sexta-feira, 3 de julho de 2020


“BALA PERDIDA” (“Balle Perdue”), 2020, França, 1h32m, disponível na Netflix desde o dia 19 de junho de 2020, direção de Guillaume Pierret (é o seu primeiro longa-metragem), que também assina o roteiro com a colaboração do ator Alban Lenoir (principal protagonista). É um filme policial com muita ação e violência. Alguns críticos profissionais o comparam à série “Velozes e Furiosos”, o que não concordo, pois “Bala Perdida” é muito melhor e mais inteligente, enquanto o outro é mais uma bobagem do cinema de ação. A história de “Bala Perdida” é toda centrada no mecânico de automóveis Lino (Alban Lenoir), um gênio na turbinagem de motores e equipamentos de proteção capazes de tornar o veículo tão forte a ponto de derrubar paredes de concreto. Foi numa tentativa de assaltar uma joalheria que Lino acabou sendo preso. Por causa de sua habilidade com carros e motores, Lino foi recrutado pelo detetive Charas (Ramzy Bedia) para transformar as viaturas policiais em veículos mais potentes. Em meses de trabalho, Lino ganhou a confiança do pessoal da delegacia e ainda teve um caso com a policial novata Julia (Stéfi Celma). Porém, a vida de Lino se transforma num inferno a partir do assassinato de Charas, seu mentor e protetor. Lino testemunha a tragédia e logo é considerado suspeito pelo detetive Areski (Nicolas Duvauchele), um policial corrupto que tem responsabilidade no crime. Enfim, “Bala Perdida” tem tudo para agradar aos fãs de filmes de ação, ou seja, uma história legal, muita pancadaria, tiros e cenas de perseguição muito bem feitas. Com justiça, é, atualmente, um dos filmes mais vistos da Netflix. Entretenimento garantido!    

quinta-feira, 2 de julho de 2020


“ADÚ”, 2020, Espanha, distribuição dfa Netflix (estreou no dia 30 de junho de 2020), 1h49m, com roteiro de Alejandro Hernandes e direção de Salvador Calvo. O pano de fundo é a questão dos imigrantes africanos que querem fugir de seus países para tentar uma vida melhor na Europa, a matança indiscriminada de animais na África e a violência policial nas fronteiras. O roteiro transcorre em três frentes. A principal delas no Congo, envolvendo Adú (Moustapha Oumarou), um garoto de seis anos que, ao lado da irmã, testemunha um crime num parque de preservação animal. Adú e a irmã ficam com medo de represálias e resolvem fugir, iniciando uma grande aventura. A segunda frente diz respeito a três policiais de fronteira que atuam no extremo norte da África, acusados de praticar atos violentos contra refugiados que tentavam atravessar o Estreito de Gibraltar. E, por fim, o roteiro destaca o difícil trabalho de Gonzalo (Luis Tosar), que preside uma Ong que luta pela sobrevivência dos elefantes na África. Como se não bastasse, ainda recebe a visita da filha Sandra (a ótima Anna Castillo), uma jovem rebelde e irresponsável. Das três histórias, a que é melhor desenvolvida é, sem dúvida, a do garoto Adú. Por terra, pelo mar e até pelo ar, o menino enfrentará muitos desafios, que tentará superar ao lado da irmã e de outro refugiado e novo amigo de andanças, o somaliano Massar (Adam Nourou). “Adú” é muito realista e impactante, mostrando a triste realidade que assola a África, num cenário de muita pobreza e desesperança. Um filme que, apesar do contexto dramático, consegue ao mesmo tempo ser bastante sensível e comovente. Em seu primeiro longa-metragem como diretor, Salvador Calvo acertou em cheio. E que descoberta ele fez ao encontrar o garoto Moustapha Oumarou para representar Adú. Ele é a alma do filme.

quarta-feira, 1 de julho de 2020


“SONI”, 2018, Índia, produção e distribuição Netflix, 1h37m, roteiro e direção de Ivan Ayr. O pano de fundo da história é a questão da violência sexual contra as mulheres no país de Mahatma Gandhi. Segundo especialistas da Thomson Reuters Foudation, a Índia é o país mais perigoso do mundo para as mulheres. Partindo desse contexto, o cineasta Iva Ayr resolveu explorar o assunto através do cotidiano de duas policiais da capital Nova Délhi. Kaldana Ummat (Saloni Batra) é a inspetora-chefe da Delegacia Especializada em Crimes Sexuais. Soni (a ótima Geetika Vidya Ohlyan) é sua subordinada. Temperamental, explosiva e com um pavio curtíssimo, Soni encara uma briga com marmanjos numa boa, e este seu comportamento só atrai problemas. Ela não suporta o tratamento que os homens dão às mulheres indianas. Ela vive revoltada com o machismo reinante e sai na porrada com o primeiro abusado que aparecer na frente. Com muita conversa, Kaldana tenta controlar os ímpetos de sua subordinada e é esta relação entre as duas que será explorada pelo roteiro. “Soni” foi premiado em vários festivais de cinema pelo mundo afora. Logo na sua estreia, na Seção “Horizons” do 75º Festival Internacional de Cinema de Veneza/2018, o filme foi aplaudido de pé, assim como aconteceu na Asía Pacific Screen Awards, Mami Film Festival, BFI London Filme Festival e Pingyao International Film Festival (China), onde ganhou o Prêmio de Melhor Filme. Sem dúvida, o filme é muito bom, um retrato bem atual do machismo vigente na Índia. E com uma enorme vantagem: não tem aquelas cenas de cantorias e coreografias chatérrimas que costumam inundar as produções comerciais de Bollywood.    

