
sexta-feira, 11 de outubro de 2019

“DESTRUIDOR” (“VARGUR” – a tradução
do islandês para o português é minha, pois o filme não chegou por aqui e duvido
que chegue), 2018, coprodução Islândia/Dinamarca, 1h35m, roteiro e direção de Börkur
Sigthorsson). Trata-se de um suspense policial centrado em dois irmãos que
pretendem contrabandear cocaína de Copenhagen (Dinamarca) para Reikjavik, capital
do seu país natal, a Islândia. Para isso, requisitam para servir de “mula” uma
jovem polonesa. Erik (Gísliörn Garoarsson), um dos irmãos, é alto executivo de
uma empresa contra a qual aplicou um golpe e precisa de dinheiro para cobrir a
dívida. Atli (Baltasar Breki Samper), o outro irmão, é um sujeito fracassado e,
pior, acaba de sair da prisão. O combinado é que a jovem Sofia (Anna Próchniak)
engula várias cápsulas com cocaína para “desová-las” em Reikjavik. Entre os
percalços do plano, um torna-se um problema e tanto: Sofia começa a passar mal
no avião e, quando chega, piora ainda mais. Ao mesmo tempo, os policiais do
aeroporto de Reykjavik desconfiam da menina e de seu acompanhante, Atli, e
avisam a polícia. Cabe à agente Lena (Marijana Jankovic) montar a estratégia
para tentar capturar os irmãos traficantes e salvar Sofia. Não dá para contar
mais, senão estrago o desfecho. Quanto ao cinema islandês, lembro de já ter
assistido a alguns, três deles muito bons: “A Sombra da Árvore”, 2017, “Desajustados”
e “Pardais”, ambos de 2015. A utilização da Islândia como cenários para
diversos filmes e séries de outros países (vide “Game of Thrones”) talvez seja
maior do que sua própria produção cinematográfica. Realmente, suas paisagens e belezas
naturais são espetaculares. Voltando a “Vargur”, trata-se de um filme pleno de
ação e suspense, com ótimo elenco, garantindo um bom programa na telinha.
terça-feira, 8 de outubro de 2019
“OBSESSÃO” (“Greta”), 2019,
EUA, 1h38m, roteiro e direção de Neil Jordan. Trata-se de um suspense cuja
história envolve a relação entre uma jovem garçonete de um restaurante de luxo,
Frances McCullen (Chloë Grace Moretz), e a viúva Greta Hideg (Isabelle
Huppert). Recém-chegada a Manhattan depois da morte da mãe, Frances mora num
apartamento com a amiga Erica Penn (Maika Monroe). Certo dia, no banco de um
vagão do metrô, Frances encontra uma bolsa abandonada. Ao abri-la, descobre uma
identidade com o nome e o endereço da dona. Lá foi ela tocar a campainha na
casa de Greta, uma viúva solitária e carente, que agradece o favor e a convida
para tomar um chá. O que parecia uma amizade de mãe para filha vira uma
obsessão por parte da viúva, que persegue a moça o tempo inteiro. Até que um
dia Frances pede a ela para não mais procurá-la. A viúva responde: “Eu sou como
chiclete. Eu grudo mesmo”. E por aí a história se desenrola, até envolver não
só a amiga de Frances, como também um investigador particular. Tudo bem que o
suspense é mantido até o desfecho, agradando os fãs do gênero. Porém, não fosse
a presença da diva francesa Isabelle Huppert, o filme seria apenas mediano. Aos
66 anos, ainda em grande forma, Hupper arrasa com uma performance assustadora.
Não é à toa que ela é chamada de “A Dama do Cinema Francês”. Ela salva o filme.
Destaco também as boas atuações das jovens Chloê Grace Moretz e Maika Monroe.
Para concluir meu comentário, lembro que o veterano diretor irlandês Neil é
responsável por dois grandes filmes: “Entrevista com o Vampiro” e “Traídos pelo
Desejo”. Resumo da ópera: “Obsessão” proporciona uma
oportunidade e tanto para assistir a mais uma atuação espetacular da atriz
francesa.
