“O
SÉTIMO DIA” (“THE SEVENTH DAY”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma
Amazon Prime Vídeo, 1h27m, roteiro e direção de Justin P. Lange. Depois do
clássico “O Exorcista”, de 1974, muitos outros filmes foram feitos com o tema
exorcismo. Mas, até hoje, nenhum superou em impacto e qualidade o filme dirigido por
William Friedkin, com Max von Sidow, Ellen Burstyn e Linda "Jato Verde" Blair. Eu mesmo já assisti a alguns, e posso afirmar, do alto da
minha condição de cinéfilo amador, que a maioria é uma grande porcaria. “O
Sétimo Dia” também faz parte da tropa medíocre, apesar de trazer no elenco Guy
Pearce, um nome de um certo respeito no cinema atual. Mas nem ele foi capaz de salvar
esse filme. Ele interpreta o padre Peter, um dos mais experientes na prática do
exorcismo. Peter é designado para treinar o padre novato Daniel (o fraco ator
mexicano Vadhir Derbez) a encarar o demônio de perto e tentar vencê-lo. O
primeiro teste acontece num reduto de mendigos. Daniel terá que descobrir, entre
eles, quem está possuído, e, para nosso espanto, sem usar batina, nem crucifixo,
Bíblia ou água benta. Ou seja, não se fazem mais padres como antigamente. O
segundo teste, agora na prática, acontece quando Daniel é obrigado a enfrentar
o diabo no corpo do garoto Charlie (Brady Jenness). Aí o bicho pega. Como
tantos outros filmes, “O Sétimo Dia” apresenta alguns clichês do gênero:
tabuleiro Ouija, criança com voz grossa, gosma verde, olhos virando, levitação, mortes provocadas pelo possuído etc.
Com exceção de alguns bons sustos, nada desse filme é capaz de motivar uma
recomendação entusiasmada. Vade retro!
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
quarta-feira, 22 de setembro de 2021
“PALESTINA:
UMA TERRA EM CONFLITO” (“PALESTINE”), 2019, disponível na plataforma Amazon Prime Video, coprodução Marrocos/Israel/Espanha, 1h18m, direção de Julio Soto Gurpide
e Mohamed El Badaoui – que também faz o papel principal no filme – seguindo roteiro
de Suha Arraf. A história é baseada em fatos reais descritos no livro “Palestine”
(2007), do escritor tunisiano Hubert Haddad. Quem se depara com o título
nacional pode pensar que vai ver atentados, explosões, mísseis e tiroteios. Nada
disso, embora tenha cenas de alguma violência e tensão. A história começa com
homem caminhando à beira de uma estrada da Palestina, ao lado do muro que separa
seu território de Israel. Ele apresenta um ferimento na cabeça e está mentalmente
perturbado, como alguém que não sabe o que está acontecendo. Um carro para ao
seu lado e o identifica como Nassim (Mohamede El Badaoui), um palestino que foi
preso há 10 anos pelo exército israelense. Quando é levado para a casa da mãe, em
Hebrom - cidade palestina na Cisjordânia -, Nassim é recebido com muita festa e
lágrimas e fica claro que ele perdeu a memória, pois não se lembra de nada. Aos
poucos, porém, com a convivência diária com sua mãe Ismahan (Amal Ayduch) e com
a prima Rana (Sarah Perles), Nassim percebe que tem algo errado com ele, ou
seja, está sendo difícil acreditar que é mesmo um palestino. Um dia, durante o sono,
ele fala em hebraico, o que gera suspeitas por parte da prima. Como o roteiro
faz questão de esclarecer bem antes do desfecho, Nassim é, na verdade, um
soldado israelense chamado Chaim. Embora a história seja bastante interessante,
faltou ao roteiro explicar alguns aspectos que poderiam acrescentar um melhor
entendimento por parte do espectador. Por exemplo, como Nassim/Chaim foi
ferido, por que estava com roupas de civil quando foi encontrado e como ele
fala tão bem a língua árabe. Somando os prós e os contras, acredito que o filme
merece ser conferido, principalmente por aqueles que, como eu, gostam de histórias
ambientadas naquela zona de conflito.
segunda-feira, 20 de setembro de 2021
“NORMANDIA
NUA” (“NORMANDIE NUE”), 2018, França, disponível na plataforma Amazon Prime Vídeo,
roteiro e direção de Philippe Le Guay. Na mão de outros diretores, a história talvez ganhasse tons de drama, pois tem como pano de fundo a crise econômica. Nas mãos
de Philippe Le Guay, porém, o filme se transformou em uma ótima comédia, leve e
agradável de assistir, como já tinha sido com dois de seus maiores sucessos,
como “As Mulheres do Sexto Andar” (2010) e “Pedalando com Molière” (2013). Em “Normandia
Nua”, a história envolve fazendeiros, agricultores e criadores de gado na
região da Normandia, ao redor da pequena cidade de Mêle Dur Sarthe. Revoltados
com a baixa de preços, principalmente do leite e da carne, e ainda pela
concorrência de países como a Romênia e a China, os fazendeiros, sob o comando
de George Balbuzard (François Cluzet, de “Intocáveis), prefeito do vilarejo,
resolvem realizar manifestações de protesto, o primeiro deles fechar uma
estrada com tratores, arados e colheitadeiras. O resultado foi o inverso. A
mídia criticou a manifestação e recebeu apoio dos consumidores. Pra resumir a
história, Balbuzard resolve aceitar a proposta inusitada do fotógrafo norte-americano
Blake Newman (Toby Jones), famoso por fotografar dezenas de pessoas nuas, todas
juntas, e dizer que aquilo é arte. Balbuzard acredita que essa foto com a
população do vilarejo terá grande repercussão, dando a oportunidade para que os
fazendeiros locais encontrem espaço na mídia para denunciar a situação. Porém,
há um grande problema: convencer os habitantes a posar sem roupa. Daí começa a
parte mais engraçada do filme, que é Balbuzard visitando os moradores para convencê-los a tirar a roupa e posar para a tal fotografia. Entre os lances mais engraçados está a torcida dos
homens do vilarejo para que a mulher do açougueiro, ex-Miss Calvados, concorde
em participar da foto, mesmo totalmente fora de forma. Outra grande sacada foi
completar o elenco com os próprios moradores do vilarejo. Entre os atores
profissionais, destaco a presença de François-Xavier Demaison, Vincent Regan, Arthur
Dupont, Julie-Anne Roth, Philippe Rebbot, Grégory Gadebois e Lucie Muratet. Em
tempos de tanto estresse, nada como uma boa comédia para melhorar o ânimo. “Normandia
Nua” é a dica perfeita para isso. Não perca!
