“LETRAS
DA MORTE” (“HANGMAN”),
2017, EUA, direção de Johnny Martin e roteiro da dupla Charles Huttinger e
Michael Caissie. Trata-se de um suspense policial que tem como maior atrativo a
presença de Al Pacino como o detetive aposentado Ray Archer, que volta à ativa
para ajudar o detetive Will Ruiney (Karl Urban) nas investigações para
descobrir a identidade do serial killer
responsável por várias mortes. O assassino é brincalhão, pois além de enforcar
as vítimas, desenha do lado uma forca com aqueles espaços para colocar as
letras. Como os crimes ganharam repercussão, a jornalista Christ Davies
(Brittany Snow) é autorizada pelo comando da polícia a acompanhar os detetives aos
locais dos crimes e nas investigações. Este é o quinto filme dirigido por
Johnny Martin, mais conhecido em Hollywood por ter trabalhado como stuntman (dublê) em inúmeros filmes de ação. Tudo bem que “Hangman” não é
nenhuma maravilha, mas dá para ver sem exigir muito dos neurônios. Como
informação adicional, acrescento que o filme ganhou um zero bem redondo do
pessoal do site Rotten Tomatoes, especializado em críticas de cinema e TV. A
opção é sua.
terça-feira, 15 de maio de 2018
domingo, 13 de maio de 2018
“O
ESTRANGEIRO (“THE FOREIGNER”),
2017, é uma coprodução China/Inglaterra reunindo dois grandes astros do cinema atual:
Jackie Chan e Pierce Brosnan. É um filme de muita ação, explosões, perseguições
e pancadaria. O empresário chinês naturalizado inglês Quan Ngoo Minh (Chan),
dono de um restaurante em Londres, passa o filme inteiro tentando descobrir os autores
do atentado à bomba que matou sua filha. Assumiu a autoria uma organização
terrorista irlandesa. Para conseguir o seu objetivo, Quan pressiona o
vice-ministro da Irlanda, Liam Henessy (Brosnan), a fornecer alguma pista. O
chinês é “osso duro de roer” e vai fazer da vida de Henessy um verdadeiro
inferno. A história é baseada no livro “The Chinaman”, escrito por Stephen
Leather e adaptado para o cinema pelo roteirista David Marconi. O filme é
dirigido por um especialista em filmes de ação, o neo-zeolandês Martin Campbell,
o mesmo de dois filmes da franquia James Bond, “GoldenEye” e “Casino Royale”,
além de “A Lenda do Zorro” e “O Fim da Escuridão”. Serve para uma sessão da
tarde com pipoca.
“HABI,
A ESTRANGEIRA” (“Habi, La Extranjera”), 2013, Argentina/Brasil (um dos produtores é o nosso
diretor Walter Salles, além da participação da atriz Maria Luisa Mendonça).
Trata-se do primeiro longa-metragem escrito e dirigido por María Florencia
Álvarez, mais conhecida na Argentina como diretora de curtas. A história é
centrada na jovem Analía (Martina Juncadella), de 20 anos de idade, que viaja
de sua pequena cidade no interior da Argentina para a capital Buenos Aires com
o objetivo de entregar algumas peças de artesanato. Ao tentar encontrar o
endereço para entregar mais uma peça, ela entra por engano numa casa onde transcorre
um velório muçulmano. Como foi bem tratada e recebida com carinho, ela resolve
ficar e acaba participando das orações. A jovem gostou do ambiente e das pessoas
e passa a frequentar a comunidade muçulmana, querendo aprender árabe e conhecer
a religião, além de adotar alguns hábitos das mulheres, como, por exemplo, o
uso do chador. Para ser melhor recebida, ela adota o nome de Habiba Rafat e diz
para todo mundo que nasceu no Líbano. Dessa forma, uma viagem que seria um “bate-e-volta”
transforma-se numa estadia de vários dias. Mesmo sem dinheiro, ela consegue
alugar um quarto numa pensão espelunca, onde conhece Margarita (Maria Luisa
Mendonça), uma brasileira radicada na Argentina e que vive às turras com o
namorado cafajeste argentino. Claro que nem tudo será um mar de rosas,
principalmente depois que ela conhece um jovem muçulmano e se apaixona. Enfim,
um filme apenas interessante, mas longe de merecer uma recomendação
entusiasmada.
