sábado, 8 de setembro de 2018


“TÁXI SÓFIA” (“POSOKI”), 2017, Bulgária, roteiro e direção de Stephen Komandarev, que também assina o roteiro ao lado de Simeon Ventsislavov. Ao abordar a rotina diária de trabalho de seis taxistas na capital Sófia, Komandarev cria um interessante mosaico da atual situação sócio-econômica e cultural da Bulgária, um dos países mais pobres da Europa. As conversas dos motoristas com seus passageiros e as situações, algumas insólitas, revelam um quadro de inconformismo e desesperança do povo búlgaro, mas Komandarev ameniza o contexto que poderia ser dramático com um sutil e irônico bom humor, tom que predomina durante todo o filme. As situações, por exemplo: o motorista de táxi leva a filha adolescente para o colégio e aceita pegar outra estudante para uma corrida, no meio da qual ela se revela uma prostituta de luxo. Em outra sequência, um motorista quer conversar com os passageiros sobre o filho morto recentemente. Ninguém lhe dá ouvidos. Aí ele para o carro e vai desabafar com um cachorro. Tem até um padre que trabalha como motorista de táxi, outro que salva um homem que queria se atirar de uma ponte e ainda uma motorista que trava um interessante diálogo com um cirurgião cardíaco, entre outras situações inusitadas. Enfim, um filme que foge da mesmice geral, realizado com inteligência e muita criatividade. A primeira exibição de “Táxi Sófia” aconteceu durante o Festival de Cannes 2017, quando participou da Mostra “Um Certain Regard”. Injusto que não tenha sido selecionado pela Bulgária para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, pois, na minha opinião, é um dos melhores filmes que assisti nos últimos anos. Imperdível!                                             

quinta-feira, 6 de setembro de 2018


“KINGS”, 2017, coprodução EUA/França, roteiro e direção de Deniz Gamze Ergüven. A história é toda ambientada na Los Angeles de 1992, quando a população de South Central - periferia de LA - se rebela depois do resultado de dois julgamentos, o primeiro de uma comerciante chinesa que acabara de assassinar uma garota negra dentro de seu estabelecimento comercial. O segundo, de maior notoriedade, envolveu o espancamento do taxista negro Rodney King por policiais brancos. Tanto a chinesa quanto os policiais foram absolvidos, gerando uma onda de protestos violentos, com saques a supermercados, incêndios e agressões contra brancos e policiais que ousassem passar pelo bairro. Em meio a toda essa confusão está Millie (Halle Berry), uma mãe solteira que cuida com muito sacrifício de oito filhos, alguns deles adotados. Sua principal preocupação é não deixar que seus filhos entrem para a marginalidade, como a maioria dos seus colegas. Seu vizinho, Ollie (Daniel Craig, péssimo), talvez o único branco do pedaço, tenta dar uma força para a família de Millie, principalmente depois que os protestos entram na fase mais violenta. A diretora turca Deniz Gamze Ergüven tinha o roteiro pronto desde 2011, mas não conseguiu financiamento para tocar o projeto adiante. Só conseguiu depois de escrever e dirigir o ótimo “Mustang” (aqui traduzido por “Cinco Graças”), que representou a França na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. A estreia mundial de “KINGS” aconteceu no Toronto International Film Festival, em setembro de 2017, e logo depois foi exibido nos festivais de Torino e Estocolmo. Até a primeira metade do filme eu estava gostando, envolvido pelo forte clima de tensão. Depois, achei que a diretora descambou para um sentimentalismo exacerbado, amenizando o impacto das cenas mais fortes. Cheguei a achar que tinha jeito de Oscar 2019, mas fiquei decepcionado com o resultado final. Mais interessante do que bom.                                                

quarta-feira, 5 de setembro de 2018


 O drama inglês “A ÚLTIMA TESTEMUNHA” (“THE LAST WIGNESS”), 2018, direção de Piotr Szkopiak e roteiro de Paul Szambowski, relembra um fato histórico da maior importância: o esclarecimento de que foram os soviéticos, e não os nazistas, os responsáveis pelo que ficou conhecido como “O Massacre da Floresta de Katyn”, que aconteceu entre abril e maio de 1940 e que resultou no assassinato de 22 mil poloneses prisioneiros de guerra, entre soldados, policiais e civis. Quem desvendou o mistério, como mostra o filme – baseado em fatos reais -, foi o jornalista inglês Stephen Underwood (Alex Pettyfer), em 1948, graças à tal “última testemunha” a que se refere o título, um cidadão russo refugiado num campo de oficiais poloneses em Bristol, na Inglaterra. A verdade, como apurou Underwood, era conhecida pelos governos da Inglaterra e dos Estados Unidos, que não quiseram revelá-la para não tumultuar ainda mais as delicadas relações diplomáticas com o governo soviético de Stalin. Como cinema, “A Última Testemunha” é um filme sem brilho, sem ação nem suspense, que só se sustenta por causa do importante lado histórico, o que por si só justifica uma visita. Ainda estão no elenco Talulah Riley, Gwilym Lee, Michael Gambon e Robert Wieckiwicz.                                            

