quinta-feira, 6 de junho de 2019


“DARLING”, 2017, Dinamarca, 1h43m, direção de Birgitte Staermose, que também assina o roteiro com a colaboração de Kim Furz Aakeson. A história é centrada em Diana (Danica Curcic), cujo nome artístico é Darling, uma bailarina dinamarquesa de fama mundial e que há muitos anos está radicada em Nova Iorque com o marido Frans (Gustaf Skarsgard), um renomado coreógrafo. A dupla recebe um convite especial de um antigo amigo, Kristian (Ulrich Thomsen), diretor de um famoso teatro de Copenhague, para ambos encenarem o balé clássico “Giselle”. De volta à Dinamarca, o casal inicia os ensaios para a peça, mas a poucos dias da apresentação, Diana se machuca e não poderá mais ser a “Giselle”. Polly (Astrid Grarup Elbo), uma jovem e bela bailarina, é selecionada para o papel principal, iniciando um duro treinamento sob a supervisão da própria Diana, que submete a jovem bailarina a uma enorme pressão psicológica, talvez motivada pelo ciúme de outra assumir o papel que lhe era destinado. Diana também aparentava sentir ciúme do seu marido pela atenção dedicada a Polly durante os ensaios. Pouco antes da estreia, o estresse chega ao seu ponto máximo, a ponto de ameaçar a qualidade do espetáculo. O filme é muito bom, não só pela história bem contada, mas pelo excelente desempenho do elenco, destacando-se a atriz sérvia Danica Curcic radicada na Dinamarca e a jovem e bela atriz Astrid Grarup Elbo, que na vida real também é bailarina da companhia do famoso The Royal Danish Ballet. Um ótimo programa para quem gosta de balé e de cinema de qualidade.        


“A ÚLTIMA RESISTÊNCIA” (“Kiborhy: Heroyi Nikoly Ned Vmyrayut”), 2017, Ucrânia, 1h30m, roteiro e direção de Akhten Seitablaev. O filme é baseado em fatos reais e reproduz um dos episódios mais importantes e sangrentos da Guerra Civil da Ucrânia, ou seja, a disputa pelo Aeroporto Internacional de Donetsk. Aconteceu em 2014. De um lado as forças separatistas pró-Rússia e, do outro, soldados do exército ucraniano. O aeroporto de Donetski, o mais importante da Ucrânia e ocupando uma posição estratégica, já estava praticamente destruído pelo conflito. Em meio à confusão generalizada, havia a suspeita de que o exército da Rússia entraria em ação para resolver de vez a questão. O filme contém diálogos interessantes entre os soldados de cada uma das partes envolvidas, cada um defendendo suas motivações. Entretanto, fica difícil para o espectador entender quem é quem, pois todos acreditam defender a Ucrânia. Embora em alguns momentos o filme possa entediar, existe outros em que a ação toma conta, principalmente nas cenas – muito bem elaboradas - das violentas batalhas que ocorreram para o domínio do aeroporto. Para nós, os atores do elenco – só homens – são ilustres desconhecidos e, por isso mesmo, não há necessidade de citá-los. Vale a pena assistir para conhecer um dos episódios mais marcantes daquela guerra civil que parece não ter fim.   

segunda-feira, 3 de junho de 2019


“ASSUNTO DE FAMÍLIA” (“MANBIKI KAZOKU”), 2018, Japão, 2h1m, roteiro e direção de Hirokazu Koreeda. O filme estreou no 71º Festival de Cinema de Cannes, em maio de 2018, e já conquistou a Palma de Ouro. Foi inscrito para disputar o Oscar 2019 na categoria Melhor Filme Estrangeiro e ficou entre os 9 finalistas. Além disso, em todos os festivais em que foi exibido pelo mundo afora, “Assunto de Família” conquistou a crítica especializada e o público, ratificando o diretor Hirokazu Koreeda como um dos mais destacados cineastas japoneses da atualidade. Em quase todos os seus filmes, ele explora histórias de família, como aconteceu em “Pais e Filhos”, que também ganhou a Palma de Ouro de Cannes em 2013. Em “Assunto de Família”, o foco é na família Shibata: Osamu (Lily Franky), o pai, Nobuyo (Sakura Andô), a mãe, Hatsue (Kiki Kirin), a avó, e mais três adolescentes. São bastante pobres e vivem amontoados numa pequena casa, mas são muito unidos e alegres, fazem suas refeições juntos e conversam bastante sobre o dia-a-dia de cada um. Mesmo diante da situação de penúria em que vivem, eles ainda acolhem a pequena Yuri, uma menina que costuma ser maltratada pelos pais. Apesar de toda essa bondade, a família Shibata guarda segredos muito sombrios, que serão revelados no desfecho. Enfim, mais um belo drama de Koreeda, que, apesar de não ter um happy end, é repleto de momentos comoventes e sensíveis. E que atriz maravilhosa é essa Sakura Andô. Imperdível para quem curte cinema de qualidade.   

