quarta-feira, 17 de abril de 2019


“ESTRADA SEM LEI” (“The Highwaymen”), 2018, EUA, 2h12m, direção de John Lee Hancock e roteiro de John Fusco, produção da Netflix (estreou no Brasil dia 29 de março de 2019). O filme conta a história dos acontecimentos que antecederam o tiroteio que levou à morte a dupla Bonnie e Clyde, casal que aterrorizou as cidades da região central dos Estados Unidos no início dos anos 30, roubando bancos e estabelecimentos, além de assassinar vários civis e policiais. “Estrada Sem Lei” apresenta os fatos sob o ponto-de-vista da lei, ou seja, a estratégia policial que culminou com a morte dos lendários marginais, ao contrário do clássico de 1967 “Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas”, de Arthur Penn, com Faye Dunaway como “Bonny” e Warren Beatty como “Clyde”, onde o foco central é o casal de bandidos. Em “Estrada Sem Lei”, o diretor John Lee Hancock (“Fome de Poder”, “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” e “Um Sonho Possível”) esconde a fisionomia do casal, revelando-a apenas no desfecho. O filme começa em 1934 com uma reunião no escritório da governadora do Texas, Miriam Ferguson, durante a qual ela cobra da polícia estadual a captura do casal, que há cerca de quatro anos praticava assaltos e assassinatos. Como nem sua polícia nem o FBI conseguiam localizar e prender os dois criminosos, a governadora acaba concordando com a sugestão de um de seus principais assessores: convocar dois policiais aposentados que pertenciam à Texas Ranger Division. Dessa forma, Frank Hamer (Kevin Costner) e Maney Gault (Woody Harrelson), duas figuras lendárias dos Rangers, entram em ação comandando toda a estratégia que levaria à perseguição e assassinato dos dois marginais. Destaque para o trabalho dos dois atores veteranos, principalmente Harrelson, e também para a primorosa recriação de época – veículos, figurinos, cenários e as armas. O roteiro ainda abre espaço para relembrar o fascínio que grande parte da população norte-americana tinha pela dupla, chamada de "Robbyn Woods modernos". As roupas de Bonnie, por exemplo, viraram moda instantânea na época, principalmente a boina. A popularidade dos dois pode ser medida pelo número de pessoas (simpatizantes e fãs) que compareceram ao seu funeral: mais de 20 mil. Nos créditos finais, o filme exibe fotos verdadeiras dos principais protagonistas da história. Filmaço!        

segunda-feira, 15 de abril de 2019


“DIREÇÃO EXPLOSIVA” (“STEIG. NICHT. AUS!”), 2018, Alemanha, 1h49m, roteiro e direção de Christian Alvart. Filme de suspense, com muita tensão do começo ao fim. A história começa com Karl Brendt (o astro alemão Wotan Wilke Möhring) antecipando seu retorno a Berlim depois de uma viagem de negócios – ele é diretor de uma grande empresa do ramo imobiliário. Karl queria fazer uma surpresa para a esposa Simone (Christiane Paul) no dia em que o casal comemoraria seus 15 anos de casamento. Esse dia, porém, reservaria uma série de acontecimentos desagradáveis que fizeram Karl desejar não ter antecipado a viagem. Durante o caminho em que levava seus dois filhos adolescentes para o colégio, Karl recebe uma ligação de um homem que ameaça explodir seu automóvel se não depositar em sua conta uma vultosa quantia em dinheiro. O maluco instalou uma bomba sob cada banco do veículo de modo a não permitir que ninguém se levante, pois, caso contrário, o acionamento é imediato e “Pum!”. O desespero toma conta de Karl e de seus dois filhos, sentados no banco de trás. Karl faz de tudo para arranjar o dinheiro, tarefa quase impossível por causa da situação. Para aumentar ainda mais o sofrimento, a cada minuto o maluco ameaça explodir as bombas por controle remoto. Como desgraça chama desgraça, durante o episódio Karl descobre um segredo terrível sobre a esposa, recebe a notícia de sua demissão e ainda por cima é perseguido pela polícia berlinense como sequestrador dos próprios filhos. Ou seja, é ação e suspense o tempo inteiro. Entretenimento dos melhores.       

