“QUANDO A VIDA ACONTECE” (“WAS WIR WOLLTEN”), 2020, Áustria, 1h33m, primeiro longa-metragem da cineasta Ulrike Kofler, seguindo roteiro assinado por Sandra Bohle e Maria Kreutzer. A história é baseada num conto do escritor suíço Peter Stamm, que também colaborou no roteiro. Trata-se de um drama conjugal que tem como pano de fundo a questão da fertilidade. Alice (Lavinia Wilson) é casada com Niklas (Elyas M’Barek) e tenta engravidar há vários anos sem sucesso. Nem mesmo inseminações artificiais deram certo. Depois de mais uma tentativa frustrada, ao receber da médica a notícia de que não haverá mais qualquer possibilidade de gestação, o casal resolve tirar umas férias para relaxar. Escolhem um resort na Sardenha. Mas o que seria apenas uma nova lua de mel acaba se transformando numa situação de pleno estresse. Isto porque na cabana ao lado chega um casal com dois filhos, um deles adolescente e uma menina de uns 7 anos. Meio a contragosto, pois queriam paz, Alice e Nicklas fazem amizade com os novos vizinhos, Christal (Anna Unterberger) e Romed (Lucas Spisser). Esse relacionamento provocará uma série de desentendimentos entre Alice e Nicklas, durante os quais a questão da infertilidade sempre vem à tona. Alice acaba entrando numa depressão profunda, a ponto de evitar contato com o marido. A situação do casal só não complica ainda mais por causa de uma quase tragédia que atingirá os vizinhos. No desfecho, fica no ar a pergunta: será que é possível ser feliz sem filhos? Pensando na resposta, Alice e Nicklas começam a rever os seus conceitos. Como seu filme de estreia, a cineasta austríaca Ulrike Kofler mostra muita segurança e competência ao abordar a questão de como a infertilidade pode afetar o relacionamento de um casal. Selecionado para representar a Áustria na disputa do Oscar 2021 de Melhor Filme Internacional, “Quando a Vida Acontece” é um drama de muita qualidade que merece ser conferido.
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
“LAÇO
MATERNO” ("MOTHER”),
2020, Japão, produção da Netflix – está na plataforma desde o dia 3 de novembro
-, 2h6m, direção de Tatsushi Omori, que também assina o roteiro com Takehiko
Minato. Fazia tempo que não assistia a um filme japonês tão bom. Um drama
impactante e amargo, cuja história é baseada em fatos ocorridos em 2014.
Akiko Misumi (Masami Magasawa) é uma jovem mãe solteira que vive grandes
dificuldades financeiras. Por sua culpa. Não trabalha, é preguiçosa, inconsequente
e completamente irresponsável, indo para a cama com o primeiro que aparece. E,
pior, vive bêbada. Quem sofre com a situação é seu filho Shuhei (Sho Gunji
criança e Daiken Okudaira adolescente), que, mesmo pequeno, é obrigado a
arrumar dinheiro e fazer as compras. Ele também é manipulado por Akiko para
pedir dinheiro para os avós, já que ela havia sido deserdada por tantos problemas
que causou na família. Quando seus pais resolvem não dar mais dinheiro, Akiko e
Shuhei vão viver nas ruas, até que surge Keichi (Taiga Nakano), um sujeito
desagradável e violento, que Akiko acaba aceitando por falta de opção. O filme
dá um salto de cinco anos. A situação não mudou muito. Pelo contrário, só
piorou. Akiko agora tem outra criança, uma menina, e Shuhei, já um adolescente,
continua a serviço das vontades da mãe destrambelhada, que, apesar do caos em
que vive, não aceita ajuda do pessoal da assistência social. Continua tão
irresponsável como sempre foi, a ponto de instigar o filho a cometer um assassinato
para conseguir dinheiro. Não dá para adiantar o que acontece no desfecho, mas
não será nada agradável. O roteiro bem elaborado é um dos trunfos de “Laço
Materno”, além do desempenho espetacular da atriz Masami Magasawa, que se
entrega de corpo e alma ao papel de mãe que mantém uma relação quase tóxica com
seu filho Shuhei, assim como com a própria vida. Repito: é um filme bastante
perturbador, mas de muita qualidade, a mesma que caracteriza há anos o
excelente cinema japonês. Não deixe de ver.
terça-feira, 10 de novembro de 2020
“RETRIBUTION”, à disposição na
plataforma Netflix, é uma minissérie em 4 capítulos produzida pela BBC Scotland
(Escócia). Quando foi exibida na tv, em 2016, recebeu o título de “One of Us”. A
direção é de William McGregor e o roteiro elaborado pelos irmãos Jack e Harry
Williams. É um thriller policial ambientado numa zona rural da Escócia, onde
vivem as famílias Elliot e Douglas. Muito unidas por laços de amizade, as
famílias vivem um momento muito feliz com o casamento de seus filhos Adam Douglas
(Jeremy Neumark Jones) e Grace Elliot (Kate Bracken), ela grávida. Essa
felicidade, porém, dura pouco, pois o jovem casal recém-casado é morto a
facadas em seu apartamento em Edimburgo. A identidade do assassino é revelada
logo no início do primeiro capítulo. Trata-se de um viciado em drogas chamado
Lee (Owen Whtelaw). Ele sai correndo do local do crime, rouba um carro e foge
para a zona rural. No caminho, ele perde a direção e capota, ficando gravemente
ferido. Veja só a coincidência: o local do acidente é justamente entre a fazenda
dos Elliot e a dos Douglas. Pois são as duas famílias que vão socorrer o
assassino. Nesse meio tempo, aparece na televisão uma foto do viciado, acusado
do roubo do veículo e suspeito de ser o assassino do jovem casal. O que farão
as duas famílias quando souberem que socorreram o sujeito que matou seus
filhos? Em outra subtrama da minissérie, a detetive Julliet (Laura Fraser), da
polícia de Edimburgo, encarregada de investigar o caso, vive o dilema de tentar
arranjar dinheiro para a cirurgia de sua filha, que sofre de grave doença. Para
isso, se envolve com traficantes, arriscando-se a perder o emprego. Mas são as
duas famílias que estarão envolvidas com os acontecimentos seguintes ao
acidente do assassino. Muitas revelações surpreendentes acontecerão pelo
caminho, desestabilizando os casamentos e a própria relação familiar, até que
no desfecho ocorre aquela que seria a maior revelação, ligada diretamente ao
assassinato do jovem casal. O elenco é excelente, contando ainda com Joanna Vanderham, Juliet Stevenson, John Lynca, Joe Dempsie, Christian Ortega, Julie Graham, Kate Dickie, Owen Whitelaw, Adrian Edmondson, Steve Evts e Georgina Campbell. A minissérie é muito boa, garantindo o suspense do começo ao fim. Recomendo.
