domingo, 29 de abril de 2018


“O OUTRO LADO DA ESPERANÇA” (“TOIVON TUOLLA PUOLEN”), Finlândia, 2017, é o 17º longa-metragem escrito e dirigido por Aki Kaurismäki, o mais importante diretor do cinema finlandês da atualidade. Lembro, especialmente, de outros ótimos filmes de Kaurismäki, como “O Homem sem Passado” e “O Porto”, este último rodado na França com elenco francês. Neste seu mais recente filme, o pano de fundo da história é a situação dos refugiados na Europa, representados na figura do sírio Khaled (Sherwan Haji), que foge da guerra civil de seu país, percorre vários países da Europa e acaba na Finlândia, escondido num navio cargueiro. Paralelamente à história de Khaled, Kaurismäki apresenta a trajetória de outro personagem, o vendedor ambulante Wisktröm (Sakari Kuosmanen), que larga não só o trabalho como também a esposa alcoólatra, decide comprar um restaurante decadente e assume os empregados mais esquisitos do mundo. Por uma dessas coincidências da vida, Khaled vai parar no restaurante de Wisktröm e ajudar a reerguê-lo. Embora trate de uma questão séria como a dos refugiados, Kaurismäki recheia a história com muito humor, um humor cínico e irônico. Mesmo nas situações mais hilariantes, os personagens mantêm suas fisionomias sérias, um recurso que funciona muito bem nesta ótima comédia finlandesa. O filme foi exibido pela primeira vez no 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017, e Kaurismäki recebeu o Urso de Prata como Melhor Diretor. Muito justo, pois o filme é simplesmente imperdível!        


Mais uma pérola do surpreendente cinema sul-coreano: “A REDE” (“GEUMUL”), 2016, roteiro e direção de Kim Ki-Duk, o mesmo do sensacional “Pieta”. Como faz diariamente, o pescador norte-coreano Nam Chul-Woo (Ryoo Seung-bum) sai para pescar próximo à fronteira com a Coréia do Sul. Quando recolhe a rede para voltar, esta se enrosca no motor, deixando o barco à deriva, ultrapassando as águas territoriais da Coréia do Sul. Ao chegar à margem, ele é imediatamente detido e levado pela polícia sul-coreana para interrogatório. As autoridades acreditam que ele é um espião a serviço da Coréia do Norte. E dá-lhe interrogatório, com direito a torturas físicas e psicológicas. Os sul-coreanos, além de forçarem Chul-Woo a confessar que é um espião, querem obrigá-lo a se exilar na Coréia do Sul, tentando fazer uma lavagem cerebral no coitado com o slogan “É impossível viver numa ditadura. Venha morar num país livre”. As autoridades, tentando cooptá-lo para o seu lado, levam-no a conhecer Seul, um paraíso capitalista e repleto de oportunidades, mas Chul-Woo continua insistindo que é inocente e que quer voltar para sua esposa na Coréia do Norte. O caso chega à imprensa internacional, o que faz com que o pescador seja libertado e devolvido para o seu país de origem. Chul-Woo chega à Coréia do Norte como herói, com direito a recepção com bandeirolas e banda de música. A comemoração, porém, esconde uma terrível intenção por parte das autoridades norte-coreanas. Junto com o pobre e inocente pescador, o espectador irá viver momentos bastante angustiantes. O filme foi exibido por aqui durante a 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Filmaço!

De vez em quando faz bem para o cérebro assistir a uma comédia boba, sem compromisso com os neurônios do espectador. Com esse objetivo, escolhi assistir à produção espanhola “ABRACADABRA”, 2017, escrita e dirigida por Pablo Berger, mesmo diretor do ótimo “Blancanieves” e “Torremolinos”. Também me motivou a presença da diva espanhola Maribel Verdú, uma bela e excelente atriz. A história é fantasiosa, abordando o sobrenatural, tudo levado no maior bom humor. Carmen (Verdú) é uma dona de casa dedicada à família e, principalmente, ao marido Carlos (Antonio de La Torre). Um dia, porém, ela percebe que Carlos começa a ter atitudes estranhas. Depois de muito observar o comportamento de Carlos, Carmen chega a uma terrível conclusão: seu marido foi possuído por algum espírito maligno. Ao lado do cunhado maluco e de um charlatão, Carmen vai tentar descobrir a identidade do tal espírito e, assim, fazer o marido voltar ao normal. Esse contexto dá margem a situações bastante engraçadas. Mas no quarto final a comédia perde o ritmo e se transforma num dramalhão mexicano, aliás, espanhol. Mesmo com alguns defeitos, o filme foi indicado em várias categorias no Prêmio Goya (o Oscar espanhol). Resumo da ópera: uma grande bobagem, mas muito divertida.        


