quinta-feira, 13 de outubro de 2016
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Sempre
gostei de assistir a filmes que têm como pano de fundo histórias ambientadas em
períodos de ditadura militar, seja aqui no Brasil, na Argentina, Chile, Grécia,
Espanha ou qualquer outro país. Por isso, quando li a sinopse do nacional “O OUTRO LADO DO PARAÍSO”, 2014, direção de André Ristum, fiz questão de
assistí-lo. A história é baseada no livro autobiográfico do jornalista e
escritor Luiz Fernando Imediato. O filme é ambientado nos primeiros anos da
década de 60 e acompanha a saga de Antônio (Eduardo Moscovis) e de sua família,
que saem do interior de Minas Gerais e vão para Brasília, onde havia maior
oferta de empregos – era época da construção da Capital. Só que os sonhos de
Antônio viram pesadelo quando acontece o golpe militar de 1964. Envolvido na
militância sindical, Antônio é preso e vai deixar a família na penúria. A
história é narrada in off por Nando
(Davi Galdeano), filho do meio e obcecado por livros políticos. Os destaques do
elenco, porém, ficam para as mulheres: Simone Iliescu, que interpreta a esposa
de Antônio, e Camila Márdila, a filha do meio. As duas dão show. Para
representar Taguatinga, cidade-satélite onde moravam os operários que
trabalharam na construção de Brasília, a produção do filme providenciou a montagem
de uma cidade cenográfica de 20 mil m². O filme é bastante interessante por
abordar um período importante de nossa história e ainda mais por exibir imagens
de arquivo feitas pelo lendário Jean Manzon. Na trilha sonora, Milton Nascimento dá um toque todo especial.
“TRÊS LEMBRANÇAS DA MINHA JUVENTUDE” (“TROIS SOUVENIRS
DE MA JEUNESSE”), 2014, França, roteiro e direção de Arnaud
Desplechin. O filme começa ao estilo dos contos infantis: “Era uma vez...”. O
antropólogo Paul Dédalus (Mathieu Amalric) está deitado na cama com sua namorada
russa e no meio do papo decide recordar alguns fatos que marcaram sua vida: “Eu
me lembro...”. Dédalus relembra três episódios, começando com sua infância ao lado
dos dois irmãos e o horror que tinha pela mãe problemática, que se suicidou quando
ele tinha 11 anos. O segundo episódio conta sua passagem pela Rússia, quando
emprestava sua identidade para seus amigos judeus fugirem do regime comunista.
O terceiro episódio – o mais longo – é dedicado a um grande amor da juventude,
Esther (Lou Roy Lecollinet). O relacionamento é bastante conturbado, com muitos
encontros e desencontros, muito sexo em meio a brigas, traições e separações.
Quando jovem, Dédalus é interpretado pelo ator estreante Quentin Dolmaire (o
filme também marca a estreia da bela Lou Lecollinet). O filme tem um roteiro meio complicado, que dificulta a compreensão da história em certos momentos. É
verborrágico demais, além de apresentar algumas situações forçadas e cenas que
se arrastam sem uma conclusão convincente. Gostei apenas da recriação de época
e do recurso utilizado pelo diretor para situar a ação em determinadas épocas,
como a queda do Muro de Berlim, em 1989. De qualquer forma, é importante
ressaltar que o filme recebeu o prêmio de Melhor Direção de Arte do Festival Internacional
de Cinema de Chicago e o prêmio SACD da Quinzena dos Diretores do Festival de
Cannes 2015.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
A comédia
dramática “MINHA MÃE” (“Mia Madre”), 2015,
Itália, consagra Nanni Moretti como um dos mais importantes diretores do cinema
europeu e mundial. A história do filme é centrada na quarentona Margherita
(Margherita Buy), famosa diretora de cinema que passa por uma fase bastante
estressante, literalmente à beira de um ataque de nervos. Além de estar às
voltas com a produção do seu novo filme e amargurada por uma recente separação,
ela ainda enfrenta problemas com a filha adolescente e as intermináveis rusgas
com o astro norte-americano Barry Hughins (John Turturro), que ela contratou