domingo, 8 de novembro de 2020
“A
LIÇÃO DE MOREMI” (“CITATION”), 2020, Nigéria, produção Netflix (disponível na
plataforma desde o dia 6 de novembro de 2020), 2h31m, roteiro de Tunde Babalola e
direção de Kunle Afolayan. Acho que o cinema da Nigéria adora produzir filmes
sobre julgamentos e tribunais. Assim foi nos mais recentes que vi: “A Quarta
República” (2019) e “The Arbitration”. Neste último, aliás, o roteiro é muito
semelhante ao de “A Lição de Moremi”. Enquanto que neste o caso de assédio
sexual envolve um professor e uma de suas alunas, em “The Arbitration” os
personagens são uma funcionária e seu chefe na empresa. A história de “A Lição
de Moremi” é baseada em fatos reais e destaca a relacionamento do professor
Lucien (Jimmy Jean-Louis) e sua melhor aluna no curso de pós-graduação, Moremi
(Temi Otedola). Antes do ano letivo terminar, Moremi denuncia Lucien por assédio sexual e estupro à direção da universidade, que reúne seus conselheiros e professores
para promover um julgamento – independente do resultado, o caso seria encaminhado
para a promotoria de justiça providenciar a abertura de inquérito. Mesmo
assessorada por uma advogada de renome, Moremi encontra dificuldades para
provar o que está dizendo, pois não há testemunhas sobre o supostos assédio e estupro, até
que no final acontece uma surpreendente revelação que ajudará uma das partes. Embora muito longo e
entediante em vários momentos, o filme prende a atenção apenas com relação à
expectativa pelo seu desfecho. No mais, é uma enrolação danada, em tom novelesco, incluindo até
excursões dos alunos até Dakar, capital do Senegal, e Cabo Verde, explorando os principais locais de turismo dos dois países. Além do mais, com exceção
do ator Jimmy Jean-Louis, que faz o papel do professor, o restante do elenco é
muito fraco e o roteiro apresenta vários furos que comprometem o
entendimento de algumas situações. Dos filmes nigerianos que assisti, este é,
sem dúvida, o mais fraco.
sábado, 7 de novembro de 2020
Se você
for daquelas pessoas com estômago fraco, não gosta de ver na telinha muita
violência, pancadarias e sangue jorrando, não assista “IMPLACÁVEL” (“AVENGEMENT”),
filme inglês de 2019 agora disponível na Netflix. Mas se você gosta do gênero “filme
pra macho”, não deixe de ver, pois é um dos filmes de ação mais violentos do
momento. A direção é de Jesse V. Johnson, que também assina o roteiro com a
colaboração de Stu Small. A história toda é centrada no lutador de MMA Cain
Burgess (Scott Adkins). Ao vencer uma luta que havia concordado em perder, Cain
caiu em desgraça com a quadrilha do poderoso traficante Lincoln Burgess (Craig
Fairbrass), justamente seu irmão e o apostador principal na derrota que não
aconteceu. Para pagar essa dívida, Cain topa realizar um roubo que não dá
certo. Ele fica preso por sete anos numa penitenciária cujos detentos são de
alta periculosidade. Resumo da história: alguns presos receberam uma grana alta
para matá-lo e quase todo dia ele enfrenta uma briga, muitas vezes contra
vários oponentes. Como resultado, tem a face queimada por napalm, perde os
dentes da frente e ganha uma enorme cicatriz no rosto. Numa saída para velar a
mãe morta, Cain consegue escapar e vai atrás daqueles que o traíram, inclusive
seu irmão. Como afirmei no começo, o filme tem inúmeras cenas de violência
explícita, muito sangue jorrando e ossos esmigalhados. Mas uma coisa é certa:
as cenas de luta são ótimas, realistas e muito bem coreografadas. Nesse ponto,
destaco o desempenho do ator Scott Adkins, especialista em artes marciais. Aos
19 anos ele já era faixa preta de Taekwondo e depois ainda se especializou em
Kick Boxing, Ninjutsu, Caratê, Wusho, Jiu Jitsu, Krav Maga, Muay Thai e até
Capoeira. Ou seja, só armado com um canhão para enfrentar o cara. Créditos maiores, porém, devem ser dados ao diretor Jesse V. Johnson, um craque em
filmes de ação, como “O Cobrador de Dívidas”, “O Mercenário”, “Cão Selvagem e “Entrega
Mortal, entre outros. Resumo da ópera: para quem gosta de violência e
pancadaria, “Implacável” é simplesmente...implacável.
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
“NATAL
EM EL CAMINO” (“EL CAMINHO CHRISTMAS”), 2017, Estados Unidos, 1h39m (disponível na plataforma Netflix), direção de David
E. Talbert, seguindo roteiro escrito por Theodore Melfi e Christopher Wehner. Segundo
o que foi divulgado pela produção do filme, “Natal em El Camino” seria uma comédia.
Sem tê-lo assistido, muitos críticos e sites de cinema acreditaram na sinopse e
também o rotularam como comédia. Talvez a presença do comediante Tim Allen no
elenco tenha provocado o engano. Trata-se, na verdade, de um drama não muito
pesado, mas bem longe de provocar risadas. Talvez um ou outro sorriso amarelo.
