sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

 

“MÃE E MUITO MAIS” (“OTHERHOOD”), 2019, Estados Unidos, 1h40m, direção de Cindy Chupack, que também assina o roteiro com a colaboração de Mark Andrus. É uma adaptação do romance “Whatever Makes You Happy”, do escritor inglês William Sutcliffe. O pano de fundo é a tal “síndrome do ninho vazio”, quando os filhos saem de casa para morar em outro lugar. Carol Walker (Angela Basset), Gillian Lieberman (Patricia Arquette) e Helen Halston (Felicity Huffman) são amigas há muito tempo, desde que seus filhos estavam no jardim da infância. Elas agora estão na meia idade e os filhos adultos moram em Nova Iorque, cada um com seu ramo de atividade. Chega o Dia das Mães e elas resolvem se reunir para um chá da tarde, na verdade regado a uísque e vodka. Embaladas com a bebida, elas se confessam solitárias e com saudades dos filhos e, de uma hora para outra, resolvem visitar os filhos de surpresa e saem estrada afora. Gillian encontrará o filho Daniel (Jake Hoffman) na maior fossa, pois foi traído pela namorada que ia pedir em casamento. Carol, por sua vez, tentará se entender com Matt (Sinqua Walls), diretor de arte de uma revista masculina, e resolver algumas arestas do passado. E Helen será surpreendida com a opção sexual do filho Paul (Jake Lacy), que mora com o namorado e outro casal de gays. As situações são desenvolvidas na base do humor, destacando-se as ótimas atuações das três atrizes, que parecem estar se divertindo de verdade. Angela Basset e Felicity Huffman ainda estão bonitas e em grande forma. Quem destoa um pouco é Patrícia Arquette, que é baixinha e gordinha. “Mãe e Muito Mais” é uma comédia indicada para todas as idades, talvez mais para as mulheres de meia-idade, lembrando que a diretora Cindy Chupack ganhou prestígio ao assinar o roteiro da série “Sex and The City”, grande sucesso de 1999 até 2004. “Mãe e Muito Mais” é o seu primeiro filme como diretora. Diversão garantida.                   

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

 

“A MALA E OS ERRANTES” (“TRAMPS”), 2017, Estados Unidos, 1h23m, roteiro e direção de Adam Leon. Trata-se de um filme independente que eu descobri lá escondidinho desde abril de 2017 no catálogo Netflix. Sua estreia ocorreu na Seção “Contemporary World Cinema” do Toronto International Film Festival, arrancando elogios de crítica e público. Realmente, trata-se de um filme muito interessante, bem-humorado e movimentado. Danny (o ator inglês Callum Turner), um jovem pretendente a chef de cozinha, recebe um pedido do irmão Darren (Michal Vonden), que acaba de ser detido pela polícia e está impedido de realizar a missão que acaba de passar para Danny, ou seja, pegar uma maleta com uma mulher numa estação de trem e depois a entregar em um local determinado. A dica é que a mulher está sentada num banco e utiliza, como código de identificação, uma bolsa verde. Também faz parte da missão a jovem Ellie (Grace Van Patten), encarregada de dirigir o carro que levará Danny ao receptor da tal maleta, cujo conteúdo ainda é um mistério, sendo revelado somente perto do desfecho. Só que Danny se confunde e deixa a maleta com outra mulher, que também usava bolsa verde. Daí para a frente, Danny e Ellie terão de correr atrás do prejuízo, pois, caso contrário, não receberão o dinheiro prometido – uma grana que os dois estão precisando com urgência. Até chegar à moça que está com a maleta, muita confusão vai acontecer, numa sequência de fatos que mantêm a atenção do espectador até o final. Ainda estão no elenco Mike Birbiglia, Louis Canselmi e Margaret Colin. Resumo da ópera: “A Mala e os Errantes” tem tudo para agradar até mesmo àqueles cinéfilos mais exigentes, constituindo-se num ótimo entretenimento.                                        

 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

 

“GENTE QUE VAI E VOLTA” (“GENTE QUE VIENE Y BAH”), 2019, produção original Netflix, Espanha, 1h37m, primeiro longa-metragem da cineasta Patricia Font (mais conhecida como diretora de séries televisivas), seguindo roteiro assinado por Dario Madrona e Carlos Monteiro Castiñera, que adaptaram a história do romance homônimo escrito por Laura Norton. Trata-se de uma comédia romântica muito interessante, leve e divertida. A personagem principal é Bea (Clara Lago), uma conceituada arquiteta que trabalha numa grande firma. Ela vive um romance caliente com Víctor (Fernando Guallar), outro arquiteto da firma, que lhe pede em casamento. Tudo vai bem até ele se envolver com uma famosa jornalista televisiva, Rebecca Ramos (Marta Belmonte). Além de acabar com o namoro, Bea perde o emprego e resolve passar uns dias em sua cidade natal, Santa Clara, no interior da Espanha, e ficar um tempo com sua família. Aliás, uma família bem esquisita. Ángela (Carmen Maura), a mãe, é uma médica que realiza as consultas em casa e não cobra nada. Entre os irmãos de Bea estão o homossexual León (Carlos Cuevas), que namora um policial, e Débora (Paula Malia), que esconde um segredo hilariante a respeito de seu filho recém-nascido. A única aparentemente normal é Irene (Alexandra Jiménez), prefeita da cidade, cujo filho adolescente é metido a filósofo. Durante essa temporada em família, Bea conhece Diego (Álex García Fernández), um empresário viúvo pelo qual se apaixona. Se as situações familiares já eram complicadas, ainda surge de volta ao cenário Víctor, o antigo namorado de Bea, prometendo amor eterno. Nesse contexto, a comédia romântica caminha para um desfecho previsível, mas uma reviravolta acontece mudando o rumo da história. Enfim, “Gente que Vai e Volta” é uma crônica familiar muito agradável de assistir, com romance e várias situações divertidas. Entretenimento de primeira!                  

