quarta-feira, 4 de julho de 2018


“O PASSAGEIRO” (“THE COMMUTER”), 2018, EUA. Mais um filme de ação com o astro irlandês Liam Neeson, o quarto em parceria com o diretor espanhol Jaume Collet-Serra (já tinham feito juntos “Sem Escalas”, “Noite sem Fim” e “Desconhecido”). Liam é Michael MacCauley um ex-policial que trabalha numa empresa de seguros. Depois de receber a notícia de sua demissão, ele volta para casa remoendo a dúvida se conta ou não a verdade à esposa (Elizabeth McGovern). No trem que costuma pegar todos os dias para ir ao trabalho e depois voltar para casa, MacCauley é abordado por uma mulher misteriosa que diz se chamar Joanna (a sempre bonita e charmosa Vera Farmiga), que lhe oferece 100 mil dólares para localizar um passageiro que está num dos vagões. Joanna só fornece uma referência: o tal passageiro está utilizando uma mochila. De início, MacCauley não topa a parada, mas a grana é muito boa para ser recusada, principalmente depois de perder o emprego, e então ele passa a percorrer os vagões tentando localizar o desconhecido – a razão para a oferta só será revelada no final. E dá-lhe ação, muito suspense, telefonemas ameaçadores, correrias, socos, assassinatos, enfim, um teste e tanto para o sexagenário ator, de 65 anos. Há excelentes sequências de ação, daquelas de derrubar o saquinho de pipoca ou amassar o braço da poltrona. O diretor Collet-Serra é especialista no assunto, como comprovam seus filmes com Neeson e também os ótimos “A Órfã” e “Águas Rasas”. Também estão no elenco Sam Neil, Patrick Wilson, Ella Rae Smith e Clara Lago. Se Neeson já foi herói num avião (“Sem Escalas”) e agora num trem, sugiro ao diretor espanhol que, em seu próximo filme, coloque o ator irlandês para salvar vidas num morro do Rio de Janeiro. Aí é que eu quero ver!                          

segunda-feira, 2 de julho de 2018


“AS MARAVILHAS” (“LE MARAVIGLIE”), 2014, Itália, roteiro e direção de Alice Rohrwacher. A história se concentra numa família que mora na zona rural da Úmbria, região da Toscana. Wolfgang (Sam Louwyck) e Angélica (Alba Rohrwacher, irmã da diretora) e mais as quatro filhas se sustentam como apicultores, na produção artesanal de mel. O filme é centrado basicamente na figura de Gelsomina (a ótima atriz estreante Maria Alexandra Lungu), a filha mais velha e, por isso mesmo, mais cobrada pelo pai autoritário. Wolfgang, aliás, embora trabalhe bastante, de vez em quando tenta um negócio diferente, sempre perdendo dinheiro. Sua última empreitada esquisita foi a compra de um camelo. O filme mostra basicamente a rotina diária da família, tanto no trabalho como nas horas de lazer. Em meio a esse contexto surge a equipe de produção de um programa televisivo chamado “Ilha das Maravilhas”, cuja apresentadora é chamada de Milly Catena (ninguém menos do que a diva Monica Bellucci!). O programa promove um concurso para premiar famílias empreendedoras e Gelsomina inscreve a sua, a contragosto do pai. Este foi o segundo longa-metragem escrito e dirigido por Alice Rohrwacher, que se inspirou na história da própria família, que morou naquela região e cujo pai também era apicultor. Para definir o que achei do filme, vou reproduzir uma frase do crítico Lucas Salgado, do site Adoro Cinema: “É difícil se empolgar, mas também é difícil não se envolver”. Para ilustrar ainda mais meu comentário, acrescento que o filme foi premiado em vários festivais pelo mundo afora, incluindo o de Sevilha e de Munique. No Festival de Cannes, ganhou o Grande Prêmio do Júri. Não digo que seja imperdível, mas é muito bom.                            

domingo, 1 de julho de 2018


“A FILHA DO PATRÃO” (“La Fille du Patron”), 2015, França, longa-metragem de estreia como roteirista e diretor do ator Olivier Loustau, que também atua nesta comédia dramática romanceada. Vital (Loustau) é funcionário de uma empresa têxtil de médio porte. Um dia, o empresário Baretti resolve encomendar um estudo de ergonomia com o objetivo de melhor as condições de trabalho na sua indústria, promovendo a interação entre o homem e a máquina e, assim, aumentar o nível de segurança dos trabalhadores. Esse trabalho será desenvolvido pela jovem e bonita Alix (Christa Theret), especialista no assunto. A primeira etapa do seu trabalho é conhecer o funcionamento das máquinas e escolher, entre os funcionários, aquele que servirá à sua pesquisa como cobaia. É justamente Vital o escolhido. Vai demorar para o pessoal da fábrica, inclusive Vital, descobrir que Alix é, na verdade,  nada mais nada menos que a filha de Baretti, ou seja, a filha do patrão. Além de um previsível romance entre Vital e Alix – embora Vital seja casado e mais velho -, o filme também dá destaque ao time de rúgbi da fábrica, formado por barrigudos parrudos e tendo Vital como técnico. As melhores cenas de humor são justamente aquelas em que o pessoal está treinando para disputar o campeonato operário da cidade. Mas é o romance proibido entre Vital e a filha do patrão o foco principal desta produção francesa, que não é tão boa quanto parece nem tão ruim para deixar de ser recomendada. Coluna do meio!                           

