“DOGMAN” –
2018, Itália, 1h39m, roteiro e direção de Matteo Garrone. Representante da
Itália na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, “Dogman” estreou
no 71º Festival de Cannes, em maio de 2018, sendo elogiado pelos críticos e
pelo público, além de ver premiado o ator Marcello Fonte com a Palma de Melhor
Ator. Uma conquista incrível, já que Fonte nunca foi ator. Na vida real, é
jardineiro num centro social em Roma. Sua atuação é impressionante, o maior
trunfo do filme. Ele interpreta Marcello, proprietário de um pequeno petshop (“Dogman”)
na periferia pobre da cidade de Castel Volturno, em Campânia, sul da Itália. Muito
querido pelos moradores do bairro, Marcello tem um carinho todo especial pelos cães
que recebe principalmente para dar banho e tosar. Com seu jeito bonachão,
ingênuo e simplório, ele costuma se submeter aos maus-tratos de Simone (Edoardo
Pesce), um ex-boxeador que vive aterrorizando o pessoal do bairro. Todo mundo
morre de medo do sujeito. Além de violento, Simone é viciado em cocaína e quem
fornece a droga a ele é justamente Marcello, que nunca recebeu um tostão por
isso. Quando cobrou, quase levou uma surra. O relacionamento de Marcello com
Simone é o mote da história. Como se fosse uma luta de boxe: Marcello apanha muito
durante 12 rounds, mas no 13º vira o jogo também de forma violenta. A caça vira
o caçador. Mais um ótimo filme do cineasta italiano Matteo Garrone, que já
havia nos brindado com os excelentes “Reality – A Grande Ilusão”, “O Conto dos
Contos” e, especialmente, “Gomorra”, ganhador do Grande Prêmio do Júri no
Festival de Cannes de 2008. Para escrever “Dogman”, Garrone se inspirou num crime
ocorrido nos anos 80 que chocou a Itália. Imperdível!
domingo, 2 de junho de 2019
sábado, 1 de junho de 2019
“15
MINUTOS DE GUERRA” (L’ INTERVENTION”), 2018, França, 1h38m, roteiro
e direção de Fred Grivois. A história, baseada em fatos reais, é ambientada em fevereiro
de 1976 na então colônia francesa de Djibut, na África Oriental. Terroristas
somalianos – a Somália faz fronteira com Djibut – sequestram, na capital Djibut
(mesmo nome do país), 21 crianças francesas que ocupavam um ônibus que as
levaria para a escola. Sua intenção era atravessar a fronteira, ingressar na
Somália e depois exigir da França a soltura de somalianos presos por atos
terroristas. Ao chegar perto da fronteira, porém, o ônibus encalha num banco de
areia. As forças armadas francesas cercam o local, mas não conseguem impedir
que Jane Anderson (a bela atriz ucraniana Olga Kurylenko), professora das
crianças, entre no ônibus para tentar salvá-las. Acaba também como refém. Diante
da situação caótica, o governo francês envia para Djibut uma força especial do
Groupe D’ Intervention de La Gendarmerie Nationale (GIGN) comandada pelo
capitão André Gerval (Alban Renoir). São homens treinados para atuar em missões
anti-terroristas e a reagir em situações com reféns, tanto na França como em
qualquer outro lugar do mundo. André e seus homens querem acabar logo com os
terroristas, mas o governo da França impede que eles entrem em ação antes de
tentar um acordo diplomático com a governo da Somália. Só que a tensão aumenta
quando chega a informação de que um ônibus estaria vindo da Somália para levar as crianças para o outro lado da fronteira. Aí
não dá mais para esperar. André Gerval resolve planejar e executar a missão de
resgate das crianças, tomando cuidado para que elas não sejam alvejadas. A
tensão domina o filme inteiro e o desfecho conta com ótimas cenas de ação,
muito bem executadas pelo diretor Grivois. O filme revela-se mais interessante
ainda por recordar uma história que estava esquecida no tempo. Recomendo!
