sexta-feira, 11 de outubro de 2019


Baseado em fatos reais, “VENTOS PARA A LIBERDADE” (“Ballon”), 2018, Alemanha, 2h06m, roteiro e direção de Michael Blully Herbig, conta uma incrível história de coragem. O ano é 1979. Dois casais de amigos, juntamente com seus filhos pequenos, decidem tentar fugir da Alemanha Oriental para a Ocidental utilizando um balão. Detalhe: ninguém é balonista. Peter Strelzyk (Friedrich Mücke) é mecânico e Günter Wetzel (David Kross) pedreiro. Mesmo assim, planejaram a construção do balão e também elaboraram um audacioso plano de fuga. Tudo isso no maior segredo possível, já que naquela época todo mundo vigiava todo mundo para depois entregar para a famigerada STASI, a polícia secreta da Alemanha Oriental (República Democrática Alemã – nunca entendi a utilização da palavra “Democrática” para denominar um regime tão fechado, sem liberdade nenhuma). O filme apresenta tantas sequências de suspense e tensão (corda esticada mesmo) que prende a atenção do começo ao fim. É capaz de nos fazer roer a unha, eriçar os pelos da nuca, entortar o braço da poltrona e comer um enorme saco de pipocas e nem perceber que acabou. Um filmaço irresistível, daqueles que nos faz torcer o tempo inteiro para as famílias não serem presas e conseguirem fugir. Imaginar que essa aventura incrível realmente aconteceu é mais um trunfo desse ótimo filme alemão, que ainda conta com um excelente elenco. Além de David Kross e Friedrich Mücke, participam Thomas Kretschmann, Karoline Schuch, Alicia Von Rittberg, Emily Kusche e Ronald Kululies.  IMPERDÍVEL!


“DESTRUIDOR” (“VARGUR” – a tradução do islandês para o português é minha, pois o filme não chegou por aqui e duvido que chegue), 2018, coprodução Islândia/Dinamarca, 1h35m, roteiro e direção de Börkur Sigthorsson). Trata-se de um suspense policial centrado em dois irmãos que pretendem contrabandear cocaína de Copenhagen (Dinamarca) para Reikjavik, capital do seu país natal, a Islândia. Para isso, requisitam para servir de “mula” uma jovem polonesa. Erik (Gísliörn Garoarsson), um dos irmãos, é alto executivo de uma empresa contra a qual aplicou um golpe e precisa de dinheiro para cobrir a dívida. Atli (Baltasar Breki Samper), o outro irmão, é um sujeito fracassado e, pior, acaba de sair da prisão. O combinado é que a jovem Sofia (Anna Próchniak) engula várias cápsulas com cocaína para “desová-las” em Reikjavik. Entre os percalços do plano, um torna-se um problema e tanto: Sofia começa a passar mal no avião e, quando chega, piora ainda mais. Ao mesmo tempo, os policiais do aeroporto de Reykjavik desconfiam da menina e de seu acompanhante, Atli, e avisam a polícia. Cabe à agente Lena (Marijana Jankovic) montar a estratégia para tentar capturar os irmãos traficantes e salvar Sofia. Não dá para contar mais, senão estrago o desfecho. Quanto ao cinema islandês, lembro de já ter assistido a alguns, três deles muito bons: “A Sombra da Árvore”, 2017, “Desajustados” e “Pardais”, ambos de 2015. A utilização da Islândia como cenários para diversos filmes e séries de outros países (vide “Game of Thrones”) talvez seja maior do que sua própria produção cinematográfica. Realmente, suas paisagens e belezas naturais são espetaculares. Voltando a “Vargur”, trata-se de um filme pleno de ação e suspense, com ótimo elenco, garantindo um bom programa na telinha.  

terça-feira, 8 de outubro de 2019


“OBSESSÃO” (“Greta”), 2019, EUA, 1h38m, roteiro e direção de Neil Jordan. Trata-se de um suspense cuja história envolve a relação entre uma jovem garçonete de um restaurante de luxo, Frances McCullen (Chloë Grace Moretz), e a viúva Greta Hideg (Isabelle Huppert). Recém-chegada a Manhattan depois da morte da mãe, Frances mora num apartamento com a amiga Erica Penn (Maika Monroe). Certo dia, no banco de um vagão do metrô, Frances encontra uma bolsa abandonada. Ao abri-la, descobre uma identidade com o nome e o endereço da dona. Lá foi ela tocar a campainha na casa de Greta, uma viúva solitária e carente, que agradece o favor e a convida para tomar um chá. O que parecia uma amizade de mãe para filha vira uma obsessão por parte da viúva, que persegue a moça o tempo inteiro. Até que um dia Frances pede a ela para não mais procurá-la. A viúva responde: “Eu sou como chiclete. Eu grudo mesmo”. E por aí a história se desenrola, até envolver não só a amiga de Frances, como também um investigador particular. Tudo bem que o suspense é mantido até o desfecho, agradando os fãs do gênero. Porém, não fosse a presença da diva francesa Isabelle Huppert, o filme seria apenas mediano. Aos 66 anos, ainda em grande forma, Hupper arrasa com uma performance assustadora. Não é à toa que ela é chamada de “A Dama do Cinema Francês”. Ela salva o filme. Destaco também as boas atuações das jovens Chloê Grace Moretz e Maika Monroe. Para concluir meu comentário, lembro que o veterano diretor irlandês Neil é responsável por dois grandes filmes: “Entrevista com o Vampiro” e “Traídos pelo Desejo”. Resumo da ópera: “Obsessão” proporciona uma oportunidade e tanto para assistir a mais uma atuação espetacular da atriz francesa.  

