quarta-feira, 22 de maio de 2019


“A BUSCA DE CHARLOTTE” (“The Stoler”), 2017, Inglaterra, 98 minutos, direção de Niall Johnson, que também assina o roteiro com Emily Corcoran (atriz que também atua no filme). Se você pensa que o faroeste hostil só existiu nos Estados Unidos, reveja seus conceitos. A distante Nova Zelândia, principalmente na segunda metade do século 19, também teve seus bandidos mascarados, índios (os maoris), aventureiros em busca de ouro, traficantes e saloons, socos e tiros. E até mineiros chineses, veja só. E ainda mocinho e bandido. No caso, mocinha e bandido. Esta produção inglesa, ambientada em 1860, conta a jornada corajosa e heroica de Charlotte Lockton (a bela e competente atriz Alice Eve), de uma família da alta aristocracia inglesa que foi para a Nova Zelândia casar com um rico fazendeiro. Num certo dia, bandidos mascarados assaltam a fazenda, matam o marido de Charlotte e sequestram seu filho ainda bebê. Meses depois, ela recebe uma carta do sequestrador pedindo uma vultosa soma como resgate. Charlotte, sem ajuda de ninguém, segue uma pista que a leva a uma longínqua e inóspita região, frequentada por gente da pior espécie. Nesse lugar, ela descobre quem matou seu marido e sequestrou seu filho. O problema é enfrentá-lo e aos seus capangas. Não lembro de ter assistido algum faroeste ambientado na Nova Zelândia. Por esse ineditismo e como filme de ação, “A Busca de Charlotte” até que vale uma sessão da tarde com pipoca. Tem lá seus momentos de suspense e, repito, a bela Alice Eve.               

terça-feira, 21 de maio de 2019


“UNA”, 2016, Inglaterra, 1h34m, roteiro e direção do australiano Benedict Andrews. Em sua estreia como roteirista e diretor – é mais conhecido como diretor de teatro -, Andrews conseguiu fazer um filme romanceado, embora o pano de fundo da história seja a pedofilia, abuso sexual e estupro. Na verdade, o filme é baseado na peça de teatro “Blackbird”, escrita pelo dramaturgo escocês David Harrower, que se inspirou num caso de um estupro cometido em 2003 pelo ex-fuzileiro norte-americano Toby Studebaker, que sequestrou e abusou de uma menina de 12 anos, acabando na prisão por quatro anos. No filme, a adaptação da peça teatral ganhou uma nova abordagem, aliviando um pouco a conotação de crime sexual. A adolescente Una (Ruby Stokes), de 13 anos, é abusada sexualmente por um homem bem mais velho, Ray (o ator australiano Ben Mendelsohn), seu vizinho e, pior, amigo de seu pai. O caso vai parar na polícia, e Ray vai para a cadeia por quatro anos. Quando sai da prisão, resolve mudar o nome para Peter. Quinze anos depois, Una (agora interpretada por Rooney Mara) reencontra Ray/Peter, que está casado e tem uma filha. Ela quer discutir a antiga relação, talvez se vingar, num acerto de contas? Nessa parte, o diretor Andrews carrega no suspense. Una vai até a fábrica onde Ray/Peter trabalha, tumultua o ambiente e o deixa na maior “saia justa” perante os seus colegas de trabalho. Como terminará a história? Haverá algum corpo estendido no chão? Não vou dar a resposta, que você só terá assistindo. Devo recomendar? Dúvida cruel...                    

domingo, 19 de maio de 2019


“O FAVORITO” (“The Front Runner”), EUA, 2018, produção da Sony Pictures (no Brasil, foi lançado nas plataformas digitais no dia 24 de abril de 2019), 1h54m, direção de Jason Reitman, que também assina o roteiro juntamente com Jay Carson. Baseado em fatos reais, o filme conta a história da ascensão e queda do político norte-americano Gary Hart na década de 80. Senador pelo Colorado, Hart disputou a indicação do Partido Democrata para disputar a presidência dos EUA em 1984, perdendo para Valter Mondale. Quatro anos depois, volta a concorrer e logo passa a ser o grande favorito, mas um escândalo sexual revelado pelo jornal Miami Herald resulta na sua desistência. O filme, inspirado no livro “All The Truth is Out: The Week Politics Went Tabloid”, escrito em 2014 pelo jornalista Matt Bai, aborda os bastidores da campanha de Hart (Hugh Jackman), a rotina árdua e estressante de sua equipe de trabalho comandada por Bill Dixon (J. K. Simmons) e o relacionamento com sua esposa Oletha “Lee” Hart (Vera Farmiga). O filme também retrata, com muita competência, a cobertura da campanha por parte da imprensa, as reuniões de pauta e como trataram da divulgação do caso que Hart mantinha com Donna Rice (Sara Paxton). A direção e o roteiro merecem um destaque especial. A ação transcorre num ritmo quase alucinante, de prender a respiração. Enfim, mais um gol de placa do jovem diretor Jason Reitman, de apenas 41 anos, que já mostrara sua competência como roteirista e diretor em filmes como “Juno”, “Amor sem Escalas”, “Obrigado por Fumar” e “Tully”. Resumo da ópera: um thriller político da melhor qualidade. Imperdível!                  