Embora tenha assistido a alguns bons filmes no gênero, nunca fui chegado a histórias com temática gay, principalmente por causa das cenas de sexo entre dois homens, por exemplo, mesmo que sejam realizadas com alguma sensibilidade, como é o caso do drama romântico “ME CHAME PELO SEU NOME” (“CALL ME BY YOUR NAME”), coprodução EUA/Itália/França/Brasil (isso mesmo, tem um brasileiro, Rodrigo Teixeira, no time de produção). A direção é do italiano Luca Guadagnino (“100 Escovadas Antes de Dormir”), com roteiro do consagrado James Ivory (diretor de “Vestígios do Dia”). A história é baseada no romance homônimo do escritor egípcio André Aciman e ambientada em 1983. A família do professor Perlman, especialista em cultura grego-romana, está passando as férias de verão numa casa de campo no interior da Itália. Logo chega o acadêmico Oliver (Armie Hammer) para ajudar o professor numa pesquisa arqueológica. Os diálogos, tanto em inglês, italiano e francês, contêm uma grande dose de erudição, principalmente quando o assunto é arte. Até o surgimento de Oliver, o jovem Elio (Timothée Chalamet), 17 anos, filho do professor, saía com uma turma de jovens e uma delas era sua namorada. Elio e Oliver acabam ficando amigos inseparáveis e, depois, muito mais do que amigos. O filme é de grande beleza estética, incluindo a excelente fotografia, locações e cenários deslumbrantes. Estreou no Sundance Festival e também foi exibido durante o 42º Festival de Toronto, em setembro de 2017. Embora a ala conservadora de Hollywood tenha criticado sua temática, o filme ganhou o Oscar 2018 na categoria “Roteiro Adaptado”. Não é para qualquer público, principalmente aquele cuja cultura está no nível do carpete.        

sábado, 28 de abril de 2018


Todo mundo que se liga em cinema lembra que “Rocky, um Lutador” levou ao estrelato o ator Sylvester Stallone. Mas poucos sabem que o personagem foi inspirado num tal de Chuck Wepner, lutador peso-pesado que nos anos 70 ficou famoso ao resistir a 15 assaltos com o então campeão Muhammad Ali (ex-Cassius Clay). Stallone achou o gancho para criar o personagem Rocky Balboa. Toda essa incrível história está contada no drama “PUNHOS DE SANGUE – A VERDADEIRA HISTÓRIA DE ROCKY BALBOA” (“CHUCK”), 2016, direção do canadense Phillipe Falardeau, com roteiro de Liev Schreiber, Jeff Feverzeig, Jerry Stahl e Michael Cristofer. O elenco é ótimo: Liev Schreiber, Naomi Watts, Ron Perlman e Elisabeth Moss. O filme revela que Chuck Wepner viveu frustrado por não ter ganho nada com os filmes de Stallone, a ponto de estragar o relacionamento com sua esposa e quase acabar na sarjeta das drogas, sendo salvo por uma admiradora atendente de bar. O filme é ótimo, as cenas de luta são espetaculares e o desempenho de Schreiber é simplesmente incrível. Um ótimo programa para uma sessão da tarde.      


“A COMUNIDADE” (“Kollektivet”), 2016, Dinamarca, roteiro e direção de Thomas Vinterberg. Comédia dramática ambientada nos anos 70. Erik (Ulrich Thomsen) e Anna (Trine Dyrholm) vivem com a filha adolescente Freja (Martha Sofie Wallstrom Hansem) numa bela casa num bairro elegante de Copenhague. Ele, professor universitário, ela apresentadora de telejornal numa importante emissora de TV. Como a vida ficou difícil, as contas aumentaram, eles resolvem convidar alguns amigos para morar junto e, assim, dividir as despesas. Dessa forma, nasce uma comunidade nos moldes da filosofia hippie, com regras estabelecidas, muita paz e amor. Almoços, jantares, festas, muita cantoria e alegria geral. Todos vivem como se fossem uma família feliz. Até que Erik, motivado pelo ar libertário, resolve levar a amante Emma (Helene Relngaar Neumann, esposa do diretor na vida real), sua estudante na universidade, para morar com a turma. Aí a maionese desanda de vez, colocando em risco a convivência pacífica que prevalecia deste o início. De qualquer forma, trata-se de um filme bastante agradável de assistir, com uma trilha sonora saborosa, destacando o clássico “Goodbye Yellow Brick Road”, de Elton John. Trata-se de mais um filme polêmico do diretor dinamarquês Vinterberg, considerado um dos percursores do movimento Dogma 95 com o filme “Festa de Família”. Vinterberg também é responsável por filmes excelentes como “A Caça” e “Submarino”. Um ótimo programa para quem curte filmes de qualidade. Sem falar que a atuação de Trine Dyrholm, talvez a principal atriz dinamarquesa da atualidade , é simplesmente maravilhosa. Para terminar o comentário, basta dizer que o filme foi o mais aplaudido pelo público e crítica do Festival de Cannes.    

