quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

 

“BAR DOCE LAR” (“THE TENDER BAR”), 2021, Estados Unidos, produção original Amazon Prime Video, 1h44m, direção de George Clooney, seguindo roteiro de William Monahan. É o sexto filme dirigido por Clooney, cuja história é baseada nas memórias do escritor J.R. Moehringer, vencedor do Prêmio Pulitzer de Jornalismo em 2000. O filme acompanha o amadurecimento de J. R. Maguire da infância (Daniel Ranieri) até a faculdade (Tye Sheridan), entre os anos 70 e 80. Sem um pai e criado somente pela mãe Dorothy Maguire (Lily Raby), o menino se apegou ao tio Charlie (Ben Affleck), bartender do bar The Dickens, em Long Island. J.R. adorava ficar no bar e ouvir os conselhos do tio e dos frequentadores. Agora adulto, J.R. ingressa na faculdade de Direito para agradar a mãe, mas o seu sonho é ser escritor. O filme destaca as amizades de J.R. na universidade e a experiência do primeiro amor, com a bela morena Sidney (Briana Middleton), inconsequente e liberal demais para alguém que almeja um relacionamento sério. J.R. jamais se desligou da família, principalmente de seu tio Charlie, da mãe e do avô (Christopher Lloyd). “The Tender Bar” estreou no BFI London Film Festival e em janeiro de 2022 chegou à plataforma Amazon Prime Video. Além da história sensível, nostálgica e comovente, o filme conta com interpretações magistrais do elenco, principalmente Ben Affleck, indicado ao Globo de Ouro como Melhor Ator Coadjuvante, o veterano Christopher Lloyd e Lily Raby. O melhor, porém, é o estreante Daniel Ranieri como o J.R. menino. Um show de simpatia. Outro destaque é a deliciosa trilha sonora, com Bobby Darin & Johnny Mercer, The Isley Brothers, Parish Hall, Paul Simon e Jackson Browne, entre outros. Resumindo, “The Tender Bar" é um filme muito agradável de assistir. Não perca!


                                                         

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

 

“TORPEDO: U-235” (“TORPEDO”), 2019, coprodução Bélgica/Malta/Holanda, 1h42m, disponível na plataforma Netflix, direção de Sven Huybrechts (é o seu primeiro longa-metragem), que também assina o roteiro com a colaboração de Johan Horemans. Baseada em fatos reais, segundo o material de divulgação, a história acontece no auge da 2º Guerra Mundial, quando os serviços secretos das forças aliadas descobrem que Hitler tem a intenção de construir uma bomba atômica. Os aliados, então, decidem unir esforços para construir a bomba primeiro. Para isso, teriam que obter o Urânio-235, encontrado em grande quantidade no solo de alguns países africanos, e enviá-lo para os Estados Unidos, país que tinha o know-how para montar o artefato. O urânio obtido seria transportado por um submarino alemão capturado, tendo como tripulação membros da resistência belga sem nenhuma experiência no mar. Dessa forma, Franz Jäger, capitão do submarino capturado, foi obrigado a treinar a tripulação em um prazo de apenas três semanas. Com o urânio a bordo, o submarino finalmente seguiu viagem, agora sob o comando do capitão Stan (Koen de Bouw), a partir de Uganda (então colônia belga). Durante o trajeto, eles enfrentariam não apenas a hostilidade dos alemães, mas também graves problemas técnicos que por pouco não comprometeram a missão. Confesso que não lembro de ter assistido a um filme ambientado no mar tão bom quanto esse “Torpedo”. O ritmo é alucinante, com muita tensão, as situações se sucedendo sem dar tempo de você piscar. Parece que você está lá no submarino, sofrendo junto. O roteiro também encontrou espaço para o bom humor. Ou seja, você fica aflito mas se diverte. Filmaço!                                                           

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

 

“A 200 METROS” (“200 METERS”), 2020, disponível na plataforma Netflix, 1h36m, coprodução Jordânia/Palestina/Qatar/Suécia/Itália. O cineasta palestino Ameen Nayfeh acertou em cheio na sua estreia como roteirista e diretor. Além de vários prêmios em festivais mundo afora, seu filme foi escolhido para representar a Jordânia na disputa do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2021. O que poderia ser um drama triste e pesado por seu contexto político, Ameen transformou em um filme sensível e comovente. A história é centrada em Mustafa (Ali Suliman) que vive na casa da mãe na Cisjordânia, bem ao lado do muro que a separa de Israel. Salwa (Lana Zreik), a esposa de Mustafa, e os três filhos do casal moram do lado israelense, a 200 metros uma casa da outra, com o muro no meio. Como recusou o passaporte que o tornaria cidadão israelense, Mustafa dispõe de um visto provisório para trabalhar em obras da construção civil em Israel. Ele aproveita essas oportunidades para visitar a família. Achei meio complicado entender essa situação. Mustafa costuma se comunicar com a esposa e as crianças somente por telefone, quando aproveita para brincar com as luzes das casas, resultando nos momentos mais comoventes do filme. Um dia, porém, Mustafa recebe um telefonema de Salwa com a triste notícia de que o filho estava internado em um hospital depois de ter sofrido um acidente. Mustafa se desespera e tenta chegar logo a Israel, mas é impedido porque seu visto provisório havia vencido. Devido a esse imprevisto, ele decide ingressar em Israel clandestinamente, pagando uma fortuna para ser passageiro de uma perua e concordar em viajar mais de 200 quilômetros. Além de passageiros palestinos, Mustafa ganha a companhia de uma jovem fotógrafa alemã, Anne (Anna Unterberger), que está fazendo um documentário sobre a região. O filme se transforma em um road movie repleto de percalços e confusões. “A 200 Metros” é uma aventura física e psicológica, um retrato tocante e de certa forma impactante sobre o cotidiano dos palestinos que, como Mustafa, precisam atravessar a fronteira com Israel para trabalhar e visitar parentes. E que nem sempre são bem-vindos. O filme estreou durante o Festival Internacional de Cinema de Veneza (Itália), recebendo elogios entusiasmados dos críticos e do público. Realmente, um filme de muita qualidade.

