quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

“YOUTH” (“La Giovinezza”), 2015, filme mais recente do diretor italiano Paolo Sorrentino (de “La Grande Bellezza”, Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro). Podemos definir este filme somando três adjetivos: onírico, satírico, felliniano. A história gira em torno de alguns hóspedes ilustres de um luxuoso hotel nos Alpes Suíços: Fred Ballinger (Michael Kane), um famoso maestro, sua filha Lena (Rachel Weisz, belíssima), tentando se recuperar de um casamento desfeito, Mick Boyle (Harvey Keitel), um cineasta em busca de um bom roteiro para o seu próximo filme, a atriz Brenda Morel (Jane Fonda), que chega ao hotel apenas para conversar com Boyle, Jimmy Tree (Paul Dano), um ator norte-americano, uma Miss Universo (a estonteante modelo romena Madalena Diana Ghenea) e ninguém menos do que Diego Maradona (Roly Serrano), caracterizado como uma figura patética e grotesca. Não faltarão também, num delírio visual do diretor Boyle, mulheres representando personagens femininas marcantes do cinema. A cada cena, Sorrentino nos presenteia com imagens belíssimas, formando um visual que poucos cineastas são capazes de criar. Para reforçar, o diretor ainda acrescenta cenários e paisagens deslumbrantes dos Alpes Suíços. Embora seja produção italiana, é todo falado em inglês. O filme causou polêmica ao ser exibido no Festival de Cannes 2015, quando disputou a Palma de Ouro. Ao final da exibição, uma parte da plateia aplaudiu de pé. Outra parte vaiou. Se eu estivesse lá, seguiria o pessoal que aplaudiu de pé. Aliás, gostei mais deste do que de “A Grande Beleza”. Faço questão de aplaudir, também de pé, Jane Fonda, que nos poucos minutos em que permanece em cena dá um verdadeiro show de interpretação. Cinema da melhor qualidade.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

“O ENCONTRO” (“Time Out of Mind”), 2015, EUA, roteiro e direção do israelense Oren Moverman (“O Mensageiro”). A história acompanha a rotina do sem-teto George (Richard Gere, que também é um dos produtores) pelas ruas de Nova Iorque, a luta diária para conseguir dinheiro para comer, enfrentar a burocracia dos serviços sociais para tirar documentos e as dificuldades para encontrar vaga nos abrigos nas noites de inverno. George é alcóolatra e sofre de confusão mental. Ele busca uma reaproximação com a filha, Maggie (Jena Malone), que trabalha num bar. Em suas perambulações, George faz amizade com outro morador de rua, Dixon (Ben Vereen), que afirma ter sido um grande músico de jazz, tendo tocado, inclusive, com Bill Evans. Se o filme se arrasta numa monotonia tediosa, fica pior ainda com o surgimento de Dixon, um sujeiro inconveniente que não para de falar um segundo, irritando não só os outros personagens do filme como o próprio espectador. Você vai ver um Richard Gere como nunca se viu na tela. Envelhecido, cara de sujo, inchado, doente. Longe, muito longe, do galã charmoso de tantos filmes. Um filme melancólico, muito triste, desagradável. Difícil recomendar, mesmo com a presença de Gere.

                                                       

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O tráfico de drogas na fronteira EUA/México é o tema central de “SICÁRIO – TERRA DE NINGUÉM” (“Sicario”), 2014, direção do canadense Denis Villeneuve (dos ótimos “Incêndios” e “Os Suspeitos”). A personagem central é Kate Macy (Emily Blunt), agente do FBI recrutada para fazer parte de um grupo encarregado de prender um grande líder de um cartel de drogas mexicano. A equipe é comandada pelo agente da CIA Matt Graver (Josh Brolin) e tem como um de seus integrantes um mercenário sanguinário e violento, Alejandro (Benício Del Toro). Kate começa a discordar dos métodos utilizados pelo grupo, que incluem interrogatórios com torturas, das quais Alejandro é especialista, e assassinatos sumários. A cena inicial é bastante chocante, quando a equipe do FBI comandada por Kate descobre dezenas de cadáveres “emparedados” na casa de um traficante. Outra cena marcante acontece no final. Garotos jogam futebol num campo de areia na periferia da violenta Ciudad Juárez, no México, quando, de repente, ouvem uma rajada de metralhadora. Param o jogo por segundos, prestam atenção e logo voltam a jogar novamente, como se nada tivesse acontecido. O filme é bom, tem ação e suspense do começo ao fim.                           

