
segunda-feira, 11 de maio de 2020

domingo, 10 de maio de 2020
“ENQUANTO
A GUERRA DURAR” (“MIENTRAS DURE LA GUERRA”), 2019, Espanha, 1h47m,
roteiro e direção do premiado cineasta chileno Alejandro Amenábar, radicado na Espanha
desde 1973. Trata-se de um drama histórico baseado em fatos reais, ambientado em
1936 na cidade de Salamanca. Aqui, vivia o famoso escritor e filósofo humanista
Miguel de Unamuno (Karra Elejalde), intelectual respeitado por várias correntes
de pensamento em toda a Espanha e Europa. Por seu apoio ao governo republicano,
Unamuno havia sido nomeado para o importante cargo de reitor da Universidade de
Salamanca. A trama do filme gira em torno desse riquíssimo personagem e como ele
vê toda a questão histórica que se desenrola na Espanha. Em 1936, descontente
com os rumos tomados pelo governo republicano, Unamuno vê com bons olhos o
golpe militar iniciado pelos militares comandados pelos generais Emilio Mola
(Luis Callejo) e Francisco Franco (Santi Prego) e passa a apoiá-los, o que lhe
custa o cargo de reitor da universidade. Porém, quando os militares começam com
suas atrocidades, prendendo, torturando e matando intelectuais, professores e
artistas, muitos deles seus amigos de longa data, Unamono passa a criticar
Franco e os militares, culminando com um violento discurso durante a solenidade
na aula magna da Universidade de Salamanca, da qual só saiu vivo por
interferência de Carmen Polo (Mireia Rey), justamente a esposa do generalíssimo
Franco e sua grande admiradora. O filme é pródigo em diálogos bastante
elucidativos sobre a situação política na Espanha naquela época, além de
revelar os bastidores de alguns dos momentos mais importantes da Guerra Civil,
como, por exemplo, a reunião da junta militar que elegeu Franco como o
comandante supremo do golpe. “Enquanto a Guerra Durar” é mais um excelente
filme de Amenábar, que já havia nos presenteado com pequenas obras-primas como “De
Olhos Abertos”, “Os Outros” e “Mar Adentro”, este último premiado com o Oscar
de Melhor Filme Estrangeiro em 2005.
sexta-feira, 8 de maio de 2020
“O
ANJO DO MOSSAD” (“THE ANGEL”), 2018, Estados Unidos, à
disposição na plataforma Netflix, 1h43m, direção do diretor israelense Ariel
Vromen, que também assina o roteiro com a colaboração de David Arata e Luke
Garret. A história é verídica e lembra o episódio envolvendo um dos personagens
mais marcantes da espionagem internacional. Estou me referindo a Ashraf Marwan
(o ator holandês de origem árabe Marwan Kensari), um oficial egípcio de alto
escalão que no início dos anos 70 se ofereceu para ser espião de Israel via
Mossad (o serviço secreto israelense). A adesão de Ashraf foi voluntária, revoltado
por ter sido humilhado publicamente pelo seu sogro, nada menos do que o
presidente do Egito Gamal Abdel Nasser. Genro e sogro nunca se entenderam e
Nasser sempre foi contra o casamento. Como mulher acostumada a obedecer ao pai,
a esposa Mona (Maisa Abd Elhad) nunca saiu em defesa do marido. Quando aderiu
ao Mossad, Ashraf forneceu importantes informações para Israel, a mais vital
delas em 1973, durante o feriado judeu do Yom Kippur, dando conta da movimentação
bélica dos países árabes, liderados pelo Egito – agora comandado por Anwar
