sexta-feira, 30 de outubro de 2020

 

“MADEMOISELLE VINGANÇA” (“MADEMOISELLE DE JONCQUIÈRES”), 2018, França, 1h50m, roteiro e direção de Emmanuel Mouret (“Romance à Francesa”). Trata-se de um filme de época ambientado em meados do século 18, tendo como principal protagonista Madame De La Pommeraye (Cecile de France), uma bela viúva que vive reclusa em seu palácio rural desde a morte do marido. Um velho conhecido, o Marquês De Arcis (Édouard Baer), começa a assediá-la com insistência, mas ela não cede. Para um aristocrata famoso por suas conquistas femininas na alta sociedade de Paris e adjacências, as recusas de La Pommeraye se transformam num desafio a ser vencido. Como todo garanhão desafiado, ele aperta o cerco e, depois de muito tempo de assédio, consegue finalmente seu objetivo. A viúva acaba se apaixonando perdidamente, entregando-se completamente ao marquês. Dois anos depois, porém, ele confessa a ela que dali para a frente só quer amizade, pois seu amor terminou. A rejeição do marquês é um banho de água fria em La Pommeraye. E com mulher rejeitada, todo mundo sabe, não se brinca. Ela bola um plano maquiavélico para se vingar do marquês, utilizando duas prostitutas, mãe e filha, respectivamente Madame De Joncquières (Natalia Dontcheva) e Mademoiselle De Joncquières (Alice Isaaz). Sem contar detalhes, posso afirmar que o marquês vai comer o pão que o diabo amassou. “Mademoiselle Vingança” é um filme bastante agradável de assistir. O roteiro é primoroso, com diálogos num tom bastante satírico, mesmo que os protagonistas utilizem o vocabulário pomposo da aristocracia francesa daquela época. Você vai se divertir com as situações criadas pela viúva vingativa. Nesse ponto, há que se admirar a ótima atuação de Cecile de France, uma atriz que aprendi a admirar de longa data. Outro aspecto que merece destaque é a caprichada recriação de época, com cenários deslumbrantes de castelos, bosques e jardins, além dos figurinos. Mas é realmente o roteiro que valoriza o filme, escrito com muito inspiração pelo diretor Ammanuel Mouret, que o adaptou do livro “Jacques, Le Fataliste, et Son Maître”, do filósofo e escritor Denis Diderot (1713-1784). Mesmo quem não é chegado num filme de época vai curtir “Mademoiselle Vingança”, um filme inteligente e divertido. Programão!     

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

 

“O GAMBITO DA RAINHA” (“THE QUEEN’S GAMBIT”), 2020, minissérie de 7 capítulos de 1 hora produzida pela Netflix, roteiro e direção de Scott Frank. Logo que estreou na Netflix no dia 23 de outubro, a minissérie ganhou elogios no mundo inteiro, tanto de críticos de cinema como do público. Para se ter uma ideia de sua qualidade, até o rigoroso site Rotten Tomatoes, especializado em cinema, conferiu a ela 100% de aprovação, o que é uma raridade. Realmente, vale a pena assistir. A história, fictícia, é baseada no romance “The Queen’s Gambit”, do escritor norte-americano Walter Tevis (1928-1984). Vamos à sinopse. Aos 9 anos, em 1957, após a morte trágica da mãe, Beth Harmon é internada num orfanato. Encarregada de limpar os apagadores da lousa da classe, ela desce diariamente ao porão, onde encontra o zelador, sr. Shaibel (Bill Camp), jogando xadrez sozinho. Beth pede que ele a ensine o jogo. Depois de negar inúmeras vezes, Shaibel concordou em ensiná-la. Logo ele percebeu que estava diante de um fenômeno, de uma inteligência rara, uma verdadeira campeã em potencial. Ao mesmo tempo em que aprendia os movimentos do xadrez, Beth (Anya Taylor-Joy) ficaria viciada em tranquilizantes, que roubava da farmácia do orfanato. As pílulas levavam o seu cérebro a ter alucinações e, como num efeito holográfico, ela via um tabuleiro no teto do seu quarto movendo as peças e criando várias jogadas. Para resumir a história, Beth foi adotada por um casal e aos 13 anos já era campeã universitária, estadual e logo depois nacional. Sua fama chegou aos quatro cantos do mundo, o que lhe rendeu inúmeros convites para participar de torneios internacionais, enfrentando e vencendo jogadores profissionais, ou seja, os grandes mestres do xadrez. O maior objetivo de Beth seria enfrentar o russo campeão mundial Vasily Borgov (Marcin Dorocinski), o que aconteceria em duas ocasiões. Como o título já antecipa – gambito da rainha é uma das aberturas (jogadas iniciais) do jogo -, o filme é quase todo voltado para o que gira em torno do xadrez e a dedicação exigida por parte dos jogadores, envolvendo estudos e treinos diários, trabalho psicológico para aguentar a pressão das partidas e suas, em geral, tumultuadas vidas pessoais. No caso de Beth Harmon, por exemplo, o vício em álcool e tranquilizantes, além de uma crónica solidão. Não há dúvida de que o sucesso da produção deve ser atribuído, em grande parte, ao desempenho sensacional da jovem atriz norte-americana Anya Taylor-Joy (“Os Novos Mutantes”, “Fragmentado”) como Beth Harmon. O mais curioso é que a atriz, antes de atuar na minissérie, nunca havia jogado xadrez. Ainda estão no elenco Marielle Heller, Thomas Brodie, Harry Melling, Moses Ingram, Chloe Pirrie e Christiane Seidel. Mesmo que você não seja fã do jogo de xadrez, a minissérie tem tudo para agradar. Quem joga ou jogou xadrez, ou pelo menos se interessa pelo tema, “O Gambito da Rainha” é entretenimento garantido, emocionante do começo ao fim - e veja que estamos falando de xadrez.... Sem dúvida, uma verdadeira jogada de mestre da Netflix. Não exagero em escrever que esta é a melhor minissérie do ano. IMPERDÍVEL com letras maiúsculas.     