“NO CORAÇÃO DA ESCURIDÃO” (“First Reformed” – por aqui, alguns DVD’s receberam outro título em português: “Fé Corrompida”), 2017, EUA, 1h48m, roteiro e direção do veterano Paul Schrader. A história é centrada no Reverendo Ernest Toller (Ethan Hawke), da Igreja First Reformed, em Snowbridge, New York. Toller é um ex-capelão militar que carrega na consciência a culpa pela morte do filho que incentivou a se alistar no exército norte-americano. Quando é procurado pela jovem Mary Mansana (Amanda Seyfried), que se diz preocupada com o comportamento do seu marido Michael Mansana (Philip Ettinger), um ambientalista radical, Toller fica sabendo dos graves crimes ambientais praticados por empresas ligadas à Abundant Life, instituição que detém o controle da First Reformed. Quando o ambientalista Michael morre tragicamente, Toller acaba se ligando ainda mais a Mary, paixão que salvará muita gente de um possível atentado. Quem assistir ao filme vai entender o que estou dizendo. Como thriller psicológico, “No Coração da Escuridão” não é um filme fácil de assistir, exige enorme paciência. É verborrágico demais – longas citações da Bíblia e complexas reflexões filosóficas – lento e muito pesado, principalmente por conta da crise existencial do atormentado Toller. Lembrei dos filmes insuportáveis do diretor norte-americano Terrence Malick. De qualquer forma, “No Coração da Escuridão” foi eleito um dos 15 melhores filmes de 2018 pelo site especializado em cinema Rotten Tomatos, além de ter sido também elogiado após sua exibição no Festival Internacional de Veneza 2017. Assista e tire suas próprias conclusões. Para concluir, lembro que Paul Schrader foi o roteirista de “Taxi Driver”, “Touro Indomável” e “A Última Tentação de Cristo”, entre tantos outros.                  

quarta-feira, 15 de maio de 2019


“AMOR ATÉ AS CINZAS” (“JIANG HU ER NÜ”), 2018, China, 2h15m, roteiro e direção de Jia Zhangke. Excelente drama centrado no romance entre a bela e jovem dançarina Qiao (Zhao Tao) e o mafioso Bin (Fan Liao), que domina Datong, cidade da província de Shanxi, nas proximidades da Grande Muralha. Qiao, além de namorada, é o braço direito de Bin nos negócios, a maioria deles ligados a clubes de jogos clandestinos. Numa emboscada que sofre de uma gangue rival, Bin só não foi assassinado graças a Qiao, que utiliza uma pistola para afugentar os agressores. Como a utilização de arma de fogo é crime grave na China, Qiao assume que é dona da pistola e livra o namorado da cadeia. Qiao é julgada e condenada a cinco anos de prisão, período em que Bin fica sumido do mapa, sem nunca tê-la visitado. O filme salta para o dia em que Qiao é libertada e inicia uma longa e atribulada jornada para reencontrar o ex-namorado. Aqui vale ressaltar o enorme talento da atriz Zhao Tao, musa do diretor, para representar a angústia de uma mulher que nunca deixou de ser apaixonada e deseja reatar o romance, numa incontestável prova de amor. O diretor Jia Zhangke, um dos cineastas mais conceituados do atual cinema chinês, de filmes como “As Montanhas se Separam” e “Um Toque de Pecado”, mantém seu estilo impecável de contador de histórias romanceadas, utilizando uma primorosa fotografia e cenários que mostram alguns dos lugares mais interessantes e pitorescos do interior da China. O filme estreou na programação oficial do 71º Festival de Cannes, em maio de 2018, recebendo elogios tanto da crítica como do público. Cinema de qualidade.          

terça-feira, 14 de maio de 2019


“A MELODIA” (“La Mélodie”), 2017, França, 1h42m, direção de Rachid Hami, que também assina o roteiro em conjunto com Guy Laurent e Valerie Zenatti. É o segundo longa-metragem dirigido por Hami (o primeiro foi “Choisir D’Aimer, de 2008). Vamos à história de “A Melodia”. O violinista profissional Simon Daoud (Kad Merad), integrante de um conceituado quarteto clássico de câmara, aceita o desafio de ensinar crianças de uma escola municipal a tocar violino. Os alunos são todos filhos de imigrantes, a maioria pobres – o diretor Rachid Hami é argelino. Aos poucos, Daoud consegue “domar” os mais revoltados, e até descobrir, entre eles, um talento nato. Trata-se de Arnold (Alfred Renely), que cai nas graças do professor por sua dedicação nos estudos de violino – para não incomodar os vizinhos, ele treina no telhado do prédio onde mora. O objetivo ousado do treinamento de Daoud é levar os seus alunos para tocar no concerto de final de ano com a Filarmônica de Paris. O filme foi inspirado no Projeto Démos, iniciativa patrocinada pela Filarmônica de Paris. Todos os alunos do filme, na faixa entre 12 e 13 anos, são atores amadores e foram selecionados em escolas municipais parisienses. O filme nos reserva momentos de grande sensibilidade e comoventes. Já me emocionei numa das cenas iniciais, quando o professor Daoud toca para seus alunos o Concerto para Violino de Tchaikovsky, uma das peças mais bonitas da música clássica e trilha sonora do maravilhoso filme “Le Concert”, de 2009. “A Melodia” é um filme indicado para quem gosta de música clássica e se emociona com a participação de crianças. E também para o público em geral, pois é bastante emocionante.   