                                                             

domingo, 9 de janeiro de 2022

 

“A FILHA PERDIDA” (“THE LOST DAUGHTER”), 2021, coprodução Estados Unidos/Grécia, 2h4m, disponível na plataforma Netflix, filme que marca a estreia da atriz Maggie Gyllenhaal como roteirista e diretora. Irmã do também ator Jake Gyllenhaal, Maggie adaptou a história contada no livro homônimo escrito em 2006 pela romancista italiana Elena Ferrante (é o pseudônimo de uma escritora cuja identidade é mantida em segredo até hoje). A personagem central é Leda (Olivia Colman), escritora e professora de literatura que está passando férias em uma pequena ilha grega perto da cidade de Corinto. Ela queria se isolar, buscar sossego, descansar e meditar. Em um pequeno trecho de praia próximo do resort onde está hospedada, ela vive uma rotina de paz em frente ao mar. Até que chega uma família barulhenta e inconveniente. No meio dela está a jovem Nina (Dakota Johnson), mãe de uma menina mimada à beira do insuportável. Ao observar Nina, Leda começa a relembrar sua própria vida de casada, da qual não tem boas recordações. Em flashbacks, o filme revela a jovem Leda (vivida por Jessie Buckley), mãe de duas meninas e vivendo um casamento tumultuado. Agora na meia-idade, Leda carrega essas tristes memórias com muitos remorsos e vê a si mesmo em Nina, a jovem mãe que vive em crise em seu casamento. Mais uma vez, a atriz inglesa Olivia Colman apresenta uma interpretação primorosa, como já tínhamos visto em vários outros filmes, principalmente “A Favorita", pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Atriz em 2019. Surpreendente mesmo é a excelente atuação da atriz irlandesa Jessie Buckley como a jovem Leda. Mesmo sem chegar ao nível delas, a atriz Dakota Johnson também dá conta do recado. Também estão no elenco Ed Harris, Peter Sarsgaard, Paul Mescal, Dagmara Dominczyk, Oliver Jackson-Cohen, Alba Rohrwacher, Panos Karonis e Alexandros Mylonas. “A Filha Perdida” estreou no Festival Internacional de Cinema de Veneza em setembro de 2021, dividindo as opiniões da crítica especializada e do público. Nesse festival, o filme recebeu a premiação como Melhor Roteiro, além de de registrar incríveis 96% de aprovação no rigoroso site de cinema Rotten Tomatoes. Talvez muita gente não tenha entendido a substância da história desse drama psicológico, certamente dirigido às mulheres, principalmente aquelas que são mães, que entenderão perfeitamente o recado. Trata-se de cinema de alta qualidade. Eu gostei muito e recomendo.                                                          

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

“O BAILE DAS LOUCAS” (“LES BAL DES FOLLES”), 2021, França, produção e distribuição Amazon Prime Video, 2h02m, roteiro e direção da atriz Mélanie Laurent, que também atua. É o sexto filme de Mélanie, que já desponta também como uma ótima roteirista e diretora. Como atriz, já está consagrada. Em “Les Bal des Folles”, ela adaptou a história do livro homônimo escrito em 2019 por Victoria Mas. Trata-se de um drama sobre espiritualidade ambientado no final do século 19, que também aborda o tratamento cruel e abusivo ao qual eram submetidos os doentes mentais naquela época. O foco é o hospital psiquiátrico de Salpêtrière só para mulheres, em Paris, dirigido pelo médico Jean-Martin Charcot, um dos pioneiros da neurologia e da psiquiatria. Charcot, como mostra o filme, fazia experiências com pacientes diagnosticados com loucura, histeria e epilepsia. Além da hipnose, Charcot utilizava métodos que causavam grande sofrimento aos pacientes. A história do filme tem como personagem principal a jovem Eugénie (Lou de Laâge, excelente), de uma família nobre da sociedade parisiense. Ela tem o dom da mediunidade, fazendo contato com espíritos, ouvindo suas palavras e até conselhos. Este seu comportamento acaba desagradando seu pai, que resolve interná-la no hospital de Charcot. Como novata, ela não é muito bem recebida pelas demais internas, mas logo consegue se integrar e fazer amizades. Durante esse tempo, Eugénie terá a oportunidade de presenciar os cruéis tratamentos a que eram submetidas as internas. Só para citar um deles, a paciente era colocada numa banheira cheia de gelo durante horas. Por causa da sua mediunidade, Eugénie fará uma amizade especial com a enfermeira Geneviève (Melanie Laurent), uma das principais assistentes de Charcot. Essa amizade terá papel fundamental no destino de Eugénie. O título “Les Bal Des Folles” refere-se ao baile anual promovido por Charcot em seu hospital, com os convidados interagindo com as pacientes de forma nada convencional e completamente desrespeitosa. Também estão no elenco Emmanuelle Bercot, Grégoire Bonnet e Benjamin Voisin. Resumindo, “O Baile das Loucas” é um drama muito bem realizado, com excelente fotografia e um primoroso roteiro. Mais um filme francês de muita qualidade. Recomendo.                                                       

