“ASSALTO!” (“ATRACO!”), 2012,
coprodução Argentina/Espanha, 112 minutos, direção de Eduard Cortés, que também
assina o roteiro com Piti Espanhol e Marcelo Figueras. Trata-se de um misto de
policial noir com comédia, cuja história apresenta um lado ficcional e
outro baseado em fatos reais. A trama é toda ambientada em 1955, quando o
general Juan Domingo Peron, ex-presidente da Argentina, estava exilado no
Panamá. Um de seus principais assessores, Landa (Daniel Fanego), fica encarregado
de arrecadar recursos financeiros para bancar o exílio do general na Espanha.
Sem Peron saber, ele simplesmente resolve penhorar as valiosas jóias de Evita Perón na joalheria mais
famosa da Espanha, em Madrid. O negócio ficou no maior segredo, pois nem os
funcionários ficaram sabendo. Até que um dia a esposa do Generalíssimo Franco,
Carmen Polo, vai até a joalheria e fica encantada com as jóias de Evita
apresentadas por um desavisado funcionário. Carmen pede que as reserve e que
voltaria logo depois para comprá-las. É aí que a coisa complica. Landa, em
cumplicidade com o proprietário da joalheria, resolve planejar um assalto para
recuperar as jóias e não deixá-las cair nas mãos da primeira-dama espanhola.
Para isso, convoca dois fanáticos peronistas, Merello (Guillermo Francella),
ex-segurança de Perón, e o jovem e inexperiente Miguel (Nicolás Cabré), um
pretendente a ator que imita Carlitos. As trapalhadas da dupla dão um toque
especial de humor, além das situações que envolvem o planejamento e a execução
do assalto. Para complicar ainda mais, Miguel se apaixona pela enfermeira
Teresa (Amaia Salamanca, a atriz mais bonita do atual cinema espanhol). Será
que a dupla conseguirá recuperar as jóias de Evita? Consiga a resposta
assistindo a este ótimo e divertido filme, que infelizmente não foi exibido por
aqui no circuito comercial. Uma pena. Não perca!
sábado, 2 de novembro de 2019
quinta-feira, 31 de outubro de 2019
“STAN E OLLIE – O GORDO E O
MAGRO” (“STAN & OLLIE”), 2018, Inglaterra, 1h39m,
direção do escocês Jon S. Baird, com roteiro de Jeffe Pope (do premiado “Philomena”).
Quem tem um pouco mais de idade e curtiu os tempos áureos do cinema conheceu
muito bem “O Gordo e o Magro”, dupla de comediantes que participou de mais de
100 filmes em Hollywood que foram sucesso no mundo inteiro. Mas quem conhece
Oliver Hardy e Stan Laurel? “Stan & Ollie” se propõe a dar essa resposta,
apresentando o retrato íntimo dos atores e suas personalidades, além da forte
amizade que os unia há tantos anos. Prepare-se para se divertir, se comover e
se emocionar. O filme começa em 1937, quando a dupla de comediantes estava no
auge do estrelato – eles reinaram em Hollywood e fizeram milhões de fãs no
mundo inteiro entre as décadas de 20 e 30 do século passado. Devido a uma
desavença que envolveu o famoso produtor Hal Roach (Danny Huston), que os
acompanhava desde o início da carreira, Oliver Hardy (John C. Reilly), o
“Gordo”, e Stan Laurel (Steve Coogan), o “Magro”, acabaram se separando.
Somente muitos anos depois, em 1953, voltariam a atuar juntos. Sem dinheiro e
em plena decadência artística, eles foram contratados para uma turnê por países
da Grã-Bretanha, primeiramente Irlanda e Escócia, atuando em teatros decadentes
e com pouco público, para terminar com um “gran finale” em Londres. A promessa
dos empresários que os reuniram era a de produzir um filme para relançar a
dupla caso a turnê fosse um sucesso. Nessa fase, entram em cena as esposas Lucille
Hardy (Shirley Henderson) e Ida Kitaeva Laurel (Nina Arianda), que sempre
tiveram papel importante na carreira dos seus maridos. A relação pessoal entre
as duas dependia dos humores dos seus companheiros. Se eles brigavam, elas
também brigavam. Hardy, o Gordo, aceitava que Laurel, o Magro, escrevesse os
esquetes e os diálogos. Laurel era o cérebro da dupla, o que perdurou até a
morte de Hardy, fato que determina o desfecho do filme. O desempenho de John C.
