sexta-feira, 10 de março de 2017

“O ESGRIMISTA” (“VEHKLEJA”), 2015, Finlândia/Estônia, roteiro de Anna Heinämaa e direção de Klaus Härö. Baseado em fatos reais. Durante a Segunda Guerra Mundial, muitos russos foram recrutados à força pelas tropas alemãs invasoras e obrigados a lutar pelo exército nazista. Terminada a guerra, muitos deles foram presos como colaboracionistas e inimigos da Rússia, sendo condenados e enviados para enxugar gelo na Sibéria. O esgrimista Endel Nelis (1925-1993) foi um dos russos cooptados pelos alemães, mas conseguiu escapar da prisão ao mudar de identidade. No início dos anos 50, como Endel Keller, ele conseguiu um emprego de professor de esportes num colégio da pequena cidade de Haapsalu, na Estônia. Mesmo com a discordância da direção da escola e a muito custo, Endel conseguiu incluir a prática da esgrima como uma das modalidades a ser ensinada aos garotos. O diretor da escola achava que a esgrima não era um esporte para o proletariado e sim para a elite burguesa. Com muito treinamento, Endel conseguiu levar a escola para disputar um torneio juvenil em Leningrado, mesmo arriscando-se a ser reconhecido e preso pelo serviço secreto de Stalin. Dirigido com rara sensibilidade pelo diretor finlandês, o filme concorreu na categoria Melhor Filme Estrangeiro ao Globo de Ouro 2016. Sua única exibição no Brasil aconteceu na Seção “Foco Nórdico” da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo/2016. É um filme que emociona. Uma história comovente que precisa ser conhecida.              



quarta-feira, 8 de março de 2017

Lançado no Festival Internacional de Berlim, em fevereiro de 2016, o terror psicológico  “CREEPY” (“Kurîpî Itsuwari no Rinjin”) colocou mais uma vez em evidência o diretor japonês Kiyoshi Kurosawa (não tem parentesco com o famoso diretor Akira Kurosawa, já falecido). Kiyoshi é considerado um mestre do terror (“Pulse”, “A Cura”). Em “Creepy”, ele se inspira na história do livro “Kurîpî”, best-seller do escritor Yukata Maekawa. O roteiro, também de Kurosawa, é de início um pouco confuso, mas depois torna-se bem inteligível – e assustador. Koichi Takakura (Hidetoshi Nishijima) é um ex-detetive que leciona Psicologia Criminal numa universidade. Certo dia, Nogami (Masahiro Higashide), um antigo companheiro da polícia, pede a Takakura que o ajude a desvendar um mistério relacionado com o desaparecimento de três pessoas de uma família há seis anos. Para iniciar a investigação, os dois localizam a jovem Saki (Haruna Kawaguchi), na época adolescente e única sobrevivente. Ao mesmo tempo, a esposa de Takakura, sentindo-se solitária no novo bairro, passa a interagir com a vizinhança e logo faz amizade com o misterioso Nishino (Teruyuki Kagawa), um homem sem passado e com um comportamento bastante estranho. Takakura e seu colega policial passam a desconfiar que Nishino pode ter ligação com o caso da família desaparecida. A tensão aumenta a cada cena, ainda mais com o auxílio de uma trilha sonora pulsante que lembra os filmes de Alfred Hitchcock, do qual o diretor japonês é um confesso admirador. Podemos chamar a primeira fase do filme como teórica: investigação, muito papo e interrogatórios. Na fase prática, o filme deixa o suspense de lado e passa ao terror explícito, quando o assassino e seus métodos são revelados. “Creepy” (pode ser traduzido como horripilante, assustador) é um filme bastante interessante que merece ser visto como uma nova vertente criativa do gênero terror psicológico.                 

