
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

sábado, 11 de janeiro de 2020
Bruce Willis continua duro de
matar, mas seus últimos filmes são duros de aguentar, de engolir, de assistir.
Em quase todos eles Willis aparece pouco, mas seu nome surge sempre em destaque
nos materiais de divulgação, como se ele fosse o protagonista principal. Além
do mais, Willis está nitidamente sem fôlego para atuar em filmes de ação. Fora
que nunca foi um bom ator e agora piorou muito. Se alguém tiver alguma dúvida a
respeito de tudo isso que escrevi, assista ao recente suspense policial “CENTRO
DO TRAUMA” (“TRAUMA CENTER”), 2019, EUA, 1h26m, direção do cineasta
iraniano radicado na América Matt Eskandari, com roteiro de Paul J. Da Silva. A
história toda gira em torno de Madison Taylor (Nicky Whelan), que por um azar
acaba testemunhando o assassinato de um policial. Embora não possa identificar
os dois atiradores, ela recebeu um tiro na perna e a bala pode denunciar a quem
pertence o revólver do assassino. Os dois vilões conseguem descobrir que
Madison está internada num hospital. Como também são policiais – da Narcóticos
-, acabam tendo livre acesso às dependências do hospital. Seu objetivo é
retirar a bala da perna da moça. Enquanto isso, nada de Willis, cujo personagem
é o tenente Steve Swake. Por um bom tempo, Madison consegue fugir dos vilões até
a chegada da cavalaria, ou seja, o pangaré Willis. A ação transcorre à noite, o
hospital no maior silêncio, enquanto em alguns andares Madison tenta se
esconder dos bandidos. Muito barulho, inclusive tiros, mas nada chama a atenção
nem dos seguranças do hospital e muito menos dos médicos e enfermeiras. Tenha
dó! Os atores Tito Ortiz e Texas Battle, os vilões, são tão medíocres que
chegam a ser cômicos. Posso apontar como únicos destaques a presença da bela
atriz australiana Nicky Whelan e a aparição do ator Steve Guttenberg, que andava
sumido das telas – pelo menos faz tempo que não o vejo. “Centro do Trauma” é um
enorme abacaxi, daqueles que vem com a Carmem Miranda pendurada.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

domingo, 5 de janeiro de 2020
“JT LEROY”, 2018,
coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h48m, roteiro e direção de Justin Kelly.
Baseada em fatos reais, a história relembra um caso de grande repercussão
ocorrido nos Estados Unidos em meados da primeira década deste século. Sob o pseudônimo
de JT Leroy, a escritora independente Laura Albert escreveu, em 2000, o livro “Sarah”,
que logo virou best-seller ao retratar a vida sofrida, tumultuada e chocante de
Jeremiah “Terminator” Leroy (o pseudônimo JT Leroy, que assinava o livro), que
todo mundo acreditava ser um personagem real. Em 2001, saiu um novo livro de
Laura Albert, também como JT Leroy: “O Coração é Enganoso Acima de Todas as
Coisas”. Mas, afinal, quem é o JT Leroy na vida real? A curiosidade mexeu com
os meios literários, com a mídia e com os milhões de leitores pelo mundo
inteiro. Até com Hollywood, que queria fazer um filme com JT Leroy. Laura Albert (Laura Dern), a autora verdadeira, teve a ideia de
transformar sua cunhada Savannah Knoop (Kristen Stewart) no tal JT Leroy, uma
falsa jogada de marketing que durou até 2005, quando uma reportagem do Jornal
The New York Times revelou a farsa. Com seu tipo andrógeno, a atriz Kristen Stewart,
que, como o personagem JT Leroy, também é bissexual na vida real, é o grande
