quarta-feira, 12 de julho de 2017

“DRONE”, Canadá, 2017, escrito e dirigido por Jason Bourque (“Black Fly”). Trata-se de um suspense que explora um tema dos mais atuais: a utilização de drones para fins militares. No caso, aviões que lançam mísseis para eliminar terroristas. Neil Winstin (Sean Bean, de “Senhor dos Anéis” e “Game of Thrones”) é contratado pela CIA para operar esses drones. Ele mora num pacato subúrbio de classe média alta em Washington com a esposa Ellen (Mary McCormack) e o filho Shane (Maxwell Haynes). Neil mantém em segredo sua atividade. Ele diz para a família, amigos e vizinhos, que trabalha numa empresa de computação. Certo dia, aparece um sujeito chamado Imir Shaw (Patrick Sabong, de “Uma Noite no Museu 3”), interessado em comprar o barco que pertencia ao pai de Neil, recentemente falecido. O espectador logo percebe que o homem misterioso, que se identificou como paquistanês em viagem a trabalho nos EUA, está escondendo uma segunda intenção, claramente relacionada com o lançamento de um míssel numa cidade do Paquistão e que ocasionou a morte de alguns civis. É melhor ficar por aqui para não estragar o desfecho. O filme não é ruim, mantém um bom ritmo de suspense e tensão, mas poderia ter um final mais bem elaborado. Vale para uma sessão da tarde.                                                

domingo, 9 de julho de 2017

Vencedor do Prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Berlim 2014, o drama alemão “14 ESTAÇÕES DE MARIA” (“KREUZWEG”) foi escrito e dirigido por Dietrich Brüggeman (“Corra se puder”). O enredo segue a trajetória de Maria (Lea van Acken), uma garota de 14 anos criada por uma família católica conservadora. Dividida em 14 segmentos que lembram as estações da Via-Crúcis de Jesus Cristo antes da ser crucificado (o título original "Kreuzweg" significa Via-Crúcis), a história apresenta Maria como uma garota de muita fé e obediente aos preceitos da religião católica. Ela segue as orientações do Padre Weber (Florian Stetter), de uma congregação que prefere seguir uma linha mais rígida, ao contrário da abertura estimulada pelo Concílio Vaticano II. A comunidade onde vive Maria não aceita, por exemplo, músicas gospel ou soul, consideradas obras satânicas. O melhor exemplo de fanatismo religioso, porém, vem da própria mãe de Maria, interpretada pela excelente Franziska Weisz. Cada um dos segmentos foi filmado com a câmera estática, com os atores se movimentando dentro do quadro, numa concepção que lembra muito um espetáculo teatral. O filme é bastante verborrágico. No primeiro segmento, por exemplo, num curso preparatório para a Crisma, o padre Weber fala sem parar durante 15 minutos, durante os quais destaca alguns dos principais preceitos da Igreja Católica para um grupo de crianças. Trata-se de um filme não muito fácil de digerir, um tanto pesado, mas, sem dúvida, um excelente trabalho de roteiro, direção e fotografia.                                           

sábado, 8 de julho de 2017

O drama australiano “PARTISAN”, 2015, escrito e dirigido por Ariel Kleiman (é seu longa de estreia), conta a história de uma comunidade secreta, à parte da sociedade, situada na periferia de alguma cidade, provavelmente na Austrália, onde as filmagens realmente aconteceram. Quem chefia o lugar é o misterioso Gregori (o ator francês Vincent Cassel), cuja intenção é – pelo menos o que dá a entender – transformar as crianças em futuros assassinos de aluguel para eliminar seus desafetos. Alexander (Jeremy Chabriel), seu filho adotivo e o garoto mais velho da turma, já possui algumas mortes no currículo. Por mais contraditório que pareça, é Alexander quem vai confrontar o seu mentor, numa reviravolta pra lá de inesperada. Quase nada do que acontece é explicado ao espectador. Algumas mães convivem com seus filhos na comunidade e assistem a tudo numa atitude pra lá de passiva, em meio a aulas de culinária, sessões de karaokê etc. É um filme bastante estranho, pesado, desagradável, sem muito nexo, totalmente aberto a interpretações. Não dá pra entender também como um ator tão conceituado como Vincent Cassel está fazendo nesse filme. Aliás, difícil entender como alguém faz um filme como esse, que não passa de uma bobagem monumental.                                           