sexta-feira, 31 de maio de 2019
“NO
PORTAL DA ETERNIDADE” (“AT ETERNITY’S GATE” – embora seja uma produção
francesa, o título original ficou em inglês), 2018, direção e roteiro do
cineasta norte-americano Julian Schnabel. A história, baseada em fatos reais,
acompanha os dois últimos anos de vida do pintor holandês Vincent Van Gogh
(Willem Dafoe), ou seja, a partir de 1888 até sua morte em 1890. Com seu
trabalho rejeitado por grande parte das galerias de arte de Paris, Van Gogh, a
conselho de seu amigo e mentor Paul Gauguin (Oscar Isaac), segue para o sul da
França, mais especificamente para as aldeias de Arles e Auvers-Sur-Oise – suas despesas
eram bancadas por seu irmão Theo Van Gogh (Rupert Friend). Em contato direto
com a Natureza, o pintor holandês viverá o seu período mais prolífico, quando
criou inúmeras obras importantes. Ao mesmo tempo, porém, começará a apresentar
sintomas de demência e depressão, fatores que o levaram a cortar a própria orelha.
A arte de Van Gogh só seria reconhecida muitos anos após sua morte – o pintor
morreu na pobreza. O diretor Julian Schnabel, que além de cineasta é um
renomado pintor, reconhecido como um dos mais importantes nomes do
neo-expressionismo atual, fez questão de explicar a arte e o pensamento de Van
Gogh através de longos e esclarecedores diálogos principalmente com seu amigo Paul Gauguin, com
o dr. Paul Gachet (Mathieu Amalric), seu médico no sanatório, e ainda com o
padre (Mads Mikkelsen) responsável por sua avaliação psicológica. Como podem
perceber, um elenco de luxo, que conta ainda com Niels Arestrup, Lolita
Chammah, Vincent Perez, Emmanuelle Seigner e Anne Consigny. Lembro ainda que
Schnabel também dirigiu filmes importantes como “O Escafandro e a Borboleta”,
“Antes do Anoitecer”, “Miral” e Basquiat – Traços de Uma Vida”. No caso de “No
Portal da Eternidade”, Schnabel talvez tenha realizado o melhor e mais interessante filme sobre o
famoso e polêmico pintor holandês. Imperdível!
quinta-feira, 30 de maio de 2019
“BIGGER
– THE JOE WEIDER STORY” (o filme não chegou até aqui e, portanto,
ainda não há uma tradução para o título), 2018, EUA, 108 minutos, direção de
George Gallo, com roteiro do próprio com a colaboração de Ellen Brown Furman,
Brad Furman e Andy Weiss. Afinal, quem é esse tal de Joe Weider? Pois foi ele,
ao lado do irmão Ben Weider, quem criou o movimento de fisiculturismo e a
prática do fitness. Foi ainda um dos pioneiros na montagem de academias de
ginástica, além de fundador da Federação Internacional de Fisicultura e Fitness
(IFBB). Joe Weider ficaria ainda mais conhecido por ter descoberto e levado
para os Estados Unidos, no início dos anos 70, o austríaco Arnold Schwarzeneger
para competir no “Mr. Olympia”, famosa competição internacional de
fisiculturismo. Schwarzeneger ganhou e poucos anos depois estava em Hollywood. “Bigger”
acompanha a trajetória dos irmãos Weider desde os anos 40, quando moravam com a
família de poucos recursos em Montreal (Canadá). Ainda jovens, foram para Nova
Iorque atrás de novas oportunidades de trabalho. Joe resolveu editar uma
revista sobre fisiculturismo e logo se transformou num grande empresário, uma
verdadeira celebridade no mundo dos negócios e dos esportes. “Bigger” conta toda essa incrível história de pioneirismo
e empreendedorismo. O elenco conta com Tyler Hoechlin (Joe Weider), Aneurin
Barnard (Ben Weider), a estonteante Julianne Hough (Betty Weider), Kevin Durand
(Bill Hauk) e Calum Von Moger (Schwarzeneger), australiano eleito Mr. Universo
em 2014. Embora com alguma maquiagem, a semelhança com o jovem Schwarzeneger é impressionante.
