“STYX”, 2018,
Áustria/Alemanha, 1h35m, direção de Wolfgang Fischer, que assina o roteiro juntamente
com Ika Künzel. A história é centrada em Rieke (Susanne Wolff), uma médica que
resolve enfrentar uma grande aventura nas suas férias: velejar sozinha, no iate
“Asa Gray”, partindo de Gibraltar (sul da Espanha) até a Ilha de Ascensão, no Oceano
Atlântico. Trata-se de uma ilha britânica visitada várias vezes por Charles
Darwin em suas pesquisas. Logo você percebe que Rieke é uma navegadora
experiente. O filme quase inteiro acompanha essa viagem, sem qualquer diálogo –
a não ser dela com a rádio da Guarda Costeira -, mostrando o árduo trabalho de
Rieke em içar velas, corrigir a rota, verificar os equipamentos e enfrentar uma
ou outra tempestade. Mas nem por isso o filme é monótono. Pelo contrário, é
bastante movimentado, principalmente porque o barco vai pra lá e pra cá, sobe e
desce na agitação do alto-mar. Você tem a sensação de estar a bordo. Haja Dramin! Apesar
de uma forte tempestade que quase vira o barco, o restante da viagem transcorre
na maior normalidade. Até que Rieke chega perto da Ilha de Cabo Verde, perto da
costa do Senegal. Ali, ela avista um barco à deriva repleto de refugiados
africanos precisando de ajuda. Rieke tenta a todo custo pedir o auxílio da Guarda
Costeira, que determina, de forma autoritária, que ela fique longe do barco e siga
adiante com sua viagem. Como médica, porém, ela não dará atenção à ordem e
tentará ajudar os refugiados, mesmo que sua viagem seja prejudicada. O filme é
tão bom que conquistou mais de 30 premiações em festivais internacionais de
cinema, sendo ainda finalista do Prêmio Lux de Cinema do Parlamento Europeu.
Também foi exibido na Mostra Panorama do 68º Festival de Cinema de Berlim.
Fiquei intrigado com o título original, “STYX”. Pesquisei bastante e encontrei
o seu significado. Trata-se de uma ninfa na mitologia grega. Era filha de Tétis
e ajudou Zeus na Guerra Titanomaquia contra os titãs. Tá explicado? Resumo da
ópera: o filme é muito bom, valorizado pelo excelente desempenho da bela atriz
alemã Susanne Wolff, que, aos 46 anos, mostra excelente forma física. Não é à
toa que carrega o filme nas costas...
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
Como é possível realizar um
filme agradável de assistir utilizando apenas três personagens, somente um
cenário e acrescentar humor (negro) quando o assunto principal é a eutanásia? O
diretor suíço Lionel Baier conseguiu essa façanha com “A VAIDADE” (“LA
VANITÉ”), 2016, coprodução Suíça/França, 1h15m. É bom esclarecer que ele
teve a ajuda do roteirista Julien Bouissoux. Poderia ter sido uma peça de
teatro, mas ficou muito bem na telinha. Vamos à história: David Miller (Patrick
Lapp), um arquiteto consagrado, à beira dos 80, está com câncer terminal no cérebro
e, depois de três cirurgias, não conseguiu se livrar da doença. Preferiu então
contratar os serviços de uma instituição especializada em realizar eutanásias
assistidas – na Suíça, a eutanásia assistida é permitida desde 1942. Como local
de seu último suspiro, David escolheu um motel que ele e a falecida esposa,
também arquiteta, projetaram há muitos anos e que hoje está totalmente
decadente. Esperanza (a atriz espanhola Carmen Maura, a musa de tantos filmes
de Almodóvar) é a funcionária da organização encarregada de ministrar os
remédios fatais. De acordo com o protocolo da firma e da própria lei suíça, o
procedimento exige que haja uma testemunha. Davi e Esperanza precisaram
improvisar, convocando o prostituto Trépleu (Luan Georgiev), um imigrante russo
que naquela ocasião recebia seus clientes no quarto vizinho. A reunião entre estes três
personagens é que dá impulso à história. Cada um deles fala de seu passado,
problemas conjugais, suas escolhas na vida e conversam muito sobre a questão da
eutanásia. Tudo realizado com um pitadas de humor inteligente, principalmente durante
os diálogos, tornando esta produção suíça um ótimo entretenimento, valorizada
ainda mais pelo desempenho dos veteranos David Lapp e Carmen Maura, além de
Ivan Georgiev. No Swiss Film Prize, o Oscar suíço, Patrick Lapp e Ivan Georgiev
foram premiados por sua atuação. Enfim, cinema da melhor qualidade.
