quarta-feira, 26 de maio de 2021

 

“SANGUE NA BOCA” (“SANGRE EN LA BOCA”), 2016, coprodução Argentina/Itália, 1h37m, direção de Hernán Belón, que também assina o roteiro com a colaboração de Marcelo Pitrola. Trata-se de um drama de fundo esportivo e erótico, cujo principal personagem é o pugilista profissional Ramón Alvia (Leonardo Sbaraglia), mais conhecido como “El Tigre”. Perto dos 40 anos, após conquistar o título sul-americano em sua categoria, ele promete à esposa Karina (a atriz italiana Erica Banchi) que encerrará a carreira nos ringues para ajudá-la a montar um estabelecimento comercial. Um dia, porém, ao visitar os amigos no ginásio de treinamento, ele conhece a jovem pugilista Débora (Eva De Dominici), por quem se apaixona, e vice-versa. É uma paixão avassaladora que resultará no fim do seu casamento. Além disso, cheio de energia, ele colocará seu título em jogo contra um lutador muito mais jovem. Mas sua felicidade, tanto na cama com a amante, como também nos ringues, não durará muito. O filme tem como seu principal trunfo o desempenho do elenco, principalmente o astro argentino Sbaraglia, que também faz sucesso no cinema espanhol, a estonteante e boa atriz também argentina Eva de Dominici e a italiana Erica Banchi. As cenas de luta são muito bem coreografadas, lembrando que os argentinos têm uma longa tradição de bons pugilistas e adoram o esporte. Mas o que me chamou mais a atenção foram as cenas calientes de sexo, realistas à beira do explícito, e que exploram com muita competência a beleza da atriz Eva De Dominici. Recomendo que, antes de apertar o play, retire as crianças da sala. Eu gostei muito e recomendo. Mais um filme argentino a fazer inveja a nosotros.         

terça-feira, 25 de maio de 2021

 

FERRY, 2020, coprodução Bélgica/Holanda, 1h46m, roteiro de Nico Moolenaar e Bart Uytdenhouwen, direção de Cecilia Verheyden, produção Netflix. Baseada em fatos reais envolvendo o famoso criminoso holandês Janus Van Wessenbeeck, que na primeira década deste século era um grande traficante que atuava na Bélgica e na Holanda a partir de Amsterdã, recebendo o apelido de “Pablo Escobar da Europa”. No filme, o seu personagem recebeu o nome de Ferry Bouman (Frank Lammers). “Ferry” conta sua trajetória no crime, primeiro como principal gangster e braço direito do chefão mafioso Brink (Huub Stapel) e depois assumindo um cartel que fabricava e vendia drogas sintéticas, principalmente ecstasy. O filme logo teve uma sequência, a série televisiva “Operação Ecstasy” (“Undercover”), também disponível na Netflix. O filme começa com um assalto no escritório do chefão Brink, que culmina com a morte de seu filho. Ferry fica encarregado de cumprir a vingança, ou seja, assassinar os três responsáveis. A missão o leva a Brabant, sua cidade natal, no interior da Holanda. Ele descobre que sua primeira vítima mora num acampamento de trailers, onde Ferry aluga um para vigiar os passos do seu alvo. Além disso, ele voltará a ter contato com sua irmã Claudia (Monic Hendrickx), que não vê há cinco anos e que está sofrendo de um câncer terminal. Em meio à sua vigilância no acampamento, Ferry conhece Daniëlle (Elise Schaap), que será responsável por amolecer o coração do gângster, mas não capaz de impedir sua vingança. O ator holandês Frank Lammers carrega o filme nas costas compondo o personagem de um sujeito aparentemente bonachão, mas que na realidade é um assassino frio e violento. Quem gosta de curtir filmes com personagens mafiosos, como eu, vai curtir muito “Ferry” e muito mais a série “Operação Ecstasy”, que também pretendo assistir.       

 

domingo, 23 de maio de 2021

 

“EU SOU TODAS AS MENINAS” (“I AM ALL GIRLS”), 2020, África do Sul, 1h47m, roteiro e direção de Donovan Marsh. O cinema sul-africano não é muito conhecido por aqui, e, se não fosse a plataforma Netflix, jamais teríamos oportunidade de assistir a este ótimo drama baseado em fatos reais. Na década de 90, com a prisão do pedófilo Gert de Jager, a polícia descobriu um esquema de contrabando de meninas que envolvia não apenas figuras importantes do governo de Johanesburgo, mas também sheiks e autoridades de países árabes. As meninas eram sequestradas nas favelas e depois vendidas ao exterior. Anos depois, algumas figuras importantes começam a ser assassinadas com requintes de tortura. O peito das vítimas era marcado a ferro e fogo com as iniciais de meninas desaparecidas, provavelmente sequestradas e vendidas. É quando a detetive Jodie Snyman (Erica Wessels), do Departamento de Crimes Especiais, entra em ação, juntamente com o detetive Samuel Apendse (Brendon Daniels) e com a perita técnica Ntombizonke Bapai (Hlubi Mboya). Enquanto outros assassinatos da mesma forma continuavam acontecendo, Jodie descobre que o esquema de sequestro de garotas continuava. Até o desfecho, a policial terá de enfrentar a desconfiança de que um dos membros de sua equipe pode estar envolvido na morte dos pedófilos. Envolvida emocionalmente com o sofrimento das meninas sequestradas, Jodie começa a cometer alguns  abusos, principalmente depois de identificar algumas pessoas responsáveis pelo esquema, inclusive um ministro do Partido Nacional, ligado ao governo sul-africano. No desfecho da história, quando o caso parece estar resolvido, Jodie embarca sigilosamente para o Irã, onde um sheik esconde algumas garotas. O filme termina assim, o que sugere que, provavelmente, haverá uma sequência. Vamos aguardar. Trocando em miúdos, o filme é muito bom e esclarecedor com relação à prática abominável do sequestro de garotas para fins sexuais.   