domingo, 2 de junho de 2019


“DOGMAN” – 2018, Itália, 1h39m, roteiro e direção de Matteo Garrone. Representante da Itália na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, “Dogman” estreou no 71º Festival de Cannes, em maio de 2018, sendo elogiado pelos críticos e pelo público, além de ver premiado o ator Marcello Fonte com a Palma de Melhor Ator. Uma conquista incrível, já que Fonte nunca foi ator. Na vida real, é jardineiro num centro social em Roma. Sua atuação é impressionante, o maior trunfo do filme. Ele interpreta Marcello, proprietário de um pequeno petshop (“Dogman”) na periferia pobre da cidade de Castel Volturno, em Campânia, sul da Itália. Muito querido pelos moradores do bairro, Marcello tem um carinho todo especial pelos cães que recebe principalmente para dar banho e tosar. Com seu jeito bonachão, ingênuo e simplório, ele costuma se submeter aos maus-tratos de Simone (Edoardo Pesce), um ex-boxeador que vive aterrorizando o pessoal do bairro. Todo mundo morre de medo do sujeito. Além de violento, Simone é viciado em cocaína e quem fornece a droga a ele é justamente Marcello, que nunca recebeu um tostão por isso. Quando cobrou, quase levou uma surra. O relacionamento de Marcello com Simone é o mote da história. Como se fosse uma luta de boxe: Marcello apanha muito durante 12 rounds, mas no 13º vira o jogo também de forma violenta. A caça vira o caçador. Mais um ótimo filme do cineasta italiano Matteo Garrone, que já havia nos brindado com os excelentes “Reality – A Grande Ilusão”, “O Conto dos Contos” e, especialmente, “Gomorra”, ganhador do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2008. Para escrever “Dogman”, Garrone se inspirou num crime ocorrido nos anos 80 que chocou a Itália. Imperdível!   

sábado, 1 de junho de 2019


“15 MINUTOS DE GUERRA” (L’ INTERVENTION”), 2018, França, 1h38m, roteiro e direção de Fred Grivois. A história, baseada em fatos reais, é ambientada em fevereiro de 1976 na então colônia francesa de Djibut, na África Oriental. Terroristas somalianos – a Somália faz fronteira com Djibut – sequestram, na capital Djibut (mesmo nome do país), 21 crianças francesas que ocupavam um ônibus que as levaria para a escola. Sua intenção era atravessar a fronteira, ingressar na Somália e depois exigir da França a soltura de somalianos presos por atos terroristas. Ao chegar perto da fronteira, porém, o ônibus encalha num banco de areia. As forças armadas francesas cercam o local, mas não conseguem impedir que Jane Anderson (a bela atriz ucraniana Olga Kurylenko), professora das crianças, entre no ônibus para tentar salvá-las. Acaba também como refém. Diante da situação caótica, o governo francês envia para Djibut uma força especial do Groupe D’ Intervention de La Gendarmerie Nationale (GIGN) comandada pelo capitão André Gerval (Alban Renoir). São homens treinados para atuar em missões anti-terroristas e a reagir em situações com reféns, tanto na França como em qualquer outro lugar do mundo. André e seus homens querem acabar logo com os terroristas, mas o governo da França impede que eles entrem em ação antes de tentar um acordo diplomático com a governo da Somália. Só que a tensão aumenta quando chega a informação de que um ônibus estaria vindo da Somália para levar as crianças para o outro lado da fronteira. Aí não dá mais para esperar. André Gerval resolve planejar e executar a missão de resgate das crianças, tomando cuidado para que elas não sejam alvejadas. A tensão domina o filme inteiro e o desfecho conta com ótimas cenas de ação, muito bem executadas pelo diretor Grivois. O filme revela-se mais interessante ainda por recordar uma história que estava esquecida no tempo. Recomendo!   

sexta-feira, 31 de maio de 2019


“NO PORTAL DA ETERNIDADE” (“AT ETERNITY’S GATE” – embora seja uma produção francesa, o título original ficou em inglês), 2018, direção e roteiro do cineasta norte-americano Julian Schnabel. A história, baseada em fatos reais, acompanha os dois últimos anos de vida do pintor holandês Vincent Van Gogh (Willem Dafoe), ou seja, a partir de 1888 até sua morte em 1890. Com seu trabalho rejeitado por grande parte das galerias de arte de Paris, Van Gogh, a conselho de seu amigo e mentor Paul Gauguin (Oscar Isaac), segue para o sul da França, mais especificamente para as aldeias de Arles e Auvers-Sur-Oise – suas despesas eram bancadas por seu irmão Theo Van Gogh (Rupert Friend). Em contato direto com a Natureza, o pintor holandês viverá o seu período mais prolífico, quando criou inúmeras obras importantes. Ao mesmo tempo, porém, começará a apresentar sintomas de demência e depressão, fatores que o levaram a cortar a própria orelha. A arte de Van Gogh só seria reconhecida muitos anos após sua morte – o pintor morreu na pobreza. O diretor Julian Schnabel, que além de cineasta é um renomado pintor, reconhecido como um dos mais importantes nomes do neo-expressionismo atual, fez questão de explicar a arte e o pensamento de Van Gogh através de longos e esclarecedores diálogos principalmente com seu amigo Paul Gauguin, com o dr. Paul Gachet (Mathieu Amalric), seu médico no sanatório, e ainda com o padre (Mads Mikkelsen) responsável por sua avaliação psicológica. Como podem perceber, um elenco de luxo, que conta ainda com Niels Arestrup, Lolita Chammah, Vincent Perez, Emmanuelle Seigner e Anne Consigny. Lembro ainda que Schnabel também dirigiu filmes importantes como “O Escafandro e a Borboleta”, “Antes do Anoitecer”, “Miral” e Basquiat – Traços de Uma Vida”. No caso de “No Portal da Eternidade”, Schnabel talvez tenha realizado o melhor e mais interessante filme sobre o famoso e polêmico pintor holandês. Imperdível!                   

