sábado, 2 de novembro de 2019


“ASSALTO!” (“ATRACO!”), 2012, coprodução Argentina/Espanha, 112 minutos, direção de Eduard Cortés, que também assina o roteiro com Piti Espanhol e Marcelo Figueras. Trata-se de um misto de policial noir com comédia, cuja história apresenta um lado ficcional e outro baseado em fatos reais. A trama é toda ambientada em 1955, quando o general Juan Domingo Peron, ex-presidente da Argentina, estava exilado no Panamá. Um de seus principais assessores, Landa (Daniel Fanego), fica encarregado de arrecadar recursos financeiros para bancar o exílio do general na Espanha. Sem Peron saber, ele simplesmente resolve penhorar as valiosas jóias de Evita Perón na joalheria mais famosa da Espanha, em Madrid. O negócio ficou no maior segredo, pois nem os funcionários ficaram sabendo. Até que um dia a esposa do Generalíssimo Franco, Carmen Polo, vai até a joalheria e fica encantada com as jóias de Evita apresentadas por um desavisado funcionário. Carmen pede que as reserve e que voltaria logo depois para comprá-las. É aí que a coisa complica. Landa, em cumplicidade com o proprietário da joalheria, resolve planejar um assalto para recuperar as jóias e não deixá-las cair nas mãos da primeira-dama espanhola. Para isso, convoca dois fanáticos peronistas, Merello (Guillermo Francella), ex-segurança de Perón, e o jovem e inexperiente Miguel (Nicolás Cabré), um pretendente a ator que imita Carlitos. As trapalhadas da dupla dão um toque especial de humor, além das situações que envolvem o planejamento e a execução do assalto. Para complicar ainda mais, Miguel se apaixona pela enfermeira Teresa (Amaia Salamanca, a atriz mais bonita do atual cinema espanhol). Será que a dupla conseguirá recuperar as jóias de Evita? Consiga a resposta assistindo a este ótimo e divertido filme, que infelizmente não foi exibido por aqui no circuito comercial. Uma pena. Não perca!    
           

quinta-feira, 31 de outubro de 2019


“STAN E OLLIE – O GORDO E O MAGRO” (“STAN & OLLIE”), 2018, Inglaterra, 1h39m, direção do escocês Jon S. Baird, com roteiro de Jeffe Pope (do premiado “Philomena”). Quem tem um pouco mais de idade e curtiu os tempos áureos do cinema conheceu muito bem “O Gordo e o Magro”, dupla de comediantes que participou de mais de 100 filmes em Hollywood que foram sucesso no mundo inteiro. Mas quem conhece Oliver Hardy e Stan Laurel? “Stan & Ollie” se propõe a dar essa resposta, apresentando o retrato íntimo dos atores e suas personalidades, além da forte amizade que os unia há tantos anos. Prepare-se para se divertir, se comover e se emocionar. O filme começa em 1937, quando a dupla de comediantes estava no auge do estrelato – eles reinaram em Hollywood e fizeram milhões de fãs no mundo inteiro entre as décadas de 20 e 30 do século passado. Devido a uma desavença que envolveu o famoso produtor Hal Roach (Danny Huston), que os acompanhava desde o início da carreira, Oliver Hardy (John C. Reilly), o “Gordo”, e Stan Laurel (Steve Coogan), o “Magro”, acabaram se separando. Somente muitos anos depois, em 1953, voltariam a atuar juntos. Sem dinheiro e em plena decadência artística, eles foram contratados para uma turnê por países da Grã-Bretanha, primeiramente Irlanda e Escócia, atuando em teatros decadentes e com pouco público, para terminar com um “gran finale” em Londres. A promessa dos empresários que os reuniram era a de produzir um filme para relançar a dupla caso a turnê fosse um sucesso. Nessa fase, entram em cena as esposas Lucille Hardy (Shirley Henderson) e Ida Kitaeva Laurel (Nina Arianda), que sempre tiveram papel importante na carreira dos seus maridos. A relação pessoal entre as duas dependia dos humores dos seus companheiros. Se eles brigavam, elas também brigavam. Hardy, o Gordo, aceitava que Laurel, o Magro, escrevesse os esquetes e os diálogos. Laurel era o cérebro da dupla, o que perdurou até a morte de Hardy, fato que determina o desfecho do filme. O desempenho de John C. Reilly e Steve Coogan é sensacional. Eles captaram com perfeição os trejeitos dos personagens que representam. Chega a ficar difícil distinguir eles dos verdadeiros. A maquiagem de Reilly, que demorava três horas a cada dia de gravação, é mais um destaque dessa maravilhosa produção inglesa. Os dois atores, aliás, foram premiados em vários festivais, Reilly, por exemplo, com o Globo de Ouro/2019 como Melhor Ator de Comédia e Coogan com o BAFTA (Academia Britânica de Cinema e Televisão). Na verdade, se houvesse justiça, ambos teriam que receber o Oscar. Mas, como dizia Geraldo Vandré, a vida não é só feita de festivais. Resumo da ópera: “Stan & Ollie” é simplesmente espetacular, comove e diverte, garantindo um ótimo entretenimento. Espere os créditos finais e se divirta ainda mais. IMPERDÍVEL IMPERDÍVEL em dobro!             

