sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

 

Se você gosta de um bom suspense, daqueles de tirar o fôlego e eriçar os pelos da nuca, não perca de jeito nenhum “FRATURA” (“FRACTURED”), 2019, Estados Unidos, 1h40m, disponível na Netflix, direção de Brad Anderson, seguindo roteiro de Alan B. McElroy. Começa o filme e você já começa a se contorcer na poltrona. A caminho da casa de parentes para passar o Dia de Ação de Graças, Ray Monroe (Sam Worthington), sua esposa Joanne (Lily Rabe) e filha Peri (Lucy Capri) param num posto para comprar pilhas. A menina desce do carro para brincar quando aparece um cachorro que a ameaça. Assustada, ela perde o equilíbrio e cai num buraco, assim como o pai ao tentar segurá-la. Aparentemente nada de grave aconteceu, mas Peri se queixa de dor no braço. Os pais a levam ao hospital mais próximo. Aí sim que a situação vai virar um verdadeiro inferno, a começar pelo péssimo atendimento na recepção. Enquanto a menina, acompanhada pela mãe, é encaminhada ao setor de tomografia, Ray pega no sono na sala de espera e quando acorda, horas depois, volta à recepção para saber notícias da filha e da esposa. Ninguém sabe informar. Ray se revolta com a situação, fica agressivo e acaba detido pelo segurança do hospital. Médicos, enfermeiras e até uma psiquiatra são mobilizados para cuidar do caso. E todos acreditam que o rapaz está louco, pois não encontraram nenhuma ficha referente à entrada da sua esposa e da filha. E por aí vai o martírio de Ray até o desfecho surpreendente, mas até lá muita coisa vai acontecer, inclusive várias reviravoltas. O ritmo do filme é intenso, alucinante, não dá tempo de respirar. Méritos para o diretor Brad Anderson, especialista no gênero suspense, como provou em “Refúgio do Medo”, “Beirute” e no ótimo “Chamada de Emergência”, entre tantos outros. Portanto, recomendo que você não perca “Fratura”, outro filmaço.    

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

 

“CASCAVEL” (“RATTLESNAKE”), 2019, Estados Unidos, 1h25m, roteiro e direção do australiano Zak Hilditch (“1922”), produção original Netflix. É um suspense cheio de mistério e com muitas pitadas de sobrenatural. A história começa com Katrina Rodgeway (a atriz inglesa Carmen Ejogo) dirigindo seu carro em companhia da filha de seis anos Clara (Apollonia Pratt). Elas saíram de Phoenix em direção a Oklahoma, provavelmente para tentar uma vida nova – o filme não explica o motivo. Diante de um engarrafamento na estrada, Katrina resolve pegar um desvio e acaba se perdendo no meio de um deserto no Texas. Como desgraça pouca é bobagem, um pneu fura e Katrina é obrigada a parar. Enquanto a mãe troca o pneu, Clara resolve brincar entre a vegetação e toma uma picada de cascavel. Desesperada, Katrina leva a filha para um trailer estacionado nas proximidades e pede ajuda. Uma mulher misteriosa as recebe e presta os primeiros socorros. Depois disso, Clara resolve levar a filha para Tulia, a cidade mais próxima, ainda no Texas. Enquanto a filha se recupera no hospital, um homem sinistro entra em contato com Katrina e diz que ela está em dívida pela cura da menina. Para saldá-la, ele diz que Katrina terá que oferecer uma alma, ou seja, matar alguém. Caso contrário, a filha voltará a ficar doente. Ao invés de procurar a polícia, Katrina resolve investigar sozinha o que está acontecendo, o que a obrigará a se defrontar com pessoas esquisitas e misteriosas. Será tudo alucinação? Será que ela terá mesmo que assassinar alguém para salvar a filha? E a coragem? E por aí vai o sofrimento dela em busca de uma vítima. Até o desfecho, Katrina terá que enfrentar inúmeros desafios, o que a levará por caminhos tortuosos e perigosos. A partir da segunda metade da projeção, “Cascavel” perde um pouco do seu ritmo inicial e acaba entrando num marasmo que oscila entre o tédio e o sonífero. Com exceção da ótima atuação da boa atriz Carmen Ejogo, nada mais há para se elogiar. Uma história sem pé nem cabeça. Resumindo: o filme é bizarro.   

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

 

“NA SOLIDÃO DA NOITE” (“RAAT AKELI HAI”), 2020, Índia, produção original Netflix, direção do diretor Holey Trehan, cineasta veterano de Bollywood, com 45 filmes no currículo, e roteiro de Smita Singh. Trata-se de um filme policial envolvendo a investigação do assassinato do milionário Raghubeer Singh (Khalid Tyabji), na noite do seu casamento. O inspetor Jatil Yadav (Nawazuddin Siddiqui) é o encarregado do caso, envolto em um grande mistério. São muitos os suspeitos que estavam na mansão da vítima naquela noite durante a festa. Parentes, amigos, empregados, todo mundo é suspeito. Cabe ao policial determinar o motivo e, mais uma vez, muita gente é suspeita. O falecido era um homem poderoso, amigo de políticos influentes e da cúpula policial, e era conhecido por todos o seu envolvimento com a prostituição e tráfico de mulheres. De início, Jatil descobre que a jovem noiva/viúva Radha (Radhika Apte) é amante de um sobrinho da vítima, o que torna ambos os principais suspeitos. Mas muita água vai rolar até o policial conseguir desvendar todo o mistério. E, no desfecho, tem aquela cena clichê de tantos filmes policiais: a família e empregados reunidos com o detetive, que enfim revelará o verdadeiro assassino. O filme até que prende a atenção, mas não precisava ser tão longo (2h29m) e muito menos ter uma trilha sonora repleta de cantorias, provocando uma quebra de ritmo e irritação a quem está assistindo, como foi meu caso. Também achei um exagero o inspetor Jatil trabalhar no caso praticamente sozinho, sem apoio de sua chefia. Ele vai aos lugares com sua própria moto e, quando precisa consultar os arquivos da polícia, encontra uma bagunça generalizada, o que prova que a polícia de lá tem muito a ver com a polícia de cá. Além de tudo isso, com seu corpo franzino, ele não impõe respeito a ninguém. “Na Solidão da Noite” comprova que o gênero policial não é muito a praia de Bollywood, ficando a anos-luz dos franceses, americanos, italianos, sul-coreanos e outros mais. Se for assistir, releve o estilo indiano de fazer cinema, para nós um tanto difícil de assimilar. Acrescento, porém, que já assisti a muitos filmes indianos muito bons. Não é o caso de “Na Solidão da Noite”, que fica na categoria do razoável.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

