“JOGO
DUPLO” (“THE PADRE”), 2018, Estados Unidos/Canadá, 1h32m, terceiro
longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta canadense Jonathan Sobol.
Ambientada numa cidade qualquer do interior da Colômbia, a história é centrada
no vigarista que aplicava golpes vestido de padre. Por isso, ficou conhecido
como “O Padre” (Tim Roth). Em seu encalço estavam o juiz da corte norte-americana
e ex-oficial do exército dos EUA Nemes (Nick Nolte) e o policial local Gaspar
(Luís Guzmán). Pelo meio do filme, ficamos sabendo que Nemes tinha um outro
motivo particular para caçar “O Padre”. Enquanto isso, em meio às suas
picaretagens, “O Padre” acaba conhecendo a jovem Lena (Valeria Henríquez), que acaba
de fugir de casa para tentar ingressar nos Estados Unidos e resgatar sua irmã mais
nova, adotada por uma família norte-americana. Para essa missão, ela chantageia
“O Padre”, dizendo que, se ele não a ajudasse, ela o entregaria às autoridades.
Durante a fuga, a dupla planeja o roubo a uma igreja que possui objetos litúrgicos
de alto valor, inclusive um grande cálice de ouro. E dá-lhe perseguição, num
misto de suspense e road movie. Embora com excelentes atores como Nick
Nolte e Tim Roth, quem se destaca no elenco é a jovem atriz colombiana Valeria
Henríquez, cuja atuação lhe valeu uma indicação de Melhor Atriz no Canadian
Screen Awards. Resumo da ópera: nada de especial para recomendar “Jogo Duplo”,
que classifico apenas como mediano.
domingo, 14 de julho de 2019
sexta-feira, 12 de julho de 2019

terça-feira, 9 de julho de 2019

segunda-feira, 8 de julho de 2019

sábado, 6 de julho de 2019
“O RETORNO DE BEN” (“BEN IS BACK”), 2018,
EUA, 1h42m, roteiro e direção de Peter Hedges. O Ben do título (Lucas Hedges,
filho do diretor) é um jovem problemático que sai da reabilitação e volta para
a casa na véspera de Natal. Detalhe importante: sem avisar a família. Holly
Burns (Júlia Roberts), a mãe, é a única que o recebe de braços abertos e cheia
de amor, ao contrário do padastro Neal Beeby (Courtney B. Vance), convencido de
que Ben certamente não está totalmente curado e que, por isso, tem grandes
chances de estragar a harmonia da família. Dito e feito. Holly tenta ser amorosa
e protetora, ao mesmo tempo em que se mostra durona a ponto de seguir o filho até
no banheiro. Quando a família retorna da missa de Natal, constata que
desconhecidos invadiram a casa, destruíram vários objetos e sequestraram o
cachorro de estimação. Desconfiam que os responsáveis têm tudo a ver com o
passado turbulento de Ben, que, além de consumir, vendia drogas para o
traficante local. Holly e o filho partem noite afora para tentar achar o cachorro.
A partir daí a tensão aumenta cada vez mais e o filme se transforma num verdadeiro
suspense. De qualquer forma, a mensagem principal é o amor incondicional de uma
mãe por seu filho, capaz de sacrificar a família e arriscar o próprio casamento
para defendê-lo e protegê-lo. Aqui, merece destaque a força dramática da
atuação de Júlia Roberts. Longe da fogosa prostituta de “Uma Linda Mulher” (1990) e da moça romântica
de “O Casamento do Meu Melhor Amigo” (1997), Júlia, aos 51 anos, prova que a maturidade
e a experiência foram capazes de torná-la uma atriz ainda melhor, como já havia
provado em dramas como “Erin Brockovich” (2000), “Álbum de Família” (2013) e “Extraordinário (2017). O jovem Lucas Hedges também prova mais uma vez
que é um ator dos mais promissores. Ele já havia se destacado em filmes como “Boy
Erased: Uma Verdade Anulada”, “Anos 90” e “Manchester à Beira-Mar”. Voltando a “O
Retorno de Ben”, o classifico como um dos melhores dramas dos últimos anos envolvendo
a questão das drogas e suas consequências para a família.
