“LÁMEN SHOP” (“RAMEN TEH”), 2018,
coprodução Singapura/Japão/França, 1h30m, direção de Eric Khoo, com roteiro
escrito por Tan Fong Cheng e Wong Kim Hoh. Para quem gosta de culinária, principalmente
a oriental, “Lámen Shop” é um prato cheio. Antes de iniciar o comentário, lembro
que Lámen é um prato tradicional da culinária japonesa, constituído de macarrão
chinês, uma sopa com caldo à base de ossos de porco, peixe ou frango, além do
acréscimo de alguns condimentos. Vamos à história do filme. O jovem Masato
(Takumi Saitoh) trabalha com o pai num restaurante do Japão especializado em
servir o Lámen. Depois da morte do pai, Masato descobre num baú um caderno de
receitas escrito em mandarim (língua oficial da China, Singapura, Taiwan e Hong Kong). Um parêntese: a mãe era
chinesa e casou com o pai de Masato, japonês, muito a contragosto da mãe dela.
Tudo por causa da invasão japonesa a Singapura em 1942, na época uma colônia
britânica. Os japoneses abusaram da crueldade, assassinando muita gente da
população local e os próprios ingleses. Voltando à história: Masato resolveu
viajar até Singapura para descobrir como o romance de seus pais começou e,
ainda, tentar uma aproximação com a avó. No meio do caminho, Masato visitou
alguns centros importantes de culinária no Japão, China e Singapura, aprendendo
novas receitas para aperfeiçoar o Lámen do seu restaurante, como também outros
pratos típicos da China, Japão e Singapura. Um road movie culinário dos
mais interessantes. Masato chega à conclusão de que todos os acontecimentos de
sua família giraram em torno de uma mesa de comida, e está lá o Lámen como
elemento agregador. Um belo filme, sensível e comovente, onde a culinária está
presente em todos os momentos. Como escreveu um crítico profissional, no filme “Todas
as feridas se resolvem entre carnes e temperos, entre lágrimas e abraços”. Uma
definição com a qual concordo plenamente. Não percam!
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
“JOHN WICK 3 – PARABELLUM” (“JOHN
WICK: CHAPTER 3 – PARABELLUM”), 2019, EUA, 2h12m, direção de
Chad Stahelski (o mesmo dos dois primeiros – “De Volta ao Jogo” e “Um Novo Dia
para Matar”). Como nos dois primeiros filmes da série, “Parabellum” capricha
nas cenas de ação. A história é fantasiosa e mirabolante demais, mas para quem
curte filmes de ação, pouco importa. O que vale mesmo são as pancadarias,
sangue jorrando, perseguições, tiros e muita ação. Neste terceiro filme da
série, John Wick (Keanu Reeves) é condenado à morte e caçado por criminosos
contratados pela Alta Cúpula, depois de ter assassinado – no filme anterior –
um chefão da máfia que estava hospedado no Hotel Continental, pertencente à
organização. A recompensa é de US$14 milhões, o que atrai um grande contingente
de assassinos. Mas John Wick é John Wick, mestre em artes marciais, exímio
atirador e praticamente imortal. Keanu Reeves está visivelmente pesado para as
lutas corpo a corpo, sendo substituído por um dublê - dá para ver nitidamente que não é ele. O filme é mentiroso, como
os de James Bond. Para se ter uma ideia, depois de várias lutas no Marrocos e ser
obrigado a atravessar o deserto a pé, ele chega a um oásis com o terno e o nó
da gravata impecáveis. Há algumas outras cenas de humor, o que deixa o filme
ainda mais agradável de assistir. Dizem que será o último da série, mas não
acredito. Afinal, seu lançamento mundial rendeu US$ 319 milhões, o que significa
um grande sucesso de bilheteria. Além de Reeves, completam o elenco Halle
Berry, Laurence Fishburne, Mark Dacascos, Asia Kate Dillon, Lance Reddic, Ian
McShane e Anjelica Huston. Resumo da ópera: “Parabellum” é uma grande bobagem,
mas uma bobagem bastante divertida. Informação adicional: “Parabellum” vem de
uma frase do latim: “Si Vis Pacem Para Bellum” (“Se Você quer Paz, Prepare-se
para a Guerra”). Meu blog também é cultura.