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
“PREDADORES ASSASSINOS” (“CRAWL”), 2019,
EUA, 1h27m, roteiro e direção de Alexandre Aja. Durante uma violenta tempestade
provocada por um furacão na Flórida, a população de diversas cidades é obrigada
a sair de casa e ir direto para os abrigos. Heley Keller (Kaya Scodelario) liga para seu
pai Dave (Barry Pepper) para saber se está tudo bem. Heley não obtém resposta e
fica apavorada. Ela desobedece a ordem geral e passa por diversas barreiras coordenadas
pela defesa civil e ruma para a casa do pai, numa cidade vizinha. Enquanto a
tempestade aumenta cada vez mais, ela chega até a casa e descobre que o pai
está ferido no porão. Pronto, aí começa o pesadelo. As águas invadem a casa e
trazem junto alguns jacarés gigantes. Será que pai e filha se salvarão? Independente
da resposta, os dois e também os espectadores viverão momentos angustiantes, de
perder o fôlego. Muita ação e aflição até o final. Destaque para os jacarés, em
número maior do que o próprio elenco. Aliás, as filmagens utilizaram jacarés de
verdade e alguns de mentirinha. Tudo tão bem feito que a gente nem percebe
quem é o verdadeiro ou o de brinquedo. Mérito de Alexandre Aja, cineasta francês
especialista em filmes de ação, suspense e terror, como “Piranha 3D”, “Alta
Tensão”, “Viagem Maldita” e “Amaldiçoado”. O maior trunfo do filme, porém, é o
desempenho da jovem atriz Kaya Scodelario, de 27 anos, que já tem no currículo
alguns filmes importantes como os da saga “Maze Runner” e “Piratas do Caribe”:
A Vingança de Salazar”, entre outros. Kaya é filha de mãe brasileira e pai
inglês. Assisti a uma entrevista dela para um site brasileiro de cinema e
fiquei encantado com sua simpatia, além de responder todas as perguntas em
português. Voltando ao filme, “Predadores Assassinos” é um ótimo programa para
curtir numa sessão com pipoca. Mas cuidado, os jacarés podem fazer “Crawl” também
em você.
domingo, 6 de outubro de 2019
Sempre gostei de assistir a
filmes de países de língua árabe. Além de alguns excelentes, a maioria ensina muito sobre sua cultura e suas
tradições, o que os torna ainda mais interessantes. Ao assisti-los, a gente aprende
muito e acaba chegando à conclusão de que nós, ocidentais, jamais compreenderemos
seu modo de vida, enraizado há muitos séculos. Escrevi esse introito para
apresentar o drama argelino “O ARREPENDIDO” (“EL TAAIB” – na
França, recebeu o título de “Le Repenti”), 2012, roteiro e direção de
Merzak Allouache, 1h27m. A história é centrada no jovem jihadista Rashid (Nahi
Asli), que abandona a montanha onde se refugiava com seu grupo de extremistas
islâmicos, responsável por aterrorizar a população civil dos vilarejos da
região. Rashid volta à sua aldeia natal e
logo é denunciado à polícia – pela lei do Perdão e da Concórdia Nacional
vigente na Argélia, todo jihadista que se entregar e devolver sua arma será
anistiado. Rashid tenta se esconder da polícia e, nesse meio tempo, comete um
assassinato e faz chantagem contra um casal cuja filha adolescente tinha sido assassinada
pelos jihadistas. Por uma quantia em dinheiro, Rashid promete levá-los a um
local da montanha onde os restos mortais da menina haviam sido enterrados. A câmera
do diretor Merzak Allouache capta os cenários desérticos da região em tomadas
longas e lentas, o que prejudica o andamento da ação que envolve o trio de
viajantes, tornando o filme, perto do desfecho, um tanto monótono. “O
Arrependido” teve sua primeira exibição durante a Quinzena dos Realizadores no
Festival de Cannes/2012, além de participar, no mesmo ano, da Mostra Panorama
do Cinema Mundial no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. No 17º
Festival Internacional de Cinema de Kerala, na Índia, conquistou o Prêmio “Fipresci”
de Melhor Filme Asiático. Um filme muito interessante que merece ser visto
principalmente pelas razões que enumerei no início deste comentário.
sábado, 5 de outubro de 2019

quarta-feira, 2 de outubro de 2019
“MEMÓRIA
DE UM CRIME” (“BACKTRICE”), 2018, EUA, 1m27m, filme policial dirigido
por Brian A. Miller, com roteiro de Mike
Maples. O filme começa com um assalto a um carro blindado praticado por três
assaltantes. Eles conseguem fugir com uma grande quantidade de dinheiro, que
escondem num tipo de armazém abandonado em algum lugar bem longe. Logo depois,
durante a fuga, eles se defrontam com dois estranhos fortemente armados, que
exigem parte do dinheiro roubado. Os dois grupos entram em confronto e, dos
assaltantes, só um sobrevive e consegue escapar da matança, mas, devido a um
tiro de raspão na cabeça, perde a memória. O filme salta para sete anos depois.