destaque do filme, que teve sua estreia mundial no dia 15 de setembro de 2018
no Festival de Toronto. Lembro que o roteiro foi inspirado no livro “Girl Boy
Girl: How I Became JT Leroy”, escrito pela própria Savannah Knoop, que também
ajudou o diretor Justin Kelly a roteirizar a história. Também estão no elenco,
além de Kristen Stewart e Laura Dern, a atriz alemã Diane Kruger, Jim Sturgess
e Courtney Love. Muita gente aqui no Brasil talvez nunca tenha ouvido falar no
caso JL Leroy. Por isso mesmo, o filme pode ser bastante interessante,
valorizado ainda mais pelo excelente elenco e o ótimo roteiro.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
Discutir a relação no
casamento. O assunto já foi abordado inúmeras vezes no cinema, sendo impossível não lembrar do clássico
“Cenas de um Casamento” (1973), do sueco Ingmar Bergman, onde Liv Ullmann e
Erland Josephson discutem a relação durante quase 3 horas de projeção. Em “Kramer
vs. Kramer” (1979), a relação conjugal também foi discutida pelo casal vivido
por Meryl Streep e Dustin Hoffman, culminando numa disputa judicial pela guarda
do filho. Esses dois aspectos – discutir o relacionamento e disputa judicial –
foram incorporados ao drama “HISTÓRIA DE UM CASAMENTO” (“MARRIAGE STORY”),
2019, Estados Unidos, 2h17m, roteiro e direção de Noah Baumbach. No início,
tudo parece correr às mil maravilhas com Charlie (Adam Driver) e Nicole (Scarlett
Johansson). Depois de dez anos de casados, que resultaram no filho Henry (Azhy
Robertson), a relação começa a azedar a partir do momento em que Nicole, uma
atriz de teatro, resolve sair de Nova Iorque para tentar o cinema em Hollywood,
levando o filho a tiracolo. Charlie, diretor de teatro, não se conforma com a
situação e parte para Los Angeles com o objetivo de tentar um acordo. Só que
Nicole contrata a advogada Nora Fanshaw (Laura Dern) e entra com uma ação na justiça
para preservar a guarda do menino e ainda exigir uma grana de Charlie. E por aí
vai a “História de um Casamento”, com muito blá, blá, blá – é verborrágico ao
extremo, como é o estilo do roteirista e diretor Noah Baumbach (dos chatérrimos
“Frances Ha” e “Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe”). Para escrever o
roteiro de “História de um Casamento”, Noah confirmou em entrevista que inseriu
muitos momentos de seu tumultuado casamento com a atriz Jennifer Jason Leigh,
com a qual viveu de 2005 até 2012. Também estão no elenco Alan Alda, Ray Liotta
e Julie Hagerty. Dizem que existe uma grande chance de Adam Driver e Scarlett
Johansson serem indicados ao Oscar 2020. Pode ser, mas o filme em si não chega
a ser uma maravilha. Achei a situação forçada demais e a verborragia reinante chega
a incomodar. Em todo caso, vale uma visita para conferir.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

sábado, 28 de dezembro de 2019
“MAMÃE SAIU DE FÉRIAS” (“MAMÁ
SE FUE DE VIAJE”), 2019, México, 1h40m, roteiro e direção de
Fernando Sariñana. Trata-se de um remake do filme argentino “Mamá se Fue
de Viaje”, de 2017, que também teve uma versão italiana este ano, “10 Giorni
Senza Mamma”. A versão mexicana, tema deste comentário, é muito divertida.
Cassandra (Andrea Legarreta), a dona da casa, resolve tirar umas férias para
fazer um curso de Ioga. Deixou os quatro filhos aos cuidados do pai,
completamente inexperiente na função, pois dedica-se integralmente à empresa
onde trabalha como gerente. Ah, ainda sobrou o cachorro da família, “Canabis”.