terça-feira, 30 de junho de 2020


“O JULGAMENTO DE TÓQUIO” (“TOKYO TRIAL”), 2017, minissérie da Netflix em quatro capítulos, coprodução Holanda/Japão/Canadá, roteiro e direção da Pieter Verhoeff e Rob W. King. Trata-se da adaptação cinematográfica de um dos fatos históricos mais importantes do século 20. Em 1946, com o objetivo de julgar os crimes de guerra, de agressão e contra a humanidade praticados pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial, foi instituído o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente. Dele, fizeram parte 11 juízes especializados em Direito Internacional Público, cada qual representando um país aliado, para julgar 28 políticos e oficiais japoneses. A minissérie acompanha os bastidores do julgamento, que demorou mais de dois anos, destacando as reuniões entre os juízes, as reflexões sobre a situação política mundial, aspectos jurídicos do direito internacional e as muitas diferenças de interpretação dos juízes com relação às leis. A ideia do Tribunal era fazer justiça seguindo o que foi feito no Julgamento de Nuremberg, que julgou os crimes praticados pelos nazistas. Durante as reuniões, os juízes citavam, como referência jurídica, o Tratado de Versalhes (Pacto da Sociedade das Nações), de 1919, o Pacto de Paris, de 1928, e a Conferência do Cairo, de 1943. Paralelamente às cenas do julgamento original, o filme apresenta ainda imagens documentais da guerra, cenas de combate e cidades destruídas. Estão no elenco Tim Ahern, Paul Freeman, Serge Hazanvicius, David Tse, Michael Ironside, Jonahan Hide e Irrfan Khan (ator indiano falecido em 2019). A minissérie “O Julgamento de Tóquio” foi indicada ao Prêmio Emmy International 2017 na categoria Melhor Filme para TV ou Minissérie. Uma verdadeira aula de História. Imperdível!     


domingo, 28 de junho de 2020


“MEU IRMÃO TERRORISTA” (“Arrest Letter”, título original escolhido provavelmente para facilitar a entrada do filme nos mercados de língua inglesa), 2017, Egito, 1h39m, roteiro e direção de Mahammad Sami. A história é centrada em Khalid El Degwy (Mohamede Ramadan), chefe radical de um grupo jihadista no Cairo ligado ao Estado Islâmico. Em sua trajetória como integrante da organização, Khalid sempre recebia conselho e orientações de alguns sheiks e líderes religiosos, uns mais radicais outros mais moderados. Mas Khalid nunca quis saber de moderação. Seu negócio é a violência, planejando e executando atentatos na capital egípcia. Ele só começa a rever seus conceitos quando se apaixona por Fatima (Dina El Sherbiny) e quando seu irmão caçula decide ingressar no grupo extremista, contra a vontade de Khalid. Mas, até lá, sua trajetória de violência continuará mobilizando a polícia e as forças de segurança do Egito, que há muito tempo tentam prender o terrorista. Entre traições que enfrentará, não só de seus comandados, como as de alguns sheiks, Khalid será obrigado a fugir para sobreviver e, depois, voltar para se vingar. O filme tem bastante ação e suspense, além de destacar discussões ideológicas sobre religião, política e a prática de terrorismo. No final, quem manda mesmo é “A Vontade de Alá”. O filme é mais interessante do que bom, mas sem dúvida vale assistir.     

sábado, 27 de junho de 2020


“KING – UMA HISTÓRIA DE VINGANÇA” ("MESSAGE FROM THE KING”), 2016, coprodução Inglaterra/França/Bélgica, 1h42m, disponível na Netflix, direção do cineasta belga Fabrice Du Welz, com roteiro de Stephen Cornwell e Oliver Butcher. Trata-se de um suspense de ação cuja história é toda centrada em Jacob King (Chadwick Boseman, o “Pantera Negra”), que viaja da África do Sul, sua terra natal, para Los Angeles com o objetivo de encontrar a irmã caçula Bianca (Sibongile Mlambo). King havia sido informado de que Bianca estava com problemas ligados ao tráfico de drogas e prostituição em Los Angeles. Ao chegar em LA, King procurou por todo lado e, depois de alguns dias, só encontrou a irmã na mesa fria de um necrotério, com o corpo totalmente mutilado. King resolve investigar por conta própria até chegar a uma turma da pesada, envolvida com pornografia, exploração de sexo infantil, prostituição e tráfico de drogas. No meio deles, um importante dentista da cidade e um político corrupto em campanha. Aí a coisa vai pegar, pois King é bom de briga (pertenceu a uma famosa e violenta gangue de delinquentes que metia medo na população de Joanesburgo) e, enquanto não caçar um por um dos assassinos de sua irmã, não voltará para o seu país. O filme não traz muita coisa de novo, tem os clichês de sempre que caracterizam todas aquelas histórias de vingança. A única surpresa está destinada para o desfecho, quando King chega de volta ao seu país. Completam o elenco Teresa Palmer, Luke Evans, Alfred Molina e Natalie Martinez. Resumo da ópera: “King” tem bastante ação, tiros e muita pancadaria, bem ao gosto de quem curte um bom entretenimento com um saco de pipoca do lado. Dá para ver numa boa.           