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
“A ESCOLA DA VIDA” (“L’ÉCOLE BUISSONNIÈRE”), 2017,
França, 116 minutos, direção de Nicolas Vanier, que escreveu o roteiro com a
colaboração de Jérôme Tonnerre. A história, ambientada nos anos 30 do século
passado, é centrada em Paul (Jean Scandel), um garoto que vivia desde que
nasceu num orfanato. Certo dia, uma mulher, se apresenta para adotar uma
criança e ela escolhe justamente Paul. Ela é Célestine (Valérie Karsenti), uma
das empregadas da mansão do Conde de La Fresnaye (François Berléand). Quando
chega com o menino à propriedade, na zona rural da França, ela se justifica ao
marido, Borel (Éric Elmosnino, de “Gainsbourg, O Homem que Amava as Mulheres”),
dizendo que Paul é filho de uma prima que mora em Paris e que passaria ali apenas
as férias, a mesma versão que contou ao conde. Durante um passeio para conhecer
as terras ao redor da mansão, Paul conhece Totoche (François Cluzet, de “Intocáveis”),
um caçador que vive na floresta. É com Totoche que Paul aprenderá a pescar, a
caçar e a viver em contato direto com a Natureza. Para quem ficava trancado no
orfanato, Paul encontrou o seu Paraíso, além do afeto paterno que nunca teve. Aos
poucos, o espectador vai se envolvendo com a história, torcendo por um final feliz
para o garoto. Pouco antes do desfecho, uma revelação surpreendente valoriza
ainda mais este simpático drama francês, realizado com humor e sensibilidade. O
diretor Vanier destacou na história inúmeros momentos dedicados à Natureza
selvagem do lugar. Vanie é conhecido como diretor de documentários que enfocam a Natureza selvagem, além de filmes com a mesma abordagem, como “Loup – Uma Amizade para Sempre” e “Belle e Sebastian”. “A
Escola da Vida” é um ótimo entretenimento para uma sessão da tarde com a
família e, claro, um balde de pipoca ao lado.
“PRIMEIRO,
MATARAM MEU PAI” (“FIRST THEY KILLED MY FATHER”), 2017,
coprodução Camboja/EUA, em parceria com a Netflix (a estreia mundial ocorreu em setembro de 2017), 2h16m, direção de Angelina Jolie, que também escreveu o
roteiro baseada no livro de memórias da cambojana Loug Ung (“First Day Killed
my Father: A Daughter of Campodia Remembers”). Loug Ung era uma menina de 5 anos
quando, em abril de 1975, o Khmer Vermelho assumiu o controle da capital do
país, Phnon Penh, instaurando um dos mais violentos regimes comunistas do
mundo, que duraria no Camboja até 1979. Loug (Sarfum Srey Moch, sensacional) e seus três irmãos, juntamente com
o pai e a mãe, fugiram para não serem presos. Corriam um grande perigo, pois o
pai (Phoeung Kompheak) era um militar do antigo regime. A fuga da família, os
perigos enfrentados no caminho, fome, doenças, torturas, separações, trabalhos forçados e
uma série de outros percalços foram mostrados no filme, que contou com um
grande elenco formado somente por amadores, além de centenas de figurantes. Um
trabalho sensacional da diva Angelina Jolie como diretora – foi o seu terceiro longa
(os outros dois foram “Na Terra de Amor e Ódio”, de 2011, onde o pano de fundo
é a guerra na Bósnia, e “À Beira-Mar”, de 2015, quando Jolie atuou ao lado do
então marico, Brad Pitt). A ligação de Jolie com o Camboja vem desde 2001,
quando ela e Brad adotaram um bebê cambojano, ao qual deram o nome de Maddox
Jolie-Pitt, hoje com 18 anos e cursando uma universidade na Coreia do Sul. Essa
ligação com o país levou Angelina a ler o livro escrito por Loug Ung,
entusiasmando-a a realizar este filme que é bastante esclarecedor sobre as
atrocidades cometidas pelo Khmer Vermelho, que, durante os quatro anos em que
esteve no poder assassinou mais de 2 milhões de cambojanos. “Primeiro, Mataram
Meu Pai” é obrigatório para quem gosta de História, e mais obrigatório ainda
para comprovar que Angelina Jolie também é uma competente diretora. O filme foi
selecionado para representar o Camboja na disputa do Oscar 2018 como Melhor
Filme Estrangeiro. Imperdível!
terça-feira, 26 de novembro de 2019
“RIR
OU MORRER” (“SUOMEN HAUSKIN MIES”), 2018, coprodução Finlândia/Suécia,
1h43m, roteiro e direção de Heikki Kujanpää. Filme visto por aqui durante a programação oficial da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2019. A história é baseada em incríveis
fatos reais ocorridos na Finlândia em 1918. Alemães e russos brigavam para quem
conseguiria dominar o país. Os alemães ganharam e aí começaram a prender os “vermelhos”
que apoiavam os russos, entre os quais muitos intelectuais, artistas,
escritores e atores de teatro, todos enviados para uma ilha que servia de campo
de concentração. “Rir e Morrer” é todo ambientado nesta ilha, onde os presos
passavam frio, fome e, de vez em quando, recebiam uma torturinha. Entre os presos,
alguns eram muito conhecidos, como o comediante Joivo Parikka (Martti Susalo), considerado
o homem mais engraçado da Finlândia. Helen Kalm (Leena Pöysti), esposa do violento
e sádico comandante da prisão Hjalmar Kalm (Jani Volanen), era amante de teatro
e fã de Parikka. Foi ela quem convenceu o marido a deixar Parikka criar uma
comédia para ser apresentada aos oficiais alemães que visitariam o campo de
concentração. Parikka acertou com o comandante que se os oficiais alemães
dessem risada, o pessoal do grupo teatral seria salvo do fuzilamento. Caso
contrário, seriam fuzilados logo após a peça. O filme apresenta, com muito
humor, os bastidores de tudo o que aconteceu, desde a elaboração do roteiro da
peça, que deveria obrigatoriamente exaltar os alemães, a escolha do elenco e os
preparativos finais para a estreia num palco improvisado. Apesar do contexto
dramático de um campo de concentração, o diretor Heikki Kujanpää fez de “Rir ou
Morrer” um filme bastante divertido. Mas o que deixa essa história ainda mais
saborosa é o fato de que é baseada em acontecimentos reais. Comédia dramática
das melhores.
