quinta-feira, 20 de outubro de 2016

“DOCE VENENO” (“Un Moment D’Égarement”), 2015, França, direção de Jean-François Richet, que também escreveu o roteiro em parceria com Lisa Azuelos. Trata-se de uma comédia, refilmagem de outro filme francês com o mesmo título, de 1977, dirigido por Claude Berri. Dois amigos de longa data, Antoine (François Cluzet) e Laurent (Vincent Cassel), resolvem sair de Paris e passar uns dias na paradisíaca ilha de Córsega, levando suas respectivas filhas, Louana (Lola Le Lann) e Marie (Alice Isaaz),  ambas na faixa dos 17 anos. Eles se hospedam na antiga casa de Antoine, na qual ele passou sua infância. Antoine, recém-separado, é durão com a filha Louana, enquanto Laurent é mais liberal com Marie. Aliás, a maneira como um e outro educa a filha é motivo de muita discussão. Mas o que ninguém esperava acaba acontecendo: Louana se apaixona por Laurent e tenta seduzí-lo de tudo o que é jeito. Esse assédio – e a fuga dele por Laurent – rende os melhores momentos de humor do filme. Esconder o fato do seu melhor amigo e da própria filha atormentará Laurent até o final. O enredo me fez lembrar uma comédia norte-americana, de 2011, “A Filha do Meu Melhor Amigo”, onde uma ninfeta (Leighton Meester) também se envolve com um quarentão. A versão norte-americana é muito mais recatada. O filme francês tem até nu frontal e cenas quentes de sexo – sem ser explícito. Portanto, tirem as crianças da sala e aproveitem para se divertir com essa boa comédia francesa.                      
 
              

                                  

terça-feira, 18 de outubro de 2016

“RESSURREIÇÃO” (“Risen”), EUA, 2015, direção de Kevin Reynolds, conta um episódio bíblico pouco explorado pelo cinema. A mando do governador romano Pôncio Pilatos (Peter Firth), o comandante militar Clavius (Joseph Fiennes) recebe a missão de evitar uma revolta em Jerusalém após a crucificação do Messias. Pouco depois, Pilatos convoca novamente Clavius para investigar o desaparecimento do corpo de Yeshua (Jesus), que havia sido confinado em uma gruta. Os rumores davam conta de que Jesus havia ressuscitado, algo inconcebível para os incrédulos romanos e, politicamente, um desastre. Clavius infiltra-se entre os apóstolos e discípulos, acompanhando sua peregrinação e presenciando as três aparições de Jesus depois de ressuscitado. Clavius também terá a oportunidade de testemunhar alguns milagres. Pela primeira vez no cinema, que eu me lembre, Jesus não é interpretado por um ator branco, cabelos longos e olhos claros. Aqui, ele é interpretado pelo ator neozelandês Cliff Curtis, moreno de pele escura, quase um mulato, tipo indiano. O roteirista Paul Aiello e o diretor Kevin Reynolds (“Robin Hood: O Princípe dos Ladrões” e “Tristão & Isolda”), criaram um filme bastante interessante e esclarecedor. Para quem curte filmes bíblicos, trata-se de um ótimo programa.                   

 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

“ÁGUAS RASAS” (“The Shallows”), 2016, EUA, direção do espanhol Jaume Collet-Serra, é um suspense de arrepiar. Para colocar a cabeça em ordem depois da morte recente da mãe, o que a fez abandonar a faculdade de medicina, a jovem Nancy (Blake Lively) resolve passar uns dias surfando numa praia isolada do litoral mexicano. Tudo vai bem até um enorme tubarão branco aparecer e atacar a moça, quase arrancando a sua perna esquerda. Nancy passa o filme inteiro fugindo do feroz agressor, primeiro subindo numa baleia morta, depois num recife de corais ― até a maré subir ― e por fim numa boia de sinalização. Se a briga entre a bela surfista e o tubarão já vale o filme, o espectador ainda vai aproveitar para curtir um cenário paradisíaco e deslumbrante, onde se destaca um mar de azul transparente, valorizado por espetaculares imagens aéreas e subaquáticas, acrescidas de ótimas sequências de surfe. O clima de suspense predomina do começo ao fim, num ritmo bastante ágil, apesar de ter apenas uma personagem em cena durante a maior parte dos 90 minutos de filme, como já aconteceu em filmes como "127 Horas", com James Franco, "Até o Fim", com Robert Redford, e "Náufrago", com Tom Hanks. O diretor espanhol acerta mais uma vez, como já tinha conseguido em ótimos filmes como “A Órfã”, “Sem Escalas” e “A Casa de Cera”. E a loiraça Blake Lively, que ganhou destaque após ser a principal protagonista de “A Incrível História de Adaline”, também dá conta do recado, comprovando ser uma ótima atriz. Programão perfeito para uma sessão da tarde com pipoca.                 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