segunda-feira, 7 de outubro de 2019


“PREDADORES ASSASSINOS” (“CRAWL”), 2019, EUA, 1h27m, roteiro e direção de Alexandre Aja. Durante uma violenta tempestade provocada por um furacão na Flórida, a população de diversas cidades é obrigada a sair de casa e ir direto para os abrigos.  Heley Keller (Kaya Scodelario) liga para seu pai Dave (Barry Pepper) para saber se está tudo bem. Heley não obtém resposta e fica apavorada. Ela desobedece a ordem geral e passa por diversas barreiras coordenadas pela defesa civil e ruma para a casa do pai, numa cidade vizinha. Enquanto a tempestade aumenta cada vez mais, ela chega até a casa e descobre que o pai está ferido no porão. Pronto, aí começa o pesadelo. As águas invadem a casa e trazem junto alguns jacarés gigantes. Será que pai e filha se salvarão? Independente da resposta, os dois e também os espectadores viverão momentos angustiantes, de perder o fôlego. Muita ação e aflição até o final. Destaque para os jacarés, em número maior do que o próprio elenco. Aliás, as filmagens utilizaram jacarés de verdade e alguns de mentirinha. Tudo tão bem feito que a gente nem percebe quem é o verdadeiro ou o de brinquedo. Mérito de Alexandre Aja, cineasta francês especialista em filmes de ação, suspense e terror, como “Piranha 3D”, “Alta Tensão”, “Viagem Maldita” e “Amaldiçoado”. O maior trunfo do filme, porém, é o desempenho da jovem atriz Kaya Scodelario, de 27 anos, que já tem no currículo alguns filmes importantes como os da saga “Maze Runner” e “Piratas do Caribe”: A Vingança de Salazar”, entre outros. Kaya é filha de mãe brasileira e pai inglês. Assisti a uma entrevista dela para um site brasileiro de cinema e fiquei encantado com sua simpatia, além de responder todas as perguntas em português. Voltando ao filme, “Predadores Assassinos” é um ótimo programa para curtir numa sessão com pipoca. Mas cuidado, os jacarés podem fazer “Crawl” também em você.   


domingo, 6 de outubro de 2019


Sempre gostei de assistir a filmes de países de língua árabe. Além de alguns excelentes,  a maioria ensina muito sobre sua cultura e suas tradições, o que os torna ainda mais interessantes. Ao assisti-los, a gente aprende muito e acaba chegando à conclusão de que nós, ocidentais, jamais compreenderemos seu modo de vida, enraizado há muitos séculos. Escrevi esse introito para apresentar o drama argelino “O ARREPENDIDO” (“EL TAAIB” – na França, recebeu o título de “Le Repenti”), 2012, roteiro e direção de Merzak Allouache, 1h27m. A história é centrada no jovem jihadista Rashid (Nahi Asli), que abandona a montanha onde se refugiava com seu grupo de extremistas islâmicos, responsável por aterrorizar a população civil dos vilarejos da região. Rashid volta à sua aldeia natal e logo é denunciado à polícia – pela lei do Perdão e da Concórdia Nacional vigente na Argélia, todo jihadista que se entregar e devolver sua arma será anistiado. Rashid tenta se esconder da polícia e, nesse meio tempo, comete um assassinato e faz chantagem contra um casal cuja filha adolescente tinha sido assassinada pelos jihadistas. Por uma quantia em dinheiro, Rashid promete levá-los a um local da montanha onde os restos mortais da menina haviam sido enterrados. A câmera do diretor Merzak Allouache capta os cenários desérticos da região em tomadas longas e lentas, o que prejudica o andamento da ação que envolve o trio de viajantes, tornando o filme, perto do desfecho, um tanto monótono. “O Arrependido” teve sua primeira exibição durante a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes/2012, além de participar, no mesmo ano, da Mostra Panorama do Cinema Mundial no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. No 17º Festival Internacional de Cinema de Kerala, na Índia, conquistou o Prêmio “Fipresci” de Melhor Filme Asiático. Um filme muito interessante que merece ser visto principalmente pelas razões que enumerei no início deste comentário.   


sábado, 5 de outubro de 2019


“UM AMOR INESPERADO” (“El Amor Menos Pensado”), 2018, Argentina, 2h16m. O filme é todo focado num casal de meia-idade cujo filho único, de 20 anos, saiu de casa para estudar na Espanha. O casal, que acaba de completar 25 anos de casado, começa a sofrer da tal Síndrome do Ninho Vazio, culminando com sua separação amigável. Cada um vai para um lado, namoram, vivem paixões momentâneas e um deles ainda tentará arranjar alguém pelo aplicativo Tinder. É dentro desse contexto que se desenrola o filme, trazendo como a dupla principal de protagonistas os astros argentinos Ricardo Darín e Mercedes Moran. “Um Amor Inesperado” é um misto de comédia romântica e crítica de costumes. Além da química perfeita entre Darín e Moran, dois veteranos do cinema argentino, outro trunfo do filme é a qualidade dos diálogos, adultos, inteligentes, sarcásticos e muito bem-humorados. O roteirista e diretor Juan Vera acerta em cheio em seu primeiro longa-metragem, apesar o desfecho ser inteiramente previsível. No cenário do cinema argentino, Vera é mais conhecido como produtor de grandes filmes, entre eles “O Filho da Noiva”, “Abutres”, “Elefante Branco” e “Leonera”, todos muito bons, conforme já comentei anteriormente no meu blog. “Um Amor Inesperado”, antes de chegar ao circuito comercial do Brasil em março de 2019, estreou na Argentina e obteve grande sucesso de bilheteria. Conto agora algumas curiosidades sobre o filme. Primeiro, o título que recebeu nos EUA: “An Unexpected Love”. Na França, “Retour de Flamme”. Outra curiosidade diz respeito à trilha sonora. Numa festa de aniversário de um casal de amigos, a música escolhida para selar o seu amor foi nada mais nada menos do que um dos maiores hinos do nosso cancioneiro brega: “Fogo e Paixão”, cantado por Wando, isso mesmo, aquele das calcinhas. Resumo da ópera: “Um Amor Inesperado” é ótimo, muito inteligente e agradável, além de contar com Ricardo Darín e Mercedes Moran em estado, literalmente, de graça. Imperdível!      

