sexta-feira, 29 de novembro de 2019


“STYX”, 2018, Áustria/Alemanha, 1h35m, direção de Wolfgang Fischer, que assina o roteiro juntamente com Ika Künzel. A história é centrada em Rieke (Susanne Wolff), uma médica que resolve enfrentar uma grande aventura nas suas férias: velejar sozinha, no iate “Asa Gray”, partindo de Gibraltar (sul da Espanha) até a Ilha de Ascensão, no Oceano Atlântico. Trata-se de uma ilha britânica visitada várias vezes por Charles Darwin em suas pesquisas. Logo você percebe que Rieke é uma navegadora experiente. O filme quase inteiro acompanha essa viagem, sem qualquer diálogo – a não ser dela com a rádio da Guarda Costeira -, mostrando o árduo trabalho de Rieke em içar velas, corrigir a rota, verificar os equipamentos e enfrentar uma ou outra tempestade. Mas nem por isso o filme é monótono. Pelo contrário, é bastante movimentado, principalmente porque o barco vai pra lá e pra cá, sobe e desce na agitação do alto-mar. Você tem a sensação de estar a bordo. Haja Dramin! Apesar de uma forte tempestade que quase vira o barco, o restante da viagem transcorre na maior normalidade. Até que Rieke chega perto da Ilha de Cabo Verde, perto da costa do Senegal. Ali, ela avista um barco à deriva repleto de refugiados africanos precisando de ajuda. Rieke tenta a todo custo pedir o auxílio da Guarda Costeira, que determina, de forma autoritária, que ela fique longe do barco e siga adiante com sua viagem. Como médica, porém, ela não dará atenção à ordem e tentará ajudar os refugiados, mesmo que sua viagem seja prejudicada. O filme é tão bom que conquistou mais de 30 premiações em festivais internacionais de cinema, sendo ainda finalista do Prêmio Lux de Cinema do Parlamento Europeu. Também foi exibido na Mostra Panorama do 68º Festival de Cinema de Berlim. Fiquei intrigado com o título original, “STYX”. Pesquisei bastante e encontrei o seu significado. Trata-se de uma ninfa na mitologia grega. Era filha de Tétis e ajudou Zeus na Guerra Titanomaquia contra os titãs. Tá explicado? Resumo da ópera: o filme é muito bom, valorizado pelo excelente desempenho da bela atriz alemã Susanne Wolff, que, aos 46 anos, mostra excelente forma física. Não é à toa que carrega o filme nas costas...   

quinta-feira, 28 de novembro de 2019


Como é possível realizar um filme agradável de assistir utilizando apenas três personagens, somente um cenário e acrescentar humor (negro) quando o assunto principal é a eutanásia? O diretor suíço Lionel Baier conseguiu essa façanha com “A VAIDADE” (“LA VANITÉ”), 2016, coprodução Suíça/França, 1h15m. É bom esclarecer que ele teve a ajuda do roteirista Julien Bouissoux. Poderia ter sido uma peça de teatro, mas ficou muito bem na telinha. Vamos à história: David Miller (Patrick Lapp), um arquiteto consagrado, à beira dos 80, está com câncer terminal no cérebro e, depois de três cirurgias, não conseguiu se livrar da doença. Preferiu então contratar os serviços de uma instituição especializada em realizar eutanásias assistidas – na Suíça, a eutanásia assistida é permitida desde 1942. Como local de seu último suspiro, David escolheu um motel que ele e a falecida esposa, também arquiteta, projetaram há muitos anos e que hoje está totalmente decadente. Esperanza (a atriz espanhola Carmen Maura, a musa de tantos filmes de Almodóvar) é a funcionária da organização encarregada de ministrar os remédios fatais. De acordo com o protocolo da firma e da própria lei suíça, o procedimento exige que haja uma testemunha. Davi e Esperanza precisaram improvisar, convocando o prostituto Trépleu (Luan Georgiev), um imigrante russo que naquela ocasião recebia seus clientes no quarto vizinho. A reunião entre estes três personagens é que dá impulso à história. Cada um deles fala de seu passado, problemas conjugais, suas escolhas na vida e conversam muito sobre a questão da eutanásia. Tudo realizado com um pitadas de humor inteligente, principalmente durante os diálogos, tornando esta produção suíça um ótimo entretenimento, valorizada ainda mais pelo desempenho dos veteranos David Lapp e Carmen Maura, além de Ivan Georgiev. No Swiss Film Prize, o Oscar suíço, Patrick Lapp e Ivan Georgiev foram premiados por sua atuação. Enfim, cinema da melhor qualidade.    

quarta-feira, 27 de novembro de 2019


“A ESCOLA DA VIDA” (“L’ÉCOLE BUISSONNIÈRE”), 2017, França, 116 minutos, direção de Nicolas Vanier, que escreveu o roteiro com a colaboração de Jérôme Tonnerre. A história, ambientada nos anos 30 do século passado, é centrada em Paul (Jean Scandel), um garoto que vivia desde que nasceu num orfanato. Certo dia, uma mulher, se apresenta para adotar uma criança e ela escolhe justamente Paul. Ela é Célestine (Valérie Karsenti), uma das empregadas da mansão do Conde de La Fresnaye (François Berléand). Quando chega com o menino à propriedade, na zona rural da França, ela se justifica ao marido, Borel (Éric Elmosnino, de “Gainsbourg, O Homem que Amava as Mulheres”), dizendo que Paul é filho de uma prima que mora em Paris e que passaria ali apenas as férias, a mesma versão que contou ao conde. Durante um passeio para conhecer as terras ao redor da mansão, Paul conhece Totoche (François Cluzet, de “Intocáveis”), um caçador que vive na floresta. É com Totoche que Paul aprenderá a pescar, a caçar e a viver em contato direto com a Natureza. Para quem ficava trancado no orfanato, Paul encontrou o seu Paraíso, além do afeto paterno que nunca teve. Aos poucos, o espectador vai se envolvendo com a história, torcendo por um final feliz para o garoto. Pouco antes do desfecho, uma revelação surpreendente valoriza ainda mais este simpático drama francês, realizado com humor e sensibilidade. O diretor Vanier destacou na história inúmeros momentos dedicados à Natureza selvagem do lugar. Vanie é conhecido como diretor de documentários que enfocam a Natureza selvagem, além de filmes com a mesma abordagem, como “Loup – Uma Amizade para Sempre” e “Belle e Sebastian”. “A Escola da Vida” é um ótimo entretenimento para uma sessão da tarde com a família e, claro, um balde de pipoca ao lado.  