terça-feira, 4 de setembro de 2018


O drama norte-americano “CHAPPAQUIDDICK”, 2017, direção de John Curran e roteiro de Andrew Logan, revela os bastidores do rumoroso caso envolvendo o então senador Ted Kennedy no final dos anos 60. No dia 18 de julho de 1969, Ted estava reunido com a equipe de assessores em sua casa na Ilha de Chappaquiddick. O objetivo era combinar estratégias e iniciar o planejamento para sua candidatura à presidência dos EUA em 1972. Enquanto seu pessoal comemorava o início da campanha, Ted aproveitou um dos intervalos para dar um “passeio” de carro com a assessora Mary Jo Kopecane  - aparentemente sua amante, o que o filme não entrega. No caminho, Ted perde a direção e o carro despenca no rio, matando a moça. Segundo foi apurado posteriormente pela polícia, Ted demorou horas para comunicar o acidente, colocando em dúvida sua afirmação de que tentara salvar Mary Jo. É claro que o caso virou manchete no mundo inteiro, aniquilando sua carreira política e as pretensões de concorrer às eleições presidenciais de 1972. O filme destaca os esforços dos assessores em lidar com a tragédia, tentando aliviar a barra do irmão mais novo de John Kennedy. Aliás, naquele ano, o único vivo dos quatro irmãos. Outro destaque é dado ao relacionamento de Ted com o patriarca Joseph Kennedy, já muito velho e doente. Fica claro que Ted nunca foi o mais querido dos irmãos. Pelo contrário, era tratado pelo pai como o ovelha negra da família. O elenco é muito bom: Jason Clarke (Ted), Kate Mara (Mary Jo), Ed Helms (Joe Gargan, principal assessor), Bruce Dern (Joseph Kennedy) e Clancy Brown (Robert McNamara). O filme estreou nos Estados Unidos no dia 6 de abril de 2018 e ainda não tem data para ser exibido por aqui.                                           

domingo, 2 de setembro de 2018



“TEMPESTADE DE AREIA” (“SUFAT CHOL”), 2016, Israel, é um drama ambientado num vilarejo de beduínos muçulmanos ao sul de Israel. Ali vive uma comunidade árabe das mais retrógradas e machistas. A história é centrada em Jalila (Ruba Blal), uma mulher forte, batalhadora e autoritária, mãe de quatro meninas, a mais velha Layla (Lamis Ammar). O filme começa e lá está Jalila organizando a festa de casamento do seu marido Suliman (Hitham Omari) com uma segunda esposa, muito mais jovem. Não bastasse esse tipo de humilhação, Jalila descobre que Layla gosta de um jovem palestino e fará de tudo para impedir esse namoro. Enquanto isso, Suliman arranja um marido para Layla – como em quase todos os países árabes, é tradição o pai escolher o marido para a filha e obrigá-la a casar, mesmo que ela não queira. Mais uma prova da cultura machista desses países é o banimento de Jalila da casa onde mora, indo viver com os pais, num tipo de exílio. Coisas do mundo árabe. O filme foi escrito e dirigido pela diretora israelense Elite Zexer, mais conhecida como autora de curtas e documentários. Este foi o seu primeiro longa-metragem, todo falado em árabe, e se saiu muito bem, pois o filme é ótimo, tanto que recebeu o Grande Prêmio do Júri na categoria “World Cinema Dramatic” do Festival de Sundance (EUA), além de ter sido selecionado para representar Israel na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. Por aqui, foi visto durante a programação da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2016. Recomendo principalmente por revelar muitos dos costumes e tradições dos povos beduínos. Um filme muito interessante.                                          
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quinta-feira, 30 de agosto de 2018


