“O MESMO SANGUE” (“LA MISMA
SANGRE”), Argentina, 1h53m, produção da Netflix – sua estreia
mundial aconteceu dia 28 de fevereiro de 2019 -, roteiro e direção de Miguel Cohan.
Mais um bom suspense argentino. Depois de uma reunião familiar, a matriarca
Adriana (Paulina Garcia) desce para a cozinha industrial que mantém no porão da
casa para concluir uma encomenda. Algum tempo depois, ela é encontrada morta, enforcada
pelo colar que prendeu numa máquina. Tudo leva a crer que foi um acidente. Só
que o genro Sebastián (Diego Velásquez), ao constatar algumas evidências
estranhas, começa a desconfiar de Elías (Oscar Martinez), o viúvo. É bom
esclarecer que Elías está atolado em dívidas, principalmente com relação à
fazenda que herdou do pai. Como um verdadeiro detetive, Sebastián começa a
investigar a fundo a sua desconfiança, o que provocará uma crise em seu
casamento com Carla (Dolores Fonzi), que defende a inocência do pai com unhas e
dentes. Até o desfecho, o caso terá sido esclarecido, pelo menos para o
espectador, que lá pela metade do filme fica sabendo o que realmente aconteceu.
É o terceiro longa-metragem escrito e dirigido por Miguel Cohan – os dois
primeiros foram “Sin Retorno”, de 2010, e o aclamado “Betibú”, de 2014. Em “O
Mesmo Sangue”, Cohan fez mais um bom trabalho, prendendo a atenção do espectador
até o desfecho. Destaco o ótimo elenco, comandado pelo excelente Oscar Martínez.
Demorei para reconhecer a atriz chilena Paulina Garcia, do espetacular “Glória” (2013),
no papel de Adriana. Outros destaques são as presenças de Dolores Fonzi, talvez
a mais bela atriz do cinema argentino atual, e ainda o “detetive” Diego
Velásquez.
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
“HAPPY HOUR – VERDADES E CONSEQUÊNCIAS”, 2019,
coprodução Brasil-Argentina, 1h54m, roteiro e direção de Eduardo Albergaria. Trata-se
de uma comédia romântica focada no relacionamento tumultuado de Horácio (Pablo
Echarri), um professor universitário argentino radicado no Rio de Janeiro, e
Vera (Letícia Sabatella), uma deputada estadual que está prestes a lançar sua
candidatura ao cargo de prefeita. O casamento não anda às mil maravilhas, mas os
dois tentam manter as aparências. Até que um dia, num lance puramente casual,
Horácio vira herói depois de ser considerado responsável pela prisão de um marginal
conhecido como “ladrão aranha”, pois escala edifícios para roubar os
apartamentos. Com seu “suposto” ato de
coragem, Horácio não apenas ganha espaço na mídia, como também passa a atrair ainda
mais a atenção de suas alunas mais ousadas. Uma delas, Clara (Aline Jones),
fará com que Horácio reveja seus conceitos de fidelidade. Num rompante de pura
ingenuidade, Horácio diz a Vera o que está sentindo pela aluna e que,
provavelmente, a levará para a cama, o que aumenta ainda mais o estresse entre
o casal. Divórcio à vista, fato que pode atrapalhar a campanha de Vera. Aí entra
em ação o marqueteiro Arlindo (Chico Diaz, ótimo), que fará de tudo para que a
candidatura de Vera siga adiante independente da crise conjugal da deputada. Neste
que é seu filme de estreia como diretor, Albergaria (é brasileiro, apesar do
sobrenome) acerta principalmente ao privilegiar o humor e, como trunfo, tem a boa
atuação dos protagonistas principais, o galã argentino Pablo Echarri e a bela e
competente Letícia Sabatella. Soma-se à dupla um bom elenco de coadjuvantes,
como Chico Diaz, Aline Jones, Marcos Winter e Luciano Cáceres. Só fiquei em
dúvida com a escolha do título, que ainda não descobri que relação tem com a
história. Resumo da ópera: tipo do filme para ser curtido como entretenimento
fácil, sem exigir muito dos neurônios.
quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Desde que estreou como ator no
cinema em 1981 no filme “Best of Times”, ainda com o nome de Nicolas Coppola
(ele é sobrinho do famoso diretor), Nicolas Cage, hoje com 55 anos de idade, já
atuou em 103 filmes, sendo um dos astros mais famosos de Hollywood. Até ganhou
um Oscar de Melhor Ator, em 1996, em “Despedida em Las Vegas”. Em termos de
qualidade, porém, a carreira de Cage sempre teve altos e baixos. Nos últimos
anos, mais baixos do que altos. Seu mais recente filme, “CORRENDO COM O
DIABO” (“RUNNING WITH THE DEVIL”), 2019, ainda sem data para estrear
por aqui, também está longe de merecer elogios. Pelo menos da minha parte. Nele,
Cage é dos traficantes associados ao “The Boss” (Barry Paper), codinome do chefão
que comanda um poderoso cartel de drogas a partir do Canadá. “The Cook” é o
codinome de Cage, pois é dono e pizzaiolo de uma pizzaria (lavagem de dinheiro,
claro) em Illinois. Outro membro da quadrilha é “The Man” (Lawrence Fishburne),
um irresponsável que mistura sua droga para sobrar um tanto para uso próprio. Quando
ocorrem várias mortes por overdose causadas justamente pelas mercadorias do
cartel, “The Boss” fica desconfiado de que estão roubando sua cocaína e
misturando o resto com outras drogas. “The Cook” e “The Man” são encarregados
de investigar quem está estragando o negócio. Ao mesmo tempo, agentes do DEA
(Departamento Antidrogas dos Estados Unidos) estão atrás desse cartel,
principalmente depois que a irmã de uma de suas agentes (Leslie Bibb) morre de
overdose. O mais interessante desse filme é a descrição detalhada do caminho que a
cocaína percorre desde sua produção na Bolívia, passando pela Colômbia, México e
vários estados norte-americanos até chegar ao Canadá. O produtor boliviano da coca recebe
1.600 dólares por quilo. Quando chega ao Canadá, o quilo da droga já está valendo
nada mais nada menos do que U$ 40 mil!!! Este é o primeiro filme escrito e dirigido
por Jason Cabell. Para escrever o roteiro, Cabell recorreu à sua própria experiência
como combatente da força especial Navy Seals, grupo de elite da Marinha dos EUA.
