“RIVER RUNS RED” (como
ainda não foi exibido por aqui, não ganhou nenhuma tradução; o título, na
tradução literal, ficaria “Rio Corre Vermelho”), 2018, EUA, 1h34m, roteiro e
direção de Wes Miller. O juiz de Direito Charles Coleman (Taye Diggs) é surpreendido
com uma notícia nada agradável. Seu filho foi assassinado por dois policiais,
Von (Luke Hemsworth) e Rory (Gianni Capaldi). Segundo o relatório oficial, ele
teria reagido à abordagem dos policiais. Logo de cara, nos é apresentada a cena
do crime, “preparada” pelos assassinos: uma arma na mão do garoto. Inconformado
e crente que tudo não passou de uma armação, o juiz Coleman tenta convencer as
autoridades municipais de que seu filho não portava arma nenhuma e que foi assassinado
friamente. Como não houve uma resposta satisfatória à sua indignação, o juiz resolve então investigar o caso pessoalmente, até descobrir uma
evidência amplamente favorável à inocência do seu filho. Ou seja, a arma “plantada”
já havia sido utilizada pelos policiais em outro assassinato semelhante, desta vez o do filho de Javier (George Lopez), um imigrante dono de uma oficina mecânica.
Como não há uma resposta concreta da polícia, os dois pais resolvem fazer
justiça com as próprias mãos. Destaque negativo foi constatar no elenco a
figura do ator John Cusack numa ponta – na verdade, uma pontinha – pra lá de
constrangedora. Cusack, de 52 anos, que foi protagonista de ótimos filmes, como
“Alta Fidelidade” e “Matador em Conflito”, entre tantos outros, não merecia um
final de carreira tão triste e frustrante. Pior é que nos materiais de divulgação
seu nome aparece com destaque, o que pode configurar propaganda enganosa. O filme
é fraco e certamente não será exibido por aqui no circuito comercial. De
repente, aparece numa sessão da tarde qualquer. Se aparecer mesmo, pode
dispensar.
sexta-feira, 10 de maio de 2019
quarta-feira, 8 de maio de 2019
“VICE”, 2018,
EUA, 2h14m, roteiro e direção de Adam Mckay. Trata-se de um filme biográfico
baseado na figura de Dick Cheney, que fez carreira no governo norte-americano
começando como chefe de gabinete da Casa Branca nos anos 70 e depois como Secretário da
Defesa de 1989 a 1993, culminando com a vice-presidência na chapa de George W.
Bush, cargo que ocupou com grande desenvoltura e com poderes especiais,
principalmente nas questões de política externa e gestão militar – articulou,
por exemplo, a estratégia para a invasão do Iraque em represália aos atentados
de 11 de setembro de 2001. Cheney provou que ser vice nem sempre é um cargo
decorativo. E o roteiro de Mckay deixa bem claro que ele mandava mais que o
Bush filho. O filme foi realizado de modo a reunir fatos históricos, bastidores
do governo norte-americano e a ascensão vertiginosa de Cheney. Mesmo que o contexto seja sério, Mckay acrescentou uma grande dose de humor ácido e sátira,
numa edição dinâmica e com ritmo alucinante. Um verdadeiro show cinematográfico,
baseado num primoroso e criativo roteiro. O filme recebeu 8 indicações ao Oscar
2019: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Edição, Ator, Atriz Coadjuvante,
Ator Coadjuvante e Melhor Maquiagem e Cabelo – só conquistou a estatueta nesta
última categoria. Uma pena e uma grande injustiça. Eu daria o Oscar para Melhor
Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Original, no mínimo. O elenco é um
destaque à parte: Christian Bale como Dick Cheney (divulgaram que o ator
engordou mais de 20 quilos para o papel, o que duvido; acredito mais que tenha
havido enchimento das roupas e uma maquiagem pesada; em todo caso, Bale está
sensacional), Steve Carell como Donald Rumsfeld, um político de carreira que
teve um grande prestígio na Casa Branca; Amy Adams como Lynne Cheney; e Sam
Rockwell como o presidente Bush filho, compondo o personagem de uma forma bastante
caricatural. O diretor Adam Mckay, que já tinha em seu currículo bons filmes
como “A Grande Aposta” e “Tudo por Um Furo”, fez mais um gol de placa com “Vice”,
um dos melhores filmes dos últimos anos. Como informação adicional, lembro que
entre os produtores estão os astros Brad Pitt e Will Ferrell, o que dá a ideia
do prestígio do diretor. Não perca de jeito nenhum!