 

“A MULHER MAIS ASSASSINADA DO MUNDO” (“LA FEMME LA PLUS ASSASSINÉE DU MUNDE”), 2018, França, 1h42m, disponível na Netflix, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Franck Ribière, mais conhecido como diretor de documentários. Para escrever o roteiro, ele contou com a colaboração de James Charkow, Vérane Frédiani e David Murdoch. A história foi inspirada num personagem real, a atriz Marie-Thérèse Beau (1898-1970), mais conhecida pelo nome artístico de Maria Maxa. De 1917 a 1933, ela atuou em centenas de peças macabras de terror encenadas no famoso Teatro Grand Guignol, de Paris. Durante esse período, calcula-se que as personagens de Maxa foram assassinadas no palco mais de 10 mil vezes de centenas de formas diferentes. Ao mesmo tempo em que se assustava aos gritos, o público vibrava com as histórias encenadas e sofria com as mortes de Maxa. Por intermédio de truques muito bem feitos, as cenas eram bastante realistas. Principalmente por causa da atriz, o Grand Guignol arrastava multidões. Estes são os fatos, o registro histórico. O filme retrata tudo isso e acrescenta elementos fictícios, como o assassinato de pessoas para estocar sangue a ser utilizado nas peças. E, ainda, o romance entre a atriz e um jovem jornalista. O filme tem um clima noir que retrata uma Paris obscura dos anos 30, graças a uma primorosa fotografia. As cenas de maior impacto são as das encenações das peças, destacando os truques e a reação do público ao ver tanto sangue jorrando, às vezes respingando na plateia. O humor negro também marca presença. O elenco é encabeçado por Anna Mouglalis como Paula Maxa, além de Jean-Michel Balthazar, Michel Fau e André Wilms. Resumindo: um filme muito interessante que merece ser conferido.  

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

 

“COFFEE & KAREEM”, 2020, Estados Unidos, produção original Netflix, 1h28m, direção do canadense Michael Dowse, seguindo roteiro de Shane Mack. Deixe de lado o seu orgulho de cinéfilo amante de bons filmes e aproveite também para dar descanso aos seus neurônios. Trata-se de uma comédia escrachada com roteiro estapafúrdio, repleta de palavrões e, pior, ditos por um adolescente de 12 anos. James Coffee (Ed Helms, de “Se Beber não Case”) é um policial de Detroit honesto e trapalhão. Ele vive um caso com a viúva negra Vanessa (Taraji P. Henson, de “Estrelas Além do Tempo”), mãe de Kareem (Terrence Little Gardenhigh), um garoto terrível metido a bandido infantil. Ao surpreender a mãe transando com o policial, ele jura vingança. “Além de policial, ele é branco”, diz o garoto para os delinquentes de uma gangue, aos quais pede que deem um susto no namorado da mãe. Ao mesmo tempo, porém, Vanessa pede a Coffee que se aproxime do garoto e faça amizade. O policial não imagina em quantas confusões irá se meter com Kareem. E a situação piora ainda mais quando ele descobre que sua chefe durona, a detetive Watts (Betty Gilpin), está envolvida com um esquema de tráfico de drogas. Como comédia sem compromisso, até que o filme funciona a contento, embora exija uma dose extra de paciência para aturar tanta bobagem. Tem alguma ação, mas também muita enrolação. A Netflix que me desculpe, mas o confinamento merecia coisa melhor.  

 

