domingo, 3 de dezembro de 2017

Baseado em fatos reais, “O ZOOLÓGICO DE VARSÓVIA” (“The Zookeeper’s Wife”), 2017, EUA/Polônia, direção da norte-americana Niki Caro, conta a incrível história do casal Antonina e Jan Zabinski, que durante a Segunda Guerra Mundial salvou centenas de judeus enquanto a Polônia era dominada pelos alemães. Antonina (Jessica Chastain) e Jan (o ator belga Johan Heldenbergh) eram proprietários do Zoológico de Varsóvia quando a invasão nazista aconteceu, em setembro de 1939. Nessa época, mantinham uma grande amizade com o zoologista alemão Lutz Heck (Daniel Brühl), dono de um zoológico em Berlim, que depois da invasão virou oficial nazista. Jan e Antonina ajudaram centenas de judeus a fugir dos guetos de Varsóvia para escondê-los no seu zoológico – segundo o livro “The Zookeepers’s Wilfe: A War Story”, escrito pela norte-americana Diane Akerman, no qual o filme é baseado, o casal conseguiu salvar mais de 300 judeus. Um filme emocionante e tocante, embora muito triste e, em alguns momentos, bastante chocante. Jessica Chastain mais uma vez domina o cenário com sua habitual competência. Uma história de coragem que merece ser conhecida.       

  
“UM INSTANTE DE AMOR” (“Mal De Pierres”), 2016, França, 120 minutos, direção da atriz, roteirista e diretora Nicole Garcia, que escreveu o roteiro em conjunto com Jacques Fieschi e Natalie Carter. A história, baseada no romance best-seller “Mal Di Pietre”, da escritora italiana Milena Agus, é ambientada nos anos 50 numa pequena aldeia francesa, onde a jovem Gabrielle (Marion Cotillard) é conhecida por sua rebeldia e por sua compulsão sexual. Ao ser rejeitada por um professor casado, Gabrielle entra em surto e passa a se comportar de um modo bastante anormal. A solução encontrada por seus pais foi arranjar um casamento com o pedreiro José (o ator espanhol Alex Brendmühl). Com dificuldade para engravidar, Gabrielle é examinada por um médico, que diagnosticou o tal “Mal de Pierres”, aqui conhecido como cálculo renal. Gabrielle então é encaminhada a um spa nos alpes suíços e inicia um tratamento para eliminar as pedras no rim. Aqui, ela conhece o tenente André Sauvage (Louis Garrel), pelo qual se apaixona perdidamente, colocando em risco o seu casamento com José. O filme comprova mais uma vez o talento dramático de Marion Cotillard, já demonstrado em “Ferrugem e Osso”, “Era uma vez em Nova Iorque” e, principalmente, em “Piaf – Um Hino ao Amor”, pelo qual foi premiada com o Oscar de Melhor Atriz em 2007. Além de tudo isso, ela é linda. “Um Instante de Amor” é muito bom e merece ser conferido. Segundo o crítico Cássio Starling Carlos, da Folha de S. Paulo, trata-se de “Um bom champanhe servido em copo de plástico”. Ou seja, ele não achou tão bom como eu achei. A primeira exibição de "Um Instante de Amor" por aqui aconteceu durante o Festival Varilux de Cinema Francês/2017.   

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

“JOÃO, O MAESTRO”, 117 minutos, nacional, 2017, roteiro e direção de Mauro Lima. Conta a história da emocionante trajetória de vida do maestro João Carlos Martins. Em sua primeira fase, o filme acompanha o menino pianista virtuoso, um verdadeiro gênio precoce, os primeiros professores e o início dos seus problemas de saúde. Ainda jovem segunda fase –, alcança fama internacional como especialista na obra de Bach, viaja pelo mundo realizando concertos e vai morar em Nova Iorque. É nesta cidade que Martins sofre um acidente que afetará, para sempre, os movimentos de sua mão direita. Já adulto, ele aprende a conviver com suas deficiências e se consagra como maestro, regendo orquestras em vários países. Enfim, um exemplo de superação que aprendemos a admirar nos últimos anos. O filme é muito interessante ao exaltar seu impressionante talento como pianista, reconhecido e exaltado pelos principais músicos, maestros e compositores do mundo inteiro. Além de gênio musical, Martins sempre foi um mulherengo convicto, um aspecto praticamente desconhecido de sua biografia. Até agora. Na adolescência, o maestro é interpretado pelo garoto Davi Campolongo; na juventude, pelo ator Rodrigo Pandolfo; e, na fase adulta, pelo ator Alexandre Nero. Ainda estão no elenco Aline Moraes e Caco Ciocler, entre outros bons atores. Mais um bom trabalho do diretor Mauro Lima, que se especializou em cinebiografias, como  “Meu Nome não é Johnny” e “Tim Maia” – seu próximo filme será “Casagrande e seus Demônios”, sobre o ex-jogador de futebol e atual comentarista global.    