domingo, 14 de abril de 2019



“BAYONETA”, coprodução México/Finlândia e Netflix (estreou aqui no Brasil dia 29 de março de 2019), 1h35m, roteiro e direção de Kyzza Terrazas (é o seu segundo longa-metragem; o primeiro foi “El Lenguaje de Los Machetyes”, de 2011). A história é centrada no ex-lutador de boxe Miguel “Bayoneta” Galindez, que abandonou os ringues e foi para a Finlândia trabalhar como treinador numa academia. Começa o filme com “Bayoneta” (Luis Gerardo Méndez) entrando no vestiário após uma luta nos Estados Unidos. Chorando sem parar, esmurrando armários e se xingando, ele lamenta o que aconteceu na luta. Teria perdido um título ou uma luta importante? O diretor Terrazas deixa a resposta para o final. Até lá, o filme acompanha a rotina diária do ex-lutador mexicano na capital finlandesa Helsinque, para onde se mudou há cerca de cinco anos, logo após aquela fatídica luta. Ele deixou em Tijuana, no México, a mulher e a filha. No frio de Helsinque, de congelar foca, “Bayoneta” passa os dias treinando jovens lutadores na academia e à noite costuma frequentar os bares, bebendo sem parar, ainda sofrendo com o trauma daquela luta de cinco anos atrás. Quando a academia em que trabalha fica ameaçada de fechar, “Bayoneta” resolver voltar a lutar para levantar uma grana. Seu amigo Denis (Brontis Jodorowsky), colega de academia, é contra o seu retorno aos ringues, mas mesmo assim topa ser seu treinador. O ator mexicano Luis Gerardo Méndez treinou durante cinco meses para fazer o papel de “Bayoneta”. Nas cenas de luta ele se sai muito bem, mesmo sem nunca ter subido num ringue. Não foi o melhor filme sobre boxe que já assisti, mas sem dúvida é muito bom.       

quarta-feira, 10 de abril de 2019


“LUZES DE OUTONO” (“Autumn Lights”), 2016, coprodução EUA/Islândia/França, falado em islandês, inglês e italiano, 1h42m, longa-metragem de estreia do islandês Angad Aulakh como roteirista e diretor. É ambientado num vilarejo litorâneo a duas horas da capital islandesa Reikjavick. Nesse local, o fotógrafo norte-americano David (Guy Kent) alugou uma cabana para passar alguns dias de férias com a namorada Eva (Thora Bjorg Helga). Logo no começo, eles entram em atrito (não se explica a causa) e Eva faz as malas e vai embora. David fica sozinho, com cara de cachorro perdido e solteirão carente (é a cara dele o filme inteiro). Num dos passeios que faz pela praia, ele encontra o cadáver de uma jovem e avisa a polícia, que consegue identificar a vítima e localizar seu bilhete de suicídio. Mesmo assim, a polícia pede que David fique por lá um tempo até terminarem as investigações. Em mais um passeio solitário, David conhece Marie (Marta Gastini), que mora numa casa próxima e o convida para jantar com o marido Johaan (Suen Olafur Gunnarsson) e alguns amigos. A reunião desses personagens dará margem à formação de um quadrilátero amoroso (triângulo é pouco) centralizado na fogosa  Marie e que envolve uma amiga e um amigo, David e o próprio marido. E por aí vai esse drama que um crítico chegou a comparar aos filmes do grande diretor sueco Ingmar Bergman. Escreveu que Aulakh utilizou “tintas bergmanianas”. Menos, colega, menos... Achei o filme bastante entediante, verborrágico e lento demais. Os personagens são todos melancólicos e depressivos, combinando com a paisagem fria de neve que envolve os cenários.Nada que justifique uma indicação entusiasmada. Como informação adicional, o título "Luzes de Outono" refere-se ao fato de que nessa época na Islândia o dia dura quase 24 horas.     

segunda-feira, 8 de abril de 2019


“A PAIXÃO DE AUGUSTINE” (“LA PASSION d’AUGUSTINE”), 2016, Canadá, 1h43m. roteiro e direção de Léa Pool, falado em francês. Não descobri, mas acredito que a diretora tenha elaborado a história inspirada em fatos reais. A personagem do título é Simone Beaulieu, mais conhecida como Madre Augustine, que nos anos 60 era diretora de uma escola/convento na zona rural de Québec. Quando assumiu a direção, Augustine (Céline Bonnier) instituiu na escola, além da religião e aulas de literatura e francês já constantes do currículo, o ensino da música. Pianista clássica na juventude, Augustine revelou em seu colégio vários talentos, responsáveis por conquistar vários prêmios em concursos musicais da região. Um desses talentos era sua própria sobrinha, a rebelde Alice (Lysandre Ménard), uma verdadeira virtuose no piano. Além das aulas de música, o filme dá destaque à influência do polêmico Concílio Vaticano II, que discutiu e regulamentou vários temas, incluindo ações para a modernidade da Igreja Católica. Outra questão enfocada foi a iniciativa do governo canadense de só permitir o ensino público em colégios do Estado, o que praticamente determinou o fechamento do convento de Augustine. O filme é muito bom, a história comovente e sensível, além de uma saborosa trilha sonora: Bach Liszt, Chopin, Mozart etc. A nata da música clássica, tocada em solos maravilhosos pelas alunas de Augustine. Sem falar no ótimo elenco, encabeçado por essa atriz maravilhosa Céline Bonnier, a Madre Augustine. Mais um bom trabalho realizado pela roteirista diretora suíço/canadense Léa Pool, que em 2014 já havia conquistado o Prêmio Especial do Júri Ecumênico no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Já que estamos falando de música, resumo da ópera: um filme imperdível!  