“MEU
ANO EM NOVA YORK” (“MY SALINGER YEAR”), 2020, Canadá, disponível dede 15 de setembro
de 2021 na plataforma Netflix, 1h41m, roteiro e direção de Philippe Falardeau.
Filme de abertura do Festival Internacional de Cinema de Berlim, este simpático
drama é baseado em fatos reais relatados no livro biográfico da jornalista,
poetisa, crítica e romancista Joanna Smith Rakoff. “Meu Ano em Nova York”
destaca a experiência vivida por Joanna (Margaret Qualley) em 1995, quando saiu
da Califórnia para morar em Nova York, onde conseguiu emprego como assistente
de uma grande editora de livros. Seu trabalho era responder às cartas enviadas
por leitores e fãs do consagrado escritor J. D. Salinger, o principal escritor
agenciado pela editora, cuja proprietária era a mal-humorada e prepotente Margaret
(Sigourney Weaver). Joana era obrigada a responder com cartas-padrão
determinadas há anos pela editora. As cartas não deveriam chegar jamais às mãos
de Salinger, autor do best-seller “O Apanhador no Campo de Centeio”, também famoso
por viver recluso e avesso a encontros sociais, principalmente entrevistas. Ao
contrário das normas estabelecidas e com pena dos remetentes, Joanna começou a
responder as cartas dando conselhos, o que lhe causaria
problemas com Margaret. O filme também destaca o namoro tumultuado de Joanna
com o pretendente a escritor Don (Douglas Booth), com o qual dividia um pequeno
apartamento. Embora Joanna seja o personagem principal da história, numa
interpretação simpática da atriz Margaret Qualley, é Sigourney Weaver quem domina
todas as cenas em que aparece. A veterana atriz arrasa no papel de proprietária
da editora. Só sua presença vale o ingresso. Trocando em miúdos, “Meu Ano em
Nova York” é apenas um filme bonitinho e agradável de assistir, indicado para
apreciadores de literatura. Trata-se, enfim, de um filme muito interessante.
sábado, 18 de setembro de 2021
“KATE”, 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h46m, roteiro de Umair Aleem e direção do cineasta francês Cedric Nicolas-Troyan (é o seu segundo longa-metragem; o primeiro foi “O Caçador e a Rainha do Gelo”). Nos últimos anos virou moda em Hollywood escalar atrizes para os principais papéis em filmes de ação. Só para citar alguns nomes, foi assim com Charlize Theron (“Atomica” e “The Old Guard”), Angelina Jolie (“Lara Croft: Tomb Rider”), Scarlett Johansson (“Lucy” e “Viúva Negra”), Mila Jojovich (“Resident Evil”) e Kate Beckinsale (“Anjos da Noite” e “Jolt”), entre outras. Agora, em “Kate”, quem surge como a rainha da porrada é Mary Elizabeth Winstead, tão bonita quanto as já citadas e também boa de briga e de pontaria. Kate é uma assassina profissional treinada desde criança em artes marciais e armas. Desde o início, seu tutor e chefe é Varrick (Woody Harrelson). Começa o filme e eles estão em Osaka (Japão), Kate com a missão de assassinar um chefão da Yakuza, a poderosa máfia japonesa. Logo depois da missão executada, sem que o roteiro explique como, o pessoal da Yakuza consegue identificar Kate como a assassina do seu importante membro. Em um raro descuido, ela é envenenada com um líquido com alto teor de radioatividade e descobre que terá apenas 24 horas de vida. Dessa forma, ela decide esgotar esse tempo para descobrir quem foi o mandante do envenenamento e executar sua vingança. Mas, até lá, Kate vai sofrer um bocado, ao nível de “Dura de Matar”. Mary Elizabeth Winstead dá conta do recado nas cenas de ação, que são inúmeras, com muita pancadaria, tiros, explosões e uma sensacional perseguição de carro pelas ruas de Tóquio. Outro destaque do filme é a jovem atriz Miku Patricia Martineau como a neta do poderoso chefão mafioso Kijina (Jun Kunimura). Ela é a responsável pelas cenas mais engraçadas do filme. Sem levar em conta a história mirabolante, o fraco roteiro e os diálogos sofríveis e muitas vezes beirando o patético, asseguro que “Kate” é um ótimo filme de ação. Entretenimento de primeira. Não perca!
sexta-feira, 17 de setembro de 2021
“MENTIRA
INCONDICIONAL” (“THE LIE”), 2018, Estados Unidos, coprodução Blumhouse e Amazon
Studios, 1h37m, roteiro e direção de Veena Sud. Trata-se de uma refilmagem do
filme alemão “Wir Monster” (“Nós Monstros”), de 2015, inaugurando o projeto “Welcome
to the Blumhouse”, destinado a produzir uma série de filmes de suspense e terror. “Mentira Incondicional”
traz no elenco Peter Sarsgaard, Mireille Enos, Joey King, Devery Jacobs, Cas
Anvar, Patti Kim e Nicholas Lea. Começa o filme e lá está Jay (Sarsgaard)
levando a filha adolescente Kayla (Joey King) para um acampamento de dança
(coisa de americano). Está um frio danado e as ruas tomadas pelo gelo. Quando
saem da cidade, eles encontram Brittany (Devery Jacobs) em um ponto de ônibus. Amiga
inseparável de Kayla, ela também pretende ir para o tal acampamento e pega
carona com o pai da amiga. No carro, Brittany revela que teve uma briga com o
pai, Sam Ifrani (Cas Anvar), que a abandonou no meio do caminho. Logo depois
que pegam a estrada, Brittany pede para sair do carro, pois precisa fazer xixi
(no meio daquele frio?). Kayla vai junto com a amiga. Como demoram, Jay sai à
procura das duas e, para sua surpresa, encontra a filha sentada numa pequena
ponte. Ela confessa que empurrou a amiga e a forte correnteza a levou embora
rio abaixo. Desesperado, Jay ainda tenta encontrar a menina, mas em vão. Ele
volta para a casa com a filha e resolve contar tudo para Rebecca (Enos), sua ex-esposa
e mãe de Kayla. A partir daí, Jay e Rebecca farão de tudo para proteger a filha
problemática e agora assassina, mas logo serão alvos da desconfiança da
polícia. E toda essa tensão será o tom do filme até o seu desfecho, com muitas
reviravoltas - e mentiras. Como não vi o filme original alemão, não tenho condição de fazer
uma comparação, mas confesso que gostei muito dessa refilmagem, que, como
suspense, funciona muito bem e garante um ótimo entretenimento.