Sadat (Sasson Gabai) –, com o objetivo de recuperar territórios tomados por
Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Por causa dessas informações, Israel
conseguiu mobilizar seu efetivo militar e derrotar seus inimigos. Dessa forma,
Ashraf seria considerado um herói por parte de Israel e, mais tarde, pelo
próprio Egito, que concluiu que o seu papel fora fundamental para a realização
do acordo de paz entre as duas nações, três anos depois. O mais interessante de
“O Anjo do Mossad” é a revelação dos bastidores do trabalho de Ashraf, suas
reuniões com o pessoal da alta cúpula militar do Egito, seus encontros secretos
com o pessoal do Mossad em Londres e seu dia a dia cada vez mais perigoso, alimentando
o clima de tensão cada vez mais crescente durante a projeção. Em vários
momentos, Ashraf correu risco de morte, negociou frente à frente com Muammar Gadaffi
(Isahi Halevi), ditador da Líbia, e teve muitos problemas com sua família, pois
sempre escondeu suas atividades secretas da esposa Mona. Para complicar ainda
mais a situação conjugal, Mona descobriria o caso do marido com uma amante
londrina, a espetacular Diana Ellis (Hannah Ware) –, mais um fator de estresse
para o coitado do espião. Todos esses detalhes só seriam revelados em 2016
no livro “O Anjo: O Espião Egípcio que Salvou Israel”, do escritor e cientista
político israelense Uri Bar-Joseph, que serviu de inspiração e base para o
roteiro do filme. Eu já conhecia o diretor israelense Ariel Vromen, radicado
nos Estados Unidos, de bons filmes como “Mente Criminosa” e “O Homem de Gelo”.
Vromen fez mais um excelente trabalho com “O Anjo do Mossad”, um filme obrigatório
para quem gosta de conhecer um pouco mais da história mundial recente.
IMPERDÍVEL!
quinta-feira, 7 de maio de 2020
“ALTOS NEGÓCIOS” (“BETONRAUSCH”), 2020,
Alemanha, já disponível na plataforma Netflix, 1h34m, roteiro e direção de
Cüneyt Kaya – é o seu terceiro longa-metragem. Baseado num caso real ocorrido
na Alemanha, Kaya conta a história de um rapaz pobre, Viktor Stein (David Kross), que um dia resolve ir para a
cidade grande (Berlim) com o objetivo de trabalhar e ganhar dinheiro. No início, arrumou emprego como operário na construção civil, dormiu em bancos de praça, passou
frio e mal tinha o que comer. Até que tem a ideia de
ingressar no mercado imobiliário, juntando-se a Gerry Falkland (Frederick Lau),
um fracassado malandro oficial, e a uma experiente bancária, a bela Nicole
Kleber (Janina Uhse). Viktor tem como principal trunfo o seu jeito malandro
sedutor e um sorriso cativante, abrindo as portas para vários negócios. Ele e
os novos parceiros começam a engendrar esquemas fraudulentos no ramo imobiliário
com a retaguarda de empréstimos e financiamentos ilegais junto a bancos e
instituições de crédito. Os três ganham bilhões em pouco tempo, mas gastam quase
tudo em mansões, carrões, prostíbulos luxuosos e festas regadas a muito álcool e cocaína, o que nos remete
ao estilo de vida dos principais personagens do filme “O Lobo de Wall Street”. Trata-se,
portanto, de uma história de cobiça e ambição, realizada com muita competência
pelo diretor alemão Cüneyt Kaya, que conseguiu impor um ritmo frenético do
começo ao fim. Um surpreendente filme alemão que merece ser visto. Imperdível!