terça-feira, 3 de setembro de 2019
“DONNYBROOK” – LUTA PELA
REDENÇÃO” (“DONNYBROOK”), 2018, EUA, 1h41m, direção de Tim Sutton, que
também é o autor do roteiro, baseado no livro “DonnyBrook”, de 2013, escrito por
Frank Bill. A história é centrada no veterano de guerra Jarhead Earl (o ator inglês
Jamie Bell, de “Billy Elliot”), que vive de trambiques e assaltos para
sustentar a família e pagar os remédios da esposa Sarah (Valerie Jane Parker),
que está com câncer. Com o objetivo de conseguir mais dinheiro para um
tratamento mais intensivo e eficiente de Sarah, Jarhead resolve treinar para disputar um
torneio de lutas chamado “DonnyBrook”, cujo vencedor leva 100 mil dólares. Paralelamente
ao drama vivido por Jarhead, o filme acompanha a trajetória de Chainsaw Angus
(o brucutu Frank Grillo), traficante de metanfetamina, um cara violento que
vive espancando a irmã Delia (Margaret Qualley), viciada e também sua parceira
no tráfico. Enfim, gente da "melhor" qualidade. Quando chega a hora das lutas no
DonnyBrook – cerca de 20 lutadores são colocados numa jaula e o último que ficar
de pé ganha o prêmio), Jarhead e Angus ficam frente a frente para resolver uma
antiga rixa - Angus era o fornecedor de drogas de Sarah. O roteirista e diretor Tim Sutton, da trilogia “Memphis”, “Dark
Night” e “Pavillion”, acerta a mão também em “DonnyBrook”, um filme
independente muito elogiado pela crítica especializada. Eu também gostei, mesmo
que seja violento demais. Para encerrar, destaco a cena em que a bela atriz
Margaret Qualley sai nua de um lago, lembrando Ursula Andrews em “007 Contra o Satânico
Dr. No” (1962), o primeiro da série James Bond. Outro destaque do filme fica
por conta das ótimas atuações de Jamie Bell, Frank Grillo e da própria Margaret
Qualley. Enfim, “DonnyBrook é um filme que merece ser conferido.
segunda-feira, 2 de setembro de 2019
Representante oficial da
Dinamarca na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, o suspense “CULPA”
(“DEN SKYLDIGE”) tem um grande mérito: manter a plateia na maior tensão
durante sua hora e meia de duração com apenas um personagem, seu telefone e
computador dentro de uma saleta. Além dele, só as vozes das pessoas que ligam
para a emergência. O responsável por essa façanha é o jovem roteirista e
diretor sueco Gustav Möller, de 31 anos, em seu longa-metragem de estreia. Vamos
à história: o policial Asger Holm (Jakob Cedergren) atuava nas ruas de
Copenhagen, mas, por causa de um incidente de trabalho, acabou designado para trabalhar
na central telefônica de emergências da polícia. Em meio a trotes e ocorrências
banais, Asger recebe a ligação de uma tal de Iben, desesperada pedindo ajuda, dizendo
que havia sido sequestrada pelo ex-marido, Michael. Ela dizia estar trancada no
porta-malas do carro de Michael, enquanto Asger tentava, ao mesmo tempo, rastrear
o veículo. A situação fica ainda mais tensa quando Asger descobre que Michael tem
passagens pela polícia. Várias viaturas são mobilizadas para ir até a casa de
Iben, onde estariam seus dois filhos, o bebê Oliver e a filha mais velha
Mathilde. Ali, descobrem uma tragédia. E Asger ingressa numa angustiante
corrida contra o relógio para resolver a situação. É melhor não falar mais nada
para não estragar a reviravolta do desfecho. Eu já conhecia o ator Jakob
Cedergren de outros filmes, como os excelentes “Tristeza e Alegria”, de 2013, e
“Submarino”, de 2010. Aos 46 anos, Jacob, nascido na Suécia e radicado na
Dinamarca, talvez seja hoje o melhor ator dinamarquês em atividade. Em “Culpa”,
ele realmente tem uma atuação espetacular. O filme, exibido por aqui durante a
programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, também foi
destaque nos festivais de Sundance e Rotterdam. Imperdível!
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
“BENEFÍCIO ABENÇOADO” (“INSHALLAH
ISTAFADIT”) – a tradução em português é minha, baseada no
título em inglês, “Blessed Benefit”, 2017, coprodução Jordânia/Alemanha/Holanda,
1h23m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Mahmoud al Massad, que até então era mais
conhecido como ator (ele também atua no filme), diretor de documentários,
curtas e séries de TV. Trata-se de uma comédia dramática centrada no personagem Ahmad
(Ahmad Thaher), um operário que trabalha na construção civil e vive de bicos
reformando casas. Cansado da pobreza em que sempre viveu, ele topa entrar num
negócio com seu primo Abu Wafa (Odai Hijazi): importar notebooks para revender.
