sexta-feira, 10 de maio de 2019


“RIVER RUNS RED” (como ainda não foi exibido por aqui, não ganhou nenhuma tradução; o título, na tradução literal, ficaria “Rio Corre Vermelho”), 2018, EUA, 1h34m, roteiro e direção de Wes Miller. O juiz de Direito Charles Coleman (Taye Diggs) é surpreendido com uma notícia nada agradável. Seu filho foi assassinado por dois policiais, Von (Luke Hemsworth) e Rory (Gianni Capaldi). Segundo o relatório oficial, ele teria reagido à abordagem dos policiais. Logo de cara, nos é apresentada a cena do crime, “preparada” pelos assassinos: uma arma na mão do garoto. Inconformado e crente que tudo não passou de uma armação, o juiz Coleman tenta convencer as autoridades municipais de que seu filho não portava arma nenhuma e que foi assassinado friamente. Como não houve uma resposta satisfatória à sua indignação, o juiz resolve então investigar o caso pessoalmente, até descobrir uma evidência amplamente favorável à inocência do seu filho. Ou seja, a arma “plantada” já havia sido utilizada pelos policiais em outro assassinato semelhante, desta vez o do filho de Javier (George Lopez), um imigrante dono de uma oficina mecânica. Como não há uma resposta concreta da polícia, os dois pais resolvem fazer justiça com as próprias mãos. Destaque negativo foi constatar no elenco a figura do ator John Cusack numa ponta – na verdade, uma pontinha – pra lá de constrangedora. Cusack, de 52 anos, que foi protagonista de ótimos filmes, como “Alta Fidelidade” e “Matador em Conflito”, entre tantos outros, não merecia um final de carreira tão triste e frustrante. Pior é que nos materiais de divulgação seu nome aparece com destaque, o que pode configurar propaganda enganosa. O filme é fraco e certamente não será exibido por aqui no circuito comercial. De repente, aparece numa sessão da tarde qualquer. Se aparecer mesmo, pode dispensar.         

quarta-feira, 8 de maio de 2019


“VICE”, 2018, EUA, 2h14m, roteiro e direção de Adam Mckay. Trata-se de um filme biográfico baseado na figura de Dick Cheney, que fez carreira no governo norte-americano começando como chefe de gabinete da Casa Branca nos anos 70 e depois como Secretário da Defesa de 1989 a 1993, culminando com a vice-presidência na chapa de George W. Bush, cargo que ocupou com grande desenvoltura e com poderes especiais, principalmente nas questões de política externa e gestão militar – articulou, por exemplo, a estratégia para a invasão do Iraque em represália aos atentados de 11 de setembro de 2001. Cheney provou que ser vice nem sempre é um cargo decorativo. E o roteiro de Mckay deixa bem claro que ele mandava mais que o Bush filho. O filme foi realizado de modo a reunir fatos históricos, bastidores do governo norte-americano e a ascensão vertiginosa de Cheney. Mesmo que o contexto seja sério, Mckay acrescentou uma grande dose de humor ácido e sátira, numa edição dinâmica e com ritmo alucinante. Um verdadeiro show cinematográfico, baseado num primoroso e criativo roteiro. O filme recebeu 8 indicações ao Oscar 2019: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Edição, Ator, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante e Melhor Maquiagem e Cabelo – só conquistou a estatueta nesta última categoria. Uma pena e uma grande injustiça. Eu daria o Oscar para Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Original, no mínimo. O elenco é um destaque à parte: Christian Bale como Dick Cheney (divulgaram que o ator engordou mais de 20 quilos para o papel, o que duvido; acredito mais que tenha havido enchimento das roupas e uma maquiagem pesada; em todo caso, Bale está sensacional), Steve Carell como Donald Rumsfeld, um político de carreira que teve um grande prestígio na Casa Branca; Amy Adams como Lynne Cheney; e Sam Rockwell como o presidente Bush filho, compondo o personagem de uma forma bastante caricatural. O diretor Adam Mckay, que já tinha em seu currículo bons filmes como “A Grande Aposta” e “Tudo por Um Furo”, fez mais um gol de placa com “Vice”, um dos melhores filmes dos últimos anos. Como informação adicional, lembro que entre os produtores estão os astros Brad Pitt e Will Ferrell, o que dá a ideia do prestígio do diretor. Não perca de jeito nenhum!          

domingo, 5 de maio de 2019


“OBLAWA”, 2012, Polônia, 1h36m, roteiro e direção de Marcin Krzysztalowicz. Mais um episódio ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, desta vez na Polônia. O ano é 1943. A história é centrada em Otter (Marcin Dorocinski), um soldado que aderiu à resistência polonesa contra as tropas alemãs que ocupavam o país. Otter era encarregado de eliminar não só os alemães como também matar os poloneses que colaboravam com os nazistas. Podia ser amigo ou não, ele assassinava com uma frieza incrível. O filme inteiro acontece no cenário do acampamento da resistência na floresta e mostra as dificuldades enfrentadas pelos soldados, que muitas  vezes nem tinham o que comer. Para escrever o roteiro, o diretor Krzysztalowicz se inspirou nas memórias de seu pai, que pertenceu à resistência polonesa. É a ele que o cineasta dedica este filme, conforme consta nos créditos finais. “Oblawa” estreou durante a programação oficial do Festival de Cinema de Gdynia (o Oscar polonês), sendo premiado pelo Polish Film Awards como Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Design de Som e Melhor Edição de Som. Fora da Polônia, foi exibido pela primeira vez no Montreal World Film 2012. O filme não é muito agradável de assistir. É violento, um tanto arrastado, mas bastante impactante. Vale pelo registro histórico.         