quarta-feira, 3 de julho de 2019
“BELOS SONHOS” (“FAI BEI SOGNI”), 2016,
Itália, 2h14m, direção de Marco Bellocchio, que também assina o roteiro com a
colaboração de Valia Santella e Edoardo Albinati. A história foi adaptada do
livro de memórias de Massimo Gramellini, jornalista italiano de grande destaque
como profissional do Jornal La Stampa e, atualmente, do Corriere Della Sera. Final
dos anos 60. O filme começa mostrando a relação afetuosa entre o menino Massimo
(Dario Dal Pero), de 9 anos, e sua jovem mãe (Barbara Ronchi). São
inseparáveis, vão ao cinema, passeiam juntos, dançam hits do rock da época,
assistem a filmes de terror na TV, enfim, são felizes como toda mãe e filho
deveriam ser. Essa felicidade seria abalada quando ela morre repentinamente. Massimo
não aceita o que aconteceu e a explicação do seu pai (Guido Caprino) é que ela
teve um infarto fulminante. O filme dá um corte abrupto e pula para meados da década
de 90, quando Massimo, adulto e já um consagrado jornalista, ainda carrega as
lembranças da mãe. Quando ele resolve vender a casa onde moravam, acaba
descobrindo, por intermédio de um recorte de jornal, a verdadeira causa da
morte de sua mãe. E entra em parafuso, incluindo ataques de pânico e outros
traumas. É nesse período que conhece Elisa (a atriz argentina Bérénice Bejo, de
“O Artista”), uma médica que o atende num ambulatório de Turim – a cidade onde
toda a história é ambientada. Em “Belos Sonhos”, Bellocchio, continua
explorando os temas Família, Fé e Política, como já havia feito na maioria dos seus
filmes, como “Bom Dia, Noite” e “Vinceri”, só para citar dois. Seu mais recente
trabalho deve chegar logo aos cinemas. Trata-se de “Il Traditore” (“O Traidor”),
sobre o mafioso Tommaso Buscetta. No elenco, com atuação bastante elogiada, a
atriz brasileira Maria Fernanda Cândido. “Belos Sonhos” foi escolhido como
filme de abertura da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, depois de
ser exibido no Festival de Cannes, onde saiu cheio de elogios. Realmente, o
filme é excelente, sensível, comovente e bem-humorado. Imperdível!
terça-feira, 2 de julho de 2019

domingo, 30 de junho de 2019

sábado, 29 de junho de 2019

quinta-feira, 27 de junho de 2019
“DAGUERREÓTIPO – O SEGREDO DO QUARTO
ESCURO” (“Le Secret de La Chambre Noire”), 2017, França, 131
minutos, direção do japonês Kiyoshi Kurosawa (nenhum parentesco com o mestre
Akira Kurosawa), que também assina o roteiro com a colaboração de Catherine
Paillé e Eléonore Mahmoudian. Trata-se de um suspense com pitadas de terror
psicológico. Nada explícito, porém, apenas vozes do além e aparições de
fantasmas. O suspense é muito bem elaborado (Kiyoshi é considerado um
especialista no gênero – “Pulse” e “Cure” foram dirigidos por ele). Ele utiliza
muito o recurso da câmera em slow motion percorrendo um ambiente e
antevendo algum susto. Vamos à história do filme: o jovem Jean (Tahar Rahim) é
contratado como assistente de Stéphane Hégray (Olivier Gourmet), um famoso
fotógrafo de moda que vive enclausurado em sua mansão após a morte trágica de
sua esposa Denise. Para realizar suas fotos, Stéphane utiliza o Daguerreótipo,
equipamento antigo dos primórdios da fotografia. E, como seu modelo preferido,
ele recruta a filha Marie (Constance Rousseau), que se submete a extenuantes
sessões de foto que costumam durar horas (o Daguerreótipo exige 10 minutos, no
mínimo, de exposição à luz solar para obter uma imagem satisfatória). Quando
Stéphane começa a dar sinais de loucura, Marie e Jean resolver bolar um plano
para convencê-lo a vender a velha e carcomida mansão e faturar uma grana com a
comissão. O filme é tecnicamente bem feito, mantendo o suspense do começo ao
fim e, como principal trunfo, conta com dois excelentes atores franceses, Olivier
Gourmet e Tahar Rahim. Conta ainda com uma ponta de luxo, o ator Mathieu
Amalric. Tudo bem que Kiyoshi Kurosawa não é nenhum Akira, mas comprova mais
uma vez que é um bom cineasta.
terça-feira, 25 de junho de 2019
“OS GIGANTES NÃO EXISTEM” (“LOS GIGANTES
NO EXISTEN” – a tradução literal para o português é minha,
já que o filme não chegou por aqui e nem deve chegar), 2017, coprodução
Guatemala/Espanha, 1h22m, direção de Chema Rodríguez, que também assina o
roteiro juntamente com Francisco Vargas e Leon Siminiani. A história, baseada
em fatos reais, é ambientada em 1982, no auge da Guerra Civil da Guatemala (1960-1996).