quarta-feira, 2 de outubro de 2019


“MEMÓRIA DE UM CRIME” (“BACKTRICE”), 2018, EUA, 1m27m, filme policial dirigido por Brian A.  Miller, com roteiro de Mike Maples. O filme começa com um assalto a um carro blindado praticado por três assaltantes. Eles conseguem fugir com uma grande quantidade de dinheiro, que escondem num tipo de armazém abandonado em algum lugar bem longe. Logo depois, durante a fuga, eles se defrontam com dois estranhos fortemente armados, que exigem parte do dinheiro roubado. Os dois grupos entram em confronto e, dos assaltantes, só um sobrevive e consegue escapar da matança, mas, devido a um tiro de raspão na cabeça, perde a memória. O filme salta para sete anos depois. MacDonald (Matthew Modine), o sobrevivente, está preso numa penitenciária de segurança máxima e ainda não se lembra do que aconteceu. Seu segredo atrai três aproveitadores que conseguem resgatá-lo da prisão. Uma enfermeira faz parte do grupo de sequestradores e, utilizando uma droga especial, tentará fazer MacDonald recuperar a memória e contar onde escondeu o dinheiro. A investigação sobre o desaparecimento de MacDonald fica a cargo do xerife Sykes (Sylvester Stallone), que, com a colaboração do FBI, tentará encontrar pistas que levem ao sequestrado e seus sequestradores. Embora a divulgação do filme tenha colocado Stallone como o principal protagonista, na verdade ele aparece em poucas cenas, ganhando algum realce somente no desfecho.  Embora tenha feito história no cinema por seus antigos personagens John Rambo e Rocky Balboa, Stallone nunca foi um bom ator. Sempre atuou mais com os músculos. Agora, aos 73 anos, tenta sobreviver à idade, mas encontra muita dificuldade, principalmente pela deformação cada vez mais acentuada do rosto. Se pudesse aconselhá-lo, diria: “Tá na hora de se aposentar, Stallone. Obrigado por tudo”. Voltando a “Memória de um Crime”, o filme estreou nos EUA em dezembro de 2018 e ainda não chegou por aqui. O diretor Brian A. Miller, especialista em filmes de ação (“O Príncipe”, “Rastros de Violência”, “Sombras da Justiça”, “A Máquina”), bem que tentou imprimir seu estilo em “Memória de um Crime”, mas ficou só na intenção. Nada que mereça uma indicação entusiasmada. Em todo caso, pode servir para uma sessão da tarde com pipoca.   


segunda-feira, 30 de setembro de 2019


“NOITE MÁGICA” (“NOTTI MAGICHE”), 2018, Itália, 2h5m, direção de Paolo Virzì, que também assina o roteiro juntamente com Francesco Piccolo e Francesca Archibugi. Trata-se de mais uma bela homenagem ao cinema, especialmente aos tempos de ouro do cinema italiano. O filme começa com um carro caindo de uma ponte dentro do rio Tibre, em Roma. A poucos metros dali, num bar, um grupo de pessoas assistia a um jogo da Itália pela Copa do Mundo – o filme é ambientado em 1990. Com todos torcendo pela seleção nacional, ninguém ligou para o acidente, que matou o ocupante do veículo. Durante a investigação policial sobre o que de fato aconteceu, três jovens foram detidos para interrogatório: Antonino Scordia (Mauro Lamantia), Eugenia Malaspina (Irene Vetere) e Luciano Ambrogi (Giovanni Toscano). Explico: antes do acidente acontecer, os três tiveram contato com a vítima. Scordia, Malaspina e Ambrogi foram vencedores de um concurso chamado “Prêmio Solinas” destinado a aspirantes de roteiristas. Durante o interrogatório, os três jovens relembram, em flashbacks, o que aconteceu nos dias anteriores, o que nos leva a uma “viagem” pelos bastidores do cinema italiano. “Noite Mágica” é repleto de referências a figuras importantes do cinema italiano como Ettore Scola (Virzì teve a ideia do filme durante o velório do grande diretor, morto em janeiro de 2016), Federico Fellini, Marcello Mastroianni, Vittório Gassman, Roberto Rossellini, Dino Risi e tantos outros (achei muito injusto não haver uma menção especial a Mario Monicelli).  Enquanto circulam por Roma numa noite de jantares e festas, os jovens roteiristas vão a lugares que serviram de cenários para alguns dos grandes filmes italianos do passado. Nessas idas e vindas, eles conhecem produtores, roteiristas e diretores, com os quais conversam sobre o cinema italiano, seu passado e perspectivas para o futuro. Um dos personagens principais de toda a história será o produtor Leonardo Saponardo (o grande Giancarlo Giannini, ótimo). Para quem não conhece, Paolo Virzì é um dos mais cultuados diretores do cinema italiano atual. Dele, recomendo como pequenas obras-primas dois filmes em especial: “Capital Humano”, de 2013, e “A Primeira Coisa Bela”, de 2010. Virzì também experimentou o cinema norte-americano, dirigindo “Ella e John” em 2017, com Helen Mirren e Donald Sutherland. Enfim, “Noite Mágica” é um filme especialmente dirigido aos cinéfilos que, como eu, são apreciadores do cinema em geral, particularmente o italiano. Não é o melhor filme que homenageia o cinema. Não desmerecendo o filme de Virzì, prefiro duas obras-primas do cinema italiano: “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, e “Splendor”, do grande Ettore Scola.    