“A SERIAL KILLER” (“MRS. SERIAL KILLER”), 2020, Índia, disponível na plataforma Netflix, 1h46m, direção de Shirish Kunder, que também assina o roteiro com a colaboração de Vikas Vinod Singh. Trata-se de um filme bastante interessante, um misto de suspense, policial e terror psicológico, com fartas pitadas de humor negro, notadamente na segunda metade. A história é centrada em Sona Mukerjee (Jacqueline Fernandez), que um dia recebe a notícia da prisão do seu marido Mrtyunjoy (Manoj Bajpai), um respeitado médico, acusado de ter assassinado seis jovens mulheres grávidas. Cega de paixão pelo marido, e agora ainda mais por descobrir que está grávida, Sona acredita na sua inocência e fará tudo para tirá-lo da prisão. Para isso, contrata um famoso advogado e, juntos, elaboram um plano diabólico. A ideia é assassinar mais uma jovem grávida com os mesmos requintes de crueldade utilizados pelo verdadeiro assassino. Dessa forma, a inocência do marido seria comprovada, o que de fato aconteceu. A partir do momento em que o médico é libertado, muita confusão acaba acontecendo, envolvendo Sona, uma jovem grávida e seu namorado e um policial ex-noivo de Sona. Tudo isso contado com sequências bem humoradas, ação e muito suspense, o que torna o filme um ótimo entretenimento. Um de seus trunfos é o enredo engenhoso, repleto de reviravoltas. Outro trunfo é a ausência daqueles clichês que Bollywood costuma colocar em seus filmes, como as irritantes cantorias, coreografias, cabeças balançando pra lá e pra cá, pétalas caindo do céu e guerra de pó colorido. “A Serial Killer”, felizmente, não tem nada disso. Acrescento como principal destaque a presença da atriz Jacqueline Fernandes, na minha opinião a mais linda de Bollywood, além de competente. Apesar do nome aportuguesado, Jacqueline, de 34 anos, nasceu em Sri Lanka, onde foi repórter de TV. No cinema indiano, estreou em 2008 no filme “Aladin”, e daí para a frente tem sido sucesso em todas as produções de que participa. Somente a presença dela já é boa motivação para assistir “A Serial Killer”, mas tem muito mais. Não perca!                      

 

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

 

“DESPIDO PROCEDENTE”. É com esse título em espanhol que consta no catálogo da Netflix, mas já vi em alguns blogs e sites o filme apresentado como “APOSENTADORIA VOLUNTÁRIA”. Trata-se de uma coprodução Espanha/Argentina de 2017, roteiro e direção de Lucas Figueroa, com duração de 1h30m. É uma comédia bem legal que explora, com muito bom humor, os bastidores sujos das grandes corporações, no caso uma empresa de telecomunicações. Javier (Imanol Arias) chega da Espanha para assumir o cargo de gerente da filial de Buenos Aires. Tudo caminha bem até o dia em que, ao sair do estacionamento da firma com seu BMW, quase atropela um homem, que depois será identificado como Rubén Sanchez (Darío Grandinetti). Javier pede desculpas, aceitas por Rubén, que aproveita para pedir orientação com relação a uma rua. Como ainda não conhece muito bem a cidade, Javier indica que é logo à esquerda, quando na verdade era o contrário. Alegando que perdeu a hora da entrevista para o emprego por causa da orientação enganosa, Rubén passa a perseguir Javier, exigindo dinheiro e outras coisas mais. A partir daí, a vida de Javier vira um verdadeiro inferno, sem contar que vive um momento de grande tensão na empresa e problemas com sua namorada ninfomaníaca. Até descobrir o que de fato está acontecendo, Javier vai sofrer um bocado. Ainda estão no elenco Hugo Silva, Luís Luque, Paula Cancio e Valéria Alonso. É um filme bastante divertido, entretenimento garantido.                  

 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

 

“PIECES OF A WOMAN”, 2020, coprodução Estados Unidos/Canadá/Hungria, 2h8m, disponível na Netflix desde 7 de janeiro de 2021, primeiro filme em inglês do cineasta húngaro Kornél Mandruczó (“Lua de Júpiter"), com roteiro assinado por sua esposa Kata Wéber. Trata-se de um drama cujo pano de fundo é a dor do luto e como levar a vida adiante depois da perda de um ente querido. A inspiração de Kata Wéber surgiu depois de uma experiência pessoal que a marcou muito, que foi a morte inesperada do seu bebê ainda na barriga. O filme começa com um plano-sequência de 24 minutos dentro do apartamento do casal Martha Weiss (Vanessa Kirby) e Sean Carson (Shia Labeouf). Eles resolveram que o parto seria em casa, com a assistência de uma parteira. Quando as contrações se iniciam, eles chamam a parteira contratada anteriormente, mas que naquele dia estava realizando cirurgia de emergência no hospital. Ela indica então outra parteira, também experiente, Eva Woodard (Molly Parker). O parto ocorre sem problemas, mas quando o bebê é retirado logo depois fica roxo e morre. A partir desse acontecimento trágico, o filme acompanha o cotidiano de Martha, que tenta superar a perda e ainda sofrer um grande desgaste no seu casamento, além de enfrentar as críticas indiretas da mãe controladora, Elizabeth Weis (Ellen Burstyn), que a obriga a entrar com processo na justiça contra a parteira. Nesse ponto, convém destacar a cena mais poderosa do filme em termos de dramaticidade. Num almoço em família, mãe e filha se confrontarão num diálogo de forte cunho emocional, durante o qual é possível constatar o excelente desempenho da inglesa Vanessa Kirby e da veterana Ellen Burstyn. Vanessa, aliás, já está sendo apontada como o grande favorita ao Oscar 2021 de Melhor Atriz e, possivelmente, Burstyn deva ser indicada para Melhor Atriz Coadjuvante. O filme estreou no 77º Festival Internacional de Cinema de Veneza, em setembro de 2020, e Vanessa conquistou o prêmio de Melhor Atriz. “Pieces of a Woman”, que tem como produtor executivo o cineasta Martin Scorsese, é um dos dramas mais poderosos dos últimos anos e certamente será um dos destaques do Oscar 2021. Um filme esteticamente original, graças à mão criativa do diretor húngaro. Resumo da ópera: um filme obrigatório para quem curte cinema de qualidade.                   