sexta-feira, 27 de abril de 2018


“PARIS PODE ESPERAR” (“PARIS CAN WAIT”), 2016, roteiro e direção de Leonor Coppola (isso mesmo, a esposa do consagrado diretor Francis Ford Coppola). Michael Lockwood (Alec Baldwin) está com a esposa Anne (Diane Lane) no Festival de Cannes. Ele é um famoso produtor de Hollywood e ela uma fotógrafa amadora. Ao fim do festival, o casal havia programado ir até Paris para alguns dias de férias. Mas eis que surge um imprevisto e Michael é obrigado a viajar para Budapeste (Hungria) com o objetivo de supervisionar uma importante produção internacional. Ele pede ao seu sócio francês Jacques Clément (Arnaud Viard) que acompanhe Anne até Paris. Um risco e tanto deixar a esposa aos cuidados desse charmoso francês. Será que Anne resistirá aos encantos de Clément? Tchan, tchan, tchan... Já começa quando Anne pede que encurtem a viagem: Clément responde que “Paris pode esperar”. Daí em diante, ele levará Anne por um verdadeiro roteiro romântico pelo interior da França, incluindo paisagens deslumbrantes, restaurantes típicos, gastronomia, vinhos e cultura histórica das cidades visitadas. Este foi o primeiro longa-metragem de ficção dirigido por Leonor, mais conhecida como documentarista. Leonor é mãe de outros dois cineastas, Sofia e Roman Coppola. Um filme muito simpático, agradável de assistir, ainda mais com o charme e a beleza madura da atriz Diane Lane. Aliás, o roteiro lembra muito um filme estrelado também por Diane em 2003, “Sob o Sol da Toscana”.

quinta-feira, 26 de abril de 2018


“O JURAMENTO” (“Eiourinn” no original; “The Oath” nos países de língua inglesa), Islândia, é um suspense policial produzido em 2016 mas somente lançado nos cinemas e em DVD em 2018. A temática: o que um pai de família pode – ou deve - fazer quando descobre que sua filha é viciada em drogas e, pior, que está (na) morando com um traficante? Na história, este é o grande dilema do médico Finnur, um conceituado cirurgião cardíaco do principal hospital de Reykjavik, a capital da pequena Islândia. O que fazer? Finnur resolve tomar uma atitude extrema, sem medir as consequências. Afinal, não será qualquer marginal que estragará a vida da sua filha. Dr. Finnur é interpretado por Baltasar Kormákur, que escreveu a história e dirigiu o filme. Kormákur tem em seu currículo como diretor o excelente “Sobrevivente” (2012). Também dirigiu algumas produções nos EUA, como “Dose Dupla” e “Contrabando”. Em “O Juramento”, Kormákur consegue manter um bom nível de suspense, garantindo a atenção do espectador do começo ao fim. Completam o elenco a bela Hera Hilmar como Anna, filha do médico, e Gísli Örn Garoarsson, como o delinquente Óttar. Um programa à altura para quem curte um bom suspense.         

segunda-feira, 16 de abril de 2018


“O MASSACRE DE VOLÍNIA” (“WOLYN”), Polônia, 2016, roteiro e direção de Wojtka Smarzowskiego. Drama histórico que relembra um dos maiores massacres ocorridos na Polônia durante a Segunda Grande Guerra. Como se sabe, a Polônia foi invadida pelos alemães em setembro de 1939, dando início àquele que é considerado o maior conflito mundial do Século XX. Enquanto as tropas nazistas entravam pelo oeste, para onde foi mobilizado praticamente todo o exército polonês, alguns dias depois os russos invadiam o país pelo leste sem encontrar praticamente nenhuma resistência. A região de Voivodia, especialmente o vilarejo de Volínia, povoada por poloneses, ucranianos e judeus, foi a primeira a enfrentar o terror infligido pelos russos e depois pelos alemães. Além de russos e alemães, os habitantes de Volínia ainda sofreram uma limpeza étnica por parte dos ucranianos – chamados de “bandeiristas” - que mataram milhares de poloneses. O filme, em duas horas e meia, mostra de forma bastante realista o sofrimento dos habitantes de Volínia, incluindo cenas que certamente não farão nada bem ao estômago do espectador mais sensível. Paralelamente a toda essa tragédia, o diretor Wojtka conta a história de amor entre dois jovens habitantes de Volínia, a bela polonesa Zosia Glowacka (Michalina Labacz) e o ucraniano Petro (Wasyl Wasylik). Zosia é obrigada pelo pai a casar com um comerciante rico, em troca de alguns acres de terra, algumas galinhas e um cavalo. De qualquer forma, o cenário trágico da guerra e do massacre de Volínia é que prevalece neste excelente drama polonês. Vale a pena conhecer – pelo lado histórico - mais esse fato triste e lamentável ocorrido durante a Segunda Guerra. Sofrimento e maldade na sua mais pura essência. Apesar de tudo, imperdível!    