domingo, 5 de maio de 2019
“OBLAWA”, 2012,
Polônia, 1h36m, roteiro e direção de Marcin Krzysztalowicz. Mais um episódio
ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, desta vez na Polônia. O ano é
1943. A história é centrada em Otter (Marcin Dorocinski), um soldado que aderiu
à resistência polonesa contra as tropas alemãs que ocupavam o país. Otter era
encarregado de eliminar não só os alemães como também matar os poloneses que
colaboravam com os nazistas. Podia ser amigo ou não, ele assassinava com uma
frieza incrível. O filme inteiro acontece no cenário do acampamento da resistência na
floresta e mostra as dificuldades enfrentadas pelos soldados, que muitas vezes nem
tinham o que comer. Para escrever o roteiro, o diretor Krzysztalowicz se
inspirou nas memórias de seu pai, que pertenceu à resistência polonesa. É a ele
que o cineasta dedica este filme, conforme consta nos créditos finais. “Oblawa”
estreou durante a programação oficial do Festival de Cinema de Gdynia (o Oscar polonês),
sendo premiado pelo Polish Film Awards como Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor
Design de Som e Melhor Edição de Som. Fora da Polônia, foi exibido pela
primeira vez no Montreal World Film 2012. O filme não é muito agradável de
assistir. É violento, um tanto arrastado, mas bastante impactante. Vale pelo
registro histórico.
“MENINO
BONITO” (“Beautiful Boy”), 2018, EUA, duração de 2 horas, direção
de Felix Van Groeningen. Um sensível e comovente drama centrado na luta de um
pai para livrar o filho mais velho das drogas. É baseado em fatos reais, descritos
nos livros “Beautiful Boy”, de David Sheff (o pai), e “Tweak”, de Nic Sheff (o
filho viciado), adaptados pelo roteirista Luke Davies. No filme de Van
Groeningen, David Sheff é interpretado por Steve Carrell e Nic pelo jovem ator
Timothée Chalamet, responsáveis por grandes atuações (Chalamet foi indicado ao
Globo de Ouro). David Sheff é um jornalista conceituado, colaborador da Revista
Rolling Stone e do New York Times. Seu filho Nic, do primeiro casamento com Vick
(Amy Ryan), entra nas drogas e acaba se viciando em cocaína, anfetaminas e heroína.
Triste ver um menino tão bonito e simpático cair nesse precipício. Aqui vale
destacar o ótimo trabalho desse jovem ator de 23 anos de idade, descendente de
família francesa, Timothée Chalamet, que já havia demonstrado enorme
competência em filmes como “Me Chame pelo seu Nome” e “Lady Bird: A Hora de
Voar”, ambos de 2017. Steve Carrel também dá show de interpretação como o pai
inconformado com a situação do filho. Seu personagem chega a experimentar
drogas para tentar entender o vício de Nic. Embora com uma elevada carga
dramática, “Menino Bonito” reserva momentos de extrema sensibilidade e muitos
deles comoventes, reforçando sua qualidade como adaptação para o cinema. Importante
também destacar o trabalho do diretor belga Felix Van Groeningen em sua estreia
no cinema norte-americano. Van Groeningen foi responsável por “Alabama Monroe”,
de 2012, um filme também espetacular que representou a Bélgica na disputa do Oscar
de Melhor Filme Estrangeiro. Resumo da ópera: “Menino Bonito” é imperdível!