Reilly e Steve Coogan é sensacional. Eles captaram com perfeição os trejeitos
dos personagens que representam. Chega a ficar difícil distinguir eles dos
verdadeiros. A maquiagem de Reilly, que demorava três horas a cada dia de
gravação, é mais um destaque dessa maravilhosa produção inglesa. Os dois atores,
aliás, foram premiados em vários festivais, Reilly, por exemplo, com o Globo de
Ouro/2019 como Melhor Ator de Comédia e Coogan com o BAFTA (Academia Britânica
de Cinema e Televisão). Na verdade, se houvesse justiça, ambos teriam que
receber o Oscar. Mas, como dizia Geraldo Vandré, a vida não é só feita de
festivais. Resumo da ópera: “Stan & Ollie” é simplesmente espetacular, comove
e diverte, garantindo um ótimo entretenimento. Espere os créditos finais e se
divirta ainda mais. IMPERDÍVEL IMPERDÍVEL em dobro!
quarta-feira, 30 de outubro de 2019

segunda-feira, 28 de outubro de 2019
“YESTERDAY”, 2019,
Inglaterra, 1h57m, direção de Danny Boyle, com roteiro assinado por Richard
Curtis. Misto de musical, fantasia e comédia romântica, o filme é, na verdade,
uma sensível e emocionante homenagem aos The Beatles. Só a deliciosa trilha
sonora vale o ingresso. Mas vamos à história. Jack Malik (Himesh Patel) é um
jovem músico filho de imigrantes indianos que ganha um dinheirinho se apresentando
em espeluncas da periferia de Londres. A amiga de infância Ellie Appleton (Lily
James) é a sua devotada empresária - e talvez única fã. Sem propostas de
trabalho, Malik está quase desistindo de seguir carreira como músico quando acontecem
dois fatos que transformarão completamente a sua vida. Ele é atropelado por um
caminhão e, ao mesmo tempo, ocorre no mundo inteiro um apagão de 12 segundos. Malik
se recupera bem do acidente e, logo depois, encontra seus amigos para comemorar
seu restabelecimento. Quando lhe pedem para cantar uma música, ele ataca de “Yesterday”.
Ninguém tinha ouvido a canção. Chocado, ele diz que foi composta por Paul McCartney, do
The Beatles. Ninguém conhecia. Todos acharam que a música tinha sido feita
mesmo por Malik. E assim segue a história, Malik se consagrando como grande
compositor e dá-lhe maravilhas como “Something”, “Let it Be”, “The Long &
Winding Road”, “He Comes the Sun” e tantas outras. Malik vira um sucesso
mundial, com direito a um romance mais do que previsível. Mas como é um cara boa gente, ele começa a sentir remorso pela farsa. Sério, dá para
imaginar um mundo sem The Beatles? (o apagão também “apagou” do mapa a Coca-Cola
e os cigarros). Quem imaginou tamanha fábula foi o veterano roteirista Richard
Curtis, que tem no currículo filmes como “Mamma Mia!” e “Quatro Casamentos e um
Funeral”. Outro veterano do cinema, o diretor Danny Boyle já tem um Oscar de Melhor
Diretor em 2009 pelo excelente “Quem quer ser Milionário?”, além de filmes como
“Trainsporting – Sem Limites”, “Steve Jobs” e “127 Horas”. Somando toda essa
competência, mais a homenagem aos The Beatles, a trilha sonora e o ótimo
elenco, “Yesterday” é uma deliciosa diversão. Uma viagem imperdível!