Resumo da ópera: ainda não foi dessa vez, Cage...
terça-feira, 12 de novembro de 2019
“MUNDOS OPOSTOS” (“ENAS ALLOS
KOSMOS”), 2015, Grécia, 1h53m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Christoforos
Papakaliatis, que também atua no filme. Trata-se de uma ode a Eros (deus do
amor na mitologia grega). São três histórias de amor, todas ambientadas em
Atenas, desenvolvidas cada qual em uma conjuntura diferente. Na primeira, um
imigrante ilegal sírio salva uma jovem grega de ser estuprada e acabam se
apaixonando, sendo que o pai dela é um fascista e xenófobo radical, que comanda
uma milícia que sai à noite espancando imigrantes. O segundo capítulo reúne um
sujeito casado que conhece uma executiva de RH sueca que viaja para Atenas para
promover mudanças drásticas numa empresa, incluindo o enxugamento do seu quadro
de funcionários. Eles se apaixonam, mesmo que o destino lhes reserve uma
surpresa bastante desagradável. Na terceira história, o amor reúne duas pessoas
da terceira idade, um professor de história aposentado e uma dona de casa
infeliz no casamento. Em todas as histórias, portanto, uma coincidência fica
evidenciada: o amor é capaz de unir pessoas de “mundos opostos”, já que cada
casal é formado por um grego – ou grega – e a outra pessoa de fora do país. No
desfecho, os personagens dos três capítulos estarão interligados de alguma
forma, mais um trunfo do primoroso roteiro. Como pano de fundo, o diretor Papakaliatis
explora temas muito mais sérios, como a crise econômica mundial - em especial
na Grécia -, a aparente falência do capitalismo, a situação política da Europa e
ainda a questão do desemprego e dos refugiados. Com um certo exagero, o filme
decreta que Eros (o Amor) pode ser a solução de todos esses problemas. E dá-lhe
mitologia grega. Na primeira história estão Farris (Tawfeek Barhom), Daphne (Niki
Vakali) e Antonis, o pai fascista (Minas Hatziavvas). Na segunda, Giorgos (o
diretor Papakaliatis) e Elise (a bela atriz húngara Andrea Osvárti). E
finalmente, no terceiro capítulo, estão Maria (Maria Kavoyianni, em atuação
espetacular) e Sebastian (o ator norte-americano J.K. Simmons). Embora tenha
sido recebido com desdém pela crítica especializada, eu achei o filme muito
bom, sensível, sério e comovente. Cinema grego da melhor qualidade.
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
“PERSEGUIDO PELO DESTINO” (“LE
FIDÈLE”), 2017, Bélgica, 2h10m, roteiro e direção de Michaël R. Roskam
(indicado ao Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro por “Rundskop”). Estreou no
Festival de Veneza em setembro de 2017. Ação e romance são os dois principais
ingredientes deste excelente policial belga, estrelado por Matthias Schoenaerts
(“Ferrugem e Osso”) e Adèle Exarchopoulos (“Azul é a Cor mais Quente”). O belga
Shoenaerts faz o papel de Gigi Vanoirbeek, um marginal metido a playboy que
vive de assaltos com sua gangue, formada por amigos que, juntamente com ele,
passaram a juventude em reformatórios destinados a jovens delinquentes. Com seu
charme e alguns amigos importantes, Gigi frequentava a alta sociedade de Bruxelas.
No camarote de um autódromo, ele conheceu a pilota de corridas Bibi Delhany
(Adèle), filha de um rico empresário. Como era previsível, Gigi e Bibi se apaixonam
e iniciam um ardente romance. Como fachada, Gigi dizia que tinha negócios com
importação e exportação de veículos. Enquanto Bibi seguia com seus treinos e
competições, Gigi continuava assaltando, agora bancos e carros-forte. O romance
sofreria um forte abalo quando Gigi e sua gangue caem nas mãos da polícia
belga. Um escândalo e tanto, afetando de forma trágica a vida de Bibi. Será que
o seu amor por Gigi sobreviverá depois de tudo isso? Você encontrará a resposta
no final, aliás, um surpreendente e triste final. O filme é muito bom, vale cada minuto
de sua longa duração. Por sua atuação, o ator belga Schoenaerts firma-se como o
novo astro bonitão do cinema europeu. E a jovem francesa Adèle também comprova que é uma
ótima atriz, garantindo um lugar de destaque entre as melhores do cinema
francês. Enfim, “Perseguido pelo Destino” é excelente. Não perca!
domingo, 10 de novembro de 2019
Confesso que fiquei em dúvida
se assistia ou não à comédia mexicana “ESCOLA DE SOLTEIRAS” (“SOLTERAS”).