terça-feira, 5 de maio de 2020

segunda-feira, 4 de maio de 2020

sábado, 2 de maio de 2020
“UMA CRIATURA GENTIL” (“KROTKAYA”), 2017,
uma inusitada coprodução França/Ucrânia/Alemanha/Lituânia/ Rússia/Holanda, 2h40m,
roteiro e direção de Sergey Loznitsa (cineasta ucraniano mais conhecido como
realizador de documentários). Inspirado num conto do escritor russo Fiódor
Dostoiévski, datado de 1876, Loznitsa construiu uma história triste e
melancólica adaptada aos tempos atuais, envolvendo uma mulher simples (a atriz russa Vasilina Makovtseva), cujo
marido está preso acusado de assassinato. Um dia ela vai à agência do correio
de seu vilarejo e recebe um pacote com o selo “retorno ao remetente”. Trata-se
da última encomenda que ela enviou ao marido na prisão. Preocupada com a
situação, a mulher (seu personagem não tem nome) deixa sua casinha e começa um verdadeiro
road movie pelo interior da Rússia, de trem e de ônibus, percorrendo
diversas aldeias e vilarejos onde a pobreza está bem à vista, até chegar ao presídio. Durante esse périplo,
ela conviverá com prostitutas e bêbados, ou seja, gente da pior qualidade.
Também encontrará pessoas que ainda idolatram Stalin e conhecerá a fundo a
terrível burocracia das instituições públicas russas. Quando pede ajuda, é
repelida como se fosse uma prostituta, ainda mais por ser mulher de um presidiário.
Do começo ao fim dessa angustiante jornada, a atriz russa Vasilina Makovtseva conserva
a mesma expressão de tristeza e infelicidade, limitando-se a falar o menos
possível e sempre com um semblante fixo que exala dor e sofrimento. Belo trabalho
dramático da atriz. O filme estreou durante o 70º Festival de Cinema de Cannes (2017), onde
concorreu à Palma de Ouro, foi muito elogiado e rotulado como uma crítica contundente
ao presidente Putin. Aqui no Brasil, foi visto na programação oficial do
Festival Internacional de Cinema do Rio, em dezembro de 2019. “Uma Criatura Gentil”
passa longe de ser um entretenimento agradável de se ver, mas não deixa de ser
um filme de grande impacto político e social.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
“CLOSE”, 2019,
Inglaterra, 1h34, produção Netflix (estreou dia 18 de janeiro de 2019), roteiro
e direção da cineasta inglesa Vicky Jewson. Trata-se de um filme de ação centrado
na agente especial Sam Carlson (Noomi Rapace), especialista em segurança e
contra-terrorismo, que trabalha para uma agência internacional particular. Na
história, Carlson é contratada para trabalhar como guarda-costas da jovem Zoe
Tanner (Sophie Nélisse), herdeira de uma das maiores mineradoras do mundo
localizada no Marrocos. Quando seu pai e dono da empresa morre, deixa no
testamento todas as ações da mineradora para Zoe, o que deixa furiosa a sua
madrasta Rima Hassine (Indira Varma). Para tratar de negócios da agora sua
empresa, Zoe é obrigada a ir para o Marrocos acompanhada de Carlson. Mas a
viagem não começa bem, pois tem muita gente planejando sequestrar a nova
milionária em troca de um resgate. Aí é que entra em ação a experiência da sua
guarda-costas, que é boa de briga, sabe atirar, bater e se defender. Só para ilustrar,
a cineasta Vicky Jewson disse que, para escrever o roteiro, foi inspirada em
Jacquie Davis, uma experiente guarda-costas inglesa, conhecida por ter trabalhado
para celebridades como Diana Ross, Cate Blanchett, Nicole Kidman e J.K. Rowling,
além de prestar segurança a membros da família real britânica. A atriz sueca
Noomi Rapace, a Lisbeth Salander da série Millenium (“Os Homens que não
Gostavam de Mulheres” etc.) é o grande destaque do elenco - é boa de briga e
atua com desenvoltura nas cenas de ação. “A Menina que Roubava Livros” – a atriz
canadense Sophie Nélisse – cresceu e virou um mulherão. Resumo da ópera: “Close”
tem boas cenas de ação e prende a atenção até o final, garantindo um bom
entretenimento.