sexta-feira, 26 de junho de 2020


“SEQUESTRO NO MAR VERMELHO” (HONG HAI XING DONG” – nos países de língua inglesa, “Operation Red Sea”), 2018, coprodução China/Marrocos/Hong Kong, distribuição Netflix, 2h38m, roteiro e direção de Dante Lam. A história foi inspirada em fatos reais ocorridos em 2015 no Iêmen, quando um batalhão de elite do exército da China resgatou cidadãos chineses sequestrados por rebeldes fundamentalistas. No filme, o Iêmen virou um país fictício chamado Yewaire, onde predomina o Zaca, grupo de terroristas muçulmanos que quer assumir o poder. Eles sequestram vários cidadãos chineses, incluindo uma importante diplomata. Informado da situação, o governo chinês imediatamente recruta um batalhão especial de elite para entrar no país e resgatar as vítimas. Em meio a toda confusão que se formará, os chineses ainda descobrirão o plano de um atentato nuclear. Desde o início, quando um navio da marinha chinesa é atacado por piratas iemenitas, até o final, com uma bela homenagem póstuma aos soldados mortos em combate, o filme não dá trégua ao espectador. É ação o tempo inteiro, num impressionante ritmo alucinante, com inúmeras sequências de tirar o fôlego. Cabe aqui lembrar que o diretor Dante Lam foi, durante muitos anos, assistente de direção do cineasta John Woo, considerado o grande mestre da atualidade dos filmes de ação. Com certeza, Lam aprendeu muito. Estão no elenco Huang Jingyu, Zhang Yi, Hai-Qing, Jiang Du e Luxia Jiang, além de centenas – diria milhares - de figurantes. Depois de assistir a este filme chinês, estou prestes a desconsiderar “Falcão Negro em Perigo” (2001), dirigido por Ridley Scott, como o melhor do gênero. “Sequestro no Mar Vermelho” é espetacular, simplesmente imperdível!        

quinta-feira, 25 de junho de 2020


Talvez esteja enganado, mas não lembro de já ter assistido a algum filme policial israelense. “SUICÍDIO” (“ITSEMURHA: HITABDUT”) deve ter sido o primeiro. E não me decepcionou. A produção é de 2014 – está disponível na plataforma Netflix-, tem 1h53m de duração e foi escrito e dirigido por Benny Fredman, estreando como cineasta de longas. A história é centrada no empresário Oded (Rotem Keinan), endividado até o pescoço e, pior, deve muito dinheiro para Muki (Igal Naor), um agiota da pior espécie, que costuma cobrar seus devedores com torturas e ameaças às suas famílias - e até algumas mortes no percurso. Para pagar suas dívidas e salvar a família da vingança de Muki, Oded planeja sua própria morte para que sua esposa Dafna (Mali Levi) receba o seguro de vida e pague ao agiota. Quando Oded aparece queimado e morto depois de um incêndio em sua loja, a polícia começa a investigar o que realmente aconteceu. O mistério fica ainda maior depois que os legistas descobrem que Oded morreu depois de levar um tiro, à primeira vista suicídio. Detida na cena do crime, Dafna é levada para a delegacia e interrogada pelo detetive Romi Dor (Dro Keren). Ela logo é considerada suspeita, já que a questão do seguro de vida a receber é descoberta pela polícia. Até o desfecho, muita coisa acontece, num clima de tensão e muito suspense que segue em bom ritmo, valorizado pela inclusão no roteiro de algumas surpreendentes reviravoltas. Além disso, tem a presença da bela e competente atriz israelense Mali Levi, o que já vale a entrada. Recomendo sem dourar muito a pílula.       

quarta-feira, 24 de junho de 2020


“PRESSÁGIO” (“LA CORAZONADA”), 2020, Argentina, produção Netflix, 1h56m, roteiro e direção de Alejandro Montiel. Bom suspense policial cuja história é baseada no romance “La Virgen en Tus Ojos”, da escritora Florencia Etcheves, que também colaborou no roteiro. O filme já começa com dois assassinatos. O de um rapaz que acabou da sair da cadeia depois de cumprir pena pelo assassinato da esposa de um policial e de uma jovem cujo pai é um grande empresário do ramo de supermercados. Os casos são entregues para a equipe do inspetor Francisco Juanez (Joaquín Furriel), cujas atitudes misteriosas parecem guardar algum segredo. Juanez conta com dois assistentes diretos, um deles a detetive novata Manoela “Pipa” Pelari (Luisana Lopilato), recém-integrada à equipe. Enquanto as investigações evoluem, o promotor Roger (Rafael Ferro), da corregedoria de polícia, recebe informações de que Juanez pode ter assassinado o rapaz, já que sua vítima era justamente a esposa de Juanez. Caberá justamente a “Pipa” Pelari a missão de também investigar, em segredo, as atitudes do seu chefe. Daí até o desfecho, muita tensão, suspense e algumas reviravoltas. A boa atuação da atriz argentina Luisana Lopilato - na vida real casada desde 2011 com o cantor norte-americano Michael Buble desde 2011-, dá credibilidade à personagem da detetive Pelari, com sobriedade e sem afetações. Trocando em miúdos, “Presságio” certamente agradará quem curte o gênero policial, principalmente pelo roteiro bem elaborado, situações convincentes e pela estética “noir” sempre bem-vinda. Desde que estreou na Netflix, em 28 de maio de 2020, é o suspense mais assistido do ano até agora na plataforma.     

segunda-feira, 22 de junho de 2020


“A TERRA E O SANGUE” (“LA TERRE ET LE SANG”), 2020, França, 1h20m. Quem assima o roteiro e a direção é Julien Leclercq. Disponível na Netflix desde 18 de abril de 2020, a ação de “A Terra e o Sangue“ começa logo na abertura, quando quatro assaltantes roubam uma grande quantidade de cocaína de uma delegacia de polícia. A droga pertencia ao traficante Adama (Erik Ebouaney), que conseguiu escapar quando da apreensão da cocaína. Erik não teve nada a ver com o roubo da delegacia e, quando soube que haviam levado a cocaína, partiu atrás dos responsáveis. Resumindo: a droga acaba escondida na serralheria de Said (o ator franco-tunisiano Sami Bouajila), levada por um de seus funcionários, Yanis (Samy Seghir), irmão de um dos assaltantes da delegacia. Por uma razão que não vou adiantar, a gangue de Adama descobre o paradeiro da cocaína e a ação passa a se concentrar na serralheria, onde Said está com a filha deficiente auditiva (Sofie Lesaffre). A partir daí, o suspense rola solto, Said tentando se defender sozinho dos invasores, inclusive utilizando alguns equipamentos da serralheria. Mesmo sendo um filme que prende a atenção até o final, não é o melhor do cineasta Leclerck, um especialista em filmes de ação, alguns muito bons, como “Gibraltar” e “Carga Bruta” (ambos comentados aqui no blog). Em todo caso, dá para assistir numa boa.          