A princípio, estava descartando-a já pelo título e, ao mesmo tempo, pela sinopse: mulheres
desesperadas à procura de um marido procuram a a tal escola. Para minha
surpresa, a comédia é ótima. Dei muitas e boas risadas, me diverti muito. Trata-se
de uma produção da Netflix que estreou mundialmente no dia 7 de junho de 2019.
A história é toda centrada em Ana (Cassandra Ciangherotti), que, já passando
dos 30, via quase todas as suas amigas se casarem – inclusive sua irmã gordinha
- e ela continuava encalhada, pois Gabriel (Pablo Cruz), seu namorado há sete
anos, não se decidia. Quando ela colocou Gabriel na parede, ele pulou fora. Uma
de suas amigas, Tamara, feia de doer, conseguiu casar com um cara bonitão. Ana
resolveu perguntar a ela como conseguiu fisgar o marido. Tamara deu a dica: uma
Escola de Solteiras. Ana se inscreveu e começou a frequentar o curso. Daí para
a frente, muitas confusões acontecem na vida da desesperada Ana, até que um dia
chove na sua horta: aparece o simpático e bonitão Diego (Juan Pablo Medina).
Pronto, agora é convencê-lo a levá-la ao altar, tarefa que não será nada fácil.
A atriz Cassandra Ciangherotti, que eu não conhecia, é uma excelente
comediante. Ela leva o filme nas costas. Graças a ela e ao trabalho do
roteirista e diretor Luis Javier Henaine, o filme faz rir o tempo todo, numa
sucessão de cenas hilariantes. Diversão garantida!
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
“UM HOMEM FIEL” (“L’HOMME
FIDÈLE”), 2018, França, 1h15m, comédia romântica dirigida por Louis Garrel,
que também assina o roteiro juntamente com Jean-Claude Carrière. Louis, aliás,
atua na pele do personagem principal da história, Abel, jovem jornalista que vive
um romance com Marianne (Laetítia Casta, esposa de Garrel na vida real). Ao
surpreender Abel dizendo que está grávida, Marianne confessa também que tem um
caso com Paul, um amigo de ambos desde os tempos da faculdade. Mesmo chocado
com as duas notícias, Abel pergunta a Marianne se ele é o pai. Mais uma surpresa:
ela diz que tem certeza que o filho é de Paul. Diante de tanta notícia ruim,
Abel arruma as malas e se manda para outra freguesia. Nove anos depois, Paul
morre prematuramente e Abel vai ao enterro. Depois disso, Abel passa a assediar
Marianne, tentando reatar o antigo romance. Ele, porém, terá de enfrentar a discordância
de Joseph (Joseph Engel), filho de Marianne com Paul, que não aceita dividir a
mãe com ninguém. As maquinações do menino para afastar Abel são hilariantes. Além
disso, Ève (Lily-Rose Depp, filha do ator norte-americano Johnny Depp e da
atriz e cantora francesa Vanessa Paradis), a irmã caçula do falecido, se
declara a Abel, afirmando amá-lo há muito tempo. Dividido entre as duas, Abel
continuará demonstrando sua habitual insegurança afetiva e por aí vai essa história
bastante sensível e bem-humorada. É um filme de relacionamentos e de romances
complicados, com personagens carentes de afetividade. O filme é a cara do excelente cinema francês
que acostumamos a admirar e curtir há muitos anos. Para mim, não foi nenhuma
surpresa a qualidade de “Um Homem Fiel”, lembrando que Louis Garrel entende
muito de cinema, apesar deste ser seu segundo longa-metragem como diretor. Com
apenas 36 anos de idade, Garrel é mais conhecido como ator de mais de 40 filmes,
alguns deles de muito destaque, como foi o caso de “Os Sonhadores”, dirigido
por Bernardo Bertolucci, e o recente “A Bela Junie”. Louis teve um professor e
tanto: seu pai, o consagrado e veterano cineasta francês Philippe Garrel. “Um
Homem Fiel” foi uma das atrações da programação oficial do Festival Varilux de
Cinema Francês, realizado em vários estados brasileiros em junho de 2019. Resumo
da ópera: o filme é excelente, não perca!