domingo, 12 de maio de 2019


“BOY ERASED: UMA VERDADE ANULADA” (“Boy Erased”), 2018, EUA, 1h55m, segundo longa-metragem escrito e dirigido pelo ator, roteirista e diretor australiano Joel Edgerton. Trata-se de um drama espinhoso e polêmico: a cura gay. A história é baseada no livro autobiográfico de Garrard Conley, que na juventude foi encaminhado pelo pai, um pastor da Igreja Batista, para uma organização intitulada “Amor em Ação”, cujo principal objetivo era converter jovens que tivessem tendências homossexuais. No filme, o jovem chama-se Jared Eamons (Lucas Hedges), seu pai é o pastor Marshal Eamons (Russell Crown, enorme de gordo) e a mãe é Nancy Eamons (a ainda bela e excelente atriz Nicole Kidman). O líder da organização “Amor em Ação” é Victor Sykes (Edgerton). Juntamente com outros jovens, Jared é submetido a uma espécie de lavagem cerebral, com intimidação psicológica e religiosa. Poucos aguentam a pressão. Claro que o tema é bastante polêmico e seu lançamento nos cinemas dos Estados Unidos, no final de 2018, após estrear no Festival de Toronto, em setembro de 2018, foi um verdadeiro fracasso de bilheteria. Talvez por isso o filme teve seu lançamento cancelado nos cinemas daqui (estava previsto para o dia 31 de janeiro de 2019). Segundo a Universal Pictures, por “motivos comerciais”. Chegou apenas em abril, mas em DVD. Deixando de lado toda essa polêmica, é um filme interessante de assistir. Recomendo.       


“O 12º HOMEM” (“DEN 12, MANN”), 2017, Noruega, 135 minutos, direção de Harald Zwart, com roteiro escrito por Petter Skavlan, baseado no livro “Defiant Courage: A Wwii Epic of Escape and Endurance”, de Astrit K. Scott e Tore Haug. Os fatos são verídicos e contam a história incrível de Jan Baalsrud (1917-1988), considerado o maior herói norueguês da Segunda Guerra Mundial. Com a ocupação da Noruega pelas tropas nazistas de Hitler, Jan Baalsrud (Thomas Gullestad) entrou para a resistência e, em companhia de outros noruegueses, foi treinado militarmente na Inglaterra. Em 1943, ele e mais onze homens saíram de Shetland (Escócia) num barco de pesca carregado com mais de 7 toneladas de explosivos, e atravessaram o Mar do Norte até chegar ao litoral da Noruega. A missão do grupo era destruir instalações militares alemãs no país ocupado. Os alemães, porém, interceptaram a embarcação e abriram fogo. Jan e seus homens explodiram o barco e nadaram até a praia. Onze homens do grupo foram presos. Só escapou Jan, “O 12º Homem”. O filme prioriza a fuga de Jan e os esforços dos nazistas para capturá-lo. A prisão de Jan era uma questão de honra para o oficial nazista Kurt Stage (o ator escocês Jonathan Rhys), mesmo porque o norueguês tinha informações importantes para fornecer aos ingleses.   Em meio à neve e ao rigoroso inverno norueguês, Jan enfrentou, durante dois meses, muita fome, sede e frio, arrancou ele mesmo nove dedos do pé gangrenados e ainda sofreu de cegueira. Só sobreviveu porque recebeu ajuda de alguns moradores locais. Uma história de grande coragem, sacrifício e heroísmo. Só por isso o filme já vale a pena. Mas tem mais. Ótimo elenco, paisagens deslumbrantes e suspense do começo ao fim. Imperdível!          