domingo, 27 de outubro de 2019
“O OUTRO PAI” (“A Pesar de
Todo”), 1h18m, comédia espanhola com produção da Netflix - lançamento mundial aconteceu dia 3 de maio de 2019, direção de Gabriela Tagliavini, que também
assina o roteiro juntamente com Eugene B. Rhee e Helena Rhee. Vamos à sinopse: quatro
irmãs que não se viam há anos reencontram-se para o velório e enterro da mãe. Na
hora de ouvirem o testamento deixado pela falecida – o pai está completamente
gagá, fora de sintonia -, as irmãs assistem a um vídeo da mãe com uma revelação
surpreendente e chocante: o pai que as criou não é o biológico. Cada uma delas
é filha de um pai diferente. Ou seja, a falecida pulou várias cercas. No vídeo,
ela fornece várias pistas para que as filhas encontrem seus verdadeiros pais
biológicos. Elas viajam por várias cidades da Espanha e finalmente conseguem encontrá-los,
mas não será exatamente o que esperavam. Só para citar um exemplo, tem até um
padre no meio. Até que a comédia tem momentos bastante engraçados, mas seu
trunfo maior é o elenco de atrizes, principalmente o quarteto formado pelas
irmãs, representadas pelas mais lindas e competentes atrizes do cinema espanhol:
Blanca Suárez, Amaia Salamanca, Macarena Garcia e Belén Cuesta. Um quarteto pra
lá de fantástico. O elenco ainda conta com as veteranas Marisa Paredes e Rossy
de Palma, além de Carlos Bardem, o irmão mais velho do ator Javier Bardem. Mais
uma razão do sucesso dessa comédia é a competência da diretora argentina
Gabriela Tavigliaini, também conhecida por ter dirigido outras duas boas comédias:
“Cómo Cortar a Tu Patán”, de 2017, e “Cadê os Homens?”, de 2011. Ele ainda teve
sua experiência em Hollywood, em 2013, quando dirigiu Sharon Stone em “A
Fronteira”, um filme de ação e suspense. “O Outro Pai” é um filme bastante
alegre e divertido. Vale a pena.
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
Divulgado como uma comédia
dramática, “LIMITES” (“BOUNDARIES”), 2018, Canadá/EUA, 1h44m, tem mais
humor do que drama, o que tornou este filme independente numa agradável opção de
entretenimento. É o ótimo elenco que se sobressai: Vera Farmiga, Christopher
Plummer, Lewis MacDougall, Christopher Lloyd, Bobby Carnavale e Peter Fonda – foi o último filme do filho de Henry e irmão de Jane, que morreu em agosto de 2019. Excelente também é o trabalho
da jovem roteirista e diretora Shana Feste, que mesclou drama e humor na dose
certa. A história começa com Laura (Farmiga) enfrentando os problemas causados
por seu filho adolescente Henry (Lewis MacDougall), expulso da escola por
desenhar eróticos explícitos de mulheres e homens nus. Não bastasse isso, Laura ainda recebe a notícia
de que seu pai Jack (Plummer) acaba de ser expulso do asilo em que morava por
ter plantado maconha no jardim. Sem saber o que fazer a respeito, e muito a
contragosto, já que ele havia abandonado a família muitos anos atrás, Laura
decide buscar o pai. Não para ficar com ela, mas sim para levá-lo até a casa da
irmã Jojo (Kristen Schaal), em Los Angeles. Uma longa viagem, a partir do Texas.
E lá vão nossos viajantes, grupo que inclui o filho de Laura e mais os
cachorros da família. Começa o road movie. O avô e o neto, que não se conheciam,
fazem amizade durante o caminho. Não só amizade, como também uma cumplicidade
escondida de Laura, já que os dois passam a viagem vendendo maconha. No meio do
caminho, Jack ainda terá a oportunidade de rever dois antigos parceiros de
crimes, Stanley (Christopher Lloyd) e Joey (Fonda). E Laura de rever o ex-marido
Leonard (Carnavale), que finalmente conhecerá o filho. Apesar de todos esses acontecimentos,
o filme é mais focado na difícil relação entre pai e filha, ambos tentando aparar
as arestas traumáticas do passado. Enfim, uma jornada bem divertida, valorizada
pelo desempenho magistral de Vera Farmiga e do experiente Christopher Plummer.
IMPERDÍVEL!