MacDonald (Matthew Modine), o sobrevivente, está preso numa penitenciária de
segurança máxima e ainda não se lembra do que aconteceu. Seu segredo atrai três
aproveitadores que conseguem resgatá-lo da prisão. Uma enfermeira faz parte do
grupo de sequestradores e, utilizando uma droga especial, tentará fazer
MacDonald recuperar a memória e contar onde escondeu o dinheiro. A investigação
sobre o desaparecimento de MacDonald fica a cargo do xerife Sykes (Sylvester
Stallone), que, com a colaboração do FBI, tentará encontrar pistas que levem ao
sequestrado e seus sequestradores. Embora a divulgação do filme tenha colocado
Stallone como o principal protagonista, na verdade ele aparece em poucas cenas,
ganhando algum realce somente no desfecho. Embora tenha feito história no cinema por seus
antigos personagens John Rambo e Rocky Balboa, Stallone nunca foi um bom ator. Sempre atuou mais com os músculos. Agora, aos 73 anos, tenta sobreviver à idade, mas
encontra muita dificuldade, principalmente pela deformação cada vez mais
acentuada do rosto. Se pudesse aconselhá-lo, diria: “Tá na hora de se aposentar,
Stallone. Obrigado por tudo”. Voltando a “Memória de um Crime”, o filme estreou nos EUA em
dezembro de 2018 e ainda não chegou por aqui. O diretor Brian A. Miller,
especialista em filmes de ação (“O Príncipe”, “Rastros de Violência”, “Sombras
da Justiça”, “A Máquina”), bem que tentou imprimir seu estilo em “Memória de
um Crime”, mas ficou só na intenção. Nada que mereça uma indicação entusiasmada. Em todo caso, pode servir
para uma sessão da tarde com pipoca.
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
“NOITE
MÁGICA” (“NOTTI MAGICHE”), 2018, Itália, 2h5m, direção de Paolo
Virzì, que também assina o roteiro juntamente com Francesco Piccolo e
Francesca Archibugi. Trata-se de mais uma bela homenagem ao cinema,
especialmente aos tempos de ouro do cinema italiano. O filme começa com um
carro caindo de uma ponte dentro do rio Tibre, em Roma. A poucos metros dali, num
bar, um grupo de pessoas assistia a um jogo da Itália pela Copa do Mundo – o
filme é ambientado em 1990. Com todos torcendo pela seleção nacional, ninguém ligou
para o acidente, que matou o ocupante do veículo. Durante a investigação
policial sobre o que de fato aconteceu, três jovens foram detidos para
interrogatório: Antonino Scordia (Mauro Lamantia), Eugenia Malaspina (Irene
Vetere) e Luciano Ambrogi (Giovanni Toscano). Explico: antes do acidente
acontecer, os três tiveram contato com a vítima. Scordia, Malaspina e Ambrogi
foram vencedores de um concurso chamado “Prêmio Solinas” destinado a aspirantes
de roteiristas. Durante o interrogatório, os três jovens relembram, em flashbacks,
o que aconteceu nos dias anteriores, o que nos leva a uma “viagem” pelos
bastidores do cinema italiano. “Noite Mágica” é repleto de referências a
figuras importantes do cinema italiano como Ettore Scola (Virzì teve a ideia do
filme durante o velório do grande diretor, morto em janeiro de 2016), Federico Fellini, Marcello
Mastroianni, Vittório Gassman, Roberto Rossellini, Dino Risi e tantos outros (achei muito injusto não haver uma menção especial a Mario Monicelli). Enquanto
circulam por Roma numa noite de jantares e festas, os jovens roteiristas vão a
lugares que serviram de cenários para alguns dos grandes filmes italianos do
passado. Nessas idas e vindas, eles conhecem produtores, roteiristas e
diretores, com os quais conversam sobre o cinema italiano, seu passado e
perspectivas para o futuro. Um dos personagens principais de toda a história
será o produtor Leonardo Saponardo (o grande Giancarlo Giannini, ótimo). Para
quem não conhece, Paolo Virzì é um dos mais cultuados diretores do cinema
italiano atual. Dele, recomendo como pequenas obras-primas dois filmes em
especial: “Capital Humano”, de 2013, e “A Primeira Coisa Bela”, de 2010. Virzì
também experimentou o cinema norte-americano, dirigindo “Ella e John” em 2017, com Helen Mirren e Donald Sutherland. Enfim, “Noite Mágica” é um filme especialmente
dirigido aos cinéfilos que, como eu, são apreciadores do cinema em geral,
particularmente o italiano. Não é o melhor filme que homenageia o cinema. Não desmerecendo o filme de Virzì, prefiro duas obras-primas do cinema italiano: “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, e “Splendor”, do grande Ettore Scola.