terça-feira, 28 de abril de 2020

“SERGIO”, 2019,
Estados Unidos, produção Netflix, 1h58, direção de Greg Baker. Esta é a
biografia romanceada do carioca Sérgio Vieira de Mello, que se destacou como
alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos,
realizando missões em vários países em conflito. Seu trabalho ganhou maior
evidência nos anos 90 e no início dos anos 2000. Sua missão mais importante e
bem sucedida foi quando esteve no Timor Leste, país sob o domínio da
Indonésia. Ele negociou tanto com o líder dos rebeldes Xamana Gusmão como com Abdurrahman
Washid, presidente da Indonésia. Sérgio convenceu Washid a não só permitir a
independência do Timor Leste como também pedir desculpas ao povo timorense pela
truculência do regime que resultou em milhares de mortos. Pouco depois, Sérgio
seria enviado para Bagdá, no Iraque, para assumir a sede da ONU no Hotel Canal.
Aqui, ele cometeria um erro fatal: dispensou a segurança das tropas do exército
dos EUA, o que lhe custaria a vida e a de outras dezenas de pessoas num
violento atentado à bomba em 2003. Para contar toda essa história, o diretor
Greg Baker contou com o roteiro escrito por Graig Borten, que se inspirou na
biografia de Sérgio Vieira de Mello intitulada “O Homem que Queria Salvar o Mundo”,
da historiadora Samantha Power. Lembro ainda que o diretor Greg Baker já havia
realizado, em 2009, o documentário “Sergio”, sobre o mesmo personagem. O elenco
do filme tem Wagner Moura no papel principal, a atriz cubana Anna de Armas como
Carolina Larriera, a segunda mulher de Sérgio, além de Bradley Whitford, Brian
F. O’Byrne e Clarisse Abujamra. Trata-se de um filme obrigatório para quem
conhecer um pouco da vida desse brasileiro ilustre, humanista ao extremo, que dedicou sua vida profissional a construir a paz pelo mundo afora.
segunda-feira, 27 de abril de 2020
“DRY MARTINA”, 2019,
coprodução Chile/Argentina à disposição na plataforma Netflix, 1h35m, roteiro e
direção do cineasta chileno Che Sandoval. Trata-se de um misto de romance,
comédia e drama, com muito erotismo e sexo. A história é centrada em Martina
(Antonella Costa), uma cantora romântica com repertório brega que teve o seu
auge da fama na Argentina nos anos 90. Depois disso, em franca decadência, continuou
cantando em botecos à noite, na maioria das vezes não sendo reconhecida pelo
público. Ao seu declínio artístico junta-se
a carência afetiva e, principalmente, a falta de sexo. Nunca mais foi a mesma
depois do último namorado, atravessando um período literal de seca, com falta
de sexo e sem o prazer de antes. Daí o título “Dry Martina”. Mas a situação
mudaria quando ela conhece a espevitada Francisca (Geraldine Neary), que chegou
do Chile dizendo-se sua maior fã e, pior, sua irmã de sangue. Ao mesmo tempo em
que se surpreende com a grande novidade, Martina fica conhecendo o namorado bonito
de Francisca, o jovem César (Pedro Campos). É aí que ela volta a pegar fogo, leva
o rapaz para a cama e, finalmente, volta a sentir prazer. Paixão carnal à
primeira noitada. Quando César e Francisca voltam a Santiago, Martina fica
desesperada e parte para a capital chilena com a desculpa de rever a irmã e
quem sabe conhecer seu pai biológico, Nacho (Patricio Contreras), mas na
verdade ela queria se jogar na cama com César. E dá-lhe sexo – cenas de forte
erotismo, mas nada explícito. Como verdadeira “ninfómana”, como se diz em espanhol,
a fogosa Martina parte para o ataque em várias frentes. A atriz Antonella
Costa, italiana de nascimento e radicada desde os 4 anos de idade na Argentina,
cumpre muito à vontade esse papel de “sedienta de amor”. Ela não é muito
bonita, mas bastante sensual. Não há muito o que se destacar em “Dry Martina”, com
exceção de um excelente trabalho de fotografia – repare na cena inicial, quando
Martina canta de vestido prateado. Enfim, um filme fácil de digerir, sem muitos
atrativos, mas alerto: tire as crianças da sala.