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Fã dos filmes de Wood Allen, confesso que me decepcionei com o seu mais recente, “HOMEM IRRACIONAL” (“Irrational Man”), 2015. Não é uma comédia, como poderia ter sido, muito menos um romance ou um drama. Está mais para um suspense policial, gênero que Allen já havia adotado em “Crimes e Pecados”, “Match Point” e “O Sonho de Cassandra”, com resultado bem melhor. “Homem Irracional” ficou com a cara daqueles filmes baseados em romances da escritora Patricia Highsmith, com algumas referências a Hitchcock. Em crise existencial e com depressão, o professor de Filosofia Abe Lucas (Joaquin Phoenix) vai lecionar numa universidade de uma pequena cidade. Sua presença agita as jovens alunas, mas apenas uma delas conseguirá uma atenção maior de Abe, a bela Jill (Emma Stone). A professora Rita (Parker Posey) também encontrará um espaço na cama de Abe. Allen explora a Filosofia como a grande fonte dos diálogos, com citações de Sartre, Kierkegaard e Kant. Quem não está acostumado com o tradicional estilo verborrágico de Allen pode não gostar e se cansar de tanto blá-blá-blá. Mesmo não sendo um dos melhores filmes do diretor norte-americano, fica bem acima da média reinante.
Inspirado no romance “The Price of Salt”, escrito por Patrícia Highsmith – o que já é um bom começo -, o drama “CAROL” conta a história do envolvimento amoroso de duas mulheres nos anos 50. Uma delas é Carol (Cate Blanchett), mulher refinada da sociedade nova-iorquina que está em processo de divórcio. A outra é Therese Belivet (Rooney Mara), vendedora de uma loja de departamentos. A atração entre ambas acontece no dia em que Carol vai comprar um presente para sua filha pequena e é atendida por Therese. O romance entre as duas enfrentará muitas barreiras, a pior delas do marido de Carol, Harge Aird (Kyle Chandler), que consegue a guarda da filha mediante a acusação de que sua esposa tinha e tem casos com outras mulheres, uma delas Abby (Sarah Paulson) e agora Therese. O que mais impressiona no filme é o esmero visual criado pelo diretor Todd Haynes (“Longe do Paraíso” e “Não Estou Lá”). Fotografia, cenários, figurinos e até o recurso de misturar ambientes em P/B com pessoas e objetos em cores. Tudo feito com classe, requinte e elegância. O filme é ainda valorizado pela atuação espetacular da dupla principal de atrizes, Cate Blanchett e Rooney Mara. Não foi à toa que o filme recebeu 6 indicações para o Oscar 2016 (Atriz, Atriz Coadjuvante, Fotografia, Trilha Sonora, Roteiro Adaptado e Figurinos). Achei injusto não ter sido indicado para “Melhor Filme” e “Melhor Diretor”. O filme é ótimo, tanto que, ao final de sua exibição de estreia no Festival de Cannes 2015, foi aplaudido de pé.     