terça-feira, 27 de outubro de 2020

 

“MARY SHELLEY”, 2018, Inglaterra, 2h00, roteiro e direção da cineasta saudita Haifaa Al Mansour. Trata-se de uma adaptação para o cinema da biografia de Mary Wollstonecraft Godwin (1797-1851), que mais tarde seria conhecida como a escritora Mary Shelley, criadora do monstro Frankenstein. Filha do escritor e filósofo William Godwin e da escritora Mary Wollstonecraft, Mary cresceu lendo os livros da imensa biblioteca dos pais e logo cedo começou a escrever, dedicando-se a histórias de terror. O filme destaca o tumultuado romance entre Mary (Elle Fanning) e o poeta Percy Shelley (Douglas Booth), um escândalo na Londres da época, pois ela só tinha 16 anos. Para complicar ainda mais a situação, sua irmã Claire (Bel Powley), que passou a morar com o casal, também seria motivo de outro escândalo como amante do famoso poeta Lord Byron (Tom Sturridge). Em meio a tanta agitação, Mary encontrou tempo para escrever o romance que intitulou de “Frankenstein ou o Jovem Prometeu”, considerado até hoje o primeiro romance de ficção científica da literatura mundial. Interessante que, em sua primeira edição, o livro foi assinado pelo marido Percy Shelley, pois na época mulher escritora era quase um escândalo. Somente na segunda edição é que Mary aparece como autora. O filme apresenta uma primorosa recriação de época, com cenários de uma Londres onde a pobreza era evidente nas ruas. Mas o grande destaque é realmente a atuação da jovem atriz norte-americana Elle Fanning, irmã mais nova da também atriz Dakota Fanning. “Mary Shelley” deve ser visto não apenas como uma boa adaptação biográfica, mas também como um estudo comportamental de uma época em que a mulher era relegada a segundo plano na sociedade. Filmaço!  

domingo, 25 de outubro de 2020

 

“93 DIAS” (“93 DAYS”), 2016, Nigéria, 2h05m, direção de Steve Gukas e roteiro de Paul Rowlston. Baseado em fatos reais, o filme relembra como a Nigéria conseguiu conter a disseminação do vírus do Ebola por sua população. Vale registrar, antes de entrar no comentário, que houve um surto do Ebola na África Ocidental entre 2013 e 2016, durante o qual morreram 11.323 pessoas na Guiné, Libéria, Mali, Senegal, Nigéria e República Democrática do Congo. A Nigéria, devido ao empenho da equipe médica do Hospital First Consultant Medical Centre, da capital Lagos, conseguiu debelar o vírus em 93 dias, período em que foram infectadas 20 pessoas, com apenas 8 mortos. O filme começa com a chegada ao hospital do norte-americano Patrick Sawyer (Keppy Ekpenyong-Bassey), que desembarcara pouco antes no Aeroporto Murtala Mohammed proveniente da Libéria, onde trabalhava como consultor do Ministério das Finanças. No hospital, Sawyer foi atendido pela médica Ameyo Stella Adadevoh (Bimbo Akintola), que constatou que o paciente estava infectado pelo Ebola. Apesar das pressões do governo da Libéria e do próprio governo nigeriano, a médica proibiu Sawyer de sair do hospital para não contaminar outras pessoas, mas enfermeiros e médicos, inclusive Adadevoh, acabaram infectados. “93 Dias” retrata o esforço e a dedicação do pessoal do hospital na luta contra a doença, com a ajuda de uma equipe enviada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Ong Médicos sem Fronteiras. Apesar do cenário trágico que envolve toda a história, “93 Dias” consegue ser bastante esclarecedor com relação aos fatos que aconteceram, reservando ao telespectador algumas sequências muito comoventes. Mas o que se destaca realmente é o empenho corajoso da equipe do hospital, que arriscou suas vidas para salvar outras. Lembrando que só a capital Lagos tinha na época 21 milhões de habitantes, 20 infectados e oito mortos podem ser considerados um feito milagroso, ainda mais num país com poucos recursos na área médica. Como destaque no elenco, a participação do ator norte-americano Danny Glover como Dr. Benjamin Ohiaeri, diretor médico do hospital, e do ator escocês Alastair Mackenzie como o médico David Brett-Major, da OMS. “93 Dias” é mais uma produção do cinema nigeriano, hoje o segundo maior produtor de filmes do mundo, atrás apenas da Índia (EUA é o terceiro).     

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

 

REBECCA – A MULHER INESQUECÍVEL (“REBECCA”), 2020, Estados Unidos, produção e distribuição Netflix, 2h2m, direção de Ben Wheatley. A história foi adaptada do romance de Daphne Du Maurier, de 1938, um grande best-seller mundial na época e que se transformou em roteiro escrito por Joe Shrapnel, Jane Goldman e Anna Waterhouse. Já houve outra adaptação para o cinema, em 1940, dirigida por Alfred Hitchcock e que conquistou a estatueta do Oscar como Melhor Filme. Trata-se de um suspense psicológico cujo maior trunfo é realmente a ótima história criada pela escritora inglesa Daphne Du Maurier (1907-1989). Vamos a ela. O milionário Maxim De Winter (Armie Hammer) fica viúvo de Rebecca, morta num acidente de barco. Pouco tempo depois, ele conhece uma jovem cuidadora de idosos que logo se tornaria a sra. De Winter (a atriz inglesa Lily James) – o primeiro nome da personagem não é mencionado. O casal vai morar na mansão Manderley, na costa inglesa, pertencente à família De Winter há várias gerações. No que seria um verdadeiro conto de fadas, o casamento com Max se transformou num verdadeiro inferno para a nova sra. De Winter. A começar pela evidente rejeição a ela pela governanta mrs. Danvers (Kristin Scott Thomas), o mesmo sentimento de outros empregados da mansão, que sempre colocaram a falecida Rebecca num pedestal sagrado. A jovem mrs. De Winter também foi obrigada a conviver com o comportamento estranho do marido, ainda muito ligado às lembranças da esposa morta. Aos poucos, mrs. De Winter desvendará muitos segredos da vida de Rebecca, alguns relacionados com a sua morte. O desfecho trágico, numa sequência de grande suspense, consagra uma das histórias mais emocionantes e bem escritas da literatura mundial. No caso das adaptações para o cinema, o filme de 1940 é considerado, pela maioria dos críticos, como a melhor. Não discordo, mas acho que a nova versão também tem muitas qualidades, a começar pelas ótimas atuações de Kristin Scott Thomas e de Lily James, além dos cenários deslumbrantes e de um primoroso trabalho de fotografia. Filmaço!    