domingo, 29 de setembro de 2019


“A ÚLTIMA MISSÃO” (“ALL THE DEVIL’S MEN”), 2018, Inglaterra, 99 minutos, roteiro e direção de Mattew Hope. O caçador de recompensas e assassino profissional Collins (Milo Gibson), um ex-agente da CIA, é contratado para viajar a Londres e matar McKnight (Elliot Cowan), chefão de uma gangue que está negociando com os russos a compra de um artefato nuclear. McKnight comanda um exército de renegados da CIA, entre os quais Deighton (Joseph Millson), ex-agente e antigo colega de Collins. Como contato da CIA em Londres está a agente Leigh (a atriz holandesa Sylvia Hoeks), responsável pela contratação de Collins. Na verdade, Leigh tem um motivo muito especial para ver McKnight morto. Entre perseguições, tiros e muita pancadaria, Collins tentará chegar ao chefão McKnight, mas antes terá de vencer o seu exército particular. O início do filme é bastante complicado, difícil de entender quem é quem na história. Mas, aos poucos, as coisas vão se clareando. Tenho quase certeza de que “A Última Missão” quis transformar o ator australiano Milo Gibson (filho de Mel Gibson) num novo astro dos filmes de ação. Milo estreou no cinema em “Até o Último Homem”, de 2016, dirigido pelo próprio pai. Milo é fortão, estilo brucutu, tem cara de mau, mas como ator ainda está longe de convencer, além de não ter o charme e o carisma do pai. Resumo da ópera: o filme tem lá seus momentos de boa ação, mas a história é um tanto fantasiosa demais. Em todo caso, serve para uma tarde com pipoca.   


sexta-feira, 27 de setembro de 2019


“TUDO O QUE TIVEMOS” (“WHAT THEY HAD”), 2018, EUA, 1h41m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pela atriz e dramaturga Elizabeth Chomko. Trata-se de um drama familiar intimista que gira em torno da doença da matriarca da família Ertz, Ruth (Blythe Danner), que está entrando na fase mais aguda do Alzheimer, o que mobiliza a atenção de toda a família. Quando ela sai de casa à noite sem rumo, em meio a uma nevasca, o filho Nicky (Michael Shannon) pede à irmã Bridget (Hilary Swank) que retorne à cidade para ajudá-lo a decidir o que fazer com a mãe e convencer o pai Burt (Robert Forster) a interná-la em alguma clínica especializada. É a partir dessa premissa que se desenvolve o roteiro, que, apesar do contexto dramático, está entremeado de algumas ótimas situações de humor, como aquela durante a missa dominical e um velório. Enfim, um drama bastante comovente cujo maior trunfo é a atuação do elenco, principalmente os veteranos Blythe Danner (mãe da também atriz Gwyneth Paltrow) e Robert Forster, além da excelente Hilary Swank, que já tem um Oscar de Melhor Atriz por “Menina de Ouro” (2004) e Michael Shannon. Mais um filme que trata de forma competente a questão do Alzheimer e suas consequências não só para o doente, como também para toda sua família. Excelente!      

quarta-feira, 25 de setembro de 2019


“ANJO MEU” (“ANGEL OF MINE”), 2019, coprodução Austrália/EUA, 1h38m, direção de Kim Ferrant, com roteiro de Lucas Davi e David Regal. Trata-se de um suspense cuja história é um antigo clichê do cinema, ou seja, mulher psicótica e frustrada  persegue uma família bem estruturada e feliz. No caso, a maluca é Lizzie (Noomi Rapace), cuja filha então bebê morreu anos antes no incêndio ocorrido num hospital. Desde então, ela faz terapia intensiva com um psicólogo e é vigiada de perto pelo marido Mike (Luke Evans) e pelos seus pais. Ao conhecer a família de Claire (Yvonne Strahovski) e Bernard (Richard Roxburgh) Lizzie fica obcecada por Lola (Annika Whiteley), de cinco anos, filha do casal. Na sua cabeça, Lola é a sua filha. Lizzie então parte para o confronto. Até o desfecho, que reserva uma reviravolta bastante surpreendente, Lizzie infernizará a família de Claire, a ponto de seu marido, a conselho do psicólogo, querer interná-la de novo num hospital psiquiátrico. As atrizes principais estão ótimas em seus papéis de perseguidora e perseguida. A atriz sueca Noomi Rapace ficou conhecida depois de ter protagonizado a trilogia Millenium (“Os Homens que não Amavam as Mulheres”, “A Menina que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”) e hoje é requisitada até por Hollywood. A australiana Yvonne Strahovski atuou em filmes como “Por Trás dos seus Olhos”, “Ele está lá Fora” e “O Predador” (todos também de suspense) e se tornou mais conhecida ao protagonizar as séries “Chuck”, como Sarah Walker, e “Dexter”, como Hanna McKay. Impressionante como Yvonne se parece com a nossa Luana Piovani, tão mulherão e bonita quanto. Mais conhecida como diretora de documentários e curtas, a australiana Kim Ferrant acerta a mão neste que é o seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “Terra Estranha”, com Nicole Kidman. “Angel of Mine” estreou dia 14 de agosto de 2019 durante a programação oficial do Melbourne International Film Festival. Uma boa opção para quem gosta do gênero suspense.     