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

“SCHERBEN PARK” (como não chegou por aqui, ainda não teve tradução), 2013, direção de Bettina Blümner, é um bom drama alemão cuja história é centrada na jovem Sascha Maimann (Jasna Fritzi Bauer), de 17 anos. Ela vive com os irmãos pequenos e a tia num apartamento na periferia de Stuttgart. A família sofre discriminação dos vizinhos por ser de origem russa. Uma das mães, inclusive, proíbe a filha de brincar com a irmã menor de Sascha. “Eles ainda acham que os russos comem criancinhas”, desabafa Sascha. A jovem carrega o trauma de ter visto a mãe ser assassinada pelo padrasto e se julga culpada por não ter tirado a arma de Vadim, o matador, que cumpre pena num presídio de segurança máxima. Sascha promete que um dia sua mãe será vingada, o que inclui matar Vadim. Quando um jornal da cidade publica uma reportagem sobre o assassino preso, amenizando seu lado psicótico, Sascha vai à redação tirar satisfações com o editor, Volker Trebur (Ulrich Nothen). Depois dos entreveros iniciais, Sascha ficará amiga tanto de Volker como do filho dele, Félix (Max Hegewald). A história é baseada no romance homônimo da escritora russa Alina Bronsky. Enfim, um filme bastante interessante que vale a pena ser visto. 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Indicado para o Oscar 2016 em seis categorias, inclusive Melhor Filme e Diretor (Tom McCarthy), o drama “SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS” (“Spotlight”), EUA, 2015, conta a história, baseada em fatos reais, de um grupo de jornalistas do Jornal Boston Globe que, numa série de reportagens, denunciou inúmeros casos de pedofilia praticada por padres e acusou a Igreja Católica de esconder os fatos, sem tomar providências para punir os acusados. Tudo isso aconteceu entre 2000 e 2003, resultando num Prêmio Pulitzer para os jornalistas, interpretados no filme por Michael Keaton, Rachel McAdams, Mark Ruffalo, Liev Schreiber e John Slattery. Convenhamos, um timaço! As reportagens foram destaque no mundo inteiro, motivando milhares de pessoas a denunciar terem sido vítimas dos padres em suas cidades – nos créditos finais aparece a relação de cidades no mundo inteiro que registraram denúncias semelhantes. Em alguns momentos, o roteiro exagera nos diálogos e nas informações, podendo confundir o espectador. Na maioria das vezes, isso ocorre durante as reuniões entre a equipe de jornalistas. Mas não chega a prejudicar o entendimento geral. Um filme sério, muito bem feito e que, por isso mesmo, foi eleito o Melhor Filme de 2015 pela Associação Nacional de Críticos dos Estados Unidos. Filmaço!
“007 CONTRA SPECTRE” (“SPECTRE”), 2014, Inglaterra/EUA, direção de Sam Mendes. Este é, sem dúvida, o melhor filme dos quatro protagonizados pelo ator inglês Daniel Craig. E também o mais caro de todos os 24 realizados até agora: U$ 350 milhões. Bond enfrenta mais uma organização criminosa, desta vez chefiada pelo vilão Franz Oberhauser (Christoph Waltz). A fórmula dos filmes de Bond está mantida: uma incrível cena de abertura na Cidade do México (um plano-sequência sensacional), locações deslumbrantes ao redor do mundo, muita ação, pancadaria, perseguições e mulheres bonitas (nada menos do que Monica Bellucci e Léa Seydoux). A italiana Bellucci, aliás, mostra uma ótima forma aos 51 anos (tornou-se a mais velha Bond-Girl). A sensualidade de Léa Seydoux, além da competência como atriz, é outro grande destaque do filme. O humor também volta a reinar no filme, não apenas nos diálogos. Depois de uma longa e violenta briga com um bandido enorme, por exemplo, a gravata e o paletó de Bond estão impecáveis e no mesmo lugar. Ele dá aquela ajeitada na gravata, como a dizer que nada aconteceu. Puro Bond! Craig está mais cínico, característica marcante do agente inglês. Este foi o segundo Bond dirigido por Sam Mendes. O primeiro, também muito bom, foi "007 - Operação Skyfall", de 2012. Não dá pra perder. Ou seja, imperdível!                                                     

