segunda-feira, 11 de maio de 2020

“MENTIRAS PERIGOSAS” (“DANGEROUS LIES”), 2020, Estados Unidos, produção Netflix (estreou dia 30 de abril de 2020), 1h36m, direção de Michael Scott, com roteiro de David Golden. Trata-se de um suspense policial daqueles em que todos os personagens são suspeitos e só no final é revelado o verdadeiro assassino. “Mentiras Perigosas” começa com um casal em dificuldades financeiras. Katie (Camila Mendes) trabalha como atendente em um bar e seu marido Adam (Jessie T. Usher) estuda para ingressar na faculdade de medicina. Ou seja, só o trabalho de Katie não sustenta os gastos do casal. Para reforçar o orçamento, Katie arruma um emprego como cuidadora de Leonard (Elliot Gould), um velho solitário e cheio da grana. Adam também vai trabalhar na casa como jardineiro. A morte misteriosa do velho muda totalmente o destino do jovem casal, pois Leonard deixou um testamento doando toda a sua fortuna para Katie. Aí tem coisa, logo pensou a detetive Chesler (Sasha Alexander), encarregada de investigar o caso. Além do jovem casal, o roteiro coloca como suspeitos um corretor imobiliário (Cam Gigandet), um dono de agência de empregos (Michael P. Northey) e a própria advogada de Leonard (Jamie Chung). Enquanto o suspense segue em frente fornecendo pistas contra todos os personagens, a policial não larga do pé do jovem casal, que já está morando na bela casa do falecido e usufruindo a grana herdada. Recheado de clichês típicos do gênero, “Mentiras Perigosas” chega ao desfecho sem uma conclusão satisfatória, o que acabou prejudicando o resultado final, além de um elenco não muito convincente. De bom mesmo, destaco a presença do veterano Elliot Gould, que eu não via na telinha faz algum tempo, e da atriz Camila Mendes, a “Veronica Lodge” da série Riverdale, que, embora nascida nos EUA, é filha de brasileiros.    

domingo, 10 de maio de 2020


“ENQUANTO A GUERRA DURAR” (“MIENTRAS DURE LA GUERRA”), 2019, Espanha, 1h47m, roteiro e direção do premiado cineasta chileno Alejandro Amenábar, radicado na Espanha desde 1973. Trata-se de um drama histórico baseado em fatos reais, ambientado em 1936 na cidade de Salamanca. Aqui, vivia o famoso escritor e filósofo humanista Miguel de Unamuno (Karra Elejalde), intelectual respeitado por várias correntes de pensamento em toda a Espanha e Europa. Por seu apoio ao governo republicano, Unamuno havia sido nomeado para o importante cargo de reitor da Universidade de Salamanca. A trama do filme gira em torno desse riquíssimo personagem e como ele vê toda a questão histórica que se desenrola na Espanha. Em 1936, descontente com os rumos tomados pelo governo republicano, Unamuno vê com bons olhos o golpe militar iniciado pelos militares comandados pelos generais Emilio Mola (Luis Callejo) e Francisco Franco (Santi Prego) e passa a apoiá-los, o que lhe custa o cargo de reitor da universidade. Porém, quando os militares começam com suas atrocidades, prendendo, torturando e matando intelectuais, professores e artistas, muitos deles seus amigos de longa data, Unamono passa a criticar Franco e os militares, culminando com um violento discurso durante a solenidade na aula magna da Universidade de Salamanca, da qual só saiu vivo por interferência de Carmen Polo (Mireia Rey), justamente a esposa do generalíssimo Franco e sua grande admiradora. O filme é pródigo em diálogos bastante elucidativos sobre a situação política na Espanha naquela época, além de revelar os bastidores de alguns dos momentos mais importantes da Guerra Civil, como, por exemplo, a reunião da junta militar que elegeu Franco como o comandante supremo do golpe. “Enquanto a Guerra Durar” é mais um excelente filme de Amenábar, que já havia nos presenteado com pequenas obras-primas como “De Olhos Abertos”, “Os Outros” e “Mar Adentro”, este último premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2005.  


sexta-feira, 8 de maio de 2020


“O ANJO DO MOSSAD” (“THE ANGEL”), 2018, Estados Unidos, à disposição na plataforma Netflix, 1h43m, direção do diretor israelense Ariel Vromen, que também assina o roteiro com a colaboração de David Arata e Luke Garret. A história é verídica e lembra o episódio envolvendo um dos personagens mais marcantes da espionagem internacional. Estou me referindo a Ashraf Marwan (o ator holandês de origem árabe Marwan Kensari), um oficial egípcio de alto escalão que no início dos anos 70 se ofereceu para ser espião de Israel via Mossad (o serviço secreto israelense). A adesão de Ashraf foi voluntária, revoltado por ter sido humilhado publicamente pelo seu sogro, nada menos do que o presidente do Egito Gamal Abdel Nasser. Genro e sogro nunca se entenderam e Nasser sempre foi contra o casamento. Como mulher acostumada a obedecer ao pai, a esposa Mona (Maisa Abd Elhad) nunca saiu em defesa do marido. Quando aderiu ao Mossad, Ashraf forneceu importantes informações para Israel, a mais vital delas em 1973, durante o feriado judeu do Yom Kippur, dando conta da movimentação bélica dos países árabes, liderados pelo Egito – agora comandado por Anwar Sadat (Sasson Gabai) –, com o objetivo de recuperar territórios tomados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Por causa dessas informações, Israel conseguiu mobilizar seu efetivo militar e derrotar seus inimigos. Dessa forma, Ashraf seria considerado um herói por parte de Israel e, mais tarde, pelo próprio Egito, que concluiu que o seu papel fora fundamental para a realização do acordo de paz entre as duas nações, três anos depois. O mais interessante de “O Anjo do Mossad” é a revelação dos bastidores do trabalho de Ashraf, suas reuniões com o pessoal da alta cúpula militar do Egito, seus encontros secretos com o pessoal do Mossad em Londres e seu dia a dia cada vez mais perigoso, alimentando o clima de tensão cada vez mais crescente durante a projeção. Em vários momentos, Ashraf correu risco de morte, negociou frente à frente com Muammar Gadaffi (Isahi Halevi), ditador da Líbia, e teve muitos problemas com sua família, pois sempre escondeu suas atividades secretas da esposa Mona. Para complicar ainda mais a situação conjugal, Mona descobriria o caso do marido com uma amante londrina, a espetacular Diana Ellis (Hannah Ware) –, mais um fator de estresse para o coitado do espião. Todos esses detalhes só seriam revelados em 2016 no livro “O Anjo: O Espião Egípcio que Salvou Israel”, do escritor e cientista político israelense Uri Bar-Joseph, que serviu de inspiração e base para o roteiro do filme. Eu já conhecia o diretor israelense Ariel Vromen, radicado nos Estados Unidos, de bons filmes como “Mente Criminosa” e “O Homem de Gelo”. Vromen fez mais um excelente trabalho com “O Anjo do Mossad”, um filme obrigatório para quem gosta de conhecer um pouco mais da história mundial recente. IMPERDÍVEL!