terça-feira, 28 de novembro de 2017

“AS NOITES BRANCAS DO CARTEIRO” (“Belye Nochi Pochtalona Alekseya Tryapitsyna”), 2014, Rússia, 1h30min. Trata-se de um projeto arrojado e inusitado da roteirista Elena Kiseleva e do diretor Andrei Konchalovsky. Eles escolheram um vilarejo distante e isolado ao norte da Rússia, às margens do lago Kenozero, reuniram os moradores, formaram o elenco, cada qual representando a si mesmo, e montaram a história. O personagem principal é o carteiro (Alekseya Tryapitsyna), responsável pela entrega das correspondências e pagamento das aposentadorias. É o único elo com o mundo exterior. Como meio de transporte, ele utiliza um barco, pois os moradores residem em volta do lago. Eles vivem distantes de qualquer modernidade, talvez bem próximo de como viviam seus antepassados. Ele visita as famílias, entra nas casas, conversa com um ou com outro e ainda encontra tempo para se apaixonar por uma moradora (Irina Ermalova, a única atriz profissional do elenco). Para conseguir um melhor resultado com relação às interpretações, Konchalovsky utilizou câmeras escondidas em várias cenas. O resultado final é muito interessante, principalmente para os espectadores que gostam de cinema de arte e novidades estéticas. O filme valeu a Konchalovsky o Prêmio de Direção no Festival de Veneza 2014. Por aqui, foi exibido somente na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.  

  

domingo, 26 de novembro de 2017



Com raríssimas exceções, como o ótimo “A Separação” (Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012), os filmes iranianos são muito contemplativos e reflexivos. É o estilo reinante no cinema iraniano. Mais um exemplo desse estilo, adorado pelos críticos profissionais e pelos júris dos festivais, é o drama “QUE HORAS SÃO NO SEU MUNDO?” (“Dar Donyaye to Sa’at Chand Ast?”), 2014, que marcou a estreia no roteiro e direção de Safi Yazdanian. A história é centrada em Gizeh Gol (Leila Hatami, atriz de “A Separação”), que volta ao Irã para visitar sua cidade natal, Rasht, depois de vinte anos residindo em Paris. Logo que chega, ela é assediada por Farhad (Ali Mosaffa, marido de Leila na vida real), um fabricante de molduras que, sabe-se lá por que, conhece tudo sobre a vida de Gizeh e não larga do seu pé. Enquanto isso, Gizeh aproveita para visitar o túmulo da mãe, falecida cinco anos antes, e outras pessoas que, de alguma forma, tiveram relação com sua família. Gizeh também passa o tempo refletindo sobre o seu passado, relembrando fatos de sua infância e adolescência. O filme, exibido por aqui durante a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ainda apresenta uma versão interessante do bolerão “Quizas, Quizas, Quizas” em francês. Só para quem aprecia o cinema iraniano.     
“PRIMEIRO-MINISTRO” (“DER PREMIER”), 2016, Bélgica, roteiro e direção de Erik Van Looy. Prestes a receber a presidente dos EUA em Bruxelas para uma reunião sobre a Paz Mundial e o Meio Ambiente, o Primeiro-Ministro da Bélgica (Koen De Bouw) é envolvido numa trama bastante sinistra. Sua esposa e filhos são sequestrados por um grupo terrorista internacional e serão assassinados se ele não matar a presidente americana (Saskia Reeves). Eva (Charlotte Vandermeersch), assessora de Comunicação do Primeiro-Ministro, também será envolvida no caso e também correrá risco de morte. Sem dúvida, o filme garante muito suspense do começo ao fim e o espectador, com certeza, acompanhará tudo roendo as unhas. A tensão aumenta ainda mais a partir do momento em que o Primeiro-Ministro tenta contornar a situação não obedecendo às ordens dos vilões. Mas é preciso reconhecer que a história é inverossímil demais do começo ao fim, com muitos furos (cadê o pessoal da segurança do Primeiro-Ministro?) e situações fantasiosas, incluindo a improvável e surpreendente revelação da identidade do grupo criminoso, culminando com um desfecho pra lá de constrangedor. Sou obrigado a reconhecer: Hollywood faz muito melhor.    

