sábado, 28 de outubro de 2017

“MANUSCRITOS NÃO QUEIMAM” (“DAST-NEVESHTEHAA NEMISOOSAND”), 2013, Irã, 2h14m. Polêmico thriller político escrito e dirigido por Nohammad Rasoulop, que teve a coragem de desafiar, novamente, o governo iraniano. Desde 1910, quando foi preso por fazer filmes denunciando a censura e a repressão existentes no país, Rasoulop estava proibido de trabalhar. Além disso, seu passaporte foi confiscado pelas autoridades iranianas, que impediram sua viagem à Alemanha para participar do Festival Internacional de Direitos Humanos de Nuremberg. As filmagens de “Manuscritos não Queimam” foram realizadas clandestinamente e, por questão de segurança, os nomes dos atores e da equipe técnica não aparecem nos créditos. Claro que o filme foi proibido no Irã, mas foi aclamado no Festival de Cannes 2013, onde conquistou o prêmio FIPRESCI da Mostra “Um Certo Olhar”. Sua exibição terminou com o público aplaudindo de pé. Por aqui, somente foi exibido no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em 2013. O filme denuncia um caso verídico ocorrido anos antes envolvendo uma tentativa do governo iraniano de assassinar 21 escritores num atentado que não deu certo. A história toda está contada nos manuscritos guardados na casa de um poeta. Os assassinos de aluguel Morteza e Khosrow ficaram encarregados de encontrá-los e assassinar o seu autor. Confesso que até bem depois da metade do filme fique especulando, sem entender, o que estava acontecendo. Mas logo depois, além de entender, deu para sentir a força impactante dessa produção clandestina iraniana. Não digo que seja um filmaço, mas muito poderoso pela denúncia. Só para espectadores que curtem filmes políticos.                 


“O EFEITO AQUÁTICO” (“L’Effet Aquatique”), 88 minutos, França/Islândia, 2015, escrito e dirigido pela diretora islandesa Sólveig Anspach. Logo após o término das filmagens, Anspach faleceu e a montagem ficou a cargo do francês Jean-Luc Gaget, seu assistente direto. Trata-se de uma comédia romântica que conta a história de Samir (Samir Guesmi), um operador de guindaste em Montreuil, arredores de Paris, que se apaixona pela instrutora de natação Agathe (Forence Loiret Caille). A paixão foi tão forte que Samir inscreve-se nas aulas de Agathe numa piscina pública de Paris. O romance começa bem, mas logo termina a partir do momento em que Agathe descobre que Samir nada muito bem. A partir daí, o filme passa para uma segunda etapa, na Islândia, para onde Agathe viaja para participar de um congresso internacional de instrutores de piscina. Samir descobre e também vai para a Islândia tentar a reconciliação. O filme foi premiado como Melhor Roteiro na mostra “Quinzena dos Realizadores” do Festival de Cannes 2016 e também no tradicional César, o Oscar francês. Por aqui, foi exibido no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro 2016, mas não ganhou projeção no circuito comercial. Achei o filme muito fraco, oferece pouco humor para uma comédia romântica e é tão sem graça quanto o ator Samir Guesmi, uma espécie de Mr. Bean francês. Se algo vale a pena são as paisagens islandesas exploradas com competência pela fotografia de Isabelle Razavet. Da mesma diretora, recomendo o drama "Lulu Nua e Crua", este sim um belo filme.              


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

“A ÚLTIMA PRINCESA” (“DEOKHYEONGJU”), 2016, Coreia do Sul. Belíssimo trabalho de reconstituição histórica do roteirista e diretor Jin-Ho Hur, enfocando a turbulenta trajetória de vida da Princesa Deokhye (1912-1989), última remanescente da Dinastia Joseon (1392-1897). A história, baseada no livro "Princesa Deokhye", de Kwon Bi-Young, começa quando a princesa, ainda menina, vê o seu pai (Rei Gojong) morrer envenenado. Na época, a Coreia era dominada pelo Japão. Quando perceberam que a princesa poderia causar problemas, os japoneses a exilaram no Japão, onde foi obrigada a casar com o Conde So Takeyukim, membro importante da monarquia imperial japonesa. De tão infeliz, principalmente por não poder voltar ao seu país, Deokhye acaba sofrendo um colapso e é internada num hospital psiquiátrico. Muitos anos depois, graças ao empenho de um antigo amigo, Jang-Han (Park Hae II), a princesa consegue finalmente voltar à Coreia. Deokhye é interpretada na juventude por So-Hyun Kim e, na fase adulta, por Son Ye Jin. O filme é irresistível, não apenas pelo fundo histórico e político – uma aula de história coreana , mas também pela caracterização de época, cenários deslumbrantes e uma fotografia da mais alta qualidade. Recomendo também outro filme cujo pano de fundo é a resistência coreana ao domínio japonês: “A Era da Escuridão”.              