quarta-feira, 30 de outubro de 2019


“VOX LUX: O PREÇO DA FAMA” (“VOX LUX”), 2018, EUA, 1h50m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Brady Corbet. A história começa em 1999, quando acontece uma terrível tragédia na classe do ensino fundamental de um colégio. A jovem Celeste (Raffey Cassidy) é uma das únicas sobreviventes. Sofre sequelas físicas e psicológicos, mas ganha notoriedade na mídia, o que alavanca sua carreira como cantora e compositora. Nessa atividade, ela ganha um empresário e protetor (Jude Law), que ainda a acompanhará por muitos anos. Celeste cresce e se transforma numa superstar da música pop. Nessa fase adulta, Celeste (agora interpretada por Natalie Portman) passa a ter um comportamento insuportável, se achando o máximo dos máximos, egocêntrica ao extremo e, pior, uma mulher amarga e, para coroar, alcoólatra. Além disso, nunca se dedicou como devia à sua filha adolescente Albertine (a mesma Raffey Cassidy que interpretou Celeste jovem). Grande parte da segunda metade do filme é dedicada justamente ao relacionamento entre mãe e filha, ambas tentando recuperar o tempo perdido. Muito também da segunda metade acaba virando um musical, com shows ao vivo de Celeste, muitas coreografias e inúmeros figurantes, provando a condição de Celeste como uma diva do pop. Não há muito mais o que se falar sobre “Vox Lux” (traduzido do latim, “A Voz da Luz”), apenas destacar o trabalho de Natalie Portman, uma atriz que se firmou no cenário cinematográfico de Hollywood depois de conquistar o Oscar de Melhor Atriz em 2010 pelo filme “Cisne Negro”. Há muito tempo que acompanho a trajetória de Portman, nascida em Israel e radicada nos Estados Unidos, desde que fez seu primeiro filme, “O Profissional”, de 1994, quando tinha apenas 13 anos. Também merece destaque o trabalho do diretor Brady Corbet em seu segundo longa-metragem. O primeiro, “A Infância de um Líder”, de 2015, foi premiado no Festival de Cinema de Veneza. Até então, Corbet era mais conhecido como ator de filmes como “Violência Gratuita”, “Melancolia” e “Acima das Nuvens”, entre outros. “Vox Lux” soa pretensioso demais, tem momentos de muito tédio e diálogos com a profundidade de um pires, tudo isso acompanhado da narração de Willen Dafoe, que me fez lembrar os filmes insuportáveis do insuportável diretor norte-americano Terrence Malick. Concluindo, “Vox Lux” é o tipo de filme que pode agradar ou desagradar. A mim, desagradou.       

segunda-feira, 28 de outubro de 2019


“YESTERDAY”, 2019, Inglaterra, 1h57m, direção de Danny Boyle, com roteiro assinado por Richard Curtis. Misto de musical, fantasia e comédia romântica, o filme é, na verdade, uma sensível e emocionante homenagem aos The Beatles. Só a deliciosa trilha sonora vale o ingresso. Mas vamos à história. Jack Malik (Himesh Patel) é um jovem músico filho de imigrantes indianos que ganha um dinheirinho se apresentando em espeluncas da periferia de Londres. A amiga de infância Ellie Appleton (Lily James) é a sua devotada empresária - e talvez única fã. Sem propostas de trabalho, Malik está quase desistindo de seguir carreira como músico quando acontecem dois fatos que transformarão completamente a sua vida. Ele é atropelado por um caminhão e, ao mesmo tempo, ocorre no mundo inteiro um apagão de 12 segundos. Malik se recupera bem do acidente e, logo depois, encontra seus amigos para comemorar seu restabelecimento. Quando lhe pedem para cantar uma música, ele ataca de “Yesterday”. Ninguém tinha ouvido a canção. Chocado, ele diz que foi composta por Paul McCartney, do The Beatles. Ninguém conhecia. Todos acharam que a música tinha sido feita mesmo por Malik. E assim segue a história, Malik se consagrando como grande compositor e dá-lhe maravilhas como “Something”, “Let it Be”, “The Long & Winding Road”, “He Comes the Sun” e tantas outras. Malik vira um sucesso mundial, com direito a um romance mais do que previsível. Mas como é um cara boa gente, ele começa a sentir remorso pela farsa. Sério, dá para imaginar um mundo sem The Beatles? (o apagão também “apagou” do mapa a Coca-Cola e os cigarros). Quem imaginou tamanha fábula foi o veterano roteirista Richard Curtis, que tem no currículo filmes como “Mamma Mia!” e “Quatro Casamentos e um Funeral”. Outro veterano do cinema, o diretor Danny Boyle já tem um Oscar de Melhor Diretor em 2009 pelo excelente “Quem quer ser Milionário?”, além de filmes como “Trainsporting – Sem Limites”, “Steve Jobs” e “127 Horas”. Somando toda essa competência, mais a homenagem aos The Beatles, a trilha sonora e o ótimo elenco, “Yesterday” é uma deliciosa diversão. Uma viagem imperdível!     

domingo, 27 de outubro de 2019


“O OUTRO PAI” (“A Pesar de Todo”), 1h18m, comédia espanhola com produção da Netflix - lançamento mundial aconteceu dia 3 de maio de 2019, direção de Gabriela Tagliavini, que também assina o roteiro juntamente com Eugene B. Rhee e Helena Rhee. Vamos à sinopse: quatro irmãs que não se viam há anos reencontram-se para o velório e enterro da mãe. Na hora de ouvirem o testamento deixado pela falecida – o pai está completamente gagá, fora de sintonia -, as irmãs assistem a um vídeo da mãe com uma revelação surpreendente e chocante: o pai que as criou não é o biológico. Cada uma delas é filha de um pai diferente. Ou seja, a falecida pulou várias cercas. No vídeo, ela fornece várias pistas para que as filhas encontrem seus verdadeiros pais biológicos. Elas viajam por várias cidades da Espanha e finalmente conseguem encontrá-los, mas não será exatamente o que esperavam. Só para citar um exemplo, tem até um padre no meio. Até que a comédia tem momentos bastante engraçados, mas seu trunfo maior é o elenco de atrizes, principalmente o quarteto formado pelas irmãs, representadas pelas mais lindas e competentes atrizes do cinema espanhol: Blanca Suárez, Amaia Salamanca, Macarena Garcia e Belén Cuesta. Um quarteto pra lá de fantástico. O elenco ainda conta com as veteranas Marisa Paredes e Rossy de Palma, além de Carlos Bardem, o irmão mais velho do ator Javier Bardem. Mais uma razão do sucesso dessa comédia é a competência da diretora argentina Gabriela Tavigliaini, também conhecida por ter dirigido outras duas boas comédias: “Cómo Cortar a Tu Patán”, de 2017, e “Cadê os Homens?”, de 2011. Ele ainda teve sua experiência em Hollywood, em 2013, quando dirigiu Sharon Stone em “A Fronteira”, um filme de ação e suspense. “O Outro Pai” é um filme bastante alegre e divertido. Vale a pena.    