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Depois de tantos anos sem
fazer um filme bom, Eddie Murphy acaba de protagonizar um filme simplesmente espetacular:
“MEU NOME É DOLEMITE” (“DOLEMITE IS MY NAME”), produção da Netflix que
estreou mundialmente em setembro de 2019. Fiquei tão entusiasmado com o filme e
a atuação de Murphy que, quando terminou, depois de quase duas horas de
duração, eu queria que continuasse. Quando terminou, também achei que está aí
um filme que merece várias indicações ao Oscar 2020. E não é que um monte de
críticos profissionais também achou o que eu achei? Vamos à história. Eddie
Murphy faz o papel de Ruby Ray Moore, que nos anos 70 do século passado fez um
grande sucesso nos Estados Unidos. Vendedor de discos numa loja durante o dia,
à noite Moore fazia stand-up em espeluncas de Los Angeles, sendo
ignorado pelo público. Para aumentar seu repertório, ele se inspirava em
histórias contadas por velhos moradores de rua. Um deles citou um tal de Dolemite,
que muitos anos atrás andava pela cidade contando piadas pornográficas e com
muitos palavrões. A partir daí, Moore resolver incorporar o personagem
Dolemite, incrementando suas piadas e músicas com obscenidades, palavrões e
rimas de duplo sentido. Tudo do pior politicamente incorreto. O público adorou. Foi
a “deixa” para Moore partir para a gravação de discos com suas músicas e piadas
repletas de palavrões. Sucesso total, começou a vender como água. Claro, o ego
de Moore inflou tanto a ponto de querer fazer um filme. Aqui começa a segunda
parte - a mais engraçada - de “Meu Nome é Dolemite”. Estamos em 1975 e Moore reúne seus amigos mais
fiéis, mais alguns estudantes de cinema, todos sem nenhuma experiência, e partem para a
produção do filme. Os fatos que dão sequência à história são um deleite total
para quem gosta de cinema, culminando num filme sensacional, talvez a grande
surpresa do cinema do Tio Sam neste século. Desde a deliciosa trilha sonora, com
o balanço vibrante da soul-music dos anos 70, aos impecáveis e criativos
figurinos com a assinatura de Ruth E. Carter, vencedora do Oscar 2019 pelo seu
trabalho em “Pantera Negra”, o elenco maravilhoso comandado por Eddie Murphy,
que conta ainda com a espetacular Da’Vine Joy Randolph, que arrasa na pele da
gorda sensual Lady Reed, um afetado e meio gay Wesley Snipes como o diretor D’Urville
Martin (conquistou o cargo por ter aparecido numa ponta de “O Bebê de Rosemary”),
além de Chris Rock, Mike Epps, Craig Robinson e tantos outros. Fazia tempo que
eu não ficava tão entusiasmado com um filme norte-americano. Para se ter
ideia de quanto o filme é bom, basta dizer que recebeu a avaliação de 97% do criterioso
e rigoroso site de cinema Rotten Tomatoes. Não posso esquecer de destacar a
direção do cineasta Craig Brewer e dos roteiristas Larry Karszewski e Scott
Alexander, uns gênios. Enfim, “Meu Nome é Dolemite” recuperou não apenas o cinema
norte-americano, mas também o ator Eddie Murphy, que não fazia um filme tão bom
há tantos anos. Ah, durante os créditos finais o filme apresenta cenas do verdadeiro
Ruby Ray Moore. Comovente e divertido, enfim um grande filme que merece ser
aplaudido de pé. Três vezes Imperdível, Imperdível e Imperdível!
terça-feira, 5 de novembro de 2019
Quer uma ótima dica de
comédia? Anote aí: “DOIS BILHETES DE LOTERIA” (“DOUÃ LOZURI”),
2017, Romênia, 1h26m, roteiro e direção de Paul Negoescu. O filme conta a
história de três amigos inseparáveis que vivem numa pequena cidade do interior
da Romênia. Os três estão sempre duros e um dia resolvem fazer uma “vaquinha” para comprar um
bilhete de loteria cujo prêmio está acumulado em 6 milhões de euros. E ganham. Até
o dia de receber a bolada, o bilhete fica sob a guarda de Dinel (Dorian
Boguta). Só que no dia seguinte, quando Dinel saía do prédio onde mora, acabou assaltado
por dois pilantras, que levaram sua pochete. Dinel conta o que aconteceu para
os amigos Sile (Dragos Bocur) e Pompiliu (Alexandru Papadopol). Ninguém ligou
muito para o ocorrido. Afinal, estavam milionários e não se importariam com o
roubo de uma simples pochete. Só que não contavam com um detalhe. Segundo Dinel,
o bilhete estava dentro da pochete. E agora? Claro, o negócio agora é ir atrás
de pistas que os levem aos ladrões. A partir daí, acontecem as mais hilariantes
situações, principalmente porque os três amigos são muito atrapalhados. O jovem cineasta Paul Negoescu, de
apenas 35 anos, mais conhecido como diretor de curtas, acertou em cheio neste
que é o seu segundo longa-metragem. Seu maior trunfo foi, sem dúvida, contar
com três atores realmente engraçados. Em tempos sinistros que vivemos neste
nosso Brasil varonil, nada como um filme divertido como “Dois Bilhetes de
Loteria”. Imperdível!