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

“VIAJANTES – INSTINTO E DESEJO” (“VOYAGERS”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h48m, roteiro e direção de Neil Burger (“Divergente”, “O Ilusionista”). Embora costumam dizer que eu vivo no mundo da Lua, nunca fui muito fã desses filmes de ficção científica com aventuras siderais, espaçonaves, astronautas etc., a ponto de achar “2001, Uma Odisséia no Espaço” apenas um bom filme, mas não genial e obra-prima, como considera até hoje grande parte dos críticos especializados. Este “Voyagers” conta mais uma história mirabolante. Em 2063, um grande projeto é elaborado para enviar seres humanos para um planeta distante que possui recursos naturais em abundância, enquanto a humanidade terráquea vive a iminência de extinção graças à falta deles. Só que há um grande problema: a viagem até o tal planeta dura nada menos do que 86 anos. Dessa forma, sob o comando de um adulto, o oficial Richard Alling (Colin Farrell), crianças de ambos os sexos são recrutadas para viver essa aventura. Segundo o programa da viagem, a espécie humana deverá ser preservada apenas através de inseminação artificial. Para que não tenham extintos agressivos e sexuais, quando chegam à adolescência eles são obrigados a ingerir uma substância azul. Mas aí aparece aquele que resolve se rebelar, incentivando os demais a não mais tomar mais a tal substância, o que acarretará o início de muitos problemas entre os viajantes, incluindo ódio, inveja, desejo sexual e de poder, violência e outros instintos menos saudáveis. A viagem, claro, vira uma bagunça, principalmente depois que Richard sofre um acidente e os passageiros ficam sem um líder. No elenco, além de Farrell, estão Tye Sheridan, Fion Whitehead e a inexpressiva Lily-Rose Depp, filha de Johnny Depp com a atriz francesa Vanessa Paradis. Assim como elenco de apoio, a atuação deles é sofrível, para não dizer lamentável. Parece que todos trabalham no piloto automático - assim como a aeronave. Como era de se prever, o filme, lançado nos cinemas em abril de 2021, foi um grande fracasso de bilheteria, arrecadando apenas 4,9 milhões de dólares, enquanto a produção custou 29 milhões. Trocando em miúdos, “Voyagers” é uma grande decepção, uma verdadeira bobagem intergaláctica.                     

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

 

Depois de assistir “CONQUISTA” (“VANQUISH”), 2021, EUA, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h36m, fiquei com vontade de ligar para o ator Morgan Freeman e perguntar por que ele topou fazer esse enorme abacaxi. Certamente não foi por necessidade de grana, pois Freeman é um ator consagrado de Hollywood e já deve ter feito um belo pé-de-meia. Ou quem sabe por amizade com o diretor George Gallo, com quem tinha feito outra bomba monumental em 2019: “Rosa Venenosa” – que tinha também como cúmplice John Travolta. Neste “Conquista”, Freeman é o policial Damon, aposentado por invalidez e preso a uma cadeira de rodas depois de receber um tiro. O filme já começa mal: como é que um policial tão condecorado e respeitado mora numa mansão espetacular, literalmente de cinema? E logo de cara vem a resposta: ele lidera uma gangue de policiais corruptos acostumados a extorquir dinheiro de traficantes. Mas o absurdo não para por aí. Damon contratou como sua cuidadora uma ex-traficante pertencente à máfia russa, Victoria (Ruby Rose), que tem uma filha, a pequena Lily (Juju Journey Brener), que sofre de uma doença grave – ninguém explica qual. Enquanto preparava uma salada na cozinha, Victoria recebe de Damon um pedido: ser a mensageira para pegar dinheiro de extorsão de cinco quadrilhas de traficantes. De início, ela não aceita o trabalho, pois prometeu a si mesma não voltar para o crime, mas então Damon sequestra sua filha e só admite soltá-la depois que Victoria termine o trabalho. E por aí vai essa história mirabolante, de uma credibilidade que chega a insultar a nossa inteligência. Mas o pior ainda está por vir, em uma surpreendente reviravolta no desfecho, no mínimo dura de engolir e tão crível quanto a palavra de um político. Abro um parêntese para destacar a atriz, modelo e DJ australiana Ruby Rose. Aliás, considerá-la atriz é no mínimo ofender a classe. Com seu jeito macho de ser (fazer papel de mãe, então, é um disparate) – Ruby é lésbica na vida real –, ela fez sucesso quando apareceu na série “Orange is the New Black”, da Netflix, e passou a receber convites para atuar em outras séries e filmes. Bem, voltando ao “Conquista”, a melhor definição eu ouvi numa live do crítico Waldemar Dalenogare Neto no YouTube: “O filme extrapola todos os limites da paciência humana”. Realmente, trata-se de um acinte cinematográfico capaz de despertar os instintos mais primitivos e assassinos de qualquer cinéfilo. Sem dúvida, o pior filme de 2021.                                                           

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

 

“ADEUS, PROFESSOR” (“RICHARD SAYS GOODBYE”), 2018, EUA, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h31m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Wayne Roberts – o primeiro foi “Katie Says Goodbye”, de 2016. Trata-se de uma comédia dramática que tem em sua receita bons momentos de humor e outros mais sensíveis e comoventes. Humor ácido, na verdade, recheado com diálogos afiadíssimos. Começa o filme e está lá o professor universitário Richard Brown (Johnny Depp, ótimo) ouvindo do médico que está com câncer terminal, em fase adiantada de metástase. Seis meses ou no máximo um ano de vida. Ele chega em casa pensando em como dar a notícia. Na mesa de jantar estão sua esposa Veronica (Rosemarie DeWitt) e a filha adolescente Claire (Zoey Deutch). Antes de abrir a boca, porém, a filha se antecipa e confessa que é lésbica e está apaixonada por uma garota. Veronica não aceita a opção dela e pega pesado, começando a maior discussão. No meio dela, Veronica joga na cara de Richard que está tendo um caso com Henry Wright (Ron Livingston), reitor da universidade e chefe do marido. Diante da confusão armada, Richard adia a trágica notícia. Depois disso e diante da iminente partida, ele resolve ligar o botão da vida no “Que se Dane!”. Começa por retirar da sua classe alunos que não atendem à sua filosofia de vida, escolhendo apenas aqueles com algum conteúdo. Decreta liberdade total, a ponto de fazer sexo com um aluno gay. Também começa a fumar maconha e a consumir doses generosas de álcool. A situação de Richard comove Peter (Danny Huston), seu melhor amigo e personagem responsável pelos melhores momentos de humor. Também estão no elenco Linda Emond, Siobhan Fallon Hogan, Kaitlyn Bernard, Devon Terrell, Matreya Scarrwener, Farrah Aviva e Justine Warrington. O filme estreou no Festival de Cinema de Zurique (Suíça) de 2019, e no mesmo ano foi exibido por aqui no circuito comercial. Gostei muito e recomendo.                                                    

sábado, 1 de janeiro de 2022

 