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

 

“O CASAMENTO DE ALI” (“ALI’S WEDDING”), 2017, Austrália, 1h50m, direção de Jeffrey Walker e roteiro de Osamah Sami. A história é baseada em fatos reais, ou seja, a experiência vivida pelo iraquiano Osamah Sami, que, além de assinar o roteiro, também atua como seu próprio personagem, no filme chamado de Ali Albasri. Nascido no Iraque, Sami cresceu durante a guerra de seu país com o Irã. Viu tragédias como a deu seu irmão mais velho, morto depois de pisar numa mina. Depois disso, a família mudou-se para Melbourne, na Austrália. O clérigo Mahdi (Don Hany), pai de Ali, clérigo iraquiano, logo assumiu a posição de líder de uma ummah local – comunidade destinada a preservar a tradição do Islã. A esperança da família é que Sami ingresse na faculdade de medicina. Ele não consegue, mas mente que conseguiu. A partir dessa mentira, Sami viverá momentos tortuosos, como se apaixonar por uma libanesa – pelo que o filme dá a entender, os iraquianos não gostam dos libaneses -, fugir de um casamento arranjado e ainda ter sua mentira sobre a faculdade descoberta, o que quase desgraçou sua família perante a comunidade iraquiana. Todos esses e outros fatos foram relatados no livro “Good Muslim Boy”, que Osamah Sami escreveu em 2016 e que serviu como base para o roteiro. “O Casamento de Ali" tem muitos momentos de humor, destacando-se as sequências em que um grupo de teatro apresenta uma peça musical (“Trial of Saddam”) satirizando o ex-ditador Sadam Hussein. O filme foi premiado em vários festivais de cinema pelo mundo afora, conquistando a simpatia da crítica e do público, principalmente pelo seu pano de fundo, que é o olhar sobre a cultura árabe. Como afirma um dos personagens iraquianos durante um diálogo, “Nossa cultura tem muito mais complexidade e esferas do que vocês, ocidentais, pensam”. Enfim, um filme hilário e ao mesmo tempo comovente e esclarecedor. Imperdível!              

 

sábado, 2 de janeiro de 2021

 

Drew Barrymore em dose dupla. Esta é a atração principal da comédia romântica “DUAS POR UMA” (“THE STAND IN”), 2020, Estados Unidos, 1h41m, disponível na Netflix desde o dia 16 de dezembro de 2020, direção da cineasta Jamie Babbit, seguindo roteiro de Sam Bain. Barrymore interpreta, com muita competência, dois papéis: a da atriz Candy Black e de sua dublê Paula. Candy adquiriu fama em Hollywood em comédias do tipo pastelão, ganhou muito dinheiro e virou uma celebridade no mundo do cinema. Agora, porém, vive uma fase decadente, não é mais requisitada como antes e, para piorar, passou a usar drogas pesadas. Depois de ter um surto histérico quando filmava uma cena de seu último filme, Candy acabou no ostracismo, tornou-se reclusa e depressiva em sua mansão, dedicando-se (pasmem!) à carpintaria. Voltando àquela cena do vexame, a dublê Paula aproveitou a chance e começou a substituí-la, tanto naquele como em outros filmes, além de entrevistas e eventos. Virou celebridade no lugar da verdadeira atriz. E por aí segue a história. Paula toma gosto pelos holofotes e assume de vez a identidade de Candy, chegando a roubar seu namorado. Apesar do rótulo “comédia romântica”, são poucas as sequências de humor e de romance. Realmente, só vale a pena pelo desempenho de Barrymore, embora o elenco tenha bons atores, como Lena Dunham, Michel Zegen, Holland Taylor, T.J. Miller e Ellie Kemper. Para fechar o comentário, tentei somar os pontos positivos do filme. Fiquei só em Barrymore. Resumo da ópera: “Duas por Uma” apresenta uma boa ideia, mas muito mal aproveitada. Assista apenas se não tiver outra opção.        

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

 

“NADA A ESCONDER” (“LE JEU”), 2018, França, 1h30, roteiro e direção de Fred Canayé. Trata-se de uma comédia que faz rir das situações, mas que também tem seus momentos de puro drama. O filme parte da ideia inicial do cineasta italiano Paolo Genovese, que em 2016 escreveu e dirigiu “Perfectos Desconocidos” (“Perfeitos Estranhos). Além desta versão francesa, já aconteceram outras três: do cinema espanhol, do sul-coreano e do turco. O ponto de partida da história é o mesmo, ou seja, três casais e um solteirão, todos de meia idade e amigos de longa data, se reúnem para um jantar. Papo, vai, papo vem, chega-se ao tema principal: quem ama não tem nada a esconder. Diante desse contexto, a anfitriã da festa sugere um jogo bastante interessante, mas que pode se tornar perigoso. Cada um deve colocar o seu celular no centro da mesa, todos desbloqueados e no viva-voz. A gente percebe que alguns não gostam da sugestão, mas, para não levantar suspeitas, concordam em participar. Depois de algumas ligações ouvidas por todos, o ambiente começa a ficar pesado, com troca de farpas e muita roupa suja lavada, gerando sequências bem engraçadas, outras nem tanto. Outro componente importante da história é a ocorrência de um eclipse lunar bastante raro naquela noite. Será que ele pode interferir no comportamento das pessoas, especialmente aquelas que estão participando desse jantar? Eu só vi a versão francesa, alvo deste comentário, mas duvido que as outras sejam melhores. A começar pelo elenco, constituído por excelentes atores como Suzanne Clément, Bérénice Bejo, Doria Tillier, Vincent Elmaz, Stéphane de Groodt, Roschdy Zem, Gregory Gadebois e Fleur Fitoussi, astros consagrados do cinema francês. “Nada a Esconder” é um filme muito interessante, ideal para o público adulto. Entretenimento garantido.        

