quarta-feira, 9 de junho de 2021

 

“FICA COMIGO” (“YOU GET ME”), 2017, Estados Unidos, disponível na Netflix, 1h29m, marca a estreia de Brent Bonacorso na direção – é mais conhecido como diretor de curtas e comerciais -, seguindo roteiro de Ben Epstein. Mais um suspense do gênero “atração fatal”, desta vez uma atração fatal juvenil. E com outra grande diferença com relação à mais famosa atração fatal do cinema, de 1988, com Glenn Close e Michael Douglas: ao invés da feiosa Close, entra a bela e sensual Bella Thorne. Esta sim, vale uma “atração fatal”, mas depois aguente as consequências. Isto porque Holly, sua personagem, é completamente louca e com tendências homicidas. Tudo começa numa festa de jovens. O bonitão Tyler (Taylor John Smith) tem uma crise de ciúme e acaba brigando com sua namorada, Alison (Halston Sage). Na mesma festa, ele conhece Holly. Não precisou de muito papo para os dois acabarem na cama. Um dia depois, Tyler retoma o namoro com Alison, e quando Holly fica sabendo vira uma fera. Sua vingança se transforma em paranoica obsessão. Para começar, Holly ingressa na mesma escola onde estudam Tyler e a namorada. Daí para a frente, até o desfecho, Holly partirá para o tudo ou nada, e muita gente vai se machucar pelo caminho. A cada cena, seja qual for a situação, Bonacorso explora a beleza e a sensualidade de Bella Thorne, realmente uma jovem atriz muito bonita. Mas nem isso chega a fazer de “Fica Comigo” um filme inesquecível. Mas dá para tomar alguns sustos, garantindo um bom entretenimento.         

                               

terça-feira, 8 de junho de 2021



“JO PIL-HO: O DESPERTAR DA IRA” (“AK-JIL-GYEONG-CHAL”), 2019, Coreia do Sul, 2h7m, roteiro e direção de Lee Jeong-Beom, disponível na plataforma Netflix. Mais um ótimo suspense policial sul-coreano. O personagem principal da história é Jo Pil-Ho (Sun-Kyun Lee), detetive da Divisão de Homicídios de Ansan, uma importante cidade industrial da Coreia do Sul. Suspeito de corrupção, ele é frequentemente investigado pelos agentes da corregedoria. Logo no início, o filme já comprova que ele é realmente corrupto, participando de um roubo a caixas eletrônicos. O golpe seguinte é que dará margem ao resto da história. Ele e um comparsa tentarão roubar um armazém da própria polícia, ao mesmo tempo em que outra turma de bandidos busca, no mesmo local, documentos que contêm provas contra autoridades do governo e seu envolvimento com as empresas Taesung, o maior conglomerado industrial do país. A ação conjunta acaba gerando um violento incêndio que coloca abaixo o armazém, destruindo toda aquela documentação. Dessa forma, Jo Pil-Ho acaba se envolvendo numa conspiração política e industrial que colocará sua vida em risco, assim como de outras pessoas, inclusive Mina (Jeon So-Nee), uma jovem ladra que diz ter em seu celular um vídeo mostrando toda a ação que culminou no incêndio. Aí o filme se transforma numa caçada implacável à jovem, que em determinado momento passa a ser protegida por Jo Pil-Ho. Até o desfecho, muito sangue vai jorrar e muita gente vai morrer. “Jo Pil-Ho” tem ação na medida certa e muita violência, mas evita os clichês característicos do gênero policial, como perseguições, lutas coreografadas e tiroteios.  Em resumo, é um ótimo suspense policial que prende a atenção do começo ao fim, mesmo com sua exagerada duração. Merece ser visto principalmente por quem curte o gênero.          


segunda-feira, 7 de junho de 2021

 

“DOCE VIRGÍNIA” (“SWEET VIRGINIA”), 2017, coprodução Canadá/Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h45m, direção de Jamie M. Dagg, seguindo roteiro escrito pelos irmãos Benjamin e Paul China. Uma grata surpresa do cinema independente este suspense policial neo-noir ambientado numa pequena cidade do Alasca. Começa o filme e três homens são assassinados a sangue-frio numa lanchonete. O espectador já sabe quem é o assassino e logo descobre também que ele agiu a mando da esposa de um deles, Lila (Imogen Poots). Ou seja, o roteiro não esconde os segredos da história, o que é inovador em termos de um filme de suspense. Também não esconde o fato de que Bernie (Rosemarie DeWitt), uma das viúvas, vive um caso extraconjugal com Sam Rossi (Jon Bernthal), um ex-astro dos rodeios que é dono de um motel, o “Sweet Virginia” do título. Pois é aqui que o assassino, Elwood (Christopher Abot), está hospedado. Ao mesmo tempo em que a população da pequena cidade lamenta a perda de três de seus destacados cidadãos, Elwood engata uma amizade com Rossi, enquanto espera que Lila arranje o dinheiro para pagá-lo. Não demora muito para que Elwood revele sua personalidade psicótica, o que garante boas sequências de suspense e violência. Este é o segundo longa-metragem escrito e dirigido por Dagg – o primeiro foi “River”, de 2015. “Doce Virgínia” vem comprovar sua competência, pois é um filme muito interessante que merece ser recomendado. Um thriller de primeira.     