De vez em quando é bom e até saudável dar descanso aos neurônios, afastando a tristeza e o estresse. Para isso, nada melhor do que assistir a uma boa comédia. Dessa forma, resolvi arriscar com a comédia nacional “AMARRAÇÃO DO AMOR”, 2021, recém-chegada à plataforma Amazon Prime Video, com 1h21m de duração. A comédia marca a estreia na direção de Caroline Fioratti, mais conhecida como diretora de minisséries e curtas. O roteiro também é assinado por Caroline, com a colaboração de Carolina Castro e Marcelo Andrade. O que mais me atraiu foi a sinopse: o casamento de uma garota de uma família tradicional judia com um rapaz cuja família é ligada à umbanda. Você já fica imaginando as confusões que virão por aí. E o roteiro não economiza nelas. Começa o filme e lá estão o estudante de medicina Lucas (Bruno Suzano) e a veterinária Bebel (Samya Pascotto) completamente apaixonados. O problema é quando resolvem se casar. Samuel (Ary França), o pai dela, é um judeu tradicional. Quer que a filha se case numa cerimônia judaica. Regina (Cacau Protásio, ótima), a mãe do rapaz, quer que o casamento se realize no terreiro de umbanda da família. As confusões começam quando Lucas leva sua família para almoçar na casa da noiva. E não param por aí. Até o desfecho, as situações hilariantes se acumulam, culminando com a cerimônia do casamento – houve uma primeira tentativa, no terreiro, que não deu certo. Além dos atores já citados, também estão no elenco a veterana e hilária Berta Loran, Malu Valle, Bel Kutner, Lorena Comparato, Carla Daniel, Maurício de Barros e Cássio Pandolfi. Enfim, “Amarração do Amor” cumpre a promessa de divertir.                                                      

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

 

“SOUVENIR”, 2019, México, 1h53m. O filme teve sua primeira exibição durante o Festival Internacional de Cinema de Guadalajara. Recebeu muitos elogios da crítica. Por aqui, porém, só chegou recentemente, e sem muito alarde, por intermédio da plataforma Amazon Prime Video. Trata-se de um drama com direção de Armando Cohen e roteiro assinado por Ricardo Aguado-Fentanes, ambos estreantes. E que ótima estreia, pois o filme é muito bom. A história é centrada na jovem isabel (Paulina Gaitan), funcionária de um call center. Depois de um casamento que não deu certo nos Estados Unidos e perder a guarda do filho, ela foi obrigada a voltar para sua cidade natal, no México. Em dificuldade financeira, ela concorda em ser barriga de aluguel para o casal Joaquín (Flavio Medina) e Sara (Yuriria Del Valle). No início desse processo, ela revê Bruno (Marco Pérez), que foi seu professor. Papo vai, papo vem, os dois acabam na cama e tornam-se amantes. Preocupados com as andanças da moça, Joaquín e Sara convencem Isabel a morar com eles. Dessa forma, podem vigiá-la e resguardar sua saúde e, claro, a do bebê. Até o nascimento da criança, porém, muita água vai rolar. O casal vai entrar em conflito com Bruno e Isabel ingressa naquela fase de dúvida quanto a entregar a criança. O desfecho reserva uma reviravolta surpreendente, valorizando ainda mais este ótimo drama mexicano, que tem na atuação de Paulina Gaitan o seu ponto mais alto. Trocando em miúdos, “Souvenir” não pode passar em branco para quem curte cinema de qualidade.                                                      

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021



“A MÃO DE DEUS” (“È STATA LA MANO DI DIO”), 2021, Itália, disponível na plataforma Netflix, 2h10m, roteiro e direção de Paolo Sorrentino. Mais um belo filme de Sorrentino, que se consagrou em 2014 quando o seu “A Grande Beleza” ganhou o Oscar e o Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro. “A Mão de Deus” também representará a Itália na disputa do Oscar 2022 e, certamente, será um dos favoritos. A exemplo de Federico Fellini, em “Amarcord”, quando o grande diretor relembrou sua infância e adolescência em Rimini, Sorrentino faz o mesmo ao descrever suas memórias de Nápoles, sua cidade natal, durante os anos 80. Fabietto Schisa (Filippo Scotti) é o alter ego do diretor em sua fase de amadurecimento. Sorrentino fez questão de abordar de forma afetuosa e simpática os integrantes de sua grande família, pais, irmão, tios, tias, primos e até os vizinhos. Como fez Fellini em “Amarcord” e o grande Ettore Scola em “O Baile”, Sorrentino também criou personagens exóticos, esquisitos, caricaturais, engraçados, os quais a gente aprendeu a chamar de “tipos fellinianos”. Embora aconteça uma tragédia inesperada na família de Fabietto, o filme reserva, do começo ao fim, momentos hilariantes, como as “pegadinhas” da sua mãe, os palavrões da velha avó, e o namorado todo defeituoso de uma das tias. Entre os tipos criados por Sorrentino está a baronesa Focale, que inicia Fabietto no sexo, e a tia Patrizia, linda e louca. O pano de fundo da história, e que inspirou o título, foi a contratação do argentino Diego Maradona pelo Nápoli. Fabietto e toda sua família adoram futebol e eram fãs incondicionais de Maradona, fato que salvaria o rapaz de uma tragédia. Além de Filippo Scotti, estão no elenco Toni Servillo, Teresa Saponangelo, a diva Luisa Ranieri, Marlon Joubert e Betty Pedrazzi. O diretor Antonio Capuano (“La Guerra Di Mario”, “Luna Rossa”) tem uma participação especial. Com uma narrativa sensível, envolvente e nostálgica, “A Mão de Deus” também pode ser visto como uma homenagem não só a Nápoles como também ao cinema italiano e seus grandes diretores. Concordo quando dizem que este é o trabalho mais pessoal de Sorrentino. Quem agradece somos nós, cinéfilos, que ganhamos mais um grande filme italiano. IMPERDÍVEL com letras maiúsculas.                