sábado, 14 de abril de 2018


O drama sueco “FlUG PARKEN” (no inglês, “Blowfly Park” - como não chegou ao nosso circuito comercial, não há tradução para o português), 2014, roteiro e direção de Jens Östberg (seu primeiro longa-metragem), conta a história de Kille (Skerrir Gudnadson) um jovem trintão totalmente perdido, sem eira nem beira, psicologicamente abalado e altamente depressivo. O motivo: a morte do amigo Alex (Leonard Terfelt), um bêbado crônico casado com a bela Diana (Malin Busca). Aos poucos, acabamos entendendo que Kille, Alex e Diana viviam um triângulo amoroso, sem ficar definido quem transava com quem, embora fique claro que Elias (Joar Hennix Raukola) pode ser filho de Kille – talvez a principal razão das constantes tentativas de suicídio de Alex. Enfim, o filme nos leva a acompanhar a trajetória histérica de Kille e no desfecho o enfrentamento com o pai de Alex (o veterano ator Peter Andersson). Trata-se de um filme bastante depressivo, difícil de recomendar.  

sexta-feira, 13 de abril de 2018


Mais do que um filme muito interessante e sensível, “LUCKY”, 2017, EUA, homenageia um dos atores mais importantes do cinema e da TV norte-americanos: Harry Dean Stanton. Sua longa carreira começou em 1954 e partir de então deslanchou com participações marcantes em séries como Bat Masterson, O Fugitivo, Paladino do Oeste etc. No cinema, também marcou presença em clássicos como “No Calor da Noite”, “O Poderoso Chefão 2”, “Paris, Texas” e “À Espera de um Milagre”, entre tantos outros. Em “Lucky”, Stanton faz o papel principal, o velho Lucky, de 91 anos, solitário, preso a uma rotina que inclui fazer alguns alongamentos logo que acorda ao som de um tango, tomar café da manhã na lanchonete do Joe (Barry Shabaka Henley), onde resolve palavras cruzadas, e no final da tarde curtir um Bloody Mary no bar de Elaine (Beth Grant). Nos dois lugares, Stanton conversa com todo mundo e sempre tem na ponta da língua um sarcasmo implacável. Aliás, o que mais gostei no filme foram os diálogos. “Lucky” também seus momentos bem-humorados e sensíveis, como quando ele canta, durante uma festa, uma bela canção mariach em espanhol. O filme ficou com cara de homenagem póstuma a Stanton, que faleceu no mesmo mês (setembro de 2017) em que foi lançado nos cinemas dos Estados Unidos. “Lucky” foi o primeiro filme dirigido pelo conhecido ator John Carroll Lynch, com roteiro de Logan Sparks e Drago Sumonja. Do elenco, também participam Ron Livingston, David Linch, Tom Skerritt e James Darren. Enfim, um filme para quem curte cinema de qualidade, digno de um ator que ficou conhecido como uma lenda do cinema independente norte-americano. Não perca!       

segunda-feira, 9 de abril de 2018


“DEPOIS DAQUELA MONTANHA” (“THE MOUNTAIN BETWEEN US”), EUA, 2017, estrelando Kate Winslet, Idris Alba, Beau Bridges e Dermot Mulroney. Não se engane com o bom elenco. O filme é um ABACAXI com letra maiúscula. A fotojornalista Alex (Winslet) e o neurocirurgião Ben (Alba) estão num aeroporto aguardando o mesmo vôo. Não se conhecem. Ela está a caminho da cidade onde casará com Mark (Mulroney). Ben está voltando de um congresso médico.  Como o vôo é cancelado, os dois resolvem alugar um pequeno avião, com um piloto (Bridges) que não oferece a mínima confiança. Tava na cara que algo trágico estava prestes a acontecer. E não dá outra: o avião cai numa região montanhosa (fiquei sem saber onde fica essa região; o filme não explica; só fiquei sabendo que as gravações aconteceram no Canadá). Alex e Ben, além do cão labrador órfão do piloto, tentam sobreviver ao frio intenso, tempestades de neve, quedas e nenhuma comida. E dá-lhe papo furado, num ritmo arrastado e monótono. Os dois acabam tendo um romance que parece ter ficado para trás depois que conseguem voltar à civilização. O desfecho é constrangedor. Consegue ser pior do que aqueles finais horríveis daqueles  filmes românticos da pior qualidade. A grande surpresa foi constatar que o diretor é o israelense Hany Abu-Assad, que havia dirigido dois filmes excelentes, “Paradise Now”, indicado ao Oscar 2006, e “Omar”, também indicado ao Oscar, desta vez em 2014. O roteiro ficou a cargo de J. Mills Goodloe e Chris Weitz, que adaptaram a história do livro “The Mountain Between Us”, de Charles Martin. Difícil acreditar que ótimos atores como Kate Winslet e Idris Alba tenham concordado em participar de tamanha bomba. Se eles correram risco durante as filmagens, isso eu não sei, mas o perigo maior sobrou para o espectador: perigo de um sono profundo.       