segunda-feira, 6 de março de 2017

“ELIS”, 2015, roteiro e direção de Hugo Prata (seu longa de estreia), é uma cinebiografia da cantora Elis Regina. No filme, a trajetória de Elis começa a ser contada quando ela chega ao Rio, aos 18 anos, em 1964, como uma ilustre desconhecida para logo depois se transformar numa conhecida ilustre. Estão lá retratados seu encontro com Ronaldo Bôscoli e Miéle no Beco das Garrafas, seus shows arrasadores e o início de sua amizade com o cantor/dançarino Lennie Dale. Elis chega a São Paulo para cantar “Arrastão”, de Edu Lobo, no I Festival da Música Popular Brasileira da TV Excelsior, em 1965, e mais uma vez levanta a plateia, conquistando o 1º lugar. Vem o convite da TV Record para comandar, junto com Jair Rodrigues, o programa “O Fino da Bossa”. E por aí vai a carreira daquela que é considerada até hoje a maior cantora que o Brasil já teve - no que concordo plenamente. O filme dá maior ênfase à vida particular conturbada de Elis, seu casamento com Bôscoli e depois com César Camargo Mariano, seu caso com Nelson Motta, a perseguição que sofreu dos militares, a desavença com o cartunista Henfil, seus shows nem sempre aclamados e, por fim, a fase depressiva que a levaria à morte em 1982, aos 36 anos de idade. A atriz mineira Andréia Horta representa Elis de forma magistral, incluindo caras e bocas, imitando com perfeição os gestos que Elis fazia quando falava e cantava. Em algumas cenas, a semelhança é incrível e emocionante. Entre os fatos importantes da carreira de Elis, porém, senti falta de uma menção ao disco “Elis & Tom”, que gravou junto com o maestro carioca, talvez seu trabalho musical mais importante. Não há também qualquer referência à amizade com Milton Nascimento. Mesmo essas falhas de roteiro não chegam a prejudicar o resultado final.  O elenco é ótimo: Caco Ciocler (César Camargo Mariano), Gustavo Machado (Ronaldo Bôscoli), Lúcio Mauro Filho (Miéle), Júlio Andrade (Lennie Dale), Rodrigo Pandolfo (Nelson Motta) e César Trancoso (Marcos Lázaro). Para quem passou dos 60, viveu aquela época e acompanhou a trajetória de Elis, o filme é pura emoção. Simplesmente imperdível!       



“UMA VIAGEM INFERNAL” (“HEATSTROKE”), “2013, EUA, roteiro e direção de Evelyn Purcell. A história: Paul (Stephen Dorff), um biólogo, zoólogo e professor norte-americano, planeja uma viagem à África do Sul para estudar o comportamento das hienas. Ele pretende levar apenas sua namorada Tally (Svetlana Metkina), mas acaba sendo obrigado a carregar na bagagem a “mala” Josie (Maisie Williams, de “Game of Thrones”), sua filha adolescente. Eles chegam a um acampamento instalado no deserto e, sem querer, descobrem a existência de um grupo de mercenários envolvido com o tráfico de armas. Paul é assassinado pelos bandidos, que agora vão atrás de Tally e de Josie. Até o desfecho, esta perseguição preencherá toda a ação. O filme é muito fraco, o suspense é mínimo e a atuação do elenco é, no mínimo, constrangedora. O roteiro tem tantos furos que mais parece um queijo suíço. O ator Stephen Dorff, que já fez bons filmes como, por exemplo, “Um Lugar Qualquer” (2010), dirigido por Sofia Coppola, há tempos atua no elenco Série B de Hollywood e não duvido que já esteja na Série C depois de “Uma Viagem Infernal”. Posso estar enganado, mas o filme foi feito para alavancar a carreira cinematográfica da atriz russa Svetlana Metkina. Se esta era realmente a intenção, tudo foi por água abaixo, pois ela nunca mais fez nenhum filme. O papel de vilão sobrou para o ator Peter Stormare. Enfim, mais uma bobagem descartável.                                                                

quarta-feira, 1 de março de 2017



O veterano diretor norte-americano Martin Scorsese (de “Os Bons Companheiros”, “O Lobo de Wall Street” e tantos outros filmes importantes) alimentou durante mais de 20 anos o desejo de realizar “SILÊNCIO” (“Silence”), um drama épico ambientado no Século 17, cuja história é inspirada no romance escrito pelo japonês Shusaku Endo em 1966. O filme, que tem quase três horas de duração, começa quando a Companhia de Jesus, em Portugal, recebe a notícia de que o padre Cristóvão Ferreira (Liam Neeson), que estava no Japão em missão catequista, havia renunciado publicamente à Fé Cristã. Para confirmar a notícia, dois jesuítas são enviados ao país do sol nascente: Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield, de “Até o Último Homem”) e Francisco Garupe (Adam Driver). Eles chegam clandestinamente, já que o Regime Tokugawa, que dominava o Japão, havia proibido a prática de qualquer outra religião no país – só era permitido o Budismo. A perseguição aos cristãos era violenta: tortura e morte por decapitação ou crucificação. Até chegar a Ferreira, os dois padres enfrentarão inúmeros perigos e correrão risco de vida. Estranho que o filme não tenha conseguido uma divulgação mais efetiva, ainda mais em se tratando do consagrado diretor, além da presença de astros como Liam Neeson e Andrew Garfield. Aliás, embora os cartazes do filme tenham destacado Liam Neeson como astro principal, na verdade é Andrew Garfield quem leva o filme nas costas. Neeson aparece pouco, apenas no início e no final. Mesmo com Scorsese na direção, o filme não teve indicações importantes ao Oscar 2017. Apenas uma: a de Melhor Fotografia.                                                            