domingo, 26 de dezembro de 2021

 

“NÃO OLHE PARA CIMA” (“DON’T LOOK UP”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 2h25m, roteiro e direção de Adam McKay. O elenco é um luxo. Só para citar alguns nomes: Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Meryl Streep, Jonah Hill, Kate Blanchett, Mark Rylance, Chris Evans, Ron Perlman, Gina Gershon, Melanie Lynskey, Ariana Grande, Liev Schreiber. O filme nada mais é do que uma comédia, uma sátira inteligente que ironiza o establishment norte-americano, especialmente a presidência, a mídia e o negacionismo à ciência, no caso a descoberta, por dois astrônomos, de um cometa orbitando dentro do sistema solar que está em rota de colisão com a Terra. A previsão é de que a tragédia aconteça daqui a seis meses. O professor Randall Mind (Leonardo DiCaprio), astrônomo da Universidade de Michigan, e sua assistente Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence), autores da descoberta, levam a notícia da tragédia em potencial à presidente Jane Orlean (Meryl Streep), que não dá muita bola para a dupla, que então recorre à mídia para tentar sensibilizar as autoridades a tomarem alguma providência com urgência. A imprensa também age com negacionismo, mesmo depois que os maiores cientistas do mundo concordaram com os cálculos da dupla de astrônomos. A história é apresentada com um humor escrachado e caricato, bem ao gosto de quem aprecia o estilo das comédias nonsense. Vale a pena conferir, ainda mais pelo excelente elenco. Ah, não desligue antes de chegar ao final dos créditos, pois ainda há uma cena adicional.                                                  

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

 

“APRESENTANDO OS RICARDOS” (“BEING THE RICARDOS”), 2021, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Video, 2h5m, roteiro e direção de Aaron Sorkin (“Os 7 de Chicago”, “A Grande Jogada”). Quem não se lembra de “I Love Lucy”, pelo menos os que já passaram dos 60 anos? Foi uma série de humor de grande sucesso da CBS nos Estados Unidos de 1951 a 1957 – no Brasil, foi exibida entre 1958 e 1979 pela Rede Tupi, também com enorme audiência. “Being The Ricardos” escancara os bastidores do programa durante uma semana em 1953, às vésperas de mais um episódio – era exibido pela CBS às sextas-feiras. Aliás, uma semana bastante tumultuada, primeiro pela manchete de um jornal sensacionalista afirmando que Lucille Ball (Nicole Kidman) era comunista. Para piorar, a atriz pegou indícios de que seu marido e par romântico no programa, Desi Arnaz (Javier Bardem), estava tendo um caso, iniciando uma crise conjugal. E terceiro, os atores, produtores e redatores não se acertavam sobre o roteiro do novo episódio. Toda essa confusão está detalhada no filme, que desde já se apresenta como um dos favoritos a algumas indicações ao Oscar 2022, como já antecipou a seleção anunciada pelo Globo de Ouro, com Nicole Kidman concorrendo a Melhor Atriz, Javier Bardem a Melhor Ator e o filme a Melhor Roteiro. Se eu tivesse que apostar, jogaria todas as minhas fichas em Nicole Kidman, que está sensacional como Lucille Ball. Como é a especialidade de Aaron Sorkin, o filme é um tanto verborrágico, com extensos debates verbais e diálogos afiadíssimos, mas tudo elaborado com muita competência. É preciso destacar ainda o primoroso roteiro e a recriação de época, especialmente os figurinos. A caracterização de Nicole como Lucille é impressionante. O filme também apresenta uma faceta pouco conhecida do ator Desi Arnaz, na verdade Desiderio Alberto Arnaz de Acha III. Nascido em Cuba, ele cantava em boates com sua orquestra mesmo depois de casado com Lucille. Em “I Love Lucy”, seu personagem era Rick Ricardo – daí o título. Também estão no elenco J.K. Simmons, Nina Arianda, Alia Shawkat, Jacke Lacy e Clark Grege. Por tudo o que já foi dito acima, afirmo que “Being The Ricardos” é um filme delicioso de assistir, sem dúvida um dos melhores lançamentos deste ano da Amazon Prime Video. Imperdível!                                                 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

 