sexta-feira, 10 de maio de 2019


“RIVER RUNS RED” (como ainda não foi exibido por aqui, não ganhou nenhuma tradução; o título, na tradução literal, ficaria “Rio Corre Vermelho”), 2018, EUA, 1h34m, roteiro e direção de Wes Miller. O juiz de Direito Charles Coleman (Taye Diggs) é surpreendido com uma notícia nada agradável. Seu filho foi assassinado por dois policiais, Von (Luke Hemsworth) e Rory (Gianni Capaldi). Segundo o relatório oficial, ele teria reagido à abordagem dos policiais. Logo de cara, nos é apresentada a cena do crime, “preparada” pelos assassinos: uma arma na mão do garoto. Inconformado e crente que tudo não passou de uma armação, o juiz Coleman tenta convencer as autoridades municipais de que seu filho não portava arma nenhuma e que foi assassinado friamente. Como não houve uma resposta satisfatória à sua indignação, o juiz resolve então investigar o caso pessoalmente, até descobrir uma evidência amplamente favorável à inocência do seu filho. Ou seja, a arma “plantada” já havia sido utilizada pelos policiais em outro assassinato semelhante, desta vez o do filho de Javier (George Lopez), um imigrante dono de uma oficina mecânica. Como não há uma resposta concreta da polícia, os dois pais resolvem fazer justiça com as próprias mãos. Destaque negativo foi constatar no elenco a figura do ator John Cusack numa ponta – na verdade, uma pontinha – pra lá de constrangedora. Cusack, de 52 anos, que foi protagonista de ótimos filmes, como “Alta Fidelidade” e “Matador em Conflito”, entre tantos outros, não merecia um final de carreira tão triste e frustrante. Pior é que nos materiais de divulgação seu nome aparece com destaque, o que pode configurar propaganda enganosa. O filme é fraco e certamente não será exibido por aqui no circuito comercial. De repente, aparece numa sessão da tarde qualquer. Se aparecer mesmo, pode dispensar.         

quarta-feira, 8 de maio de 2019


“VICE”, 2018, EUA, 2h14m, roteiro e direção de Adam Mckay. Trata-se de um filme biográfico baseado na figura de Dick Cheney, que fez carreira no governo norte-americano começando como chefe de gabinete da Casa Branca nos anos 70 e depois como Secretário da Defesa de 1989 a 1993, culminando com a vice-presidência na chapa de George W. Bush, cargo que ocupou com grande desenvoltura e com poderes especiais, principalmente nas questões de política externa e gestão militar – articulou, por exemplo, a estratégia para a invasão do Iraque em represália aos atentados de 11 de setembro de 2001. Cheney provou que ser vice nem sempre é um cargo decorativo. E o roteiro de Mckay deixa bem claro que ele mandava mais que o Bush filho. O filme foi realizado de modo a reunir fatos históricos, bastidores do governo norte-americano e a ascensão vertiginosa de Cheney. Mesmo que o contexto seja sério, Mckay acrescentou uma grande dose de humor ácido e sátira, numa edição dinâmica e com ritmo alucinante. Um verdadeiro show cinematográfico, baseado num primoroso e criativo roteiro. O filme recebeu 8 indicações ao Oscar 2019: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Edição, Ator, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante e Melhor Maquiagem e Cabelo – só conquistou a estatueta nesta última categoria. Uma pena e uma grande injustiça. Eu daria o Oscar para Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Original, no mínimo. O elenco é um destaque à parte: Christian Bale como Dick Cheney (divulgaram que o ator engordou mais de 20 quilos para o papel, o que duvido; acredito mais que tenha havido enchimento das roupas e uma maquiagem pesada; em todo caso, Bale está sensacional), Steve Carell como Donald Rumsfeld, um político de carreira que teve um grande prestígio na Casa Branca; Amy Adams como Lynne Cheney; e Sam Rockwell como o presidente Bush filho, compondo o personagem de uma forma bastante caricatural. O diretor Adam Mckay, que já tinha em seu currículo bons filmes como “A Grande Aposta” e “Tudo por Um Furo”, fez mais um gol de placa com “Vice”, um dos melhores filmes dos últimos anos. Como informação adicional, lembro que entre os produtores estão os astros Brad Pitt e Will Ferrell, o que dá a ideia do prestígio do diretor. Não perca de jeito nenhum!          

domingo, 5 de maio de 2019


“OBLAWA”, 2012, Polônia, 1h36m, roteiro e direção de Marcin Krzysztalowicz. Mais um episódio ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, desta vez na Polônia. O ano é 1943. A história é centrada em Otter (Marcin Dorocinski), um soldado que aderiu à resistência polonesa contra as tropas alemãs que ocupavam o país. Otter era encarregado de eliminar não só os alemães como também matar os poloneses que colaboravam com os nazistas. Podia ser amigo ou não, ele assassinava com uma frieza incrível. O filme inteiro acontece no cenário do acampamento da resistência na floresta e mostra as dificuldades enfrentadas pelos soldados, que muitas  vezes nem tinham o que comer. Para escrever o roteiro, o diretor Krzysztalowicz se inspirou nas memórias de seu pai, que pertenceu à resistência polonesa. É a ele que o cineasta dedica este filme, conforme consta nos créditos finais. “Oblawa” estreou durante a programação oficial do Festival de Cinema de Gdynia (o Oscar polonês), sendo premiado pelo Polish Film Awards como Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Design de Som e Melhor Edição de Som. Fora da Polônia, foi exibido pela primeira vez no Montreal World Film 2012. O filme não é muito agradável de assistir. É violento, um tanto arrastado, mas bastante impactante. Vale pelo registro histórico.         