                               

domingo, 6 de junho de 2021

 

“ULTRAS”, 2020, Itália, produção original Netflix, 1h48m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Francesco Lettieri. "Ultras" são denominadas as torcidas organizadas na Itália. O filme acompanha a trajetória dos “Apaches”, torcida organizada do time do Napoli. É considerada uma das mais violentas da Europa, equivalendo-se aos temíveis hooligans ingleses. São tão fanáticos que cantam seus hinos de guerra até durante os casamentos de seus integrantes. Eles procuram brigas em todos os estádios em que a equipe joga. O filme foi realizado num estilo semidocumental, com um elenco de poucos atores conhecidos. A grande maioria é de figurantes recrutados em Nápoles, inclusive entre a própria torcida organizada. O ator mais conhecido é Annielo Arena, que personifica Sandro “Moicano”, um dos líderes da velha guarda dos “Apaches”. O foco principal da história é justamente a divisão entre os membros da torcida. Os mais velhos como Sandro “Moicano”, na faixa dos cinquenta anos, defendem uma atuação mais moderada, enquanto a turma que está na faixa dos trinta anos, constituída por muitos skinheads, exige uma participação mais violenta. Ainda existe uma terceira turma, a dos adolescentes, que almejam integrar o grupo para participar da violência. O retrato que o filme faz desse pessoal é o pior possível. Quando não vão aos estádios brigar com a polícia e a torcida adversária, eles passam os dias bebendo e fumando maconha. A única atividade perto de um trabalho é a confecção de faixas para exibir nos próximos jogos do Napoli, que já teve Maradona como seu grande ídolo. Para amenizar o tom violento da história, o diretor Lettieri inventou um romance entre “Moicano” e Terry (Antonia Trupo, outra atriz mais conhecida). Trocando em miúdos, “Ultras” é um filme bastante interessante, mas passa longe de um entretenimento leve.     

sábado, 5 de junho de 2021

 

“ESQUADRÃO 6” (“6 UNDERGROUND”), 2019, Estados Unidos, produção original Netflix, 2h8m, direção de Michael Bay, seguindo roteiro escrito por Paul Wernick e Rhett Reese. Se você for fã dos filmes de ação, não deixe de assistir. Como na maioria das produções dentro desse gênero, a história pouco importa. O que vale mesmo são as cenas de ação. E são muitas, algumas delas espetaculares, como aquela que acontece nas ruas de Florença (Itália) nos primeiros vinte minutos. São de tirar o fôlego. Vamos à história. Um bilionário (Ryan Reynolds) forma uma equipe de seis agentes para lutar pelo bem no mundo inteiro. Com um detalhe: todos são considerados desaparecidos ou mortos, ou seja, agem clandestinamente. Cada um deles recebeu um número: Reynolds é o number one; Mélanie Laurent é a number two; o número três é Manuel Garcia-Rulfo; o número 4 é Ben Hardy: a número cinco é Adria Arjona; e o número seis é Dave Franco. Na missão executada em Florença, o número seis acaba morrendo durante a perseguição. Ele logo é substituído por um ex-soldado do exército norte-americano, Corey Arjona, nomeado como o número sete. A próxima missão da equipe é destituir e prender o sanguinário ditador Ravach Alimov (Lior Raz), que governa a república (fictícia) do Turgistão. Ele é responsável pelo assassinato em massa de seus opositores. Na caçada ao ditador, o “Esquadrão 6” viajará por várias partes do mundo, sempre em seu encalço. O ritmo do filme é frenético, com muitas cenas de ação muito bem realizadas, o que é uma especialidade do diretor norte-americano Michael Bay, que tem no currículo ótimos filmes do gênero, como “13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”, “Sem Dor, Sem Ganho”, “Pearl Harbor” e todos os filmes da franquia “Transformer”. Por causa das sensacionais cenas de ação, “Esquadrão 6” é considerado o filme mais radical de Bay. Além disso, é o segundo filme mais caro já produzido pela Netflix, feito com um orçamento de US$ 150 milhões, somente abaixo de “O Irlandês, de Martin Scorsese, que gastou US$ 175 milhões. Resumo da ópera: “Esquadrão 6” é, sem dúvida, um dos melhores filmes de ação dos últimos anos. Imperdível!   

quinta-feira, 3 de junho de 2021

 

“THE SOUL” (“JI HUN”), 2021, China/Taiwan, disponível na Netflix, 2h10m, roteiro e direção de Cheng Wei-Hao. A história é baseada no romance “Ji Hun”, escrito por Bo Jiang. Estamos em Taipé (capital de Taiwan), ano de 2033. Trata-se, portanto, de uma ficção científica. Mas não só. O enfoque principal é a investigação policial sobre a morte misteriosa do sr. Wang (Samuel K), presidente de um grande grupo empresarial. Na cena do crime, está ao seu lado, desmaiada, sua esposa Li Yan (Anke Sun). O que surpreende ainda mais é que o local parece ter sido palco de um ritual místico, obra do filho do empresário, o maluquinho Tian-You (Lin Hui Min). O promotor Liang Wenchao (Zhang Zhen) e sua esposa, a policial A-Bao (Janine Chang), são encarregados de comandar as investigações. Liang, por sinal, está enfraquecido por um câncer em metástase, mas ele se recusa a descansar. Até aqui, o foco é o trabalho da polícia. Além do suspense policial, a história cria, em torno do crime, fatos que exploram o sobrenatural, troca de corpos, possessão, terror oculto e, por fim, o drama do promotor sofrendo de dores e de metástase no cérebro. Tudo misturado, mais os nomes complicados dos personagens, leva a gente a confundir as coisas. Ou seja, não é um filme muito fácil de digerir, ainda mais pela sua longa duração. De qualquer forma, é um filme esteticamente muito interessante, com uma primorosa fotografia e uma reviravolta bem legal perto do desfecho. Vale a pena assistir. Obs.: estou assistindo a tantos filmes chineses que daqui a pouco estarei falando mandarim (quem dera!)...   