domingo, 21 de junho de 2020


“WASP NETWORK – REDE DE ESPIÕES” (“WASP NETWORK”), 2019, coprodução França/Espanha/Brasil/Bélgica, 2h10m, roteiro e direção do veterano cineasta Frances Olivier Assayas. A história na qual se baseou o roteiro foi inspirada no livro “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”, do jornalista e escritor brasileiro Fernando Morais, que relembra fatos ocorridos na década de 90. Naqueles anos, o governo cubano resolveu criar uma equipe de espiões para se infiltrar na comunidade da Flórida, em especial em Miami, com o objetivo de localizar e eliminar cidadãos anticastristas que estavam realizando atentatos a instalações turísticas em Havana e Varadero. A operação secreta dos agentes cubanos ficou conhecida como “Rede Vespa”. Entre os espiões recrutados estavam René Gonzalez (Édgar Ramírez) e Juan Pablo Roque (Wagner Moura), ex-pilotos da força aérea cubana, além de Jose Basulto (Leonardo Sbaraglia) e Gerardo Hernandez (Gael García Bernal). Embora não soubessem da operação secreta, Olga Salanueva (Penélope Cruz) e Ana Margarita Martinez (Ana de Armas), esposas de René e Juan Pablo, respectivamente, também tiveram um papel de destaque na história. Como os trabalhos de espionagem eram realizados em território norte-americano, logo o FBI entraria em ação para acabar com a operação. O cineasta francês Assayas não tira partido de um lado nem de outro, mas não deixa de cutucar o dedo na ferida da situação econômica cubana, que piorou muito com o fim da parceria com a Rússia após o fim do regime comunista, em 1989. O elenco latino é um dos principais destaques do filme: o venezuelano Óscar Ramírez, do brasileiro Wagner, o mexicano Gael García Bernal), a cubana Ana de Armas, o argentino Sparaglia e a espanhola Penélope Cruz, todos artistas em grande evidência há anos no cenário cinematográfico mundial. A estreia mundial de “Wasp Network” ocorreu durante o Festival de Veneza, no qual disputou o Leão de Ouro. Por aqui, foi exibido na abertura da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2019. O filme é muito bom, mantém um nível de suspense e tensão do começo ao fim, além de mostrar detalhes de fatos pouco divulgados por aqui. Resumo da ópera: um filmaço! Ah, e está disponível na plataforma Netflix desde o dia 16 de junho de 2020.         

sábado, 20 de junho de 2020


Sempre gostei muito de filmes que envolvem a Máfia. Sejam norte-americanos, franceses, ingleses ou de outro país qualquer. Melhor ainda se forem italianos e baseados em fatos reais, como “SUBURRA”, 2015, roteiro e direção de Stefano Sollima, 2h15m. A história foi inspirada no romance do mesmo nome escrito em 2013 por Carlo Bonini e Giancarlo de Cataldo, cujo enredo remete a 2011, ano quem que os fatos aconteceram. Naquele ano, um projeto milionário estava mobilizando a política de Roma. A criação de um polo turístico com cassinos e hotéis de luxo na cidade litorânea de Óstia com a intenção de transformá-la numa Las Vegas italiana. Nos bastidores, porém, o negócio envolvia gangues de mafiosos, políticos, empresários e até um importante cardeal do Vaticano. A região escolhida também era disputada pelas máfias do sul da Itália, que pretendiam implantar um porto que seria utilizado para o tráfico de drogas. A tensão vai crescendo pouco a pouco, o que faz o espectador esperar um desfecho com banho de sangue, o que de fato acontece. “Suburra” destaca como principais protagonistas o deputado corrupto Filippo Malgradi (Perfrancesco Favino),  chegado a festas íntimas com prostitutas regadas a cocaína, um temido mafioso conhecido por “Samurai” (Claudio Amendola), o violento Manfredi Anacleti (Adamo Dionisi), chefe de uma gangue de imigrantes romenos, o delinquente conhecido pelo apelido de “Número 8” (Alessandro Borghi), que se acha dono de Óstia e exige participação no negócio, e sua namorada Viola (Greta Scarano), uma jovem drogada que, no desfecho, assumirá um papel importante na história. Para complementar o comentário, lembro que o nome Suburra diz respeito a um populoso bairro da periferia de Roma, onde a pobreza ainda é a principal característica. Como não poderia deixar de ser, “Suburra” é bastante violento, tenso ao limite, mas muito bem feito. Imperdível!      