“MENINO BONITO” (“Beautiful Boy”), 2018, EUA, duração de 2 horas, direção de Felix Van Groeningen. Um sensível e comovente drama centrado na luta de um pai para livrar o filho mais velho das drogas. É baseado em fatos reais, descritos nos livros “Beautiful Boy”, de David Sheff (o pai), e “Tweak”, de Nic Sheff (o filho viciado), adaptados pelo roteirista Luke Davies. No filme de Van Groeningen, David Sheff é interpretado por Steve Carrell e Nic pelo jovem ator Timothée Chalamet, responsáveis por grandes atuações (Chalamet foi indicado ao Globo de Ouro). David Sheff é um jornalista conceituado, colaborador da Revista Rolling Stone e do New York Times. Seu filho Nic, do primeiro casamento com Vick (Amy Ryan), entra nas drogas e acaba se viciando em cocaína, anfetaminas e heroína. Triste ver um menino tão bonito e simpático cair nesse precipício. Aqui vale destacar o ótimo trabalho desse jovem ator de 23 anos de idade, descendente de família francesa, Timothée Chalamet, que já havia demonstrado enorme competência em filmes como “Me Chame pelo seu Nome” e “Lady Bird: A Hora de Voar”, ambos de 2017. Steve Carrel também dá show de interpretação como o pai inconformado com a situação do filho. Seu personagem chega a experimentar drogas para tentar entender o vício de Nic. Embora com uma elevada carga dramática, “Menino Bonito” reserva momentos de extrema sensibilidade e muitos deles comoventes, reforçando sua qualidade como adaptação para o cinema. Importante também destacar o trabalho do diretor belga Felix Van Groeningen em sua estreia no cinema norte-americano. Van Groeningen foi responsável por “Alabama Monroe”, de 2012, um filme também espetacular que representou a Bélgica na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Resumo da ópera: “Menino Bonito” é imperdível!    

quinta-feira, 2 de maio de 2019


“NUNCA FIRME, NUNCA PARADO” (“NEVER STEADY, NEVER STILL”) – a tradução literal é minha, pois o filme não chegou a ser exibido por aqui e, portanto, não tem título em português – 2017, Canadá, 110 minutos, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Kathlee Hepburn. Trata-se de um drama familiar bastante pesado, lento e muito triste. O clima melancólico é acentuado ainda mais pelo frio reinante e os cenários de neve (a história é ambientada numa remota comunidade às margens do lago Stuart, ao norte da Colúmbia Britânica, no Canadá). O drama é centrado em Judy (Shirley Henderson), uma mulher por volta dos cinquenta anos de idade que sofre  do Mal de Parkinson em estágio avançado. Para as tarefas diárias, como tomar banho, se vestir, cozinhar e tomar os remédios, ela conta com a ajuda do marido Ed (Nicholas Campbell) e de seu filho Jamie (Théodore Pellerin), de 19 anos. Se o sofrimento de Judy já é grande com a doença, fica ainda pior depois de um evento trágico envolvendo seu marido e da ida do filho para um distante canteiro de obras. Ou seja, Judy terá que se virar sozinha. A atuação impressionante da atriz escocesa Shirley Henderson é o grande trunfo desse bom drama canadense, repito, muito, mas muito triste. O filme estreou no Toronto International Filme Festival 2017 e recebeu 8 indicações ao Canadian Screen Awards 2018, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz.  

terça-feira, 30 de abril de 2019


“QUE DEUS NOS PERDOE” (“QUE DIOS NOS PERDONE”), 2016, Espanha, 2h7m, roteiro e direção de Rodrigo Sorogoyen. Drama policial cuja tema central é a investigação de vários crimes cometidos em Madrid por um sádico serial killer, que escolhe como suas vítimas mulheres de mais de 70 anos. Além de espancá-las até a morte, o assassino, como toque final, ainda estupra as idosas. Boa gente o cara. A história é ambientada em 2011 numa Madrid caótica, com manifestações de protesto violentas nas ruas por parte dos ativistas do Movimento 15-M e às vésperas da visita oficial do Papa Bento XVI à Espanha. A polícia madrilhenha encarrega os detetives Velarde (Antonio de La Torre) e Alfaro (Roberto Álamo) pela investigação dos assassinatos das idosas – as cenas dos corpos mutilados são chocantes. Ao mesmo tempo em que acompanha os trabalhos da dupla, o filme reserva um bom espaço para compor e revelar as personalidades completamente diferentes dos dois policiais. Velarde é minucioso, atento aos mínimos detalhes das cenas dos crimes, observa mais do que fala. Há muito tempo que é considerado um gênio da polícia. Por outro lado, Alfaro é falante, truculento, resolve as discussões na base da porrada e muitas vezes parece ter um parafuso a menos. A gagueira de Velarde rende alguns bons momentos de humor, assim como a truculência de Alfaro. Até o desfecho, o clima de suspense segue num ritmo quase que alucinante, tornando este policial espanhol um bom entretenimento. Faltou, porém, uma explicação plausível para a cena final, deixando uma pergunta no ar: Como Velarde descobriu o paradeiro do criminoso? Para mim, esta é a maior falha do roteiro de Sorogoyen, embora não prejudique o resultado final. “Que Deus nos Perdoe” também é o nome de uma música cantada pela fadista portuguesa Amália Rodrigues, incluída na trilha sonora do filme quando os créditos finais aparecem na tela.     