quinta-feira, 10 de maio de 2018
Existem alguns bons motivos para
assistir “THE FORGIVEN” (na tradução
literal para o português, “O Perdoado”, mas não sei será traduzido assim por
aqui), 2017, Inglaterra. O principal deles é a história em si, baseada em fatos
reais, ou seja, o período pós-Apartheid na África do Sul, quando o presidente
eleito Nelson Mandela constituiu a Comissão de Verdade e Reconciliação, com o
objetivo de julgar os crimes cometidos entre 21 de março de 1960, quando houve
o famoso massacre de Sharpeville, e 10 de maio de 1994, dia da posse de
Mandela. O Arcebispo Desmond Tutu foi encarregado de presidir a Comissão. Nos
julgamentos, as famílias das pessoas assassinadas, geralmente por motivos
racistas, eram colocadas frente a frente com os assassinos (geralmente policiais do antigo regime), resultando excelentes
cenas para o filme. Numa delas, a mãe de uma jovem que havia sido brutalmente
morta encara o assassino, fala poucas e boas e no fim acaba o perdoando, num
dos momentos mais tocantes do filme. Outro bom motivo é a presença de dois
ótimos atores, Forest Whitaker como Desmond Tutu, e Eric Bana como Piet
Blomfield, um assassino cruel sentenciado à prisão perpétua. Outro fator que
merece destaque é o trabalho do experiente roteirista e diretor inglês Roland
Joffé, responsável por clássicos como “Os Gritos do Silêncio” (1984), “A Missão”
(1986), e “Vatel – Um Banquete para o Rei” (2000), entre tantos outros. Ao
elaborar “The Forgiven”, Joffé baseou-se na peça “The Archbishop and The
Antichrist”, escrita por Michael Ashton, que também colaborou com o roteiro. Enfim,
estão aí expostos os motivos para você curtir esse excelente filme, que estreou,
com elogios, durante o Festival de Cinema de Londres/2017.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
“UMA
ESPÉCIE DE FAMÍLIA” (“Una Especie de Familia”), Argentina, 2017, roteiro e direção de
Diego Lerman. Trata-se de um drama (dramalhão, na verdade) centrado na médica
Malena (Bárbara Lennie), que, depois de perder um filho na fase de gestação, resolve
adotar um bebê. Ela consegue a doação por intermédio de uma moça de família
pobre que mora num vilarejo da província de Misiones, a 800 km de Buenos Aires.
Tudo acertado, Malena ruma para acompanhar o parto de Marcela (Yanina Ávila), a tal mãe que concordou em doar a criança. Depois que o bebê nasce, porém, a família de Marcela surpreende com a
decisão de entregar o bebê se a médica pagar 10 mil dólares. Além disso, quer
que o marido de Malena, Mariano (Claudio Tolcachir), assuma a paternidade do
bebê e o registre em seu nome. Imbróglio formado, resta a Malena conseguir o
dinheiro e ainda convencer o marido a assinar o termo de paternidade. A situação
engrossa de vez e mais não dá para contar porque o que vai acontecer talvez
seja difícil de adivinhar. Deixo esse suspense para o espectador. O filme vale
principalmente pela ótima atuação da bela e competente atriz espanhola Bárbara
Lennie, que trabalhou sob a direção de Pedro Almodóvar em “A Pele que Habito”,
além de ter participado do elenco do “Mel com Laranjas”. Mas a atuação que mais
surpreende é a da estreante Yanina Ávila como a mãe biológica da criança. O
filme foi exibido por aqui durante a 41º Mostra Internacional de Cinema de São
Paulo, em outubro de 2017.
domingo, 6 de maio de 2018
Confesso de cara que não foi fácil
resistir até o final das 2h7min de duração do drama romeno “ANA, MON AMOUR”, 2017, escrito
e dirigido por Calin Peter Netzer, o mesmo diretor do ótimo “Instinto Materno”.
