sábado, 19 de janeiro de 2019


Não é só Hollywood que sabe fazer disaster movies. Os noruegueses aprenderam a fazer bons filmes no gênero. Coitada de Oslo. Em 2015, no filme “A Onda”, a capital da Noruega quase foi destruída pelo violento tsunami de Geiranger. Três anos depois, Oslo seria atingida por um terremoto que novamente quase a destruiu. É a história de “O TERREMOTO” (“SKJELVET” no original e “The Quake” nos países de língua inglesa). Como no primeiro filme, o geólogo Kristian Eikjord (Kristoffer Joner) alerta as autoridades noruegueses sobre o provável desastre. E também como na primeira versão, Kristian viverá momentos de alta tensão para salvar sua esposa e sua filha. O ritmo é alucinante, graças ao ótimo roteiro elaborado por Harald Rosenløw Eeg e John Kare Raake, os mesmos de “A Onda” - só mudou o diretor, agora John Andreas Andersen. As cenas de perigo são espetaculares, principalmente aquelas em que os protagonistas ficam presos no alto de um edifício prestes a desmoronar. Os cenários são tão bem produzidos que a gente quase nem percebe que tudo foi feito com computação gráfica. Como informação histórica, o filme lembra o violento terremoto – este verdadeiro - que aconteceu em Oslo em 1904 e alerta sobre a possibilidade de outros a qualquer momento. Ou seja, visite Oslo antes que acabe. Exibido durante a programação oficial do Festival de Cannes, “O Terremoto” recebeu críticas bastante elogiosas, o que não é muito comum em se tratando desse gênero de filmes. Resumo da ópera: “O Terremoto” é um entretenimento da melhor qualidade.   

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019


Selecionado para representar o Paraguai na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, “AS HERDEIRAS” (“LAS HEREDERAS”) ganhou o aval dos críticos profissionais que o premiaram nos Festivais de Berlim, onde estreou, e em Gramado. Trata-se de um drama, cuja história é centrada em Chela (Ana Brun), mulher de meia-idade lésbica que vive com a companheira Chiquita (Margarita Irún) há muitos anos – no começo, pensei que eram irmãs (aliás, o filme não especifica claramente a relação, podendo gerar especulações). Ambas, como o filme dá a entender, pertenciam a famílias abastadas, mas agora são obrigadas a vender seus pertences para sobreviver. A casa onde vivem recebe muitas visitas de mulheres que se interessam em comprar jogos de copos de cristal, estátuas, mesas, toalhas, prataria etc. Chela é uma mulher de falar pouco, sempre com uma atitude passiva. Tanto que, quando chegam as pessoas para comprar suas coisas, quem negocia é a empregada Pati (Nilda González). Chela fica num canto da casa só observando. Chela só fica brava quando Pati não coloca de maneira correta copos, xícaras e remédios em sua bandeja do café da manhã. Depois que Chiquita é presa por sonegação fiscal, Chela se vê ainda mais sozinha e é justamente em Pati que ela vai buscar aconchego. Até que um dia, ao dar uma carona para uma vizinha rica, Pituca (María Martins, ótima), Chela aceita, meio constrangida, “uma caixinha”. Ela então passa a trabalhar como uma taxista amadora, levando pra lá e pra cá as amigas de Pituca. Nessas andanças ela conhece a fogosa Angy (Ana Ivanova), bem mais nova, e daí surge uma amizade bem próxima de uma paixão. Chela muda seu comportamento depois de conhecer Angy e culmina com um ato desesperado depois que sua companheira, depois que saiu da prisão, vende o carro sem o consentimento da parceira. O roteirista e diretor Marcelo Martinessi, em seu primeiro longa-metragem, conseguiu um belo registro intimista de um mundo exclusivo das mulheres de meia-idade, suas fragilidades, carências e frustrações. Sem dúvida, um filme bastante sensível, cinema de alta qualidade. E que atriz é Ana Brun!      