terça-feira, 24 de outubro de 2017

“O BAR” (“EL BAR”), 2016, Espanha, roteiro e direção de Álex de La Iglesia (“Balada do Amor”). Um misto de suspense, comédia de humor negro e ficção científica. Num bar no centro de Madri, as pessoas vão chegando para o café da manhã. De repente, ecoa um tiro e o pessoal que está no bar vê que um pedestre foi atingido na calçada. Um dos clientes sai para socorrer o que foi baleado e também recebe um tiro. Claro que ninguém mais quer sair do tal bar. São três mulheres e cinco homens que observam o mundo lá fora ficar muito estranho: ruas vazias, os cadáveres dos homens desaparecem, começa um grande incêndio, homens com máscaras antigás desinfetando tudo pela frente etc. De dentro do bar, a impressão que dá é que o mundo está acabando. A partir daí, toda a ação se resume ao interior do bar e depois pelo esgoto da cidade. Entre os oito “reféns” da situação estão um mendigo que não para de citar a Bíblia, uma dondoca à espera do namorado, um policial aposentado, a dona e um funcionário do bar, além de outras figuras estranhas. O desespero da situação conturba o ambiente e começam os desentendimentos. Eles só irão se entender a partir do momento em que precisam encontrar uma saída para fugir do bar. Ou seja, recuperar a sanidade e tentar sair dali vivos. Se o filme é fraco por si só, o desfecho então beira o ridículo. Aliás, ridículo mesmo é figurino que arranjaram para o galã canastrão Mario Casas, com barba e suspensório ao estilo Amish. O filme estreou no 67º Festival de Berlim, em fevereiro de 2017, e tem no elenco atores e atrizes espanhóis bastante conhecidos: além de Casas, Blanca Suárez, Carmen Machi, Jaime Ordóñez, Alejandro Awada e Terele Pávez. Descartável!         


domingo, 22 de outubro de 2017

“ASSIM QUE ABRO MEUS OLHOS” (“À PEINE J’OUVRE LES YEUX”), Tunísia/França, 2015, marca a estreia da tunisiana Leyla Bouzid na direção – ela também assina o roteiro. Mesmo que o centro da história seja ficcional, o filme resgata os acontecimentos que deram origem ao movimento que viria a se chamar “Primavera Árabe”, a partir de dezembro de 2010, responsável pela derrubada dos presidentes da Tunísia, do Egito e da Líbia, além de gerar violentos protestos em outros países do Oriente Médio e do Norte da África. O filme é todo ambientado em Túnis e centrado na jovem Farah (Baya Medhaffar), de 18 anos, vocalista de uma banda de pop-rock cujas letras protestam contra o governo tunisiano comandado pelo ditador Zine el-Abidine Ben Ali, que seria deposto meses depois. Canções de protesto, contendo letras com frases como “Ricos têm dentes de ouro, enquanto os pobres estão desdentados” ou “Assim que abro meus olhos eu vejo aqueles privados de trabalho e de comida”. A banda se apresenta em bares lotados de Túnis e os jovens aderem às músicas, gritando seus refrões. Claro que não demora  muito para as autoridades começarem a repressão, o que desencadeia todo um movimento revolucionário. Além do aspecto político, o filme destaca o relacionamento conflituoso entre Farah e a mãe, Hayet (a maravilhosa atriz Ghalia Benali). O filme representou a Tunísia na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro, foi premiado em diversos festivais, inclusive o de Veneza, e foi considerado pelo site IndieWire “O melhor filme de ficção sobre a Primavera Árabe até agora”. Realmente, um filmaço!      


