“INCERTA
GLÓRIA” (“INCERTA GLÒRIA”), 2017, Espanha, 1h56m, disponível na Netflix, roteiro e
direção de Agustí Villaronga. A história desse drama espanhol é ambientada em
1937 e tem como pano de fundo a Guerra Civil Espanhola (1936/1939). Em um pequeno vilarejo situado
na Catalunha, o jovem tenente Lluis (Marcel Borrás) assume o comando de um batalhão
dos republicanos, apoiados por regimes de esquerda, que lutam contra os
nacionalistas de Franco. Lluis saiu de Madrid, onde deixou a esposa Trini (Bruna
Cusi) e o filho pequeno. No vilarejo, enclausurada num casarão, vive Carlana
(Nuria Prims), viúva do sujeito mais rico da região, assassinado pelos rebeldes
republicanos. Todo mundo sabia que Carlana era empregada e teve dois filhos
bastardos com o patrão. Agora, com a morte dele, assumiu as rédeas da casa,
tornando-se a mulher mais rica do pedaço. Lluis se apaixona pela viúva e o caso
vira fofoca entre os habitantes do vilarejo, em sua maioria conservadores
católicos. Quando Trini (Bruna Cusi), esposa de Lluis, chega para se encontrar
com o marido, fica sabendo do caso dele com a viúva e vira uma fera. No meio
desse conflito conjugal, o filho dos dois fica gravemente doente. Para tumultuar
ainda mais o ambiente, Soleràs (Oriel Pla), melhor amigo de Lluis e soldado dos
franquistas, se declara apaixonado por Trini e será capaz de qualquer sacrifício
para ajudar a moça. Enfim, um drama meio novelesco, mas tem seus méritos, principalmente
no que diz respeito à atuação do seu elenco, a fotografia e à recriação de época. Falado em
castelhano e em catalão, “Incerta Glória” tem tudo para agradar quem curte um drama
com pano de fundo histórico.
sábado, 1 de maio de 2021
sexta-feira, 30 de abril de 2021
“O DÉCIMO
HOMEM” (“EL REY DEL ONCE”). Quando foi lançado por aqui no circuito comercial, em
2016, não lembro a razão de não ter assistido a esta comédia dramática
argentina, escrita e dirigida pelo cineasta Daniel Burman, que já havia nos
presenteado com os excelentes “O Abraço Partido” e “Dois Irmãos”. Enfim, ele é
um dos diretores argentinos mais conceituados atualmente. “O Décimo Homem”, com
1h22m, é centrado no personagem Ariel (Alan Sabbagh), um economista
bem-sucedido em Nova Iorque que volta a Buenos Aires para visitar a família.
Seu pai, Usher (Usher Barilka), é o líder da comunidade judaica do bairro Once –
o título original é referência a ele. Aqui, a família de Usher administra uma loja
e uma instituição de caridade. Ariel não visitava Buenos Aires há alguns anos e
logo quando chega ao aeroporto recebe uma ligação do pai mandando ele comprar
um sapato com velcro para um jovem que está internado em um hospital. Ariel
percorre várias ruas comerciais para tentar comprar o tal sapato. Nessa
peregrinação, ele reencontra alguns locais que frequentava na infância e juventude.
Ariel chega finalmente à instituição de caridade e se vê diante de muito
trabalho, passando a ajudar na sua rotina. Ele logo se encanta com uma judia
ortodoxa que trabalha como voluntária, Eva (Julieta Zylberberg), que resolveu
adotar o silêncio em obediência a um ritual religioso. No tempo em que ficará na
capital argentina, Ariel, mesmo a contragosto, será obrigado a rever e
participar dos rituais judaicos - as partes mais engraçadas da história. Em um deles, ele completa o grupo de dez
pessoas que carregará o caixão de um comerciante judeu – daí o título nacional “O
Décimo Homem”. Ainda durante sua estada em Buenos Aires, Ariel terá a
oportunidade de relembrar um de seus sabores prediletos da infância: bolachas feitas por sua tia recheadas
com doce de leite. Gordinho, simpático e bonachão, o personagem de Ariel é o
grande trunfo desse ótimo filme argentino, um agradável entretenimento.
quarta-feira, 28 de abril de 2021
“À ESPREITA DO MAL” (“I SEE YOU”), 2018, Estados Unidos, 1h38m, direção de Adam Randall, com roteiro de Devon Graye. Recentemente integrado à plataforma Netflix, este é um suspense que vale a pena assistir por causa do roteiro interessante e muito criativo, repleto de reviravoltas e subtramas. A história começa com um menino de 12 anos sendo sequestrado, em uma cena que parece obra do sobrenatural. A polícia, sob o comando do detetive Grego Harper (Jon Tenney), começa a investigar o fato. Enquanto isso, na casa do próprio policial, sua esposa Jackie (Helen Hunt) e o filho adolescente Connor (Judah Lewis) passam por maus bocados. Coisas estranhas começam a acontecer, e mais uma vez você acha que tem alguma entidade maligna atuando para apavorar a família. Na metade do filme, porém, o roteiro dá uma guinada muito interessante, começando a explicar o que de fato está acontecendo. Uma jogada de mestre do jovem Devon Graye em sua estreia como roteirista – ele é mais conhecido como ator. Além de dar um novo rumo à história, Graye acrescenta mais algumas reviravoltas, que valorizam ainda mais esse bom suspense. Um fato que também me chamou a atenção foi a atual forma física de Helen Hunt, uma atriz muito competente – tem um Oscar por “Melhor Impossível”, de 1998 – e que até há pouco tempo era bonita e charmosa. De repente, envelheceu muito mais do que os seus atuais 57 anos de idade. Não sei se foi alguma plástica malfeita ou ela está sofrendo de anorexia ou então virou uma vegana radical. Sua boca murchou, parecendo a de uma mulher banguela. Voltando ao filme, “À Espreita do Mal” pode não ser “uma Brastemp”, mas sem dúvida é um bom suspense. Recomendo!