                               

        

terça-feira, 1 de junho de 2021

 

“PASSAGEIRO ACIDENTAL” (“STOWAWAY”), 2020, EUA, 1h56m, produção original Netflix, roteiro e direção do cineasta brasileiro Joe Penna. Mais do que ficção científica, trata-se de um drama de sobrevivência no espaço, resultando em um bom suspense na segunda metade. Uma nave com três tripulantes é enviada para cumprir uma missão de dois anos em Marte. Patrocinada por uma empresa chamada Hyperion, a viagem tem o objetivo de realizar pesquisas no planeta desabitado. A equipe é chefiada pela experiente comandante Marina Barnett (Toni Collette) e conta com a médica Zoe Levenson (Anna Kendrick) e com o cientista botânico David Kim (Daniel Dae Kim). A primeira etapa da viagem compreende uma parada na estação orbital Kingfisher. Quando faz o trabalho de checagem dos equipamentos da nave, eis que a comandante Marina tem uma enorme surpresa. Preso no compartimento onde fica o conjunto de remoção de dióxido de carbono, ela encontra um homem ferido, o tal passageiro acidental do título. Trata-se do engenheiro Michael Adams (Shamier Anderson), que pouco antes da decolagem da nave sofreu um acidente que o deixou preso naquele compartimento. O seu peso causou sérios danos ao equipamento, prejudicando o fornecimento de oxigênio. Eis agora o grande e trágico problema. A configuração da nave, incluindo o nível de oxigênio, foi planejada para abrigar três tripulantes. Com o acidente, sobrará oxigênio para apenas dois tripulantes. Olha só a enrascada. Após analisar as alternativas, eles chegam à conclusão de que só existe uma saída. Buscar oxigênio em um tanque localizado a 450 metros da estação, só acessível por dois cabos de aço. Agora sim, começam os melhores momentos de tensão do filme, pois até aí o filme estava bem entediante, com muito papo furado. A distância terá de ser percorrida por uma arriscada escalada pelos cabos de aço, ainda mais que está chegando nada mais nada menos que uma tempestade solar. Essa parte do filme tem sequências de tirar o fôlego, o que, por si só, acaba “valendo o ingresso”. Este foi o segundo filme escrito e dirigido por Joe Penna, 34 anos – o primeiro foi “Ártico” (“Arctic”), filmado na Islândia e estrelado pelo ator Mads Mikkelsen. Joe Penna, aliás Jônatas de Moura Penna, nasceu em São Paulo e está radicado há alguns anos nos Estados Unidos.  Como não sou muito fã de ficção científica, prefiro recomendar “Passageiro Acidental” apenas pra quem vive no mundo da lua.     

 

segunda-feira, 31 de maio de 2021

 

“WILD DOG”, 2020, Índia, 2h25m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Ashishor Solomon. Mais um bom filme de ação e espionagem produzido por Bollywood, contando uma história baseada em fatos reais. Durante a primeira década deste século, vários de atentados à bomba foram responsáveis pela morte de centenas de indianos em várias cidades do país. A autoria dos crimes foi assumida pelo grupo Mujahideen indiano, chefiado pelo terrorista Yasin Bhatkal, que seria preso por agentes da Agência Nacional de Investigação (NIA) numa operação secreta no Nepal. “Wild Dog”, título original do filme e nome da operação efetuada para capturar o terrorista, conta tudo a respeito do planejamento e execução daquele que seria considerado um ato heroico dos agentes do NIA. Vijay Varma (Nagarjuna Akkineni), oficial nomeado para comandar a operação, ficou famoso por assassinar sem perdão aqueles que julgava traidores da pátria, incluindo inúmeros terroristas – em um dos atentados, a filha de Varma foi uma das vítimas fatais. Por suas atitudes intempestivas, Varma passou a ser chamado de “Cão Selvagem”. Quando os atentados terroristas aumentaram, Varma trabalhava no serviço burocrático, uma punição por ter agredido um oficial superior. Para organizar a operação destinada a capturar os terroristas, o governo indiano resolveu recrutar novamente o “Cão Selvagem”, que chamou três homens de sua confiança e mais uma agente que trabalhava como espiã no Nepal, Arya Pandit (Saiyami Kher, a atriz mais bonita de Bollywood). Os cinco seriam responsáveis pela prisão do terrorista, numa arriscada operação clandestina no Nepal. Apesar de bem movimentado, com muita ação e suspense, o filme exagera na patriotada, muito mais do que os norte-americanos costumam fazer com os atos heroicos dos seus soldados. Mas isso não tira os méritos desse ótimo filme indiano, mais um gol de placa de Bollywood. Como curiosidade adicional, o filme é falado em telugo, uma das 22 línguas oficiais da Índia, a terceira mais falada no país, atrás do hindi e do bengalês. “Wild Dog” é um filmaço. Não perca!  