sábado, 21 de outubro de 2017

O cinema atual da Romênia já nos presenteou com grandes filmes, como “Instinto Materno”, de 2013, e “Casamento Silencioso”, de 2008, que considero uma pequena obra-prima cinematográfica, entre tantos outros. “GRADUAÇÃO” (“BACALAUREAT”), 2016, chega para consagrar em definitivo o diretor Cristian Mungiu, também autor do roteiro. Mungiu caiu nas graças dos críticos profissionais depois de “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, de 2007, que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Em 2012, Mungiu assinou o roteiro e a direção de outro grande filme, “Além das Montanhas”. Em “Graduação”, Mungiu trata de moral e ética ao contar a história de Romeo Aldea (Adrian Titieni), um médico bastante respeitado na pequena cidade de Cluj, na Transilvânia, que fará tudo para conseguir que a filha Eliza (Maria Victoria Dragus) obtenha uma nota alta nos exames finais que lhe darão uma bolsa para estudar Psicologia na Inglaterra. Só que, um dia antes, Eliza é atacada por um tarado e fica abalada psicologicamente, o que a impedirá de realizar uma boa prova. O pano de fundo político entra na história ao lembrar que tanto Romeo quanto sua esposa Magda (Lia Bugnar), na juventude, tiveram a liberdade cerceada pela ditadura de Ceauseascu. Além de uma manobra bastante antiética para favorecer a filha, Romeo ainda enfrenta o colapso do seu casamento e a pressão da amante Sandra (Malina Manovici), diretora da escola de Eliza. O filme garantiu a Mungiu o Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes 2016. Adrian Titieni ganhou o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Chicago. Imperdível!      

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

“A PROMESSA” (“The Promise”), 2016, EUA, 2h15m, roteiro e direção do irlandês Terry George (“Hotel Ruanda” e “O Negociador”). Pela primeira vez, Hollywood trata da questão do genocídio praticado pelos turcos contra os armênios entre 1914 e 1917 – os turcos negam até hoje. Pelo menos um milhão e meio de armênios foram perseguidos e assassinados pelo exército do então Império Otomano (atual Turquia). Infelizmente, o diretor Terry George preferiu dar mais ênfase ao triângulo amoroso envolvendo a bela Ana (a atriz canadense Charlotte Le Bon), Michael (o ator guatemalteco Oscar Isaac) e Michael (Christian Bale). As informações históricas sobre o genocídio ficaram de lado, fazendo com que o assunto fosse colocado apenas como pano de fundo para uma trama de amor à beira do novelesco. Resumo da história: o armênio Michael sonha em ser médico, mas a família não pode pagar a faculdade. Dessa forma, ele aceita casar com a jovem Maral (Angela Sarafyan) em troca de um dote substancioso. Longe de Maral, Michael conhece a também armênia Ana, namorada do fotógrafo norte-americano Chris. Até o final do filme, os dois disputarão o amor da moça. Claro que no meio do romance tem muita cena de ação e violência, uma das poucas referências ao genocídio. O filme somente foi realizado graças ao milionário Kirk Kerkorian, filho de imigrantes armênios que se tornou um grande empresário em Hollywood e dono de cassinos. Antes de morrer, aos 98 anos, em 2015, ele investiu do próprio bolso US$ 100 milhões na produção do filme, que talvez não tenha conseguido ver depois de pronto. “A Promessa” estreou no Festival de Toronto/2016 sem conseguir arrancar aplausos da plateia e nem críticas elogiosas, mas é um bom programa.      

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

“MEL” (“MIELE”), 2013, Itália. Em seu primeiro filme como diretora e roteirista, a atriz Valeria Golino dá mostras de que entende do riscado. O pano de fundo é a eutanásia. A história toda é centrada em Irene (Jasmine Trinca), também chamada de “Honey”, o que justifica o título. Com a orientação de um amigo médico, de quem é sócia na empreitada, Irene ajuda pacientes em estado terminal a morrer de maneira digna e sem dor. Para isso, utiliza um remédio utilizado para sacrificar animais doentes e que, pelo que entendi, não deixa vestígios nos seres humanos. Para obter a substância, Irene faz constantes viagens ao México, onde a venda do remédio é  liberada. Irene começa a repensar sua atividade quando recebe a incumbência de ajudar o engenheiro Carlo Grimaldi (o ótimo Carlo Cecchi) a passar para o outro mundo. No meio do processo, ela descobre que Carlo não tem nenhuma doença grave, o que não justificaria o procedimento. A italiana Jasmine Trinca brilha como a personagem principal, o que não é surpresa, pois vem demonstrando muita competência desde que estreou no cinema, em 2001, no filme “O Quarto do Filho”, de Nanni Moretti. Depois participou de filmes como “Maravilhoso Boccacio” e “O Franco Atirador”, contracenando com o astro Sean Penn. Jasmine Trinca consolida-se cada vez mais como uma das atrizes italianas mais bonitas e competentes da atualidade. “Mel” foi selecionado para a mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes 2013, recebendo uma menção especial do Júri Ecuménico.    