 

 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

 

“MÃE E MUITO MAIS” (“OTHERHOOD”), 2019, Estados Unidos, 1h40m, direção de Cindy Chupack, que também assina o roteiro com a colaboração de Mark Andrus. É uma adaptação do romance “Whatever Makes You Happy”, do escritor inglês William Sutcliffe. O pano de fundo é a tal “síndrome do ninho vazio”, quando os filhos saem de casa para morar em outro lugar. Carol Walker (Angela Basset), Gillian Lieberman (Patricia Arquette) e Helen Halston (Felicity Huffman) são amigas há muito tempo, desde que seus filhos estavam no jardim da infância. Elas agora estão na meia idade e os filhos adultos moram em Nova Iorque, cada um com seu ramo de atividade. Chega o Dia das Mães e elas resolvem se reunir para um chá da tarde, na verdade regado a uísque e vodka. Embaladas com a bebida, elas se confessam solitárias e com saudades dos filhos e, de uma hora para outra, resolvem visitar os filhos de surpresa e saem estrada afora. Gillian encontrará o filho Daniel (Jake Hoffman) na maior fossa, pois foi traído pela namorada que ia pedir em casamento. Carol, por sua vez, tentará se entender com Matt (Sinqua Walls), diretor de arte de uma revista masculina, e resolver algumas arestas do passado. E Helen será surpreendida com a opção sexual do filho Paul (Jake Lacy), que mora com o namorado e outro casal de gays. As situações são desenvolvidas na base do humor, destacando-se as ótimas atuações das três atrizes, que parecem estar se divertindo de verdade. Angela Basset e Felicity Huffman ainda estão bonitas e em grande forma. Quem destoa um pouco é Patrícia Arquette, que é baixinha e gordinha. “Mãe e Muito Mais” é uma comédia indicada para todas as idades, talvez mais para as mulheres de meia-idade, lembrando que a diretora Cindy Chupack ganhou prestígio ao assinar o roteiro da série “Sex and The City”, grande sucesso de 1999 até 2004. “Mãe e Muito Mais” é o seu primeiro filme como diretora. Diversão garantida.                   

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

 

“A MALA E OS ERRANTES” (“TRAMPS”), 2017, Estados Unidos, 1h23m, roteiro e direção de Adam Leon. Trata-se de um filme independente que eu descobri lá escondidinho desde abril de 2017 no catálogo Netflix. Sua estreia ocorreu na Seção “Contemporary World Cinema” do Toronto International Film Festival, arrancando elogios de crítica e público. Realmente, trata-se de um filme muito interessante, bem-humorado e movimentado. Danny (o ator inglês Callum Turner), um jovem pretendente a chef de cozinha, recebe um pedido do irmão Darren (Michal Vonden), que acaba de ser detido pela polícia e está impedido de realizar a missão que acaba de passar para Danny, ou seja, pegar uma maleta com uma mulher numa estação de trem e depois a entregar em um local determinado. A dica é que a mulher está sentada num banco e utiliza, como código de identificação, uma bolsa verde. Também faz parte da missão a jovem Ellie (Grace Van Patten), encarregada de dirigir o carro que levará Danny ao receptor da tal maleta, cujo conteúdo ainda é um mistério, sendo revelado somente perto do desfecho. Só que Danny se confunde e deixa a maleta com outra mulher, que também usava bolsa verde. Daí para a frente, Danny e Ellie terão de correr atrás do prejuízo, pois, caso contrário, não receberão o dinheiro prometido – uma grana que os dois estão precisando com urgência. Até chegar à moça que está com a maleta, muita confusão vai acontecer, numa sequência de fatos que mantêm a atenção do espectador até o final. Ainda estão no elenco Mike Birbiglia, Louis Canselmi e Margaret Colin. Resumo da ópera: “A Mala e os Errantes” tem tudo para agradar até mesmo àqueles cinéfilos mais exigentes, constituindo-se num ótimo entretenimento.                                        

 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

 

“GENTE QUE VAI E VOLTA” (“GENTE QUE VIENE Y BAH”), 2019, produção original Netflix, Espanha, 1h37m, primeiro longa-metragem da cineasta Patricia Font (mais conhecida como diretora de séries televisivas), seguindo roteiro assinado por Dario Madrona e Carlos Monteiro Castiñera, que adaptaram a história do romance homônimo escrito por Laura Norton. Trata-se de uma comédia romântica muito interessante, leve e divertida. A personagem principal é Bea (Clara Lago), uma conceituada arquiteta que trabalha numa grande firma. Ela vive um romance caliente com Víctor (Fernando Guallar), outro arquiteto da firma, que lhe pede em casamento. Tudo vai bem até ele se envolver com uma famosa jornalista televisiva, Rebecca Ramos (Marta Belmonte). Além de acabar com o namoro, Bea perde o emprego e resolve passar uns dias em sua cidade natal, Santa Clara, no interior da Espanha, e ficar um tempo com sua família. Aliás, uma família bem esquisita. Ángela (Carmen Maura), a mãe, é uma médica que realiza as consultas em casa e não cobra nada. Entre os irmãos de Bea estão o homossexual León (Carlos Cuevas), que namora um policial, e Débora (Paula Malia), que esconde um segredo hilariante a respeito de seu filho recém-nascido. A única aparentemente normal é Irene (Alexandra Jiménez), prefeita da cidade, cujo filho adolescente é metido a filósofo. Durante essa temporada em família, Bea conhece Diego (Álex García Fernández), um empresário viúvo pelo qual se apaixona. Se as situações familiares já eram complicadas, ainda surge de volta ao cenário Víctor, o antigo namorado de Bea, prometendo amor eterno. Nesse contexto, a comédia romântica caminha para um desfecho previsível, mas uma reviravolta acontece mudando o rumo da história. Enfim, “Gente que Vai e Volta” é uma crônica familiar muito agradável de assistir, com romance e várias situações divertidas. Entretenimento de primeira!                  