sexta-feira, 25 de outubro de 2019


Divulgado como uma comédia dramática, “LIMITES” (“BOUNDARIES”), 2018, Canadá/EUA, 1h44m, tem mais humor do que drama, o que tornou este filme independente numa agradável opção de entretenimento. É o ótimo elenco que se sobressai: Vera Farmiga, Christopher Plummer, Lewis MacDougall, Christopher Lloyd, Bobby Carnavale e Peter Fonda – foi o último filme do filho de Henry e irmão de Jane, que morreu em agosto de 2019. Excelente também é o trabalho da jovem roteirista e diretora Shana Feste, que mesclou drama e humor na dose certa. A história começa com Laura (Farmiga) enfrentando os problemas causados por seu filho adolescente Henry (Lewis MacDougall), expulso da escola por desenhar eróticos explícitos de mulheres e homens nus. Não bastasse isso, Laura ainda recebe a notícia de que seu pai Jack (Plummer) acaba de ser expulso do asilo em que morava por ter plantado maconha no jardim. Sem saber o que fazer a respeito, e muito a contragosto, já que ele havia abandonado a família muitos anos atrás, Laura decide buscar o pai. Não para ficar com ela, mas sim para levá-lo até a casa da irmã Jojo (Kristen Schaal), em Los Angeles. Uma longa viagem, a partir do Texas. E lá vão nossos viajantes, grupo que inclui o filho de Laura e mais os cachorros da família. Começa o road movie. O avô e o neto, que não se conheciam, fazem amizade durante o caminho. Não só amizade, como também uma cumplicidade escondida de Laura, já que os dois passam a viagem vendendo maconha. No meio do caminho, Jack ainda terá a oportunidade de rever dois antigos parceiros de crimes, Stanley (Christopher Lloyd) e Joey (Fonda). E Laura de rever o ex-marido Leonard (Carnavale), que finalmente conhecerá o filho. Apesar de todos esses acontecimentos, o filme é mais focado na difícil relação entre pai e filha, ambos tentando aparar as arestas traumáticas do passado. Enfim, uma jornada bem divertida, valorizada pelo desempenho magistral de Vera Farmiga e do experiente Christopher Plummer. IMPERDÍVEL!    

quarta-feira, 23 de outubro de 2019


“55 PASSOS” (“55 STEPS”), 2017, coprodução Alemanha/Bélgica/Estados Unidos, 1h55m, direção de Bille August, com roteiro de Mark Bruce Rosin. O filme, baseado em fatos reais e falado em inglês, relembra uma batalha jurídica que teve grande repercussão nos Estados Unidos no final dos anos 80 do século passado. Eleanor Riese, uma paciente da unidade psiquiátrica do St. Mary’s Hospital and Medical Center, na cidade de São Francisco, solicitou uma advogada para lutar por seus direitos de paciente, ou seja, para deixar de tomar medicação em excesso e sem seu consentimento, causando em Eleanor sérios efeitos colaterais. Quem assumiu seu caso foi a advogada Colette Hughes que, com a ajuda do professor de direito constitucional Mort Cohen, conseguiu entrar com uma ação contra o St. Mary’s Hospital, levando a questão a julgamento na Corte Suprema da Califórnia. O resultado vitorioso de Colette e Cohen mudou os rumos da psiquiatria nos Estados Unidos, tornando os tratamentos mais humanizados. A atriz britânica Helena Bonham Carter, com uma atuação magistral, faz o papel de Eleanor. A atriz norte-americana Hilary Swank é a advogada Coletteiré e o ator Jeffrey Tambor representa o professor Mort Cohen. Bonham Carter assumiu o papel de Eleanor após a desistência de Vera Farmiga, inicialmente indicada para o papel. O veterano diretor dinamarquês Bille August ganhou destaque ao vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o Globo de Ouro em 1989, além da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano anterior com o filme “Pelle, o Conquistador”. Além deste, um espetáculo, também assisti a outros bons filmes dirigidos por August, como “Trem Noturno para Lisboa”, “Os Miseráveis”, “As Melhores Intenções” e “Casa dos Espíritos”. Portanto, história, elenco, roteiro e direção fizeram de “55 Passos” um excelente entretenimento. Uma informação final: os tais “55 Passos” dizem respeito aos degraus da escada que todo mundo é obrigado a subir para chegar ao andar principal da Corte Suprema da Califórnia.     