sexta-feira, 19 de junho de 2020


“O APÓSTATA” (“EL APÓSTATA”), 2015, coprodução Espanha/Uruguai, 1h20m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção do uruguaio Federico Veiroj. Antes de entrar no mérito do comentário, achei melhor explicar o significado do título. Apóstata: pessoa que cometeu apostasia, ou seja, abandonou sua religião para ingressar, ou não, em outra. Apostasia:  deserção da fé. Apostatar: desertar, mudar de religião ou de partido. Esclarecimento feito, apresento a história do filme. Gonzalo Tamayo (Álvaro Ogalla) chegou aos 30 anos completamente imaturo. Não sabe o que quer da vida, anda vestido como um morador de rua (fica com a mesma roupa surrada do começo ao fim do filme), cabelos e barba desgrenhados. É um desgosto para os pais religiosos e conservadores, que a toda hora cobram dele uma mudança de atitude. Para piorar, fica obcecado por dúvidas sobre a fé religiosa, culpa e desejo, até chegar ao ponto de querer renunciar ao catolicismo, exigindo que a Igreja elimine os seus registros de batismo. “Não quero fazer parte das estatísticas da Igreja Católica”, diz ele ao justificar sua intenção de ingressar com o processo junto ao bispo local. A burocracia emperra o intento de Gonzalo, que continuará, até o desfecho, a sua luta para renunciar ao catolicismo. Além de Álvaro Ogalla, estão no elenco Marta Larralde (Pilar), Bárbara Lennie (Maite), Vicky Peña (padre) e Juan Calot (bispo). Em seu terceiro longa-metragem, o roteirista e diretor Federico Veiroj conseguiu realizar um filme bastante interessante e inovador sob o ponto de vista estético, alternando as perambulações de Gonzalo com alguns momentos oníricos e surreais. A estreia mundial do filme aconteceu na Seção Contemporary World Cinema do Festival Internacional de Cinema de Toronto 2015 e, por aqui, foi exibido durante a programação oficial da 43ª Mostra Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. “O Apóstata” prende a atenção até o seu final e faz refletir sobre muitas questões religiosas. Vale uma visita.

quarta-feira, 17 de junho de 2020


“DESTACAMENTO BLOOD” (“DA 5 BLOODS”), 2020, Estados Unidos, 2h34m, roteiro e direção de Spike Lee, que contou com a colaboração dos roteiristas Kevin Willmott, Danny Bilson e Paul de Meo. O filme foi lançado mundialmente na plataforma Netflix no dia 12 de junho de 2020, em meio às manifestações antirracistas ocorridas nos Estados Unidos e outros países do mundo em protesto contra o assassinato do negro George Floyd, no dia 25 de maio. Resultado: o filme de Spike Lee teve uma das maiores audiências já registradas pela plataforma. Realmente, “Destacamento Blood” tem tudo a ver com o momento – aparece até uma faixa com os dizeres “Vidas Negras Importam”. Tendo como ponto de partida a Guerra do Vietnã, Lee faz uma longa reflexão sobre o racismo ontem e hoje, politizando a discussão ao atacar os governos norte-americanos pelo tratamento dado aos afrodescendentes e filosofando sobre o tema. A história de “Destacamento Blood” é centrada em quatro ex-combatentes negros que, 50 anos depois, voltam ao Vietnã com o objetivo de resgatar os restos mortais de Norman (Chadwick Boseman), o idolatrado comandante do grupo, além de tentar recuperar uma grande quantidade de barras de ouro que esconderam por lá na época da guerra. Em meio à história, Spike apresenta vários vídeos da época das manifestações antirracistas dos anos 60, com depoimentos do líder Martin Luther King Jr., da ativista Angela Davis e do lutador de boxe Muhammad Ali, entre outros. Além disso, Spike faz referências explícitas a “Apocalypse Now” (1979), o grande clássico de Francis Ford Coppola. Estão lá a viagem de barco pelos rios do Vietnã, o helicóptero chegando ao som de “A Cavalgada das Valquírias” e até o nome da boate da capital atual Ho Chi Minh onde os veteranos vão tomar umas e outras, justamente “Apocalypse Now”. Paul (Delroy Lindo), Eddie (Norm Lewis), Otis (Clarke Peters) e Melvin (Isiah Whitlock Jr.), como fizeram durante a guerra, se embrenharão nas selvas do Vietnã numa aventura cheia de riscos e muita ação. Spike Lee já fez filmes melhores, como “Infiltrado na Klan” (Oscar 2019 de Melhor Roteiro Adaptado), “Malcolm X”, de 1992, e “Faça a Coisa Certa”, de 1989, mas “Destacamento Blood” também é ótimo e certamente ganhará algumas indicações ao Oscar 2021 (cerimônia da premiação foi adiada para abril). Aposto todas as minhas fichas de que Delroy Lindo será indicado para Melhor Ator. Sua atuação é espetacular. Também estão no elenco Jonathan Majors e os franceses Jean Reno e Mélanie Thierry. Resumo da ópera: mais um filme polêmico e impactante de Spike Lee, já sendo considerado por alguns críticos como o filme do ano. Assista e forme sua opinião.      