“MENINO BONITO” (“Beautiful Boy”), 2018, EUA, duração de 2 horas, direção de Felix Van Groeningen. Um sensível e comovente drama centrado na luta de um pai para livrar o filho mais velho das drogas. É baseado em fatos reais, descritos nos livros “Beautiful Boy”, de David Sheff (o pai), e “Tweak”, de Nic Sheff (o filho viciado), adaptados pelo roteirista Luke Davies. No filme de Van Groeningen, David Sheff é interpretado por Steve Carrell e Nic pelo jovem ator Timothée Chalamet, responsáveis por grandes atuações (Chalamet foi indicado ao Globo de Ouro). David Sheff é um jornalista conceituado, colaborador da Revista Rolling Stone e do New York Times. Seu filho Nic, do primeiro casamento com Vick (Amy Ryan), entra nas drogas e acaba se viciando em cocaína, anfetaminas e heroína. Triste ver um menino tão bonito e simpático cair nesse precipício. Aqui vale destacar o ótimo trabalho desse jovem ator de 23 anos de idade, descendente de família francesa, Timothée Chalamet, que já havia demonstrado enorme competência em filmes como “Me Chame pelo seu Nome” e “Lady Bird: A Hora de Voar”, ambos de 2017. Steve Carrel também dá show de interpretação como o pai inconformado com a situação do filho. Seu personagem chega a experimentar drogas para tentar entender o vício de Nic. Embora com uma elevada carga dramática, “Menino Bonito” reserva momentos de extrema sensibilidade e muitos deles comoventes, reforçando sua qualidade como adaptação para o cinema. Importante também destacar o trabalho do diretor belga Felix Van Groeningen em sua estreia no cinema norte-americano. Van Groeningen foi responsável por “Alabama Monroe”, de 2012, um filme também espetacular que representou a Bélgica na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Resumo da ópera: “Menino Bonito” é imperdível!    

quinta-feira, 2 de maio de 2019


“NUNCA FIRME, NUNCA PARADO” (“NEVER STEADY, NEVER STILL”) – a tradução literal é minha, pois o filme não chegou a ser exibido por aqui e, portanto, não tem título em português – 2017, Canadá, 110 minutos, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Kathlee Hepburn. Trata-se de um drama familiar bastante pesado, lento e muito triste. O clima melancólico é acentuado ainda mais pelo frio reinante e os cenários de neve (a história é ambientada numa remota comunidade às margens do lago Stuart, ao norte da Colúmbia Britânica, no Canadá). O drama é centrado em Judy (Shirley Henderson), uma mulher por volta dos cinquenta anos de idade que sofre  do Mal de Parkinson em estágio avançado. Para as tarefas diárias, como tomar banho, se vestir, cozinhar e tomar os remédios, ela conta com a ajuda do marido Ed (Nicholas Campbell) e de seu filho Jamie (Théodore Pellerin), de 19 anos. Se o sofrimento de Judy já é grande com a doença, fica ainda pior depois de um evento trágico envolvendo seu marido e da ida do filho para um distante canteiro de obras. Ou seja, Judy terá que se virar sozinha. A atuação impressionante da atriz escocesa Shirley Henderson é o grande trunfo desse bom drama canadense, repito, muito, mas muito triste. O filme estreou no Toronto International Filme Festival 2017 e recebeu 8 indicações ao Canadian Screen Awards 2018, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz.  

terça-feira, 30 de abril de 2019


“QUE DEUS NOS PERDOE” (“QUE DIOS NOS PERDONE”), 2016, Espanha, 2h7m, roteiro e direção de Rodrigo Sorogoyen. Drama policial cuja tema central é a investigação de vários crimes cometidos em Madrid por um sádico serial killer, que escolhe como suas vítimas mulheres de mais de 70 anos. Além de espancá-las até a morte, o assassino, como toque final, ainda estupra as idosas. Boa gente o cara. A história é ambientada em 2011 numa Madrid caótica, com manifestações de protesto violentas nas ruas por parte dos ativistas do Movimento 15-M e às vésperas da visita oficial do Papa Bento XVI à Espanha. A polícia madrilhenha encarrega os detetives Velarde (Antonio de La Torre) e Alfaro (Roberto Álamo) pela investigação dos assassinatos das idosas – as cenas dos corpos mutilados são chocantes. Ao mesmo tempo em que acompanha os trabalhos da dupla, o filme reserva um bom espaço para compor e revelar as personalidades completamente diferentes dos dois policiais. Velarde é minucioso, atento aos mínimos detalhes das cenas dos crimes, observa mais do que fala. Há muito tempo que é considerado um gênio da polícia. Por outro lado, Alfaro é falante, truculento, resolve as discussões na base da porrada e muitas vezes parece ter um parafuso a menos. A gagueira de Velarde rende alguns bons momentos de humor, assim como a truculência de Alfaro. Até o desfecho, o clima de suspense segue num ritmo quase que alucinante, tornando este policial espanhol um bom entretenimento. Faltou, porém, uma explicação plausível para a cena final, deixando uma pergunta no ar: Como Velarde descobriu o paradeiro do criminoso? Para mim, esta é a maior falha do roteiro de Sorogoyen, embora não prejudique o resultado final. “Que Deus nos Perdoe” também é o nome de uma música cantada pela fadista portuguesa Amália Rodrigues, incluída na trilha sonora do filme quando os créditos finais aparecem na tela.     