Aquelas confusões de sempre: acordar cedo para fazer o café para a criançada, cuidar
das roupas de cada um, deixar comida com o cachorro, levar e buscar no colégio
etc. E ainda ter que cuidar de contratar uma faxineira, pois a antiga sofreu um
acidente e está de licença. Como toda a desgraça não vem sozinha, Gabriel tem
de mostrar serviço na empresa, já que haverá uma promoção para um cargo mais
alto e ele é cotado como favorito. Sua maior chance de conquistar o cargo pode
estar no Dia da Família, um evento anual organizado pela empresa no qual os
funcionários levam suas famílias para participar de brincadeiras, jogos e
muitas diversões. As cenas dessa festa são as mais engraçadas do filme. “Mamãe Saiu
de Férias” é uma ótima dica para uma sessão da tarde com a família. Para rir à
vontade!
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
“EL REINO”, 2018,
Espanha, 2h12m, roteiro e direção de Rodrigo Sorogoyen (“Que Dios nos Perdone”).
Um filme poderoso e impactante, onde os bastidores sujos da política – corrupção,
traições, negociatas etc. – são expostos de forma crua e impiedosa. A história
é inspirada num dos mais famosos esquemas de corrupção da Espanha, o “Caso Gürtel”,
descoberto em novembro de 2007 e que levou gente graúda do Partido Popular (PP)
para a cadeia. No filme, o personagem principal é Manuel López-Vidal (Antonio
de la Torre, ótimo), vice-secretário de um governo regional que está sendo cotado para
ser candidato de seu partido a um alto cargo no governo espanhol. A turma partidária
de Manuel inclui políticos importantes (é nesse grupo que se baseou o título
original do filme). São os chamados “caciques” do partido. Eles se reúnem constantemente
em restaurantes e hotéis luxuosos e até no iate de um deles, além de festinhas
tipo Sérgio Cabral e quadrilha em Paris. O objetivo dessas reuniões é o de
sempre: festejar alguma maracutaia bem-sucedida, derrubar algum inimigo (ou até
um amigo) político e planejar o próximo golpe. Enfim, gente da pior qualidade e
sempre com a pior das intenções (lembram políticos de algum país que você conhece?).
Até que um dia Paco (Nacho Fresnada), um dos políticos da turma de Manuel,
acaba denunciado e preso acusado de conceder contratos públicos a empresas em
troca de dinheiro. As acusações recaem também sobre Manuel, que, ao ver sua
carreira política praticamente arruinada, decide que não vai “cair” sozinho. O elenco
conta ainda com Bárbara Lennie (excelente), Josep Maria Pou, Mónica López, Luis
Zahera e Ana Wagener. “El Reino” foi o grande vencedor do 33º Prêmio Goya de
Cinema (o Oscar espanhol), recebendo nada menos do que 13 indicações. Ganhou em
sete categorias, entre as quais Melhor Diretor, Melhor Ator (Antonio de La
Torre) e Melhor Roteiro Original. Também arrancou elogios entusiasmados quando
foi exibido no 66º Festival de San Sebastian e ainda na Seção “Contemporany
World Cinema” do Toronto International Film Festival/2018. Sem dúvida, um
grande filme. Imperdível!
terça-feira, 17 de dezembro de 2019
PÂNICO NAS ALTURAS (“OTRYV”), 2019,
Rússia, 1h25m, direção de Tigran Sakakyan, que também é autor do roteiro com a
colaboração de Denis Kosyakov e Alexandr Nazarov. É o primeiro longa-metragem
do cineasta russo Tigran. Uma boa estreia, aliás, pois realizou um suspense de
tirar o fôlego. Na noite de Ano Novo, cinco amigos resolver alugar um
teleférico para subir numa montanha dos Montes Urais e de lá descer até a base de
snowboarding. Programa de maluco, enfrentar um frio de muitos graus
abaixo de zero (a cordilheira é uma das mais frias do mundo), tempestades etc.