quinta-feira, 30 de maio de 2019


“BIGGER – THE JOE WEIDER STORY” (o filme não chegou até aqui e, portanto, ainda não há uma tradução para o título), 2018, EUA, 108 minutos, direção de George Gallo, com roteiro do próprio com a colaboração de Ellen Brown Furman, Brad Furman e Andy Weiss. Afinal, quem é esse tal de Joe Weider? Pois foi ele, ao lado do irmão Ben Weider, quem criou o movimento de fisiculturismo e a prática do fitness. Foi ainda um dos pioneiros na montagem de academias de ginástica, além de fundador da Federação Internacional de Fisicultura e Fitness (IFBB). Joe Weider ficaria ainda mais conhecido por ter descoberto e levado para os Estados Unidos, no início dos anos 70, o austríaco Arnold Schwarzeneger para competir no “Mr. Olympia”, famosa competição internacional de fisiculturismo. Schwarzeneger ganhou e poucos anos depois estava em Hollywood. “Bigger” acompanha a trajetória dos irmãos Weider desde os anos 40, quando moravam com a família de poucos recursos em Montreal (Canadá). Ainda jovens, foram para Nova Iorque atrás de novas oportunidades de trabalho. Joe resolveu editar uma revista sobre fisiculturismo e logo se transformou num grande empresário, uma verdadeira celebridade no mundo dos negócios e dos esportes.  “Bigger” conta toda essa incrível história de pioneirismo e empreendedorismo. O elenco conta com Tyler Hoechlin (Joe Weider), Aneurin Barnard (Ben Weider), a estonteante Julianne Hough (Betty Weider), Kevin Durand (Bill Hauk) e Calum Von Moger (Schwarzeneger), australiano eleito Mr. Universo em 2014. Embora com alguma maquiagem, a semelhança com o jovem Schwarzeneger é impressionante. Enfim, o filme é ótimo, tem uma primorosa recriação de época e, repito, uma história bastante interessante que vale a pena ser conhecida.                    

terça-feira, 28 de maio de 2019


“O PESO DO PASSADO” (“Destroyer”), 2018, Estados Unidos, 2h3m, roteiro de Phil Hay e Matt Manfredi, direção de Karyn Kusama (diretora de origem japonesa nascida no Tio Sam, conhecida por ter assinado filmes como “Aeon Flux”, “Boa de Briga” e “Garota Infernal” – fracos, aliás). “O Peso do Passado” conta a história de Erin Bell (Nicole Kidman), uma policial veterana que não consegue se livrar de um trauma do passado. Vive bêbada e sua aparência é tão horrível que lembra mais um zumbi (uma Nicole Kidman transfigurada como nunca se viu). Quando ainda era uma novata na polícia, ela conseguiu se infiltrar numa gangue de assaltantes de banco juntamente com seu parceiro Chris (Sebastian Stan). Num dos assaltos em que eles também participariam, a coisa foge do controle e acaba em tragédia, culminando com a descoberta, pelos bandidos, das suas verdadeiras identidades. Dezoito anos depois, ainda traumatizada por aquele episódio trágico, Erin recebe a informação de que Silas (Toby Kebbell), o antigo chefe da gangue, voltou a agir. Pronto, ela fica obcecada por se vingar e vai atrás dele e de seus comparsas. Em meio à investigação, Erin ainda enfrenta problemas com sua filha adolescente, Shelby (Jade Pettyjohn), de 16 anos, que insiste em namorar um tipo marginal. Li que o filme foi feito para Nicole ganhar seu segundo Oscar (o primeiro foi por “As Horas”, em 2002). Vamos aguardar... De qualquer forma, é realmente Nicole quem carrega o filme nas costas.                        