domingo, 26 de abril de 2020

sexta-feira, 24 de abril de 2020
“CONDUTA DE RISCO” (“MICHAEL
CLAYTON”), 2007, Estados Unidos, 1h59m, roteiro e direção de Tony
Gilroy. Mesmo sendo um cinéfilo amador voraz há muitos anos, confesso que não sei como deixei
passar em branco este sensacional suspense de Hollywood, indicado a disputar
nada menos do que 7 categorias no Oscar 2008. Mesmo realizado em 2007, o filme
não perdeu seu forte impacto e continua tão moderno como era na época do seu
lançamento. A história é toda centrada no ex-promotor de justiça Michael
Clayton (George Clooney), empregado do Kenner, Bach & Ledeen, um dos
escritórios de advocacia mais conceituados de Nova Iorque. Sua função é limpar
a sujeira deixada por advogados da firma nos casos de maior evidência. No caso
de “Conduta de Risco”, Clayton precisa “segurar” as pontas num caso envolvendo
o maior cliente do escritório, a U/North. Arthur Edens (Tom Wilkinson) é o
advogado encarregado da defesa do grande cliente. Quando se preparava para a
defesa, porém, Arthur tem um surto paranoico e resolve, ao invés de defender a
U/North, denunciar suas maracutaias. Cabe a Clayton tentar reverter esse quadro.
Em meio a esta situação alarmante para sua empresa, Karen Crowder (Tilda
Swinton), uma das principais executivas da U/North, decide tomar as rédeas da situação
na base da violência. E aí vai sobrar para Arthur e também para Clayton. Pleno de
tensão e suspense, o filme tem como principal trunfo o roteiro magistral, escrito
pelo especialista Tony Gilroy, de “A Grande Muralha” e “Beirut”, entre outros
ótimos filmes. Para melhorar ainda mais, há várias reviravoltas que tornam “Conduta
de Risco” um entretenimento de primeira. Só para lembrar, entre as 7 indicações
ao Oscar 2008, concorreu nas categorias “Melhor Ator”, “Melhor Roteiro Original”,
“Melhor Diretor” e “Melhor Atriz Coadjuvante”, esta última vencida justamente
por Tilda Swinton. Além de Tilda, Wilkinson e George Clooney no auge da fama e
da forma, destaco no elenco a presença, como ator, do consagrado diretor Sidney
Pollack – morto em 2008 -, responsável por grandes filmes como “Três Dias do
Condor”, “A Firma” e “Destinos Cruzados”, entre tantos outros. “Conduta
de Risco” lembra um saudoso tempo em que Hollywood trabalhava com grandes roteiros. IMPERDÍVEL!
quinta-feira, 23 de abril de 2020

terça-feira, 21 de abril de 2020
“O QUEBRA-GELO” (“LEDOKOL” – nos
países de língua inglesa ficou “The Ice Breaker”), 2016, Rússia, 2h04m, direção
de Nikolay Khomeriki, seguindo roteiro escrito por Aleksey Onishehenko. A
história é baseada num fato real ocorrido em 1985, quando o navio quebra-gelo soviético“Mikhail
Gromov” ficou preso no gelo durante meses no Oceano Ártico. Para piorar a
situação, um iceberg gigante começa a se aproximar da embarcação, antecipando um desastre de proporções catastróficas. Em meio a esta situação de desespero, o capitão Petrov
(Pyotr Fyodorov) é demitido do cargo por ter sido acusado de causar o acidente.