No meio do caminho, quando estão bem lá no alto, lá embaixo, na sala de
controle, o maquinista sofre um grave acidente, provocando a parada do
equipamento. Ou seja, o teleférico ficou ao sabor do vento, deixando os amigos
apavorados. O filme relata o sofrimento desse pessoal até o desfecho. A gente
acompanha tudo na maior aflição, num alto nível de tensão e suspense, pois a
cada minuto acontece algo para piorar ainda mais a situação. A gente fica com a
impressão de que apenas nós, os espectadores, sobreviveremos. No elenco – para mim, de ilustres
desconhecidos - estão Irina Antonenko (uma atriz russa lindíssima), Anastasiya
Grachyova, Vladimir Gusev, Denis Kostakov (também um dos roteiristas) e Andrey
Nazimov. Um bom programa para quem gosta de sofrer curtindo o sofrimento dos
outros.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

domingo, 15 de dezembro de 2019

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

terça-feira, 10 de dezembro de 2019
“AD ASTRA – RUMO ÀS ESTRELAS”
(“AD ASTRA”), 2019, Estados Unidos, 2h01m, roteiro e direção
de James Gray. Trata-se de uma ficção científica bem arrojada, com uma história
pra lá de mirabolante, maluca mesmo, indicada para quem curte filmes com naves
espaciais e viagens interplanetárias. Estamos num futuro bastante distante, quando
o mundo inteiro de repente é afetado por ondas elétricas vindas não se sabe de
onde e que estão ocasionando apagões em todo nosso planeta. O major Roy McBride
(Brad Pitt), engenheiro e astronauta, é enviado para espaço com o objetivo de
descobrir o que está acontecendo. Ele chega primeiro à Lua e depois a Marte. Em
ambos estão instaladas bases militares espaciais norte-americanas. No meio da
missão, os superiores entram em contato com Roy e dizem ter evidências de que
seu pai, o também astronauta Clifford McBride (Tommy Lee Jones), que se perdeu
no espaço há 20 anos no caminho para Netuno, pode estar vivo. Segundo foi
apurado, Clifford abandonou sua missão inicial e partiu para outras galáxias
tentando provar que existe vida inteligente em outros planetas, ao contrário
das versões oficiais que já comprovaram não existir vida além da Terra (a
afirmação é do filme). Perturbado pela notícia sobre a possibilidade de seu pai
estar vivo, Roy desobedece a seus superiores, sequestra uma nave e parte para
encontrar seu pai, se é que realmente está vivo. Se há algo que deve ser
elogiado no filme de Gray (“Uma Vez em Nova Iorque”, “Z: A Cidade Perdida”) é o
design de produção, com cenários deslumbrantes e uma fotografia das mais
competentes, além de algumas cenas de ação muito bem realizadas. O que me
irritou foi a utilização demasiada da narração em off, na qual Roy
exprime seus pensamentos. Uma chatice que lembra os filmes abomináveis do
intragável cineasta norte-americano Terrence Malick. No mais, “Ad Astra” (momento cultural: do
latim traduzido para o português, “Rumo às Estrelas”) não merece muitos elogios e poucos motivos para recomendá-lo. Mas sou
suspeito em dizer isso, pois nunca fui muito fã de filmes de ficção científica,
principalmente aqueles com naves, astronautas, viagens interplanetárias e alienígenas. Completam o elenco Liv Tyler, Ruth Nega e Donald Sutherland. O filme estreou durante a programação oficial do Festival de Veneza no dia 29 de agosto de 2019. Indicado para aqueles que vivem no mundo da Lua.