E só. A história começa com o jovem Eric Rooth (Luke Grimes) chegando à pequena
cidade de El Camino com o objetivo de conhecer o pai biológico, cujo endereço
descobriu ao encontrar cartas antigas destinadas à sua mãe falecida. Como
acontece em quase toda cidade pequena nos Estados Unidos, a polícia pega no pé
do recém-chegado, desconfiando até mesmo que ele pode estar envolvido com o
tráfico de drogas. Ele é detido e depois solto, indo parar numa loja de
conveniência – um mercadinho, na verdade. Aqui se encontram, além de Eric, o
proprietário, a funcionária com seu filho e um velho bêbado. Tudo está calmo
até a chegada de um policial e é aí que começa toda a confusão. Resumindo: a
polícia é mobilizada porque acha que Rooth está mantendo reféns na loja. Uma repórter
de TV passa pelo local e descobre o que está acontecendo, fazendo a cobertura
para a rede nacional. Dessa forma, o suposto sequestro se transforma no
principal assunto dos telejornais. O ritmo do filme cai um pouco a partir do
momento em que os personagens que estão dentro da loja conversam entre si sobre
seus problemas pessoais e suas histórias de vida, até chegar a uma surpreendente
revelação. Como é véspera de Natal, o filme termina com neve caindo, uma jogada do roteiro para amenizar o final trágico. Além de Luke Grimes e Tim Allen, estão no elenco Jessica Alba,
Vincente D’Onofrio, Dax Shepard, Michelle Myletr e Kurtwood Smith. Como podem ver, o elenco até
que é bom, mas o resultado final não é dos melhores.
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
Sabe
aquelas comédias juvenis tipo “American Pie”, com muita baixaria, palavrões e aquele
humor escatológico? Pois é, tudo isso está em “NÃO VAI DAR” (“BLOCKERS”),
2018, Estados Unidos, 1h42m, disponível na plataforma Netflix. A única
diferença está no fato do diretor ser uma mulher, no caso Kay Cannon, mais
conhecida até agora como roteirista. Aliás, o roteiro foi escrito por uma
equipe: Jon Hurwitz, Brian Kehoe, Jim Kehoe, Eben Russell e Hayden
Scholossberg. Tanta gente para um resultado tão pífio. O filme acompanha três adolescentes
amigas de infância que decidem, num pacto secreto, perderem a virgindade na noite
do baile de formatura. Os respectivos pais, sem querer, descobrem num
computador de uma delas os termos do pacto e ficam totalmente enlouquecidos. Só
que o baile já tinha começado. Eles saem correndo em busca das donzelas,
enfrentando um turbilhão de situações desastrosas, incluindo um acidente de
carro no caminho. Enfim, entrando na madrugada eles tentarão evitar que suas
filhas percam a “pureza”. Como escrevi no começo, tudo o que acontece no filme
é baseado na baixaria. O pano de fundo é o sexo, só se fala nisso, com diálogos
recheados de palavrões, termos chulos e frases de duplo sentido, além de cenas no mínimo repugnantes,
como o nu frontal de um homem de meia idade, jorros de vômito e até ingestão de
bebida pelo ânus, além de muito álcool e drogas. Quer mais? Então assista.
Anote o elenco: o péssimo John Cena, Leslie Mann (a única que se salva), Ike
Barinholtz, Kathryn Newton, Gina Gershon, Gary Cole, Geraldine Viswanathan e Gideon Adlon, só para citar os mais conhecidos. Desde a
tradução do título para o português (“Não vai Dar”), tudo no filme é apelação
generalizada. Tudo bem, tem gente que gosta. Mas avisa quem amigo é: se você
tem algo parecido com inteligência, fuja a galope!
terça-feira, 3 de novembro de 2020
“HOMEM
AO MAR” (“OVERBOARD”), 2018, Estados Unidos, roteiro e direção de Rob Greenberg.
Trata-se de um remake da comédia romântica “Um Salto Para a Felicidade”,
de 1987, que teve como dupla central Goldie Hawn e Kurt Russell, dirigidos por
Garry Marshall. Em “Homem ao Mar”, a dupla é composta por dois bons
comediantes: a norte-americana Anna Faris (da série “Todo Mundo em Pânico”) e o
mexicano Eugenio Derbez (“Como se Tornar um Conquistador”). Vamos à história.
Kate (Faris) é mãe solteira de três filhas, trabalha em dois empregos,
entregadora de pizza e faxineira. Dinheiro curto, endividada até o pescoço,
está prestes a ser despejada. Ao realizar uma limpeza no iate luxuoso do
milionário mexicano Leonardo “Leo” Montenegro (Derbiz), cuja família é proprietária
de uma grande empresa de construção, Kate é humilhada pelo arrogante “Leo” e
acaba demitida do emprego. Ela promete vingança, e a oportunidade surge depois
que ele sofre um acidente que o deixa sem memória. Incentivada por sua amiga Theresa
(Eva Longoria), Kate bola um plano maquiavélico: já que “Leo” perdeu a memória e
sua família o dá como morto, Kate apresenta-se no hospital como a esposa dele.
Dessa forma, consegue levá-lo para sua casa e colocar em prática a vingança
planejada. A crítica especializada não gostou do filme e só elogiou o trabalho
da atriz Anna Faris, realmente uma ótima comediante. Não achei o filme tão
ruim, dá para assistir e até se divertir, apesar do final altamente previsível. Também estão no elenco Cecília
Suárez, Mariana Treviño e John Hannah. “Homem ao Mar” é ideal para uma sessão
da tarde com pipoca e sem compromisso com os neurônios.
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
“BRONX”, 2020, França, 1h56m,
roteiro e direção de Olivier Marchal, produção e distribuição da Gaumont,
disponível desde o dia 20 de outubro de 2020 na plataforma Netflix. É o mais
recente filme do cineasta Marchal, que mantém o seu estilo caracterizado por
boas histórias, muita violência e ação, tudo o que os fãs do gênero policial
mais apreciam – confira no final deste comentário alguns dos melhores filmes de
Marchal. O “Bronx” do título é um bairro de Marselha, considerada uma das
cidades mais violentas da Europa. Um grupo de policiais de elite da Brigada
Anti Gangues recebe como missão intervir no submundo criminoso de Marselha,
dominado por duas poderosas gangues que estão em guerra, os clãs Bastiani e Orsolini.
Como na maioria dos filmes de Marchal, a corrupção no meio da polícia é um dos
elementos mais presentes em “Bronx”. Tudo começa com um atentado na solenidade
de posse do novo comissário de polícia Ange Leonetti (Jean Reno). Uma
testemunha-chave é levada sob custódia e acaba assassinada na delegacia. Só que
a vítima pertence a uma das famílias mafiosas. A partir daí começa a guerra
generalizada, gangue contra gangue, gangues contra a polícia, polícia contra
polícia, enfim, matança que não acaba mais, com muita violência e sangue
jorrando. Além de Reno, fazem parte do elenco Lannick Gautry, Stanislas Merhar,
Catherine Marchal (esposa do diretor), Moussa Maaskri, Gérard Lanvin e Kaaris.