terça-feira, 27 de abril de 2021
“CODA” (“A ÚLTIMA NOTA” no Brasil), 2020, Canadá, 1h37m, disponível na plataforma Netflix, estreia na direção de Claude Lalonde, seguindo roteiro de Lovis Goldout. O drama é centrado no consagrado pianista clássico Henry Cole (Patrick Stewart). Depois que sua esposa faleceu, ele entrou numa fase depressiva, recusando-se a participar de concertos, gravações, entrevistas e outras aparições públicas, para desespero de seu empresário e amigo de longa data Paul (Giancarlo Esposito). Quando finalmente retorna para uma apresentação, teve ataque de ansiedade e pânico no palco, esquecendo as notas finais do concerto – a tal “Coda” do título original. Enquanto descansa no camarim, lamentando o insucesso da sua apresentação, Henry recebe a visita da jornalista Helen Morrison (Katie Holmes). Fã do pianista e da música erudita, ela inicialmente pede uma entrevista, recusada na hora por Henry. Tempos depois eles se reencontram e daí para a frente surge uma forte amizade. Além de amiga e admiradora, Helen torna-se uma espécie de psicóloga do pianista, incentivando-o a seguir adiante com a carreira. O filme é muito sensível, repleto de diálogos inteligentes e de muita erudição, principalmente quando as conversas giram em torno dos grandes compositores de música clássica. Tudo isso ocorre naturalmente, sem afetação, tornando-se um deleite para os apreciadores do gênero. Nesse contexto, deve-se destacar a primorosa trilha sonora: Schumann, Schubert, Beethoven, Rachmaninoff e Alexandre Scriaban. Mais um grande trunfo é a química perfeita entre os protagonistas principais, Patrick Stewart e Katie Holmes. Outro destaque é o maravilhoso cenário dos Alpes Suíços, onde o grande pianista se isola após um triste acontecimento. “A Última Nota” é um belíssimo drama, sensível, intimista e reflexivo, realizado com muita qualidade e inspiração. Imperdível!
domingo, 25 de abril de 2021
“HANDIA”, 2017, Espanha, 1h56m,
disponível na Netflix, roteiro e direção da dupla de cineastas Jon Garaño e Aitor
Arregie. A história é baseada num personagem que realmente existiu na Espanha
do século XIX. Trata-se de Miguel Joaquín Eleizegui Arteaga, que ficou
conhecido como o “Gigante de Altzo” – só para esclarecer, um dos significados da
palavra “handia” na língua basca é “gigante”. O filme é falado em basco, já que
a família do “gigante” morava no município de Altzo, localizada na província de
Guipúscua, comunidade autônoma do país basco. Nascido numa família de pequenos
agricultores, Miguel Joaquín (Eneko Sagardoy) era um jovem normal até os 20
anos de idade, quando passou a sofrer de gigantismo, que o levou, rapidamente,
a crescer muito acima dos 2 metros de altura. Três anos antes, Martin (Joseba
Usabiaga), seu irmão mais velho, foi recrutado para servir o exército carlista
durante a guerra civil contra os liberais espanhóis. Ao final do conflito,
Martin volta com o braço direito inutilizado por causa de um ferimento, sem
poder, portanto, ajudar na rotina de trabalho na fazenda da família, que vive
graves problemas financeiros. Quando vê o irmão como um verdadeiro gigante,
Martin resolve ganhar dinheiro exibindo-o como atração em circos e teatros. O
sucesso foi tão grande que resolveram promover um show itinerante pelas
principais cidades da Espanha, além de apresentações em Paris, Lisboa e Londres,
onde Joaquín chegou a ser visto na corte da Rainha Vitoria. O filme retrata
toda essa verdadeira epopeia, focando, principalmente, na relação entre os
irmãos. Impossível não se emocionar com o sofrimento físico e mental de Miguel
Joaquín. O ator que o interpreta tem na vida real "apenas" 1m87 de altura,
aumentados com um efeito especial imperceptível e por enquadramentos
que o transformaram em gigante nas filmagens. Méritos para a dupla de
cineastas, que ainda contaram com a primorosa fotografia de Javi Agirre. Enfim,
uma história tocante e muito comovente. “Handia” foi o grande destaque na
premiação do Goya (o Oscar espanhol), recebendo nada menos do que 13 indicações,
sendo premiado em dez delas, um recorde. Merecido, aliás, pois o filme é muito
bom.
sábado, 24 de abril de 2021
“INVASÃO”
(“BREAKING IN”),
2018, Estados Unidos, disponível na Netflix, 1h28m, direção do australiano
James McTeigue, seguindo roteiro assinado por Jaime Primak Sullivan. Começa o
filme e você já toma um susto diante de uma cena de atropelamento muito bem
realizada. Um corredor de meia idade é surpreendido por um carro ao atravessar
a rua. Morreu na hora. Um corte rápido e aparece Shaun Russell (Gabrielle
Union) dirigindo seu carro por uma estrada com os dois filhos pré-adolescentes
como passageiros, Jasmine (Aijona Alexus) e Glover (Seth Carr). O destino de
Shaun é uma casa isolada no meio do mato, toda incrementada na base da
tecnologia, aquela do tipo que você usa um controle e abre janelas, portas, toca
um som e acende a luz. A tal casa pertencia ao pai de Shaum, o cara que morreu
atropelado. No fim da tarde, depois de conhecerem todos os cômodos, mãe e
filhos são surpreendidos por quatro assaltantes. Shaun fica fora da casa,
enquanto seus filhos ficam presos com os bandidos, cujo objetivo da invasão é
roubar o dinheiro que está em um cofre. Daí para a frente, até o desfecho, você
vai acompanhar, com um frio na barriga a cada cena, uma mãe desesperada e ao
mesmo tempo raivosa tentando entrar na casa e salvar as crianças. A atriz
Gabrielle Union esbanja vitalidade física para encarar os desafios das cenas de
ação, que são muitas durante o filme. O roteiro soube segurar o clima de
suspense do começo ao fim, mesmo que o cenário seja apenas uma casa perdida no mato
e poucos protagonistas. Também estão no elenco Billy Burke, Richard Cabral,
Levi Meaden e Mark Furze. “Invasão” é um bom suspense que merece ser conferido.
quinta-feira, 22 de abril de 2021
“MADAM
CHIEF MINISTER”, 2020, Índia, 2h4m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Subhash Kapoor.