“JANE GOT A GUN” (deve chegar por aqui com o título “JANE TEM UMA ARMA”), 2015, EUA, direção de Gavin O’Connor, com roteiro de Brian Duffield – dizem que inspirado no filme “Hannie Caulder”, de 1971, com Rachel Welch. Jane Hammond (Natalie Portman) é casada com o pistoleiro Bill (Noah Emmerich), um dos integrantes da gangue chefiada por John Bishop (Ewan McGregor, irreconhecível). Um dia, Bill volta para casa gravemente ferido, depois de ter sido baleado pelos próprios companheiros de gangue. Enquanto é medicado por Jane, ele avisa: eles vêm se vingar. Para se proteger, Jane pede a ajuda de Dan Frost (o ator australiano Joel Edgerton), um ex-soldado beberrão que foi seu noivo. Até o confronto final, muita água vai rolar, ou seja, muito blá-blá-blá, recordações românticas e flashbacks que contarão a história da ligação de Jane e Bill com a quadrilha de Bishop. Sim, Jane foi uma pistoleira (no bom sentido). E dá-lhe clichês dos velhos filmes de faroeste. Nada de inovador. O diretor exagera em explorar a beleza de Portman (realmente muito bonita na medida em que amadurece). A cada cena, Portman parece que vai ser fotografada para um editorial de moda country. A tensão aumentando, os pistoleiros chegando e o marido morrendo e lá está ela, toda bonitona, sem um grão de areia no rosto ou nas roupas. O ator brasileiro Rodrigo Santoro aparece numa ponta, aliás, uma pontinha. Que saudades dos filmes de John Ford, de Randolph Scott, John Wayne, Gary Cooper, Clint Eastwood, Giuliano Gemma e até de Rachel Welch.                   

 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

“OS COWBOYS” (“Les Cowboys”), 2015, França, roteiro e direção de Thomas Bidegain. Parece esquisito um filme francês com esse título. A referência aparece logo no começo, quando os principais protagonistas participam de um festival country em alguma cidade do interior da França. Tipo Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, todo mundo vestido de cowboy e muita música country. Alain Balland (François Damiens) está lá com a família – a esposa Nicole (Agathe Dronne), a filha Kelly (Iliana Zabeth), de 16 anos, e o filho Kid (Maxim Driesen). Percebe-se logo que Alain é muito querido e influente na comunidade. No meio da festa, como num passe de mágica, Kelly desaparece. Sequestrada, assassinada? Demora para Alain, em sua busca alucinada pela filha, descobrir que ela, na verdade, fugiu com um rapaz muçulmano e foi viver em lugar incerto e não sabido. Quem sabe tenha sido cooptada por alguma facção islamita radical. Tudo isso passou pela cabeça de Alain. Depois de muitos anos, já separado da esposa, Alain continua em busca da filha. Obcecado, percorre outros países, visitando, principalmente, as comunidades islâmicas. Essa peregrinação incessante terá continuidade com o filho Kid, já adulto, interpretado pelo ator inglês Finnegan Oldfield. O desfecho revela o misterioso destino de Kelly. Ótima estreia de Thomas Bidegain como diretor. Ele era mais conhecido como roteirista de filmes excelentes, entre os quais “O Profeta” e “Ferrugem e Osso”. “Os Cowboys” teve sua primeira exibição na Mostra “Quinzena dos Realizadores” do Festival de Cannes 2015 e foi uma das atrações principais do Festival Varilux do Cinema Francês/2016, em São Paulo. Tensão do começo ao fim. Filmaço!                 
 