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

 

“EM TODA PARTE” (“ILS SONT PARTOUT”), 2016, França, 1h51m, disponível na Netflix, direção e roteiro de Yvan Attal, ator e cineasta franco-israelense nascido em Telaviv (Israel). Trata-se de uma comédia inteligente, irreverente e cáustica, explorando – no estilo Woody Allen – as mazelas do povo judeu. São várias histórias curtas, começando com Yvan Attal no papel dele próprio em consulta com um terapeuta. Ele se sente perseguido pelo fato de ser judeu. As outras histórias envolvem um político de extrema-direita e antissemita que, às vésperas de uma eleição, descobre que é judeu. Outra história, a mais engraçada, é a de um agente do Mossad (serviço secreto de Israel) encarregado de uma missão muito especial: voltar no tempo e assassinar o bebê Jesus. Tem também a história de um judeu fracassado que é rejeitado pela própria família por ser pobre. Outro episódio hilariante é o de um antissemita cuidador de idosos que se sente discriminado por ser ruivo, desencadeando uma série de protestos de minorias por toda Paris. E ainda tem uma reunião hilária do presidente francês e seus ministros, que decidem converter a população francesa para o judaísmo, pois assim teriam mais chance de sucesso e de ganhar dinheiro. Enfim, situações muito engraçadas, humor fino, diálogos inteligentes e um elenco de primeira. Veja: Yvan Attal, Gilles Lellouche, Dany Boon, Benoit Poelvoorde, Valérie Conneton, Charlotte Gainsbourg (esposa do diretor na vida real), François Damiens, Denis Podelydès e Catherine Frot. Imperdível!      

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

 



“A PEQUENA SUÍÇA” (“LA PEQUEÑA SUÍZA”), 2019, Espanha, 1h26m, disponível na Netflix, direção de Kepa Sojo, que também assina o roteiro com Sonia Pacios, Daniel Monedero, Jelen Morales e Alberto Lopez. Trata-se de um besteirol daqueles, mas muito divertido. Uma comédia totalmente despretensiosa, a não ser fazer rir o tempo inteiro. O ponto de partida é bastante original. Um vilarejo fictício chamado Tellería, localizado na região central do país basco, tenta há 700 anos, sem sucesso, ser reconhecido como basco. Uma parte da população defende que o vilarejo pertence à Espanha, enquanto outra defende que pertence a Castela. A maioria, porém, quer ser basca. O imbróglio pode ter uma solução inesperada quando dois historiadores especializados em arqueologia descobrem sem querer, sob uma igreja histórica, o túmulo do filho de Guilherme Tell, aquele herói que teria vivido num cantão da Suíça. O prefeito de Tellería, incentivado por seus principais assessores, resolve levar adiante a ideia de reivindicar, junto ao governo suíço, que o vilarejo seja reconhecido como um novo cantão da Suíça. Toda essa situação acaba numa enorme confusão, com uma série de sequências muito divertidas. Este é o segundo longa-metragem do cineasta Kepa Sojo, mais conhecido como diretor de curtas. O elenco é ótimo, destacando-se Maggie Civantos, Jon Plazaola, Ingrid García-Jonsson, Pepe Rapazote, Ramon Barea, Secun de La Rosa, Kandido Uranga e Enrique Villén. Nos créditos finais, ainda há cenas de bastidores, com erros de gravação, e atores interpretando um musical. Tudo muito alegre e sem compromisso. Ao contrário da crítica especializada, eu gostei e recomendo. Em tempos tão tenebrosos, rir é ainda o melhor remédio.    

 

domingo, 27 de dezembro de 2020

 

“O CÉU DA MEIA-NOITE” (“THE MIDNIGHT SKY”), 2020, Estados Unidos, produção original Netflix, 2h2m, direção de George Clooney, que também atua. O roteiro é assinado por Mark L. Smith, que se inspirou em “Good Morning, Midnight”, romance de estreia da escritora Lily Brooks-Dalton. Não li o livro e, portanto, não sei se a adaptação foi bem feita. O filme de Clooney (o sétimo que dirige) apresenta duas histórias que se alternam na tela quase até perto do desfecho, quando então se conectam. O ano é 2049. O cientista e astrofísico Augustine Lofthouse (Clooney) está  numa base científica na Groelândia. Segundo se presume, é o único habitante da Terra ainda vivo (será que foi a Covid que matou todo mundo?). Ele sofre de uma doença terminal que o obriga a realizar sessões de hemodiálise diárias, utilizando um aparelho portátil que ele mesmo opera. Ele só tem a companhia de uma menina chamada Iris (Caovlinn Springall), que se escondeu na estação quando todo o pessoal da base foi embora. O principal objetivo de Augustine é continuar vivo para entrar em contato com a tripulação da espaçonave “Aetherde” e avisar para que não retornem à Terra. Na espaçonave estão cinco astronautas: o comandante Adewole (David Oyelowo), Sully (Felicity Jones), Sanchez (Damían Bichir), Maya Peters (Tiffany Boom) e Mitchell (Kyle Chandler). Eles estão de volta após uma missão bem sucedida no espaço, ou seja, encontrar um planeta que seja habitável. Eles encontraram: a Lua K-23 de Júpiter (haja ficção!). O roteiro alterna cenas no Ártico com Clooney e a menina enfrentando violentas tempestades para encontrar uma base que tenha sinal para se comunicar com a espaçonave, com as sequências no espaço com os clichês de sempre: chuvas de meteoro, defeitos em equipamentos que só podem ser consertados fora da nave, muito papo saudosista sobre as famílias que ficaram na Terra etc. Com exceção de algumas boas cenas de ação e de perigo, o restante do filme chega a ser entediante, recheado de papo furado. A crítica especializada ficou dividida: uns detestaram, outros acharam bom, apenas bom. Eu achei o resultado final decepcionante, uma bola fora de Clooney.