terça-feira, 15 de janeiro de 2019


“A ÚLTIMA FAMÍLIA” (“OSTATNIA RODZINA”), 2016, Polônia, 124 minutos, direção de Jan P. Matuszynsk – mais conhecido como diretor de curtas; este é o seu primeiro longa-metragem – e roteiro de Robert Bolesto. A história é baseada em fatos reais da vida do famoso pintor surrealista polonês Zdzislaw Beksinski e sua família, compreendendo o período de 1977 até 2005. Como quase todo artista, Beksinski tinha um parafuso a menos, imaginava criar um supercomputador para transformar a atriz norte-americana Alicia Silverstone numa mulher com poderes especiais. Além disso, passava os dias pintando, filmando tudo o que acontecia em seu apartamento e fotografando cenas de Varsóvia. Beksinski (Andrzej Seweryn) vivia com a mulher Zofia (Aleksandra Konieczna) e duas idosas, uma mãe dele e a outra mãe dela. O filho Tomasz (Dawed Ogrodnik), totalmente paranoico, desequilibrado e com tendências neuróticas, morava sozinho num edifício vizinho e trabalhava fazendo bicos como DJ e dublador de filmes. Uma das avós ficava na janela gritando que a Gestapo estava chegando. Enfim, uma família totalmente disfuncional, beirando a maluquice. Tudo parece caminhar para um final trágico, o que realmente acaba acontecendo – como na vida real da família Beksinski. O filme foi exibido na programação do Festival Internacional de Cinema de São Paulo de 2016 e ganhou o “Leão de Ouro” no Gdynia Film Festival (o Oscar polonês). Por sua atuação, Andrzej Seweryn ganhou o prêmio de “Melhor Ator” no Festival de Cinema de Locarno (Suíça). Resumo da ópera: o filme é muito bom e merece ser conferido.     

domingo, 13 de janeiro de 2019


“MEMÓRIAS DA DOR” (“LA DOULEUR”), 2017, França, 2h06m, escrito e dirigido por Emmanuel Finkiel. Selecionado para representar a França no Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, trata-se de um drama biográfico baseado nas memórias da escritora Marguerite Duras descritas no romance “La Douleur”. Marguerite Duras, vivida pela excelente atriz Mélanie Thierry, revive o episódio ocorrido em plena Segunda Guerra Mundial, quando seu marido, o também escritor Robert Antelme (Emmanuel Bourdieu) é preso pelos nazistas e enviado a um campo de concentração – tanto ele quanto Marguerite pertenciam à Resistência. Para descobrir o paradeiro do marido e saber se ainda está vivo ou morto, Marguerite forja uma amizade com o oficial da Gestapo Pierre Rabier (Benoît Magimel), admirador da então jovem escritora. A angustiante espera por notícias do marido, preso desde o início de 1944, quando a França ainda era ocupada pelos alemães, até 1945, depois do fim do conflito, é relatada por Marguerite num contexto de sofrimento e desesperança. O filme é excelente, graças à história em si, à primorosa ambientação de época e, principalmente, à magistral atuação de Mélanie Thierry, uma das melhores atrizes francesas da nova geração. Um detalhe interessante é a semelhança cada mais evidente entre o também excelente ator Benoît Magimel e o veterano Gerard Depardieu, incluindo a volumosa pança. Exibido por aqui na programação oficial do 20º Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em novembro de 2018, “Memórias da Dor” é um filmaço, cinema da melhor qualidade.


“OH LUCY!”, 2017, Japão/EUA, 1h35m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pela cineasta japonesa Atsuko Hirayanagi, mais conhecida como diretora de curtas. “Oh Lucy”, aliás, é uma adaptação de um curta dirigido pela própria Atsuko em 2014. Trata-se de um misto de comédia e drama. A primeira parte é uma ótima comédia, com alguns momentos até tocantes. A segunda parte da história parte para uma situação dramática, com um suspense que lembra o clássico “Atração Fatal”. Setsuko Kawashima (Shimobu Terajima) é uma mulher solitária que trabalha num escritório cuja rotina é das mais maçantes. Anônima na multidão – como dá a entender a cena inicial, com os japoneses vestindo máscaras contra a poluição de Tóquio -, Setsuko é o retrato da solidão e da infelicidade. Até que um dia resolve ingressar numa aula de inglês. O professor é John (o galã norte-americano Josh Hartnett), que adota métodos não muito convencionais para ensinar inglês. Uma das estratégias para aproximar professor e alunos é dar um longo abraço. Algum tempo depois, John sai de Tóquio e volta para Los Angeles, só que acompanhado da namorada Mika (Shioli Kutsuna), justamente a sobrinha de Setsuko, filha de sua irmã Ayako (Kaho Minami). Com o objetivo de saber como Mika está vivendo em outro país, Setsuko convence a irmã a viajar para Los Angeles. Aqui, Setsuko deixará claro quais são as suas verdadeiras intenções. O filme é todo da ótima atriz Shinobu Terajima, que arrasa no papel da mulher carente e tímida que se transforma numa espécie de ninfomaníaca apaixonada. “Oh Lucy!” estreou na programação oficial da Semaine de La Critique do Festival de Cannes 2017, recebendo entusiasmados elogios. Recomendo!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019