Enfim, o filme é ótimo, tem uma primorosa recriação de época e, repito, uma
história bastante interessante que vale a pena ser conhecida.
terça-feira, 28 de maio de 2019
“O
PESO DO PASSADO” (“Destroyer”), 2018, Estados Unidos, 2h3m,
roteiro de Phil Hay e Matt Manfredi, direção de Karyn Kusama (diretora de
origem japonesa nascida no Tio Sam, conhecida por ter assinado filmes como “Aeon
Flux”, “Boa de Briga” e “Garota Infernal” – fracos, aliás). “O Peso do Passado”
conta a história de Erin Bell (Nicole Kidman), uma policial veterana que não consegue
se livrar de um trauma do passado. Vive bêbada e sua aparência é tão horrível
que lembra mais um zumbi (uma Nicole Kidman transfigurada como nunca se viu). Quando
ainda era uma novata na polícia, ela conseguiu se infiltrar numa gangue de
assaltantes de banco juntamente com seu parceiro Chris (Sebastian Stan). Num
dos assaltos em que eles também participariam, a coisa foge do controle e acaba
em tragédia, culminando com a descoberta, pelos bandidos, das suas verdadeiras identidades.
Dezoito anos depois, ainda traumatizada por aquele episódio trágico, Erin recebe
a informação de que Silas (Toby Kebbell), o antigo chefe da gangue, voltou a
agir. Pronto, ela fica obcecada por se vingar e vai atrás dele e de seus
comparsas. Em meio à investigação, Erin ainda enfrenta problemas com sua filha
adolescente, Shelby (Jade Pettyjohn), de 16 anos, que insiste em namorar um
tipo marginal. Li que o filme foi feito para Nicole ganhar seu segundo Oscar (o
primeiro foi por “As Horas”, em 2002). Vamos aguardar... De qualquer forma, é realmente Nicole quem carrega o filme nas costas.
domingo, 26 de maio de 2019
“CAFARNAUM”
(“CAPHARNAÜM”), 2018, Líbano, duração de duas horas, terceiro
longa-metragem escrito e dirigido por Nadine Labaki. Impactante drama centrado no
garoto Zain (Zain Al Rafeea), de 12 anos, que mora com a numerosa família num
subúrbio de Beirute, onde o cenário é de grande pobreza, com desempregados, crianças
famintas, bebês abandonados e refugiados numa situação de miséria. A diretora
Labaki não economizou no drama e no realismo, mas conseguiu realizar um filme muito sensível e comovente. Logo que sua irmã preferida Sahar (Haia Izzan), de apenas
11 anos, é prometida e entregue para casar com um homem muito mais velho, Zain
se revolta e resolve sair de casa. Passa a morar nas ruas. É quando conhece
Rahil (Yordanos Shiferaw), uma refugiada etíope que mora com o filho num
casebre caindo aos pedaços num bairro onde vivem centenas de imigrantes
ilegais. Para Rahil trabalhar como faxineira num parque de diversões, Zain se
oferece para cuidar do bebê e ajudar no sustento de mãe e filho. Um dia, porém,
ao realizar uma visita à família que abandonou, Zain recebe uma trágica notícia
que o fará tomar uma atitude extrema, sendo preso, julgado e condenado por
cinco anos – lá no Líbano, a lei é dura para menores infratores. Lançado durante
a programação oficial do 71º Festival de Cannes, “Cafarnaum” disputou a Palma
de Ouro e conquistou o Prêmio do Júri. Ganhou ainda o Prêmio de Melhor Filme
Estrangeiro no “César” (o Oscar francês), o Prêmio de Público da 42ª Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo, além de ter sido indicado ao Oscar 2019
como Melhor Filme Estrangeiro, ficando entre os cinco finalistas. Mais um belo
filme da cineasta e atriz libanesa Nadine Labaki (além de competente, é
linda – ela aparece no filme como a advogada de Zain), que já havia nos
brindado com pequenas obras-primas como “Caramelo” (2007) e “E Agora, Onde Vamos?”