A história é baseada no livro “Luminita, Mon Amor”, escrito por Cezar Paul-Bädescu
(que também colaborou na elaboração do roteiro). O tédio já começa com dois
estudantes de filosofia discutindo Nietzsche. Dessa forma erudita é que começa
o romance entre Ana (Diana Cavallioti) e Toma (Mircea Postelnicu). A partir
daí, o filme acompanha a relação tumultuada entre os dois durante muitos anos
depois. Ana é uma mulher depressiva crônica, tem ataques de ansiedade e pânico
e é emocionalmente perturbada, talvez porque tenha sido estuprada pelo padrasto
quando era adolescente – pelo menos é o que o filme dá a entender. Toma é
inseguro, também depressivo, fuma sem parar e se entrega totalmente aos
defeitos de Ana, que se transforma numa obsessão para ele ao longo dos anos em que ficam juntos. Para aguentar o
tranco, Toma se submete a sessões de psicanálise mostradas ao espectador de
forma bastante tediosa. Um aviso importante para quem se sujeitar a acompanhar esse
drama: tire as crianças da sala, pois tem cenas de nú frontal e de sexo explícito,
aliás, de muito mau gosto. Outra cena que choca é aquela em que Toma é obrigado
a limpar as sujeiras de Ana depois de um surto. A cena que achei mais
interessante, porém, é aquela em que os editores do jornal em que Toma trabalha discutem
a pauta da próxima edição. A ideia é colocar, como destaque, uma entrevista com
o escritor brasileiro Paulo Coelho. Toma é contra, dizendo que Coelho não é bom
escritor e que, por isso, não merece destaque, ao que foi contestado pelo
editor-chefe, que defende a entrevista dizendo que nenhum escritor no mundo
vende tanto quanto Paulo Coelho. O filme estreou no 67º Festival de Berlim e
foi exibido por aqui durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo,
em outubro de 2017.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
“A
FILHA” (“The Daughter”),
2015, Austrália, estreia do ator suíço Simon Stone como roteirista e diretor.
Para escrever a história, ele se baseou na peça “O Pato Selvagem”, escrita pelo
dramaturgo norueguês Henrik Ibsen em 1884. Não conheço a peça de Ibsen para
poder analisar melhor sua adaptação para o cinema, mas não deve ter sido uma
tarefa muito fácil, tendo em vista a forte carga emocional e dramática que
envolve os personagens do começo ao final do filme. Talvez por isso mesmo,
Stone escalou um excelente elenco: Paul Schneider, Geoffry Rush, Miranda Otto,
Ewen Leslie, Anna Torv, Odessa Young e Sam Neil. Mas vamos à história: ao
retornar à cidade natal para o casamento do pai (Rush) com uma ex-empregada da
casa (Anna Torv), Cristian (Schneider) é surpreendido com o fora dado por
telefone pela sua noiva. Ele entra em depressão e acaba se encrencando com o pai,
um homem prepotente que não admite ser contrariado. A situação acaba piorando,
e muito, depois que Cristian descobre um antigo segredo envolvendo o próprio
pai e Charlotte (Miranda Otto), esposa do amigo Oliver. As verdades lançadas no
ventilador atingirão todo mundo, principalmente a jovem Hedvig (Odessa), filha
de Charlotte e Oliver. É drama que não acaba mais. Achei que a interpretação à
beira da histeria acabou constrangendo alguns atores. Vejam e comprovem.
quarta-feira, 2 de maio de 2018
O drama nacional “COMO NOSSOS PAIS” é o quarto longa-metragem escrito e dirigido
pela diretora Laís Bodanksy. A história é centrada na personagem Rosa (a ótima
Maria Ribeiro), uma mulher beirando os 40 anos e que vive uma fase infeliz. É
casada com Dado (Paulo Vilhena), um marido pouco participativo na família. Rosa
é obrigada a lidar sozinha com a rebeldia precoce das filhas pré-adolescentes, com os problemas da casa e, além disso, perde o emprego e, para coroar as “boas” notícias, ainda
descobre que o marido está tendo um caso com uma colega de trabalho mais nova.