domingo, 15 de outubro de 2017

“SOPHIE E O SOL NASCENTE” (“Sophie and the Rising Sun”, título original e também do livro de  Augusta Trobaugh), EUA, 2016, escrito e dirigido por Maggie Greenwald. Ambientada em 1941 no pequeno vilarejo de Salty Creek, Carolina do Sul, a história é centrada no romance de Sophie Willis (Julianne Nicholson) e Grover Ohta (Takashi Yamaguchi), um asiático que, meses antes, havia sido encontrado desacordado e bastante ferido numa rua do vilarejo. Ele é levado para a casa de Anne Morrison (Margot Martindale), que cuida de seus ferimentos e lhe dá guarida. Apelidado pela vizinhança de “chinês” – na verdade, ele é descendente de japoneses –, Ohta acaba conhecendo a solitária Sophie, que vive da pesca e venda de caranguejos. Os dois começam a se encontrar escondidos, já que os moradores do vilarejo são bastante conservadores e, muitos deles, racistas. Até que os japoneses atacam a base norte-americana de Pearl Harbor. Como os milhares de japoneses residentes nos EUA, Ohta passa a ser perseguido, sofre agressões e é obrigado a se esconder. Mas nem mesmo essa situação impede o romance com Sophie. No elenco, destaque para os desempenhos de Diane Ladd como a vilã ultraconservadora e fofoqueira e de Lorraine Toussaint como a governanta de Anne. O filme fez parte da seleção oficial do Sundance Film Festival e foi exibido pela primeira vez no Brasil durante a 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2016.    
Selecionado para representar Israel na disputa do Oscar/2016 de Melhor Filme Estrangeiro, “BABA JOON” tem como seu principal trunfo a simplicidade. A história, as locações, o elenco, tudo muito simples e realizado com bastante sensibilidade pelo diretor Yuval Delshad, também autor do roteiro, marcando sua estreia em longas. A história é centrada na relação do autoritário Yitzhak (Navid Negahban) e seu filho Moti (Asher Avrahami), de 12 anos. Com muito trabalho e sacrifício físico, Yitzahak administra uma fazenda de criação de perus no interior de Israel, empreendimento criado pelo pai “Baba” Joon (Rafael Eliasi), que muitos anos antes saiu do Irã e se estabeleceu em Israel, convertendo-se ao judaísmo. Yitzhak insiste, muitas vezes utilizando a violência, em convencer Moti a aprender a cuidar da granja, mas o garoto só quer saber de mecânica, montar, desmontar e consertar motores. Ou seja, essa história de um negócio de pai para filho não faz parte das intenções de Moti. Para piorar a situação, chega para uma visita Dariush (David Diaan), irmão de Yitzhak, que também se livrou da fazenda para viver e trabalhar nos EUA. Dariush dá a maior força a Moti, o que contraria Yitzhak, gerando um grave conflito familiar. O filme é falado em persa, língua oficial do Irã, assim como do Afeganistão e Tajiquistão. “Baba Joon” foi premiado em vários festivais de cinema pelo mundo afora e por aqui foi exibido durante o Festival do Cinema Judaico de São Paulo, em 2016. Também foi eleito o Melhor Filme de 2015 pela Israeli Film Academy.  

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

“AS CONFISSÕES” (“Le Confissioni”), Itália, 2015, direção de Roberto Andó, que também escreveu o roteiro em parceria com Angelo Pasquini. Trata-se de um drama de fundo político e religioso, com algumas pitadas de suspense, além de muita erudição. Num luxuoso hotel na costa do Báltico estão reunidos, para discutir a economia global e europeia, os ministros das Finanças do G-8 (os oito países mais desenvolvidos). O encontro tem a coordenação de Daniel Roché (Daniel Auteuil), presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Como convidados especiais para amenizar o ambiente, estão hospedados um monge misterioso (Toni Servillo), uma consagrada escritora de livros infantis (Connie Nielsen) e um músico roqueiro quarentão (Johan Heldenbergh). Uma determinada noite, Roché pede que o monge vá ao seu quarto, pois pretende se confessar. Na mesma noite, o presidente do FMI é encontrado morto. A partir desse fato, todos passam a pressionar o monge a revelar a confissão feita pelo falecido. Os ministros desconfiam que Roché, na confissão, possa ter contado algum segredo que não poderia ser revelado. Num clima repleto de intrigas, a polícia tenta desvendar o mistério da morte do executivo do FMI. O filme faz duras críticas ao sistema capitalista, principalmente o alinhamento dos países ricos contra os mais pobres e a soberania dos banqueiros. Os diálogos são do mais alto nível e talvez sejam a cereja do bolo desta ótima produção italiana. Mais uma atuação magistral do ator italiano Toni Servillo, de “A Grande Beleza”. O elenco conta ainda com Pierfrancesco Favino, Moritz Bleibtreu, Lambert Wilson e Marie-Josée Croze. Filmaço!    
“ESTA É A SUA MORTE – O SHOW” (“THE Show”), 2017, EUA, roteiro assinado por Noha Pink e Kenny Yakkel, com direção do ator Giancarlo Esposito, que também está no elenco e tem um dos papeis principais. Trata-se de uma das mais contundentes críticas ao sensacionalismo adotado pelos programas de TV, principalmente os reality shows. Na sequência inicial, o apresentador Adam Rogers (Josh Duhamel) comanda a parte final de um programa ao vivo onde um milionário escolhe para esposa uma das candidatas. A que não foi escolhida pega um revólver e mata o “noivo” e aponta a arma para a moça escolhida. Rogers salta à frente e protege aquela que seria a segunda vítima. Claro que a audiência vai às alturas. Depois do que aconteceu, Ilana Katz (Famke Janssen), principal diretora da emissora, dá sinal verde a Rogers para implementar um programa que aumente ainda mais a audiência. Ou seja, para conquistar uma audiência maior, vale tudo, até mesmo mostrar suicídios ao vivo. Trata-se do segundo filme dirigido por Esposito, mais conhecido por sua participação como ator em séries como “Breaking Bad”, “Revolução” e “The Get Down”. Também estão no elenco Caitlin Fitzgerald e Sarah Wayne Callies, além de uma ponta de luxo pelo ator James Franco. É um filme bastante interessante - apesar de algumas cenas realmente chocantes - e, mesmo sendo uma ficção, não fica muito longe da realidade em que vivemos atualmente.        