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

 

“O CASAMENTO DE ALI” (“ALI’S WEDDING”), 2017, Austrália, 1h50m, direção de Jeffrey Walker e roteiro de Osamah Sami. A história é baseada em fatos reais, ou seja, a experiência vivida pelo iraquiano Osamah Sami, que, além de assinar o roteiro, também atua como seu próprio personagem, no filme chamado de Ali Albasri. Nascido no Iraque, Sami cresceu durante a guerra de seu país com o Irã. Viu tragédias como a deu seu irmão mais velho, morto depois de pisar numa mina. Depois disso, a família mudou-se para Melbourne, na Austrália. O clérigo Mahdi (Don Hany), pai de Ali, clérigo iraquiano, logo assumiu a posição de líder de uma ummah local – comunidade destinada a preservar a tradição do Islã. A esperança da família é que Sami ingresse na faculdade de medicina. Ele não consegue, mas mente que conseguiu. A partir dessa mentira, Sami viverá momentos tortuosos, como se apaixonar por uma libanesa – pelo que o filme dá a entender, os iraquianos não gostam dos libaneses -, fugir de um casamento arranjado e ainda ter sua mentira sobre a faculdade descoberta, o que quase desgraçou sua família perante a comunidade iraquiana. Todos esses e outros fatos foram relatados no livro “Good Muslim Boy”, que Osamah Sami escreveu em 2016 e que serviu como base para o roteiro. “O Casamento de Ali" tem muitos momentos de humor, destacando-se as sequências em que um grupo de teatro apresenta uma peça musical (“Trial of Saddam”) satirizando o ex-ditador Sadam Hussein. O filme foi premiado em vários festivais de cinema pelo mundo afora, conquistando a simpatia da crítica e do público, principalmente pelo seu pano de fundo, que é o olhar sobre a cultura árabe. Como afirma um dos personagens iraquianos durante um diálogo, “Nossa cultura tem muito mais complexidade e esferas do que vocês, ocidentais, pensam”. Enfim, um filme hilário e ao mesmo tempo comovente e esclarecedor. Imperdível!              

 

sábado, 2 de janeiro de 2021

 

Drew Barrymore em dose dupla. Esta é a atração principal da comédia romântica “DUAS POR UMA” (“THE STAND IN”), 2020, Estados Unidos, 1h41m, disponível na Netflix desde o dia 16 de dezembro de 2020, direção da cineasta Jamie Babbit, seguindo roteiro de Sam Bain. Barrymore interpreta, com muita competência, dois papéis: a da atriz Candy Black e de sua dublê Paula. Candy adquiriu fama em Hollywood em comédias do tipo pastelão, ganhou muito dinheiro e virou uma celebridade no mundo do cinema. Agora, porém, vive uma fase decadente, não é mais requisitada como antes e, para piorar, passou a usar drogas pesadas. Depois de ter um surto histérico quando filmava uma cena de seu último filme, Candy acabou no ostracismo, tornou-se reclusa e depressiva em sua mansão, dedicando-se (pasmem!) à carpintaria. Voltando àquela cena do vexame, a dublê Paula aproveitou a chance e começou a substituí-la, tanto naquele como em outros filmes, além de entrevistas e eventos. Virou celebridade no lugar da verdadeira atriz. E por aí segue a história. Paula toma gosto pelos holofotes e assume de vez a identidade de Candy, chegando a roubar seu namorado. Apesar do rótulo “comédia romântica”, são poucas as sequências de humor e de romance. Realmente, só vale a pena pelo desempenho de Barrymore, embora o elenco tenha bons atores, como Lena Dunham, Michel Zegen, Holland Taylor, T.J. Miller e Ellie Kemper. Para fechar o comentário, tentei somar os pontos positivos do filme. Fiquei só em Barrymore. Resumo da ópera: “Duas por Uma” apresenta uma boa ideia, mas muito mal aproveitada. Assista apenas se não tiver outra opção.        

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

 

“NADA A ESCONDER” (“LE JEU”), 2018, França, 1h30, roteiro e direção de Fred Canayé. Trata-se de uma comédia que faz rir das situações, mas que também tem seus momentos de puro drama. O filme parte da ideia inicial do cineasta italiano Paolo Genovese, que em 2016 escreveu e dirigiu “Perfectos Desconocidos” (“Perfeitos Estranhos). Além desta versão francesa, já aconteceram outras três: do cinema espanhol, do sul-coreano e do turco. O ponto de partida da história é o mesmo, ou seja, três casais e um solteirão, todos de meia idade e amigos de longa data, se reúnem para um jantar. Papo, vai, papo vem, chega-se ao tema principal: quem ama não tem nada a esconder. Diante desse contexto, a anfitriã da festa sugere um jogo bastante interessante, mas que pode se tornar perigoso. Cada um deve colocar o seu celular no centro da mesa, todos desbloqueados e no viva-voz. A gente percebe que alguns não gostam da sugestão, mas, para não levantar suspeitas, concordam em participar. Depois de algumas ligações ouvidas por todos, o ambiente começa a ficar pesado, com troca de farpas e muita roupa suja lavada, gerando sequências bem engraçadas, outras nem tanto. Outro componente importante da história é a ocorrência de um eclipse lunar bastante raro naquela noite. Será que ele pode interferir no comportamento das pessoas, especialmente aquelas que estão participando desse jantar? Eu só vi a versão francesa, alvo deste comentário, mas duvido que as outras sejam melhores. A começar pelo elenco, constituído por excelentes atores como Suzanne Clément, Bérénice Bejo, Doria Tillier, Vincent Elmaz, Stéphane de Groodt, Roschdy Zem, Gregory Gadebois e Fleur Fitoussi, astros consagrados do cinema francês. “Nada a Esconder” é um filme muito interessante, ideal para o público adulto. Entretenimento garantido.        