domingo, 7 de abril de 2019


“OPERAÇÃO FRONTEIRA” (“TRIPLE FRONTIER”), 2019, produção Netflix (estreou dia 13 de março de 2019), 1h55m, roteiro e direção de J.C. Chandor. A história é centrada em cinco amigos ex-membros das Forças Especiais dos EUA. Um deles é o agente Santiago Garcia (Oscar Isaac), que ainda está na ativa como agente do comando antidrogas. Durante uma missão, Santiago recebe a informação de que o principal fornecedor das drogas mora numa mansão de segurança máxima localizada na tríplice fronteira Brasil/Peru/Colômbia, onde esconde todo o dinheiro que ganhou em vários anos como traficante. Ou seja, a mansão é um verdadeiro cofre. Cansado de prender traficantes e engordar os cofres do Tio Sam, Santiago resolve convocar quatro amigos ex-agentes especiais: Tom Davis (Ben Affleck), Francisco Morales (Pedro Pascal), William Miller (Charlie Hunnam) e Ben Miller (Garrett Hedlund). A missão deve ser clandestina, sendo que o objetivo é roubar o dinheiro do traficante e dividi-lo entre os cinco. Ao montar a estratégia de invasão, o grupo conta com o apoio da informante Yovanna (a morenaça Adria Arjona), que, em contrapartida, recebe como promessa a libertação do seu irmão da cadeia. Como filme de ação, “Operação Fronteira” tem lá seus bons momentos, mas o resultado final é decepcionante, principalmente pela presença de astros como Ben Afleck (sua atuação é constrangedora) e Oscar Isaac. Este talvez seja o filme mais fraco de Chandor, que tem em seu currículo os excelentes “Margin Call – O Dia Antes do Fim”, “O Ano mais Violento” e “Até o Fim”, este último com o astro Robert Redford.       




quinta-feira, 4 de abril de 2019


“O FOTÓGRAFO DE MAUTHAUSEN” (“EL FOTÓGRAFO DE MAUTHAUSEN”), 2018, Espanha, 1h50m, produção Netflix (estreou dia 22 de fevereiro de 2019), terceiro longa-metragem dirigido pela cineasta espanhola Mar Targarona, com roteiro de Roger Danès e Alfred Pérez Vargas. Baseada em fatos reais, a história resgata mais um episódio dramático da Segunda Guerra Mundial, ou seja, as atrocidades praticadas pelos nazistas no campo de concentração de Mauthausen, na Áustria. A figura central é o ex-combatente Francisco Boix (1920-1951), que lutou pelos republicanos na Guerra Civil Espanhola (era militante do Partido Comunista), foi preso e enviado, no início da Segunda Guerra, para Malthausen, com outros 1.500 espanhóis e mais de 100 mil prisioneiros de várias nacionalidades, incluindo judeus, claro. No campo de concentração, Francisco Boix (Mario Casas) conseguiu uma vaga de assistente no laboratório fotográfico do oficial alemão Paul Ricken (Richard van Weyden), encarregado de fotografar tudo o que acontecia em Mauthausen, incluindo, principalmente, as atrocidades, enforcamentos, fuzilamentos, experiências médicas etc. Para denunciar essa situação ao mundo, Boix passou a roubar os negativos de Ricken, contrabandeando-os para fora do campo de concentração. Quando a guerra terminou, essas imagens serviram de prova para condenar vários nazistas como criminosos de guerra. Mario Casas, normalmente escalado para fazer o papel de galã em vários filmes espanhóis, nunca foi um bom ator, mas desempenhou bem como o  fotógrafo Francisco Boix. O filme é bastante interessante como documento histórico, embora possa chocar em algumas cenas das atrocidades. Enfim, mais um relato trágico da crueldade dos nazistas.   



terça-feira, 2 de abril de 2019


“O PROTETOR 2” (“The Equalizer 2”), 2018, EUA, 120 minutos, escrito por Richard Wenk e dirigido por Antoine Fuqua. Trata-se da sequência do filme de 2014 que criou o personagem Robert McCall, um ex-agente da CIA perito em artes marciais e agora aposentado. No primeiro filme, também escrito por Richard Wenk e dirigido por Antoine Fuqua, McCall (Denzel Washington) enfrenta a máfia russa para resgatar e proteger uma jovem. Neste segundo, McCall trabalha como motorista de Uber em Boston e, nas horas vagas, dá uma de herói, socando bandidos, drogados e gente da pior espécie. De vez em quando ele é convocado para alguma missão especial, como no início do filme, quando vai para a Turquia resgatar uma menina sequestrada pelo próprio pai turco. Quando sua amiga e ex-colega de CIA Susan Plummer (Melissa Leo) é assassinada quando investigava um crime em Bruxelas (Bélgica), McCall promete pegar quem a matou. Ele vai atrás dos criminosos e acaba descobrindo uma conspiração que pode envolver gente da própria CIA. O filme tem um desfecho interessante, quando McCall enfrenta, sozinho, os assassinos em meio a um furacão. É bom lembrar que a dupla Richard Wenk e Antoine Fuqua é especialista em filmes de ação, como já provaram em “Jack Reacher: Sem Retorno” e “Sete Homens e um Destino”. Lembro ainda que "O Protetor" foi inspirado numa série de TV dos anos 80 chamada "The Equalizer". Enfim, um bom programa para curtir com um pote de pipoca. Tem Denzel Washington ainda em plena forma, muita ação e pancadaria.    