sábado, 25 de novembro de 2017

Mais um filme daqueles para dar inveja do cinema argentino. Mesmo que não seja dos melhores, mas é muito bom. Estou falando de “O CIDADÃO ILUSTRE” (“EL CIUDADANO ILUSTRE”), 2016, direção da dupla Gaston Duprat/Mariano Cohn (“O Homem do Lado”), com roteiro de Andrés Duprat. A história é centrada no escritor argentino Daniel Mantovani (Oscar Martinez), que acaba de receber o Prêmio Nobel de Literatura. Rico, famoso, vaidoso, egocêntrico e um tanto arrogante, ele vive numa bela casa em Barcelona. Depois do Nobel, ele passa a receber inúmeros convites para palestras, homenagens e entrevistas, rejeitando a todos, menos um: o convite para receber o título de “Cidadão Ilustre” em sua pequena cidade natal, Salas, no interior da Argentina. Foi de lá que, há quarenta anos, Daniel saiu para tentar a vida como escritor na Europa. Deu certo. Publicou dezenas de livros, muitos deles sucesso de vendas e de crítica. Daí o Nobel. Ao chegar a Salas, Daniel é homenageado com um busto na praça principal, recebe o convite para presidir um júri de um concurso de pinturas e para proferir palestras sobre a arte em geral. A levada do filme é de comédia, com muitas situações bastante hilariantes. Ao mesmo tempo, motiva reflexões acerca do choque cultural evidente entre o escritor famoso, culto e bem sucedido, e as pessoas de origem simples, que não evoluíram culturalmente e nem por isso deixaram de ser importantes na vida do escritor, haja vista que muitos de seus livros foram baseados em histórias e personagens de sua antiga cidade. O filme estreou no Festival de Veneza 2016, de onde saiu com o Prêmio de Melhor Ator para Oscar Martinez, também conhecido por ter atuado em “Ninho Vazio”, “Inseparáveis”, “Kóblic”, “Relatos Selvagens” e “Paulina”. Sem dúvida, um dos melhores atores argentinos da atualidade, ao lado de Ricardo Darín. “O Cidadão Ilustre” foi o filme de maior bilheteria na Argentina em 2016. Além de Oscar Martinez, estão no elenco Belén Chavanne, Andrea Frigerio, Gustavo Garzón e Dady Brieva.   

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Em abril de 1980, terroristas ligados à Frente Nacional do Khuzistão invadiram a Embaixada do Irã em Londres fazendo 26 reféns. A exigência dos terroristas: que o governo iraniano libertasse 91 militantes da FNK que estavam presos no Irã. “6 DIAS” (“6 DAYS”), produção da Netflix que estreou no dia 9 de setembro de 2017, conta os detalhes desse episódio, a tomada da embaixada, os bastidores das negociações, o trabalho da imprensa, o planejamento do grupo especial do SAS (Special Air Service) encarregado de invadir o prédio e soltar os reféns, além do desfecho violento. Nos papéis principais, o ator Jamie Bell (quem se lembra dele, adolescente, na pele de “Billy Elliot”, de 2000?) como o soldado líder do grupo SAS, Mark Strong, como o negociador, e Abbie Cornish como a repórter televisiva que ganhou fama depois de um excelente trabalho de cobertura. O filme também destaca a firme posição de Margaret Tatcher, que assumira recentemente o cargo de primeira-ministra do Reino Unido. Ela não admitiu, em nenhum momento, qualquer tipo de negociação com os sequestradores. Toa Fraser assina a direção e Glenn Standring o roteiro. Vale assistir apenas para relembrar o que aconteceu, mas, como cinema, deixa muito a desejar. Faltou tensão e ação. Ficou parecendo um filme-reportagem.  