segunda-feira, 23 de setembro de 2019


“A ESPIÃ VERMELHA” (“RED JOAN”), 2018, Inglaterra, 1h41m, direção de Trevor Nunn. O roteiro, escrito por Lindsay Shapero, foi adaptado do livro “Red Joan”, de Jannie Rooney. Baseada em fatos reais, a história acompanha a trajetória da cientista inglesa Melita Stedman Norwood (1912-2005), que, desde meados da década de 30 e nos 50 anos seguintes, foi espiã a serviço do Comitê de Segurança Russo (KGB). No filme, o nome de Melita foi substituído por Joan Stanley (interpretada na velhice pela atriz Judi Dench e quando moça por Sophie Cookson). Estudante brilhante da Universidade de Cambridge, Melita/Joan se apaixonou por Leo Galich (Tom Hughes), jovem militante do Partido Comunista. Ao mesmo tempo, ela foi chamada para trabalhar com cientistas que desenvolviam um projeto secreto para construir uma bomba atômica destinada a uma eventual utilização contra a Alemanha de Hitler. Pressionada por Leo e entendendo que se Stalin também tivesse uma bomba igual ninguém seria capaz de utilizá-la – equivalência de forças -, Melita/Joan concordou em fornecer informações importantes à KGB. Em 1999, quando a cientista tinha 87 anos e já aposentada, sua história veio à tona e ela foi presa pelo Serviço de Inteligência Britânico (MI5). O filme alterna o interrogatório de Joan com flashbacks da época em que se tornou espiã. Além da história bastante interessante, o filme tem como destaques a recriação de época, especificamente os figurinos e cenários, e o excelente trabalho de Sophie Cookson e da veterana Judi Dench. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto/2018. Um ótimo programa!  

sábado, 21 de setembro de 2019


“3 PEDIDOS” (“3 TING”), 2019, Dinamarca, 1h29m, roteiro e direção de Jens Dahl. É o seu primeiro longa-metragem. Era mais conhecido como roteirista de filmes e séries de TV. “3 Ting” é um thriller bastante original, engenhoso e muito agradável de assistir, embora seja ambientado quase que inteiramente num quarto de hotel. Aqui, o assaltante Mikael (o astro dinamarquês Nikolaj Coster Waldau, o Jaime Lannister da série “Game of Thrones”) está negociando com a polícia o seu ingresso no programa de testemunhas. Ele foi preso depois de ter participado de um grande assalto a banco em Copenhagen praticado por uma gangue de bandidos sérvios. Mikael tem que entregar o chefe do grupo e os demais assaltantes, além de descrever detalhadamente como foi planejado e praticado o assalto. Nina (Laerke Winther Andersen) é a negociadora da polícia, responsável pelo interrogatório. Para concretizar a delação, Mikael exige três pedidos, um deles a presença de Camilla (Birgitte Hjort Sorensen), sua ex-namorada. Ao lado de Mikael e da negociadora Nina, além de dois policiais responsáveis pela segurança do local, Camilla participará dos eventos no quarto do hotel até o desfecho, que terá uma surpreendente reviravolta muito bem engendrada pelo roteiro de Jens Dahl. Eu já conhecia o trabalho do ator Nikolaj Coster Waldau pelo ótimo “Segunda Chance”. Enfim,  “3 Pedidos” é um filme inteligente e muito interessante que merece ser visto por quem gosta de cinema de qualidade.    

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

“WAJIB – UM CONVITE DE CASAMENTO” (“Wajib”), 2018, justifica plenamente as premiações que recebeu em vários festivais de cinema pelo mundo afora, como o de Locarno, BFI London, Dubai e MedFilm, em Roma, além da indicação ao Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro representando a Palestina. Realmente, um belo filme, humano e sensível, grandioso em sua simplicidade. A história é toda ambientada em Nazaré, capital e maior cidade do Distrito Norte de Israel, cuja maioria da população é constituída por árabes. Os principais personagens de “Wajib” são Abu Shadi (Mohammad Bakri) e seu filho Shadi (Saleh Bakri) – os atores são pai e filho também na vida real. Shadi mora há anos na Itália, onde trabalha como arquiteto. É um sujeito de hábitos modernos, vestindo roupas espalhafatosas (calça vermelha e camisa estampada) e cabelo repuxado para cima, formando um coque. Seu pai Abu é conservador, gosta de manter as tradições do povo árabe e não é tão antissemita quanto o filho, principalmente porque seu chefe é judeu. Shadi retorna a Nazaré especialmente para ajudar nos preparativos do casamento de sua irmã mais nova Amal (Maria Zreik). Como manda a tradição, os dois ficam encarregados de entregar pessoalmente os convites de casamento. Enquanto visitam familiares e amigos para entregar os convites, Abu e o filho discutem o tempo inteiro, colocando em pauta suas opiniões sobre política, gosto musical, modo de vida, casamento etc., escancarando suas divergências e gerando diálogos bem-humorados, num “road-movie” bastante divertido. Méritos totais para a roteirista e diretora palestina Annemarie Jacir em seu terceiro longa-metragem (os dois primeiros, também muito elogiados, foram “Sal Desse Mar” e “Quando vi Você”). Por aqui, antes de entrar no circuito comercial, "Wajib" foi uma das atrações da 13ª Mostra Mundo Árabe de Cinema de São Paulo, em janeiro de 2019. Ah, a palava “wajib” quer dizer dever/obrigação. Para encerrar: o filme é ótimo, um grande filme do cinema árabe. IMPERDÍVEL!