para ser o ator principal do filme. O problema maior, porém, é com a mãe Ada
(Giulia Lazzarini), internada num hospital e gravemente doente, o que justifica
o título. O único apoio psicológico ela encontra no irmão Giovanni (Nanni
Moretti), que está sempre ao seu lado para o que der e vier. Como já havia
feito em “O Quarto do Filho”, Moretti volta o luto como um dos temas principais
do filme. Assim como sua mãe, falecida em 2010, a personagem Ada também é uma
professora de latim aposentada. Apesar desse contexto dramático, Moretti cria
situações bastante bem-humoradas, principalmente quando Turturro está em cena
como o ator canastrão, irascível e egocêntrico. Enfim, um filme de altíssima
qualidade, com uma atriz espetacular (Margherita Buy) e uma história bastante
interessante. O filme estreou no 68º Festival de Cannes (maio/2015),
emocionando público e críticos. Ainda de Moretti, recomendo “Habemus Papam”.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
“O CLUBE” (“El Club”), 2014, Chile, roteiro e
direção de Pablo Larraín. Ao contrário do que faz pensar à primeira vista, o
clube do título não tem nada a ver com um local de reuniões sociais ou práticas
esportivas. Trata-se de uma casa isolada numa pequena cidade litorânea do Chile
alugada pela Igreja para hospedar padres excomungados, a maioria deles por
pedofilia. Na casa em questão vivem quatro padres e uma freira, que atua como uma espécie de governanta. Eles vivem praticamente
enclausurados, só saindo para acompanhar os treinos na praia do galgo “Rayo”, cujo
adestrador é um dos ex-sacerdotes. Enfim, uma casa de expiação, de arrependimento.
A rotina do grupo é quebrada quando chega um quinto padre, em evidente
depressão e crise de consciência. Logo depois, um morador de rua aparece e
passa a denunciar, aos gritos, que havia sido molestado sexualmente pelo tal
padre, contando os detalhes sórdidos de como tudo aconteceu. O sacerdote acaba
se suicidando e a Igreja envia um padre psicólogo para investigar o ocorrido. A
partir daí, o filme fica ainda mais pesado. O clima de tensão aumenta a cada cena,
causando um grande desconforto a quem está assistindo. Com certeza, um dos
filmes mais perturbadores e chocantes que assisti nos últimos anos. Quem tiver
estômago sensível vai sofrer diante da telinha. Mas é ótimo e com um elenco
bastante afinado, entre os quais consagrados atores chilenos como Marcelo
Alonso, José Soza, Roberto Farias, Alfredo Castro e Antonia Zegers. É tão bom
que foi o vencedor do Urso de Prata do 65º Festival de Berlim em
2015 e indicado para o Prêmio Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Do
mesmo diretor, recomendo também "No" e “Post Mortem”, ambos apresentando
a ditadura chilena como pano de fundo. Por falar em Larraín, sua competência chegou
a Hollywood. Ele acaba de dirigir “Jackie”, com Natalie Portman no papel da
viúva de Kennedy.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
“DEUS NÃO ESTÁ MORTO 2” (“GOD’S NOT DEAD 2”), 2016, EUA,
direção de Harold Cronk. A premissa é a mesma do primeiro filme: promover um
debate sobre a existência de Deus e de seu filho Jesus. Embora as duas
produções apresentem um evidente caráter doutrinário, as discussões são levadas
em alto nível, com a participação de religiosos, especialistas neutros e
historiadores. Se no primeiro filme um professor desafia um aluno a provar a
existência de Deus, neste segundo o embate se dá num tribunal. Numa escola pública
do Ensino Médio, a professora de História Grace Wesley (Melissa Joan Hart) está
falando sobre Gandhi e Martin Luther King quando uma aluna, Brooke (Hayley
Orrantia), pergunta se eles praticavam os mesmos conceitos de Jesus Cristo. A
professora respondeu que sim. Essa concordância acabou chegando ao conhecimento
da diretora Kinney (Robin Givens) e aos pais de Brooke, que resolveram
processar a professora. Afinal, escola é lugar para ensinar, e não para pregar.