              

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Sempre gostei de assistir a filmes que têm como pano de fundo histórias ambientadas em períodos de ditadura militar, seja aqui no Brasil, na Argentina, Chile, Grécia, Espanha ou qualquer outro país. Por isso, quando li a sinopse do nacional “O OUTRO LADO DO PARAÍSO”, 2014, direção de André Ristum, fiz questão de assistí-lo. A história é baseada no livro autobiográfico do jornalista e escritor Luiz Fernando Imediato. O filme é ambientado nos primeiros anos da década de 60 e acompanha a saga de Antônio (Eduardo Moscovis) e de sua família, que saem do interior de Minas Gerais e vão para Brasília, onde havia maior oferta de empregos – era época da construção da Capital. Só que os sonhos de Antônio viram pesadelo quando acontece o golpe militar de 1964. Envolvido na militância sindical, Antônio é preso e vai deixar a família na penúria. A história é narrada in off por Nando (Davi Galdeano), filho do meio e obcecado por livros políticos. Os destaques do elenco, porém, ficam para as mulheres: Simone Iliescu, que interpreta a esposa de Antônio, e Camila Márdila, a filha do meio. As duas dão show. Para representar Taguatinga, cidade-satélite onde moravam os operários que trabalharam na construção de Brasília, a produção do filme providenciou a montagem de uma cidade cenográfica de 20 mil m². O filme é bastante interessante por abordar um período importante de nossa história e ainda mais por exibir imagens de arquivo feitas pelo lendário Jean Manzon. Na trilha sonora, Milton Nascimento dá um toque todo especial.              

 
“TRÊS LEMBRANÇAS DA MINHA JUVENTUDE” (“TROIS SOUVENIRS DE MA JEUNESSE”), 2014, França, roteiro e direção de Arnaud Desplechin. O filme começa ao estilo dos contos infantis: “Era uma vez...”. O antropólogo Paul Dédalus (Mathieu Amalric) está deitado na cama com sua namorada russa e no meio do papo decide recordar alguns fatos que marcaram sua vida: “Eu me lembro...”. Dédalus relembra três episódios, começando com sua infância ao lado dos dois irmãos e o horror que tinha pela mãe problemática, que se suicidou quando ele tinha 11 anos. O segundo episódio conta sua passagem pela Rússia, quando emprestava sua identidade para seus amigos judeus fugirem do regime comunista. O terceiro episódio – o mais longo – é dedicado a um grande amor da juventude, Esther (Lou Roy Lecollinet). O relacionamento é bastante conturbado, com muitos encontros e desencontros, muito sexo em meio a brigas, traições e separações. Quando jovem, Dédalus é interpretado pelo ator estreante Quentin Dolmaire (o filme também marca a estreia da bela Lou Lecollinet). O filme tem um roteiro meio complicado, que dificulta a compreensão da história em certos momentos. É verborrágico demais, além de apresentar algumas situações forçadas e cenas que se arrastam sem uma conclusão convincente. Gostei apenas da recriação de época e do recurso utilizado pelo diretor para situar a ação em determinadas épocas, como a queda do Muro de Berlim, em 1989. De qualquer forma, é importante ressaltar que o filme recebeu o prêmio de Melhor Direção de Arte do Festival Internacional de Cinema de Chicago e o prêmio SACD da Quinzena dos Diretores do Festival de Cannes 2015.         
 

              

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A comédia dramática “MINHA MÃE” (“Mia Madre”), 2015, Itália, consagra Nanni Moretti como um dos mais importantes diretores do cinema europeu e mundial. A história do filme é centrada na quarentona Margherita (Margherita Buy), famosa diretora de cinema que passa por uma fase bastante estressante, literalmente à beira de um ataque de nervos. Além de estar às voltas com a produção do seu novo filme e amargurada por uma recente separação, ela ainda enfrenta problemas com a filha adolescente e as intermináveis rusgas com o astro norte-americano Barry Hughins (John Turturro), que ela contratou para ser o ator principal do filme. O problema maior, porém, é com a mãe Ada (Giulia Lazzarini), internada num hospital e gravemente doente, o que justifica o título. O único apoio psicológico ela encontra no irmão Giovanni (Nanni Moretti), que está sempre ao seu lado para o que der e vier. Como já havia feito em “O Quarto do Filho”, Moretti volta o luto como um dos temas principais do filme. Assim como sua mãe, falecida em 2010, a personagem Ada também é uma professora de latim aposentada. Apesar desse contexto dramático, Moretti cria situações bastante bem-humoradas, principalmente quando Turturro está em cena como o ator canastrão, irascível e egocêntrico. Enfim, um filme de altíssima qualidade, com uma atriz espetacular (Margherita Buy) e uma história bastante interessante. O filme estreou no 68º Festival de Cannes (maio/2015), emocionando público e críticos. Ainda de Moretti, recomendo “Habemus Papam”.              