segunda-feira, 21 de outubro de 2019


Nunca fui muito fã do gênero terror, embora tenha assistido a filmes muito bons. Como exemplo, posso citar alguns: “O Iluminado”, “O Bebê de Rosemary”, “O Exorcista” e “Alien, o 8º Passageiro”, entre outros. Mas os melhores continuam sendo os filmes com o personagem Dr. Phibes, com Vincent Price, e os de Drácula, com Christopher Lee. Quem teve a oportunidade de assistir a todos estes que citei, vai se decepcionar com o terror inglês “O DEMÔNIO DO SONO” (“MARA”), 2018, produção Netflix (estreou mundialmente no dia 7 de setembro de 2018), 1h38m. Trata-se do primeiro longa-metragem dirigido por Clive Tonge, mais conhecido como diretor de curtas. O roteirista é Jonathan Frank, o mesmo de “Vingança entre Assassinos” (2009) e “Jogada Final (2017). Mesmo com a presença da linda e ótima atriz ucraniana Olga Kurylenko, de "007 – Quantum of Solace”, no papel principal, o filme não deslancha, fruto de uma história fantasiosa demais, beirando o ridículo, e um elenco fraquíssimo, que parece atuar no piloto automático, incluindo a atriz ucraniana.  A psicóloga criminal Kate (Kurylenko) é recrutada pela polícia para decifrar o perfil psicológico de um criminoso que estava matando pessoas com uma dose cavalar de crueldade, incluindo quebrar o pescoço das vítimas. O grande mistério é que não há evidências no local do crime. Kate acaba se envolvendo demais na história, principalmente depois que conhece Helena (Rosie Fellner), uma mulher que diz ter sido atacada pelo “demônio do sono”. Até desvendar o mistério, Kate também estará na lista do assassino, assim como outras vítimas. Essa história de pessoas que caem no sono e são atacadas já foi tema de filmes muito melhores, como “A Hora do Pesadelo” e “Pesadelos Mortais”. Embora tenha alguns bons sustos, “Mara” está na Série C dos filmes de terror.     



domingo, 20 de outubro de 2019


“OSCAR PISTORIUS: ASSASSINO OLÍMPICO” (“OSCAR PISTORIUS: BLADE RUNNER KILLER”), produção Lifetimes Movies (estreia mundial aconteceu dia 14 de fevereiro de 2018), 1h30m, roteiro e direção de Norman Stone. O filme conta a história da tragédia que envolveu o corredor paraolímpico sul-africano Oscar Pistorius, preso e condenado por assassinar a namorada Reeva Steenkamp no Dia dos Namorados de 2013. O filme apresenta Pistorius como o ídolo máximo do esporte da África do Sul, famoso no mundo inteiro por ter conquistado uma medalha de ouro nos jogos paraolímpicos de Atenas (2004) e outras três também de ouro em Pequim (2008), além de ter conseguido autorização para disputar as eliminatórias da Olimpíada de Londres (2012) correndo entre os atletas normais. Por causa de uma malformação congênita, Oscar teve as duas perdas amputadas abaixo dos joelhos aos 11 meses de idade e, alguns anos depois, para competir nas pistas, passou a utilizar próteses de fibra de carbono. Suas façanhas fizeram-lhe ganhar o apelido de “Blade Runner” (“Corredor de Lâmina”). Além da fama obtida nas pistas de corrida, Oscar era um homem bonito e charmoso, e por isso a mulherada o assediava o tempo inteiro. Num desses eventos realizados em sua homenagem, o atleta – interpretado no filme por Andreas Damm - conheceu a modelo Reeva (a atriz e modelo alemã Toni Garrn, tão linda quanto a original), com a qual teria um relacionamento bastante tumultuado. O filme mostra um Pistorius egocêntrico, opressor e extremamente violento, o que revoltou sua família, que tentou na justiça proibir sua exibição. Na época, o julgamento de Pistorius recheou as manchetes dos jornais e noticiários de TV no mundo inteiro. Aliás, o filme dedica um grande espaço às cenas de tribunal. No desfecho, antes dos créditos finais, o diretor Stone utilizou imagens do verdadeiro Pistorius durante o julgamento. Ele continua preso e deverá cumprir a pena de 13 anos em regime fechado. O filme é um documento bastante interessante dos bastidores de todo o caso. Quem assisti-lo não vai se decepcionar.   

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

“TERRORISTA AMERICANO” (“The Martyr Maker”), 2018, Estados Unidos, 1h36m, roteiro e direção de Kamal Ahmed (trata-se do seu quinto longa-metragem). O agente da CIA Terry Davis (Tom Sizemore) é encarregado de localizar e prender um grupo de terroristas que recruta e treina jovens norte-americanos, de famílias árabes para o Jihad (luta armada dos muçulmanos contra os infiéis e inimigos do Islã). Ao mesmo tempo, o agente da CIA tenta descobrir o paradeiro de Abbaz (Cory Duval), um perigoso terrorista que teria entrado clandestinamente nos EUA. Abbaz teria recebido a missão de recrutar jovens norte-americanos, de famílias árabes, para serem treinados pelo líder muçulmano Saif-Uddin Mohamed (Shiek Mahmud-Bey). Entre os jovens recrutados está Zahid Khoury (Alexander Mercier), especialista em montar sites. Ele será o encarregado de divulgar a causa através das redes sociais e ajudar no treinamento de jovens terroristas. O mais interessante de “Terrorista Americano” é o destaque dado à estratégia empregada pelo líder Saif-Uddin para fazer a lavagem cerebral nos jovens. O diretor Kamal Ahmed dedica grande espaço do filme para mostrar os sermões de Saif-Uddin, cheios de ódio contra o mundo ocidental, principalmente contra os Estados Unidos. São bastante esclarecedores. “Terrorista Americano” é um ótimo programa para quem quiser conhecer, com mais detalhes, o pensamento dos muçulmanos radicais.

“SOMBRA LUNAR” (“IN THE SHADOW OF THE MOON”), 2019, EUA, produção Netflix (a estreia mundial aconteceu dia 27 de setembro de 2019), 1h55, direção de Jim Mickle, roteiro assinado por Geoffrey Tock e Gregory Weidman – sempre dou nome aos “bois”, pois se não gostarem do filme podem xingá-los à vontade. Brincadeiras à parte, vamos ao comentário. Trata-se de uma ficção científica, embora no início, meio e quase até o fim pareça um filme policial, o que me prendeu a atenção, pois não sou muito chegado ao gênero ficção científica. O filme começa num futuro não muito distante, mostrando a cidade da Filadélfia (Pensilvânia) completamente destruída. A história volta até 1988, na mesma cidade, onde ocorrem três mortes misteriosas – um cozinheiro, uma motorista de ônibus e um pianista, todos sangrando pelos olhos, pela boca, pelos ouvidos e pelo nariz. Com um detalhe: dois furinhos na nuca. Os policiais Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) e Holt (Michael C. Hall) ficam encarregados de desvendar todo esse mistério. Para (tentar) explicar o que aconteceu, os roteiristas inventaram uma trama bastante complicada, utilizando uma serial killer (a morenaça Cleopatra Coleman), que aparece e desaparece, além de viagens no tempo e um cientista indiano (ou paquistanês) totalmente maluco. A assassina vai e volta no tempo a cada 9 anos, de acordo com as fases da lua. E os policiais sempre no seu encalço, durante 27 anos. Esperei com curiosidade pelo desfecho, que certamente explicaria toda essa misteriosa história. Realmente, explicou, mas não entendi nada. Talvez um cientista possa decifrar, quem sabe um Nobel de Física. Repito, o filme só me prendeu até o fim porque parecia um filme policial. Na verdade, trata-se apenas de caso de polícia... Tente assistir, e depois veja se não tenho razão.     