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Ambientado entre os anos 50 e 60, quando a questão racial estava em plena efervescência nos EUA, “LOVING” conta a história verdadeira do casal Richard e Mildred Loving (interpretados por Joel Edgerton e Ruth Negga), ele branco e ela negra. Como residem no Estado da Virginia, onde o casamento inter-racial é proibido, eles se casam secretamente em Washington, mas quando voltam são imediatamente presos. Decisão do juiz: se permanecerem na Virginia cumprirão pena; para escapar da cadeia, terão que viver em outro estado por nada menos do que 25 anos. É claro que eles optam pela segunda opção. Anos depois, porém, já com três filhos, eles resolvem voltar e arriscar a sorte. O embate jurídico tem seu desenrolar quando um advogado de uma associação ligada aos direitos civis decide levar o caso à Suprema Corte. Escrito e dirigido por Jeff Nichols (“Amor Bandido” e “O Abrigo”), o filme disputou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2016 e teve Ruth Negga indicada para Melhor Atriz no Oscar 2017 – a atuação de Edgerton também é magistral. Ao contrário de filmes como “Selma – Uma Luta pela Igualdade” e “Malcom X”, por exemplo, “Loving” é bastante contido ao explorar o tema do racismo, focando a questão apenas no relacionamento entre o casal e nas suas dificuldades em concretizar um amor proibido. Cinema da melhor qualidade. 


                                                         

                                               
Todo mundo deve ter ouvido falar de Madre Teresa de Calcutá – hoje Santa –, mas poucos conhecem os principais detalhes da trajetória dessa religiosa albanesa que dedicou toda a sua vida a ajudar os pobres. “AS CARTAS DE MADRE TERESA” (“The Letters”), EUA, 2014, roteiro e direção de William Riead, conta essa história, desde seu período de enclausuramento no Convento Irmãs de Loreto, a fundação da Congregação Missionárias da Caridade até o Prêmio Nobel da Paz, em 1979. O roteiro é inspirado nas inúmeras cartas que Teresa (interpretada de forma magistral pela atriz inglesa Juliet Stevenson) escreveu, durante 50 anos, ao seu amigo e conselheiro espiritual, padre Celeste van Exem (Max Von Sydow). Além dos trechos mais importantes dessas cartas, num das quais revela que muitas vezes sentia uma escuridão dentro de si, ou seja, a ausência de Deus, o filme explora o trabalho de Teresa junto à população carente das favelas de Calcutá, graças ao qual se tornou famosa no mundo inteiro. Além de prestar atendimento médico aos doentes, muitos largados para morrer no meio da rua, Teresa percorria as favelas da cidade ensinando as crianças a ler e escrever. O filme também mostra alguns detalhes de bastidores do processo que resultou em sua beatificação pela Igreja Católica em 2003 e sua canonização em 2016. Além de Juliet e Von Sydow, o elenco conta ainda com a participação especial de Rutger Hauer como o padre Benjamin Praagh. Enfim, uma história maravilhosa que precisa ser conhecida. Imperdível!                                                   

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Mais uma ótima comédia francesa com o ator Cristian Clavier. “O QUE EU FIZ PARA MERECER ISSO?” (“Une heure de Tranquillité”), 2014, roteiro e direção do veterano Patrice Leconte (“O Marido da Cabeleireira”). A história é baseada na peça teatral homônima de grande sucesso na França, escrita por Florian Zeller. Como diz o título original, uma hora de tranquilidade é o que deseja o cirurgião-dentista Michel Leproux (Clavier) para ouvir um LP raro de jazz que acabara de comprar num sebo de discos de vinil. Quando chega em casa, porém, uma série de acontecimentos acaba estragando seu dia. A revelação bombástica da esposa, Nathalie (Carole Bouquet), a festa barulhenta dos vizinhos, o filho que aparece trazendo um grupo de imigrantes filipinos e a inesperada visita de Elsa (Valérie Bonneton), amante de Michel. Além disso, Michel tem que suportar as trapalhadas de dois pedreiros encarregados da reforma de um dos quartos do apartamento. Uma confusão dos diabos. Diversão garantida! Cristian Clavier é um ótimo comediante. Entre seus filmes mais engraçados, recomendo também “Que Mal Eu fiz a Deus?”, de 2014, “Asterix e Obelix – Missão Cleópatra”, de 2002, e “Os Visitantes”, de 1998. Em tempos tenebrosos como os que estamos vivendo, nada melhor do que uma boa comédia.    
“MA MA”, 2014, Espanha, roteiro e direção de Julio Medem, com Penélope Cruz, Luis Tosar, Alex Brendemühl, Asier Etxeandia e Teo Planell. Filme foi lançado no Festival Internacional de Cinema de Toronto/2015. Um drama e tanto. A história é centrada em Magda (Cruz), recentemente abandonada pelo marido, desempregada e mãe de um menino de 10 anos. Como desgraça não vem sozinha, ainda descobre que está com câncer e será obrigada a fazer uma mastectomia. Em meio a este cenário trágico, ela conhece Arturo (Tosar), que acaba de perder a mulher e a filha num acidente de trânsito. Os dois começam um romance e ela engravida. Quando tudo levava a crer que Magda começaria uma vida nova, eis que surge mais uma péssima notícia. O drama de Magda não tem fim, mas, para atenuar a situação, ela conta com o apoio de Arturo e também de Julián (Asier Etxeandia), seu médico e grande amigo. Penélope Cruz, aos 42 anos, está cada vez mais bonita e competente, apesar de representar uma personagem tão sofrida. Uma curiosidade: antes de ingressar no cinema, o diretor Julio Medem era médico. Ele tem em seu currículo filmes como “Os Amantes do Círculo Polar”, o erótico “Um Quarto em Roma” e “Lúcia e o Sexo” (que revelou a atriz Paz Vega). Embora tenha exagerado na dose dramática, Medem não conseguiu fazer de “Ma Ma” um filme daqueles de arrancar lágrimas, o que talvez tenha sido sua intenção. Enfim, dá para ver numa boa! 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