domingo, 3 de novembro de 2019
“MISSÃO NO MAR VERMELHO” (“The
Red Sea Diving Resort”), EUA, produção da Netflix (estreia mundial
aconteceu no dia 31 de julho de 2019), 2h10m, roteiro e direção do cineasta Gideon
Raff. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de mais um feito heroico
de agentes do MOSSAD (Agência de Inteligência de Israel). Em 1977, um grupo desses
agentes secretos conseguiu resgatar e dar fuga a centenas de refugiados da
Etiópia, a maioria judeus, e depois levá-los para Israel. Para isso, tiveram
que atravessar o Sudão, na época em plena guerra civil e religiosa. A
estratégia de fuga incluiu a compra de um hotel abandonado, o “The Red Sea
Diving Resort”, localizado no litoral do Sudão, às margens do Mar Vermelho, utilizando-o
como local estratégico para a fuga dos refugiados, levados de barcos até um
navio que depois os transportaria para Israel. O agente Ari Levinson (Chris Evans,
o Capitão América), que se disfarçava de antropólogo nas suas missões na
África, chefiava o grupo encarregado de salvar os etíopes. Suspense de tirar o
fôlego e cenas de muita tensão fornecem a esta produção da Netflix os
ingredientes necessários para recomendar “Missão no Mar Vermelho”, além, é
claro, do heroico fato histórico (confesso que não me lembrava de ter lido algo a
respeito). Além de Chris Evans, completam o ótimo elenco Haley Bennett, Alessandro
Nivola, Ben Kinsley, Greg Kinnear, Alex Hassell, Michael k. Williams e Chris
Chalk (ótimo como o violento Coronel Abdel Ahmed, perseguidor implacável dos
refugiados). “Missão no Mar Vermelho” é o terceiro longa-metragem escrito e
dirigido pelo cineasta israelense Gideon Raff, que atualmente finaliza o drama “Turn
of Mind”, com Michelle Pfeiffer e Annette Bening.
sábado, 2 de novembro de 2019
“ASSALTO!” (“ATRACO!”), 2012,
coprodução Argentina/Espanha, 112 minutos, direção de Eduard Cortés, que também
assina o roteiro com Piti Espanhol e Marcelo Figueras. Trata-se de um misto de
policial noir com comédia, cuja história apresenta um lado ficcional e
outro baseado em fatos reais. A trama é toda ambientada em 1955, quando o
general Juan Domingo Peron, ex-presidente da Argentina, estava exilado no
Panamá. Um de seus principais assessores, Landa (Daniel Fanego), fica encarregado
de arrecadar recursos financeiros para bancar o exílio do general na Espanha.
Sem Peron saber, ele simplesmente resolve penhorar as valiosas jóias de Evita Perón na joalheria mais
famosa da Espanha, em Madrid. O negócio ficou no maior segredo, pois nem os
funcionários ficaram sabendo. Até que um dia a esposa do Generalíssimo Franco,
Carmen Polo, vai até a joalheria e fica encantada com as jóias de Evita
apresentadas por um desavisado funcionário. Carmen pede que as reserve e que
voltaria logo depois para comprá-las. É aí que a coisa complica. Landa, em
cumplicidade com o proprietário da joalheria, resolve planejar um assalto para
recuperar as jóias e não deixá-las cair nas mãos da primeira-dama espanhola.
Para isso, convoca dois fanáticos peronistas, Merello (Guillermo Francella),
ex-segurança de Perón, e o jovem e inexperiente Miguel (Nicolás Cabré), um
pretendente a ator que imita Carlitos. As trapalhadas da dupla dão um toque
especial de humor, além das situações que envolvem o planejamento e a execução
do assalto. Para complicar ainda mais, Miguel se apaixona pela enfermeira
Teresa (Amaia Salamanca, a atriz mais bonita do atual cinema espanhol). Será
que a dupla conseguirá recuperar as jóias de Evita? Consiga a resposta
assistindo a este ótimo e divertido filme, que infelizmente não foi exibido por
aqui no circuito comercial. Uma pena. Não perca!
quinta-feira, 31 de outubro de 2019
“STAN E OLLIE – O GORDO E O
MAGRO” (“STAN & OLLIE”), 2018, Inglaterra, 1h39m,
direção do escocês Jon S. Baird, com roteiro de Jeffe Pope (do premiado “Philomena”).
Quem tem um pouco mais de idade e curtiu os tempos áureos do cinema conheceu
muito bem “O Gordo e o Magro”, dupla de comediantes que participou de mais de
100 filmes em Hollywood que foram sucesso no mundo inteiro. Mas quem conhece
Oliver Hardy e Stan Laurel? “Stan & Ollie” se propõe a dar essa resposta,
apresentando o retrato íntimo dos atores e suas personalidades, além da forte
amizade que os unia há tantos anos. Prepare-se para se divertir, se comover e
se emocionar. O filme começa em 1937, quando a dupla de comediantes estava no
auge do estrelato – eles reinaram em Hollywood e fizeram milhões de fãs no
mundo inteiro entre as décadas de 20 e 30 do século passado. Devido a uma
desavença que envolveu o famoso produtor Hal Roach (Danny Huston), que os
acompanhava desde o início da carreira, Oliver Hardy (John C. Reilly), o
“Gordo”, e Stan Laurel (Steve Coogan), o “Magro”, acabaram se separando.
Somente muitos anos depois, em 1953, voltariam a atuar juntos. Sem dinheiro e
em plena decadência artística, eles foram contratados para uma turnê por países
da Grã-Bretanha, primeiramente Irlanda e Escócia, atuando em teatros decadentes
e com pouco público, para terminar com um “gran finale” em Londres. A promessa
dos empresários que os reuniram era a de produzir um filme para relançar a
dupla caso a turnê fosse um sucesso. Nessa fase, entram em cena as esposas Lucille
Hardy (Shirley Henderson) e Ida Kitaeva Laurel (Nina Arianda), que sempre
tiveram papel importante na carreira dos seus maridos. A relação pessoal entre
as duas dependia dos humores dos seus companheiros. Se eles brigavam, elas
também brigavam. Hardy, o Gordo, aceitava que Laurel, o Magro, escrevesse os
esquetes e os diálogos. Laurel era o cérebro da dupla, o que perdurou até a
morte de Hardy, fato que determina o desfecho do filme. O desempenho de John C.