quarta-feira, 16 de outubro de 2019


“ATENTADO AO HOTEL TAJ MAHAL” (“HOTEL MUMBAI”), 2018, coprodução Austrália/Índia/Estados Unidos, 2h03m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta australiano Anthony Maras, mais conhecido como diretor de curtas (o filme é todo falado em inglês). A história é baseada num trágico fato real ocorrido na Índia em 2008. Integrantes do grupo islâmico radical Lashkar-E-Taiba, treinados no Paquistão, efetuaram 12 violentos ataques em várias cidades da Índia, resultando na morte de 164 pessoas e mais de 300 feridos.  Embora faça menção aos demais ataques, o filme é quase que inteiramente dedicado ao famoso Hotel Taj Mahal Palace, em Mumbai. Aqui, 31 pessoas, entre hóspedes e funcionários, foram sumariamente executadas. Esse número só não foi maior graças à coragem de dois empregados do hotel, o chef Hemant Oberoi (Anupam Kher) e o garção Arjun (Dev Patel), que conseguiram salvar dezenas de hóspedes, desafiando os violentos terroristas. As cenas são de um realismo impressionante, com muita tensão, suspense e ação do começo ao fim, de tirar o fôlego. É impossível desgrudar os olhos da telinha. É o tipo de filme que faz a gente roer as unhas e amassar os braços da poltrona. Méritos não só para o diretor Anthony Maras, que arrasa em seu longa de estreia, mas também para o roteirista escocês John Collee. Ainda estão no elenco Armie Hammer, Nazanin Boniadi, Tilda Cobham Hervey e Jason Isaacs. Antes de estrear em circuito comercial no Brasil, em julho de 2019, “Hotel Mumbai” foi exibido em sessão especial no Festival de Toronto (Canadá) e no Festival de Adelaide (Austrália). Neste último, foi o preferido pelo público. Sem dúvida, o filme é sensacional e emocionante. IMPERDÍVEL!     

terça-feira, 15 de outubro de 2019


“MADE IN ITALY”, 2018, Itália, 1h44m, roteiro e direção de Luciano Ligabue. Drama recheado de humor, romance e política com o simpático e excelente ator Stefano Accorsi. Ele vive Riko, operário de uma fábrica de mortadela, salame e outros embutidos. Riko trabalha há 30 anos na empresa e sempre aguentou quieto o fato de nunca ter sido promovido. Quando não está em casa com a esposa Sara (a bela atriz polonesa Kasia Smutniak), ele se diverte com os amigos Carnevale (Fausto Maria Sciarappa), Max (Walter Leonardi) e Matteo (Filippo Dini) – um dos trunfos do filme são os diálogos entre os amigos, bem-humorados e sarcásticos. Enquanto isso, Sara se queixa que o marido não lhe dá a devida atenção e, depois de uma discussão boba, o casamento entra em crise, que piora quando Riko passa a desconfiar que ela está tendo um caso. O pano de fundo de toda a história é a crise política, econômica e social da Itália, tema que o diretor Ligabue insere em muitos diálogos e situações, uma delas a demissão de vários funcionários da fábrica onde Riko trabalha. Todo o contexto reflete não só a situação de penúria da Itália, como também como os italianos encaram a crise, discutindo responsabilidades e saídas. Ao mesmo tempo, valoriza e destaca vários cenários deslumbrantes de algumas cidades, principalmente Roma, para onde os amigos levam Riko para passear e esquecer dos problemas, incluindo os conjugais. Ao mesclar drama político/social, romance e comédia, Ligabue parece ter sido influenciado pela estética dos cultuados diretores italianos Nanni Moretti e Paolo Sorrentino. Interessante esclarecer que Ligabue também é um astro da música na Itália, cantor e compositor de grande sucesso. Aliás, a inspiração para escrever o roteiro de “Made in Italy” – seu terceiro longa - veio das letras das músicas que compôs para um de seus últimos discos, cujo título é homônimo ao do filme. O próprio Ligabue interpreta várias canções que fazem parte da trilha sonora. Embora tenha sido acolhido com alguma reserva por alguns críticos profissionais, eu achei “Made in Italy” um filme muito bem feito e agradável de assistir. Não foi à toda que seu roteiro foi eleito por jornalistas italianos como o melhor história original de 2018. Méritos não só para o diretor, mas também para a dupla principal. Stefano Accorsi é um ótimo ator, experiente e carismático, e Kasia Smutniaki, radicada há alguns anos na Itália, prova que está habituada a fazer papel de mulher apaixonada e sensível, mas também impulsiva como são as italianas. Aos 40 anos, acredito que Smutniaki tem tudo para se transformar na mais nova diva do cinema italiano, pois a grande Monica Bellucci já se aproxima dos 60. Não sei se será exibido por aqui no circuito comercial, o que será uma pena, pois é mais um grande filme "Made in Italy".     