 

sábado, 26 de dezembro de 2020

 

“MAKTUB”, 2017, Israel, 1h40m, direção de Oded Raz, seguindo roteiro de Guy Amir e Hanan Savyon. A dupla de roteiristas também atua no filme representando os personagens centrais da história. Em “Maktub” (a palavra, em árabe, quer dizer “Já estava escrito”), Steve e Chuma (Savyon e Amir) são dois pilantras que trabalham fazendo cobranças, na base da violência, para o agiota Elkaslasi (Itzik Cohen), chefão de uma organização criminosa que atua em Jerusalém. No caso dos restaurantes visitados, a dupla, além de fazer as cobranças, almoça de graça e ainda interfere na elaboração do cardápio. Quando não gostam da comida, chegam a espancar o chef responsável. Mas não se assuste. Tudo é levado no maior bom humor. Um dia, estão em um restaurante onde acontece um atentado à bomba. Eles são os únicos sobreviventes e acreditam que se salvaram por um milagre. Diante disso, resolvem deixar de trabalhar para o mafioso. Como forma de retribuição ao milagre, decidem, dali para a frente, só fazer o bem. Para começar, vão para o Muro das Lamentações e escolhem uma pessoa para ajudar. Pegam o bilhete que ela coloca no Muro fazendo um desejo e tentarão atendê-lo. Assim acontece com um marido rejeitado pela esposa, com uma mulher que quer engravidar e por aí vai. Só que o chefão mafioso exige que eles voltem a trabalhar para ele. O maior trunfo do filme é, sem dúvida, a química perfeita da dupla de comediantes Guy Amir e Hanan Savyon, que escrevem e atuam também num programa humorístico de grande audiência na TV israelense. Também estão no elenco Igal Naor, Chen Amsalem e Anastasia Fein. Talvez por causa da fama da dupla de humoristas, o filme foi campeão de bilheteria nos cinemas de Israel e depois integrado à plataforma da Netflix. “Maktub” é uma comédia bem leve e muito divertida. Entretenimento de primeira!    

 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

 

“BITCH”, 2018, Estados Unidos, 1h37m, roteiro e direção de Marianna Palka, que ainda encontrou fôlego para atuar. O filme é mais um exemplo do bom cinema independente norte-americano. Para criar a história, Marianna Palka se inspirou num caso verídico relatado pelo famoso psiquiatra inglês Ronald David Laing (1927/1989). O filme mistura comédia e terror, encaixando-se perfeitamente no gênero Terrir. Jill (papel da diretora) é uma dona de casa em tempo integral, sofrendo um estresse terrível, não só pelo trabalho de cuidar de quatro filhos, mas também por aguentar as ausências constantes do marido Bill (Jason Ritter), sempre envolvido com outras mulheres. Depois de um violento surto psicótico, Jill simplesmente passa a agir como cachorro (“Bitch” é cadela em português). Sobrou para o marido, que praticamente abandona o escritório para cuidar dos filhos. A parada é dura, então ele pede socorro para sua cunhada Beth (Jaime King). Uma psiquiatra recomenda que Jill seja imediatamente internada, mas Bill não concorda. Apesar dos imensos transtornos, prefere ele mesmo assumir os cuidados com a esposa/cadela. Vamos parar por aqui para não estragar as surpresas do desfecho. Não há dúvida de que “Bitch” é um filme bastante interessante, comprovando o talento da atriz/diretora/roteirista Marianna Palka, nascida na Escócia e radicada nos Estados Unidos, onde faz carreira no cinema independente. O filme estreou no Festival de Sundance e recebeu elogios da crítica especializada e do público.   

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

 