Reilly e Steve Coogan é sensacional. Eles captaram com perfeição os trejeitos
dos personagens que representam. Chega a ficar difícil distinguir eles dos
verdadeiros. A maquiagem de Reilly, que demorava três horas a cada dia de
gravação, é mais um destaque dessa maravilhosa produção inglesa. Os dois atores,
aliás, foram premiados em vários festivais, Reilly, por exemplo, com o Globo de
Ouro/2019 como Melhor Ator de Comédia e Coogan com o BAFTA (Academia Britânica
de Cinema e Televisão). Na verdade, se houvesse justiça, ambos teriam que
receber o Oscar. Mas, como dizia Geraldo Vandré, a vida não é só feita de
festivais. Resumo da ópera: “Stan & Ollie” é simplesmente espetacular, comove
e diverte, garantindo um ótimo entretenimento. Espere os créditos finais e se
divirta ainda mais. IMPERDÍVEL IMPERDÍVEL em dobro!
quarta-feira, 30 de outubro de 2019

segunda-feira, 28 de outubro de 2019
“YESTERDAY”, 2019,
Inglaterra, 1h57m, direção de Danny Boyle, com roteiro assinado por Richard
Curtis. Misto de musical, fantasia e comédia romântica, o filme é, na verdade,
uma sensível e emocionante homenagem aos The Beatles. Só a deliciosa trilha
sonora vale o ingresso. Mas vamos à história. Jack Malik (Himesh Patel) é um
jovem músico filho de imigrantes indianos que ganha um dinheirinho se apresentando
em espeluncas da periferia de Londres. A amiga de infância Ellie Appleton (Lily
James) é a sua devotada empresária - e talvez única fã. Sem propostas de
trabalho, Malik está quase desistindo de seguir carreira como músico quando acontecem
dois fatos que transformarão completamente a sua vida. Ele é atropelado por um
caminhão e, ao mesmo tempo, ocorre no mundo inteiro um apagão de 12 segundos. Malik
se recupera bem do acidente e, logo depois, encontra seus amigos para comemorar
seu restabelecimento. Quando lhe pedem para cantar uma música, ele ataca de “Yesterday”.
Ninguém tinha ouvido a canção. Chocado, ele diz que foi composta por Paul McCartney, do
The Beatles. Ninguém conhecia. Todos acharam que a música tinha sido feita
mesmo por Malik. E assim segue a história, Malik se consagrando como grande
compositor e dá-lhe maravilhas como “Something”, “Let it Be”, “The Long &
Winding Road”, “He Comes the Sun” e tantas outras. Malik vira um sucesso
mundial, com direito a um romance mais do que previsível. Mas como é um cara boa gente, ele começa a sentir remorso pela farsa. Sério, dá para
imaginar um mundo sem The Beatles? (o apagão também “apagou” do mapa a Coca-Cola
e os cigarros). Quem imaginou tamanha fábula foi o veterano roteirista Richard
Curtis, que tem no currículo filmes como “Mamma Mia!” e “Quatro Casamentos e um
Funeral”. Outro veterano do cinema, o diretor Danny Boyle já tem um Oscar de Melhor
Diretor em 2009 pelo excelente “Quem quer ser Milionário?”, além de filmes como
“Trainsporting – Sem Limites”, “Steve Jobs” e “127 Horas”. Somando toda essa
competência, mais a homenagem aos The Beatles, a trilha sonora e o ótimo
elenco, “Yesterday” é uma deliciosa diversão. Uma viagem imperdível!
domingo, 27 de outubro de 2019
“O OUTRO PAI” (“A Pesar de
Todo”), 1h18m, comédia espanhola com produção da Netflix - lançamento mundial aconteceu dia 3 de maio de 2019, direção de Gabriela Tagliavini, que também
assina o roteiro juntamente com Eugene B. Rhee e Helena Rhee. Vamos à sinopse: quatro
irmãs que não se viam há anos reencontram-se para o velório e enterro da mãe. Na
hora de ouvirem o testamento deixado pela falecida – o pai está completamente
gagá, fora de sintonia -, as irmãs assistem a um vídeo da mãe com uma revelação
surpreendente e chocante: o pai que as criou não é o biológico. Cada uma delas
é filha de um pai diferente. Ou seja, a falecida pulou várias cercas. No vídeo,
ela fornece várias pistas para que as filhas encontrem seus verdadeiros pais
biológicos. Elas viajam por várias cidades da Espanha e finalmente conseguem encontrá-los,
mas não será exatamente o que esperavam. Só para citar um exemplo, tem até um
padre no meio. Até que a comédia tem momentos bastante engraçados, mas seu
trunfo maior é o elenco de atrizes, principalmente o quarteto formado pelas
irmãs, representadas pelas mais lindas e competentes atrizes do cinema espanhol:
Blanca Suárez, Amaia Salamanca, Macarena Garcia e Belén Cuesta. Um quarteto pra
lá de fantástico. O elenco ainda conta com as veteranas Marisa Paredes e Rossy
de Palma, além de Carlos Bardem, o irmão mais velho do ator Javier Bardem. Mais
uma razão do sucesso dessa comédia é a competência da diretora argentina
Gabriela Tavigliaini, também conhecida por ter dirigido outras duas boas comédias:
“Cómo Cortar a Tu Patán”, de 2017, e “Cadê os Homens?”, de 2011. Ele ainda teve
sua experiência em Hollywood, em 2013, quando dirigiu Sharon Stone em “A
Fronteira”, um filme de ação e suspense. “O Outro Pai” é um filme bastante
alegre e divertido. Vale a pena.