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

 

“EM TODA PARTE” (“ILS SONT PARTOUT”), 2016, França, 1h51m, disponível na Netflix, direção e roteiro de Yvan Attal, ator e cineasta franco-israelense nascido em Telaviv (Israel). Trata-se de uma comédia inteligente, irreverente e cáustica, explorando – no estilo Woody Allen – as mazelas do povo judeu. São várias histórias curtas, começando com Yvan Attal no papel dele próprio em consulta com um terapeuta. Ele se sente perseguido pelo fato de ser judeu. As outras histórias envolvem um político de extrema-direita e antissemita que, às vésperas de uma eleição, descobre que é judeu. Outra história, a mais engraçada, é a de um agente do Mossad (serviço secreto de Israel) encarregado de uma missão muito especial: voltar no tempo e assassinar o bebê Jesus. Tem também a história de um judeu fracassado que é rejeitado pela própria família por ser pobre. Outro episódio hilariante é o de um antissemita cuidador de idosos que se sente discriminado por ser ruivo, desencadeando uma série de protestos de minorias por toda Paris. E ainda tem uma reunião hilária do presidente francês e seus ministros, que decidem converter a população francesa para o judaísmo, pois assim teriam mais chance de sucesso e de ganhar dinheiro. Enfim, situações muito engraçadas, humor fino, diálogos inteligentes e um elenco de primeira. Veja: Yvan Attal, Gilles Lellouche, Dany Boon, Benoit Poelvoorde, Valérie Conneton, Charlotte Gainsbourg (esposa do diretor na vida real), François Damiens, Denis Podelydès e Catherine Frot. Imperdível!      

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

 



“A PEQUENA SUÍÇA” (“LA PEQUEÑA SUÍZA”), 2019, Espanha, 1h26m, disponível na Netflix, direção de Kepa Sojo, que também assina o roteiro com Sonia Pacios, Daniel Monedero, Jelen Morales e Alberto Lopez. Trata-se de um besteirol daqueles, mas muito divertido. Uma comédia totalmente despretensiosa, a não ser fazer rir o tempo inteiro. O ponto de partida é bastante original. Um vilarejo fictício chamado Tellería, localizado na região central do país basco, tenta há 700 anos, sem sucesso, ser reconhecido como basco. Uma parte da população defende que o vilarejo pertence à Espanha, enquanto outra defende que pertence a Castela. A maioria, porém, quer ser basca. O imbróglio pode ter uma solução inesperada quando dois historiadores especializados em arqueologia descobrem sem querer, sob uma igreja histórica, o túmulo do filho de Guilherme Tell, aquele herói que teria vivido num cantão da Suíça. O prefeito de Tellería, incentivado por seus principais assessores, resolve levar adiante a ideia de reivindicar, junto ao governo suíço, que o vilarejo seja reconhecido como um novo cantão da Suíça. Toda essa situação acaba numa enorme confusão, com uma série de sequências muito divertidas. Este é o segundo longa-metragem do cineasta Kepa Sojo, mais conhecido como diretor de curtas. O elenco é ótimo, destacando-se Maggie Civantos, Jon Plazaola, Ingrid García-Jonsson, Pepe Rapazote, Ramon Barea, Secun de La Rosa, Kandido Uranga e Enrique Villén. Nos créditos finais, ainda há cenas de bastidores, com erros de gravação, e atores interpretando um musical. Tudo muito alegre e sem compromisso. Ao contrário da crítica especializada, eu gostei e recomendo. Em tempos tão tenebrosos, rir é ainda o melhor remédio.    

 

domingo, 27 de dezembro de 2020

 

“O CÉU DA MEIA-NOITE” (“THE MIDNIGHT SKY”), 2020, Estados Unidos, produção original Netflix, 2h2m, direção de George Clooney, que também atua. O roteiro é assinado por Mark L. Smith, que se inspirou em “Good Morning, Midnight”, romance de estreia da escritora Lily Brooks-Dalton. Não li o livro e, portanto, não sei se a adaptação foi bem feita. O filme de Clooney (o sétimo que dirige) apresenta duas histórias que se alternam na tela quase até perto do desfecho, quando então se conectam. O ano é 2049. O cientista e astrofísico Augustine Lofthouse (Clooney) está  numa base científica na Groelândia. Segundo se presume, é o único habitante da Terra ainda vivo (será que foi a Covid que matou todo mundo?). Ele sofre de uma doença terminal que o obriga a realizar sessões de hemodiálise diárias, utilizando um aparelho portátil que ele mesmo opera. Ele só tem a companhia de uma menina chamada Iris (Caovlinn Springall), que se escondeu na estação quando todo o pessoal da base foi embora. O principal objetivo de Augustine é continuar vivo para entrar em contato com a tripulação da espaçonave “Aetherde” e avisar para que não retornem à Terra. Na espaçonave estão cinco astronautas: o comandante Adewole (David Oyelowo), Sully (Felicity Jones), Sanchez (Damían Bichir), Maya Peters (Tiffany Boom) e Mitchell (Kyle Chandler). Eles estão de volta após uma missão bem sucedida no espaço, ou seja, encontrar um planeta que seja habitável. Eles encontraram: a Lua K-23 de Júpiter (haja ficção!). O roteiro alterna cenas no Ártico com Clooney e a menina enfrentando violentas tempestades para encontrar uma base que tenha sinal para se comunicar com a espaçonave, com as sequências no espaço com os clichês de sempre: chuvas de meteoro, defeitos em equipamentos que só podem ser consertados fora da nave, muito papo saudosista sobre as famílias que ficaram na Terra etc. Com exceção de algumas boas cenas de ação e de perigo, o restante do filme chega a ser entediante, recheado de papo furado. A crítica especializada ficou dividida: uns detestaram, outros acharam bom, apenas bom. Eu achei o resultado final decepcionante, uma bola fora de Clooney.