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

 

“JAG ÄLSKAR DIG – EN SKILSMÄSSOKOMEDY” – É com esse título pra lá de complicado que esta ótima comédia sueca está disponível no catálogo Netflix. Fui atrás da tradução literal para o português: “Eu Te Amo – Uma Comédia de Divórcio”. O filme é de 2016, escrito e dirigido por Johan Brisinger. A história é centrada no casal Gustav (Björn Kjellman) e Marianne (Christine Meltzer), que estão na meia-idade e vivendo uma crise típica... da meia-idade. Ele é sócio de uma grande firma de advocacia, trabalha muito e não tem muito tempo para se dedicar à esposa e ao casal de filhos adolescentes. O casamento se transforma numa rotina sem muitas emoções, o que inclui a ausência de sexo. Marianne acaba se rebelando com a situação e sai de casa, indo morar com uma amiga. De início, Gustav fica desesperado, mas logo conhece uma mulher bem mais jovem, a espevitada Rita (Nour El-Refai). Marianne também se refaz da separação nos braços de Rodolfo (Rodolfo Corsato) um fotógrafo latim lover. Todo esse contexto acaba gerando situações bastante engraçadas, envolvendo os problemas com os filhos, a relação com os pais e cunhados de Gustav e ainda uma revelação bombástica perto do desfecho. Além do elenco bem afiado e das sequências de humor hilariantes, o filme destaca inúmeros cenários deslumbrantes da capital Estocolmo. Enfim, uma comédia leve e agradável de assistir. Recomendo.  

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Pintou um forte candidato a muitas indicações na disputa do Oscar 2021. Estou me referindo ao filme “Os 7 DE CHICAGO” (“THE TRIAL OF THE CHICAGO 7”), 2020, Estados Unidos, 2h10m - disponível na Netflix -, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Aaron Sorkin, mais conhecido no meio cinematográfico por seu currículo como roteirista (veja seus principais filmes no final deste comentário). “Os 7 de Chicago” adapta os fatos ocorridos no final do emblemático ano de 1968, quando diversos grupos de manifestantes, entre os quais radicais de esquerda, moderados ligados ao movimento hippie, panteras negras e até escoteiros, rumaram para Chicago para protestar contra a Guerra do Vietnã durante a realização da Convenção Nacional do Partido Democrata. O movimento terminou em pancadaria entre policiais e manifestantes, com dezenas de feridos. Logo em seguida, um inquérito policial apontou sete pessoas como responsáveis pelo conflito. O caso culminou em julgamento, o qual será a premissa principal de “Os 7 de Chicago”. O embate jurídico resulta em pelo menos 151 sessões do julgamento até a decisão final dos jurados. Na época, os meios de comunicação dos Estados Unidos ficaram focados em Chicago, acompanhando o desenrolar dos fatos. Para valorizar ainda mais a história, o filme utiliza vídeos da época mostrando as cenas de violência, incluindo os assassinatos de Martin Luther King e Bob Kennedy. Um dos trunfos de “Os 7 de Chicago” é seu elenco estrelado. Confira: Sacha Baron Cohen, Eddie Redmayne, Joseph Gordon-Levitt, Michael Keaton, Frank Langella, Mark Rylance, Alex Sharp, William Hurt, Yahya Abdul-Mateen II, Jerimy Strong e Caitlin Fitzgerald. O grande mérito, porém, é do diretor Aaron Sorkin, cujo currículo de roteirista apresenta filmes de qualidade como “A Grande Jogada”, “Questão de Honra”, “Jogos do Poder”, “A Rede Social”, “Steve Jobs” e “O Homem que Mudou o Jogo”. Enfim, uma fera de Hollywood. Não tenho dúvidas em afirmar que “Os 7 de Chicago” tem grande chance de ser eleito o filme do ano - por mim já é. Realmente é excelente, um registro histórico de um caso que marcou época. IMPERDÍVEL com maiúsculas!    