O caso chegou aos tribunais, com a professora sendo defendida por um advogado
novato (Jesse Metcalfe). Os debates durante o julgamento são o que de mais
interessante oferece este segundo filme, que, como o primeiro, foi grande
sucesso de bilheteria nos EUA e em outros países, incluindo o Brasil. Uma curiosidade
sobre este segundo filme é a presença de Pat Boone, que nos anos 50/60 foi um
cantor de grande sucesso.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
“BIZARRE”, França, 2015, escrito e dirigido
por Étienne Faure (é o seu longa-metragem de estreia como diretor). A história
é centrada no jovem Maurice (Pierre Prieur), de 18 anos, francês radicado em
Nova Iorque. Maurice faz bicos em lanchonetes e dorme na rua. Não há qualquer
referência ao seu passado, como chegou aos EUA e nem se é imigrante legal ou
ilegal, mistérios que você acha que serão esclarecidos até o final da história,
o que não acontece, o que, para mim, é uma das grandes falhas do roteiro.
Enfim, Maurice começa a trabalhar num cabaré do Brooklyn chamado “Bizarre”, famoso
por apresentar, ao vivo, shows dos mais bizarros, reunindo artistas com
deficiência física, sexo explícito e outras atrações exóticas e inusitadas. Um retrato
bastante realista da decadência do ser humano. Maurice é acolhido na casa das
donas do cabaré, Kim (Raquel Nave) e Betty (Rebekah Underhill), com as quais
terá um relacionamento muito especial. Maurice também encontrará apoio na
amizade com o jovem homossexual Luka (Adrian James), também funcionário do
cabaré. O filme transcorre numa sequência de situações sem muita importância
para o enredo, como os números musicais bizarros do cabaré, explorados ao máximo pelo
diretor como forma de preencher o vazio entediante da história. O resultado
final é um filme desagradável de assistir e, portanto, não recomendável. O filme foi exibido por aqui durante
a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e concorreu à premiação do Festival
de Berlim/2015.
domingo, 2 de outubro de 2016
“EDGE OF WINTER” (ainda sem tradução por aqui),
2015, Canadá, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Rob Connolly. Trata-se
de um drama psicológico repleto de suspense. Depois que se separou de Karen
(Rachelle Lefevre), Elliot Baker (o ator sueco Joel Kinnaman) ficou um tempo afastado
dos filhos Bradley (Tom Holland), de 15 anos, e Caleb (Percy Hynes White), de 12
anos. A oportunidade de estabelecer uma relação mais próxima surge quando Karen
tem de fazer uma viagem com o novo marido e deixa os filhos para um final de
semana com Elliot. Machão convicto, a ponto de se vangloriar por ter acertado
um soco no patrão e ser demitido, Elliot leva os filhos para uma aventura na
floresta, incluindo no programa ensiná-los a atirar com uma espingarda, beber
cerveja e dirigir uma SUV. Nem tudo acaba dando certo. Eles sofrem um acidente
e são obrigados a pernoitar numa cabana aparentemente abandonada. Até aí tudo
bem, mas as coisas mudam depois que Caleb conta ao pai que a mãe e o padrasto
pretendem mudar-se para Londres com os garotos. A partir dessa notícia, Elliot muda
completamente seu comportamento e coitado de quem estiver na sua frente,
incluindo dois caçadores e os próprios filhos. Nada de especial nesse filme serve
como aval para recomendá-lo.