quarta-feira, 5 de julho de 2017

“PREDADORES DO AMOR” (“Hounds of Love), Austrália, 2016, filme que marca a estreia do jovem Ben Young como roteirista e diretor. Uma boa estreia, aliás. Trata-se de um suspense baseado num caso real ocorrido na segunda metade da década de 80 na Austrália. O casal John (Stephen Curry) e Evelyn (Emma Booth) costumava sequestrar garotas, trancafiá-las num quarto e abusar delas sexualmente. Uma das vítimas, Vicky Maloney (Ashleigh Cummins) sofreu o diabo nas mãos dos dois psicopatas pervertidos, mas foi suficientemente inteligente para planejar uma estratégia com o objetivo de jogar um contra o outro. Desde a cena inicial, quando os dois desequilibrados assistem a uma partida de vôlei entre meninas e o olhar de ambos parece selecionar uma nova vítima, até o desfecho, o clima de tensão é de arrepiar, mesmo que o cenário de quase todo o filme seja unicamente o interior da casa da dupla de sádicos. A trilha sonora também é utilizada com maestria para aumentar o suspense. O elenco está muito bem, com destaque para o ator Stephen Curry, mais conhecido na Austrália como comediante. Seu comportamento é mesmo de assustar. Como o filme é baseado em fatos reais, achei que faltou no final a informação do que aconteceu com os personagens reais depois de tudo. Prepare-se para roer as unhas...                                    


                                   

segunda-feira, 3 de julho de 2017

“ROSAS A CRÉDITO” (“Roses à Crédit”), 2010, França, roteiro e direção de Amos Gitaï (“Free Zone”, “Kadosh” e “Kedma”). É uma adaptação do romance da escritora francesa Elsa Triolet, lançado em 1959, cujo pano de fundo é o esforço dos franceses em reerguer o país após anos de conflito. A história é centrada em Marjoline (Léa Seydoux) e Daniel (Grégoire Leprince-Ringuet), jovens que resolvem se casar logo após o final da Segunda Grande Guerra. Daniel trabalha com o pai Georges (Pierri Arditi) na produção de rosas, negócio que é uma tradição da família. Marjoline trabalha num salão de beleza, mas tem sonhos consumistas que estão fora do orçamento do casal. Aí a coisa complica, as dívidas aumentam e o casamento entra em crise. Trata-se de mais um bom trabalho do diretor israelense, cuja temática habitual é voltada para as questões que envolvem Israel e o Oriente Médio. Destaco a exuberante recriação de época, incluindo figurinos, cenários, trilha sonora e o comportamento social dos franceses. Com esse filme, a bela Léa Seydoux, na época com 25 anos, se consolidou como uma atriz bastante promissora. Nos anos seguintes, sua carreira daria um grande salto, quando estrelou, sempre em papéis de destaque, filmes como "007 contra Spectre", "Missão Impossível: Protocolo Fantasma", "Meia-Noite em Paris" e o polêmico "Azul é a Cor mais Quente". Hoje, Seydoux já é uma das melhores e mais requisitadas atrizes francesas da atualidade, devendo ocupar, em pouco tempo, o lugar da diva Isabelle Huppert.                            


domingo, 2 de julho de 2017

Quando filmou o excelente “Almas Silenciosas”, em 2010, o cineasta russo Aleksey Fedorchenko entrou em contato com a cultura do povo Mari, que habita uma região nas Montanhas Urais ao Norte da Rússia (Bashkortostão e Tatarstão). Os habitantes chegam hoje a 600 mil e são conhecidos por conservarem suas seculares tradições pagãs. Certamente para divulgar essa rica e interessante cultura, Fedorchenko realizou, em 2012, o filme “ESPOSAS CELESTIAIS DO PRADO MARI” (“Nebesnye Zheny Iugovykh Mari”), inspirado no livro de contos escrito por Denis Osokin, por sinal autor do roteiro. São 23 histórias curtas, cada uma identificada pelo nome de uma personagem. Ou seja, cada segmento leva o nome de uma mulher. O filme explora as tradições do povo Mari, mostrando seus estranhos rituais voltados para conseguir um objetivo. Por exemplo: arrumar um marido, engravidar, eliminar marcas de nascença, afastar maus espíritos etc. Muita sexualidade e misticismo, o que fez com que fosse chamado de “Decameron do Leste”, referência ao polêmico filme de 1971 do diretor italiano Pier Paolo Pasolini. O filme, realizado com financiamento do Ministério da Cultura da Federal Russa, é muito interessante, principalmente por nos apresentar uma cultura que poucos de nós lemos a respeito ou ouvimos falar.                            