segunda-feira, 25 de novembro de 2019
“6 BALÕES” (“6 BALLOONS”), 2018,
EUA, 1h15m, estreia no roteiro e direção da atriz Marja-Lewis Ryan. Trata-se de
um filme independente adquirido pela Netflix, que posteriormente o distribuiu
em seu sistema de streaming. Entre os coprodutores estão o ator Channing
Tatum e Samantha Housman. Pois foi na experiência real vivida por Housman que
Marja-Lewis teve a inspiração para escrever o roteiro. Trata-se de um impactante
drama familiar ambientado em apenas um dia em Los Angeles. Enquanto começam a chegar os convidados para a
festa-surpresa que preparou para o namorado, Katie (Abbi Jacobson) sente falta
do seu irmão mais novo, Seth (Dave Franco, irmão mais novo do também ator James
Franco), e resolve buscá-lo em casa. Quando chega, logo percebe que ele teve
uma recaída na droga – é viciado em heroína. Ela o coloca no carro, juntamente
com a filha dele de 4 anos no banco de trás. No meio do caminho, Seth começa a
ter claros sintomas de abstinência e não consegue se controlar. Sem saber o que
fazer, Katie resolve levá-lo a algum centro de recuperação, tarefa que se torna
quase impossível, mesmo porque é feriado nacional (4 de julho, Dia da Independência).
O filme, até o seu desfecho, acompanha a angustiante tentativa de Katie em
resolver o problema e ainda retornar à festa que organizou. As excelentes
atuações de Dave Franco (emagreceu bastante para fazer o papel) e Abbi Jacobson valorizam ainda mais esta produção que tem
como foco uma triste realidade do mundo em que vivemos, ou seja, os jovens se
entregando cada mais ao vício das drogas, destruindo vidas e famílias. Nesse contexto, “6 Balões” é um filme
bastante esclarecedor e impactante.
domingo, 24 de novembro de 2019
“CYRANO MON AMOUR” (“EDMOND”),
2019,
França, 1h53m, filme de estreia como roteirista e diretor do ator e dramaturgo
Alexis Michalik. Uma comédia baseada em fatos reais. Um prato (palco) cheio
para quem gosta de teatro. E mesmo para quem não gosta. O filme conta toda a
história de como o poeta e dramaturgo francês Edmond Rostand (1868-1918) –
interpretado por Thomas Solivérès – se inspirou para criar e escrever aquela
peça que seria o maior sucesso mundial do teatro clássico: “Cyrano De Bergerac”.
Ao mesmo tempo, conta tudo o que aconteceu às vésperas da grande estreia da
peça em Paris, em dezembro de 1897. Por exemplo, a escolha do elenco, encabeçado
pela grande estrela da época, o ator Benoît-Constant Coquelin (o ótimo Olivier
Gourmet), a pressão dos produtores, muita confusão durante os ensaios e o
estresse de Edmond, que não tinha o texto da peça pronto pouco antes da sua
estreia. O filme revela ainda que uma das principais inspirações de Edmond para
escrever a peça surgiu da vida atribulada de Hector Saviniende Cyrano de Bergerac,
um escritor francês sem grande sucesso que viveu no Século XVII. Outra
inspiração veio da paixão ardente de Léo Volny (Tom Leeb), melhor amigo de Edmond,
pela bela Jeanne D’Alcie (Lucie Boujenah). Apesar de bonito, Léo não tinha
cultura suficiente para escrever versos para a amada, uma condição que, na época,
era quase obrigatória para se conquistar uma mulher. Edmond escrevia cartas em
nome do amigo e as enviava para Jeanne. Edmond também tinha uma amiga que sempre
acreditou no seu talento e o ajudou muito: a diva do teatro Sarah
Bernhardt (Clémentine Célarie). O filme é um espetáculo, um retrato divertido e
delicioso dos bastidores de uma peça teatral que, a partir de sua estreia, se
transformou num dos maiores sucessos da dramaturgia mundial. Sem dúvida, a
inspiração para escrever o roteiro contou com a experiência de palco vivida pelo
jovem ator e dramaturgo Alexis Michalike, que também assumiu a direção com
muita competência, mesmo sendo seu primeiro longa-metragem. Também estão no
elenco o próprio Alexis Michalike, Mathilde Seigner e Alice de Lencqvesaing. Imperdível!
sexta-feira, 22 de novembro de 2019

quinta-feira, 21 de novembro de 2019
“PARADISE BEACH”, 2019,
França, 1h33m, roteiro e direção de Xavier Durringer. O filme começa em preto e
branco, mostrando um assalto a banco em Paris, a chegada da polícia, um tiroteio,
um policial morto e um assaltante ferido – os outros cinco fugiram com o dinheiro.
Aliás, com uma quantia bem volumosa. Quinze anos depois, Mehdi (Sami Bouajila), o tal
bandido ferido, sai da cadeia e ruma para a Tailândia, onde seus comparsas se
estabeleceram investindo o dinheiro roubado. Todos moram na cidade de Pucket,
também conhecida por Paradise Beach. Realmente, uma praia paradisíaca – os cenários
do filme são deslumbrantes. Mais do que matar a saudade dos amigos – um deles
seu irmão, Hicham (Tewfik Jallab) -, Mehdi quer, na verdade, a sua parte da
grana roubada. Aí a coisa fica feia, pois todos alegam que gastaram todo o
dinheiro. Em meio a esse conflito de interesses, uma gangue de imigrantes
africanos “roubam” algumas strippers da boate de Franck (Hugo Becker).
Para proteger o amigo, Mehdi inicia uma guerra sanguinolenta contra a turma de afrodescendentes.