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

“ATRÁS DAS NUVENS” (“Achter De Wolken”), 2016, Bélgica, é o primeiro longa-metragem dirigido por Cecília Verheyden, com roteiro de Michael DeCock. Trata-se de um drama que explora a paixão ardente entre uma mulher e um homem na terceira idade. O filme começa mostrando o velório do marido de Emma (Chris Lomme). Um dos presentes é Gerard (Jo De Meyere), muito amigo do falecido e antigo admirador de Emma. Ele não a via há 50 anos e, ao reencontrá-la, reavivou a antiga paixão. Dessa forma, passou a assediá-la, utilizando as mais elementares armas da conquista, a começar com um buquê de flores – a cena em que ele vai entregar o buquê é hilariante. Conversa vai, conversa vem, acabam se apaixonando ardentemente. Eles, porém, encontrarão a forte resistência de Jacky (Katelijne Verbeke), a filha infeliz e mal-amada de Emma, que não se conforma com o repentino romance. A única a dar força a Emma é sua neta, Evelien (a graciosa Charlotte de Bruyne). Aqui, o tema da paixão na terceira idade é tratado com rara sensibilidade, inclusive nas cenas de sexo. Sim, tem sexo! A atriz Chris Lomme e o ator Jo De Meyere, ambos de 78 anos, dão um show de interpretação, tornando o filme ainda mais irresistível. Pena que não tenha chegado por aqui. Imperdível!    

domingo, 19 de novembro de 2017

“MONSIEUR & MADAME ADELMAN”, França, 2016, primeiro filme dirigido pelo ator e roteirista Nicolas Bedos. A história: logo depois da morte do escritor de grande sucesso Victor Adelman (Bedos, o diretor), sua viúva Sarah (Doria Tillier) resolve contar a um jornalista – que pretende escrever uma biografia do falecido tudo sobre o seu relacionamento de 45 anos com o escritor. A trajetória do casal é acompanhada desde 1971, quando se conhecem, até a morte dele, em 2016. Como pano de fundo, alguns dos fatos marcantes da vida cultural e política da França. Uma verdadeira e conturbada história de amor, pontuada por momentos dramáticos e outros de muito bom humor. Os diálogos são muito inteligentes, pontuados por certa erudição e engraçados, resultando em cenas bastante hilariantes, como as consultas do escritor com seu psicanalista e os jantares durante os quais um apresenta a família para o outro. Para fechar a história com chave de ouro, esse maravilhoso filme francês ainda reserva para o seu desfecho revelações surpreendentes acerca da vida do casal. A atriz Doria Tillier faz sua estreia no cinema – é mais conhecida por sua participação em séries da TV francesa. E que atriz maravilhosa. É a alma do filme, embora Bedos também esteja ótimo. Um trabalho primoroso, duas horas de puro prazer cinematográfico, um filme para ficar na memória de quem curte cinema de qualidade. Simplesmente imperdível! 

sábado, 18 de novembro de 2017

“A VIAGEM DE FANNY” (“LE VOYAGE DE FANNY”), 2016, França, terceiro longa-metragem dirigido por Lola Doillon, com roteiro de Anne Peyègne, que o escreveu baseada no livro autobiográfico “Le Voyage de Fanny – L’histoire Vraie D’Une Jeune Fille Au Destin Hors Du Commun”, escrito por Fanny Bel-Ami. É mais uma daquelas histórias incríveis e verídicas ambientadas durante a Segunda Guerra Mundial. Assim como milhares de outras crianças de origem judia, Fanny, na época com 12 anos, foi entregue, juntamente com as duas irmãs menores, a uma instituição que cuidava de organizar fugas de crianças para outros países, fugindo dos nazistas que ocupavam a França. A Suíça era um dos destinos escolhidos. Depois de entregue a uma dessas instituições, Fanny e mais algumas crianças acabam ficando por conta própria, tentando chegar até a Suíça. Uma jornada de muitos perigos e sofrimento, passando fome e frio. A diretora não carregou muito no drama, embora mantenha muitos momentos de alta tensão e suspense, com belas locações no interior da França. O filme tratou a história como uma aventura infantil, “Um drama disfarçado de sessão da tarde”, como bem definiu um crítico profissional. De qualquer forma, por se tratar de uma história verídica, vale a pena curtir. O elenco conta com Léonie Souchaud, a Fanny, e com as participações especiais de Cécile de France, Stéphane de Groodt e Olivier Massart. Informação importante: entre 1938 e 1944, mais de 5 mil crianças judias escaparam da França rumo à Suíça, EUA e Espanha.     