Só que antes do negócio se concretizar, Ahmad é preso por ter recebido 1.800
dinares de um vizinho para construir um muro e ele nem começou a obra. É
condenado a três meses de prisão. Ele implora ao primo para vender logo os
notebooks e pagar a fiança. Mas não será fácil, pois as mercadorias estão
presas na alfândega. Na prisão, Ahamad ocupa uma cela com mais de quinze
presos. É onde acontecem as cenas mais engraçadas. O trunfo do filme é
realmente o ator Ahmad Thaher, certamente estreando no cinema – procurei referências
sobre ele, mas não encontrei. Ele é uma figura, não tem metade dos dentes de
cima e quando sorri sempre faz uma cara de ironia. Na verdade, ele parece estar
feliz na prisão, longe da mulher que o azucrina. Aparentemente, todo o elenco
do filme, com exceção do diretor Massad, parece ser constituído de amadores.
Por isso mesmo, atuam de forma espontânea, sem trejeitos ou afetações, o que
torna o filme ainda mais saboroso. Programão!
quarta-feira, 28 de agosto de 2019

domingo, 25 de agosto de 2019
“TED BUNDY: A IRRESISTÍVEL
FACE DO MAL” (“EXTREMELY WICKED SHOCKINGLY EVIL AND VILE”), 2019, Estados
Unidos, 1h50m, direção de Joe Berlinger
e roteiro assinado por Michael Werwie. Filme produzido pela Netflix, estreou
nos EUA no dia 3 de maio de 2019 e aqui no Brasil, em circuito comercial, no
dia 25 de julho de 2019. O filme é uma cinebiografia de um dos serial killers
mais famosos dos Estados Unidos: Theodore Robert Cowell, mais conhecido como
Ted Bundy. Nos anos 70 do século passado, ele matou mais de 35 mulheres, em
geral jovens e bonitas, em sete estados norte-americanos. Ted Bundy usava seu
charme, lábia e beleza para seduzir suas vítimas e depois matá-las com
requintes de crueldade. O filme não mostra ele praticando os assassinatos. A
gente fica sabendo dos detalhes dos crimes durante os julgamentos aos quais Ted
foi submetido. Apesar das evidências e provas concretas, ele sempre declarou
inocência. O filme destaca o relacionamento que Ted (Zac Efron) teve com Lilly
Kendall (Lili Collins, filha do Phil), mãe solteira que ele conheceu em 1969. Os
julgamentos em vários estados acabaram decretando a prisão de Ted. Na Flórida,
foi condenado à morte por cadeira elétrica, o que aconteceu no dia 24 de
janeiro de 1989. Ed tinha 42 anos. Além de Zac Efron, excelente como o serial
killer, e Lili Collins, estão no elenco Kaya Scodelario como Carole Ann
Boone, amante de Ted, e John Malkovich como o juiz Edward Cowart, responsável
pela sentença final. “Ted Bundy” foi o segundo longa-metragem do cineasta Joe
Berlinger – o primeiro foi “A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras", de 2000.
Ele é mais conhecido no mundo do cinema como diretor de curtas, documentários e
séries de TV. Eu gostei do filme, embora concorde com grande parte dos críticos
profissionais de que houve um certo exagero em glamorizar o assassino, o que
deve ter revoltado as famílias das vítimas. Apesar da polêmica, o filme é
excelente e dá a oportunidade para assistir à melhor performance do jovem ator Zac Efron, de apenas 31 anos.
“O FILHO PROTEGIDO” (“El Hijo”), 2019,
Argentina, 1h32m, produção e distribuição Netflix, direção de Sebastián Schindel,
com roteiro de Leonel D’Agostino. Trata-se de um suspense psicológico cuja
história foi adaptada do livro “Una Madre Protetora”, escrito por Guillermo
Martínez. O consagrado pintor modernista Lorenzo Roy (Joaquín Furriel) é casado
com Sigrid (Heidi Toini), que espera um filho. Este é o segundo casamento de
Lorenzo. Do primeiro, ele teve duas filhas, com as quais não tem nenhum
contato. A gravidez de Sigrid caminha bem até que ela contrata Gudrunn (Regina
Lamm) para ser babá do filho que vai nascer. Com Sigrid, Gudrun só fala em
norueguês, fato que causa desconfiança por parte de Lorenzo. Quando a criança
nasce, o comportamento de Sigrid e Gudran fica ainda mais misterioso, deixando Lorenzo
cada vez mais com a pulga atrás da orelha. O relacionamento entre o casal vira
um inferno, prenunciando um desfecho trágico. Essa expectativa sobre o que vai
acontecer é o que conduz o suspense até o final. Um bom trabalho do diretor Sebastián
Schindel em seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “O Patrão: Radiografia
de um Crime”, de 2014. Schindel era mais conhecido como diretor de
documentários. Um destaque do elenco é a atriz argentina Martina Gusman como
Julieta, amiga e advogada de Lorenzo. Casada com o cineasta Pablo Trapero, ela
atuou em outros excelentes filmes argentinos, como “Elefante Branco”, “Leonera”
e “Abutres”. Enfim, "O Filho Protegido" é mais um ótimo filme argentino.