domingo, 13 de outubro de 2019


O drama independente “MONSTROS E HOMENS” (“MONSTERS AND MEN”), 2018, EUA, 1h38m, aborda uma questão que está sempre em evidência no país do Tio Sam: a violência de policiais brancos contra cidadãos negros. Com roteiro e direção de Reinaldo Marcus Green (é o seu longa-metragem de estreia; ele é mais conhecido como diretor de curtas), o filme conta a história de um brutal assassinato ocorrido no Brooklin. Numa abordagem policial, um sujeito negro muito conhecido e querido pelo pessoal do bairro é abordado pelos policiais, reage e toma um tiro. O episódio é testemunhado por várias pessoas e filmado no celular pelo imigrante latino-americano Manny (Anthony Ramos), que envia a filmagem para as autoridades e a espalha pelas redes sociais. É claro que acaba sendo perseguido pela polícia. Enquanto isso, o policial negro Dennis (John David Washington, filho do ator Denzel Washington) acompanha tudo de perto, mas procura não se envolver, já que acaba de ser promovido. O roteiro inclui mais um personagem importante, testemunha do crime, o jovem jogador negro de beisebol Zyric (Kelvin Harrison Jr.). Ao estrear no Festival de Sundance 2018 (o mais importante festival de filmes independentes), “Monsters and Men”  ganhou grande repercussão na mídia e elogios da crítica. Sem dúvida, um bom filme, apesar de tocar numa ferida que já virou clichê no cinema norte-americano.  



Quem torce o nariz para o cinema asiático e o rejeita está perdendo ótimos filmes. Só para citar um exemplo, “Parasite”, do diretor sul-coreano Bong Joon-Ho, acabou de conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2019. Nos últimos anos, assisti a vários filmes sul-coreanos e eles realmente estão arrasando, principalmente no gênero filmes de ação (“O Túnel”, de 2016, é sensacional). Fiz questão de escrever esta introdução para apresentar “O ESPIÃO – OPERAÇÃO SECRETA” (“SEU-PA-I”), 2015, direção de Lee Seung-Jun, com roteiro de Yoon Je-Kyoon e Park Su-Jin. Trata-se de um misto de comédia e filme de ação, aliás, 2 horas de muita ação. Vamos à história: Chul-Soo (Sol Kyung-Gu) é o mais famoso agente secreto da Coréia do Sul. Nem sua esposa, a aeromoça Baek Seol Hui (a ótima Han Ye-ri), conhece a profissão que ele exerce há vários anos para o governo sul-coreano. O casal quer ter um filho, mas as viagens de Chul-Soo – missões em outros países – têm dificultado esse objetivo. A próxima missão de Chul será executada na Tailândia, ou seja, capturar um grupo de terroristas que negocia com os russos a compra de uma bomba nuclear para ser lançada contra a Coreia do Norte, com o objetivo de provocar uma guerra entre os dois países. No filme, as duas Coreias tentam um acordo para a sua reunificação. Enquanto prossegue na sua missão, Chul descobre que sua esposa também está na Tailândia e aí a confusão está formada, ainda mais que Baek é cortejada justamente pelo chefe dos terroristas, Ryan (o bonitão Daniel Henney). “O Espião” é divertido, tem muita ação, perseguições, pancadaria e tiros pra tudo que é lado. A cena do tiroteio dentro de um restaurante é espetacular. O filme todo é de tirar o fôlego. Programão. Não percam!

sexta-feira, 11 de outubro de 2019


Baseado em fatos reais, “VENTOS PARA A LIBERDADE” (“Ballon”), 2018, Alemanha, 2h06m, roteiro e direção de Michael Blully Herbig, conta uma incrível história de coragem. O ano é 1979. Dois casais de amigos, juntamente com seus filhos pequenos, decidem tentar fugir da Alemanha Oriental para a Ocidental utilizando um balão. Detalhe: ninguém é balonista. Peter Strelzyk (Friedrich Mücke) é mecânico e Günter Wetzel (David Kross) pedreiro. Mesmo assim, planejaram a construção do balão e também elaboraram um audacioso plano de fuga. Tudo isso no maior segredo possível, já que naquela época todo mundo vigiava todo mundo para depois entregar para a famigerada STASI, a polícia secreta da Alemanha Oriental (República Democrática Alemã – nunca entendi a utilização da palavra “Democrática” para denominar um regime tão fechado, sem liberdade nenhuma). O filme apresenta tantas sequências de suspense e tensão (corda esticada mesmo) que prende a atenção do começo ao fim. É capaz de nos fazer roer a unha, eriçar os pelos da nuca, entortar o braço da poltrona e comer um enorme saco de pipocas e nem perceber que acabou. Um filmaço irresistível, daqueles que nos faz torcer o tempo inteiro para as famílias não serem presas e conseguirem fugir. Imaginar que essa aventura incrível realmente aconteceu é mais um trunfo desse ótimo filme alemão, que ainda conta com um excelente elenco. Além de David Kross e Friedrich Mücke, participam Thomas Kretschmann, Karoline Schuch, Alicia Von Rittberg, Emily Kusche e Ronald Kululies.  IMPERDÍVEL!