Já começo o comentário soltando fogos. “A VOZ SUPREMA DO BLUES” (“MA RAINEY’S BLACK BOTT”) é um dos melhores filmes do ano. E pelos inúmeros motivos que destaco ao longo do meu comentário. Trata-se de uma produção norte-americana da Netflix, lançada na plataforma no dia 18 de novembro. Quem assina a direção é George C. Wolfe, com roteiro de Ruben Santiago-Hudson. A história é inspirada na peça teatral escrita em 1984 pelo dramaturgo August Wilson. A personagem central é Ma Rainey, nome artístico de Gertrud Malissa Nix Pridgett Rainey (1886-1939), uma cantora de blues que realmente existiu e foi uma das pioneiras do gênero. O filme é ambientado em 1927 no pequeno estúdio da Paramount Records, em Chicago. Ali estão reunidos os músicos e Ma Rainey (Viola Davis) para gravar um disco. Entre os músicos está o pistonista Levee (Chadwick Boseman, em seu último papel), que gosta de improvisar e tumultuar os ensaios. Ele também entrará em choque com a cantora, que exige fidelidade aos arranjos combinados. Ou seja, sem improvisações. Além de uma saborosa trilha sonora sob a batuta do saxofonista Branford Marsalis, fundamental destacar os diálogos potentes e expressivos, nos quais estão embutidos desde a origem histórica do blues até as tristes lembranças do racismo sofrido pela cantora e pelos músicos. A força do filme está toda aqui, nesse contexto de sofrimento e discriminação dos negros nos Estados Unidos. O grande trunfo do filme, porém, está na atuação espetacular da atriz Viola Davis e no desempenho do ator Chadwick  Boseman (o Pantera Negra), em sua última e brilhante atuação antes de morrer, em agosto último. O trabalho dos dois é tão espetacular que, desde já, estão sendo citados pela crítica especializada como favoritos ao Oscar 2021. O elenco conta ainda com Taylor Paige, Colman Domingo, Glynn Turman, Jeremy Shamos e Michael Potts.  O filme é tão bom que o “Rotten Tomatoes”, o exigente site agregador de avaliações da crítica e do público, o posicionou entre os dez melhores do ano, recebendo a incrível marca de 99% de aprovação. E não é só isso. Tem mais. Ao final da projeção, o filme ainda contempla cenas dos bastidores das filmagens, além de entrevistas com o diretor e o roteirista, com a atriz Viola Davis e com o ator Denzel Washington, que não atua mas é um dos produtores. Enfim, não é exagero considerar “A Voz Suprema do Blues” uma pequena obra-prima do cinema norte-americano. Não perca de jeito nenhum!   

 

sábado, 19 de dezembro de 2020

 

ISI & ROSSI, 2020, é o primeiro filme original Netflix gravado na Alemanha. Tem duração de 1h35m, com roteiro e direção de Olivier Kiele. É uma comédia romântica diferente daquelas produzidas por Hollywood, açucaradas e cheias de “mimimi”. “Isi & Rossi” apresenta um humor ácido e picante, bem ao estilo alemão. Tem até o avô de um dos personagens que fica preso durante 16 anos e sai da cadeia especialista em cantar rap. Vamos à história. A jovem Isi (Lisa Vicari) é filha de pais milionários que moram em um castelo em Heidelberg. Ela tem como objetivo estudar culinária em Nova Iorque e se tornar chef de cozinha, já que nos estudos é um zero à esquerda. Manfred Voigt (Hans-Jochen Wagner) e Claudia Voigt (Christina Hecke), os pais de Isi, querem que ela ingresse numa faculdade. Como ela é burrinha, eles resolvem comprar uma vaga. Isi fica revoltada com a atitude dos pais e resolve afrontá-los. Primeiro, vai trabalhar na cozinha de uma lanchonete de quinta categoria. Depois, quer encontrar algum jovem pobre para namorar. É aqui que entra na história Ossi (Dennis Mojen), um rapaz chucro, grosso e mal-educado, cujo principal objetivo na vida é se tornar um lutador de boxe profissional. A família do jovem é complicada. A mãe, solteira (Lisa Hagmeister), é chegada no álcool e vive endividada. O avô (Ernst Stötzner) é um ex-detento que vira cantor de rap (são dele os melhores momentos de humor do filme). Imagine quando os aristocráticos pais de Isi conhecerem Ossi e sua família. Nesse contexto, o diretor Olivier Kiele destaca a disparidade entre as classes sociais dos dois jovens. Destaque para a química entre os atores Lisa Vicari e Dennis Mojen, um dos pontos altos da comédia. Outro que merece destaque é o ator russo Ernst Stötzner como o avô rapper. “Isi & Rossi” é uma ótima opção de diversão para esses tempos tão tenebrosos. Viva a comédia! (Com esse filme, meu blog chega à marca de 2.000 filmes comentados. Obrigado pela audiência).



                        

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

 

TEMPESTADE: PLANETA EM FÚRIA (“GEOSTORM”), 2017, Estados Unidos, 1h49m, disponível na plataforma Netflix, direção de Dean Devlin, que também assina o roteiro com a colaboração de Paul Guyot. É mais um disaster movie para lembramos que não estamos seguros e que, de repente, tudo pode acabar numa tragédia. Tudo começa com um provável defeito no sistema “Dutch Boy’, uma rede de satélites ao redor da Terra criada para controlar o clima no planeta, cuja concepção envolveu 17 países. No início da catástrofe, algumas das principais cidades do mundo são afetadas por efeitos climáticos desastrosos, como aquecimento repentino, congelamento, terremotos, maremotos e furações. Enfim, pânico geral. No começo, são atingidas importantes cidades como Cabul (Afeganistão), Hong-Kong, Madrid, Dubai e até o Rio de Janeiro. Para tentar solucionar o defeito no “Dutch Boy”, o governo norte-americano convoca o engenheiro Jake Lawson (Gerard Butler), responsável pela implementação do sistema, o que incluiu a construção de uma estação orbital internacional. Jake é enviado à estação e lá descobrirá que por trás do defeito no “Dutch Boy” há uma conspiração para matar o próprio presidente dos Estados Unidos. O roteiro incluiu algumas subtramas, como a relação conflituosa entre Jake e o seu irmão mais novo Max (Jim Sturgess), além do namoro proibido deste com Sarah (Abbie Cornish), uma agente do serviço secreto. O filme reserva muita ação do começo ao fim, com sequências de tirar o fôlego. Ainda estão no elenco Andy Garcia, como o presidente Palma – de origem latina, talvez para dar uma “cutucada” em Trump -, Ed Harris como Dekkom, assessor especial do presidente, e a atriz romena Alexandra Maria Lara, comandante da estação espacial internacional. Se há um ponto de destaque no filme são os efeitos especiais – ou espaciais. São realmente sensacionais. Além disso, não há muito o que se destacar. No entanto, devo reconhecer que é um ótimo entretenimento.                     

