sexta-feira, 6 de julho de 2018
quarta-feira, 4 de julho de 2018

segunda-feira, 2 de julho de 2018
“AS
MARAVILHAS” (“LE MARAVIGLIE”),
2014, Itália, roteiro e direção de Alice Rohrwacher. A história se concentra numa
família que mora na zona rural da Úmbria, região da Toscana. Wolfgang (Sam
Louwyck) e Angélica (Alba Rohrwacher, irmã da diretora) e mais as quatro filhas
se sustentam como apicultores, na produção artesanal de mel. O filme é centrado
basicamente na figura de Gelsomina (a ótima atriz estreante Maria Alexandra Lungu), a filha mais velha
e, por isso mesmo, mais cobrada pelo pai autoritário. Wolfgang, aliás, embora
trabalhe bastante, de vez em quando tenta um negócio diferente, sempre perdendo
dinheiro. Sua última empreitada esquisita foi a compra de um camelo. O filme
mostra basicamente a rotina diária da família, tanto no trabalho como nas horas
de lazer. Em meio a esse contexto surge a equipe de produção de um programa
televisivo chamado “Ilha das Maravilhas”, cuja apresentadora é chamada de Milly
Catena (ninguém menos do que a diva Monica Bellucci!). O programa promove um
concurso para premiar famílias empreendedoras e Gelsomina inscreve a sua, a
contragosto do pai. Este foi o segundo longa-metragem escrito e dirigido por
Alice Rohrwacher, que se inspirou na história da própria família, que morou naquela
região e cujo pai também era apicultor. Para definir o que achei do filme, vou
reproduzir uma frase do crítico Lucas Salgado, do site Adoro Cinema: “É difícil
se empolgar, mas também é difícil não se envolver”. Para ilustrar ainda mais
meu comentário, acrescento que o filme foi premiado em vários festivais pelo
mundo afora, incluindo o de Sevilha e de Munique. No Festival de Cannes, ganhou
o Grande Prêmio do Júri. Não digo que seja imperdível, mas é muito bom.
domingo, 1 de julho de 2018
“A
FILHA DO PATRÃO” (“La Fille du Patron”), 2015, França, longa-metragem de estreia como roteirista e diretor do ator
Olivier Loustau, que também atua nesta comédia dramática romanceada. Vital
(Loustau) é funcionário de uma empresa têxtil de médio porte. Um dia, o
empresário Baretti resolve encomendar um estudo de ergonomia com o objetivo de
melhor as condições de trabalho na sua indústria, promovendo a interação entre
o homem e a máquina e, assim, aumentar o nível de segurança dos trabalhadores. Esse
trabalho será desenvolvido pela jovem e bonita Alix (Christa Theret),
especialista no assunto. A primeira etapa do seu trabalho é conhecer o funcionamento
das máquinas e escolher, entre os funcionários, aquele que servirá à sua
pesquisa como cobaia. É justamente Vital o escolhido. Vai demorar para o pessoal
da fábrica, inclusive Vital, descobrir que Alix é, na verdade, nada mais nada menos que a filha de Baretti,
ou seja, a filha do patrão. Além de um previsível romance entre Vital e Alix –
embora Vital seja casado e mais velho -, o filme também dá destaque ao time de
rúgbi da fábrica, formado por barrigudos parrudos e tendo Vital como técnico. As
melhores cenas de humor são justamente aquelas em que o pessoal está treinando
para disputar o campeonato operário da cidade. Mas é o romance proibido entre
Vital e a filha do patrão o foco principal desta produção francesa, que não é
tão boa quanto parece nem tão ruim para deixar de ser recomendada. Coluna do meio!