segunda-feira, 1 de abril de 2019


“MÃE ROSA” (“MA’ROSA”), 2016, Filipinas, 110 minutos, roteiro e direção de Brillante Ma Mendoza (do ótimo “Lola”, de 2009). Excelente drama do pouco conhecido cinema filipino, premiado em Cannes (Melhor Atriz para Jaclyn Jose, a “Mãe Rosa”) e em outros festivais mundo afora. Realmente, o filme é muito bom. A história é centrada em Rosa e sua família – marido e quatro filhos. Eles residem num bairro pobre da periferia de Manila, capital das Filipinas, e sobrevivem com as vendas de sua pequena mercearia. Na verdade, o estabelecimento é fachada para que ela e o marido trafiquem drogas. Denunciados, eles são presos e levados à delegacia. Primeiro, eles são obrigados a entregar o traficante. Segundo, terão que arranjar uma quantia em dinheiro para pagar a “fiança”, ou seja, uma gorda propina para os policiais. Os quatro filhos saem atrás do dinheiro, um deles até se transforma em garoto de programa. Brillante reserva um grande espaço para mostrar o empenho dos jovens em conseguir a soma pedida pelos policiais. A câmera sempre nervosa de Brillante, acompanhando de perto os personagens, aumenta a tensão e o suspense nas cenas mais decisivas. A mensagem comovente no desfecho é a cereja do bolo, mostrando a grande atriz que é Jaclyn Jose.     

domingo, 31 de março de 2019


“SEM DATA, SEM ASSINATURA” (“BEDOUNE TARIKH, BEDOUNE EMZA”), 2017, Irã, 1h44m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Vahid Jalilvand. Depois de assistir a este excelente drama iraniano, confesso que acabei não entendendo o título em português. Mais adequado à história foi o título escolhido para exibição na França, “Cas de Conscience” (Caso de Consciência). Poucos cineastas abordaram a questão da culpa com tanta competência quanto Vahid Jalilvand. O filme começa à noite numa estrada onde acontece um acidente: o carro dirigido pelo dr. Kaveh Inariman (Amir Aghafi), médico patologista forense, derruba uma motocicleta onde estão Moosa (Navid Mohammadzadeh) e sua esposa Sayeh (Hediyeh Tehrani), além dos dois filhos do casal. O garoto de 8 anos se queixa de dor de cabeça e o médico quer levá-lo ao hospital, conselho não seguido por Mossa. No dia seguinte, o menino é levado morto para autópsia, realizada pela médica Leila (Zakieh Behbahani), colega de Kaveh. A causa da morte seria o botulismo, contraído pelo consumo de carne de frango estragada. O pai se sente culpado por ter comprado o alimento, vendido bem barato. O dr. Kaveh fica sabendo da morte do garoto e não se conforma com o resultado da autópsia. Ele acha que o menino morreu por causa de uma fratura na coluna cervical, provocada pelo acidente. A assim caminha a história, cada um enfrentando sua culpa, seu caso de consciência. O filme estreou durante o 74ª Festival de Veneza, ganhando elogios da crítica especializada e os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator (Navid Mohammadzadeh). Ambos merecidíssimos. Por aqui, foi exibido na programação oficial da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Imperdível!  

quarta-feira, 27 de março de 2019

“CHACRINHA – O VELHO GUERREIRO” – 2018, direção de Andrucha Waddington, com roteiro de Cláudio Paiva. Trata-se da biografia de José Abelardo Barbosa (1917-1988), o popular Chacrinha, considerado até hoje o mais importante e criativo apresentador da TV brasileira. O filme começa com uma cena da Discoteca do Chacrinha, programa de auditório na TV Globo. No palco, Chacrinha chama como próxima atração uma famosa mãe de santo e transforma o palco numa verdadeira sessão de candomblé, com direito a batuque e cachaça. José Oliveira Sobrinho, o Boni, então diretor da TV Globo chega furioso à sala de produção e tira o programa do ar. O filme retrocede ao início dos anos 40, quando Abelardo Barbosa chega ao Rio de Janeiro depois de abandonar a faculdade de Medicina em Pernambuco. Ele chega com uma mão na frente e outra atrás. Para conseguir um troco pelo menos para comer, ele arruma um bico como locutor de megafone na porta de uma loja de roupas. Já nessa época, seu sonho era ser animador de auditório de alguma emissora de rádio – até então, não havia televisão. Para conseguir seu objetivo, ele conseguiu apresentar um programa musical numa rádio quase falida. A partir de então, o filme apresenta a trajetória de sucesso de Chacrinha até sua morte, relembrando vários de seus programas, inclusive alguns calouros de luxo como o iniciante Roberto Carlos e Clara Nunes. Stepan Nercessian dá um verdadeiro show como Chacrinha – quando moço, interpretado por Eduardo Sterblitch. A vida pessoal, os bastidores dos programas e até revelações bombásticas, como seu caso com a cantora Clara Nunes, o filme explora os fatos mais importantes da vida do apresentador. Estão lá os famosos bordões “O programa que acaba quando termina”, “Quem não se comunica se trumbica”, “Vocês querem bacalhau?” e “Terezinha, uh, uh”, além de jingles como “Maria Sapatão, de dia é Maria, à noite é João”. E as Chacretes, é claro. Tem ainda a espalhafatosa Elke Maravilha (Gianne Albertoni), seu grande inimigo Flávio Cavalcanti (Marcelo Serrado), Wanderléia (que seria mais tarde sua nora) e Boni (Thelmo Fernandes). O filme é delícia pura, um show de design de produção, recriação de época e figurinos. Uma divertida e emocionante volta ao passado recente. Não perca! 