A diva Claudia Cardinale, aos 82 anos, tem uma participação especial como a
chefona do clã Bastiani. Para você comprovar o talento do diretor Marchal, aí
vai uma lista de alguns de seus filmes mais conhecidos: “Un P’tit Gars de Ménil
Montant”, “Carbon”, “Borderline”, 36th Delegacia”, “Diamante 13”, “Pacto de
Sangue”, “MR 73 e o clássico “Não Conte a Ninguém”. Incluo "Bronx" nesta relação como mais um filme de Marchal a ser recomendado.
sexta-feira, 30 de outubro de 2020
“MADEMOISELLE
VINGANÇA” (“MADEMOISELLE DE JONCQUIÈRES”), 2018, França, 1h50m, roteiro e direção
de Emmanuel Mouret (“Romance à Francesa”). Trata-se de um filme de época
ambientado em meados do século 18, tendo como principal protagonista Madame De La
Pommeraye (Cecile de France), uma bela viúva que vive reclusa em seu palácio
rural desde a morte do marido. Um velho conhecido, o Marquês De Arcis (Édouard
Baer), começa a assediá-la com insistência, mas ela não cede. Para um aristocrata
famoso por suas conquistas femininas na alta sociedade de Paris e adjacências, as recusas
de La Pommeraye se transformam num desafio a ser vencido. Como todo garanhão
desafiado, ele aperta o cerco e, depois de muito tempo de assédio, consegue finalmente
seu objetivo. A viúva acaba se apaixonando perdidamente, entregando-se
completamente ao marquês. Dois anos depois, porém, ele confessa a ela que dali
para a frente só quer amizade, pois seu amor terminou. A rejeição do marquês é
um banho de água fria em La Pommeraye. E com mulher rejeitada, todo mundo sabe,
não se brinca. Ela bola um plano maquiavélico para se vingar do marquês,
utilizando duas prostitutas, mãe e filha, respectivamente Madame De Joncquières
(Natalia Dontcheva) e Mademoiselle De Joncquières (Alice Isaaz). Sem contar
detalhes, posso afirmar que o marquês vai comer o pão que o diabo amassou. “Mademoiselle
Vingança” é um filme bastante agradável de assistir. O roteiro é primoroso, com
diálogos num tom bastante satírico, mesmo que os protagonistas utilizem o vocabulário
pomposo da aristocracia francesa daquela época. Você
vai se divertir com as situações criadas pela viúva vingativa. Nesse ponto, há
que se admirar a ótima atuação de Cecile de France, uma atriz que aprendi a
admirar de longa data. Outro aspecto que merece destaque é a caprichada recriação
de época, com cenários deslumbrantes de castelos, bosques e jardins, além dos
figurinos. Mas é realmente o roteiro que valoriza o filme, escrito com muito
inspiração pelo diretor Ammanuel Mouret, que o adaptou do livro “Jacques, Le
Fataliste, et Son Maître”, do filósofo e escritor Denis Diderot (1713-1784). Mesmo
quem não é chegado num filme de época vai curtir “Mademoiselle Vingança”, um filme inteligente e divertido. Programão!
quinta-feira, 29 de outubro de 2020
“O
GAMBITO DA RAINHA” (“THE QUEEN’S GAMBIT”), 2020, minissérie de 7 capítulos de 1 hora produzida
pela Netflix, roteiro e direção de Scott Frank. Logo que estreou na Netflix no
dia 23 de outubro, a minissérie ganhou elogios no mundo inteiro, tanto de
críticos de cinema como do público. Para se ter uma ideia de sua qualidade, até
o rigoroso site Rotten Tomatoes, especializado em cinema, conferiu a ela 100%
de aprovação, o que é uma raridade. Realmente, vale a pena assistir. A história, fictícia, é baseada
no romance “The Queen’s Gambit”, do escritor norte-americano Walter Tevis
(1928-1984). Vamos à sinopse. Aos 9 anos, em 1957, após a morte trágica da mãe,
Beth Harmon é internada num orfanato. Encarregada de limpar os apagadores da
lousa da classe, ela desce diariamente ao porão, onde encontra o zelador, sr. Shaibel
(Bill Camp), jogando xadrez sozinho. Beth pede que ele a ensine o jogo. Depois de
negar inúmeras vezes, Shaibel concordou em ensiná-la. Logo ele percebeu que
estava diante de um fenômeno, de uma inteligência rara, uma verdadeira campeã
em potencial. Ao mesmo tempo em que aprendia os movimentos do xadrez, Beth (Anya
Taylor-Joy) ficaria viciada em tranquilizantes, que roubava da farmácia do orfanato.
As pílulas levavam o seu cérebro a ter alucinações e, como num efeito holográfico,
ela via um tabuleiro no teto do seu quarto movendo as peças e criando várias
jogadas. Para resumir a história, Beth foi adotada por um casal e aos 13
anos já era campeã universitária, estadual e logo depois nacional. Sua fama
chegou aos quatro cantos do mundo, o que lhe rendeu inúmeros convites para
participar de torneios internacionais, enfrentando e vencendo jogadores
profissionais, ou seja, os grandes mestres do xadrez. O maior objetivo de Beth
seria enfrentar o russo campeão mundial Vasily Borgov (Marcin Dorocinski), o
que aconteceria em duas ocasiões. Como o título já antecipa – gambito da rainha
é uma das aberturas (jogadas iniciais) do jogo -, o filme é quase todo voltado
para o que gira em torno do xadrez e a dedicação exigida por parte dos
jogadores, envolvendo estudos e treinos diários, trabalho psicológico para
aguentar a pressão das partidas e suas, em geral, tumultuadas vidas pessoais. No
caso de Beth Harmon, por exemplo, o vício em álcool e tranquilizantes, além de
uma crónica solidão. Não há dúvida de que o sucesso da produção deve ser
atribuído, em grande parte, ao desempenho sensacional da jovem atriz norte-americana
Anya Taylor-Joy (“Os Novos Mutantes”, “Fragmentado”) como Beth Harmon. O mais curioso é que a atriz, antes de atuar na minissérie, nunca havia jogado xadrez. Ainda estão no elenco Marielle Heller, Thomas Brodie, Harry Melling, Moses Ingram, Chloe Pirrie e Christiane Seidel. Mesmo que você não seja fã do jogo de xadrez, a minissérie tem tudo para agradar. Quem
joga ou jogou xadrez, ou pelo menos se interessa pelo tema, “O Gambito da
Rainha” é entretenimento garantido, emocionante do começo ao fim - e veja que estamos falando de xadrez.... Sem dúvida, uma verdadeira jogada de mestre da Netflix. Não exagero em escrever que esta é a melhor minissérie do ano. IMPERDÍVEL com letras maiúsculas.