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

“RUSTOM”, 2016, Índia, 2h30m, segundo longa-metragem dirigido por Tinu Suresh Desai, seguindo roteiro escrito por Vipul K Rawal. Um misto de policial e filme de tribunal. A história foi inspirada num caso verídico ocorrido em 1959 em Bombaim (hoje Mumbai) e que ganhou enorme repercussão e espaço nos jornais indianos. O personagem principal envolvido foi o oficial da marinha Kawas Manekshaw Nanavati, que assassinou a tiros o amante de sua esposa. No filme, o personagem ganhou o nome de Rustom Pavri (Akshay Kumar). Um resumo da história: Rustom volta mais cedo depois de uma longa missão no mar e descobre que a esposa Cynthia (Ileana D’Cruz) está tendo um caso com um antigo amigo do casal, o poderoso empresário Vikram Makhija (Arjan Bajwa). Rustom não tem dúvida: pega um revólver e vai atrás de Vikram, matando-o com três tiros no peito. Em seguida, se entrega à polícia e confessa o crime. Os jornais de Bombaim fazem a festa, colocando o caso diariamente nas manchetes de 1ª página, alcançando recordes de vendas. Como acontece em qualquer país de cultura machista, a opinião pública manifesta-se a favor do oficial, que, segundo ela, agiu corretamente em matar o oponente conjugal. O julgamento é marcado, sendo que Rustom não aceita ser representado por um advogado. Ele mesmo quer se defender. Por seu lado, a promotoria, incentivada e "patrocinada" pela irmã da vítima, a milionária Priti Makhija (Esha Gupta), parte para o ataque utilizando métodos ilícitos, como a compra de testemunhas e a apresentação de documentos falsos. Para aumentar ainda mais a repercussão do caso, Rustom apresenta, durante o julgamento, denúncias sobre a corrupção da marinha indiana por conta da compra de um porta-aviões inglês. Além do ator Akshay Kumar, uma celebridade de Bollywood, com mais de 100 filmes no currículo, destacam-se duas das atrizes mais competentes e bonitas do cinema indiano: Ileana D’Cruz e Esha Gupta. “Rustom”, grande sucesso de bilheteria na Índia, manteve o estilo que caracteriza quase todas as produções de Bollywood: cenários esplendorosos, profusão de cores fortes, tanto nos cenários como nos figurinos, pétalas de flores caindo, cantorias intermináveis, muitos closes dos atores e uma trilha sonora irritante tentando aumentar a tensão a cada sequência de maior suspense. Ainda bem que ficaram de fora aquelas cenas de dança tão comuns nos filmes indianos. Apesar dessas – para nós ocidentais - anomalias estéticas, “Rustom” se apresenta como um filme interessante de assistir – está disponível no catálogo Netflix.  

 

 

sábado, 17 de outubro de 2020

 

“100 METROS”, 2016, Espanha, 1h48m, disponível no catálogo Netflix, marca a estreia de Marcel Barrena como roteirista e diretor. A história é baseada em fatos reais. Aos 35 anos, Ramón Arroyo (Dani Rovira), um importante executivo de uma agência de propaganda, começa a perceber alguns sintomas estranhos: formigamento nas mãos, dificuldade na fala, perda de movimentos e confusão mental. Depois de vários exames, o trágico diagnóstico: esclerose múltipla. A notícia chega justamente no momento em que ele está no auge da carreira e sua esposa Inma (Alexandra Jiménez) prestes a ganhar o segundo filho. O início do tratamento é bastante difícil, principalmente do ponto de vista psicológico, pois os prognósticos médicos não são nada bons. Numa das sessões de tratamento, um de seus colegas pacientes diz a Ramon: “Daqui a pouco você não conseguirá caminhar 100 metros e logo estará uma cadeira de rodas”. Ramón resolve desafiar essa previsão e começa a treinar não só para vencer os 100 metros, mas para encarar provas mais difíceis, quem sabe um Iron Man, a prova mais difícil do triathlon, com 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,195 km de corrida. Mesmo com o descrédito geral, inclusive da sua própria médica, mas com o apoio da esposa e do sogro Manolo (Karra Elejalde), Ramón resolve treinar para a prova. Seu técnico é o próprio sogro, um ex-professor de educação física, com o qual não se dava desde o início do namoro com Inma. Aliás, a relação difícil entre o sogro e o genro resulta nas cenas mais engraçadas, um alívio cômico diante de um contexto tão dramático. Em grande parte do roteiro, o diretor Barrena prioriza as sequências de treinamento de Ramón até a realização da prova. Como principal trunfo, além do elenco afiado, que conta ainda com a atriz portuguesa Maria de Medeiros e Alba Ribas, “100 Metros” nos apresenta um belo e comovente exemplo de superação. O filme emociona e diverte ao mesmo tempo. Para os mais sensíveis, recomendo assistir com uma caixa de lenços de papel do lado. Resumo da ópera: filmaço!  

 

“THE SPY GONE NORTH” (“GONGJAK”), 2018, Coreia do Sul, 2h21m, roteiro e direção de Yoon Jong-Bin. A tradução para o português seria algo como “O Espião foi para o Norte”, mas mantive o título em inglês, como está no catálogo da Netflix. Trata-se de um filme de espionagem com forte apelo político. A história é baseada num caso real ocorrido nos anos 90 do século passado. O major sul-coreano Park Seok-Yeong (Hwang Jung-Min) foi convocado pelo Serviço Nacional de Inteligência para uma importante e arriscada missão: infiltrar-se na Coreia do Norte com o objetivo de descobrir informações sobre o programa nuclear do governo comunista do ditador Kim Jong II. A operação foi intitulada “Venus Black”, também utilizado como codinome do espião. A estratégia começou em transformar Park em um empresário com muito dinheiro para investir em negócios na Coreia do Norte. O primeiro passo foi fazer contato com um importante dirigente do país vizinho em Pequim, Ri Myung-Woon (o ótimo Lee Sung-Min, de “The Witness”), secretário do comércio exterior. Ao ganhar a confiança de Ri, Park conseguiu chegar à capital comunista Pyongyang como visitante ilustre e, como tal, ter uma audiência particular com o ditador Kim Jong II (Gi Ju-Bong), num dos momentos mais marcantes do filme. Outra sequência impactante refere-se à visita que Park faz à periferia da capital norte-coreana, um cenário de miséria e descaso total, um povo que morre aos poucos de fome – a cena de mortos empilhados nas calçadas é chocante. Além de conseguir informações importantes sobre o programa nuclear da Coreia do Norte, Park também terá surpresas desagradáveis com relação à corrupção do seu próprio governo nas eleições anteriores e nas que se aproximam. “The Spy Gone North” estreou no Festival de Cannes 2018, recebendo elogios de críticos e de público. O filme é excelente, de muito impacto e tenso como todo bom filme de espionagem deve ser. Mais uma superprodução do excelente cinema sul-coreano. Imperdível!       