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
“55 PASSOS” (“55 STEPS”), 2017,
coprodução Alemanha/Bélgica/Estados Unidos, 1h55m, direção de Bille August, com
roteiro de Mark Bruce Rosin. O filme, baseado em fatos reais e falado em
inglês, relembra uma batalha jurídica que teve grande repercussão nos Estados Unidos
no final dos anos 80 do século passado. Eleanor Riese, uma paciente da unidade
psiquiátrica do St. Mary’s Hospital and Medical Center, na cidade de São
Francisco, solicitou uma advogada para lutar por seus direitos de paciente, ou
seja, para deixar de tomar medicação em excesso e sem seu consentimento,
causando em Eleanor sérios efeitos colaterais. Quem assumiu seu caso foi a
advogada Colette Hughes que, com a ajuda do professor de direito constitucional
Mort Cohen, conseguiu entrar com uma ação contra o St. Mary’s Hospital, levando
a questão a julgamento na Corte Suprema da Califórnia. O resultado vitorioso de
Colette e Cohen mudou os rumos da psiquiatria nos Estados Unidos, tornando os
tratamentos mais humanizados. A atriz britânica Helena Bonham Carter, com uma
atuação magistral, faz o papel de Eleanor. A atriz norte-americana Hilary Swank
é a advogada Coletteiré e o ator Jeffrey Tambor representa o professor Mort
Cohen. Bonham Carter assumiu o papel de Eleanor após a desistência de Vera Farmiga,
inicialmente indicada para o papel. O veterano diretor dinamarquês Bille August ganhou
destaque ao vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o Globo de Ouro em
1989, além da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano anterior com o filme “Pelle,
o Conquistador”. Além deste, um espetáculo, também assisti a outros bons filmes
dirigidos por August, como “Trem Noturno para Lisboa”, “Os Miseráveis”, “As
Melhores Intenções” e “Casa dos Espíritos”. Portanto, história, elenco, roteiro
e direção fizeram de “55 Passos” um excelente entretenimento. Uma informação
final: os tais “55 Passos” dizem respeito aos degraus da escada que todo mundo
é obrigado a subir para chegar ao andar principal da Corte Suprema da
Califórnia.
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
Nunca
fui muito fã do gênero terror, embora tenha assistido a filmes muito bons. Como
exemplo, posso citar alguns: “O Iluminado”, “O Bebê de Rosemary”, “O Exorcista”
e “Alien, o 8º Passageiro”, entre outros. Mas os melhores continuam sendo os
filmes com o personagem Dr. Phibes, com Vincent Price, e os de Drácula, com
Christopher Lee. Quem teve a oportunidade de assistir a todos estes que citei, vai
se decepcionar com o terror inglês “O DEMÔNIO DO SONO” (“MARA”), 2018, produção
Netflix (estreou mundialmente no dia 7 de setembro de 2018), 1h38m. Trata-se do
primeiro longa-metragem dirigido por Clive Tonge, mais conhecido como diretor de
curtas. O roteirista é Jonathan Frank, o mesmo de “Vingança entre Assassinos” (2009)
e “Jogada Final (2017). Mesmo com a presença da linda e ótima atriz ucraniana
Olga Kurylenko, de "007 – Quantum of Solace”, no papel principal, o filme não
deslancha, fruto de uma história fantasiosa demais, beirando o ridículo, e um elenco
fraquíssimo, que parece atuar no piloto automático, incluindo a atriz ucraniana.
A psicóloga criminal Kate (Kurylenko) é
recrutada pela polícia para decifrar o perfil psicológico de um criminoso que
estava matando pessoas com uma dose cavalar de crueldade, incluindo quebrar o pescoço
das vítimas. O grande mistério é que não há evidências no local do crime. Kate acaba
se envolvendo demais na história, principalmente depois que conhece Helena
(Rosie Fellner), uma mulher que diz ter sido atacada pelo “demônio do sono”.
Até desvendar o mistério, Kate também estará na lista do assassino, assim como
outras vítimas. Essa história de pessoas que caem no sono e são atacadas já foi
tema de filmes muito melhores, como “A Hora do Pesadelo” e “Pesadelos Mortais”.
Embora tenha alguns bons sustos, “Mara” está na Série C dos filmes de terror.