                                  

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

“O CLUBE” (“El Club”), 2014, Chile, roteiro e direção de Pablo Larraín. Ao contrário do que faz pensar à primeira vista, o clube do título não tem nada a ver com um local de reuniões sociais ou práticas esportivas. Trata-se de uma casa isolada numa pequena cidade litorânea do Chile alugada pela Igreja para hospedar padres excomungados, a maioria deles por pedofilia. Na casa em questão vivem quatro padres e uma freira, que atua como uma espécie de governanta. Eles vivem praticamente enclausurados, só saindo para acompanhar os treinos na praia do galgo “Rayo”, cujo adestrador é um dos ex-sacerdotes. Enfim, uma casa de expiação, de arrependimento. A rotina do grupo é quebrada quando chega um quinto padre, em evidente depressão e crise de consciência. Logo depois, um morador de rua aparece e passa a denunciar, aos gritos, que havia sido molestado sexualmente pelo tal padre, contando os detalhes sórdidos de como tudo aconteceu. O sacerdote acaba se suicidando e a Igreja envia um padre psicólogo para investigar o ocorrido. A partir daí, o filme fica ainda mais pesado. O clima de tensão aumenta a cada cena, causando um grande desconforto a quem está assistindo. Com certeza, um dos filmes mais perturbadores e chocantes que assisti nos últimos anos. Quem tiver estômago sensível vai sofrer diante da telinha. Mas é ótimo e com um elenco bastante afinado, entre os quais consagrados atores chilenos como Marcelo Alonso, José Soza, Roberto Farias, Alfredo Castro e Antonia Zegers. É tão bom que foi o vencedor do Urso de Prata do 65º Festival de Berlim em 2015 e indicado para o Prêmio Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Do mesmo diretor, recomendo também "No" e “Post Mortem”, ambos apresentando a ditadura chilena como pano de fundo. Por falar em Larraín, sua competência chegou a Hollywood. Ele acaba de dirigir “Jackie”, com Natalie Portman no papel da viúva de Kennedy.             

                                  

terça-feira, 4 de outubro de 2016

“DEUS NÃO ESTÁ MORTO 2” (“GOD’S NOT DEAD 2”), 2016, EUA, direção de Harold Cronk. A premissa é a mesma do primeiro filme: promover um debate sobre a existência de Deus e de seu filho Jesus. Embora as duas produções apresentem um evidente caráter doutrinário, as discussões são levadas em alto nível, com a participação de religiosos, especialistas neutros e historiadores. Se no primeiro filme um professor desafia um aluno a provar a existência de Deus, neste segundo o embate se dá num tribunal. Numa escola pública do Ensino Médio, a professora de História Grace Wesley (Melissa Joan Hart) está falando sobre Gandhi e Martin Luther King quando uma aluna, Brooke (Hayley Orrantia), pergunta se eles praticavam os mesmos conceitos de Jesus Cristo. A professora respondeu que sim. Essa concordância acabou chegando ao conhecimento da diretora Kinney (Robin Givens) e aos pais de Brooke, que resolveram processar a professora. Afinal, escola é lugar para ensinar, e não para pregar. O caso chegou aos tribunais, com a professora sendo defendida por um advogado novato (Jesse Metcalfe). Os debates durante o julgamento são o que de mais interessante oferece este segundo filme, que, como o primeiro, foi grande sucesso de bilheteria nos EUA e em outros países, incluindo o Brasil. Uma curiosidade sobre este segundo filme é a presença de Pat Boone, que nos anos 50/60 foi um cantor de grande sucesso.           