domingo, 28 de abril de 2019


“PRAÇA PÚBLICA” (“Place Publique”), 2018, França, 1h39m, quinto longa-metragem dirigido pela atriz, roteirista e cineasta Agnès Jaoui. Mais uma vez, ela contou com a colaboração, no roteiro e no elenco, do ator Jean-Pierre Bacri, com o qual foi casada até 2012. Como é do estilo de Jaoui, “Praça Pública” é uma comédia de costumes, gênero que é especialidade do cinema e do teatro franceses – lembrando que foi Moliére quem inventou o gênero. Em “Praça Pública”, toda a trama acontece durante a festa de inauguração da nova casa (open house) de Nathalie (Léa Drucker), uma bem-sucedida empresária do mundo artístico parisiense. A casa está situada nos arredores de Paris e Nathalie convida meio-mundo da nata artística parisiense, incluindo várias celebridades. O convidado mais badalado é Castro (Jean-Pierre Bacri), um famoso apresentador de TV, em torno do qual gravitam, além dos bajuladores habituais, sua ex-mulher Hélène (Agnès Jaoui), sua filha escritora Nina Meurisse) e sua atual namorada Vanessa (Helena Noguerra). Entre caçadores de autógrafos, tipos esquisitos e excêntricos, gente querendo aparecer, brigas de casais, um vizinho furioso e uma garçonete que, em vez de servir, fica fazendo selfies com as celebridades, o filme transcorre com muito humor até o final inusitado. Assim como foi inusitado o começo, com uma cantora francesa – não descobri qual, mas acho que foi Jacqueline François – cantando “Garota de Ipanema”. Se é ela mesmo, a gravação é de 1964. “Praça Pública” foi exibido na programação oficial do 20º Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em novembro de 2018. Resumo da ópera: trata-se de mais um bom filme de Agnès Jaoui. Uma comédia bem divertida e inteligente.    

sexta-feira, 26 de abril de 2019


“EM TRÂNSITO” (“TRANSIT”), 2018, Alemanha, 1h41m, roteiro e direção de Christian Petzold. A história é inspirada no livro “Transit”, da escritora alemã Anna Seghers (1900/1983). Lançado em 1944, o romance de Seghers é ambientado no início da Segunda Grande Guerra, quando os nazistas ocupavam vários países da Europa. Numa ousada criação, o diretor Petzold (“Barbara” e “Phoenix) adaptou a história para os tempos atuais, onde os invasores não são identificados e as vítimas perseguidas são imigrantes ilegais e, claro, judeus. A trama é centrada no jovem Georg (Franz Rogowski), um imigrante alemão vivendo ilegalmente em Paris. Um amigo da resistência pede a Georg que entregue uma carta a um tal de Weidel, um escritor também fugido da Alemanha. Quando vai ao apartamento dele, Georg descobre que Weidel acaba de se suicidar e pega seus documentos. Daqui para a frente, ele assumirá a identidade de Weidel. Ao chegar a Marselha, onde embarcaria num navio com destino aos Estados Unidos,  Georg conhece Marie (Paula Beer), uma bela mulher que, por uma grande coincidência, é esposa do tal Weidel. Embora ainda espere pelo marido, Marie vive um caso com o médico Richard (Godehard Giese), com o qual pretende fugir para o México. Georg também se apaixona por ela e vice-versa. Marie, portanto, vive uma dúvida cruel: fugir com Richard ou com Georg? O roteiro é bastante complicado, só esclarecendo o espectador sobre o que está acontecendo a partir da metade do filme. Eu mesmo fiquei meio perdido no início. A semelhança entre o ator Franz Rogowski e seu colega norte-americano Joaquim Phoenix é incrível. Os dois, por sinal, têm o lábio leporino. Paula Beer é uma excelente atriz alemã, como já demonstrou no ótimo  “Frantz”, dirigido pelo francês François Ozon. "Em Trânsito" estreou no Festival de Berlim 2018 e também foi exibido no Festival de Veneza do mesmo ano, dividindo a opinião dos críticos. É um filme bastante pretensioso, um tanto difícil de digerir, mas muito interessante. Vale a pena conferir.  