domingo, 29 de setembro de 2019

sexta-feira, 27 de setembro de 2019
“TUDO O QUE TIVEMOS” (“WHAT
THEY HAD”), 2018, EUA, 1h41m, primeiro longa-metragem
escrito e dirigido pela atriz e dramaturga Elizabeth Chomko. Trata-se de um
drama familiar intimista que gira em torno da doença da matriarca da família
Ertz, Ruth (Blythe Danner), que está entrando na fase mais aguda do Alzheimer,
o que mobiliza a atenção de toda a família. Quando ela sai de casa à noite sem
rumo, em meio a uma nevasca, o filho Nicky (Michael Shannon) pede à irmã
Bridget (Hilary Swank) que retorne à cidade para ajudá-lo a decidir o que fazer
com a mãe e convencer o pai Burt (Robert Forster) a interná-la em alguma clínica
especializada. É a partir dessa premissa que se desenvolve o roteiro, que,
apesar do contexto dramático, está entremeado de algumas ótimas situações de
humor, como aquela durante a missa dominical e um velório. Enfim, um drama
bastante comovente cujo maior trunfo é a atuação do elenco, principalmente os
veteranos Blythe Danner (mãe da também atriz Gwyneth Paltrow) e Robert Forster,
além da excelente Hilary Swank, que já tem um Oscar de Melhor Atriz por “Menina
de Ouro” (2004) e Michael Shannon. Mais um filme que trata de forma competente
a questão do Alzheimer e suas consequências não só para o doente, como também para toda
sua família. Excelente!
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
“ANJO MEU” (“ANGEL OF MINE”), 2019,
coprodução Austrália/EUA, 1h38m, direção de Kim Ferrant, com roteiro
de Lucas Davi e David Regal. Trata-se de um suspense cuja história é um
antigo clichê do cinema, ou seja, mulher psicótica e frustrada persegue uma família bem estruturada e feliz.
No caso, a maluca é Lizzie (Noomi Rapace), cuja filha então bebê morreu anos
antes no incêndio ocorrido num hospital. Desde então, ela faz terapia intensiva
com um psicólogo e é vigiada de perto pelo marido Mike (Luke Evans) e pelos
seus pais. Ao conhecer a família de Claire (Yvonne Strahovski) e Bernard
(Richard Roxburgh) Lizzie fica obcecada por Lola (Annika Whiteley), de cinco
anos, filha do casal. Na sua cabeça, Lola é a sua filha. Lizzie então parte para o confronto. Até o desfecho, que reserva
uma reviravolta bastante surpreendente, Lizzie infernizará a família de Claire,
a ponto de seu marido, a conselho do psicólogo, querer interná-la de novo num
hospital psiquiátrico. As atrizes principais estão ótimas em seus papéis de
perseguidora e perseguida. A atriz sueca Noomi Rapace ficou conhecida depois de
ter protagonizado a trilogia Millenium (“Os Homens que não Amavam as Mulheres”,
“A Menina que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”) e hoje é
requisitada até por Hollywood. A australiana Yvonne Strahovski atuou em filmes
como “Por Trás dos seus Olhos”, “Ele está lá Fora” e “O Predador” (todos também
de suspense) e se tornou mais conhecida ao protagonizar as séries “Chuck”, como
Sarah Walker, e “Dexter”, como Hanna McKay. Impressionante como Yvonne se parece
com a nossa Luana Piovani, tão mulherão e bonita quanto. Mais conhecida como diretora de documentários e
curtas, a australiana Kim Ferrant acerta a mão neste que é o seu segundo longa-metragem
– o primeiro foi “Terra Estranha”, com Nicole Kidman. “Angel of Mine” estreou dia
14 de agosto de 2019 durante a programação oficial do Melbourne International
Film Festival. Uma boa opção para quem gosta do gênero suspense.