E por aí vai a história, Mehdi tentando se salvar dos inimigos e, ao mesmo
tempo, recuperar sua parte no dinheiro do assalto. Ao comentar sobre “Paradise
Beach”, alguns críticos de cinema o elegeram como “o pior filme já produzido pela
Netflix”. Eu não chegaria a tanto, mas concordo que o filme é bem ruizinho. A
começar pelo elenco. Com exceção de Sami Bouajila, ator experiente do cinema
francês, o restante do elenco é muito fraco. Outro detalhe: como um filme que se
diz de ação consegue ser tão monótono?
quarta-feira, 20 de novembro de 2019
“ANNA – O PERIGO TEM NOME”
(“ANNA”), 2019, França, roteiro e direção de Luc Besson, 1h59m. Entretenimento
dos melhores, muita ação, tiros, perseguições, suspense e, principalmente, uma
mulher linda como protagonista principal. A história é ambientada nos anos 80,
quando a Guerra Fria ainda era quente. Anna (a atriz e ex-modelo russa Sasha
Luss) é uma modelo internacional que transita por vários países desfilando para
os principais estilistas da moda. Por onde passa, porém, deixa um rastro de
mortes e destruição. Anna utiliza sua fachada como modelo para servir à KGB, que
a treinou como espiã especialista em artes marciais e no manuseio das mais
diferentes armas de tiro. Sua mentora e chefe é Olga (Helen Mirren), ambas
subordinadas ao poderoso Vassiliev (Eric Godon), chefão da KGB. E seu parceiro
em algumas missões é Alex Tchenkov (Luke Evans) – incomoda, a mim pelo menos,
dois atores ingleses (Mirren e Evans) falando em inglês e tentando imitar o
sotaque russo; por que não utilizaram atores russos falando russo? Numa de suas
missões mais importantes, Anna é desmascarada pelo agente norte-americano Lenny Miller (Cillian
Murphy), da CIA, que, em troca de mantê-la viva, obriga-a a se tornar uma espiã
também da CIA. E uma de suas primeiras missões para o “outro lado” é assassinar
justamente o chefão Vassiliev. Muitas reviravoltas acontecerão até o desfecho,
valorizando ainda mais este ótimo filme de espionagem e ação. Dessa forma, "Anna" comprova a competência do cineasta francês Luc Besson em escrever e dirigir filmes de ação, que já tinha em seu currículo excelentes produções do gênero, como “Nikita – Criada para Matar”, “Lucy”,
“O Quinto Elemento”, “Imensidão Azul” e “O Profissional”, este último revelando
a ainda adolescente Natalie Portman. E foi Besson também o responsável por
revelar para o cinema a modelo e agora atriz Sasha Luss, que estreou em “Valerian
e a Cidade dos Mil Planetas”, de 2017, também de Besson. “Anna” é mais um gol de placa do
cineasta francês. Se você gosta de filmes de ação, não perca!
terça-feira, 19 de novembro de 2019
“O SEGREDO DE NORA” (“ANIMALES
SIN COLLAR”), 2018, suspense, produção espanhola da Netflix,
1h40m, filme de estreia no roteiro e na direção de Jota Linares, cineasta mais
conhecido por documentários. O filme começa com um grupo de amigos no fim de
uma balada regada a muita bebida e drogas. Um deles, porém, sofre uma overdose
e é praticamente jogado na porta de um hospital. A história é retomada anos
depois, quando Nora (Natalia de Molina) está casada com Abel (Daniel Grao), um
político de sucesso prestes a concorrer a um cargo no alto escalão do governo
espanhol. Nora e Abel estavam naquele grupo. Abel, por sinal, era irmão do
rapaz que morreu de overdose. Até aí ninguém ficara sabendo o que tinha
acontecido e o segredo deveria ser preservado para não prejudicar as ambições
políticas de Abel. Sem o marido saber, Nora estava sendo chantageada por um
outro amigo, Víctor (Ignacio Mateos), que presenciara o trágico acontecimento daquela
fatídica noite. No meio da história, surge Virgínia (Natalia Mateo), outro
personagem que participou da farra daquela noite. Não há para o
seu misterioso retorno. Aliás, o filme deixa várias pontas soltas, sem
explicação. Achei a história mal contada. Afinal, qual o segredo de Nora, a
chantagem ou o que aconteceu naquela noite. Terminou o filme e fiquei sem
saber. Se há um atrativo que mereça uma visita a este filme é a presença da
bela e competente atriz Natalia de Molina, que ficou ainda mais bonita com os cabelos loiros.
Enfim, um filme para quem gosta de decifrar mistérios e sair do cinema (ou de
frente da telinha) com uma grande dúvida: valeu a pena assistir?