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Depois de dirigir “Post Mortem”, “No” (indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013), e “O Clube”, o diretor chileno Pablo Larraín caiu nas graças da crítica especializada e de Hollywood. Tanto é que depois dirigiu “Jackie”, com Natalie Portman. Todos os seus filmes têm um fundo político muito forte, explorando, principalmente, períodos de ditadura vividos pelo povo chileno. Não foi de outra forma que dirigiu “NERUDA”, com roteiro de Guilhermo Calderón (que também escreveu “Violeta foi para o Céu” e “O Clube”). “Neruda” é ambientado em 1948, quando o grande poeta chileno era senador da república e ligado ao partido comunista. Para não ser preso, Neruda empreendeu uma fuga pelo sul do país até chegar à Argentina. Não há muitos registros históricos sobre essa aventura. Dessa forma, Guilhermo Calderón e Larraín imaginaram o que teria ocorrido e criaram uma narrativa ficcional centrada na perseguição do policial Oscar Peluchoneau (Gael Garcia Bernal) a Neruda (Luis Gnecco). A fotografia, os figurinos e os cenários lembram os filmes noir de antigamente – Neruda era fã da literatura policial norte-americana. Muitos trechos dos principais poemas escritos por Neruda aparecem na narrativa in-off, o que, ao invés de reforçar o contexto das situações, tornou o filme um tanto cansativo. A semelhança física do ator com o poeta é impressionante. Pena que sua atuação ficou um tanto caricatural. O filme foi selecionado para representar o Chile no Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. De qualquer forma, é um filme de Larraín e que, por isso mesmo, merece ser conferido.                       

terça-feira, 27 de junho de 2017

“VOCÊ SERÁ UM HOMEM” (“Tu Serás un Homme”), França, 2014, escrito e dirigido por Benoit Cohen. Confesso que fiquei desconfiado e não muito motivado a assistir, a começar pelo título estranho e também como foi concebido, misturando espanhol e francês. Além disso, não tinha referências sobre o diretor e o elenco, repleto de gente desconhecida. Por fim, a capinha do DVD, com aquela foto de alguém vestindo uma máscara das mais esquisitas. Pensei: lá vem bomba! Decidi finalmente conferir e, para minha surpresa, acabei assistindo um filme bastante interessante e agradável, um ótimo programa para uma sessão da tarde. A história: Léo (Aurelio Cohen), um garoto de 10 anos esperto e inteligente, vive enfurnado na biblioteca do pai devorando livros de poesia. Ele não recebe muito carinho e atenção nem do pai (Grégoire Monsaingeon) nem da mãe (Eléonore Pourriat), que sofre da síndrome do pânico e não sai de casa há três anos. Ao colocar um anúncio procurando uma babá para cuidar de Léo, quem aparece e acaba contratado é o jovem Théo (Aurelio Cohen). Em pouco tempo, Théo e Léo ficam amigos inseparáveis. Com seu jeito alegre e descontraído, Théo também cai nas graças da mãe. O pai, enciumado, não gosta da situação e acaba demitindo Théo e contratando uma nova babá, desta vez uma bela garota. Aí começa a confusão, pois a nova babá é nada menos do que a ex-namorada de Théo. O filme privilegia o bom humor, embora aborde temas sérios como amadurecimento, amizade e relacionamento familiar. A simpatia dos atores é mais um trunfo que torna este filme francês uma boa dica de entretenimento.              

domingo, 25 de junho de 2017

Em 2007, uma equipe pertencente à Ong francesa “Arca de Zoé” tentou resgatar 103 crianças órfãs do Chade para levá-las à França para adoção. Para evitar os trâmites burocráticos de imigração, a ação teria de ser secreta, envolvendo visitas às aldeias perto da fronteira de Darfur, além do aluguel de um Boeing-737 para transportar as crianças. Porém, por trás de uma aparente ação humanitária, havia outras intenções não muito escrupulosas. Essa história foi transformada no filme “OS CAVALEIROS BRANCOS” (“Les Chevaliers Blancs”), 2015, França/Bélgica, direção de Joachim Lafosse, que escreveu o roteiro juntamente com Thomas Van Zuylen, Julie de Carpentries e Zélia Abade, com base no livro “Les Chevaliers Blancs”, de François-Xavier Pinte e Geoffroy D’Ursel. Os personagens da história real receberam nomes fictícios, como Jacques Arnault (Vincent Lindon), chefe da missão, Laura (Louise Bourgoin), a repórter Françoise (Valérie Donzelli) e Xavier (Reda Kateb), além de médicos e enfermeiros. A Ong do filme foi intitulada “Move for Kids”. Ao invés de priorizar o clima de tensão e perigo enfrentado pela equipe em suas visitas às aldeias em meio a uma guerra civil, o diretor preferiu destacar a rotina do grupo e os desentendimentos entre seus integrantes, que divergiam sobre as verdadeiras intenções da Ong. Com essa opção, Lafosse privilegiou a falação ao invés da ação. De qualquer forma, vale pela presença sempre marcante de Vincent Lindon e pela história em si, que ficou pouco conhecida por aqui.            