Se você pensa que desgraça é pouca, Rosa ainda vai ter que digerir um segredo
bombástico revelado pela mãe Clarice (Clarisse Abujamra) num almoço de família.
A história acompanha o desgaste do casamento de Rosa, seu difícil
relacionamento com a mãe, o carinho que tem pelo padrasto irresponsável Homero (Jorge Mautner)
e uma “pulada de cerca” com um amigo (Felipe Rocha). O filme é muito bom, tanto
que conquistou seis “kikitos” no 45º Festival de Gramado, incluindo Direção, Melhor
Atriz (Maria Ribeiro), Atriz Coadjuvante (Clarisse Abujamra) e Ator Coadjuvante
(Paulo Vilhena). No desfecho, ainda podemos curtir a música “Como Nossos Pais”,
de Belchior e imortalizada por Elis Regina, só que instrumental, mas ainda
assim linda e emocionante demais.
segunda-feira, 30 de abril de 2018
O drama italiano “INDIVISÍVEIS” (“INDIVISIBILI”), 2017, quarto longa-metragem escrito e dirigido pelo diretor napolitano Edoardo De Angelis, conta a história de duas irmãs siamesas
de 18 anos de idade que possuem um grande talento vocal. Por isso, desde cedo,
se apresentam em festas de casamento e aniversário, além fazer shows pelas
cidades próximas a Nápoles. Elas são exploradas pelo pai viciado em jogo e pela
mãe alcoólatra e viciada em drogas. Ou seja, elas não vêem a cor do dinheiro.
Até que chegam aos 18 anos e resolvem se rebelar, inclusive ameaçando se submeter
a uma operação para separá-las, conforme sugestão de um médico durante um
casamento. As moças que interpretam as siamesas Viola e Daisy (Marianna e
Angela Fontana, estreando no cinema) são realmente gêmeas na vida real, mas não
siamesas como no filme. O pai explorador é interpretado pelo ator Massimiliano
Rossi e a mãe viciada Titti pela atriz Antonia Truppo. Todos com ótima atuação.
As locações das filmagens, na periferia pobre de Nápoles, sugeriram a alguns críticos
profissionais que o filme se aproximou muito do estilo neo-realista do cinema
italiano das décadas de 40/50. Talvez, mas de qualquer forma trata-se de um filme
bastante interessante e que vale a pena ser conferido.
domingo, 29 de abril de 2018
“O
OUTRO LADO DA ESPERANÇA” (“TOIVON TUOLLA PUOLEN”), Finlândia, 2017, é o 17º longa-metragem
escrito e dirigido por Aki Kaurismäki, o mais importante diretor do cinema
finlandês da atualidade. Lembro, especialmente, de outros ótimos filmes de
Kaurismäki, como “O Homem sem Passado” e “O Porto”, este último rodado na França
com elenco francês. Neste seu mais recente filme, o pano de fundo da história é
a situação dos refugiados na Europa, representados na figura do sírio Khaled (Sherwan Haji), que
foge da guerra civil de seu país, percorre vários países da Europa e acaba na
Finlândia, escondido num navio cargueiro. Paralelamente à história de Khaled, Kaurismäki
apresenta a trajetória de outro personagem, o vendedor ambulante Wisktröm
(Sakari Kuosmanen), que larga não só o trabalho como também a esposa alcoólatra,
decide comprar um restaurante decadente e assume os empregados mais esquisitos do
mundo. Por uma dessas coincidências da vida, Khaled vai parar no restaurante de
Wisktröm e ajudar a reerguê-lo. Embora trate de uma questão séria como a dos
refugiados, Kaurismäki recheia a história com muito humor, um humor cínico e
irônico. Mesmo nas situações mais hilariantes, os personagens mantêm suas fisionomias
sérias, um recurso que funciona muito bem nesta ótima comédia finlandesa. O filme foi exibido pela primeira vez no 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017, e Kaurismäki recebeu o Urso de Prata como Melhor Diretor. Muito justo, pois o filme é simplesmente imperdível!