terça-feira, 23 de abril de 2019


“MATE O REI” (“The Shangri-la Suite”), 2016, EUA, escrito e dirigido por Eddie O’Keefe (é seu primeiro longa-metragem; O’Keefe tem apenas 26 anos de idade). O ano é 1974. Jack Blueblood (Luke Grimes) e Karen Bird (Emily Browning), dois jovens delinquentes, se conhecem numa clínica psiquiátrica de reabilitação e se apaixonam. Ao escutar um disco de Elvis Presley de trás para diante, Jack acredita ter ouvido a voz da mãe falecida dizendo “Mate o Rei”. A partir daí, como uma Bonnie e um Clyde modernos, Jack e Karen saem estrada afora matando um monte de gente até chegar a Los Angeles, onde Elvis faria um show. Em paralelo, o filme dedica espaço a mostrar um Elvis (Ron Livingston) decadente, viciado em remédios e extremamente arrogante, com pitadas de uma loucura que chegava aos poucos. Depois de assistir “Mate o Rei”, pesquisei a respeito e não achei nenhum fato relacionado com um possível atentado contra Elvis. Ou seja, o filme é uma ficção, fruto da imaginação do jovem diretor norte-americano. E quem narra a história, in-off, é o falecido ator Burt Reynolds. Integram ainda o elenco a bela Ashley Greene, como Priscila Presley, e Avan Jogia como Teijo Littlefoot, o índio homossexual amigo de Jack. Enfim, a história até que é interessante, a trilha sonora é saborosa e o filme, como um todo, funciona mais como um road-movie, mas o resultado final não chega a entusiasmar.     

segunda-feira, 22 de abril de 2019


“MADMOISELLE PARADIS” (“Licht”), 2017, coprodução Alemanha/Áustria, 1h37m, direção da italiana Barbara Alberti, que também assina o roteiro com Kathrin Resetarits. A história, ambientada na Viena de 1777, foi inspirada em fatos reais. Aos 18 anos, cega de nascença, Maria Therasia von Paradis (Maria-Victoria Dragus) fazia sucesso como pianista, uma verdadeira virtuose, que encantava os salões da aristocracia austríaca, incluindo a corte real. Mas Paradis mostrava-se infeliz com sua deficiência, ameaçando não tocar mais. Os pais, também membros da aristocracia de Viena, resolveram levá-la à clínica do dr. Franz Anton Mesmer (David Striesow), que na época conseguira alguns avanços na recuperação de deficientes visuais com métodos que lembram muito o Reiki, embora este tenha sido criado em 1922 pelo monge budista Mikao Usui. O roteiro reserva grande espaço para mostrar o tratamento utilizado por Mesmer, sua relação com Paradis e, por fim, a cura de sua famosa paciente. Só que teve um porém: ao se ver curada da cegueira, a jovem começa a perder sua virtuosidade musical. Há vários motivos que fazem deste drama alemão um excelente filme. A começar pelo impressionante desempenho da jovem atriz romena Maria-Victoria Dragus, digno de Oscar. Além disso, o filme destaca-se também pela excelente fotografia, pela belíssima direção de arte e pela caprichada recriação de época, sem falar na ótima história. Um filme que merece ser visto.     

domingo, 21 de abril de 2019


“APOSTASIA” (“APOSTASY”), 2017, Inglaterra, 93 minutos, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Daniel Kokotajlo. O filme tem como pano de fundo os dogmas e a doutrina das Testemunhas de Jeová. A história é centrada numa mãe divorciada, Ivanna (Siobhan Finneran), e suas filhas Alex (Molly Wright) e Luisa (Sasha Parkinson), que seguem a religião. Ivanna frequenta as reuniões nos “Salões do Reino” e leva as filhas, obrigando-as a seguir à risca os princípios da religião e as orientações dos anciões (equivalente a padres, rabinos ou pastores). A filha Alex, por ter recebido uma transfusão de sangue quando era bebê, o que é proibido pela religião, carrega essa culpa e dedica-se fervorosamente para se tornar apta a ser uma verdadeira testemunha de Jeová. Luisa, a filha mais velha, é mais contestadora e questiona muitos dos ensinamentos dos anciões. Quando Luisa fica grávida do namorado, Ivanna vê sua família ruir, pois é obrigada a renegar a filha e proibida, juntamente com Alex, de se “socializar” com ela. Além disso, para aumentar ainda mais o sofrimento de Ivanna, os anciões não permitem que Luisa frequente as reuniões. O destino também reserva um fato trágico envolvendo a filha mais nova Alex. O que se pode deduzir da história é que tenha sido uma crítica contundente do diretor Kokotajlo à doutrina das Testemunhas de Jeová. E ele sabe do que está falando, já que chegou a ser também um adepto. “Apostasia” é um filme bastante interessante e tem como destaque, além da história, a ótima interpretação das atrizes principais.     