terça-feira, 26 de março de 2019


“O VELHO E A ARMA” (“The Old Man and the Gun”), 2018, EUA, 93 minutos, roteiro e direção de David Lowery (“Sombras da Vida”, “Meu Amigo Dragão”). A história é baseada em fatos reais, ou seja, nos últimos anos de vida do delinquente Forrest Tucker (1920-2004), que ficou famoso nos Estados Unidos por ter fugido 18 vezes das prisões onde estava encarcerado, inclusive algumas de segurança máxima, como San Quentin. Sua vida de crimes começou aos 15 anos de idade e continuou até a velhice, fase em que toda a história do filme se desenrola. Aos 78 anos, Tucker (Robert Redford) continuava roubando bancos em companhia de dois comparsas, Waller (Tom Waits) e Teddy (Danny Glover). Tucker chefiava os assaltos e, para anunciá-los aos gerentes e funcionários do banco, o fazia com toda a educação, mostrando-se um verdadeiro gentleman. Nunca exibia uma arma, embora dissesse que portava uma. E seu único disfarce era apenas um bigode. Sua prisão, e a dos seus parceiros, virou ponto de honra para a polícia, que destacou para a missão o detetive John Hurt (Casey Affleck, irmão do Ben). Em meio a esta perseguição, Tucker conheceria a viúva Jewel (Sissy Spacek), proprietária de um rancho. Redford e Sissy Spacek são os responsáveis pelos momentos românticos e mais sensíveis do filme, quando o veterano ator usa todo o seu charme - ainda intacto aos 82 anos, apesar das rugas. Os diálogos entre os dois são ótimos. Por falar em Redford, ele anunciou que este seria seu último filme como ator. Pena, mas deixa um legado formidável, incluindo filmes como “Butch Cassidy”, “Golpe de Mestre”, “Todos os Homens do Presidente” e “O Grande Gatsby”, entre tantos outros. Resumo da ópera: “O Velho e a Arma” é um filmaço!    

segunda-feira, 25 de março de 2019


“O QUE NOS LIGA” (“CE QUI NOUS LIE”), 2017, França, 1h54m, direção de Cedric Klapisch, que também assina o roteiro com a colaboração do cineasta argentino Santiago Amigorena. Enólogos, sommeliers e amantes do vinho em geral vão se deliciar com essa pequena joia do cinema francês. Eu, que sou leigo no assunto, me deliciei e aprendia muito sobre a produção do vinho. A história é toda ambientada na região dos vinhedos da Borgonha (sul-sudeste da França). Um dos maiores vinhedos pertence aos irmãos Jean (Pio Marmai), Juliette (Ana Girardot, filha do ator Hippolyte Girardot) e Jéremie (François Civil). Eles o herdaram do pai (Eric Caravaca), que lhes ensinou tudo sobre a produção de vinho. Desde crianças, os irmãos foram acostumados a fazer degustação – sempre de olhos vendados - e adivinhar que tipo estavam tomando, além de apontar os defeitos e as qualidades. O pai ficou gravemente doente e os filhos assumiram o negócio. Desde a época certa para a plantação e colheita – a uva é experimentada no cacho para definir a data certa – até o armazenamento e fermentação, todas essas etapas são minuciosamente explicadas durante o filme. Os irmãos são bastante unidos e apaixonados pelo vinhedo, embora recebam boas ofertas para vendê-los. Um dos que querem comprar alguns lotes é justamente o sogro de Jéremie, proprietário de outro vinhedo concorrente. O filme reserva cenas bastante interessantes, como a festa realizada ao final da colheita, onde todos aqueles que colheram as uvas participam, com muita alegria e cantoria. E muito vinho, claro. Embora explore aspectos pessoais de cada um dos irmãos e algumas desavenças familiares, é o vinho o personagem principal desse excelente filme francês, sensível e divertido.    