“PRIMEIRO, MATARAM MEU PAI” (“FIRST THEY KILLED MY FATHER”), 2017, coprodução Camboja/EUA, em parceria com a Netflix (a estreia mundial ocorreu em setembro de 2017), 2h16m, direção de Angelina Jolie, que também escreveu o roteiro baseada no livro de memórias da cambojana Loug Ung (“First Day Killed my Father: A Daughter of Campodia Remembers”). Loug Ung era uma menina de 5 anos quando, em abril de 1975, o Khmer Vermelho assumiu o controle da capital do país, Phnon Penh, instaurando um dos mais violentos regimes comunistas do mundo, que duraria no Camboja até 1979. Loug (Sarfum Srey Moch, sensacional) e seus três irmãos, juntamente com o pai e a mãe, fugiram para não serem presos. Corriam um grande perigo, pois o pai (Phoeung Kompheak) era um militar do antigo regime. A fuga da família, os perigos enfrentados no caminho, fome, doenças, torturas, separações, trabalhos forçados e uma série de outros percalços foram mostrados no filme, que contou com um grande elenco formado somente por amadores, além de centenas de figurantes. Um trabalho sensacional da diva Angelina Jolie como diretora – foi o seu terceiro longa (os outros dois foram “Na Terra de Amor e Ódio”, de 2011, onde o pano de fundo é a guerra na Bósnia, e “À Beira-Mar”, de 2015, quando Jolie atuou ao lado do então marico, Brad Pitt). A ligação de Jolie com o Camboja vem desde 2001, quando ela e Brad adotaram um bebê cambojano, ao qual deram o nome de Maddox Jolie-Pitt, hoje com 18 anos e cursando uma universidade na Coreia do Sul. Essa ligação com o país levou Angelina a ler o livro escrito por Loug Ung, entusiasmando-a a realizar este filme que é bastante esclarecedor sobre as atrocidades cometidas pelo Khmer Vermelho, que, durante os quatro anos em que esteve no poder assassinou mais de 2 milhões de cambojanos. “Primeiro, Mataram Meu Pai” é obrigatório para quem gosta de História, e mais obrigatório ainda para comprovar que Angelina Jolie também é uma competente diretora. O filme foi selecionado para representar o Camboja na disputa do Oscar 2018 como Melhor Filme Estrangeiro. Imperdível!  

terça-feira, 26 de novembro de 2019


“RIR OU MORRER” (“SUOMEN HAUSKIN MIES”), 2018, coprodução Finlândia/Suécia, 1h43m, roteiro e direção de Heikki Kujanpää. Filme visto por aqui durante a programação oficial da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2019. A história é baseada em incríveis fatos reais ocorridos na Finlândia em 1918. Alemães e russos brigavam para quem conseguiria dominar o país. Os alemães ganharam e aí começaram a prender os “vermelhos” que apoiavam os russos, entre os quais muitos intelectuais, artistas, escritores e atores de teatro, todos enviados para uma ilha que servia de campo de concentração. “Rir e Morrer” é todo ambientado nesta ilha, onde os presos passavam frio, fome e, de vez em quando, recebiam uma torturinha. Entre os presos, alguns eram muito conhecidos, como o comediante Joivo Parikka (Martti Susalo), considerado o homem mais engraçado da Finlândia. Helen Kalm (Leena Pöysti), esposa do violento e sádico comandante da prisão Hjalmar Kalm (Jani Volanen), era amante de teatro e fã de Parikka. Foi ela quem convenceu o marido a deixar Parikka criar uma comédia para ser apresentada aos oficiais alemães que visitariam o campo de concentração. Parikka acertou com o comandante que se os oficiais alemães dessem risada, o pessoal do grupo teatral seria salvo do fuzilamento. Caso contrário, seriam fuzilados logo após a peça. O filme apresenta, com muito humor, os bastidores de tudo o que aconteceu, desde a elaboração do roteiro da peça, que deveria obrigatoriamente exaltar os alemães, a escolha do elenco e os preparativos finais para a estreia num palco improvisado. Apesar do contexto dramático de um campo de concentração, o diretor Heikki Kujanpää fez de “Rir ou Morrer” um filme bastante divertido. Mas o que deixa essa história ainda mais saborosa é o fato de que é baseada em acontecimentos reais. Comédia dramática das melhores.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019


“6 BALÕES” (“6 BALLOONS”), 2018, EUA, 1h15m, estreia no roteiro e direção da atriz Marja-Lewis Ryan. Trata-se de um filme independente adquirido pela Netflix, que posteriormente o distribuiu em seu sistema de streaming. Entre os coprodutores estão o ator Channing Tatum e Samantha Housman. Pois foi na experiência real vivida por Housman que Marja-Lewis teve a inspiração para escrever o roteiro. Trata-se de um impactante drama familiar ambientado em apenas um dia em Los Angeles. Enquanto começam a chegar os convidados para a festa-surpresa que preparou para o namorado, Katie (Abbi Jacobson) sente falta do seu irmão mais novo, Seth (Dave Franco, irmão mais novo do também ator James Franco), e resolve buscá-lo em casa. Quando chega, logo percebe que ele teve uma recaída na droga – é viciado em heroína. Ela o coloca no carro, juntamente com a filha dele de 4 anos no banco de trás. No meio do caminho, Seth começa a ter claros sintomas de abstinência e não consegue se controlar. Sem saber o que fazer, Katie resolve levá-lo a algum centro de recuperação, tarefa que se torna quase impossível, mesmo porque é feriado nacional (4 de julho, Dia da Independência). O filme, até o seu desfecho, acompanha a angustiante tentativa de Katie em resolver o problema e ainda retornar à festa que organizou. As excelentes atuações de Dave Franco (emagreceu bastante para fazer o papel) e Abbi Jacobson valorizam ainda mais esta produção que tem como foco uma triste realidade do mundo em que vivemos, ou seja, os jovens se entregando cada mais ao vício das drogas, destruindo vidas e famílias. Nesse contexto, “6 Balões” é um filme bastante esclarecedor e impactante.         