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ao ser exibido como filme de abertura do Festival de Cannes 2016, dentro da Mostra “Um Certain Regard”, o drama egípcio “CLASH” (“Eshtebak”), roteiro e direção de Mohamed Diab, surpreendeu e causou polêmica não apenas pelo forte teor político, mas também pela estética inovadora. Trata-se de um filme bastante perturbador, cuja ação é toda ambientada dentro de um camburão da polícia. Cairo, 2013, a capital egípcia vive momentos de alta tensão com a queda do presidente islamita Mohamed Morsi. As manifestações de rua são violentas e precisam ser reprimidas. Uns manifestantes são a favor deste ou daquele credo religioso, como também pró-exército, além dos fanáticos defensores da Irmandade Muçulmana e daqueles que defendem outras ideologias. Ninguém se entende, uma confusão danada. O tal camburão – sempre filmado de dentro , percorre as ruas do Cairo recolhendo os manifestantes mais exaltados, sejam eles adultos, jovens, mulheres, velhos e até crianças. Claro que no camburão as diferenças serão colocadas em jogo, tumultuando ainda mais o ambiente. As pessoas detidas no camburão gritam o tempo todo defendendo cada qual sua posição política, aumentando ainda mais a tensão e a sensação claustrofóbica. Resumo da ópera: é um filme bastante interessante e, ao mesmo tempo, muito indigesto e desagradável. “Clash” foi o representante oficial do Egito na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro, lembrando que foi o segundo filme escrito e dirigido pelo diretor Mohamed Diab – o primeiro foi o também elogiado “Cairo 678”. 

domingo, 12 de novembro de 2017

“TERRA SELVAGEM” (“Wind River”), EUA, 2016, escrito e dirigido por Taylor Sheridan. A história, ambientada nas montanhas geladas do Wyoming em pleno inverno, começa quando Cory Lambert (Jeremy Renner), caçador de animais predadores, encontra o cadáver de uma jovem no meio da neve. Como há vestígios de violência no corpo da vítima, a polícia local comunica o fato ao FBI, que envia a agente Jane Banner (Elizabeth Olsen) para investigar o crime misterioso. Jane pede ajuda a Cory e ao policial Dan Crowheart (Graham Greene). Os três seguirão algumas pistas, encontrarão alguns suspeitos e, finalmente, os criminosos. O filme prende a atenção do começo ao fim, tem suspense e muita ação. É o segundo filme escrito e dirigido por Taylor Sheridan, mais conhecido pela assinatura dos roteiros dos ótimos “Sicario: Terra de Ninguém”, de 2015, e “A Qualquer Custo”, de 2016, este último indicado ao Prêmio de Melhor Filme no Oscar 2017. Por “Terra Selvagem”, Taylor Sheridan também conquistou o Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes 2017, dentro da Mostra “Un Certain Regard”. Sem dúvida, um ótimo programa. 