Em seu lugar chega o capitão Sevchenko (Sergey Puskepalis), um cara autoritário
e sempre de mau-humor, não sendo, por isso, bem recebido pela tripulação. Aos
poucos, começa a faltar combustível para gerar energia, água potável e comida,
o que torna a situação ainda mais desesperadora. O cenário tem tanto gelo que
você é capaz de achar que colocar um copo de uísque embaixo da telinha pode
acontecer de cair uma pedra. Aliás, a ambientação e os efeitos especiais são de
primeira, aumentando ainda mais a tensão reinante. Enquanto isso, as
autoridades da marinha soviética tentam prestar socorro ao navio, enviando um
outro quebra-gelo e helicópteros. Mas enquanto a “cavalaria” não chega, a tripulação
do Mikhail Gromov” vai comer o pão que o diabo amassou – se tivesse pão, é
claro. O elenco é desconhecido para mim, com uma reduzida participação de atrizes. O destaque, do lado feminino, fica mesmo para "Susha", a cadelinha-mascote da tripulação. O filme é muito interessante, muito bem feito e é valorizado por uma
história incrível de sobrevivência, que, confesso, nunca tinha ouvido falar. Vale a pena!
segunda-feira, 20 de abril de 2020
“INIMIGOS ÍNTIMOS” (“FRÈRES ENNEMIS”), 2018,
França, produção Netflix, 1h52, direção de David Oelhofen, que também assina o
roteiro em conjunto com Jeanne Aptekman. Trata-se de mais um bom filme policial
e de ação do cinema francês. A história tem como pano de fundo a questão da
delinquência entre os imigrantes que há muitos anos ingressam na França aos
borbotões. No caso de “Inimigos Íntimos”, envolve um dos guetos mais perigosos
e violentos da periferia de Paris, dominado pelos árabes, muitos dos
quais envolvidos com assaltos e tráfico de drogas. O detetive Driss (Reda Kateb)
cresceu nessa parte da periferia, fez muitos amigos e agora está do lado da
lei. Entre os seus amigos mais íntimos estão Manuel Marco (o ator belga
Matthias Schoenarts) e Imrane Mogalia (Adel Bencherif), ambos envolvidos no tráfico
de drogas. Até que um dia Imrane é assassinado numa emboscada e Manual quase morre junto. As suspeitas
recaem sobre uma gangue rival, provavelmente por questões envolvendo a disputa
do mercado das drogas. Manuel Marco quer vingar a morte do amigo e, para isso,
pede ajuda a Driss. Os dois tentarão trabalhar juntos para identificar os
criminosos, tarefa que se torna bastante difícil porque Driss, por ter sido
criado no gueto, nunca foi de confiança de seus colegas policiais. Manual acaba
sendo perseguido pelos assassinos de Imrane e pela própria polícia. É mais um thriller
psicológico, que prioriza o relacionamento entre o pessoal do gueto, suas
tradições religiosas e familiares e,
principalmente, os laços de amizade que os unem, em detrimento da ação, embora reserve
alguns bons momentos de violência, pancadarias, tiros e perseguições. Lembro
ainda que roteiro foi baseado no livro “Frères Annemis”, de 1992, escrito pelo
búlgaro radicado em Israel Michael Bar-Zohar. Destaco a atuação desses dois
grandes nomes do cinema europeu da atualidade, o belga Matthias Schoenarts, do “Ferrugem
e Osso”, e o francês Reda Kateb, de “Django”, no qual interpreta o lendário guitarrista
de jazz Django Reinhardt, e de “Longe dos Homens”, também dirigido por David
Oelhofen. Como já afirmei no início deste comentário, “Inimigos Íntimos” é mais
um excelente filme de ação francês. Para quem gosta do gênero é tiro certo!