(2011). Informação adicional: Cafarnaum era uma cidade bíblica que ficava na
margem norte do Mar da Galileia. “Cafarnaum” é mais um filme para se escrever
IMPERDÍVEL com letras maiúsculas. E exclamar: “Viva o Cinema!”.
sábado, 25 de maio de 2019

quarta-feira, 22 de maio de 2019
“A
BUSCA DE CHARLOTTE” (“The Stoler”), 2017, Inglaterra, 98 minutos,
direção de Niall Johnson, que também assina o roteiro com Emily Corcoran
(atriz que também atua no filme). Se você pensa que o faroeste hostil só
existiu nos Estados Unidos, reveja seus conceitos. A distante Nova Zelândia,
principalmente na segunda metade do século 19, também teve seus bandidos
mascarados, índios (os maoris), aventureiros em busca de ouro, traficantes e saloons, socos e tiros. E até mineiros chineses, veja só. E ainda mocinho e bandido. No caso, mocinha e bandido. Esta produção
inglesa, ambientada em 1860, conta a jornada corajosa e heroica de Charlotte Lockton (a bela
e competente atriz Alice Eve), de uma família da alta aristocracia inglesa que
foi para a Nova Zelândia casar com um rico fazendeiro. Num certo dia, bandidos
mascarados assaltam a fazenda, matam o marido de Charlotte e sequestram seu
filho ainda bebê. Meses depois, ela recebe uma carta do sequestrador pedindo uma
vultosa soma como resgate. Charlotte, sem ajuda de ninguém, segue uma pista que
a leva a uma longínqua e inóspita região, frequentada por gente da pior
espécie. Nesse lugar, ela descobre quem matou seu marido e sequestrou seu
filho. O problema é enfrentá-lo e aos seus capangas. Não lembro de ter
assistido algum faroeste ambientado na Nova Zelândia. Por esse ineditismo e como
filme de ação, “A Busca de Charlotte” até que vale uma sessão da tarde com
pipoca. Tem lá seus momentos de suspense e, repito, a bela Alice Eve.
terça-feira, 21 de maio de 2019
“UNA”, 2016, Inglaterra, 1h34m,
roteiro e direção do australiano Benedict Andrews. Em sua estreia como
roteirista e diretor – é mais conhecido como diretor de teatro -, Andrews conseguiu
fazer um filme romanceado, embora o pano de fundo da história seja a pedofilia,
abuso sexual e estupro. Na verdade, o filme é baseado na peça de teatro “Blackbird”,
escrita pelo dramaturgo escocês David Harrower, que se inspirou num caso de um estupro
cometido em 2003 pelo ex-fuzileiro norte-americano Toby Studebaker, que sequestrou
e abusou de uma menina de 12 anos, acabando na prisão por quatro anos. No
filme, a adaptação da peça teatral ganhou uma nova abordagem, aliviando um
pouco a conotação de crime sexual. A adolescente Una (Ruby Stokes), de 13 anos,
é abusada sexualmente por um homem bem mais velho, Ray (o ator australiano Ben Mendelsohn),
seu vizinho e, pior, amigo de seu pai. O caso vai parar na polícia, e Ray vai
para a cadeia por quatro anos. Quando sai da prisão, resolve mudar o nome para
Peter. Quinze anos depois, Una (agora interpretada por Rooney Mara) reencontra
Ray/Peter, que está casado e tem uma filha. Ela quer discutir a antiga relação,
talvez se vingar, num acerto de contas? Nessa parte, o diretor Andrews carrega
no suspense. Una vai até a fábrica onde Ray/Peter trabalha, tumultua o ambiente
e o deixa na maior “saia justa” perante os seus colegas de trabalho. Como
terminará a história? Haverá algum corpo estendido no chão? Não vou dar a
resposta, que você só terá assistindo. Devo recomendar? Dúvida cruel...