sexta-feira, 21 de maio de 2021

"A VELHA GUARDA" (na Netflix, você encontrará como "THE OLD GUARD"), 2020, Estados Unidos, 2h5m, direção de Gina Prince-Bythewood. A história é baseada na HQ com o mesmo título escrita por Greg Rucka e ilustrada por Leandro Fernández. O autor do roteiro do filme é o próprio Rucka. A história é bem maluca. Reúne quatro soldados imortais que percorrem o mundo fazendo o bem. Isso desde a época das Cruzadas, passando por guerras, calamidades e outros fatos históricos importantes da humanidade. Andy (Charlize Theron), a mais antiga, é a chefe do grupo que está junto há séculos, do qual fazem parte ainda Sebastian Brooke (Matthias Schoenaerts), Joe (Marwan Kenzari) e Nicky (Luca Marinelli). O filme começa nos dias atuais, quando os quatro guerreiros, agora mercenários, recebem a missão de resgatar crianças sequestradas no Sudão. Eles descobrem que é uma armadilha, planejada justamente por aquele que os contratou, o ex-agente da CIA James Copley (Chiwetel Ejiofor). Logo depois, uma grande surpresa chega ao conhecimento do grupo. Eles descobrem que Nile Freeman (Kiki Layne), uma soldada do exército norte-americano em missão no Afeganistão também é uma imortal. Andy vai até lá para recrutá-la. E assim, agora com cinco integrantes, o grupo tentará descobrir o que está por trás das intenções de Copley e chegam ao cientista Steven Merrick (Harry Melling), proprietário de um famoso laboratório farmacêutico. Quem não se importar com história tão fantasiosa pode curtir “The Old Guard”, pelo menos com suas boas sequências de ação, sem contar com a presença de Charlise Theron, a diva maior do cinema atual. Uma constatação interessante diz respeito ao elenco, uma verdadeira ONU: Charlize é sul-africana; Luca Marinelli é italiano; Schoenaertes é belga: Kenzari holandês; Kiki Layne é norte-americana; Harry Melling inglês, assim como Ejiofor; e ainda Ngô Thanh Vân, vietnamita e AnaMaria Marinca uma atriz romena. Voltando ao filme, trata-se, enfim, de uma grande bobagem, mas dá para curtir sem compromisso com os neurônios, não ofende nossa inteligência e combina perfeitamente com uma vasilha de pipoca.    

quinta-feira, 20 de maio de 2021

 

FÉ DE ETARRAS (FE DE ETARRAS), 2017, Espanha, 1h29m, produção original Netflix, direção de Borja Cobeaga, que também assina o roteiro com a colaboração de Diego San José. Trata-se de uma sátira com humor mordaz - e inteligente - envolvendo militantes do ETA (Euskadi Ta Askatasuna, em basco; em português, Patria Basca e Liberdade), principal organização do Movimento de Libertação Nacional Basco. Depois de uma tentativa frustrada de um atentado terrorista anos antes, Martín (Javier Cámara) agora é encarregado de treinar uma equipe e aguardar a ordem de seus superiores para concretizar uma ação. Estamos em 2010, e toda a história transcorre durante os jogos da Copa do Mundo de Futebol na África do Sul. Em um apartamento alugado, Martín aguarda a chegada dos outros três militantes: Pernando (Julián López), Álex (Gorka Otxoa) e Ainara (Miren Ibarguren). Enquanto esperam a ordem, os quatro terão a oportunidade de discutir vários assuntos, quase todos relacionados à luta do ETA, a situação política mundial e, acreditem, receitas da culinária espanhola, isso tudo acompanhando pela TV os jogos da copa do mundo, torcendo contra a Espanha – que no final seria a campeã. Tentando viver discretamente no “esconderijo”, os quatro etarras (como são chamados os militantes do ETA) abrirão a guarda para uma vizinha que lhes oferece comida, um outro vizinho que quer fazer amizade e ainda um casal de árabes. As situações vividas pelos quatro militantes trapalhões dão margem a sequências hilariantes, além dos diálogos afiados. “Fé de Etarras” é aquele tipo de filme que andava escondido na Netflix e que a gente tem o enorme prazer de descobrir. Diversão garantida.                 

terça-feira, 18 de maio de 2021

 