segunda-feira, 16 de setembro de 2019


“KARDEC: A HISTÓRIA POR TRÁS DO NOME”, 2018, Brasil, 1h50m, roteiro e direção de Wagner de Assis. Trata-se da cinebiografia de Alan Kardec, realizada em comemoração aos 150 anos da morte daquele que é considerado o fundador e o principal decodificador da doutrina espírita. O roteiro é uma adaptação do livro “Kardec: A Biografia” (2013), escrito pelo jornalista Marcel Souto Maior. Ambientado em Paris, o filme começa em 1851 apresentando Hypolite Leon Denizard Rivail (Leonardo Medeiros) como um professor liberal. Quando assumiu o Imperador Napoleão III, a Igreja Católica ganhou poder para interferir no ensino, o que revoltou Hypolite, que logo pediu demissão. Naquela época, havia em Paris uma febre sobre o tal fenômeno das mesas giratórias, através das quais - acreditavam - era possível se comunicar com os espíritos. Hypolite resolveu estudar o assunto e, a princípio, não acreditava em nada daquilo. Passou então a frequentar sessões organizadas por médiuns. Numa delas, recebeu a notícia de que tinha sido um druída chamado Alan Kardec em outra encarnação. Hypolite adotou o nome, aderiu à doutrina e escreveu, em 1857, o livro “O Livro dos Espíritos”, que teve enorme repercussão por toda a Europa, transformando-se na “bíblia” da doutrina espírita. Resultado: foi banido do clube de cientistas de Paris e perseguido pela Igreja Católica. Mas hoje seu nome é reconhecido no mundo inteiro como o fundador da Doutrina Espírita. O filme foi quase todo rodado em Paris e o diretor Wagner de Assis utilizou um recurso gráfico que “apagou” dos cenários não só pessoas, como também veículos e estabelecimentos comerciais, enfim, tudo que mostrasse a capital francesa de hoje. Participaram do elenco, além de Leonardo Medeiros, Sandra Corveloni, Genézio de Barros, Dalton Vigh, Guida Viana, Letícia Braga, Julia Konrad e Charles Erick. Mais um bom trabalho de Wagner de Assis, que ficou conhecido como roteirista e diretor de novelas da Globo (“Além do Tempo”, de 2015-2016, e “Espelho da Vida”, de 2018-2019) e de filmes espíritas, como “Nosso Lar”, sucesso de bilheteria em 2010, e “A Menina Índigo”, de 2016. Quem tiver curiosidade, como eu tive, de conhecer a vida de Alan Kardec e seu trabalho, “Kardec” é um ótimo programa.      

domingo, 15 de setembro de 2019


“NUNCA DEIXE DE LEMBRAR” (“Werk Ohne Autor”), 2018, Alemanha, roteiro e direção de Florian Henckel von Donnersmarck, 3h9m. Este filme representou a Alemanha na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro (também concorreu à Melhor Fotografia) e ficou entre os finalistas, perdendo para “Roma”. Porém, se eu fosse membro da Academia, teria votado neste ótimo drama biográfico alemão. Muitos críticos comentaram que só não ganhou o Oscar porque seu diretor já havia conquistado a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro em 2006, com o espetacular “A Vida dos Outros”. De meados da década de 30 até o final da década de 60, “Nunca Deixe de Lembrar” acompanha a trajetória política e cultural da Alemanha, paralelamente à vida do pintor Gerhard Richter, um dos grandes nomes da arte contemporânea alemã. O filme começa apresentando Richter ainda garoto (interpretado por Cai Cohrs) em companhia da tia Elisabeth May (a bela Saskia Rosendahl) visitando a Exposição “Arte Degenerada”, promovida pelo governo nazista com o objetivo de enxovalhar as pinturas dos modernistas Chagall e Kandinski. Daí para a frente, o filme enfoca a vida de Richter (quando adulto, papel Tom Schilling), tendo como pano de fundo a história política da Alemanha, desde a ascensão do regime nazista, as atrocidades da Segunda Grande Guerra, o nascimento da República Democrata Alemã (RDA), a tirania soviética, a construção do muro de Berlim até a vida do pintor na Alemanha Ocidental – ele fugiu com a esposa Ellie (Paula Beer, de “Frantz”, ótimo filme de François Ozon) pouco antes da construção do muro. O filme acompanha também a trajetória do professor Carl Seeband (o veterano ator Sebastian Koch), que durante o regime nazista foi o médico que fazia abortos em mulheres que não eram arianas ou que tivessem alguma anomalia física ou psíquica – o caso de Elisabeth, tia de Richter. Os destinos do pintor e do médico se cruzarão alguns anos depois, quando Richter conhece Ellie. Enfim, como o próprio título faz entender, “Nunca Deixe de Lembrar” é um filme inesquecível, espetacular, que vale cada minuto de suas mais de três horas de duração. Reputo como uma obra-prima do cinema alemão. Não perca de jeito nenhum!    