sábado, 24 de junho de 2017

“A DÍVIDA” (”Oliver’s Deal”), coprodução EUA/Peru/Espanha, 2015, primeiro longa escrito e dirigido por Barney Elliott. O filme começa mostrando o trabalho de um garoto, seu pai e sua irmã numa fazenda situada nos alpes peruanos – as paisagens são lindas. O cenário muda de forma abrupta para um escritório sofisticado de Nova Iorque, cujo negócio principal é adquirir e depois negociar títulos da dívida pública de países do Terceiro Mundo. Pelo menos foi isso que eu entendi. Não há muita explicação sobre a atividade e talvez os leigos no assunto, como eu, ficarão totalmente por fora. Pelo que foi possível entender, o escritório está envolvido num acordo financeiro entre o governo dos EUA e o Peru. O escritório é comandado por Nathan (David Strathairn), que tem como seu braço direito Oliver Campbell (Stephen Dorff), tão inescrupuloso quanto seu chefe. O único funcionário do escritório que tem alguma sensibilidade é Ricardo (o ator argentino Alberto Ammann). Enquanto eles combinam estratégias para novos negócios no escritório de Nova Iorque, o poderoso empresário peruano Ruben Caravedo (o ator espanhol Carlos Bardem, irmão de Javier) tenta comprar as terras de pequenos proprietários rurais, entre eles o dono da fazenda onde pai e filhos aparecem trabalhando no início. Um novo personagem aparece na história (para confundir ainda mais): uma enfermeira (Elsa Olivero) que tenta conseguir uma operação para sua mãe num hospital público em Lima. Qual a ligação do drama dessa enfermeira com o enredo? Quase nenhuma. Só encher linguiça. Resumindo: Oliver e Ricardo vão para o Peru tentar convencer o coitado do fazendeiro a vender suas terras. No final, porém, descobrirão que uma trama sórdida está por trás de tudo. É a tal da ganância corporativa: os ricos explorando os pobres.    


quarta-feira, 21 de junho de 2017

O drama “PAULINA” (“La Patota”), 2015, Argentina, escrito e dirigido por Santiago Mitre, explora um tema dos mais polêmicos: o estupro. Trata-se, na verdade, da refilmagem do  clássico – também argentino – “La Patota”, de 1961. A história é centrada na advogada Paulina (Dolores Fonzi), que desiste de uma promissora carreira na área jurídica para se embrenhar numa zona rural pobre e ensinar política aos jovens da região. Ela quer formar cidadãos responsáveis, afirma ao pai, o juiz Fernando (Oscar Martinez, de “Inseparáveis” e “O Cidadão Ilustre”), que não se conforma com a decisão de certa forma irresponsável da filha. Numa noite em que pega emprestada a moto de uma amiga, Paulina é atacada por um grupo de jovens e estuprada. O pai exige que a polícia investigue o caso e prenda os agressores, mesmo que não conte com a colaboração de Paulina. Sua atitude passiva em relação ao que ocorreu revolta o pai, cujo desejo é fazer uma vingança sem piedade. A situação se complica ainda mais quando uma consequência do estupro é revelada. Dolores Fonzi, que foi casada com o ator mexicano Gael García Bernal, é uma das atrizes de maior evidência na Argentina. Além de bonita, é excelente atriz. O filme foi escrito e dirigido por Santiago Mitre (“La Cordillera”) e teve como um dos produtores o diretor brasileiro Walter Salles. Exibido por aqui durante a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2015, “Paulina” venceu o Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes 2015. Mais um bom filme argentino que merece ser visto.    