sábado, 30 de junho de 2018


“DARK CRIMES” (este é o título original; não imagino que tradução terá por aqui, se vier), 2016, coprodução EUA/Inglaterra/Polônia. Você verá um Jim Carrey totalmente diferente, a muitas milhas de distância do comediante que estávamos acostumados a ver em tantas comédias, a últimas delas “Debi & Lóide 2”, de 2014. Neste seu novo filme, além do semblante sempre sério – não dá um sorriso o filme inteiro -, Carrey está usando barba, cabelos ralos ao estilo “Fundação Casa” e visivelmente com alguns quilos a mais. A história é totalmente ambientada em Varsóvia (Polônia). Carrey interpreta o detetive Jake Tadek, obcecado por resolver um assassinato praticado contra um cliente de um clube de prostituição. Ao investigar o caso, o policial conclui que o principal suspeito é Krystov Kozlow (Marton Csokas), um escritor de livros policiais. Num deles, ele descreve um assassinato com detalhes muito parecidos com aqueles apurados na cena do crime investigado por Tadek. Ao vigiar o seu suspeito, Tadek conhece a misteriosa Kasia (a atriz francesa Charlotte Gainsbourg), namorada de Koslow, que trabalha no tal clube e gosta de apanhar durante o sexo. Kozlow finalmente confessa o crime, mas Tadek não acredita que ele seja o verdadeiro assassino, que será conhecido apenas no desfecho, numa surpreendente reviravolta. O filme foi dirigido pelo grego Alexandros Avranas (“Miss Violence”) e o roteiro escrito por Jeremy Brock, que se baseou num artigo do jornalista David Grann intitulado “True Crime: A Post Modern Murder Mistery”, publicado na revista norte-americana New Yorker. O filme é bastante interessante, tem o roteiro bem elaborado e suspense na dose certo, prendendo a atenção do espectador do começo ao fim. Um bom programa para quem curte o gênero policial e uma excelente oportunidade para conhecer um Jim Carrey totalmente diferente. Aliás, sua atuação é muito boa.                       

quinta-feira, 28 de junho de 2018


“7 DIAS EM ENTEBBE” (“7 Days in Entebbe”), 2018, EUA, direção do brasileiro José Padilha, em sua mais recente incursão em Hollywood depois de “RoboCop”, de 2014. Como todo mundo sabe, Padilha ficou consagrado depois dos dois filmes da saga “Tropa de Elite”. O filme relembra o sequestro de um avião da Air France que decolou de Tel-Aviv (Israel) com destino a Paris, em julho de 1976. No meio do caminho, foi sequestrado por terroristas simpáticos à causa palestina, entre os quais dois alemães pertencentes à organização guerrilheira alemã de extrema esquerda Baader Meinhof, e levado para Entebbe, na Uganda, país na época dirigido pelo general ditador maluco Idi Amin Dada. Como exigência para soltar os reféns, eles exigiam a libertação de terroristas alemães e palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia. O restante da história é bastante conhecido. O governo de Israel enviou uma tropa de elite (olha aí, Padilha) de seu exército para resgatar os passageiros judeus em pleno solo ugandense, operação concluída com sucesso. Ao contrário do que muita gente pode pensar, não se trata de uma refilmagem de “Vitória em Entebbe”, lançado em dezembro de 1976, pois Padilha preferiu contar a história sob o ponto de vista dos terroristas. No elenco do filme de Padilha estão Daniel Brühl, Rosamund Pike, Eddie Marsan e Lior Ashkenazi. “7 Dias em Entebbe” estreou durante o 68º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2018, e foi massacrado pela crítica especializada. Não achei tão ruim, principalmente por relembrar um fato tão importante da história mundial do século XX. Dá para assistir numa boa, pois tem muito suspense e uma ótima cena de ação no desfecho.                  