A MULHER NA JANELA (THE WOMAN IN THE WINDOW), 2020, Estados Unidos, 1h40m, direção de Joe Wright, que também assina o roteiro com a colaboração de Tracy Letts. Recentemente integrado à plataforma Netflix, trata-se de um suspense psicológico inspirado no livro “The Woman in the Window”, de A. J. Finn – pseudônimo do romancista Dan Mallory. A história é toda centrada na psicóloga infantil Anna Fox (Amy Adams), que depois de uma tragédia familiar se enclausura dentro de casa, sofrendo de depressão e agorafobia (medo de lugares públicos). Até as sessões com seu terapeuta, dr. Landy (Tracy Latts), acontecem em sua casa. À base de remédios, Anna passa os dias e as noites na janela, observando atentamente o que se passa na rua e na vizinhança – impossível não comparar com “Janela Indiscreta” (1954), clássico de Alfred Hitchcock. Aí acontece uma grande novidade: um casal, com um filho adolescente, muda para a casa bem em frente. Gente nova para Anna observar. Certo dia ela recebe a visita de uma mulher que se diz chamar Jane (Julianne Moore), a nova vizinha da casa da frente. De uma forma ou de outra, ela acaba interagindo com o restante da família, primeiro com Ethan (Fred Hechinger) e depois com o pai dele, Alistair Russell (Gary Oldman). Mas o pior estava por vir. Com o zoom de sua maquina fotográfica, Anna testemunha o assassinato de Jane dentro da casa, sendo que o assassino está fora do enquadramento, sendo impossível identificá-lo. Anna chama a polícia e aí começa a investigação sobre o crime. A conclusão inicial é de que Anna estava tendo alucinações por causa dos remédios, mas uma reviravolta acontece perto do final explicando tudo o que aconteceu. Claro que pelo excelente elenco, que inclui ainda uma irreconhecível Jennifer Jason Leigh, a gente poderia esperar um filme muito melhor, ainda mais que o diretor Joe Wright apresenta no currículo bons filmes como “Anna Karenina”, “Desejo e Reparação”, “Hanna” e o “Destino de Uma Nação”, entre outros. A crítica especializada detonou “A Mulher na Janela”, principalmente o seu roteiro, o qual consideraram fraco e confuso, mesma opinião da pesquisa realizada pelo exigente site Rotten Tomatoes, cuja aprovação ao filme só chegou aos 24%. Não achei tão ruim assim. E até recomendo, pois garante um bom entretenimento.                       

segunda-feira, 17 de maio de 2021

 

OTHER PEOPLE (título original como está na Netflix), 2016, Estados Unidos, 1h37m, roteiro e direção de Chris Kelly. Ao estrear no Festival de Cinema de Sundance (EUA), em 2016, o filme arrancou elogios entusiasmados da crítica especializada, sendo indicado ao Grande Prêmio do Júri. Trata-se de um exemplo clássico do gênero comédia dramática, caracterizado por motivar risos e lágrimas. É justamente o que este filme independente oferece com grande competência. É o primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Chris Kelly, mais conhecido como roteirista do programa humorístico “Saturday Night Live”. Vamos à história de “Other People”, criada a partir da própria experiência de vida do diretor Kelly. O jovem escritor gay David Mulcahey (Jesse Plemons) resolve sair de Nova Iorque para voltar a morar com a família em Sacramento (Califórnia). Por uma razão muito especial: sua mãe Joanne (Molly Shannon) está sofrendo de um câncer terminal e tem poucos meses de vida. Outro fator que contribuiu para a mudança foi o término do namoro com Paul (Zach Woods), com quem morava na Big Apple. Junto com o pai conservador, que jamais aceitou a sua opção sexual, e suas irmãs mais novas, David acompanhará o sofrimento da mãe, fazendo com que seus últimos dias sejam recheados de alegria e carinho. Como escrevi no início, o filme é muito triste, mas tem seus momentos de humor. Humor sutil e inteligente, aliás. Os diálogos são muito bem elaborados, constituindo-se em um dos trunfos desse ótimo drama. Em um deles, o personagem de David diz a um amigo uma frase que motivou o título do filme: “A gente vê isso tudo acontecer com outras pessoas”. É preciso destacar também a atuação maravilhosa da veterana atriz Molly Shannon, que domina todas as cenas em que aparece, além da interpretação primorosa do ator Jesse Plemons. Ainda integram o elenco Maude Aptow, Bradley Whitford e Madisen Beaty. Um filme de muita qualidade que deve ser conferido.                  

sábado, 15 de maio de 2021

O MISTERIOSO CASO DE JUDITH WINSTED (THE ATTICUS INSTITUTE), 2015, Estados Unidos, 1h32m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Chris Sparling. Terror bastante assustador, não indicado para estômagos fracos, repleto de sustos e eventos sobrenaturais. Melhor ainda, baseado em fatos reais e filmado como se fosse um documentário, o que tornou o filme ainda mais realista e aterrorizante. O ano é 1976. Estamos no Atticus Institute, um laboratório psicológico criado para estudar fenômenos paranormais, tipo telepatia, telecinesia (dom de movimentar objetos) etc. O instituto realmente existiu. O diretor é o dr. Henry West (William Mapother). Começa o filme com a chegada ao Atticus de Judith Winstead (Rya Kihistedt), uma mulher que, segundo a própria irmã que a levou, estava apresentando um comportamento muito estranho, parecendo estar possuída por alguma entidade maligna. Prato cheio para os pesquisadores. Os testes começaram e logo irão comprovar que Judith tem mesmo poderes sobrenaturais que assustarão toda a equipe do Dr. West. O caso chega ao conhecimento do governo norte-americano, que chega à conclusão de que os poderes da moça ameaçam a segurança nacional. Isto porque ela demonstrou a capacidade de invadir a mente de outras pessoas. Dessa forma, através do FBI, o governo assume a administração do instituto e o comando dos testes com Judith. O filme é recheado de depoimentos dos supostos participantes dos testes e familiares de Judith, todos atores, mas incrivelmente verossímeis. Segundo o material de divulgação do filme, este foi o único caso de possessão reconhecido pelo governo norte-americano. Dentro do gênero terror sobrenatural, trata-se de um filme que se destaca justamente por sua estética documental e por utilizar atores de verdade. Mas, repito, não recomendável para espectadores mais sensíveis.            

sexta-feira, 14 de maio de 2021

 