 

domingo, 30 de maio de 2021

 

“THE LAST DAYS OF AMERICAN CRIME” (repito o título original, como está na Netflix), 2020, Estados Unidos, 2h29m, direção do cineasta francês Olivier Megaton. O roteiro, assinado por Karl Gajdusek, é uma adaptação da história em quadrinhos que leva o mesmo título, lançada em 2009, de autoria de Rick Remender e do ilustrador brasileiro Greg Tocchini. Trata-se de um filme de ação ambientado num futuro não muito distante.  O personagem principal é Graham Bricke (Edgar Ramirez), um conhecido ladrão de bancos que, ao lado de milhares de outros marginais, recebeu um chip, colocado atrás da orelha, que emite um sinal que impossibilita as pessoas de cometerem atos ilegais. Após passar por estudos de eficiência, o governo norte-americano resolve anunciar o dia em que o sinal do chip será acionado. Ao mesmo tempo em que isso está acontecendo, Bricke recebe a notícia de que seu irmão se suicidou na cadeia. Será que não foi assassinado? Enquanto tenta desvendar esse mistério, Bricke conhece Kevin Cash (Michael Pitt) e sua namorada Shelby Dupree (Anna Brewster), um casal de malandros drogados que o convida para praticar um último assalto antes do chip ser acionado. O fato de ser um montante de 1 bilhão de dólares desperta o interesse de Bricke. Os três planejam o assalto e a fuga para o Canadá. Apesar de algumas boas sequências de ação, uma especialidade do diretor Megaton (“Busca Implacável 2 e 3”, “Carga Explosiva 3”, “Colombiana: Em Busca de Vingança”), o filme se estende demais em diálogos fúteis e no romance de Bricke com Shelby, a namorada de Kevin. O ator venezuelano Edgar Ramirez, que continua sendo bastante requisitado por Hollywood, é o único do elenco que merece destaque por sua atuação. A atriz e modelo inglesa Anna Brewster não decepciona, mas também não convence. Michael Pitt exagera no papel de drogado, filhinho de papai e rebelde sem causa, assim como outros vilões caricaturais. Nunca fui muito amigo de adaptações das atuais histórias em quadrinhos, principalmente daqueles tais mangás japoneses. “The Last Days of American Crime” é mais uma decepcionante adaptação, com um roteiro complicado que se estende demais da conta, comprovando o exagero da duração de duas horas e meia. Trocando em miúdos, nada de especial, um filme apenas descartável.    

 

                               

        

sexta-feira, 28 de maio de 2021

 

“HOLIDAYS”, 2016, Estados Unidos, 1h45m, disponível na Netflix. Trata-se de uma coletânea de 8 contos de terror e suspense adaptados para o cinema. Horripilantes, como consta dos materiais de divulgação. Nem tanto. A história de cada um faz referência a uma data comemorativa ou a alguns feriados do ano, como Valentine’s Day (Dia dos Namorados), Saint Patricks Day (Dia de São Patrício), Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Halloween (Dia das Bruxas), Natal e Ano Novo. Cada segmento conta com um roteirista e diretor diferentes, assim como os elencos variam de conto para conto. Embora a ideia seja interessante – não que seja novidade -, o produto final deixa muito a desejar. Se a intenção foi realizar histórias horripilantes, o resultado ficou parecendo uma sátira pouco inteligente e até risível, embora garanta alguns sustos. Tem mulher parindo uma cobra gigante, um Jesus Cristo estilizado de monstro e coelho, uma adolescente que arranca o coração de uma colega para presentear o professor de natação e uma mulher que a cada transa fica grávida. E por aí vai. Muita bobagem reunida em um projeto que poderia ser bem interessante, mas naufraga na incompetência geral, principalmente de quem inventou as histórias, normalmente os roteiristas. Os diretores e o elenco têm pouca culpa. Não dá para assistir nem nos feriados...  

 

quarta-feira, 26 de maio de 2021

 

“SANGUE NA BOCA” (“SANGRE EN LA BOCA”), 2016, coprodução Argentina/Itália, 1h37m, direção de Hernán Belón, que também assina o roteiro com a colaboração de Marcelo Pitrola. Trata-se de um drama de fundo esportivo e erótico, cujo principal personagem é o pugilista profissional Ramón Alvia (Leonardo Sbaraglia), mais conhecido como “El Tigre”. Perto dos 40 anos, após conquistar o título sul-americano em sua categoria, ele promete à esposa Karina (a atriz italiana Erica Banchi) que encerrará a carreira nos ringues para ajudá-la a montar um estabelecimento comercial. Um dia, porém, ao visitar os amigos no ginásio de treinamento, ele conhece a jovem pugilista Débora (Eva De Dominici), por quem se apaixona, e vice-versa. É uma paixão avassaladora que resultará no fim do seu casamento. Além disso, cheio de energia, ele colocará seu título em jogo contra um lutador muito mais jovem. Mas sua felicidade, tanto na cama com a amante, como também nos ringues, não durará muito. O filme tem como seu principal trunfo o desempenho do elenco, principalmente o astro argentino Sbaraglia, que também faz sucesso no cinema espanhol, a estonteante e boa atriz também argentina Eva de Dominici e a italiana Erica Banchi. As cenas de luta são muito bem coreografadas, lembrando que os argentinos têm uma longa tradição de bons pugilistas e adoram o esporte. Mas o que me chamou mais a atenção foram as cenas calientes de sexo, realistas à beira do explícito, e que exploram com muita competência a beleza da atriz Eva De Dominici. Recomendo que, antes de apertar o play, retire as crianças da sala. Eu gostei muito e recomendo. Mais um filme argentino a fazer inveja a nosotros.         

terça-feira, 25 de maio de 2021

 