quinta-feira, 7 de maio de 2020


“ALTOS NEGÓCIOS” (“BETONRAUSCH”), 2020, Alemanha, já disponível na plataforma Netflix, 1h34m, roteiro e direção de Cüneyt Kaya – é o seu terceiro longa-metragem. Baseado num caso real ocorrido na Alemanha, Kaya conta a história de um rapaz pobre, Viktor Stein (David Kross), que um dia resolve ir para a cidade grande (Berlim) com o objetivo de trabalhar e ganhar dinheiro. No início, arrumou emprego como operário na construção civil, dormiu em bancos de praça, passou frio e mal tinha o que comer. Até que tem a ideia de ingressar no mercado imobiliário, juntando-se a Gerry Falkland (Frederick Lau), um fracassado malandro oficial, e a uma experiente bancária, a bela Nicole Kleber (Janina Uhse). Viktor tem como principal trunfo o seu jeito malandro sedutor e um sorriso cativante, abrindo as portas para vários negócios. Ele e os novos parceiros começam a engendrar esquemas fraudulentos no ramo imobiliário com a retaguarda de empréstimos e financiamentos ilegais junto a bancos e instituições de crédito. Os três ganham bilhões em pouco tempo, mas gastam quase tudo em mansões, carrões, prostíbulos luxuosos e festas regadas a muito álcool e cocaína, o que nos remete ao estilo de vida dos principais personagens do filme “O Lobo de Wall Street”. Trata-se, portanto, de uma história de cobiça e ambição, realizada com muita competência pelo diretor alemão Cüneyt Kaya, que conseguiu impor um ritmo frenético do começo ao fim. Um surpreendente filme alemão que merece ser visto. Imperdível!

terça-feira, 5 de maio de 2020


“EM GUERRA POR AMOR” (“IN GUERRA PER AMORE”), 2016, Itália, 1h39m, roteiro e direção de Pierfrancesco Diliberto (também conhecido como Pif). Trata-se de uma saborosa comédia cujo pano de fundo é uma declarada homenagem aos grandes diretores italianos, como Mario Monicelli, Fellini, Dino Risi e Ettore Scola, entre outros. Como registram os créditos iniciais, o filme é dedicado ao mestre Scola (1931/2016), falecido pouco antes do fim das filmagens. Ambientado em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, “Em Guerra por Amor” conta a história de um amor impossível que começa em Nova Iorque, envolvendo o fracassado Arturo Giammaresi (papel do próprio diretor) e a bela  Flora (Miriam Leone), de uma importante família ligada à máfia. Eles pretendem se casar, mas só que a “famiglia” de Flora escolheu outro pretendente, filho de um chefe mafioso de Nova Iorque ligado ao poderoso Lucky Luciano. Para evitar esse casamento, Arturo precisa viajar à Sicília para pedir a mão de Flora para o seu pai, Don Caló (Maurizio Marchetti), um chefão da máfia local. Mas como viajar para a Sicília em meio à guerra, e, principalmente, sem dinheiro? A resposta chegou num golpe de sorte. No balcão de um bar, Arturo conhece um oficial norte-americano que está à procura justamente de alguém que fale italiano e conheça bem a Sicília, já que há planos dos aliados de utilizarem a região como ponto estratégico no combate ao exército nazista – essa ajuda seria recompensada posteriormente pelos norte-americanos, que colocaram os mafiosos, alguns cumprindo pena, em postos-chave dos governos municipais da Sicília. Aliás, por sua ajuda ao exército norte-americano, o chefão da máfia em Nova Iorque, Lucky Luciano, também recebeu algumas regalias da justiça do Tio Sam. O filme faz uma forte crítica à conexão entre o pessoal da OSS (serviço secreto norte-americano da época) e a máfia italiana, o que favoreceu o crescimento e o fortalecimento da organização criminosa tanto nos EUA como em território italiano. Enfim, o filme acompanha, com muito humor, a aventura de Arturo para chegar até o pai de Flora, sua amizade com o oficial norte-americano Philip Chiamparino (Andrea Di Stefano) e até sua presença na Casa Branca, em Washington, para entregar um importante documento secreto ao presidente dos EUA. Durante o filme, percebi várias homenagens a Fellini, como os tipos esquisitos e caricaturais, o cego (“Amarcord”) e a cena do helicóptero (“A Doce Vida”). Com relação ao fato de que “Em Guerra por Amor” foi dedicado à memória do grande Ettore Scola, gostaria de mencionar aqueles que considero seus melhores filmes, alguns deles verdadeiras obras-primas, como “O Baile", “Nós que nos Amávamos Tanto”, “Um Dia Muito Especial”, “O Jantar”, “Feios, Sujos e Malvados” e “Splendor”, este último uma bela homenagem ao cinema. “Em Guerra por Amor” é um filme que remete às melhores comédias italianas dos anos 40/50/60/70 do século passado. Nostálgico, engraçado e sensível, além de uma primorosa reconstituição de época, “Em Guerra por Amor” é um filme obrigatório para quem gosta do bom cinema.  