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

“PONTE DOS ESPIÕES” (“Bridge of Spies”), EUA, 2015, direção de Steven Spielberg. Esse drama político, baseado em fatos reais, volta a reunir o diretor Spielberg e o ator Tom Hanks. A história é ambientada em 1957, em plena Guerra Fria. Hanks interpreta o advogado James Danovan. Ele é recrutado pelo Governo norte-americano para defender  Rudolf Abel (Mark Rylance), acusado de ser um espião a serviço da União Soviética. Ao mesmo tempo, um piloto de avião dos EUA é preso na URSS, assim como um estudante norte-americano na Alemanha Oriental. Diante desses fatos, Danovam é convocado pela CIA para exercer o papel de negociador e acaba encarregado de providenciar a troca dos presos, o que inclui viajar para a Alemanha e tratar diretamente com as autoridades de lá. O filme é ótimo, tem bastante suspense e retrata com perfeição o clima de tensão que predominava naqueles anos. Além da história em si, inspirada no livro homônimo escrito por Giles Whittell (o roteiro foi escrito pelos irmãos Ethan e Joel Coen, com a colaboração de Matt Charman), o grande destaque do filme é a impressionante recriação de época, com cenários em Nova Iorque e Berlim. Spielberg não trabalhava com Hanks desde “O Terminal” (2004). Antes, haviam trabalhado em “O Resgate do Soldado Ryan” (1998) e em “Prenda-me se for Capaz” (2002). Hollywood, Spielberg e Hanks. Com esse trio, não poderia dar errado (disputará o Oscar 2016 em seis categorias). Cinemão, filmaço!   

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

“O QUARTO DE JACK” (“Room”), Canadá, 2015, direção de Leonard Abrahamson (“What Jack Did”). Drama pesado e triste sobre uma jovem mulher (Brie Larson) que, aos 17 anos, foi sequestrada e trancada num pequeno quarto. No cativeiro, ela foi estuprada pelo sequestrador e teve um filho. A primeira parte do filme apresenta a rotina de mãe e filho num quarto de 10 m², os problemas de relacionamento entre os dois e ainda as visitas nada agradáveis do sequestrador, que incluíam ir para a cama com Ma, enquanto Jack ficava dentro de um armário. A segunda parte é dedicada às dificuldades de readaptação dos dois ao mundo real. Jack (Jacob Tremblay), por exemplo, acreditava que as imagens da TV eram de um mundo que não existia. Tudo ficção. O roteiro não abre concessão ao humor nem a momentos sensíveis ou comoventes. Tudo é muito duro e dramático, frio e melancólico. A história foi inspirada num caso real abordado no livro “Room”, de Emma Donoghue. O filme recebeu 4 indicações ao Oscar, inclusive para Melhor Atriz (Brie Larson). William H. Macy e Joan Allen também fazem parte do elenco. Nada contra, mas não merecemos mais tanta tristeza, pois já convivemos com um mundo real muito triste e cruel.                                            

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

“O REGRESSO” (“The Revenant”), 2015, EUA, é apontado como o grande favorito ao Oscar 2016. Recebeu 12 indicações – e já venceu o Globo de Ouro em três categorias, Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Filme Dramático. Trata-se de um bom filme de aventura, sem dúvida, com ótimas cenas de ação, atuação brilhante de Leonardo DiCaprio, cenários maravilhosos e uma fotografia belíssima. Apesar de tudo isso, não é “aquele” filme para receber tantas indicações. Talvez tenha pesado o fato de ter à frente do projeto o badalado diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, que levou o irregular “Birdman” a conquistar vários Oscars em 2015, inclusive Melhor Diretor e Melhor Filme. E, claro, a presença do astro DiCaprio. Ele interpreta o explorador e caçador de peles Hugh Glass, personagem que realmente existiu no início do Século XIX (a história é baseada no livro “The Revenant: A Novel of Revenge”, escrito por Michael Punke). Numa caçada ao longo do Rio Missouri, depois de um combate sangrento contra os índios, Glass e sua turma conseguem fugir. Na floresta, Glass é atacado por um urso (a cena é espetacular) e fica à beira da morte, sendo abandonado pelos companheiros. Um deles, em especial, John Fitzgerald (Tom Hardy, irreconhecível), será o alvo da vingança de Glass. O filme é muito bom e DiCaprio dificilmente deixará de ganhar a estatueta de Melhor Ator. Sua atuação realmente é espetacular.                                              