De vez em quando é até saudável assistir a um filme que não exija nenhum esforço dos seus neurônios. Um filme de ação, por exemplo, como “A JUSTICEIRA” (“PEPPERMINT”), 2018, EUA, 1h35m, direção de Pierre Morel e roteiro de Chad St. John. A dona de casa Riley North (Jennifer Garner) presencia o assassinato de seu marido e de sua filha num parque de diversões. Depois de sair do coma, pois também foi atingida pelos tiros, ela vai à delegacia e reconhece cada um dos quatro matadores, todos pertencentes à gangue do poderoso traficante Diego Garcia (Juan Pablo Raba). Eles vão a julgamento e são absolvidos, enquanto Riley é considerada incapaz e acaba confinada numa instituição psiquiátrica. Corte rápido! O filme avança cinco anos e Riley volta a Los Angeles a fim de se vingar. Não vai escapar ninguém: os matadores, o mandante, o promotor, o advogado de defesa dos bandidos e o juiz. De vítima, Riley transforma-se em assassina serial, mobilizando a polícia local e também o FBI. Muita ação, tiros, pancadaria, sangue jorrando e, para lavar a alma do espectador, muitos bandidos mortos. A história não é nenhuma novidade. Já vimos vinganças semelhantes em “Desejo de Matar”, com Charles Bronson, e o recente remake com Bruce Willis. E também em “Valente”, onde a justiceira é interpretada por Jodie Foster. Aos 46 anos, Jennifer Garner está em plena forma física – e que forma! – e continua muito bonita e sensual. As cenas de ação são ótimas, pois o diretor Pierre Morel é especialista no gênero (“O Franco Atirador”, “Busca Implacável” e “Dupla Implacável”), assim como o roteirista Chad St. John (“Invasão a Londres”). Um dos meus dois neurônios foi ativado quando o filme terminou: como é que uma dona de casa, de uma hora para outra, transforma-se numa especialista em armas pesadas e perita em artes marciais? De qualquer forma, é um ótimo filme de ação.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019


“AMANDA” é um drama francês de 2018 escrito e dirigido por Mickhaël Hers (“Aquele Sentimento do Verão”). Depois da morte de Sandrine (Ophélia Kolb), sua irmã mais velha e mãe solteira, a quem era muito próximo, David (Vincent Lacoste), um jovem de 24 anos, se vê obrigado a criar a sobrinha órfã Amanda (Isaure Multrier), de 7 anos. A história do filme é toda centrada na relação de amor e companheirismo de tio e sobrinha, o que garante momentos bastante comoventes, graças à interpretação de Vincent Lacoste, o ator jovem do momento na França, e, principalmente, da atriz mirim Isaure Multrier. Difícil não se emocionar com a atuação dessa menina. Como também não é difícil de se emocionar com a presença da bela atriz italiana Greta Scacchi, que chega perto dos 60 anos com uma beleza ainda digna de uma grande diva que foi nos anos 80/90. Em “Amanda”, ela interpreta a mãe ausente de David que mora em Londres. “Amanda” também explora os atos terroristas ocorridos recentemente na França, num dos quais foi morta Sandrine, mãe de Amanda. O filme é excelente. Comovente sem cair no melodrama. Por aqui, foi exibido na programação oficial da 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, em outubro de 2018. Programão!    

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019


“ONDE ESTÁ KYRA?” (“WHERE IS KYRA?”), 2017, EUA, 1h38m, roteiro e direção do cineasta nigeriano Andrew Dosunmu, mais conhecido por ter dirigido videoclipes para vários artistas, entre os quais Tracy Chapman, Isaac Hayes e Aaron Neville. Nesta produção independente, que estreou no Festival de Sundance 2017, Dosunmu conta a história de Kyra (Michele Pfeiffer), uma mulher de meia-idade solitária, desempregada, cheia de dívidas e que vive exclusivamente para cuidar da mãe doente. Quanto esta falece, Kyra descobre a chance de ganhar um dinheiro mensal. Ela não comunica a morte às autoridades e se disfarça de velhinha para receber os cheques da pensão. Em meio à fraude, Kyra conhece Doug (Kiefer Sutherland), outro fracassado na vida. Juntou a fome com a vontade de comer, e os dois iniciam um romance. Doug descobre a mutreta de Kyra e pede a ela que desista de continuar, pois se descobrirem é cana certa. Será? Michelle Pfeiffer está muito longe da loira linda e glamorosa da forma como aparece na maioria dos seus filmes. Ela está até feia, magra demais, cabelos escuros e com o rosto encovado. Mas sua performance é excelente, tanto que a crítica especializada já está achando que Michelle será indicada para o Oscar 2019. Vamos aguardar. Resumo da ópera: trata-se de um drama filmado de forma esquisita, sombrio e depressivo, desagradável de assistir. Em todo caso, elogiado pelos críticos. Mesmo com a presença de Michelle, duvido que o filme seja exibido por aqui no circuito comercial.    