domingo, 26 de maio de 2019


“CAFARNAUM” (“CAPHARNAÜM”), 2018, Líbano, duração de duas horas, terceiro longa-metragem escrito e dirigido por Nadine Labaki. Impactante drama centrado no garoto Zain (Zain Al Rafeea), de 12 anos, que mora com a numerosa família num subúrbio de Beirute, onde o cenário é de grande pobreza, com desempregados, crianças famintas, bebês abandonados e refugiados numa situação de miséria. A diretora Labaki não economizou no drama e no realismo, mas conseguiu realizar um filme muito sensível e comovente. Logo que sua irmã preferida Sahar (Haia Izzan), de apenas 11 anos, é prometida e entregue para casar com um homem muito mais velho, Zain se revolta e resolve sair de casa. Passa a morar nas ruas. É quando conhece Rahil (Yordanos Shiferaw), uma refugiada etíope que mora com o filho num casebre caindo aos pedaços num bairro onde vivem centenas de imigrantes ilegais. Para Rahil trabalhar como faxineira num parque de diversões, Zain se oferece para cuidar do bebê e ajudar no sustento de mãe e filho. Um dia, porém, ao realizar uma visita à família que abandonou, Zain recebe uma trágica notícia que o fará tomar uma atitude extrema, sendo preso, julgado e condenado por cinco anos – lá no Líbano, a lei é dura para menores infratores. Lançado durante a programação oficial do 71º Festival de Cannes, “Cafarnaum” disputou a Palma de Ouro e conquistou o Prêmio do Júri. Ganhou ainda o Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no “César” (o Oscar francês), o Prêmio de Público da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, além de ter sido indicado ao Oscar 2019 como Melhor Filme Estrangeiro, ficando entre os cinco finalistas. Mais um belo filme da cineasta e atriz libanesa Nadine Labaki (além de competente, é linda – ela aparece no filme como a advogada de Zain), que já havia nos brindado com pequenas obras-primas como “Caramelo” (2007) e “E Agora, Onde Vamos?” (2011). Informação adicional: Cafarnaum era uma cidade bíblica que ficava na margem norte do Mar da Galileia. “Cafarnaum” é mais um filme para se escrever IMPERDÍVEL com letras maiúsculas. E exclamar: “Viva o Cinema!”.                     

sábado, 25 de maio de 2019


“MINHA FAMA DE MAU”, 2018, roteiro e direção de Lui Farias, 116 minutos. Trata-se da cinebiografia do cantor e compositor Erasmo Carlos. Lui Farias escreveu o roteiro baseado no livro com o mesmo título escrito pelo próprio Erasmo e lançado em 2008 – li e adorei. O filme conta a trajetória de Erasmo desde o tempo (fim dos anos 50) em que era um jovem rebelde e delinquente, sua amizade com Tião Maia (mais tarde, Tim), e sua adoração pelos astros do rock da época, como Elvis Presley, Chuck Berry e, principalmente, Bill Halley & The Comets. O filme também destaca a ascensão artística de Erasmo com a ajuda de Carlos Imperial, o início da amizade e da parceria com o então pouco conhecido Roberto Carlos e com a “ternurinha” Wanderléa. Com imagens de vídeos da época, Lui Farias também relembra o Programa Jovem Guarda, nas tardes de domingo na TV Record, comandado por Roberto, Erasmo e Wanderléa. Para quem curtiu a Jovem Guarda - como eu – o filme é um verdadeiro deleite, traz momentos deliciosos, como a recriação de época e, principalmente, a trilha sonora. Revela ainda como Roberto e Erasmo fizeram algumas de suas canções. "Parei na Contramão", grande sucesso na época, foi composta pela dupla dentro de um ônibus (sim, eles um dia andaram de ônibus). O elenco é outro destaque: o ator capixaba Chay Suede como Erasmo, Gabriel Leone como Roberto Carlos, e Malu Rodrigues como Wanderléa, além de Isabela Garcia (mãe de Erasmo), Bianca Comparato (Nara), Bruno de Luca (Carlos Imperial) e Vinícius Alexandre (Tião Maia). Ainda tem a cantora Paula Toller – mulher do diretor na vida real – fazendo uma ponta como a fofoqueira Candinha. Como aconteceu quando assisti às ótimas cinebiografias de Elis Regina, Tim Maia e Chacrinha, adorei “Minha Fama de Mau”, me diverti muito e, confesso, me emocionei com tantas lembranças boas. Assim como no caso da cinebiografia de Elis, a de Erasmo deverá também se transformar em minissérie. IMPERDÍVEL (com letra maiúscula)!               

quarta-feira, 22 de maio de 2019


“A BUSCA DE CHARLOTTE” (“The Stoler”), 2017, Inglaterra, 98 minutos, direção de Niall Johnson, que também assina o roteiro com Emily Corcoran (atriz que também atua no filme). Se você pensa que o faroeste hostil só existiu nos Estados Unidos, reveja seus conceitos. A distante Nova Zelândia, principalmente na segunda metade do século 19, também teve seus bandidos mascarados, índios (os maoris), aventureiros em busca de ouro, traficantes e saloons, socos e tiros. E até mineiros chineses, veja só. E ainda mocinho e bandido. No caso, mocinha e bandido. Esta produção inglesa, ambientada em 1860, conta a jornada corajosa e heroica de Charlotte Lockton (a bela e competente atriz Alice Eve), de uma família da alta aristocracia inglesa que foi para a Nova Zelândia casar com um rico fazendeiro. Num certo dia, bandidos mascarados assaltam a fazenda, matam o marido de Charlotte e sequestram seu filho ainda bebê. Meses depois, ela recebe uma carta do sequestrador pedindo uma vultosa soma como resgate. Charlotte, sem ajuda de ninguém, segue uma pista que a leva a uma longínqua e inóspita região, frequentada por gente da pior espécie. Nesse lugar, ela descobre quem matou seu marido e sequestrou seu filho. O problema é enfrentá-lo e aos seus capangas. Não lembro de ter assistido algum faroeste ambientado na Nova Zelândia. Por esse ineditismo e como filme de ação, “A Busca de Charlotte” até que vale uma sessão da tarde com pipoca. Tem lá seus momentos de suspense e, repito, a bela Alice Eve.               