sábado, 18 de abril de 2020
“FIVE”, 2016,
França, 1h42m, filme de estreia no roteiro e na direção do ator Igor Gotesman (ele
atua como um dos cinco amigos de “Five”). Trata-se de uma comédia simpática e
agradável de assistir, daquelas que deixam os nossos neurônios em descanso. Só
diverte mesmo. É a história de cinco amigos de infância que fizeram um pacto de
morar juntos, como uma família, quando fossem adultos, o que eles conseguem
alugando um belo apartamento em Paris. Cada um contribuindo com sua parte com o
aluguel e demais despesas. Eles são Samuel (Pierre Niney), Timothy (François
Civil), Vadim (papel do diretor Gotesman), Nestor (Idrissa Hanrot) e a bela
Julia (Margo Bandilhon), que todo mundo respeita como uma irmã, mas que no
fundo todos gostariam de levar para a cama. Embora a amizade seja forte e
aparentemente indestrutível, não será nada fácil a convivência, pois cada um
tem uma personalidade diferente dos outros. Samuel engana o pai dizendo que
está na faculdade de medicina, mas na verdade gasta todo o dinheiro em farras.
Timothy é um maconheiro crônico, vive chapado o dia inteiro. Nestor é o
garanhão da turma, vive se metendo em encrencas amorosas, sendo que uma delas terá grande importância no desfecho. Julia e Vadim são os mais centrados, pois vivem um romance escondido. Enfim, eles
encaram uma rotina como uma família qualquer, até a hora em que é preciso
assumir as despesas do apartamento. Samuel perdeu a mesada do pai e os demais
se viram como podem. Na hora em que começa a faltar dinheiro, tem sempre aquele
que apresenta uma ideia mirabolante. No caso, vender maconha, ao invés de só
consumir. Claro que terão que se envolver com traficantes e cada vez mais a
situação vai se complicando. O ator Pierre Niney é o mais conhecido do elenco,
tendo participando de filmes interessantes como “Yves Saint Laurent”, “20 Anos
+ Jovem” e o maravilhoso “Frantz”, do diretor François Ozon. Destaco ainda a
participação da diva Fanny Ardant no papel dela mesma. Não há dúvidas de que o
filme apresenta algumas situações hilariantes e cenas de boa comédia, mas o
resultado final é um tanto pífio. Em todo caso, para descontrair, vale a pena a
pena assistir.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
“KILLERMAN: A LEI DAS RUAS” (“KILLERMAN”),
2019,
Estados Unidos, 1h52, roteiro e direção de Malik Bader (que também atua no
filme no papel do personagem Martinez). Trata-se de um filme policial centrado
em Moe Diamond (o australiano Liam Hemsworth, irmão mais novo do também ator
Chris Hemsworth), um sujeito que desde muito jovem entrou para a delinquência
em Nova Iorque. Agora adulto, se especializou em lavagem de dinheiro de origem
ilícita. Estamos falando de milhões de dólares e envolvimento com assaltantes e
traficantes da pesada. Em quase todas essas trambicagens, Moe está ao lado de outro
delinquente, seu amigo de infância Skunk (Emory Cohen). Sem nenhum deles saber,
dois detetives corruptos estão atrás dos dois, loucos para se apropriar da grana
alheia. Eis que surge no pedaço o poderoso traficante Perico (Zlatko Buric),
por coincidência tio de Skunk. Ele pede que o sobrinho e o amigo Moe negociem
um carregamento com outra gangue de traficantes, mas aí o caldo engrossa. O
roteiro até arruma uma perda de memória de Moe. Vai sobrar para todo mundo,
inclusive para a esposa de Moe que está grávida, Lola (Diane Guerrero). O filme
até que tem boas cenas de ação (perseguições, muita violência, sangue jorrando
e momentos de alta tensão), mas o elenco é muito ruim, a começar por Liam
Hemsworth, e a história não me convenceu.
quinta-feira, 16 de abril de 2020

quarta-feira, 15 de abril de 2020
“CRIADO IGUAL” (“CREATED EQUAL” – a
tradução literal para o português é minha, já que o filme ainda não chegou por
aqui), 2017, Estados Unidos, 1h31m, direção do veterano ator Bill Duke.