De vez em quando faz bem para o cérebro
assistir a uma comédia boba, sem compromisso com os neurônios do espectador. Com
esse objetivo, escolhi assistir à produção espanhola “ABRACADABRA”, 2017, escrita e dirigida por Pablo Berger, mesmo
diretor do ótimo “Blancanieves” e “Torremolinos”. Também me motivou a presença
da diva espanhola Maribel Verdú, uma bela e excelente atriz. A história é
fantasiosa, abordando o sobrenatural, tudo levado no maior bom humor. Carmen (Verdú)
é uma dona de casa dedicada à família e, principalmente, ao marido Carlos
(Antonio de La Torre). Um dia, porém, ela percebe que Carlos começa a ter
atitudes estranhas. Depois de muito observar o comportamento de Carlos, Carmen
chega a uma terrível conclusão: seu marido foi possuído por algum espírito
maligno. Ao lado do cunhado maluco e de um charlatão, Carmen vai tentar
descobrir a identidade do tal espírito e, assim, fazer o marido voltar ao normal. Esse
contexto dá margem a situações bastante engraçadas. Mas no quarto final a
comédia perde o ritmo e se transforma num dramalhão mexicano, aliás, espanhol.
Mesmo com alguns defeitos, o filme foi indicado em várias categorias no Prêmio
Goya (o Oscar espanhol). Resumo da ópera: uma grande bobagem, mas muito
divertida.
Embora tenha assistido a alguns bons
filmes no gênero, nunca fui chegado a histórias com temática gay,
principalmente por causa das cenas de sexo entre dois homens, por exemplo, mesmo
que sejam realizadas com alguma sensibilidade, como é o caso do drama romântico
“ME CHAME PELO SEU NOME” (“CALL ME BY
YOUR NAME”), coprodução EUA/Itália/França/Brasil (isso mesmo, tem um brasileiro,
Rodrigo Teixeira, no time de produção). A direção é do italiano Luca Guadagnino
(“100 Escovadas Antes de Dormir”), com roteiro do consagrado James Ivory
(diretor de “Vestígios do Dia”). A história é baseada no romance homônimo do
escritor egípcio André Aciman e ambientada em 1983. A família do professor
Perlman, especialista em cultura grego-romana, está passando as férias de verão
numa casa de campo no interior da Itália. Logo chega o acadêmico Oliver (Armie
Hammer) para ajudar o professor numa pesquisa arqueológica. Os diálogos, tanto
em inglês, italiano e francês, contêm uma grande dose de erudição,
principalmente quando o assunto é arte. Até o surgimento de Oliver, o jovem Elio
(Timothée Chalamet), 17 anos, filho do professor, saía com uma turma de jovens
e uma delas era sua namorada. Elio e Oliver acabam ficando amigos inseparáveis e, depois, muito mais do que amigos. O filme é de grande beleza estética, incluindo a excelente
fotografia, locações e cenários deslumbrantes. Estreou no Sundance Festival e
também foi exibido durante o 42º Festival de Toronto, em setembro de 2017.
Embora a ala conservadora de Hollywood tenha criticado sua temática, o filme
ganhou o Oscar 2018 na categoria “Roteiro Adaptado”. Não é para qualquer
público, principalmente aquele cuja cultura está no nível do carpete.
sábado, 28 de abril de 2018
Todo mundo que se liga em cinema lembra
que “Rocky, um Lutador” levou ao estrelato o ator Sylvester Stallone. Mas
poucos sabem que o personagem foi inspirado num tal de Chuck Wepner, lutador
peso-pesado que nos anos 70 ficou famoso ao resistir a 15 assaltos com o então
campeão Muhammad Ali (ex-Cassius Clay). Stallone achou o gancho para criar o
personagem Rocky Balboa. Toda essa incrível história está contada no drama “PUNHOS DE SANGUE – A VERDADEIRA HISTÓRIA
DE ROCKY BALBOA” (“CHUCK”), 2016, direção do canadense Phillipe Falardeau,
com roteiro de Liev Schreiber, Jeff Feverzeig, Jerry Stahl e Michael Cristofer.