“O MAR DAS ÁRVORES” (“The Sea of Trees”), 2015, EUA, direção de Gus Van Sant. O jornalista norte-para o Japão com o objetivo de cometer suicídio. Como cenário do ato final, escolhe a floresta Aokigahara, aos pés do Monte Fuji, também conhecida como “Purgatório” (ele achou o lugar no Google ao digitar "O melhor lugar para morrer"). Quando está prestes a ingerir os comprimidos fatais, ele se depara com um japonês que está lá com a intenção de também tirar a própria vida. Conversa vai conversa vem, o japonês se apresenta como Tajumi Nakamura (Ken Watanabe), um executivo que acaba de ser demitido de sua empresa e, como tal, se sente envergonhado perante a família, o que justifica um “haraquiri”. No caso de Brennam, o filme relembra, em flashbakcs, o seu casamento em crise com Joan (Naomi Watts) e depois uma tragédia que o levará à floresta do Japão. Numa inexplicável mudança de planos, os dois tentarão sobreviver na floresta e encontrar uma saída que os leve de volta à vida e à civilização. O filme tem um pano de fundo espiritual envolvendo a Natureza, o que o torna ainda mais chato e enfadonho, principalmente por causa da profundidade milimétrica dos diálogos. Culpa do criador da história, o roteirista Chris Sparling (”Enterrado Vivo”), e do próprio diretor Gus Van Sant, cujo currículo é bastante irregular, apesar de ter dirigido o sucesso “Gênio Indomável” e o aclamado “Milk: A Voz da Igualdade”. Apesar disso, não descarte “O Mar de Árvores”, principalmente se você sofrer de insônia. É um ótimo sonífero. Inacreditável que três astros tão competentes tenham participado de tamanha bomba. Não foi à toa que o filme, ao final de sua exibição na mostra competitiva do 68º Festival de Cannes, em 2015, foi vaiado intensamente pelo público, críticos e jornalistas. Minha reação foi a mesma: Uuuuuuuuuuu!

                                                 


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

“COLLIDE” (ainda não chegou por aqui, mas a tradução é “colidir”, “chocar”), Inglaterra, 2016, roteiro e direção de Eran Creevy (“Inimigos de Sangue”). O elenco é dos melhores: o ator e modelo inglês Nicholas Hoult, Felicity Jones, Anthony Hopkins e Ben Kingsley. Trata-se de um filme de ação com todos os clichês do gênero: pancadaria, tiros, perseguições, suspense e, claro, muita ação. Depois de enfrentar problemas com a polícia nos EUA, o jovem norte-americano Casey Stein (Hoult) resolve passar uns tempos na Alemanha, onde toda a história é ambientada. Por falta de opção, ele passa a trabalhar para o traficante de origem turca Geran (Kingsley), que por sua vez é sócio na organização criminosa comandada pelo poderoso Hagen (Anthony Hopkins). A coisa complica quando Geran propõe a Hagen que aumente sua participação na sociedade. Hagen rejeita a proposta e Geran resolve se vingar, recrutando Stein para roubar um caminhão cheio de cocaína. Em meio ao planejamento do roubo, Stein conhece Juliette (Felicity Jones, loira), por quem acaba se apaixonando. Ela quer que Stein desista da missão. Só que Juliette descobre que está muito doente e precisa de um transplante – e muito dinheiro para realizá-lo. A situação coloca Stein de volta à missão quase suicida de roubar o caminhão de Hagen. Daí para frente é ação o tempo inteiro. Stein vai sofrer o que sofreu Bruce Willis nos filmes “Duro de Matar”. A trama é bem elaborada e as perseguições pelas ruas de cidades e estradas do interior da Alemanha são muito bem feitas. Quem gosta de filmes de ação vai adorar.  