O personagem verdadeiro, no qual o roteiro foi inspirado, é Jesus Tecú Osorio, único
sobrevivente do massacre do Vilarejo de Rio Negro, onde foram mortos 176 civis,
entre mulheres, idosos e crianças. A matança foi obra do Exército Nacional da
Guatemala e dos integrantes do PAC (Patrulhamento da Audofesa Civil). No filme,
Jesus foi transformado em Andrés (José Javier Martinez), de 9 anos, que após o
massacre foi sequestrado e obrigado a trabalhar como escravo do violento Pedro
(Rafael Rojas), um sujeito que mora num casebre miserável e que mantém uma
banca de legumes na feira do seu vilarejo. Maria (Patricia Orantes), esposa doente
de Pedro, se afeiçoa ao garoto e o trata como filho. Essa situação dura cerca
de dois anos, quando de repente aparece a irmã mais velha de Andrés com objetivo
de resgatá-lo. O filme é bastante pesado, num cenário de miséria, tristeza e
medo. Nesse contexto, o diretor espanhol Chema Rodríguez (é o seu segundo longa-metragem)
é implacável em aumentar ainda mais a carga dramática e o impacto da história, incluindo
algumas cenas bastante chocantes. Ou seja, não é um filme agradável de se ver.
De qualquer forma, foi escolhido para ser exibido nas seleções oficiais dos
festivais de cinema de Chicago, Roma, Guadalajara, Punta Del Este e Sevilha, recebendo
rasgados elogios da crítica.
domingo, 23 de junho de 2019
“DUAS RAINHAS” (“MARY QUEEN OF SCOTS”), 2018,
co-produção EUA/Inglaterra, 2h05m, primeiro longa-metragem de Josie Rourke,
mais conhecida na Inglaterra como diretora de teatro. O roteiro, escrito por Beau
Willimon (o mesmo de “House of Cards”), foi inspirado no livro “My Heart Is My
Own: The Life of Mary Queen of Scots”, escrito pelo biógrafo e historiador John
Guy. Existem vários bons motivos para indicar este belo filme de época. Primeiro, a
história em si, ambientada no século 16 e baseada em fatos reais, ou seja, os
acontecimentos que fazem parte da história de Inglaterra e Escócia, incluindo
o relacionamento conflituoso entre a Escócia da Rainha Mary Stuart e a
Inglaterra da Rainha Elizabeth I. Segundo, a primorosa recriação da época, com
cenários suntuosos e maravilhosos figurinos (o filme foi um dos finalistas na
disputa do Oscar 2019 de Melhor Figurino), além do excelente trabalho de maquiagem. A
fotografia, que leva a assinatura do premiado John Matheson, é outro grande
destaque. Mas o que mais me impressionou foi o trabalho dessas duas grandes atrizes,
Saoirse Ronan como Mary Stuart e Margot Robbie como Elizabeth I. Nem mesmo a
pesada maquiagem e o nariz postiço conseguiram deixar feia a australiana Margot
Robbie, talvez a atriz mais bonita do cinema atual. A norte-americana Saoirse
Ronan firma-se como uma das melhores atrizes do momento, tendo atuado em filmes
como “O Grande Hotel Budapeste”, “Brooklyn” e “Lady Bird: A Hora de Voar”,
entre tantos outros. Nunca fui muito fã de filmes de época, mas já assisti a alguns muito bons, o mais recente deles “A Favorita” e agora “Duas Rainhas”.