sábado, 5 de janeiro de 2019


“ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA” (“Rock’n Roll”), 2017, França, 2h03m, direção de Guillaume Canet, também autor do roteiro juntamente com Philippe Lefebvre e Rodolphe Lauga. Além de ótimo ator, Canet está se consagrando como excelente diretor. Já deu provas disso no magistral “Até a Eternidade”, de 2010, e agora com o recente “Rock’n Roll”, uma comédia na qual ele satiriza os bastidores do cinema, expondo as fraquezas, manias e desequilíbrios emocionais dos atores, diretores, produtores etc. (ao assistir “Rock’Roll”, lembrei muito do clássico “A Noite Americana”, 1973, do diretor François Truffaut). Canet, porém, inova ao dar o mesmo nome dos principais atores aos personagens da história. Dessa forma, Guillaume Canet é Guillaume Canet, Marion Cotillard é Marion Cotillard (os dois são casados no filme e na vida real), Gilles Lellouche é o próprio, assim como acontece com o astro do rock Johnny Hallyday e Camille Rowe. Uma jogada de mestre. A história é toda centrada no ator Guilhaume Canet (o personagem), que entra em crise psicológica ao perceber que passou dos 40 anos e só é convidado para interpretar papéis de homens mais velhos. É o caso do filme “dentro do filme” em que ele está atuando no papel de pai de uma jovem de 23 anos (Camille Rowe). Ao participar de uma entrevista ao lado de Camille, Canet ouve da jornalista que “Você não é mais tão Rock’n Roll”, ou seja, não é mais novo, está chegando à meia-idade. Pronto, foi essa constatação que provocou em Canet um início de depressão. Aí ele parte para o botox, academia de musculação, baladas e a vontade de ser um músico roqueiro, enquanto seu casamento entra na maior crise. Tudo é muito engraçado, garantindo diversão do começo ao fim. Uma comédia feita com inteligência. O filme foi exibido por aqui durante a programação do Festival Varilux de Cinema Francês, em junho de 2017. Um crime não ter sido exibido – pelo menos por enquanto - no circuito comercial dos nossos cinemas. Imperdível!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019


“A ÚLTIMA NOTA” (“Para Telefaxio Simeioma” – a tradução para o português é minha, baseada no título “The Last Note”, pelo qual o filme foi lançado nos países de língua inglesa – não acredito que chegue por aqui), 2017, Grécia, 117 minutos, direção de Pantelis Voulgaris, que é autor do roteiro assinado também por Ionna Karystiani. Trata-se de mais um drama histórico baseado em fatos reais ocorridos durante a Segunda Grande Guerra. Desta vez, as vítimas dos nazistas são os gregos. A Grécia ocupada pelo exército alemão também tinha seus campos de concentração. A história do filme é ambientada num deles, Chaidari, na província de Kaisariani. Os prisioneiros eram membros da resistência, comunistas e judeus – ou seja, os de sempre.  Em represália ao assassinato de um general alemão numa emboscada realizada por militantes da resistência grega, veio a ordem de Berlim para que 200 prisioneiros do campo de Chaidari fossem assassinados. Um dos personagens principais da história é Napoleon Soukatzidis (Andreas Konstantinou), prisioneiro que servia de tradutor para o oficial Karl Fischer (o ótimo ator alemão André Hennicke) durante os interrogatórios e torturas dos presos. As cenas que mostram o fuzilamento dos 200 prisioneiros são bastante impactantes e comoventes, assim como aquelas que mostram os jurados de morte dançando ao som de músicas populares gregas antes da execução. Só para lembrar: o diretor grego Pantelis Voulgaris é o mesmo do excelente “Little England”, de 2013, filme dos mais premiados nos festivais de cinema mundo afora.   

domingo, 30 de dezembro de 2018


“OS ESCRITOS SECRETOS” (“THE SECRET SCRIPTURE”), 2016, Irlanda, 1h48m. A história é inspirada no livro homônimo escrito pelo poeta, dramaturgo e escritor irlandês Sebastian Barry, adaptado e dirigido pelo veterano Jim Sheridan (“Meu Pé Esquerdo”, “Em Nome do Pai”). Uma clínica psiquiátrica está prestes a ser desativada e os seus pacientes transferidos para outras unidades ou então liberados para voltar para casa. O psiquiatra William Grene (Eric Bana) ficou encarregado de avaliar as condições mentais da idosa Roseanne McNuttry, que há 50 anos vive na clínica, acusada de ter assassinado seu bebê. Em meio à sua investigação, dr. Grene encontra um diário secreto escrito por Roseanne, no qual ela conta a história da sua vida, sua paixão pelo aviador Michael Eneas (Jack Reynor) e a perseguição que sofreu por parte do padre católico Gaunt (Theo James). O médico também descobrirá a verdade sobre o suposto assassinato do bebê, revelação que é feita no desfecho. Quando moça, Roseanne é interpretada pela ótima atriz norte-americana Rooney Mara. Como não poderia deixar de ser, quem rouba a cena é a veterana Vanessa Redgrave com uma atuação magistral, o que por si só já é motivo suficiente para assistir a este bom drama irlandês.