domingo, 28 de abril de 2019


“PRAÇA PÚBLICA” (“Place Publique”), 2018, França, 1h39m, quinto longa-metragem dirigido pela atriz, roteirista e cineasta Agnès Jaoui. Mais uma vez, ela contou com a colaboração, no roteiro e no elenco, do ator Jean-Pierre Bacri, com o qual foi casada até 2012. Como é do estilo de Jaoui, “Praça Pública” é uma comédia de costumes, gênero que é especialidade do cinema e do teatro franceses – lembrando que foi Moliére quem inventou o gênero. Em “Praça Pública”, toda a trama acontece durante a festa de inauguração da nova casa (open house) de Nathalie (Léa Drucker), uma bem-sucedida empresária do mundo artístico parisiense. A casa está situada nos arredores de Paris e Nathalie convida meio-mundo da nata artística parisiense, incluindo várias celebridades. O convidado mais badalado é Castro (Jean-Pierre Bacri), um famoso apresentador de TV, em torno do qual gravitam, além dos bajuladores habituais, sua ex-mulher Hélène (Agnès Jaoui), sua filha escritora Nina Meurisse) e sua atual namorada Vanessa (Helena Noguerra). Entre caçadores de autógrafos, tipos esquisitos e excêntricos, gente querendo aparecer, brigas de casais, um vizinho furioso e uma garçonete que, em vez de servir, fica fazendo selfies com as celebridades, o filme transcorre com muito humor até o final inusitado. Assim como foi inusitado o começo, com uma cantora francesa – não descobri qual, mas acho que foi Jacqueline François – cantando “Garota de Ipanema”. Se é ela mesmo, a gravação é de 1964. “Praça Pública” foi exibido na programação oficial do 20º Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em novembro de 2018. Resumo da ópera: trata-se de mais um bom filme de Agnès Jaoui. Uma comédia bem divertida e inteligente.    

sexta-feira, 26 de abril de 2019


“EM TRÂNSITO” (“TRANSIT”), 2018, Alemanha, 1h41m, roteiro e direção de Christian Petzold. A história é inspirada no livro “Transit”, da escritora alemã Anna Seghers (1900/1983). Lançado em 1944, o romance de Seghers é ambientado no início da Segunda Grande Guerra, quando os nazistas ocupavam vários países da Europa. Numa ousada criação, o diretor Petzold (“Barbara” e “Phoenix) adaptou a história para os tempos atuais, onde os invasores não são identificados e as vítimas perseguidas são imigrantes ilegais e, claro, judeus. A trama é centrada no jovem Georg (Franz Rogowski), um imigrante alemão vivendo ilegalmente em Paris. Um amigo da resistência pede a Georg que entregue uma carta a um tal de Weidel, um escritor também fugido da Alemanha. Quando vai ao apartamento dele, Georg descobre que Weidel acaba de se suicidar e pega seus documentos. Daqui para a frente, ele assumirá a identidade de Weidel. Ao chegar a Marselha, onde embarcaria num navio com destino aos Estados Unidos,  Georg conhece Marie (Paula Beer), uma bela mulher que, por uma grande coincidência, é esposa do tal Weidel. Embora ainda espere pelo marido, Marie vive um caso com o médico Richard (Godehard Giese), com o qual pretende fugir para o México. Georg também se apaixona por ela e vice-versa. Marie, portanto, vive uma dúvida cruel: fugir com Richard ou com Georg? O roteiro é bastante complicado, só esclarecendo o espectador sobre o que está acontecendo a partir da metade do filme. Eu mesmo fiquei meio perdido no início. A semelhança entre o ator Franz Rogowski e seu colega norte-americano Joaquim Phoenix é incrível. Os dois, por sinal, têm o lábio leporino. Paula Beer é uma excelente atriz alemã, como já demonstrou no ótimo  “Frantz”, dirigido pelo francês François Ozon. "Em Trânsito" estreou no Festival de Berlim 2018 e também foi exibido no Festival de Veneza do mesmo ano, dividindo a opinião dos críticos. É um filme bastante pretensioso, um tanto difícil de digerir, mas muito interessante. Vale a pena conferir.  

terça-feira, 23 de abril de 2019


“MATE O REI” (“The Shangri-la Suite”), 2016, EUA, escrito e dirigido por Eddie O’Keefe (é seu primeiro longa-metragem; O’Keefe tem apenas 26 anos de idade). O ano é 1974. Jack Blueblood (Luke Grimes) e Karen Bird (Emily Browning), dois jovens delinquentes, se conhecem numa clínica psiquiátrica de reabilitação e se apaixonam. Ao escutar um disco de Elvis Presley de trás para diante, Jack acredita ter ouvido a voz da mãe falecida dizendo “Mate o Rei”. A partir daí, como uma Bonnie e um Clyde modernos, Jack e Karen saem estrada afora matando um monte de gente até chegar a Los Angeles, onde Elvis faria um show. Em paralelo, o filme dedica espaço a mostrar um Elvis (Ron Livingston) decadente, viciado em remédios e extremamente arrogante, com pitadas de uma loucura que chegava aos poucos. Depois de assistir “Mate o Rei”, pesquisei a respeito e não achei nenhum fato relacionado com um possível atentado contra Elvis. Ou seja, o filme é uma ficção, fruto da imaginação do jovem diretor norte-americano. E quem narra a história, in-off, é o falecido ator Burt Reynolds. Integram ainda o elenco a bela Ashley Greene, como Priscila Presley, e Avan Jogia como Teijo Littlefoot, o índio homossexual amigo de Jack. Enfim, a história até que é interessante, a trilha sonora é saborosa e o filme, como um todo, funciona mais como um road-movie, mas o resultado final não chega a entusiasmar.     