sábado, 30 de junho de 2018
“DARK
CRIMES” (este é o
título original; não imagino que tradução terá por aqui, se vier), 2016, coprodução
EUA/Inglaterra/Polônia. Você verá um Jim Carrey totalmente diferente, a muitas
milhas de distância do comediante que estávamos acostumados a ver em tantas
comédias, a últimas delas “Debi & Lóide 2”, de 2014. Neste seu novo filme, além
do semblante sempre sério – não dá um sorriso o filme inteiro -, Carrey está
usando barba, cabelos ralos ao estilo “Fundação Casa” e visivelmente com alguns
quilos a mais. A história é totalmente ambientada em Varsóvia (Polônia). Carrey
interpreta o detetive Jake Tadek, obcecado por resolver um assassinato praticado
contra um cliente de um clube de prostituição. Ao investigar o caso, o policial
conclui que o principal suspeito é Krystov Kozlow (Marton Csokas), um escritor
de livros policiais. Num deles, ele descreve um assassinato com detalhes muito
parecidos com aqueles apurados na cena do crime investigado por Tadek. Ao
vigiar o seu suspeito, Tadek conhece a misteriosa Kasia (a atriz francesa
Charlotte Gainsbourg), namorada de Koslow, que trabalha no tal clube e gosta de
apanhar durante o sexo. Kozlow finalmente confessa o crime, mas Tadek não
acredita que ele seja o verdadeiro assassino, que será conhecido apenas no
desfecho, numa surpreendente reviravolta. O filme foi dirigido pelo grego
Alexandros Avranas (“Miss Violence”) e o roteiro escrito por Jeremy Brock, que
se baseou num artigo do jornalista David Grann intitulado “True Crime: A Post
Modern Murder Mistery”, publicado na revista norte-americana New Yorker. O
filme é bastante interessante, tem o roteiro bem elaborado e suspense na dose certo, prendendo a atenção do espectador do começo ao fim. Um
bom programa para quem curte o gênero policial e uma excelente oportunidade para conhecer um Jim Carrey totalmente diferente. Aliás, sua atuação é muito boa.
quinta-feira, 28 de junho de 2018
“7
DIAS EM ENTEBBE” (“7 Days in Entebbe”), 2018, EUA, direção do brasileiro José Padilha, em sua mais
recente incursão em Hollywood depois de “RoboCop”, de 2014. Como todo mundo sabe,
Padilha ficou consagrado depois dos dois filmes da saga “Tropa de Elite”. O
filme relembra o sequestro de um avião da Air France que decolou de Tel-Aviv (Israel)
com destino a Paris, em julho de 1976. No meio do caminho, foi sequestrado por terroristas
simpáticos à causa palestina, entre os quais dois alemães pertencentes à organização
guerrilheira alemã de extrema esquerda Baader Meinhof, e levado para Entebbe,
na Uganda, país na época dirigido pelo general ditador maluco Idi Amin Dada. Como
exigência para soltar os reféns, eles exigiam a libertação de terroristas
alemães e palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia. O restante da
história é bastante conhecido. O governo de Israel enviou uma tropa de elite
(olha aí, Padilha) de seu exército para resgatar os passageiros judeus em pleno
solo ugandense, operação concluída com sucesso. Ao contrário do que muita gente pode pensar, não se trata de uma refilmagem de “Vitória
em Entebbe”, lançado em dezembro de 1976, pois Padilha preferiu contar a história sob o ponto de vista dos terroristas. No elenco do filme
de Padilha estão Daniel Brühl, Rosamund Pike, Eddie Marsan e Lior Ashkenazi. “7
Dias em Entebbe” estreou durante o 68º Festival Internacional de Cinema de
Berlim, em fevereiro de 2018, e foi massacrado pela crítica especializada. Não
achei tão ruim, principalmente por relembrar um fato tão importante da história
mundial do século XX. Dá para assistir numa boa, pois tem muito suspense e uma ótima cena de ação no desfecho.
Tem muita gente que torce o nariz ao se
deparar com um filme asiático. Não sabe o que está perdendo. Exemplo? O drama sul-coreano
“CANOLA” (“GYECHUN HALMANG”), 2016, roteiro
e direção de Chang (pseudônimo de Yoon Hong-Seung). O filme conta a comovente
história de Gye Choon (Youn Yuh Jung), de 71 anos, que cria a neta Hye Ji, de 3
anos, numa casa modesta na ilha de Jeju. Há muitos anos que Choon trabalha como
uma “haenyeo”, como são conhecidas as
mergulhadoras da Ilha que sustentam suas famílias com a pesca de maricos, algas
marinhas e abalones. A ligação entre a neta e a avó é muito forte, tanto que
não se desgrudam nunca. Só que um dia Choon perde a criança no tumultuado
mercado local. Durante os doze anos seguintes, Choon tenta descobrir, sem sucesso,
o paradeiro de Hye Ji, até que um dia chega à ilha uma moça (Kim Go Eun) que
afirma ser sua neta desaparecida. Com muita alegria, Choon acolhe a moça como
sua verdadeira neta, a despeito da desconfiança dos vizinhos. Choon não quer saber
se a moça é ou não sua verdadeira neta e dedica o mesmo amor como se fosse. O
filme é dirigido com grande sensibilidade por Chang, proporcionando momentos
bastante comoventes, graças, principalmente, à incrível interpretação da
lendária atriz sul-coreana Youn Yuh Jung, de “A Visitante Francesa” e “A Dama
de Baco”, entre tantos outros filmes. Se o filme é ótimo por si só, fica muito
melhor com a veterana atriz. Só ela vale o ingresso. Não perca!