segunda-feira, 23 de setembro de 2019

sábado, 21 de setembro de 2019
“3 PEDIDOS” (“3 TING”), 2019, Dinamarca,
1h29m, roteiro e direção de Jens Dahl. É o seu primeiro longa-metragem. Era
mais conhecido como roteirista de filmes e séries de TV. “3 Ting” é um thriller bastante
original, engenhoso e muito agradável de assistir, embora seja ambientado quase
que inteiramente num quarto de hotel. Aqui, o assaltante Mikael (o astro
dinamarquês Nikolaj Coster Waldau, o Jaime Lannister da série “Game of Thrones”)
está negociando com a polícia o seu ingresso no programa de testemunhas. Ele
foi preso depois de ter participado de um grande assalto a banco em Copenhagen praticado
por uma gangue de bandidos sérvios. Mikael tem que entregar o chefe do grupo e
os demais assaltantes, além de descrever detalhadamente como foi planejado e
praticado o assalto. Nina (Laerke Winther Andersen) é a negociadora da polícia,
responsável pelo interrogatório. Para concretizar a delação, Mikael exige três
pedidos, um deles a presença de Camilla (Birgitte Hjort Sorensen), sua ex-namorada.
Ao lado de Mikael e da negociadora Nina, além de dois policiais responsáveis
pela segurança do local, Camilla participará dos eventos no quarto do hotel até
o desfecho, que terá uma surpreendente reviravolta muito bem engendrada pelo roteiro de Jens
Dahl. Eu já conhecia o trabalho do ator Nikolaj Coster Waldau pelo ótimo “Segunda
Chance”. Enfim, “3 Pedidos” é um filme
inteligente e muito interessante que merece ser visto por quem gosta de cinema
de qualidade.
sexta-feira, 20 de setembro de 2019

segunda-feira, 16 de setembro de 2019
“KARDEC: A HISTÓRIA POR TRÁS
DO NOME”, 2018, Brasil, 1h50m, roteiro e direção de Wagner de Assis.
Trata-se da cinebiografia de Alan Kardec, realizada em comemoração aos 150 anos
da morte daquele que é considerado o fundador e o principal decodificador da doutrina
espírita. O roteiro é uma adaptação do livro “Kardec: A Biografia” (2013), escrito
pelo jornalista Marcel Souto Maior. Ambientado em Paris, o filme começa em 1851
apresentando Hypolite Leon Denizard Rivail (Leonardo Medeiros) como um
professor liberal. Quando assumiu o Imperador Napoleão III, a Igreja Católica ganhou
poder para interferir no ensino, o que revoltou Hypolite, que logo pediu
demissão. Naquela época, havia em Paris uma febre sobre o tal fenômeno das
mesas giratórias, através das quais - acreditavam - era possível se comunicar com os espíritos.
Hypolite resolveu estudar o assunto e, a princípio, não acreditava em nada
daquilo. Passou então a frequentar sessões organizadas por médiuns. Numa delas,
recebeu a notícia de que tinha sido um druída chamado Alan Kardec em outra
encarnação. Hypolite adotou o nome, aderiu à doutrina e escreveu, em 1857, o
livro “O Livro dos Espíritos”, que teve enorme repercussão por toda a Europa,
transformando-se na “bíblia” da doutrina espírita. Resultado: foi banido do
clube de cientistas de Paris e perseguido pela Igreja Católica. Mas hoje seu nome é reconhecido no mundo inteiro como o fundador da Doutrina Espírita. O filme foi
quase todo rodado em Paris e o diretor Wagner de Assis utilizou um recurso
gráfico que “apagou” dos cenários não só pessoas, como também veículos e
estabelecimentos comerciais, enfim, tudo que mostrasse a capital francesa de
hoje. Participaram do elenco, além de Leonardo Medeiros, Sandra Corveloni,
Genézio de Barros, Dalton Vigh, Guida Viana, Letícia Braga, Julia Konrad e
Charles Erick. Mais um bom trabalho de Wagner de Assis, que ficou conhecido como
roteirista e diretor de novelas da Globo (“Além do Tempo”, de 2015-2016, e “Espelho
da Vida”, de 2018-2019) e de filmes espíritas, como “Nosso Lar”, sucesso de
bilheteria em 2010, e “A Menina Índigo”, de 2016. Quem tiver curiosidade, como
eu tive, de conhecer a vida de Alan Kardec e seu trabalho, “Kardec” é um ótimo
programa.