quarta-feira, 17 de abril de 2019


“ESTRADA SEM LEI” (“The Highwaymen”), 2018, EUA, 2h12m, direção de John Lee Hancock e roteiro de John Fusco, produção da Netflix (estreou no Brasil dia 29 de março de 2019). O filme conta a história dos acontecimentos que antecederam o tiroteio que levou à morte a dupla Bonnie e Clyde, casal que aterrorizou as cidades da região central dos Estados Unidos no início dos anos 30, roubando bancos e estabelecimentos, além de assassinar vários civis e policiais. “Estrada Sem Lei” apresenta os fatos sob o ponto-de-vista da lei, ou seja, a estratégia policial que culminou com a morte dos lendários marginais, ao contrário do clássico de 1967 “Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas”, de Arthur Penn, com Faye Dunaway como “Bonny” e Warren Beatty como “Clyde”, onde o foco central é o casal de bandidos. Em “Estrada Sem Lei”, o diretor John Lee Hancock (“Fome de Poder”, “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” e “Um Sonho Possível”) esconde a fisionomia do casal, revelando-a apenas no desfecho. O filme começa em 1934 com uma reunião no escritório da governadora do Texas, Miriam Ferguson, durante a qual ela cobra da polícia estadual a captura do casal, que há cerca de quatro anos praticava assaltos e assassinatos. Como nem sua polícia nem o FBI conseguiam localizar e prender os dois criminosos, a governadora acaba concordando com a sugestão de um de seus principais assessores: convocar dois policiais aposentados que pertenciam à Texas Ranger Division. Dessa forma, Frank Hamer (Kevin Costner) e Maney Gault (Woody Harrelson), duas figuras lendárias dos Rangers, entram em ação comandando toda a estratégia que levaria à perseguição e assassinato dos dois marginais. Destaque para o trabalho dos dois atores veteranos, principalmente Harrelson, e também para a primorosa recriação de época – veículos, figurinos, cenários e as armas. O roteiro ainda abre espaço para relembrar o fascínio que grande parte da população norte-americana tinha pela dupla, chamada de "Robbyn Woods modernos". As roupas de Bonnie, por exemplo, viraram moda instantânea na época, principalmente a boina. A popularidade dos dois pode ser medida pelo número de pessoas (simpatizantes e fãs) que compareceram ao seu funeral: mais de 20 mil. Nos créditos finais, o filme exibe fotos verdadeiras dos principais protagonistas da história. Filmaço!        

segunda-feira, 15 de abril de 2019


“DIREÇÃO EXPLOSIVA” (“STEIG. NICHT. AUS!”), 2018, Alemanha, 1h49m, roteiro e direção de Christian Alvart. Filme de suspense, com muita tensão do começo ao fim. A história começa com Karl Brendt (o astro alemão Wotan Wilke Möhring) antecipando seu retorno a Berlim depois de uma viagem de negócios – ele é diretor de uma grande empresa do ramo imobiliário. Karl queria fazer uma surpresa para a esposa Simone (Christiane Paul) no dia em que o casal comemoraria seus 15 anos de casamento. Esse dia, porém, reservaria uma série de acontecimentos desagradáveis que fizeram Karl desejar não ter antecipado a viagem. Durante o caminho em que levava seus dois filhos adolescentes para o colégio, Karl recebe uma ligação de um homem que ameaça explodir seu automóvel se não depositar em sua conta uma vultosa quantia em dinheiro. O maluco instalou uma bomba sob cada banco do veículo de modo a não permitir que ninguém se levante, pois, caso contrário, o acionamento é imediato e “Pum!”. O desespero toma conta de Karl e de seus dois filhos, sentados no banco de trás. Karl faz de tudo para arranjar o dinheiro, tarefa quase impossível por causa da situação. Para aumentar ainda mais o sofrimento, a cada minuto o maluco ameaça explodir as bombas por controle remoto. Como desgraça chama desgraça, durante o episódio Karl descobre um segredo terrível sobre a esposa, recebe a notícia de sua demissão e ainda por cima é perseguido pela polícia berlinense como sequestrador dos próprios filhos. Ou seja, é ação e suspense o tempo inteiro. Entretenimento dos melhores.       

domingo, 14 de abril de 2019



“BAYONETA”, coprodução México/Finlândia e Netflix (estreou aqui no Brasil dia 29 de março de 2019), 1h35m, roteiro e direção de Kyzza Terrazas (é o seu segundo longa-metragem; o primeiro foi “El Lenguaje de Los Machetyes”, de 2011). A história é centrada no ex-lutador de boxe Miguel “Bayoneta” Galindez, que abandonou os ringues e foi para a Finlândia trabalhar como treinador numa academia. Começa o filme com “Bayoneta” (Luis Gerardo Méndez) entrando no vestiário após uma luta nos Estados Unidos. Chorando sem parar, esmurrando armários e se xingando, ele lamenta o que aconteceu na luta. Teria perdido um título ou uma luta importante? O diretor Terrazas deixa a resposta para o final. Até lá, o filme acompanha a rotina diária do ex-lutador mexicano na capital finlandesa Helsinque, para onde se mudou há cerca de cinco anos, logo após aquela fatídica luta. Ele deixou em Tijuana, no México, a mulher e a filha. No frio de Helsinque, de congelar foca, “Bayoneta” passa os dias treinando jovens lutadores na academia e à noite costuma frequentar os bares, bebendo sem parar, ainda sofrendo com o trauma daquela luta de cinco anos atrás. Quando a academia em que trabalha fica ameaçada de fechar, “Bayoneta” resolver voltar a lutar para levantar uma grana. Seu amigo Denis (Brontis Jodorowsky), colega de academia, é contra o seu retorno aos ringues, mas mesmo assim topa ser seu treinador. O ator mexicano Luis Gerardo Méndez treinou durante cinco meses para fazer o papel de “Bayoneta”. Nas cenas de luta ele se sai muito bem, mesmo sem nunca ter subido num ringue. Não foi o melhor filme sobre boxe que já assisti, mas sem dúvida é muito bom.       