terça-feira, 10 de outubro de 2017

“Z: A CIDADE PERDIDA” (“The Lost City of Z”), EUA, 2016. Quem ler o título vai pensar que se trata de mais um filme de aventuras ao estilo Indiana Jones. Tudo bem, toda a ação até que lembra, mas este, ao contrário das histórias do herói vivido por Harrison Ford, não é um filme de ficção. Trata-se da trajetória verídica do explorador e arqueólogo inglês Percy Fawcett (1867/1925), que nas primeiras décadas do Século XX viajou várias vezes para a Amazônia em busca de uma cidade perdida – a do título. Tudo começa em 1906, quando Fawcett (Charlie Hunnam), também oficial do exército inglês, recebe a missão de cartografar os limites inexplorados da Amazônia, mais especificamente na fronteira do Brasil com a Bolívia. Nesta sua primeira viagem, Fawcett descobre evidências de uma civilização que considerou avançada. Ao apresentar sua descoberta aos membros da Sociedade Geográfica Real (Royal Geographic Society), Fawcett foi ridicularizado, mas mesmo assim recebeu apoio financeiro para outras expedições. Quando começa a I Grande Guerra, ele é escalado para lutar nos campos da França contra os alemães. Depois do conflito, Fawcett ainda voltaria mais algumas vezes para a Amazônia, onde desapareceria juntamente com seu filho Jack (Tom Holand, o atual “Homem-Aranha”). A história é baseada no livro “The Lost City of Z”, escrito por David Grann e agora adaptado para o cinema pelo diretor James Gray (“Os Donos da Noite” e “Era uma Vez em Nova Iorque”), também autor do roteiro. O elenco conta ainda com Robert Pattinson e Sienna Miller. O filme estreou, com elogios da crítica e do público, no 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017. Um ótimo programa para uma sessão da tarde com pipoca.    

domingo, 8 de outubro de 2017

Romance, aventura e História, ingredientes que fazem de “AMOR EM TEMPOS DE GUERRA” (“The Ottoman Lieutenant”), EUA, 2016, um programa bastante interessante. Pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial, a enfermeira norte-americana Lillie (a atriz islandesa Hera Hilmar) vai a uma palestra onde conhece o Dr. Jade (Josh Hartnett), médico que trabalha numa missão voluntária na Anatólia, território da Turquia – na época, Império Otomano. Lillie se encanta com o desafio de participar desse trabalho e, mesmo contrariando os pais, embarca na aventura. Ao chegar à Turquia, ela ganha a escolta do oficial do exército Ismail (o ator holandês Michiel Huisman). Quando chega ao hospital, Lillie é apresentada ao dr. Woodruff (Ben Kingsley), fundador da missão (hoje seria uma Ong). Com o início da I Guerra Mundial e a possível invasão russa, além dos conflitos internos entre armênios e otomanos, Lillie e seus companheiros enfrentarão grandes desafios em meio à violência reinante. Mesmo nesse cenário conturbado, haverá espaço para o romance entre Lillie e o oficial turco, para desespero e ciúme do Dr. Jade. O filme teve a direção de Joseph Ruben ("Dormindo com o Inimigo", "Os Esquecidos"), com roteiro de Jeff Stockwell. Mesmo previsível e recheado de clichês típicos de um melodrama açucarado, o filme garante um ótimo entretenimento. As incríveis locações na Turquia, valorizadas por uma excelente fotografia, proporcionam um visual deslumbrante.    