quinta-feira, 2 de maio de 2019

terça-feira, 30 de abril de 2019

domingo, 28 de abril de 2019
“PRAÇA
PÚBLICA” (“Place Publique”), 2018, França, 1h39m, quinto longa-metragem
dirigido pela atriz, roteirista e cineasta Agnès Jaoui. Mais uma vez, ela
contou com a colaboração, no roteiro e no elenco, do ator Jean-Pierre Bacri, com
o qual foi casada até 2012. Como é do estilo de Jaoui, “Praça Pública” é uma
comédia de costumes, gênero que é especialidade do cinema e do teatro franceses
– lembrando que foi Moliére quem inventou o gênero. Em “Praça Pública”, toda a
trama acontece durante a festa de inauguração da nova casa (open house) de Nathalie (Léa Drucker),
uma bem-sucedida empresária do mundo artístico parisiense. A casa está situada
nos arredores de Paris e Nathalie convida meio-mundo da nata artística
parisiense, incluindo várias celebridades. O convidado mais badalado é Castro (Jean-Pierre
Bacri), um famoso apresentador de TV, em torno do qual gravitam,
além dos bajuladores habituais, sua ex-mulher Hélène (Agnès Jaoui), sua filha
escritora Nina Meurisse) e sua atual namorada Vanessa (Helena Noguerra). Entre
caçadores de autógrafos, tipos esquisitos e excêntricos, gente querendo
aparecer, brigas de casais, um vizinho furioso e uma garçonete que, em vez de
servir, fica fazendo selfies com as
celebridades, o filme transcorre com muito humor até o final inusitado. Assim
como foi inusitado o começo, com uma cantora francesa – não descobri qual, mas
acho que foi Jacqueline François – cantando “Garota de Ipanema”. Se é ela
mesmo, a gravação é de 1964. “Praça Pública” foi exibido na programação oficial
do 20º Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em novembro de 2018.
Resumo da ópera: trata-se de mais um bom filme de Agnès Jaoui. Uma comédia bem
divertida e inteligente.
sexta-feira, 26 de abril de 2019
“EM TRÂNSITO” (“TRANSIT”),
2018, Alemanha, 1h41m, roteiro e direção de Christian Petzold. A história é
inspirada no livro “Transit”, da escritora alemã Anna Seghers (1900/1983).
Lançado em 1944, o romance de Seghers é ambientado no início da Segunda Grande
Guerra, quando os nazistas ocupavam vários países da Europa. Numa ousada
criação, o diretor Petzold (“Barbara” e “Phoenix) adaptou a história para os
tempos atuais, onde os invasores não são identificados e as vítimas perseguidas
são imigrantes ilegais e, claro, judeus. A trama é centrada no jovem Georg
(Franz Rogowski), um imigrante alemão vivendo ilegalmente em Paris. Um amigo da
resistência pede a Georg que entregue uma carta a um tal de Weidel, um escritor
também fugido da Alemanha. Quando vai ao apartamento dele, Georg descobre que Weidel
acaba de se suicidar e pega seus documentos. Daqui para a frente, ele assumirá a identidade de Weidel. Ao chegar a Marselha, onde embarcaria num navio com destino aos Estados Unidos, Georg conhece Marie (Paula Beer), uma bela mulher que, por uma grande
coincidência, é esposa do tal Weidel. Embora ainda espere pelo marido, Marie
vive um caso com o médico Richard (Godehard Giese), com o qual pretende fugir
para o México. Georg também se apaixona por ela e vice-versa. Marie, portanto, vive
uma dúvida cruel: fugir com Richard ou com Georg? O roteiro é bastante
complicado, só esclarecendo o espectador sobre o que está acontecendo a partir
da metade do filme. Eu mesmo fiquei meio perdido no início. A semelhança entre
o ator Franz Rogowski e seu colega norte-americano Joaquim Phoenix é incrível. Os
dois, por sinal, têm o lábio leporino. Paula Beer é uma excelente atriz alemã,
como já demonstrou no ótimo “Frantz”,
dirigido pelo francês François Ozon. "Em Trânsito" estreou no Festival de Berlim 2018
e também foi exibido no Festival de Veneza do mesmo ano, dividindo a opinião
dos críticos. É um filme bastante pretensioso, um tanto difícil de digerir, mas
muito interessante. Vale a pena conferir.