Tem muita gente que torce o nariz ao se deparar com um filme asiático. Não sabe o que está perdendo. Exemplo? O drama sul-coreano “CANOLA” (“GYECHUN HALMANG”), 2016, roteiro e direção de Chang (pseudônimo de Yoon Hong-Seung). O filme conta a comovente história de Gye Choon (Youn Yuh Jung), de 71 anos, que cria a neta Hye Ji, de 3 anos, numa casa modesta na ilha de Jeju. Há muitos anos que Choon trabalha como uma “haenyeo”, como são conhecidas as mergulhadoras da Ilha que sustentam suas famílias com a pesca de maricos, algas marinhas e abalones. A ligação entre a neta e a avó é muito forte, tanto que não se desgrudam nunca. Só que um dia Choon perde a criança no tumultuado mercado local. Durante os doze anos seguintes, Choon tenta descobrir, sem sucesso, o paradeiro de Hye Ji, até que um dia chega à ilha uma moça (Kim Go Eun) que afirma ser sua neta desaparecida. Com muita alegria, Choon acolhe a moça como sua verdadeira neta, a despeito da desconfiança dos vizinhos. Choon não quer saber se a moça é ou não sua verdadeira neta e dedica o mesmo amor como se fosse. O filme é dirigido com grande sensibilidade por Chang, proporcionando momentos bastante comoventes, graças, principalmente, à incrível interpretação da lendária atriz sul-coreana Youn Yuh Jung, de “A Visitante Francesa” e “A Dama de Baco”, entre tantos outros filmes. Se o filme é ótimo por si só, fica muito melhor com a veterana atriz. Só ela vale o ingresso. Não perca!             

quarta-feira, 27 de junho de 2018


Quem é bem informado ou quem tem mais de sessenta anos vai lembrar de um dos mais famosos acontecimentos dos anos 70: o sequestro de John Paul Getty III, neto do bilionário John Paul Getty, por décadas o homem mais rico do planeta. O caso, ocorrido em 1973 e que ficou famoso por causa da orelha cortada do garoto, está contado em detalhes em “TODO O DINHEIRO DO MUNDO” (“ALL THE MONEY IN THE WORLD”), 2017, EUA, direção de Ridley Scott e roteiro de David Scarpa, que adaptou a história do livro biográfico escrito por John Pearson. O sequestro do jovem Getty (Charlie Plummer) aconteceu em Roma, na Itália, e foi executado por bandidos amadores - que depois o venderiam para profissionais. O avô Getty Christopher Plummer) não quis negociar com os sequestradores, para desespero da mãe Gail Harris (Michelle Williams), e a coisa ficou ruim para o rapaz, que acabou com a orelha cortada – aliás, a cena é bem chocante. O bilionário encarrega Fletcher Chase (Mark Wahlberg), ex-agente da CIA e um de seus funcionários de maior confiança, da missão de negociar com os sequestradores. Com um detalhe: não pagar nenhum resgate. O filme conta em detalhes os bastidores das negociações, os atritos entre o bilionário mesquinho e sua nora Gail, o sofrimento do jovem Getty no cativeiro e tudo o que rolou de mais interessante durante aquele que é considerado o sequestro mais famoso do Século XX. Além do assunto enfocado, esquecido há décadas, o filme foi lançado com uma grande polêmica. Depois do filme praticamente pronto, Kevin Spacey, que fazia o papel o avô bilionário, foi substituído por Christopher Plummer e muitas cenas tiveram que ser refilmadas. Como todo mundo sabe, Spacey entrou na lista negra de Hollywood depois de ser acusado de assédio sexual. A refilmagem foi trabalhosa, mas valeu a pena, pois o veterano Christopher Plummer dá um show de interpretação, o que lhe garantiu uma indicação ao Oscar 2018 de Melhor Ator (ganhou Gary Oldman, por “O Destino de uma Nação"). Como diziam antigamente na televisão, o diretor britânico Ridley Scott “dispensa apresentações”. Realmente, realizou mais um excelente filme, com destaque para a recriação de época – a cena inicial na Roma de 1973, com o jovem Getty passando pela Fontana Di Trevi, é uma clara referência ao clássico “La Dolce Vita”, do grande Fellini. Outro clássico do cinema, “Lawrence de Arábia”, também tem uma referência explícita. Lembro que o diretor Ridley Scott foi responsável por filmes de grande sucesso, a começar por “Blade Runner, O Caçador de Andróides”, além de “Hannibal”, “Alien – O Oitavo Passageiro”, “Thelma & Louise” “Perdido em Marte” e “Falcão Negro em Perigo”. Para terminar, lembro também que o ator Charlie Plummer, que faz o jovem Getty, por incrível que pareça não tem nenhum parentesco com o Christopher avô. Resumo da ópera: “Todo o Dinheiro do Mundo” é ótimo. Melhor: Imperdível!      