“DESTRUIDOR” (“VARGUR” – a tradução do islandês para o português é minha, pois o filme não chegou por aqui e duvido que chegue), 2018, coprodução Islândia/Dinamarca, 1h35m, roteiro e direção de Börkur Sigthorsson). Trata-se de um suspense policial centrado em dois irmãos que pretendem contrabandear cocaína de Copenhagen (Dinamarca) para Reikjavik, capital do seu país natal, a Islândia. Para isso, requisitam para servir de “mula” uma jovem polonesa. Erik (Gísliörn Garoarsson), um dos irmãos, é alto executivo de uma empresa contra a qual aplicou um golpe e precisa de dinheiro para cobrir a dívida. Atli (Baltasar Breki Samper), o outro irmão, é um sujeito fracassado e, pior, acaba de sair da prisão. O combinado é que a jovem Sofia (Anna Próchniak) engula várias cápsulas com cocaína para “desová-las” em Reikjavik. Entre os percalços do plano, um torna-se um problema e tanto: Sofia começa a passar mal no avião e, quando chega, piora ainda mais. Ao mesmo tempo, os policiais do aeroporto de Reykjavik desconfiam da menina e de seu acompanhante, Atli, e avisam a polícia. Cabe à agente Lena (Marijana Jankovic) montar a estratégia para tentar capturar os irmãos traficantes e salvar Sofia. Não dá para contar mais, senão estrago o desfecho. Quanto ao cinema islandês, lembro de já ter assistido a alguns, três deles muito bons: “A Sombra da Árvore”, 2017, “Desajustados” e “Pardais”, ambos de 2015. A utilização da Islândia como cenários para diversos filmes e séries de outros países (vide “Game of Thrones”) talvez seja maior do que sua própria produção cinematográfica. Realmente, suas paisagens e belezas naturais são espetaculares. Voltando a “Vargur”, trata-se de um filme pleno de ação e suspense, com ótimo elenco, garantindo um bom programa na telinha.  

terça-feira, 8 de outubro de 2019


“OBSESSÃO” (“Greta”), 2019, EUA, 1h38m, roteiro e direção de Neil Jordan. Trata-se de um suspense cuja história envolve a relação entre uma jovem garçonete de um restaurante de luxo, Frances McCullen (Chloë Grace Moretz), e a viúva Greta Hideg (Isabelle Huppert). Recém-chegada a Manhattan depois da morte da mãe, Frances mora num apartamento com a amiga Erica Penn (Maika Monroe). Certo dia, no banco de um vagão do metrô, Frances encontra uma bolsa abandonada. Ao abri-la, descobre uma identidade com o nome e o endereço da dona. Lá foi ela tocar a campainha na casa de Greta, uma viúva solitária e carente, que agradece o favor e a convida para tomar um chá. O que parecia uma amizade de mãe para filha vira uma obsessão por parte da viúva, que persegue a moça o tempo inteiro. Até que um dia Frances pede a ela para não mais procurá-la. A viúva responde: “Eu sou como chiclete. Eu grudo mesmo”. E por aí a história se desenrola, até envolver não só a amiga de Frances, como também um investigador particular. Tudo bem que o suspense é mantido até o desfecho, agradando os fãs do gênero. Porém, não fosse a presença da diva francesa Isabelle Huppert, o filme seria apenas mediano. Aos 66 anos, ainda em grande forma, Hupper arrasa com uma performance assustadora. Não é à toa que ela é chamada de “A Dama do Cinema Francês”. Ela salva o filme. Destaco também as boas atuações das jovens Chloê Grace Moretz e Maika Monroe. Para concluir meu comentário, lembro que o veterano diretor irlandês Neil é responsável por dois grandes filmes: “Entrevista com o Vampiro” e “Traídos pelo Desejo”. Resumo da ópera: “Obsessão” proporciona uma oportunidade e tanto para assistir a mais uma atuação espetacular da atriz francesa.  

segunda-feira, 7 de outubro de 2019


“PREDADORES ASSASSINOS” (“CRAWL”), 2019, EUA, 1h27m, roteiro e direção de Alexandre Aja. Durante uma violenta tempestade provocada por um furacão na Flórida, a população de diversas cidades é obrigada a sair de casa e ir direto para os abrigos.  Heley Keller (Kaya Scodelario) liga para seu pai Dave (Barry Pepper) para saber se está tudo bem. Heley não obtém resposta e fica apavorada. Ela desobedece a ordem geral e passa por diversas barreiras coordenadas pela defesa civil e ruma para a casa do pai, numa cidade vizinha. Enquanto a tempestade aumenta cada vez mais, ela chega até a casa e descobre que o pai está ferido no porão. Pronto, aí começa o pesadelo. As águas invadem a casa e trazem junto alguns jacarés gigantes. Será que pai e filha se salvarão? Independente da resposta, os dois e também os espectadores viverão momentos angustiantes, de perder o fôlego. Muita ação e aflição até o final. Destaque para os jacarés, em número maior do que o próprio elenco. Aliás, as filmagens utilizaram jacarés de verdade e alguns de mentirinha. Tudo tão bem feito que a gente nem percebe quem é o verdadeiro ou o de brinquedo. Mérito de Alexandre Aja, cineasta francês especialista em filmes de ação, suspense e terror, como “Piranha 3D”, “Alta Tensão”, “Viagem Maldita” e “Amaldiçoado”. O maior trunfo do filme, porém, é o desempenho da jovem atriz Kaya Scodelario, de 27 anos, que já tem no currículo alguns filmes importantes como os da saga “Maze Runner” e “Piratas do Caribe”: A Vingança de Salazar”, entre outros. Kaya é filha de mãe brasileira e pai inglês. Assisti a uma entrevista dela para um site brasileiro de cinema e fiquei encantado com sua simpatia, além de responder todas as perguntas em português. Voltando ao filme, “Predadores Assassinos” é um ótimo programa para curtir numa sessão com pipoca. Mas cuidado, os jacarés podem fazer “Crawl” também em você.   