domingo, 19 de maio de 2019
“O
FAVORITO” (“The Front Runner”), EUA, 2018, produção da Sony
Pictures (no Brasil, foi lançado nas plataformas digitais no dia 24 de abril de
2019), 1h54m, direção de Jason Reitman, que também assina o roteiro juntamente
com Jay Carson. Baseado em fatos reais, o filme conta a história da ascensão e
queda do político norte-americano Gary Hart na década de 80. Senador pelo
Colorado, Hart disputou a indicação do Partido Democrata para disputar a presidência
dos EUA em 1984, perdendo para Valter Mondale. Quatro anos depois, volta a
concorrer e logo passa a ser o grande favorito, mas um escândalo sexual
revelado pelo jornal Miami Herald resulta na sua desistência. O filme, inspirado
no livro “All The Truth is Out: The Week Politics Went Tabloid”, escrito em
2014 pelo jornalista Matt Bai, aborda os bastidores da campanha de Hart (Hugh
Jackman), a rotina árdua e estressante de sua equipe de trabalho comandada por
Bill Dixon (J. K. Simmons) e o relacionamento com sua esposa Oletha “Lee” Hart
(Vera Farmiga). O filme também retrata, com muita competência, a cobertura da
campanha por parte da imprensa, as reuniões de pauta e como trataram da
divulgação do caso que Hart mantinha com Donna Rice (Sara Paxton). A direção e
o roteiro merecem um destaque especial. A ação transcorre num ritmo quase
alucinante, de prender a respiração. Enfim, mais um gol de placa do jovem
diretor Jason Reitman, de apenas 41 anos, que já mostrara sua competência como
roteirista e diretor em filmes como “Juno”, “Amor sem Escalas”, “Obrigado por
Fumar” e “Tully”. Resumo da ópera: um thriller
político da melhor qualidade. Imperdível!

quarta-feira, 15 de maio de 2019

terça-feira, 14 de maio de 2019
“A
MELODIA” (“La Mélodie”), 2017, França, 1h42m, direção de Rachid Hami,
que também assina o roteiro em conjunto com Guy Laurent e Valerie Zenatti. É o
segundo longa-metragem dirigido por Hami (o primeiro foi “Choisir D’Aimer, de
2008). Vamos à história de “A Melodia”. O violinista profissional Simon Daoud
(Kad Merad), integrante de um conceituado quarteto clássico de câmara, aceita o
desafio de ensinar crianças de uma escola municipal a tocar violino. Os alunos
são todos filhos de imigrantes, a maioria pobres – o diretor Rachid Hami é argelino.
Aos poucos, Daoud consegue “domar” os mais revoltados, e até descobrir, entre
eles, um talento nato. Trata-se de Arnold (Alfred Renely), que cai nas graças
do professor por sua dedicação nos estudos de violino – para não incomodar os
vizinhos, ele treina no telhado do prédio onde mora. O objetivo ousado do treinamento
de Daoud é levar os seus alunos para tocar no concerto de final de ano com a
Filarmônica de Paris. O filme foi inspirado no Projeto Démos, iniciativa
patrocinada pela Filarmônica de Paris. Todos os alunos do filme, na faixa entre
12 e 13 anos, são atores amadores e foram selecionados em escolas municipais parisienses.