segunda-feira, 4 de maio de 2020


“VIVER DUAS VEZES” (“VIVIR DOS VECES”), 2019, Espanha, produção Netflix, 1h41m, direção de María Ripoll, com roteiro assinado por María Mínguez. Mesmo tratando de temas não muito agradáveis, como o Mal de Alzheimer e a deficiência física infantil, essa produção espanhola, para amenizar o contexto, tira partido de muito humor e de momentos de alta sensibilidade. Ou seja, “Viver Duas Vezes” diverte e emociona na dose certa, transformando-se num filme bastante agradável de assistir. A história é centrada no professor universitário aposentado Emílio (Oscar Martínez), um gênio da matemática reconhecido no mundo inteiro. Chega o dia em que ele começa a ter alguns apagões, como esquecimentos e desorientações, confirmando-se, depois de alguns exames médicos, que ele sofre do Mal de Alzheimer. Ele começa a ter atitudes esquisitas, como sair à noite pelas ruas de pijama e jogar para o alto a comida. Nesses casos, claro, o doente precisa ser vigiado o dia inteiro, tarefa que acaba recaindo sobre a família, no caso, a filha Julia (Inma Cuesta), o genro Felipe (Nacho López) e a neta Blanca (Mafalda Carbonell), uma garota esperta que enfrenta, desde que nasceu, uma grave deficiência nas pernas. Independente desse problema, Blanca é uma garota muito esperta que adora colocar palavrões em suas frases, para desespero dos pais. No dia em que Julia recebe o pai para almoçar e expõe não saber o que fazer, Blanca dá o recado na lata: “Mãe, leva ele para o asilo. É o que todo mundo faz”. A garotinha é terrível mesmo, mas é ela que será a cúmplice do seu avô numa grande aventura. Emílio resolve tentar encontrar um antigo amor de infância, uma tal Margarita. Blanca tentar ajudar o avô navegando pelas redes sociais e descobre uma possibilidade na cidade de Navarra. Emílio e a neta partem para a estrada, mas não contavam com um problema mecânico no velho automóvel. Avô e neta ficam retidos num posto de gasolina à espera de Júlia e do marido. O road movie continua, pois Júlia decide, tal qual Blanca, ajudar Emílio em seu sonho quase impossível. Além da história marcante, é sem dúvida no elenco que está o maior trunfo de “Viver Duas Vezes”. A começar pelo grande ator argentino Oscar Martínez (“Ninho Vazio”, “Cidadão Ilustre”, “Relatos Selvagens” e “Inseparáveis”, este último refilmagem da comédia francesa “Intocáveis”). E a sensacional espanhola Inma Cuesta, que além de bonita é excelente atriz. Lembro dela em filmes como "Branca de Neve", "Todos já Sabem", "La Novia" e "La Voz Dormida". Mas a grande surpresa positiva é a presença de Mafalta Carbonell, cuja ótima atuação (de estreia no cinema) garante os momentos mais divertidos. A diretora Maria Ripoll, ao dirigir "Ahora o Nunca" ("Agora ou Nunca"), em 2015, alcançou a posição invejável de diretora com a maior bilheteria da história do cinema espanhol. Enfim, “Viver Duas Vezes” é um filme bastante sensível, diverte e emociona. Mais uma joia preciosa lapidada pelo cinema espanhol. IMPERDÍVEL!

sábado, 2 de maio de 2020


“UMA CRIATURA GENTIL” (“KROTKAYA”), 2017, uma inusitada coprodução França/Ucrânia/Alemanha/Lituânia/ Rússia/Holanda, 2h40m, roteiro e direção de Sergey Loznitsa (cineasta ucraniano mais conhecido como realizador de documentários). Inspirado num conto do escritor russo Fiódor Dostoiévski, datado de 1876, Loznitsa construiu uma história triste e melancólica adaptada aos tempos atuais, envolvendo uma mulher simples (a atriz russa Vasilina Makovtseva), cujo marido está preso acusado de assassinato. Um dia ela vai à agência do correio de seu vilarejo e recebe um pacote com o selo “retorno ao remetente”. Trata-se da última encomenda que ela enviou ao marido na prisão. Preocupada com a situação, a mulher (seu personagem não tem nome) deixa sua casinha e começa um verdadeiro road movie pelo interior da Rússia, de trem e de ônibus, percorrendo diversas aldeias e vilarejos onde a pobreza está bem à vista, até chegar ao presídio. Durante esse périplo, ela conviverá com prostitutas e bêbados, ou seja, gente da pior qualidade. Também encontrará pessoas que ainda idolatram Stalin e conhecerá a fundo a terrível burocracia das instituições públicas russas. Quando pede ajuda, é repelida como se fosse uma prostituta, ainda mais por ser mulher de um presidiário. Do começo ao fim dessa angustiante jornada, a atriz russa Vasilina Makovtseva conserva a mesma expressão de tristeza e infelicidade, limitando-se a falar o menos possível e sempre com um semblante fixo que exala dor e sofrimento. Belo trabalho dramático da atriz. O filme estreou durante o 70º Festival de Cinema de Cannes (2017), onde concorreu à Palma de Ouro, foi muito elogiado e rotulado como uma crítica contundente ao presidente Putin. Aqui no Brasil, foi visto na programação oficial do Festival Internacional de Cinema do Rio, em dezembro de 2019. “Uma Criatura Gentil” passa longe de ser um entretenimento agradável de se ver, mas não deixa de ser um filme de grande impacto político e social.  