Não percam!
sábado, 22 de junho de 2019
“CHOQUE E PAVOR – A VERDADE IMPORTA” (“SCHOCK
AND AWE”), 2017, Estados Unidos, 1h32m, direção de Rob Reiner, com
roteiro de Joey Hartstone. Baseada em fatos reais, a história aborda os
bastidores da cobertura da imprensa norte-americana após os atentados de 11 de
setembro de 2001. Primeiro, as tentativas fracassadas de capturar Osama Bin
Laden no Afganistão. Logo depois, o alvo do governo norte-americano seria o
Iraque de Saddam Hussein. Para justificar a invasão do país árabe, o governo
Bush garantia que o Iraque possuía armas de destruição em massa. Será que isso
era verdade? O governo norte-americano afirmava que sim, mas não apresentava
provas concretas. É aí que entram em ação os principais órgãos de comunicação
do Tio Sam. O filme apresenta os fatos a partir da cobertura de dois jornalistas
da editoria política da empresa Knight Ridder, especializada na publicação de
jornais e internet. Designados pelo editor-chefe John Walcott (papel do diretor
Rob Reiner), Warren Strobel (James Marsden) e Jonathan Landay (Woody Harrelson)
saíram a campo para verificar se realmente o Iraque tinha o tal arsenal de armas
de destruição em massa. Uma parte da imprensa norte-americana defendia a
invasão, confiando nas versões oficiais do governo, principalmente os
conservadores The Washington Post e o The New York Times. A disputa pelas
informações corretas levou a imprensa norte-americana a uma verdade guerra. O
editor John Walcott até chegou a contratar o jornalista Joe Galloway (Tommy Lee
Jones), veterano na cobertura da Guerra do Vietnam, para auxiliar os trabalhos
investigativos. O filme, elaborado num ritmo ágil, quase alucinante, destaca
muitas informações importantes sobre aquele período histórico e revela as
sequelas da guerra sobre os jovens soldados que morreram ou voltaram mutilados.
A pergunta que ficou no ar: valeu a pena sacrificar tanta gente, incluindo as perdas
humanas da população civil do Iraque? O filme é excelente, justificando a fama
de Rob Reiner como um dos cineastas mais importantes da atualidade – é só lembrar
que ele é responsável por filmes como o clássico “Conta Comigo”, “O Lobo de
Wall Street”, “Um Amor de Vizinha” e tantos outros. “Choque e Pavor” também tem
mulheres bonitas: Jessica Biel e Mila Jovovich. Filme indicado para estudantes
e profissionais de jornalismo, mas o público em geral deve assistir também,
pois contempla um fato histórico da maior importância.
quinta-feira, 20 de junho de 2019
“O PACIENTE”, 2018,
Brasil – Globo Filmes – 1h40, direção de Sérgio Rezende, com roteiro de Gustavo
Liptzein. O filme revela, com detalhes, tudo o que se passou durante os dias em
que Tancredo Neves ficou internado. Os bastidores desse período, ilustrados com
imagens da época, estão no filme de Sérgio Rezende, cineasta que se notabilizou
por realizar obras enfocando personagens e eventos históricos nacionais, entre as
quais “Guerra de Canudos”, “Mauá – O Imperador e Rei”, “Lamarca” e “Zuzu Angel –
assisti a todos, ótimos. No caso de “O Paciente”, o roteiro foi adaptado do
livro “O Paciente – O Caso Tancredo Neves”, escrito pelo historiador Luís Mir e
lançado em 2010. Para escrever o livro, Mir fez uma extensa pesquisa e realizou
várias entrevistas com os envolvidos, além de ler os prontuários médicos e
documentos, até então confidenciais, do Hospital de Base de Brasília e do
Instituto do Coração, em São Paulo. O drama começa três dias antes antes da
posse, quando Tancredo (Othon Bastos) começa a sentir fortes dores abdominais.
Ao contrário dos conselhos médicos, que recomendaram uma operação urgente, já
que se tratava de uma apendicite, Tancredo se recusou a ser operado, pois queria
de qualquer jeito tomar posse e evitar uma possível crise institucional. Ele
temia, por exemplo, que se caso José Sarney assumisse em seu lugar, o então
presidente João Figueiredo não aceitaria entregar a faixa, o que de fato
aconteceu. Tancredo piorou e aí ele foi submetido a uma primeira cirurgia, que revelou
não ser o caso de apendicite e sim de diverticulite. O filme segue revelando detalhes
dos bastidores, o sofrimento de Tancredo com as várias cirurgias e
procedimentos, a angústia da família – e de todo o País -, as desavenças entre
os médicos – quase teve pancadaria -, o despreparo não só dos médicos como do
Hospital de Base de Brasília, e a transferência do ilustre paciente para o
Instituto do Coração, em São Paulo, onde acabaria falecendo no dia 21 de abril
de 1985, deixando o posto vazio para o glorioso José Sarney – e deu no que deu.