quarta-feira, 27 de junho de 2018
Quem é bem informado ou quem tem mais de
sessenta anos vai lembrar de um dos mais famosos acontecimentos dos anos 70: o sequestro
de John Paul Getty III, neto do bilionário John Paul Getty, por décadas o homem
mais rico do planeta. O caso, ocorrido em 1973 e que ficou famoso por causa da
orelha cortada do garoto, está contado em detalhes em “TODO O DINHEIRO DO MUNDO” (“ALL THE MONEY IN THE WORLD”), 2017, EUA,
direção de Ridley Scott e roteiro de David Scarpa, que adaptou a história do
livro biográfico escrito por John Pearson. O sequestro do jovem Getty (Charlie
Plummer) aconteceu em Roma, na Itália, e foi executado por bandidos amadores - que depois o venderiam para profissionais. O
avô Getty Christopher Plummer) não quis negociar com os sequestradores, para
desespero da mãe Gail Harris (Michelle Williams), e a coisa ficou ruim para o
rapaz, que acabou com a orelha cortada – aliás, a cena é bem chocante. O
bilionário encarrega Fletcher Chase (Mark Wahlberg), ex-agente da CIA e um de
seus funcionários de maior confiança, da missão de negociar com os sequestradores.
Com um detalhe: não pagar nenhum resgate. O filme conta em detalhes os
bastidores das negociações, os atritos entre o bilionário mesquinho e sua nora
Gail, o sofrimento do jovem Getty no cativeiro e tudo o que rolou de mais
interessante durante aquele que é considerado o sequestro mais famoso do Século
XX. Além do assunto enfocado, esquecido há décadas, o filme foi lançado com uma
grande polêmica. Depois do filme praticamente pronto, Kevin Spacey, que fazia o
papel o avô bilionário, foi substituído por Christopher Plummer e muitas cenas tiveram que ser refilmadas. Como todo
mundo sabe, Spacey entrou na lista negra de Hollywood depois de ser acusado de
assédio sexual. A refilmagem foi trabalhosa, mas valeu a pena, pois o veterano
Christopher Plummer dá um show de interpretação, o que lhe garantiu uma
indicação ao Oscar 2018 de Melhor Ator (ganhou Gary Oldman, por “O Destino de
uma Nação"). Como diziam antigamente na televisão, o diretor britânico Ridley Scott
“dispensa apresentações”. Realmente, realizou mais um excelente filme, com
destaque para a recriação de época – a cena inicial na Roma de 1973, com o
jovem Getty passando pela Fontana Di Trevi, é uma clara referência ao clássico “La
Dolce Vita”, do grande Fellini. Outro clássico do cinema, “Lawrence de Arábia”,
também tem uma referência explícita. Lembro que o diretor Ridley Scott foi
responsável por filmes de grande sucesso, a começar por “Blade Runner, O Caçador
de Andróides”, além de “Hannibal”, “Alien – O Oitavo Passageiro”, “Thelma &
Louise” “Perdido em Marte” e “Falcão Negro em Perigo”. Para terminar, lembro
também que o ator Charlie Plummer, que faz o jovem Getty, por incrível que
pareça não tem nenhum parentesco com o Christopher avô. Resumo da ópera: “Todo
o Dinheiro do Mundo” é ótimo. Melhor: Imperdível!