domingo, 15 de setembro de 2019
“NUNCA DEIXE DE LEMBRAR” (“Werk
Ohne Autor”), 2018, Alemanha, roteiro e direção de Florian
Henckel von Donnersmarck, 3h9m. Este filme representou a Alemanha na disputa do
Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro (também concorreu à Melhor Fotografia) e
ficou entre os finalistas, perdendo para “Roma”. Porém, se eu fosse membro da
Academia, teria votado neste ótimo drama biográfico alemão. Muitos críticos comentaram
que só não ganhou o Oscar porque seu diretor já havia conquistado a estatueta
de Melhor Filme Estrangeiro em 2006, com o espetacular “A Vida dos Outros”. De
meados da década de 30 até o final da década de 60, “Nunca Deixe de Lembrar” acompanha
a trajetória política e cultural da Alemanha, paralelamente à vida do pintor
Gerhard Richter, um dos grandes nomes da arte contemporânea alemã. O filme
começa apresentando Richter ainda garoto (interpretado por Cai Cohrs) em
companhia da tia Elisabeth May (a bela Saskia Rosendahl) visitando a Exposição “Arte
Degenerada”, promovida pelo governo nazista com o objetivo de enxovalhar as
pinturas dos modernistas Chagall e Kandinski. Daí para a frente, o filme enfoca
a vida de Richter (quando adulto, papel Tom Schilling), tendo como pano de
fundo a história política da Alemanha, desde a ascensão do regime nazista, as
atrocidades da Segunda Grande Guerra, o nascimento da República Democrata Alemã
(RDA), a tirania soviética, a construção do muro de Berlim até a vida do pintor
na Alemanha Ocidental – ele fugiu com a esposa Ellie (Paula Beer, de “Frantz”,
ótimo filme de François Ozon) pouco antes da construção do muro. O filme acompanha
também a trajetória do professor Carl Seeband (o veterano ator Sebastian Koch),
que durante o regime nazista foi o médico que fazia abortos em mulheres que não
eram arianas ou que tivessem alguma anomalia física ou psíquica – o caso de Elisabeth,
tia de Richter. Os destinos do pintor e do médico se cruzarão alguns anos depois,
quando Richter conhece Ellie. Enfim, como o próprio título faz entender, “Nunca
Deixe de Lembrar” é um filme inesquecível, espetacular, que vale cada minuto de
suas mais de três horas de duração. Reputo como uma obra-prima do cinema alemão.
Não perca de jeito nenhum!
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
“HIGH LIFE”, 2018,
França, 1h53m, direção de Claire Denis, que também assina o roteiro ao lado de
Jean-Pol Fargeau e Geoff Cox. A estreia do filme, o primeiro da veterana
diretora francesa falado em inglês, aconteceu em setembro de 2018 durante o
Festival de Cinema de Toronto (Canadá) e, de cara, causou grande polêmica entre
os críticos especializados e o público, uns contra outros a favor. A história
(totalmente ambientada numa nave): um grupo de criminosos é “recrutado” do
corredor da morte e enviado numa nave para o espaço em direção do Buraco Negro
mais próximo do Sistema Solar. Sua missão: descobrir novas energias
alternativas. Eles não sabiam, mas desconfiavam, que a passagem era só de ida. Dois
personagens se destacam na história: a médica Dibs (Juliette Binoche), e Monte
(Robert Pattinson). Dibs cuida da saúde do pessoal, além de fazer experiências
reprodutivas. Ela é movida a sexo, enfim, uma ninfomaníaca. Monte é pai de um
bebê provavelmente fruto das experiências de Dibs. A mãe não é revelada, a não
ser que seja um bebê de proveta. Todos os ocupantes da nave apresentam
comportamentos estranhos e perigosos, o que aumenta o suspense em relação ao
que acontecerá na próxima cena. Confesso que no início do filme fiquei
incomodado com o estilo adotado pela veterana diretora francesa, lembrando
muito os filmes do abominável e insuportável diretor norte-americano Terrence
Malick. Ou seja, textos em off, legendados, filosofando a respeito da vida, dos
seres humanos e suas atitudes, cenas longas e uma lentidão quase sonífera. Apesar
disso, é um filme bastante interessante, que tem como principal trunfo as
excelentes performances de Juliette Binoche e Robert Pattinson. Assisti a
vários filmes de Claire Denis, entre os quais recomendo “Minha Terra, África”
(2009), “Deixe a Luz do Sol Entrar” (2018), também com Binoche, “Bom Trabalho”
(1999) e "25 Doses de Run" (2008).
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
“HUROK”, 2016,
Hungria, 1h35m, roteiro e direção de Isti Madarász, sua estreia em longas. Em
português, hurok quer dizer laço, mas como o filme não chegou por aqui –
e duvido que chegue - não teve tradução. Ádám (Dénes Száraz) é um sujeito fracassado
que vive de bicos, o principal deles como traficante de drogas a serviço do
truculento Dezsõ (Zsolt Anger), segurança de um hospital. Em sua rotina de
trabalho, Ádám conhece a viciada Anna (Dorina Martinovics), pela qual se apaixona.