domingo, 20 de outubro de 2019

sexta-feira, 18 de outubro de 2019
“TERRORISTA AMERICANO” (“The Martyr Maker”), 2018, Estados Unidos, 1h36m, roteiro e direção
de Kamal Ahmed (trata-se do seu quinto longa-metragem). O agente da CIA Terry
Davis (Tom Sizemore) é encarregado de localizar e prender um grupo de
terroristas que recruta e treina jovens norte-americanos, de famílias árabes para
o Jihad (luta armada dos muçulmanos contra os infiéis e inimigos do Islã). Ao
mesmo tempo, o agente da CIA tenta descobrir o paradeiro de Abbaz (Cory Duval),
um perigoso terrorista que teria entrado clandestinamente nos EUA. Abbaz teria
recebido a missão de recrutar jovens norte-americanos, de famílias árabes, para
serem treinados pelo líder muçulmano Saif-Uddin Mohamed (Shiek Mahmud-Bey). Entre
os jovens recrutados está Zahid Khoury (Alexander Mercier), especialista em
montar sites. Ele será o encarregado de divulgar a causa através das redes
sociais e ajudar no treinamento de jovens terroristas. O mais interessante de “Terrorista
Americano” é o destaque dado à estratégia empregada pelo líder Saif-Uddin para
fazer a lavagem cerebral nos jovens. O diretor Kamal Ahmed dedica grande espaço
do filme para mostrar os sermões de Saif-Uddin, cheios de ódio contra o mundo
ocidental, principalmente contra os Estados Unidos. São bastante esclarecedores. “Terrorista Americano” é um
ótimo programa para quem quiser conhecer, com mais detalhes, o pensamento dos muçulmanos
radicais.
“SOMBRA LUNAR” (“IN THE SHADOW
OF THE MOON”), 2019, EUA, produção Netflix (a estreia mundial aconteceu dia 27 de
setembro de 2019), 1h55, direção de Jim Mickle, roteiro assinado por Geoffrey
Tock e Gregory Weidman – sempre dou nome aos “bois”, pois se não gostarem do
filme podem xingá-los à vontade. Brincadeiras à parte, vamos ao comentário. Trata-se
de uma ficção científica, embora no início, meio e quase até o fim pareça um filme
policial, o que me prendeu a atenção, pois não sou muito chegado ao gênero
ficção científica. O filme começa num futuro não muito distante, mostrando a
cidade da Filadélfia (Pensilvânia) completamente destruída. A história volta
até 1988, na mesma cidade, onde ocorrem três mortes misteriosas – um cozinheiro,
uma motorista de ônibus e um pianista, todos sangrando pelos olhos, pela boca,
pelos ouvidos e pelo nariz. Com um detalhe: dois furinhos na nuca. Os policiais
Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) e Holt (Michael C. Hall) ficam encarregados de
desvendar todo esse mistério. Para (tentar) explicar o que aconteceu, os
roteiristas inventaram uma trama bastante complicada, utilizando uma serial
killer (a morenaça Cleopatra Coleman), que aparece e desaparece, além de
viagens no tempo e um cientista indiano (ou paquistanês) totalmente maluco. A assassina vai e volta no tempo a cada 9 anos, de acordo com
as fases da lua. E os policiais sempre no seu encalço, durante 27 anos. Esperei
com curiosidade pelo desfecho, que certamente explicaria toda essa misteriosa
história. Realmente, explicou, mas não entendi nada. Talvez um cientista possa decifrar,
quem sabe um Nobel de Física. Repito, o filme só me prendeu até o fim porque
parecia um filme policial. Na verdade, trata-se apenas de caso de polícia... Tente
assistir, e depois veja se não tenho razão.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019

terça-feira, 15 de outubro de 2019

domingo, 13 de outubro de 2019
O drama independente “MONSTROS
E HOMENS” (“MONSTERS AND MEN”), 2018, EUA, 1h38m, aborda uma questão que
está sempre em evidência no país do Tio Sam: a violência de policiais brancos
contra cidadãos negros. Com roteiro e direção de Reinaldo Marcus Green (é o seu
longa-metragem de estreia; ele é mais conhecido como diretor de curtas), o
filme conta a história de um brutal assassinato ocorrido no Brooklin. Numa
abordagem policial, um sujeito negro muito conhecido e querido pelo pessoal do
bairro é abordado pelos policiais, reage e toma um tiro. O episódio é testemunhado
por várias pessoas e filmado no celular pelo imigrante latino-americano Manny
(Anthony Ramos), que envia a filmagem para as autoridades e a espalha pelas
redes sociais. É claro que acaba sendo perseguido pela polícia. Enquanto isso,
o policial negro Dennis (John David Washington, filho do ator Denzel
Washington) acompanha tudo de perto, mas procura não se envolver, já que acaba
de ser promovido. O roteiro inclui mais um personagem importante, testemunha do
crime, o jovem jogador negro de beisebol Zyric (Kelvin Harrison Jr.). Ao
estrear no Festival de Sundance 2018 (o mais importante festival de filmes independentes), “Monsters and Men” ganhou grande repercussão na mídia e elogios
da crítica. Sem dúvida, um bom filme, apesar de tocar numa ferida que já virou
clichê no cinema norte-americano.