domingo, 24 de novembro de 2019


“CYRANO MON AMOUR” (“EDMOND”), 2019, França, 1h53m, filme de estreia como roteirista e diretor do ator e dramaturgo Alexis Michalik. Uma comédia baseada em fatos reais. Um prato (palco) cheio para quem gosta de teatro. E mesmo para quem não gosta. O filme conta toda a história de como o poeta e dramaturgo francês Edmond Rostand (1868-1918) – interpretado por Thomas Solivérès – se inspirou para criar e escrever aquela peça que seria o maior sucesso mundial do teatro clássico: “Cyrano De Bergerac”. Ao mesmo tempo, conta tudo o que aconteceu às vésperas da grande estreia da peça em Paris, em dezembro de 1897. Por exemplo, a escolha do elenco, encabeçado pela grande estrela da época, o ator Benoît-Constant Coquelin (o ótimo Olivier Gourmet), a pressão dos produtores, muita confusão durante os ensaios e o estresse de Edmond, que não tinha o texto da peça pronto pouco antes da sua estreia. O filme revela ainda que uma das principais inspirações de Edmond para escrever a peça surgiu da vida atribulada de Hector Saviniende Cyrano de Bergerac, um escritor francês sem grande sucesso que viveu no Século XVII. Outra inspiração veio da paixão ardente de Léo Volny (Tom Leeb), melhor amigo de Edmond, pela bela Jeanne D’Alcie (Lucie Boujenah). Apesar de bonito, Léo não tinha cultura suficiente para escrever versos para a amada, uma condição que, na época, era quase obrigatória para se conquistar uma mulher. Edmond escrevia cartas em nome do amigo e as enviava para Jeanne. Edmond também tinha uma amiga que sempre acreditou no seu talento e o ajudou muito: a diva do teatro Sarah Bernhardt (Clémentine Célarie). O filme é um espetáculo, um retrato divertido e delicioso dos bastidores de uma peça teatral que, a partir de sua estreia, se transformou num dos maiores sucessos da dramaturgia mundial. Sem dúvida, a inspiração para escrever o roteiro contou com a experiência de palco vivida pelo jovem ator e dramaturgo Alexis Michalike, que também assumiu a direção com muita competência, mesmo sendo seu primeiro longa-metragem. Também estão no elenco o próprio Alexis Michalike, Mathilde Seigner e Alice de Lencqvesaing. Imperdível!       

sexta-feira, 22 de novembro de 2019


“POROROCA”, 2017, Romênia, 2h32m, roteiro e direção de Constantin Popescu. Atração da programação oficial da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, “Pororoca” é mais um exemplo primoroso da surpreendente escola cinematográfica da Romênia, responsável por tantos grandes filmes. Trata-se de um drama pesadíssimo, perturbador. De uma forma angustiante, e durante quase toda a projeção, o espectador acompanha a trajetória de dor, culpa e sofrimento de um pai, Tudor Ionescu (o excelente ator Bogdan Dumitrache), que num domingo leva seus filhos Marie, de 5 anos, e Ilie, de 7 anos, para passear no parque da cidade (não deu para identificar se é Bucareste ou outra cidade). Enquanto conversa no celular com o amigo, Tudor se distrai dos filhos por alguns segundos, o suficiente para Marie simplesmente sumir. Desespero total, mães e pais ajudando a procurar a menina. Sem sucesso. O sumiço já provoca sua primeira consequência: o casamento entra em crise, já que Cristina (Iulia Lumanare), a esposa, acusa Tudor de ter negligenciado a menina e, portanto, é o responsável por seu desaparecimento. Ela vai para a casa dos pais, leva o filho, e deixa Tudor alimentar sua culpa, que aos poucos se transforma numa paranoia histérica e, por fim, numa insanidade assassina. O filme acompanha todo o desespero de Tudor, para terminar num desfecho chocante, tornando este drama romeno bastante impactante. Tudo bem que o filme é muito bem escrito e dirigido por Constantin Popescu, que conseguiu criar um clima angustiante de tensão ao acompanhar o sofrimento de Tudor. Aliás, posso afirmar que o excelente ator romeno Bogdan Dumitrache carrega o filme nas costas, assim como sua culpa e dor. Sua atuação é tão marcante que conquistou o Prêmio de Melhor Ator no importante Festival de Cinema de San Sebastián (Espanha). Com relação ao título original, “Pororoca”, tentei de tudo que é jeito descobrir a relação com a história e a razão dessa escolha. Não consegui. Todo mundo sabe que é um fenômeno do encontro das águas fluviais com as do oceano. Mas o que tem a ver com o filme? Um comentarista tentou explicar: “é o desaguar de emoções”. Aí também não... Bom, vamos ao resumo da ópera: “Pororoca” é mais uma pérola do cinema romeno, uma pequena obra-prima, uma verdadeira aula de cinema. Portanto, IMPERDÍVEL!        