“TUDO NOS SEPARA” (“TOUT NOUS SÉPARE”), 2017, escrito e dirigido por Thierry Klifa.  Existem três bons motivos para recomendar este excelente thriller francês. Primeiro, o roteiro muito bem elaborado, originando uma história bem interessante e repleta de suspense. O segundo bom motivo é a direção de Thierry Klifa, que consegue manter o clima angustiante de tensão do começo ao fim, lembrando um fio bem esticado a ponto de se romper de repente. O terceiro motivo é o ótimo elenco, capitaneado pelas atrizes Catherine Deneuve e Diane Kruger, com destaque também para Brigitte Sy e os atores Nicolas Duvauchelle e Nekfeu (um rapper francês de grande sucesso, cujo nome verdadeiro é Ken Samaras). Vamos finalmente à história: Julia Keller (Kruger) é a filha drogada e problemática da empresária Louise Keller (Deneuve). O namorado de Júlia é Rodolphe Calavera (Duvauchelle), um delinquente que ganha a vida traficando drogas. Ao lado de seu companheiro Ben Torres (Nekfeu), ele se envolve com uma violenta quadrilha de traficantes, à qual acabam devendo uma grana bem alta. Em paralelo, o clima entre Julia e Rodolphe não está nada bom, culminando com uma briga em que ela acaba acertando-lhe a cabeça com uma barra de ferro. O cara morre e Julia corre para a saia da mãe, pedindo para lhe ajudar a sair dessa situação. Elas tentam encobrir o assassinato, mas Ben desconfia e passa a chantagear Louise. No desfecho haverá uma reviravolta surpreendente, valorizando ainda mais este bom suspense francês. Vale a pena!                                            

domingo, 26 de agosto de 2018


“O MOTORISTA DE TÁXI” (“TAEKSI WOONJUNSA”), 2017, Coreia do Sul, roteiro e direção de Jang Hoon. Mais um excelente exemplar do cada vez melhor cinema sul-coreano. A história é baseada em incríveis fatos reais ocorridos em maio de 1980, quando o motorista de táxi Man-Seop (Song Kang-Ho, o ator sul-coreano mais popular da atualidade), afundado em dívidas, aceita levar o jornalista alemão Peter (Tohmas Kretschmann) de Seul para a cidade de Gwangiu, onde o exército do ditador Chun Doo-Hwan promovia uma sangrenta repressão contra os contrários ao governo, assassinando centenas de civis, principalmente estudantes. Alheio aos acontecimentos, Man-Seop acha que sua missão será tranquila. Mal sabe ele que será envolvido nas manifestações, correndo risco de vida, ele e o jornalista alemão. O grande mérito desse filme é relembrar com realismo o que aconteceu naquela época, ou seja, um fato histórico da maior importância. Apesar do contexto violento da história, o diretor Jang Hoon conseguiu alguma sensibilidade com a amizade entre o motorista de táxi e o jornalista alemão. Nos créditos finais, o verdadeiro jornalista alemão aparece vinte e tantos anos depois dando um depoimento emocionado sobre essa amizade, afirmando que teria a maior alegria em reencontrar o amigo sul-coreano, o que, infelizmente, não aconteceu. O filme é ótimo, imperdível! Para terminar, lembro que foi o filme escolhido para representar a Coreia do Sul na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro.                                            


O drama argentino “MATER”, 2017, foi inspirado na peça teatral “El Viento em um Violin”, do dramaturgo Claudio Tolcachir. O elenco do filme é o mesmo que atuou na peça, ou seja, Lautaro Perotti, Araceli Dvoskin, Tamara Kiper, Inda Lavalle e Miriam Cordeiro. Este é o primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Pablo D’Alo Abba, mais conhecido na Argentina como realizador de documentários. A história de “MATER” é centrada no jovem Dario (Perotti), mimado, folgado e dependente da mãe Mecha (Miriam Odorico), que toma todas as decisões pelo filho e o domina na base da rédea curta. Vendo que seu filho, aos 30 anos, não quer nada com a hora da Argentina, Mecha paga umas consultas com um psicólogo, sem resultados. As sessões são um fracasso, pois Dario se acha um gênio da psicologia e quer ensinar o coitado do psicólogo. As sessões até que rendem alguns momentos bem-humorados. Corre em paralelo a história de Celeste (Tamara Kiper) e Lena (Inda Lavalle), que querem ser mães – ou pais, lá sei eu – e resolvem encontrar um homem numa balada. O escolhido é justamente Dario, que é obrigado na base da força a consumar o ato. Por aquelas coincidências que só acontecem em filme, uma das lésbicas é filha de Nora (Araceli Dvoskin), empregada há muitos anos na casa de Dario. A confusão está formada, e as duas famílias vão ter que resolver com quem ficará a criança. Mais um bom filme argentino que merece ser  visto.                                                
 