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
“4 LATAS”, 1h44,
Espanha, roteiro e direção de Gerardo Olivares. Produzido pela Netflix, sua
estreia mundial aconteceu no dia 12 de julho de 2019. Trata-se de uma comédia road
movie que começa quando dois amigos, Jean Pierre (o ator francês Jean Reno) e Tocho (o ator li banês naturalizado espanhol Hovic
Keuchkerian), recebem a notícia de que um grande amigo de ambos, Joseba
(Enrique San Francisco), está à beira da morte. Só que tem um grande problema:
Joseba mora em Tombuctu, no Mali (África), distante 2.544 km da Espanha. Como
faziam antigamente junto com Joseba, Jean Pierre e Tocho resolvem ir de carro
e compram um veículo que havia participado de um rallie no deserto nos anos
80. O nome do veículo, 4 Latas, virou o título original do filme. Durante os
preparativos da viagem, Jean Pierre e Tocho convencem a filha do amigo doente a
ir com eles. Ely (Susana Abaitua) finalmente terá a oportunidade de conhecer o
pai, que a abandonou ainda criança para viver com outra mulher em Tombuctu.
Começa a longa viagem através do Deserto do Saara, passando por Marrocos e Argélia.
Ao longo desses dias, os viajantes terão a oportunidade de passar por momentos
perigosos, incluindo os guerrilheiros tuaregues, falhas mecânicas, falta de
água e até um contrabandista francês que anos antes tinha sido roubado por Jean
Pierre. Tudo isso levado adiante com humor, ação e aventura. Enfim, um filme
muito agradável de assistir
terça-feira, 20 de agosto de 2019
“O GÊNIO E O LOUCO” (“THE
PROFESSOR AND THE MADMAN”), 2019, EUA, 2h04m, direção do cineasta iraniano
Farhad Safinia (sua estreia em longas), que também assina o roteiro com a colaboração
de Todd Komarnicki. O filme, baseado em fatos reais relatados no livro homônimo
escrito por Simon Winchester, conta a emocionante história de que como foi elaborada
a 1ª edição do Oxford Dictionary of English. Para tornar o filme ainda melhor,
dois grandes atores foram recrutados para protagonizar os personagens
principais: Sean Penn e Mel Gibson. E ambos têm uma atuação espetacular. Tudo começa em 1857, quando o professor e
filólogo James Murray (Gibson) é contratado pela Universidade de Oxford
(Inglaterra) para compilar as palavras inglesas atuais e de séculos anteriores
com o objetivo de elaborar um grande dicionário da língua inglesa. Com a desconfiança de alguns
diretores de Oxford, Murray iniciou os trabalhos com a ajuda de apenas dois
assistentes. Com o decorrer dos primeiros anos, ficou claro que seria
impossível realizar esse trabalho com apenas três pessoas. Murray, então, teve
a ideia de convocar a população da Inglaterra a colaborar. O mais incrível é
que o melhor dos colaboradores, responsável por enviar 10 mil verbetes, foi um
presidiário de um hospital psiquiátrico, o dr. William Chester Minor (Penn),
ex-médico do exército norte-americano cumprindo pena por assassinato. O filme
dá destaque à amizade de Murray e o dr. Minor, o que garante algumas cenas
bastante comoventes. Outro destaque é a forte ligação do dr. Minor com a viúva
do homem que ele matou, Eliza Merrett (Natalie Dormer), para a qual ele
destinou para o resto da vida a sua pensão militar. A primeira edição do dicionário
completo só seria lançada em 1888 e Murray fez questão de homenagear Minor colocando
seu nome como principal colaborador. O elenco do filme contou ainda com Steve
Coogan, Jennifer Ehle, Eddie Marsan, Jeremy Irvine, Stephen Dillane e Ioan Gruffudd.
A história é incrível, fascinante, e o desempenho de Penn e Gibson é
extraordinário, tornando “O Gênio e o Louco” um filme simplesmente imperdível.