terça-feira, 21 de maio de 2019


“UNA”, 2016, Inglaterra, 1h34m, roteiro e direção do australiano Benedict Andrews. Em sua estreia como roteirista e diretor – é mais conhecido como diretor de teatro -, Andrews conseguiu fazer um filme romanceado, embora o pano de fundo da história seja a pedofilia, abuso sexual e estupro. Na verdade, o filme é baseado na peça de teatro “Blackbird”, escrita pelo dramaturgo escocês David Harrower, que se inspirou num caso de um estupro cometido em 2003 pelo ex-fuzileiro norte-americano Toby Studebaker, que sequestrou e abusou de uma menina de 12 anos, acabando na prisão por quatro anos. No filme, a adaptação da peça teatral ganhou uma nova abordagem, aliviando um pouco a conotação de crime sexual. A adolescente Una (Ruby Stokes), de 13 anos, é abusada sexualmente por um homem bem mais velho, Ray (o ator australiano Ben Mendelsohn), seu vizinho e, pior, amigo de seu pai. O caso vai parar na polícia, e Ray vai para a cadeia por quatro anos. Quando sai da prisão, resolve mudar o nome para Peter. Quinze anos depois, Una (agora interpretada por Rooney Mara) reencontra Ray/Peter, que está casado e tem uma filha. Ela quer discutir a antiga relação, talvez se vingar, num acerto de contas? Nessa parte, o diretor Andrews carrega no suspense. Una vai até a fábrica onde Ray/Peter trabalha, tumultua o ambiente e o deixa na maior “saia justa” perante os seus colegas de trabalho. Como terminará a história? Haverá algum corpo estendido no chão? Não vou dar a resposta, que você só terá assistindo. Devo recomendar? Dúvida cruel...                    

domingo, 19 de maio de 2019


“O FAVORITO” (“The Front Runner”), EUA, 2018, produção da Sony Pictures (no Brasil, foi lançado nas plataformas digitais no dia 24 de abril de 2019), 1h54m, direção de Jason Reitman, que também assina o roteiro juntamente com Jay Carson. Baseado em fatos reais, o filme conta a história da ascensão e queda do político norte-americano Gary Hart na década de 80. Senador pelo Colorado, Hart disputou a indicação do Partido Democrata para disputar a presidência dos EUA em 1984, perdendo para Valter Mondale. Quatro anos depois, volta a concorrer e logo passa a ser o grande favorito, mas um escândalo sexual revelado pelo jornal Miami Herald resulta na sua desistência. O filme, inspirado no livro “All The Truth is Out: The Week Politics Went Tabloid”, escrito em 2014 pelo jornalista Matt Bai, aborda os bastidores da campanha de Hart (Hugh Jackman), a rotina árdua e estressante de sua equipe de trabalho comandada por Bill Dixon (J. K. Simmons) e o relacionamento com sua esposa Oletha “Lee” Hart (Vera Farmiga). O filme também retrata, com muita competência, a cobertura da campanha por parte da imprensa, as reuniões de pauta e como trataram da divulgação do caso que Hart mantinha com Donna Rice (Sara Paxton). A direção e o roteiro merecem um destaque especial. A ação transcorre num ritmo quase alucinante, de prender a respiração. Enfim, mais um gol de placa do jovem diretor Jason Reitman, de apenas 41 anos, que já mostrara sua competência como roteirista e diretor em filmes como “Juno”, “Amor sem Escalas”, “Obrigado por Fumar” e “Tully”. Resumo da ópera: um thriller político da melhor qualidade. Imperdível!                  


“NO CORAÇÃO DA ESCURIDÃO” (“First Reformed” – por aqui, alguns DVD’s receberam outro título em português: “Fé Corrompida”), 2017, EUA, 1h48m, roteiro e direção do veterano Paul Schrader. A história é centrada no Reverendo Ernest Toller (Ethan Hawke), da Igreja First Reformed, em Snowbridge, New York. Toller é um ex-capelão militar que carrega na consciência a culpa pela morte do filho que incentivou a se alistar no exército norte-americano. Quando é procurado pela jovem Mary Mansana (Amanda Seyfried), que se diz preocupada com o comportamento do seu marido Michael Mansana (Philip Ettinger), um ambientalista radical, Toller fica sabendo dos graves crimes ambientais praticados por empresas ligadas à Abundant Life, instituição que detém o controle da First Reformed. Quando o ambientalista Michael morre tragicamente, Toller acaba se ligando ainda mais a Mary, paixão que salvará muita gente de um possível atentado. Quem assistir ao filme vai entender o que estou dizendo. Como thriller psicológico, “No Coração da Escuridão” não é um filme fácil de assistir, exige enorme paciência. É verborrágico demais – longas citações da Bíblia e complexas reflexões filosóficas – lento e muito pesado, principalmente por conta da crise existencial do atormentado Toller. Lembrei dos filmes insuportáveis do diretor norte-americano Terrence Malick. De qualquer forma, “No Coração da Escuridão” foi eleito um dos 15 melhores filmes de 2018 pelo site especializado em cinema Rotten Tomatos, além de ter sido também elogiado após sua exibição no Festival Internacional de Veneza 2017. Assista e tire suas próprias conclusões. Para concluir, lembro que Paul Schrader foi o roteirista de “Taxi Driver”, “Touro Indomável” e “A Última Tentação de Cristo”, entre tantos outros.                  

