entusiasmados dos críticos e do público. Eu também gostei,
achei o filme genial, interessante e muito criativo. Imperdível!
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
“PARTIDA FRIA” (“THE COLDEST
GAME”), 2019, Polônia, produção da Netflix (estreou dia 8 de fevereiro
de 2020), 1h40m, roteiro e direção de Lukasz Kosmicki – é o seu primeiro longa-metragem;
eu seu país, Kosmicki é mais conhecido como diretor de séries televisivas. O pano
de fundo da história é a crise dos mísseis em Cuba, em 1962, no auge da guerra
fria que colocou em cada lado do ringue mundial os EUA e a União Soviética. Nesse
contexto, o professor norte-americano de matemática Joshua Mansky (Bill
Pullman), um gênio no xadrez, é cooptado – “obrigado” seria a palavra mais
correta – pela CIA para disputar uma série de partidas com o campeão russo
Gavrylow em Varsóvia. O objetivo da inteligência norte-americana é utilizar Mansky
para tentar identificar um espião russo de codinome Gift, capaz de confirmar se
os russos têm ogivas nucleares em Cuba. Só que a turma da KGB, chefiada pelo
General Krutov (Aleksey Serebryakov), descobre a intenção dos norte-americanos e
parte para o ataque, implementando ações que podem colocar em perigo a vida de
Mansky. Como quase todo filme de espionagem, o roteiro demora a engrenar, ou
seja, esclarecer o que está acontecendo, dificultando o entendimento por parte
do espectador. O filme é todo falado em inglês, com alguns diálogos em polonês
e russo. Também estão no elenco a atriz holandesa Lotte Verbeek e os atores James
Bloor e Robert Wieckicewicz, este último do polonês “Clero”. Como informação
adicional, este foi o último filme produzido por Piotr Wozniak-Starak, que
morreu antes da exibição de estreia. Resumo da ópera: indicado apenas para aqueles
que curtem filmes de espionagem.
“ELISA
E MARCELA”, 2019, roteiro e direção de Isabel Coixet, 1h58m,
roteiro e direção de Isabel Coixet. Produção espanhola da Netflix, cuja
primeira exibição ocorreu em fevereiro de 2019 no Festival de Cinema de Berlim e
lançada em maio no circuito comercial da Espanha. A história é verídica,
baseada em acontecimentos ocorridos entre o fim do século 19 e começo do 20.
Para escrever o roteiro, Coixet se baseou no livro biográfico “Elisa e Marcela –
Más Allá de Los Hombres” (“Elisa e Marcela – Além dos Homens”, escrito por
Narciso de Gabriel. Elisa Sanchez Loriga (Natalia de Molina) e Marcela Gracia
Ibeas (Greta Fernández) se conhecem ainda jovens quando cursavam a Escola de
Formação de Professores e o amor foi à primeira vista. Daí para a cama foi um
passo. Em 1901, elas resolveram se casar e, para isso, Elisa se travestiu de homem,
intitulando-se Mario e utilizando os documentos de um tio falecido. Casaram-se
na Igreja de San Jorge, na região de Coruña, na Galícia. Embora o padre tenha
sido enganado, o casamento foi legalmente oficial, tendo sido considerado mais
tarde a primeira união homossexual da Europa. Não demora muito para que a verdadeira
identidade de Mario seja revelada, culminando com a prisão das duas amantes,
que depois são obrigadas a fugir para Portugal e depois para a Argentina.
Rodado em preto e branco, o filme contém cenas ardentes de sexo entre as protagonistas,
mas sem chocar, tudo filmado com bom gosto erótico e nada explícito. Como aval
de qualidade, lembro que a roteirista e diretora espanhola Isabel Coixet tem no
currículo alguns bons filmes, como “Minha Vida Sem Mim”, “Confissões de um
Apaixonado” e “A Vida Secreta das Palavras”. A bela e excelente atriz Natalia
de Molina eu já conhecia de outros filmes. Recomendo!
terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
“CLERO” (“KLER”), 2018, Polônia,
2h13m, roteiro e direção de Wojciech Smarzowski (“Wolyn”). Inacreditável
que um filme tão bom não tenha sido exibido por aqui. Trata-se de um drama com
uma contundente, corrosiva e impiedosa crítica à Igreja Católica, em especial
aos padres poloneses. A história é centrada em três padres pilantras ao
extremo. Um é pedófilo, abusa sexualmente de um menino órfão cego. O outro é alcoólatra e tem
amante e filho; o terceiro faz negociatas com licitações de obras das igrejas,
trabalhando em favor de um mafioso. Além dos pecados citados, os três têm em
comum também rotineiras bebedeiras homéricas, nas quais a vodka é ingerida
como água - não a santa. As maracutaias também envolvem o arcebispo da Cracóvia,
cidade ao sul da Polônia. Enfim, mais uma cutucada – eu diria um violento chute
- nas feridas da Igreja Católica, com ênfase na pedofilia – no filme, o diretor
Smarzowski coloca várias pessoas que foram abusadas por padres poloneses dando os
seus dramáticos depoimentos, numa sequência de cenas bastante chocantes. Quando estreou na Polônia, um país onde 85% da
população é católica, o filme causou grande impacto e repercussão, levando às
salas de cinema mais de um milhão de espectadores nas primeiras semanas de
exibição, batendo recordes de bilheteria, assim como aconteceu na Islândia,
Noruega e Irlanda. Infelizmente, não foi exibido por aqui. Alguém sabe por quê? Pela sua
abordagem denunciando os podres da Igreja e dos padres poloneses, o filme chocou
políticos conservadores daquele país e levou o vice-ministro da Cultura a afirmar
que “Kler” utilizou “estereótipos negativos” e tratou a Igreja Católica
injustamente. Do ótimo elenco, conhecia apenas dois atores: Arkadiusz Jakubik (“Noite
Silenciosa”, I’m a Killer” e “A Arte de Amar”) e a bela Joanna Kulig (“Guerra
Fria” e “Agnus Dei”). IMPERDÍVEL com maiúscula!
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