sábado, 29 de dezembro de 2018


“EM BUSCA DE FELLINI” (“In Search of Fellini”), coprodução EUA/Itália, 2017, longa-metragem de estreia do diretor sul-africano de curtas Taron Lexton, seguindo o roteiro escrito por Nancy Cartwright e Peter Kjenaas. Trata-se de uma bela homenagem ao grande diretor italiano Federico Fellini (1920-1993). Ambientada no início dos anos 90, pouco antes da morte de Fellini, a história - baseada em fatos reais - é centrada em Lucy (Ksenia Solo), uma garota de 20 anos residente numa cidade de Ohio (EUA). Ela é muito tímida e superprotegida pela mãe Claire (Maria Bello), tem dificuldade de encarar a realidade da vida e, por isso, passa os dias assistindo a filmes antigos e vivendo num verdadeiro mundo de sonhos. Numa mostra dedicada ao cineasta italiano, Lucy fica encantada com o estilo onírico de Fellini, passando a alugar todos os seus filmes. Uma paixão fulminante, a tal ponto de ir para a Itália tentar um encontro com o diretor. Enquanto aguarda uma resposta, Lucy visita alguns cenários dos filmes mais famosos de Fellini e, em algumas cenas fantasiosas, contracena com alguns dos principais personagens – estilizados, é claro - de “A Doce Vida”, “A Estrada da Vida”, “Satyricon” e “8 ½”. Senti falta de menções a “Amarcord”, meu filme preferido de Fellini. “Em Busca de Fellini” ganhou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz (Ksenia) no Festival de Ferrara (Itália). Resumo da ópera: o filme é muito bom, principalmente para ser curtido pelos fãs do grande diretor italiano, como eu, e uma grande oportunidade para que as novas gerações conheçam um pouco da arte desse gênio do cinema.  

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018


“ALI & NINO”, lançado no Festival de Sundance (EUA) em janeiro de 2016, é uma coprodução Inglaterra/Azerbaijão, com direção de Asif Kapadia e roteiro de Christopher Hampton, que se inspirou no livro do mesmo nome escrito por Kurban Said em 1937. O pano de fundo da história é a guerra da independência do Azerbaijão, ao fim da Primeira Guerra Mundial, e que voltaria a ser dominado pelos russos a partir de 1920 (o Azerbaijão era rico em petróleo – não sei se ainda é). Na verdade, o tema central é o romance entre a princesa cristã ortodoxa Nino (Maria Valverde) e o príncipe muçulmano Ali (Adam Bakri). Romance que não teve o apoio das famílias, que eram contra a união por questões religiosas. O filme acompanha a tumultuada relação entre Ali e Nino, que um dia resolvem enfrentar os desafios das diferenças e se casar. Ao mesmo tempo, a história destaca a brava e corajosa defesa do povo do Azarbaijão contra os poderosos russos, que dominariam o pequeno país até 1991, quando enfim conquistam a sua independência. A equipe técnica e o elenco do filme formam uma verdadeira ONU: o diretor Asif é indiano naturalizado britânico; Maria Valverde é espanhola; Adam Bakri é palestino; Connie Nielsen (a duquesa Kipiani) é dinamarquesa, e por aí afora, além de ser falado em inglês, azerbaijano e russo. O filme é bastante interessante pela questão histórica, envolvendo um país pouco conhecido por nós. Há que se destacar também a caprichada produção, envolvendo um verdadeiro exército de figurantes. Os cenários são magníficos, com locações no próprio Azerbaijão, Turquia, Geórgia e Rússia. Só para fechar o leque de informações: o diretor Asif Kapadia é o mesmo dos documentários “Senna”, sobre o nosso grande piloto, e “Maradona”, o polêmico jogador argentino.  

terça-feira, 25 de dezembro de 2018


“UM DIA A MAIS PARA VIVER” (“Bereave”), 1h40m, EUA, roteiro e direção dos irmãos Evangelos e George Giovanis. O filme foi produzido em 2015 e lançado somente em 2018, mas não chegou por aqui. A história: o casal Garvey (Malcolm McDowell) e Evelyn (Jane Seymour) está entrando na terceira idade em plena crise conjugal. Casados há mais de 40 anos, eles vivem uma crise conjugal principalmente por conta dos sintomas de depressão e demência senil que afetam a sanidade de Garvey, que passa a tratar mal a companheira. Em meio às complicações do casamento, e para complicar ainda mais a situação e tumultuar o ambiente, aparece o irmão dele, Victor (Keith Carradine) e a filha Penelope (Vinessa Shaw), ambos tentando amenizar o conflito entre Garvey e Evelyn. Engana-se quem pensa que, por esta pequena sinopse, trata-se de um drama. Pelo contrário, é uma comédia das mais saborosas, valorizada pela atuação dos dois veteranos Malcolm McDoweel e Jane Seymour, ambos em grande forma. Mas quem se destaca mesmo é Seymour, ainda ótima atriz, linda e charmosa, mesmo aos 67 anos. Méritos aos irmãos Giovanis, que souberam conciliar drama e comédia com grande competência, tornando esse filme bastante agradável de assistir.  