terça-feira, 27 de outubro de 2020
“MARY
SHELLEY”,
2018, Inglaterra, 2h00, roteiro e direção da cineasta saudita Haifaa Al
Mansour. Trata-se de uma adaptação para o cinema da biografia de Mary
Wollstonecraft Godwin (1797-1851), que mais tarde seria conhecida como a
escritora Mary Shelley, criadora do monstro Frankenstein. Filha do escritor e
filósofo William Godwin e da escritora Mary Wollstonecraft, Mary cresceu lendo
os livros da imensa biblioteca dos pais e logo cedo começou a escrever,
dedicando-se a histórias de terror. O filme destaca o tumultuado romance entre
Mary (Elle Fanning) e o poeta Percy Shelley (Douglas Booth), um escândalo na Londres
da época, pois ela só tinha 16 anos. Para complicar ainda mais a situação, sua
irmã Claire (Bel Powley), que passou a morar com o casal, também seria motivo
de outro escândalo como amante do famoso poeta Lord Byron (Tom Sturridge). Em
meio a tanta agitação, Mary encontrou tempo para escrever o romance que
intitulou de “Frankenstein ou o Jovem Prometeu”, considerado até hoje o primeiro
romance de ficção científica da literatura mundial. Interessante que, em sua
primeira edição, o livro foi assinado pelo marido Percy Shelley, pois na época
mulher escritora era quase um escândalo. Somente na segunda edição é que Mary
aparece como autora. O filme apresenta uma primorosa recriação de época, com cenários
de uma Londres onde a pobreza era evidente nas ruas. Mas o grande destaque é
realmente a atuação da jovem atriz norte-americana Elle Fanning, irmã mais nova
da também atriz Dakota Fanning. “Mary Shelley” deve ser visto não apenas como
uma boa adaptação biográfica, mas também como um estudo comportamental de uma
época em que a mulher era relegada a segundo plano na sociedade. Filmaço!
domingo, 25 de outubro de 2020
“93 DIAS”
(“93 DAYS”),
2016, Nigéria, 2h05m, direção de Steve Gukas e roteiro de Paul Rowlston. Baseado
em fatos reais, o filme relembra como a Nigéria conseguiu conter a disseminação
do vírus do Ebola por sua população. Vale registrar, antes de entrar no comentário, que houve
um surto do Ebola na África Ocidental entre 2013 e 2016, durante o qual
morreram 11.323 pessoas na Guiné, Libéria, Mali, Senegal, Nigéria e República
Democrática do Congo. A Nigéria, devido ao empenho da equipe médica do Hospital
First Consultant Medical Centre, da capital Lagos, conseguiu debelar o vírus em
93 dias, período em que foram infectadas 20 pessoas, com apenas 8 mortos. O
filme começa com a chegada ao hospital do norte-americano Patrick Sawyer (Keppy
Ekpenyong-Bassey), que desembarcara pouco antes no Aeroporto Murtala Mohammed
proveniente da Libéria, onde trabalhava como consultor do Ministério das
Finanças. No hospital, Sawyer foi atendido pela médica Ameyo Stella Adadevoh (Bimbo
Akintola), que constatou que o paciente estava infectado pelo Ebola. Apesar das
pressões do governo da Libéria e do próprio governo nigeriano, a médica proibiu
Sawyer de sair do hospital para não contaminar outras pessoas, mas enfermeiros
e médicos, inclusive Adadevoh, acabaram infectados. “93 Dias” retrata o esforço e
a dedicação do pessoal do hospital na luta contra a doença, com a ajuda de uma
equipe enviada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Ong Médicos sem
Fronteiras. Apesar do cenário trágico que envolve toda a história, “93 Dias” consegue
ser bastante esclarecedor com relação aos fatos que aconteceram, reservando ao
telespectador algumas sequências muito comoventes. Mas o que se destaca
realmente é o empenho corajoso da equipe do hospital, que arriscou suas vidas
para salvar outras. Lembrando que só a capital Lagos tinha na época 21 milhões
de habitantes, 20 infectados e oito mortos podem ser considerados um feito milagroso, ainda mais num país com poucos recursos na área médica. Como destaque no elenco, a participação do ator norte-americano Danny Glover
como Dr. Benjamin Ohiaeri, diretor médico do hospital, e do ator escocês Alastair
Mackenzie como o médico David Brett-Major, da OMS. “93 Dias” é mais uma
produção do cinema nigeriano, hoje o segundo maior produtor de filmes do mundo,
atrás apenas da Índia (EUA é o terceiro).