segunda-feira, 15 de junho de 2020


“MENASHE”, 2017, Estados Unidos, 1h22m, filme de estreia na direção de Joshua Weinstein, mais conhecido como diretor de fotografia e documentarista. O roteiro também leva a assinatura de Weinstein, com a colaboração de Alex Lipschultz e Musa Syeedm. A história é ambientada no bairro Boro Park (Brooklyn), em Nova Iorque, onde está localizada uma das comunidades mais populosas de judeus ultra-ortodoxos do mundo. Aqui vive e trabalha o quarentão Menashe (Menashe Lustig), que ficou viúvo e precisa cuidar sozinho do filho Rieven (Ruben Niborski), o que contraria a lei judaica, pois, segundo o Talmude (coletânea de livros sagrados dos judeus), “Para criar os filhos, o homem deve ter em casa uma mulher que limpe tudo, que cozinhe e que cuide da casa”. Menashe trabalha como empregado num supermercado do bairro, ganha pouco e é obrigado pelo patrão autoritário a fazer muitas horas extras, o que o impede de dedicar mais tempo ao filho. Dessa forma, a questão foi decidida pelo rabino da comunidade (Meyer Schwrtz), que colocou o garoto sob a guarda de Eizik (Yoel Weisshaus), cunhado de Menashe e irmão da falecida, que tem família e condições financeiras de sustentar mais uma “boca”. Segundo o rabino, Rieven só voltará para a guarda de Menashe se ele casar. O filme acompanha o dilema de Menashe e suas tentativas de recuperar a guarda do filho, o que gera algumas cenas tocantes e sensíveis, principalmente pelo fato de Menashe ser um sujeito bonachão, inocente e puro, a ponto de não se incomodar de ser chamado de “Gordito” pelos seus colegas latinos no supermercado. Esta produção independente apresenta algumas curiosidades muito interessantes, a começar pelo elenco, todo ele constituído de atores que nunca participaram de uma filmagem. Por falar nisso, ao tentar mostrar as ruas do bairro e a movimentação das pessoas, a equipe técnica foi obrigada a filmar escondida, pois a comunidade judaica, fechada, não permite esse tipo de exposição. Além disso, o roteiro foi inspirado na própria experiência de vida do "ator" Menashe Lustig, que também perdeu a guarda do filho. Vale destacar ainda que, na vida real, Menashe nunca tinha entrado num cinema, o que só aconteceu porque foi convidado para a exibição de estreia. Segundo seu material de divulgação, “Menashe” é o primeiro filme norte-americano totalmente falado em Iídiche Todos esses aspectos somados, mais a competência mostrada pelo diretor Joshua Weinstein, resultaram em mais uma joia do cinema independente norte-americano, à disposição na plataforma Netflix. Imperdível!


sábado, 13 de junho de 2020



“ESTÁ TUDO CERTO” (“ALLES IST GUT”), 2018, Alemanha, 1h33m, disponível na plataforma Netflix, filme de estreia de Eva Trobisch como roteirista e diretora. O drama é centrado na editora de livros Janne (Aenne Schwarz), que depois de uma festa de confraternização no escritório acaba sendo estuprada por Martin (Hans Löw), seu colega de trabalho e cunhado do seu chefe Robert (Tilo Nest). Acompanhei a cena e não vi violência por parte de Martin, mas, sem dúvida, foi estupro, embora tenha parecido sexo não consentido - o que é mesma coisa segundo a lei. Para a vítima, porém, será sempre um estupro. Ao invés de denunciar o fato, Janne resolve tocar sua vida normalmente, como se nada tivesse acontecido. Aliás, aceitar as coisas como elas são é uma das características de sua personalidade. Exemplo disso é a cena da lanchonete, quando ela pede um determinado sanduíche e acaba vindo outro. Ao invés de exigir a troca do sanduíche, ela diz à atendente que “está tudo certo”, o que justifica o título. Janne continua sua rotina diária sem comentar o caso com ninguém, muito menos com o namorado Piet (Andreas Döhler), com quem tem uma relação bastante tumultuada. Como diz o velho ditado, “Na prática, a teoria é outra”, pois no fundo Janne continua traumatizada, o que, aos poucos, vai abalando o seu lado psicológico. Ainda mais quando é obrigada a conviver no ambiente de trabalho com seu estuprador. Embora caminhe num ritmo bastante lento, uma escolha da diretora para explorar os sentimentos de Janne, “Está Tudo Certo” é um drama bastante consistente ao tratar de um tema bastante polêmico e atual. A excelente atriz Aenne Schwarz arrasa no papel da vítima do estupro, alternando expressões de tristeza e revolta. Enfim, um bom drama alemão que merece ser visto.   

quinta-feira, 11 de junho de 2020


“JÁ NÃO ME SINTO EM CASA NESSE MUNDO” (“I DON’T FEEL AT HOME IN THIS WORLD”), 2017, Estados Unidos, produção Netflix, 1h36m, estreia no roteiro e direção de Macon Blair. E que ótima estreia. Uma pequena joia do cinema independente norte-americano, tanto que foi o vencedor do júri do Festival de Cinema de Sundance 2017. O filme é um misto de drama, policial, suspense e comédia, com pitadas de humor negro. A trama é toda centrada na trintona Ruth Kimke (Melanie Lynskey, a Rose de “Two and a Half Men”), uma mulher solitária, amargurada, que não é dada a socializar por considerar as pessoas mal-educadas e sem noção de cidadania. Ela vive revoltada com as injustiças do cotidiano, principalmente aqueles ligadas à má educação, como um vizinho que não recolhe as fezes do cachorro, alguém que deixa cair uma mercadoria no chão e não repõe na prateleira ou então aquele cara que no balcão de um bar conta o final do livro que ela está lendo. Um dia, ao voltar do trabalho, ela percebe que sua casa foi assaltada. Roubaram seu computador e os talheres de prata que ganhou da avó. Mais do que o produto do roubo, o que mais indigna Ruth é o fato de terem invadido sua casa sem permissão. De nada adiantou chamar a polícia, pois não deram muita bola para o caso e nem se esforçaram para investigar. Aí foi a gota d’água. Ao lado de Tony (Elijah Wood, o Frodo de “O Senhor dos Anéis”), um vizinho esquisito que pensa como ela, Ruth vai tentar achar os ladrões por conta própria, recheando o filme com muitas situações de perigo a reforçar o suspense, mas sem nunca deixar de lado o bom humor. Completam o elenco David Yow, Jane Levy, Macon Blair, Devon Graye, Christine Woods e Gary Anthony Williams. Sem dúvida, um filme surpreendente e muito criativo, garantindo um ótimo entretenimento. Imperdível!  