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

 

“THE WITNESS” (“MOK-GYEOK-JA”), 2018, Coreia do Sul, 1h51m, roteiro e direção de Jo Gyu-Jang. A tradução em português seria “A Testemunha”, mas mantive o título em inglês, pois é assim que está no catálogo da Netflix. Não dá pra entender como esse filme tão bom não tenha sido exibido por aqui no circuito comercial. Trata-se de um suspense muito criativo, vigoroso e tenso, do começo ao fim. Vamos à história. Depois de beber com os amigos, Han Sang-Hoon (Lee Sung-Min) chega em casa por volta das 2 horas da manhã e resolve tomar uma cerveja “saideira”. De repente ele ouve o grito de uma mulher pedindo socorro e resolve ver o que está acontecendo. A mulher está sendo espancada com um martelo, e o criminoso percebe que está sendo visto por alguém. Quando olha para o 6º andar, ele flagra Sang-Hoon testemunhando a agressão. Morrendo de medo, ele resolve não ajudar a vítima, preferindo apagar a luz do apartamento e se esconder. A partir daí, a vida de Sang-Hoon vira um verdadeiro inferno, pois ele acredita que o assassino virá atrás dele, de sua mulher, da filha e até do cachorro. Para aumentar ainda mais o suplício de Sang-Hoon, o psicopata ainda cometerá outros crimes cujas vítimas seriam também testemunhas. O suspense aumenta cada vez mais, chegando a um dos desfechos mais emocionantes já criados no cinema. Méritos para o roteirista e diretor estreante Jo Gyu-Jang, um antropólogo que fez mestrado em direção de cinema na Universidade Nacional de Artes da Coreia. Em sua estreia como roteirista e diretor, Gyu-Jang marcou um verdadeiro gol de placa. Algumas sequências são realmente de arrepiar, com movimentos de câmera em ritmo alucinante, levando o espectador a interagir com o personagem de Sang-Hoon naqueles momentos de maior tensão. “The Witness” é simplesmente sensacional, com certeza um dos melhores suspenses dos últimos anos, consagrando a já comprovada qualidade do cinema sul-coreano. Não perca de jeito nenhum!   

terça-feira, 13 de outubro de 2020

“DARC” é uma produção norte-americana de 2018. Trata-se do primeiro longa-metragem dirigido por Julius R. Nasso, mais conhecido, no meio cinematográfico, como produtor. O roteiro é assinado por Tony Schiena e Dennis Venter. Schiena, aliás, atua como o personagem central da história, fazendo o papel de Darc, na verdade o seu pseudônimo, criado quando curtia um super-herói com esse nome num gibi. O filme começa mostrando como o então menino presenciou o assassinato da mãe por um membro da poderosa máfia japonesa . Na época, ele e a mãe moravam em Tóquio – a mãe havia sido vítima de sequestro pela Yakuza para trabalhar como prostituta na capital japonesa. O garoto guardou o nome e a cara dos assassinos. O filme dá um salto de 25 anos e Darc está agora em Los Angeles trabalhando nas sombras como um misto de detetive/justiceiro particular. Ele é procurado pelo seu amigo policial Lafique (Armand Assante) para que o ajude a libertar a filha, sequestrada por integrantes da filial norte-americana da Yakuza. O plano é que Darc se infiltre na quadrilha japonesa para descobrir o paradeiro da filha do amigo. Ora, quem é o chefe da gangue japonesa? Justamente o assassino de sua mãe. A partir daí, muita ação e violência, pancadarias generalizadas, tiros, muito sangue jorrando e cenas de luta muito bem coreografadas. É nesse contexto que entra a experiência do ator sul-africano Tony Schiena, um mestre das artes marciais. Campeão mundial de caratê na categoria peso-pesado, Schiena também trabalha como instrutor de combate corpo-a-corpo para a SWAT, para o exército dos Estados Unidos e para a OTAN. Antes, trabalhou como agente do serviço de inteligência militar do governo da África do Sul. Atualmente, em paralelo à sua carreira de ator, ele é proprietário da Multi Operational Security Agency of Intelligence Company (MOSAIC). Todo esse currículo, mais sua habilidade em artes marciais, contribuiu para que Schiena criasse um roteiro dos mais dinâmicos. Como todo bom filme de ação, “Darc” não nega fogo. Ótimo entretenimento, um filmaço!            

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

 

“SHABANA – TREINADA PARA MATAR” (“NAAN SHABANA”), 2017. Índia, 2h27m, disponível no catálogo da Netflix, direção de Shivan Nair, a partir de roteiro de Neeraj Pandey. O gênero “Filmes de Ação” nunca foi o forte de Bollywood. De vez em quando aparece algum razoável, mas difícil encontrar um ótimo. Embora seja protagonizado pela atriz do momento na Índia, Taapsee Pannu, “Shabana” não consegue, em nenhum momento, entusiasmar. Vamos à história. Após assistir ao assassinato de seu namorado Jai (Taher Shabbir), Shabana (Taapsee) quer vingança, achando que suas habilidades em artes marciais são suficientes para acabar com os quatro assassinos. O problema é que ela não sabe o paradeiro do quarteto. É aí que aparece um sujeito se dizendo membro de uma agência de espionagem prometendo ajudá-la. Em troca pelo favor, ela concorda em ser treinada para se aprimorar em artes marciais e utilização de armas de fogo. O acordo com a agência prevê, depois da vingança pela morte do namorado, a captura de um poderoso traficante de drogas e armas, um tal de Tony (Prithviraj Sukumaran). O problema é que o bandido tem um exército de seguranças fortemente armados, o que torna a missão de capturá-lo um verdadeiro suicídio. Será que Shabana conseguirá executar o trabalho e ainda sair viva? A resposta, só assistindo ao filme, muito fraco, aliás. Longo demais, com um elenco de péssimos atores e cenas de ação que podem servir para uma comédia, de tão risíveis. A conclusão é que o diretor Shivan Nair deveria fazer um curso de cenas de ação e coreografias de luta com o diretor sul-coreano John Woo. Enfim, “Shabana” é aquele filme para ficar guardado até virar mofo. Uma verdadeira BOMBAIM!          