                                  

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

“BIZARRE”, França, 2015, escrito e dirigido por Étienne Faure (é o seu longa-metragem de estreia como diretor). A história é centrada no jovem Maurice (Pierre Prieur), de 18 anos, francês radicado em Nova Iorque. Maurice faz bicos em lanchonetes e dorme na rua. Não há qualquer referência ao seu passado, como chegou aos EUA e nem se é imigrante legal ou ilegal, mistérios que você acha que serão esclarecidos até o final da história, o que não acontece, o que, para mim, é uma das grandes falhas do roteiro. Enfim, Maurice começa a trabalhar num cabaré do Brooklyn chamado “Bizarre”, famoso por apresentar, ao vivo, shows dos mais bizarros, reunindo artistas com deficiência física, sexo explícito e outras atrações exóticas e inusitadas. Um retrato bastante realista da decadência do ser humano. Maurice é acolhido na casa das donas do cabaré, Kim (Raquel Nave) e Betty (Rebekah Underhill), com as quais terá um relacionamento muito especial. Maurice também encontrará apoio na amizade com o jovem homossexual Luka (Adrian James), também funcionário do cabaré. O filme transcorre numa sequência de situações sem muita importância para o enredo, como os números musicais bizarros do cabaré, explorados ao máximo pelo diretor como forma de preencher o vazio entediante da história. O resultado final é um filme desagradável de assistir e, portanto, não recomendável. O filme foi exibido por aqui durante a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e concorreu à premiação do Festival de Berlim/2015.          

                                  

domingo, 2 de outubro de 2016

“EDGE OF WINTER” (ainda sem tradução por aqui), 2015, Canadá, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Rob Connolly. Trata-se de um drama psicológico repleto de suspense. Depois que se separou de Karen (Rachelle Lefevre), Elliot Baker (o ator sueco Joel Kinnaman) ficou um tempo afastado dos filhos Bradley (Tom Holland), de 15 anos, e Caleb (Percy Hynes White), de 12 anos. A oportunidade de estabelecer uma relação mais próxima surge quando Karen tem de fazer uma viagem com o novo marido e deixa os filhos para um final de semana com Elliot. Machão convicto, a ponto de se vangloriar por ter acertado um soco no patrão e ser demitido, Elliot leva os filhos para uma aventura na floresta, incluindo no programa ensiná-los a atirar com uma espingarda, beber cerveja e dirigir uma SUV. Nem tudo acaba dando certo. Eles sofrem um acidente e são obrigados a pernoitar numa cabana aparentemente abandonada. Até aí tudo bem, mas as coisas mudam depois que Caleb conta ao pai que a mãe e o padrasto pretendem mudar-se para Londres com os garotos. A partir dessa notícia, Elliot muda completamente seu comportamento e coitado de quem estiver na sua frente, incluindo dois caçadores e os próprios filhos. Nada de especial nesse filme serve como aval para recomendá-lo.      

                                  
O drama romeno “O TESOURO” (“Comoara”), 2015, roteiro e direção de Corneliu Porumboiu (“A Leste de Bucareste”), apresenta um ponto de partida até que bastante interessante. Adrian (Adrian Purcarescu) procura o vizinho Costi (Cuzin Toma) e pede emprestado 800 euros. Funcionário público, casado e com um filho, Costi diz não ter o dinheiro. Adrian, porém, volta mais tarde e esclarece a razão do empréstimo: alugar um detector de metais para descobrir um possível tesouro enterrado na propriedade da família em Islaz, interior da Romênia. Adrian diz que o tesouro talvez tenha sido enterrado por seu bisavô na época da Segunda Grande Guerra. Adrian faz a proposta: se Costi emprestar o dinheiro para o aluguel do detector de metais, metade do possível tesouro será dividido entre os dois. A partir daí, o filme dará destaque, em pelo menos metade de sua duração, à busca do tal tesouro. O diretor Porumboiu imprime um ritmo bastante lento em sua narrativa, principalmente por utilizar a câmera estática na maioria das cenas. O filme foi exibido durante a mostra “Um Certo Olhar” no Festival de Cannes 2015. Os críticos profissionais elogiaram, como fazem habitualmente com relação a filmes esquisitos e indecifráveis. Sinceramente, nunca vi uma caça ao tesouro tão enfadonha.                                   