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

 

GOSTOS E CORES (“LES GOÛTES ET LES COULEURS”), 2018, França, 1h35m, direção de Myriam Aziza, que também assina o roteiro com a colaboração de Denyse Rodriguez-Tomé. Trata-se de uma comédia romântica que explora vários temas, tais como homossexualismo, religião, racismo, imigração, orientação sexual, preconceito etc. Tudo junto e misturado. Vou resumir a história. A família Benloulou, cujos pais são judeus ortodoxos, tem três filhos: o mais velho é casado, o do meio é homossexual e a mais nova é lésbica. Olha o problemão dos conservadores Benloulou. Enquanto seu irmão já saiu do armário, a mais nova, Simone (Sarah Stern), ainda não revelou sua verdadeira opção sexual. Ela vive um romance secreto com Claire (Julia Piaton) há três anos e sempre consegue se desvencilhar dos casamentos arranjados pelos pais. A confusão não poderia ser maior. Poderia ser, sim, pois Simone começa a rever os seus conceitos depois que conhece o senegalês Wali (Jean-Christophe Folly), cozinheiro de um restaurante. E aí a coisa se complica ainda mais. Ainda estão no elenco Clémentine Poidatz, Catherine Jacob e Richard Barry. O filme até que funciona bem na sua primeira metade, mas depois o ritmo de comédia cai vertiginosamente, culpa de um roteiro pouco criativo e desenvolvido sem boas ideias. A solução criada para o final é simplesmente lamentável. Pena, pois a história daria margem para inúmeras outras situações, principalmente de humor. De 0 a 10, uma nota 5, e olhe lá!.                  

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

 

“A INCRÍVEL HISTÓRIA DA ILHA DAS ROSAS” (“L’INCREDIBILE STORIA DELLE ROSE”), 2020, Itália, 1h57m, produção Netflix, direção de Sydney Sibilia, que também assina o roteiro com a colaboração de Francesca Manieri. A história é baseada em incríveis eventos reais ocorridos no final dos anos 60. Giorgio Rosa (Elio Germano) é um engenheiro que ficou conhecido em Rimini (cidade natal de Federico Fellini) por suas invenções, inclusive um automóvel muito esquisito. Porém, ele não estava particularmente feliz. Queria criar algo que tivesse uma grande repercussão e modificasse sua vida. Em companhia de um amigo também engenheiro, Giorgio tem a ideia que construir uma ilha – na verdade, uma plataforma de 400 m² suspensa por pilares de aço. Giorgio queria mais do que uma ilha. Ele queria criar uma nova nação independente. Por isso, a instalou 500 metros além das águas territoriais italianas, a nomeou República da Ilha Rosa com o esperanto como língua oficial. Georgio foi até mesmo para Nova Iorque tentar na ONU o reconhecimento da nova nação. Devido à repercussão enorme na mídia, a “ilha” logo se transformou num point da juventude de Rimini e de outras cidades italianas. Milhares de jovens queriam abandonar a cidadania italiana para se naturalizar cidadãos da nova nação. Claro que isso tudo começou a incomodar o governo conservador italiano, que elaborou um plano para acabar com a ilha, inclusive utilizando as forças armadas. Enfim, uma loucura imaginar que tudo isso tenha acontecido de verdade. O ótimo elenco conta ainda com Fabrízio Bentivoglio, Tom Wlaschiha, Matilda De Angelis e a participação especial do ator francês François Cluzet ("Intocáveis"). Somente a história em si já é motivo para tornar “A Incrível História da Ilha das Rosas” um filme obrigatório. Porém, tem mais: muito humor, romance e uma primorosa recriação de época que destaca uma deliciosa trilha sonora dos anos 60. Mais um gol de placa do cinema italiano e da Netflix.                   

domingo, 13 de dezembro de 2020

Mais uma ótima opção disponível na Netflix: “MAIS UMA CHANCE” (“PRIVATE LIFE”), 2018, Estados Unidos, 2h7m, roteiro e direção de Tamara Jenkins. A história é centrada na escritora Rachel (Kathryn Hahn) e no seu marido Richard (Paul Giamatti), um bem sucedido produtor e diretor de teatro. Há anos que o casal deseja um filho, mas ela não consegue engravidar. Já tentaram inúmeros métodos de fertilização, sem resultado positivo. Como última alternativa, procuram doadoras de óvulos na internet, o que também não dá certo. Finalmente, encontram uma possível solução "caseira": a sobrinha Sadie (Kayli Carter), que topa na hora participar da tentativa. Só que os pais de Sadie, Cynthia (Molly Shannon) e Charlie (John Carroll Lynch), irmão de Richard, são radicalmente contra, o que acaba gerando uma grande crise familiar. Apesar do contexto dramático e da seriedade do tema, o filme é repleto de bom humor, diálogos inteligentes, ácidos e cheios de ironia, com referências a clássicos do cinema, lembrando o estilo de Woody Allen, sem ser tão verborrágico. Também lembra Allen o fato de o filme ser todo ambientado em Nova Iorque, assim como a trilha sonora. Mas o grande trunfo é, sem dúvida, o elenco. As atuações, principalmente de Giamatti e Kathryn Hahn, são primorosas. Enfim, um filme independente de alto nível, comprovando que Tamara Jenkins, como já demonstrou em “A família Savage”, pelo qual foi indicada ao Oscar de melhor roteiro em 2008, é uma das cineastas mais talentosas do cinema norte-americano atual. O filme estreou no Festival Sundance de Cinema Independente (2018), arrancando elogios da crítica e do público. Realmente, “Mais uma Chance” é imperdível, cinema de muita qualidade. 