BAD DAY FOR THE CUT, 2017, Irlanda do Norte, 1h39m, direção de Chris Baugh, que também assina o roteiro com a colaboração de Brendan Mullin. Reproduzo o título original como está na plataforma Netflix. Tentei traduzir e cheguei a algo parecido com “Dia Ruim para o Corte”. Trata-se de um suspense policial centrado em Donal (Nigel O’Neill), um pacato fazendeiro de meia idade. Solteiro, ele vive uma rotina solitária com a mãe Florence (Stella McCusker), que o mima como se ele fosse adolescente. Uma noite, sem ter o que fazer, Donal vai para o celeiro trabalhar na recuperação de um veículo que acabara de adquirir. De repente, ele escuta um grito vindo da casa e vê um homem de terno entrando em um carro e fugindo em seguida. Quando Donal entra na casa, sua mãe está morta, assassinada com sinais de tortura. Não foram ladrões, já que nada foi roubado. Então, por que teriam matado sua mãe? Logo depois, ele também seria alvo de dois assassinos. Donal mata um e interroga o outro, conseguindo pistas sobre o que está acontecendo. Ele segue para a capital Belfast, onde descobrirá, por exemplo, um evento obscuro do passado de sua mãe, o que teria desencadeado uma vingança. Na busca pelos assassinos de sua mãe, Donal acabará se envolvendo com uma quadrilha que sequestra jovens do leste europeu e as obriga a trabalhar como prostitutas. Muita violência vai rolar até o desfecho, quando o fazendeiro estará frente a frente com a responsável por tudo, Frankie Pierce (Susan Lynch), uma psicopata que chefia a gangue. O filme estreou no Festival do Cinema Independente de Sundance (EUA) de 2018 e foi muito elogiado pela crítica especializada. Realmente, um bom filme que merece ser conferido.            

quarta-feira, 12 de maio de 2021

 

MONSTRO (MONSTER), 2018, EUA, 1h38m, primeiro filme escrito e dirigido por Anthony Mandler, mais conhecido como diretor de videoclipes e curtas. Trata-se de um drama jurídico baseado no livro “Monster”, de 1999, de Walter Dean Mears. A história é centrada no jovem Steve Horman (Kelvin Harrison Jr.), de 17 anos, que mora com a família no Harlem (Nova Iorque). Ele é um bom filho, ótimo aluno e tem o sonho de ser cineasta no futuro. Suas amizades, porém, não são nada boas, pois incluem alguns delinquentes juvenis e membros de gangues. E o pior aconteceu. Ele foi acusado de participar de um assalto a um mercado que terminou com o assassinato do proprietário. Ele e dois “amigos” foram presos e terão que ser submetidos a júri popular, podendo ser condenados a muitos anos de prisão. Katherine O’Brien (Jennifer Ehle) é sua defensora e terá a difícil missão de inocentá-lo, embora haja fortes evidências de que ele seja cúmplice no crime. A expectativa está criada. Qual será o resultado final do julgamento? Ainda estão no elenco Jeffrey Wright, Jennifer Hudson, John David Washington e Rakim Mayers. Do início até o fim, o próprio personagem do jovem participa da narrativa em off, tentando explicar os fatos que motivaram suas atitudes. O estreante diretor Anthony Mandler adotou uma estética muito interessante para contar a história. Ao invés de apresentar uma narrativa linear, Mandler optou por cenas fragmentadas e sobrepostas, um vai e vem incessante de imagens, além de alguns flashbacks. Isso tudo sem jamais prejudicar o entendimento por parte do espectador. Este talvez seja o maior trunfo desse ótimo filme independente norte-americano. Recomendo.         

 

terça-feira, 11 de maio de 2021

 

“VOZES E VULTOS” (“THINGS HEARD AND SEEN”), 2012, Estados Unidos, 2h01m, roteiro e direção do casal de cineastas Shari Springer Berman e Robert Pulcini, que adaptaram a história do romance “All Things Cease to Appear”, escrito por Elizabeth Brundage. O filme já começa com um clichê dos mais conhecidos no gênero terror: família chega com a mudança para uma casa mal-assombrada. Ao longo da história, objetos adquirem vida, eletroeletrônicos e brinquedos começam a funcionar sozinhos etc. Até uma sessão espírita acontece, durante a qual se manifestarão os fantasmas dos antigos moradores da casa. As pessoas que participam da experiência são admiradores da obra e pensamento do filósofo e espiritualista sueco Emanuel Swedenborg (1688-1772), muito admirado pela turma que gosta de estudar o “outro lado”. George Claire (James Norton), sua esposa Catherine (Amanda Seyfried) e a filha saem de Nova Iorque para morar numa cidadezinha no Vale do Hudson. Ele foi contratado para dar aulas de história da arte em uma universidade. A esposa, que trabalhava com restauração de obras de arte, fica em casa sozinha e começa a se incomodar com a situação. Enquanto isso, o marido joga seu charme para as alunas e começa a pular a cerca. Mas Catherine ganhará uma aliada para enfrentar sua solidão e encarar as traições de George: o fantasma de uma ex-moradora da casa. Mais do que um filme de terror, “Vozes e Vultos” também é um drama familiar, dando destaque à crise conjugal do casal, mostrando as brigas que logo se transformarão em agressões físicas. George mostrará então uma segunda personalidade, muito diferente do professor simpático e de pai dedicado. O elenco conta ainda com Natalia Dyer, Alex Neustaedter, F. Murray Abraham, Karen Allen (a mocinha dos filmes de Indiana Jones), Michael O’Keefe, James Urbaniak, Emily Dorsch e Rhea Seehorn. Acompanhei com grande interesse o transcorrer da história com a expectativa de um desfecho consagrador, o que não aconteceu. Em todo caso, é um filme que pode agradar aos fãs do gênero terror/suspense psicológico e do sobrenatural. Uma boa opção para quem gosta de roer as unhas.                       