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

“A LAGOSTA” (“THE LOBSTER”), 2014, Grécia/Inglaterra. Dos filmes esquisitos ou meio malucos que vi nos últimos anos, este talvez seja o mais interessante. Produção de primeira, elenco de astros (veja abaixo), fotografia primorosa e uma história, embora fantasiosa, bastante digerível. Os diálogos foram construídos na base do nonsense, acentuando o humor negro que atravessa o filme na maioria das cenas. A ficção não é datada, apenas presumida como se fosse um ano qualquer do futuro. As pessoas não podem viver sozinhas, não podem ser solteiras. Aquelas que estão nessa condição são detidas e levadas para um hotel no meio da floresta. Se não encontrarem um (a) parceiro (a) em 45 dias, serão transformadas num animal de sua própria escolha. No caso do arquiteto David (Colin Farrel, gordo como nunca se viu), numa lagosta (daí o título). A história toda gira em torno de David, “hospedado” no tal hotel. Ali, ele será obrigado a conviver com os tipos mais esquisitos e obedecer a normas das mais estranhas e estapafúrdias. O diretor grego Yorgos Lanthimos (de “Dente Canino”), co-autor do roteiro, deve ter bastante prestígio, pois neste seu primeiro filme em língua inglesa conseguiu um elenco de primeira linha. Além de Farrel, trabalham Rachel Weisz (esposa de Daniel Craig, o atual James Bond), Léa Seydoux, Jessica Barden, Olivia Colman, John C. Reilly, Ariane Labed, Ashlei Jensen e Ben Whishaw. O filme teve sua exibição de estreia no Festival de Cannes 2015, com ótimas críticas. Para sair da mesmice das fitas comerciais, indico esta como opção das mais interessantes.              

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

“ADULTOS INEXPERIENTES” (“Adult Beginners”), 2014, EUA, direção de Ross Katz, é uma comédia independente simpática, leve, mas bem fraquinha. Começa o filme com uma festa superbadalada promovida pelo empresário Jake (o comediante Nick Kroll) para lançar seu novo produto. Até o final dos créditos iniciais, Jake perderá tudo: empresa, todo o dinheiro dos investidores (2,5 milhões de dólares), a namorada, os amigos e a própria autoestima. Sem eira nem beira, pede para morar com a irmã Justine (Rose Byrne), o cunhado Danny (Bobby Cannavale) e o sobrinho de 3 anos de idade.  Por incrível que pareça, e ao contrário de tantos outros filmes, os cunhados se dão bem, os irmãos se dão bem e Jake é bem recebido na casa deles, sem prazo para ir embora. Para compensar, porém, recebe uma árdua missão: ser babá do terrível sobrinho. Nada acontece de especial no desenrolar da história. O filme se arrasta sem ter muito a dizer, sem provocar risadas, apenas um leve sorriso de vez em quando. O filme não reserva nenhum atrativo especial, a não ser a presença da bela e competente atriz australiana Rose Byrne. É pouco para justificar uma recomendação. Descartável pode ser a definição mais correta.     
“A ONDA” (“BØLGEN”), 2015, direção de Roar Uthaug, é mais um disaster movie do cinema. Com uma novidade: este é norueguês. Para introduzir a história: ao longo dos anos, o país nórdico vem sendo atingido por vários tsunamis, causando a morte de muita gente. Sua geologia favorece a ocorrência desses fenômenos. Baseado em fatos reais, portanto, esta produção mostra o que poderá acontecer se o desastre ocorrer no Fiorde de Geiranger, um dos lugares turísticos mais badalados da Noruega. Aliás, os cenários do filme são deslumbrantes. O filme reúne uma dupla de atores dos mais prestigiados na Noruega: Kristoffer Joner e Ane Dahl Torp. Kristoffer é o geólogo Kristian, que trabalha numa central que controla e prevê mudanças geológicas que podem provocar esses tipos de desastre. É ele quem dá o alerta de que algo está para acontecer. De início, acham que ele está errado, mas quando a coisa acontece não dá mais tempo de fugir. Desce da montanha, com fúria total, uma onda de 80 metros de altura, de dar medo a qualquer surfista, imagine gente normal. Daí para frente, todo mundo na cidade terá que se desdobrar para conseguir sair vivo. Dá pra ver numa boa, mas esse tipo de filme Hollywood faz melhor.                                       