FERRY, 2020, coprodução Bélgica/Holanda, 1h46m, roteiro de Nico Moolenaar e Bart Uytdenhouwen, direção de Cecilia Verheyden, produção Netflix. Baseada em fatos reais envolvendo o famoso criminoso holandês Janus Van Wessenbeeck, que na primeira década deste século era um grande traficante que atuava na Bélgica e na Holanda a partir de Amsterdã, recebendo o apelido de “Pablo Escobar da Europa”. No filme, o seu personagem recebeu o nome de Ferry Bouman (Frank Lammers). “Ferry” conta sua trajetória no crime, primeiro como principal gangster e braço direito do chefão mafioso Brink (Huub Stapel) e depois assumindo um cartel que fabricava e vendia drogas sintéticas, principalmente ecstasy. O filme logo teve uma sequência, a série televisiva “Operação Ecstasy” (“Undercover”), também disponível na Netflix. O filme começa com um assalto no escritório do chefão Brink, que culmina com a morte de seu filho. Ferry fica encarregado de cumprir a vingança, ou seja, assassinar os três responsáveis. A missão o leva a Brabant, sua cidade natal, no interior da Holanda. Ele descobre que sua primeira vítima mora num acampamento de trailers, onde Ferry aluga um para vigiar os passos do seu alvo. Além disso, ele voltará a ter contato com sua irmã Claudia (Monic Hendrickx), que não vê há cinco anos e que está sofrendo de um câncer terminal. Em meio à sua vigilância no acampamento, Ferry conhece Daniëlle (Elise Schaap), que será responsável por amolecer o coração do gângster, mas não capaz de impedir sua vingança. O ator holandês Frank Lammers carrega o filme nas costas compondo o personagem de um sujeito aparentemente bonachão, mas que na realidade é um assassino frio e violento. Quem gosta de curtir filmes com personagens mafiosos, como eu, vai curtir muito “Ferry” e muito mais a série “Operação Ecstasy”, que também pretendo assistir.       

 

domingo, 23 de maio de 2021

 

“EU SOU TODAS AS MENINAS” (“I AM ALL GIRLS”), 2020, África do Sul, 1h47m, roteiro e direção de Donovan Marsh. O cinema sul-africano não é muito conhecido por aqui, e, se não fosse a plataforma Netflix, jamais teríamos oportunidade de assistir a este ótimo drama baseado em fatos reais. Na década de 90, com a prisão do pedófilo Gert de Jager, a polícia descobriu um esquema de contrabando de meninas que envolvia não apenas figuras importantes do governo de Johanesburgo, mas também sheiks e autoridades de países árabes. As meninas eram sequestradas nas favelas e depois vendidas ao exterior. Anos depois, algumas figuras importantes começam a ser assassinadas com requintes de tortura. O peito das vítimas era marcado a ferro e fogo com as iniciais de meninas desaparecidas, provavelmente sequestradas e vendidas. É quando a detetive Jodie Snyman (Erica Wessels), do Departamento de Crimes Especiais, entra em ação, juntamente com o detetive Samuel Apendse (Brendon Daniels) e com a perita técnica Ntombizonke Bapai (Hlubi Mboya). Enquanto outros assassinatos da mesma forma continuavam acontecendo, Jodie descobre que o esquema de sequestro de garotas continuava. Até o desfecho, a policial terá de enfrentar a desconfiança de que um dos membros de sua equipe pode estar envolvido na morte dos pedófilos. Envolvida emocionalmente com o sofrimento das meninas sequestradas, Jodie começa a cometer alguns  abusos, principalmente depois de identificar algumas pessoas responsáveis pelo esquema, inclusive um ministro do Partido Nacional, ligado ao governo sul-africano. No desfecho da história, quando o caso parece estar resolvido, Jodie embarca sigilosamente para o Irã, onde um sheik esconde algumas garotas. O filme termina assim, o que sugere que, provavelmente, haverá uma sequência. Vamos aguardar. Trocando em miúdos, o filme é muito bom e esclarecedor com relação à prática abominável do sequestro de garotas para fins sexuais.   

sexta-feira, 21 de maio de 2021

"A VELHA GUARDA" (na Netflix, você encontrará como "THE OLD GUARD"), 2020, Estados Unidos, 2h5m, direção de Gina Prince-Bythewood. A história é baseada na HQ com o mesmo título escrita por Greg Rucka e ilustrada por Leandro Fernández. O autor do roteiro do filme é o próprio Rucka. A história é bem maluca. Reúne quatro soldados imortais que percorrem o mundo fazendo o bem. Isso desde a época das Cruzadas, passando por guerras, calamidades e outros fatos históricos importantes da humanidade. Andy (Charlize Theron), a mais antiga, é a chefe do grupo que está junto há séculos, do qual fazem parte ainda Sebastian Brooke (Matthias Schoenaerts), Joe (Marwan Kenzari) e Nicky (Luca Marinelli). O filme começa nos dias atuais, quando os quatro guerreiros, agora mercenários, recebem a missão de resgatar crianças sequestradas no Sudão. Eles descobrem que é uma armadilha, planejada justamente por aquele que os contratou, o ex-agente da CIA James Copley (Chiwetel Ejiofor). Logo depois, uma grande surpresa chega ao conhecimento do grupo. Eles descobrem que Nile Freeman (Kiki Layne), uma soldada do exército norte-americano em missão no Afeganistão também é uma imortal. Andy vai até lá para recrutá-la. E assim, agora com cinco integrantes, o grupo tentará descobrir o que está por trás das intenções de Copley e chegam ao cientista Steven Merrick (Harry Melling), proprietário de um famoso laboratório farmacêutico. Quem não se importar com história tão fantasiosa pode curtir “The Old Guard”, pelo menos com suas boas sequências de ação, sem contar com a presença de Charlise Theron, a diva maior do cinema atual. Uma constatação interessante diz respeito ao elenco, uma verdadeira ONU: Charlize é sul-africana; Luca Marinelli é italiano; Schoenaertes é belga: Kenzari holandês; Kiki Layne é norte-americana; Harry Melling inglês, assim como Ejiofor; e ainda Ngô Thanh Vân, vietnamita e AnaMaria Marinca uma atriz romena. Voltando ao filme, trata-se, enfim, de uma grande bobagem, mas dá para curtir sem compromisso com os neurônios, não ofende nossa inteligência e combina perfeitamente com uma vasilha de pipoca.    