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017



“JACKIE”, 2016, EUA, direção do chileno Pablo Larrain e roteiro do jornalista Noah Oppenheim (da série “Divergente”). Não se trata de uma cinebiografia de Jacqueline Kennedy, a viúva do presidente John F. Kennedy. O filme enfoca apenas os sete dias posteriores ao assassinato do presidente e as situações de bastidores que envolveram a primeira-dama viúva, incluindo os momentos do crime, a organização do velório e enterro, como deu a notícia aos filhos, as conversas particulares com Bobby Kennedy (Peter Sarsgaard), a mudança repentina da  Casa Branca, as conversas com um padre (John Hurt) e a polêmica entrevista que concedeu ao jornalista Theodore H. White (Billy Crudup), da Revista Life, uma semana depois do assassinato. Todos esses eventos acabam por revelar a personalidade de Jackie, interpretada de forma magistral por Natalie Portman. Trata-se do primeiro filme em Hollywood de Larrain, que ficou conhecido depois de ganhar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013 com o excelente “No” e depois de dirigir o perturbador “O Clube” (2015) e o polêmico “Neruda” (2016). Larrain não é um diretor convencional. Seus movimentos de câmera, seus enquadramentos, o estilo de contar uma história e a fotografia lembram Terrence Malick, embora não seja tão hermético – e chato. “Jackie” concorre a três categorias no Oscar 2017: Atriz, Figurino e Trilha Sonora. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017



No dia 20 de abril de 2010, a plataforma de perfuração marítima Deepwater Horizon, no Golfo do México, arrendada à British Petroleum, sofreu uma grande explosão, causando a morte de 11 trabalhadores, ferimentos em inúmeros outros e, pior, derramou no mar o equivalente a 4 milhões de barris de petróleo, ocasionando um dos maiores desastres ecológicos de todos os tempos. O que aconteceu naquele dia é contado no drama “HORIZONTE PROFUNDO: DESASTRE NO GOLFO” (“Deepwater Horizon”), 2016, com Mark Wahlberg, Kurt Russel, John Malkovich, Kate Hudson e Gina Rodriguez. O diretor é Peter Berg, do ótimo “O Grande Herói” (2013), também com Wahlberg no papel principal. Antes da explosão e do incêndio que se seguiu ainda por dias, o filme faz uma reconstituição dos fatos que culminaram no trágico acidente. Há muitos diálogos com a utilização de termos técnicos incompreensíveis para quem não conhece o funcionamento de uma plataforma perfuradora de petróleo. Jimmy Harrell (Russel) é o chefe da operação e Mike Williams (Wahlberg) seu assistente e braço direito. Sobrou o papel de vilão para John Malkovich, que faz o executivo Donald Vidrine, representante da British Petroleum. Apesar dos clichês típicos dos disasters movies, o filme é muito bem feito, segura um clima de grande tensão até o desfecho, culminando com cenas bastante realistas e fortes da explosão, além de acompanhar os momentos de desespero dos trabalhadores tentando se salvar. Momentos de muito suspense e altas doses de adrenalina.                                                  
“ATÉ O ÚLTIMO HOMEM” (“Hacksaw Ridge”), 2016, Austrália/EUA, roteiro da dupla Andrew Knight e Robert Schenkkan e a direção de Mel Gibson, é um épico de guerra que resgata um dos mais extraordinários episódios de heroísmo ocorrido durante a II Grande Guerra (1939/1945). A história é centrada em Desmond Doss (Andrew Garfield), um jovem norte-americano que se alistou voluntariamente, mas que, por  questões religiosas (ele era adventista do Sétimo Dia), se recusou a pegar em armas. Sua intenção era ajudar as equipes médicas do exército a salvar vidas. A primeira metade do filme é dedicada ao treinamento de Doss e seus esforços para convencer os comandantes a deixá-lo ir para o campo de batalha sem empunhar uma arma, baseado no conceito constitucional norte-americano do “Opositor Consciente”. Chegou a ser preso e julgado por uma Corte Marcial, mas ganhou o direito de continuar servindo. Seu batalhão foi enviado para Okinawa para combater os japoneses. Resumindo: Doss virou herói ao salvar, sozinho, nada menos do que 75 soldados feridos em combate. Uma façanha que o tornou o primeiro “Opositor Consciente” a ser condecorado com a Medalha de Honra do Congresso. Indicado ao Oscar 2017 em seis categorias, incluindo Direção, Melhor Ator e Melhor Filme, “Até o Último Homem” realmente é um filme espetacular. As cenas de batalha são sensacionais, talvez as melhores que já vi no cinema, e a história de heroísmo é incrível, mostrando a coragem de um homem cuja força era mais baseada na fé do que na força física (Mel Gibson é um católico fervoroso). O elenco conta ainda com Teresa Palmer, Vince Vaughn, Hugo Weaving, Sam Worthington e Rachel Griffiths. Não deixe de ver os créditos finais, quando o verdadeiro Desmond Doss e outros personagens aparecem dando depoimentos sobre o que aconteceu. Cinema da melhor qualidade. Imperdível!