quarta-feira, 10 de junho de 2020


“A RAINHA DA ESPANHA” (“LA REINA DE ESPAÑA”), 2016, Espanha, disponível na plataforma Netflix, 2h08m, roteiro e direção do veterano cineasta Fernando Trueba. A história é ambientada nos anos 50 e tem como figura central Macarena Granada (Penélope Cruz), atriz espanhola que faz maior sucesso em Hollywood. Na época, havia um grande esforço de estreitar o relacionamento diplomático entre os Estados Unidos e a Espanha franquista. Para colaborar com esse esforço, um estúdio de Hollywood resolveu investir numa superprodução a ser filmada na Espanha: “La Reina de España”, sobre a Rainha Isabel I de Castela, a “Católica”. Para o papel principal foi escalada justamente Macarena Granada, assim como o diretor John Scott (Clive Revill), uma clara referência ao famoso cineasta austríaco Fritz Lang, que fez grande sucesso em Hollywood com seu famoso tapa-olho. Durante as filmagens, John Scott dormia o tempo inteiro e só era acordado para gritar “Ação!” e “Corta!”, em cenas muito divertidas. Para agradar os espanhóis, a produção resolveu dividir a direção com o cineasta espanhol Blas Fontiveros (Antonio Resines). A história toda de “A Rainha da Espanha” se desenvolve nos bastidores das filmagens, mostrando as dificuldades de se adaptar o roteiro ao gosto do governo franquista. Ainda nos bastidores, o filme destaca o fogo sexual de Macarena, que logo no início das filmagens começa um caso com o jovem Leo (o ator argentino Chino Darín, filho do astro Ricardo Darín), um simples assistente de produção. Em meio às filmagens, o diretor Fontiveros é sequestrado pela polícia secreta de Franco e vai parar num campo de trabalhos forçados. O elenco resolve resgatá-lo, utilizando para isso dezenas de figurantes do exército da Rainha. Como se isso tudo não bastasse, o set de filmagens ainda será visitado pelo próprio generalíssimo Francisco Franco (Carlos Areces). Haja fôlego para acompanhar isso tudo, realizado num ritmo alucinante e muito divertido. Completam o elenco Jorge Sanz, Mandy Patinkin e Javier Cámara. Enfim,  “A Rainha da Espanha” é uma ótima comédia, além de fazer uma singela homenagem ao mundo do Cinema. Imperdível!     

terça-feira, 9 de junho de 2020


“THI MAI: RUMO AO VIETNAM” (“THI MAI, RUMBO A VIETNAM”), 2017, Espanha, distribuição Netflix, 1h39m, direção de Patrícia Ferreira, com roteiro de Marta Sánchez. Trata-se de uma comédia bastante simpática e divertida para assistir com toda a família. Depois da morte da filha em um acidente de carro, Carmen (Carmen Machi) descobre que ela dera entrada numa papelada para a adoção de uma criança órfã do Vietnã, a Thi Mai do título. Na companhia das amigas Rosa (Adriana Ozores) e Elvira (Aitana Sánches-Gijón), Carmen viaja para Hanói (capital do Vietnam), onde fica o orfanato de Thi Mai. Na verdade, as amigas embarcam numa grande e divertida aventura, repleta de situações hilariantes, principalmente no que se refere aos costumes dos vietnamitas,  muito diferentes do mundo ocidental. Nas suas peripécias em Hanói, Carmen, Elvira e Rosa conhecerão Andrés (Dani Rovira), um espanhol que tinha viajado para a capital do Vietnam com o objetivo de encontrar o ex-namorado. A turma vira um quarteto e, juntos, tentarão convencer as autoridades vietnamitas a liberar a papelada exigida para concretizar a adoção de Thi Mai, para a qual contarão com a ajuda de Dan (Eric Nguyen), um simpático guia turístico de Hanói. O grande trunfo do filme é, sem dúvida, o trio principal de protagonistas: Carmen Machi é mais conhecida por ser uma das atrizes preferidas do diretor Pedro Almodóvar; Adriana Ozores, uma das mais importantes atrizes de teatro e cinema da Espanha; e a italiana Aitana Sánches-Gijón, cuja beleza e competência eu já conhecia desde que a vi pela primeira vez atuando em “Caminhando nas Nuvens”, de 1995, no qual contracenou com Anthony Quinn e fez par romântico com Keanu Reeves. Aos 51 anos, Aitana continua linda, charmosa e competente. É a atuação destas três grandes atrizes – e a química entre elas - que faz com que “Thi Mai” seja uma comédia bastante agradável e divertida. Imperdível!  

segunda-feira, 8 de junho de 2020


“ALELÍ”, 2019, coprodução Uruguai/Argentina, 1h30, segundo longa-metragem escrito e dirigido pela cineasta uruguaia Letícia Jorge Romero, com a colaboração de Ana Guevara Pose. Trata-se de uma comédia familiar bastante divertida que comprova um velho ditado: “Toda família é igual. Só muda o endereço”. Após a morte de Alfredo, o patriarca da família, a viúva Alba (Cristina Morán) e os três filhos Ernesto (Nestor Guzzini), Lilián (Mirella Pascual) e Silvana (Romina Peluffo) convocam uma reunião para decidir o que fazer com a antiga casa de praia, carinhosamente chamada de “ALELÍ”, cujas iniciais significam os nomes do pessoal: “AL” de Alba e o falecido Alfredo; “E” de Ernesto e “LÍ” de Lílian (Silvana, a mais nova, ainda não havia nascido). Uma série de confusões, discussões e lavagem de roupa suja acontecem durante a reunião, como em qualquer família. Um dos assuntos foi, inclusive, a possibilidade de internar a mãe num asilo. Os diálogos são hilariantes. Silvana foi um dos alvos das críticas da mãe e dos irmãos, pois vive uma separação atrás da outra, não consegue segurar um casamento. Ela ficou tão chateada  por ser criticada que acabou indo afogar as mágoas na velha casa de praia. Logo depois chega também seu irmão Ernesto, preocupado com a irmã mais nova. Aqui, na velha casa, surgem as situações mais engraçadas, principalmente aquelas que envolvem os velhos vizinhos. Enfim, “Alelí” é aquele tipo de filme feito para garantir um ótimo entretenimento.  Como afirmou a diretora Letícia Jorge Romero, "Alelí é uma comédia farsesca sobre a família". O filme, já disponível na plataforma Netflix, foi exibido por aqui na Mostra Première Latina do Festival Internacional de Cinema do Rio/2019. Diversão garantida!