                     

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

 

O HOMEM SEM GRAVIDADE (L’UOMO SENZA GRAVITÀ), 2019, Itália, 1h47m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Marco Bonfanti, mais conhecido como diretor de curtas e documentários. É uma mistura de drama e fantasia. A história começa nos anos 80 dentro de uma sala de cirurgia onde está sendo realizado um parto. O nenê sai da barriga da mãe e flutua no ar, preso apenas pelo cordão umbilical, para espanto da médica, da mãe Natalia (Michela Cescon) e da avó Alina (Elena Cotta). A mãe escolhe o nome Oscar, pois achou que o nascimento do filho lembrou aqueles filmes de Hollywood com astronautas vagando pelo espaço. Mãe e avó criam o garoto preso dentro de casa, evitando que a população do pequeno vilarejo onde moram descubra o segredo. Enquanto cresce, Oscar é obrigado a usar pesos dentro dos bolsos e uma mochila com pesos para não flutuar. Numa ida da mãe a uma loja de frutas, Oscar (Pietro Pescara) conhece uma garota chamada Agata (Jennifer Brokshi), que seria a primeira pessoa a vê-lo “voar”. O tempo foi passando e Oscar continuou dentro de casa, escondido, vendo desenhos animados e se entusiasmando pelo Batman. O filme dá um salto no tempo e Oscar já é adulto (Elio Germano). Um adulto sem qualquer noção da realidade externa, o que começa a incomodá-lo. Um dia ele se rebela e foge de casa com o objetivo de participar de um programa televisivo tipo “Você é o Astro”, quando os candidatos apresentam suas habilidades. Claro, Oscar ganhou fácil e logo depois é procurado por um empresário picareta (Vincent Scarito) que o obriga a assinar um contrato de exclusividade e a se apresentar em shows pelo país afora. Embora famoso, Oscar não estava feliz. Na verdade, queria ser um sujeito normal. Esse dilema o atormentará até o desfecho, quando se apaixona por uma prostituta (Silvia D’Amico), que logo descobrirá ser a sua antiga amiguinha Agata. Embora tenha esse lado fantasioso e surreal, “O Homem sem Gravidade” pode ser encarado como um drama psicológico. Até a metade da projeção, o filme encanta e emociona, mas depois cai num ritmo quase enfadonho, limitando a história a situações forçadas até o desfecho. O principal destaque é realmente a perfeição do efeito de flutuação, que foi muito bem feito e ficou bastante realista. O filme abriu a 14ª edição da Festa do Cinema de Roma, em 17 de outubro de 2020 e logo depois chegou à plataforma Netflix. Resumo da ópera: o filme é interessante, vale a pena conferir.                   

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

 

NATAL SOB FOGO CRUZADO (WIR KÖNNEN NICHT ANDERS), 2020, Alemanha, 1h45m, disponível na Netflix desde o dia 4 de dezembro de 2020, roteiro e direção de Detlev Buck, que também atua no filme. Esqueça aqueles filmes de Natal com crianças escrevendo para o Papai Noel, as famílias arrumando a decoração em seus jardins e as mulheres na cozinha providenciando a ceia. Neste filme alemão, o Natal só chega no desfecho e de forma trágica. “Natal sob Fogo Cruzado” é uma comédia de humor negro, com cenas de violência que lembram as produções de filmes trash. A história começa com um inusitado caso de amor. Num bar de Berlim, Samuel (Kostja Ullmann), professor assistente de universidade, conhece a desmiolada Edda (Alli Neumann). A paixão é imediata e os dois resolvem passar o Natal com a família dela que mora numa pequena cidade na zona rural da Alemanha Oriental. Ao chegarem ao destino, Samuel testemunha uma tentativa de assassinato e acaba jurado de morte e perseguido pelos agressores. Enquanto isso, Edda mata um policial que tentava estuprá-la. As situações de perigo se acumulam a cada momento, deixando o filme bastante movimentado, num ritmo quase alucinante. Mesmo com a violência reinante, o bom humor corre solto a cada sequência, tornando este filme alemão um entretenimento bastante interessante e divertido. Além dos atores já mencionados, ainda integram o elenco Anika Mauer, Detlev Buck, Sascha Alexander Gersak, Sophia Thomalla, Merlin Rose e Peter Kurth. Uma boa dica de filme em tempos tão tenebrosos.         