segunda-feira, 18 de novembro de 2019
“UMA GUERRA PESSOAL” (“A
Private War”), 2018, coprodução EUA/Inglaterra, direção de
Matthew Heineman – é o seu primeiro longa-metragem. O roteiro foi escrito por
Arash Amel, baseado no artigo “Marie Colvin’s Private War”, da jornalista Marie
Brenner e publicado na Revista Vanity Fair, meses após a morte da sua colega de
profissão Marie Colvin, personagem principal dessa história. A norte-americana
Colvin (1956/2012) foi uma das jornalistas mais famosas e corajosas,
responsável por coberturas memoráveis em países em guerra como correspondente
do jornal inglês The Sunday Times. Ela esteve na frente de batalha no Zimbábue,
Somália, Tunísia, Iraque, Palestina, Chechênia, Kosovo, Líbia, Timor Leste e em
outros países em conflito. Durante a cobertura da guerra civil no Sri Lanka, em
2001, ela perdeu o olho esquerdo devido a estilhaços de uma granada. A partir
de então, passou a usar um tapa-olho, que foi sua marca registrada até 2012,
quando morreu na Síria, vítima de um míssil enviado pelo exército do ditador
Assad diretamente ao edifício onde estavam os jornalistas. “Uma Guerra Pessoal”
conta toda essa história e mostra que Colvin sofria do tal estresse
pós-traumático, o mesmo que acomete os soldados quando voltam para casa. Traumatizada
com as lembranças das áreas de conflito, Colvin começou a beber e nos anos
finais de sua vida já era alcoólatra. O filme também mostra sua amizade com o companheiro
de muitas coberturas, o fotógrafo Paul Conroy (Jamie Dornan, de “50 Tons de
Cinza”), que também morreu na Síria, e seu relacionamento com editor-chefe do
The Sunday Times (Tom Hollander). A atriz inglesa Rosemund Pike, que interpreta
a jornalista, foi indicada para o Globo de Ouro de 2019, mas não ganhou, e nem
ao menos recebeu indicação ao Oscar. Seu trabalho em “Uma Guerra Pessoal” é fantástico, melhor do que as cinco atrizes indicadas juntas. Mais uma grande
injustiça do Oscar, talvez a maior dos últimos anos. Além da história pessoal
de Marie Colvin, “Uma Guerra Pessoal”, que tem como um dos produtores a atriz
Charlize Theron, mostra com bastante realismo e muitas cenas de ação como é a cobertura dos
correspondentes de guerra e a coragem e o sangue-frio que precisam ter para
enfrentar os perigos nas zonas de combate. O filme é excelente e a história melhor ainda, pois apresenta uma mulher com a coragem que muitos homens não teriam. IMPERDÍVEL!
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
“O MESMO SANGUE” (“LA MISMA
SANGRE”), Argentina, 1h53m, produção da Netflix – sua estreia
mundial aconteceu dia 28 de fevereiro de 2019 -, roteiro e direção de Miguel Cohan.
Mais um bom suspense argentino. Depois de uma reunião familiar, a matriarca
Adriana (Paulina Garcia) desce para a cozinha industrial que mantém no porão da
casa para concluir uma encomenda. Algum tempo depois, ela é encontrada morta, enforcada
pelo colar que prendeu numa máquina. Tudo leva a crer que foi um acidente. Só
que o genro Sebastián (Diego Velásquez), ao constatar algumas evidências
estranhas, começa a desconfiar de Elías (Oscar Martinez), o viúvo. É bom
esclarecer que Elías está atolado em dívidas, principalmente com relação à
fazenda que herdou do pai. Como um verdadeiro detetive, Sebastián começa a
investigar a fundo a sua desconfiança, o que provocará uma crise em seu
casamento com Carla (Dolores Fonzi), que defende a inocência do pai com unhas e
dentes. Até o desfecho, o caso terá sido esclarecido, pelo menos para o
espectador, que lá pela metade do filme fica sabendo o que realmente aconteceu.
É o terceiro longa-metragem escrito e dirigido por Miguel Cohan – os dois
primeiros foram “Sin Retorno”, de 2010, e o aclamado “Betibú”, de 2014. Em “O
Mesmo Sangue”, Cohan fez mais um bom trabalho, prendendo a atenção do espectador
até o desfecho. Destaco o ótimo elenco, comandado pelo excelente Oscar Martínez.
Demorei para reconhecer a atriz chilena Paulina Garcia, do espetacular “Glória” (2013),
no papel de Adriana. Outros destaques são as presenças de Dolores Fonzi, talvez
a mais bela atriz do cinema argentino atual, e ainda o “detetive” Diego
Velásquez.
“HAPPY HOUR – VERDADES E CONSEQUÊNCIAS”, 2019,
coprodução Brasil-Argentina, 1h54m, roteiro e direção de Eduardo Albergaria. Trata-se
de uma comédia romântica focada no relacionamento tumultuado de Horácio (Pablo
Echarri), um professor universitário argentino radicado no Rio de Janeiro, e
Vera (Letícia Sabatella), uma deputada estadual que está prestes a lançar sua
candidatura ao cargo de prefeita. O casamento não anda às mil maravilhas, mas os
dois tentam manter as aparências. Até que um dia, num lance puramente casual,
Horácio vira herói depois de ser considerado responsável pela prisão de um marginal
conhecido como “ladrão aranha”, pois escala edifícios para roubar os
apartamentos. Com seu “suposto” ato de
coragem, Horácio não apenas ganha espaço na mídia, como também passa a atrair ainda
mais a atenção de suas alunas mais ousadas. Uma delas, Clara (Aline Jones),
fará com que Horácio reveja seus conceitos de fidelidade. Num rompante de pura
ingenuidade, Horácio diz a Vera o que está sentindo pela aluna e que,
provavelmente, a levará para a cama, o que aumenta ainda mais o estresse entre
o casal. Divórcio à vista, fato que pode atrapalhar a campanha de Vera. Aí entra
em ação o marqueteiro Arlindo (Chico Diaz, ótimo), que fará de tudo para que a
candidatura de Vera siga adiante independente da crise conjugal da deputada. Neste
que é seu filme de estreia como diretor, Albergaria (é brasileiro, apesar do
sobrenome) acerta principalmente ao privilegiar o humor e, como trunfo, tem a boa
atuação dos protagonistas principais, o galã argentino Pablo Echarri e a bela e
competente Letícia Sabatella. Soma-se à dupla um bom elenco de coadjuvantes,
como Chico Diaz, Aline Jones, Marcos Winter e Luciano Cáceres. Só fiquei em
dúvida com a escolha do título, que ainda não descobri que relação tem com a
história. Resumo da ópera: tipo do filme para ser curtido como entretenimento
fácil, sem exigir muito dos neurônios.
quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Desde que estreou como ator no
cinema em 1981 no filme “Best of Times”, ainda com o nome de Nicolas Coppola
(ele é sobrinho do famoso diretor), Nicolas Cage, hoje com 55 anos de idade, já
atuou em 103 filmes, sendo um dos astros mais famosos de Hollywood. Até ganhou
um Oscar de Melhor Ator, em 1996, em “Despedida em Las Vegas”. Em termos de
qualidade, porém, a carreira de Cage sempre teve altos e baixos. Nos últimos
anos, mais baixos do que altos. Seu mais recente filme, “CORRENDO COM O
DIABO” (“RUNNING WITH THE DEVIL”), 2019, ainda sem data para estrear
por aqui, também está longe de merecer elogios. Pelo menos da minha parte. Nele,
Cage é dos traficantes associados ao “The Boss” (Barry Paper), codinome do chefão
que comanda um poderoso cartel de drogas a partir do Canadá. “The Cook” é o
codinome de Cage, pois é dono e pizzaiolo de uma pizzaria (lavagem de dinheiro,
claro) em Illinois. Outro membro da quadrilha é “The Man” (Lawrence Fishburne),
um irresponsável que mistura sua droga para sobrar um tanto para uso próprio. Quando
ocorrem várias mortes por overdose causadas justamente pelas mercadorias do
cartel, “The Boss” fica desconfiado de que estão roubando sua cocaína e
misturando o resto com outras drogas. “The Cook” e “The Man” são encarregados
de investigar quem está estragando o negócio. Ao mesmo tempo, agentes do DEA
(Departamento Antidrogas dos Estados Unidos) estão atrás desse cartel,
principalmente depois que a irmã de uma de suas agentes (Leslie Bibb) morre de
overdose. O mais interessante desse filme é a descrição detalhada do caminho que a
cocaína percorre desde sua produção na Bolívia, passando pela Colômbia, México e
vários estados norte-americanos até chegar ao Canadá. O produtor boliviano da coca recebe
1.600 dólares por quilo. Quando chega ao Canadá, o quilo da droga já está valendo
nada mais nada menos do que U$ 40 mil!!! Este é o primeiro filme escrito e dirigido
por Jason Cabell. Para escrever o roteiro, Cabell recorreu à sua própria experiência
como combatente da força especial Navy Seals, grupo de elite da Marinha dos EUA.
Resumo da ópera: ainda não foi dessa vez, Cage...
terça-feira, 12 de novembro de 2019
“MUNDOS OPOSTOS” (“ENAS ALLOS
KOSMOS”), 2015, Grécia, 1h53m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Christoforos
Papakaliatis, que também atua no filme. Trata-se de uma ode a Eros (deus do
amor na mitologia grega). São três histórias de amor, todas ambientadas em
Atenas, desenvolvidas cada qual em uma conjuntura diferente. Na primeira, um
imigrante ilegal sírio salva uma jovem grega de ser estuprada e acabam se
apaixonando, sendo que o pai dela é um fascista e xenófobo radical, que comanda
uma milícia que sai à noite espancando imigrantes. O segundo capítulo reúne um
sujeito casado que conhece uma executiva de RH sueca que viaja para Atenas para
promover mudanças drásticas numa empresa, incluindo o enxugamento do seu quadro
de funcionários. Eles se apaixonam, mesmo que o destino lhes reserve uma
surpresa bastante desagradável. Na terceira história, o amor reúne duas pessoas
da terceira idade, um professor de história aposentado e uma dona de casa
infeliz no casamento. Em todas as histórias, portanto, uma coincidência fica
evidenciada: o amor é capaz de unir pessoas de “mundos opostos”, já que cada
casal é formado por um grego – ou grega – e a outra pessoa de fora do país. No
desfecho, os personagens dos três capítulos estarão interligados de alguma
forma, mais um trunfo do primoroso roteiro. Como pano de fundo, o diretor Papakaliatis
explora temas muito mais sérios, como a crise econômica mundial - em especial
na Grécia -, a aparente falência do capitalismo, a situação política da Europa e
ainda a questão do desemprego e dos refugiados. Com um certo exagero, o filme
decreta que Eros (o Amor) pode ser a solução de todos esses problemas. E dá-lhe
mitologia grega. Na primeira história estão Farris (Tawfeek Barhom), Daphne (Niki
Vakali) e Antonis, o pai fascista (Minas Hatziavvas). Na segunda, Giorgos (o
diretor Papakaliatis) e Elise (a bela atriz húngara Andrea Osvárti). E
finalmente, no terceiro capítulo, estão Maria (Maria Kavoyianni, em atuação
espetacular) e Sebastian (o ator norte-americano J.K. Simmons). Embora tenha
sido recebido com desdém pela crítica especializada, eu achei o filme muito
bom, sensível, sério e comovente. Cinema grego da melhor qualidade.
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
“PERSEGUIDO PELO DESTINO” (“LE
FIDÈLE”), 2017, Bélgica, 2h10m, roteiro e direção de Michaël R. Roskam
(indicado ao Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro por “Rundskop”). Estreou no
Festival de Veneza em setembro de 2017. Ação e romance são os dois principais
ingredientes deste excelente policial belga, estrelado por Matthias Schoenaerts
(“Ferrugem e Osso”) e Adèle Exarchopoulos (“Azul é a Cor mais Quente”). O belga
Shoenaerts faz o papel de Gigi Vanoirbeek, um marginal metido a playboy que
vive de assaltos com sua gangue, formada por amigos que, juntamente com ele,
passaram a juventude em reformatórios destinados a jovens delinquentes. Com seu
charme e alguns amigos importantes, Gigi frequentava a alta sociedade de Bruxelas.