quinta-feira, 16 de setembro de 2021
“A
ROSA VENENOSA” (“THE POISON ROSE”), 2019, Estados Unidos, disponível na plataforma
Amazon Prime Video, direção de George Gallo e Francesco Cinquemani. O roteiro é
assinado por Richard Salvatore, autor do livro “The Poison Rose”, de 2013 (o
filme é dedicado à memória de Steve e Geraldine Salvatore, pais de Richard). Ao estilo
policial noir, a história é ambientada em 1978 e copia todos os clichês
do gênero, a começar pela mulher fatal que procura um detetive particular e
joga todo o seu charme para convencê-lo a assumir o caso. O detetive em
questão, fumante inveterado e alcoólatra (mais um clichê), é Carson Philips
(John Travolta). A mulher quer que ele investigue por que sua tia, internada em
uma clínica psiquiátrica, não responde às suas mensagens. A clínica, é claro,
fica na cidade natal de Carson, onde ele era conhecido na juventude como um
excelente jogador de futebol (rugby) que abandonou a carreira por causa de uma
contusão, mudou para Los Angeles e virou detetive particular. Ao chegar à
clínica, ele é recebido pelo seu diretor, dr. Miles Mitchell (Brendan Fraser),
um tipo esquisito como a maioria dos psiquiatras. Em meio a essa investigação,
Carson é procurado por Jayne Hunt (Famke Janssen), uma antiga namorada cuja filha
está sendo acusada de assassinato. A filha é Becky Hunt (Ella Bleu Travolta), nada
menos do que a filha de Travolta na vida real. Dividido entre as duas
investigações, Carson ainda terá que conviver com as ameaças do chefão mafioso
do lugar, Doc (Morgan Freeman), e com o xerife corrupto Walsh (Robert Patrick).
Vamos parar por aqui para não estragar as surpresas da história. Aliás, a maior
surpresa desse filme é contar com um elenco recheado de astros e ser tão ruim. Seu
lançamento comercial nos Estados Unidos foi um grande fracasso de bilheteria,
além de ser alvo de pesadas críticas do público e dos jornalistas
especializados - só no site Roten Tomatoes, que concentra as críticas especializadas, recebeu 0% . Realmente, o filme é péssimo, e uma grande parte dessa responsabilidade
cabe ao péssimo roteiro e ao desempenho dos atores. John Travolta principalmente. Ele está
simplesmente patético e canastrão, com uma peruca cor de abóbora e com um enorme
topete – ele parece aquele leão do Mágico de Oz. Famke aplicou tanto botox no
rosto que tirou toda a sua expressão. Mas os piores são mesmo Brendan Fraser,
que, além de enorme de gordo, parece fazer papel de um médico abobado, tipo
aquele da série Good Doctor, e Ella Bleu Travolta, uma péssima e antipromissora
atriz – se é que pode ser chamada de atriz. O único que se salva é Morgan
Freeman, mesmo assim com algumas ressalvas. O filme é recheado de cenas ridículas,
mas uma em especial merece ser destacada. O detetive está no gramado de um
campo de rugby quando aparece um franco atirador no topo do estádio. Como as
balas do revólver de Carson acabam, ele atira a bola lá de longe e derruba o
atirador. Não é o máximo? Trocando em miúdos, "A Rosa Venenosa" é um grande abacaxi.
terça-feira, 14 de setembro de 2021
“O
CORVO BRANCO” (“THE WHITE CROW”), 2018, distribuição Amazon Prive Vídeo, coprodução
Inglaterra/França/Sérvia, 2h7m, direção de Ralph Fiennes, que também atua. O roteiro
é assinado por David Hare, que se inspirou no livro “Rudolf Nureyev: The Life”,
da jornalista sul-africana Julie Kavanaugh. Como já deu para perceber, trata-se
de uma cinebiografia do lendário bailarino russo Rudolf Nureyev (1938-1993). O
filme descreve a trajetória de Nureyev desde criança, criado numa família muito
pobre no interior da Rússia, e mais tarde seu ingresso na Academia de Dança de
Leningrado (hoje São Petersburgo). Ainda jovem, ele já demonstrava uma
personalidade muito forte, o que lhe valeu o apelido de “Corvo Branco” (na
verdade, uma gíria usada na Rússia para designar pessoas que fogem do padrão).