                                                

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017



“JACK REACHER: SEM RETORNO” (“Jack Reacher: Never Go Back”), EUA, 2016, roteiro e direção de Edward Zwick (“O Último Samurai” e “Diamante de Sangue”), traz de volta o astro Tom Cruise no segundo filme protagonizado pelo personagem dos livros do escritor britânico Lee Child – o primeiro filme, “Jack Reacher: O Último Tiro”, foi produzido em 2012. Embora não tenha o tamanho “armário” dos brucutus Jason Statham ou Steven Seagal, Cruise não nega fogo em filmes de ação e pancadaria, como já demonstrou nos filmes da série “Missão Impossível” e agora com Jack Reacher. Aos 54 anos, Cruise ainda está em grande forma física e enfrenta sem problemas as mais arriscadas e movimentadas cenas de ação. Neste segundo filme em que interpreta Jack Reacher, ele sai em defesa da major Susan Turner (a bela e competente atriz canadense Cobie Smulders), acusada e presa por um crime que não cometeu. Reacher vai tentar resgatar Turner da prisão e provar sua inocência. Os vilões tentarão impedir a ação de Reacher, o que inclui sequestrar sua filha. É ação do começo ao fim, para alegria dos fãs do gênero. O mocinho (Cruise) apanha bastante, mas não o suficiente para desfigurar o seu rosto recheado de botox. Enfim, como o primeiro filme da série, um ótimo programa para uma sessão da tarde com pipoca.                                                

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017


Com 8 indicações ao Oscar 2017, entre as quais Melhor Filme, Diretor e Atriz Coadjuvante (Naomie Harris), além de ter vencido o Globo de Ouro como Melhor Filme de Drama, “MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR” (Moonlight”) é um filme de grande impacto. A história é baseada na peça “In Moonlight Black Boys look Blue”, do dramaturgo Tarell Alvin McCraney, adaptada pelo roteirista e diretor Barryt Jenkins. O filme acompanha a trajetória de Chiro (interpretado por Alex Hibbert na infância, Ashton Sanders na adolescência e por Trevante Rhodes na fase adulta), um menino criado na perigosa periferia de Miami, convivendo com traficantes e viciados. Sua mãe Paula (Naomie Harris) se prostitui para comprar drogas. Por seu jeito tímido, Chiro é chamado de bicha pelos colegas no colégio. Seu único amigo e protetor é Juan (Mahershala Ali), justamente o traficante que fornece drogas para sua mãe. Ao chegar à adolescência, Chiro passa a enfrentar os desafios de raça e sexualidade. Quando chega à fase adulta, torna-se um importante traficante chamado Black. A trajetória de Chiro e sua jornada de autoconhecimento são os fios condutores da história. O elenco, só de negros – nem os figurantes são brancos -, é excelente, especialmente Naomie Harris como a mãe drogada. Aposto nela como ganhadora de Melhor Atriz Coadjuvante na premiação do Oscar. O filme é muito bom e não será nenhuma surpresa se vencer outros prêmios da Academia.                                               