O filme nos reserva momentos de grande sensibilidade e comoventes. Já me
emocionei numa das cenas iniciais, quando o professor Daoud toca para seus
alunos o Concerto para Violino de Tchaikovsky, uma das peças mais bonitas da
música clássica e trilha sonora do maravilhoso filme “Le Concert”, de 2009. “A
Melodia” é um filme indicado para quem gosta de música clássica e se emociona
com a participação de crianças. E também para o público em geral, pois é bastante emocionante.
domingo, 12 de maio de 2019
“BOY
ERASED: UMA VERDADE ANULADA” (“Boy Erased”), 2018, EUA,
1h55m, segundo longa-metragem escrito e dirigido pelo ator, roteirista e
diretor australiano Joel Edgerton. Trata-se de um drama espinhoso e polêmico: a
cura gay. A história é baseada no livro autobiográfico de Garrard Conley, que
na juventude foi encaminhado pelo pai, um pastor da Igreja Batista, para uma
organização intitulada “Amor em Ação”, cujo principal objetivo era converter jovens
que tivessem tendências homossexuais. No filme, o jovem chama-se Jared Eamons
(Lucas Hedges), seu pai é o pastor Marshal Eamons (Russell Crown, enorme de
gordo) e a mãe é Nancy Eamons (a ainda bela e excelente atriz Nicole Kidman). O
líder da organização “Amor em Ação” é Victor Sykes (Edgerton). Juntamente com
outros jovens, Jared é submetido a uma espécie de lavagem cerebral, com
intimidação psicológica e religiosa. Poucos aguentam a pressão. Claro que o tema
é bastante polêmico e seu lançamento nos cinemas dos Estados Unidos, no final de
2018, após estrear no Festival de Toronto, em setembro de 2018, foi um
verdadeiro fracasso de bilheteria. Talvez por isso o filme teve seu lançamento cancelado
nos cinemas daqui (estava previsto para o dia 31 de janeiro de 2019). Segundo a
Universal Pictures, por “motivos comerciais”. Chegou apenas em abril, mas em
DVD. Deixando de lado toda essa polêmica, é um filme interessante de assistir.
Recomendo.

sexta-feira, 10 de maio de 2019
“RIVER RUNS RED” (como
ainda não foi exibido por aqui, não ganhou nenhuma tradução; o título, na
tradução literal, ficaria “Rio Corre Vermelho”), 2018, EUA, 1h34m, roteiro e
direção de Wes Miller. O juiz de Direito Charles Coleman (Taye Diggs) é surpreendido
com uma notícia nada agradável. Seu filho foi assassinado por dois policiais,
Von (Luke Hemsworth) e Rory (Gianni Capaldi). Segundo o relatório oficial, ele
teria reagido à abordagem dos policiais. Logo de cara, nos é apresentada a cena
do crime, “preparada” pelos assassinos: uma arma na mão do garoto. Inconformado
e crente que tudo não passou de uma armação, o juiz Coleman tenta convencer as
autoridades municipais de que seu filho não portava arma nenhuma e que foi assassinado
friamente. Como não houve uma resposta satisfatória à sua indignação, o juiz resolve então investigar o caso pessoalmente, até descobrir uma
evidência amplamente favorável à inocência do seu filho. Ou seja, a arma “plantada”
já havia sido utilizada pelos policiais em outro assassinato semelhante, desta vez o do filho de Javier (George Lopez), um imigrante dono de uma oficina mecânica.
Como não há uma resposta concreta da polícia, os dois pais resolvem fazer
justiça com as próprias mãos. Destaque negativo foi constatar no elenco a
figura do ator John Cusack numa ponta – na verdade, uma pontinha – pra lá de
constrangedora. Cusack, de 52 anos, que foi protagonista de ótimos filmes, como
“Alta Fidelidade” e “Matador em Conflito”, entre tantos outros, não merecia um
final de carreira tão triste e frustrante. Pior é que nos materiais de divulgação
seu nome aparece com destaque, o que pode configurar propaganda enganosa. O filme
é fraco e certamente não será exibido por aqui no circuito comercial. De
repente, aparece numa sessão da tarde qualquer. Se aparecer mesmo, pode
dispensar.
quarta-feira, 8 de maio de 2019
“VICE”, 2018,
EUA, 2h14m, roteiro e direção de Adam Mckay. Trata-se de um filme biográfico
baseado na figura de Dick Cheney, que fez carreira no governo norte-americano
começando como chefe de gabinete da Casa Branca nos anos 70 e depois como Secretário da
Defesa de 1989 a 1993, culminando com a vice-presidência na chapa de George W.