Quem torce o nariz para o
cinema asiático e o rejeita está perdendo ótimos filmes. Só para citar um
exemplo, “Parasite”, do diretor sul-coreano Bong Joon-Ho, acabou de conquistar
a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2019. Nos últimos anos, assisti a vários
filmes sul-coreanos e eles realmente estão arrasando, principalmente no gênero
filmes de ação (“O Túnel”, de 2016, é sensacional). Fiz questão de escrever
esta introdução para apresentar “O ESPIÃO – OPERAÇÃO SECRETA” (“SEU-PA-I”),
2015, direção de Lee Seung-Jun, com roteiro de Yoon Je-Kyoon e Park Su-Jin.
Trata-se de um misto de comédia e filme de ação, aliás, 2 horas de muita ação. Vamos
à história: Chul-Soo (Sol Kyung-Gu) é o mais famoso agente secreto da Coréia do
Sul. Nem sua esposa, a aeromoça Baek Seol Hui (a ótima Han Ye-ri), conhece a
profissão que ele exerce há vários anos para o governo sul-coreano. O casal
quer ter um filho, mas as viagens de Chul-Soo – missões em outros países – têm dificultado
esse objetivo. A próxima missão de Chul será executada na Tailândia, ou seja,
capturar um grupo de terroristas que negocia com os russos a compra de uma bomba nuclear para
ser lançada contra a Coreia do Norte, com o objetivo de provocar uma guerra
entre os dois países. No filme, as duas Coreias tentam um acordo para a sua reunificação. Enquanto prossegue na sua missão, Chul descobre que sua esposa
também está na Tailândia e aí a confusão está formada, ainda mais que Baek é cortejada
justamente pelo chefe dos terroristas, Ryan (o bonitão Daniel Henney). “O Espião” é divertido, tem muita ação,
perseguições, pancadaria e tiros pra tudo que é lado. A cena do tiroteio dentro de um restaurante é espetacular. O filme todo é de tirar o fôlego. Programão. Não percam!
sexta-feira, 11 de outubro de 2019

“DESTRUIDOR” (“VARGUR” – a tradução
do islandês para o português é minha, pois o filme não chegou por aqui e duvido
que chegue), 2018, coprodução Islândia/Dinamarca, 1h35m, roteiro e direção de Börkur
Sigthorsson). Trata-se de um suspense policial centrado em dois irmãos que
pretendem contrabandear cocaína de Copenhagen (Dinamarca) para Reikjavik, capital
do seu país natal, a Islândia. Para isso, requisitam para servir de “mula” uma
jovem polonesa. Erik (Gísliörn Garoarsson), um dos irmãos, é alto executivo de
uma empresa contra a qual aplicou um golpe e precisa de dinheiro para cobrir a
dívida. Atli (Baltasar Breki Samper), o outro irmão, é um sujeito fracassado e,
pior, acaba de sair da prisão. O combinado é que a jovem Sofia (Anna Próchniak)
engula várias cápsulas com cocaína para “desová-las” em Reikjavik. Entre os
percalços do plano, um torna-se um problema e tanto: Sofia começa a passar mal
no avião e, quando chega, piora ainda mais. Ao mesmo tempo, os policiais do
aeroporto de Reykjavik desconfiam da menina e de seu acompanhante, Atli, e
avisam a polícia. Cabe à agente Lena (Marijana Jankovic) montar a estratégia
para tentar capturar os irmãos traficantes e salvar Sofia. Não dá para contar
mais, senão estrago o desfecho. Quanto ao cinema islandês, lembro de já ter
assistido a alguns, três deles muito bons: “A Sombra da Árvore”, 2017, “Desajustados”
e “Pardais”, ambos de 2015. A utilização da Islândia como cenários para
diversos filmes e séries de outros países (vide “Game of Thrones”) talvez seja
maior do que sua própria produção cinematográfica. Realmente, suas paisagens e belezas
naturais são espetaculares. Voltando a “Vargur”, trata-se de um filme pleno de
ação e suspense, com ótimo elenco, garantindo um bom programa na telinha.