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
Divulgado como uma comédia
dramática, “LIMITES” (“BOUNDARIES”), 2018, Canadá/EUA, 1h44m, tem mais
humor do que drama, o que tornou este filme independente numa agradável opção de
entretenimento. É o ótimo elenco que se sobressai: Vera Farmiga, Christopher
Plummer, Lewis MacDougall, Christopher Lloyd, Bobby Carnavale e Peter Fonda – foi o último filme do filho de Henry e irmão de Jane, que morreu em agosto de 2019. Excelente também é o trabalho
da jovem roteirista e diretora Shana Feste, que mesclou drama e humor na dose
certa. A história começa com Laura (Farmiga) enfrentando os problemas causados
por seu filho adolescente Henry (Lewis MacDougall), expulso da escola por
desenhar eróticos explícitos de mulheres e homens nus. Não bastasse isso, Laura ainda recebe a notícia
de que seu pai Jack (Plummer) acaba de ser expulso do asilo em que morava por
ter plantado maconha no jardim. Sem saber o que fazer a respeito, e muito a
contragosto, já que ele havia abandonado a família muitos anos atrás, Laura
decide buscar o pai. Não para ficar com ela, mas sim para levá-lo até a casa da
irmã Jojo (Kristen Schaal), em Los Angeles. Uma longa viagem, a partir do Texas.
E lá vão nossos viajantes, grupo que inclui o filho de Laura e mais os
cachorros da família. Começa o road movie. O avô e o neto, que não se conheciam,
fazem amizade durante o caminho. Não só amizade, como também uma cumplicidade
escondida de Laura, já que os dois passam a viagem vendendo maconha. No meio do
caminho, Jack ainda terá a oportunidade de rever dois antigos parceiros de
crimes, Stanley (Christopher Lloyd) e Joey (Fonda). E Laura de rever o ex-marido
Leonard (Carnavale), que finalmente conhecerá o filho. Apesar de todos esses acontecimentos,
o filme é mais focado na difícil relação entre pai e filha, ambos tentando aparar
as arestas traumáticas do passado. Enfim, uma jornada bem divertida, valorizada
pelo desempenho magistral de Vera Farmiga e do experiente Christopher Plummer.
IMPERDÍVEL!
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
“55 PASSOS” (“55 STEPS”), 2017,
coprodução Alemanha/Bélgica/Estados Unidos, 1h55m, direção de Bille August, com
roteiro de Mark Bruce Rosin. O filme, baseado em fatos reais e falado em
inglês, relembra uma batalha jurídica que teve grande repercussão nos Estados Unidos
no final dos anos 80 do século passado. Eleanor Riese, uma paciente da unidade
psiquiátrica do St. Mary’s Hospital and Medical Center, na cidade de São
Francisco, solicitou uma advogada para lutar por seus direitos de paciente, ou
seja, para deixar de tomar medicação em excesso e sem seu consentimento,
causando em Eleanor sérios efeitos colaterais. Quem assumiu seu caso foi a
advogada Colette Hughes que, com a ajuda do professor de direito constitucional
Mort Cohen, conseguiu entrar com uma ação contra o St. Mary’s Hospital, levando
a questão a julgamento na Corte Suprema da Califórnia. O resultado vitorioso de
Colette e Cohen mudou os rumos da psiquiatria nos Estados Unidos, tornando os
tratamentos mais humanizados. A atriz britânica Helena Bonham Carter, com uma
atuação magistral, faz o papel de Eleanor. A atriz norte-americana Hilary Swank
é a advogada Coletteiré e o ator Jeffrey Tambor representa o professor Mort
Cohen. Bonham Carter assumiu o papel de Eleanor após a desistência de Vera Farmiga,
inicialmente indicada para o papel. O veterano diretor dinamarquês Bille August ganhou
destaque ao vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o Globo de Ouro em
1989, além da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano anterior com o filme “Pelle,
o Conquistador”. Além deste, um espetáculo, também assisti a outros bons filmes
dirigidos por August, como “Trem Noturno para Lisboa”, “Os Miseráveis”, “As
Melhores Intenções” e “Casa dos Espíritos”. Portanto, história, elenco, roteiro
e direção fizeram de “55 Passos” um excelente entretenimento. Uma informação
final: os tais “55 Passos” dizem respeito aos degraus da escada que todo mundo
é obrigado a subir para chegar ao andar principal da Corte Suprema da
Califórnia.