domingo, 23 de dezembro de 2018


Sempre que você encontrar o ator francês Vincent Lindon nos créditos, pode crer: o filme é bom. Já assisti a quase todos em que ele atua e nunca me decepcionei (veja a lista que recomendo no fim do comentário). Não poderia ser diferente no recente drama “A APARIÇÃO” (L’APPARITION”), 2018, França, 2h24m, roteiro e direção de Xavier Giannoli (“Marguerite”). Lindon interpreta o jornalista Jacques Mayano, conhecido por fazer coberturas de guerras para uma famosa revista francesa. Graças à sua fama de jornalista também investigativo, Mayano é convidado pelo Vaticano a fazer parte de uma comissão canônica encarregada de investigar a veracidade da afirmação da jovem Anna (Galatea Bellugi), no interior da França, que diz ter presenciado a aparição da Virgem Maria. Além de Mayano, integram a comissão três padres – um deles exorcista – e uma médica psiquiatra. O vilarejo onde ocorreu o fenômeno logo se transformou num local de peregrinação de milhares de crentes ávidos por conhecer e tocar a menina e, quem sabe, presenciar um milagre. É claro que o padre local (Patrick D’Assunção) não gostou da chegada da tal comissão do Vaticano, já que o resultado da investigação poderá desmentir a aparição e espantar os peregrinos do vilarejo (claro, comércio acima de tudo). Do começo ao fim, o filme trata do mistério da fé e por que é tão difícil apurar a veracidade de uma aparição. Nesse contexto, o filme despeja inúmeras dúvidas para o espectador e o convida a participar do veredito, como se ele mesmo fizesse parte da comissão canônica. O filme é excelente e Vincent Lindon mais uma vez mostra sua competência como ator. Como prometi no início, aí vai uma lista com os melhores filmes de Lindon: “Uma Primavera com Minha Mãe”, ”Os Cavaleiros Brancos”, “Tudo por Ela”, “O Diário de uma Camareira” e “Mea Culpa”.      

sábado, 22 de dezembro de 2018


“INFILTRADO NA KLAN” (“BLACKkKLANSMAN”), 2018, EUA, 2h16m, direção de Spike Lee, que também é autor do roteiro juntamente com Charlie Washtel, David Rabinowitz e Kevin Willmott. Baseado em fatos reais, o filme é centrado no policial negro Ron Stallworth, da polícia do Colorado, que em 1978 conseguiu se infiltrar na organização clandestina e racista Ku Klux Klan. Na época, além dos negros, a Klan também praticava atentados violentos contra judeus e imigrantes. Ao mesmo tempo em que faz uma crítica contundente à elite branca racista norte-americana, incluindo, é claro, Donald Trump, Spike Lee trata do assunto com bom humor, principalmente ancorado na ótima atuação dos atores John David Washington (Ron) e Adam Driver (Flip Zimmerman). A ambientação de época é mais um dos destaques desse ótimo filme de Spike Lee, com claras chances de algumas indicações ao próximo Oscar. A saborosa trilha sonora, com alguns sucessos da Black Music dos anos 70, também contribui para tornar o filme um entretenimento dos mais agradáveis. Numa das cenas mais comoventes do filme, o grande ator e cantor Harry Belafonte aparece ainda em grande forma aos 91 anos, relembrando o assassinato de um negro em 1917. No desfecho, Spike Lee reproduziu imagens reais do conflito ocorrido em Charlottesville em 2017, quando neonazistas ocuparam as ruas para defender, na base da porrada, a supremacia da raça branca. Ou seja, antes era o pessoal da Ku Klux Klan e, agora, os neonazistas. A discriminação racial continua leve e solta na terra do Tio Sam, tema que Spike Lee adora explorar. E com muita competência. O filme estreou no 71º Festival de Cannes, em maio de 2018, recebendo muitos elogios tanto do público como da crítica especializada. Filmaço, imperdível!.    