sexta-feira, 1 de maio de 2020


“CLOSE”, 2019, Inglaterra, 1h34, produção Netflix (estreou dia 18 de janeiro de 2019), roteiro e direção da cineasta inglesa Vicky Jewson. Trata-se de um filme de ação centrado na agente especial Sam Carlson (Noomi Rapace), especialista em segurança e contra-terrorismo, que trabalha para uma agência internacional particular. Na história, Carlson é contratada para trabalhar como guarda-costas da jovem Zoe Tanner (Sophie Nélisse), herdeira de uma das maiores mineradoras do mundo localizada no Marrocos. Quando seu pai e dono da empresa morre, deixa no testamento todas as ações da mineradora para Zoe, o que deixa furiosa a sua madrasta Rima Hassine (Indira Varma). Para tratar de negócios da agora sua empresa, Zoe é obrigada a ir para o Marrocos acompanhada de Carlson. Mas a viagem não começa bem, pois tem muita gente planejando sequestrar a nova milionária em troca de um resgate. Aí é que entra em ação a experiência da sua guarda-costas, que é boa de briga, sabe atirar, bater e se defender. Só para ilustrar, a cineasta Vicky Jewson disse que, para escrever o roteiro, foi inspirada em Jacquie Davis, uma experiente guarda-costas inglesa, conhecida por ter trabalhado para celebridades como Diana Ross, Cate Blanchett, Nicole Kidman e J.K. Rowling, além de prestar segurança a membros da família real britânica. A atriz sueca Noomi Rapace, a Lisbeth Salander da série Millenium (“Os Homens que não Gostavam de Mulheres” etc.) é o grande destaque do elenco - é boa de briga e atua com desenvoltura nas cenas de ação. “A Menina que Roubava Livros” – a atriz canadense Sophie Nélisse – cresceu e virou um mulherão. Resumo da ópera: “Close” tem boas cenas de ação e prende a atenção até o final, garantindo um bom entretenimento.  

terça-feira, 28 de abril de 2020



“BORDER” (“GRÄNS”), 2018, Suécia, 1h50m, direção de Ali Abbasi, cineasta radicado em Estocolmo desde 2002. Ali também assina o roteiro, com a colaboração de John Ajvide Lindquist e Isabella Eklöf. O filme é bastante perturbador, provocador, difícil de digerir, um terror psicológico que utiliza dois personagens bastante grotescos. O filme é “Uma fábula nórdica contemporânea sobre o ser humano”, como bem definiu a crítica Vanessa Parenari em seu comentário. A história é centrada em Tina (Eva Melander), uma mulher de 30 anos que trabalha como policial da alfândega de um aeroporto e às vezes no porto. Ela tem o rosto completamente deformado, uma criatura que inspira medo e, ao mesmo tempo, pena. Mas como profissional da área é muito respeitada pelos colegas e superiores. Depois de ser atingida por um raio na infância, Tina desenvolveu uma espécie de sexto sentido para identificar indivíduos suspeitos, utilizando sempre o seu olfato aguçado para detectar bagagens e objetos de origem ilícita. Sua vida começa a mudar quando ela intercepta Vore (o ator finlandês Eero Milonoff), um sujeito tão grotesco quanto ela. Tina desconfia de Vore, mas não sabe identificar o que há de errado. Os dois acabam se cruzando novamente e iniciam uma forte amizade. Vore é realmente muito estranho: come minhocas, larvas e insetos vivos. Além disso, costuma uivar à noite. Vore diz a Tina que ambos são trolls, ou seja, criaturas não humanas criadas pelo folclore escandinavo. “Border” concorreu ao Oscar 2019 na categoria Melhor Maquiagem. Não ganhou, mas realmente foi um trabalho espetacular. Mais ainda depois que a gente conhece os atores que viveram os personagens, ambos normais – a sensacional atriz sueca Eva Melander até que é bonita. O filme estreou no Festival de Cinema de Cannes 2018, onde foi o vencedor da Mostra “Um Certain Regard” (“Um Certo Olhar”). Ao mesmo tempo, ganhou do público e da crítica o título de filme mais bizarro e esquisito do ano. Recomendo somente para um público muito especial, ávido de novidades cinematográficas.    


“SERGIO”, 2019, Estados Unidos, produção Netflix, 1h58, direção de Greg Baker. Esta é a biografia romanceada do carioca Sérgio Vieira de Mello, que se destacou como alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, realizando missões em vários países em conflito. Seu trabalho ganhou maior evidência nos anos 90 e no início dos anos 2000. Sua missão mais importante e bem sucedida foi quando esteve no Timor Leste, país sob o domínio da Indonésia. Ele negociou tanto com o líder dos rebeldes Xamana Gusmão como com Abdurrahman Washid, presidente da Indonésia. Sérgio convenceu Washid a não só permitir a independência do Timor Leste como também pedir desculpas ao povo timorense pela truculência do regime que resultou em milhares de mortos. Pouco depois, Sérgio seria enviado para Bagdá, no Iraque, para assumir a sede da ONU no Hotel Canal. Aqui, ele cometeria um erro fatal: dispensou a segurança das tropas do exército dos EUA, o que lhe custaria a vida e a de outras dezenas de pessoas num violento atentado à bomba em 2003. Para contar toda essa história, o diretor Greg Baker contou com o roteiro escrito por Graig Borten, que se inspirou na biografia de Sérgio Vieira de Mello intitulada “O Homem que Queria Salvar o Mundo”, da historiadora Samantha Power. Lembro ainda que o diretor Greg Baker já havia realizado, em 2009, o documentário “Sergio”, sobre o mesmo personagem. O elenco do filme tem Wagner Moura no papel principal, a atriz cubana Anna de Armas como Carolina Larriera, a segunda mulher de Sérgio, além de Bradley Whitford, Brian F. O’Byrne e Clarisse Abujamra. Trata-se de um filme obrigatório para quem conhecer um pouco da vida desse brasileiro ilustre, humanista ao extremo, que dedicou sua vida profissional a construir a paz pelo mundo afora.  