quinta-feira, 21 de novembro de 2019


“PARADISE BEACH”, 2019, França, 1h33m, roteiro e direção de Xavier Durringer. O filme começa em preto e branco, mostrando um assalto a banco em Paris, a chegada da polícia, um tiroteio, um policial morto e um assaltante ferido – os outros cinco fugiram com o dinheiro. Aliás, com uma quantia bem volumosa. Quinze anos depois, Mehdi (Sami Bouajila), o tal bandido ferido, sai da cadeia e ruma para a Tailândia, onde seus comparsas se estabeleceram investindo o dinheiro roubado. Todos moram na cidade de Pucket, também conhecida por Paradise Beach. Realmente, uma praia paradisíaca – os cenários do filme são deslumbrantes. Mais do que matar a saudade dos amigos – um deles seu irmão, Hicham (Tewfik Jallab) -, Mehdi quer, na verdade, a sua parte da grana roubada. Aí a coisa fica feia, pois todos alegam que gastaram todo o dinheiro. Em meio a esse conflito de interesses, uma gangue de imigrantes africanos “roubam” algumas strippers da boate de Franck (Hugo Becker). Para proteger o amigo, Mehdi inicia uma guerra sanguinolenta contra a turma de afrodescendentes. E por aí vai a história, Mehdi tentando se salvar dos inimigos e, ao mesmo tempo, recuperar sua parte no dinheiro do assalto. Ao comentar sobre “Paradise Beach”, alguns críticos de cinema o elegeram como “o pior filme já produzido pela Netflix”. Eu não chegaria a tanto, mas concordo que o filme é bem ruizinho. A começar pelo elenco. Com exceção de Sami Bouajila, ator experiente do cinema francês, o restante do elenco é muito fraco. Outro detalhe: como um filme que se diz de ação consegue ser tão monótono?    

quarta-feira, 20 de novembro de 2019


“ANNA – O PERIGO TEM NOME” (“ANNA”), 2019, França, roteiro e direção de Luc Besson, 1h59m. Entretenimento dos melhores, muita ação, tiros, perseguições, suspense e, principalmente, uma mulher linda como protagonista principal. A história é ambientada nos anos 80, quando a Guerra Fria ainda era quente. Anna (a atriz e ex-modelo russa Sasha Luss) é uma modelo internacional que transita por vários países desfilando para os principais estilistas da moda. Por onde passa, porém, deixa um rastro de mortes e destruição. Anna utiliza sua fachada como modelo para servir à KGB, que a treinou como espiã especialista em artes marciais e no manuseio das mais diferentes armas de tiro. Sua mentora e chefe é Olga (Helen Mirren), ambas subordinadas ao poderoso Vassiliev (Eric Godon), chefão da KGB. E seu parceiro em algumas missões é Alex Tchenkov (Luke Evans) – incomoda, a mim pelo menos, dois atores ingleses (Mirren e Evans) falando em inglês e tentando imitar o sotaque russo; por que não utilizaram atores russos falando russo? Numa de suas missões mais importantes, Anna é desmascarada pelo agente norte-americano Lenny Miller (Cillian Murphy), da CIA, que, em troca de mantê-la viva, obriga-a a se tornar uma espiã também da CIA. E uma de suas primeiras missões para o “outro lado” é assassinar justamente o chefão Vassiliev. Muitas reviravoltas acontecerão até o desfecho, valorizando ainda mais este ótimo filme de espionagem e ação. Dessa forma, "Anna" comprova a competência do cineasta francês Luc Besson  em escrever e dirigir filmes de ação, que já tinha em seu currículo excelentes produções do gênero, como “Nikita – Criada para Matar”, “Lucy”, “O Quinto Elemento”, “Imensidão Azul” e “O Profissional”, este último revelando a ainda adolescente Natalie Portman. E foi Besson também o responsável por revelar para o cinema a modelo e agora atriz Sasha Luss, que estreou em “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, de 2017, também de Besson. “Anna” é mais um gol de placa do cineasta francês. Se você gosta de filmes de ação, não perca!   

terça-feira, 19 de novembro de 2019


“O SEGREDO DE NORA” (“ANIMALES SIN COLLAR”), 2018, suspense, produção espanhola da Netflix, 1h40m, filme de estreia no roteiro e na direção de Jota Linares, cineasta mais conhecido por documentários. O filme começa com um grupo de amigos no fim de uma balada regada a muita bebida e drogas. Um deles, porém, sofre uma overdose e é praticamente jogado na porta de um hospital. A história é retomada anos depois, quando Nora (Natalia de Molina) está casada com Abel (Daniel Grao), um político de sucesso prestes a concorrer a um cargo no alto escalão do governo espanhol. Nora e Abel estavam naquele grupo. Abel, por sinal, era irmão do rapaz que morreu de overdose. Até aí ninguém ficara sabendo o que tinha acontecido e o segredo deveria ser preservado para não prejudicar as ambições políticas de Abel. Sem o marido saber, Nora estava sendo chantageada por um outro amigo, Víctor (Ignacio Mateos), que presenciara o trágico acontecimento daquela fatídica noite. No meio da história, surge Virgínia (Natalia Mateo), outro personagem que participou da farra daquela noite. Não há para o seu misterioso retorno. Aliás, o filme deixa várias pontas soltas, sem explicação. Achei a história mal contada. Afinal, qual o segredo de Nora, a chantagem ou o que aconteceu naquela noite. Terminou o filme e fiquei sem saber. Se há um atrativo que mereça uma visita a este filme é a presença da bela e competente atriz Natalia de Molina, que ficou ainda mais bonita com os cabelos loiros. Enfim, um filme para quem gosta de decifrar mistérios e sair do cinema (ou de frente da telinha) com uma grande dúvida: valeu a pena assistir?