sábado, 23 de junho de 2018
Confesso que conheço muito pouco do
cinema da Estônia. Devo ter assistido a alguns e lembro de dois em especial,
muito bons aliás: “Tangerinas” e “Na Ventania”, ambos de 2014 e comentados no meu blog. Embora a
produção cinematográfica do país báltico seja bastante acanhada – de dez a
vinte filmes por ano -, alguns de seus filmes são consagrados pela crítica
especializada e premiados em festivais pelo mundo afora. O drama “TEESKELEJAD” (2016), primeiro longa do
diretor Vallo Toomla, por exemplo, foi selecionado para ser exibido na programação
oficial do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián (Espanha), um dos
mais importantes do mundo cinematográfico. O filme é um drama bastante pesado, com
pitadas de suspense, envolvendo o casal Anna (Mirtel Pohla) e Juhan (Príít
Vöigemast). Em crise no casamento, eles combinam passar um final de semana
sozinhos para tentar uma reconciliação. Um amigo do casal empresta uma casa
bastante confortável à beira do mar. A gente logo percebe que a situação só
tende a piorar, principalmente pelo comportamento irascível de Anna. Se a
relação já não está boa, fica pior ainda quando Anna, sem o consentimento de
Juhan, convida Erik (Meelis Rämmeld) e Trin (Mari Abel), um casal de
mochileiros, para usufruir da casa e aproveitar de todas as suas mordomias. Anna
continua insuportável e decide lavar a roupa suja na frente dos dois convidados, humilhando o
marido, o que ajuda o clima a ficar ainda mais pesado, até chegar à fase de
agressões mútuas e até tentativa de assassinato. Aí o suspense rola solto, com uma boa dose de violência. Sem muito
apelo comercial, o filme certamente não chegará por aqui, a não ser, quem sabe,
em DVD. Por isso, não há um título disponível em português (a tradução literal
é “Professores”, que não tem nada a ver com a história – nos países de língua
inglesa, o título ficou “Pretenders”, que também não tem nada a ver). O filme é
mais interessante do que bom. De qualquer forma, vale a pena conferir.
quinta-feira, 21 de junho de 2018
“O
CADERNO DE SARA” (“El Cuaderno de Sara”), produção Netflix (estreou dia 29 de maio de 2018), direção
de Norberto López Amado (“La Decisión de Júlia”), com roteiro de Jorge
Guerricaechevarria. Muita aventura, suspense e ação nesta ótima produção
espanhola de 2018. A história é centrada na advogada Laura Alonso (a ótima
atriz espanhola Belén Rueda), que há dois anos não tem notícia da irmã Sara (Marián
Ávarez), que saiu de Madrid para participar de um projeto humanitário de uma
Ong na República Democrática do Congo, um dos países mais violentos da África
Central. Depois de tanto tempo sem notícia, a família de Sara já estava
acreditando que ela só poderia estar morta. A esperança disso não ter
acontecido veio por intermédio de uma foto publicada num jornal espanhol onde
Sara aparece viva num acampamento de de uma milícia de rebeldes. Foi o
suficiente para Sara arrumar as malas e partir para o Congo a fim de resgatar a
irmã, com a ajuda de uma equipe de jornalistas e com a proteção de soldados das
forças de paz da ONU. Mesmo com toda essa retaguarda, Sara enfrentará muitos
perigos pelo caminho, arriscará sua vida e verá muita violência e assassinatos.
Enfim, conhecerá a realidade de um país pobre e em constante conflito. Descobrirá também que todos brigam, na
verdade, não por uma ideologia política, mas por pura ganância, ou seja, a
conquista das minas de coltan, do qual se extrai minerais valiosos como o
nióbio e o tântalo. O filme teve locações na República de Uganda e na Ilha de
Tenerife. As cenas são bastante realistas, algumas muito fortes, a história tem
muita ação e suspense, fazendo desta produção espanhola um ótimo programa na telinha.
quarta-feira, 20 de junho de 2018
Fantasmas, muitos sustos, humor na dose
certa e uma boa história, por incrível que pareça baseada em fatos reais. Todos
esses ingredientes estão no ótimo “A MALDIÇÃO DA CASA WINCHESTER” (“Winchester”),
2018, EUA/Austrália, uma grata surpresa no gênero terror. Escrito e dirigido
pelos irmãos Peter e Michael Spierig (“Jogos Mortais: Jigsaw”, “O Predestinado”
e “Canibais”), o filme conta a história incrível de Sarah Winchester (Helen
Mirren), que no início do Século XX, com a morte do marido, virou herdeira da lendária fábrica de armas e encarregada de tocar o negócio. Sua capacidade de gestão, porém, é
contestada pelo conselho administrativo da empresa, depois que ela passou a gastar milhões para reformar uma mansão com mais de 700 portas, alegando que era para prender os
fantasmas, a maioria deles vítimas das armas fabricadas pela empresa. O conselho
decide contratar o psiquiatra Eric Price (Jason Clarke) para elaborar um laudo
psicológico de Sarah. A chegada do médico à mansão, juntamente com Marion
Marriott (Sarah Snook), sobrinha da viúva, desencadeia uma série de
acontecimentos sobrenaturais, incluindo a aparição de fantasmas, objetos se
movimentando sozinhos etc., garantindo muitos sustos e proporcionando uma ótima
diversão. Fazia tempo que eu não assistia um filme de terror tão bom. Quem gosta do
gênero vai curtir do começo ao fim. Imperdível!