O elenco é ótimo: Liev Schreiber, Naomi Watts, Ron Perlman e Elisabeth Moss. O
filme revela que Chuck Wepner viveu frustrado por não ter ganho nada com os
filmes de Stallone, a ponto de estragar o relacionamento com sua esposa e quase
acabar na sarjeta das drogas, sendo salvo por uma admiradora atendente de bar.
O filme é ótimo, as cenas de luta são espetaculares e o desempenho de Schreiber
é simplesmente incrível. Um ótimo programa para uma sessão da tarde.
“A
COMUNIDADE” (“Kollektivet”),
2016, Dinamarca, roteiro e direção de Thomas Vinterberg. Comédia dramática
ambientada nos anos 70. Erik (Ulrich Thomsen) e Anna (Trine Dyrholm) vivem com
a filha adolescente Freja (Martha Sofie Wallstrom Hansem) numa bela casa num
bairro elegante de Copenhague. Ele, professor universitário, ela apresentadora
de telejornal numa importante emissora de TV. Como a vida ficou difícil, as
contas aumentaram, eles resolvem convidar alguns amigos para morar junto e,
assim, dividir as despesas. Dessa forma, nasce uma comunidade nos moldes da
filosofia hippie, com regras estabelecidas, muita paz e amor. Almoços,
jantares, festas, muita cantoria e alegria geral. Todos vivem como se fossem uma
família feliz. Até que Erik, motivado pelo ar libertário, resolve levar a
amante Emma (Helene Relngaar Neumann, esposa do diretor na vida real), sua
estudante na universidade, para morar com a turma. Aí a maionese desanda de vez,
colocando em risco a convivência pacífica que prevalecia deste o início. De
qualquer forma, trata-se de um filme bastante agradável de assistir, com uma
trilha sonora saborosa, destacando o clássico “Goodbye Yellow Brick Road”, de
Elton John. Trata-se de mais um filme polêmico do diretor dinamarquês Vinterberg,
considerado um dos percursores do movimento Dogma 95 com o filme “Festa de
Família”. Vinterberg também é responsável por filmes excelentes como “A Caça” e
“Submarino”. Um ótimo programa para quem curte filmes de qualidade. Sem falar
que a atuação de Trine Dyrholm, talvez a principal atriz dinamarquesa da atualidade , é simplesmente maravilhosa. Para terminar o comentário, basta dizer que o filme foi o mais aplaudido pelo público e crítica do Festival de Cannes.
sexta-feira, 27 de abril de 2018
“PARIS
PODE ESPERAR” (“PARIS CAN WAIT”),
2016, roteiro e direção de Leonor Coppola (isso mesmo, a esposa do consagrado
diretor Francis Ford Coppola). Michael Lockwood (Alec Baldwin) está com a
esposa Anne (Diane Lane) no Festival de Cannes. Ele é um famoso produtor de
Hollywood e ela uma fotógrafa amadora. Ao fim do festival, o casal havia
programado ir até Paris para alguns dias de férias. Mas eis que surge um
imprevisto e Michael é obrigado a viajar para Budapeste (Hungria) com o
objetivo de supervisionar uma importante produção internacional. Ele pede ao
seu sócio francês Jacques Clément (Arnaud Viard) que acompanhe Anne até Paris. Um
risco e tanto deixar a esposa aos cuidados desse charmoso francês. Será que
Anne resistirá aos encantos de Clément? Tchan, tchan, tchan... Já começa quando
Anne pede que encurtem a viagem: Clément responde que “Paris pode esperar”. Daí
em diante, ele levará Anne por um verdadeiro roteiro romântico pelo interior da
França, incluindo paisagens deslumbrantes, restaurantes típicos, gastronomia,
vinhos e cultura histórica das cidades visitadas. Este foi o primeiro
longa-metragem de ficção dirigido por Leonor, mais conhecida como
documentarista. Leonor é mãe de outros dois cineastas, Sofia e Roman Coppola.