domingo, 18 de agosto de 2019
Representante da Polônia na
disputa de três indicações ao Oscar 2019, “GUERRA FRIA” (“ZIMNA WOJNA”) teve
a direção e roteiro do diretor Pawel Pawlikowski (“Ida”, também escrito e
dirigido por Pawel, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015). Com um
pano de fundo essencialmente político, “Guerra Fria” conta uma história de amor
envolvendo Wiktor (Tomasz Kot) e Zula (Joanna Kulig). O filme acompanha a trajetória
do casal durante 15 anos, de 1949 até 1964, período em que viveram uma paixão
tumultuada, de encontros e desencontros. Em 1949, quando dirigia uma companhia
de música intitulada Mazurek Ensemble, Wiktor conheceu a ainda jovem Zula entre
os candidatos recrutados na zona rural da Polônia. Enquanto os dois se
apaixonam, a companhia é obrigada a criar espetáculos que enalteçam o grande
chefe Stalin, além de dignificar a vitória do proletariado e a glorificação do
regime comunista. Acusado de espionagem, Wiktor consegue fugir para Paris sem
Zula, que havia prometido ir com o amante. Wiktor acaba trabalhando como
pianista de jazz em night-clubs em Paris, além de compor trilhas sonoras para
filmes franceses. Enquanto isso, Zula continuou participando da companhia de música,
para depois seguir carreira-solo como cantora, fazendo enorme sucesso em toda a
Europa. Mesmo casada, Zula sempre encontra uma maneira de rever o antigo namorado,
seja em Paris, Berlim ou Belgrado. Filmado totalmente em preto e branco, com
uma fotografia espetacular, “Guerra Fria” foi indicado ao Oscar 2019 em três
categorias: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. Pawel
recebeu o prêmio de Melhor Diretor no 71º Festival de Cannes, em 2018, sendo o
filme premiado em vários outros festivais pelo mundo afora. Quem gosta de
curtir filmes de alta qualidade não deve perder.
sábado, 17 de agosto de 2019

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

terça-feira, 13 de agosto de 2019
“A ASSOMBRAÇÃO DE SHARON TATE” (“The
Hauting of Sharon Tate”), 2019, EUA, 1h34m, roteiro e direção de Daniel
Farrands. Para quem não sabe, Sharon Tate foi uma atriz de grande sucesso nos
anos 60. Chegou até a ser indicada para o Globo de Ouro de Melhor Atriz por sua
atuação em “O Vale das Bonecas” (1967). No mesmo ano, trabalhou no filme “A
Dança dos Vampiros”, dirigido por Roman Polanski, com quem se casaria logo
depois. No dia 8 de agosto de 1969, em sua luxuosa mansão em Los Angeles, Sharon Tate, grávida de oito meses, e mais
quatro amigos seriam assassinados com requintes de crueldade por seguidores da
seita satânica comandada pelo maluco Charles Manson – Sharon tinha apenas 26
anos. O diretor Daniel Farrands, conhecido em Hollywood como roteirista de
filmes de terror como “The Amityville Murders” e “Halloween 6 – A “Última
Vingança”, aproveitou a história do trágico acontecimento ocorrido com Sharon
Tate e elaborou um roteiro imaginando como teria sido os três dias que
antecederam o assassinato. Recheou
de suspense, beirando o terror, concluindo por mudar o rumo da história, para depois retornar à trágica
realidade. A ideia até que foi boa, mas sua a concretização ficou devendo,
principalmente pela fraca atuação do elenco, tendo à frente a atriz Hilary Duff
como Sharon (a original era bem mais bonita), que passa o filme inteiro chorando
e tendo chiliques histéricos. Lembro que o diretor Farrands se inspirou numa
entrevista dada pela atriz poucos dias antes da tragédia, na qual ela dizia que
temia ser assassinada. No elenco também estão Jonathan Bennett, Pawel Szajda, Ben
Mellish e Lidia Hearst, bisneta do magnata da imprensa William Randolph Hearst
e filha de Patty Hearst, que ficou famosa depois de ter sido sequestrada, em
1974, por membros do Exército Simbionês de Libertação.
domingo, 11 de agosto de 2019
“CONSEQUÊNCIAS” (“The
Aftermath”), 2019, Inglaterra, produção da BBC, 108 minutos, roteiro escrito
por Joe Shrapnel e Anna Waterhouse, direção de James Kent. A história é baseada
no terceiro romance de Thidian Brook, lançado em 2013, com o mesmo título original
do filme. O ano é 1946, meses após o final da Segunda Grande Guerra. Hamburgo (Alemanha) foi uma das cidades alemãs mais afetadas
pelos bombardeios aéreos das Forças Aliadas. A cidade ficou praticamente
destruída. Para administrar sua reconstrução, a Inglaterra designou o coronel Lewis
Morgan (Jason Clarke). Depois de alguns meses, Morgan providenciou a vinda de
sua esposa Rachael (Keira Knightley), que estava morando em Londres. Para sua
nova residência, Morgan tomou posse da casa de Stefan Lubart (o ator sueco
Alexander Skarsgard), um rico viúvo alemão que vivia no local com sua filha e
empregados. Com a discordância de Rachael, Morgan deixou que eles continuassem
morando na casa, só que na parte superior. Rachael ainda se ressentia da morte
do filho em 1942, durante um bombardeio a Londres efetuado pela força aérea
alemã. Por isso, ela detestava os alemães e não podia suportar conviver na
mesma casa com Lubart e a filha. Porém, com a convivência diária e as seguidas viagens
de Morgan para missões especiais em outras cidades, Rachael e Lubat acabam se
aproximando mais do que o recomendável para uma mulher casada. E por aí vai a
história, caminhando para o final onde Rachael terá de se decidir entre o
marido e o amante. Vale pela reconstituição histórica, pelos cenários e
figurinos, e, principalmente, pela presença da bela e competente atriz inglesa Keira
Knightley.