domingo, 8 de abril de 2018


“NA FLOR DA IDADE” (título original “GRZELI NATELI DGEEBI”; em inglês, ficou “IN BLOOM”), 2013, roteiro e direção de Nana Ekvtimishvili e Simon Grob. O filme foi selecionado para representar a ex-república soviética da Geórgia na disputa do Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro (vencido pelo italiano “La Grande Bellezza”). A história, ambientada no início dos anos 90 em Tbilisi, capital da Geórgia, é centrada na amizade entre as adolescentes Eka (Lika Babluani) e Natia (Mariam Bokeria), mas o pano de fundo é o momento dramático vivido pelo país. Na época, a Geórgia tinha acabado de proclamar sua independência, logo após o colapso da União Soviética. A situação no país era de caos: guerra civil, desabastecimento de comida e constantes apagões de energia elétrica. Filas imensas para conseguir um pedaço de pão terminavam sempre em confusão. Dentro desse clima sombrio, Eka e Natia viviam às turras com suas respectivas famílias: o pai de uma era um bêbado crônico e o da outra estava preso já há algum tempo. Mas elas seguiam sua vida em frente, se comportando como todos os jovens da sua idade. Aliás, o enredo reserva um bom espaço para explorar o comportamento da juventude georgiana. A amizade entre Eka e Natia sempre esteve acima dos problemas e algumas desavenças. O mais interessante do filme, porém, é o destaque dado ao modo de vida dos georgianos, suas tradições, cultura e folclore. O melhor momento do filme, inclusive, é justamente uma festa de casamento onde todo mundo dança ao som de uma música típica do país. O filme não chegou a ser exibido por aqui no circuito comercial, apenas durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro/novembro de 2017.   

sábado, 7 de abril de 2018


Representante oficial da Islândia na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filmes Estrangeiro, “A SOMBRA DA ÁRVORE” (“UNDIR TRÉNU”), roteiro e direção de Hafsteinn Gunnar Sigurdsson,  é uma ótima comédia de humor negro. O enredo percorre duas vertentes. Na primeira, Agnes (Lára Jóhanna Jónsdóttir) surpreende o marido Atli (Steibór Hróar Steinbórsson) se masturbando na frente do computador assistindo a um vídeo onde ele próprio faz sexo com outra mulher. O casamento entra em crise e Atli volta a morar com os pais. Na segunda vertente, a história é centrada em dois casais de vizinhos, um deles justamente os pais de Atli, Inga (Edda Björguinsdóttir) e Baldwin (Sigurour Sigurjónsson), que vivem a amargura da terceira idade, ela uma mulher insatisfeita e sempre disposta a encarar uma briga. Na casa deles, uma grande árvore impede que os vizinhos Agnes (Lára Jóhanna Jónsdóttir) e Atli (Steibór Hróar Steinbórsson) curtam o sol no terraço. Começa a desavença, incluindo o sumiço do gato de Inga e do cachorro pastor alemão de Agnes e Atli. Os casais se acusam pelo desaparecimento dos bichos, transformando a convivência num verdadeiro inferno, com direito a confrontos que terminam num verdadeiro banho de sangue. Apesar do contexto de intolerância, tudo é levado no maior bom humor, tornando essa comédia um ótimo entretenimento. Por aqui, foi exibido durante a programação da 41ª Mostra Internacional do Cinema de São Paulo, em out./nov. 2017.    