terça-feira, 23 de abril de 2019
“MATE
O REI” (“The Shangri-la Suite”), 2016, EUA, escrito e dirigido
por Eddie O’Keefe (é seu primeiro longa-metragem; O’Keefe tem apenas 26 anos de
idade). O ano é 1974. Jack Blueblood (Luke Grimes) e Karen Bird (Emily
Browning), dois jovens delinquentes, se conhecem numa clínica psiquiátrica de
reabilitação e se apaixonam. Ao escutar um disco de Elvis Presley de trás para
diante, Jack acredita ter ouvido a voz da mãe falecida dizendo “Mate o Rei”. A
partir daí, como uma Bonnie e um Clyde modernos, Jack e Karen saem estrada
afora matando um monte de gente até chegar a Los Angeles, onde Elvis faria um
show. Em paralelo, o filme dedica espaço a mostrar um Elvis (Ron Livingston)
decadente, viciado em remédios e extremamente arrogante, com pitadas de uma
loucura que chegava aos poucos. Depois de assistir “Mate o Rei”, pesquisei a respeito
e não achei nenhum fato relacionado com um possível atentado contra Elvis. Ou
seja, o filme é uma ficção, fruto da imaginação do jovem diretor
norte-americano. E quem narra a história, in-off,
é o falecido ator Burt Reynolds. Integram ainda o elenco a bela Ashley Greene,
como Priscila Presley, e Avan Jogia como Teijo Littlefoot, o índio homossexual amigo de Jack.
Enfim, a história até que é interessante, a trilha sonora é saborosa e o filme,
como um todo, funciona mais como um road-movie,
mas o resultado final não chega a
entusiasmar.
segunda-feira, 22 de abril de 2019

domingo, 21 de abril de 2019
“APOSTASIA” (“APOSTASY”),
2017, Inglaterra, 93 minutos, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por
Daniel Kokotajlo. O filme tem como pano de fundo os dogmas e a doutrina das
Testemunhas de Jeová. A história é centrada numa mãe divorciada, Ivanna
(Siobhan Finneran), e suas filhas Alex (Molly Wright) e Luisa (Sasha Parkinson),
que seguem a religião. Ivanna frequenta as reuniões nos “Salões do Reino” e leva
as filhas, obrigando-as a seguir à risca os princípios da religião e as
orientações dos anciões (equivalente a padres, rabinos ou pastores). A filha
Alex, por ter recebido uma transfusão de sangue quando era bebê, o que é
proibido pela religião, carrega essa culpa e dedica-se fervorosamente para se
tornar apta a ser uma verdadeira testemunha de Jeová. Luisa, a filha mais
velha, é mais contestadora e questiona muitos dos ensinamentos dos anciões.
Quando Luisa fica grávida do namorado, Ivanna vê sua família ruir, pois é
obrigada a renegar a filha e proibida, juntamente com Alex, de se “socializar”
com ela. Além disso, para aumentar ainda mais o sofrimento de Ivanna, os
anciões não permitem que Luisa frequente as reuniões. O destino também reserva
um fato trágico envolvendo a filha mais nova Alex. O que se pode deduzir da
história é que tenha sido uma crítica contundente do diretor Kokotajlo à doutrina
das Testemunhas de Jeová. E ele sabe do que está falando, já que chegou a ser também
um adepto. “Apostasia” é um filme bastante interessante e tem como destaque,
além da história, a ótima interpretação das atrizes principais.