terça-feira, 8 de outubro de 2019
“OBSESSÃO” (“Greta”), 2019,
EUA, 1h38m, roteiro e direção de Neil Jordan. Trata-se de um suspense cuja
história envolve a relação entre uma jovem garçonete de um restaurante de luxo,
Frances McCullen (Chloë Grace Moretz), e a viúva Greta Hideg (Isabelle
Huppert). Recém-chegada a Manhattan depois da morte da mãe, Frances mora num
apartamento com a amiga Erica Penn (Maika Monroe). Certo dia, no banco de um
vagão do metrô, Frances encontra uma bolsa abandonada. Ao abri-la, descobre uma
identidade com o nome e o endereço da dona. Lá foi ela tocar a campainha na
casa de Greta, uma viúva solitária e carente, que agradece o favor e a convida
para tomar um chá. O que parecia uma amizade de mãe para filha vira uma
obsessão por parte da viúva, que persegue a moça o tempo inteiro. Até que um
dia Frances pede a ela para não mais procurá-la. A viúva responde: “Eu sou como
chiclete. Eu grudo mesmo”. E por aí a história se desenrola, até envolver não
só a amiga de Frances, como também um investigador particular. Tudo bem que o
suspense é mantido até o desfecho, agradando os fãs do gênero. Porém, não fosse
a presença da diva francesa Isabelle Huppert, o filme seria apenas mediano. Aos
66 anos, ainda em grande forma, Hupper arrasa com uma performance assustadora.
Não é à toa que ela é chamada de “A Dama do Cinema Francês”. Ela salva o filme.
Destaco também as boas atuações das jovens Chloê Grace Moretz e Maika Monroe.
Para concluir meu comentário, lembro que o veterano diretor irlandês Neil é
responsável por dois grandes filmes: “Entrevista com o Vampiro” e “Traídos pelo
Desejo”. Resumo da ópera: “Obsessão” proporciona uma
oportunidade e tanto para assistir a mais uma atuação espetacular da atriz
francesa.
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
“PREDADORES ASSASSINOS” (“CRAWL”), 2019,
EUA, 1h27m, roteiro e direção de Alexandre Aja. Durante uma violenta tempestade
provocada por um furacão na Flórida, a população de diversas cidades é obrigada
a sair de casa e ir direto para os abrigos. Heley Keller (Kaya Scodelario) liga para seu
pai Dave (Barry Pepper) para saber se está tudo bem. Heley não obtém resposta e
fica apavorada. Ela desobedece a ordem geral e passa por diversas barreiras coordenadas
pela defesa civil e ruma para a casa do pai, numa cidade vizinha. Enquanto a
tempestade aumenta cada vez mais, ela chega até a casa e descobre que o pai
está ferido no porão. Pronto, aí começa o pesadelo. As águas invadem a casa e
trazem junto alguns jacarés gigantes. Será que pai e filha se salvarão? Independente
da resposta, os dois e também os espectadores viverão momentos angustiantes, de
perder o fôlego. Muita ação e aflição até o final. Destaque para os jacarés, em
número maior do que o próprio elenco. Aliás, as filmagens utilizaram jacarés de
verdade e alguns de mentirinha. Tudo tão bem feito que a gente nem percebe
quem é o verdadeiro ou o de brinquedo. Mérito de Alexandre Aja, cineasta francês
especialista em filmes de ação, suspense e terror, como “Piranha 3D”, “Alta
Tensão”, “Viagem Maldita” e “Amaldiçoado”. O maior trunfo do filme, porém, é o
desempenho da jovem atriz Kaya Scodelario, de 27 anos, que já tem no currículo
alguns filmes importantes como os da saga “Maze Runner” e “Piratas do Caribe”:
A Vingança de Salazar”, entre outros. Kaya é filha de mãe brasileira e pai
inglês. Assisti a uma entrevista dela para um site brasileiro de cinema e
fiquei encantado com sua simpatia, além de responder todas as perguntas em
português. Voltando ao filme, “Predadores Assassinos” é um ótimo programa para
curtir numa sessão com pipoca. Mas cuidado, os jacarés podem fazer “Crawl” também
em você.