Trata-se de um drama político aparentemente ficcional, mas que revela muito sobre o que
acontece nos bastidores da política indiana. Se você acha que a política
brasileira é podre, assista a esta produção de Bollywood e você acabará achando
nossos políticos uns santos. A história é ambientada em 1982 e conta a trajetória
de uma menina pobre da casta Dalit, cujos integrantes são considerados na sociedade indiana como párias,
intocáveis e impuros. Tara Roopram (Richa Chadda) cresceu na base do sofrimento
em meio à pobreza e à discriminação até chegar ao cargo de primeira-ministra de
Uttar Pradesh, o estado mais populoso da Índia (200 milhões de habitantes
segundo censo de 2010). Ainda jovem, Tara conheceu Indramani Tripathi (Akshay
Oberoi), com quem teve um caso. De uma casta superior e pretendente a um cargo
político, Tripathi terminou o romance quando ela anunciou a gravidez,
humilhando-a por pertencer à casta tão inferior. Mas não ficou só nisso. Ele
mandou seus capangas espancarem a moça com chutes na barriga para provocar
o aborto. Tara prometeu se vingar, mas não na base da violência. Ela ingressou
na política para acabar com Tripathi. Sem contar seu desejo de vingança, Tara foi
acolhida por seu tio, o mestre Surajbhan Masterji (Saurabh Shukla), líder de um
partido político até então de pouca expressão em Uttar Pradesh. Com o apoio e
os conselhos de Masterji, Tara disputou várias eleições até chegar ao cargo
máximo na hierarquia política daquele estado indiano. Em sua trajetória, porém, ela
sofrerá muitos dissabores, muitos deles colocando sua vida em constante perigo.
Corajosa, ela enfrentou os desafios sem jamais ceder nos seus ideais. Além de bonita
e talentosa, a atriz Richa Chadda carrega o filme nas costas, com uma atuação
primorosa. Vale a pena assistir “Madam Chief Minister”, nem que seja para ficar
por dentro da podridão da política indiana. O diretor Subhash Kapoor tem muito
autoridade sobre o assunto, já que por muitos anos trabalhou como jornalista
político.
quarta-feira, 21 de abril de 2021
“INVISÍVEL” (“INVISIBLE”), 2017, Argentina, 1h27m, roteiro e direção de Pablo Giorgelli (do aclamado “Las Acacias”). O filme acompanha a rotina diária da jovem Ely (Mora Arenillas), de 17 anos. Ela mora com a mãe Susana (Mara Bestilli) em um conjunto habitacional do Bairro Boca, em Buenos Aires, cursa o último ano do ensino médio e é funcionária de um pet shop. Além de cuidar da mãe, que se encontra em depressão e não sai de casa, Ely tem como única diversão transar de vez em quando com Raúl (Diego Cremonesi), o filho do dono do pet shop, no banco traseiro do carro dele. Um dia, porém, ela descobre que está grávida e fica sem saber o que fazer. O certo é que não quer ter o filho. Porém, fica indecisa entre tomar algum remédio ou fazer um aborto. Uma colega do colégio aconselha o remédio, enquanto Raúl, o pai, insiste em que ela faça um aborto e até conseguiu uma clínica. A indecisão de Ely alimenta a história até o desfecho. Aviso desde já: “Invisível” não é um filme fácil de digerir. É depressivo e baixo astral ao extremo, tem um ritmo por demais vagaroso e até cansativo em alguns momentos. Há poucos diálogos, o silêncio tomando conta da maioria das sequências. É flagrante também o seu baixo orçamento, evidenciado pela produção simples, quase amadora, além de um elenco bastante reduzido. “Invisível” é apenas o quarto filme da jovem atriz Mora Arenillas (o mais recente é “La Chica Nueva”), que mostra muito talento em sua interpretação da jovem desiludida com a vida, triste e amargurada. O filme foi visto por aqui durante o 19º Festival Internacional de Cinema do Rio. Quem pretende assistir a um entretenimento leve e agradável deve passar longe deste drama argentino, disponível na plataforma Netflix.
terça-feira, 20 de abril de 2021
“VERÓNICA”, 2017, México, 1h21m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Carlos Algara e Alejandro Martinez-Beltran. Filmado em preto-e-branco, trata-se de um suspense psicológico cuja personagem principal é justamente uma psicóloga (Arcélia Ramirez). Depois de sofrer um esgotamento físico e mental, ela abandona a profissão e se enclausura numa casa de campo. Certo dia, porém, ela recebe um telefonema de uma moça que se tratava com seu antigo professor. A princípio, a psicóloga recusa o trabalho, mas acaba aceitando depois da promessa de receber um valor dez vezes maior do que costumava cobrar por uma consulta. A condição é que a nova paciente se hospede na casa para um período de terapia intensiva. Dessa forma, entra na história Verónica de La Serna (Olga Segura), uma jovem problemática e que, aos poucos, acaba revelando muitos traumas de infância, principalmente relativos à sua mãe. Durante as sessões, o que se vê é um embate psicológico entre as duas, praticamente as únicas protagonistas de toda a história. Apesar da falta de entendimento, começa entre as duas um jogo de conquista e sedução, o que acaba gerando algumas sequências eróticas. Embora o cenário seja inteiramente ambientado dentro de uma casa e o elenco esteja resumido às duas atrizes, o filme não chega a entediar. A dupla de diretores acerta no ritmo do suspense, criando a expectativa para o desfecho, o que realmente acontece com uma surpreendente reviravolta. Um prato cheio para estudantes e profissionais da psicologia.