sábado, 10 de outubro de 2020

 

“O AFOGAMENTO” (“THE DROWNING”), 2016, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h39m, direção de Bette Gordon. O roteiro, inspirado no livro “Border Crossing” (2001), de Pat Barker, foi escrito por Stephen Molton e Frank Pugliese. A história começa quando o psicólogo Tom Seymour (Josh Charles) e sua esposa Lauren (Julia Stiles) estão fazendo uma caminhada à beira de um lago. De repente, percebem que um jovem se atira na água evidentemente para se matar. Tom mergulha e consegue salvar o rapaz, que, para surpresa do psicólogo, identifica-se como Danny Miller (Avan Jogia), que há 12 atrás, quando tinha 11 anos de idade, foi condenado à prisão depois de cometer um assassinato. Durante o julgamento, Tom foi chamado para depor sobre as condições psicológicas do garoto assassino, chegando à conclusão de que ele deveria ser preso. Tanto tempo depois, Danny sai da cadeia no regime condicional, mas seu comportamento ainda é de um jovem perturbado que precisa urgentemente de auxílio psicológico. Ele passa a assediar a família de Tom, levando o espectador a crer que logo virá a vingança final por parte de Danny. O psicólogo também acredita nessa hipótese e começa a agir como um paranoico, o que afetará até mesmo o seu relacionamento com Lauren. Enfim, você espera que algo de ruim vem por aí, mas somente no desfecho é que acontece. Até lá, é só enrolação. A história até que não é ruim, mas poderia resultar num filme muito melhor se o roteiro fosse mais criativo, indo a fundo no suspense. O ator Avan Jogia foi mal escolhido para o papel de vilão da história. Seu jeito e sua aparência estão mais para um personagem de “Malhação”, tipo um jovem perdido e carente precisando do colo da mãe, e jamais um psicótico. Não há um ator que se destaque, a maioria atuando no piloto automático. Resumo da ópera: como suspense, “O Afogamento” nunca vem à tona.        

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

 

“TRAIDORES” (“TRAITORS”), 2019, Inglaterra, minissérie em seis capítulos, cada um com 47 minutos, produzido para exibição no Channel 4 e recém-chegado à plataforma Netflix. O roteiro foi criado pela escritora Bathsheba Doran, mais conhecida como Bash Doran, com a colaboração de Emily Ballou e Tracey Scott Wilson. Bash Doran também atuou na direção, sendo responsável pelos três primeiros capítulos. Os outros três foram dirigidos por Alex Winckler. A história é um misto de ficção com fatos reais, sendo ambientada em Londres em 1945, logo após o final da Segunda Grande Guerra. A jovem Feef Symonds (Emma Appleton) conseguiu emprego como secretária no gabinete do governo inglês. Em poucos dias, graças ao seu empenho e inteligência, foi promovida para o cargo de analista. Não demorou muito para ela ser contatada por um alto funcionário do Escritório de Serviços Estratégicos dos Estados Unidos (American Office of Strategic) instalado em Londres. Resumindo, Feef passou a espionar para o governo norte-americano, desconfiado de que poderia haver um espião a serviço da Rússia atuando no gabinete do governo inglês (em 1945, o Partido Trabalhista, de tendência socialista, assumiu o governo, causando preocupação para os Estados Unidos de que poderia haver uma influência soviética em terras capitalistas). Enfim, era o início da Guerra Fria, sendo Londres o local onde havia maior mobilização de negociações geopolíticas que definiriam um novo contexto internacional, e que culminariam, inclusive, com a criação do Estado de Israel. Ao mesmo tempo, um grande contingente de espiões de vários países encontravam-se em território inglês para informar o que estava acontecendo aos seus respectivos países. O título “Traidores“ já dá uma ideia do que acontecia naquele período. A jovem Feef passou a viver nesse turbilhão de esquemas sórdidos, intrigas, traições, assassinatos e muita desconfiança. Na verdade, a minissérie demora a engrenar. Em seus três primeiros capítulos, a confusão de personagens pode complicar o entendimento do espectador. Somente a partir do quarto capítulo é que as peças começam a se encaixar e o ritmo aumenta, com alguns bons momentos de ação e suspense. Mas, no geral, não convence, com exceção da primorosa recriação de época e do contexto histórico bastante interessante e esclarecedor. Além de Emma Appleton (ótima!), estão no elenco Brandon P. Bell, Keeley Hawes e Michael Stuhlbarg.        

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

 

 

“MADRAS CAFÉ”, 2013, Índia, 2h13m, direção de Soojity Sircar, seguindo roteiro assinado por Somnath Day, Shubendu Bhattacharya, Juhi Chaturvedi e Tushar Jain. Uma equipe e tanto de Bollywood. O filme é um thriller político com muita ação que relembra um fato histórico ocorrido nos fins dos anos 80 e início dos anos 90 do século passado, ou seja, a guerra civil no Sri Lanka, país insular ao sul da Índia. De um lado, um exército de guerrilheiros intitulados Tigres de Libertação do Tamil Eelam (LTTE), formado por rebeldes da etnia Tâmei. Trata-se de um grupo separatista fortemente armado responsável por vários atentados à bomba, inclusive o que matou o primeiro-ministro da Índia, Rajiv Ganhi, filho mais velho de Indira. Do outro lado, o exército fiel ao governo de Sri Lanka, apoiado pela Índia. No filme, Vikram Singh (John Abraham), oficial das forças especiais do exército indiano, recebe a missão de descobrir o paradeiro do líder rebelde, Anna Bhaskaran (Ajay Ratnam), e tentar uma negociação de paz. Para isso, conta com a ajuda da jornalista correspondente de guerra Jaya Sahni (Nargis Fakhri). Uma série de eventos atrapalha o trabalho de Vikram, levando-o a descobrir que existe um informante entre os agentes da inteligência indiana. Durante sua missão, Vikram encontra fortes indícios que os rebeldes tâmeis planejam executar um atentado à bomba contra o primeiro-ministro indiano. Muita gente vai morrer pelo caminho, num amontoado de traições, execuções e atentados. O título “Madras Café” refere-se ao local de Londres onde os rebeldes negociam com representantes de países como Estados Unidos Inglaterra e até a Rússia. Enfim, mais um exemplo de como a política pode ser suja e sem escrúpulos, os grandões tentando impor suas vontades pelo mundo afora. A bola da vez era o Sri Lanka. O filme é bastante esclarecedor e até didático ao contar esse episódio histórico tão marcante para Índia e Sri Lanka. Recomendo!          