domingo, 8 de dezembro de 2019
“CONEXÃO DE ELITE” (“THE
PREPPIE CONNECTION”), 2016, EUA, 95 minutos, feito originalmente para TV, roteiro e direção de
Joseph Castelo (é o seu 3º longa-metragem). A história é baseada em fatos reais
e inspirada na vida de Derek Oatis, um estudante de família pobre que na década
de 80, por intermédio de uma bolsa, conseguiu se matricular numa renomada escola preparatória particular. Para se
enturmar com um grupo de jovens estudantes ricos e bagunceiros, Derek ingressou na turma para
ficar perto de uma menina que ele adorava, mas que namorava um outro cara. Na
convivência com os ricaços da faculdade, Derek percebeu que podia ganhar
dinheiro vendendo cocaína e, assim, ajudar os pais financeiramente. Com a colaboração
de um aluno colombiano cujo pai era embaixador, Derek conseguiu viajar para a
Colômbia e lá entrar em contato com um traficante, arranjar a droga e depois
comercializá-la na faculdade. Fez isso várias vezes, mas abusou da sorte e
acabou preso (o verdadeiro Derek aparece dando um depoimento durante os
créditos finais). O caso foi um escândalo nacional, pois envolveu filhos de políticos
e empresários importantes. No filme, Derek ganhou o nome de Tobias Hammel
(Thomas Mann), assim como os outros personagens tiveram os nomes alterados, provavelmente
por questões judiciais, como Alexis Hayes (Lucy Fry), Ellis Tynes (Logan
Huffman) e Ingrid (Amy Hargreaves), entre outros. Aos 28 anos, o bom ator Thomas
Mann já tem um currículo extenso no cinema, com 5 séries de TV e 26 filmes,
entre os quais “João e Maria: Caçadores de Bruxas” (2013), “Escola de Espiões” (2015),
“Herança de Sangue” (2016) e “Estrada Sem Lei” (2018).
sábado, 7 de dezembro de 2019
“INVASÃO AO SERVIÇO SECRETO” (“ANGEL
HAS FALLEN”), 2019, EUA, 2h1m, direção de Ric Roman Waugh,
que também é autor do roteiro com a colaboração de Katrin Benedikt, Robert Mark
Kamen, Matt Cook e Creighton Rothenberger. Este é o terceiro filme da série que
conta como principal personagem o agente secreto Mike Benning (Gerard Butler, também
protagonista dos dois primeiros, “Invasão à Casa Branca”, de 2013, e “Invasão a
Londres”, de 2016). Desta vez, ou mais uma vez, Mike tenta proteger o
presidente norte-americano Allan Trumbull (Morgan Freeman) de uma conspiração comandada
por integrantes de uma organização ligada à indústria de armas, cujo objetivo é
assassinar Trumbull e provocar uma guerra com a Rússia. Entre eles, alguns ex-agentes secretos que trabalharam com Benning. No primeiro atentado contra
o presidente, durante uma pescaria num lago, os criminosos utilizam um sofisticado
“exército” de drones equipados com bombas. Morre quase todo mundo, numa
espetacular cena de prender o fôlego. Ao longo
das investigações realizadas pelo FBI, descobre-se que existe alguém ligado à
alta cúpula do governo que está vazando informações não só para a imprensa,
como também para a organização criminosa, que não sossega enquanto não matar o
nº 1 dos EUA. Enquanto isso, o pessoal do FBI recebe um dossiê falso que aponta
como o idealizador de toda a trama o próprio Benning, que é obrigado a fugir e
depois tentar provar sua inocência. Leah Benning, esposa do agente, e o pai
dele, Clay Benning (Nick Nolte), acabam também envolvidos na história, correndo
risco de vida. Mas o nosso herói vai resolver tudo da melhor maneira possível,
garantindo um desfecho mais do que previsível. O ator escocês Gerard Butler,
que já esbanjou charme em “O Fantasma da Ópera (2004) e barriga de tanquinho em
“300” (2006), mostra agora uma evidente decadência física. Está meio inchado,
resultado das biritas que adora tomar. Talvez não faça a 4ª versão, se houver. De
qualquer forma, “Invasão ao Serviço Secreto” tem todos os ingredientes de um
bom filme de ação, geralmente um gênero que dá folga aos nossos neurônios. Saco
de pipoca na mão e boa sessão da tarde!