quinta-feira, 5 de abril de 2018


“EU, TONYA” (“I, TONYA”), 2017, EUA, direção do australiano Craig Gillespie (“A Garota Ideal”,  “Horas Decisivas”), com roteiro de Steven Rogers. Trata-se da cinebiografia da patinadora artística norte-americana Tonya Harding, que às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1994 participou de um plano macabro, juntamente com o marido Jeff Gillooly e mais dois amigos: ferir sua principal rival na época, Nancy Kerrigan, impedindo-a de disputar a competição. Na época, o caso ficou famoso no mundo inteiro, colocando-se entre as páginas mais tristes e chocantes do mundo esportivo. O filme mostra o início da carreira vitoriosa de Tonya, que aos 4 anos de idade já encantava os adeptos e os fãs da patinação artística no gelo. Ano após ano, Tonya conquistaria inúmeros torneios, tornando-se a estrela máxima do seu esporte, a única patinadora a realizar com perfeição o “Triple Axel”, o mais difícil e complicado movimento da patinação artística. Poucos sabiam, porém, que por trás dessa garota havia uma mãe obcecada, violenta e descontrolada, responsável direta não apenas pela trajetória de Tonya, mas também por tudo de mal que a garota seria capaz de fazer para conquistar suas vitórias. Tonya só era feliz quando estava no ringue de patinação com os holofotes e os aplausos do público. Na verdade, sua vida particular era um verdadeiro inferno, com sua mãe insana e o marido que a espancava quase todo dia. Não deixe de ver os créditos finais, que explicam os destinos que tiveram os principais personagens da história. Tudo isso está em “Eu, Tonya”, que consagrou a australiana Margot Robbie (Tonya) como uma ótima atriz, tendo sido indicada para receber o Oscar 2018. Seu trabalho é excelente. O diretor Gillespie tentou deixá-la menos linda, o que é impossível. Conseguiu pelo menos desglamourizá-la. Eu mesmo achava, antes deste filme, que Margot Robbie era mais bonita do que competente. Ela me convenceu também do contrário. Outro destaque do filme é a veterana Allison Janney no papel de LaVona Harding, mãe de Tonya, o que lhe valeu, com muita justiça, o Oscar 2018 de Melhor Atriz Coadjuvante. Enfim, um ótimo programa para curtir na telinha.  

domingo, 1 de abril de 2018


“ELES” (“ILS”), 2006, escrito e dirigido por David Moreau e Xavier Palud. Competente terror francês, recheado de muito suspense e alta tensão. Conta a história de um casal de franceses, Clémentine (Olivia Bonamy) e Lucas (Michaël Cohen), moradores num casarão na zona rural próxima a Bucareste (capital da Romênia) – o filme não explica porque eles se estabeleceram por lá. Ela dá aulas de francês numa escola e ele é – ou tenta ser – escritor. Numa noite qualquer, eles escutam barulhos fora da casa e saem para ver o que está acontecendo. Um bando de intrusos cerca a casa e alguns tentam entrar. Como eles não aparecem na tela, até o desfecho o espectador fica imaginando quem seriam os intrusos: vândalos ciganos, zumbis, assaltantes ou até mesmo vampiros – afinal, a Romênia não é a terra do Drácula? Esse suspense prossegue em ritmo acelerado, prendendo e segurando a atenção até o final do filme. Dessa forma, como terror psicológico até funciona bem, mesmo porque tem alguns bons sustos e muita aflição, garantindo um bom entretenimento. No gênero, já vi vários filmes parecidos, alguns piores, outros melhores. Ah, esqueci de ressaltar que a história é baseada em fatos reais, como é explicado nos créditos finais.          

sábado, 31 de março de 2018


“COLHEITA AMARGA” (“Bitter Harvest”), 2017, Canadá, roteiro e direção do diretor alemão George Mendeluk. Trata-se de um drama histórico baseado em fatos reais, ambientado nos primeiros anos da década de 30 na Rússia.  Stalin ordenou a expropriação das terras produtivas dos agricultores ucranianos, alegando que elas pertenciam ao estado russo. Como os ucranianos não concordaram, Stalin simplesmente mandou seu exército confiscar tudo o que era produzido na Ucrânia. Além disso, como uma espécie de vingança, lançou o Projeto “Holodomor”, cujo objetivo era promover a morte da população da Ucrânia por inanição. O caso ficou conhecido como o “holocausto ucraniano”, pois causou a morte de cerca de 10 milhões de ucranianos. Esse lamentável fato histórico somente viria a público em 1991, logo depois da desintegração da União Soviética. Esse pavoroso genocídio colocou Stalin como um assassino  pior do que Hitler. “Colheita Amarga”, em sua fase inicial, é ambientado no vilarejo ucraniano de Smila, onde vivem as famílias de Yuri (Max Irons) e Natalka (Samantha Barks), ambas atingidas pela perseguição violenta de Stalin. O avô de Yuri é um herói de guerra ucraniano, Ivan Kachaniuk (Terence Stamp), opositor ferrenho de Stalin. Numa segunda fase, a ação muda para Kiev, para onde vai Yuri tentar a vida e ganhar dinheiro para enviar para sua família. O filme retrata de forma bastante realista o sofrimento do povo ucraniano, com muitas cenas de execução e tortura. Nem mesmo o romance entre Yuri e Natalka consegue amenizar o contexto dramático deste que foi considerado um dos maiores genocídios do Século XX. O filme merece ser visto por retratar um fato histórico tão importante.           