domingo, 18 de junho de 2017

Faz algum tempo que Adam Sendler não aparece na telona. Por um bom tempo ele estará só na telinha da TV. O ator norte-americano assinou contrato com a Netflix para protagonizar seis filmes. Os dois primeiros foram “The Ridiculous 6” (2015) e “Zerando a Vida” (2016). O terceiro e mais recente é “SANDY WEXLER” (2017), uma comédia onde Sendler aparece como o personagem do título, um empresário mequetrefe de Los Angeles que no início dos anos 90 – período em que a história é ambientada – agenciava os mais diferentes artistas, desde um ventríloquo, um lutador de luta-livre e até um acrobata saltador de obstáculos, cujas apresentações sempre acabavam em fracassos e fraturas. Até que um dia Wexler descobre, fazendo show num parque de diversões, a cantora Courtney Clarke (Jennifer Hudson). Ela logo se transforma num grande sucesso comercial, uma estrela da música pop. Com seu jeito abobalhado e inconveniente, Wexler desperdiça o momento e cai em desgraça, enquanto Courtney alavanca cada vez mais sua carreira artística. O filme, dirigido por Steven Brill (“A Herança de Mr. Deeds” e “Ligeiramente Grávidos”), foi escrito pelo trio de roteiristas Dan Bulla, Paul Sado e Tim Herlihy, que se inspiraram na trajetória de um empresário chamado Sandy Wernick, que realmente existiu e ganhou uma certa notoriedade na década de 90. O filme conta com rápidas aparições de comediantes, atores e celebridades do cinema e da TV, como Jay Leno, John Lovitz, Chris Rock, Jimmy Kimmel, David Spade e Pauly Shore, além das participações especiais de Rob Schneider, Kevin James, Terry Crews e Jane Seymour, ainda bonita e em grande forma aos 66 anos. O personagem vivido por Sendler é irritante ao extremo, inconveniente e completamente sem graça, como o filme inteiro – a não ser uma única cena onde ele é manipulado pelo ventríloquo. Sendler é o chato de sempre, caprichando para ser o mais abobado possível, parecendo um Jerry Lewis com surto de debilidade mental. O filme é muito fraco e longo demais: 2h10. Para quem gosta de cinema de qualidade, trata-se de um atentado ao intelecto.  

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Jim Jarmusch é um dos diretores de cinema mais cultuados da atualidade por grande parte dos críticos especializados. Esse status foi obtido por filmes autorais como “Flores Partidas”, “Amantes Eternos” e “Estranhos no Paraíso”, que definiram seu estilo pouco convencional. Com o recente “PATERSON”, o diretor norte-americano de 64 anos novamente arrancou elogios entusiasmados, transformando-se numa das grandes sensações do Festival de Cannes 2016. Ambientado na cidade de Paterson, em Nova Jersey, o filme acompanha o cotidiano de Paterson (Adam Driver, de “Star Wars”), um motorista de ônibus que adora escrever poesias nas horas vagas. Ele é casado com Laura (a bela atriz iraniana Golshifteh Farahani), uma mulher ingênua e infantil que procura seu lugar no mundo profissional, indecisa entre a música, a culinária ou as artes plásticas. A rotina de Paterson começa cedo com o café da manhã com Laura, o trabalho de motorista, a cerveja no final do dia no bar de Doc (Barry Shabaka Henrley) e os passeios com o buldogue Marvin. E, claro, escrever poesias, que Jarmusch faz questão de reproduzir na tela – na verdade, o autor delas é o poeta Ron Padgett, a quem o diretor admira há muitos anos. Como na maioria de seus filmes, Jarmusch mais uma vez reúne humor, ironia e erudição, tornando “Paterson” um entretenimento inteligente e acima da média.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

O filme se chama “DESCONHECIDA” (“Complete Unknown”), mas poderia se chamar “Inexplicável”. Vou tentar explicar o “Inexplicável”, a começar pela história sem pé nem cabeça.  Mulher bonita (Alice - Rachel Weisz) conhece um rapaz num bar. Este a convida para jantar com uma turma de amigos na casa de um deles, Tom (Michael Shannon). Todo mundo fica curioso em conhecê-la. Ela conta que viajou pelo mundo inteiro, trabalhou como bióloga na Tasmânia e até como assistente de mágico na China, entre outras peripécias que deixariam Forrest Gump com vergonha. Será ela uma mentirosa compulsiva ou tudo que disse é verdade? Pior: Tom, que é casado, acaba lembrando da moça, que há muitos anos se chamava Jennifer. Parece que tiveram um romance. Muita coincidência ela aparecer justamente na casa dele. O pessoal sai para dançar numa discoteca. Alice, ou Jennifer, vai embora e Tom sai atrás. Enquanto conversam, uma senhora (Kathy Bates) leva um tombo e eles a socorrem. Alice, ou Jennifer, diz que Tom é médico e que cuidará dela. E por aí vai essa aberração cinematográfica, que inclui uma longa cena com sapos noturnos, que não quer dizer absolutamente nada, assim como o filme inteiro. Inexplicável também é o fato de Rachel Weisz e Michael Shannon, dois bons atores, aceitarem participar de tamanho descalabro. E também Kathy Bates e Danny Glover, estes últimos em rápida aparição, talvez envergonhados. Quem escreveu e dirigiu esse verdadeiro abacaxi foi Joshua Marston, que ficou conhecido depois de dirigir “Maria Cheia de Graça”, filme de 2004, que não é tão ruim como este. Conselho: passe bem longe!    