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
“PÁSSARO DO ORIENTE” (“EARTHQUAKE
BIRD”), 2019, coprodução EUA/Japão em conjunto com a Netflix,
1h48m, roteiro e direção do cineasta inglês Wash Westmoreland. A história é
baseada no livro “The Earthquake Bird", de 2001, escrito pela romancista inglesa
Susanna Jones, um grande best seller na época. Tóquio, 1989. A cena
inicial mostra Lucy Fry (Alicia Vikander) sendo interrogada numa delegacia de
polícia sobre o desaparecimento de sua amiga Lily Bridges (Riley Keough).
Durante os diálogos, surpreende como a sueca Vikander domina o idioma japonês.
Tinha que ser assim, pois seu personagem mora já há cinco anos no Japão. Lucy trabalha
como tradutora numa empresa no centro de Tóquio e, aparentemente, é uma jovem
normal e trabalhadora, porém muito solitária. Em flashbacks, o filme
recorda os fatos que antecederam ao sumiço de Lily. Primeiro, o envolvimento
amoroso de Lucy com Teiji (Naoki Kobayashi), um japonês charmoso que trabalha
como cozinheiro num restaurante, mas que nas horas vagas é fotógrafo amador. Os
dois se apaixonam e o romance vai bem até a chegada de Lily dos Estados Unidos.
Ao apresentar Lily a Teiji, Lucy percebe que os dois se atraem e pinta o maior
ciúme. O suspense do filme gira em torno justamente do que Lucy fará a
respeito. Eliminar Lily, como sugere o episódio que se desenrola na delegacia? Como
sugestão para colocá-la como principal suspeita, o filme aborda um fato traumático de seu passado, justamente o que a motivou a se mudar para o Japão. Ou quem sabe Teiji,
que adora retratar pessoas mortas e quer provar seu amor por Lucy? Nada mais é
possível acrescentar para não estragar o final da história. O filme é bastante
interessante, apresentando como um de seus maiores destaques os cenários da
capital japonesa, valorizados pela fotografia deslumbrante do sul-coreano Chung
Chung-hoon. Com relação à história, o diretor Westmoreland (“Para Sempre Alice”
e “Colette”) consegue manter um clima de tensão que nos leva a querer chegar logo
ao fim para descobrir o que realmente aconteceu. Também merecem destaque as
atuações da atriz sueca Alicia Vikander, vencedora do Oscar 2015 de Melhor Atriz Coadjuvante pelo seu
trabalho em “A Garota Dinamarquesa” e protagonista de “Tom Raider: A Origem”
(2018) como Lara Croft. Na vida real, Alicia é casada, desde 2017, com o ator
Michael Fassbender. Quanto à bela e boa atriz Riley Keough, lembro que é filha
da cantora Lisa Marie Presley e, portanto, neta de Elvis. Com quase 1m90 de
altura, Naoki Kobayashi foge um pouco do estereótipo de seus conterrâneos. Além
de ator, o galã Naiki é cantor de um grupo pop, além de dançarino e modelo. Voltando a
“Pássaro do Oriente”, cuja estreia aconteceu dia 10 de outubro de 2019 no BFI
London Film Festival (na Netflix, foi exibido pela primeira vez no dia 5 de novembro
de 2019), trata-se de um filme bastante criativo, bem escrito e dirigido.
Recomendo.