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

“ÚLTIMO TÁXI PARA DARWIN” (“Last Cab to Darwin”), Austrália, 2015, direção de Jeremy Sims. Trata-se de um drama baseado na peça de teatro homônima escrita em 2003 por Reg Cribb. O próprio Cribb, juntamente com Sims, escreveu o roteiro. A história é centrada em Rex (Michael Caton), de 70 anos, motorista de táxi em Broken Hill (Nova Gales do Sul), bem no interior do continente australiano. Há muitos anos que sua rotina inclui, além de dirigir o táxi, passar algumas noites entre os lençóis com sua vizinha aborígene Polly (a ótima Ningali Lawford) e se embebedar e jogar conversa fora com os amigos num bar da cidade. Diagnosticado com um câncer de estômago em estágio terminal, Rex resolve viajar até a cidade de Darwin, onde a dra. Nicole Farmer (Jacki Weaver) está recrutando voluntários para um projeto pioneiro e ainda não aprovado de Eutanásia. A distância até Darwin é enorme: 3.000 km. Mesmo bastante enfraquecido por causa da doença, Rex resolve encarar o desafio e pega a estrada com seu táxi. Aí o filme entra na fase road-movie pelas estradas poeirentas do extenso deserto australiano. Durante o trajeto, Rex faz amizade com Tilly (Mark Coles Smith), um jovem aborígene irresponsável, e com a doce Julie (Emma Hamilton), uma enfermeira que o acompanhará até o destino final. Embora baseado numa peça de teatro, o filme é bastante movimentado e tem seus momentos sensíveis, embora no geral seja um tanto triste e melancólico. O filme não chegou ao nosso circuito comercial. Somente foi exibido na Mostra de Filmes da Austrália/2016, em São Paulo.                                              


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017



Quando foi exibido pela primeira fez no Festival de Sundance (EUA), em janeiro de 2016, o drama histórico “O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO” (“The Birth of a Nation”) foi apontado como um dos filmes favoritos a receber algumas indicações ao Oscar 2017. Ao mesmo tempo, uma revista publicou que o ator e diretor Nate Parker esteve envolvido no estupro de uma moça em 1999. Foi o suficiente para a conservadora sociedade norte-americana condenar o filme ao ostracismo. Ao ser lançado nos cinemas de lá, o público praticamente boicotou o filme. Além disso, também não foi indicado em nenhuma categoria ao Oscar 2017, ao contrário de “12 Anos de Escravidão”, de 2013, que explora o mesmo tema e recebeu 9 indicações. “The Birth of a Nation” conta a história, baseada em fatos reais, do primeiro levante dos escravos negros contra a escravidão, em 1831, que resultou na morte de 60 fazendeiros senhores de escravos, no Estado da Virginia, sul dos EUA. O filme acompanha a trajetória de Nat Turner (o próprio Nate Parker) desde a infância na fazenda de algodão de Samuel Turner (Armie Hammer). Nat cresceu colhendo algodão e lendo livros emprestados pela esposa do patrão, Elizabeth (Penelope Ann Miller). Através da leitura, Nat adquiriu o poder da oratória e virou pregador. Até o dia em que os fazendeiros brancos resolvem, como era hábito na época, estuprar algumas escravas, incluindo a esposa de Nat, que, revoltado, resolve comandar o tal levante. O filme é ótimo e merecia um destino melhor. Vale a pena assisti-lo pelo menos para conhecer um importante fato histórico dos EUA, o embrião da Guerra de Secessão, 30 anos mais tarde.                                       

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

“A GAROTA NO TREM” (“The Girl on the Train”), 2016, EUA, é um bom suspense psicológico baseado no best-seller da escritora inglesa Paula Hawkins, adaptado para o cinema pela roteirista Erin Cressida Wilson e pelo diretor Tate Taylor (“Histórias Cruzadas”). A ação é centrada em Rachel (Emily Blunt), que todos os dias embarca num trem para o trabalho e da janela observa a casa onde morava com o ex-marido Tom (Justin Theroux), que agora está casado com Anna (Rebecca Ferguson, ainda mais bonita loira). Em sua viagem diária, Rachel também costuma observar outra casa próxima, onde mora Megan (Haley Bennett), sua antiga amiga e agora babá da filha de Tom e Anna - quando digo que Rachel costuma observar as casas, observa também seus moradores. Certo dia, Megan desaparece misteriosamente e a polícia começa a investigar o caso. Scott (Luke Evans), o marido de Megan, é um dos suspeitos. Outra suspeita é a própria Rachel, que teria sido vista pelas redondezas. Rachel, alcoólatra e emocionalmente desequilibrada, não se lembra de nada o que aconteceu. No início, a trama é um tanto complicada, com alguns flashbacks envolvendo situações da época em que Rachel ainda era casada. Graças ao roteiro bem elaborado e que mantém o clima de tensão e mistério até o final, as coisas vão se encaixando e esclarecendo o que realmente aconteceu, com direito a uma reviravolta surpreendente no desfecho. Ainda estão no elenco Allison Janney, Laura Prepon, Lisa Kudrow e o ator panamenho Edgar Ramírez. Destaque para a atuação da atriz inglesa Emily Blunt, que finalmente ganhou um papel à altura da sua competência. Ótimo programa para quem gosta de um bom suspense.                                     