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

"LÍDA BAAROVÁ", 2016, coprodução Eslováquia/República Tcheca, 1h46, direção de Filip Renc. O drama biográfico conta uma história pouco conhecida por nós, a da atriz tcheca Lída Baarová (1914-2000), famosa nos anos 30 não apenas por atuar em filmes de sucesso, mas também por ter sido amante do figurão nazista Joseph Goebbels, Ministro das Comunicações de Hitler e um dos idealizadores do Holocausto.  Lída Baarová (na verdade o nome artístico de Ludmila Babková) saiu de Praga (Tchecoslováquia) ainda jovem para tentar a sorte no cinema alemão, mais especificamente nos estúdios de Babelsberg (Berlim), então considerada a Hollywood europeia. Lída (Tatiana Pauhofová) não demorou a conquistar fama principalmente depois de contracenar filmes românticos com o maior galã alemão da época, Gustav Fröhich (Gedeon Burkahard), com o qual casaria logo depois. A beleza da atriz tcheca impressionou Goebbels, que passou a assediá-la de forma acintosa, mesmo depois dela ter-se casado com Gustav. O poder e a inteligência de Goebbels acabaram por fascinar a jovem atriz tcheca, independente do nazista ser casado e ter vários filhos. O caso virou um escândalo nos jornais e Hitler foi obrigado a intervir, pelo bem do nazismo e da família alemã. Ao fim da Segunda Guerra Mundial, Lída foi considerada traidora, acabou presa e condenada à morte, o que não aconteceu graças à interferência do seu pai, amigo de um líder comunista. Lída continuaria a atuar em filmes na Espanha e na Itália, dedicando-se posteriormente ao teatro. Resumo da ópera: o filme “Lída Baarová” é excelente, apresenta atuações soberbas da atriz tcheca Tatiana Pauhofová e do ator austríaco Karl Markovics como Goebbels, além do excelente roteiro e da primorosa ambientação de época – cenários e figurinos. Eu concluo dizendo que é uma verdadeira obra-prima do cinema europeu, à disposição na programação da Netflix. Não deixe de assistir!      

domingo, 16 de dezembro de 2018


“A BALADA DE ADAM HENRY” (“THE CHILDREN ACT”), 2017, Inglaterra, 1h46, direção de Richard Eyre, com roteiro assinado por Ian McEwan, autor do livro “The Children Act”, lançado em 2014. O drama inglês é centrado na Juíza da Alta Corte Fiona Maye (Emma Thompson), responsável pelos julgamentos de casos do Direito Familiar. Em meio à crise conjugal que vive com o marido Jack (Stanley Tucci), Fiona é obrigada a julgar casos difíceis e polêmicos, o que a coloca sempre em evidência na mídia. Ainda mais depois de iniciar o julgamento de um processo que envolve o jovem Adam Henry (Fionn Whitehead, de “Dunkirk”), que tem leucemia e vive um dilema: precisa de uma transfusão de sangue para sobreviver, mas como é adepto das Testemunhas de Jeová, recusa-se a fazer o procedimento, apoiado pelos pais. Numa atitude sem precedentes no meio judiciário, a juíza se propõe a ouvir o desejo do rapaz pessoalmente no hospital onde está internado. Essa visita terá consequências em relação ao futuro de Adam e resultará também numa mudança na própria vida da juíza. O filme é muito bom, valorizado ainda mais pela atuação magistral de Emma Thompson, que comprova mais uma vez ser uma das melhores atrizes da atualidade. O jovem ator Fionn Whitehead também mostra muita competência. Imperdível!   


“SANGUE FRANCÊS” (“UN FRANÇAIS”), 2016, França, 1h38, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Diastème (nome artístico de Patrick Asté). A história, baseada em fatos reais, começa em 1992, quando um grupo de neonazistas e skinheads passa as noites em Paris agredindo árabes, negros, comunistas e homossexuais. A violência das cenas é bastante realista. Marco (Alban Lenoir, excelente ator) é um desses neonazistas no qual toda a história é centrada. Marco e os amigos defendem os ideais do partido de extrema-direita Front National, cuja principal bandeira é o ódio aos imigrantes, negros e outras minorias. O nacionalismo exacerbado e radical é mostrado não apenas nas reuniões dos neonazistas, como nos encontros sociais de uma parte da elite francesa, onde se canta a “La Marseillaise” após terem assistido a vídeos do político ultradireitista Jean-Marie Le Pen discursando em público. O fanatismo desse pessoal é tão forte que durante a final do mundo de 1998, em que a França derrotou o Brasil, alguns se negaram a comemorar simplesmente porque um árabe (Zidane) fez dois gols. O filme acompanha a trajetória de Marco como um jovem que, com o passar do tempo, amadurece e tenta seguir sua vida adiante sem a estigma de ter sido um neonazista fichado na polícia. O filme é excelente. Pena que não chegou a ser exibido por aqui no circuito comercial. Teve apenas uma exibição durante o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro em 2015. Obrigatório para quem curte cinema de qualidade.  