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
“O IRLANDÊS” (“THE IRISHMAN”), 2019,
EUA, direção de Martin Scorsese, distribuição da Netflix (no Brasil, estreou
dia 27 de novembro de 2019). Posso afirmar, com toda certeza, que este é o
grande favorito ao Oscar 2020 em várias categorias. Um épico com a marca registrada
do grande diretor Martin Scorsese. Com roteiro de Steven Zaillian, adaptado do
livro “I Heard You Paint Houses”, escrito por Charles Brandt, a história, baseada
em fatos reais, acompanha, durante décadas, desde o pós-Segunda Guerra Mundial,
a trajetória de Frank Sheeran (Robert De Niro), um simples motorista de
caminhão que transportava carnes para um frigorífico pertencente a um chefão da
Máfia. Aos poucos ele vai se aproximando do crime organizado e logo se transforma
num assassino de aluguel sob o mando de Russel Bufalino (Joe Pesci), chefão
mafioso da Pensilvânia. Também se transforma em homem de confiança e segurança
do lendário líder sindical Jimmy Hoffa (Al Pacino), que mantinha estreitas
ligações com os chefões do crime organizado. Scorsese prioriza a questão da
honra entre os integrantes da máfia italiana, os acordos realizados em mesas de
restaurantes, muitos resultando em mortes encomendadas – sim, há muita
violência -, vinganças, traições e toda a sujeira que envolve a atividade
criminosa. Completam o elenco, entre outros, Karvey Keitel, Bobby Carnevale,
Anna Paquin e Stephen Graham. Mas os destaques são, sem dúvida, os desempenhos
magistrais de De Niro, Pacino e, principalmente, Joe Pesci (aposto que vai
ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante). Eu acreditava que nenhum outro filme sobre
a Máfia superaria “Os Bons Campanheiros”, do próprio Scorsese. E não é que ele
se superou? “O Irlandês” é sensacional, uma obra-prima, 3h30m do mais puro deleite
cinematográfico, um filme que você não quer que termine. Logo depois de seu
lançamento, em 27 de setembro durante o 57º Festival de Cinema de Nova Iorque, “O
Irlandês” já foi considerado o melhor filme de 2019 e o melhor roteiro adaptado
pela National Board of Review, organização que reúne críticos de cinema e profissionais
da indústria cinematográfica norte-americana. Obrigado, Scorsese!
segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

domingo, 1 de dezembro de 2019
“ERA UMA VEZ EM...HOLLYWOOD” (“ONCE
UPON A TIME...IN HOLLYWOOD”), 2019. EUA, 2h40m, roteiro e
direção de Quentin Tarantino. Este é o 9º longa-metragem do diretor
norte-americano e, para mim, o melhor. Ele ambienta a história em 1969, o ano
em que turma do Charles Manson matou a atriz Sharon Tate e amigos, naquela que
é considerada até hoje a maior tragédia ligada à história do cinema. Além de
ser casada com o cineasta polonês Roman Polanski e estar grávida quando foi
assassinada, Sharon (Margot Robbie) era uma atriz em grande ascensão. Este
episódio tão nefasto ocupa grande parte do final do filme de Tarantino. Na
verdade, o grande cineasta norte-americano fez uma comédia satirizando
Hollywood, ao mesmo tempo em que homenageia o Cinema em geral e,
particularmente, o gênero western ou, como nós o chamamos, faroeste. E
Tarantino conhece como ninguém a sua grande paixão, desde que trabalhava como
atendente numa videolocadora. A história é centrada em Rick Dalton (Leonardo Di
Caprio), um ator de grande sucesso em séries de TV que decide arriscar o estrelato
em Hollywood. Quem o acompanha no seu dia a dia é o amigo Cliff Booth (Brad
Pitt), seu dublê oficial há vários anos, além de motorista, segurança e companheiro
nas bebedeiras. Em meio à rotina de trabalho de Rick nos sets de
filmagem, Tarantino acrescenta a aparição de astros da época, como Bruce Lee
(Mike Moh) e um impagável Steve McQueen (Damian Lewis). E ainda utiliza efeitos
especiais para colocar Rick Dalton contracenando em filmes famosos das décadas
de 50 e 60, mais uma das grandes atrações deste filme genial de Tarantino, na
minha opinião, como já disse, o melhor do cineasta. O elenco também conta com
astros do porte de Al Pacino, Bruce Dern, Margaret Qualley, Kurt Russell, Dakota
Fanning, Luke Perry, Austin Butler, Lorenza Izzo, Julia Butters e Rafal
Zawierucha. “Era uma Vez...” estreou na programação oficial do 72º Festival Internacional
de Cinema de Cannes, em maio de 2019. A recepção foi a melhor possível.
Realmente, um filmaço!
Assinar:
Postagens (Atom)