Bush, cargo que ocupou com grande desenvoltura e com poderes especiais,
principalmente nas questões de política externa e gestão militar – articulou,
por exemplo, a estratégia para a invasão do Iraque em represália aos atentados
de 11 de setembro de 2001. Cheney provou que ser vice nem sempre é um cargo
decorativo. E o roteiro de Mckay deixa bem claro que ele mandava mais que o
Bush filho. O filme foi realizado de modo a reunir fatos históricos, bastidores
do governo norte-americano e a ascensão vertiginosa de Cheney. Mesmo que o contexto seja sério, Mckay acrescentou uma grande dose de humor ácido e sátira,
numa edição dinâmica e com ritmo alucinante. Um verdadeiro show cinematográfico,
baseado num primoroso e criativo roteiro. O filme recebeu 8 indicações ao Oscar
2019: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Edição, Ator, Atriz Coadjuvante,
Ator Coadjuvante e Melhor Maquiagem e Cabelo – só conquistou a estatueta nesta
última categoria. Uma pena e uma grande injustiça. Eu daria o Oscar para Melhor
Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Original, no mínimo. O elenco é um
destaque à parte: Christian Bale como Dick Cheney (divulgaram que o ator
engordou mais de 20 quilos para o papel, o que duvido; acredito mais que tenha
havido enchimento das roupas e uma maquiagem pesada; em todo caso, Bale está
sensacional), Steve Carell como Donald Rumsfeld, um político de carreira que
teve um grande prestígio na Casa Branca; Amy Adams como Lynne Cheney; e Sam
Rockwell como o presidente Bush filho, compondo o personagem de uma forma bastante
caricatural. O diretor Adam Mckay, que já tinha em seu currículo bons filmes
como “A Grande Aposta” e “Tudo por Um Furo”, fez mais um gol de placa com “Vice”,
um dos melhores filmes dos últimos anos. Como informação adicional, lembro que
entre os produtores estão os astros Brad Pitt e Will Ferrell, o que dá a ideia
do prestígio do diretor. Não perca de jeito nenhum!
domingo, 5 de maio de 2019
“OBLAWA”, 2012,
Polônia, 1h36m, roteiro e direção de Marcin Krzysztalowicz. Mais um episódio
ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, desta vez na Polônia. O ano é
1943. A história é centrada em Otter (Marcin Dorocinski), um soldado que aderiu
à resistência polonesa contra as tropas alemãs que ocupavam o país. Otter era
encarregado de eliminar não só os alemães como também matar os poloneses que
colaboravam com os nazistas. Podia ser amigo ou não, ele assassinava com uma
frieza incrível. O filme inteiro acontece no cenário do acampamento da resistência na
floresta e mostra as dificuldades enfrentadas pelos soldados, que muitas vezes nem
tinham o que comer. Para escrever o roteiro, o diretor Krzysztalowicz se
inspirou nas memórias de seu pai, que pertenceu à resistência polonesa. É a ele
que o cineasta dedica este filme, conforme consta nos créditos finais. “Oblawa”
estreou durante a programação oficial do Festival de Cinema de Gdynia (o Oscar polonês),
sendo premiado pelo Polish Film Awards como Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor
Design de Som e Melhor Edição de Som. Fora da Polônia, foi exibido pela
primeira vez no Montreal World Film 2012. O filme não é muito agradável de
assistir. É violento, um tanto arrastado, mas bastante impactante. Vale pelo
registro histórico.