        

 

segunda-feira, 10 de maio de 2021

 

“TUDO POR ELA” (“RIDE OR DIE”), 2020, Japão, 2h22m, disponível na Netflix desde 15 de abril de 2021, roteiro e direção de Ryuichi Hiroki. Na criação do roteiro, Hiroki se inspirou na série de mangá “Gunjo”, escrita e ilustrada por Ching Nakamura. Trata-se de um drama centrado em duas amigas lésbicas, Rei Nagasawa (Kiko Mizuhara) e Nanae Shinoda (Honami Satô). Elas se conhecem na adolescência, numa aula de artes, e se apaixonam – essa fase é apresentada em flashbacks durante a narrativa. Mas logo depois as duas se afastam e voltam a se reencontrar apenas dez anos depois. Rei agora mora com uma nova namorada e Nanae está casada com um homem rico, mas violento, acostumado a espancá-la com violência. Em nome da velha amizade e do amor que as unia, Rei mata o marido da amiga e as duas fogem sem destino – fica evidente a menção ao clássico “Thelma & Louise”, de Ridley Scott, grande sucesso de 1991 (com a diferença de que as personagens de Genna Davis e Susan Sarandon não eram lésbicas). Daqui para a frente, o filme japonês ingressa na fase do road movie e também do tédio. O filme se arrasta, num ritmo lento e angustiante, com muita conversa jogada fora, diálogos na base da psicologia barata, sem qualquer resquício de inteligência. As duas moças choram e gargalham o tempo inteiro, demonstrando uma demência histérica. Haja paciência para chegar até o final das mais de duas horas de projeção. Nudez frontal e sexo quase explícito também fazem parte da receita apelativa de “Tudo por Ela”. Há, porém, dois fatos que merecem destaque. Primeiro, a beleza da atriz Rei Nagasawa, que também é modelo de sucesso. Segundo, as imagens de Tóquio, primorosamente fotografadas, principalmente nas cenas noturnas. Trocando em miúdos, o resultado final não favorece uma recomendação entusiasmada.                       

        

sábado, 8 de maio de 2021

 

“ASSASSINATO ÀS CEGAS” (“ANDHADHUN”), 2018, Índia, 2h30m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Sriram Raghavan. Um dos mais interessantes e criativos filmes realizados por Bollywood nos últimos anos. Trata-se de um misto de comédia/suspense/drama, com pitadas de musical – não aquelas cantorias irritantes, mas músicas cujas letras fazem referência à história. Por falar em história, vamos a ela. O personagem principal é o pianista deficiente visual Akash (Ayushmann Khurrana). Quando ele conhece por acaso a jovem Sophie (Radhika Apte), sua vida mudará completamente. A começar pelo convite do tio da moça para tocar em seu restaurante, um dos mais chiques da cidade de Pune. O tio é Promod Sinha (Anil Dhawan), um antigo astro de Bollywood, casado com uma mulher bem mais jovem, a bela e sensual Simi (a atriz Tabu, nome artístico de Tabassum Fatima Hashmi). Para homenagear a esposa no dia do aniversário de casamento, Promod contrata o pianista cego para uma apresentação surpresa no apartamento do casal. Só que a surpresa será ainda maior quando há um corpo estendido no chão da sala, vítima de assassinato recentemente cometido, e um homem pelado no banheiro. Olha a confusão. Como já dá para presumir, o filme é cheio de surpresas, reviravoltas e situações que fogem ao controle dos personagens, num ritmo frenético do começo ao fim. Isso tudo acontece graças ao primoroso e criativo roteiro, bem construído e desenvolvido, repleto de humor e sequências hilariantes. Achei melhor não me estender no comentário para não estragar as inúmeras surpresas e reviravoltas. Além do ótimo elenco, o grande trunfo do filme é justamente o roteiro, adaptado do curta-metragem francês “L’Accordeur, de 2010. Não deve ter sido fácil transformar uma história de 10 minutos em um roteiro de 2 horas e meia. O filme é tão bom que arrastou milhões de espectadores para os cinemas não só da Índia como da China, transformando-se no grande sucesso de bilheteria nos dois países em 2018. Tenho acompanhado o cinema de Bollywood há muitos anos e este talvez seja o filme mais ocidental já produzido na Índia. “Assassinato às Cegas” é diversão garantida. Simplesmente imperdível!                     

        

 

       

quinta-feira, 6 de maio de 2021

 

Representante oficial de Taiwan na disputa do Oscar 2021 de Melhor Filme Internacional (eu preferia quando era “Estrangeiro”), “A SUN” (“YANGGUANG PUZHAO”) é uma pequena joia meio escondida na plataforma Netflix. Com 2h36m, dirigido por Chung Mong-Hong, que também assina o roteiro com a colaboração de Yansheng Chang, o filme tem encantado a crítica especializada mundo afora, sendo considerado por alguns até mesmo melhor do que o sul-coreano “Parasita” (grande vencedor do Oscar 2020) e do que o japonês “Assunto de Família”. Como estes dois últimos, “A Sun” também é um drama familiar. Vamos à história. O instrutor de autoescola A-Wen (Chen Yi-Wen) e a cabeleireira Chin (Samantha Shu-Chin Ko) criaram seus dois filhos homens com muito sacrifício. O mais velho, A-Hao (Xu Guang-Whan), sempre foi o queridinho, aluno exemplar e muito educado, agora estudando para o vestibular de medicina. A-Ho (Wu Chien-Ho), o mais novo, sempre foi um adolescente problemático. Envolvido com uma turma de delinquentes, ele acaba preso depois de participar de um roubo e de uma agressão violenta. Durante o julgamento, o próprio pai pede ao juiz que lhe aplique uma pena dura. Dessa forma, A-Ho terá de cumprir um ano e meio de prisão em um reformatório juvenil. Todas as esperanças da família, então, voltam-se para A-Hao. Mas um trágico acontecimento envolvendo o rapaz desestruturará de vez a família. Mas o drama familiar não ficará só por aí. Uma menina de 15 anos aparece dizendo estar grávida do jovem preso. A-Wen e a esposa Chin terão de administrar tudo isso e muito mais, pois depois que A-Ho sai da cadeia, volta a se envolver em problemas. As tragédias da família parecem não ter fim, e não terão mesmo, pois ainda haverá uma reviravolta ainda mais infeliz no desfecho. O trabalho do elenco é sensacional, difícil destacar uma atuação específica. O roteiro e a fotografia também merecem um destaque especial. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto, depois foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Tóquio e ainda foi o grande vencedor do Golden Horse Film Awards (o Oscar taiwanês), ao final do qual conquistou cinco estatuetas, inclusive a de Melhor Filme. Se o cinema de Taiwan já era respeitado no mundo inteiro pela produção de filmes como os consagrados “Comer Beber Viver”, “O Banquete de Casamento” e “O Tigre e o Dragão”, entre outros, “A Sun” chega para colocar a cereja por cima do bolo. Simplesmente um filme arrebatador, poderoso e, ao mesmo tempo, cativante. Sem dúvida, um dos melhores deste século. Cinema da melhor qualidade. IMPERDÍVEL com letras maiúsculas.         