sexta-feira, 22 de março de 2019

“VOCÊ DESAPARECEU” (“Du Forsvinder”), 2017, Dinamarca, 1h58m, direção de Peter Schønau Fog (seu segundo longa-metragem). O roteiro foi escrito por Christian Jungersen, autor do romance “I Biografen Nu", no qual o filme foi baseado, best-seller nos países da Escandinávia. Vamos à história: Frederick Halling (Nicolas Lie Kaas) desviou dinheiro da escola onde é diretor, em Oslo, e depositou em sua conta. O desfalque foi descoberto, ele acabou denunciado e vai para julgamento, podendo pegar um bom período na cadeia. O crime está devidamente comprovado, mas sempre há uma atenuante. No caso, um tumor no cérebro de Frederick, que, segundo os médicos, poderia provocar um desvio comportamental no paciente, o que explicaria sua conduta ilícita. Este talvez seja o único trunfo do advogado Bernard Berman (Michael Nyqvist), encarregado de defender Frederick. Para isso, porém, ele terá que entrevistar especialistas em neurociência, médicos neurologistas e até psiquiatras – no livro, Jungersen apresenta um verdadeiro estudo científico sobre a neurociência. Somente esse contexto já torna o filme muito interessante. Mas tem mais: a maravilhosa atuação da grande atriz dinamarquesa Trine Dyrholm (“Festa em Família”, “A Comunidade”), que interpreta Mia Halling, a esposa de Frederick. Outro destaque fica por conta da participação do ator Michael Nyqvist, que morreu meses depois do fim das filmagens. Enfim, um filme inteligente, polêmico, que dá margem a muitas discussões e reflexões acerca dos fatores que levam o ser humano a ter determinado comportamento. Imperdível!

quarta-feira, 20 de março de 2019


O que um pai é capaz de fazer para se vingar dos agressores do seu filho? É este o pano de fundo do drama “SEU FILHO” (“Su Hijo”), 2018, Espanha, Netflix (lançamento ocorreu dia 1º de março de 2019), roteiro e direção de Miguel Ángel Vivas. A vida do médico cirurgião Jaime Jiménez (José Coronado) vira um inferno após seu filho Marcos (Paul Monen) ser brutalmente espancado na porta de uma discoteca. Ele cobra da polícia uma investigação rápida para identificar os agressores. Mesmo com as cenas gravadas por um celular, a polícia não faz nada (a delegada diz que não pode assistir à gravação sem a ordem de um juiz – ou seja, má vontade), talvez por influência do poderoso dono da discoteca. Jiménez então resolve fazer justiça com as próprias mãos (clichê dos clichês) e parte para cima dos agressores. Uma peça fundamental do que ocorreu é a adolescente Andrea (Ester Expósito), ex-namorada de Marcos. Em todo o desenrolar do filme, a ação fica restrita às cenas da agressão (muito violentas, por sinal) a Marcos e da vingança do seu pai. Na maior parte, a câmera do diretor Vivas acompanha o sofrimento e a angústia de Jiménez em decidir ou não se vingar na base do “Olho por olho, dente por dente”. O filme ainda guarda, para perto do desfecho, uma surpreendente revelação. Nem a presença do veterano e excelente ator José Coronado nem uma surpreendente revelação perto do desfecho são suficientes para recomendar este drama espanhol. 

segunda-feira, 18 de março de 2019


“LEAL – SÓ HÁ UMA FORMA DE VIVER” (“LEAL – SOLO HAY UMA FORMA DE VIVIR”), 2018, Paraguai, Netflix, 1h47m, direção de Pietro Scappini e Rodrigo Salomón, com roteiro do argentino Andrés Gelós. Trata-se do primeiro filme paraguaio exibido pela Netflix – sua estreia mundial aconteceu no dia 2 de agosto de 2018. Mesmo sendo paraguaio, o filme não é falso. A história é baseada em fatos reais e envolve a atuação de um grupo paramilitar formado pela SENAD – Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai – com o objetivo de combater o tráfico de drogas nas fronteiras paraguaias. Para comandar o pelotão, o governo trouxe de volta à ativa o ex-coronel Ramón Fernández (Sílvio Rodas), que recrutou vários oficiais e soldados de sua confiança. O serviço de inteligência funcionou graças a uma estagiária do SENAD (Andrea Quatrocchi), que decifrou os códigos utilizados pelos traficantes para designar a chegada, por via aérea, de novos carregamentos. A parte divertida: o código dos aeroportos clandestinos era constituído por nomes de jogadores brasileiros. Estão lá Cafu, Djalma Santos, Alemão etc. Haja criatividade! No gênero ação, até que o filme funciona, tem ritmo, violência e muitos tiros, mas os atores são uma tragédia. Um pior que o outro. Ou foram mal dirigidos ou são ruins mesmo. Tem até um brasileiro no elenco, um tal de Bruno Sosa, que interpreta Dante, o braço direito do maior traficante da região. É isso aí, vale como curiosidade para conhecer um filme de ação do Paraguai. Garanto que já vi piores.   