sábado, 16 de janeiro de 2016

“NOCAUTE” (“Southpaw”), 2015, EUA, direção de Antoine Fuqua (do ótimo “Dia de Treinamento”, com Denzel Washington). O lutador Billy “The Great” Hope (Jake Gyllenhaal) é um grande campeão dos meio-pesados. Está invicto há 43 lutas, ganhou muito dinheiro, mora numa mansão, é casado com uma linda mulher, Maureen (Rachel McAdams, vá ser bonita assim em Hollywood!) e tem uma filha que é uma gracinha, Leila (Oona Laurence). Uma tragédia familiar, porém, mudará os rumos do que estava sendo uma vida boa. Eis aqui o verdadeiro nocaute a que se refere o título. Billy Hope acaba perdendo tudo, inclusive a filha, entregue ao Serviço Social do Tio Sam. Quando parecia que tudo estava perdido, o lutador é recebido na academia do técnico Titus Willis (Forest Whitaker). É Titus que tentará reverter a situação, domando o gênio indomável de Hope e colocando-o de volta aos ringues. As cenas de luta são as melhores que já vi no cinema. Ator e coadjuvantes parecem bater e apanhar de verdade. Até o sangue que jorra parece de verdade. O ator Jake Gyllenhaal está ótimo, superando seus excelentes desempenhos em outros filmes, principalmente em “O Abutre” e “Brokeback Montain”. 124 minutos de pura emoção. Um filmaço!                                       

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

“NO RITMO DO AMOR” (“Sipur Hatzi-Russi”), Israel, 2006, gira em torno do menino Chen (Vladimir Volov), que mora com os pais numa cidade litorânea de Israel onde há uma comunidade bastante grande de judeus russos. Filho de mãe russa e pai judeu, Chen pratica judô num centro comunitário. Aqui, ele se apaixona por uma garota russa que frequenta a academia de balé. Chen ingressa nas aulas de dança para se aproximar da menina, o que não será nada fácil. Embora vivendo na mesma comunidade, russos e israelenses vivem em pé de guerra. Além desse aspecto, Chen é obrigado a conviver com as brigas constantes dos pais. Sua mãe é extrovertida, gosta de sair para dançar e se divertir, enquanto o pai, fotógrafo de casamentos, fica em casa remoendo os ciúmes. Com o casal de russos que comanda a academia acontece o contrário: é ele quem assedia as alunas e toda hora está pulando a cerca. O filme, dirigido por Eitan Anner, tem uma levada de comédia e é muito alegre, muito musical. Imagine russos e israelenses dançando ao som de rumba e chá-chá-chá. Não me lembro se o filme passou por aqui no circuito comercial, mas provavelmente não. De qualquer forma, trata-se de um filme leve e divertido, garantindo um bom entretenimento.   

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O drama holandês “A ACUSADA” (“LUCIA DE B.”), 2014, direção de Paula van der Oest, conta a história do rumoroso caso judicial que durante quase 10 anos mobilizou os holandeses e a Europa. Em 2001, a enfermeira Lucia de Berk (Ariane Schluter) foi presa sob a acusação de sete assassinatos e três tentativas de homicídio – as vítimas eram bebês e idosos. Logo apelidada de “Anjo da Morte”, Lucia foi julgada e condenada à prisão perpétua em 2003, sempre jurando inocência. Seu advogado Quirijn Herzberg (Fedja van Huet) recorreu da sentença inúmeras vezes, não conseguindo absolver sua cliente. O caso teria uma reviravolta somente em 2010, graças a uma revelação bombástica de uma assistente da Promotoria, Judith Jansen (Sallie Harmsen). Embora apresente a história de forma documental, o filme mantém um clima de tensão e suspense até o seu final. A quem quiser assistí-lo e não conhece a história, recomendo que não pesquise o que aconteceu para não estragar a surpresa do desfecho. Destaque para a atuação da veterana Ariane Schluter (“A Montanha Matterhorn”). Como representante da Holanda, o filme concorreu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro ao Oscar 2015. Sem dúvida, um bom filme de tribunal.  