sábado, 23 de junho de 2018


Confesso que conheço muito pouco do cinema da Estônia. Devo ter assistido a alguns e lembro de dois em especial, muito bons aliás: “Tangerinas” e “Na Ventania”, ambos de 2014 e comentados no meu blog. Embora a produção cinematográfica do país báltico seja bastante acanhada – de dez a vinte filmes por ano -, alguns de seus filmes são consagrados pela crítica especializada e premiados em festivais pelo mundo afora. O drama “TEESKELEJAD” (2016), primeiro longa do diretor Vallo Toomla, por exemplo, foi selecionado para ser exibido na programação oficial do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián (Espanha), um dos mais importantes do mundo cinematográfico. O filme é um drama bastante pesado, com pitadas de suspense, envolvendo o casal Anna (Mirtel Pohla) e Juhan (Príít Vöigemast). Em crise no casamento, eles combinam passar um final de semana sozinhos para tentar uma reconciliação. Um amigo do casal empresta uma casa bastante confortável à beira do mar. A gente logo percebe que a situação só tende a piorar, principalmente pelo comportamento irascível de Anna. Se a relação já não está boa, fica pior ainda quando Anna, sem o consentimento de Juhan, convida Erik (Meelis Rämmeld) e Trin (Mari Abel), um casal de mochileiros, para usufruir da casa e aproveitar de todas as suas mordomias. Anna continua insuportável e decide lavar a roupa suja na  frente dos dois convidados, humilhando o marido, o que ajuda o clima a ficar ainda mais pesado, até chegar à fase de agressões mútuas e até tentativa de assassinato. Aí o suspense rola solto, com uma boa dose de violência. Sem muito apelo comercial, o filme certamente não chegará por aqui, a não ser, quem sabe, em DVD. Por isso, não há um título disponível em português (a tradução literal é “Professores”, que não tem nada a ver com a história – nos países de língua inglesa, o título ficou “Pretenders”, que também não tem nada a ver). O filme é mais interessante do que bom. De qualquer forma, vale a pena conferir.      

quinta-feira, 21 de junho de 2018


“O CADERNO DE SARA” (“El Cuaderno de Sara”), produção Netflix (estreou dia 29 de maio de 2018), direção de Norberto López Amado (“La Decisión de Júlia”), com roteiro de Jorge Guerricaechevarria. Muita aventura, suspense e ação nesta ótima produção espanhola de 2018. A história é centrada na advogada Laura Alonso (a ótima atriz espanhola Belén Rueda), que há dois anos não tem notícia da irmã Sara (Marián Ávarez), que saiu de Madrid para participar de um projeto humanitário de uma Ong na República Democrática do Congo, um dos países mais violentos da África Central. Depois de tanto tempo sem notícia, a família de Sara já estava acreditando que ela só poderia estar morta. A esperança disso não ter acontecido veio por intermédio de uma foto publicada num jornal espanhol onde Sara aparece viva num acampamento de de uma milícia de rebeldes. Foi o suficiente para Sara arrumar as malas e partir para o Congo a fim de resgatar a irmã, com a ajuda de uma equipe de jornalistas e com a proteção de soldados das forças de paz da ONU. Mesmo com toda essa retaguarda, Sara enfrentará muitos perigos pelo caminho, arriscará sua vida e verá muita violência e assassinatos. Enfim, conhecerá a realidade de um país pobre e em constante conflito.  Descobrirá também que todos brigam, na verdade, não por uma ideologia política, mas por pura ganância, ou seja, a conquista das minas de coltan, do qual se extrai minerais valiosos como o nióbio e o tântalo. O filme teve locações na República de Uganda e na Ilha de Tenerife. As cenas são bastante realistas, algumas muito fortes, a história tem muita ação e suspense, fazendo desta produção espanhola um ótimo programa na telinha.

quarta-feira, 20 de junho de 2018


Fantasmas, muitos sustos, humor na dose certa e uma boa história, por incrível que pareça baseada em fatos reais. Todos esses ingredientes estão no ótimo “A MALDIÇÃO DA CASA WINCHESTER” (“Winchester”), 2018, EUA/Austrália, uma grata surpresa no gênero terror. Escrito e dirigido pelos irmãos Peter e Michael Spierig (“Jogos Mortais: Jigsaw”, “O Predestinado” e “Canibais”), o filme conta a história incrível de Sarah Winchester (Helen Mirren), que no início do Século XX, com a morte do marido, virou herdeira da lendária fábrica de armas e encarregada de tocar o negócio. Sua capacidade de gestão, porém, é contestada pelo conselho administrativo da empresa, depois que ela passou a gastar milhões para reformar uma mansão com mais de 700 portas, alegando que era para prender os fantasmas, a maioria deles vítimas das armas fabricadas pela empresa. O conselho decide contratar o psiquiatra Eric Price (Jason Clarke) para elaborar um laudo psicológico de Sarah. A chegada do médico à mansão, juntamente com Marion Marriott (Sarah Snook), sobrinha da viúva, desencadeia uma série de acontecimentos sobrenaturais, incluindo a aparição de fantasmas, objetos se movimentando sozinhos etc., garantindo muitos sustos e proporcionando uma ótima diversão. Fazia tempo que eu não assistia um filme de terror tão bom. Quem gosta do gênero vai curtir do começo ao fim. Imperdível!