O drama
romeno “O TESOURO” (“Comoara”), 2015,
roteiro e direção de Corneliu Porumboiu (“A Leste de Bucareste”), apresenta um
ponto de partida até que bastante interessante. Adrian (Adrian Purcarescu)
procura o vizinho Costi (Cuzin Toma) e pede emprestado 800 euros. Funcionário
público, casado e com um filho, Costi diz não ter o dinheiro. Adrian, porém,
volta mais tarde e esclarece a razão do empréstimo: alugar um detector de
metais para descobrir um possível tesouro enterrado na propriedade da família
em Islaz, interior da Romênia. Adrian diz que o tesouro talvez tenha sido
enterrado por seu bisavô na época da Segunda Grande Guerra. Adrian faz a
proposta: se Costi emprestar o dinheiro para o aluguel do detector de metais, metade do possível
tesouro será dividido entre os dois. A partir daí, o filme dará destaque, em
pelo menos metade de sua duração, à busca do tal tesouro. O diretor Porumboiu
imprime um ritmo bastante lento em sua narrativa, principalmente por utilizar a
câmera estática na maioria das cenas. O filme foi exibido durante a mostra “Um
Certo Olhar” no Festival de Cannes 2015. Os críticos profissionais elogiaram, como fazem habitualmente com relação a filmes esquisitos e indecifráveis. Sinceramente, nunca vi uma caça ao
tesouro tão enfadonha.
sábado, 1 de outubro de 2016

Exibido
pela primeira vez na abertura da 19ª edição do Festival de Cinema de Málaga, em
abril último, “TORO” foi
comparado ao estilo dos filmes do diretor norte-americano Quentin Tarantino. O filme espanhol, estrelado
pelos astros Mario Casas e Luis Tosar, tem bastante violência e frenéticas
cenas de ação, além de algumas mulheres bonitas. Toro (Casas) trabalhava para o
poderoso Romano (José Sacristán), chefão mafioso que domina a região de
Andaluzia. Um dia, porém, Toro abandona a gangue de Romano e segue em frente
com os irmãos também marginais. Durante um assalto fracassado, um deles morre e Toro é
preso. López (Tosar) consegue escapar. Enquanto Toro cumpre sua pena, López acaba
roubando o mafioso. Quando sai em condicional, Toro é obrigado a interceder
pelo irmão e aí também será alvo da turma pesada de Romano. O filme é bastante
movimentado, graças ao roteiro de Rafael Cobos (do ótimo “Isla Mínima”) e à
direção firme de Kike Maillo. Funciona como uma sessão da tarde para adultos,
pois a violência corre solta.
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Adicione
humor negro, cenas bizarras e doses caprichadas de surreal. Misture bem e você
terá um filme como “QUEDA LIVRE” (“SZABADESÉS”), Hungria,
2014. Ao assistir, não tente entender o que está acontecendo. Apenas assista. Vou
tentar explicar o roteiro. Uma idosa (Piroska Molnar) tenta o suicídio pulando
do alto de um prédio de sete andares. Não consegue seu intento e volta ao
prédio para tentar de novo. O elevador está quebrado e ela é obrigada a subir pelas escadas. À medida que passa
pelos andares, uma história diferente acontece, sempre ligada a um determinado
apartamento daquele piso. A aula de um guru; uma festa chique com a anfitriã nua;
um boi jantando com uma família; um casal com fobia de germes fazendo sexo envolto
em plástico; um ginecologista fazendo um parto ao contrário, ou seja, colocando
o bebê de volta na mulher... E o filme segue até o fim mostrando essa série de
situações absurdas, fruto certamente de uma mente doentia, no caso a do diretor
húngaro Pálfi György, que também é autor do roteiro. Como já havia feito em
filmes como “Taxidermia”, de 2006, György quis chocar a plateia. O filme integrou
a mostra “Digital Project” do Festival de Cinema de Jeonju (Coreia do Sul).