segunda-feira, 18 de novembro de 2019


“UMA GUERRA PESSOAL” (“A Private War”), 2018, coprodução EUA/Inglaterra, direção de Matthew Heineman – é o seu primeiro longa-metragem. O roteiro foi escrito por Arash Amel, baseado no artigo “Marie Colvin’s Private War”, da jornalista Marie Brenner e publicado na Revista Vanity Fair, meses após a morte da sua colega de profissão Marie Colvin, personagem principal dessa história. A norte-americana Colvin (1956/2012) foi uma das jornalistas mais famosas e corajosas, responsável por coberturas memoráveis em países em guerra como correspondente do jornal inglês The Sunday Times. Ela esteve na frente de batalha no Zimbábue, Somália, Tunísia, Iraque, Palestina, Chechênia, Kosovo, Líbia, Timor Leste e em outros países em conflito. Durante a cobertura da guerra civil no Sri Lanka, em 2001, ela perdeu o olho esquerdo devido a estilhaços de uma granada. A partir de então, passou a usar um tapa-olho, que foi sua marca registrada até 2012, quando morreu na Síria, vítima de um míssil enviado pelo exército do ditador Assad diretamente ao edifício onde estavam os jornalistas. “Uma Guerra Pessoal” conta toda essa história e mostra que Colvin sofria do tal estresse pós-traumático, o mesmo que acomete os soldados quando voltam para casa. Traumatizada com as lembranças das áreas de conflito, Colvin começou a beber e nos anos finais de sua vida já era alcoólatra. O filme também mostra sua amizade com o companheiro de muitas coberturas, o fotógrafo Paul Conroy (Jamie Dornan, de “50 Tons de Cinza”), que também morreu na Síria, e seu relacionamento com editor-chefe do The Sunday Times (Tom Hollander). A atriz inglesa Rosemund Pike, que interpreta a jornalista, foi indicada para o Globo de Ouro de 2019, mas não ganhou, e nem ao menos recebeu indicação ao Oscar. Seu trabalho em “Uma Guerra Pessoal” é fantástico, melhor do que as cinco atrizes indicadas juntas. Mais uma grande injustiça do Oscar, talvez a maior dos últimos anos. Além da história pessoal de Marie Colvin, “Uma Guerra Pessoal”, que tem como um dos produtores a atriz Charlize Theron, mostra com bastante realismo e muitas cenas de ação como é a cobertura dos correspondentes de guerra e a coragem e o sangue-frio que precisam ter para enfrentar os perigos nas zonas de combate. O filme é excelente e a história melhor ainda, pois apresenta uma mulher com a coragem que muitos homens não teriam. IMPERDÍVEL!

sexta-feira, 15 de novembro de 2019


“O MESMO SANGUE” (“LA MISMA SANGRE”), Argentina, 1h53m, produção da Netflix – sua estreia mundial aconteceu dia 28 de fevereiro de 2019 -, roteiro e direção de Miguel Cohan. Mais um bom suspense argentino. Depois de uma reunião familiar, a matriarca Adriana (Paulina Garcia) desce para a cozinha industrial que mantém no porão da casa para concluir uma encomenda. Algum tempo depois, ela é encontrada morta, enforcada pelo colar que prendeu numa máquina. Tudo leva a crer que foi um acidente. Só que o genro Sebastián (Diego Velásquez), ao constatar algumas evidências estranhas, começa a desconfiar de Elías (Oscar Martinez), o viúvo. É bom esclarecer que Elías está atolado em dívidas, principalmente com relação à fazenda que herdou do pai. Como um verdadeiro detetive, Sebastián começa a investigar a fundo a sua desconfiança, o que provocará uma crise em seu casamento com Carla (Dolores Fonzi), que defende a inocência do pai com unhas e dentes. Até o desfecho, o caso terá sido esclarecido, pelo menos para o espectador, que lá pela metade do filme fica sabendo o que realmente aconteceu. É o terceiro longa-metragem escrito e dirigido por Miguel Cohan – os dois primeiros foram “Sin Retorno”, de 2010, e o aclamado “Betibú”, de 2014. Em “O Mesmo Sangue”, Cohan fez mais um bom trabalho, prendendo a atenção do espectador até o desfecho. Destaco o ótimo elenco, comandado pelo excelente Oscar Martínez. Demorei para reconhecer a atriz chilena Paulina Garcia, do espetacular “Glória” (2013), no papel de Adriana. Outros destaques são as presenças de Dolores Fonzi, talvez a mais bela atriz do cinema argentino atual, e ainda o “detetive” Diego Velásquez.   


“HAPPY HOUR – VERDADES E CONSEQUÊNCIAS”, 2019, coprodução Brasil-Argentina, 1h54m, roteiro e direção de Eduardo Albergaria. Trata-se de uma comédia romântica focada no relacionamento tumultuado de Horácio (Pablo Echarri), um professor universitário argentino radicado no Rio de Janeiro, e Vera (Letícia Sabatella), uma deputada estadual que está prestes a lançar sua candidatura ao cargo de prefeita. O casamento não anda às mil maravilhas, mas os dois tentam manter as aparências. Até que um dia, num lance puramente casual, Horácio vira herói depois de ser considerado responsável pela prisão de um marginal conhecido como “ladrão aranha”, pois escala edifícios para roubar os apartamentos.  Com seu “suposto” ato de coragem, Horácio não apenas ganha espaço na mídia, como também passa a atrair ainda mais a atenção de suas alunas mais ousadas. Uma delas, Clara (Aline Jones), fará com que Horácio reveja seus conceitos de fidelidade. Num rompante de pura ingenuidade, Horácio diz a Vera o que está sentindo pela aluna e que, provavelmente, a levará para a cama, o que aumenta ainda mais o estresse entre o casal. Divórcio à vista, fato que pode atrapalhar a campanha de Vera. Aí entra em ação o marqueteiro Arlindo (Chico Diaz, ótimo), que fará de tudo para que a candidatura de Vera siga adiante independente da crise conjugal da deputada. Neste que é seu filme de estreia como diretor, Albergaria (é brasileiro, apesar do sobrenome) acerta principalmente ao privilegiar o humor e, como trunfo, tem a boa atuação dos protagonistas principais, o galã argentino Pablo Echarri e a bela e competente Letícia Sabatella. Soma-se à dupla um bom elenco de coadjuvantes, como Chico Diaz, Aline Jones, Marcos Winter e Luciano Cáceres. Só fiquei em dúvida com a escolha do título, que ainda não descobri que relação tem com a história. Resumo da ópera: tipo do filme para ser curtido como entretenimento fácil, sem exigir muito dos neurônios.       