sábado, 7 de outubro de 2017

“NA VERTICAL” (“RESTER VERTICAL”), França, 2016, escrito e dirigido por Alain Guiraudie (“Um Estranho no Lago”). Difícil interpretar e até comentar um filme tão esquisito, pesado e perturbador. Um roteirista de cinema, Léo (Damien Ronnard), vaga sem rumo pelo interior da França em busca de uma ideia para seu próximo filme, algo relacionado com os lobos. Em sua trajetória, Léo acaba conhecendo Marie (India Hair), filha de um pastor de ovelhas e mãe solteira de dois meninos, e um idoso que vive em conflito com seu neto. Seu envolvimento com Marie resulta no nascimento de um filho, que ela rejeita em consequência de uma depressão pós-parto. Todo esse contexto desagradável resulta em cenas repulsivas de sexo – beirando o explícito , parto normal e sodomia, o que consagra esta produção francesa como uma das mais indigestas e repugnantes já realizadas nos últimos anos. Além disso, as situações envolvendo o personagem principal são bastante inverossímeis, como a consulta a uma mulher misteriosa no meio de um pântano, beirando o surreal. Todos os personagens revelam um acentuado desequilíbrio mental, o que deve ser uma característica da personalidade do próprio diretor, capaz de criar um filme tão repulsivo e mórbido. Como em “Estranho no Lago”, Guiraudie quis novamente chocar a plateia – o que conseguiu durante o 69º Festival de Cannes (2016) , mas certamente será reconhecido como um diretor apelativo e com alguma disfunção de personalidade. Se você procura um filme que proporcione um entretenimento leve, passe longe. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Produzido pela Walt Disney Pictures em parceria com a ESPN Films, “RAINHA DE KATWE” (“Queen of Katwe”), 2016, EUA, conta a incrível e comovente história de Phiona Mutesi (Madina Nalwanga), uma menina pobre residente na favela de Katwe, na periferia de Kampala, capital da Uganda, que se tornou campeã nacional de Xadrez e jogadora de destaque internacional. O filme acompanha a trajetória da garota desde 2007 até 2012, mostrando a extrema pobreza em que vivia com a família, muitas vezes sem ter o que comer. Phiona e seu irmão Brian se inscrevem num pequeno projeto de esportes na periferia de Katwe que promovia a inclusão de crianças pobres na prática do Xadrez. Eles iam, na verdade, para comer o mingau que era distribuído gratuitamente aos participantes. Só que Phiona demonstrou um grande talento para o Xadrez e foi incentivada pelo treinador Robert Katende (David Oyelowo) a levar os treinamentos a sério, mesmo contra a vontade da mãe da menina, Harriet (Lupita Nyong’o), que preferia ver a filha vendendo milho nas ruas para ganhar algum dinheiro. O filme é sensível e bastante realista, principalmente ao abordar e mostrar a extrema pobreza em que vivia Phiona e sua família – as filmagens aconteceram na própria Katwe e em Joanesburgo (África do Sul). A direção do filme ficou a cargo da indiana radicada nos EUA Mira Nair e o roteiro foi escrito por William Wheeler, baseado no livro “The Queen of Katwe: A Story of Life, Chess and One Extraordinary Girl’s Dream of Becoming a Grande Master”, de Tim Crothers. Há que se destacar, além da incrível história, a ótima atuação da atriz Lupita Nyong’o como a mãe de Phiona. Vencedora do Oscar de Atriz Coadjuvante em 2014 pelo filme “12 Anos de Escravidão”, Lupita nasceu no México – mãe mexicana e pai queniano. O ator inglês David Oylenwo também está excelente no papel de treinador de Phiona. Para fechar com chave de ouro este belo filme, nos créditos finais são mostrados, lado a lado, os atores e os personagens reais que interpretaram, os quais acompanharam, pessoalmente, cada detalhe das filmagens, prestando assessoria à diretora Mira Nair. Imperdível!            
                                                                            