“MENINO
BONITO” (“Beautiful Boy”), 2018, EUA, duração de 2 horas, direção
de Felix Van Groeningen. Um sensível e comovente drama centrado na luta de um
pai para livrar o filho mais velho das drogas. É baseado em fatos reais, descritos
nos livros “Beautiful Boy”, de David Sheff (o pai), e “Tweak”, de Nic Sheff (o
filho viciado), adaptados pelo roteirista Luke Davies. No filme de Van
Groeningen, David Sheff é interpretado por Steve Carrell e Nic pelo jovem ator
Timothée Chalamet, responsáveis por grandes atuações (Chalamet foi indicado ao
Globo de Ouro). David Sheff é um jornalista conceituado, colaborador da Revista
Rolling Stone e do New York Times. Seu filho Nic, do primeiro casamento com Vick
(Amy Ryan), entra nas drogas e acaba se viciando em cocaína, anfetaminas e heroína.
Triste ver um menino tão bonito e simpático cair nesse precipício. Aqui vale
destacar o ótimo trabalho desse jovem ator de 23 anos de idade, descendente de
família francesa, Timothée Chalamet, que já havia demonstrado enorme
competência em filmes como “Me Chame pelo seu Nome” e “Lady Bird: A Hora de
Voar”, ambos de 2017. Steve Carrel também dá show de interpretação como o pai
inconformado com a situação do filho. Seu personagem chega a experimentar
drogas para tentar entender o vício de Nic. Embora com uma elevada carga
dramática, “Menino Bonito” reserva momentos de extrema sensibilidade e muitos
deles comoventes, reforçando sua qualidade como adaptação para o cinema. Importante
também destacar o trabalho do diretor belga Felix Van Groeningen em sua estreia
no cinema norte-americano. Van Groeningen foi responsável por “Alabama Monroe”,
de 2012, um filme também espetacular que representou a Bélgica na disputa do Oscar
de Melhor Filme Estrangeiro. Resumo da ópera: “Menino Bonito” é imperdível!
quinta-feira, 2 de maio de 2019

terça-feira, 30 de abril de 2019

domingo, 28 de abril de 2019
“PRAÇA
PÚBLICA” (“Place Publique”), 2018, França, 1h39m, quinto longa-metragem
dirigido pela atriz, roteirista e cineasta Agnès Jaoui. Mais uma vez, ela
contou com a colaboração, no roteiro e no elenco, do ator Jean-Pierre Bacri, com
o qual foi casada até 2012. Como é do estilo de Jaoui, “Praça Pública” é uma
comédia de costumes, gênero que é especialidade do cinema e do teatro franceses
– lembrando que foi Moliére quem inventou o gênero. Em “Praça Pública”, toda a
trama acontece durante a festa de inauguração da nova casa (open house) de Nathalie (Léa Drucker),
uma bem-sucedida empresária do mundo artístico parisiense. A casa está situada
nos arredores de Paris e Nathalie convida meio-mundo da nata artística
parisiense, incluindo várias celebridades. O convidado mais badalado é Castro (Jean-Pierre
Bacri), um famoso apresentador de TV, em torno do qual gravitam,
além dos bajuladores habituais, sua ex-mulher Hélène (Agnès Jaoui), sua filha
escritora Nina Meurisse) e sua atual namorada Vanessa (Helena Noguerra). Entre
caçadores de autógrafos, tipos esquisitos e excêntricos, gente querendo
aparecer, brigas de casais, um vizinho furioso e uma garçonete que, em vez de
servir, fica fazendo selfies com as
celebridades, o filme transcorre com muito humor até o final inusitado. Assim
como foi inusitado o começo, com uma cantora francesa – não descobri qual, mas
acho que foi Jacqueline François – cantando “Garota de Ipanema”. Se é ela
mesmo, a gravação é de 1964. “Praça Pública” foi exibido na programação oficial
do 20º Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em novembro de 2018.
Resumo da ópera: trata-se de mais um bom filme de Agnès Jaoui. Uma comédia bem
divertida e inteligente.
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