segunda-feira, 22 de abril de 2019


“MADMOISELLE PARADIS” (“Licht”), 2017, coprodução Alemanha/Áustria, 1h37m, direção da italiana Barbara Alberti, que também assina o roteiro com Kathrin Resetarits. A história, ambientada na Viena de 1777, foi inspirada em fatos reais. Aos 18 anos, cega de nascença, Maria Therasia von Paradis (Maria-Victoria Dragus) fazia sucesso como pianista, uma verdadeira virtuose, que encantava os salões da aristocracia austríaca, incluindo a corte real. Mas Paradis mostrava-se infeliz com sua deficiência, ameaçando não tocar mais. Os pais, também membros da aristocracia de Viena, resolveram levá-la à clínica do dr. Franz Anton Mesmer (David Striesow), que na época conseguira alguns avanços na recuperação de deficientes visuais com métodos que lembram muito o Reiki, embora este tenha sido criado em 1922 pelo monge budista Mikao Usui. O roteiro reserva grande espaço para mostrar o tratamento utilizado por Mesmer, sua relação com Paradis e, por fim, a cura de sua famosa paciente. Só que teve um porém: ao se ver curada da cegueira, a jovem começa a perder sua virtuosidade musical. Há vários motivos que fazem deste drama alemão um excelente filme. A começar pelo impressionante desempenho da jovem atriz romena Maria-Victoria Dragus, digno de Oscar. Além disso, o filme destaca-se também pela excelente fotografia, pela belíssima direção de arte e pela caprichada recriação de época, sem falar na ótima história. Um filme que merece ser visto.     

domingo, 21 de abril de 2019


“APOSTASIA” (“APOSTASY”), 2017, Inglaterra, 93 minutos, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Daniel Kokotajlo. O filme tem como pano de fundo os dogmas e a doutrina das Testemunhas de Jeová. A história é centrada numa mãe divorciada, Ivanna (Siobhan Finneran), e suas filhas Alex (Molly Wright) e Luisa (Sasha Parkinson), que seguem a religião. Ivanna frequenta as reuniões nos “Salões do Reino” e leva as filhas, obrigando-as a seguir à risca os princípios da religião e as orientações dos anciões (equivalente a padres, rabinos ou pastores). A filha Alex, por ter recebido uma transfusão de sangue quando era bebê, o que é proibido pela religião, carrega essa culpa e dedica-se fervorosamente para se tornar apta a ser uma verdadeira testemunha de Jeová. Luisa, a filha mais velha, é mais contestadora e questiona muitos dos ensinamentos dos anciões. Quando Luisa fica grávida do namorado, Ivanna vê sua família ruir, pois é obrigada a renegar a filha e proibida, juntamente com Alex, de se “socializar” com ela. Além disso, para aumentar ainda mais o sofrimento de Ivanna, os anciões não permitem que Luisa frequente as reuniões. O destino também reserva um fato trágico envolvendo a filha mais nova Alex. O que se pode deduzir da história é que tenha sido uma crítica contundente do diretor Kokotajlo à doutrina das Testemunhas de Jeová. E ele sabe do que está falando, já que chegou a ser também um adepto. “Apostasia” é um filme bastante interessante e tem como destaque, além da história, a ótima interpretação das atrizes principais.     