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

“HIGH LIFE”, 2018, França, 1h53m, direção de Claire Denis, que também assina o roteiro ao lado de Jean-Pol Fargeau e Geoff Cox. A estreia do filme, o primeiro da veterana diretora francesa falado em inglês, aconteceu em setembro de 2018 durante o Festival de Cinema de Toronto (Canadá) e, de cara, causou grande polêmica entre os críticos especializados e o público, uns contra outros a favor. A história (totalmente ambientada numa nave): um grupo de criminosos é “recrutado” do corredor da morte e enviado numa nave para o espaço em direção do Buraco Negro mais próximo do Sistema Solar. Sua missão: descobrir novas energias alternativas. Eles não sabiam, mas desconfiavam, que a passagem era só de ida. Dois personagens se destacam na história: a médica Dibs (Juliette Binoche), e Monte (Robert Pattinson). Dibs cuida da saúde do pessoal, além de fazer experiências reprodutivas. Ela é movida a sexo, enfim, uma ninfomaníaca. Monte é pai de um bebê provavelmente fruto das experiências de Dibs. A mãe não é revelada, a não ser que seja um bebê de proveta. Todos os ocupantes da nave apresentam comportamentos estranhos e perigosos, o que aumenta o suspense em relação ao que acontecerá na próxima cena. Confesso que no início do filme fiquei incomodado com o estilo adotado pela veterana diretora francesa, lembrando muito os filmes do abominável e insuportável diretor norte-americano Terrence Malick. Ou seja, textos em off, legendados, filosofando a respeito da vida, dos seres humanos e suas atitudes, cenas longas e uma lentidão quase sonífera. Apesar disso, é um filme bastante interessante, que tem como principal trunfo as excelentes performances de Juliette Binoche e Robert Pattinson. Assisti a vários filmes de Claire Denis, entre os quais recomendo “Minha Terra, África” (2009), “Deixe a Luz do Sol Entrar” (2018), também com Binoche, “Bom Trabalho” (1999) e "25 Doses de Run" (2008).        

segunda-feira, 9 de setembro de 2019


“HUROK”, 2016, Hungria, 1h35m, roteiro e direção de Isti Madarász, sua estreia em longas. Em português, hurok quer dizer laço, mas como o filme não chegou por aqui – e duvido que chegue - não teve tradução. Ádám (Dénes Száraz) é um sujeito fracassado que vive de bicos, o principal deles como traficante de drogas a serviço do truculento Dezsõ (Zsolt Anger), segurança de um hospital. Em sua rotina de trabalho, Ádám conhece a viciada Anna (Dorina Martinovics), pela qual se apaixona. Um dia, os namorados resolvem aplicar um golpe em Dezsõ, ou seja, vender um grande lote de drogas e fugir da Hungria. Só que o planejado dá errado. Anna fica grávida e se recusa a participar da tramoia e Dezsõ descobre a traição. Para piorar ainda mais a situação, Anna morre atropelada. Até aí, a história corre de forma normal. Só que o roteiro dá uma guinada radical, reproduzindo as cenas iniciais com a participação de um “outro” Ádám, que vê tudo prestes a acontecer e tem a oportunidade de mudar o destino dos fatos e, principalmente, tentar evitar a morte de Anna. Sem dúvida, um filme bastante interessante, criativo e original, que merece ser visto.       

sexta-feira, 6 de setembro de 2019


“LÁMEN SHOP” (“RAMEN TEH”), 2018, coprodução Singapura/Japão/França, 1h30m, direção de Eric Khoo, com roteiro escrito por Tan Fong Cheng e Wong Kim Hoh. Para quem gosta de culinária, principalmente a oriental, “Lámen Shop” é um prato cheio. Antes de iniciar o comentário, lembro que Lámen é um prato tradicional da culinária japonesa, constituído de macarrão chinês, uma sopa com caldo à base de ossos de porco, peixe ou frango, além do acréscimo de alguns condimentos. Vamos à história do filme. O jovem Masato (Takumi Saitoh) trabalha com o pai num restaurante do Japão especializado em servir o Lámen. Depois da morte do pai, Masato descobre num baú um caderno de receitas escrito em mandarim (língua oficial da China, Singapura, Taiwan e Hong Kong). Um parêntese: a mãe era chinesa e casou com o pai de Masato, japonês, muito a contragosto da mãe dela. Tudo por causa da invasão japonesa a Singapura em 1942, na época uma colônia britânica. Os japoneses abusaram da crueldade, assassinando muita gente da população local e os próprios ingleses. Voltando à história: Masato resolveu viajar até Singapura para descobrir como o romance de seus pais começou e, ainda, tentar uma aproximação com a avó. No meio do caminho, Masato visitou alguns centros importantes de culinária no Japão, China e Singapura, aprendendo novas receitas para aperfeiçoar o Lámen do seu restaurante, como também outros pratos típicos da China, Japão e Singapura. Um road movie culinário dos mais interessantes. Masato chega à conclusão de que todos os acontecimentos de sua família giraram em torno de uma mesa de comida, e está lá o Lámen como elemento agregador. Um belo filme, sensível e comovente, onde a culinária está presente em todos os momentos. Como escreveu um crítico profissional, no filme “Todas as feridas se resolvem entre carnes e temperos, entre lágrimas e abraços”. Uma definição com a qual concordo plenamente. Não percam!       