Além do seu talento, Nureyev sempre teve um gênio difícil que o acompanharia
até o final dos seus dias. Conforme o seu perfil traçado no filme, o grande bailarino
era um sujeito arrogante, petulante, atrevido e ousado. Ousado, principalmente,
em sua performance nos palcos. Segundo os especialistas, ele revolucionou a
dança clássica, fazendo sua união com o balé moderno. Era, enfim, um gênio. Em
1961, quando participava de uma turnê em Paris com a Companhia Kirov, ele
resolveu pedir asilo, o que resultou em um grande escândalo para o governo russo,
principalmente em meio à guerra fria – Nureyev foi o primeiro artista russo a
pedir asilo no Ocidente. A cena em que ele pede o asilo, no aeroporto Le
Bourget, de onde deveria seguir com a companhia de balé para Londres, é a de
maior tensão no filme. Rudi, como era chamado pelos mais íntimos, foi detido,
antes de embarcar, por agentes da KGB (polícia secreta russa), que o levariam
de volta à Rússia, certamente para ser preso. Nureyev escapou dos agentes e
pediu asilo à polícia do aeroporto. Enfim, uma história incrível que merece ser
conhecida. É preciso destacar o trabalho de Ralph Fiennes como diretor e ator –
ele interpreta o professor de dança Alexander Pushkin, um dos principais
responsáveis pela evolução técnica de Nureyev. Este é o terceiro filme dirigido
por Fiennes (os dois primeiros foram “Coriolano” e “O Nosso Segredo”). Como
ator, ele já conseguiu o seu lugar de destaque, com grandes filmes em seu
currículo, entre os quais “O Paciente Inglês”, “A Lista de Schindler” e “O
Jardineiro Fiel”, além de muitos outros. É preciso destacar também a presença do ucraniano
Oleg Ivenko como Nureyev, que marcou sua estreia como ator. Claro que ele
ganhou o papel por ser um ótimo bailarino, hoje o principal nome da Tatar State
Opera, em Kazan (República do Tartaristão). Seu desempenho como ator também surpreende.
Do elenco – uma verdadeira ONU (franceses, russos, ucranianos, sérvios, ingleses)
- ainda fazem parte Adèle Exarchopoulos, Chulpan Khamatova, Rawschana Kurkowa,
Olivier Rabordin, Sergei Polunin, Louis Hofmann, Raphaël Personnaz e Calypso
Valois. Os idiomas falados no filme são o russo, o inglês e o francês. Enfim, o
filme é ótimo, com destaque para a recriação de época, as coreografias e as visitas
aos grandes museus, uma paixão de Nureyev. “O Corvo Branco” é, portanto, arte
pura. IMPERDÍVEL com letras maiúsculas.
domingo, 12 de setembro de 2021
“ATRÁS
DA LINHA: FUGA PARA DUNKIRK” (“BEHIND THE LINE: ESCAPE TO DUNKIRK”),
2020, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Vídeo, 1h27m, roteiro e
direção de Ben Mole. O título suntuoso faz a gente esperar um filme de guerra daqueles
com uma superprodução, tiros, tanques, aviões. Nada disso. Fica logo evidente
que se trata de uma produção feita para a TV, com poucos recursos e um elenco
de ilustres desconhecidos. Mas a história, baseada em fatos reais, é muito
interessante. Estamos em 1940, início da Segunda Grande Guerra,
quando as tropas alemãs acabam de invadir a França. No interior do país, os nazistas
aprisionam um grupo de soldados ingleses da Força Expedicionária Britânica, entre
eles Danny Finnegan (Sam Gittins), um conhecido campeão de boxe. Aficionado
pelo pugilismo e admirador do boxeador inglês, o oficial alemão Drexler (Tim
Berrington), comandante da prisão, convence Finnegan a lutar com os boxeadores
alemães. O inglês vence a primeira e fere o orgulho alemão. Drexler então
convoca o lutador Maximus Sennewhund, um ex-campeão mundial dos pesos pesados –
Finnegan era peso médio. Essa tão aguardada luta pode dar a oportunidade de
fuga para os soldados ingleses, e um plano é elaborado. Como já era esperado, a
luta se transforma num verdadeiro massacre. Não há muito mais a comentar para
não estragar as surpresas da história. Ainda fazem parte do elenco – se é que você
conhece alguém - Guy Falkner, Chris Simmons Jake J. Meniani, Chris Shipton, Jennifer
Martin e Joe Egan. Como já afirmei no início deste comentário, não espere muito
desse drama de guerra, apenas o suficiente para passar o tempo. Ou seja, nada de novo no front.
sábado, 11 de setembro de 2021
“CRIME
SEM SAÍDA” (“21 BRIDGES”), 2019, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon
Prime Vídeo, 1h39m, direção do cineasta irlandês Brian Kirk, seguindo roteiro
assinado por Adam Mervis e Matthew Michael Carnahan. Este é um dos últimos
filmes do ator Chadwick Boseman – ele só faria mais dois antes de morrer aos 43
anos, em agosto de 2020: “Destacamento Blood” e “A Voz Suprema do Blues”. “Crime Sem Saída” é daqueles filmes policiais
para assistir sem piscar e grudado na poltrona. Começa com tudo, quando uma dupla de marginais
resolve roubar um carregamento de cocaína. A polícia chega e começa o
tiroteio. A dupla consegue fugir, matando 8 policiais. A cena é de um filme de
guerra, com cadáveres pelo chão e carros de polícia alvejados com muitos tiros.
Os dois bandidos são experientes em batalhas, pois foram colegas no exército - Ray Jackson (Taylor Kitsch) e Michael Trujillo (Stephan James), em ótimas atuações. Para estudar a cena do crime e iniciar as investigações, chega ao local da
carnificina o detetive Andre Davis (Chadwick), o capitão Mckenna (J.K. Simmons)
e os policiais da 85ª Delegacia, colegas daqueles que foram mortos. Para ajudar
Davis é nomeada como sua nova parceira a policial Frankie Burns (Sienna Miller), também da 85ª Delegacia. A primeira providência de Davis é mandar fechar as 21 pontes de Manhattan na
tentativa de impedir a fuga da dupla. Daí para a frente, a polícia percorre toda a cidade tentando capturar os marginais. As cenas de ação são ótimas, com muitas perseguições
pelas ruas e pelo metrô, tiroteios e muito sangue jorrando, num ritmo
alucinante e repleto de tensão. Em meio a toda essa agitação, que praticamente paralisa
Nova Iorque durante toda a madrugada, Davis começa a desconfiar que há uma
conspiração com gente graúda envolvida, inclusive integrantes da própria
polícia nova-iorquina. Para amantes do gênero policial, este é um filme pra
ninguém colocar defeito. Imperdível!