                                   

sábado, 25 de agosto de 2018


“O DESAPARECIMENTO DE SIDNEY HALL” (“The Vanishing of Sidney Hall”), USA, 2017, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Shawn Christensen. Filme independente muito interessante e bem elaborado, com um elenco de muita competência: Logan Lerman (“Percy Jackson”), Elle Fanning, Michelle Monaghan, Blake Jenner, Kyle Chandler e Nathan Lane. A história é centrada no jovem escritor Sidney Hall (Lerman), que desde o colégio sonhava em ser escritor. Sempre foi um jovem rebelde, mas muito inteligente. Seus textos no jornal da escola eram bastante elogiados, até que um dia resolveu escrever um livro que virou best-seller e o levou à fama, inclusive sendo indicado ao badalado Prêmio Pulitzer. Em meio à jornada literária de Sidney, o roteiro destaca também, em flashbacks, o seu primeiro grande amor e depois sua esposa, a bela Melody (Fanning), a amizade com seu colega de classe Brertt Newport (Jenner) e sua relação com a mãe (Michelle Monaghan). Depois do sucesso alcançado com seu primeiro livro, Sidney some do mapa, vira andarilho/mendigo e sai pela estrada de ferro afora a bordo de trens de carga. Seu sumiço é investigado por um policial misterioso (Chandler), seguindo uma pista referente ao incêndio de vários livros escritos justamente por Sidney. Enfim, um filme que se mostra acima da média vigente, como comprovam as críticas positivas quando estreou no Festival de Sundance 2017.                                                 


“15h17 – TREM PARA PARIS” (“The 15:17 to Paris”), EUA, 2018, direção de Clint Eastwood, com roteiro de Dorothy Blyskal. O filme conta a história dos três norte-americanos que evitaram o ataque de um terrorista árabe num trem de alta velocidade que ia de Amsterdam (Holanda) para Paris no dia 21 de agosto de 2015. Armado com um fuzil AK-47, pistolas e munição suficiente para matar os 554 passageiros do trem, o terrorista marroquino Ayoub El-Khazzani foi dominado e preso pelos três rapazes, o soldado Alek Skarlatos, o piloto da Força Aérea Spencer Stone e Jaleel White. O filme volta no tempo para mostrar a antiga amizade que uniu os rapazes até os dias atuais, culminando com o ato heroico em território francês. A grande inovação de Eastwood foi escalar os próprios personagens para representá-los no filme. Não prejudicou em nada, embora a gente perceba, em algumas cenas, que não são atores profissionais. Aliás, as atrizes Jenna Fischer e Judy Greer foram duas das poucas profissionais do elenco. Ator em 71 filmes e diretor em outros 40, além de quatro Oscar no currículo, Eastwood tem respeito e crédito suficientes para fazer o que quiser no cinema. Para escrever o roteiro, Dorothy Blyskal baseou-se no livro “The 15:17 to Paris: The True Story of a Terrorist, a Train and Three American Soldiers”, de Jeffrey E. Stern. Em se tratando de Eastwood, eu esperava um filme bem melhor. Não que seja ruim, mas bem abaixo da qualidade de outros filmes do grande Eastwood. Vale apenas pela história incrível de heroísmo.                                                 

quarta-feira, 22 de agosto de 2018


Ao contrário do que diz o material de divulgação, “DEIXE A LUZ DO SOL ENTRAR” (“UN BEAU SOLEIL INTÉRIEUR”), 2017, França, não é uma comédia romântica, mas sim um drama. Talvez comédia dramática, mas romantismo passa longe. A história é centrada na vida amorosa da artista plástica Isabelle (Juliette Binoche). Mulher de meia-idade, divorciada e com uma filha, Isabella vive vários relacionamentos, ao mesmo tempo em que tem um amante fixo, Vincent (Xavier Beauvois), um banqueiro arrogante e ainda por cima casado. Ela quer mais afeição e busca conseguir quando sai pela noite para dançar, programa que acaba quase sempre na cama com alguém. Foi assim com um ator de teatro (Nicolas Duvauchelle, que tem uma incrível semelhança com o grande Marcello Mastroianni jovem), com um diretor de galeria e com outros tantos. Mesmo com essa variedade de amantes, Isabelle sofre de carência afetiva, pois quase sempre seus romances acabam rápido, entre brigas e desilusões. Já no final, Isabelle consulta um terapeuta (Gérard Depardieu, em participação especial) para tentar resolver sua carência. Aos 54 anos, Juliette Binoche ainda é uma mulher muito bonita, charmosa e sensual, além de ótima atriz (ela é a mais bem-paga do cinema francês). Binoche tem um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “O Paciente Inglês”, de 1996, e nada menos do que seis indicações para o César (o Oscar francês), sendo que numa delas, justamente em “Deixe a Luz do Sol Entrar”, conquistou o prêmio de Melhor Atriz. Realmente, ela é fantástica, a alma desse bom drama francês dirigido pela veterana diretora Claire Denis (“Minha Terra, África”, “Desejo e Obsessão” e “35 Doses de Rum”).                                               