Vale a pena assistir para conhecer um projeto tão esquisito.
terça-feira, 27 de setembro de 2016
“AS MONTANHAS SE SEPARAM” (“Shan He Gu Ren”), China, 2015,
direção de Zhang-Ke Jia (“Um Toque de Pecado” e “Em Busca da Vida”). A história
começa em 1999, na província de Shanxi. A jovem Tao (Zhao Tao), 18 anos, é disputada
por dois amigos de infância, Zhang Jinsheng (Yi Zhang) e Liangzi (Jing Dong
Liang). Zhang é proprietário de um posto de gasolina, rico, empreendedor.
Liangzi é pobre, trabalha numa mina de carvão. Tao acaba casando com Zhang,
enquanto Liangzi, para fugir da mulher amada, muda de cidade para tentar uma
vida nova. Aí o filme pula para 2014. Tao está separada do marido e perde a
guarda do filho, enquanto Liangzi, muito doente, volta para Shanxi com a mulher
e o filho. O filme dá mais um salto e chega a 2025. Estamos na Austrália e, a
partir daí, a história fica centrada no filho de Tao e Zhang, já um rapaz, e
sua relação de amizade com a professora Mia (Sylvia Chang). O clima do filme é
novelesco, melodramático, e alguns fatos incoerentes prejudicam o seu
desenrolar, como o sumiço repentino e inexplicável de alguns personagens até
então importantes, como Liangzi e a própria Tao. Resumindo, o filme é fraco, um
tanto enfadonho, embora tenha uma bela fotografia e cenários deslumbrantes. O
filme foi exibido na competição oficial do Festival de Cannes 2015, sendo
recebido sem muito entusiasmo.
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
“LABIRINTO DE MENTIRAS” (“Im Labyrinth des
Schweigens”), 2015, Alemanha, 127 minutos, filme de estreia do
diretor italiano Giulio Ricciarelli, que também escreveu o roteiro, baseado em
fatos reais, em parceria com Elisabeth Bartel. Berlim, 1958. Treze anos depois
do fim da Segunda Grande Guerra, ao passar na porta de uma escola, um
jornalista vê um professor que havia sido seu torturador em Auschwitz, famoso
campo de concentração instalado na Polônia pelos nazistas. O jornalista faz a
denúncia ao jovem procurador Johann Radmann (Alexander Fehling), que inicia a
investigação sobre os supostos crimes de guerra praticados pelos alemães (na
época, se sabia pouco sobre o Holocausto). Determinado a punir os alemães que
trabalharam em Auschwitz e foram responsáveis pelas mais diversas atrocidades, entre
eles Adolf Eichmann e Josef Mengele, o procurador enfrentará inúmeros obstáculos.
Um deles, colocado pelas próprias autoridades governamentais da Alemanha, que
não gostariam que o assunto voltasse à tona. Ao longo de seu trabalho, Radmann
descobrirá que o nazismo esteve bastante entranhado na sociedade alemã durante
a guerra. O esforço de Radmann culminou, em 1963, com o famoso “Julgamento de Frankfurt”,
ao final do qual foram condenados 18 alemães que cometeram atrocidades em Auschwitz.
Candidato oficial da Alemanha ao Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar
2016, o filme foi exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo,
em outubro de 2015. Imperdível!
domingo, 25 de setembro de 2016
“AURORAS NASCEM TRANQUILAS” (“A ZORI ZDES TIKHIE”), 2015, Rússia,
direção de Renat Davletyarov. Trata-se da refilmagem do filme do mesmo nome
produzido em 1972 e que foi nomeado para disputar o Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro em 1973. Baseada em fatos reais, relatados no livro escrito por Boris Vasilyev, a história é ambientada na província de Karelia
(fronteira da Rússia com a Finlândia) durante a primavera de 1942. Aqui está
instalada uma pequena unidade de artilharia antiaérea formada por jovens
mulheres inexperientes sob o comando do sargento Fedot Vaskov (Pyotr Fyodorov).