 

sábado, 26 de dezembro de 2020

 

“MAKTUB”, 2017, Israel, 1h40m, direção de Oded Raz, seguindo roteiro de Guy Amir e Hanan Savyon. A dupla de roteiristas também atua no filme representando os personagens centrais da história. Em “Maktub” (a palavra, em árabe, quer dizer “Já estava escrito”), Steve e Chuma (Savyon e Amir) são dois pilantras que trabalham fazendo cobranças, na base da violência, para o agiota Elkaslasi (Itzik Cohen), chefão de uma organização criminosa que atua em Jerusalém. No caso dos restaurantes visitados, a dupla, além de fazer as cobranças, almoça de graça e ainda interfere na elaboração do cardápio. Quando não gostam da comida, chegam a espancar o chef responsável. Mas não se assuste. Tudo é levado no maior bom humor. Um dia, estão em um restaurante onde acontece um atentado à bomba. Eles são os únicos sobreviventes e acreditam que se salvaram por um milagre. Diante disso, resolvem deixar de trabalhar para o mafioso. Como forma de retribuição ao milagre, decidem, dali para a frente, só fazer o bem. Para começar, vão para o Muro das Lamentações e escolhem uma pessoa para ajudar. Pegam o bilhete que ela coloca no Muro fazendo um desejo e tentarão atendê-lo. Assim acontece com um marido rejeitado pela esposa, com uma mulher que quer engravidar e por aí vai. Só que o chefão mafioso exige que eles voltem a trabalhar para ele. O maior trunfo do filme é, sem dúvida, a química perfeita da dupla de comediantes Guy Amir e Hanan Savyon, que escrevem e atuam também num programa humorístico de grande audiência na TV israelense. Também estão no elenco Igal Naor, Chen Amsalem e Anastasia Fein. Talvez por causa da fama da dupla de humoristas, o filme foi campeão de bilheteria nos cinemas de Israel e depois integrado à plataforma da Netflix. “Maktub” é uma comédia bem leve e muito divertida. Entretenimento de primeira!    

 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

 

“BITCH”, 2018, Estados Unidos, 1h37m, roteiro e direção de Marianna Palka, que ainda encontrou fôlego para atuar. O filme é mais um exemplo do bom cinema independente norte-americano. Para criar a história, Marianna Palka se inspirou num caso verídico relatado pelo famoso psiquiatra inglês Ronald David Laing (1927/1989). O filme mistura comédia e terror, encaixando-se perfeitamente no gênero Terrir. Jill (papel da diretora) é uma dona de casa em tempo integral, sofrendo um estresse terrível, não só pelo trabalho de cuidar de quatro filhos, mas também por aguentar as ausências constantes do marido Bill (Jason Ritter), sempre envolvido com outras mulheres. Depois de um violento surto psicótico, Jill simplesmente passa a agir como cachorro (“Bitch” é cadela em português). Sobrou para o marido, que praticamente abandona o escritório para cuidar dos filhos. A parada é dura, então ele pede socorro para sua cunhada Beth (Jaime King). Uma psiquiatra recomenda que Jill seja imediatamente internada, mas Bill não concorda. Apesar dos imensos transtornos, prefere ele mesmo assumir os cuidados com a esposa/cadela. Vamos parar por aqui para não estragar as surpresas do desfecho. Não há dúvida de que “Bitch” é um filme bastante interessante, comprovando o talento da atriz/diretora/roteirista Marianna Palka, nascida na Escócia e radicada nos Estados Unidos, onde faz carreira no cinema independente. O filme estreou no Festival de Sundance e recebeu elogios da crítica especializada e do público.   

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

 

Já começo o comentário soltando fogos. “A VOZ SUPREMA DO BLUES” (“MA RAINEY’S BLACK BOTT”) é um dos melhores filmes do ano. E pelos inúmeros motivos que destaco ao longo do meu comentário. Trata-se de uma produção norte-americana da Netflix, lançada na plataforma no dia 18 de novembro. Quem assina a direção é George C. Wolfe, com roteiro de Ruben Santiago-Hudson. A história é inspirada na peça teatral escrita em 1984 pelo dramaturgo August Wilson. A personagem central é Ma Rainey, nome artístico de Gertrud Malissa Nix Pridgett Rainey (1886-1939), uma cantora de blues que realmente existiu e foi uma das pioneiras do gênero. O filme é ambientado em 1927 no pequeno estúdio da Paramount Records, em Chicago. Ali estão reunidos os músicos e Ma Rainey (Viola Davis) para gravar um disco. Entre os músicos está o pistonista Levee (Chadwick Boseman, em seu último papel), que gosta de improvisar e tumultuar os ensaios. Ele também entrará em choque com a cantora, que exige fidelidade aos arranjos combinados. Ou seja, sem improvisações. Além de uma saborosa trilha sonora sob a batuta do saxofonista Branford Marsalis, fundamental destacar os diálogos potentes e expressivos, nos quais estão embutidos desde a origem histórica do blues até as tristes lembranças do racismo sofrido pela cantora e pelos músicos. A força do filme está toda aqui, nesse contexto de sofrimento e discriminação dos negros nos Estados Unidos. O grande trunfo do filme, porém, está na atuação espetacular da atriz Viola Davis e no desempenho do ator Chadwick  Boseman (o Pantera Negra), em sua última e brilhante atuação antes de morrer, em agosto último. O trabalho dos dois é tão espetacular que, desde já, estão sendo citados pela crítica especializada como favoritos ao Oscar 2021. O elenco conta ainda com Taylor Paige, Colman Domingo, Glynn Turman, Jeremy Shamos e Michael Potts.  O filme é tão bom que o “Rotten Tomatoes”, o exigente site agregador de avaliações da crítica e do público, o posicionou entre os dez melhores do ano, recebendo a incrível marca de 99% de aprovação. E não é só isso. Tem mais. Ao final da projeção, o filme ainda contempla cenas dos bastidores das filmagens, além de entrevistas com o diretor e o roteirista, com a atriz Viola Davis e com o ator Denzel Washington, que não atua mas é um dos produtores. Enfim, não é exagero considerar “A Voz Suprema do Blues” uma pequena obra-prima do cinema norte-americano. Não perca de jeito nenhum!   