sábado, 11 de novembro de 2017

“MULHERES DO SÉCULO XX” (“20TH CENTURY WOMEN”), 2016, EUA, roteiro e direção de Mike Mills. Trata-se de uma produção independente que mereceu duas indicações ao Oscar 2017: “Melhor Roteiro” e “Melhor Atriz” (Annette Bening). Ambientada na segunda metade dos anos 70, a história é centrada em Dorothea Fields (Bening), uma cinquentona divorciada que cria sozinha o filho adolescente Jamie (Lucas Jade Zumann). Tudo acontece ao redor de Dorothea, que aluga um quarto da casa para a jovem Abbie (Greta Gerwig) e outro para William (Billy Crudup). A jovem Julie (Elle Fanning), amiga de infância de Jamie, também frequenta o círculo familiar, mas de maneira diferente: ela entra escondida pela janela e vai dormir com Jamie – na base da amizade. Recheado de diálogos e reflexões bem-humoradas, o roteiro procura destacar o modo de pensar das diferentes gerações, assim como tenta fazer um passeio cultural e comportamental da família norte-americana nos anos 70, com direito a discussões sobre sexo – o principal assunto , política, anticoncepcionais, família, religião etc., com direito à reprodução de uma parte de um discurso em cadeia nacional do então presidente Jimmy Carter. Outro destaque no filme é o enfoque dado ao nascimento do movimento punk, do qual a jovem Abbie é adepta fanática. O filme tem bons momentos, como nos diálogos entre Jamie e a mãe, além de um jantar constrangedor entre amigos durante o qual os assuntos principais são “menstruação” e “orgasmo”. Com relação ao elenco, gostei da atuação de Annette Bening, embora tenha exagerado um pouco em caras e bocas, e também de Elle Fanning, cada dia mais competente. Dá para assistir numa boa, mas não chega a justificar uma recomendação entusiasmada. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Quem acompanha o noticiário esportivo sabe que o ciclista norte-americano Lance Armstrong foi um grande fenômeno. Basta lembrar que, entre 1999 e 2005, venceu sete edições do Tour de France, a mais importante prova ciclística do mundo. Desde os anos 90, Armstrong dominava o cenário esportivo mundial, chegando ao nível de herói nacional, principalmente depois que venceu um câncer e voltou a competir em alto nível. Em 2012, porém, a revelação bombástica: durante todos aqueles anos, Armstrong utilizou substâncias químicas proibidas, anabolizantes e o EPO (Eritropoietina). Caiu em desgraça no mundo esportivo, perdeu seus títulos e acabou execrado por todos aqueles que o consideravam um verdadeiro “Capitão América”. Toda essa história está contada no drama “O PROGRAMA” (“The Program”), 2016, Inglaterra/França, dirigido pelo veterano diretor inglês Stephen Frears. Para esse projeto, Frears adaptou o livro “Sete Pecados Capitais”, escrito pelo jornalista irlandês David Walsh (Chris O’Dowd), que durante anos investigou a possibilidade do ciclista norte-americano ter utilizado substâncias químicas ilegais para vencer as competições. O filme também destaca a ligação de Armstrong (Ben Foster) com o médico italiano Michelle Ferrari (Guillaume Canet), que há anos dopava vários atletas de ponta. Frears foca todo o seu filme na questão do doping, não abrindo espaço para mostrar como foram algumas de suas vitórias e nem mesmo a vida particular do atleta. Não é o melhor trabalho de Stephen Frears, diretor de filmes memoráveis como “Ligações Perigosas”, “Alta Fidelidade”, “A Rainha”, “Philomena” e “Florence - Quem é Essa Mulher?”, mas obrigatório para quem curte o mundo esportivo.    

segunda-feira, 6 de novembro de 2017



“NOSSAS NOITES” (“Our Souls at Night”), 2017, produção Netflix, direção do indiano Ritesh Batra (“The Lunchbox”), com roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Heber, que adaptaram a história do romance escrito por Kent Haruf, cujo título é o mesmo do original do filme. Louis Waters (Robert Redford) e Addie Moore (Jane Fonda) são vizinhos de muitos anos e suas famílias chegaram a se relacionar. Quando ficaram viúvos, porém, deixaram de se falar por um bom tempo. Um dia, porém, Addie resolve tomar a iniciativa e procura Louis, se queixando de que não aguentava mais a solidão da noite, principalmente na hora de dormir. Ela faz, então, uma inusitada e surpreendente proposta: dormirem juntos, deixando claro que “sem sexo”. A partir daí começa uma grande amizade e a promessa de um caso de amor, que nem as inconvenientes visitas de Gene (o ator belga Mathias Schoenaerts), filho dela, e de Holly (Judy Greer), filha dele, conseguem estragar. Como é bom ver dois artistas tão veteranos (Redford tem 81 e Fonda 79 anos) em plena forma, esbanjando charme e ainda atuando com grande competência. Aliás, esta é a quarta vez que eles contracenam juntos, depois de “Caçada Humana” (1966), “Descalços no Parque” (1967) e “O Cavaleiro Elétrico” (1979). O filme foi dirigido com muita sensibilidade pelo jovem diretor indiano, transformando-se num entretenimento dos mais agradáveis. Redford também assina a produção. Resumo da ópera: Redford e Fonda juntos tornam esse filme imperdível!       