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
“O SOM
DO SILÊNCIO” (“SOUND OF METAL”), 2020, Estados Unidos, distribuição Amazon
Prime Vídeo, 120 minutos, direção de Darius Marder – é o seu primeiro longa-metragem
-, que também assina o roteiro com a colaboração de Derek Cianfrance. Indicado
ao Oscar 2021 em seis categorias e vencedor em uma delas (veja as indicações no
final deste comentário), o filme tem como pano de fundo o drama vivido por
pessoas que sofrem de surdez. O personagem central é o jovem Ruben (Riz Ahmed),
um baterista que forma dupla com a cantora e guitarrista Lou (Olivia Cooke). Eles
tocam heavy metal e vivem de cidade em cidade, viajando em um trailer, se
apresentando em bares e outros locais não muito convidativos. De repente, não
mais do que repente, Ruben começa a perder a audição a tal ponto que não dá
mais para tocar. Muito a contragosto e revoltado com sua situação, Ruben aceita
o conselho da namorada e concorda em se mudar para uma comunidade de pessoas
com deficiência auditiva. Aqui, ele aprenderá a conviver com a trágica realidade,
tendo como mentor e conselheiro o velho Joe (o ótimo Paul Raci), que perdeu a
audição numa embosca na Guerra do Vietnã. Ruben aprenderá a linguagem dos
sinais e também a socializar com as outras pessoas que sofrem da mesma
deficiência. Pela internet, Ruben descobre uma clínica que implanta um aparelho
no cérebro (implante coclear) que tem dado ótimos resultados. Ele vende o trailer
para pagar a cirurgia e é operado com relativo sucesso. Seu desejo agora é reencontrar
Lou e retomar o romance. Ele então segue até a casa da moça e é recebido pelo
pai dela – uma surpreendente aparição do ator francês Mathieu Amalric. Até o
desfecho, Ruben tentará retomar a sua vida normal, claro que com todas as restrições
da deficiência. Mesmo com o ritmo lento e às vezes arrastado demais, “O Som do
Silêncio” tem muitos momentos sensíveis e comoventes. O trabalho do ator Riz
Ahmed é excelente, mas o destaque maior fica por conta da atuação do veterano
Paul Raci, que domina todas as cenas em que aparece. Não é um grande filme,
embora tenha sido indicado ao Oscar 2021 em seis categorias – Melhor Ator
(Riz), Ator Coadjuvante (Paul Raci), Filme, Montagem, Som e Roteiro Original.
Venceu apenas na categoria Montagem. Conforme fica claro no desfecho, a
principal mensagem do filme equivale a um velho ditado: “É melhor ser surdo do
que ouvir todo esse barulho do cotidiano". Ou seja, ouvir o som do silêncio é muito melhor. Confiram e
vejam se não estou certo.
quinta-feira, 9 de setembro de 2021
“DESTRUIÇÃO
FINAL: O ÚLTIMO REFÚGIO” (“GREENLAND”), 2020, Estados Unidos (Hollywood, é claro), 120
minutos, distribuição Amazon Prime Vídeo, direção de Ric Roman Waugh e roteiro
assinado por Chris Sparling. Mais um filme catástrofe (disaster movie)
pra gente grudar na poltrona e chegar ao final pensando que “ainda é bem que é
ficção”. Já pensou um cometa desgovernado que, perto da Terra, começa a se
desintegrar e lançar seus enormes fragmentos em direção ao nosso planeta? É o
que acontece nesse filme. Eles caem em todo o mundo, causando destruição em
massa. A história se concentra em território dos Estados Unidos, especificamente
em Atlanta (Geórgia). Começa com o engenheiro civil John Garrity (Gerard
Butler) recebendo uma ligação do governo dizendo que ele, sua mulher Allison (a
atriz brasileira Morena Baccarin) e o filho Nathan (Roger Dale Floyd) foram selecionados
para serem salvos da tragédia que se anunciava e que, para isso, deveriam
seguir para o aeroporto e embarcar em um avião que os levará para a Groenlândia
(o título original), onde foi construído um bunker especial. A aflição
do casal começa quando, ao chegar no aeroporto, John e Allison percebem que o
remédio do filho diabético ficou no carro. Por conta deste e de outros imprevistos,
John se perde da família e, daí para a frente, o clima de tensão aumenta cada
vez mais, principalmente depois que Nathan é sequestrado por um casal com más intenções.
Até o desfecho, portanto, você acompanhará o desespero de John e Allison para
voltar a se encontrar. Em meio a esse sofrimento, muita coisa acontece para
aumentar ainda mais a tensão. O ritmo é alucinante do começo ao fim e os
efeitos especiais são muito bem feitos. Completam o elenco Hope Davis, Scott
Glenn (irreconhecível) e David Denman. Informo ainda que já foi confirmada a
realização de uma sequência, que se chamará “Greenland: Migration”, com o mesmo
elenco. Quem gosta de sofrer e torcer por um final feliz, “Destruição Final” é
um ótimo entretenimento. Recomendo.
quarta-feira, 8 de setembro de 2021
“QUANTO
VALE?” (“WORTH”), 2020, Estados Unidos, disponível na plataforma
Netflix, 1h58m, direção de Sara Colangelo, seguindo roteiro assinado por Max
Borenstein. Aliás, o primoroso roteiro é um dos grandes trunfos deste ótimo
drama de Hollywood, além da excelente atuação de Michael Keaton. Dos inúmeros
filmes realizados sobre os atentados ocorridos nos Estados Unidos no dia 11 de
setembro de 2001, este talvez seja o único a tratar com detalhes como
transcorreu o difícil trabalho de indenização das famílias das vítimas. Procurado pelo
Congresso norte-americano dias depois dos atentados, o advogado Kenneth
Feinberg (Keaton) assumiu a responsabilidade de determinar como compensar as
famílias das vítimas, incluindo os valores indenizatórios caso a caso. Para
isso, constituiu um Fundo de Compensação Monetária - pioneiro nos Estados Unidos. Trabalho nada
fácil, pois teria que entrevistar cada uma das famílias e convencê-las a participar do fundo e concordar com os valores determinados. Juntamente com a sócia
Camille Biros (Amy Ryan) e advogados do escritório, Feinberg chegou a um
resultado final incrível, ou seja, em dois anos, ele conseguiu um acordo com
97% dos reclamantes elegíveis (somente 94 pessoas se recusaram a participar). O
resultado foi a distribuição de mais de US$ 7 bilhões para 5.560 famílias. O
filme mostra como foi desenvolvido todo esse trabalho, cercado de uma constante
tensão e de muita emoção, principalmente no que se refere às entrevistas pessoais com as famílias
enlutadas. Além de Keaton e Amy Ryan, ainda estão no elenco em papéis de
destaque Stanley Tucci, Laura Benanti, Tate Donovan, Talia Balsam, Marc Maron, Zuzanna Szadokowski, Gayle Rankin e Shunori Ramanathan. Destaco novamente o
primoroso roteiro de Max Borenstein, que, para escrevê-lo, se inspirou nos detalhes descritos no
livro “What is Life Worth? The Unprecedented Effort to Compensate the Victims” of
9/11” (“Quanto Vale uma Vida? Os Esforços sem Precedentes para Compensar as
Vítimas do 11/9”), escrito pelo próprio advogado Kenneth Feinberg. Trocando em miúdos,
“Quanto Vale” é um drama da melhor qualidade. IMPERDÍVEL com negrito e letras maiúsculas.