quarta-feira, 15 de maio de 2019


“AMOR ATÉ AS CINZAS” (“JIANG HU ER NÜ”), 2018, China, 2h15m, roteiro e direção de Jia Zhangke. Excelente drama centrado no romance entre a bela e jovem dançarina Qiao (Zhao Tao) e o mafioso Bin (Fan Liao), que domina Datong, cidade da província de Shanxi, nas proximidades da Grande Muralha. Qiao, além de namorada, é o braço direito de Bin nos negócios, a maioria deles ligados a clubes de jogos clandestinos. Numa emboscada que sofre de uma gangue rival, Bin só não foi assassinado graças a Qiao, que utiliza uma pistola para afugentar os agressores. Como a utilização de arma de fogo é crime grave na China, Qiao assume que é dona da pistola e livra o namorado da cadeia. Qiao é julgada e condenada a cinco anos de prisão, período em que Bin fica sumido do mapa, sem nunca tê-la visitado. O filme salta para o dia em que Qiao é libertada e inicia uma longa e atribulada jornada para reencontrar o ex-namorado. Aqui vale ressaltar o enorme talento da atriz Zhao Tao, musa do diretor, para representar a angústia de uma mulher que nunca deixou de ser apaixonada e deseja reatar o romance, numa incontestável prova de amor. O diretor Jia Zhangke, um dos cineastas mais conceituados do atual cinema chinês, de filmes como “As Montanhas se Separam” e “Um Toque de Pecado”, mantém seu estilo impecável de contador de histórias romanceadas, utilizando uma primorosa fotografia e cenários que mostram alguns dos lugares mais interessantes e pitorescos do interior da China. O filme estreou na programação oficial do 71º Festival de Cannes, em maio de 2018, recebendo elogios tanto da crítica como do público. Cinema de qualidade.          

terça-feira, 14 de maio de 2019


“A MELODIA” (“La Mélodie”), 2017, França, 1h42m, direção de Rachid Hami, que também assina o roteiro em conjunto com Guy Laurent e Valerie Zenatti. É o segundo longa-metragem dirigido por Hami (o primeiro foi “Choisir D’Aimer, de 2008). Vamos à história de “A Melodia”. O violinista profissional Simon Daoud (Kad Merad), integrante de um conceituado quarteto clássico de câmara, aceita o desafio de ensinar crianças de uma escola municipal a tocar violino. Os alunos são todos filhos de imigrantes, a maioria pobres – o diretor Rachid Hami é argelino. Aos poucos, Daoud consegue “domar” os mais revoltados, e até descobrir, entre eles, um talento nato. Trata-se de Arnold (Alfred Renely), que cai nas graças do professor por sua dedicação nos estudos de violino – para não incomodar os vizinhos, ele treina no telhado do prédio onde mora. O objetivo ousado do treinamento de Daoud é levar os seus alunos para tocar no concerto de final de ano com a Filarmônica de Paris. O filme foi inspirado no Projeto Démos, iniciativa patrocinada pela Filarmônica de Paris. Todos os alunos do filme, na faixa entre 12 e 13 anos, são atores amadores e foram selecionados em escolas municipais parisienses. O filme nos reserva momentos de grande sensibilidade e comoventes. Já me emocionei numa das cenas iniciais, quando o professor Daoud toca para seus alunos o Concerto para Violino de Tchaikovsky, uma das peças mais bonitas da música clássica e trilha sonora do maravilhoso filme “Le Concert”, de 2009. “A Melodia” é um filme indicado para quem gosta de música clássica e se emociona com a participação de crianças. E também para o público em geral, pois é bastante emocionante.   

domingo, 12 de maio de 2019


“BOY ERASED: UMA VERDADE ANULADA” (“Boy Erased”), 2018, EUA, 1h55m, segundo longa-metragem escrito e dirigido pelo ator, roteirista e diretor australiano Joel Edgerton. Trata-se de um drama espinhoso e polêmico: a cura gay. A história é baseada no livro autobiográfico de Garrard Conley, que na juventude foi encaminhado pelo pai, um pastor da Igreja Batista, para uma organização intitulada “Amor em Ação”, cujo principal objetivo era converter jovens que tivessem tendências homossexuais. No filme, o jovem chama-se Jared Eamons (Lucas Hedges), seu pai é o pastor Marshal Eamons (Russell Crown, enorme de gordo) e a mãe é Nancy Eamons (a ainda bela e excelente atriz Nicole Kidman). O líder da organização “Amor em Ação” é Victor Sykes (Edgerton). Juntamente com outros jovens, Jared é submetido a uma espécie de lavagem cerebral, com intimidação psicológica e religiosa. Poucos aguentam a pressão. Claro que o tema é bastante polêmico e seu lançamento nos cinemas dos Estados Unidos, no final de 2018, após estrear no Festival de Toronto, em setembro de 2018, foi um verdadeiro fracasso de bilheteria. Talvez por isso o filme teve seu lançamento cancelado nos cinemas daqui (estava previsto para o dia 31 de janeiro de 2019). Segundo a Universal Pictures, por “motivos comerciais”. Chegou apenas em abril, mas em DVD. Deixando de lado toda essa polêmica, é um filme interessante de assistir. Recomendo.       