        

 

       

terça-feira, 4 de maio de 2021

 

“CLINICAL”, 2017, Estados Unidos, 1h44, disponível na plataforma Netflix, direção de Alistair Legrand, que também assina o roteiro com a colaboração de Aaron Stanford. Trata-se de um suspense envolvendo a psiquiatra Jane Mathis (Vinessa Shaw). Assombrada por um trauma do passado, quando viveu uma tragédia com sua jovem paciente Nora Green (India Eisley), Jane participa de sessões com um terapeuta, o qual recomendou que ela não atendesse mais pessoas com transtorno do estresse pós-traumático. Mesmo com a terapia e remédios, a psiquiatra não consegue se livrar desse antigo trauma. É comum ela ter visões sobre o que aconteceu e ainda sonhar com a jovem. Apesar do conselho dado pelo seu terapeuta, ela concorda em tratar de Alex (Kevin Rahm), um homem que teve o rosto desfigurado num acidente de automóvel, o que acarretaria graves consequências em pouco tempo. As alucinações de Jane foram piorando dia após dia e será assim até o desfecho, quando haverá uma reviravolta na história. Ainda estão no elenco Aaron Stanford (o roteirista), William Atherton, Nestor Serrano, Wilmer Calderon e Sidney Tamiia Poitier (filha do grande Sidney Poitier). Trocando em miúdos, “Clinical” é o tipo de filme que, de tão ruim, ou você odeia ou você detesta. Fica fácil perceber que várias sequências foram introduzidas no roteiro para enrolar a história - bem fraca por sinal - e estender a duração do filme. Talvez por ser apenas o segundo longa-metragem dirigido por Legrand, faltou conteúdo e um pouco mais de ação e suspense para sustentar a história até o desfecho. Nem mesmo a atuação da bela Vinessa Shaw consegue atenuar esse desastre. Um filme para esquecer.                                      

segunda-feira, 3 de maio de 2021


 

“UM INVERNO EM NOVA YORK” (“THE KINDNESS OF STRANGERS”), 2019, coprodução Estados Unidos/Dinamarca/Canadá/França/Suécia/Alemanha/Inglaterra, 1h55m, roteiro e direção de Lone Scherfig. Tem explicação tantos países envolvidos. A diretora e o ator Esben Smed são dinamarqueses, a atriz Andrea Riseborough e Bill Nighy são ingleses, Tahar Rahim é francês, Zoe Kazan norte-americana, além de outros integrantes do elenco e da equipe técnica. Trata-se de um drama muito triste, centrado em uma jovem mãe que, com dois filhos, sai do subúrbio fugindo do marido violento, que por sinal é policial. Com exceção do carro, não têm dinheiro para se alimentar nem lugar para dormir. Passam as noites em albergues para moradores de rua. Finalmente são acolhidos por um gerente de restaurante russo. Em outro segmento da história, uma enfermeira solitária é voluntária em abrigos para pessoas carentes e ainda coordena um grupo de apoio intitulado “Núcleo do Perdão”, cujo objetivo é promover o perdão e praticar a bondade. A história transcorre em vários subtramas e os personagens, de uma forma ou de outra, se encontrarão durante a narrativa para compartilhar seus dramas e ajudarem uns aos outros. O contexto dramático dá margem a que a história destaque também as pessoas que se sacrificam para praticar a bondade, a solidariedade e a empatia. “Um Inverno em Nova York” estreou na noite de abertura do 69º Festival Internacional de Cinema de Berlim e não entusiasmou a crítica nem o público, mas é um filme que passa uma mensagem necessária aos tempos atuais de tanto sofrimento.                         