terça-feira, 7 de setembro de 2021
“A ESPIÔ
(“SPIONEN”), 2020, Noruega, 1h49m, distribuição Amazon Prime Vídeo, direção de
Jess Jonsson, seguindo roteiro escrito por Harald Rosenlow-Eeg e Jan Trygve
Royneland. Baseado em fatos reais descritos na biografia escrita por Iselin
Theien, o filme acompanha a trajetória da consagrada atriz e cantora sueca
Sonja Wigert (1913-1980), que durante a Segunda Guerra Mundial atuou como espiã em Oslo
(Noruega) e em Estocolmo (Suécia). Ela foi uma agente dupla, servindo o
governo sueco e também aos nazistas. No caso do governo sueco, com a promessa de libertarem seu pai preso em Oslo pelos nazistas. Sonja é interpretada de forma magnífica pela
atriz norueguesa Ingrid Bolso Berdal. Vamos ao contexto em que tudo aconteceu. No
começo da guerra, os alemães invadiram a Noruega e, possivelmente, fariam o
mesmo com a Suécia. O governo sueco recrutou Sonja para se infiltrar entre os
nazistas em Oslo e descobrir quais seriam as reais intenções de Hitler. Antes
de partir para Oslo, Sonja tornou-se amante de Andor Gellért (Damien Chapelle),
diplomata húngaro em Estocolmo. Em Oslo, com sua beleza, Sonja logo conquistou
o oficial alemão Josef Terboven, reichskommissar responsável por chefiar
a ocupação da Noruega, tornando-se também sua amante. Para adquirir a
confiança de Terboven, Sonja concordou em espionar para os nazistas, que queriam
saber dos planos da Suécia para a defesa de seu país. Como a maioria dos filmes
de espionagem, o enredo pode parecer complicado no início, mas aos poucos você
acaba absorvendo tudo de maneira mais clara. O filme é um primor no que se
refere à recriação de época, destacando-se a direção de arte, os cenários e locações, além dos figurinos criados por Ulrika
Sjölin para vestir a personagem principal. Por esse trabalho, Ulrika foi
premiada no Festival de Cinema Amanda 2020, um dos mais prestigiados
da Noruega. “A Espiã” (não confundir com o filme holandês de 2006) conta mais
uma história incrível de coragem durante a Segunda Guerra Mundial pouco
conhecida por aqui. Mais um gol de placa do excelente cinema norueguês.
Imperdível!
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
domingo, 5 de setembro de 2021
“ASCENSÃO
DO CISNE NEGRO” (“SAS – RED NOTICE”), 2021, coprodução
Inglaterra/Hungria/Holanda/Suíça, 2h3m, distribuição Netflix, direção do
cineasta norueguês Magnus Martens, com roteiro de Laurence Malkin. A história é
inspirada no livro – o mesmo do título original – escrito pelo ex-soldado do
exército inglês Andy McNab, que certamente deve ser muito melhor do que o
filme. Nos primeiros minutos, somos levados ao deserto da Geórgia, antiga
república soviética, onde o grupo de mercenários intitulado “Cisnes Negros”
promove uma matança e explode um gasoduto. O serviço de inteligência da
Inglaterra descobre que os responsáveis estão sediados em solo inglês e
encarrega o agente Tom Buckingham (Sam Heughan), das forças especiais, de chefiar
a caça aos criminosos. Numa operação desastrada, eles prendem o chefão dos
mercenários, William Lewis (Tom Wilkinson), mas deixam escapar seus dois
filhos, a machona Grace (a atriz australiana Ruby Rose, também machona na vida
real) e Oliver (Owain Yeoman). Tom é afastado do comando das operações e
resolve viajar com a namorada Sophie (Hannah John-Kamen) para Paris, onde
pediria a moça em casamento. Entretanto, o trem em que viajam é sequestrado,
adivinhem por quem? Isso mesmo, pelos “Cisnes Negros” comandados por Grace e
Oliver. E adivinhem quem vai lutar contra os bandidos? Claro, o mocinho da
história, o agente Tom. Do começo ao fim, o roteiro apresenta tantos furos que
fica difícil não compará-lo a uma peneira gigante. Vou citar um deles. Grace, a
mercenária machona, chega disfarçada à estação onde embarcará no trem. Quando
entra, qual a sua primeira atitude? Desfazer o disfarce no banheiro para logo
depois voltar ao vagão repleto de passageiros, todos lendo jornais em que a
foto da moça aparece na primeira página. É ou não é risível. Outro destaque
negativo, de tantos, é o péssimo elenco. Difícil nomear o pior, mas a tal Ruby
Rose ganha longe. A atriz (?) australiana é mesmo muito ruim. Os diálogos,
então, beiram o ridículo. Se você pensa que já viu tudo de ruim é porque ainda
não chegou às cenas finais, que fazem do desfecho do filme uma impiedosa ofensa
à nossa inteligência. O pior de tudo é que o final da história indica que
poderá haver uma continuação, o que eu duvido muito. Sem dúvida, este é um dos
mais fracos lançamentos da Netflix este ano.