segunda-feira, 19 de abril de 2021
“O BOM
SAM” (“GOOD SAM”),
2019, coprodução EUA/Canadá, distribuição Netflix, 1h30m, segundo longa-metragem
dirigido por Kate Melville (o primeiro foi “Picture Day”, de 2012), seguindo
roteiro de Teena Booth. Trata-se de uma adaptação do romance homônimo escrito
por Dete Meserve. Sabe aquele filme bobinho próprio para uma sessão da tarde
com pipoca? Pois é, “O Bom Sam” é isso, um misto de filme com mensagem de
solidariedade humana e comédia romântica. Kate Bradley (Tiya Silcar) é repórter
de uma rede de TV especializada em cobrir desastres, incêndios e outras
tragédias. Por isso, é chamada de “repórter abutre”. Um dia, porém, seu chefe
David (Mark Camacho) a encarrega de uma pauta bastante amena. Cobrir o caso de
um benfeitor que colocou um saco de dinheiro na porta de uma mulher. Muito a
contragosto, Kate vai atrás da matéria e fica indignada ao saber que o tal
doador permaneceu anônimo. As doações, cada uma de 150 mil dólares, prosseguiram
mais outras vezes e o caso virou um mistério que chamou a atenção do país
inteiro. O que se sabia era que as pessoas “premiadas” passavam por dificuldades
financeiras ou prestavam serviços para alguma entidade beneficente. Dessa
forma, as reportagens de Kate fizeram a audiência de sua emissora subir às alturas.
Ela virou uma celebridade televisiva, ainda mais depois de revelar a identidade
do doador. Perto do desfecho, porém, acontece uma reviravolta surpreendente.
Mais não dá para contar. De qualquer forma, “O Bom Sam” é um entretenimento
leve, agradável de assistir e não ofende a nossa inteligência, mas não
apresenta nada de especial que mereça uma indicação entusiasmada.
domingo, 18 de abril de 2021
“UN PADRE
NO TAN PADRE”
(padre em espanhol quer dizer pai), 2016, México, 1h34m, disponível na Netflix,
direção de Raúl Martinez Resendez e roteiro de Alberto Bremer. Em outros
tempos, esta comédia mexicana seria chamada de uma grande bobagem, plenamente
descartável. Mas nessa atual fase de pandemia e tristeza, pode ser encarado com um entretenimento
agradável de assistir. Na verdade, é um filme que pode ser dividido em duas
partes. Na primeira, que vai até pouco mais da metade da projeção, é uma
comédia que realmente faz rir. Na segunda parte, o enredo desanda de vez,
transformando-se num dramalhão entediante. Mas a parte da comédia, a primeira, funciona
muito bem e garante boas risadas. Vamos à história. Don Servando Villegas
(Héctor Bonilla), beirando os 90 anos, é um velho rabugento, brigão, arrogante,
homofóbico e racista. É o demônio em pessoa. Ele é o horror da casa de repouso em
que vive há anos. Ninguém gosta dele, nem os internos e muito menos os
enfermeiros. Ele é prepotente ao extremo, dá ordens como se fosse um general e
bengaladas em quem não se comportar como ele exige. Chega o dia em que a
direção do asilo resolve expulsá-lo, depois que ele agrediu dois funcionários,
um deles filho do próprio diretor. Sobrou para o filho Francisco, o “Fran”
(Benny Ibarra), que nunca se deu com o pai. Fran vive numa comunidade na base do estilo
hippie, todos vegetarianos e amantes de um bom baseado – um deles, inclusive,
planta a maconha no jardim da casa. A chegada do velho Servando tumultua a vida
da “família” hippie, gerando ótimas sequências de humor. Só que tudo vira um
drama entediante depois da segunda metade da projeção, o que acaba prejudicando
o resultado final. Para quem era viciado na série “Chaves” talvez lembre do ator Héctor Bonilha, que apareceu em alguns capítulos como o galã que chega à vila e faz o coração da
mulherada bater mais forte. Trocando em miúdos, “Un Padre no Tan Padre” é uma
divertida comédia e um drama entediante. Só a primeira parte vale a pena.
sábado, 17 de abril de 2021
“RADIOACTIVE”, 2019, Inglaterra,
1h51, direção de Marjane Satrapi, seguindo roteiro escrito por Jack Thorne. Trata-se
da cinebiografia da cientista Marie Curie, cujas descobertas, ao lado do marido
Pierre Curie, permitiram importantes avanços tecnológicos. Eles encontraram,
por exemplo, dois novos elementos químicos, o rádio e o polônio, que seriam
fundamentais para o desenvolvimento da radioatividade. O filme mostra o início
do trabalho da cientista polonesa Maria Slodowska, as dificuldades para ser
aceita no meio científico de Paris, o casamento com o também cientista Pierre
Curie e a incrível descoberta que lhes valeu dois Prêmios Nobel. O filme
destaca não apenas as virtudes da descoberta do casal Curie e sua contribuição
para a medicina, mas também o seu lado funesto, como a criação da bomba atômica
e das usinas nucleares. Para escrever o roteiro, Jack Thorne (“Enola Holmes” e “Extraordinário”)
se inspirou no romance gráfico “Radioactive: Marie & Pierre Curie: A Tale
of Love and Fallout”, de Lauren Redniss. A diretora franco-iraniana Marjane Satrapi,
que além de cineasta, atriz e escritora, também trabalha como ilustradora e
romancista gráfica, não teve dificuldade em dirigir a adaptação para o cinema.