        

domingo, 2 de maio de 2021

 

“MUCIZE”, 2015, Turquia, 2h16m, roteiro e direção de Mahsun Kirmizigül, que também atua no filme. Ao lado dos recentes “Milagre na Cela 7” e “Filhos de Istambul”, este drama é mais um daqueles que faz a plateia se derramar em lágrimas. Os três, disponíveis na plataforma Netflix, foram grande sucesso de bilheteria, confirmando o gosto do público por histórias sensíveis. E, melhor ainda, foram considerados bons filmes pela crítica especializada. No caso específico de “Mucize” (quer dizer “milagre” em português), a história é baseada em fatos reais ocorridos na década de 60. O professor Muallim Mahir (Talat Bolut) é transferido para uma escola de um vilarejo situado nas montanhas. Sua esposa se recusa a acompanhá-lo e Mahir vai sozinho. O lugar é tão remoto que ele é obrigado a descer do ônibus e caminhar durante horas até chegar ao seu destino. Na chegada, uma grande surpresa. O vilarejo não tem uma escola. Mas Mahir não desiste e decide, com dinheiro próprio, construir uma. Para isso, conta com a mão de obra dos próprios aldeões e de bandidos das montanhas, que se unem em um mutirão para concretizar a obra. Com seu jeito bonachão e de uma bondade imensa, Mahir conquistou o coração dos habitantes, principalmente depois que resolveu adotar como aluno o deficiente físico Azis (Mert Turak). O filme é repleto de momentos comoventes e de outros muito engraçados. Além disso, apresenta alguns rituais muito interessantes da cultura e tradição daquele povo, como, por exemplo, a escolha da noiva para os homens da aldeia, inclusive uma para Azis. Apesar do ambiente de pobreza, o filme passa uma mensagem de esperança e otimismo. Enfim, “Mucize” é um filme que diverte e emociona. Imperdível!                          

sábado, 1 de maio de 2021

“INCERTA GLÓRIA” (“INCERTA GLÒRIA”), 2017, Espanha, 1h56m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Agustí Villaronga. A história desse drama espanhol é ambientada em 1937 e tem como pano de fundo a Guerra Civil Espanhola (1936/1939). Em um pequeno vilarejo situado na Catalunha, o jovem tenente Lluis (Marcel Borrás) assume o comando de um batalhão dos republicanos, apoiados por regimes de esquerda, que lutam contra os nacionalistas de Franco. Lluis saiu de Madrid, onde deixou a esposa Trini (Bruna Cusi) e o filho pequeno. No vilarejo, enclausurada num casarão, vive Carlana (Nuria Prims), viúva do sujeito mais rico da região, assassinado pelos rebeldes republicanos. Todo mundo sabia que Carlana era empregada e teve dois filhos bastardos com o patrão. Agora, com a morte dele, assumiu as rédeas da casa, tornando-se a mulher mais rica do pedaço. Lluis se apaixona pela viúva e o caso vira fofoca entre os habitantes do vilarejo, em sua maioria conservadores católicos. Quando Trini (Bruna Cusi), esposa de Lluis, chega para se encontrar com o marido, fica sabendo do caso dele com a viúva e vira uma fera. No meio desse conflito conjugal, o filho dos dois fica gravemente doente. Para tumultuar ainda mais o ambiente, Soleràs (Oriel Pla), melhor amigo de Lluis e soldado dos franquistas, se declara apaixonado por Trini e será capaz de qualquer sacrifício para ajudar a moça. Enfim, um drama meio novelesco, mas tem seus méritos, principalmente no que diz respeito à atuação do seu elenco, a fotografia e à recriação de época. Falado em castelhano e em catalão, “Incerta Glória” tem tudo para agradar quem curte um drama com pano de fundo histórico.                       

sexta-feira, 30 de abril de 2021

 

“O DÉCIMO HOMEM” (“EL REY DEL ONCE”). Quando foi lançado por aqui no circuito comercial, em 2016, não lembro a razão de não ter assistido a esta comédia dramática argentina, escrita e dirigida pelo cineasta Daniel Burman, que já havia nos presenteado com os excelentes “O Abraço Partido” e “Dois Irmãos”. Enfim, ele é um dos diretores argentinos mais conceituados atualmente. “O Décimo Homem”, com 1h22m, é centrado no personagem Ariel (Alan Sabbagh), um economista bem-sucedido em Nova Iorque que volta a Buenos Aires para visitar a família. Seu pai, Usher (Usher Barilka), é o líder da comunidade judaica do bairro Once – o título original é referência a ele. Aqui, a família de Usher administra uma loja e uma instituição de caridade. Ariel não visitava Buenos Aires há alguns anos e logo quando chega ao aeroporto recebe uma ligação do pai mandando ele comprar um sapato com velcro para um jovem que está internado em um hospital. Ariel percorre várias ruas comerciais para tentar comprar o tal sapato. Nessa peregrinação, ele reencontra alguns locais que frequentava na infância e juventude. Ariel chega finalmente à instituição de caridade e se vê diante de muito trabalho, passando a ajudar na sua rotina. Ele logo se encanta com uma judia ortodoxa que trabalha como voluntária, Eva (Julieta Zylberberg), que resolveu adotar o silêncio em obediência a um ritual religioso. No tempo em que ficará na capital argentina, Ariel, mesmo a contragosto, será obrigado a rever e participar dos rituais judaicos - as partes mais engraçadas da história. Em um deles, ele completa o grupo de dez pessoas que carregará o caixão de um comerciante judeu – daí o título nacional “O Décimo Homem”. Ainda durante sua estada em Buenos Aires, Ariel terá a oportunidade de relembrar um de seus sabores prediletos da infância: bolachas feitas por sua tia recheadas com doce de leite. Gordinho, simpático e bonachão, o personagem de Ariel é o grande trunfo desse ótimo filme argentino, um agradável entretenimento.                     

quarta-feira, 28 de abril de 2021

 