segunda-feira, 27 de abril de 2020



“DRY MARTINA”, 2019, coprodução Chile/Argentina à disposição na plataforma Netflix, 1h35m, roteiro e direção do cineasta chileno Che Sandoval. Trata-se de um misto de romance, comédia e drama, com muito erotismo e sexo. A história é centrada em Martina (Antonella Costa), uma cantora romântica com repertório brega que teve o seu auge da fama na Argentina nos anos 90. Depois disso, em franca decadência, continuou cantando em botecos à noite, na maioria das vezes não sendo reconhecida pelo público.  Ao seu declínio artístico junta-se a carência afetiva e, principalmente, a falta de sexo. Nunca mais foi a mesma depois do último namorado, atravessando um período literal de seca, com falta de sexo e sem o prazer de antes. Daí o título “Dry Martina”. Mas a situação mudaria quando ela conhece a espevitada Francisca (Geraldine Neary), que chegou do Chile dizendo-se sua maior fã e, pior, sua irmã de sangue. Ao mesmo tempo em que se surpreende com a grande novidade, Martina fica conhecendo o namorado bonito de Francisca, o jovem César (Pedro Campos). É aí que ela volta a pegar fogo, leva o rapaz para a cama e, finalmente, volta a sentir prazer. Paixão carnal à primeira noitada. Quando César e Francisca voltam a Santiago, Martina fica desesperada e parte para a capital chilena com a desculpa de rever a irmã e quem sabe conhecer seu pai biológico, Nacho (Patricio Contreras), mas na verdade ela queria se jogar na cama com César. E dá-lhe sexo – cenas de forte erotismo, mas nada explícito. Como verdadeira “ninfómana”, como se diz em espanhol, a fogosa Martina parte para o ataque em várias frentes. A atriz Antonella Costa, italiana de nascimento e radicada desde os 4 anos de idade na Argentina, cumpre muito à vontade esse papel de “sedienta de amor”. Ela não é muito bonita, mas bastante sensual. Não há muito o que se destacar em “Dry Martina”, com exceção de um excelente trabalho de fotografia – repare na cena inicial, quando Martina canta de vestido prateado. Enfim, um filme fácil de digerir, sem muitos atrativos, mas alerto: tire as crianças da sala.  

domingo, 26 de abril de 2020


“RESGATE” (“EXTRACTION”), EUA, produção da Netflix que estreou mundialmente no dia 24 de abril de 2020, 1h57m, primeiro longa-metragem de Sam Hargrave, mais conhecido como ator, diretor de curtas e roteirista. O roteiro leva a assinatura de Joe Russo, que se inspirou na graphic novel “Ciudad”, também de sua autoria. O ex-soldado das forças especiais Tyler Rake (Chris Hemsworth, ator australiano de “Thor”) trabalha para uma organização de mercenários que viajam por vários países para missões que incluem resgate de reféns, assassinatos e outras atividades secretas, ganhando muito dinheiro para isso. No caso de “Resgate”, Rake recebe a perigosa missão de resgatar o garoto indiano Ovi Mahajan (Rudhraksh Jaiswal), filho de um grande traficante de drogas de Mumbai (antiga Bombaim), que cumpre pena num presídio de segurança máxima. Seus sequestradores pertencem a uma outra organização criminosa comandada pelo violento e sádico Amir Asif (Priyanchu Painyuli), com sede em Dhaka, capital do Bangladesh, para onde o garoto é levado. A missão de Tyler Rake não será nada fácil, visto que Asif praticamente manda na cidade de Dhaka, inclusive na própria polícia local. Daí para a frente, dá-lhe tiros, pancadarias, perseguições e muito sangue jorrando. Prepare-se, pois é ação do começo ao fim, transformando “Resgate” num ótimo entretenimento. Destaco no elenco a presença da bela e competente atriz iraniana Golshifteh Farahani no papel da chefe dos mercenários. Logo que estreou, o filme já ganhou uma polêmica, ou seja, a reclamação do escritor brasileiro Paulo Coelho por não ter ganho o crédito como autor de uma frase tirada de um de seus livros, “Diário de um Mago”, e citada durante um dos diálogos. A frase é a seguinte: “Você não se afoga caindo em um rio, mas ficando submerso nele”. Resumo da ópera: “Resgate” é um tiro certo para quem gosta de filmes de ação. Sai da frente que vem chumbo grosso!

sexta-feira, 24 de abril de 2020


“CONDUTA DE RISCO” (“MICHAEL CLAYTON”), 2007, Estados Unidos, 1h59m, roteiro e direção de Tony Gilroy. Mesmo sendo um cinéfilo amador voraz há muitos anos, confesso que não sei como deixei passar em branco este sensacional suspense de Hollywood, indicado a disputar nada menos do que 7 categorias no Oscar 2008. Mesmo realizado em 2007, o filme não perdeu seu forte impacto e continua tão moderno como era na época do seu lançamento. A história é toda centrada no ex-promotor de justiça Michael Clayton (George Clooney), empregado do Kenner, Bach & Ledeen, um dos escritórios de advocacia mais conceituados de Nova Iorque. Sua função é limpar a sujeira deixada por advogados da firma nos casos de maior evidência. No caso de “Conduta de Risco”, Clayton precisa “segurar” as pontas num caso envolvendo o maior cliente do escritório, a U/North. Arthur Edens (Tom Wilkinson) é o advogado encarregado da defesa do grande cliente. Quando se preparava para a defesa, porém, Arthur tem um surto paranoico e resolve, ao invés de defender a U/North, denunciar suas maracutaias. Cabe a Clayton tentar reverter esse quadro. Em meio a esta situação alarmante para sua empresa, Karen Crowder (Tilda Swinton), uma das principais executivas da U/North, decide tomar as rédeas da situação na base da violência. E aí vai sobrar para Arthur e também para Clayton. Pleno de tensão e suspense, o filme tem como principal trunfo o roteiro magistral, escrito pelo especialista Tony Gilroy, de “A Grande Muralha” e “Beirut”, entre outros ótimos filmes. Para melhorar ainda mais, há várias reviravoltas que tornam “Conduta de Risco” um entretenimento de primeira. Só para lembrar, entre as 7 indicações ao Oscar 2008, concorreu nas categorias “Melhor Ator”, “Melhor Roteiro Original”, “Melhor Diretor” e “Melhor Atriz Coadjuvante”, esta última vencida justamente por Tilda Swinton. Além de Tilda, Wilkinson e George Clooney no auge da fama e da forma, destaco no elenco a presença, como ator, do consagrado diretor Sidney Pollack – morto em 2008 -, responsável por grandes filmes como “Três Dias do Condor”, “A Firma” e “Destinos Cruzados”, entre tantos outros. “Conduta de Risco” lembra um saudoso tempo em que Hollywood trabalhava com grandes roteiros. IMPERDÍVEL!  