quinta-feira, 20 de maio de 2021

 

FÉ DE ETARRAS (FE DE ETARRAS), 2017, Espanha, 1h29m, produção original Netflix, direção de Borja Cobeaga, que também assina o roteiro com a colaboração de Diego San José. Trata-se de uma sátira com humor mordaz - e inteligente - envolvendo militantes do ETA (Euskadi Ta Askatasuna, em basco; em português, Patria Basca e Liberdade), principal organização do Movimento de Libertação Nacional Basco. Depois de uma tentativa frustrada de um atentado terrorista anos antes, Martín (Javier Cámara) agora é encarregado de treinar uma equipe e aguardar a ordem de seus superiores para concretizar uma ação. Estamos em 2010, e toda a história transcorre durante os jogos da Copa do Mundo de Futebol na África do Sul. Em um apartamento alugado, Martín aguarda a chegada dos outros três militantes: Pernando (Julián López), Álex (Gorka Otxoa) e Ainara (Miren Ibarguren). Enquanto esperam a ordem, os quatro terão a oportunidade de discutir vários assuntos, quase todos relacionados à luta do ETA, a situação política mundial e, acreditem, receitas da culinária espanhola, isso tudo acompanhando pela TV os jogos da copa do mundo, torcendo contra a Espanha – que no final seria a campeã. Tentando viver discretamente no “esconderijo”, os quatro etarras (como são chamados os militantes do ETA) abrirão a guarda para uma vizinha que lhes oferece comida, um outro vizinho que quer fazer amizade e ainda um casal de árabes. As situações vividas pelos quatro militantes trapalhões dão margem a sequências hilariantes, além dos diálogos afiados. “Fé de Etarras” é aquele tipo de filme que andava escondido na Netflix e que a gente tem o enorme prazer de descobrir. Diversão garantida.                 

terça-feira, 18 de maio de 2021

 

A MULHER NA JANELA (THE WOMAN IN THE WINDOW), 2020, Estados Unidos, 1h40m, direção de Joe Wright, que também assina o roteiro com a colaboração de Tracy Letts. Recentemente integrado à plataforma Netflix, trata-se de um suspense psicológico inspirado no livro “The Woman in the Window”, de A. J. Finn – pseudônimo do romancista Dan Mallory. A história é toda centrada na psicóloga infantil Anna Fox (Amy Adams), que depois de uma tragédia familiar se enclausura dentro de casa, sofrendo de depressão e agorafobia (medo de lugares públicos). Até as sessões com seu terapeuta, dr. Landy (Tracy Latts), acontecem em sua casa. À base de remédios, Anna passa os dias e as noites na janela, observando atentamente o que se passa na rua e na vizinhança – impossível não comparar com “Janela Indiscreta” (1954), clássico de Alfred Hitchcock. Aí acontece uma grande novidade: um casal, com um filho adolescente, muda para a casa bem em frente. Gente nova para Anna observar. Certo dia ela recebe a visita de uma mulher que se diz chamar Jane (Julianne Moore), a nova vizinha da casa da frente. De uma forma ou de outra, ela acaba interagindo com o restante da família, primeiro com Ethan (Fred Hechinger) e depois com o pai dele, Alistair Russell (Gary Oldman). Mas o pior estava por vir. Com o zoom de sua maquina fotográfica, Anna testemunha o assassinato de Jane dentro da casa, sendo que o assassino está fora do enquadramento, sendo impossível identificá-lo. Anna chama a polícia e aí começa a investigação sobre o crime. A conclusão inicial é de que Anna estava tendo alucinações por causa dos remédios, mas uma reviravolta acontece perto do final explicando tudo o que aconteceu. Claro que pelo excelente elenco, que inclui ainda uma irreconhecível Jennifer Jason Leigh, a gente poderia esperar um filme muito melhor, ainda mais que o diretor Joe Wright apresenta no currículo bons filmes como “Anna Karenina”, “Desejo e Reparação”, “Hanna” e o “Destino de Uma Nação”, entre outros. A crítica especializada detonou “A Mulher na Janela”, principalmente o seu roteiro, o qual consideraram fraco e confuso, mesma opinião da pesquisa realizada pelo exigente site Rotten Tomatoes, cuja aprovação ao filme só chegou aos 24%. Não achei tão ruim assim. E até recomendo, pois garante um bom entretenimento.                       

segunda-feira, 17 de maio de 2021

 