O filme enaltece o feito heroico dessas corajosas mulheres, que lutaram bravamente
contra um batalhão de elite do exército alemão que planejava explodir as
ferrovias de Kirov e do Mar Branco. Embora em menor número, a unidade feminina
conseguiu conter os alemães até a chegada de reforços. O filme é historicamente
interessante, pois faz menção a vários episódios da Segunda Grande Guerra ocorridos em
território russo. O filme procura amenizar o pano de fundo trágico com alguns
momentos de humor, principalmente durante o treinamento das jovens recrutas.
Por falar nelas, são todas representadas por atrizes russas muito bonitas. Será
que as personagens originais também eram? Duvido. De qualquer forma, o filme é bastante
atrativo, com muita ação e suspense. Enfim, mais um bom drama de guerra que vale a pena ser visto.
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Um terrível
e chocante fato histórico pouco conhecido é o tema central do excelente drama
francês “AGNUS DEI” (“LES INOCCENTES”), 2015, roteiro
de Madeleine Pauliac e direção de Anne Fontaine. Ao final da Segunda Guerra
Mundial, soldados russos estupraram várias freiras de um convento no interior
da Polônia. Muitas delas engravidaram e precisaram de cuidados médicos. A enfermeira
francesa Mathilde Beaulieu (Lou de Laâge), que na ocasião trabalhava para a
Cruz Vermelha no atendimento a cidadãos do seu país num acampamento próximo ao
convento, foi procurada por uma das freiras para realizar o parto de uma delas.
No convento, Mathilde viu que outras freiras precisavam de cuidados médicos,
pois também estavam grávidas. Para isso, Mathilde teria de enfrentar duas
grandes dificuldades. A primeira delas: as freiras não permitiam que fossem
tocadas. Segunda dificuldade: Mathilde estava proibida de sair de seu posto.
Ela saía escondida, na maioria das vezes de madrugada, para prestar atendimento
às freiras. A jovem atriz francesa Lou de Laâge dá um show de interpretação.
Também deve ser destacado o trabalho das atrizes polonesas que formam o resto do elenco, principalmente Agata Kulesza (madre
superiora), Agata Buzek (irmã Maria) e Joanna Kulig (irmã Irena). Um filme
forte, de grande impacto, que merece ser visto. Da mesma diretora, recomendo o
ótimo “Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte”, bem mais leve.
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
O drama
biográfico canadense “BORN TO BE BLUE” (ainda sem tradução por aqui) é baseado
na vida do lendário trompetista e cantor de jazz Chet Baker (1929/1988). A
história é toda ambientada nos anos 60, quando Chet (Ethan Hawke) tenta
recuperar a carreira depois de ficar preso por porte de drogas. Seu vício em
heroína o levaria à decadência artística e à morte. O roteirista e diretor
Robert Budreau (este é o seu segundo longa) centra a história no romance de Chet
com Jane (Carmen Ejogo), uma atriz em início de carreira, e nos desafios
enfrentados pelo músico para voltar à cena do jazz. Além das drogas, ele tinha
problema com seus dentes da frente, arrebentados por capangas de um traficante
para o qual Chet devia uma grana. Ele tocava com os dentes colados e, muitas
vezes, tinha de segurá-los para não caírem durante as apresentações. O filme é
simplesmente espetacular, um primor para os olhos e ouvidos. O desempenho de
Hawke é incrível e a trilha sonora simplesmente deliciosa. Uma das cenas mais
bonitas e emocionantes acontece num estúdio onde Chet se apresentaria para importantes
produtores musicais. Ele canta e toca “My Funny Valentine”. Mesmo com o pedido dos
técnicos do estúdio para que a plateia não se manifeste durante e depois da
apresentação, já que seria tudo gravado, o pessoal não consegue segurar os aplausos no final. É de arrepiar, assim como sua apresentação ao vivo no Birdland, famoso clube de jazz de Nova Iorque, onde ele toca e canta "Born to be Blue", a canção que dá nome ao filme. Na plateia, entre os que aplaudem Chet com entusiasmo, estão nada menos do que Dizzy Gillespie e Miles Davis, outros monstros sagrados do jazz. O filme estreou no Toronto
International Film Festival, em setembro de 2015, arrancando elogios do público
e dos críticos. Realmente, um filmaço. Simplesmente imperdível!