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

 

“PERDIDA” (“DESAPARECIDA”), 2019, Argentina, 1h43m, roteiro e direção de Alejandro Montiel. Trata-se de thriller policial adaptado do livro “Cornelia”, escrito pela jornalista e romancista policial argentina Florence Etcheves. Ao investigar o caso envolvendo o tráfico de jovens sequestradas para prostituição, a detetive Manuela “Pipa” Pelar (Luisana Lopilato) descobre indícios que podem levá-la a desvendar o misterioso desaparecimento de sua melhor amiga Cornelia Villalba (a bela atriz espanhola Amaia Salamanca) ocorrido há 14 anos. Na época, ainda adolescentes, “Pipa”, Cornelia e mais três amigas, fizeram uma viagem à Patagônia para passear e, durante uma balada, Cornelia acabou desaparecendo. Depois de tantos anos, a polícia encerrou o caso e a família de Cornelia resolveu providenciar o seu enterro, mas para a agora policial “Pipa” o caso não está encerrado. Por conta própria, ela começa as investigações, chegando muito perto da verdade. Muita gente do submundo criminoso, principalmente ligado à prostituição, não vai gostar de uma policial desenterrando um passado que estava quietinho. E, dessa forma, “Pipa” e seus colegas policiais estarão em perigo. Perto do desfecho, uma surpreendente revelação dá um toque especial à história. A atriz argentina Luisana Lopilato, casada na vida real com o cantor canadense Michael Bublé, voltaria a atuar no papel da detetive Manuela Pelar em “Presságio”, de 2020, baseado em outro romance da escritora Florence Etcheves, “La Corazonada”. A adaptação de “Perdida” pode ser encarada como um suspense razoável, com algumas reviravoltas interessantes, mas o resultado final serve apenas com um razoável entretenimento.          

 

“A QUARTA REPÚBLICA” (“4TH REPUBLIC”), 2019, Nigéria, 1h59m, direção de Ishaya Bako, que também assina o roteiro juntamente com Emil Garuba e Zainab Omaki. É mais um bom exemplo do vigoroso cinema nigeriano, também conhecido como Nollywood, hoje o segundo o maior produtor de filmes do mundo, só superado pela Índia (Bollywood) e à frente dos Estados Unidos, em terceiro lugar. Trata-se de um thriller político que retrata de forma realista e contundente como ocorrem as eleições da Nigéria, em meio a fraudes, corrupção generalizada e até assassinatos. No caso, trata-se das eleições para governador do Estado de Kogi, disputadas por Idris Sani (Sani Muazu), que busca a reeleição, e a candidata da oposição Mabel King (Kate Henshaw). Horas após o final das eleições, o local de votação – uma escola - de uma das zonas eleitorais mais importantes sofre um atentado que resultou em várias mortes, uma delas a de Sikirou (Jide Attah), gerente da campanha de Mabel. A escola foi incendiada e ficou totalmente destruída, sendo impossível contabilizar os votos, que, conforme as pesquisas, dariam maioria à candidata oposicionista. O caso terminou na justiça, pois Mabel entrou com ação reivindicando novas eleições e acusando o atual governador pelo atentado. Durante o julgamento, tudo caminhava em favor de Idris, até que um vídeo, feito por um dos sobreviventes do atentado, provocaria uma reviravolta na história. “A Quarta República”, totalmente falado em inglês (a língua oficial da Nigéria), está à disposição na plataforma Netflix desde o dia 13 de junho de 2020. O filme foi produzido com o objetivo de conter a violência eleitoral no país, sendo patrocinado por doações da Fundação John D./Catherine T. MacArthur e da Open Society Initiative for West Africa (OSIWA). Sem dúvida, um filme bastante impactante e esclarecedor, que merece ser conferido.    

sábado, 3 de outubro de 2020

 

“A COMÉDIA DOS PECADOS” (“THE LITTLE HOURS”), 2017, coprodução EUA/Canadá, 1h20m, roteiro e direção de Jeff Baena. A história é baseada no livro de contos “Decameron”, escrito por Giovanni Boccaccio – para nós, Bocage – no século XIV. “A Comédia dos Pecados” é realmente uma comédia, ambientada no ano de 1347 num convento no alto das montanhas na região da Toscana. É lá que se refugia o jovem Masseto (Dave Franco, irmão do ator James Franco), ex-empregado no palácio do Lorde Bruno (Nick Ofterman). Masseto era amante da esposa do lorde, Francesca (Lauren Weedman), e quando o caso foi descoberto, teve que fugir para não ser morto. Masseto ingressou no convento para trabalhar como jardineiro e carpinteiro. Sua chegada causou o maior alvoroço entre as fogosas freiras Fernanda (Aubrey Plaza), Alessandra (Alison Brie) e Ginevra (Kate Micucci). Enquanto isso, a madre superiora (Molly Shannon) desfrutava dos carinhos carnais do padre Tommasso (John C. Reilly). Ou seja, bagunça total que nem mesmo a chegada do bispo Bartolomeo (Faed Armisen) conseguiu frear. Como curiosidade, destaco que o roteirista e diretor Jeff Baena é casado na vida real com a atriz Aubrey Plaza, e o ator Dave Franco com Alison Brie. "A Comédia dos Pecados" brinca entre o sagrado e o profano, misturando alto grau de erotismo e muitas situações hilariantes. Enfim, é um filme picante, que transborda ousadia e irreverência, bem ao gosto e ao estilo de Bocage. Confesso que me diverti bastante com essa comédia, a qual recomendo para esses dias de pandemia, pois acredito que rir ainda é o melhor remédio.                    