Um filme muito simpático, agradável de assistir, ainda mais com o charme e a beleza
madura da atriz Diane Lane. Aliás, o roteiro lembra muito um filme estrelado também
por Diane em 2003, “Sob o Sol da Toscana”.
quinta-feira, 26 de abril de 2018

segunda-feira, 16 de abril de 2018
“O MASSACRE DE VOLÍNIA” (“WOLYN”), Polônia, 2016, roteiro e direção de Wojtka Smarzowskiego.
Drama histórico que relembra um dos maiores massacres ocorridos na Polônia
durante a Segunda Grande Guerra. Como se sabe, a Polônia foi invadida pelos alemães
em setembro de 1939, dando início àquele que é considerado o maior conflito
mundial do Século XX. Enquanto as tropas nazistas entravam pelo oeste, para
onde foi mobilizado praticamente todo o exército polonês, alguns dias depois os
russos invadiam o país pelo leste sem encontrar praticamente nenhuma
resistência. A região de Voivodia, especialmente o vilarejo de Volínia, povoada
por poloneses, ucranianos e judeus, foi a primeira a enfrentar o terror infligido
pelos russos e depois pelos alemães. Além de russos e alemães, os habitantes de
Volínia ainda sofreram uma limpeza étnica por parte dos ucranianos – chamados de
“bandeiristas” - que mataram milhares de poloneses. O filme, em duas horas e
meia, mostra de forma bastante realista o sofrimento dos habitantes de Volínia,
incluindo cenas que certamente não farão nada bem ao estômago do espectador
mais sensível. Paralelamente a toda essa tragédia, o diretor Wojtka conta a
história de amor entre dois jovens habitantes de Volínia, a bela polonesa Zosia
Glowacka (Michalina Labacz) e o ucraniano Petro (Wasyl Wasylik). Zosia é
obrigada pelo pai a casar com um comerciante rico, em troca de alguns acres de terra,
algumas galinhas e um cavalo. De qualquer forma, o cenário trágico da guerra e
do massacre de Volínia é que prevalece neste excelente drama polonês. Vale a
pena conhecer – pelo lado histórico - mais esse fato triste e lamentável
ocorrido durante a Segunda Guerra. Sofrimento e maldade na sua mais pura
essência. Apesar de tudo, imperdível!
sábado, 14 de abril de 2018

sexta-feira, 13 de abril de 2018
Mais do que um filme muito
interessante e sensível, “LUCKY”,
2017, EUA, homenageia um dos atores mais importantes do cinema e da TV
norte-americanos: Harry Dean Stanton. Sua longa carreira começou em 1954 e
partir de então deslanchou com participações marcantes em séries como Bat
Masterson, O Fugitivo, Paladino do Oeste etc. No cinema, também marcou presença
em clássicos como “No Calor da Noite”, “O Poderoso Chefão 2”, “Paris, Texas” e “À
Espera de um Milagre”, entre tantos outros. Em “Lucky”, Stanton faz o papel principal, o velho Lucky, de 91 anos, solitário,
preso a uma rotina que inclui fazer alguns alongamentos logo que acorda ao som
de um tango, tomar café da manhã na lanchonete do Joe (Barry Shabaka Henley),
onde resolve palavras cruzadas, e no final da tarde curtir um Bloody Mary no bar de Elaine (Beth Grant).
Nos dois lugares, Stanton conversa com todo mundo e sempre tem na ponta da
língua um sarcasmo implacável. Aliás, o que mais gostei no filme foram os
diálogos. “Lucky” também seus momentos bem-humorados e sensíveis, como quando
ele canta, durante uma festa, uma bela canção mariach em espanhol. O filme ficou com cara de homenagem póstuma a
Stanton, que faleceu no mesmo mês (setembro de 2017) em que foi lançado nos
cinemas dos Estados Unidos. “Lucky”
foi o primeiro filme dirigido pelo conhecido ator John Carroll Lynch, com
roteiro de Logan Sparks e Drago Sumonja. Do elenco, também participam Ron
Livingston, David Linch, Tom Skerritt e James Darren. Enfim, um filme para quem
curte cinema de qualidade, digno de um ator que ficou conhecido como uma lenda do cinema independente norte-americano. Não perca!