Ela realizou um excelente trabalho de cenografia, criando com bastante realismo
a Paris como era no final do século 19 e começo do século 20, embora as
filmagens tenham ocorrido em Budapeste (Hungria). O elenco é mais um trunfo:
Rosamund Pike como Marie Curie, Sam Riley como Pierre Curie, Anya Taylof-Joy (da
série “Gambito da Rainha”) como Irène, a filha mais velha dos Curie, e Aneurin
Barnard como Paul Langevin, assistente e mais tarde amante de Marie. “Radioactive” estreou
como atração principal de gala na noite de encerramento do Festival Internacional de
Cinema de Toronto/2019 e está disponível na plataforma Netflix. Imperdível!
quinta-feira, 15 de abril de 2021
“A
FORÇA DA NATUREZA” (“FORCE OF NATURE”), 2020, Estados Unidos, 1h31m, produção original
Netflix, direção de Michael Polisch, seguindo roteiro assinado por Cory Miller.
Trata-se de um filme de ação cuja história começa com o detetive Cardillo
(Emile Hirsch) em meio a uma missão em Nova Iorque. Ele faz uma besteira e mata
quem não devia. Dessa forma, como punição, ele é enviado para
trabalhar como policial de rua em San Juan, capital do estado americano de
Porto Rico, e sua parceira será a novata Jess Peña (Stephanie Cayo). Em seu
primeiro dia de trabalho, a dupla recebe a incumbência de retirar os moradores que
se recusam a abandonar um prédio que corria risco por causa da chegada de um furacão. Trata-se
de um imóvel simples, de apenas quatro andares. Aqui começa a série de absurdos
do deplorável roteiro. Um dos moradores é um negro que cria uma fera – ninguém
saberá, até o final, se é um um tigre, um leão ou um leopardo – treinada para matar
policiais. Em outro apartamento reside o policial aposentado Ray Barrett (Mel
Gibson), que está muito doente. No apartamento, cuidando dele, está sua filha,
a médica Troy (Kate Bosworth). Outro morador é um senhor chamado Bergkamp
(Jorge Luiz Ramos), cujo pai militou no exército nazista durante a Segunda
Grande Guerra. Enfim, um balaio de gatos. Não bastasse a chuva torrencial que
acompanha o furacão, chega ao prédio uma gangue de assaltantes comandada por um
chefão violento (David Zayas). Os bandidos têm a informação de que um dos
moradores do prédio possui uma valiosa coleção de quadros famosos. A confusão
está formada. Além de terem que lidar com os moradores teimosos, a dupla de
policiais é obrigada a enfrentar os bandidos, que estão fortemente armados. Os
furos do roteiro são tão ridículos que nem vale a pena mencionar. É assistir
para perceber. As situações são previsíveis demais, constrangedoras. E os
diálogos, então, uma ofensa aos neurônios. Não sei porque Mel Gibson topou
participar desse desastre – e não estou falando do furacão. Deve estar
precisando de grana. Além da esposa Kate Bosworth, também trabalha no filme, num
pequeno papel, a filha do diretor, Jasper Polish, todos cúmplices desse
abacaxi. Resumo da ópera: “A Força da Natureza” é um verdadeiro atentado à
nossa inteligência e, desde já, deve ser colocado na lista dos piores da Netflix.
“O
FASCÍNIO” (“IL LEGAME”), 2020, Itália, 1h33, produção original Netflix (estreou dia
2 de outubro de 2020), direção de Domenico Emanuele de Feudis, que também
assina o roteiro com a colaboração de Daniele Cosci e David Orsini. Trata-se de
um filme de terror sobrenatural que explora possessão, bruxaria e feitiçaria. A
história começa com uma jovem sendo submetida a um ritual aparentemente de
exorcismo. De início, não há qualquer explicação sobre o motivo, só no desfecho. Alguns anos depois, Francesco
(Ricardo Scamarcio) aparece levando sua namorada Emma (Mía
Maestro) e a filha dela, Sofia (Giulia Patrignani), para a casa onde vive sua
mãe Teresa (Martella Lo Sardo), numa região rural do sul da Itália. A intenção
é apresentar Emma como sua futura esposa. Mas tem alguém que não vai gostar da
novidade. E esse alguém é uma entidade sobrenatural, que vem não só assombrar a
casa, mas também entrar no corpo da pequena Sofia. Haja mandinga para afastar a
peste. Com a ajuda de Sabrina (Rafaella D’Avella), sua velha empregada, Teresa
inicia uma série de rituais baseados em superstições locais. “O Fascínio” – na Itália
a palavra também é entendida como “olho gordo” – é repleto de clichês utilizados
em muitos filmes de terror, além de fazer referências a alguns clássicos do
gênero, como “O Exorcista” (a mesma cara assustadora da possuída Linda Blair), “O Bebê de Rosemary”
(o carrinho de bebê) e “Bruxa de Blair” (as cenas noturnas). O que me
decepcionou foi o trabalho do astro italiano Ricardo Scamarcio, que atua no
piloto automático e sem qualquer demonstração de que está se esforçando no papel, ao
contrário de tantos outros filmes que vi com ele. Para compensar, a atriz argentina Mía Maestro dá conta do recado e praticamente domina o filme. Para quem é fã do gênero e gosta
de tomar uns sustos, “O Fascínio” não decepciona.