“O PREÇO DA VERDADE” (“DARK WATERS”), 2020, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Video, 2h6m, direção de Todd Haynes (“Longe do Paraíso”, “Carol”), seguindo roteiro de Matthew Michael Carnahan e Nathael Rich. O filme relembra um caso judicial verídico de grande repercussão no Tio Sam. A figura central da história é Robert Bilott, um advogado de defesa corporativo que se destacou trabalhando em casos de grandes empresas de químicos. No início dos anos 90, porém, ele mudaria de lado, defendendo uma causa ambiental contra a gigante DuPont. Tudo começou quando Bilott foi procurado por um fazendeiro da região da Virgínia Ocidental que queria processar a empresa pela morte de grande parte de seu gado. Segundo ele, 150 de suas vacas morreram depois de beber a água de um riacho contaminado pelo lixo jogado por uma unidade da DuPont. Robert entrou com uma ação contra a empresa, iniciando um processo que duraria cerca de 20 anos e que custaria à DuPont mais de 600 milhões de dólares em indenizações às suas vítimas, fora as multas aplicadas por danos ambientais. O filme mostra os bastidores de todo o processo, focando no esforço de Robert em provar suas alegações, as reuniões entre os advogados do seu escritório, muitos deles contrários à ação, e as sessões do julgamento nos tribunais. Ao mesmo tempo, destaca a crise familiar vivida por Robert pelo fato de se dedicar tanto ao processo e deixar de lado a esposa e os filhos, o que também causaria danos à sua saúde. O ator Mark Ruffalo lidera o elenco. Engajado em defender causas ambientais há vários anos, Ruffalo também é um dos produtores do filme, inspirado por uma série de reportagens sob o título “O Advogado Que Se Tornou o Maior Pesadelo da DuPont”, publicadas no jornal The New York Times em 2016. Completam o excelente elenco Anne Hathaway, Tim Hobbins, Bill Camp, Victor Garber, Bill Pullman, Louisa Krause, Mare Winningham, Bruce Cromerk, Hohn Newberg, Amy Morse e Greg Violand. Como curiosidade das filmagens, o verdadeiro Robert Bilott e a esposa Sarah aparecem em uma “ponta” num coquetel. História, roteiro e elenco fazem de “O Preço da Verdade” um grande filme que merece ser conferido.                                              

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

 

“A GAROTA DE OSLO” (“BORTFØRT”), 2021, minissérie em 10 capítulos, coprodução Noruega/Israel, disponível na plataforma Netflix, direção de Stian Kristiansen e Uri Barbash, com roteiro assinado por Kyrre Holm Johannessen, Roni Weiss Berkowitz, Stephen Uhlander e Tall Miller. Não sou muito adepto de séries, mas esta me atraiu pela história. Uma jovem norueguesa e seus dois amigos israelenses são sequestrados por terroristas do ISIS (braço afegão do Estado Islâmico) quando faziam turismo pelo Sinai (Egito). O alvo principal dos sequestradores é Pia (Andrea Bernstzen), filha da diplomata norueguesa Alex (Anneke Von Der Lippe) e do advogado Karl (Anders T. Andersen). Com o sequestro, o pessoal do ISIS pretende negociar a libertação de 12 terroristas, o principal deles preso em Oslo. Toda essa pressão também envolve o governo de Israel, pressionado por Alex e Karl para fazer alguma coisa em torno da libertação de Pia. Alex vai para Israel pedir ao seu amigo Arik (Amos Tamam), ministro de governo, que mobilize a inteligência israelense para promover uma operação de resgate. Alex também apela à sua amiga diplomata palestina Layla (Rayda Adon), cujo filho Yusuf (Shadi Mar’i) faz parte do ISIS. Até o pessoal do Hamas, outro inimigo mortal de Israel, acaba se envolvendo para tumultuar ainda mais o cenário complexo. A trama é tensa e envolvente, num ritmo que não deixa a gente piscar os olhos, garantindo muito suspense até o desfecho. Diferentemente de algumas séries que já assisti, esta não tem muita enrolação, e os capítulos são curtos, em torno dos 30 minutos. Não só o roteiro bem elaborado, mas também o elenco afinado, faz com que essa minissérie seja um excelente entretenimento.                                            

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

 

“IMPERDOÁVEL” (“THE UNFORGIVABLE”), 2021, Estados Unidos, 1h52m, direção de Nora Fingscheidt, com roteiro assinado por Peter Craig e Sally Wainwright. Recentemente integrado à plataforma Netflix, “Imperdoável” conta uma história que já havia sido explorada por uma minissérie homônima, de 2009, e que agora foi condensada em filme. A personagem central é Ruth Slater (Sandra Bullock), que acaba de ser libertada em condicional, depois de cumprir pena por homicídio – ela matou um policial. Seu primeiro objetivo é tentar se reintegrar à sociedade. Dessa forma, consegue emprego como marceneira e também como operária numa empresa de pescados, mantendo escondido seu passado como criminosa. Seu objetivo maior, agora, é reencontrar sua irmã caçula, Katherine (Aisling Franciosi), que não vê desde que foi presa. Katherine havia sido adotada pelo casal Michael (Richard Thomas) e Rachel Malcolm (Linda Emond), que criou a menina como se fosse sua filha. Só que há um grande obstáculo para Ruth. Segundo as regras de sua condicional, ela não pode chegar perto da irmã. Um advogado (Vincent D’Onofrio) fica com pena de Ruth e tenta ajudá-la, mesmo que desagrade sua esposa (Viola Davis). Um dia, porém, sua história acaba sendo revelada, e Ruth é obrigada a enfrentar a rejeição dos seus colegas de trabalho. Mas o pior de tudo é que os dois filhos do policial assassinado estão atrás dela para se vingar. Enfim, muita tensão vai rolar até o desfecho, quando então uma surpreendente revelação muda o rumo da história. O filme, sem dúvida, é todo de Sandra Bullock, com uma interpretação realmente primorosa, que talvez seja reconhecida por uma indicação ao Oscar 2022. O elenco de apoio também é excelente, valorizando ainda esse ótimo drama. Recomendo.                                                    

domingo, 19 de dezembro de 2021

 