segunda-feira, 9 de abril de 2018
“DEPOIS DAQUELA MONTANHA” (“THE MOUNTAIN BETWEEN US”), EUA,
2017, estrelando Kate Winslet, Idris Alba, Beau Bridges e Dermot Mulroney. Não se engane com o bom elenco. O
filme é um ABACAXI com letra maiúscula. A fotojornalista Alex (Winslet) e o
neurocirurgião Ben (Alba) estão num aeroporto aguardando o mesmo vôo. Não se
conhecem. Ela está a caminho da cidade onde casará com Mark (Mulroney). Ben está
voltando de um congresso médico. Como o
vôo é cancelado, os dois resolvem alugar um pequeno avião, com um piloto (Bridges)
que não oferece a mínima confiança. Tava na cara que algo trágico estava prestes
a acontecer. E não dá outra: o avião cai numa região montanhosa (fiquei sem
saber onde fica essa região; o filme não explica; só fiquei sabendo que as
gravações aconteceram no Canadá). Alex e Ben, além do cão labrador órfão do
piloto, tentam sobreviver ao frio intenso, tempestades de neve, quedas e nenhuma comida. E dá-lhe papo furado, num ritmo arrastado e monótono. Os dois
acabam tendo um romance que parece ter ficado para trás depois que conseguem
voltar à civilização. O desfecho é constrangedor. Consegue ser pior do que aqueles
finais horríveis daqueles filmes românticos
da pior qualidade. A grande surpresa foi constatar que o diretor é o israelense
Hany Abu-Assad, que havia dirigido dois filmes excelentes, “Paradise Now”,
indicado ao Oscar 2006, e “Omar”, também indicado ao Oscar, desta vez em 2014. O
roteiro ficou a cargo de J. Mills Goodloe e Chris Weitz, que adaptaram a
história do livro “The Mountain Between Us”, de Charles Martin. Difícil
acreditar que ótimos atores como Kate Winslet e Idris Alba tenham concordado em
participar de tamanha bomba. Se eles correram risco durante as filmagens, isso
eu não sei, mas o perigo maior sobrou para o espectador: perigo de um sono
profundo.
domingo, 8 de abril de 2018
“NA FLOR DA IDADE” (título
original “GRZELI NATELI DGEEBI”; em inglês, ficou “IN BLOOM”), 2013, roteiro e direção de Nana
Ekvtimishvili e Simon Grob. O filme foi selecionado para representar a ex-república
soviética da Geórgia na disputa do Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro (vencido
pelo italiano “La Grande Bellezza”). A história, ambientada no início dos anos
90 em Tbilisi, capital da Geórgia, é centrada na amizade entre as adolescentes
Eka (Lika Babluani) e Natia (Mariam Bokeria), mas o pano de fundo é o momento
dramático vivido pelo país. Na época, a Geórgia tinha acabado de proclamar sua
independência, logo após o colapso da União Soviética. A situação no país era
de caos: guerra civil, desabastecimento de comida e constantes apagões de
energia elétrica. Filas imensas para conseguir um pedaço de pão terminavam
sempre em confusão. Dentro desse clima sombrio, Eka e Natia viviam às turras
com suas respectivas famílias: o pai de uma era um bêbado crônico e o da outra
estava preso já há algum tempo. Mas elas seguiam sua vida em frente, se comportando
como todos os jovens da sua idade. Aliás, o enredo reserva um bom espaço para explorar o comportamento da juventude georgiana. A amizade entre Eka e Natia sempre
esteve acima dos problemas e algumas desavenças. O mais interessante do filme,
porém, é o destaque dado ao modo de vida dos georgianos, suas tradições,
cultura e folclore. O melhor momento do filme, inclusive, é justamente uma festa de
casamento onde todo mundo dança ao som de uma música típica do país. O filme
não chegou a ser exibido por aqui no circuito comercial, apenas durante a 41ª
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro/novembro de 2017.
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