segunda-feira, 12 de abril de 2021
“NOITE
NO PARAÍSO” (“NAK WON EUÍ BAM”), 2020, Coréia do Sul, 2h11m, roteiro e direção
de Park Hoon-Jung. Não é de hoje que o cinema sul-coreano tem se destacado no
cenário internacional, atingindo seu auge com as premiações de “Parasita”, como
o Oscar de Melhor Filme em 2020 e a Palma de Ouro em Cannes (2019), entre
tantas outras pelo mundo afora. Há muito tempo que venho admirando os filmes
sul-coreanos, principalmente os de ação. Por isso, não foi nenhuma surpresa ter
gostado tanto de “Noite do Paraíso”, recém-chegado à plataforma Netflix. É uma
história de gângsters, de honra e vingança. O personagem principal é Park
Tae-Goo (Tae-Goo Um), integrante da gangue chefiada por Yang (Park Ho-San), concorrente
no crime com a mais poderosa família mafiosa de Seul. As duas gangues viviam um
período de trégua, mas não por muito tempo. Depois que sua irmã e sua sobrinha
são mortos em um atentado, Park vai atrás do responsável, justamente o chefão
da gangue rival. Depois disso, ele se esconde numa fazenda na remota ilha de
Jeju, situada entre a Coreia do Sul, China e Japão. É lá que ele conhece Jae-Yeon
(Jeon Yeo-Been), uma jovem problemática que sofre de uma doença terminal e que
será a companheira do gângster fugitivo até o final do filme. “Noite no Paraíso”
é um filme de muita ação e violência explícita, mas tem seus momentos de
calmaria em cenas que poderiam ser descartadas para não alongar tanto a
duração. De qualquer forma, é mais um filme de ação sul-coreano de muita
qualidade. O filme estreou na programação oficial da 77ª edição do Festival de
Cinema de Veneza, recebendo muitos elogios da crítica especializada e do
público. Na avaliação do rigoroso site Rotten Tomatoes, o filme recebeu 71% de aprovação,
índice muito difícil de se atingir. Resumo da ópera: "Noite no Paraíso" é um filme eletrizante. Vale a pena!
“ARRANHA-CÉU:
CORAGEM SEM LIMITE” (“SKYSCRAPER”), 2018, Estados Unidos, 1h49m, disponível na plataforma
Netflix, roteiro e direção de Rawson Marshal Thurber. Podem falar à vontade que
se trata de um filme de ação repleto de clichês e uma história fraca e fantasiosa.
Podem até criticá-lo por isso, mas o filme é um entretenimento de primeira, com
muitas sequências de ação recheadas de ótimos efeitos
especiais. Eu, que sofro de acrofobia (medo de altura), passei grande parte do
filme com arrepios de vertigem. Bem, mas vamos à história. Will Sawyer (o
brucutu Dwayne Johnson) é um ex-fuzileiro naval e ex-líder de um grupo de resgate
do FBI que numa missão contra terroristas perdeu uma perna numa explosão. Passou
então a trabalhar como consultor de segurança especializado em arranha-céus.
Anos depois, ao se destacar nesse trabalho, ele é contratado pelo magnata
chinês Zhao Long Ji (Chin Han) para criar e coordenar o sistema de segurança de
um arranha-céu de mais de 200 andares em Hong Kong. Prestes a ser inaugurado, o
prédio é invadido por terroristas, que colocam fogo em um dos andares, sendo
que pouco acima moram a mulher e os filhos de Sawyer, que no momento da invasão
estava fora do prédio. A partir daí, ele vai tentar de todas as maneiras ingressar
no arranha-céu para salvar a família. Um detalhe: a polícia de Hong Kong acha
que ele é o culpado pelo incêndio e cerca o prédio para prendê-lo. Dessa
forma, a única maneira que Sawyer encontra para ter acesso ao arranha-céu é
utilizar um guindaste gigante. Tudo isso com a polícia em seu encalço, além dos
terroristas que terá de enfrentar. Ele terá que dar uma de super-herói, com
perna mecânica e tudo mais. Desde o início, o filme não economiza na ação e até
o desfecho o ritmo é alucinante, de tirar o fôlego. Completam o elenco Neve
Campbell, Roland Moher, Hannah Quinlivan e Noah Taylor. Embarque nessa aventura
sem medo de ser feliz.
sábado, 10 de abril de 2021
“ESTRANHOS
EM CASA” (“FURIE”),
2019, coprodução França/Bélgica, 1h38m, disponível na plataforma Netflix,
direção de Olivier Abbou, que também assina o roteiro com a colaboração de
Aurélien Molas. É bom avisar logo de cara que o filme pode desagradar aos mais sensíveis,
pois é muito violento e perturbador. Não que seja ruim, pelo contrário, mas passa longe de um entretenimento leve e agradável. A história é
baseada em fatos reais, o que já é um ponto positivo. O professor de História
Paul Diallo (Adama Niane) leva sua mulher Chloé (Stéphanie Caillard) e seu
filho para uma viagem de dois meses pela Europa de trailer, deixando a casa aos
cuidados de Sabrina (Marie Bourin), a babá do seu filho. Quando retornam, eis que se
defrontam com uma surpresa inusitada e desagradável: a babá e o marido, que
tinham uma procuração para qualquer emergência, modificam em cartório o título
de propriedade da casa e se transformam nos proprietários. Revoltados, Paul e
Chloé entram na casa para tirar satisfação com os pilantras, mas a polícia logo
chega e os detêm por invasão de domicílio. Eles resolvem então alugar uma vaga
num estacionamento e ficam morando no trailer. De índole pacífica, contrário a
qualquer tipo de violência, eles contratam uma advogada para ingressar com uma
ação na justiça para recuperar a casa. Não dá certo. Nesse ponto, o roteiro faz
questão de fazer uma crítica contundente não só ao sistema judiciário francês, como
também à infernal burocracia dos cartórios. Ao mesmo tempo, Paul faz amizade
com Mickey (Paul Hamy), o dono do estacionamento e, por coincidência, antigo
namorado de Chloé. Até pouco mais da metade, o filme transcorre num clima de
suspense psicológico, sugerindo que algo de muito ruim está para acontecer. A
partir dos trinta minutos finais, o que se vê é uma sequência de cenas de
extrema violência, incluindo torturas sádicas e muito sangue jorrando. “Estranhos
em Casa”, portanto, pode ser qualificado como um dos filmes mais violentos dos
últimos anos. E se você pensar ainda que tudo aconteceu de verdade, a sensação,
ao assistir, não é das melhores. Haja estômago!