No camarote de um autódromo, ele conheceu a pilota de corridas Bibi Delhany
(Adèle), filha de um rico empresário. Como era previsível, Gigi e Bibi se apaixonam
e iniciam um ardente romance. Como fachada, Gigi dizia que tinha negócios com
importação e exportação de veículos. Enquanto Bibi seguia com seus treinos e
competições, Gigi continuava assaltando, agora bancos e carros-forte. O romance
sofreria um forte abalo quando Gigi e sua gangue caem nas mãos da polícia
belga. Um escândalo e tanto, afetando de forma trágica a vida de Bibi. Será que
o seu amor por Gigi sobreviverá depois de tudo isso? Você encontrará a resposta
no final, aliás, um surpreendente e triste final. O filme é muito bom, vale cada minuto
de sua longa duração. Por sua atuação, o ator belga Schoenaerts firma-se como o
novo astro bonitão do cinema europeu. E a jovem francesa Adèle também comprova que é uma
ótima atriz, garantindo um lugar de destaque entre as melhores do cinema
francês. Enfim, “Perseguido pelo Destino” é excelente. Não perca!
domingo, 10 de novembro de 2019
Confesso que fiquei em dúvida
se assistia ou não à comédia mexicana “ESCOLA DE SOLTEIRAS” (“SOLTERAS”).
A princípio, estava descartando-a já pelo título e, ao mesmo tempo, pela sinopse: mulheres
desesperadas à procura de um marido procuram a a tal escola. Para minha
surpresa, a comédia é ótima. Dei muitas e boas risadas, me diverti muito. Trata-se
de uma produção da Netflix que estreou mundialmente no dia 7 de junho de 2019.
A história é toda centrada em Ana (Cassandra Ciangherotti), que, já passando
dos 30, via quase todas as suas amigas se casarem – inclusive sua irmã gordinha
- e ela continuava encalhada, pois Gabriel (Pablo Cruz), seu namorado há sete
anos, não se decidia. Quando ela colocou Gabriel na parede, ele pulou fora. Uma
de suas amigas, Tamara, feia de doer, conseguiu casar com um cara bonitão. Ana
resolveu perguntar a ela como conseguiu fisgar o marido. Tamara deu a dica: uma
Escola de Solteiras. Ana se inscreveu e começou a frequentar o curso. Daí para
a frente, muitas confusões acontecem na vida da desesperada Ana, até que um dia
chove na sua horta: aparece o simpático e bonitão Diego (Juan Pablo Medina).
Pronto, agora é convencê-lo a levá-la ao altar, tarefa que não será nada fácil.
A atriz Cassandra Ciangherotti, que eu não conhecia, é uma excelente
comediante. Ela leva o filme nas costas. Graças a ela e ao trabalho do
roteirista e diretor Luis Javier Henaine, o filme faz rir o tempo todo, numa
sucessão de cenas hilariantes. Diversão garantida!
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
“UM HOMEM FIEL” (“L’HOMME
FIDÈLE”), 2018, França, 1h15m, comédia romântica dirigida por Louis Garrel,
que também assina o roteiro juntamente com Jean-Claude Carrière. Louis, aliás,
atua na pele do personagem principal da história, Abel, jovem jornalista que vive
um romance com Marianne (Laetítia Casta, esposa de Garrel na vida real). Ao
surpreender Abel dizendo que está grávida, Marianne confessa também que tem um
caso com Paul, um amigo de ambos desde os tempos da faculdade. Mesmo chocado
com as duas notícias, Abel pergunta a Marianne se ele é o pai. Mais uma surpresa:
ela diz que tem certeza que o filho é de Paul. Diante de tanta notícia ruim,
Abel arruma as malas e se manda para outra freguesia. Nove anos depois, Paul
morre prematuramente e Abel vai ao enterro. Depois disso, Abel passa a assediar
Marianne, tentando reatar o antigo romance. Ele, porém, terá de enfrentar a discordância
de Joseph (Joseph Engel), filho de Marianne com Paul, que não aceita dividir a
mãe com ninguém. As maquinações do menino para afastar Abel são hilariantes. Além
disso, Ève (Lily-Rose Depp, filha do ator norte-americano Johnny Depp e da
atriz e cantora francesa Vanessa Paradis), a irmã caçula do falecido, se
declara a Abel, afirmando amá-lo há muito tempo. Dividido entre as duas, Abel
continuará demonstrando sua habitual insegurança afetiva e por aí vai essa história
bastante sensível e bem-humorada. É um filme de relacionamentos e de romances
complicados, com personagens carentes de afetividade. O filme é a cara do excelente cinema francês
que acostumamos a admirar e curtir há muitos anos. Para mim, não foi nenhuma
surpresa a qualidade de “Um Homem Fiel”, lembrando que Louis Garrel entende
muito de cinema, apesar deste ser seu segundo longa-metragem como diretor. Com
apenas 36 anos de idade, Garrel é mais conhecido como ator de mais de 40 filmes,
alguns deles de muito destaque, como foi o caso de “Os Sonhadores”, dirigido
por Bernardo Bertolucci, e o recente “A Bela Junie”. Louis teve um professor e
tanto: seu pai, o consagrado e veterano cineasta francês Philippe Garrel. “Um
Homem Fiel” foi uma das atrações da programação oficial do Festival Varilux de
Cinema Francês, realizado em vários estados brasileiros em junho de 2019. Resumo
da ópera: o filme é excelente, não perca!