quinta-feira, 23 de abril de 2020


“À ESPERA DO AMANHÔ (“THEW TOMORROW MAN”), 2019, Estados Unidos, 1h34m, filme de estreia no roteiro e na direção de Noble Jones. O material de divulgação diz que se trata de uma comédia romântica – como não consegui dar um sorriso, sou mais por rotulá-lo de drama romântico. Trata-se de um romance da terceira idade, pois reúne dois setentões à beira dos 80. A história é ambientada numa pequena cidade do interior dos EUA. O aposentado Ed Hemsler (John Lithgow) conhece a viúva Ronnie Meisner (a simpática Blythe Danner, mãe da também atriz Gwyneth Paltrow). Os dois sempre se encontram no supermercado e, conversa vai conversa vem, começam um namoro. Na verdade, ambos se combinam perfeitamente num aspecto: são paranoicos. Há anos que Ed gasta praticamente toda a sua aposentadoria na compra de mantimentos, estocando-os na garagem. Ele acredita que o fim do mundo está próximo. Por seu lado, Ronnie compra tudo o que vê pela frente, mesmo itens completamente desnecessários. Sua casa é um depósito de entulhos. Ela é a famosa acumuladora. O romance entre os dois caminha num ritmo ao qual está acostumado o pessoal da terceira idade. Ou seja, lento à beira do entediante. Com exceção da dupla central de veteranos atores, que segura o filme até o final, nada mais a destacar. Como sonífero, funciona perfeitamente. "À Espera do Amanhã" estreou em janeiro de 2019 durante a programação oficial do Sundance Film Festival (o festival do cinema independente norte-americano).

terça-feira, 21 de abril de 2020


“O QUEBRA-GELO” (“LEDOKOL” – nos países de língua inglesa ficou “The Ice Breaker”), 2016, Rússia, 2h04m, direção de Nikolay Khomeriki, seguindo roteiro escrito por Aleksey Onishehenko. A história é baseada num fato real ocorrido em 1985, quando o navio quebra-gelo  soviético“Mikhail Gromov” ficou preso no gelo durante meses no Oceano Ártico. Para piorar a situação, um iceberg gigante começa a se aproximar da embarcação, antecipando um desastre de proporções catastróficas. Em meio a esta situação de desespero, o capitão Petrov (Pyotr Fyodorov) é demitido do cargo por ter sido acusado de causar o acidente. Em seu lugar chega o capitão Sevchenko (Sergey Puskepalis), um cara autoritário e sempre de mau-humor, não sendo, por isso, bem recebido pela tripulação. Aos poucos, começa a faltar combustível para gerar energia, água potável e comida, o que torna a situação ainda mais desesperadora. O cenário tem tanto gelo que você é capaz de achar que colocar um copo de uísque embaixo da telinha pode acontecer de cair uma pedra. Aliás, a ambientação e os efeitos especiais são de primeira, aumentando ainda mais a tensão reinante. Enquanto isso, as autoridades da marinha soviética tentam prestar socorro ao navio, enviando um outro quebra-gelo e helicópteros. Mas enquanto a “cavalaria” não chega, a tripulação do Mikhail Gromov” vai comer o pão que o diabo amassou – se tivesse pão, é claro. O elenco é desconhecido para mim, com uma reduzida participação de atrizes. O destaque, do lado feminino, fica mesmo para "Susha", a cadelinha-mascote da tripulação. O filme é muito interessante, muito bem feito e é valorizado por uma história incrível de sobrevivência, que, confesso, nunca tinha ouvido falar. Vale a pena!    

segunda-feira, 20 de abril de 2020


“INIMIGOS ÍNTIMOS” (“FRÈRES ENNEMIS”), 2018, França, produção Netflix, 1h52, direção de David Oelhofen, que também assina o roteiro em conjunto com Jeanne Aptekman. Trata-se de mais um bom filme policial e de ação do cinema francês. A história tem como pano de fundo a questão da delinquência entre os imigrantes que há muitos anos ingressam na França aos borbotões. No caso de “Inimigos Íntimos”, envolve um dos guetos mais perigosos e violentos da periferia de Paris, dominado pelos árabes, muitos dos quais envolvidos com assaltos e tráfico de drogas. O detetive Driss (Reda Kateb) cresceu nessa parte da periferia, fez muitos amigos e agora está do lado da lei. Entre os seus amigos mais íntimos estão Manuel Marco (o ator belga Matthias Schoenarts) e Imrane Mogalia (Adel Bencherif), ambos envolvidos no tráfico de drogas. Até que um dia Imrane é assassinado numa emboscada e Manual quase morre junto. As suspeitas recaem sobre uma gangue rival, provavelmente por questões envolvendo a disputa do mercado das drogas. Manuel Marco quer vingar a morte do amigo e, para isso, pede ajuda a Driss. Os dois tentarão trabalhar juntos para identificar os criminosos, tarefa que se torna bastante difícil porque Driss, por ter sido criado no gueto, nunca foi de confiança de seus colegas policiais. Manual acaba sendo perseguido pelos assassinos de Imrane e pela própria polícia. É mais um thriller psicológico, que prioriza o relacionamento entre o pessoal do gueto, suas tradições religiosas e familiares e, principalmente, os laços de amizade que os unem, em detrimento da ação, embora reserve alguns bons momentos de violência, pancadarias, tiros e perseguições. Lembro ainda que roteiro foi baseado no livro “Frères Annemis”, de 1992, escrito pelo búlgaro radicado em Israel Michael Bar-Zohar. Destaco a atuação desses dois grandes nomes do cinema europeu da atualidade, o belga Matthias Schoenarts, do “Ferrugem e Osso”, e o francês Reda Kateb, de “Django”, no qual interpreta o lendário guitarrista de jazz Django Reinhardt, e de “Longe dos Homens”, também dirigido por David Oelhofen. Como já afirmei no início deste comentário, “Inimigos Íntimos” é mais um excelente filme de ação francês. Para quem gosta do gênero é tiro certo!    