domingo, 11 de junho de 2017

"QUANDO A NEVE CAI" (“DESPITE THE FALLING SNOW”), 2016, Inglaterra, roteiro e direção da inglesa Shamim Sarif, que adaptou para o cinema o romance que ela mesmo escreveu. A história é ambientada no final da década de 50 em Moscou, durante a Guerra Fria. Depois de viver com o trauma de ver seus pais assassinados pelo regime de Stalin, Katya (a sueca Rebecca Fergusson, de “Missão Impossível: Nação Secreta”) resolve se vingar e passa a trabalhar como espiã para os EUA. Numa de suas missões, ela é escalada para conseguir informações junto a Alexander (Sam Reid), que ocupa um cargo importante no governo comunista, a quem deveria seduzir. Katya não poderia imaginar, porém, que Alexander iria se apaixonar perdidamente por ela, e vice-versa. E os dois acabam se casando. Em 1961, Alexander acompanha uma missão diplomática russa para uma reunião com os norte-americanos em Nova Iorque e acaba desertando. A história salta para 1992. A fotógrafa Lauren (papel também de Fergusson), sobrinha de Alexander, resolve ir para Moscou tentar descobrir o que aconteceu com Katya depois que o marido desertou. Ela conhece Marina (a bela atriz alemã Antje Traue), uma jornalista de grande influência na capital soviética, que se propõe a ajudá-la. Ao encontrar um antigo parceiro de Katya, ela descobrirá toda a verdade. Mesmo que a espionagem apareça como pano de fundo, é o romance entre Katya e Alexander que norteará todo o desenrolar da história. Não é o melhor filme de espionagem que já vi, nem é ruim, mas fica bem longe dos melhores.                                   
“UM MERGULHO NO PASSADO” (“A Bigger Splash”), 2015, coprodução Itália/França, roteiro de David Kajganich e direção de Luca Guadagnino, é uma refilmagem do clássico policial francês “A Piscina”, de 1969, com Alain Delon e Romy Schneider. No filme recente, falado em inglês, a história é centrada na estrela do rock Marianne Lane (Tilda Swinton), que resolve passar as férias de verão com o namorado Paul de Smedt (Mathias Schoenaearts) numa casa na paradisíaca Ilha de Pantelleria, na Sicília. Tudo vai bem com o casal até que chega uma visita das mais inesperadas e indesejadas: Harry Hawkes (Ralph Fiennes), ex-produtor musical de Marianne, e sua filha Penélope (Dakota Johnson). Prevendo confusão, Paul não quer que Marianne hospede Harry e a filha. Marianne, porém, não tem opção, pois, além de antigo amigo, Harry produziu muitos de seus discos e shows. Os dias passam e o clima vai ficando cada vez mais pesado, principalmente pelo comportamento inconveniente do egocêntrico e verborrágico Hawkes, que não para de beber, toma banho de piscina nú e ainda assedia Marianne. Os jogos de sedução também envolvem Penélope e Paul. É claro que a convivência acabará numa tragédia e, a partir de então, o filme se transforma num verdadeiro suspense policial, envolvendo até mesmo os coitados dos refugiados que chegam de barco ao litoral italiano. Apesar do elenco de astros, o filme não convence e, em muitos momentos, torna-se até desagradável, principalmente por causa do personagem histriônico e irritante de Ralph Fiennes.                                


O drama inglês “45 ANOS” (“45 YEARS”), foi escrito e dirigido por Andrew Haigh e teve sua primeira exibição no Festival de Berlim/2015. Na tranquilidade bucólica da confortável casa em que vivem numa zona rural da Inglaterra, Geoff Mercer (Tom Courtnay) e Kate (Charlotte Rampling) curtem uma rotina tediosa ao lado do seu cão pastor Max. Às vésperas da festa do  45º aniversário de casamento, Geoff recebe a notícia de que o corpo de uma antiga namorada e uma de suas grandes paixões da juventude, que estava desaparecida depois de um acidente, foi encontrado numa geleira dos Alpes Suíços. Ao recordar alguns fatos dessa antiga paixão, Geoff acaba gerando ciúmes em Kate. O relacionamento entre os dois fica abalado, principalmente pela insegurança de Kate quanto ao verdadeiro amor de Geoff, se ela ou a antiga namorada. Nos dias em que antecedem a festa, Kate e Geoff recordam alguns fatos que marcaram seu casamento, mas o fantasma da antiga namorada sempre aparece no meio da conversa. Será que haverá clima para a festa? A resposta você só terá assistindo a este excelente filme, cujo roteiro foi baseado no conto “In Another Country”, de David Constantine, e claramente inspirado no clássico “Cenas de um Casamento”, de 1973, do diretor sueco Ingmar Bergman. “45 Anos” foi premiado em vários festivais pelo mundo afora. Charlotte Rampling e Tom Courtnay conquistaram o Prêmio Urso de Ouro de Melhor Atriz e Ator no Festival de Berlim/2015. Além disso, também por esse filme, Rampling foi indicada e disputou o Oscar/2016 de Melhor Atriz. A trilha sonora, dos anos 60, é deliciosa: Marvin Gaye, Aaron Neville, Buffalo Springfield, The Moody Blues, The Turtles etc.                          