quinta-feira, 8 de abril de 2021
“PARMANU:
A HISTÓRIA DE POKHRAN” (“PARMANU: THE STORY OF POKHRAN”), 2018, Índia, 2h09m, disponível
na plataforma Netflix, roteiro e direção de Abhishek Sharma. Drama histórico
baseado em fatos reais, ou seja, os testes nucleares realizados pela Índia nos dias
11 e 13 de maio de 1998, durante os quais cinco bombas foram detonadas (uma de
fusão e as outras 4 de fissão). O filme apresenta o contexto histórico e político
pós-Guerra Fria, com a Índia isolada no cenário internacional, enquanto seu
rival, o Paquistão, desenvolvia seu programa nuclear. Dessa forma, o governo
indiano achou por bem realizar uma demonstração de força, o que originou a
Operação Shakti, cujo principal objetivo era colocar a Índia na posição de um
estado nuclear de pleno direito e, com isso, ser respeitada no cenário internacional. O filme relata os bastidores desse trabalho, começando pela formação de uma
equipe de especialistas chefiada pelo engenheiro nuclear Ashwat Raina (John Abraham).
Para não despertar possíveis reações internacionais contrárias ao projeto, tudo
foi realizado secretamente. O local escolhido foi o campo de testes de Pokhran, no deserto do Thar, estado indiano do Rajastão. Para evitar que toda a operação fosse detectada por um satélite espião dos
Estados Unidos, os especialistas trabalhavam utilizando as brechas as quais chamaram
de pontos cegos, ou seja, aqueles momentos em que o satélite não tinha a visão
do território indiano. Além disso, havia um agente da CIA (Mark Bennington) em
território indiano tentando descobrir o local dos testes e quando seriam
realizados. O filme consegue, com muita competência, mostrar a aflição dos especialistas
indianos diante dos desafios de colocar em prática o projeto correndo contra o tempo, o que acabou gerando ótimas sequências de suspense no filme. Claro que há um exagero evidente em exaltar o
patriotismo dos indianos pelo sucesso da execução dos testes. Só faltou incluir na trilha
sonora o “Jana Gana Mana”, hino oficial da Índia. Não faltaram, porém, aquelas
cantorias patrióticas irritantes exaltando o país de Gandhi. Nada disso, porém, tira os
méritos de “Parmanu”, um excelente drama histórico que merece ser conferido.
quarta-feira, 7 de abril de 2021
“FUJA” (“RUN”),
2020, Estados Unidos, 1h39m, produção original Netflix, direção de Aneesh
Chaganty, que também assina o roteiro com a colaboração de Sev Chanian. É um
suspense de primeira, angustiante do começo ao fim. Começa no hospital, quando
Diane Sherman (Sarah Paulson) acaba de dar à luz um bebê prematuro que
dificilmente sobreviverá. O filme dá um salto de 17 anos. Aquele bebê é agora
uma jovem chamada Chloe Sherman (Kiera Allen), que vive enclausurada em casa
numa cadeira de rodas, recebendo todos os cuidados de Diane. Afinal, além da paralisia
da cintura para baixo, Chloe tem asma, arritmia, hemocromatose e diabetes. Diante
desse quadro infeliz, Diane se dedica integralmente à filha problemática, inclusive
educando-a em casa, já que proibiu que ela fosse para a escola. Um dia, porém,
a jovem fica desconfiada de um novo remédio que é obrigada a tomar e pergunta à
mãe para que serve. Diane dá uma resposta evasiva que faz Chloe acender uma
luzinha de alerta. Isso tudo acontece em poucos minutos de filme. Dali para a
frente, a menina passa a investigar o que está realmente acontecendo e, sem
querer, acha uns documentos muito reveladores sobre a mãe. O filme se transforma
num jogo sinistro, um verdadeiro embate físico e psicológico entre mãe e filha,
com sequências de tirar o fôlego. E olha que o filme quase inteiro é ambientado
num único cenário, ou seja, a casa em que vivem, além de algumas outras cenas
em um hospital. E com apenas dois personagens, a mãe e a filha, e mesmo assim o
ritmo do suspense é alucinante. Méritos ao diretor de origem indiana Annesh
Chaganty. Este é o seu segundo longa-metragem. O primeiro foi um outro suspense,
“Buscando...” (“Searching”), de 2018, muito elogiado pelo público e pela
crítica. É bom guardar o nome desse jovem diretor, de apenas 30 anos, que já
demonstra talento para se tornar um cineasta de destaque no mundo cinematográfico.
Também é preciso destacar o desempenho fantástico das duas atrizes principais,
especialmente a estreante Kiera Allen, que na vida real também é cadeirante.
Enfim, “Fuja” é um ótimo suspense, repleto de tensão, sufocante, espetacular.