domingo, 19 de agosto de 2018


“DESEJO DE MATAR” (“DEATH WISH”), EUA, 2018, direção de Eli Roth e roteiro de Joe Carnahan, que readaptou o livro “Death Wish”, escrito por Brian Garfield. Trata-se da refilmagem do clássico de grande sucesso lançado em 1974. Sai Charles Bronson e entra Bruce Willis, que finalmente encontra um filme de ação à sua altura, depois de inúmeros fracassos recentes. Desta vez, volta à sua velha forma de durão e canastrão, com aquele sorriso sutil que esbanja ironia. Willis é o médico cirurgião Paul Kersey (Bronson era arquiteto). Uma noite, ele é chamado para atender a uma emergência no hospital, deixando sozinhas a esposa Lucy (Elisabeth Shue) e a filha adolescente Jordan (Camila Morrone). Três bandidos invadem a casa e fazem miséria com as duas, matando Lucy e deixando Jordan em estado grave. Ao perceber que a polícia não se empenha como devia nas investigações, Kersey resolve agir por conta própria. Ao sair pela noite em busca de informações que o levem aos marginais, Kersey cruza com vítimas sendo assaltadas e enfrenta os bandidos na base da bala. Depois de matar alguns, ele acaba virando notícia nos jornais como o “Anjo da Noite”, o herói que está “limpando” Chicago. Sem nunca ser identificado, Kersey prossegue na busca dos assassinos de sua esposa, utilizando mil artimanhas para não ser preso, até encontrá-los e finalmente executar sua vingança. O filme é muito bom, têm ótimas sequências de ação e Willis novamente em forma. Entretenimento dos melhores!                                             

sábado, 18 de agosto de 2018


Representante de Israel na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro e premiado em vários festivais de cinema pelo mundo afora, o drama “FOXTROT” surpreende positivamente pelo modo de filmar criativo, um roteiro inteligente e bem elaborado, um humor sutil e um desfecho dos mais inesperados. Ah, e tem dois atores israelenses maravilhosos, Sarah Adler e Lior Ashkenazi, que formam o casal de pais que vive em Tel Aviv e que um dia recebem a notícia de que seu filho Jonathan, soldado do exército, foi morto num atentado. Arrasados, Michael e Daphna Feldmann entram numa espiral de tristeza, desilusão e histerismo, comprometendo até o casamento. Um corte abrupto e a história muda radicalmente de cenário, passando a enfocar quatro jovens soldados num posto de fronteira, entre eles Jonathan. Numa vistoria de rotina a um veículo com quatro jovens árabes, os soldados israelenses cometem um equívoco que acaba numa tragédia. As autoridades israelenses, porém, resolvem esconder o ocorrido da maneira mais sórdida. Prefiro não comentar o restante do filme, já que está reservada uma grande surpresa no desfecho. Só posso adiantar a principal mensagem do filme: ninguém pode com a força do destino. O filme causou grande polêmica em Israel, já que mexeu com os brios do seu exército, uma instituição sagrada para os israelenses. A ministra da Cultura Miri Regev fez duras críticas ao filme, considerando-o uma espécia de traidor da pátrica. O filme foi escrito e dirigido por Samuel Maoz, consagrado diretor israelense que venceu o “Leão de Ouro” no Festival de Veneza de 2009 com “Lebanon”. “FOXTROT” foi premiado em festivais como o de Toronto, Zagreb e Londres, além de conquistar o “Leão de Prata” (2º lugar) no Festival de Cinema de Veneza em 2017. Um filme muito interessante que merece ser visto por quem aprecia cinema de qualidade.                                           

sexta-feira, 17 de agosto de 2018


“SOMENTE O MAR SABE” (“The Mercy”), 2018, Inglaterra, com Colin Firth e Rachel Weisz. Baseado em fatos reais. O ano é 1968. Endividado até o pescoço, o empresário inglês Donald Crowhurst (Firth) imaginou uma maneira de sair do buraco financeiro: inscreveu-se na Corrida Globo de Ouro, promovida pelo Jornal Sunday Times, com um polpudo prêmio em dinheiro ao vencedor. A famosa prova náutica exigia que os competidores dessem a volta ao mundo sem paradas. Navegante amador, Donald enfrentaria adversários muito mais experientes e mais bem equipados. A jornada começou e a imprensa inglesa deu grande destaque à competição, cobrindo cada etapa como um feito histórico. Em terra, Clare (Rachel Weisz), a esposa de Donald, dava inúmeras entrevistas sobre o marido e acabou também virando celebridade. O filme dedica-se, em grande parte, a acompanhar a façanha de Donald em alto-mar, as dificuldades enfrentadas por causa de sua inexperiência, o seu sofrimento físico e psicológico, principalmente em razão da solidão por meses a fio. Não vou contar o desfecho, mesmo porque quase ninguém conhece a história e revelar o final pode estragar a surpresa. O filme foi realizado por gente competente: o diretor James Marsh (“A Teoria de Tudo”) e o roteirista Scott Z. Burns (“Terapia de Risco” e “O Ultimato Bourne"). Sem falar em Colin Firth e Rachel Weisz, atores da maior qualidade - Rachel está cada vez mais bonita. O filme é um ótimo entretenimento, principalmente para quem não conhece essa história tão incrível.                                               