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

 

“O SANTO” (“THE SAINT”), 2017, Estados Unidos, 1h31m, direção do diretor russo radicado nos EUA Ernie Barbarash, seguindo roteiro escrito por Jesse Alexander e Tony Giglio. Trata-se de mais um filme com o personagem Simon Templer, “O Santo”, um ladrão sofisticado que trabalha sempre para os mocinhos das histórias, salvando vidas e roubando dinheiro ilícito de bandidos poderosos, um misto de Robin Hood e James Bond. O personagem foi criado pelo escritor britânico Leslie Charles, sendo transformado em filmes desde a década de 30 e adaptado para uma série televisiva nas décadas de 60 e 70 com Roger Moore. Em 1997, “O Santo” ganhou uma nova roupagem com o então astro e hoje decadente Val Kilmer. Nesta recente versão de 2017, o personagem é interpretado pelo ator inglês Adam Rayner. Sua primeira missão é evitar que terroristas comprem uma bomba nuclear dos russos. Em seguida, é contratado por um banqueiro para resgatar a filha que foi sequestrada. O caso envolve o desvio de uma grande soma de dinheiro doada ao governo da Nigéria para ajudar no combate à fome. Em suas missões, o novo “Santo” tem a companhia da charmosa Patrícia Holme (Eliza Dushku), uma especialista em informática e artes marciais. O filme é dedicado à memória do ator Roger Moore, que aparece numa ponta nesta nova versão e que faleceu logo após o fim das filmagens. Com suas mentiras divertidas e  extravagâncias visuais, “O Santo” lembra os filmes com o espião James Bond, garantindo um ótimo entretenimento.                   

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

 

“A LEI DA NOITE” (“LIVE BY NIGHT”), 2016, Estados Unidos, 2h09m, quarto longa-metragem produzido, escrito e dirigido por Ben Affleck, que também atua no papel do principal personagem. O filme, baseado em livro do escritor Dennis Lehane, é todo ambientado na década de 20 do século passado em Boston, onde a criminalidade cresce a cada dia, ainda mais por conta de uma disputa de territórios entre as máfias italiana e irlandesa. É nesse contexto que o fora da lei Joe Coughlin (Affleck) age de forma independente, praticando assaltos, principalmente a bancos. Sua atuação no crime chama a atenção dos chefões mafiosos, que querem recrutá-lo como capanga. Ele recusa os convites, afirmando que não quer ser gângster, apenas um fora da lei, para desconsolo do seu pai, que é nada menos do que o comissário de polícia de Boston, Thomas Coughlin (o ator irlandês Brendan Gleeson). Joe não contava, porém, que iria se apaixonar justamente pela namorada de um poderoso chefão da máfia irlandesa, a fogosa Emma Gould (Sienna Miller). Aí a coisa fica feia e Joe se manda para a Flórida, onde inicia contatos com uma gangue de cubanos responsável pela fabricação clandestina de rum. Aqui, ele se apaixona pela cubana Graciela (Zoë Saldaña), também conhecida como a “Rainha do Rum”, por ser dona do negócio ao lado do irmão. Até o desfecho, Joe voltará a se encontrar com os mafiosos italianos e irlandeses para um novo banho de sangue. Ainda estão no elenco Chris Cooper (xerife Figgis) e Elle Fanning (Loretta). Além de atuar, escrever e dirigir, Ben Affleck ainda é um dos produtores, ao lado, entre outros, de Leonardo DiCaprio. Achei o filme bastante interessante não só esteticamente, ressaltando sua fotografia e a recriação de época, mas também como retrato de uma época que marcou a história dos Estados Unidos, incluindo como personagem a famigerada Ku Klux Klan. “A Lei da Noite” tem muita ação, tiros, pancadarias e ótimas perseguições em alta velocidade nas ruas e estradas – relevando-se, é claro, o limite daqueles carros antigos. Enfim, um bom programa para quem aprecia, como eu, filmes de gângsters.                     


“A CASA” (“HOGAR”), 2019, Espanha, 1h29m, à disposição na plataforma Netflix desde o dia 25 de março de 2020, roteiro e direção dos irmãos David e Àlex Pastor. Trata-se de um suspense psicológico centrado no personagem de Javier Muñoz (Javier Gutiérrez), um publicitário de meia idade que está desempregado há um ano. Ele era um profissional muito conceituado em Barcelona, mas agora não consegue trabalho num mercado dominado pela informática e pelos publicitários jovens. Nas entrevistas, dão a entender que ele está ultrapassado. Por mais que se sinta humilhado, ele chega em casa e esconde a situação da esposa Marga (Ruth Días), tentando convencê-la de que tudo logo voltará ao normal. Só que a realidade não perdoa. O casal e o filho adolescente são obrigados a sair do apartamento de alto padrão para ir morar num bem mais simples. Aos poucos, a situação começa a afetar a cabeça de Javier e a frustação se transforma numa espécie de psicopatia, levando-o a cometer os mais variados atos de insanidade. Para começar, ele passa a vigiar o antigo apartamento para conhecer os novos e privilegiados moradores, no caso o empresário Tomás (Mario Casas), a esposa Lara (Bruna Cusi), a esposa Lara (Bruna Cusi) e a filha Mónica. A inveja cresce e então Javier, em total desequilíbrio mental, bola um plano diabólico para se infiltrar naquela família e se vingar. “A CASA” é mais um excelente exemplar do cinema espanhol no gênero suspense. É um filme bastante incômodo e perturbador. Dentro desse contexto, é obrigatório destacar a atuação do veterano Javier Gutiérrez, um dos atores de maior renome na Espanha. Resumo da ópera: um filmaço!