domingo, 6 de outubro de 2019


Sempre gostei de assistir a filmes de países de língua árabe. Além de alguns excelentes,  a maioria ensina muito sobre sua cultura e suas tradições, o que os torna ainda mais interessantes. Ao assisti-los, a gente aprende muito e acaba chegando à conclusão de que nós, ocidentais, jamais compreenderemos seu modo de vida, enraizado há muitos séculos. Escrevi esse introito para apresentar o drama argelino “O ARREPENDIDO” (“EL TAAIB” – na França, recebeu o título de “Le Repenti”), 2012, roteiro e direção de Merzak Allouache, 1h27m. A história é centrada no jovem jihadista Rashid (Nahi Asli), que abandona a montanha onde se refugiava com seu grupo de extremistas islâmicos, responsável por aterrorizar a população civil dos vilarejos da região. Rashid volta à sua aldeia natal e logo é denunciado à polícia – pela lei do Perdão e da Concórdia Nacional vigente na Argélia, todo jihadista que se entregar e devolver sua arma será anistiado. Rashid tenta se esconder da polícia e, nesse meio tempo, comete um assassinato e faz chantagem contra um casal cuja filha adolescente tinha sido assassinada pelos jihadistas. Por uma quantia em dinheiro, Rashid promete levá-los a um local da montanha onde os restos mortais da menina haviam sido enterrados. A câmera do diretor Merzak Allouache capta os cenários desérticos da região em tomadas longas e lentas, o que prejudica o andamento da ação que envolve o trio de viajantes, tornando o filme, perto do desfecho, um tanto monótono. “O Arrependido” teve sua primeira exibição durante a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes/2012, além de participar, no mesmo ano, da Mostra Panorama do Cinema Mundial no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. No 17º Festival Internacional de Cinema de Kerala, na Índia, conquistou o Prêmio “Fipresci” de Melhor Filme Asiático. Um filme muito interessante que merece ser visto principalmente pelas razões que enumerei no início deste comentário.   


sábado, 5 de outubro de 2019


“UM AMOR INESPERADO” (“El Amor Menos Pensado”), 2018, Argentina, 2h16m. O filme é todo focado num casal de meia-idade cujo filho único, de 20 anos, saiu de casa para estudar na Espanha. O casal, que acaba de completar 25 anos de casado, começa a sofrer da tal Síndrome do Ninho Vazio, culminando com sua separação amigável. Cada um vai para um lado, namoram, vivem paixões momentâneas e um deles ainda tentará arranjar alguém pelo aplicativo Tinder. É dentro desse contexto que se desenrola o filme, trazendo como a dupla principal de protagonistas os astros argentinos Ricardo Darín e Mercedes Moran. “Um Amor Inesperado” é um misto de comédia romântica e crítica de costumes. Além da química perfeita entre Darín e Moran, dois veteranos do cinema argentino, outro trunfo do filme é a qualidade dos diálogos, adultos, inteligentes, sarcásticos e muito bem-humorados. O roteirista e diretor Juan Vera acerta em cheio em seu primeiro longa-metragem, apesar o desfecho ser inteiramente previsível. No cenário do cinema argentino, Vera é mais conhecido como produtor de grandes filmes, entre eles “O Filho da Noiva”, “Abutres”, “Elefante Branco” e “Leonera”, todos muito bons, conforme já comentei anteriormente no meu blog. “Um Amor Inesperado”, antes de chegar ao circuito comercial do Brasil em março de 2019, estreou na Argentina e obteve grande sucesso de bilheteria. Conto agora algumas curiosidades sobre o filme. Primeiro, o título que recebeu nos EUA: “An Unexpected Love”. Na França, “Retour de Flamme”. Outra curiosidade diz respeito à trilha sonora. Numa festa de aniversário de um casal de amigos, a música escolhida para selar o seu amor foi nada mais nada menos do que um dos maiores hinos do nosso cancioneiro brega: “Fogo e Paixão”, cantado por Wando, isso mesmo, aquele das calcinhas. Resumo da ópera: “Um Amor Inesperado” é ótimo, muito inteligente e agradável, além de contar com Ricardo Darín e Mercedes Moran em estado, literalmente, de graça. Imperdível!      

quarta-feira, 2 de outubro de 2019


“MEMÓRIA DE UM CRIME” (“BACKTRICE”), 2018, EUA, 1m27m, filme policial dirigido por Brian A.  Miller, com roteiro de Mike Maples. O filme começa com um assalto a um carro blindado praticado por três assaltantes. Eles conseguem fugir com uma grande quantidade de dinheiro, que escondem num tipo de armazém abandonado em algum lugar bem longe. Logo depois, durante a fuga, eles se defrontam com dois estranhos fortemente armados, que exigem parte do dinheiro roubado. Os dois grupos entram em confronto e, dos assaltantes, só um sobrevive e consegue escapar da matança, mas, devido a um tiro de raspão na cabeça, perde a memória. O filme salta para sete anos depois. MacDonald (Matthew Modine), o sobrevivente, está preso numa penitenciária de segurança máxima e ainda não se lembra do que aconteceu. Seu segredo atrai três aproveitadores que conseguem resgatá-lo da prisão. Uma enfermeira faz parte do grupo de sequestradores e, utilizando uma droga especial, tentará fazer MacDonald recuperar a memória e contar onde escondeu o dinheiro. A investigação sobre o desaparecimento de MacDonald fica a cargo do xerife Sykes (Sylvester Stallone), que, com a colaboração do FBI, tentará encontrar pistas que levem ao sequestrado e seus sequestradores. Embora a divulgação do filme tenha colocado Stallone como o principal protagonista, na verdade ele aparece em poucas cenas, ganhando algum realce somente no desfecho.  Embora tenha feito história no cinema por seus antigos personagens John Rambo e Rocky Balboa, Stallone nunca foi um bom ator. Sempre atuou mais com os músculos. Agora, aos 73 anos, tenta sobreviver à idade, mas encontra muita dificuldade, principalmente pela deformação cada vez mais acentuada do rosto. Se pudesse aconselhá-lo, diria: “Tá na hora de se aposentar, Stallone. Obrigado por tudo”. Voltando a “Memória de um Crime”, o filme estreou nos EUA em dezembro de 2018 e ainda não chegou por aqui. O diretor Brian A. Miller, especialista em filmes de ação (“O Príncipe”, “Rastros de Violência”, “Sombras da Justiça”, “A Máquina”), bem que tentou imprimir seu estilo em “Memória de um Crime”, mas ficou só na intenção. Nada que mereça uma indicação entusiasmada. Em todo caso, pode servir para uma sessão da tarde com pipoca.