“O ANJO” (“EL ÁNGEL”), 2018,
Argentina, 114 minutos, roteiro e direção de Luis Ortega. Baseado em fatos
reais, o filme conta a história de Carlos Robledo Puch, que nos anos 70, ainda
adolescente, aterrorizou Buenos Aires. Ele foi responsável por pelo menos 11
assassinatos, uma série de sequestros e mais de 40 roubos. “Carlitos”, como
também era conhecido, foi preso e cumpre prisão perpétua – hoje, está com 67 anos.
Na época, ele também ficou conhecido pelo apelido de “Anjo da Morte”, pois parecia
mesmo um anjo com seu rosto angelical e cabelos loiros compridos e
encaracolados. O ator Lorenzo Ferro, em sua primeira atuação no cinema, dá vida
ao jovem bandido. Sua atuação é espetacular, além do fato de ser muito parecido com o personagem verdadeiro quando jovem. Ele contracena com Chino Darín
(filho do astro Ricardo Darín), que interpreta Ramón, seu colega de escola e
cúmplice em vários delitos. O diretor Ortega fez questão de sugerir uma espécie
de atração homoafetiva entre os dois, não concretizada - pelo menos no filme. Mas
deixa claro que havia uma ligação mais forte. Além da dupla principal, fazem
parte do elenco ótimos atores como Cecilia Roth, Malena Villa, Mercedes Morán,
Daniel Fanego e Luís Gnecoo. Além desse excelente elenco, outros destaques são a primorosa
recriação de época, tanto nos cenários quanto nos figurinos, a trilha sonora e,
sem dúvida, a história do jovem bandido que, mesmo fazendo o que fez, virou
celebridade na terra de Maradona. Como curiosidade, o roteirista e diretor Luis
Ortega é filho de Palito Ortega, um cantor popular que fez grande sucesso na
Argentina nos anos 60/70. “O Anjo” estreou no Festival de Cannes em maio de
2018 com muitos elogios, além de ter sido indicado para disputar o Oscar 2019
de Melhor Filme Estrangeiro. Também foi a melhor bilheteria no circuito
comercial da Argentina em 2018, faturando mais de U$ 5 milhões. Informação
adicional: o cineasta espanhol Pedro Almodóvar é um dos produtores. O filme
realmente é muito bom, mais um argentino de grande qualidade, de causar
inveja a nosotros.
domingo, 4 de agosto de 2019
“O CAPITÃO” (“Der
Hauptmann”), 2017, Alemanha, 1h59m, roteiro e direção de Robert Schwentke.
Baseado em fatos reais, o filme é ambientado durante as duas semanas antes do
final da Segunda Guerra Mundial, em abril de 1945. Já prevendo a derrota para
os Aliados, milhares de soldados do exército alemão resolvem desertar. Para
sobreviver, eles praticam saques em vilarejos e fazendas do interior da
Alemanha. “O Capitão” conta a história de um desses desertores, o soldado raso
Willi Herald (Max Hubacher), de apenas 21 anos, personagem que existiu de
verdade. Fugindo para não ser preso, passando frio, fome e sede, Herald encontra
um carro abandonado numa estrada deserta. Dentro, ele encontra o uniforme e os
documentos de um capitão, que talvez tenha também desertado ou sido preso. Herald
veste o uniforme de oficial e se abriga do frio dentro do veículo. Nisso
aparece um soldado dizendo que havia se desgarrado da tropa, mas na verdade era
outro desertor. O “capitão” Herald enquadra o soldado e o obriga a fazer
reverência a um oficial. Outros desertores aparecem acreditando que Herald realmente
é um capitão e passam a obedecê-lo, praticando saques pelo caminho, até chegarem
a um campo de prisioneiros destinado a desertores. Às autoridades do campo,
Herald afirma que recebeu ordens do próprio Hitler para eliminar esses
prisioneiros. Até ser desmascarado, Herald cometerá inúmeras atrocidades,
contrariando as autoridades do campo, que receberam a orientação de não
executar prisioneiros. Todo esse contexto sugere um drama pesado, com muita violência
e assassinatos. Confere, mas não é só. O roteirista e diretor alemão Robert
Schwentuke recheou o filme com momentos de muito humor e cenas hilariantes, principalmente
aquelas em que Herald tenta se impor na base de gritos e dos “Heil Hitler!”. Todo
esse humor é, na verdade, uma sátira mordaz ao nazismo e ao poder exercido por
uma farda. O grande trunfo do filme é a atuação do jovem ator suíço Max Hubacher,
sensacional. O diretor Schwentke também acertou em cheio quando optou pela
fotografia em preto e branco (do fotógrato Florian Ballhaus). Depois de uma
passagem por Hollywood, onde fez filmes de qualidade duvidosa, como os dois da série
“Divergente” e ainda “R.I.P.D – Agentes do Além” e “Red – Aposentados e
Perigosos”, o diretor alemão retorna ao seu país de origem realizando um filme excelente,
surpreendente e inteligente. “O Capitão” é um filmaço! (Não deixem de assistir aos créditos finais, durante os quais está reservada uma ótima surpresa).