OTHER PEOPLE (título original como está na Netflix), 2016, Estados Unidos, 1h37m, roteiro e direção de Chris Kelly. Ao estrear no Festival de Cinema de Sundance (EUA), em 2016, o filme arrancou elogios entusiasmados da crítica especializada, sendo indicado ao Grande Prêmio do Júri. Trata-se de um exemplo clássico do gênero comédia dramática, caracterizado por motivar risos e lágrimas. É justamente o que este filme independente oferece com grande competência. É o primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Chris Kelly, mais conhecido como roteirista do programa humorístico “Saturday Night Live”. Vamos à história de “Other People”, criada a partir da própria experiência de vida do diretor Kelly. O jovem escritor gay David Mulcahey (Jesse Plemons) resolve sair de Nova Iorque para voltar a morar com a família em Sacramento (Califórnia). Por uma razão muito especial: sua mãe Joanne (Molly Shannon) está sofrendo de um câncer terminal e tem poucos meses de vida. Outro fator que contribuiu para a mudança foi o término do namoro com Paul (Zach Woods), com quem morava na Big Apple. Junto com o pai conservador, que jamais aceitou a sua opção sexual, e suas irmãs mais novas, David acompanhará o sofrimento da mãe, fazendo com que seus últimos dias sejam recheados de alegria e carinho. Como escrevi no início, o filme é muito triste, mas tem seus momentos de humor. Humor sutil e inteligente, aliás. Os diálogos são muito bem elaborados, constituindo-se em um dos trunfos desse ótimo drama. Em um deles, o personagem de David diz a um amigo uma frase que motivou o título do filme: “A gente vê isso tudo acontecer com outras pessoas”. É preciso destacar também a atuação maravilhosa da veterana atriz Molly Shannon, que domina todas as cenas em que aparece, além da interpretação primorosa do ator Jesse Plemons. Ainda integram o elenco Maude Aptow, Bradley Whitford e Madisen Beaty. Um filme de muita qualidade que deve ser conferido.                  

sábado, 15 de maio de 2021

O MISTERIOSO CASO DE JUDITH WINSTED (THE ATTICUS INSTITUTE), 2015, Estados Unidos, 1h32m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Chris Sparling. Terror bastante assustador, não indicado para estômagos fracos, repleto de sustos e eventos sobrenaturais. Melhor ainda, baseado em fatos reais e filmado como se fosse um documentário, o que tornou o filme ainda mais realista e aterrorizante. O ano é 1976. Estamos no Atticus Institute, um laboratório psicológico criado para estudar fenômenos paranormais, tipo telepatia, telecinesia (dom de movimentar objetos) etc. O instituto realmente existiu. O diretor é o dr. Henry West (William Mapother). Começa o filme com a chegada ao Atticus de Judith Winstead (Rya Kihistedt), uma mulher que, segundo a própria irmã que a levou, estava apresentando um comportamento muito estranho, parecendo estar possuída por alguma entidade maligna. Prato cheio para os pesquisadores. Os testes começaram e logo irão comprovar que Judith tem mesmo poderes sobrenaturais que assustarão toda a equipe do Dr. West. O caso chega ao conhecimento do governo norte-americano, que chega à conclusão de que os poderes da moça ameaçam a segurança nacional. Isto porque ela demonstrou a capacidade de invadir a mente de outras pessoas. Dessa forma, através do FBI, o governo assume a administração do instituto e o comando dos testes com Judith. O filme é recheado de depoimentos dos supostos participantes dos testes e familiares de Judith, todos atores, mas incrivelmente verossímeis. Segundo o material de divulgação do filme, este foi o único caso de possessão reconhecido pelo governo norte-americano. Dentro do gênero terror sobrenatural, trata-se de um filme que se destaca justamente por sua estética documental e por utilizar atores de verdade. Mas, repito, não recomendável para espectadores mais sensíveis.            

sexta-feira, 14 de maio de 2021

 

BAD DAY FOR THE CUT, 2017, Irlanda do Norte, 1h39m, direção de Chris Baugh, que também assina o roteiro com a colaboração de Brendan Mullin. Reproduzo o título original como está na plataforma Netflix. Tentei traduzir e cheguei a algo parecido com “Dia Ruim para o Corte”. Trata-se de um suspense policial centrado em Donal (Nigel O’Neill), um pacato fazendeiro de meia idade. Solteiro, ele vive uma rotina solitária com a mãe Florence (Stella McCusker), que o mima como se ele fosse adolescente. Uma noite, sem ter o que fazer, Donal vai para o celeiro trabalhar na recuperação de um veículo que acabara de adquirir. De repente, ele escuta um grito vindo da casa e vê um homem de terno entrando em um carro e fugindo em seguida. Quando Donal entra na casa, sua mãe está morta, assassinada com sinais de tortura. Não foram ladrões, já que nada foi roubado. Então, por que teriam matado sua mãe? Logo depois, ele também seria alvo de dois assassinos. Donal mata um e interroga o outro, conseguindo pistas sobre o que está acontecendo. Ele segue para a capital Belfast, onde descobrirá, por exemplo, um evento obscuro do passado de sua mãe, o que teria desencadeado uma vingança. Na busca pelos assassinos de sua mãe, Donal acabará se envolvendo com uma quadrilha que sequestra jovens do leste europeu e as obriga a trabalhar como prostitutas. Muita violência vai rolar até o desfecho, quando o fazendeiro estará frente a frente com a responsável por tudo, Frankie Pierce (Susan Lynch), uma psicopata que chefia a gangue. O filme estreou no Festival do Cinema Independente de Sundance (EUA) de 2018 e foi muito elogiado pela crítica especializada. Realmente, um bom filme que merece ser conferido.            

quarta-feira, 12 de maio de 2021

 