terça-feira, 19 de junho de 2018
“ISTO
SÓ A MIM!” (“Retour Chez Ma Mère”), 2016,
França, 1h37m, roteiro e direção de Eric Lavaine (“Sobre Amigos, Amor e Vinho”).
Trata-se de uma comédia despretensiosa e muito agradável de assistir, com
ótimos diálogos bem-humorados e situações muito engraçadas. Enfim, tudo o que uma
boa comédia deve proporcionar. A arquiteta Stéphanie (Alexandra Lami) perde o
emprego e fica sem grana para pagar o aluguel. Diante da situação, é obrigada a
voltar a morar com a mãe, Jacqueline Mazerin (Josiane Balasko). Só que não sabe
que Jacqueline está tendo um caso com o vizinho Jean (Didier Flamand). Com a
filha morando com ela, Jacqueline terá que inventar tudo que é truque para
encontrar com o namorado. Stéphanie acaba notando que o comportamento da mãe
está muito esquisito e começa a desconfiar que ela está com Alzheimer. Aí a
confusão está armada e fica pior ainda quando Jacqueline reúne Stéphanie e seus
dois outros filhos, Nicolas (Philippe Lefebvre) e Carole (Mathilde Seigner),
para um jantar em família, durante o qual pretende contar sobre seu romance com Jean. O relacionamento entre os irmãos nunca foi muito bom, e a roupa suja vai ser lavada justamente durante o jantar, para desespero de Jacqueline. Na sua segunda metade, o filme perde um pouco o tom de comédia, mas sem prejudicar o resultado final. Trata-se, portanto, de um ótimo entretenimento. O que
destoou, na verdade, foi a tradução que escolheram para o título em português, que
não quer dizer nada, pois o título original, em tradução literal, é “De Volta a
Casa da Minha Mãe”.
segunda-feira, 18 de junho de 2018
“A
BOA ESPOSA” (“DOBRA ZENA”), 2016,
coprodução Sérvia/Bósnia/Croácia, é um excelente drama cujo maior destaque é a magistral
atuação da veterana atriz sérvia Mirjana Karanovic, que também é a roteirista e
diretora do filme – é o seu primeiro longa-metragem nessa dupla função. Mirjana está na pele de Milena, uma dona de casa dedicada totalmente à família.
Sua rotina não muda há anos: preparar e servir o café da manhã, fazer faxina,
cozinhar, lavar, passar e ainda, à noite, atender aos desejos sexuais de Vlada
(Boris Isakovic), o marido, um ex-oficial do exército sérvio com papel marcante
na guerra civil que atingiu a Iugoslávia na metade da década de 90. Numa
consulta de rotina, Milena descobre que está com um tumor no seio. Para piorar,
numa faxina que fez no porão da casa, ela acha uma antiga fita VHS escondida entre
vários objetos. Ao projetá-la, Milena dá de cara com terríveis cenas de tortura
e assassinato nas quais o marido aparece com destaque. E agora, o que “a boa
esposa” fará a respeito? Deixo a resposta em aberto para quem quiser descobrir este
grande filme. Só para ilustrar meu comentário, por esse filme Mirjana foi
eleita a melhor atriz do Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Imperdível!!
domingo, 17 de junho de 2018

sábado, 16 de junho de 2018
Produção original da Netflix, “DÍVIDA PERIGOSA” (“The Outsider”)
estreou no dia 9 de março de 2018. Como as demais produções assinadas pela
Netflix, dificilmente chegará a ser exibida no circuito comercial. É um filme
de gângsters, no caso pertencentes à temida máfia japonesa Yakuza da cidade de
Osaka. A história é ambientada no início da década de 50, ou seja, logo após a
2ª Guerra Mundial. O personagem central é Nick Lowell (Jared Leto), um oficial
do exército norte-americano que está preso numa penitenciária japonesa desde o
final da guerra. Na prisão, Nick faz amizade com Kyoshi (Tadanobu Asano),
membro da Yakuza, a quem ajuda num plano de fuga. Ao ser libertado, Nick é
convidado por Kyoshi a ingressar na organização criminosa e logo cai nas graças
do chefão Akihiro (Min Tanaka), causando inveja a outros integrantes da “família”,
que o chamam de “gaijin” (estrangeiro).