quarta-feira, 28 de março de 2018



“O SACRIFÍCIO DO CERVO DOURADO” (“THE KILLING OF A SACRED DEER”), 2017, Inglaterra. O título já não é muito convidativo. E a sensação de dúvida aumenta ainda mais quando a gente lê na sinopse que o filme foi escrito e dirigido pelo diretor grego Yórgos Lánthimos, conhecido no mundo da Sétima Arte como um autor de filmes esquisitos, tais como “Dente Canino” e “O Lagosta”. Ou seja, um diretor excêntrico e hermético. Tentei desvendar o segredo do título e descobri que se refere a uma tragédia grega escrita por Eurípedes. O diretor Yórgos levou tão a sério que o filme realmente virou uma tragédia, repulsivo, desconfortável, perturbador e lúgubre. E olha que o elenco não é tão ruim: Colin Farrell, Nicole Kidman e Barry Keoghan (de “Dunkirk”), só para citar os principais nomes. Vamos à história: em suas horas de folga, o médico Steven Murphy (Farrell), um renomado cirurgião cardíaco, sempre conversa com o jovem Martin (Keoghan). Há anos que os dois mantém uma relação de verdadeiros amigos. Há um elo bastante forte que une os dois: o pai de Martin morreu durante uma operação de coração realizada por Murphy. Aos poucos, Martin vai se aproximando da família do médico, da esposa Anna (Kidman) e dos dois filhos Bob (Sunny Suljic) e Kim (Raffey Cassidy). A partir daí, o filme se transforma num suspense psicológico até que interessante: será que o garoto vai atingir a família do médico para se vingar da morte do pai? Tchan, tchan, tchan... Não espere explicações plausíveis para o que você vai ver. Pior de tudo é que o filme venceu o Prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes.  

segunda-feira, 26 de março de 2018


Com “RODA GIGANTE” (“WONDER WHEEL”), 2017, Woody Allen comprova que ainda está em grande forma como roteirista e diretor, mesmo aos 82 anos. Este talvez seja seu melhor filme dos últimos anos, com uma trama bem apimentada e muito saborosa. É o Woody Allen de sempre: roteiro primoroso, diálogos inteligentes, trilha sonora com muito jazz antigo etc. Faltou um pouco mais de humor - não tem nem piada de judeu –, mas o resultado final é simplesmente irresistível. Ambientada nos anos 40, a história é centrada em Ginny (Kate Winslet), esposa de Humpty (James Belushi), operador de carrossel num parque de diversões na praia de Coney Island (distrito do Brooklyn, New York). Atriz fracassada, ela vive com Humpty um segundo casamento infeliz, ainda tendo que aturar os aprontos de Richie (Jack Gore), seu filho de 8 anos cujo único prazer é incendiar tudo que vê pela frente. Ginny acaba conhecendo o salva-vidas Mickey (Justin Timberlake) e os dois começam um caso. O romance proibido vai bem até a chegada da jovem e bela Caroline (Juno Temple), filha de Humpty, que abandonou um poderoso namorado mafioso. Para desespero de Ginny, Mickey começa a se interessar por Caroline, e vice-versa. Como a situação vai terminar, só vendo o filme. A  fotografia do consagrado Vittorio Storaro, que já havia trabalhado com Allen em “Café Society”, é nada menos do que deslumbrante. Mas o grande destaque é, sem dúvida, a atriz inglesa Kate Winslet, que tem, certamente, o melhor desempenho de toda a sua carreira, principalmente nas cenas em que demonstra – sem querer demonstrar - um ciúme doentio. Sua atuação é simplesmente magistral. Por este seu trabalho, merecia ganhar o Oscar de “Melhor Atriz”, mas não foi nem indicada. Mistérios da Academia... Em seus filmes, Allen sempre criou personagens femininas interessantes e poderosas, tanto é que nada menos do que cinco atrizes ganharam o Oscar dirigidas pelo diretor norte-americano: Kate Blanchett, Dianne West, Diane Keaton, Mira Sorvino e Penélope Cruz. E Allen continua com a corda toda: atualmente, está filmando “A Rainy Day in New York” (“Um dia chuvoso em Nova Iorque”). Depois de Fellini e Mario Monicelli, Woody Allen sempre foi meu diretor preferido. Resumo da ópera: “RODA GIGANTE” é imperdível!                         


sábado, 24 de março de 2018


“MÁS NOTÍCIAS PARA O SR. MARS” (“Des Nouvelles de La Planète Mars”), 2015, França/Bélgica, roteiro e direção do alemão Dominik Moll. Trata-se de uma comédia muito engraçada sobre um engenheiro, Phillippe Mars (François Damiens), que de repente se vê às voltas com várias situações que vão deixá-lo à beira de um ataque de nervos. Começa que sua ex-mulher, Myrian (Léa Drucker), uma repórter de TV, é obrigada a cobrir um evento internacional em Bruxelas (Bélgica) e pede a Phillippe que cuide dos seus dois filhos adolescentes. Como se não bastasse, sua irmã Xanaé Mars (Olivia Cotê) promove uma exposição de quadros nos quais retrata os pais completamente nús e, mais tarde, obriga Phillippe a ficar com seu cachorrinho de estimação. O suplício de Phillippe ainda não terminou. Jérôme (Vincent Macaigne), seu colega de trabalho no escritório, tem um surto psicótico, é internado numa clínica e depois liberado, indo pedir “asilo” na casa de Phillippe, levando a tiracolo uma paciente pela qual se apaixona, a birutinha Chloé (a maravilhosa atriz belga Verlee Baetens, do ótimo “Alabama Monroe”). A confusão está formada, garantindo boas risadas durante a maior parte do tempo. Só que nos minutos finais, o filme perde o ritmo de comédia e passa a adotar momentos do mais puro sentimentalismo, sem prejudicar o resultado final. Em todo caso, vale pelos diálogos bem humorados e pelas situações divertidas. Uma delas, a aparição dos fantasmas dos pais de Phillippe, dois velhinhos simpáticos que alegram o ambiente. Sem dúvida, um ótimo programa.                     