quarta-feira, 13 de novembro de 2019


Grande vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes 2019, o filme sul-coreano “PARASITA” (“GISAENGCHUNG”) recebeu voto unânime dos jurados, fato que não acontecia desde 2013, quando o premiado foi o francês “Azul é a Cor Mais Quente”. Além disso, trata-se do primeiro filme sul-coreano a conquistar o prêmio do mais charmoso festival de cinema do mundo. E por falar em premiações, “Parasita” está sendo cotado como um dos grandes favoritos ao Oscar 2020 de Melhor Filme Estrangeiro. Tudo exagero? De forma alguma, “Parasita” é simplesmente sensacional e, melhor, não é daqueles filmes pretensiosos, difíceis de assistir, metidos a cinema de arte. Pelo contrário, trata-se de um ótimo entretenimento para qualquer público. Sua trama mistura drama social, comédia (humor negro) e muito suspense, embora apresente como pano de fundo questões como a desigualdade social e a luta de classes. Mas vamos à história. A família de Ki-Taek (Kang-Ho Song) – ele, a esposa Chung-Sook (Chang Hyae Jin), o filho Ki-Woo (Woo-Sik Choi) e a filha Ki-Jung (Park So-Dam) – mora num porão na periferia de Seul. Estão todos desempregados, vivem no maior miserê. Até que um dia começa a chover na horta. O filho Ki-Woo, indicado por um amigo, começa a dar aulas de inglês para a filha de um casal rico, cuja família vive numa enorme casa de luxo criada por um famoso arquiteto sul-coreano. Ao se deparar com a ostentação e o luxo daquela família, comparado com a pobreza da sua, Ki-Woo passa a arquitetar, junto com o pai, a mãe e a irmã, um plano diabólico, ou seja, substituir todos os empregados da mansão por eles próprios. Dessa forma, utilizando estratagemas criativos e hilários, eles aos poucos vão conseguindo seu objetivo, ajudados pela ingenuidade do casal rico. O primoroso roteiro, escrito pelo diretor Joon-Ho Bong, reserva muitas reviravoltas até o desfecho, situações de suspense de tirar o fôlego, muito humor e sangue jorrando. Não deixa de ser um filme perturbador.  Enfim, são 2h12m de um ótimo entretenimento e um cinema de alta qualidade. Mais um gol de placa do excelente cinema sul-coreano. IMPERDÍVEL!      


Desde que estreou como ator no cinema em 1981 no filme “Best of Times”, ainda com o nome de Nicolas Coppola (ele é sobrinho do famoso diretor), Nicolas Cage, hoje com 55 anos de idade, já atuou em 103 filmes, sendo um dos astros mais famosos de Hollywood. Até ganhou um Oscar de Melhor Ator, em 1996, em “Despedida em Las Vegas”. Em termos de qualidade, porém, a carreira de Cage sempre teve altos e baixos. Nos últimos anos, mais baixos do que altos. Seu mais recente filme, “CORRENDO COM O DIABO” (“RUNNING WITH THE DEVIL”), 2019, ainda sem data para estrear por aqui, também está longe de merecer elogios. Pelo menos da minha parte. Nele, Cage é dos traficantes associados ao “The Boss” (Barry Paper), codinome do chefão que comanda um poderoso cartel de drogas a partir do Canadá. “The Cook” é o codinome de Cage, pois é dono e pizzaiolo de uma pizzaria (lavagem de dinheiro, claro) em Illinois. Outro membro da quadrilha é “The Man” (Lawrence Fishburne), um irresponsável que mistura sua droga para sobrar um tanto para uso próprio. Quando ocorrem várias mortes por overdose causadas justamente pelas mercadorias do cartel, “The Boss” fica desconfiado de que estão roubando sua cocaína e misturando o resto com outras drogas. “The Cook” e “The Man” são encarregados de investigar quem está estragando o negócio. Ao mesmo tempo, agentes do DEA (Departamento Antidrogas dos Estados Unidos) estão atrás desse cartel, principalmente depois que a irmã de uma de suas agentes (Leslie Bibb) morre de overdose. O mais interessante desse filme é a descrição detalhada do caminho que a cocaína percorre desde sua produção na Bolívia, passando pela Colômbia, México e vários estados norte-americanos até chegar ao Canadá. O produtor boliviano da coca recebe 1.600 dólares por quilo. Quando chega ao Canadá, o quilo da droga já está valendo nada mais nada menos do que U$ 40 mil!!! Este é o primeiro filme escrito e dirigido por Jason Cabell. Para escrever o roteiro, Cabell recorreu à sua própria experiência como combatente da força especial Navy Seals, grupo de elite da Marinha dos EUA. Resumo da ópera: ainda não foi dessa vez, Cage...      

terça-feira, 12 de novembro de 2019


“MUNDOS OPOSTOS” (“ENAS ALLOS KOSMOS”), 2015, Grécia, 1h53m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Christoforos Papakaliatis, que também atua no filme. Trata-se de uma ode a Eros (deus do amor na mitologia grega). São três histórias de amor, todas ambientadas em Atenas, desenvolvidas cada qual em uma conjuntura diferente. Na primeira, um imigrante ilegal sírio salva uma jovem grega de ser estuprada e acabam se apaixonando, sendo que o pai dela é um fascista e xenófobo radical, que comanda uma milícia que sai à noite espancando imigrantes. O segundo capítulo reúne um sujeito casado que conhece uma executiva de RH sueca que viaja para Atenas para promover mudanças drásticas numa empresa, incluindo o enxugamento do seu quadro de funcionários. Eles se apaixonam, mesmo que o destino lhes reserve uma surpresa bastante desagradável. Na terceira história, o amor reúne duas pessoas da terceira idade, um professor de história aposentado e uma dona de casa infeliz no casamento. Em todas as histórias, portanto, uma coincidência fica evidenciada: o amor é capaz de unir pessoas de “mundos opostos”, já que cada casal é formado por um grego – ou grega – e a outra pessoa de fora do país. No desfecho, os personagens dos três capítulos estarão interligados de alguma forma, mais um trunfo do primoroso roteiro. Como pano de fundo, o diretor Papakaliatis explora temas muito mais sérios, como a crise econômica mundial - em especial na Grécia -, a aparente falência do capitalismo, a situação política da Europa e ainda a questão do desemprego e dos refugiados. Com um certo exagero, o filme decreta que Eros (o Amor) pode ser a solução de todos esses problemas. E dá-lhe mitologia grega. Na primeira história estão Farris (Tawfeek Barhom), Daphne (Niki Vakali) e Antonis, o pai fascista (Minas Hatziavvas). Na segunda, Giorgos (o diretor Papakaliatis) e Elise (a bela atriz húngara Andrea Osvárti). E finalmente, no terceiro capítulo, estão Maria (Maria Kavoyianni, em atuação espetacular) e Sebastian (o ator norte-americano J.K. Simmons). Embora tenha sido recebido com desdém pela crítica especializada, eu achei o filme muito bom, sensível, sério e comovente. Cinema grego da melhor qualidade.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019