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O material de divulgação e a sinopse informam que o filme é baseado em fatos reais, só que omitem quando e onde tudo aconteceu. Deve ter sido nos EUA, onde tudo acontece. De qualquer forma, trata-se de uma história incrível, adaptada para o cinema como “12 PÉS DE PROFUNDIDADE” (“12 Feet Deep” – a tradução para o português é minha, já que o filme ainda não chegou por aqui), escrito e dirigido por Matt Eskandari (“Jogo de Assassinos”). Duas irmãs, Jonna (Alexandra Park) e Bree (Nora-Jane Noone), estão se divertindo numa piscina pública olímpica quando uma delas deixa cair o anel de noivado. As duas mergulham e acham o anel, só que preso num dos ralos. O treinador McGradey (Tobin Bell) acha que todo mundo já foi embora e fecha a cobertura móvel da piscina, feita de fibra de vidro, passa a tranca no ginásio e vai embora. As moças ficam então presas entre a água e a cobertura, um espaço de mais ou menos meio metro. A sensação é claustrofóbica e angustiante. Aflição pura. Se você pensa que a situação das irmãs pode piorar ainda mais, acertou. Lá pelas tantas aparece a faxineira da noite, uma ex-presidiária, que resolve chantagear as moças para levantar uma grana. Além disso, uma das irmãs é diabética e precisa urgentemente de uma injeção de insulina. Haja sofrimento! Até que o filme funciona como suspense e você ficará na expectativa de saber como tudo irá terminar. Claro que tem bastante enrolação e papo furado para passar o tempo até o desfecho. Vale para uma sessão da tarde com pipoca.           
                                                                            


domingo, 1 de outubro de 2017

“UM LAÇO DE AMOR” (“GIFTED”), 2016, EUA, roteiro de Tom Flynn e direção de Mark Webb (“O Espetacular Homem-Aranha”, “A Marca de Electra”). Desde a morte trágica e precoce de sua irmã, Frank Adler (Chris Evans, o “Capitão América”) cria sua sobrinha Mary (McKenna Grace), uma menina superdotada, um gênio na matemática. E, como todo gênio, também geniosa. Ao perceber que a inteligência de Mary é muito acima do normal, a diretora do colégio chama Frank e diz que ela precisava ir para um colégio para crianças superdotadas. Frank não permite, pois quer que Mary cresça e seja educada como uma criança normal. Nesse meio tempo aparece a avó Evelyn (Lindsay Duncan), que entra com um processo para obter a guarda da menina. Aí o filme vira um drama de tribunal, com as partes brigando pela menina. Não é apenas no filme que McKenna Grace é um prodígio. Como atriz, hoje com apenas 11 anos, ela atua desde 2013, em séries especiais de TV e cinema (“Como se tornar um Conquistador” e “Amityville: O Despertar”, entre outros). Ela é o grande destaque desse filme, que tem ainda no elenco a ótima Octavia Spencer e Jenny Slate. Enfim, um filme bastante agradável, sensível e comovente, próprio para assistir com toda família        
O thriller “CORRA!” (“Get Out”), EUA, primeiro filme escrito e dirigido pelo ator Jordan Peele, foi a grande sensação do Sundance Film Festival (janeiro de 2017), o mais conceituado festival de filmes independentes. Orçado em apenas US$ 4,5 milhões, faturou em alguns meses nada menos do que US$ 252 milhões, tornando-se um dos filmes mais lucrativos de 2017. Trata-se de um suspense psicológico, com altas doses de humor negro (Peele é mais conhecido como comediante) e que tem como pano de fundo o racismo, ou, mais especificamente, as relações inter-raciais. A história: Rose (Allison Williams) leva o namorado afro-descendente Chris Washington (Daniel Kaluuya) para passar o final de semana na casa de seus pais, o neurocirurgião Dean e a psiquiatra Missy Armitage (Bradley Whitford e Catherine Keener). Rose não avisa que Chris é negro. Em todo caso, ele é bem recebido pelos Armitage, família que inclui ainda o irmão de Rose, Jeremy (Caleb Landry Jones). Para deixar de lado qualquer dúvida, o pai de Rose afirma que já votou no presidente Obama duas vezes e que votaria novamente. Só que essa aparente boa recepção acaba se transformando num terrível pesadelo para Chris. O filme garante bastante tensão, alguns bons sustos e momentos bem-humorados. Quando o filme começou, lembrei de “Adivinhe Quem Vem Para Jantar”, o clássico dirigido em 1967 por Stanley Kramer. Uma jovem (Katherine Houghton) leva o namorado negro (Sidney Poitier) para jantar na casa dos pais brancos (Spencer Tracy e Katherine Hepburn). Neste, tudo termina bem, ao contrário de “CORRA!”.         