domingo, 18 de setembro de 2016
O drama “MEU AMIGO HINDU”, 2015, foi o último filme escrito
e dirigido pelo diretor argentino – naturalizado brasileiro – Héctor Babenco,
que morreu em julho de 2016. O filme é todo falado em inglês, certamente para
facilitar o trabalho do ator Willem Dafoe, o principal protagonista. O restante
do elenco é de primeira: Maria Fernanda Cândido, Reynaldo Gianecchini, Bárbara
Paz, Selton Mello, Ary Fontoura, Dan Stulbach, Dalton Vigh, Maitê Proença e
Tânia Khalill. Conforme prometeu nos créditos iniciais – “O que você vai
assistir é uma história que aconteceu comigo e conto da melhor maneira que sei”
–, Babenco conta sua própria história de sofrimento na luta contra um câncer
linfático. O longo tratamento ao qual foi submetido, antes e depois do
transplante de medula óssea, toma conta de grande parte do filme. É num
hospital de Washington (EUA) que ele conhece o tal amigo hindu do título, um
garoto indiano de 8 anos também internado para tratar de um câncer. Babenco – que
no filme é Diego Fairman – costumava contar histórias para o menino durante as
sessões de quimioterapia. Os críticos profissionais não gostaram do filme. Eu
não achei assim tão ruim. Concordo, porém, que não faz jus à competência
habitual de Babenco, comprovada em filmes como “Pixote, A Lei do mais Fraco”, “Lúcio
Flácio, Passageiro da Agonia”, “O Beijo da Mulher Aranha”, “Carandiru” e “Ironweed”,
no qual dirigiu Jack Nicholson e Meryl Streep.
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
“UM ROMANCE PROIBIDO” (“AMIRA & SAM”), EUA,
2014, roteiro e direção de Sean Mullin, estreante em longas – ele é mais
conhecido como roteirista e diretor de curtas. O filme é um drama romântico com
algumas – poucas - pitadas de humor. Conta a história de Amira (a atriz saudita
Dina Shihabi), uma imigrante ilegal iraquiana que vive em Nova Iorque vendendo
DVD’s piratas. Por intermédio de seu tio, Amira acaba conhecendo Sam (Martin
Starr), ex-soldado americano que lutou no Iraque. No começo, Sam é rejeitado
por Amira por causa da guerra – os americanos mataram seu irmão. Aos poucos, os
dois acabam se apaixonando. Tudo muito previsível e forçado demais. Insosso demais. O ator
Martin Starr é feio e sem graça, tem um jeito meio bobalhão. Com essa falta de
carisma, fica difícil aturá-lo durante os 90 minutos de projeção. Dina Shihabi também
não é bonita, mas tenta pelo menos ser espontânea, mas também não consegue angariar muita
simpatia. Enfim, um casal sem aquele “tchan”
para comover o espectador e fazê-lo torcer por um final feliz. Aliás, para quem assistir, o final feliz será
quando o filme termina. Descartável!