“PERSEGUIDO PELO DESTINO” (“LE FIDÈLE”), 2017, Bélgica, 2h10m, roteiro e direção de Michaël R. Roskam (indicado ao Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro por “Rundskop”). Estreou no Festival de Veneza em setembro de 2017. Ação e romance são os dois principais ingredientes deste excelente policial belga, estrelado por Matthias Schoenaerts (“Ferrugem e Osso”) e Adèle Exarchopoulos (“Azul é a Cor mais Quente”). O belga Shoenaerts faz o papel de Gigi Vanoirbeek, um marginal metido a playboy que vive de assaltos com sua gangue, formada por amigos que, juntamente com ele, passaram a juventude em reformatórios destinados a jovens delinquentes. Com seu charme e alguns amigos importantes, Gigi frequentava a alta sociedade de Bruxelas. No camarote de um autódromo, ele conheceu a pilota de corridas Bibi Delhany (Adèle), filha de um rico empresário. Como era previsível, Gigi e Bibi se apaixonam e iniciam um ardente romance. Como fachada, Gigi dizia que tinha negócios com importação e exportação de veículos. Enquanto Bibi seguia com seus treinos e competições, Gigi continuava assaltando, agora bancos e carros-forte. O romance sofreria um forte abalo quando Gigi e sua gangue caem nas mãos da polícia belga. Um escândalo e tanto, afetando de forma trágica a vida de Bibi. Será que o seu amor por Gigi sobreviverá depois de tudo isso? Você encontrará a resposta no final, aliás, um surpreendente e triste final. O filme é muito bom, vale cada minuto de sua longa duração. Por sua atuação, o ator belga Schoenaerts firma-se como o novo astro bonitão do cinema europeu. E a jovem francesa Adèle também comprova que é uma ótima atriz, garantindo um lugar de destaque entre as melhores do cinema francês. Enfim, “Perseguido pelo Destino” é excelente. Não perca!  

domingo, 10 de novembro de 2019


Confesso que fiquei em dúvida se assistia ou não à comédia mexicana “ESCOLA DE SOLTEIRAS” (“SOLTERAS”). A princípio, estava descartando-a já pelo título e, ao mesmo tempo, pela sinopse: mulheres desesperadas à procura de um marido procuram a a tal escola. Para minha surpresa, a comédia é ótima. Dei muitas e boas risadas, me diverti muito. Trata-se de uma produção da Netflix que estreou mundialmente no dia 7 de junho de 2019. A história é toda centrada em Ana (Cassandra Ciangherotti), que, já passando dos 30, via quase todas as suas amigas se casarem – inclusive sua irmã gordinha - e ela continuava encalhada, pois Gabriel (Pablo Cruz), seu namorado há sete anos, não se decidia. Quando ela colocou Gabriel na parede, ele pulou fora. Uma de suas amigas, Tamara, feia de doer, conseguiu casar com um cara bonitão. Ana resolveu perguntar a ela como conseguiu fisgar o marido. Tamara deu a dica: uma Escola de Solteiras. Ana se inscreveu e começou a frequentar o curso. Daí para a frente, muitas confusões acontecem na vida da desesperada Ana, até que um dia chove na sua horta: aparece o simpático e bonitão Diego (Juan Pablo Medina). Pronto, agora é convencê-lo a levá-la ao altar, tarefa que não será nada fácil. A atriz Cassandra Ciangherotti, que eu não conhecia, é uma excelente comediante. Ela leva o filme nas costas. Graças a ela e ao trabalho do roteirista e diretor Luis Javier Henaine, o filme faz rir o tempo todo, numa sucessão de cenas hilariantes. Diversão garantida!

sexta-feira, 8 de novembro de 2019


“UM HOMEM FIEL” (“L’HOMME FIDÈLE”), 2018, França, 1h15m, comédia romântica dirigida por Louis Garrel, que também assina o roteiro juntamente com Jean-Claude Carrière. Louis, aliás, atua na pele do personagem principal da história, Abel, jovem jornalista que vive um romance com Marianne (Laetítia Casta, esposa de Garrel na vida real). Ao surpreender Abel dizendo que está grávida, Marianne confessa também que tem um caso com Paul, um amigo de ambos desde os tempos da faculdade. Mesmo chocado com as duas notícias, Abel pergunta a Marianne se ele é o pai. Mais uma surpresa: ela diz que tem certeza que o filho é de Paul. Diante de tanta notícia ruim, Abel arruma as malas e se manda para outra freguesia. Nove anos depois, Paul morre prematuramente e Abel vai ao enterro. Depois disso, Abel passa a assediar Marianne, tentando reatar o antigo romance. Ele, porém, terá de enfrentar a discordância de Joseph (Joseph Engel), filho de Marianne com Paul, que não aceita dividir a mãe com ninguém. As maquinações do menino para afastar Abel são hilariantes. Além disso, Ève (Lily-Rose Depp, filha do ator norte-americano Johnny Depp e da atriz e cantora francesa Vanessa Paradis), a irmã caçula do falecido, se declara a Abel, afirmando amá-lo há muito tempo. Dividido entre as duas, Abel continuará demonstrando sua habitual insegurança afetiva e por aí vai essa história bastante sensível e bem-humorada. É um filme de relacionamentos e de romances complicados, com personagens carentes de afetividade.  O filme é a cara do excelente cinema francês que acostumamos a admirar e curtir há muitos anos. Para mim, não foi nenhuma surpresa a qualidade de “Um Homem Fiel”, lembrando que Louis Garrel entende muito de cinema, apesar deste ser seu segundo longa-metragem como diretor. Com apenas 36 anos de idade, Garrel é mais conhecido como ator de mais de 40 filmes, alguns deles de muito destaque, como foi o caso de “Os Sonhadores”, dirigido por Bernardo Bertolucci, e o recente “A Bela Junie”. Louis teve um professor e tanto: seu pai, o consagrado e veterano cineasta francês Philippe Garrel. “Um Homem Fiel” foi uma das atrações da programação oficial do Festival Varilux de Cinema Francês, realizado em vários estados brasileiros em junho de 2019. Resumo da ópera: o filme é excelente, não perca!   