sábado, 10 de junho de 2017

Singelo, comovente, sensível. Assim é o drama francês “FATIMA”, 2015, escrito e dirigido pelo marroquino Philippe Faucon (“Samia”). A história acompanha o cotidiano de Fatima (Soria Zeroual), imigrante argelina divorciada de 44 anos, que há duas décadas imigrou para Paris e cria, com o trabalho de faxineira, as duas filhas nascidas em solo francês, Nesrine (Zita Hanrot), de 18 anos, e Souad (Kenza Noah Aïche), de 15 anos. Fatima não fala bem o francês e se comunica com as filhas em árabe, resultando num choque cultural dentro da própria família, pois Nesrine e Souad, plenamente integradas aos modos e costumes da França, não aceitam seguir as tradições muçulmanas, como, por exemplo, usar o véu para sair na rua. Nesrine é o orgulho da família, pois conseguiu ingressar na faculdade de Medicina, fato que gera a inveja das vizinhas também imigrantes. Souad é uma adolescente rebelde e briguenta, que não se conforma que a mãe seja uma faxineira. Ao cair de uma escada e ficar afastada do trabalho por licença médica, Fatima passa a escrever um diário em árabe, escrevendo tudo aquilo que gostaria de dizer às filhas em francês, além de fazer uma abordagem sobre os desafios de viver em outro país, em meio a muito preconceito. Numa das passagens do diário, escrito com muita poesia e sensibilidade, ela faz uma homenagem às “Fátimas” que, como ela, fazem o serviço pesado e sustentam suas famílias a custa de muito suor. Um texto muito bonito, que valoriza ainda mais esse belo filme, cujo roteiro foi inspirado em dois livros escritos pela imigrante marroquina Fatima Elayubi em 2006 e 2011. “Fatima”, merecidamente, conquistou o Prêmio César (o Oscar francês) de Melhor Filme em 2016.                          




sexta-feira, 9 de junho de 2017

Ainda não tem data para estrear por aqui “REGRAS NÃO SE APLICAM” (“Rules Don’t Apply”), 2016, sexto filme escrito – em conjunto com Bo Goldman - e dirigido pelo ator Warren Beatty. Ambientado em 1958, conta a história da jovem Marla Mabrey (Lily Collins), que chega a Hollywood em companhia da mãe Lucy (Annette Bening) para fazer um teste na produtora do excêntrico milionário Howard Hughes (Warren). Frank Forbes (Alden Ehrenreich) é o motorista escalado para servir Marla entre sua casa e o estúdio. Logo é possível perceber que os dois se apaixonarão, mesmo que uma das regras de Hughes seja desrespeitada: nenhum dos seus funcionários pode se envolver com as atrizes de seu estúdio – daí o título original. O filme é uma mistura de romance, comédia e drama, além de uma sátira ao misterioso Hughes, aqui apresentado como uma figura patética e histriônica. O resultado final não me agradou e, se há algo a destacar de forma positiva, é a exuberante recriação de época, especialmente os cenários e os figurinos, além da deliciosa trilha sonora. Outro fator de destaque é a presença de atores famosos fazendo apenas uma ponta no filme, como Matthew Broderick, Candice Bergen, Steve Coogan, Martin Sheen, Oliver Platt, Paul Sorvino e Ed Harris. Vale para uma sessão da tarde com pipoca. Nada muito especial.                    