Roteiristas: Michael Ricigliano, Joyce Renee Lewis, Theta Catalon e Ned Bowman,
que adaptaram a história para o cinema baseados no romance de Roger A. Brown. É um filme de
fundo religioso, filosófico e, principalmente, jurídico, já que grande parte
dele tem como cenário um tribunal. A história começa com a jovem Alejandra
Batista (Edy Ganem), noviça que trabalha como auxiliar numa escola para crianças
carentes administrada por freiras católicas. O sonho dela é entrar para o
seminário e se tornar padre. Como o seu pedido é recusado pela Arquidiocese de
New Orleans, ela decide entrar com um processo. Indicado para defendê-la, sem
honorários (o tal pro bono, que os grandes escritórios norte-americanos
de advocacia costumam promover “para o bem público”). O advogado Thomas Reily
(Aaron Tveit) é nomeado para trabalhar no processo. Pessimista quanto ao
resultado final, Thomas começa a acreditar que a fé de Alejandra é tão forte
que pode interferir no resultado final. O caso gera imediata repercussão e logo ganha
uma grande legião de inimigos: os fervorosos católicos, incluída entre eles a
própria mãe de Thomas, além de um radical disposto a assassinar a noviça rebelde.
Começa o julgamento. A defesa dos preceitos da Igreja no tribunal fica a cargo do
Monsenhor Renzulli (Lou Diamond Phillips). Os principais argumentos de Thomas são
baseados na questão da discriminação de gêneros, ou seja, na igualdade de
direitos que nos Estados Unidos é garantida pela constituição. E por aí vão as
discussões, que resultam em diálogos muito interessantes. Batalha dura para Thomas
e Alejandra. Não é fácil modificar uma norma milenar que faz parte do Código do
Direito Canônico da Igreja Católica. No desfecho, quando começam a subir os
créditos, aparece o Papa Francisco dando uma entrevista coletiva falando
justamente sobre esse tema: “Com relação à ordenação de mulheres, a Igreja já
falou que não. A porta está fechada”. Fora os prós e contras, o filme é muito
interessante ao abordar tema tão polêmico. Só achei que a abordagem ficou na
superfície, poderia ir muito mais fundo, ainda mais que trabalharam no roteiro
uma equipe de quatro roteiristas. Achei um outro defeito de roteiro que me
chamou muito a atenção. Durante todo o processo, ninguém orientou Alejandra a ingressar num convento e estudar para ser freira. Dá para assistir "Criado Igual" numa boa e
depois discutir o tema com os amigos. Vai dar briga boa.
segunda-feira, 13 de abril de 2020

“CARRASCO AMERICANO” (“AMERICAN
HANGMAN”), 2019, Canadá, 1h39m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por
Wilson ConeyBeare. Trata-se de um suspense psicológico com alguma violência. Um
psicopata, um tal de Henri Davi (Vincent Kartheiser), sequestra dois homens e
os confina num porão de uma casa. Os reféns não entendem o que está acontecendo
e o maluco demora a esclarecer a razão do duplo sequestro. Um deles é Ron (Paul
Braustein) e o outro é o juiz Straight (Donald Sutherland). O filme segue com
muito papo furado entre o psicopata e a dupla de reféns. O tema das
conversas envolve as falhas do sistema judiciário. Por um erro na sentença de
um caso no passado, o maluco resolve julgar o juiz Straight. Até aí tudo
normal. Só que ele resolve filmar o julgamento e passa a transmiti-lo ao vivo
pela Internet, utilizando as redes sociais. Ainda não contente, o psicopata pede
que os espectadores assumam a responsabilidade de votar se o juiz é culpado ou
inocente. O caso mobiliza o país inteiro e a polícia entre na parada para tentar
descobrir o local secreto onde estão o maluco e seus dois reféns. O filme é
muito ruim, entediante à beira do insuportável, com um elenco medíocre. Difícil acreditar que um ator consagrado como Donald Sutherland
tenha participado desse verdadeiro abacaxi. A única justificativa é que ele
deve estar sem grana. Só pode ser. Mas não cabe a mim julgá-lo, já que o filme
faz isso muito bem. Se puder, fuja a galope!
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