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
“ROCKETMAN”, 2019, Inglaterra,
2h1m, roteiro de Lee Hall e direção de Dexter Fletcher. Trata-se da
cinebiografia do astro pop Elton John. Uma pérola rara do cinema, o filme do ano! Aposto todas as minhas fichas que “Rocketman” será o filme com mais
indicações para a disputa do Oscar 2020. E uma delas já tem a estatueta na mão:
a de Melhor Ator para o talentoso ator britânico Taron Egerton, 29 anos. Além de
excelente ator e dançarino, ele é ótimo cantor – é ele quem canta as músicas de
Elton. Mais do que uma cinebiografia, “Rocketman” é um filme extremamente
musical, com muitas cenas de coreografias e uma trilha sonora da melhor
qualidade. Tudo muito exuberante, colorido e extravagante, como Elton sempre
foi desde o início de carreira. O filme apresenta Elton desde criança, quando
ainda era Reginald Kenneth Dwight – o John surgiu em homenagem a John Lennon.
Mostra como o garoto era um virtuose no piano. Tímido, era praticamente
rejeitado pelo pai (Steven MacKintosh) e ganhava poucos carinhos da mãe (Bryce
Dallas Howard), que pulava a cerca com índices olímpicos. Elton cresceu levando
consigo o trauma da falta de carinho que nunca recebeu na infância. Até mesmo
depois de todo o sucesso, ele jamais esqueceu o descaso dos pais. O filme relembra
o grande momento da ascensão de Elton, não na Inglaterra, mas em Los Angeles, em
1970, quando começou a fazer shows no Clube Troubadour. Daí para a frente, só
sucesso, milhões de discos vendidos, fama mundial e veneração pela mídia e
críticos musicais. Elton, porém, teve o seu lado obscuro, álcool em excesso,
drogas e amores tumultuados – o astro demorou para “sair do armário”, temendo
danos para a sua imagem de roqueiro. O filme não esconde nada. Mais um gol de
placa do diretor Dexter Fletcher, o mesmo que terminou de filmar “Bohemian Rapsody”
depois da demissão do então diretor do filme Bryan Singer, acusado de assédio
sexual. “Rocketman”, que estreou no 72º Festival Internacional de Cinema de
Cannes, em maio de 2019, tem uma energia
vibrante, um filme espetacular. Repito: O FILME DO ANO!
domingo, 28 de julho de 2019
“12 HORAS PARA SOBREVIVER: O
ANO DA ELEIÇÃO” (“THE PURGE: ELECTION YEAR”), 2016, EUA, 1h49m,
roteiro e direção de James DeMonaco. Trata-se do terceiro filme da franquia “The
Purge” – os dois primeiros, também escritos e dirigidos por DeMonaco , foram “Uma
Noite de Crime” (2013) e “Uma Noite de Crime: Anarquia” (2014). E vem o quarto,
esperado para o final de 2019. Num Estados Unidos fictício, há muitos anos que
é realizado o evento intitulado “Noite de Crime”, durante a qual vale tudo:
assassinar, torturar, estuprar, assaltar etc., sem qualquer punição. Para
participar dessa loucura, que virou um evento turístico, vem gente de todo o
mundo. Psicopatas e idiotas é que não faltam, mesmo na vida real. Nesta terceira edição, ambientada
em Washington, o ex-sargento da polícia Leo Barnes (Frank Grillo) é o chefe de
segurança da senadora Charlie Roan (Elizabeth Grillo). Em campanha para disputar
a presidência dos EUA, a senadora é radicalmente contra o evento e, por isso
mesmo, jurada de morte por seus organizadores, entre os quais gente do próprio
governo federal, políticos de extrema-direita e empresários da indústria de
armas. A ideia desse pessoal é aproveitar a “Noite de Crime” para assassinar a
senadora, utilizando para isso um exército de mercenários. Como filme de ação, “12
Horas para Sobreviver” até que funciona – aqui no Brasil vivemos “24 Horas para
Sobreviver”, e não é filme de ficção.