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
REBECCA
– A MULHER INESQUECÍVEL (“REBECCA”), 2020, Estados Unidos, produção e distribuição
Netflix, 2h2m, direção de Ben Wheatley. A história foi adaptada do romance de
Daphne Du Maurier, de 1938, um grande best-seller mundial na época e que se transformou
em roteiro escrito por Joe Shrapnel, Jane Goldman e Anna Waterhouse. Já houve
outra adaptação para o cinema, em 1940, dirigida por Alfred Hitchcock e que
conquistou a estatueta do Oscar como Melhor Filme. Trata-se de um suspense psicológico
cujo maior trunfo é realmente a ótima história criada pela escritora inglesa
Daphne Du Maurier (1907-1989). Vamos a ela. O milionário Maxim De Winter (Armie
Hammer) fica viúvo de Rebecca, morta num acidente de barco. Pouco tempo depois,
ele conhece uma jovem cuidadora de idosos que logo se tornaria a sra. De Winter
(a atriz inglesa Lily James) – o primeiro nome da personagem não é mencionado. O
casal vai morar na mansão Manderley, na costa inglesa, pertencente à família De Winter há várias
gerações. No que seria um verdadeiro conto de fadas, o casamento com Max se
transformou num verdadeiro inferno para a nova sra. De Winter. A começar pela
evidente rejeição a ela pela governanta mrs. Danvers (Kristin Scott Thomas), o
mesmo sentimento de outros empregados da mansão, que sempre colocaram a
falecida Rebecca num pedestal sagrado. A jovem mrs. De Winter também foi
obrigada a conviver com o comportamento estranho do marido, ainda muito ligado
às lembranças da esposa morta. Aos poucos, mrs. De Winter desvendará muitos
segredos da vida de Rebecca, alguns relacionados com a sua morte. O desfecho
trágico, numa sequência de grande suspense, consagra uma das histórias mais
emocionantes e bem escritas da literatura mundial. No caso das adaptações para
o cinema, o filme de 1940 é considerado, pela maioria dos críticos, como a
melhor. Não discordo, mas acho que a nova versão também tem muitas qualidades,
a começar pelas ótimas atuações de Kristin Scott Thomas e de Lily James, além dos
cenários deslumbrantes e de um primoroso trabalho de fotografia. Filmaço!
quarta-feira, 21 de outubro de 2020
“JAG
ÄLSKAR DIG – EN SKILSMÄSSOKOMEDY” – É com esse título pra lá de complicado que
esta ótima comédia sueca está disponível no catálogo Netflix. Fui atrás da
tradução literal para o português: “Eu Te Amo – Uma Comédia de Divórcio”. O
filme é de 2016, escrito e dirigido por Johan Brisinger. A história é centrada
no casal Gustav (Björn Kjellman) e Marianne (Christine Meltzer), que estão na
meia-idade e vivendo uma crise típica... da meia-idade. Ele é sócio de uma grande
firma de advocacia, trabalha muito e não tem muito tempo para se dedicar à esposa
e ao casal de filhos adolescentes. O casamento se transforma numa rotina sem muitas
emoções, o que inclui a ausência de sexo. Marianne acaba se rebelando com a
situação e sai de casa, indo morar com uma amiga. De início, Gustav fica
desesperado, mas logo conhece uma mulher bem mais jovem, a espevitada Rita
(Nour El-Refai). Marianne também se refaz da separação nos braços de Rodolfo
(Rodolfo Corsato) um fotógrafo latim lover. Todo esse contexto acaba
gerando situações bastante engraçadas, envolvendo os problemas com os filhos, a
relação com os pais e cunhados de Gustav e ainda uma revelação bombástica perto do
desfecho. Além do elenco bem afiado e das sequências de humor hilariantes, o
filme destaca inúmeros cenários deslumbrantes da capital Estocolmo. Enfim, uma
comédia leve e agradável de assistir. Recomendo.
terça-feira, 20 de outubro de 2020
Pintou um
forte candidato a muitas indicações na disputa do Oscar 2021. Estou me
referindo ao filme “Os 7 DE CHICAGO” (“THE TRIAL OF THE CHICAGO 7”), 2020,
Estados Unidos, 2h10m - disponível na Netflix -, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Aaron
Sorkin, mais conhecido no meio cinematográfico por seu currículo como
roteirista (veja seus principais filmes no final deste comentário). “Os 7 de
Chicago” adapta os fatos ocorridos no final do emblemático ano de 1968, quando
diversos grupos de manifestantes, entre os quais radicais de esquerda,
moderados ligados ao movimento hippie, panteras negras e até escoteiros,
rumaram para Chicago para protestar contra a Guerra do Vietnã durante a
realização da Convenção Nacional do Partido Democrata. O movimento terminou em
pancadaria entre policiais e manifestantes, com dezenas de feridos. Logo em seguida,
um inquérito policial apontou sete pessoas como responsáveis pelo conflito. O
caso culminou em julgamento, o qual será a premissa principal de “Os 7 de
Chicago”. O embate jurídico resulta em pelo menos 151 sessões do julgamento até
a decisão final dos jurados. Na época, os meios de comunicação dos Estados Unidos
ficaram focados em Chicago, acompanhando o desenrolar dos fatos. Para valorizar
ainda mais a história, o filme utiliza vídeos da época mostrando as cenas de
violência, incluindo os assassinatos de Martin Luther King e Bob Kennedy. Um dos trunfos de “Os 7 de Chicago” é seu elenco estrelado. Confira:
Sacha Baron Cohen, Eddie Redmayne, Joseph Gordon-Levitt, Michael Keaton, Frank
Langella, Mark Rylance, Alex Sharp, William Hurt, Yahya Abdul-Mateen II, Jerimy
Strong e Caitlin Fitzgerald. O grande mérito, porém, é do diretor Aaron Sorkin,
cujo currículo de roteirista apresenta filmes de qualidade como “A Grande
Jogada”, “Questão de Honra”, “Jogos do Poder”, “A Rede Social”, “Steve Jobs” e “O
Homem que Mudou o Jogo”. Enfim, uma fera de Hollywood. Não tenho dúvidas em
afirmar que “Os 7 de Chicago” tem grande chance de ser eleito o filme do ano - por mim já é. Realmente é excelente, um registro histórico de um caso que marcou época. IMPERDÍVEL com maiúsculas!