Não perca!
terça-feira, 6 de abril de 2021
“ATÉ O
CÉU” (“HASTA EL CIELO”), 2020, Espanha, 2h01m, disponível na Netflix, direção de
Daniel Calparsoro, seguindo roteiro de Jorge Guerricaechevarría, dois craques no
gênero filmes de ação. “Até o Céu” conta a história do jovem Angel (Miguel
Herrán, de “La Casa de Papel”), que trabalha como mecânico numa oficina
automotiva. Ele mora com o avô em um cortiço na periferia de Madrid. Ele é apaixonado
por Estrella (Carolina Yuste), cabeleireira num salão de beleza, só que ela
prefere sair com Lico (Richard Holmes), que tem um carrão de dar inveja. Para
ganhar mais dinheiro e, quem sabe, conquistar Estrella, Angel ingressa no mundo
do crime ao lado de alguns amigos, começando por assaltar joalherias e roubar
carros. Seu receptador é um poderoso empresário, Rogelio (Luís Tosar). A gangue
de Angel passa a cometer assaltos mais audaciosos e logo se transforma no alvo
da polícia de Madrid, especialmente do detetive Duque (Fernando Caio), para
quem prender Angel torna-se uma questão de honra. O jovem marginal cai nas
graças do chefe Rogelio e acaba casando com sua filha Sole (Asia Ortega). Outro
personagem de destaque é a advogada Mercedes (Patrícia Vico, esposa do diretor
na vida real), que utiliza de estratégias nada honestas para livrar Angel e
seus comparsas da cadeia. Muita ação transcorre durante a história, num ritmo
quase alucinante, prendendo a atenção do espectador do começo até o fim. Aliás,
o desfecho deu a entender que haveria uma continuação. Acertei em cheio, pois “Até
o Céu” está virando série, atualmente em fase de pré-produção. Deve fazer
sucesso como o filme, que bateu recordes de bilheteria na primeira semana
depois que foi lançado nos cinemas da Espanha dia 18 de dezembro de 2020. Trocando
em miúdos: um filmaço!
segunda-feira, 5 de abril de 2021
“OS SEGREDOS DE MADAME CLAUDE” (“MADAME CLAUDE”), 2020, França, 1h52, produção original Netflix, roteiro e direção de Sylvie Verheyde. Trata-se do drama biográfico de Madame Claude (seu nome verdadeiro era Fernande Grudet), proprietária de um bordel de luxo que ficou famoso em Paris nas décadas de 60 e 70. Também conhecida como a “Imperatriz do Sexo” e a “Cafetina da República”, Madame Claudel ganhou prestígio por receber, como clientes habituais, políticos, empresários e celebridades do mundo artístico. Marlon Brando era um deles. Sua agenda de clientes parecia a lista de convidados de um casamento real. Paralelamente ao bordel, a cafetina comandava uma rede de prostituição que chegou a ter um contingente de 200 garotas, todas do mais alto nível. Esse trabalho lhe rendeu uma invejável conexão com importantes figuras do governo francês, o que lhe permitia agir com toda liberdade. O filme destaca a relação de Madame Claudel (Karole Rocher) com suas “meninas”, especialmente com sua preferida, Sidonie (Garance Marillier), a quem tratava como se fosse sua filha. O roteiro é bem elaborado, evidenciando a ascensão e queda da cafetina, que morreria em 2015 com 92 anos. O destaque, porém, fica por conta da ambientação de época, os cenários, a trilha sonora e, principalmente, os figurinos. Embora Karole Rocher seja a principal protagonista, é a atriz Garance Marillier quem comanda o espetáculo, arrasando como a prostituta preferida de Madame Claudel. Também estão no elenco Roschdy Zem, Pierre Deladonchamps, Paul Hamy, Hafsia Herzi, Mylène Jampanoï, Liah O’Prey, Josephine de La Baume, Benjamin Biolay, Annabelle Belmondo, Lucile Jaillant, Mathilde Moigno e Lea Rostain. “Madame Claude” não é um grande filme, mas vale pela história. Recomendo.
domingo, 4 de abril de 2021
“TURMA
DE 83” (“CLASS OF 83”), 2020, Índia, 1h38m, produção original Netflix (estreou
mundialmente no dia 21 de agosto de 2020), direção de Atul Sabharwal, seguindo
roteiro de Abhijeet Shirish Deshpande. A história é baseada em fatos reais
ocorridos na década de 80 do século passado e descritos no livro “The Class of
83: The Punishers of Mumbai Police”, do jornalista S. Hussain Zaidi. Durante muitos
anos, Zaidi ficou conhecido por suas reportagens no jornal “Asian Age”, nas
quais acompanhava o trabalho da polícia de Mumbai (antiga Bombaim) contra as
gangues que mandavam e agiam na periferia da cidade, roubando, matando e traficando.
“Turma de 83” tem como foco principal o comandante Vijay Singh (Bobby Deol), um
policial herói rebaixado para o cargo de diretor da academia de polícia de Mumbai.
Tudo porque ele prendeu gente ligada ao governo e à própria polícia. No cargo
de diretor da academia, ele treinou um batalhão inteiro e, no final do
treinamento, escolheu, de forma secreta, cinco dos seus piores alunos para
formar um tipo de esquadrão da morte, cuja missão, confidencial, era executar
os principais bandidos das facções criminosas de Mumbai, assim como acabar com
a corrupção dentro da própria polícia. Tolerância zero! Oficialmente, os assassinatos eram sempre atribuídos a
uma suposta guerra de gangues por disputa de territórios. E assim a matança acabaria acontecendo durante durante anos, tornando-se notícia de primeira página em todos os
jornais da Índia. “Turma de 83” chega a lembrar o nosso “Tropa de Elite”,
durante o qual a gente vibrava na plateia vendo os bandidos sendo executados.
Mais uma grande vantagem desse filme indiano é a ausência daquelas irritantes
cantorias e coreografias que se tornaram marca registrada de Bollywood. Além
disso, imagens da época em que tudo aconteceu também são utilizadas. Resumo da
ópera: “Turma de 83” é ótimo!