O drama norte-americano “CHRONIC” disputou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2015, onde teve sua primeira exibição – ainda não chegou por aqui, e duvido que chegue. Foi escrito e dirigido pelo mexicano Michel Franco (“Depois de Lúcia”) e traz no papel principal o ator britânico Tim Roth. Ele é David, um enfermeiro/cuidador que há muitos anos trabalha com pacientes terminais. Sua dedicação extrapola a função pela qual é contratado, pois acaba sempre ficando amigo, confidente e conselheiro dos doentes. O filme mostra a rotina tediosa de David, atendo-se a detalhes como a limpeza das sujeiras, o banho demorado, a medicação e, em especial, o carinho com que trata cada um deles. É assim que David aparece cuidando de duas mulheres com câncer, um idoso que acabara de sofrer um violento derrame e um rapaz com problemas motores. A dedicação de David nem sempre é compreendida pela família dos doentes. Ao ser surpreendido abraçando um deles, David é acusado, injustamente, de assédio sexual. Ao mesmo tempo, ele tenta se reconciliar com a filha Nadia (Bitsie Tulloch), fruto de um casamento desfeito. Ele também vive perturbado pelas recordações envolvendo um evento trágico ocorrido com seu filho, o que finalmente explica sua extrema dedicação aos doentes terminais. O filme é lento, sensação reforçada por longas cenas sem diálogos, e um tanto chocante ao mostrar o triste final de pessoas cuja única perspectiva é morrer sem sofrimento. O desfecho, abrupto e surpreendente, é perturbador. Não é um filme agradável de assistir, mas muito impactante. Mesmo numa atuação contida, o britânico Tim Roth mostra mais uma vez por que é considerado um dos melhores atores da atualidade. Aos 56 anos, Roth já trabalhou com grandes diretores, como Giuseppe Tornatore (no ótimo “A Lenda do Pianista do Mar”, de 1998), além de alguns filmes de Quentin Tarantino, como “Os Oito Odiados” e “Cães de Aluguel”.             

quinta-feira, 8 de junho de 2017

No dia 15 de abril de 2013, feriado nacional nos EUA (“Patriots Day”), um atentado terrorista durante a tradicional maratona de Boston matou 3 pessoas e deixou 264 feridas, muitas delas com os membros inferiores amputados. O evento trágico foi considerado o pior em solo norte-americano desde o 11 de setembro de 2001. O drama “O DIA DO ATENTADO” (“Patriots Day”), 2016, relembra em detalhes todo o episódio, desde as horas que o antecederam, o atentado em si e a posterior caçada aos terroristas. O diretor Peter Berg ( de “Horizonte Profundo: Desastre no Golfo” e do ótimo “O Grande Herói”), seguindo o roteiro escrito por ele mesmo em conjunto com Matt Cook e Joshua Zetumer, utilizou inúmeras cenas reais do momento da tragédia, algumas muito chocantes. Mas o aspecto mais destacado ficou por conta da caçada aos terroristas, identificados e presos 102 horas depois. Esse trabalho reuniu a polícia de Boston e agentes do FBI. Um grande galpão foi adaptado para concentrar toda a investigação, o que incluiu uma montagem de uma maquete gigante reproduzindo a rua onde as duas bombas explodiram. Tudo bem que o filme tem o tom patriótico típico dos filmes norte-americanos, o que não é demérito nenhum. O elenco é outro destaque: Mark Wahlberg (também um dos produtores), Kevin Bacon, John Goodman, J. K. Simmons e Michelle Monaghan. Filmaço!  

                                   

terça-feira, 6 de junho de 2017



“O IDEALISTA” (“IDEALISTEN”), 2015, Dinamarca, roteiro e direção de Christina Rosendahl. O filme resgata um fato não muito divulgado por aqui – não me lembro de ter lido ou ouvido falar do assunto. No dia 21 de janeiro de 1968, um bombardeiro B-52 norte-americano carregando ogivas nucleares caiu e explodiu próximo à base aérea dos EUA em Thule, na Groenlândia, naquela época um território da Dinamarca. A declaração oficial das autoridades dava conta de que realmente havia acontecido um acidente nuclear, mas a situação estava totalmente sob controle. Vinte anos depois, portanto em 1988, o jornalista dinamarquês Poul Brick (Peter Plaugborg) resolveu reabrir o caso. Brick vai fundo no assunto, entrevista os dinamarqueses que trabalhavam na base, muitos deles afetados por doenças causadas pelo acidente, e as autoridades encarregadas de investigar as causas da queda do avião e suas consequências. Ao fim de anos de trabalho, Brick chegará a uma conclusão que desagradará tanto o governo da Dinamarca quanto o dos EUA. O filme destaca os esforços de Brick para chegar a uma verdade que ele acreditava estar escondida durante décadas e que precisava ser revelada. Como se fosse um documentário em sua grande parte, o filme também reúne inúmeros vídeos, reportagens e entrevistas feitas após o acidente, muitos dos quais acabaram reforçando a tese abraçada pelo jornalista dinamarquês. O trabalho de Brick é considerado um dos mais importantes exemplos de jornalismo investigativo, o que por si só garante um ótimo entretenimento, principalmente para os estudantes de Comunicação. O filme foi exibido por aqui durante a 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2016.