segunda-feira, 13 de agosto de 2018


“HONRA AO MÉRITO” (“THANK YOU FOR YOUR SERVICE”) – já vi capinha de DVD do mesmo filme com o título “Marcas da Guerra” – 2017, EUA, estreia na direção de Jason Dean Hall. Um dos melhores filmes que já vi sobre o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), distúrbio ou perturbação mental que atinge, principalmente, os soldados que retornam de uma frente de guerra. Um aspecto que valoriza ainda mais esse filme é o fato de ter sido baseado em fatos reais narrados no livro escrito pelo jornalista David Finkel, do Jornal Washington Post. A história é centrada em três soldados que voltaram do Iraque após um período de um ano e três meses. Traumatizados com o que viram e com o que vivenciaram, eles têm pesadelos diários, dificuldade de se socializar, inclusive com a própria família, e muitos deles com tendências suicidas. O personagem principal é o sargento Adam Schumann (Miles Teller), que se sente responsável por alguns fatos trágicos ocorridos com seu pelotão. O filme revela, de uma forma contundente, um fato um tanto desconhecido para nós: o governo norte-americano não valoriza muito os seus veteranos de guerra – sinta a ironia do título original. São milhares de soldados que precisam de ajuda psicológica e que entram numa fila pior que o nosso SUS para comprovar que realmente estiveram numa zona de guerra e precisam de ajuda. O ator Miles Teller, do espetacular “Whiplash: Em Busca da Perfeição, de 2014, comprova mais uma vez sua competência, num papel que exige um forte tom dramático. O filme é muito bom, sério, esclarecedor, um gol de placa do estreante diretor Jason Dean Hall, mais conhecido como excelente roteirista. É dele, por exemplo, o roteiro do ótimo “Sniper Americano”, de 2014.                                                 

domingo, 12 de agosto de 2018


O drama alemão “EM PEDAÇOS” (“AUS DEM NICHTS”), 2017, roteiro e direção do turco radicado na Alemanha Fatih Akin, conta a história de Katja Sekerci (Diane Kruger), uma mulher atingida por uma terrível tragédia: a morte de seu marido Nuri Sekerci (Numan Acar) e do filho Rocco num atentado terrorista. No início das investigações, a polícia descobre que o marido de Katja, um imigrante turco, havia cumprido pena por tráfico de drogas e, a partir daí, passa a desconfiar que o assassinato tem a ver com alguma vingança de traficantes. Enquanto a polícia investiga, Katja entra em depressão, passa a beber e a usar drogas, contando apenas com o apoio de sua amiga Birgit (Samia Chancrin) e do advogado amigo da família Danilo Fava (Denis Moschitto). Depois de algum tempo, a polícia alemã consegue prender os terroristas, um jovem casal ligado ao movimento neonazista. Eles vão a julgamento e são defendidos pelo advogado Vertidiger Haberbeck (o ótimo Johannes Krisch), enquanto a acusação fica a cargo do advogado Danilo. O resultado do julgamento é anunciado e Katja não se conforma, o que a leva a planejar uma vingança com as próprias mãos. A parte final do filme é repleta de suspense, culminando com um desfecho dos mais surpreendentes e chocantes. A atuação da atriz alemã Diane Kruger como a viúva arrasada é sensacional, tanto que conquistou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. O filme é ótimo, como comprovam a conquista do Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro e a indicação como representante da Alemanha ao Oscar 2018. Como ganhou o Globo de Ouro, esperava-se que ficasse entre os cinco finalistas de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar, o que, surpreendentemente, não aconteceu. Resumo da ópera: um filmaço!
                                               