sexta-feira, 3 de setembro de 2021
“FÚRIA INCONTROLÁVEL” (“UNHINGED”), 2020, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Vídeo, 1h30m, direção de Derrick Borte, seguindo roteiro de Carl Ellsworth. É um ótimo suspense, levado num ritmo alucinante, de prender a atenção o tempo inteiro e de tirar o fôlego. O pano de fundo da história é o estresse que atinge a população das grandes cidades. Às vezes, uma simples discussão de trânsito, por exemplo, pode provocar uma fúria incontrolável e levar a consequências trágicas. Vamos à história. Rachel (Caren Pistorius) perde a hora para levar Kyle (Gabriel Bateman), seu filho adolescente, para o colégio. Além disso, tinha um compromisso de trabalho agendado. Quando ela para o carro atrás de uma perua, em meio ao trânsito totalmente congestionado, o sinal abre e ela ultrapassa o outro veículo e buzina como protesto. Deu azar, pois o motorista (Russell Crowe) é um psicopata em seus piores dias. Daí para a frente, ela será perseguida pelo maluco, enfrentará situações de alto risco que colocarão não só a sua vida em perigo, mas como também a de sua família. As cenas de perseguição são muito bem executadas, recheadas de trombadas e capotamentos. É tensão do começo ao fim. Cabe destacar a ótima performance de Russell Crowe, que está assustador como o vilão da história. “Fúria Incontrolável” é filme para grudar o espectador na poltrona. Suspense dos bons. Não perca!
“MEU
NOME É SARA” (“MY NAME IS SARA”), 2019, Estados Unidos, distribuição Amazon
Prime Vídeo, 1h51m, direção de Steven Oritt (é o seu primeiro longa), seguindo
roteiro assinado por David Himmelstein. Embora seja uma produção
norte-americana, o elenco é formado, em sua maioria, por artistas poloneses. Além disso, as filmagens aconteceram no interior da Polônia. Embora
conte a história de uma judia polonesa que foge para a Ucrânia durante a
Segunda Grande Guerra, o filme é falado em inglês, o que ficou esquisito, pois a língua não combina com o contexto em que estão envolvidos, além
da jovem polonesa, ucranianos, russos e alemães. Enfim... A história é mais uma
daquelas trágicas, tristes e melancólicas ocorridas durante a Segunda Guerra
Mundial, ainda mais baseada em fatos reais, acompanhando a trajetória de sofrimento
da judia polonesa Sara Góralnik Shapiro (1930/2018). Em 1942, aos 12 anos, Sara
fugiu da Polônia depois que sua família foi morta pelos nazistas. Um ano
depois, conseguiu chegar a um pequeno vilarejo da Ucrânia, onde foi acolhida por
um casal de fazendeiros, em troca de comida e abrigo, sendo obrigada a ajudar
nos afazeres da fazenda e ainda cuidar dos dois filhos pequenos do casal. Para
conseguir sobreviver, ela escondeu o fato de ser judia e até mudou de nome para
Mania Romanchuk, uma antiga amiga de infância. Antes de dormir, colocava um pano
na boca para não falar íidiche durante o sono. Fora isso, aprendeu a fazer o
sinal da cruz, comungar e rezar como os católicos, além de comer carne de
porco, o que os judeus são proibidos. Além do relacionamento nem sempre
pacífico de Sara com o casal de fazendeiros, o filme destaca ainda o sofrimento
do povo ucraniano durante o conflito, tendo que se submeter à insanidade dos
soldados alemães e à violência dos russos, que estupravam as mulheres e
roubavam toda a comida da população. O maior destaque do elenco fica por conta
da estreante Zuzanna Surowy no papel de Sara. Uma atuação magistral,
demonstrando que está quase pronta para se destacar no cinema. Zuzanna foi selecionada
para o papel entre 650 jovens candidatas polonesas. Também ocupam papel de destaque
Michalina Olszanka e Eryk Lubos. “Meu Nome é Sara” não é um entretenimento leve, mas
de muita qualidade e que merece ser visto (nos créditos finais aparece a foto
da verdadeira Sara).
quinta-feira, 2 de setembro de 2021
“O QUINTO
SET” (“CINQUIÈME SET”), 2020, França, produção original Netflix, 1h53m, roteiro
e direção de Quentin Reynaud (ele também atua; é o técnico do tenista). Quem
gosta de tênis, como eu, vai adorar. E mesmo quem não gosta também pode curtir
a história (fictícia) do tenista francês Thomas Edison (Alex Lutz), que, aos 37 anos de
idade, tenta voltar a disputar torneios em alto nível. Thomas foi um tenista
prodígio. Aos 17 anos, em 2001, chegou à semifinal do Torneio Roland Garros. Ele
acabou derrotado e, nos anos seguintes, tentou voltar a disputar os principais
torneios, mas sofreu com as lesões. Só o joelho direito ele operou três vezes.
Agora, vinte anos depois, sem uma condição física ideal, ele resolve disputar as
rodadas classificatórias do tradicional torneio francês. O filme não dá muito
destaque às partidas, a não ser no desfecho, quando apresenta uma partida
eletrizante. “O Quinto Set” prioriza o lado psicológico do tenista – o que certamente
vale para os demais atletas das quadras. Thomas terá de enfrentar as queixas da
sua esposa Eve (Ana Girardot), uma ex-tenista que, depois de casar, abandonou as quadras para se dedicar exclusivamente ao marido e ao filho. “Só no ano passado você ficou nove meses
fora de casa disputando torneios, me deixando sozinha”, diz ela. “Chegou a hora
de você parar e me ajudar em casa”. Thomas também possui um relacionamento
problemático com a mãe Judith (a envelhecida mas ainda charmosa e competente atriz inglesa Kristin Scott Thomas), que nunca acreditou no
talento do filho e ainda agora continua pressionando-o para melhorar. O filme
mostra como esses problemas pessoais prejudicam o tenista, que precisa estar
com o psicológico em dia para enfrentar os desafios das quadras. Destaque para a
magistral atuação do ator Alex Lutz, que realmente parece um tenista
profissional – como não o conhecia, pensei que fosse. “O Quinto Set” tem todos
os ingredientes para agradar o público que gosta de esporte, principalmente os
adeptos do tênis, para os quais também indico “Borg vs. McEnroe” e “Guerra dos Sexos”.