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
“O EXÉRCITO DO CRIME” (“L’ARMÉE DU CRIME”), 2009,
França, roteiro de Gilles Taurand e direção de Robert Guédiguian. Este é, sem
dúvida, um dos melhores filmes sobre a resistência francesa à ocupação nazista
durante a Segunda Grande Guerra. Baseada em fatos reais, a história relembra a
luta de um grande grupo de militantes autodenominado Exército de Libertação, responsável
por inúmeros atentados que mataram oficiais e soldados alemães. Interessante
que, além de franceses, o grupo tinha imigrantes romenos, espanhóis, poloneses,
judeus, italianos, húngaros e armênios, pessoas que amavam a França, lutaram e
morreram por ela. O maior mérito do filme foi destacar a vergonhosa e covarde colaboração
das autoridades policiais francesas aos nazistas, principalmente na repressão
ao pessoal da Resistência. Em fevereiro de 1944, 22
homens e uma mulher, militantes do Exército de Libertação, foram fuzilados
pelos alemães, que depois distribuíram cartazes com a foto de cada um deles e com
o título de “O Exército do Crime”. No ótimo
elenco, os mais conhecidos são Simon Abkarian, Virginie Ledoyen e Jean-Pierre
Darkoussin. Filme obrigatório para quem quer conhecer um pouco mais sobre esse período
negro - e ao mesmo heróico - da história mundial. Do diretor Guédiguian, recomendo também o
maravilhoso “As Neves do Kilimanjaro”, um dos melhores filmes franceses deste
século.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
“BISTRÔ ROMANTIQUE” (“Brasserie Romantiek”), 2014,
Bélgica, longa de estreia do diretor Joël Vanhoebrouck. Comédia inteligente e
muito divertida, cuja ação é toda ambientada no restaurante do título.
Pasqualine (Sara de Roo), uma das proprietárias, é quem organiza as reservas e
recebe os clientes. A relações-públicas da casa. Seu irmão e sócio, Angelo
(Axel Daeseleire), é o chef da
cozinha. É noite do Dia dos Namorados e, portanto, as reservas foram feitas só
por casais, com exceção de um cliente: Frank (Koen de Bouw), antigo namorado de
Pasqualine. Ela vai pirar depois de receber uma inusitada proposta de Frank. Entre
os clientes da noite, um casal de meia-idade passando por um momento difícil no
casamento, um quarentão tímido que marca encontro pela Internet, uma quarentona
bonita prestes a se suicidar fazendo “roleta-russa” com uma caixa de bombons,
um velho metido a besta querendo mostrar que entende de vinhos, enfim, tipos
estranhos colocados em situações bastante divertidas. Ao mesmo tempo, a câmera
invade a todo instante a cozinha do restaurante, mostrando o estressante
trabalho de Angelo e seus assistentes na elaboração dos pedidos. É de dar água
na boca. O filme é, literalmente, uma delícia. Imperdível!
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
“A MARCHA” (“La Marche”), França,
2015, roteiro e direção do belga Nabil Ben Yadir. Baseado em fatos reais, o
filme aborda um assunto que continua mobilizando a Europa: a questão dos
imigrantes. O filme francês relembra o caso que ficou famoso em 1983, ou seja,
a marcha por direitos civis, pela igualdade e contra o racismo, organizada por
um pequeno grupo de imigrantes árabes e alguns simpatizantes, entre eles o
padre Dubois (Olivier Gourmet), a canadense Claire (Charlotte Le Bon) e o
francês Sylvain (Vincent Rottiers). Inspirado nos exemplos de Gandhi e Martin
Luther King, o grupo partiu de Marselha com o objetivo de chegar a Paris, em
meio ao rigoroso inverno francês, num trajeto de cerca de 800 km. Durante o
percurso, eles foram chamando a atenção da opinião pública e da mídia, o que
era um dos objetivos da marcha, além de receber o ingresso de muitos
voluntários e simpatizantes da causa pelo caminho. Aos poucos, a turma foi crescendo e, em Paris, já
eram mais de 100 mil pessoas. A marcha assumiu tal importância que o presidente
da época, François Mitterrand, fez questão de receber seus líderes. Depois da
marcha, os imigrantes na França conseguiram algumas conquistas, mas, como se vê
hoje em dia, ainda falta muito para serem considerados verdadeiros cidadãos
franceses. Embora em outro contexto, o filme lembra muito o norte-americano “Selma”,
que aborda a marcha organizada por Martin Luther King, na década de 60, pelo
fim do racismo. Ainda no elenco do ótimo filme francês estão Hafsia Herzi,
Jamel Debbouze e Lubna Azabal. Programão!
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