Além de Othon Bastos, em atuação comovente, estão no elenco Leonardo Franco, Paulo Betti,
Leonardo Medeiros, Esther Góes, Otávio Müller, Eucir de Souza, Luciana Braga,
Emílio Dantas e Lucas Drummond. Achei o filme excelente, tenso, revelador, angustiante,
reservando para o seu desfecho Milton Nascimento cantando “Coração de Estudante”
– de marejar os olhos. Imperdível!
quarta-feira, 19 de junho de 2019
“O PAI DE ITALIA” (“IL PADRE D’ITALIA”), 2017,
Itália, 1h22m, direção de Fabio Mollori, que também assina o roteiro com a
colaboração de Josella Porto. A história começa mostrando a tristeza do jovem
homossexual Paolo (Luca Marinelli), devastado com o fim do relacionamento de
oito anos com o namorado Mario (Mario Sgueglia). Ainda em depressão e com a
intenção de esquecer o antigo amante, Paolo vai a uma discoteca gay tentando conhecer
um novo parceiro, mas quem ele acaba conhecendo é a jovem Mia (Isabella
Ragonese, ótima), que faz bico como cantora em "inferninhos", mas nunca se destacou. Ela também está em
fase depressiva, depois de ser abandonada grávida pelo namorado. Ou seja,
juntou a fome com a vontade de comer. Paolo se propõe a ajudar a moça a
encontrar o pai da criança. Para isso, pega “emprestado” o carro de serviço da
loja de móveis onde trabalha. Paolo e Mia saem de Turim e iniciam um verdadeiro
périplo turístico, passando por Asti, Roma e chegando até Nápoles, onde mora a
família conservadora de Mia. O filme se transforma num road movie. Afinal, quem assumirá a filha que Mia
está esperando? Claro, “O Pai de Italia”. Mas quem será? Assista e desvende o
mistério. Não é que o filme seja ruim, mas achei exagero o fato de que tenha
sido premiado em vários festivais – na verdade, nenhum que seja importante.
Enfim, vale pela excelente atuação da dupla principal de protagonistas e pelos
cenários deslumbrantes, valorizados pela ótima fotografia assinada por Daria D'Antonio, além de alguns momentos sensíveis e comoventes.
segunda-feira, 17 de junho de 2019
“GLORIA BELL”, 2018,
EUA, 1h41. Trata-se do remake do filme chileno “Glória”, de 2013, que
disputou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O roteirista e diretor Sebastián
Lelio é o mesmo do original chileno. Gloria Bell (Julianne Moore) é uma
cinquentona divorciada há quatro anos que, para espantar a solidão, costuma ir
às discotecas de Los Angeles frequentadas por pessoas de meia-idade. Abro aqui
um parêntese especial para destacar a deliciosa trilha sonora, com hits da disco
anos 70, como “Ring My Bell”, “Gloria” etc., além de Paul McCartney. Bem, voltemos
à história. Entre um e outro romance/sexo casual, Gloria acaba conhecendo Arnold
(John Torturro), um sujeito também solitário e divorciado, que vive em função
dos problemas das filhas. O romance entre os dois transcorre aos trancos e
barrancos, principalmente devido à insegurança de Arnold, situação que segue
até o desfecho, quando Gloria Bell resolve agir com força e determinação, características de sua personalidade. Resumo da
ópera: o filme é bom, mas inferior ao original chileno. Seu único trunfo é
contar com a maravilhosa Julianne Moore, cuja atuação também é espetacular,
como a da chilena Paulina Garcia – só que Julianne Moore não teve coragem de encarar o nu frontal
de Paulina, apesar de aparecer nua em várias cenas. Nunca fui fã do ator John Torturro e continuo não sendo. Acho ele
um chato. Todos os remakes que assisti foram mais fracos que os
originais. Posso até citar alguns: “Olhos da Justiça”, com Julia Roberts,
adaptação do espetacular argentino “O Segredo dos Seus Olhos”; o sueco “Millennium:
Os Homens que não Amavam as Mulheres”, que Hollywood transformou em remake;
o francês “Os Intocáveis”, que ganhou versões do cinema argentino e do norte-americano;
“Coração de Leão – O Amor não tem Tamanho”, original argentino, copiado pelo
cinema francês como “Um Amor à Altura”.