sábado, 1 de outubro de 2016

O drama “CONSUMIDA” (“CONSUMED”), 2015, EUA, direção de Daryl Wein, aborda um assunto dos mais polêmicos da atualidade, ou seja, os alimentos transgênicos (geneticamente modificados), também conhecidos por OGMs. A história é centrada em Sophie (a feiosa Zoe Lister-Jones), uma jovem mãe de um garoto que começa a ter erupções alérgicas pelo corpo. Após consultar vários médicos e não chegar a uma conclusão satisfatória, Sophie começa a pesquisar tudo a respeito de alimentos transgênicos. Ela irá descobrir que o problema de seu filho pode estar ligado ao consumo de alimentos geneticamente modificados produzidos por uma empresa chamada Clonestra. Durante suas pesquisas, Sophie vai visitar a fazenda do agricultor Hal (Danny Glover, bastante envelhecido), cujas plantações estão sendo comprometidas pelas sementes geneticamente modificadas que chegam da fazenda vizinha pelo vento. O filme inteiro é dedicado à discussão sobre os prováveis efeitos danosos das OGMs. Nos créditos finais, aliás, há informações bastante interessantes e alarmantes sobre o assunto. Não há até hoje, por exemplo, estudos médicos e científicos sérios sobre os transgênicos e as suas eventuais consequências para o ser humano. No final do filme você certamente pensará duas vezes antes de consumir algum. O roteiro foi escrito pelo diretor Daryl Wein em parceria com a atriz Zoe Lister-Jones, sua esposa na vida real.                               
Exibido pela primeira vez na abertura da 19ª edição do Festival de Cinema de Málaga, em abril último, “TORO” foi comparado ao estilo dos filmes do diretor norte-americano Quentin Tarantino. O filme espanhol, estrelado pelos astros Mario Casas e Luis Tosar, tem bastante violência e frenéticas cenas de ação, além de algumas mulheres bonitas. Toro (Casas) trabalhava para o poderoso Romano (José Sacristán), chefão mafioso que domina a região de Andaluzia. Um dia, porém, Toro abandona a gangue de Romano e segue em frente com os irmãos também marginais. Durante um assalto fracassado, um deles morre e Toro é preso. López (Tosar) consegue escapar. Enquanto Toro cumpre sua pena, López acaba roubando o mafioso. Quando sai em condicional, Toro é obrigado a interceder pelo irmão e aí também será alvo da turma pesada de Romano. O filme é bastante movimentado, graças ao roteiro de Rafael Cobos (do ótimo “Isla Mínima”) e à direção firme de Kike Maillo. Funciona como uma sessão da tarde para adultos, pois a violência corre solta.                            

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Adicione humor negro, cenas bizarras e doses caprichadas de surreal. Misture bem e você terá um filme como “QUEDA LIVRE” (“SZABADESÉS”), Hungria, 2014. Ao assistir, não tente entender o que está acontecendo. Apenas assista. Vou tentar explicar o roteiro. Uma idosa (Piroska Molnar) tenta o suicídio pulando do alto de um prédio de sete andares. Não consegue seu intento e volta ao prédio para tentar de novo. O elevador está quebrado e ela é obrigada a subir pelas escadas. À medida que passa pelos andares, uma história diferente acontece, sempre ligada a um determinado apartamento daquele piso. A aula de um guru; uma festa chique com a anfitriã nua; um boi jantando com uma família; um casal com fobia de germes fazendo sexo envolto em plástico; um ginecologista fazendo um parto ao contrário, ou seja, colocando o bebê de volta na mulher... E o filme segue até o fim mostrando essa série de situações absurdas, fruto certamente de uma mente doentia, no caso a do diretor húngaro Pálfi György, que também é autor do roteiro. Como já havia feito em filmes como “Taxidermia”, de 2006, György quis chocar a plateia. O filme integrou a mostra “Digital Project” do Festival de Cinema de Jeonju (Coreia do Sul). Vale a pena assistir para conhecer um projeto tão esquisito.                        

terça-feira, 27 de setembro de 2016

 

“AS MONTANHAS SE SEPARAM” (“Shan He Gu Ren”), China, 2015, direção de Zhang-Ke Jia (“Um Toque de Pecado” e “Em Busca da Vida”). A história começa em 1999, na província de Shanxi. A jovem Tao (Zhao Tao), 18 anos, é disputada por dois amigos de infância, Zhang Jinsheng (Yi Zhang) e Liangzi (Jing Dong Liang). Zhang é proprietário de um posto de gasolina, rico, empreendedor. Liangzi é pobre, trabalha numa mina de carvão. Tao acaba casando com Zhang, enquanto Liangzi, para fugir da mulher amada, muda de cidade para tentar uma vida nova. Aí o filme pula para 2014. Tao está separada do marido e perde a guarda do filho, enquanto Liangzi, muito doente, volta para Shanxi com a mulher e o filho. O filme dá mais um salto e chega a 2025. Estamos na Austrália e, a partir daí, a história fica centrada no filho de Tao e Zhang, já um rapaz, e sua relação de amizade com a professora Mia (Sylvia Chang). O clima do filme é novelesco, melodramático, e alguns fatos incoerentes prejudicam o seu desenrolar, como o sumiço repentino e inexplicável de alguns personagens até então importantes, como Liangzi e a própria Tao. Resumindo, o filme é fraco, um tanto enfadonho, embora tenha uma bela fotografia e cenários deslumbrantes. O filme foi exibido na competição oficial do Festival de Cannes 2015, sendo recebido sem muito entusiasmo.                       