“SILK ROAD – MERCADO CLANDESTINO” (“SILK ROAD”), 2021, EUA, disponível na plataforma Amazon Prime, 1h52m. Este é o segundo longa-metragem escrito e dirigido por Tiller Russel – o primeiro foi “Último Ritual de Ransom Pride”, de 2010), mais conhecido como diretor de documentários e séries. Em “Silk Road”, Tiller adaptou para o cinema a história, verídica, do jovem Ross William Ulbricht, o hacker que criou um site para vender drogas sem ser rastreado. Chamado Silk Road e utilizando bitcoins para as transações, o site movimentou, de 2011 a 2013, cerca de 1 bilhão de dólares, ficando famoso como um mercado de vendedores anônimos para compradores anônimos. Claro que o Silk Road acabou chamando a atenção das autoridades norte-americanas. Dessa forma, o governo mobilizou o pessoal do DEA (Drug Enforcement Administration), órgão encarregado da repressão e controle de narcóticos, e do Departamento de Combate aos Crimes Cibernéticos para rastrear o responsável pelo Silk Road. Por incrível que pareça, foi um policial veterano sem muito conhecimento de informática que chegou ao jovem hacker. Tudo isso está contado no filme, cujo roteiro foi elaborado a partir de um artigo publicado em 2014 na Revista Rolling Stone, sob o título “Dead End On Silk Road”, escrito pelo jornalista David Kuschner. Nos papeis principais estão Nick Robinson (Ulbricht) e Jason Clarke (o policial Rick Bowden), além de Alexandra Shipp, Lexi Rabe, Katie Aselton e Paul Walter Hauser. Embora grande parte da linguagem técnica utilizada no filme seja de difícil entendimento – pelo menos para os espectadores não especialistas em informática, como eu -, “Silk Road” conta a história de maneira muito competente. Recomendo.

 

“ATAQUE DOS CÃES” (“THE POWER OF THE DOG”), 2021, Estados Unidos/Nova Zelândia, disponível na plataforma Netflix, 2h5m, roteiro e direção de Jane Campion. Depois de 12 anos longe das telas – seu último filme foi “O Brilho de Uma Paixão” -, a cineasta neozelandesa volta ao trabalho com esse excelente drama, baseado no romance “The Power of the Dog”, escrito em 1967 por Thomas Savage (1915-2003). Só para lembrar, Campion ficou conhecida mundialmente depois de dirigir “O Piano”, em 1993, filme vencedor de inúmeros prêmios, entre os quais a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Oscar de Melhor Roteiro Original. Neste “Ataque de Cães”, a história, ambientada em 1920, é centrada nos irmãos Phil (Benedict Cumberbatch) e George Burbank (Jesse Plenons), proprietários da maior fazenda de Montana (EUA). Enquanto Phil é um vaqueiro ao estilo machão, cowboy-raiz, grosseiro ao extremo e inimigo de um banho, George é um sujeito tímido, sensível e educado. Quando George casa com Rose Gordon (Kirsten Dunst) e a leva para morar na fazenda, juntamente com o jovem filho dela, Peter (Kodi Smit-McPhee), o cotidiano dos Burbank e de seus empregados não será mais o mesmo. De início rejeitado por demonstrar seu acentuado lado feminino, Peter conquistará a amizade de Phil, uma relação que permeará a história até o final. Além de bonito esteticamente, com uma fotografia exuberante e belos enquadramentos, o filme é feito de sutilezas, simbologias e de gestos cujos significados nem sempre são possíveis de captar em um primeiro momento. Com seu olhar sensível, Campion exige do espectador uma atenção especial aos detalhes. Um verdadeiro desafio. Também estão no elenco Keith Carradine, Elisabeth Moss, Paul Dano, Frances Conroy, Thomasin McKenzie, Adam Beach e George Mason. Desde já, “Ataque dos Cães” é um dos favoritos ao Oscar 2022, como comprovam as 7 indicações ao Globo de Ouro: Melhor Filme de Drama, Melhor Ator de Drama (Cumberbatch), Atriz Coadjuvante (Kirsten Dunst), Ator Coadjuvante (Kodi Smit-McPhee), Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora Original. Realmente, o filme é muito bom, mas, na minha opinião, exageradamente superestimado. O ritmo é lento e arrastado, o que pode incomodar uma parte do público menos sensível. Assista e tire suas conclusões.                                                

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

 

“DOIS” (“DOS”), 2020, Espanha, disponível na plataforma Netflix, 1h10m, direção de Mar Targarona, seguindo roteiro assinado por Cuca Canals, Christian Molina e Mike Hostench. Em 2020, quando estreou no Festival Internacional de Cinema de Málaga (Espanha), o filme dividiu as opiniões da crítica especializada. Muitos prós e contras. Realmente, “Dois” não é fácil de digerir. É um filme bizarro, perturbador à beira do grotesco e não deve agradar grande parte do público. Durante 99% da duração, apenas dois personagens ficam na tela: David (Pablo Derqui) e Sara (Marina Gatell). Começa o filme e estão lá os dois, nus na cama, grudados um ao outro cirurgicamente pelo estômago, como irmãos siameses. Ela não conhece ele e vice-versa, e não se lembram do que aconteceu. A primeira conclusão é de que foram drogados. Quem será o responsável por tal atrocidade? Sara acha que foi o marido ciumento que deve ter desconfiado de alguma traição. Por sua vez, David confessa ser um garoto de programa e talvez o que está acontecendo tenha a ver com alguém ciumento também. Os dois estão trancados em um quarto, sem qualquer comunicação com o exterior. E haja papo-furado até a história chegar ao seu desfecho, quando acontece uma terrível revelação. Ao tentar explicar “Dois” para a imprensa, a diretora Mar Tagarona (“O Fotógrafo de Mauthausen”, de 2018) deu uma declaração que combina bem com o excêntrico e polêmico filme que dirigiu: “Trata-se de um coquetel de emoções e sensações, às vezes contraditórias, mas esperançosamente interessantes, uma vez que são estimuladas”. Entendeu? Nem eu. Mas há gosto pra tudo, como prova a grande audiência que o filme tem conseguido na Netflix. De qualquer forma, “Dois” é um filme muito diferente e que, por isso mesmo, vale uma conferida.                                    