domingo, 5 de novembro de 2017

Pouco antes de morrer, em outubro de 2016, o consagrado diretor polonês Andrzej Wajda encerrou sua carreira com chave de ouro, realizando o ótimo “AFTERIMAGE” (“POWIDOKI”), com roteiro de Andrzej Mularczyk. O filme conta a história dos últimos anos de vida de Wladyslaw Strzeminski (Boguslan Linda), considerado o mais importante artista plástico de vanguarda da Polônia no Século XX. Como pano de fundo para a história está o domínio soviético sobre a Polônia a partir de 1948, contra o qual o artista se insurgiu e depois sofreu as consequências – o aspecto político da história da Polônia sempre esteve presente nos filmes de Wajda. Strzeminski não tinha uma perna e um braço, o que não o impedia de exercer sua criatividade e dar aulas na Escola de Belas Artes de Lodz. Os estudantes o idolatravam. Suas palestras eram com plateia lotada, repleta de jovens que queriam ouvir sua opinião sobre tudo, inclusive política. Strzeminski não abria mão de sua liberdade artística e de expressão, recusando-se a obedecer as “orientações” artísticas das autoridade soviéticas. Mais um grande filme de Wajda, selecionado para representar a Polônia na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. Imperdível!  
Sempre gostei de filmes que abordam a questão Palestina, a difícil convivência com Israel, a cultura de cada povo, os imbróglios políticos que envolvem aquela região. “OS ÁRABES TAMBÉM DANÇAM” (“Aravim Rokdim”), 2014, Israel, direção de Eran Riklis, trata de todos esses assuntos. A história, ambientada a partir de 1982, quando Israel invade o Líbano, é baseada no livro autobiográfico “Dancing Arabs”, escrito por Sayed Kashua, que também assina o roteiro. A trama é centrada no jovem Eyad (Tawfeek Barhom), que reside com a família árabe no vilarejo de Tira. Esperto e inteligente, Eyad consegue uma bolsa para estudar na prestigiada Israel Arts and Science Academy, em Jerusalém. Sua origem árabe fará com que Eyad enfrente muitos desafios, como o da língua, da cultura e muito preconceito. Até o romance com uma judia, Naomi (Danielle Kitsis), será tumultuado por causa das diferenças culturais. No filme, há muitos momentos sensíveis, como a amizade de Eyad com Yonatan (Michael Moshonov), um jovem israelense que sofre de uma grave doença degenerativa, e com a mãe dele, Edna (Yaël Abecassis). Nos créditos iniciais aparece a informação de que 20% dos cidadãos israelenses são árabes, o que dá um total de 1.617.000 pessoas. Fica evidente na narrativa e nas situações que a mensagem que o diretor quis transmitir é a seguinte: não deveria haver tanta inimizade, pois somos praticamente irmãos. Sem dúvida, um filme bastante esclarecedor e realizado com grande sensibilidade. Do mesmo diretor recomendo “A Noiva Síria”, “Lemon Three” e “A Missão do Gerente de Recursos Humanos”. 

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

“NEVE NEGRA” (“NIEVE NEGRA”), 2017, Argentina, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Martín Hodara. Suspense dos melhores, cuja história é centrada no reencontro dos irmãos Marcos (Leonardo Sbaraglia) e Salvador (Ricardo Darín), que não se viam nem se falavam há trinta anos. A visita não era para matar as saudades do irmão Salvador e sim tentar convencê-lo a aceitar uma proposta de venda da velha cabana e das terras que pertenciam à família no interior da Patagônia. Salvador vive isolado ali há muitos anos. Casado com Laura (a atriz espanhola Laia Costa) e prestes a ser pai, Marcos precisa de dinheiro para bancar as despesas com o nascimento do bebê, médico, hospital etc. Salvador se recusa a discutir o assunto e manda Marcos ir embora com a mulher. A rivalidade entre os irmãos tem a ver com uma tragédia familiar ocorrida no passado, envolvendo a morte do irmão mais novo, Juan. A verdade do que aconteceu virá à tona no desfecho, com uma surpreendente revelação. O diretor Martín Hodara já havia trabalhado com Darín em 2007 no policial noir “O Sinal”, sua estreia na direção. Mesmo que Darín não seja o protagonista principal, sua presença carismática valoriza o drama. Outro destaque é a qualidade do roteiro, um primor, que consegue manter o suspense do começo ao fim  e ainda explicar toda a história sem recorrer a malabarismos intelectuais, além das presenças, também marcantes, de Dolores Fonzi e Federico Luppi. Mais um filme argentino que merece ser visto.   