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

“ABLUKA” (“Bloqueio”, na tradução literal do turco), 2015, Turquia/França, segundo filme escrito e dirigido por Emin Alper, jovem diretor de 43 anos. Numa Istambul frequentemente vítima de atos terroristas, Kadir (Mehmet Özgür) é colocado em liberdade condicional depois de ficar preso por 20 anos. Ele é obrigado a assumir o compromisso de vigiar seus vizinhos e denunciar aqueles que sejam suspeitos de praticar os atentados. Quando chega ao seu bairro, na periferia de Istambul, Kadir procura seu irmão Ahmet (Berkay Ates), mais novo, que na época de sua prisão era apenas um garoto de 7 anos de idade. Abandonado pela mulher, que levou embora os filhos, Ahmet encontra-se em depressão e quase não sai de casa. Kadir vai tentar ajudá-lo a sair dessa situação. Ao mesmo tempo, Kadir e Ahmet são integrados a uma equipe de trabalhadores encarregados de revirar as latas de lixo da periferia de Istambul em busca de indícios que levem a algum terrorista. Além disso, o grupo é obrigado a participar de um trabalho encomendado pela prefeitura local com o objetivo de eliminar – assassinar – os cachorros de rua, o que resulta em cenas bastante chocantes. Os fatos transcorrem sem muita explicação, a começar pelo motivo da prisão de Kadir, não esclarecido até o final. Trata-se de um drama muito pesado, desagradável de assistir, que certamente vai revirar o estômago dos espectadores mais sensíveis. Mas não deixa de ser interessante, não apenas pela história em si, mas por mostrar uma periferia de extrema pobreza, um cenário de Istambul que não faz parte das revistas ou guias de turismo. Exibido durante a 72ª edição do Festival de Cinema de Veneza, “Abluka” conquistou Prêmio Especial do Júri.        

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

“APRENDIZ” (o título original é “Apprentice”, em inglês, uma das línguas oficiais de Singapura – embora o filme não seja falado em inglês), 2016, Singapura, 115 minutos, escrito e dirigido por Junfeng Boo. A história é centrada num ex-militar do exército de Singapura, Aiman (Firdaus Rahman), que consegue emprego como guarda numa penitenciária de segurança máxima, também responsável pela execução de presos condenados à morte. No caso, por enforcamento. Enquanto Aiman é levado a conhecer o seu novo local de trabalho, a gente logo percebe que sua intenção pode ser outra. Algo relacionado com o que aconteceu com seu pai no passado. Aiman logo cai nas graças de Rahim (Wan Hanafi Su), que há trinta anos é o carrasco oficial da prisão, ou seja, o sujeito que puxa a alavanca da forca. Rahim nomeia Aiman seu assistente, ou seja, o aprendiz de carrasco, a quem repassa todos os segredos de uma execução eficiente. A relação entre Aiman e Rahim é o fio condutor de toda a história. O filme é surpreendente, pois consegue prender a atenção do espectador com uma história simples, um roteiro enxuto e primoroso, com poucos personagens. Um drama da melhor qualidade, que representou Singapura na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2017, além de ter sido indicado ao prêmio “Um Certain Regard” no Festival de Cannes 2016. Também foi premiado em vários festivais de cinema pelo mundo afora. Um filme que merece ser visto por quem aprecia cinema de qualidade.                                                                             

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

“DE CABEÇA ERGUIDA” (“La Tête Haute”), 2015, França, direção da atriz e diretora Emmanuelle Bercot, que também escreveu o roteiro em conjunto com Marcia Romano. A história é centrada em Malonny (Rod Paradot), um jovem delinquente que, aos seis anos, é abandonado por Séverine (Sara Forestier), uma mãe irresponsável que desistiu de cuidar do garoto, afirmando à juíza Florence Baque (Catherine Deneuve) que “ele é um delinquente desde que começou a andar”. Sob a tutela do Estado francês, Malonny, nos dez anos seguintes, passou por vários reformatórios, dos quais fugia para roubar carros. Dado a explosões de raiva seguidas de agressões a quem estivesse à sua frente, Malony acabava sempre detido e, em várias ocasiões, encaminhado à presença da juíza Florence, que lhe deu todas as chances para se recuperar, sem nenhum sucesso. Florence resolveu então indicar um tutor de sua confiança, Yann (Benoit Magimel), que vai tentar de tudo para convencer o garoto a ter um pouco de juízo. O filme é ótimo, com destaque para o excelente desempenho do estreante Rod Paradot e da atriz Sara Forestier, que interpreta sua mãe. O filme foi selecionado para ser exibido na abertura do Festival de Cannes 2015. Aliás, desde 1987 que um filme dirigido por uma mulher não abria o aclamado festival. Por aqui, foi exibido também em 2015 durante a programação do Festival Varilux de Cinema Francês.