“À ESPREITA DO MAL” (“I SEE YOU”), 2018, Estados Unidos, 1h38m, direção de Adam Randall, com roteiro de Devon Graye. Recentemente integrado à plataforma Netflix, este é um suspense que vale a pena assistir por causa do roteiro interessante e muito criativo, repleto de reviravoltas e subtramas. A história começa com um menino de 12 anos sendo sequestrado, em uma cena que parece obra do sobrenatural. A polícia, sob o comando do detetive Grego Harper (Jon Tenney), começa a investigar o fato. Enquanto isso, na casa do próprio policial, sua esposa Jackie (Helen Hunt) e o filho adolescente Connor (Judah Lewis) passam por maus bocados. Coisas estranhas começam a acontecer, e mais uma vez você acha que tem alguma entidade maligna atuando para apavorar a família. Na metade do filme, porém, o roteiro dá uma guinada muito interessante, começando a explicar o que de fato está acontecendo. Uma jogada de mestre do jovem Devon Graye em sua estreia como roteirista – ele é mais conhecido como ator. Além de dar um novo rumo à história, Graye acrescenta mais algumas reviravoltas, que valorizam ainda mais esse bom suspense. Um fato que também me chamou a atenção foi a atual forma física de Helen Hunt, uma atriz muito competente – tem um Oscar por “Melhor Impossível”, de 1998 – e que até há pouco tempo era bonita e charmosa. De repente, envelheceu muito mais do que os seus atuais 57 anos de idade. Não sei se foi alguma plástica malfeita ou ela está sofrendo de anorexia ou então virou uma vegana radical. Sua boca murchou, parecendo a de uma mulher banguela. Voltando ao filme, “À Espreita do Mal” pode não ser “uma Brastemp”, mas sem dúvida é um bom suspense. Recomendo!                  

        

terça-feira, 27 de abril de 2021

 

“CODA” (“A ÚLTIMA NOTA” no Brasil), 2020, Canadá, 1h37m, disponível na plataforma Netflix, estreia na direção de Claude Lalonde, seguindo roteiro de Lovis Goldout. O drama é centrado no consagrado pianista clássico Henry Cole (Patrick Stewart). Depois que sua esposa faleceu, ele entrou numa fase depressiva, recusando-se a participar de concertos, gravações, entrevistas e outras aparições públicas, para desespero de seu empresário e amigo de longa data Paul (Giancarlo Esposito). Quando finalmente retorna para uma apresentação, teve ataque de ansiedade e pânico no palco, esquecendo as notas finais do concerto – a tal “Coda” do título original. Enquanto descansa no camarim, lamentando o insucesso da sua apresentação, Henry recebe a visita da jornalista Helen Morrison (Katie Holmes). Fã do pianista e da música erudita, ela inicialmente pede uma entrevista, recusada na hora por Henry. Tempos depois eles se reencontram e daí para a frente surge uma forte amizade. Além de amiga e admiradora, Helen torna-se uma espécie de psicóloga do pianista, incentivando-o a seguir adiante com a carreira. O filme é muito sensível, repleto de diálogos inteligentes e de muita erudição, principalmente quando as conversas giram em torno dos grandes compositores de música clássica. Tudo isso ocorre naturalmente, sem afetação, tornando-se um deleite para os apreciadores do gênero. Nesse contexto, deve-se destacar a primorosa trilha sonora: Schumann, Schubert, Beethoven, Rachmaninoff e Alexandre Scriaban. Mais um grande trunfo é a química perfeita entre os protagonistas principais, Patrick Stewart e Katie Holmes. Outro destaque é o maravilhoso cenário dos Alpes Suíços, onde o grande pianista se isola após um triste acontecimento. “A Última Nota” é um belíssimo drama, sensível, intimista e reflexivo, realizado com muita qualidade e inspiração. Imperdível!                    

domingo, 25 de abril de 2021

 

“HANDIA”, 2017, Espanha, 1h56m, disponível na Netflix, roteiro e direção da dupla de cineastas Jon Garaño e Aitor Arregie. A história é baseada num personagem que realmente existiu na Espanha do século XIX. Trata-se de Miguel Joaquín Eleizegui Arteaga, que ficou conhecido como o “Gigante de Altzo” – só para esclarecer, um dos significados da palavra “handia” na língua basca é “gigante”. O filme é falado em basco, já que a família do “gigante” morava no município de Altzo, localizada na província de Guipúscua, comunidade autônoma do país basco. Nascido numa família de pequenos agricultores, Miguel Joaquín (Eneko Sagardoy) era um jovem normal até os 20 anos de idade, quando passou a sofrer de gigantismo, que o levou, rapidamente, a crescer muito acima dos 2 metros de altura. Três anos antes, Martin (Joseba Usabiaga), seu irmão mais velho, foi recrutado para servir o exército carlista durante a guerra civil contra os liberais espanhóis. Ao final do conflito, Martin volta com o braço direito inutilizado por causa de um ferimento, sem poder, portanto, ajudar na rotina de trabalho na fazenda da família, que vive graves problemas financeiros. Quando vê o irmão como um verdadeiro gigante, Martin resolve ganhar dinheiro exibindo-o como atração em circos e teatros. O sucesso foi tão grande que resolveram promover um show itinerante pelas principais cidades da Espanha, além de apresentações em Paris, Lisboa e Londres, onde Joaquín chegou a ser visto na corte da Rainha Vitoria. O filme retrata toda essa verdadeira epopeia, focando, principalmente, na relação entre os irmãos. Impossível não se emocionar com o sofrimento físico e mental de Miguel Joaquín. O ator que o interpreta tem na vida real "apenas" 1m87 de altura, aumentados com um efeito especial imperceptível e por enquadramentos que o transformaram em gigante nas filmagens. Méritos para a dupla de cineastas, que ainda contaram com a primorosa fotografia de Javi Agirre. Enfim, uma história tocante e muito comovente. “Handia” foi o grande destaque na premiação do Goya (o Oscar espanhol), recebendo nada menos do que 13 indicações, sendo premiado em dez delas, um recorde. Merecido, aliás, pois o filme é muito bom.