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

“LABIRINTO DE MENTIRAS” (“Im Labyrinth des Schweigens”), 2015, Alemanha, 127 minutos, filme de estreia do diretor italiano Giulio Ricciarelli, que também escreveu o roteiro, baseado em fatos reais, em parceria com Elisabeth Bartel. Berlim, 1958. Treze anos depois do fim da Segunda Grande Guerra, ao passar na porta de uma escola, um jornalista vê um professor que havia sido seu torturador em Auschwitz, famoso campo de concentração instalado na Polônia pelos nazistas. O jornalista faz a denúncia ao jovem procurador Johann Radmann (Alexander Fehling), que inicia a investigação sobre os supostos crimes de guerra praticados pelos alemães (na época, se sabia pouco sobre o Holocausto). Determinado a punir os alemães que trabalharam em Auschwitz e foram responsáveis pelas mais diversas atrocidades, entre eles Adolf Eichmann e Josef Mengele, o procurador enfrentará inúmeros obstáculos. Um deles, colocado pelas próprias autoridades governamentais da Alemanha, que não gostariam que o assunto voltasse à tona. Ao longo de seu trabalho, Radmann descobrirá que o nazismo esteve bastante entranhado na sociedade alemã durante a guerra. O esforço de Radmann culminou, em 1963, com o famoso “Julgamento de Frankfurt”, ao final do qual foram condenados 18 alemães que cometeram atrocidades em Auschwitz. Candidato oficial da Alemanha ao Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2016, o filme foi exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2015. Imperdível!                     

domingo, 25 de setembro de 2016

 

“AURORAS NASCEM TRANQUILAS” (“A ZORI ZDES TIKHIE”), 2015, Rússia, direção de Renat Davletyarov. Trata-se da refilmagem do filme do mesmo nome produzido em 1972 e que foi nomeado para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1973. Baseada em fatos reais, relatados no livro escrito por Boris Vasilyev, a história é ambientada na província de Karelia (fronteira da Rússia com a Finlândia) durante a primavera de 1942. Aqui está instalada uma pequena unidade de artilharia antiaérea formada por jovens mulheres inexperientes sob o comando do sargento Fedot Vaskov (Pyotr Fyodorov). O filme enaltece o feito heroico dessas corajosas mulheres, que lutaram bravamente contra um batalhão de elite do exército alemão que planejava explodir as ferrovias de Kirov e do Mar Branco. Embora em menor número, a unidade feminina conseguiu conter os alemães até a chegada de reforços. O filme é historicamente interessante, pois faz menção a vários episódios da Segunda Grande Guerra ocorridos em território russo. O filme procura amenizar o pano de fundo trágico com alguns momentos de humor, principalmente durante o treinamento das jovens recrutas. Por falar nelas, são todas representadas por atrizes russas muito bonitas. Será que as personagens originais também eram? Duvido. De qualquer forma, o filme é bastante atrativo, com muita ação e suspense. Enfim, mais um bom drama de guerra que vale a pena ser visto.                 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Um terrível e chocante fato histórico pouco conhecido é o tema central do excelente drama francês “AGNUS DEI” (“LES INOCCENTES”), 2015, roteiro de Madeleine Pauliac e direção de Anne Fontaine. Ao final da Segunda Guerra Mundial, soldados russos estupraram várias freiras de um convento no interior da Polônia. Muitas delas engravidaram e precisaram de cuidados médicos. A enfermeira francesa Mathilde Beaulieu (Lou de Laâge), que na ocasião trabalhava para a Cruz Vermelha no atendimento a cidadãos do seu país num acampamento próximo ao convento, foi procurada por uma das freiras para realizar o parto de uma delas. No convento, Mathilde viu que outras freiras precisavam de cuidados médicos, pois também estavam grávidas. Para isso, Mathilde teria de enfrentar duas grandes dificuldades. A primeira delas: as freiras não permitiam que fossem tocadas. Segunda dificuldade: Mathilde estava proibida de sair de seu posto. Ela saía escondida, na maioria das vezes de madrugada, para prestar atendimento às freiras. A jovem atriz francesa Lou de Laâge dá um show de interpretação. Também deve ser destacado o trabalho das atrizes polonesas que formam o resto do elenco, principalmente Agata Kulesza (madre superiora), Agata Buzek (irmã Maria) e Joanna Kulig (irmã Irena). Um filme forte, de grande impacto, que merece ser visto. Da mesma diretora, recomendo o ótimo “Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte”, bem mais leve.       