domingo, 17 de março de 2019


“A ARTE DE AMAR – A HISTÓRIA DE MICHALINA WISLOCKA” (“SZTUKA KOCHANIA”), 2017, Polônia, 120 minutos, direção de Maria Sadowska – é o seu segundo longa-metragem -, com roteiro de Violetta Ozminkowski. Conta a história da médica ginecologista Michalina Wislocka, que em 1976 lançou o livro “A Arte de Amar” (“Sztuka Kochania”), um pioneiro e polêmico ensaio sobre a importância da prática do sexo na vida das pessoas. O livro foi um grande best-seller na época. Não foi fácil publicá-lo, já que a Polônia vivia sob o comando do rígido regime da União Soviética, além de ser um dos países mais católicos do mundo. Ou seja, Michalina teve de enfrentar a oposição da Igreja e dos governantes. O livro foi considerado o primeiro guia sexual gerado num país comunista e Michalina a primeira sexóloga da Polônia, sendo comparada ao seu colega norte-americano Alfred Charles Kinsey, que nos anos 40 fundou o Instituto de Pesquisa do Sexo na Universidade de Indiana. O filme apresenta Michalina (Magdalena Boczarska) como uma mulher liberal, desinibida e muito avançada para o seu tempo, a ponto de permitir que seu marido Stach Wislocki (Piotr Adamczyk) vivesse com outra mulher, Wanda (Justina Wasilewska) no mesmo teto que ela, consumando o famoso ménage à trois. Alguns anos mais tarde, separada de Stach, Michalina conhece Jurek (Eryk Lubos), que seria seu grande amor pelo resto da vida. Enfim, uma história e tanto a desta médica polonesa, contada de uma forma bem-humorada e fiel aos fatos, com excelente elenco, fotografia e uma esmerada reconstituição de época.    


“VIDA SELVAGEM” (“Wildlife”), 2019, EUA, 1h45m, filme independente que marca a estreia do ator Paul Dano como roteirista e diretor. Trata-se da adaptação do romance escrito por Richard Ford em 1990. A história é ambientada no final dos anos 50 do século passado e acompanha o drama da família Brinson, Jerry (Jake Gylhenhaal), Jeanette (Carey Mulligan) e Joe (Ed Oxenbould), o filho de 14 anos do casal. Eles vivem na cidade de Great Falls (Montana), onde Jerry trabalha como empregado de um clube de golfe. Ao perder o emprego, o relacionamento familiar fica insustentável. As brigas entre o casal acontecem quase sempre sob os olhares de Joe. Como não consegue outro emprego melhor, Jerry aceita fazer parte de um grupo encarregado de combater incêndios na floresta. Por vários meses, ele passa longe da família. Enquanto isso, Jeanette e o filho vão à luta. Ela consegue um emprego numa concessionária de veículos e o garoto num estúdio de fotografia. Com o casamento em ruínas e com o sumiço do marido, Jeanette acaba se envolvendo com um rico empresário e, quando Jerry volta para casa, a situação do casal se complica de vez. O filho Joe acompanha de perto toda essa situação de turbulência e é através do seu olhar que o diretor Paul Dano procura intensificar a dramaticidade. Assim como os críticos especializados presentes à exibição do filme nos festivais de Sundance e de Cannes, gostei muito do filme. Vale também pela ótima atuação da atriz inglesa Carey Mulligan.

sexta-feira, 15 de março de 2019


“TODOS JÁ SABEM” (“Todos Lo Saben”), 2019, Espanha, 2h13m, roteiro e direção de Asghar Farhadi. Com um elenco de primeira linha, este suspense foi exibido pela primeira vez no 71º Festival de Cinema de Cannes, em maio de 2018, não empolgando nem público nem críticos. A história começa com a chegada de Laura (Penélope Cruz) e seus dois filhos a uma pequena aldeia da Espanha, onde vivem seus pais e irmãs, para a festa de casamento da irmã mais nova. O marido de Laura, Alejandro (Ricardo Darín), tinha compromissos na Argentina e não pôde ir.   Durante a comemoração, um apagão acontece e, quando a luz volta, Irene (Carla Campra), filha mais velha de Laura, desaparece misteriosamente. Será que a garota fugiu ou foi sequestrada? A dúvida pairou no início, mas logo depois ficou confirmado que era um caso de sequestro. Por dinheiro, é claro. O diretor iraniano Farhadi nos conduz a uma espécie de jogo de adivinhação, fazendo com que o espectador desconfie deste ou daquele personagem. E são muitos. Não escapam nem o próprio pai da moça, Alejandro, que está falido, nem mesmo Paco (Javier Bardem, marido de Penélope Cruz na vida real), um antigo namorado de Laura. Depois de uma revelação bombástica (tudo a ver com o título “Todos já Sabem”), finalmente é revelado quem está por trás do sequestro. O diretor iraniano já tinha feito um suspense semelhante – e melhor -, “A Procura de Elly”, em 2009. Anos depois, Asghar Farhadi se consagraria com dois Oscars de Melhor Filme Estrangeiro, “A Separação”, de 2011, e “O Apartamento”, de 2016. O elenco de “Todos já Sabem” ainda conta com Inma Cuesta, Bárbara Lennie, Eduardo Fernández e Sara Sálamo.