segunda-feira, 19 de outubro de 2020
“RUSTOM”, 2016, Índia, 2h30m,
segundo longa-metragem dirigido por Tinu Suresh Desai, seguindo roteiro escrito
por Vipul K Rawal. Um misto de policial e filme de tribunal. A
história foi inspirada num caso verídico ocorrido em 1959 em Bombaim (hoje Mumbai)
e que ganhou enorme repercussão e espaço nos jornais indianos. O personagem
principal envolvido foi o oficial da marinha Kawas Manekshaw Nanavati, que assassinou
a tiros o amante de sua esposa. No filme, o personagem ganhou o nome de Rustom
Pavri (Akshay Kumar). Um resumo da história: Rustom volta mais cedo depois de
uma longa missão no mar e descobre que a esposa Cynthia (Ileana D’Cruz) está
tendo um caso com um antigo amigo do casal, o poderoso empresário Vikram
Makhija (Arjan Bajwa). Rustom não tem dúvida: pega um revólver e vai atrás de
Vikram, matando-o com três tiros no peito. Em seguida, se entrega à polícia e
confessa o crime. Os jornais de Bombaim fazem a festa, colocando o caso
diariamente nas manchetes de 1ª página, alcançando recordes de vendas. Como
acontece em qualquer país de cultura machista, a opinião pública manifesta-se a
favor do oficial, que, segundo ela, agiu corretamente em matar o oponente
conjugal. O julgamento é marcado, sendo que Rustom não aceita ser representado
por um advogado. Ele mesmo quer se defender. Por seu lado, a promotoria,
incentivada e "patrocinada" pela irmã da vítima, a milionária Priti Makhija (Esha Gupta), parte para
o ataque utilizando métodos ilícitos, como a compra de testemunhas e a
apresentação de documentos falsos. Para aumentar ainda mais a repercussão do
caso, Rustom apresenta, durante o julgamento, denúncias sobre a corrupção da
marinha indiana por conta da compra de um porta-aviões inglês. Além do ator
Akshay Kumar, uma celebridade de Bollywood, com mais de 100 filmes no
currículo, destacam-se duas das atrizes mais competentes e bonitas do cinema
indiano: Ileana D’Cruz e Esha Gupta. “Rustom”,
grande sucesso de bilheteria na Índia, manteve o estilo que caracteriza quase
todas as produções de Bollywood: cenários esplendorosos, profusão de cores
fortes, tanto nos cenários como nos figurinos, pétalas de flores caindo, cantorias
intermináveis, muitos closes dos atores e uma trilha sonora irritante tentando
aumentar a tensão a cada sequência de maior suspense. Ainda bem que ficaram de
fora aquelas cenas de dança tão comuns nos filmes indianos. Apesar dessas –
para nós ocidentais - anomalias estéticas, “Rustom” se apresenta como um filme
interessante de assistir – está disponível no catálogo Netflix.
sábado, 17 de outubro de 2020
“100
METROS”,
2016, Espanha, 1h48m, disponível no catálogo Netflix, marca a estreia de Marcel
Barrena como roteirista e diretor. A história é baseada em fatos reais. Aos 35
anos, Ramón Arroyo (Dani Rovira), um importante executivo de uma agência de
propaganda, começa a perceber alguns sintomas estranhos: formigamento nas mãos,
dificuldade na fala, perda de movimentos e confusão mental. Depois de vários
exames, o trágico diagnóstico: esclerose múltipla. A notícia chega justamente
no momento em que ele está no auge da carreira e sua esposa Inma (Alexandra
Jiménez) prestes a ganhar o segundo filho. O início do tratamento é bastante
difícil, principalmente do ponto de vista psicológico, pois os prognósticos
médicos não são nada bons. Numa das sessões de tratamento, um de seus colegas
pacientes diz a Ramon: “Daqui a pouco você não conseguirá caminhar 100 metros e
logo estará uma cadeira de rodas”. Ramón resolve desafiar essa previsão e
começa a treinar não só para vencer os 100 metros, mas para encarar provas mais
difíceis, quem sabe um Iron Man, a prova mais difícil do triathlon, com 3,8 km
de natação, 180 km de ciclismo e 42,195 km de corrida. Mesmo com o descrédito
geral, inclusive da sua própria médica, mas com o apoio da esposa e do sogro Manolo
(Karra Elejalde), Ramón resolve treinar para a prova. Seu técnico é o próprio
sogro, um ex-professor de educação física, com o qual não se dava desde o início
do namoro com Inma. Aliás, a relação difícil entre o sogro e o genro resulta
nas cenas mais engraçadas, um alívio cômico diante de um contexto tão
dramático. Em grande parte do roteiro, o diretor Barrena prioriza as sequências
de treinamento de Ramón até a realização da prova. Como principal trunfo, além
do elenco afiado, que conta ainda com a atriz portuguesa Maria de Medeiros e
Alba Ribas, “100 Metros” nos apresenta um belo e comovente exemplo de
superação. O filme emociona e diverte ao mesmo tempo. Para os mais sensíveis,
recomendo assistir com uma caixa de lenços de papel do lado. Resumo da ópera:
filmaço!
“THE
SPY GONE NORTH” (“GONGJAK”), 2018, Coreia do Sul, 2h21m, roteiro e direção
de Yoon Jong-Bin. A tradução para o português seria algo como “O Espião foi
para o Norte”, mas mantive o título em inglês, como está no catálogo da Netflix.
Trata-se de um filme de espionagem com forte apelo político. A história é
baseada num caso real ocorrido nos anos 90 do século passado. O major
sul-coreano Park Seok-Yeong (Hwang Jung-Min) foi convocado pelo Serviço
Nacional de Inteligência para uma importante e arriscada missão: infiltrar-se
na Coreia do Norte com o objetivo de descobrir informações sobre o programa
nuclear do governo comunista do ditador Kim Jong II. A operação foi intitulada “Venus
Black”, também utilizado como codinome do espião. A estratégia começou em transformar Park em um empresário com muito
dinheiro para investir em negócios na Coreia do Norte. O primeiro passo foi fazer
contato com um importante dirigente do país vizinho em Pequim, Ri Myung-Woon (o
ótimo Lee Sung-Min, de “The Witness”), secretário do comércio exterior. Ao
ganhar a confiança de Ri, Park conseguiu chegar à capital comunista Pyongyang
como visitante ilustre e, como tal, ter uma audiência particular com o ditador
Kim Jong II (Gi Ju-Bong), num dos momentos mais marcantes do filme. Outra
sequência impactante refere-se à visita que Park faz à periferia da capital
norte-coreana, um cenário de miséria e descaso total, um povo que morre aos
poucos de fome – a cena de mortos empilhados nas calçadas é chocante. Além de
conseguir informações importantes sobre o programa nuclear da Coreia do Norte, Park
também terá surpresas desagradáveis com relação à corrupção do seu próprio
governo nas eleições anteriores e nas que se aproximam. “The Spy Gone North”
estreou no Festival de Cannes 2018, recebendo elogios de críticos e de público.
O filme é excelente, de muito impacto e tenso como todo bom filme de espionagem deve ser. Mais uma superprodução do excelente cinema sul-coreano. Imperdível!