sexta-feira, 23 de março de 2018


“O FILHO DE JOSEPH” (“Les Fils de Joseph”), 2016, França, escrito e dirigido por Eugène Green. A história é centrada no jovem Vincent (Victor Ezenfis), de 15 anos, criado pela mãe solteira Marie (Natacha Régnier). Vincent insiste que ela revele o nome do seu pai, que durante anos foi um segredo trancado a sete chaves. A mãe sempre tinha a mesma resposta: “Você não tem pai”. Um dia, porém, Vincent, garoto esperto, acaba descobrindo a identidade do pai, Oscar Pormenor (Mathieu Amalric), um importante editor de livros. Em meio a uma vingança planejada por Vincent contra o próprio pai, surge na história Joseph (Fabrizio Rongione), irmão de Oscar, que aparece do nada para pedir um empréstimo. Logo fica evidente que os irmãos nunca se deram e continuarão assim depois que Oscar recusa-se a atender ao pedido de Joseph. Papo vai, papo vem, Joseph faz amizade com Vincent, que fica interessado em Marie.  Até aí o filme fica interessante, mas perde o ritmo no final, principalmente quando, numa longa cena, Joseph, Marie e Vincent caminham na praia com um burrinho, uma referência explícita à cena bíblica de José e Maria a caminho de Belém. Trata-se de mais uma excentricidade do diretor norte-americano radicado na França, responsável pelo elogiado “La Sapienza”, também difícil de digerir. Na maioria de seus filmes, Eugène Green faz questão de colocar pitadas de humor negro, diálogos com pretensões intelectuais e uma certa erudição. Em "O Filho de Joseph", por exemplo, ele dá grande destaque a um quadro pendurado no quarto do jovem Vincent, "O Sacrifício de Isaac", pintado por Caravaggio no Século 17. Resumo da ópera: Eugène quis fazer um filme com pretensões intelectuais, mas acabou reforçando ainda mais a sua imagem de diretor excêntrico. Como informação adicional, lembro que assinam a produção Luc e Jean-Pierre, conhecidos como os Irmãos Dardenne, consagrados diretores belgas. “O Filho de Joseph” é apenas interessante, longe de agradar o grande público.                   


segunda-feira, 19 de março de 2018


“ROMAN J. ISRAEL” (“Roman J. Israel, Esq.”), roteiro e direção de Dan Gilroy (do excelente “O Abutre”, com Jake Gyllenhaal), conta a história de um advogado criminalista brilhante, Roman Israel (Denzel Washington), mas um tipo bastante estranho: gordo, desajeitado, roupas cafonas e um cabelo “black power” igual aos ativistas dos anos 60/70 – ele idolatra especialmente Angela Davis. Durante anos, ele atuou nos bastidores do escritório e dos tribunais, elaborando as estratégias de defesa que seu sócio, Willian Henry Jackson, utilizava, com grande sucesso nos julgamentos. Quando Willian sofre um ataque cardíaco e entra em coma, Roman é obrigado a assumir o seu trabalho nos tribunais. Só que Roman é um advogado radicalmente idealista, seguindo à risca os princípios morais e éticos da profissão. Pode estar diante de um juiz no tribunal ou de um importante promotor, ele não tem medo de enfrentar qualquer autoridade para fazer valer as suas convicções. Depois que seu escritório é fechado, ele passa a trabalhar para outro advogado de sucesso, George Pierce (o ator irlandês Colin Farrel), um verdadeiro “tubarão” no meio jurídico, advogado/empresário que só enxerga o Direito como uma forma de ganhar dinheiro, sem concessões à ética da profissão. Mais um grande trabalho de Denzel Washington, que, pelo papel, foi indicado ao prêmio de “Melhor Ator” no Oscar 2018. Denzel já havia conquistado a estatueta de Melhor Ator em 2002 por “Dia de Treinamento” e a de Melhor Ator Coadjuvante por “Glory”, em 1990. “Roman J. Israel” tem como seu maior trunfo justamente o desempenho de Denzel, embora a história também seja ótima e o filme muito bom.