“SOBIBOR”, 2018,
Rússia, 1h58m, roteiro e direção de Konstantin Khabensky, que também atua fazendo
o papel do principal personagem, o oficial soviético Alexander Pechersky, prisioneiro
de guerra no famoso campo de concentração localizado na Polônia e local das
maiores atrocidades praticadas pelos nazistas, principalmente contra os judeus,
durante a Segunda Grande Guerra. Trata-se de uma superprodução russa, reunindo
inúmeros atores e atrizes de renome do cinema russo, além de milhares de
figurantes. Sem contar que, para a realização do filme, foi construída uma
réplica do campo de concentração de Sobibor com precisão histórica. Todos os
fatos mostrados em “Sobibor” foram narrados no livro de memórias “Alexander Pechersky:
Breakthrough to Immortality”, escrito pelo próprio oficial russo que liderou,
em outubro de 1943, a revolta e a fuga dos prisioneiros – 400 conseguiram
escapar e outros 100 foram mortos. “Sobibor” talvez seja o filme mais realista,
chocante e perturbador de todos aqueles que foram feitos sobre campos de
concentração durante a Segunda Grande Guerra. E, sem dúvida, um dos melhores
que eu já assisti. Algumas cenas são bastante impactantes, como aquela, no
início, em que dezenas de mulheres prisioneiras são encaminhadas nuas para um “banho”.
Outra cena chocante envolve a festa realizada por oficiais alemães durante a
qual os prisioneiros são obrigados a servir de cavalos puxando carroças e apanhando
de chicote. Haja estômago! Uma curiosidade é a participação do ator francês
Christopher Lambert como o oficial nazista Karl Frenzel, comandante do campo (suas
falas foram dubladas para o alemão). Aliás, o filme é falado em três idiomas:
russo, iídiche e alemão. Importante comentar que o rigor aos detalhes
históricos fez parte da criação do roteiro, no qual Khabensky foi auxiliado por
Aleksander Adabashyan, Anna Tchernakova, Andrei Nazarov e Ilya Vasiliev. “Sobibor”
foi o representante oficial da Rússia na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme
Estrangeiro. Um filmaço!
quinta-feira, 25 de julho de 2019
“EIS MEU CORAÇÃO” (“Behold
My Heart”, a tradução é minha, pois o filme até agora não chegou por aqui;
também é apresentado com um título alternativo, “Dark Was the Night”), 1h20m, EUA.
É um filme independente dirigido por Joshua Leonard, que também assina o roteiro
com a colaboração de Rebecca Lowman. Sua primeira exibição aconteceu em 2018
durante o Galway Film Fleadh (Irlanda). Começa o filme e a gente se depara com
uma família feliz: o pai Steven Lang (Timothy Olyphant), a mãe Margaret (Marisa
Tomei) e o filho Marcus (Charlie Plummer). Steven é um marido amoroso e um pai
sempre presente, dando-se às mil maravilhas com a esposa e com Marcus – de vez
em quando, os dois até fumam um baseado juntos. A felicidade da família, porém,
é abalada com a morte trágica de Steven, covardemente agredido no estacionamento
de um bar. Margaret entra numa depressão profunda, parte para o alcoolismo e se
enfurna dentro de casa. Marcus é obrigado a vigiar a mãe o tempo inteiro, o que
faz com a maturidade de um adulto. Até que um dia a mãe, bêbada, confunde
Marcus com o falecido. Constrangido e revoltado, Marcus resolve sair de casa. O
amor de mãe fala mais alto e Margaret decide ficar sóbria para recuperar o
filho. O drama até que tem seus momentos comoventes, mas o seu maior destaque
realmente é a atuação de Marisa Tomei, uma ótima atriz um tanto rejeitada por
Hollywood. Ela até chegou a ganhar um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, em
1993, por seu trabalho em “Meu Primo Vinny”. Aos 54 anos, ainda está com cara de menina e em grande
forma. O jovem Charlie Plummer também tem se revelado um bom ator, como já
provou, por exemplo, em “Todo o Dinheiro do Mundo”, quando interpretou John
Paul Getty II, o neto sequestrado do magnata John Paul Getty. Enfim, “Eis Meu
Coração” não tem qualidade suficiente para motivar uma recomendação
entusiasmada, mas é bom filme.
quarta-feira, 24 de julho de 2019

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