Para ser aceito na organização, Nick é obrigado a passar por alguns testes
bastante dolorosos, além de mostrar coragem em várias situações de perigo, uma
delas ao namorar a bela Miyu (Shioli Kutsuna), justamente a irmã mais nova de
Kyoshi. E, pior, ex-namorada de um membro nada simpático da Yakuza. No meio de
toda essa confusão, uma guerra pelo comando de Osaka é declarada entre a “família”
de Nick e outra igualmente poderosa. A partir daí, muita violência explícita, tiros
e gargantas cortadas. Para quem gosta do gênero, o filme pode agradar em cheio.
O ator norte-americano Jared Leto, mais conhecido a partir do Oscar de Melhor
Ator Coadjuvante em 2014 pelo personagem de um travesti em “Clube de Compras
Dallas”, passa o filme falando pouco, trabalhando apenas com olhares e tentando
dar uma de macho o tempo inteiro, o que não combina muito com sua carinha de
bom menino. A despeito das críticas pouco elogiosas, confesso que gostei do
filme, achei muito bem feito e com bastante ação. Méritos para o roteirista e
diretor dinamarquês Martin Peter Sandvliet, o mesmo do espetacular “Terra de
Minas”. Aproveitando a ocasião, termino meu comentário com uma informação
bastante interessante. O nome Yakuza foi criado a partir da sequência numérica
8-9-3 (Ya-Ku-Za), considerada a pior do baralho típico japonês, similar ao Blackjack.
quinta-feira, 14 de junho de 2018
Baseado em fatos reais, o drama francês “CARBONE”, 2017, relembra um dos
maiores golpes financeiros aplicados na Europa a partir da França, que ficaria famoso como “A
Fraude do Século”. Aconteceu entre os anos de 2008 e 2009, quando o empresário francês
Antoine Roca (Benoît Magimel), afundado em dívidas e prestes a decretar a
falência de sua empresa, teve a ideia de um esquema que lesou a França e a
União Europeia em milhões de euros. Antoine, assessorado tecnicamente por seu
contador, estabelecia empresas de fachada e, por intermédio delas, comprava créditos
de carbono (CO2) de empresas no Exterior com isenção de impostos. Depois,
vendiam esses créditos pelo mesmo preço, mas cobrando impostos. Com o lucro
garantido, eles providenciavam o imediato fechamento das tais empresas. Tudo
isso é muito complicado de entender no filme, mas foi mais ou menos isso que eu
consegui captar. Para conseguir dinheiro para colocar em prática seu plano
diabólico, Antoine contraiu um grande empréstimo de um poderoso e violento
mafioso árabe, Kamel Dafri (Moussa Maaskri). Este seria seu maior erro, além da
sociedade que fez com dois irmãos de uma família judia, um deles completamente
irresponsável e sempre drogado. Antoine poderia ter obtido um financiamento com
seu sogro, o milionário Aron Goldstein (Gérard Depardieu), mas este exigiu em
troca ficar com a guarda definitiva do neto, condição negada por Antoine. Em
meio a toda essa situação, o filme envereda pelo caminho do suspense policial violento,
gênero que o roteirista e diretor Olivier Marchal domina com muita competência,
basta lembrar dos ótimos “Não Conte a Ninguém” e “Pacto de Sangue”. Resumo da
ópera: “Carbone” é um bom entretenimento, embora exija um grande esforço por
parte dos neurônios. E mais: Benoît Magimel é um senhor ator.