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

 

“SOB PRESSÃO” (“ETATS D’URGENCE”), 2019, França, disponível na plataforma Amazon Prime, 1h30m, roteiro e direção de Vincent Lannoo. Não é de hoje que o cinema francês demonstra dominar plenamente a arte do gênero policial de ação. Mais um exemplo dessa competência é este filme produzido para ser exibido pela TV France 2. Os holofotes da história estão focados no cotidiano de um grupo de investigadores que trabalha no limite do estresse, com poucos recursos, equipe limitada, sem o devido apoio das chefias, salário baixo e enfrentando marginais que logo são soltos pela justiça (não lembra um país que conhecemos muito bem?), que tratam a polícia na base do escárnio e agem livres, leves e, principalmente, soltos. E pior: os policiais recebem ordens de efetuar cotas de prisão, ou seja, mostrar serviço à opinião pública. Um dos filmes franceses recentes que também aborda a mesma temática é “Bac Nord”, outro filmaço. Em “Sob Pressão”, a personagem central é a policial Justine (Olivia Ruiz, também cantora pop de sucesso na França), obrigada a conciliar a profissão com o papel de esposa e de mãe de um adolescente. Como se não bastasse, ela é acusada de ter roubado dinheiro durante uma batida policial. Dessa forma, ela se torna alvo de investigação da corregedoria e pode perder o emprego. Além disso, enfrenta problemas com seu filho Tristan (Vassili Schneider), um aluno rebelde e contestador que acaba quase todo dia na diretoria da escola. Seu casamento também não vai bem, pois ela trabalha demais e o marido sente muito a sua falta. Se já enfrentava todos esses problemas, Justine ainda passaria um estresse ainda maior depois que Guillaume (Hubert Delattree), seu parceiro e amigo, se suicida no vestiário da delegacia. As melhores e mais tensas cenas do filme acontecem quando os policiais vão aos prédios populares onde residem imigrantes árabes e africanos com o objetivo de prender traficantes. Nessas comunidades, os policiais são recebidos com protestos violentos e sempre correm o risco de serem linchados. Enfim, é muito estresse todos os dias. Também estão no elenco Ibrahim Koma, Grégoire Leprince, Jodith El Zein, Gil Alma, Thomas Chabrol, Vincent Aguesse e Ramzi Bettahar. Filmaço!                                

domingo, 12 de dezembro de 2021

 

“PASSADO SUSPEITO” (“THE BLACK WIDOW KILLER”), 2020, Canadá, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h30m, roteiro e direção de Adrian Langley. Elenco de ilustres desconhecidos, mas bons atores, história fraquinha e roteiro complicado que não se explica até o desfecho. Foi assim que resolvi resumir o que achei desse suspense canadense produzido para a televisão. A história é ambientada em alguma pequena cidade do Canadá e começa com um grave acidente automobilístico. O carro de um casal de namorados apresenta defeito e o rapaz é obrigado a parar no acostamento. Não demorou muito e apareceu outro veículo com dois casais de jovens e bateu violentamente na traseira do carro parado, provocando uma morte. O filme dá um salto de 25 anos e estamos na companhia da advogada e vice-prefeita Judy Dwyer (Erin Karpluk), que acaba de se divorciar de Steven (Ryan Robbins), o xerife da cidade. O clima na cidade começa a esquentar quando Kendra (Alison Brooks), melhor amiga de Judy, é assassinada. O primeiro suspeito acaba sendo o jovem Daniel (Bradley Hamilton), o filho da vítima e namorado de Abbey (Morgan Kohan), filha de Judy. Ocorre que a própria Judy, por algumas evidências, começa a acreditar que o crime talvez tenha ligação com o acidente de 25 anos atrás, o que será comprovado com outro assassinato, cuja vítima, assim como Kendra, esteve envolvida com aquele trágico acidente. Se há um mérito em “Passado Suspeito”, este se refere à expectativa da revelação do assassino, o que cria um clima de suspense e apreensão até o desfecho, com uma reviravolta surpreendente. Trocando em miúdos, o filme até que chega a ser um bom entretenimento, mas não espere muito.                            

 

“FERIDA” (“BRUISED”), 2020, Estados Unidos, 2h9m, disponível na plataforma Netflix, marca a estreia da atriz Halle Berry como diretora (ela também faz o papel principal), seguindo roteiro assinado por Michelle Rosenfarb. A história é centada em Jackie “Justice” (Berry), uma ex-lutadora de MMA que abandonou as lutas e agora trabalha como faxineira em casas de gente rica. Ela afoga as mágoas na bebida e vive um relacionamento tumultuado com seu namorado e ex-empresário Desi (Adan Canto). Um dia ela é chamada pela mãe Angel (Adriane Lenox, ótima) para buscar o filho Manny (Danny Boyd Jr.), de seis anos, que Jackie havia abandonado quando bebê. Enfim, entre idas e vindas, Jackie tentará conciliar seus dramas pessoais com os desafios de voltar às lutas, pois agora, com a guarda do filho, terá que arrumar dinheiro para sobreviver. Você assiste a tudo o que acontece e de imediato começa a lembrar de “Rocky, Um Lutador”, “A Menina de Ouro”, “Clube da Luta” e até de “Karatê Kid”, além daqueles filmes que contam a história de lutadores e seus desafios, pessoais e nos ringues. “Ferida” tem todos os clichês do gênero, brindando o espectador com aquela aguardada luta no desfecho, na qual “Justice” terá de enfrentar a temida “Lady Killer” (Valentina Shevchenko, lutadora profissional) pelo título da categoria Peso Leve. Segundo alguns artigos divulgados na mídia, Halle Barry, além de vários hematomas, quebrou duas costelas durante as filmagens. O desempenho de Halle é sensacional. Nenhuma surpresa levando-se em consideração o fato dela já ter conquistado um Oscar como Melhor Atriz em 2002 pelo filme “A Última Ceia”. Além de estar em ótima forma física aos 55 anos, a atriz também surpreende ao realizar uma cena de sexo lésbico com Sheila Atim, a “Buddhakan”, sua treinadora. Enfim, “Ferida” é uma estreia muito boa de Halle na direção, embora não seja aquele filme que a gente tem vontade de aplaudir de pé. Como entretenimento, funciona muito bem.