Um dia, os namorados resolvem aplicar um golpe em Dezsõ, ou seja, vender um
grande lote de drogas e fugir da Hungria. Só que o planejado dá errado. Anna fica
grávida e se recusa a participar da tramoia e Dezsõ descobre a traição. Para
piorar ainda mais a situação, Anna morre atropelada. Até aí, a história corre
de forma normal. Só que o roteiro dá uma guinada radical, reproduzindo as cenas
iniciais com a participação de um “outro” Ádám, que vê tudo prestes a acontecer
e tem a oportunidade de mudar o destino dos fatos e, principalmente, tentar evitar a morte
de Anna. Sem dúvida, um filme bastante interessante, criativo e original, que
merece ser visto.
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
“LÁMEN SHOP” (“RAMEN TEH”), 2018,
coprodução Singapura/Japão/França, 1h30m, direção de Eric Khoo, com roteiro
escrito por Tan Fong Cheng e Wong Kim Hoh. Para quem gosta de culinária, principalmente
a oriental, “Lámen Shop” é um prato cheio. Antes de iniciar o comentário, lembro
que Lámen é um prato tradicional da culinária japonesa, constituído de macarrão
chinês, uma sopa com caldo à base de ossos de porco, peixe ou frango, além do
acréscimo de alguns condimentos. Vamos à história do filme. O jovem Masato
(Takumi Saitoh) trabalha com o pai num restaurante do Japão especializado em
servir o Lámen. Depois da morte do pai, Masato descobre num baú um caderno de
receitas escrito em mandarim (língua oficial da China, Singapura, Taiwan e Hong Kong). Um parêntese: a mãe era
chinesa e casou com o pai de Masato, japonês, muito a contragosto da mãe dela.
Tudo por causa da invasão japonesa a Singapura em 1942, na época uma colônia
britânica. Os japoneses abusaram da crueldade, assassinando muita gente da
população local e os próprios ingleses. Voltando à história: Masato resolveu
viajar até Singapura para descobrir como o romance de seus pais começou e,
ainda, tentar uma aproximação com a avó. No meio do caminho, Masato visitou
alguns centros importantes de culinária no Japão, China e Singapura, aprendendo
novas receitas para aperfeiçoar o Lámen do seu restaurante, como também outros
pratos típicos da China, Japão e Singapura. Um road movie culinário dos
mais interessantes. Masato chega à conclusão de que todos os acontecimentos de
sua família giraram em torno de uma mesa de comida, e está lá o Lámen como
elemento agregador. Um belo filme, sensível e comovente, onde a culinária está
presente em todos os momentos. Como escreveu um crítico profissional, no filme “Todas
as feridas se resolvem entre carnes e temperos, entre lágrimas e abraços”. Uma
definição com a qual concordo plenamente. Não percam!
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
“JOHN WICK 3 – PARABELLUM” (“JOHN
WICK: CHAPTER 3 – PARABELLUM”), 2019, EUA, 2h12m, direção de
Chad Stahelski (o mesmo dos dois primeiros – “De Volta ao Jogo” e “Um Novo Dia
para Matar”). Como nos dois primeiros filmes da série, “Parabellum” capricha
nas cenas de ação. A história é fantasiosa e mirabolante demais, mas para quem
curte filmes de ação, pouco importa. O que vale mesmo são as pancadarias,
sangue jorrando, perseguições, tiros e muita ação. Neste terceiro filme da
série, John Wick (Keanu Reeves) é condenado à morte e caçado por criminosos
contratados pela Alta Cúpula, depois de ter assassinado – no filme anterior –
um chefão da máfia que estava hospedado no Hotel Continental, pertencente à
organização. A recompensa é de US$14 milhões, o que atrai um grande contingente
de assassinos. Mas John Wick é John Wick, mestre em artes marciais, exímio
atirador e praticamente imortal. Keanu Reeves está visivelmente pesado para as
lutas corpo a corpo, sendo substituído por um dublê - dá para ver nitidamente que não é ele. O filme é mentiroso, como
os de James Bond. Para se ter uma ideia, depois de várias lutas no Marrocos e ser
obrigado a atravessar o deserto a pé, ele chega a um oásis com o terno e o nó
da gravata impecáveis. Há algumas outras cenas de humor, o que deixa o filme
ainda mais agradável de assistir. Dizem que será o último da série, mas não
acredito. Afinal, seu lançamento mundial rendeu US$ 319 milhões, o que significa
um grande sucesso de bilheteria. Além de Reeves, completam o elenco Halle
Berry, Laurence Fishburne, Mark Dacascos, Asia Kate Dillon, Lance Reddic, Ian
McShane e Anjelica Huston. Resumo da ópera: “Parabellum” é uma grande bobagem,
mas uma bobagem bastante divertida. Informação adicional: “Parabellum” vem de
uma frase do latim: “Si Vis Pacem Para Bellum” (“Se Você quer Paz, Prepare-se
para a Guerra”). Meu blog também é cultura.