 

sábado, 19 de dezembro de 2020

 

ISI & ROSSI, 2020, é o primeiro filme original Netflix gravado na Alemanha. Tem duração de 1h35m, com roteiro e direção de Olivier Kiele. É uma comédia romântica diferente daquelas produzidas por Hollywood, açucaradas e cheias de “mimimi”. “Isi & Rossi” apresenta um humor ácido e picante, bem ao estilo alemão. Tem até o avô de um dos personagens que fica preso durante 16 anos e sai da cadeia especialista em cantar rap. Vamos à história. A jovem Isi (Lisa Vicari) é filha de pais milionários que moram em um castelo em Heidelberg. Ela tem como objetivo estudar culinária em Nova Iorque e se tornar chef de cozinha, já que nos estudos é um zero à esquerda. Manfred Voigt (Hans-Jochen Wagner) e Claudia Voigt (Christina Hecke), os pais de Isi, querem que ela ingresse numa faculdade. Como ela é burrinha, eles resolvem comprar uma vaga. Isi fica revoltada com a atitude dos pais e resolve afrontá-los. Primeiro, vai trabalhar na cozinha de uma lanchonete de quinta categoria. Depois, quer encontrar algum jovem pobre para namorar. É aqui que entra na história Ossi (Dennis Mojen), um rapaz chucro, grosso e mal-educado, cujo principal objetivo na vida é se tornar um lutador de boxe profissional. A família do jovem é complicada. A mãe, solteira (Lisa Hagmeister), é chegada no álcool e vive endividada. O avô (Ernst Stötzner) é um ex-detento que vira cantor de rap (são dele os melhores momentos de humor do filme). Imagine quando os aristocráticos pais de Isi conhecerem Ossi e sua família. Nesse contexto, o diretor Olivier Kiele destaca a disparidade entre as classes sociais dos dois jovens. Destaque para a química entre os atores Lisa Vicari e Dennis Mojen, um dos pontos altos da comédia. Outro que merece destaque é o ator russo Ernst Stötzner como o avô rapper. “Isi & Rossi” é uma ótima opção de diversão para esses tempos tão tenebrosos. Viva a comédia! (Com esse filme, meu blog chega à marca de 2.000 filmes comentados. Obrigado pela audiência).



                        

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

 

TEMPESTADE: PLANETA EM FÚRIA (“GEOSTORM”), 2017, Estados Unidos, 1h49m, disponível na plataforma Netflix, direção de Dean Devlin, que também assina o roteiro com a colaboração de Paul Guyot. É mais um disaster movie para lembramos que não estamos seguros e que, de repente, tudo pode acabar numa tragédia. Tudo começa com um provável defeito no sistema “Dutch Boy’, uma rede de satélites ao redor da Terra criada para controlar o clima no planeta, cuja concepção envolveu 17 países. No início da catástrofe, algumas das principais cidades do mundo são afetadas por efeitos climáticos desastrosos, como aquecimento repentino, congelamento, terremotos, maremotos e furações. Enfim, pânico geral. No começo, são atingidas importantes cidades como Cabul (Afeganistão), Hong-Kong, Madrid, Dubai e até o Rio de Janeiro. Para tentar solucionar o defeito no “Dutch Boy”, o governo norte-americano convoca o engenheiro Jake Lawson (Gerard Butler), responsável pela implementação do sistema, o que incluiu a construção de uma estação orbital internacional. Jake é enviado à estação e lá descobrirá que por trás do defeito no “Dutch Boy” há uma conspiração para matar o próprio presidente dos Estados Unidos. O roteiro incluiu algumas subtramas, como a relação conflituosa entre Jake e o seu irmão mais novo Max (Jim Sturgess), além do namoro proibido deste com Sarah (Abbie Cornish), uma agente do serviço secreto. O filme reserva muita ação do começo ao fim, com sequências de tirar o fôlego. Ainda estão no elenco Andy Garcia, como o presidente Palma – de origem latina, talvez para dar uma “cutucada” em Trump -, Ed Harris como Dekkom, assessor especial do presidente, e a atriz romena Alexandra Maria Lara, comandante da estação espacial internacional. Se há um ponto de destaque no filme são os efeitos especiais – ou espaciais. São realmente sensacionais. Além disso, não há muito o que se destacar. No entanto, devo reconhecer que é um ótimo entretenimento.