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018


“POLINA” (“POLINA, DANSER AS VIE”), 2016, França, é um drama centrado numa bailarina clássica russa de muito talento – papel da dançarina Anastasia Shevtsova em sua estreia no cinema. Aos 18 anos, Polina consegue ingressar no famoso Balé Bolshoi e, prestes a fazer a sua apresentação oficial, fica encantada com um espetáculo de dança contemporânea. Para desespero dos pais, ela acaba desistindo do Bolshoi e vai com o namorado francês Adrien (Niels Schneider) para a França, onde inicia seu treinamento na escola da famosa coreógrafa e professora de dança contemporânea Liria Elsaj (Juliette Binoche). A partir dessa mudança, a vida de Polina vira uma verdadeira montanha russa, de altos e baixos - mais baixos do que altos. Sem dinheiro, ela acaba aceitando um trabalho como garçonete de uma discoteca em Bruxelas (Bélgica). E por aí vai o drama dessa jovem que tinha um futuro garantido no Balé Bolshoi, mas que resolveu arriscar seu futuro em outra modalidade de dança. O filme foi escrito e dirigido por Valérie Müller, com a colaboração do coreógrafo Angelin Preljocaj. No começo, pensei que fosse uma história baseada em fatos reais. Que nada! O roteiro de “Polina” foi inspirado na graphic novel (quadrinhos) do francês Bastien Vivès. O filme estreou no Festival de Veneza 2016 e foi muito elogiado pelo público e pela crítica especializada. Realmente, o filme é muito bom, apesar das inúmeras cenas de ensaios de coreografias de dança contemporânea.    

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018


“BEL CANTO”, 2018, EUA, roteiro e direção de Paul Weitz. Inspirado em fatos reais ocorridos no Peru em 1996, trata-se de uma adaptação cinematográfica da histórica tomada da embaixada japonesa em Lima por guerrilheiros do Movimento Revolucionário Túpac Maru, que durante quatro meses mantiveram centenas de reféns, entre as quais embaixadores de vários países – inclusive o do Brasil -, autoridades governamentais, empresários e figuras da alta sociedade peruana. Para escrever o roteiro de “Bel Canto”, o diretor norte-americano tomou como base o livro do mesmo nome escrito por Ann Patchett. Paul Weitz acrescentou romance, cantoria e humor, exagerando na dose fantasiosa. O elenco é de primeira: Julianne Moore, o astro japonês Ken Watanabe, o ator mexicano Demian Bichir, o francês Christopher Lambert e o alemão Sebastian Kock. O filme, de segunda – ou terceira. Julianne Moore interpreta uma cantora lírica norte-americana famosa que é contratada para cantar na festa – na verdade, ela dubla a soprano Renée Flemming. Ela e o empresário Katsumi Hosokawa (Watanebe) acabam se apaixonando, um romance tão forçado quanto o do tradutor japonês com uma guerrilheira. Além do mais, os guerrilheiros são retratados como se fossem ótimas pessoas, vítimas do sistema. Tenha paciência! É de surpreender que atores tão bons tenham participado dessa produção tão medíocre, alguns deles com uma atuação das mais constrangedoras, como o francês Christopher Lambert. E olha que o diretor Paul Weitz já fez alguns filmes muito bons como “O Céu Pode Esperar”, “Um Grande Garoto”, “Entrando numa Fria maior ainda com a Família”, entre outros. Enfim, “Bel Canto” nada mais é do que um filme esquecível e descartável.      

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018


“O FILHO DE JEAN” (“Le Fils de Jean”), 2016, coprodução França/Canadá, 1h38, roteiro e direção de Philippe Lioret. Drama sensível e comovente centrado num jovem francês residente em Paris que um dia recebe a notícia de que seu pai biológico acabara de falecer em Montreal (Canadá). Ele nunca soube quem era seu pai biológico e nem que morava em outro país. Sua mãe sempre escondeu a verdade. Matthieu (Pierre Deladonchamps) resolve ir para o enterro. Chegando em Montreal, ele é recebido por Pierre Lesage (Gabriel Arcand), um médico que foi colega de seu pai biológico, Jean, também médico. Matthieu descobre que tem dois irmãos e quer conhecê-los antes do enterro. Pierre promete apresentá-los com a condição de Matthieu não dizer que é um filho bastardo. Até o enterro, Matthieu conviverá com os irmãos e com a família de Pierre, até a surpreendente revelação no desfecho. O filme é excelente, recebeu inúmeros elogios da crítica especializada e rendeu dois prêmios César (o Oscar francês), o de Melhor Ator para Pierre Deladonchamps e de Ator Coadjuvante para Gabriel Arcand. Imperdível!