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
“THE
WITNESS” (“MOK-GYEOK-JA”), 2018, Coreia do Sul, 1h51m, roteiro e direção de Jo Gyu-Jang.
A tradução em português seria “A Testemunha”, mas mantive o título em
inglês, pois é assim que está no catálogo da Netflix. Não dá pra entender como
esse filme tão bom não tenha sido exibido por aqui no circuito comercial.
Trata-se de um suspense muito criativo, vigoroso e tenso, do começo ao fim.
Vamos à história. Depois de beber com os amigos, Han Sang-Hoon (Lee Sung-Min)
chega em casa por volta das 2 horas da manhã e resolve tomar uma cerveja “saideira”.
De repente ele ouve o grito de uma mulher pedindo socorro e resolve ver o que
está acontecendo. A mulher está sendo espancada com um martelo, e o criminoso
percebe que está sendo visto por alguém. Quando olha para o 6º andar, ele
flagra Sang-Hoon testemunhando a agressão. Morrendo de medo, ele resolve não
ajudar a vítima, preferindo apagar a luz do apartamento e se esconder. A partir
daí, a vida de Sang-Hoon vira um verdadeiro inferno, pois ele acredita que o
assassino virá atrás dele, de sua mulher, da filha e até do cachorro. Para
aumentar ainda mais o suplício de Sang-Hoon, o psicopata ainda cometerá outros
crimes cujas vítimas seriam também testemunhas. O suspense aumenta cada vez
mais, chegando a um dos desfechos mais emocionantes já criados no cinema.
Méritos para o roteirista e diretor estreante Jo Gyu-Jang, um antropólogo que
fez mestrado em direção de cinema na Universidade Nacional de Artes da Coreia.
Em sua estreia como roteirista e diretor, Gyu-Jang marcou um verdadeiro gol de
placa. Algumas sequências são realmente de arrepiar, com movimentos de câmera em
ritmo alucinante, levando o espectador a interagir com o personagem de Sang-Hoon
naqueles momentos de maior tensão. “The Witness” é simplesmente sensacional,
com certeza um dos melhores suspenses dos últimos anos, consagrando a já
comprovada qualidade do cinema sul-coreano. Não perca de jeito nenhum!
terça-feira, 13 de outubro de 2020
“DARC” é uma produção
norte-americana de 2018. Trata-se do primeiro longa-metragem dirigido por Julius
R. Nasso, mais conhecido, no meio cinematográfico, como produtor. O roteiro é assinado por Tony Schiena e Dennis
Venter. Schiena, aliás, atua como o personagem central da história, fazendo o
papel de Darc, na verdade o seu pseudônimo, criado quando curtia um super-herói
com esse nome num gibi. O filme começa mostrando como o então menino presenciou
o assassinato da mãe por um membro da poderosa máfia japonesa . Na época,
ele e a mãe moravam em Tóquio – a mãe havia sido vítima de sequestro pela
Yakuza para trabalhar como prostituta na capital japonesa. O garoto guardou o
nome e a cara dos assassinos. O filme dá um salto de 25 anos e Darc está agora
em Los Angeles trabalhando nas sombras como um misto de detetive/justiceiro
particular. Ele é procurado pelo seu amigo policial Lafique (Armand Assante) para que o
ajude a libertar a filha, sequestrada por integrantes da filial norte-americana
da Yakuza. O plano é que Darc se infiltre na quadrilha japonesa para descobrir
o paradeiro da filha do amigo. Ora, quem é o chefe da gangue japonesa? Justamente
o assassino de sua mãe. A partir daí, muita ação e violência, pancadarias
generalizadas, tiros, muito sangue jorrando e cenas de luta muito bem
coreografadas. É nesse contexto que entra a experiência do ator sul-africano
Tony Schiena, um mestre das artes marciais. Campeão mundial de caratê na
categoria peso-pesado, Schiena também trabalha como instrutor de combate
corpo-a-corpo para a SWAT, para o exército dos Estados Unidos e para a OTAN. Antes, trabalhou como agente do serviço de inteligência militar do governo
da África do Sul. Atualmente, em paralelo à sua carreira de ator, ele é
proprietário da Multi Operational Security Agency of Intelligence Company (MOSAIC).
Todo esse currículo, mais sua habilidade em artes marciais, contribuiu para que
Schiena criasse um roteiro dos mais dinâmicos. Como todo bom filme de ação, “Darc”
não nega fogo. Ótimo entretenimento, um filmaço!
segunda-feira, 12 de outubro de 2020
“SHABANA
– TREINADA PARA MATAR” (“NAAN SHABANA”), 2017. Índia, 2h27m, disponível no catálogo da
Netflix, direção de Shivan Nair, a partir de roteiro de Neeraj Pandey. O gênero
“Filmes de Ação” nunca foi o forte de Bollywood. De vez em quando aparece algum
razoável, mas difícil encontrar um ótimo. Embora seja protagonizado pela atriz
do momento na Índia, Taapsee Pannu, “Shabana” não consegue, em nenhum momento,
entusiasmar. Vamos à história. Após assistir ao assassinato de seu namorado Jai
(Taher Shabbir), Shabana (Taapsee) quer vingança, achando que suas habilidades
em artes marciais são suficientes para acabar com os quatro assassinos. O problema
é que ela não sabe o paradeiro do quarteto. É aí que aparece um sujeito se
dizendo membro de uma agência de espionagem prometendo ajudá-la. Em troca pelo
favor, ela concorda em ser treinada para se aprimorar em artes marciais e
utilização de armas de fogo. O acordo com a agência prevê, depois da vingança
pela morte do namorado, a captura de um poderoso traficante de drogas e armas,
um tal de Tony (Prithviraj Sukumaran). O problema é que o bandido tem um exército
de seguranças fortemente armados, o que torna a missão de capturá-lo um verdadeiro
suicídio. Será que Shabana conseguirá executar o trabalho e ainda sair viva? A
resposta, só assistindo ao filme, muito fraco, aliás. Longo demais, com um
elenco de péssimos atores e cenas de ação que podem servir para uma comédia, de
tão risíveis. A conclusão é que o diretor Shivan Nair deveria fazer um curso de
cenas de ação e coreografias de luta com o diretor sul-coreano John Woo. Enfim,
“Shabana” é aquele filme para ficar guardado até virar mofo. Uma verdadeira BOMBAIM!