quarta-feira, 17 de abril de 2019

segunda-feira, 15 de abril de 2019
“DIREÇÃO
EXPLOSIVA” (“STEIG. NICHT. AUS!”), 2018, Alemanha, 1h49m, roteiro e
direção de Christian Alvart. Filme de suspense, com muita tensão do começo ao
fim. A história começa com Karl Brendt (o astro alemão Wotan Wilke Möhring)
antecipando seu retorno a Berlim depois de uma viagem de negócios – ele é
diretor de uma grande empresa do ramo imobiliário. Karl queria fazer
uma surpresa para a esposa Simone (Christiane Paul) no dia em que o casal
comemoraria seus 15 anos de casamento. Esse dia, porém, reservaria uma série de
acontecimentos desagradáveis que fizeram Karl desejar não ter antecipado a
viagem. Durante o caminho em que levava seus dois filhos adolescentes para o
colégio, Karl recebe uma ligação de um homem que ameaça explodir seu
automóvel se não depositar em sua conta uma vultosa quantia em dinheiro. O
maluco instalou uma bomba sob cada banco do veículo de modo a não permitir que
ninguém se levante, pois, caso contrário, o acionamento é imediato e “Pum!”. O
desespero toma conta de Karl e de seus dois filhos, sentados no banco de trás. Karl
faz de tudo para arranjar o dinheiro, tarefa quase impossível por causa da
situação. Para aumentar ainda mais o sofrimento, a cada minuto o maluco ameaça
explodir as bombas por controle remoto. Como desgraça chama desgraça, durante o
episódio Karl descobre um segredo terrível sobre a esposa, recebe a notícia de
sua demissão e ainda por cima é perseguido pela polícia berlinense como
sequestrador dos próprios filhos. Ou seja, é ação e suspense o tempo inteiro.
Entretenimento dos melhores.
domingo, 14 de abril de 2019

quarta-feira, 10 de abril de 2019

segunda-feira, 8 de abril de 2019

domingo, 7 de abril de 2019
“OPERAÇÃO FRONTEIRA” (“TRIPLE
FRONTIER”), 2019, produção Netflix (estreou dia 13 de março de 2019), 1h55m,
roteiro e direção de J.C. Chandor. A história é centrada em cinco amigos
ex-membros das Forças Especiais dos EUA. Um deles é o agente Santiago Garcia
(Oscar Isaac), que ainda está na ativa como agente do comando antidrogas. Durante uma missão,
Santiago recebe a informação de que o principal fornecedor das drogas mora numa
mansão de segurança máxima localizada na tríplice fronteira Brasil/Peru/Colômbia, onde
esconde todo o dinheiro que ganhou em vários anos como traficante. Ou seja, a
mansão é um verdadeiro cofre. Cansado de prender traficantes e engordar os
cofres do Tio Sam, Santiago resolve convocar quatro amigos ex-agentes especiais:
Tom Davis (Ben Affleck), Francisco Morales (Pedro Pascal), William Miller
(Charlie Hunnam) e Ben Miller (Garrett Hedlund). A missão deve ser clandestina,
sendo que o objetivo é roubar o dinheiro do traficante e dividi-lo entre os
cinco. Ao montar a estratégia de invasão, o grupo conta com o apoio da
informante Yovanna (a morenaça Adria Arjona), que, em contrapartida, recebe como promessa
a libertação do seu irmão da cadeia. Como filme de ação, “Operação Fronteira”
tem lá seus bons momentos, mas o resultado final é decepcionante,
principalmente pela presença de astros como Ben Afleck (sua atuação é
constrangedora) e Oscar Isaac. Este talvez seja o filme mais fraco de Chandor,
que tem em seu currículo os excelentes “Margin Call – O Dia Antes do Fim”, “O
Ano mais Violento” e “Até o Fim”, este último com o astro Robert Redford.