sábado, 11 de agosto de 2018


“EUTANÁSIA” (“Armomurhaaja” – pesquisei a tradução literal: “A Graça de Assassino"), 2017, Finlândia, roteiro e direção de Teemu Nikki.  Trata-se de uma comédia de humor negro centrada num mecânico de meia-idade, Veijo Haukka (Matti Onnismaa), que utiliza as dependências de sua oficina para sacrificar animais domésticos. As pessoas levam seus bichinhos para Veijo porque ele cobra o “serviço” muito mais barato do que a veterinária do vilarejo. Ele utiliza dois métodos: um tiro na cabeça do animal ou asfixia por gás. O solitário e esquisito Veijo é metido a psicólogo de bichos. Ele analisa cada um deles antes de sacrificá-lo e diz se ele foi feliz ou não, bem tratado ou não. Em meio a esse trabalho, Veijo faz visitas ao pai que está para morrer e encontra tempo para ter um caso com a enfermeira do hospital, uma jovem completamente biruta. Além disso, o filme ainda destaca um grupo de alienados neonazistas que se intitulam “matadores de negros”. Que fique claro que a matança dos animais não é explícita, mas apenas sugerida. Mesmo assim, não é nada agradável imaginar o que acontece. Na verdade, o filme é mórbido demais, desagradável de assistir. Mesmo assim, depois de estrear no Festival de Toronto 2017, venceu os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Música no Jussi 2018, o Oscar finlandês, onde também foi indicado como Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz Coadjuvante. Aqui no Brasil, foi exibido na programação da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2017. Só para espectadores com estômago forte.                                                            


quarta-feira, 8 de agosto de 2018


“O FANTASMA DA SICÍLIA” (o título original ficou sendo “Sicilian Ghost Story”, talvez para facilitar a entrada do filme nos países de língua inglesa – achava mais legal se o título fosse em italiano, "Il Fantasma Della Sicilia" em tradução literal), 2017, Itália, escrito e dirigido por Fabio Grassadonia e Antonio Piazza, os mesmos de “Salvo” (2013). O pano de fundo é o assustador predomínio da Máfia na Sicília nos anos 80. O garoto Giuseppe, de 13 anos, some misteriosamente numa floresta próxima ao vilarejo onde mora. Na verdade, como se poderá verificar no transcorrer da história, o adolescente foi sequestrado pela máfia siciliana em represália às delações de seu pai, também integrante da organização criminosa. Para amenizar o contexto trágico, Grassadonia e Piazza construíram o roteiro baseados no romance entre Giuseppe (Gaetano Fernandez) e Luna (a estreante Julia Jedlikowska).  Os dois tinham uma ligação muito forte de amizade que depois se transformou em paixão juvenil antes do desaparecimento do garoto. Durante os dois anos seguintes, Luna jamais esqueceu de Giuseppe, tentando encontrá-lo de tudo o que é jeito. O filme vira uma fábula diante da fantasia de Luna em imaginar o encontro com seu grande amor, em cenas que os diretores transformaram em bela poesia visual. O filme é bom, mas talvez arrastado demais. Nos créditos finais aparece a explicação de que o filme é dedicado a Giuseppe Di Matteo (1981-1996), um jovem sequestrado e assassinado pela máfia siciliana, o caso real em que a história é baseada. “O Fantasma da Sicília” foi escolhido para abrir a Semana da Crítica no Festival de Cannes 2017, além de ter conquistado o prêmio de melhor roteiro no Festival de Sundance (EUA). Por aqui, foi exibido, também em 2017, durante a programação do Festival do Cinema Italiano, realizado em oito cidades brasileiras.    
                                                          

segunda-feira, 6 de agosto de 2018


“EM BUSCA DA LIBERDADE” (“ON WINGS OF EAGLES”), 2017, China/EUA, roteiro e direção da dupla Stephen Shin e Michael Parker. A história é baseada em fatos reais, ou seja, a vida do corredor escocês Eric Liddell, medalha de ouro nos 400 metros da Olimpíada de Paris, em 1924. Uma parte da biografia de Liddell já havia sido apresentada em “Carruagem de Fogo”, Oscar de melhor filme em 1981. No filme “Em Busca da Liberdade”, o enfoque é dado ao trabalho de missionário presbiteriano que Liddell desenvolveu na China anos depois da medalha de ouro, dando aulas para crianças das comunidades pobres. Em 1941, porém, quando a China é invadida pelo Japão, Liddell sofrerá na pele as consequências da guerra, sendo preso e muitas vezes torturado num campo de concentração japonês destinado a norte-americanos e britânicos. Vale a pena assistir porque a história é bastante interessante, principalmente por apresentar o empenho de um astro do esporte num esforço de solidariedade humana. Um exemplo e tanto!                                                            