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Durante a Guerra Fria entre a União Soviética e os Estados Unidos, a corrida espacial era uma das “armas” ideológicas mais importantes. Era questão de honra sair na frente do outro. Em 1965, a União Soviética colocou em prática a Missão Voskhod 2, que teve como principal objetivo fazer com que um astronauta soviétivo fosse o primeiro homem a caminhar no espaço. Toda essa história é contada no filme “PRIMEIRA VEZ” (“VREMYA PERVYKH”), 2017, Rússia, direção de Dmitriy Kiselev (“Trovão Negro”). A missão ficou a cargo dos astronautas Alexey Leonov (Evgeniy Mironov) e Pavel Belyayev (Konstantin Khabenskiy). O filme, de um esmero técnico comparável aos melhores do gênero feitos por Hollywood, não esconde o fato de que naquela época participar de uma missão no espaço era quase um suicídio, haja vista a precariedade dos equipamentos – o filme não esconde esse detalhe. Para quem não conhece a história da Missão Voskhod ou não se lembra do seu desfecho, o filme é uma ótima oportunidade para resgatar um feito heroico dos mais representativos na corrida espacial.   

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

De vez em quando a gente descobre uma preciosidade. Estou falando de “A CONSTITUIÇÃO” (“Ustav Republike Hrvatske”), 2016, Croácia, escrito e dirigido por Rajko Grlic (“O Posto da Fronteira”). Eu não tinha qualquer referência sobre este filme, a não ser o fato de ter sido exibido durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2016. Uma surpresa das melhores, um filme inteligente, bem-humorado e sensível, mesmo que o pano de fundo seja a rivalidade entre sérvios e croatas. A história é toda centrada em quatro personagens que moram no mesmo edifício: o professor homossexual Vjeko Kralij (Neojsa Glogovac, numa atuação espectacular) e seu pai grudado numa cama com as duas pernas amputadas; a enfermeira Maja (Ksenija Marinkovic) e seu marido, o policial Ante Samardzic (Dejan Acimovic). Em troca de Maja ir de vez em quando dar banho e cuidar do seu pai, Vjeko se propõe a dar aulas sobre a Constituição da Croácia a Ante, preparando-o para uma prova que poderá lhe significar um aumento de patente. Os dois vão se estranhar o tempo todo, já que Ante é sérvio e Vjeko é croata, o que resulta em momentos bastante divertidos. Tudo muito contido, claro, sem apelações humorísticas. O filme foi vencedor do Grand Prix Des Amériques no Festival de MontreaL 2016 e eleito o melhor filme do Festival de Santa Bárbara 2017. Além disso, foi premiado no Festival da Eslovênia e fez parte da seleção oficial do Festival de Munique 2017. Fazia muito tempo que eu não me entusiasmava tanto por um filme. IMPERDÍVEL!     

domingo, 29 de outubro de 2017

“TONI ERDMANN”, 2016, escrito e dirigido por Maren Ade, era o grande favorito para conquistar o Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro para a Alemanha. Ficou entre os cinco finalistas, mas acabou perdendo para o iraniano “O Apartamento”. O filme alemão é muito bom, tem humor, momentos sensíveis e um grande personagem. Na verdade, Toni Erdmann é o nome inventado pelo sessentão Winfried Conradi (Peter Simonischek) quando assume a personalidade de um cara gozador, que faz brincadeiras inusitadas disfarçando-se com uma dentadura postiça e uma peruca comprida, inventando histórias mirabolantes e se apresentando cada vez com uma profissão diferente. Depois da morte de seu cão de estimação e companheiro de todas as horas, Winfried resolve dar mais atenção à sua filha Ines (Sandra Hüller), uma executiva workhlic que trabalha no escritório de uma empresa alemã em Bucareste (capital da Romênia). Ele vai visitá-la e tentar, com suas brincadeiras e disfarces, romper a armadura de seriedade que envolve a filha, que não tem o mínimo sendo de humor e só pensa em trabalhar. Que atriz maravilhosa é Sandra Hüller. Só ela vale o filme. “Toni Erdmann” foi exibido pela primeira vez no 69º Festival de Cannes, em maio de 2016, e encantou críticos e público. Foi eleito o melhor filme estrangeiro de 2016 pelos críticos de Nova Iorque, pela Revista Sight & Sound e pela conceituada revista francesa Cahiers Du Cinéma. Realmente, um filmaço!