quarta-feira, 17 de abril de 2019


“ESTRADA SEM LEI” (“The Highwaymen”), 2018, EUA, 2h12m, direção de John Lee Hancock e roteiro de John Fusco, produção da Netflix (estreou no Brasil dia 29 de março de 2019). O filme conta a história dos acontecimentos que antecederam o tiroteio que levou à morte a dupla Bonnie e Clyde, casal que aterrorizou as cidades da região central dos Estados Unidos no início dos anos 30, roubando bancos e estabelecimentos, além de assassinar vários civis e policiais. “Estrada Sem Lei” apresenta os fatos sob o ponto-de-vista da lei, ou seja, a estratégia policial que culminou com a morte dos lendários marginais, ao contrário do clássico de 1967 “Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas”, de Arthur Penn, com Faye Dunaway como “Bonny” e Warren Beatty como “Clyde”, onde o foco central é o casal de bandidos. Em “Estrada Sem Lei”, o diretor John Lee Hancock (“Fome de Poder”, “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” e “Um Sonho Possível”) esconde a fisionomia do casal, revelando-a apenas no desfecho. O filme começa em 1934 com uma reunião no escritório da governadora do Texas, Miriam Ferguson, durante a qual ela cobra da polícia estadual a captura do casal, que há cerca de quatro anos praticava assaltos e assassinatos. Como nem sua polícia nem o FBI conseguiam localizar e prender os dois criminosos, a governadora acaba concordando com a sugestão de um de seus principais assessores: convocar dois policiais aposentados que pertenciam à Texas Ranger Division. Dessa forma, Frank Hamer (Kevin Costner) e Maney Gault (Woody Harrelson), duas figuras lendárias dos Rangers, entram em ação comandando toda a estratégia que levaria à perseguição e assassinato dos dois marginais. Destaque para o trabalho dos dois atores veteranos, principalmente Harrelson, e também para a primorosa recriação de época – veículos, figurinos, cenários e as armas. O roteiro ainda abre espaço para relembrar o fascínio que grande parte da população norte-americana tinha pela dupla, chamada de "Robbyn Woods modernos". As roupas de Bonnie, por exemplo, viraram moda instantânea na época, principalmente a boina. A popularidade dos dois pode ser medida pelo número de pessoas (simpatizantes e fãs) que compareceram ao seu funeral: mais de 20 mil. Nos créditos finais, o filme exibe fotos verdadeiras dos principais protagonistas da história. Filmaço!        

segunda-feira, 15 de abril de 2019


“DIREÇÃO EXPLOSIVA” (“STEIG. NICHT. AUS!”), 2018, Alemanha, 1h49m, roteiro e direção de Christian Alvart. Filme de suspense, com muita tensão do começo ao fim. A história começa com Karl Brendt (o astro alemão Wotan Wilke Möhring) antecipando seu retorno a Berlim depois de uma viagem de negócios – ele é diretor de uma grande empresa do ramo imobiliário. Karl queria fazer uma surpresa para a esposa Simone (Christiane Paul) no dia em que o casal comemoraria seus 15 anos de casamento. Esse dia, porém, reservaria uma série de acontecimentos desagradáveis que fizeram Karl desejar não ter antecipado a viagem. Durante o caminho em que levava seus dois filhos adolescentes para o colégio, Karl recebe uma ligação de um homem que ameaça explodir seu automóvel se não depositar em sua conta uma vultosa quantia em dinheiro. O maluco instalou uma bomba sob cada banco do veículo de modo a não permitir que ninguém se levante, pois, caso contrário, o acionamento é imediato e “Pum!”. O desespero toma conta de Karl e de seus dois filhos, sentados no banco de trás. Karl faz de tudo para arranjar o dinheiro, tarefa quase impossível por causa da situação. Para aumentar ainda mais o sofrimento, a cada minuto o maluco ameaça explodir as bombas por controle remoto. Como desgraça chama desgraça, durante o episódio Karl descobre um segredo terrível sobre a esposa, recebe a notícia de sua demissão e ainda por cima é perseguido pela polícia berlinense como sequestrador dos próprios filhos. Ou seja, é ação e suspense o tempo inteiro. Entretenimento dos melhores.       

domingo, 14 de abril de 2019



“BAYONETA”, coprodução México/Finlândia e Netflix (estreou aqui no Brasil dia 29 de março de 2019), 1h35m, roteiro e direção de Kyzza Terrazas (é o seu segundo longa-metragem; o primeiro foi “El Lenguaje de Los Machetyes”, de 2011). A história é centrada no ex-lutador de boxe Miguel “Bayoneta” Galindez, que abandonou os ringues e foi para a Finlândia trabalhar como treinador numa academia. Começa o filme com “Bayoneta” (Luis Gerardo Méndez) entrando no vestiário após uma luta nos Estados Unidos. Chorando sem parar, esmurrando armários e se xingando, ele lamenta o que aconteceu na luta. Teria perdido um título ou uma luta importante? O diretor Terrazas deixa a resposta para o final. Até lá, o filme acompanha a rotina diária do ex-lutador mexicano na capital finlandesa Helsinque, para onde se mudou há cerca de cinco anos, logo após aquela fatídica luta. Ele deixou em Tijuana, no México, a mulher e a filha. No frio de Helsinque, de congelar foca, “Bayoneta” passa os dias treinando jovens lutadores na academia e à noite costuma frequentar os bares, bebendo sem parar, ainda sofrendo com o trauma daquela luta de cinco anos atrás. Quando a academia em que trabalha fica ameaçada de fechar, “Bayoneta” resolver voltar a lutar para levantar uma grana. Seu amigo Denis (Brontis Jodorowsky), colega de academia, é contra o seu retorno aos ringues, mas mesmo assim topa ser seu treinador. O ator mexicano Luis Gerardo Méndez treinou durante cinco meses para fazer o papel de “Bayoneta”. Nas cenas de luta ele se sai muito bem, mesmo sem nunca ter subido num ringue. Não foi o melhor filme sobre boxe que já assisti, mas sem dúvida é muito bom.