terça-feira, 12 de junho de 2018
Eu já era fã de carteirinha da atriz
Annette Bening. Sempre a achei uma das melhores. Minha admiração cresceu ainda mais depois de
assistir ao drama inglês “ESTRELAS DE
CINEMA NUNCA MORREM” (“Film Stars don’t
Die in Liverpool”), 2017. Annette vive a atriz norte-americana Gloria
Grahame (1923-1981) em seus últimos anos de vida, quando namorou o jovem ator
inglês Peter Turner (Jamie Bell), muitos anos mais moço. Pois foi justamente Turner
quem escreveu o livro de memórias que serviu de base para o roteiro do filme,
escrito por Matt Greenhalgh. Ou seja, a história é totalmente baseada em fatos
reais, destacando a paixão que uniu uma veterana atriz esquecida e um jovem ator promissor. Dirigido com sensibilidade pelo diretor escocês Paul McGuigan (“Victor
Frankenstein”), o filme traz Annette mais uma vez em estado de graça numa
atuação deslumbrante. O ator inglês Jamie Bell, que ficou conhecido por seu trabalho no ótimo “Billy Elliot”, de 2000, dá conta do recado como o namorado apaixonado da atriz decadente. Só para
lembrar, Gloria Grahame foi uma atriz de grande sucesso em Hollywood nas décadas
de 40 e 50, quando atuou em filmes como “A Felicidade não se Compra”, “No
Silêncio da Noite” e “Assim Estava Escrito”, pelo qual ganhou, em 1953, o Oscar
de Melhor Atriz Coadjuvante.
domingo, 10 de junho de 2018

sábado, 9 de junho de 2018
A atriz Jennifer Lawrence comanda o elenco
de “OPERAÇÃO RED SPARROW” (“Red Sparrow”), ano de produção 2017, EUA. Elenco,
aliás, dos mais estrelados: Joel Edgerton, Jeremy Irons, Charlotte Rampling,
Matthias Schoenaerts, Ciarán Hinds, Mary-Louise Parker, Thekla Hauten e Joely
Richardson. É um filme de espionagem baseado no romance “Red Sparrow”, escrito
por Jason Mathews, um ex-agente da CIA que resolveu ser escritor. O livro foi
adaptado para o cinema pelo roteirista Jason Mathews e a direção ficou a cargo
de Francis Lawrence, que não é parente da Jennifer e a dirigiu nos três filmes
da Saga “Jogos Vorazes”. Vamos à
história. Depois de sofrer um grave acidente em pleno palco, Dominika Egorava
(Jennifer), primeira bailarina do Bolshoi, vê sua carreira interrompida. Seu
tio Ivan Egorov (o ator belga Schoenaerts), um importante oficial do serviço
secreto russo, convence Dominika a ingressar numa escola de espiões chamada “Red
Sparrow”. Em contrapartida, ele se compromete a cuidar da mãe doente de
Dominika (Joely Richardson). Dominika se sobressai nos testes na escola e logo
é designada para uma importante missão: descobrir a identidade de um informante
que trabalha para a CIA. Ela terá que enfrentar Nathaniel Nash (Edgerton), um espião
norte-americano com larga experiência em terreno russo. Embora tenha mais blá-blá-blá
do que ação, o filme é bastante violento e tem muitas cenas de sexo, inclusive
com Jennifer Lawrence, que deixou de lado a heroína juvenil de “Jogos Vorazes”
para se transformar numa espiã voraz em sexo. Ela também aparece nua, comprovando
plenamente sua fama de mulherão. Com uma reviravolta surpreendente no desfecho,
o filme consegue prender a atenção do espectador, tornando-se um bom programa
para uma sessão da tarde.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
“ADEUS
ÍNDIA” (“VICEROY’S HOUSE”),
2017, coprodução Inglaterra/Índia, direção de Gurinder Chadha, é um drama
histórico, baseado em fatos reais, contando os bastidores de como se deu a
transição da Índia britânica para a sua independência, depois de 200 anos de
domínio imperial inglês. O filme é ambientado em 1947, quando Lord Louis
Mountbatten, bisneto da Rainha Vitoria, é designado para ocupar o cargo de último
Vice-Rei da Índia e, como tal, encarregado de administrar todo o processo de
transição, o que o levou a uma série de negociações com os líderes locais,
incluindo até o honorável Gandhi. Difícil a sua tarefa, pois os muçulmanos não
concordavam em viver com os hindus na Índia e, portanto, queriam a criação de
um outro país, o Paquistão. Para conseguir realizar o seu trabalho Mountbatten (Hugh
Bonneville) conta com o apoio incondicional de sua esposa Edwina (Gillian
Anderson) e de sua filha Pamela (Lily Travers). Mountbatten bem que tentou
apaziguar os envolvidos, mas logo verá que é impossível acabar com um ódio que
vem de séculos (vide palestinos e judeus). Lançado no Festival de Cinema de
Berlim, o filme foi massacrado pela crítica especializada. Eu gostei. Achei a
produção impecável sob o ponto de vista histórico, além de um visual
deslumbrante – os cenários são espetaculares – e uma primorosa recriação de
época, destacando-se, principalmente, os figurinos. Não tenho dúvida em
recomendar.