quarta-feira, 10 de abril de 2019


“LUZES DE OUTONO” (“Autumn Lights”), 2016, coprodução EUA/Islândia/França, falado em islandês, inglês e italiano, 1h42m, longa-metragem de estreia do islandês Angad Aulakh como roteirista e diretor. É ambientado num vilarejo litorâneo a duas horas da capital islandesa Reikjavick. Nesse local, o fotógrafo norte-americano David (Guy Kent) alugou uma cabana para passar alguns dias de férias com a namorada Eva (Thora Bjorg Helga). Logo no começo, eles entram em atrito (não se explica a causa) e Eva faz as malas e vai embora. David fica sozinho, com cara de cachorro perdido e solteirão carente (é a cara dele o filme inteiro). Num dos passeios que faz pela praia, ele encontra o cadáver de uma jovem e avisa a polícia, que consegue identificar a vítima e localizar seu bilhete de suicídio. Mesmo assim, a polícia pede que David fique por lá um tempo até terminarem as investigações. Em mais um passeio solitário, David conhece Marie (Marta Gastini), que mora numa casa próxima e o convida para jantar com o marido Johaan (Suen Olafur Gunnarsson) e alguns amigos. A reunião desses personagens dará margem à formação de um quadrilátero amoroso (triângulo é pouco) centralizado na fogosa  Marie e que envolve uma amiga e um amigo, David e o próprio marido. E por aí vai esse drama que um crítico chegou a comparar aos filmes do grande diretor sueco Ingmar Bergman. Escreveu que Aulakh utilizou “tintas bergmanianas”. Menos, colega, menos... Achei o filme bastante entediante, verborrágico e lento demais. Os personagens são todos melancólicos e depressivos, combinando com a paisagem fria de neve que envolve os cenários.Nada que justifique uma indicação entusiasmada. Como informação adicional, o título "Luzes de Outono" refere-se ao fato de que nessa época na Islândia o dia dura quase 24 horas.     

segunda-feira, 8 de abril de 2019


“A PAIXÃO DE AUGUSTINE” (“LA PASSION d’AUGUSTINE”), 2016, Canadá, 1h43m. roteiro e direção de Léa Pool, falado em francês. Não descobri, mas acredito que a diretora tenha elaborado a história inspirada em fatos reais. A personagem do título é Simone Beaulieu, mais conhecida como Madre Augustine, que nos anos 60 era diretora de uma escola/convento na zona rural de Québec. Quando assumiu a direção, Augustine (Céline Bonnier) instituiu na escola, além da religião e aulas de literatura e francês já constantes do currículo, o ensino da música. Pianista clássica na juventude, Augustine revelou em seu colégio vários talentos, responsáveis por conquistar vários prêmios em concursos musicais da região. Um desses talentos era sua própria sobrinha, a rebelde Alice (Lysandre Ménard), uma verdadeira virtuose no piano. Além das aulas de música, o filme dá destaque à influência do polêmico Concílio Vaticano II, que discutiu e regulamentou vários temas, incluindo ações para a modernidade da Igreja Católica. Outra questão enfocada foi a iniciativa do governo canadense de só permitir o ensino público em colégios do Estado, o que praticamente determinou o fechamento do convento de Augustine. O filme é muito bom, a história comovente e sensível, além de uma saborosa trilha sonora: Bach Liszt, Chopin, Mozart etc. A nata da música clássica, tocada em solos maravilhosos pelas alunas de Augustine. Sem falar no ótimo elenco, encabeçado por essa atriz maravilhosa Céline Bonnier, a Madre Augustine. Mais um bom trabalho realizado pela roteirista diretora suíço/canadense Léa Pool, que em 2014 já havia conquistado o Prêmio Especial do Júri Ecumênico no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Já que estamos falando de música, resumo da ópera: um filme imperdível!  