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
Nunca
fui muito fã do gênero terror, embora tenha assistido a filmes muito bons. Como
exemplo, posso citar alguns: “O Iluminado”, “O Bebê de Rosemary”, “O Exorcista”
e “Alien, o 8º Passageiro”, entre outros. Mas os melhores continuam sendo os
filmes com o personagem Dr. Phibes, com Vincent Price, e os de Drácula, com
Christopher Lee. Quem teve a oportunidade de assistir a todos estes que citei, vai
se decepcionar com o terror inglês “O DEMÔNIO DO SONO” (“MARA”), 2018, produção
Netflix (estreou mundialmente no dia 7 de setembro de 2018), 1h38m. Trata-se do
primeiro longa-metragem dirigido por Clive Tonge, mais conhecido como diretor de
curtas. O roteirista é Jonathan Frank, o mesmo de “Vingança entre Assassinos” (2009)
e “Jogada Final (2017). Mesmo com a presença da linda e ótima atriz ucraniana
Olga Kurylenko, de "007 – Quantum of Solace”, no papel principal, o filme não
deslancha, fruto de uma história fantasiosa demais, beirando o ridículo, e um elenco
fraquíssimo, que parece atuar no piloto automático, incluindo a atriz ucraniana.
A psicóloga criminal Kate (Kurylenko) é
recrutada pela polícia para decifrar o perfil psicológico de um criminoso que
estava matando pessoas com uma dose cavalar de crueldade, incluindo quebrar o pescoço
das vítimas. O grande mistério é que não há evidências no local do crime. Kate acaba
se envolvendo demais na história, principalmente depois que conhece Helena
(Rosie Fellner), uma mulher que diz ter sido atacada pelo “demônio do sono”.
Até desvendar o mistério, Kate também estará na lista do assassino, assim como
outras vítimas. Essa história de pessoas que caem no sono e são atacadas já foi
tema de filmes muito melhores, como “A Hora do Pesadelo” e “Pesadelos Mortais”.
Embora tenha alguns bons sustos, “Mara” está na Série C dos filmes de terror.
domingo, 20 de outubro de 2019

sexta-feira, 18 de outubro de 2019
“TERRORISTA AMERICANO” (“The Martyr Maker”), 2018, Estados Unidos, 1h36m, roteiro e direção
de Kamal Ahmed (trata-se do seu quinto longa-metragem). O agente da CIA Terry
Davis (Tom Sizemore) é encarregado de localizar e prender um grupo de
terroristas que recruta e treina jovens norte-americanos, de famílias árabes para
o Jihad (luta armada dos muçulmanos contra os infiéis e inimigos do Islã). Ao
mesmo tempo, o agente da CIA tenta descobrir o paradeiro de Abbaz (Cory Duval),
um perigoso terrorista que teria entrado clandestinamente nos EUA. Abbaz teria
recebido a missão de recrutar jovens norte-americanos, de famílias árabes, para
serem treinados pelo líder muçulmano Saif-Uddin Mohamed (Shiek Mahmud-Bey). Entre
os jovens recrutados está Zahid Khoury (Alexander Mercier), especialista em
montar sites. Ele será o encarregado de divulgar a causa através das redes
sociais e ajudar no treinamento de jovens terroristas. O mais interessante de “Terrorista
Americano” é o destaque dado à estratégia empregada pelo líder Saif-Uddin para
fazer a lavagem cerebral nos jovens. O diretor Kamal Ahmed dedica grande espaço
do filme para mostrar os sermões de Saif-Uddin, cheios de ódio contra o mundo
ocidental, principalmente contra os Estados Unidos. São bastante esclarecedores. “Terrorista Americano” é um
ótimo programa para quem quiser conhecer, com mais detalhes, o pensamento dos muçulmanos
radicais.
“SOMBRA LUNAR” (“IN THE SHADOW
OF THE MOON”), 2019, EUA, produção Netflix (a estreia mundial aconteceu dia 27 de
setembro de 2019), 1h55, direção de Jim Mickle, roteiro assinado por Geoffrey
Tock e Gregory Weidman – sempre dou nome aos “bois”, pois se não gostarem do
filme podem xingá-los à vontade. Brincadeiras à parte, vamos ao comentário. Trata-se
de uma ficção científica, embora no início, meio e quase até o fim pareça um filme
policial, o que me prendeu a atenção, pois não sou muito chegado ao gênero
ficção científica. O filme começa num futuro não muito distante, mostrando a
cidade da Filadélfia (Pensilvânia) completamente destruída. A história volta
até 1988, na mesma cidade, onde ocorrem três mortes misteriosas – um cozinheiro,
uma motorista de ônibus e um pianista, todos sangrando pelos olhos, pela boca,
pelos ouvidos e pelo nariz. Com um detalhe: dois furinhos na nuca. Os policiais
Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) e Holt (Michael C. Hall) ficam encarregados de
desvendar todo esse mistério. Para (tentar) explicar o que aconteceu, os
roteiristas inventaram uma trama bastante complicada, utilizando uma serial
killer (a morenaça Cleopatra Coleman), que aparece e desaparece, além de
viagens no tempo e um cientista indiano (ou paquistanês) totalmente maluco. A assassina vai e volta no tempo a cada 9 anos, de acordo com
as fases da lua. E os policiais sempre no seu encalço, durante 27 anos. Esperei
com curiosidade pelo desfecho, que certamente explicaria toda essa misteriosa
história. Realmente, explicou, mas não entendi nada. Talvez um cientista possa decifrar,
quem sabe um Nobel de Física. Repito, o filme só me prendeu até o fim porque
parecia um filme policial. Na verdade, trata-se apenas de caso de polícia... Tente
assistir, e depois veja se não tenho razão.
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