terça-feira, 5 de junho de 2018
“MADAME”, 2017, França, direção e roteiro (com a
colaboração de Matthew Robbins) de Amanda Sthers. Um casal de norte-americanos
(Toni Collette e Karvey Keitel) muda-se para a França e decide organizar um
jantar para a alta sociedade parisiense, incluindo o prefeito da cidade e seu
namorado. A mesa está arrumada para 12 pessoas, quando de repente surge um
convidado extra, justamente o filho bêbado do anfitrião. A mesa, então, passa a
ter 13 lugares, inconcebível para a supersticiosa Anne (Collette). A solução
improvisada, já que o jantar aconteceria poucas horas depois, foi transformar a
empregada Maria (Rossy De Palma) numa madame da alta aristocracia parisiense,
com a recomendação de que não abrisse a boca, nem para falar, nem para comer ou
beber muito. Triste ilusão. Maria toma uns vinhos mais e acaba até contando
umas piadas inconvenientes, para desespero dos patrões. Só que no meio dos convidados está o
cinquentão David Reville (Michael Smiley), um importante empresário francês que se
encanta com Maria. A partir de então, o filme esquece o humor e parte para o
romance. Se já era ruim como comédia, ficou ainda pior quando enveredou para a
comédia romântica. Terminado o filme, fiquei me perguntando como estrelas
consagradas como Harvey Keitel e Toni Collette se submeteram a trabalhar nesse
abacaxi. Até a espanhola Rossy De Palma, de tantos filmes de Almodóvar, deve
ter ficado constrangida.
segunda-feira, 4 de junho de 2018
“STEFAN
ZWEIG – ADEUS, EUROPA” (“Stefan Zweig – Farewell to Europe”), 2016, coprodução Áustria/Alemanha, roteiro
e direção de Maria Schrader. Trata-se de um drama biográfico enfocando os
últimos seis anos do escritor, romancista, poeta, jornalista, dramaturgo e
biógrafo austríaco Stefan Zweig. Em 1936, perseguido pelo nazismo, Zweig (Josef
Hader) resolve fugir com a esposa Lotte (Aenne Scwarz) para a América do Sul.
Já muito famoso no mundo inteiro como um dos principais escritores do Século
XX, Zweig é tratado como uma grande personalidade, sendo convidado para proferir
palestras em cidades como Rio de Janeiro, Buenos Aires e Nova Iorque. Ele se
estabelece em Petrópolis (Rio de Janeiro) e lá escreve “Brasil, País do Futuro”, lançado em
1941. No ano seguinte, deprimido com a situação da guerra na Europa, ele se
suicida juntamente com a esposa. O filme deixa muito a desejar com relação à
obra do escritor. Não é mencionado nenhum dos livros que escreveu, principalmente
importantes biografias de gente como, por exemplo, Dostoievski, Tolstoi, Dickens,
Stendhal, Maria Antonieta, Nietzsche, Balzac etc. Também pouco se fala sobre sua
vida anterior, na Áustria. De qualquer forma, o filme é, sem dúvida, bastante
interessante. Destaco com uma das cenas de maior impacto aquela em que Zweig
participa de um congresso de escritores em Buenos Aires, durante o qual são
citados, nome por nome, os intelectuais banidos pelo regime nazista, então presos ou exilados.
De emocionar. Fora isso, vale citar o excelente trabalho do ator austríaco
Josef Hader na pele do escritor. Um show de interpretação. A quem possa
interessar, existe uma biografia bem legal sobre Zweig – “Morte no Paraíso”, de
1981 -, escrita pelo recentemente falecido jornalista Alberto Dines - a diretora Maria Schrader o leu para escrever o roteiro. Eu também li e
recomendo, assim como o filme.
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