domingo, 16 de junho de 2019

sábado, 15 de junho de 2019

quinta-feira, 13 de junho de 2019
“O ÚLTIMO GOLPE DE MARTELO” (“Le Dernier
Coup de Marteau” – a tradução em português é minha, já que o filme não chegou por
aqui – nos países de língua inglesa, ganhou o título de “The Last Hammer Blow”),
2014, França, 1h22m, segundo longa-metragem escrito e dirigido pela cineasta
francesa Alix Delaporte. A história toda é centrada no adolescente Victor
(Romaín Paul), de 13 anos, que vive com a mãe doente Nadia (Clotilde Hesme) num
velho e maltratado trailer à beira-mar na periferia pobre da cidade de Montpellier. Victor está
dividido entre cuidar da mãe, que tem um câncer terminal, e participar dos
treinos de uma equipe de futebol amadora, da qual é um dos atletas de maior
destaque. Quando sua mãe desiste de reformar o trailer por não ter dinheiro e
comunica a Victor que pretende se mudar para a casa dos pais, em outra cidade,
o garoto sai em busca de ajuda do seu pai biológico, o maestro Samuel Rovinski (Grégory
Gadebois), regente da Orquestra Sinfônica de Montpellier. Rovinski não sabia da
existência do filho e o encontro dos dois reserva ao espectador alguns momentos
comoventes e sensíveis do filme, cuja primeira exibição aconteceu no Festival
Internacional de Cinema de Veneza, durante o qual Roman Paul recebeu o Prêmio “Marcello
Mastroianni” de Melhor Ator Jovem. Para aumentar ainda mais o tom dramático da história, a diretora Delaporte utilizou na trilha sonora trechos da Sinfonia nº 6 em Lá Menor de Gustav Mahler, também conhecida como a "Trágica". Resumo da ópera: o filme é excelente, um drama francês da melhor qualidade. Especial para espectadores que curtem o bom cinema europeu.
terça-feira, 11 de junho de 2019
“MUSEU”
(“MUSEO”), 2018, México, 2h06m, segundo longa-metragem escrito e
dirigido por Alonso Ruizpalacios. A história é baseada num fato real ocorrido
em dezembro de 1985 na Cidade do México, ou seja, o roubo de 140 peças
pré-hispânicas de alto valor histórico do Museu Nacional de Antropologia. O filme
acompanha a façanha dos dois ladrões, os estudantes de Veterinária Juan Núñez
(Gael García Bernal) e Benjamin Wilson (Leonardo Ortizgris), desde o início do
planejamento do roubo, sua execução e depois as tentativas frustradas de vender
as peças. No início do filme, a frase “Esta é uma réplica da história original”
dá o tom de sátira ao que assistiremos. Embora baseado em fatos reais, o
diretor Ruizpalacios trata tudo o que aconteceu com bastante humor, aliviando a
carga dramática que poderia se esperar de um acontecimento sério que despertou
a revolta de toda a população mexicana. Só para se ter uma ideia do tipo de
humor utilizado por Ruizpalacios, numa cena em que Juan e Benjamin são parados
na estrada, um dos policiais olha para Juan/Gael García Bernal e pergunta se
ele é o famoso ator e pede um autógrafo. Aliás, por falar em Gael García
Bernal, o ator está bastante à vontade no papel. Embora não goste muito dele,
tenho de concordar que ele está ótimo. “Museu” estreou no 68º Festival
Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2018, conquistando o Prêmio
de Melhor Roteiro. Por aqui, fez parte da programação oficial da 42ª Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo. “Museu” é mais uma prova da excelente fase
do cinema mexicano, que na disputa dos últimos cinco Oscars de Melhor Diretor,
venceu quatro, dois para Alejandro G. Iñarritu, um para Guillermo Del Toro e
mais um para Alfonso Cuáron, sem falar no Oscar 2019 de Melhor Filme
Estrangeiro conquistado por “Roma”.
segunda-feira, 10 de junho de 2019

domingo, 9 de junho de 2019

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