“O 12º HOMEM” (“DEN 12, MANN”), 2017, Noruega, 135 minutos, direção de Harald Zwart, com roteiro escrito por Petter Skavlan, baseado no livro “Defiant Courage: A Wwii Epic of Escape and Endurance”, de Astrit K. Scott e Tore Haug. Os fatos são verídicos e contam a história incrível de Jan Baalsrud (1917-1988), considerado o maior herói norueguês da Segunda Guerra Mundial. Com a ocupação da Noruega pelas tropas nazistas de Hitler, Jan Baalsrud (Thomas Gullestad) entrou para a resistência e, em companhia de outros noruegueses, foi treinado militarmente na Inglaterra. Em 1943, ele e mais onze homens saíram de Shetland (Escócia) num barco de pesca carregado com mais de 7 toneladas de explosivos, e atravessaram o Mar do Norte até chegar ao litoral da Noruega. A missão do grupo era destruir instalações militares alemãs no país ocupado. Os alemães, porém, interceptaram a embarcação e abriram fogo. Jan e seus homens explodiram o barco e nadaram até a praia. Onze homens do grupo foram presos. Só escapou Jan, “O 12º Homem”. O filme prioriza a fuga de Jan e os esforços dos nazistas para capturá-lo. A prisão de Jan era uma questão de honra para o oficial nazista Kurt Stage (o ator escocês Jonathan Rhys), mesmo porque o norueguês tinha informações importantes para fornecer aos ingleses.   Em meio à neve e ao rigoroso inverno norueguês, Jan enfrentou, durante dois meses, muita fome, sede e frio, arrancou ele mesmo nove dedos do pé gangrenados e ainda sofreu de cegueira. Só sobreviveu porque recebeu ajuda de alguns moradores locais. Uma história de grande coragem, sacrifício e heroísmo. Só por isso o filme já vale a pena. Mas tem mais. Ótimo elenco, paisagens deslumbrantes e suspense do começo ao fim. Imperdível!          

sexta-feira, 10 de maio de 2019


“RIVER RUNS RED” (como ainda não foi exibido por aqui, não ganhou nenhuma tradução; o título, na tradução literal, ficaria “Rio Corre Vermelho”), 2018, EUA, 1h34m, roteiro e direção de Wes Miller. O juiz de Direito Charles Coleman (Taye Diggs) é surpreendido com uma notícia nada agradável. Seu filho foi assassinado por dois policiais, Von (Luke Hemsworth) e Rory (Gianni Capaldi). Segundo o relatório oficial, ele teria reagido à abordagem dos policiais. Logo de cara, nos é apresentada a cena do crime, “preparada” pelos assassinos: uma arma na mão do garoto. Inconformado e crente que tudo não passou de uma armação, o juiz Coleman tenta convencer as autoridades municipais de que seu filho não portava arma nenhuma e que foi assassinado friamente. Como não houve uma resposta satisfatória à sua indignação, o juiz resolve então investigar o caso pessoalmente, até descobrir uma evidência amplamente favorável à inocência do seu filho. Ou seja, a arma “plantada” já havia sido utilizada pelos policiais em outro assassinato semelhante, desta vez o do filho de Javier (George Lopez), um imigrante dono de uma oficina mecânica. Como não há uma resposta concreta da polícia, os dois pais resolvem fazer justiça com as próprias mãos. Destaque negativo foi constatar no elenco a figura do ator John Cusack numa ponta – na verdade, uma pontinha – pra lá de constrangedora. Cusack, de 52 anos, que foi protagonista de ótimos filmes, como “Alta Fidelidade” e “Matador em Conflito”, entre tantos outros, não merecia um final de carreira tão triste e frustrante. Pior é que nos materiais de divulgação seu nome aparece com destaque, o que pode configurar propaganda enganosa. O filme é fraco e certamente não será exibido por aqui no circuito comercial. De repente, aparece numa sessão da tarde qualquer. Se aparecer mesmo, pode dispensar.         