domingo, 5 de agosto de 2018


Representante oficial da Lituânia na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, o drama “FROST” (“Serksnas”), escrito e dirigido por Sharunas Bartas, conta a história de um casal de namorados, Rokas (Mantas Janciaauskas) e Inga (Lyja Maknaviciute), que aceita o pedido de um amigo para conduzir uma van com ajuda humanitária – roupas e mantimentos – para a população civil da Ucrânia. Na verdade, o estilo é de um road movie, saindo da Lituânia, passando pela região fronteiriça da Polônia, até chegar à Ucrânia. No meio do caminho, eles encontram vários personagens com os quais conversam sobre a situação de conflito na Ucrânia e na Crimeia. Um desses personagens é a jornalista Marianne (participação especial da atriz francesa Vanessa Paradis, ex-mulher do ator Johnny Depp). A viagem dos namorados transcorre em meio a cenários gélidos, estradas sob a neve e, provavelmente, a muitos graus abaixo de zero. É angustiante acompanhar os viajantes por esses cenários melancólicos. O desfecho transforma-se num suspense de grande tensão, pois Rokas se perde pelo caminho e vai parar direto na violenta zona de conflito bélico separatista da Ucrânia. O ritmo do filme é extremamente lento, o que, no resultado final, não prejudica sua qualidade como cinema. Mas é bom esclarecer: não é um filme para neófitos. Estreou e foi uma das atrações da Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes 2017.                                                           

sábado, 4 de agosto de 2018


“ASSASSINO EM SÉRIE” (“Xin Li Zui Zhi Cheng Shi Guang”), 2017, China, roteiro e direção de Xu Jizhou (seu primeiro longa-metragem). Confesso que fiquei em dúvida: assisto ou não assisto? Afinal, não tinha referências, nem do diretor nem dos atores, ainda mais um policial chinês. Decidi conferir e, para minha surpresa, acabei assistindo a um ótimo filme policial, com muita ação, suspense e cenas bastante criativas – a sequência inicial, uma perseguição na roda gigante de um parque de diversões, é espetacular. A história é centrada na busca de um serial killer que se intitula “A Luz da Cidade”, um psicopata metido a justiceiro que mata pessoas que cometeram crimes e que conseguiram escapar da polícia e da justiça. Para tentar identificá-lo e prendê-lo, entram em ação o psicólogo criminal Fang Mu (Chao Deng) e a especialista forense Mi Nan (Liu Shishi).  Com seu grande poder de dedução, Fang Mu consegue chegar a um suspeito dos mais evidentes, mas precisa provar que ele é o assassino. Muitas reviravoltas acontecerão até o desfecho, incluindo uma briga das mais sangrentas entre o vilão e o mocinho. A história é baseada no livro homônimo escrito por Mi Lei, um professor de psicologia criminal na China Police University. Um ótimo programa para quem curte filmes policiais.                                                                  



quinta-feira, 2 de agosto de 2018


Mais um filme argentino para dar inveja a nosotros: “A CORDILHEIRA” (“La Cordillera”), 2017, roteiro e direção de Santiago Mitre. Trata-se de um drama político, tendo como pano de fundo uma conferência dos presidentes latino-americanos no Chile, cujo principal objetivo é discutir e aprovar um tratado de compra e venda de petróleo entre as nações participantes. O astro Ricardo Darín é novamente o protagonista principal, no papel do presidente argentino Hernán Blanco. O filme é quase todo destinado a mostrar os bastidores da cúpula, as intrigas e negociatas por trás do pano. Participam da reunião e têm papel de destaque, além do presidente argentino, o presidente do Brasil, Oliveira Prette, (o ator brasileiro Leonardo Franco), a presidente do Chile, Paula Sherson (Paulina Garcia), e líderes de outros países, sem falar na presença, na calada da noite, do representante do governo dos EUA, Dereck McKinnley (Christian Slater em participação especial), este último apresentado como um sujeito arrogante e sem escrúpulos com muitos dólares para comprar votos. O presidente do Brasil também não é mostrado de forma muito simpática, mas autoritário e um tanto ignorante (lembraram de alguém?). Em meio ao estresse político da reunião, onde cada presidente é obrigado a firmar uma posição, o indeciso presidente argentino ainda tem de administrar as atitudes de sua filha Marina Blanco (Dolores Fonzi), uma jovem com graves problemas psicológicos. Achei o filme muito bom e destaco principalmente os cenários deslumbrantes da Cordilheira dos Andes, um show de visual. Para dar mais crédito à minha opinião sobre o filme, lembro que o jovem diretor Santiago Mitre, de 37 anos, é o mesmo do excelente “Paulina”. Mas sua qualidade maior é como roteirista, como provam filmes como “Leonora”, “Elefante Branco”, “Paulina” e, principalmente, “Abutres”. “A Cordilheira” foi exibido por aqui durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2017, e participou da mostra “Um Certain Regard” no Festival de Cannes 2017.