domingo, 7 de abril de 2019


“OPERAÇÃO FRONTEIRA” (“TRIPLE FRONTIER”), 2019, produção Netflix (estreou dia 13 de março de 2019), 1h55m, roteiro e direção de J.C. Chandor. A história é centrada em cinco amigos ex-membros das Forças Especiais dos EUA. Um deles é o agente Santiago Garcia (Oscar Isaac), que ainda está na ativa como agente do comando antidrogas. Durante uma missão, Santiago recebe a informação de que o principal fornecedor das drogas mora numa mansão de segurança máxima localizada na tríplice fronteira Brasil/Peru/Colômbia, onde esconde todo o dinheiro que ganhou em vários anos como traficante. Ou seja, a mansão é um verdadeiro cofre. Cansado de prender traficantes e engordar os cofres do Tio Sam, Santiago resolve convocar quatro amigos ex-agentes especiais: Tom Davis (Ben Affleck), Francisco Morales (Pedro Pascal), William Miller (Charlie Hunnam) e Ben Miller (Garrett Hedlund). A missão deve ser clandestina, sendo que o objetivo é roubar o dinheiro do traficante e dividi-lo entre os cinco. Ao montar a estratégia de invasão, o grupo conta com o apoio da informante Yovanna (a morenaça Adria Arjona), que, em contrapartida, recebe como promessa a libertação do seu irmão da cadeia. Como filme de ação, “Operação Fronteira” tem lá seus bons momentos, mas o resultado final é decepcionante, principalmente pela presença de astros como Ben Afleck (sua atuação é constrangedora) e Oscar Isaac. Este talvez seja o filme mais fraco de Chandor, que tem em seu currículo os excelentes “Margin Call – O Dia Antes do Fim”, “O Ano mais Violento” e “Até o Fim”, este último com o astro Robert Redford.       




quinta-feira, 4 de abril de 2019


“O FOTÓGRAFO DE MAUTHAUSEN” (“EL FOTÓGRAFO DE MAUTHAUSEN”), 2018, Espanha, 1h50m, produção Netflix (estreou dia 22 de fevereiro de 2019), terceiro longa-metragem dirigido pela cineasta espanhola Mar Targarona, com roteiro de Roger Danès e Alfred Pérez Vargas. Baseada em fatos reais, a história resgata mais um episódio dramático da Segunda Guerra Mundial, ou seja, as atrocidades praticadas pelos nazistas no campo de concentração de Mauthausen, na Áustria. A figura central é o ex-combatente Francisco Boix (1920-1951), que lutou pelos republicanos na Guerra Civil Espanhola (era militante do Partido Comunista), foi preso e enviado, no início da Segunda Guerra, para Malthausen, com outros 1.500 espanhóis e mais de 100 mil prisioneiros de várias nacionalidades, incluindo judeus, claro. No campo de concentração, Francisco Boix (Mario Casas) conseguiu uma vaga de assistente no laboratório fotográfico do oficial alemão Paul Ricken (Richard van Weyden), encarregado de fotografar tudo o que acontecia em Mauthausen, incluindo, principalmente, as atrocidades, enforcamentos, fuzilamentos, experiências médicas etc. Para denunciar essa situação ao mundo, Boix passou a roubar os negativos de Ricken, contrabandeando-os para fora do campo de concentração. Quando a guerra terminou, essas imagens serviram de prova para condenar vários nazistas como criminosos de guerra. Mario Casas, normalmente escalado para fazer o papel de galã em vários filmes espanhóis, nunca foi um bom ator, mas desempenhou bem como o  fotógrafo Francisco Boix. O filme é bastante interessante como documento histórico, embora possa chocar em algumas cenas das atrocidades. Enfim, mais um relato trágico da crueldade dos nazistas.   



terça-feira, 2 de abril de 2019


“O PROTETOR 2” (“The Equalizer 2”), 2018, EUA, 120 minutos, escrito por Richard Wenk e dirigido por Antoine Fuqua. Trata-se da sequência do filme de 2014 que criou o personagem Robert McCall, um ex-agente da CIA perito em artes marciais e agora aposentado. No primeiro filme, também escrito por Richard Wenk e dirigido por Antoine Fuqua, McCall (Denzel Washington) enfrenta a máfia russa para resgatar e proteger uma jovem. Neste segundo, McCall trabalha como motorista de Uber em Boston e, nas horas vagas, dá uma de herói, socando bandidos, drogados e gente da pior espécie. De vez em quando ele é convocado para alguma missão especial, como no início do filme, quando vai para a Turquia resgatar uma menina sequestrada pelo próprio pai turco. Quando sua amiga e ex-colega de CIA Susan Plummer (Melissa Leo) é assassinada quando investigava um crime em Bruxelas (Bélgica), McCall promete pegar quem a matou. Ele vai atrás dos criminosos e acaba descobrindo uma conspiração que pode envolver gente da própria CIA. O filme tem um desfecho interessante, quando McCall enfrenta, sozinho, os assassinos em meio a um furacão. É bom lembrar que a dupla Richard Wenk e Antoine Fuqua é especialista em filmes de ação, como já provaram em “Jack Reacher: Sem Retorno” e “Sete Homens e um Destino”. Lembro ainda que "O Protetor" foi inspirado numa série de TV dos anos 80 chamada "The Equalizer". Enfim, um bom programa para curtir com um pote de pipoca. Tem Denzel Washington ainda em plena forma, muita ação e pancadaria.    