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O drama biográfico canadense “BORN TO BE BLUE” (ainda sem tradução por aqui) é baseado na vida do lendário trompetista e cantor de jazz Chet Baker (1929/1988). A história é toda ambientada nos anos 60, quando Chet (Ethan Hawke) tenta recuperar a carreira depois de ficar preso por porte de drogas. Seu vício em heroína o levaria à decadência artística e à morte. O roteirista e diretor Robert Budreau (este é o seu segundo longa) centra a história no romance de Chet com Jane (Carmen Ejogo), uma atriz em início de carreira, e nos desafios enfrentados pelo músico para voltar à cena do jazz. Além das drogas, ele tinha problema com seus dentes da frente, arrebentados por capangas de um traficante para o qual Chet devia uma grana. Ele tocava com os dentes colados e, muitas vezes, tinha de segurá-los para não caírem durante as apresentações. O filme é simplesmente espetacular, um primor para os olhos e ouvidos. O desempenho de Hawke é incrível e a trilha sonora simplesmente deliciosa. Uma das cenas mais bonitas e emocionantes acontece num estúdio onde Chet se apresentaria para importantes produtores musicais. Ele canta e toca “My Funny Valentine”. Mesmo com o pedido dos técnicos do estúdio para que a plateia não se manifeste durante e depois da apresentação, já que seria tudo gravado, o pessoal não consegue segurar os aplausos no final.  É de arrepiar, assim como sua apresentação ao vivo no Birdland, famoso clube de jazz de Nova Iorque, onde ele toca e canta "Born to be Blue", a canção que dá nome ao filme. Na plateia, entre os que aplaudem Chet com entusiasmo, estão nada menos do que Dizzy Gillespie e Miles Davis, outros monstros sagrados do jazz. O filme estreou no Toronto International Film Festival, em setembro de 2015, arrancando elogios do público e dos críticos. Realmente, um filmaço. Simplesmente imperdível!    

domingo, 18 de setembro de 2016

O drama “MEU AMIGO HINDU”, 2015, foi o último filme escrito e dirigido pelo diretor argentino – naturalizado brasileiro – Héctor Babenco, que morreu em julho de 2016. O filme é todo falado em inglês, certamente para facilitar o trabalho do ator Willem Dafoe, o principal protagonista. O restante do elenco é de primeira: Maria Fernanda Cândido, Reynaldo Gianecchini, Bárbara Paz, Selton Mello, Ary Fontoura, Dan Stulbach, Dalton Vigh, Maitê Proença e Tânia Khalill. Conforme prometeu nos créditos iniciais – “O que você vai assistir é uma história que aconteceu comigo e conto da melhor maneira que sei” –, Babenco conta sua própria história de sofrimento na luta contra um câncer linfático. O longo tratamento ao qual foi submetido, antes e depois do transplante de medula óssea, toma conta de grande parte do filme. É num hospital de Washington (EUA) que ele conhece o tal amigo hindu do título, um garoto indiano de 8 anos também internado para tratar de um câncer. Babenco – que no filme é Diego Fairman – costumava contar histórias para o menino durante as sessões de quimioterapia. Os críticos profissionais não gostaram do filme. Eu não achei assim tão ruim. Concordo, porém, que não faz jus à competência habitual de Babenco, comprovada em filmes como “Pixote, A Lei do mais Fraco”, “Lúcio Flácio, Passageiro da Agonia”, “O Beijo da Mulher Aranha”, “Carandiru” e “Ironweed”, no qual dirigiu Jack Nicholson e Meryl Streep.