quinta-feira, 4 de abril de 2019
“O FOTÓGRAFO DE MAUTHAUSEN” (“EL
FOTÓGRAFO DE MAUTHAUSEN”), 2018, Espanha, 1h50m, produção Netflix (estreou dia
22 de fevereiro de 2019), terceiro longa-metragem dirigido pela cineasta espanhola
Mar Targarona, com roteiro de Roger Danès e Alfred Pérez Vargas. Baseada em fatos
reais, a história resgata mais um episódio dramático da Segunda Guerra Mundial,
ou seja, as atrocidades praticadas pelos nazistas no campo de concentração de Mauthausen, na Áustria. A figura central é o ex-combatente Francisco Boix
(1920-1951), que lutou pelos republicanos na Guerra Civil Espanhola (era
militante do Partido Comunista), foi preso e enviado, no início da Segunda
Guerra, para Malthausen, com outros 1.500 espanhóis e mais de 100 mil prisioneiros
de várias nacionalidades, incluindo judeus, claro. No campo de concentração, Francisco
Boix (Mario Casas) conseguiu uma vaga de assistente no laboratório fotográfico do
oficial alemão Paul Ricken (Richard van Weyden), encarregado de fotografar tudo
o que acontecia em Mauthausen, incluindo, principalmente, as atrocidades,
enforcamentos, fuzilamentos, experiências médicas etc. Para denunciar essa
situação ao mundo, Boix passou a roubar os negativos de Ricken,
contrabandeando-os para fora do campo de concentração. Quando a guerra
terminou, essas imagens serviram de prova para condenar vários nazistas como
criminosos de guerra. Mario Casas, normalmente escalado para fazer o papel de
galã em vários filmes espanhóis, nunca foi um bom ator, mas desempenhou bem
como o fotógrafo Francisco Boix. O filme
é bastante interessante como documento histórico, embora possa chocar em
algumas cenas das atrocidades. Enfim, mais um relato trágico da crueldade dos nazistas.
terça-feira, 2 de abril de 2019

segunda-feira, 1 de abril de 2019
“MÃE ROSA” (“MA’ROSA”),
2016, Filipinas, 110 minutos, roteiro e direção de Brillante Ma Mendoza (do ótimo
“Lola”, de 2009). Excelente drama do pouco conhecido cinema filipino, premiado
em Cannes (Melhor Atriz para Jaclyn Jose, a “Mãe Rosa”) e em outros festivais
mundo afora. Realmente, o filme é muito bom. A história é centrada em Rosa e
sua família – marido e quatro filhos. Eles residem num bairro pobre da periferia
de Manila, capital das Filipinas, e sobrevivem com as vendas de sua pequena
mercearia. Na verdade, o estabelecimento é fachada para que ela e o marido trafiquem
drogas. Denunciados, eles são presos e levados à delegacia. Primeiro, eles são
obrigados a entregar o traficante. Segundo, terão que arranjar uma quantia em
dinheiro para pagar a “fiança”, ou seja, uma gorda propina para os policiais.
Os quatro filhos saem atrás do dinheiro, um deles até se transforma em garoto
de programa. Brillante reserva um grande espaço para mostrar o empenho dos jovens
em conseguir a soma pedida pelos policiais. A câmera sempre nervosa de
Brillante, acompanhando de perto os personagens, aumenta a tensão e o suspense nas
cenas mais decisivas. A mensagem comovente no desfecho é a cereja do bolo,
mostrando a grande atriz que é Jaclyn Jose.