segunda-feira, 1 de abril de 2019


“MÃE ROSA” (“MA’ROSA”), 2016, Filipinas, 110 minutos, roteiro e direção de Brillante Ma Mendoza (do ótimo “Lola”, de 2009). Excelente drama do pouco conhecido cinema filipino, premiado em Cannes (Melhor Atriz para Jaclyn Jose, a “Mãe Rosa”) e em outros festivais mundo afora. Realmente, o filme é muito bom. A história é centrada em Rosa e sua família – marido e quatro filhos. Eles residem num bairro pobre da periferia de Manila, capital das Filipinas, e sobrevivem com as vendas de sua pequena mercearia. Na verdade, o estabelecimento é fachada para que ela e o marido trafiquem drogas. Denunciados, eles são presos e levados à delegacia. Primeiro, eles são obrigados a entregar o traficante. Segundo, terão que arranjar uma quantia em dinheiro para pagar a “fiança”, ou seja, uma gorda propina para os policiais. Os quatro filhos saem atrás do dinheiro, um deles até se transforma em garoto de programa. Brillante reserva um grande espaço para mostrar o empenho dos jovens em conseguir a soma pedida pelos policiais. A câmera sempre nervosa de Brillante, acompanhando de perto os personagens, aumenta a tensão e o suspense nas cenas mais decisivas. A mensagem comovente no desfecho é a cereja do bolo, mostrando a grande atriz que é Jaclyn Jose.     

domingo, 31 de março de 2019


“SEM DATA, SEM ASSINATURA” (“BEDOUNE TARIKH, BEDOUNE EMZA”), 2017, Irã, 1h44m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Vahid Jalilvand. Depois de assistir a este excelente drama iraniano, confesso que acabei não entendendo o título em português. Mais adequado à história foi o título escolhido para exibição na França, “Cas de Conscience” (Caso de Consciência). Poucos cineastas abordaram a questão da culpa com tanta competência quanto Vahid Jalilvand. O filme começa à noite numa estrada onde acontece um acidente: o carro dirigido pelo dr. Kaveh Inariman (Amir Aghafi), médico patologista forense, derruba uma motocicleta onde estão Moosa (Navid Mohammadzadeh) e sua esposa Sayeh (Hediyeh Tehrani), além dos dois filhos do casal. O garoto de 8 anos se queixa de dor de cabeça e o médico quer levá-lo ao hospital, conselho não seguido por Mossa. No dia seguinte, o menino é levado morto para autópsia, realizada pela médica Leila (Zakieh Behbahani), colega de Kaveh. A causa da morte seria o botulismo, contraído pelo consumo de carne de frango estragada. O pai se sente culpado por ter comprado o alimento, vendido bem barato. O dr. Kaveh fica sabendo da morte do garoto e não se conforma com o resultado da autópsia. Ele acha que o menino morreu por causa de uma fratura na coluna cervical, provocada pelo acidente. A assim caminha a história, cada um enfrentando sua culpa, seu caso de consciência. O filme estreou durante o 74ª Festival de Veneza, ganhando elogios da crítica especializada e os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator (Navid Mohammadzadeh). Ambos merecidíssimos. Por aqui, foi exibido na programação oficial da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Imperdível!  

quarta-feira, 27 de março de 2019

“CHACRINHA – O VELHO GUERREIRO” – 2018, direção de Andrucha Waddington, com roteiro de Cláudio Paiva. Trata-se da biografia de José Abelardo Barbosa (1917-1988), o popular Chacrinha, considerado até hoje o mais importante e criativo apresentador da TV brasileira. O filme começa com uma cena da Discoteca do Chacrinha, programa de auditório na TV Globo. No palco, Chacrinha chama como próxima atração uma famosa mãe de santo e transforma o palco numa verdadeira sessão de candomblé, com direito a batuque e cachaça. José Oliveira Sobrinho, o Boni, então diretor da TV Globo chega furioso à sala de produção e tira o programa do ar. O filme retrocede ao início dos anos 40, quando Abelardo Barbosa chega ao Rio de Janeiro depois de abandonar a faculdade de Medicina em Pernambuco. Ele chega com uma mão na frente e outra atrás. Para conseguir um troco pelo menos para comer, ele arruma um bico como locutor de megafone na porta de uma loja de roupas. Já nessa época, seu sonho era ser animador de auditório de alguma emissora de rádio – até então, não havia televisão. Para conseguir seu objetivo, ele conseguiu apresentar um programa musical numa rádio quase falida. A partir de então, o filme apresenta a trajetória de sucesso de Chacrinha até sua morte, relembrando vários de seus programas, inclusive alguns calouros de luxo como o iniciante Roberto Carlos e Clara Nunes. Stepan Nercessian dá um verdadeiro show como Chacrinha – quando moço, interpretado por Eduardo Sterblitch. A vida pessoal, os bastidores dos programas e até revelações bombásticas, como seu caso com a cantora Clara Nunes, o filme explora os fatos mais importantes da vida do apresentador. Estão lá os famosos bordões “O programa que acaba quando termina”, “Quem não se comunica se trumbica”, “Vocês querem bacalhau?” e “Terezinha, uh, uh”, além de jingles como “Maria Sapatão, de dia é Maria, à noite é João”. E as Chacretes, é claro. Tem ainda a espalhafatosa Elke Maravilha (Gianne Albertoni), seu grande inimigo Flávio Cavalcanti (Marcelo Serrado), Wanderléia (que seria mais tarde sua nora) e Boni (Thelmo Fernandes). O filme é delícia pura, um show de design de produção, recriação de época e figurinos. Uma divertida e emocionante volta ao passado recente. Não perca!