sábado, 9 de janeiro de 2016

O drama “A ILHA DO MILHARAL” (“Simindis Kundzuli”), roteiro e direção de George Ovashvili, foi o representante oficial da Geórgia (ex-república soviética) na disputa do Oscar 2015 de “Melhor Filme Estrangeiro”. Não passou para a fase final, mas conquistou crítica, público e prêmios em vários festivais pelo mundo afora. O filme mostra a rotina árdua de trabalho de um velho camponês (Ilyas Salman), que pretende utilizar uma pequena ilha no Rio Enguri – separa a Geórgia da Abecásia – para plantar um milharal. Nessa tarefa, ele recebe a ajuda da neta (Marian Buturishvili), órfã de pai e mãe. O filme apresenta, passo a passo, o trabalho do velho em preparar a terra, construir uma casinha, plantar as sementes. Os personagens não têm nome e há poucos diálogos, pois as imagens dizem tudo, com grande carga dramática. Embora lento, o filme não chega a ser monótono nem tedioso, sendo valorizado por um excelente trabalho de fotografia. O roteiro prima pela simplicidade e situa a história em meio ao momento político da região, caracterizado por lutas sangrentas entre soldados da Geórgia e da Abecásia, conflito que dura desde a década de 80 até hoje. Barcos levando soldados de um lado ou de outro passam toda hora pela pequena ilha, deixando apreensivos o avô e sua neta. A Natureza tem um papel fundamental na trama, como parece dizer a mensagem embutida na história: “A Natureza dá, a Natureza tira”. Um filme muito interessante. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

“QUE HORAS ELA VOLTA”, 2015, escrito e dirigido por Anna Muylaert, tentou a sorte ao Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro como o representante brasileiro. Não deu. De qualquer forma, é um filme muito bom, sensível e comovente. Regina Casé interpreta Val, que há 13 anos chegou do Nordeste para trabalhar na casa de uma família classe média alta no Morumbi. Durante esse tempo, além de empregada doméstica, ela foi babá de Fabinho, com o qual sempre manteve um relacionamento mais próximo e íntimo do que a própria mãe do menino, Bárbara (Karine Teles). Como as empregadas de antigamente, Val sabia o seu lugar. Simplória, cuidava da casa sem transpor os limites de sua função. As coisas se complicam quando sua filha Jéssica (Camila Márdila) chega a São Paulo para prestar vestibular de Arquitetura. De outra geração, mais liberal e emancipada, Jéssica não admite a submissão da mãe. Sua aproximação com o chefe da família Carlos (Lourenço Mutarelli) e seu comportamento despertam o ciúme de Bárbara, iniciando um conflito psicológico que vai tumultuar de vez o ambiente da casa. Casé está ótima e muito menos chata do que a Casé televisiva (por sua atuação no filme, Casé ganhou o prêmio de Melhor Atriz no último Festival de Sundance - EUA). O filme, repito, é muito bom, mas não justifica toda essa euforia dos críticos em achar que seria um bom candidato ao Oscar. A roteirista e diretora Anna Muylaert, que já mostrou competência em filmes como “É Proibido Fumar”, “Chamada a Cobrar” e “Durval Discos” (roteiro e direção), além do excelente “O Ano em que meus Pais saíram de Férias” (roteiro), marcou mais um gol de placa.                         