domingo, 31 de março de 2019
“SEM
DATA, SEM ASSINATURA” (“BEDOUNE TARIKH, BEDOUNE EMZA”), 2017, Irã, 1h44m,
segundo longa-metragem escrito e dirigido por Vahid Jalilvand. Depois de
assistir a este excelente drama iraniano, confesso que acabei não entendendo o
título em português. Mais adequado à história foi o título escolhido para
exibição na França, “Cas de Conscience” (Caso de Consciência). Poucos cineastas
abordaram a questão da culpa com tanta competência quanto Vahid Jalilvand. O
filme começa à noite numa estrada onde acontece um acidente: o carro dirigido
pelo dr. Kaveh Inariman (Amir Aghafi), médico patologista forense, derruba uma
motocicleta onde estão Moosa (Navid Mohammadzadeh) e sua esposa Sayeh (Hediyeh
Tehrani), além dos dois filhos do casal. O garoto de 8 anos se queixa de dor de
cabeça e o médico quer levá-lo ao hospital, conselho não seguido por Mossa. No
dia seguinte, o menino é levado morto para autópsia, realizada pela médica
Leila (Zakieh Behbahani), colega de Kaveh. A causa da morte seria o botulismo,
contraído pelo consumo de carne de frango estragada. O pai se sente culpado por
ter comprado o alimento, vendido bem barato. O dr. Kaveh fica sabendo da morte
do garoto e não se conforma com o resultado da autópsia. Ele acha que o menino
morreu por causa de uma fratura na coluna cervical, provocada pelo acidente. A
assim caminha a história, cada um enfrentando sua culpa, seu caso de consciência.
O filme estreou durante o 74ª Festival de Veneza, ganhando elogios da crítica
especializada e os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator (Navid
Mohammadzadeh). Ambos merecidíssimos. Por aqui, foi exibido na programação
oficial da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Imperdível!
quarta-feira, 27 de março de 2019
“CHACRINHA
– O VELHO GUERREIRO” – 2018, direção de Andrucha Waddington, com
roteiro de Cláudio Paiva. Trata-se da biografia de José Abelardo Barbosa
(1917-1988), o popular Chacrinha, considerado até hoje o mais importante e
criativo apresentador da TV brasileira. O filme começa com uma cena da
Discoteca do Chacrinha, programa de auditório na TV Globo. No palco, Chacrinha
chama como próxima atração uma famosa mãe de santo e transforma o palco numa
verdadeira sessão de candomblé, com direito a batuque e cachaça. José Oliveira
Sobrinho, o Boni, então diretor da TV Globo chega furioso à sala de produção e
tira o programa do ar. O filme retrocede ao início dos anos 40, quando Abelardo
Barbosa chega ao Rio de Janeiro depois de abandonar a faculdade de Medicina em Pernambuco. Ele chega com uma mão na frente e outra atrás. Para conseguir um troco pelo
menos para comer, ele arruma um bico como locutor de megafone na porta de uma
loja de roupas. Já nessa época, seu sonho era ser animador de auditório de
alguma emissora de rádio – até então, não havia televisão. Para conseguir seu
objetivo, ele conseguiu apresentar um programa musical numa rádio quase falida.
A partir de então, o filme apresenta a trajetória de sucesso de Chacrinha até
sua morte, relembrando vários de seus programas, inclusive alguns calouros de luxo
como o iniciante Roberto Carlos e Clara Nunes. Stepan Nercessian dá um
verdadeiro show como Chacrinha – quando moço, interpretado por Eduardo
Sterblitch. A vida pessoal, os bastidores dos programas e até revelações
bombásticas, como seu caso com a cantora Clara Nunes, o filme explora os fatos
mais importantes da vida do apresentador. Estão lá os famosos bordões “O programa
que acaba quando termina”, “Quem não se comunica se trumbica”, “Vocês querem
bacalhau?” e “Terezinha, uh, uh”, além de jingles como “Maria Sapatão, de dia é
Maria, à noite é João”. E as Chacretes, é claro. Tem ainda a espalhafatosa Elke Maravilha (Gianne
Albertoni), seu grande inimigo Flávio Cavalcanti (Marcelo Serrado), Wanderléia
(que seria mais tarde sua nora) e Boni (Thelmo Fernandes). O filme é delícia
pura, um show de design de produção, recriação de época e figurinos. Uma divertida e emocionante volta ao passado recente. Não perca!
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