domingo, 6 de outubro de 2019
Sempre gostei de assistir a
filmes de países de língua árabe. Além de alguns excelentes, a maioria ensina muito sobre sua cultura e suas
tradições, o que os torna ainda mais interessantes. Ao assisti-los, a gente aprende
muito e acaba chegando à conclusão de que nós, ocidentais, jamais compreenderemos
seu modo de vida, enraizado há muitos séculos. Escrevi esse introito para
apresentar o drama argelino “O ARREPENDIDO” (“EL TAAIB” – na
França, recebeu o título de “Le Repenti”), 2012, roteiro e direção de
Merzak Allouache, 1h27m. A história é centrada no jovem jihadista Rashid (Nahi
Asli), que abandona a montanha onde se refugiava com seu grupo de extremistas
islâmicos, responsável por aterrorizar a população civil dos vilarejos da
região. Rashid volta à sua aldeia natal e
logo é denunciado à polícia – pela lei do Perdão e da Concórdia Nacional
vigente na Argélia, todo jihadista que se entregar e devolver sua arma será
anistiado. Rashid tenta se esconder da polícia e, nesse meio tempo, comete um
assassinato e faz chantagem contra um casal cuja filha adolescente tinha sido assassinada
pelos jihadistas. Por uma quantia em dinheiro, Rashid promete levá-los a um
local da montanha onde os restos mortais da menina haviam sido enterrados. A câmera
do diretor Merzak Allouache capta os cenários desérticos da região em tomadas
longas e lentas, o que prejudica o andamento da ação que envolve o trio de
viajantes, tornando o filme, perto do desfecho, um tanto monótono. “O
Arrependido” teve sua primeira exibição durante a Quinzena dos Realizadores no
Festival de Cannes/2012, além de participar, no mesmo ano, da Mostra Panorama
do Cinema Mundial no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. No 17º
Festival Internacional de Cinema de Kerala, na Índia, conquistou o Prêmio “Fipresci”
de Melhor Filme Asiático. Um filme muito interessante que merece ser visto
principalmente pelas razões que enumerei no início deste comentário.
sábado, 5 de outubro de 2019

quarta-feira, 2 de outubro de 2019
“MEMÓRIA
DE UM CRIME” (“BACKTRICE”), 2018, EUA, 1m27m, filme policial dirigido
por Brian A. Miller, com roteiro de Mike
Maples. O filme começa com um assalto a um carro blindado praticado por três
assaltantes. Eles conseguem fugir com uma grande quantidade de dinheiro, que
escondem num tipo de armazém abandonado em algum lugar bem longe. Logo depois,
durante a fuga, eles se defrontam com dois estranhos fortemente armados, que
exigem parte do dinheiro roubado. Os dois grupos entram em confronto e, dos
assaltantes, só um sobrevive e consegue escapar da matança, mas, devido a um
tiro de raspão na cabeça, perde a memória. O filme salta para sete anos depois.
MacDonald (Matthew Modine), o sobrevivente, está preso numa penitenciária de
segurança máxima e ainda não se lembra do que aconteceu. Seu segredo atrai três
aproveitadores que conseguem resgatá-lo da prisão. Uma enfermeira faz parte do
grupo de sequestradores e, utilizando uma droga especial, tentará fazer
MacDonald recuperar a memória e contar onde escondeu o dinheiro. A investigação
sobre o desaparecimento de MacDonald fica a cargo do xerife Sykes (Sylvester
Stallone), que, com a colaboração do FBI, tentará encontrar pistas que levem ao
sequestrado e seus sequestradores. Embora a divulgação do filme tenha colocado
Stallone como o principal protagonista, na verdade ele aparece em poucas cenas,
ganhando algum realce somente no desfecho. Embora tenha feito história no cinema por seus
antigos personagens John Rambo e Rocky Balboa, Stallone nunca foi um bom ator. Sempre atuou mais com os músculos. Agora, aos 73 anos, tenta sobreviver à idade, mas
encontra muita dificuldade, principalmente pela deformação cada vez mais
acentuada do rosto. Se pudesse aconselhá-lo, diria: “Tá na hora de se aposentar,
Stallone. Obrigado por tudo”. Voltando a “Memória de um Crime”, o filme estreou nos EUA em
dezembro de 2018 e ainda não chegou por aqui. O diretor Brian A. Miller,
especialista em filmes de ação (“O Príncipe”, “Rastros de Violência”, “Sombras
da Justiça”, “A Máquina”), bem que tentou imprimir seu estilo em “Memória de
um Crime”, mas ficou só na intenção. Nada que mereça uma indicação entusiasmada. Em todo caso, pode servir
para uma sessão da tarde com pipoca.
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