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

“EVERESTE” (“Everest”), 2015, Inglaterra/EUA, do diretor islandês Baltasar Kormákur (de “Dose Dupla” e do ótimo “Sobrevivente”). A história é baseada em fatos reais, descritos no livro “No Ar Rarefeito”, do jornalista e alpinista Jon Krakauer (o livro é ótimo: eu li). Em agosto de 1996, dois grupos de alpinistas juntam-se para escalar os 8.848 metros de altura do Evereste (o mais alto do mundo). Depois de chegarem ao topo, os alpinistas são surpreendidos, na descida,  por uma violenta nevasca. Resultado: oito deles morreram e os outros saíram com ferimentos e sequelas graves. O roteiro não é muito diferente dos filmes que já vimos mostrando a aventura de alpinistas tentando atingir o pico das montanhas mais altas do mundo. Preparativos, despedidas das esposas, quedas espetaculares, muito suspense, falta de oxigênio, mortes pelo caminho e, claro, cenários gelados o tempo inteiro. Ou seja, mais do mesmo. O elenco é de primeira: Jason Clarke, Jake Gyllenhaal, Josh Brolin, Keira Knightley, Emily Watson, Sam Worthington e Michel Kelly. As cenas são bastante realistas e devem fazer com que muita gente com espírito aventureiro desista de fazer o mesmo. O filme, porém, não transmite a mesma emoção que a gente encontra ao ler o livro de Krakauer. Essa espetacular e trágica aventura merecia um filme muito melhor.                       

domingo, 3 de janeiro de 2016

“A TRAVESSIA” (“The Walk”), 2015, EUA, conta a incrível – e insana – façanha do francês Philippe Petit, que na manhã do dia 7 de agosto de 1974 atravessou os 42 metros que separavam as Torres Gêmeas do World Trade Center se equilibrando num cabo de aço. Detalhe: sem autorização das autoridades de Nova Iorque nem dos administradores dos edifícios. O feito do francês foi notícia de primeira página no mundo inteiro. O mérito do veterano diretor Robert Zemeckis (“De Volta para o Futuro”, “Forrest Gump: O Contador de Histórias” e “Náufrago”) foi transformar a história real num filme de aventura – e que aventura! - e criar um ótimo entretenimento, com bastante humor, ação e suspense. A primeira metade do filme mostra como Petit (Joseph Gordon-Levitt) toma o gosto pelo malabarismo, os ensinamentos de “Papa” Rudy (Ben Kingsley), seu grande mentor, a briga com a família e sua vida de artista de rua em Paris, quando conhece aquela que seria sua futura namorada, Annie Allix (Charlotte Le Bon). A segunda parte é dedicada aos preparativos para a grande aventura, como foi feito o planejamento, a formação da equipe de "cúmplices" e o desfecho espetacular, com o francês fazendo aquilo que poucos seres humanos teriam a coragem de fazer. As cenas da façanha são no mínimo sensacionais, de causar frio polar na espinha e fazer eriçar os pelos da nuca. Não recomendado para quem tem medo de altura. Resumindo: um filmaço!                     

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

“MEADOWLAND” (ainda sem tradução por aqui), EUA, 2015. Drama independente com Olivia Wilde e Luke Wilson (irmão de Owen), Giovanni Ribisi, Juno Temple, Elizabeth Moss e John Leguizamo. O desaparecimento misterioso de Jessie, filho do casal Sarah (Olivia), professora, e Phil (Luke), policial, num posto à beira de uma estrada, desencadeia uma grave crise no casamento. A situação chega a um ponto em que Sarah perde a noção e acaba surtando, o que vai levá-la a se envolver com a família de um garoto problemático da escola. Em sua estreia como diretora, Reed Morano constrói um drama com sabor de suspense, conduzindo o espectador a criar uma grande expectativa para o final. O que vai acontecer? Será que vão encontrar o garoto? A história se arrasta de forma monótona, sobressaindo-se o lado psicológico dos personagens em detrimento de qualquer tipo de ação. Embora boa atriz, como já demonstrou em outros filmes, Olivia Wilde aparece aqui de cara “lavada”, sem nenhuma maquiagem, chegando a parecer feia na maioria das cenas. Uma decepção para os fãs dessa bela atriz, embora seu desempenho seja muito bom. O filme estreou no Festival de Tribeca (EUA) em abril de 2015, sem muitos elogios. E com razão. É apenas assistível, nada mais.