sábado, 18 de abril de 2020


“FIVE”, 2016, França, 1h42m, filme de estreia no roteiro e na direção do ator Igor Gotesman (ele atua como um dos cinco amigos de “Five”). Trata-se de uma comédia simpática e agradável de assistir, daquelas que deixam os nossos neurônios em descanso. Só diverte mesmo. É a história de cinco amigos de infância que fizeram um pacto de morar juntos, como uma família, quando fossem adultos, o que eles conseguem alugando um belo apartamento em Paris. Cada um contribuindo com sua parte com o aluguel e demais despesas. Eles são Samuel (Pierre Niney), Timothy (François Civil), Vadim (papel do diretor Gotesman), Nestor (Idrissa Hanrot) e a bela Julia (Margo Bandilhon), que todo mundo respeita como uma irmã, mas que no fundo todos gostariam de levar para a cama. Embora a amizade seja forte e aparentemente indestrutível, não será nada fácil a convivência, pois cada um tem uma personalidade diferente dos outros. Samuel engana o pai dizendo que está na faculdade de medicina, mas na verdade gasta todo o dinheiro em farras. Timothy é um maconheiro crônico, vive chapado o dia inteiro. Nestor é o garanhão da turma, vive se metendo em encrencas amorosas, sendo que uma delas terá grande importância no desfecho. Julia e Vadim são os mais centrados, pois vivem um romance escondido. Enfim, eles encaram uma rotina como uma família qualquer, até a hora em que é preciso assumir as despesas do apartamento. Samuel perdeu a mesada do pai e os demais se viram como podem. Na hora em que começa a faltar dinheiro, tem sempre aquele que apresenta uma ideia mirabolante. No caso, vender maconha, ao invés de só consumir. Claro que terão que se envolver com traficantes e cada vez mais a situação vai se complicando. O ator Pierre Niney é o mais conhecido do elenco, tendo participando de filmes interessantes como “Yves Saint Laurent”, “20 Anos + Jovem” e o maravilhoso “Frantz”, do diretor François Ozon. Destaco ainda a participação da diva Fanny Ardant no papel dela mesma. Não há dúvidas de que o filme apresenta algumas situações hilariantes e cenas de boa comédia, mas o resultado final é um tanto pífio. Em todo caso, para descontrair, vale a pena a pena assistir.   

sexta-feira, 17 de abril de 2020


“KILLERMAN: A LEI DAS RUAS” (“KILLERMAN”), 2019, Estados Unidos, 1h52, roteiro e direção de Malik Bader (que também atua no filme no papel do personagem Martinez). Trata-se de um filme policial centrado em Moe Diamond (o australiano Liam Hemsworth, irmão mais novo do também ator Chris Hemsworth), um sujeito que desde muito jovem entrou para a delinquência em Nova Iorque. Agora adulto, se especializou em lavagem de dinheiro de origem ilícita. Estamos falando de milhões de dólares e envolvimento com assaltantes e traficantes da pesada. Em quase todas essas trambicagens, Moe está ao lado de outro delinquente, seu amigo de infância Skunk (Emory Cohen). Sem nenhum deles saber, dois detetives corruptos estão atrás dos dois, loucos para se apropriar da grana alheia. Eis que surge no pedaço o poderoso traficante Perico (Zlatko Buric), por coincidência tio de Skunk. Ele pede que o sobrinho e o amigo Moe negociem um carregamento com outra gangue de traficantes, mas aí o caldo engrossa. O roteiro até arruma uma perda de memória de Moe. Vai sobrar para todo mundo, inclusive para a esposa de Moe que está grávida, Lola (Diane Guerrero). O filme até que tem boas cenas de ação (perseguições, muita violência, sangue jorrando e momentos de alta tensão), mas o elenco é muito ruim, a começar por Liam Hemsworth, e a história não me convenceu. 

quinta-feira, 16 de abril de 2020


“CARGA BRUTA – LADRÕES CONTRA TRAFICANTES” (“BRAQUEURS”), 2018, França, 1h21m, roteiro e direção de Julien Leclercq. Filme policial com muita ação, tensão, violência e reviravoltas. Uma quadrilha especializada em assaltar carros-forte está aterrorizando a França, agindo, principalmente, em Paris e arredores. O bando é comandado por Yanis Zeri (Sami Bouajila), um imigrante marroquino que vive na capital francesa com a mãe, a irmã e o seu irmão mais novo, Amine (Redouane Behache), que também faz parte da quadrilha. Depois de realizar mais um bem sucedido assalto, acontece um imprevisto dos mais graves envolvendo Amine, que deixa um rastro que pode denunciar sua quadrilha. E não dá outra. Uma poderosa gangue de traficantes descobre que o assalto foi realizado pela turma de Yanis e resolve chantageá-lo. Em troca de não serem denunciados, Yanes e seus comparsas terão de roubar um grande carregamento de heroína. As coisas dão errado e os traficantes começam a perder a paciência, vingando-se nos familiares da turma de Yanes. Destaque para mais uma excelente atuação do ator franco/tunisiano Sami Bouajila, que já trabalhou em outros bons filmes policiais do cinema francês. Estão ainda no elenco Guillaume Gouix e Alice de Lencquesaing. Sem dúvida, mais um excelente filme policial francês. Méritos ao roteirista e diretor Julien Leclercq, que tem no currículo bons filmes de ação como “O Resgate”, “Gibraltar” e “Lukas”.   