quarta-feira, 6 de novembro de 2019


Depois de tantos anos sem fazer um filme bom, Eddie Murphy acaba de protagonizar um filme simplesmente espetacular: “MEU NOME É DOLEMITE” (“DOLEMITE IS MY NAME”), produção da Netflix que estreou mundialmente em setembro de 2019. Fiquei tão entusiasmado com o filme e a atuação de Murphy que, quando terminou, depois de quase duas horas de duração, eu queria que continuasse. Quando terminou, também achei que está aí um filme que merece várias indicações ao Oscar 2020. E não é que um monte de críticos profissionais também achou o que eu achei? Vamos à história. Eddie Murphy faz o papel de Ruby Ray Moore, que nos anos 70 do século passado fez um grande sucesso nos Estados Unidos. Vendedor de discos numa loja durante o dia, à noite Moore fazia stand-up em espeluncas de Los Angeles, sendo ignorado pelo público. Para aumentar seu repertório, ele se inspirava em histórias contadas por velhos moradores de rua. Um deles citou um tal de Dolemite, que muitos anos atrás andava pela cidade contando piadas pornográficas e com muitos palavrões. A partir daí, Moore resolver incorporar o personagem Dolemite, incrementando suas piadas e músicas com obscenidades, palavrões e rimas de duplo sentido. Tudo do pior politicamente incorreto. O público adorou. Foi a “deixa” para Moore partir para a gravação de discos com suas músicas e piadas repletas de palavrões. Sucesso total, começou a vender como água. Claro, o ego de Moore inflou tanto a ponto de querer fazer um filme. Aqui começa a segunda parte - a mais engraçada - de “Meu Nome é Dolemite”. Estamos em 1975 e Moore reúne seus amigos mais fiéis, mais alguns estudantes de cinema, todos sem nenhuma experiência, e partem para a produção do filme. Os fatos que dão sequência à história são um deleite total para quem gosta de cinema, culminando num filme sensacional, talvez a grande surpresa do cinema do Tio Sam neste século. Desde a deliciosa trilha sonora, com o balanço vibrante da soul-music dos anos 70, aos impecáveis e criativos figurinos com a assinatura de Ruth E. Carter, vencedora do Oscar 2019 pelo seu trabalho em “Pantera Negra”, o elenco maravilhoso comandado por Eddie Murphy, que conta ainda com a espetacular Da’Vine Joy Randolph, que arrasa na pele da gorda sensual Lady Reed, um afetado e meio gay Wesley Snipes como o diretor D’Urville Martin (conquistou o cargo por ter aparecido numa ponta de “O Bebê de Rosemary”), além de Chris Rock, Mike Epps, Craig Robinson e tantos outros. Fazia tempo que eu não ficava tão entusiasmado com um filme norte-americano. Para se ter ideia de quanto o filme é bom, basta dizer que recebeu a avaliação de 97% do criterioso e rigoroso site de cinema Rotten Tomatoes. Não posso esquecer de destacar a direção do cineasta Craig Brewer e dos roteiristas Larry Karszewski e Scott Alexander, uns gênios. Enfim, “Meu Nome é Dolemite” recuperou não apenas o cinema norte-americano, mas também o ator Eddie Murphy, que não fazia um filme tão bom há tantos anos. Ah, durante os créditos finais o filme apresenta cenas do verdadeiro Ruby Ray Moore. Comovente e divertido, enfim um grande filme que merece ser aplaudido de pé. Três vezes Imperdível, Imperdível e Imperdível!            

terça-feira, 5 de novembro de 2019


Quer uma ótima dica de comédia? Anote aí: “DOIS BILHETES DE LOTERIA” (“DOUÃ LOZURI”), 2017, Romênia, 1h26m, roteiro e direção de Paul Negoescu. O filme conta a história de três amigos inseparáveis que vivem numa pequena cidade do interior da Romênia. Os três estão sempre duros e um dia resolvem fazer uma “vaquinha” para comprar um bilhete de loteria cujo prêmio está acumulado em 6 milhões de euros. E ganham. Até o dia de receber a bolada, o bilhete fica sob a guarda de Dinel (Dorian Boguta). Só que no dia seguinte, quando Dinel saía do prédio onde mora, acabou assaltado por dois pilantras, que levaram sua pochete. Dinel conta o que aconteceu para os amigos Sile (Dragos Bocur) e Pompiliu (Alexandru Papadopol). Ninguém ligou muito para o ocorrido. Afinal, estavam milionários e não se importariam com o roubo de uma simples pochete. Só que não contavam com um detalhe. Segundo Dinel, o bilhete estava dentro da pochete. E agora? Claro, o negócio agora é ir atrás de pistas que os levem aos ladrões. A partir daí, acontecem as mais hilariantes situações, principalmente porque os três amigos são muito atrapalhados. O jovem cineasta Paul Negoescu, de apenas 35 anos, mais conhecido como diretor de curtas, acertou em cheio neste que é o seu segundo longa-metragem. Seu maior trunfo foi, sem dúvida, contar com três atores realmente engraçados. Em tempos sinistros que vivemos neste nosso Brasil varonil, nada como um filme divertido como “Dois Bilhetes de Loteria”. Imperdível!