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

 

QUANDO OS ANJOS DORMEM (CUANDO LOS ÁNGELES DUERMEN), 2018, Espanha, disponível na Netflix, 1h31m, roteiro e direção de Gonzalo Bendala – mais conhecido como diretor de curtas e documentários, este é o seu segundo longa-metragem (o primeiro foi “Asesinos Inocentes”, de 2015). O título explica bem a situação do principal personagem, Germán (Julián Villagrán). Sabe aquele dia em que os seus anjos da guarda estão dormindo e esquecem de você. Foi o que aconteceu com Germán, um importante executivo de uma companhia de seguros, justamente no dia do aniversário de sua filha. Ela participava de uma reunião em outra cidade e queria sair logo para chegar a tempo de ver a menina apagar as velinhas. Aí começaria o maior inferno de sua vida. A reunião demorou para acabar e, quando saía do estacionamento, uma perua dá ré e atinge a frente do seu carro. Na estrada, é parado pela polícia não apenas por estar dirigindo em zigue-zague por causa do sono, mas também por estar com o farol apagado pela batida. Germán não segue o conselho dos policiais e volta para a estrada. O sono continua e de repente, quando fecha os olhos por segundos, atropela uma moça. A amiga dela presencia o acidente e entra em choque, que logo depois se transformaria em um violento surto histérico. Enquanto tudo isso está acontecendo, a esposa de Germán liga de cinco em cinco minutos cobrando a presença dele no aniversário da filha. Com a moça ferida no seu carro e a amiga histérica, a situação de Germán se complica ainda mais, fugindo totalmente de controle até chegar a uma tragédia. Encerro a sinopse por aqui para não correr o risco de estragar as surpresas do suspense. Além de Julián Villagrán, integram o elenco Ester Expósito, Ásia Ortega e Marián Álvarez. O grande trunfo do filme foi criar uma grande expectativa em relação ao que vai acontecer no final. Realmente, sua atenção não vai desviar enquanto não chegar à surpreendente reviravolta no desfecho. Recomendo.       

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

 

MANK, 2020, Estados Unidos, produção e distribuição Netflix (estreou na plataforma no dia 4 de dezembro de 2020), 2h31m, direção de David Fincher. O roteiro foi escrito nos anos 90 por Jack Fincher, pai do diretor (o filme é dedicado a ele, morto em 2003). “Mank” é uma viagem deliciosa à Era de Ouro de Hollywood (anos 1930/1940). A história é centrada em Herman J. Mankiewicz (o “Mank” do título - 1897/1953), o famoso roteirista de “Cidadão Kane”, lançado em 1941 e que até hoje é considerado pela crítica especializada como o maior clássico de todos os tempos. O filme vai e volta no tempo, mostrando Mankiewicz (Gary Oldman) nos bastidores dos estúdios, nas festas e jantares promovidos pelos principais produtores do cinema da época. Nos anos 30, Mankiewicz já era um dos mais importantes roteiristas de Hollywood. Beberrão crônico, dava os maiores vexames, o maior deles durante um jantar promovido pelo magnata da mídia William Randolph Hearst (Charles Dance), que mais tarde seria o principal personagem de “Cidadão Kane”. Interpretado com maestria pelo ator Gary Oldman, Mank escreveu o roteiro inteiro na cama, com a perna engessada, auxiliado por sua secretária particular e datilógrafa Rita Alexander (Lily Collins). Orson Welles, o ator e diretor de “Cidadão Kane”, num gesto nada honesto, dividiu os créditos do roteiro, o que gerou uma grande polêmica, já que todo mundo sabia que havia sido escrito apenas por Mank. Indicado a 9 categorias no Oscar de 1941, “Cidadão Kane” ganhou uma única estatueta justamente com o roteiro. Além de Gary Oldman, Lily Collins e Charles Dance, estão no elenco Amanda Seyfried (Marion Davis), Arliss Howard (Louis B. Mayer, chefão da MGM), Tom Burke (Orson Welles), Tom Pelphrey (Joseph Mankiewicz, irmão de Herman), e Tuppence Middleton (Sara, esposa de Herman). Filmado em preto e branco (a fotografia é espetacular) e com uma primorosa recriação de época, “Mank” é desde já considerado como um dos grandes favoritos ao Oscar 2021. Aposto todas as minhas fichas no prêmio de Melhor Ator para Gary Oldman, magistral, e para o roteiro, que deverá render uma homenagem póstuma a Jack Fincher. Os diálogos são riquíssimos em referências cinematográficas, o que deve agradar em cheio os críticos e os cinéfilos em geral. Realmente, mais um grande tributo a Hollywood. Um verdadeiro FILMAÇO, assim mesmo, em maiúsculas      

domingo, 6 de dezembro de 2020

 

A FERA (LA BELVA), 2020, Itália, 1h39m, direção de Ludovico Di Martino, que também assina o roteiro juntamente com Claudia De Angelis e Nicola Ravera. É um filme de ação que chegou à Netflix no dia 27 de novembro de 2020, sendo o mais visto da plataforma na primeira semana. A história começa com o sequestro de uma menina de 6 anos por uma gangue envolvida com prostituição infantil. Só que os sequestradores não imaginavam que ela é filha de um ex-soldado das forças especiais do exército italiano, Leonida Riva (Fabrizio Gifuni), que enfrenta problemas psicológicos – o tal estresse pós-traumático que afeta ex-combatentes – e precisa tomar antidepressivos. Ao saber do sequestro da filha, Riva deixa os remédios de lado e entra em ação por conta própria. A polícia é tão incompetente que começa a achar que o ex-soldado está por trás do sequestro. Enquanto isso, Riva vai atrás dos responsáveis e aí começa a pancadaria. Ele bate, mas também apanha muito. Mas, como Bruce Willis, é duro de matar. “A Fera” tem todos os clichês daqueles filmes que, como “Busca Implacável”, com Liam Neeson, colocam em cena um pai em busca de uma filha ou então para vingar a morte de um membro de sua família. O mesmo de sempre. Aqui, com a diferença de que é uma produção do cinema italiano, com inúmeros defeitos, um deles as cenas de luta, muito mal coreografadas. Como entretenimento, tudo bem, mas está bem longe de ser indicado como um bom filme. Razoável, no máximo.