                                                                                                                                               

terça-feira, 19 de junho de 2018


“ISTO SÓ A MIM!” (“Retour Chez Ma Mère”), 2016, França, 1h37m, roteiro e direção de Eric Lavaine (“Sobre Amigos, Amor e Vinho”). Trata-se de uma comédia despretensiosa e muito agradável de assistir, com ótimos diálogos bem-humorados e situações muito engraçadas. Enfim, tudo o que uma boa comédia deve proporcionar. A arquiteta Stéphanie (Alexandra Lami) perde o emprego e fica sem grana para pagar o aluguel. Diante da situação, é obrigada a voltar a morar com a mãe, Jacqueline Mazerin (Josiane Balasko). Só que não sabe que Jacqueline está tendo um caso com o vizinho Jean (Didier Flamand). Com a filha morando com ela, Jacqueline terá que inventar tudo que é truque para encontrar com o namorado. Stéphanie acaba notando que o comportamento da mãe está muito esquisito e começa a desconfiar que ela está com Alzheimer. Aí a confusão está armada e fica pior ainda quando Jacqueline reúne Stéphanie e seus dois outros filhos, Nicolas (Philippe Lefebvre) e Carole (Mathilde Seigner), para um jantar em família, durante o qual pretende contar sobre seu romance com Jean. O relacionamento entre os irmãos nunca foi muito bom, e a roupa suja vai ser lavada justamente durante o jantar, para desespero de Jacqueline. Na sua segunda metade, o filme perde um pouco o tom de comédia, mas sem prejudicar o resultado final. Trata-se, portanto, de um ótimo entretenimento. O que destoou, na verdade, foi a tradução que escolheram para o título em português, que não quer dizer nada, pois o título original, em tradução literal, é “De Volta a Casa da Minha Mãe”.                                                                                                                                                          



segunda-feira, 18 de junho de 2018


“A BOA ESPOSA” (“DOBRA ZENA”), 2016, coprodução Sérvia/Bósnia/Croácia, é um excelente drama cujo maior destaque é a magistral atuação da veterana atriz sérvia Mirjana Karanovic, que também é a roteirista e diretora do filme – é o seu primeiro longa-metragem nessa dupla função. Mirjana está na pele de Milena, uma dona de casa dedicada totalmente à família. Sua rotina não muda há anos: preparar e servir o café da manhã, fazer faxina, cozinhar, lavar, passar e ainda, à noite, atender aos desejos sexuais de Vlada (Boris Isakovic), o marido, um ex-oficial do exército sérvio com papel marcante na guerra civil que atingiu a Iugoslávia na metade da década de 90. Numa consulta de rotina, Milena descobre que está com um tumor no seio. Para piorar, numa faxina que fez no porão da casa, ela acha uma antiga fita VHS escondida entre vários objetos. Ao projetá-la, Milena dá de cara com terríveis cenas de tortura e assassinato nas quais o marido aparece com destaque. E agora, o que “a boa esposa” fará a respeito? Deixo a resposta em aberto para quem quiser descobrir este grande filme. Só para ilustrar meu comentário, por esse filme Mirjana foi eleita a melhor atriz do Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Imperdível!!
                                                                                                                                                         

domingo, 17 de junho de 2018


Representante oficial da Noruega na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, “THELMA” é um misto de drama, suspense, terror psicológico e romance. A história é centrada na jovem Thelma (Eili Harboe), que sai de sua cidadezinha no interior para estudar Biologia na capital Oslo. Morando sozinha pela primeira vez, longe da opressão da família religiosa e conservadora, Thelma terá que conviver com os fenômenos sobrenaturais que a acompanham desde criança e que ocasionaram uma tragédia na família. Quando está chateada, Thelma sofre ataques de epilepsia que nem os médicos conseguem descobrir a causa. De vez em quando, uma energia incontrolável toma conta dela, o que a faz atrair pássaros e cobras. Em Oslo, a jovem conhecerá o sexo pela primeira vez com Anja (Kaya Wilkins), sua colega de classe, pela qual se apaixona. O filme, escrito e dirigido por Joachim Trier, o mesmo de “Mais Forte que Bombas” e “Oslo, 31 de Agosto”, é bastante interessante, chegando a ser comparado pelos críticos ao clássico do terror “Carrie, A Estranha”, de 1976. Recomendo.                    

sábado, 16 de junho de 2018


Produção original da Netflix, “DÍVIDA PERIGOSA” (“The Outsider”) estreou no dia 9 de março de 2018. Como as demais produções assinadas pela Netflix, dificilmente chegará a ser exibida no circuito comercial. É um filme de gângsters, no caso pertencentes à temida máfia japonesa Yakuza da cidade de Osaka. A história é ambientada no início da década de 50, ou seja, logo após a 2ª Guerra Mundial. O personagem central é Nick Lowell (Jared Leto), um oficial do exército norte-americano que está preso numa penitenciária japonesa desde o final da guerra. Na prisão, Nick faz amizade com Kyoshi (Tadanobu Asano), membro da Yakuza, a quem ajuda num plano de fuga. Ao ser libertado, Nick é convidado por Kyoshi a ingressar na organização criminosa e logo cai nas graças do chefão Akihiro (Min Tanaka), causando inveja a outros integrantes da “família”, que o chamam de “gaijin” (estrangeiro). Para ser aceito na organização, Nick é obrigado a passar por alguns testes bastante dolorosos, além de mostrar coragem em várias situações de perigo, uma delas ao namorar a bela Miyu (Shioli Kutsuna), justamente a irmã mais nova de Kyoshi. E, pior, ex-namorada de um membro nada simpático da Yakuza. No meio de toda essa confusão, uma guerra pelo comando de Osaka é declarada entre a “família” de Nick e outra igualmente poderosa. A partir daí, muita violência explícita, tiros e gargantas cortadas. Para quem gosta do gênero, o filme pode agradar em cheio. O ator norte-americano Jared Leto, mais conhecido a partir do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 2014 pelo personagem de um travesti em “Clube de Compras Dallas”, passa o filme falando pouco, trabalhando apenas com olhares e tentando dar uma de macho o tempo inteiro, o que não combina muito com sua carinha de bom menino. A despeito das críticas pouco elogiosas, confesso que gostei do filme, achei muito bem feito e com bastante ação. Méritos para o roteirista e diretor dinamarquês Martin Peter Sandvliet, o mesmo do espetacular “Terra de Minas”. Aproveitando a ocasião, termino meu comentário com uma informação bastante interessante. O nome Yakuza foi criado a partir da sequência numérica 8-9-3 (Ya-Ku-Za), considerada a pior do baralho típico japonês, similar ao Blackjack.
                   