MONSTRO (MONSTER), 2018, EUA, 1h38m, primeiro filme escrito e dirigido por Anthony Mandler, mais conhecido como diretor de videoclipes e curtas. Trata-se de um drama jurídico baseado no livro “Monster”, de 1999, de Walter Dean Mears. A história é centrada no jovem Steve Horman (Kelvin Harrison Jr.), de 17 anos, que mora com a família no Harlem (Nova Iorque). Ele é um bom filho, ótimo aluno e tem o sonho de ser cineasta no futuro. Suas amizades, porém, não são nada boas, pois incluem alguns delinquentes juvenis e membros de gangues. E o pior aconteceu. Ele foi acusado de participar de um assalto a um mercado que terminou com o assassinato do proprietário. Ele e dois “amigos” foram presos e terão que ser submetidos a júri popular, podendo ser condenados a muitos anos de prisão. Katherine O’Brien (Jennifer Ehle) é sua defensora e terá a difícil missão de inocentá-lo, embora haja fortes evidências de que ele seja cúmplice no crime. A expectativa está criada. Qual será o resultado final do julgamento? Ainda estão no elenco Jeffrey Wright, Jennifer Hudson, John David Washington e Rakim Mayers. Do início até o fim, o próprio personagem do jovem participa da narrativa em off, tentando explicar os fatos que motivaram suas atitudes. O estreante diretor Anthony Mandler adotou uma estética muito interessante para contar a história. Ao invés de apresentar uma narrativa linear, Mandler optou por cenas fragmentadas e sobrepostas, um vai e vem incessante de imagens, além de alguns flashbacks. Isso tudo sem jamais prejudicar o entendimento por parte do espectador. Este talvez seja o maior trunfo desse ótimo filme independente norte-americano. Recomendo.         

 

terça-feira, 11 de maio de 2021

 

“VOZES E VULTOS” (“THINGS HEARD AND SEEN”), 2012, Estados Unidos, 2h01m, roteiro e direção do casal de cineastas Shari Springer Berman e Robert Pulcini, que adaptaram a história do romance “All Things Cease to Appear”, escrito por Elizabeth Brundage. O filme já começa com um clichê dos mais conhecidos no gênero terror: família chega com a mudança para uma casa mal-assombrada. Ao longo da história, objetos adquirem vida, eletroeletrônicos e brinquedos começam a funcionar sozinhos etc. Até uma sessão espírita acontece, durante a qual se manifestarão os fantasmas dos antigos moradores da casa. As pessoas que participam da experiência são admiradores da obra e pensamento do filósofo e espiritualista sueco Emanuel Swedenborg (1688-1772), muito admirado pela turma que gosta de estudar o “outro lado”. George Claire (James Norton), sua esposa Catherine (Amanda Seyfried) e a filha saem de Nova Iorque para morar numa cidadezinha no Vale do Hudson. Ele foi contratado para dar aulas de história da arte em uma universidade. A esposa, que trabalhava com restauração de obras de arte, fica em casa sozinha e começa a se incomodar com a situação. Enquanto isso, o marido joga seu charme para as alunas e começa a pular a cerca. Mas Catherine ganhará uma aliada para enfrentar sua solidão e encarar as traições de George: o fantasma de uma ex-moradora da casa. Mais do que um filme de terror, “Vozes e Vultos” também é um drama familiar, dando destaque à crise conjugal do casal, mostrando as brigas que logo se transformarão em agressões físicas. George mostrará então uma segunda personalidade, muito diferente do professor simpático e de pai dedicado. O elenco conta ainda com Natalia Dyer, Alex Neustaedter, F. Murray Abraham, Karen Allen (a mocinha dos filmes de Indiana Jones), Michael O’Keefe, James Urbaniak, Emily Dorsch e Rhea Seehorn. Acompanhei com grande interesse o transcorrer da história com a expectativa de um desfecho consagrador, o que não aconteceu. Em todo caso, é um filme que pode agradar aos fãs do gênero terror/suspense psicológico e do sobrenatural. Uma boa opção para quem gosta de roer as unhas.                       

        

 

segunda-feira, 10 de maio de 2021

 

“TUDO POR ELA” (“RIDE OR DIE”), 2020, Japão, 2h22m, disponível na Netflix desde 15 de abril de 2021, roteiro e direção de Ryuichi Hiroki. Na criação do roteiro, Hiroki se inspirou na série de mangá “Gunjo”, escrita e ilustrada por Ching Nakamura. Trata-se de um drama centrado em duas amigas lésbicas, Rei Nagasawa (Kiko Mizuhara) e Nanae Shinoda (Honami Satô). Elas se conhecem na adolescência, numa aula de artes, e se apaixonam – essa fase é apresentada em flashbacks durante a narrativa. Mas logo depois as duas se afastam e voltam a se reencontrar apenas dez anos depois. Rei agora mora com uma nova namorada e Nanae está casada com um homem rico, mas violento, acostumado a espancá-la com violência. Em nome da velha amizade e do amor que as unia, Rei mata o marido da amiga e as duas fogem sem destino – fica evidente a menção ao clássico “Thelma & Louise”, de Ridley Scott, grande sucesso de 1991 (com a diferença de que as personagens de Genna Davis e Susan Sarandon não eram lésbicas). Daqui para a frente, o filme japonês ingressa na fase do road movie e também do tédio. O filme se arrasta, num ritmo lento e angustiante, com muita conversa jogada fora, diálogos na base da psicologia barata, sem qualquer resquício de inteligência. As duas moças choram e gargalham o tempo inteiro, demonstrando uma demência histérica. Haja paciência para chegar até o final das mais de duas horas de projeção. Nudez frontal e sexo quase explícito também fazem parte da receita apelativa de “Tudo por Ela”. Há, porém, dois fatos que merecem destaque. Primeiro, a beleza da atriz Rei Nagasawa, que também é modelo de sucesso. Segundo, as imagens de Tóquio, primorosamente fotografadas, principalmente nas cenas noturnas. Trocando em miúdos, o resultado final não favorece uma recomendação entusiasmada.