quarta-feira, 4 de setembro de 2019


“JOHN WICK 3 – PARABELLUM” (“JOHN WICK: CHAPTER 3 – PARABELLUM”), 2019, EUA, 2h12m, direção de Chad Stahelski (o mesmo dos dois primeiros – “De Volta ao Jogo” e “Um Novo Dia para Matar”). Como nos dois primeiros filmes da série, “Parabellum” capricha nas cenas de ação. A história é fantasiosa e mirabolante demais, mas para quem curte filmes de ação, pouco importa. O que vale mesmo são as pancadarias, sangue jorrando, perseguições, tiros e muita ação. Neste terceiro filme da série, John Wick (Keanu Reeves) é condenado à morte e caçado por criminosos contratados pela Alta Cúpula, depois de ter assassinado – no filme anterior – um chefão da máfia que estava hospedado no Hotel Continental, pertencente à organização. A recompensa é de US$14 milhões, o que atrai um grande contingente de assassinos. Mas John Wick é John Wick, mestre em artes marciais, exímio atirador e praticamente imortal. Keanu Reeves está visivelmente pesado para as lutas corpo a corpo, sendo substituído por um dublê - dá para ver nitidamente que não é ele. O filme é mentiroso, como os de James Bond. Para se ter uma ideia, depois de várias lutas no Marrocos e ser obrigado a atravessar o deserto a pé, ele chega a um oásis com o terno e o nó da gravata impecáveis. Há algumas outras cenas de humor, o que deixa o filme ainda mais agradável de assistir. Dizem que será o último da série, mas não acredito. Afinal, seu lançamento mundial rendeu US$ 319 milhões, o que significa um grande sucesso de bilheteria. Além de Reeves, completam o elenco Halle Berry, Laurence Fishburne, Mark Dacascos, Asia Kate Dillon, Lance Reddic, Ian McShane e Anjelica Huston. Resumo da ópera: “Parabellum” é uma grande bobagem, mas uma bobagem bastante divertida. Informação adicional: “Parabellum” vem de uma frase do latim: “Si Vis Pacem Para Bellum” (“Se Você quer Paz, Prepare-se para a Guerra”). Meu blog também é cultura.    

terça-feira, 3 de setembro de 2019


“DONNYBROOK” – LUTA PELA REDENÇÃO” (“DONNYBROOK”), 2018, EUA, 1h41m, direção de Tim Sutton, que também é o autor do roteiro, baseado no livro “DonnyBrook”, de 2013, escrito por Frank Bill. A história é centrada no veterano de guerra Jarhead Earl (o ator inglês Jamie Bell, de “Billy Elliot”), que vive de trambiques e assaltos para sustentar a família e pagar os remédios da esposa Sarah (Valerie Jane Parker), que está com câncer. Com o objetivo de conseguir mais dinheiro para um tratamento mais intensivo e eficiente de Sarah, Jarhead resolve treinar para disputar um torneio de lutas chamado “DonnyBrook”, cujo vencedor leva 100 mil dólares. Paralelamente ao drama vivido por Jarhead, o filme acompanha a trajetória de Chainsaw Angus (o brucutu Frank Grillo), traficante de metanfetamina, um cara violento que vive espancando a irmã Delia (Margaret Qualley), viciada e também sua parceira no tráfico. Enfim, gente da "melhor" qualidade. Quando chega a hora das lutas no DonnyBrook – cerca de 20 lutadores são colocados numa jaula e o último que ficar de pé ganha o prêmio), Jarhead e Angus ficam frente a frente para resolver uma antiga rixa - Angus era o fornecedor de drogas de Sarah. O roteirista e diretor Tim Sutton, da trilogia “Memphis”, “Dark Night” e “Pavillion”, acerta a mão também em “DonnyBrook”, um filme independente muito elogiado pela crítica especializada. Eu também gostei, mesmo que seja violento demais. Para encerrar, destaco a cena em que a bela atriz Margaret Qualley sai nua de um lago, lembrando Ursula Andrews em “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962), o primeiro da série James Bond. Outro destaque do filme fica por conta das ótimas atuações de Jamie Bell, Frank Grillo e da própria Margaret Qualley. Enfim, “DonnyBrook é um filme que merece ser conferido.     

segunda-feira, 2 de setembro de 2019


Representante oficial da Dinamarca na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, o suspense “CULPA” (“DEN SKYLDIGE”) tem um grande mérito: manter a plateia na maior tensão durante sua hora e meia de duração com apenas um personagem, seu telefone e computador dentro de uma saleta. Além dele, só as vozes das pessoas que ligam para a emergência. O responsável por essa façanha é o jovem roteirista e diretor sueco Gustav Möller, de 31 anos, em seu longa-metragem de estreia. Vamos à história: o policial Asger Holm (Jakob Cedergren) atuava nas ruas de Copenhagen, mas, por causa de um incidente de trabalho, acabou designado para trabalhar na central telefônica de emergências da polícia. Em meio a trotes e ocorrências banais, Asger recebe a ligação de uma tal de Iben, desesperada pedindo ajuda, dizendo que havia sido sequestrada pelo ex-marido, Michael. Ela dizia estar trancada no porta-malas do carro de Michael, enquanto Asger tentava, ao mesmo tempo, rastrear o veículo. A situação fica ainda mais tensa quando Asger descobre que Michael tem passagens pela polícia. Várias viaturas são mobilizadas para ir até a casa de Iben, onde estariam seus dois filhos, o bebê Oliver e a filha mais velha Mathilde. Ali, descobrem uma tragédia. E Asger ingressa numa angustiante corrida contra o relógio para resolver a situação. É melhor não falar mais nada para não estragar a reviravolta do desfecho. Eu já conhecia o ator Jakob Cedergren de outros filmes, como os excelentes “Tristeza e Alegria”, de 2013, e “Submarino”, de 2010. Aos 46 anos, Jacob, nascido na Suécia e radicado na Dinamarca, talvez seja hoje o melhor ator dinamarquês em atividade. Em “Culpa”, ele realmente tem uma atuação espetacular. O filme, exibido por aqui durante a programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, também foi destaque nos festivais de Sundance e Rotterdam. Imperdível!