quinta-feira, 14 de junho de 2018


Baseado em fatos reais, o drama francês “CARBONE”, 2017, relembra um dos maiores golpes financeiros aplicados na Europa a partir da França, que ficaria famoso como “A Fraude do Século”. Aconteceu entre os anos de 2008 e 2009, quando o empresário francês Antoine Roca (Benoît Magimel), afundado em dívidas e prestes a decretar a falência de sua empresa, teve a ideia de um esquema que lesou a França e a União Europeia em milhões de euros. Antoine, assessorado tecnicamente por seu contador, estabelecia empresas de fachada e, por intermédio delas, comprava créditos de carbono (CO2) de empresas no Exterior com isenção de impostos. Depois, vendiam esses créditos pelo mesmo preço, mas cobrando impostos. Com o lucro garantido, eles providenciavam o imediato fechamento das tais empresas. Tudo isso é muito complicado de entender no filme, mas foi mais ou menos isso que eu consegui captar. Para conseguir dinheiro para colocar em prática seu plano diabólico, Antoine contraiu um grande empréstimo de um poderoso e violento mafioso árabe, Kamel Dafri (Moussa Maaskri). Este seria seu maior erro, além da sociedade que fez com dois irmãos de uma família judia, um deles completamente irresponsável e sempre drogado. Antoine poderia ter obtido um financiamento com seu sogro, o milionário Aron Goldstein (Gérard Depardieu), mas este exigiu em troca ficar com a guarda definitiva do neto, condição negada por Antoine. Em meio a toda essa situação, o filme envereda pelo caminho do suspense policial violento, gênero que o roteirista e diretor Olivier Marchal domina com muita competência, basta lembrar dos ótimos “Não Conte a Ninguém” e “Pacto de Sangue”. Resumo da ópera: “Carbone” é um bom entretenimento, embora exija um grande esforço por parte dos neurônios. E mais: Benoît Magimel é um senhor ator.                      

terça-feira, 12 de junho de 2018


Eu já era fã de carteirinha da atriz Annette Bening. Sempre a achei uma das melhores.  Minha admiração cresceu ainda mais depois de assistir ao drama inglês “ESTRELAS DE CINEMA NUNCA MORREM” (“Film Stars don’t Die in Liverpool”), 2017. Annette vive a atriz norte-americana Gloria Grahame (1923-1981) em seus últimos anos de vida, quando namorou o jovem ator inglês Peter Turner (Jamie Bell), muitos anos mais moço. Pois foi justamente Turner quem escreveu o livro de memórias que serviu de base para o roteiro do filme, escrito por Matt Greenhalgh. Ou seja, a história é totalmente baseada em fatos reais, destacando a paixão que uniu uma veterana atriz esquecida e um jovem ator promissor. Dirigido com sensibilidade pelo diretor escocês Paul McGuigan (“Victor Frankenstein”), o filme traz Annette mais uma vez em estado de graça numa atuação deslumbrante. O ator inglês Jamie Bell, que ficou conhecido por seu trabalho no ótimo “Billy Elliot”, de 2000, dá conta do recado como o namorado apaixonado da atriz decadente.  Só para lembrar, Gloria Grahame foi uma atriz de grande sucesso em Hollywood nas décadas de 40 e 50, quando atuou em filmes como “A Felicidade não se Compra”, “No Silêncio da Noite” e “Assim Estava Escrito”, pelo qual ganhou, em 1953, o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.                      