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017



Nunca fui muito fã de filmes musicais. Sempre achei uma chatice monumental aquelas cenas em que, no meio de um diálogo, um dos personagens começa a cantar. Confesso, porém, que gostei de musicais como “All the Jazz” e “Cabaret”, por exemplo, mais pelas ótimas trilhas sonoras e coreografias. Ao assistir “LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES” (“LA LA LAND”), tentei evitar comparações com os filmes citados e com aqueles musicais de antigamente. Impossível, mesmo porque o jovem roteirista e diretor norte-americano Damien Chazelle, de apenas 32 anos de idade, elaborou grande parte das coreografias baseado nos musicais antigos, inclusive “Cantando na Chuva”. Claro que Ryan Gosling não é Fred Astaire ou Gene Kelly, longe disso, assim como Emma Stone não é Ginger Rogers ou Cyd Charisse. De qualquer forma, o filme é bastante agradável, tem alguns ótimos números de dança, música de qualidade e uma fotografia deslumbrante, principalmente nas cenas noturnas, mostrando uma Los Angeles em luz neon, criando aquele visual nostálgico dos musicais das décadas de 30/40/50. A história: O pianista de jazz Sebastian (Gosling) chega a Los Angeles disposto a ingressar em alguma banda que toca o jazz tradicional. Ele acaba conhecendo Mia (Emma Stone), uma atendente de cafeteria aspirante a atriz. Os dois se apaixonam e querem viver juntos para sempre, mas cada um tem seus sonhos e desejam concretizá-los, nem que para isso tenham de colocar o amor em segundo plano. O filme conquistou 7 prêmios “Globo de Ouro” e foi indicado para concorrer ao Oscar 2017 em 14 categorias. Mesmo que seja um belo filme, achei exagero tantas indicações. Do mesmo jovem e talentoso diretor, gostei muito mais do espetacular “Whiplash: Em Busca da Perfeição”.                               

sábado, 4 de fevereiro de 2017


De vez em quando é bom e até saudável assistir a uma bobagem, ou seja, aquele filme cuja proposta é apenas divertir, sem exigir muito do intelecto. É o caso da comédia “VIZINHOS NADA SECRETOS” (“Keeping Up With the Joneses”), 2016, EUA, roteiro de Michael Lesieur e direção de Greg Mottola, que ainda conta com um quarteto de protagonistas da melhor qualidade: Jon Hamm (da série “Mad Men”), Zach Galifianakis (“Se Beber, não Case”), a atriz escocesa Isla Fisher (“Animais Noturnos”) e a atriz e modelo israelense Gal Gadot (que será a nova Mulher Maravilha). A história: quando os filhos viajam para passar alguns dias num acampamento de férias, o casal Jeff e Karen Gaffney (Zack e Isla) passa o tempo bisbilhotando os vizinhos recém-chegados, Tim e Natalie Jones (Hamm e Gadot), que adotam um comportamento dos mais estranhos. Jeff e Karen logo se aproximam e acabam descobrindo que os novos vizinhos são espiões. A partir daí, acumulam-se inúmeras situações hilariantes, principalmente quando Jeff e Karen se envolvem numa missão secreta do casal de espiões, incluindo ótimas cenas de ação com perseguições e muitos tiros. Como disse antes, o filme é diversão pura, um programão para uma sessão da tarde com pipoca.                             


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017


Não fosse a história baseada em fatos reais, eu acharia o enredo um tanto inverossímil. Mas é tudo verdade, o que valorizou ainda mais o drama independente norte-americano “MR. CHURCH”, 2016, que traz de volta às telas o ator Eddie Murphy, desta vez num papel sério. A história começa ambientada no início dos anos 70 e se estende por mais três décadas. Murphy é Henry Church, o “Mr. Church” do título, um cozinheiro profissional contratado para prestar serviços na casa de Marie Brooks (a ótima atriz inglesa Natascha McElhone). Quem o contratou foi o ex-namorado rico de Marie e pai de sua filha Charlotte, a “Charlie”, interpretada na fase adulta por Britt Robertson. O contrato era de seis meses – tempo de vida dado por um médico a Marie, portadora de um câncer terminal -, mas Mr. Church acabou dedicando sua vida inteira à família, servindo não apenas como cozinheiro, mas também como amigo e conselheiro. O filme é uma comovente história de dedicação e amizade, ensinamentos e cumplicidade. O filme realmente é encantador e bastante sensível. Ao comentá-lo, parte da crítica especializada mencionou a injustiça de não ter sido indicado ao Oscar 2017, assim como injusta foi a não indicação de  Eddie Murphy para Melhor Ator. O roteiro foi escrito por Susan McMartin e a direção é do veterano diretor australiano Bruce Beresford, do ótimo “O Último Dançarino de Mao” (2009) e de “Conduzindo Miss Daisy”, Oscar de Melhor Filme em 1989, entre outros inúmeros filmes. Belo filme que merece ser visto.