sábado, 6 de junho de 2020


“ASSASSINOS MÚLTIPLOS” (“ACTS OF VENGEANCE”), 2017, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h27m, direção de Isaac Florentine (“Assalto à Casa Branca”), seguindo roteiro escrito por Matt Venne. A história repete um dos clichês mais utilizados em dezenas de filmes. Esposa e filha são assassinadas, a polícia não se esforça e o pai parte para a vingança, fazendo justiça com as próprias mãos. Ao chegar atrasado para a apresentação teatral da filha na escola, o advogado criminalista Frank Varela (Antonio Banderas) se desencontra da esposa Sue (Cristina Serafini) e da filha Olivia (Lilian Blankenship). Ele vai para casa e fica esperando as duas, mas quem chega é a polícia para avisar que elas foram assassinadas. Daí para a frente o roteiro viaja na maionese. Cheio de culpa, Frank ingressa nas lutas de MMA, apanha pra valer e vê esse sacrifício como forma de punição. Numa briga de rua, ele recebe uma facada na perna e tenta estancar o sangue com um livro que estava no lixo. Trata-se de “Meditações”, escritos pessoais e reflexões do imperador romano Marco Aurélio (121 d.C./180 d.C.), que ele adota como livro de cabeceira enquanto se recupera. Ao mesmo tempo, lê também “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu. As duas leituras o convencem a partir para a vingança, incentivando-o a se preparar física e mentalmente. Ele ingressa numa academia de artes marciais e resolve também fazer um voto de silêncio para apurar os outros sentidos.  Enquanto isso, Frank continua a investigar por conta própria até chegar aos criminosos. Exageros à parte, “Assassinos Múltiplos” funciona bem como filme de ação. Tem pancadaria, suspense e muito sangue jorrando. Também estão no elenco a atriz espanhola Paz Veja, grande amiga de Banderas na vida pessoal, Karl Urban, Lilian Blankenship, Robert Forster e Cristina Serafini. O que me surpreendeu favoravelmente foi a excelente forma física de Banderas aos 56 anos, idade que tinha quando atuou no filme. Segundo o material de divulgação, o ator espanhol treinou artes marciais durante meses para o papel. Antes de encerrar o comentário, faço meu protesto quando ao título em português, que não condiz muito com a história. Melhor seria a tradução literal: “Atos de Vingança”. Resumo da ópera: o filme prende a atenção e não economiza nas cenas de ação, garantindo um ótimo entretenimento.

quinta-feira, 4 de junho de 2020


“MY HAPPY FAMILY” (“Chemi Bednieri Ojakhi”), 2017, Geórgia (antiga república soviética), 120 minutos, produção Netflix, direção e roteiro de Nana Ekvtimishvili e Simon Gross. Trata-se de um drama familiar centrado em Manana (a ótima Ia Shugliashvili), uma professora de 52 anos que está em crise existencial por conta da rotina diária com a família conservadora. Ela, o marido, os dois filhos e os pais dela moram todos juntos num apartamento simples e apertado. Logo no café da manhã começam as discussões, que continuam durante o almoço e o jantar. Ou seja, não existe um momento de sossego, que é o que Manana sempre desejou. O marido é ausente, não tem opinião sobre nada, o filho mais velho não trabalha, só fica no computador, e tem ainda o crônico mau humor da matriarca, dona Lamara (Bertha Khapava) que reclama de tudo e pega no pé de todo mundo, inclusive de Manana. No dia de seu aniversário, Manana logo avisa: “não quero festa, não quero bolo, não quero nenhum convidado”, como quem diz “Quero sossego!”. Para o seu desespero, acontece justamente o contrário. A casa enche de parentes, tem bolo, velinhas e cantorias – o povo georgiano deve gostar de música, pois a cada reunião, seja familiar ou com amigos, logo aparece alguém tocando violão e todo mundo canta junto. Manana fica alheia à comemoração, deixando os convidados aos cuidados do seu marido. Como era de se esperar, logo depois Manana avisa que vai sair de casa, alugar um apartamento e morar sozinha. A notícia se espalha pela família e logo em seguida aparecem seu irmão Rezo (Dimitri Oraguelidze) e outros parentes, todos tentando fazer Manana mudar de ideia. A pergunta que todos fazem é por que ela que ir embora, abandonar a família. Ela nunca responde a verdadeira razão, mas quem entende um pouco de psicologia vai saber o por quê, principalmente as mulheres que estão na mesma situação com suas famílias. O filme parece um episódio do seriado da TV Globo “A Grande Família”, mas foge bastante do seu humor. “My Happy Family”, título que representa uma grande ironia, é muito interessante não apenas pela história em si, mas por destacar os costumes, os valores e o comportamento do povo georgiano. É um belo filme, com uma atriz excepcional (Ia Shugliashvili) e um ótimo elenco, embora seja formado, em sua maioria, por atores amadores. O filme estreou na Seção Fórum do 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim e depois foi exibido em vários outros festivais mundo afora, conquistando nada menos do que 12 prêmios e outras tantas indicações. O filme é realmente muito bom.