domingo, 10 de junho de 2018


“LOU” (“Lou Andreas-Salomé”), Alemanha/Áustria, 2016, marca a estreia no roteiro e direção de Corula Kablitz-Post, mais conhecida como diretora de documentários para a TV alemã. O filme, baseado em fatos reais, conta a história da psicanalista, filósofa e romancista Lou Andreas-Salomé, russa nascida em São Petersburgo numa família abastada e que desde jovem era fanática pelos filósofos gregos, os quais estudou a fundo. Lou era uma mulher fascinante, muito à frente do seu tempo. Despertou paixões e foi amante de homens como os filósofos Friedrich Nietzsche e Paul Rée, assim como do poeta Rainer Maria Rilke. Como psicanalista, influenciou ninguém menos do que Sigmund Freud, de que foi aluna, amiga e colaboradora. O roteiro é baseado nas memórias de Lou, que resolveu, aos 72 anos, já bastante doente, contar todos os detalhes ao jovem filólogo Ernest Pfeiffer. O elenco é ótimo: Katharina Lorenz (Lou adulta), Nicole Heesters (Lou idosa), Liv Lise Fries (Lou jovem), Phlipp Haub (Pau Rée), Julius Feldmeier (Rilke), Alexander Scheer (Nietzsche), Merab Ninidze (Friedrich Carl Andreas), Mattias Lear (Ernest Pfeiffer) e Harald Schrott (Freud). O filme é excelente, e nem mesmo os inúmeros diálogos de muita erudição e citações filosóficas conseguem prejudicar o ritmo, sem em nenhum momento cair na monotonia. A recriação de época, incluindo os figurinos, é primorosa. Para quem gosta de exercitar os neurônios e ampliar o seu nível de cultura, “Lou” é um filme simplesmente imperdível.                      

sábado, 9 de junho de 2018


A atriz Jennifer Lawrence comanda o elenco de “OPERAÇÃO RED SPARROW” (“Red Sparrow”), ano de produção 2017, EUA. Elenco, aliás, dos mais estrelados: Joel Edgerton, Jeremy Irons, Charlotte Rampling, Matthias Schoenaerts, Ciarán Hinds, Mary-Louise Parker, Thekla Hauten e Joely Richardson. É um filme de espionagem baseado no romance “Red Sparrow”, escrito por Jason Mathews, um ex-agente da CIA que resolveu ser escritor. O livro foi adaptado para o cinema pelo roteirista Jason Mathews e a direção ficou a cargo de Francis Lawrence, que não é parente da Jennifer e a dirigiu nos três filmes da Saga “Jogos Vorazes”.  Vamos à história. Depois de sofrer um grave acidente em pleno palco, Dominika Egorava (Jennifer), primeira bailarina do Bolshoi, vê sua carreira interrompida. Seu tio Ivan Egorov (o ator belga Schoenaerts), um importante oficial do serviço secreto russo, convence Dominika a ingressar numa escola de espiões chamada “Red Sparrow”. Em contrapartida, ele se compromete a cuidar da mãe doente de Dominika (Joely Richardson). Dominika se sobressai nos testes na escola e logo é designada para uma importante missão: descobrir a identidade de um informante que trabalha para a CIA. Ela terá que enfrentar Nathaniel Nash (Edgerton), um espião norte-americano com larga experiência em terreno russo. Embora tenha mais blá-blá-blá do que ação, o filme é bastante violento e tem muitas cenas de sexo, inclusive com Jennifer Lawrence, que deixou de lado a heroína juvenil de “Jogos Vorazes” para se transformar numa espiã voraz em sexo. Ela também aparece nua, comprovando plenamente sua fama de mulherão. Com uma reviravolta surpreendente no desfecho, o filme consegue prender a atenção do espectador, tornando-se um bom programa para uma sessão da tarde.                    

quarta-feira, 6 de junho de 2018


“ADEUS ÍNDIA” (“VICEROY’S HOUSE”), 2017, coprodução Inglaterra/Índia, direção de Gurinder Chadha, é um drama histórico, baseado em fatos reais, contando os bastidores de como se deu a transição da Índia britânica para a sua independência, depois de 200 anos de domínio imperial inglês. O filme é ambientado em 1947, quando Lord Louis Mountbatten, bisneto da Rainha Vitoria, é designado para ocupar o cargo de último Vice-Rei da Índia e, como tal, encarregado de administrar todo o processo de transição, o que o levou a uma série de negociações com os líderes locais, incluindo até o honorável Gandhi. Difícil a sua tarefa, pois os muçulmanos não concordavam em viver com os hindus na Índia e, portanto, queriam a criação de um outro país, o Paquistão. Para conseguir realizar o seu trabalho Mountbatten (Hugh Bonneville) conta com o apoio incondicional de sua esposa Edwina (Gillian Anderson) e de sua filha Pamela (Lily Travers). Mountbatten bem que tentou apaziguar os envolvidos, mas logo verá que é impossível acabar com um ódio que vem de séculos (vide palestinos e judeus). Lançado no Festival de Cinema de Berlim, o filme foi massacrado pela crítica especializada. Eu gostei. Achei a produção impecável sob o ponto de vista histórico, além de um visual deslumbrante – os cenários são espetaculares – e uma primorosa recriação de época, destacando-se, principalmente, os figurinos. Não tenho dúvida em recomendar.                 