quarta-feira, 8 de maio de 2019


“VICE”, 2018, EUA, 2h14m, roteiro e direção de Adam Mckay. Trata-se de um filme biográfico baseado na figura de Dick Cheney, que fez carreira no governo norte-americano começando como chefe de gabinete da Casa Branca nos anos 70 e depois como Secretário da Defesa de 1989 a 1993, culminando com a vice-presidência na chapa de George W. Bush, cargo que ocupou com grande desenvoltura e com poderes especiais, principalmente nas questões de política externa e gestão militar – articulou, por exemplo, a estratégia para a invasão do Iraque em represália aos atentados de 11 de setembro de 2001. Cheney provou que ser vice nem sempre é um cargo decorativo. E o roteiro de Mckay deixa bem claro que ele mandava mais que o Bush filho. O filme foi realizado de modo a reunir fatos históricos, bastidores do governo norte-americano e a ascensão vertiginosa de Cheney. Mesmo que o contexto seja sério, Mckay acrescentou uma grande dose de humor ácido e sátira, numa edição dinâmica e com ritmo alucinante. Um verdadeiro show cinematográfico, baseado num primoroso e criativo roteiro. O filme recebeu 8 indicações ao Oscar 2019: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Edição, Ator, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante e Melhor Maquiagem e Cabelo – só conquistou a estatueta nesta última categoria. Uma pena e uma grande injustiça. Eu daria o Oscar para Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Original, no mínimo. O elenco é um destaque à parte: Christian Bale como Dick Cheney (divulgaram que o ator engordou mais de 20 quilos para o papel, o que duvido; acredito mais que tenha havido enchimento das roupas e uma maquiagem pesada; em todo caso, Bale está sensacional), Steve Carell como Donald Rumsfeld, um político de carreira que teve um grande prestígio na Casa Branca; Amy Adams como Lynne Cheney; e Sam Rockwell como o presidente Bush filho, compondo o personagem de uma forma bastante caricatural. O diretor Adam Mckay, que já tinha em seu currículo bons filmes como “A Grande Aposta” e “Tudo por Um Furo”, fez mais um gol de placa com “Vice”, um dos melhores filmes dos últimos anos. Como informação adicional, lembro que entre os produtores estão os astros Brad Pitt e Will Ferrell, o que dá a ideia do prestígio do diretor. Não perca de jeito nenhum!          

domingo, 5 de maio de 2019


“OBLAWA”, 2012, Polônia, 1h36m, roteiro e direção de Marcin Krzysztalowicz. Mais um episódio ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, desta vez na Polônia. O ano é 1943. A história é centrada em Otter (Marcin Dorocinski), um soldado que aderiu à resistência polonesa contra as tropas alemãs que ocupavam o país. Otter era encarregado de eliminar não só os alemães como também matar os poloneses que colaboravam com os nazistas. Podia ser amigo ou não, ele assassinava com uma frieza incrível. O filme inteiro acontece no cenário do acampamento da resistência na floresta e mostra as dificuldades enfrentadas pelos soldados, que muitas  vezes nem tinham o que comer. Para escrever o roteiro, o diretor Krzysztalowicz se inspirou nas memórias de seu pai, que pertenceu à resistência polonesa. É a ele que o cineasta dedica este filme, conforme consta nos créditos finais. “Oblawa” estreou durante a programação oficial do Festival de Cinema de Gdynia (o Oscar polonês), sendo premiado pelo Polish Film Awards como Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Design de Som e Melhor Edição de Som. Fora da Polônia, foi exibido pela primeira vez no Montreal World Film 2012. O filme não é muito agradável de assistir. É violento, um tanto arrastado, mas bastante impactante. Vale pelo registro histórico.         


“MENINO BONITO” (“Beautiful Boy”), 2018, EUA, duração de 2 horas, direção de Felix Van Groeningen. Um sensível e comovente drama centrado na luta de um pai para livrar o filho mais velho das drogas. É baseado em fatos reais, descritos nos livros “Beautiful Boy”, de David Sheff (o pai), e “Tweak”, de Nic Sheff (o filho viciado), adaptados pelo roteirista Luke Davies. No filme de Van Groeningen, David Sheff é interpretado por Steve Carrell e Nic pelo jovem ator Timothée Chalamet, responsáveis por grandes atuações (Chalamet foi indicado ao Globo de Ouro). David Sheff é um jornalista conceituado, colaborador da Revista Rolling Stone e do New York Times. Seu filho Nic, do primeiro casamento com Vick (Amy Ryan), entra nas drogas e acaba se viciando em cocaína, anfetaminas e heroína. Triste ver um menino tão bonito e simpático cair nesse precipício. Aqui vale destacar o ótimo trabalho desse jovem ator de 23 anos de idade, descendente de família francesa, Timothée Chalamet, que já havia demonstrado enorme competência em filmes como “Me Chame pelo seu Nome” e “Lady Bird: A Hora de Voar”, ambos de 2017. Steve Carrel também dá show de interpretação como o pai inconformado com a situação do filho. Seu personagem chega a experimentar drogas para tentar entender o vício de Nic. Embora com uma elevada carga dramática, “Menino Bonito” reserva momentos de extrema sensibilidade e muitos deles comoventes, reforçando sua qualidade como adaptação para o cinema. Importante também destacar o trabalho do diretor belga Felix Van Groeningen em sua estreia no cinema norte-americano. Van Groeningen foi responsável por “Alabama Monroe”, de 2012, um filme também espetacular que representou a Bélgica na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Resumo da ópera: “Menino Bonito” é imperdível!