segunda-feira, 11 de março de 2019


“PODERIA ME PERDOAR?” (“CAN YOU EVER FORGIVE ME?”), 2018, EUA, direção de Marielle Heller (“O Diário de uma Adolescente”), com roteiro adaptado por Nicole Holofcener e Jeff Whitty. Mais um ótimo filme da safra 2018 de Hollywood, considerado pela National Board of Review como um dos 10 melhores filmes de 2018. Trata-se da adaptação cinematográfica do livro de memórias da jornalista e escritora Lee Israel, que, nos anos 90, endividada e sem emprego, resolveu falsificar cartas atribuídas a celebridades, entre as quais Dorothy Parker, Tallulah Bankhead e Katharine Hepburn. Em meio a essa trajetória criminosa, Lee, interpretada magistralmente pela atriz Melissa McCarthy, faria amizade com o folclórico Jack Hock (o ator inglês Richard E. Grant), um trambiqueiro gay que se tornaria seu cúmplice nas picaretagens. Os dois seriam presos mais tarde pelo FBI. Por suas atuações nesse filme, Melissa concorreu a Melhor Atriz e Richard Grant a Melhor Ator Coadjuvante. A dupla realmente dá um show, mas é Richard quem rouba as cenas. O papel de Lee Israel estava acertado para ser de Julianne Moore, demitida logo após o início das filmagens. A razão não foi divulgada. Enfim, um ótimo filme, recheado de humor e, de certa forma, bastante sensível. Entretenimento dos melhores.


domingo, 10 de março de 2019


“LIZZIE”, 2018, EUA, 1h48m, segundo longa-metragem dirigido por Craig William MacNeill, com roteiro adaptado por Bryce Kass. O filme relembra o caso que chocou a cidade de Fall River, Massachusetts, e repercutiu por todo o país norte-americano. O fato gerou inúmeras reportagens, livros e, mais tarde, vários filmes. Em 1892, Andrew Borden (Jamey Sheridan) e sua esposa Abby Borden (Fiona Shaw), figuras importantes e respeitáveis da sociedade local, foram encontrados mortos, assassinados a machadadas. As suspeitas da polícia recaíram sobre Lizzie Borden (Chloë Sevigny), a filha mais nova, e a empregada Bridget Sullivan (Kristen Stewart). Ao final das investigações e interrogatórios, chegou-se à conclusão de que Lizzie seria a assassina. Ela foi presa e julgada, sendo absolvida da acusação. O filme detalha os acontecimentos ocorridos nos seis meses anteriores ao crime, começando pela chegada de Bridget, a empregada, que sofreria abuso sexual do patrão e teria um caso lésbico com Lizzie. O diretor Macneill explora a história adicionando muito suspense, cenas violentas e cenas de sexo, além da nudez das duas atrizes principais. Choë Sevigny, além de bonita, é uma grande atriz. Pena que não é tão requisitada pelos grandes estúdios, mais pelo cinema independente - "Lizzie", por sinal, estreou no Festival de Cinema de Sundance, em 2018. A bela Kristen Stewart está apática demais, sem nenhuma expressão, mas é boa atriz e tem crédito de sobra. O filme vale a pena ser visto não só pela história em si, mas pelo excelente desempenho da Sevigny. A mesma história foi tema de outros filmes, um deles "Lizzie Borden Pegou o Machado", produção para a TV com Christina Ricci (também comentado neste blog). 


sexta-feira, 8 de março de 2019

“SE A RUA BEALE FALASSE” (“IF BEALE STREET COULD TALK”), 2018, EUA, 120 minutos, dirigido por Barry Jenkins, que também escreveu o roteiro baseado no romance de James Baldwin lançado em 1974. As famílias de Tish (Kiki Laine) e de Alonzo “Fonny” Hunt (Stephan James) são vizinhas no Harlem. Tish e Fonny cresceram juntos e ainda adolescentes engatam um namoro. A história é ambientada no início dos anos 70, quando Tish está com 19 anos e Fonny com 22. Continuam apaixonados e ela acaba engravidando. Só que um dia Fonny é preso, acusado de estuprar uma jovem porto-riquenha. Ele nega o crime, mas o fato de ser negro já supõe culpa no país racista do Tio Sam, ainda mais naquela época. Tish acredita na inocência do namorado e segue sonhando em ter um lar no futuro com filhos etc. Mas nem sempre os sonhos tornam-se realidade, principalmente para uma minoria segregada. Barry Jenkins fez uma boa adaptação de um dos mais conhecidos romances de James Baldwin, autor também negro que explora, na maioria dos seus livros, a questão racial nos Estados Unidos. Lembro que Jenkins também foi o diretor do poderoso “Moonlight: Sob a Luz do Luar”, Melhor Filme do Oscar 2017. Por falar em Oscar, “Se a Rua Beale Falasse” foi indicado para três categorias na versão 2019: Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora. Só levou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, Regina King, que faz a mãe de Tish. Achei que houve injustiça com Kiki Laine, que deveria ter sido indicada para Melhor Atriz e não foi. Ela está ótima. Enfim, “Se a Rua Beale Falasse” é mais um excelente filme da safra 2018, que já nos deu “Green Book”, “A Favorita” e “Bohemian Rhapsody”, entre outros.