terça-feira, 5 de junho de 2018

“MADAME”, 2017, França, direção e roteiro (com a colaboração de Matthew Robbins) de Amanda Sthers. Um casal de norte-americanos (Toni Collette e Karvey Keitel) muda-se para a França e decide organizar um jantar para a alta sociedade parisiense, incluindo o prefeito da cidade e seu namorado. A mesa está arrumada para 12 pessoas, quando de repente surge um convidado extra, justamente o filho bêbado do anfitrião. A mesa, então, passa a ter 13 lugares, inconcebível para a supersticiosa Anne (Collette). A solução improvisada, já que o jantar aconteceria poucas horas depois, foi transformar a empregada Maria (Rossy De Palma) numa madame da alta aristocracia parisiense, com a recomendação de que não abrisse a boca, nem para falar, nem para comer ou beber muito. Triste ilusão. Maria toma uns vinhos mais e acaba até contando umas piadas inconvenientes, para desespero dos patrões. Só que no meio dos convidados está o cinquentão David Reville (Michael Smiley), um importante empresário francês que se encanta com Maria. A partir de então, o filme esquece o humor e parte para o romance. Se já era ruim como comédia, ficou ainda pior quando enveredou para a comédia romântica. Terminado o filme, fiquei me perguntando como estrelas consagradas como Harvey Keitel e Toni Collette se submeteram a trabalhar nesse abacaxi. Até a espanhola Rossy De Palma, de tantos filmes de Almodóvar, deve ter ficado constrangida.             

segunda-feira, 4 de junho de 2018


“STEFAN ZWEIG – ADEUS, EUROPA” (“Stefan Zweig – Farewell to Europe”), 2016, coprodução Áustria/Alemanha, roteiro e direção de Maria Schrader. Trata-se de um drama biográfico enfocando os últimos seis anos do escritor, romancista, poeta, jornalista, dramaturgo e biógrafo austríaco Stefan Zweig. Em 1936, perseguido pelo nazismo, Zweig (Josef Hader) resolve fugir com a esposa Lotte (Aenne Scwarz) para a América do Sul. Já muito famoso no mundo inteiro como um dos principais escritores do Século XX, Zweig é tratado como uma grande personalidade, sendo convidado para proferir palestras em cidades como Rio de Janeiro, Buenos Aires e Nova Iorque. Ele se estabelece em Petrópolis (Rio de Janeiro) e lá escreve “Brasil, País do Futuro”, lançado em 1941. No ano seguinte, deprimido com a situação da guerra na Europa, ele se suicida juntamente com a esposa. O filme deixa muito a desejar com relação à obra do escritor. Não é mencionado nenhum dos livros que escreveu, principalmente importantes biografias de gente como, por exemplo, Dostoievski, Tolstoi, Dickens, Stendhal, Maria Antonieta, Nietzsche, Balzac etc. Também pouco se fala sobre sua vida anterior, na Áustria. De qualquer forma, o filme é, sem dúvida, bastante interessante. Destaco com uma das cenas de maior impacto aquela em que Zweig participa de um congresso de escritores em Buenos Aires, durante o qual são citados, nome por nome, os intelectuais banidos pelo regime nazista, então presos ou exilados. De emocionar. Fora isso, vale citar o excelente trabalho do ator austríaco Josef Hader na pele do escritor. Um show de interpretação. A quem possa interessar, existe uma biografia bem legal sobre Zweig – “Morte no Paraíso”, de 1981 -, escrita pelo recentemente falecido jornalista Alberto Dines - a diretora Maria Schrader o leu para escrever o roteiro. Eu também li e recomendo, assim como o filme.             

domingo, 3 de junho de 2018


“SPIINNING MAN” (o filme ainda não chegou por aqui, portanto não tem uma tradução oficial; a tradução literal é “Homem Girando”), EUA, 2017, direção do sueco Simon Kaijser, com roteiro de Matthew Aldrich, baseado no romance do mesmo nome escrito pelo norte-americano George Harrar, lançado em 2003. Trata-se de um filme policial recheado de suspense, mas com desfecho dos mais fracos. Numa pequena cidade da Flórida, uma jovem líder de torcida (Odeya Rush) desaparece e as suspeitas da polícia recaem sobre o professor de Filosofia e Linguística Evan Birch (o ator australiano Guy Pearce). Tudo porque Birch, mesmo casado com Ellen (Minnie Driver), às vezes gostava de sair com algumas alunas.  O detetive Robert Malloy (o ex-007 Pierce Brosnan) tenta de tudo para provar a culpa do professor, seguindo seus passos dia após dia. Tudo faz crer que o filme caminha para algum final surpreendente, talvez uma reviravolta, mas o desfecho constrangedor não justifica termos ficado esse tempo todo esperando um grand finale. Com exceção de Guy Pearce, que tem boa atuação, os demais atores, inclusive Pierce Brosnan, atuam no piloto automático. Brosnan, aliás, está muito mal caracterizado, pois parece mais um empresário ou um alto executivo de Wall Street do que um simples detetive de uma cidadezinha do interior. Resumo da ópera: não passa de um filme B independente, evidentemente realizado com poucos recursos, apesar da presença dos dois astros. A história não convence. Como policial, deixa muito a desejar.