terça-feira, 3 de setembro de 2019
“DONNYBROOK” – LUTA PELA
REDENÇÃO” (“DONNYBROOK”), 2018, EUA, 1h41m, direção de Tim Sutton, que
também é o autor do roteiro, baseado no livro “DonnyBrook”, de 2013, escrito por
Frank Bill. A história é centrada no veterano de guerra Jarhead Earl (o ator inglês
Jamie Bell, de “Billy Elliot”), que vive de trambiques e assaltos para
sustentar a família e pagar os remédios da esposa Sarah (Valerie Jane Parker),
que está com câncer. Com o objetivo de conseguir mais dinheiro para um
tratamento mais intensivo e eficiente de Sarah, Jarhead resolve treinar para disputar um
torneio de lutas chamado “DonnyBrook”, cujo vencedor leva 100 mil dólares. Paralelamente
ao drama vivido por Jarhead, o filme acompanha a trajetória de Chainsaw Angus
(o brucutu Frank Grillo), traficante de metanfetamina, um cara violento que
vive espancando a irmã Delia (Margaret Qualley), viciada e também sua parceira
no tráfico. Enfim, gente da "melhor" qualidade. Quando chega a hora das lutas no
DonnyBrook – cerca de 20 lutadores são colocados numa jaula e o último que ficar
de pé ganha o prêmio), Jarhead e Angus ficam frente a frente para resolver uma
antiga rixa - Angus era o fornecedor de drogas de Sarah. O roteirista e diretor Tim Sutton, da trilogia “Memphis”, “Dark
Night” e “Pavillion”, acerta a mão também em “DonnyBrook”, um filme
independente muito elogiado pela crítica especializada. Eu também gostei, mesmo
que seja violento demais. Para encerrar, destaco a cena em que a bela atriz
Margaret Qualley sai nua de um lago, lembrando Ursula Andrews em “007 Contra o Satânico
Dr. No” (1962), o primeiro da série James Bond. Outro destaque do filme fica
por conta das ótimas atuações de Jamie Bell, Frank Grillo e da própria Margaret
Qualley. Enfim, “DonnyBrook é um filme que merece ser conferido.
segunda-feira, 2 de setembro de 2019
Representante oficial da
Dinamarca na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, o suspense “CULPA”
(“DEN SKYLDIGE”) tem um grande mérito: manter a plateia na maior tensão
durante sua hora e meia de duração com apenas um personagem, seu telefone e
computador dentro de uma saleta. Além dele, só as vozes das pessoas que ligam
para a emergência. O responsável por essa façanha é o jovem roteirista e
diretor sueco Gustav Möller, de 31 anos, em seu longa-metragem de estreia. Vamos
à história: o policial Asger Holm (Jakob Cedergren) atuava nas ruas de
Copenhagen, mas, por causa de um incidente de trabalho, acabou designado para trabalhar
na central telefônica de emergências da polícia. Em meio a trotes e ocorrências
banais, Asger recebe a ligação de uma tal de Iben, desesperada pedindo ajuda, dizendo
que havia sido sequestrada pelo ex-marido, Michael. Ela dizia estar trancada no
porta-malas do carro de Michael, enquanto Asger tentava, ao mesmo tempo, rastrear
o veículo. A situação fica ainda mais tensa quando Asger descobre que Michael tem
passagens pela polícia. Várias viaturas são mobilizadas para ir até a casa de
Iben, onde estariam seus dois filhos, o bebê Oliver e a filha mais velha
Mathilde. Ali, descobrem uma tragédia. E Asger ingressa numa angustiante
corrida contra o relógio para resolver a situação. É melhor não falar mais nada
para não estragar a reviravolta do desfecho. Eu já conhecia o ator Jakob
Cedergren de outros filmes, como os excelentes “Tristeza e Alegria”, de 2013, e
“Submarino”, de 2010. Aos 46 anos, Jacob, nascido na Suécia e radicado na
Dinamarca, talvez seja hoje o melhor ator dinamarquês em atividade. Em “Culpa”,
ele realmente tem uma atuação espetacular. O filme, exibido por aqui durante a
programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, também foi
destaque nos festivais de Sundance e Rotterdam. Imperdível!
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