Imperdível!
quarta-feira, 1 de setembro de 2021
“MA”, 2019, Estados Unidos, distribuição
Amazon Prime Vídeo, 1h40m, direção de Tate Taylor, que também assina o roteiro juntamente
com Scotty Landes. Trata-se de um misto de suspense e terror psicológico
protagonizado pela ótima Octavia Spencer. Ela é Sue Ann, uma mulher de meia
idade que vive isolada num casarão na periferia de alguma cidade
norte-americana e trabalha como funcionária de uma clínica veterinária. Depois de comprar bebidas alcóolicas para um
grupo de adolescentes, ela oferece o porão de sua casa para que eles curtam
seus prazeres, que incluem também fumar um baseado. Aos poucos, o casarão vira
ponto de encontro de estudantes para muitas festas. E assim Sue Ann sai de seu
isolamento e acaba participando também das baladas juvenis. O que ninguém
imagina, porém, que ela tem outras intenções, a principal delas relativas ao bullying
que sofria no tempo em que era estudante. Bullying que envolvia, principalmente, racismo e rejeição social. Na verdade, Sue Ann planejou uma vingança macabra,
com cenas de fazer virar o rosto. Além de Octavia, estão no elenco Diana
Silvers (guardem bem o nome dessa jovem atriz), Luke Evans, Corey Fogelmanis,
Juliette Lewis, McKaley Miller e Kyanna Simone. A atuação mais marcante, como
não poderia deixar de ser, é de Octavia, atriz que já ganhou um Oscar e um Globo
de Ouro por “Histórias Cruzadas” (2012). Também foi indicada ao Oscar mais
duas vezes, por “Estrelas Além do Tempo” (2017) e por “A Forma da Água” (2018).
Em “Ma”, Spencer está como protagonista, mas sua atuação, ainda que excelente,
não é daquelas que merece premiação. O clima de tensão em “Ma” segue num ritmo
crescente até desaguar numa verdadeira carnificina. Suspense dos melhores. Não
perca!
segunda-feira, 30 de agosto de 2021
“TERROR
NA SÍRIA” (“BE VAGHTE SHAM” – nos países de língua inglesa, “Damascus Time”), 2018, Irã, distribuição
Amazon Prime Video, 1h52m, roteiro e direção de Ebrahim Hatamikia. Este é, sem
dúvida, o filme mais poderoso e impactante que já assisti sobre terrorismo, pois
apresenta, de forma muito realista, a essência do mal que motiva os integrantes
do Estado Islâmico (ISIS). A história de “Terror na Síria” é centrada em dois
pilotos da força aérea iraniana encarregados de uma missão muito arriscada em
plena guerra civil na Síria: resgatar alguns habitantes de Palmira, cidade cercada
pelos terroristas do EI. A missão também envolve o resgate de um avião que
havia sido tomado pelo EI. Os pilotos iranianos são Ali (Babak Hamidfan) e
Younes (Hadi Hejazifar), pai e filho. A missão começa bem, pois eles conseguem
chegar ao avião com o grupo de pessoas resgatadas. Os pilotos também teriam que
transportar terroristas do EI feitos prisioneiros pelo exército sírio. Quando o
avião se prepara para decolar, surgem no aeroporto milícias terroristas que
tentarão impedir a decolagem. Aí começa um verdadeiro derramamento de sangue, que
continuará durante toda a história. As imagens são violentas e certamente
incomodarão os estômagos mais sensíveis. Mas são muito bem feitas e realistas. Não tenho dúvida em afirmar que seriam censuradas pela mídia de tão fortes.
“Terror na Síria” é um filme de muito suspense e ação, o que difere do estilo da
maioria dos filmes iranianos. Resumindo, é um filmaço de tirar o fôlego.
domingo, 29 de agosto de 2021
“SEM
REMORSO” (“WITHOUT REMORSE”), 2021, Estados Unidos, produção original e
distribuição Amazon Prime Video, 1h49m, roteiro e direção do cineasta italiano
Stefano Sollima. Mais uma ótima adaptação de um livro do consagrado escritor
norte-americano Tom Clancy (1947/2013), “Without Remorse”, de 1993. Como se
sabe, as histórias de Clancy envolvem espionagem, teias intrincadas, conspirações,
reviravoltas, suspense e muita ação, geralmente ligadas aos bastidores da
Guerra Fria. “Sem Remorso” se encaixa perfeitamente nesse contexto. Numa missão
secreta na Síria, John Kelly (Michael B. Jordan), oficial de elite da Marinha,
acaba executando mercenários russos. Em retaliação, sua esposa Pam Kelly
(Lauren London), grávida de oito meses, é assassinada dentro de casa. Com a
ajuda de sua colega, a oficial Karen Greer (Jodie Turner-Smith), e outros fuzileiros,
Kelly vai atrás dos responsáveis pela morte e sua esposa. Nessa caçada, ele
descobrirá que pode haver mais gente envolvida e passa a desconfiar de Robert
Ritter (Jamie Bell), agente da CIA, e até do secretário de Defesa (Guy Pearce).
Durante essa verdadeira caçada, que levará a equipe de Kelly até a Rússia,
muito sangue vai jorrar – as cenas de ação são ótimas, com destaque para a
atuação de Michael B. Jordan, que já havia demonstrado sua versatilidade em filmes
como “Quarteto Fantástico”, “Creed – Nascido para Lutar” e “Pantera Negra”. A
assinatura de Tom Clancy também é um bom aval para a qualidade da história. Só
para lembrar, ele foi o autor de best-sellers como “Jogos Patrióticos”, “Caçada
ao Outubro Vermelho”, “Perigo Real e Imediato” e “A Soma de Todos os Medos”,
entre outros romances adaptados com sucesso para o cinema. O roteiro e a direção
do italiano Stefano Sollima, de “Sicário: Dia do Soldado” e “Suburra”, também colaboram com a qualidade de “Sem Remorso”, pois sabe, como poucos, desenvolver e
contar uma história tão intrincada como é normal nos livros de Clancy. Um lembrete
importante: após os créditos finais há uma cena que deixa evidente a realização
de uma continuação. Trocando em miúdos, “Sem Remorso” vale o ingresso. Não
perca!