quarta-feira, 15 de abril de 2020


“CRIADO IGUAL” (“CREATED EQUAL” – a tradução literal para o português é minha, já que o filme ainda não chegou por aqui), 2017, Estados Unidos, 1h31m, direção do veterano ator Bill Duke. Roteiristas: Michael Ricigliano, Joyce Renee Lewis, Theta Catalon e Ned Bowman, que adaptaram a história para o cinema baseados no romance de Roger A. Brown. É um filme de fundo religioso, filosófico e, principalmente, jurídico, já que grande parte dele tem como cenário um tribunal. A história começa com a jovem Alejandra Batista (Edy Ganem), noviça que trabalha como auxiliar numa escola para crianças carentes administrada por freiras católicas. O sonho dela é entrar para o seminário e se tornar padre. Como o seu pedido é recusado pela Arquidiocese de New Orleans, ela decide entrar com um processo. Indicado para defendê-la, sem honorários (o tal pro bono, que os grandes escritórios norte-americanos de advocacia costumam promover “para o bem público”). O advogado Thomas Reily (Aaron Tveit) é nomeado para trabalhar no processo. Pessimista quanto ao resultado final, Thomas começa a acreditar que a fé de Alejandra é tão forte que pode interferir no resultado final. O caso gera imediata repercussão e logo ganha uma grande legião de inimigos: os fervorosos católicos, incluída entre eles a própria mãe de Thomas, além de um radical disposto a assassinar a noviça rebelde. Começa o julgamento. A defesa dos preceitos da Igreja no tribunal fica a cargo do Monsenhor Renzulli (Lou Diamond Phillips). Os principais argumentos de Thomas são baseados na questão da discriminação de gêneros, ou seja, na igualdade de direitos que nos Estados Unidos é garantida pela constituição. E por aí vão as discussões, que resultam em diálogos muito interessantes. Batalha dura para Thomas e Alejandra. Não é fácil modificar uma norma milenar que faz parte do Código do Direito Canônico da Igreja Católica. No desfecho, quando começam a subir os créditos, aparece o Papa Francisco dando uma entrevista coletiva falando justamente sobre esse tema: “Com relação à ordenação de mulheres, a Igreja já falou que não. A porta está fechada”. Fora os prós e contras, o filme é muito interessante ao abordar tema tão polêmico. Só achei que a abordagem ficou na superfície, poderia ir muito mais fundo, ainda mais que trabalharam no roteiro uma equipe de quatro roteiristas. Achei um outro defeito de roteiro que me chamou muito a atenção. Durante todo o processo, ninguém orientou Alejandra a ingressar num convento e estudar para ser freira. Dá para assistir "Criado Igual" numa boa e depois discutir o tema com os amigos. Vai dar briga boa.       

segunda-feira, 13 de abril de 2020


“AUGGIE”, 2019, produzido para a TV norte-americana pela Samuel Goldwyn Filmes, 1h21m, direção de Mat Kanne, que também assina o roteiro com Marc Underhill. É o primeiro longa-metragem da dupla. Trata-se de um misto de ficção científica, fantasia e drama familiar. O arquiteto Felix (Richard Kind) acaba de se aposentar do escritório de arquitetura onde trabalhou 35 anos. De presente de despedida, ele recebe uns óculos da marca Auggie. Ele até estranha, pois a tradição nessas ocasiões é o homenageado receber um relógio de pulso. Como logo descobrirá, os óculos têm um poder muito especial. Ou seja, projetar uma espécie de holograma com uma bela jovem, meiga e sensual, a tal Auggie (Christen Harper). E melhor: a imagem é como se fosse real, interagindo com a pessoa que está usando os óculos. Vivendo um casamento morno de muitos anos com Hilary (Larisa Oleynik), o quase sessentão Felix começa a se entusiasmar mais do que devia, a ponto de chamar a atenção da esposa e da filha com seu comportamento muito estranho. Enfim, ele se apaixona pela imagem e começa a ficar doidão, colocando em risco o próprio casamento. O filme se arrasta num ritmo entediante e se você é homem, pelo menos terá como atrativo a bela Christen Harper, realmente uma menina de virar a cabeça de qualquer um.  


“CARRASCO AMERICANO” (“AMERICAN HANGMAN”), 2019, Canadá, 1h39m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Wilson ConeyBeare. Trata-se de um suspense psicológico com alguma violência. Um psicopata, um tal de Henri Davi (Vincent Kartheiser), sequestra dois homens e os confina num porão de uma casa. Os reféns não entendem o que está acontecendo e o maluco demora a esclarecer a razão do duplo sequestro. Um deles é Ron (Paul Braustein) e o outro é o juiz Straight (Donald Sutherland). O filme segue com muito papo furado entre o psicopata e a dupla de reféns. O tema das conversas envolve as falhas do sistema judiciário. Por um erro na sentença de um caso no passado, o maluco resolve julgar o juiz Straight. Até aí tudo normal. Só que ele resolve filmar o julgamento e passa a transmiti-lo ao vivo pela Internet, utilizando as redes sociais. Ainda não contente, o psicopata pede que os espectadores assumam a responsabilidade de votar se o juiz é culpado ou inocente. O caso mobiliza o país inteiro e a polícia entre na parada para tentar descobrir o local secreto onde estão o maluco e seus dois reféns. O filme é muito ruim, entediante à beira do insuportável, com um elenco medíocre. Difícil acreditar que um ator consagrado como Donald Sutherland tenha participado desse verdadeiro abacaxi. A única justificativa é que ele deve estar sem grana. Só pode ser. Mas não cabe a mim julgá-lo, já que o filme faz isso muito bem. Se puder, fuja a galope!