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Depois de tantos anos sem
fazer um filme bom, Eddie Murphy acaba de protagonizar um filme simplesmente espetacular:
“MEU NOME É DOLEMITE” (“DOLEMITE IS MY NAME”), produção da Netflix que
estreou mundialmente em setembro de 2019. Fiquei tão entusiasmado com o filme e
a atuação de Murphy que, quando terminou, depois de quase duas horas de
duração, eu queria que continuasse. Quando terminou, também achei que está aí
um filme que merece várias indicações ao Oscar 2020. E não é que um monte de
críticos profissionais também achou o que eu achei? Vamos à história. Eddie
Murphy faz o papel de Ruby Ray Moore, que nos anos 70 do século passado fez um
grande sucesso nos Estados Unidos. Vendedor de discos numa loja durante o dia,
à noite Moore fazia stand-up em espeluncas de Los Angeles, sendo
ignorado pelo público. Para aumentar seu repertório, ele se inspirava em
histórias contadas por velhos moradores de rua. Um deles citou um tal de Dolemite,
que muitos anos atrás andava pela cidade contando piadas pornográficas e com
muitos palavrões. A partir daí, Moore resolver incorporar o personagem
Dolemite, incrementando suas piadas e músicas com obscenidades, palavrões e
rimas de duplo sentido. Tudo do pior politicamente incorreto. O público adorou. Foi
a “deixa” para Moore partir para a gravação de discos com suas músicas e piadas
repletas de palavrões. Sucesso total, começou a vender como água. Claro, o ego
de Moore inflou tanto a ponto de querer fazer um filme. Aqui começa a segunda
parte - a mais engraçada - de “Meu Nome é Dolemite”. Estamos em 1975 e Moore reúne seus amigos mais
fiéis, mais alguns estudantes de cinema, todos sem nenhuma experiência, e partem para a
produção do filme. Os fatos que dão sequência à história são um deleite total
para quem gosta de cinema, culminando num filme sensacional, talvez a grande
surpresa do cinema do Tio Sam neste século. Desde a deliciosa trilha sonora, com
o balanço vibrante da soul-music dos anos 70, aos impecáveis e criativos
figurinos com a assinatura de Ruth E. Carter, vencedora do Oscar 2019 pelo seu
trabalho em “Pantera Negra”, o elenco maravilhoso comandado por Eddie Murphy,
que conta ainda com a espetacular Da’Vine Joy Randolph, que arrasa na pele da
gorda sensual Lady Reed, um afetado e meio gay Wesley Snipes como o diretor D’Urville
Martin (conquistou o cargo por ter aparecido numa ponta de “O Bebê de Rosemary”),
além de Chris Rock, Mike Epps, Craig Robinson e tantos outros. Fazia tempo que
eu não ficava tão entusiasmado com um filme norte-americano. Para se ter
ideia de quanto o filme é bom, basta dizer que recebeu a avaliação de 97% do criterioso
e rigoroso site de cinema Rotten Tomatoes. Não posso esquecer de destacar a
direção do cineasta Craig Brewer e dos roteiristas Larry Karszewski e Scott
Alexander, uns gênios. Enfim, “Meu Nome é Dolemite” recuperou não apenas o cinema
norte-americano, mas também o ator Eddie Murphy, que não fazia um filme tão bom
há tantos anos. Ah, durante os créditos finais o filme apresenta cenas do verdadeiro
Ruby Ray Moore. Comovente e divertido, enfim um grande filme que merece ser
aplaudido de pé. Três vezes Imperdível, Imperdível e Imperdível!
terça-feira, 5 de novembro de 2019
Quer uma ótima dica de
comédia? Anote aí: “DOIS BILHETES DE LOTERIA” (“DOUÃ LOZURI”),
2017, Romênia, 1h26m, roteiro e direção de Paul Negoescu. O filme conta a
história de três amigos inseparáveis que vivem numa pequena cidade do interior
da Romênia. Os três estão sempre duros e um dia resolvem fazer uma “vaquinha” para comprar um
bilhete de loteria cujo prêmio está acumulado em 6 milhões de euros. E ganham. Até
o dia de receber a bolada, o bilhete fica sob a guarda de Dinel (Dorian
Boguta). Só que no dia seguinte, quando Dinel saía do prédio onde mora, acabou assaltado
por dois pilantras, que levaram sua pochete. Dinel conta o que aconteceu para
os amigos Sile (Dragos Bocur) e Pompiliu (Alexandru Papadopol). Ninguém ligou
muito para o ocorrido. Afinal, estavam milionários e não se importariam com o
roubo de uma simples pochete. Só que não contavam com um detalhe. Segundo Dinel,
o bilhete estava dentro da pochete. E agora? Claro, o negócio agora é ir atrás
de pistas que os levem aos ladrões. A partir daí, acontecem as mais hilariantes
situações, principalmente porque os três amigos são muito atrapalhados. O jovem cineasta Paul Negoescu, de
apenas 35 anos, mais conhecido como diretor de curtas, acertou em cheio neste
que é o seu segundo longa-metragem. Seu maior trunfo foi, sem dúvida, contar
com três atores realmente engraçados. Em tempos sinistros que vivemos neste
nosso Brasil varonil, nada como um filme divertido como “Dois Bilhetes de
Loteria”. Imperdível!
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