“TÁXI
SÓFIA” (“POSOKI”), 2017, Bulgária, roteiro e direção de Stephen
Komandarev, que também assina o roteiro ao lado de Simeon Ventsislavov. Ao
abordar a rotina diária de trabalho de seis taxistas na capital Sófia,
Komandarev cria um interessante mosaico da atual situação sócio-econômica e cultural
da Bulgária, um dos países mais pobres da Europa. As conversas dos motoristas
com seus passageiros e as situações, algumas insólitas, revelam um quadro de inconformismo e desesperança do povo búlgaro, mas Komandarev ameniza o contexto que poderia
ser dramático com um sutil e irônico bom humor, tom que predomina durante todo
o filme. As situações, por exemplo: o motorista de táxi leva a filha
adolescente para o colégio e aceita pegar outra estudante para uma corrida, no
meio da qual ela se revela uma prostituta de luxo. Em outra sequência, um motorista
quer conversar com os passageiros sobre o filho morto recentemente. Ninguém lhe
dá ouvidos. Aí ele para o carro e vai desabafar com um cachorro. Tem até um
padre que trabalha como motorista de táxi, outro que salva um homem que queria
se atirar de uma ponte e ainda uma motorista que trava um interessante diálogo
com um cirurgião cardíaco, entre outras situações inusitadas. Enfim, um filme
que foge da mesmice geral, realizado com inteligência e muita criatividade. A
primeira exibição de “Táxi Sófia” aconteceu durante o Festival de Cannes 2017,
quando participou da Mostra “Um Certain Regard”. Injusto que não tenha sido selecionado
pela Bulgária para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, pois, na minha
opinião, é um dos melhores filmes que assisti nos últimos anos. Imperdível!
sábado, 8 de setembro de 2018
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
“KINGS”, 2017, coprodução EUA/França,
roteiro e direção de Deniz Gamze Ergüven. A história é toda ambientada na Los
Angeles de 1992, quando a população de South Central - periferia de LA - se rebela depois do
resultado de dois julgamentos, o primeiro de uma comerciante chinesa que acabara
de assassinar uma garota negra dentro de seu estabelecimento comercial. O
segundo, de maior notoriedade, envolveu o espancamento do taxista negro Rodney
King por policiais brancos. Tanto a chinesa quanto os policiais foram
absolvidos, gerando uma onda de protestos violentos, com saques a
supermercados, incêndios e agressões contra brancos e policiais que ousassem passar
pelo bairro. Em meio a toda essa confusão está Millie (Halle Berry), uma mãe
solteira que cuida com muito sacrifício de oito filhos, alguns deles adotados. Sua
principal preocupação é não deixar que seus filhos entrem para a marginalidade,
como a maioria dos seus colegas. Seu vizinho, Ollie (Daniel Craig, péssimo), talvez o
único branco do pedaço, tenta dar uma força para a família de Millie,
principalmente depois que os protestos entram na fase mais violenta. A diretora
turca Deniz Gamze Ergüven tinha o roteiro pronto desde 2011, mas não conseguiu
financiamento para tocar o projeto adiante. Só conseguiu depois de escrever e
dirigir o ótimo “Mustang” (aqui traduzido por “Cinco Graças”), que representou
a França na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. A estreia
mundial de “KINGS” aconteceu no Toronto International Film Festival, em
setembro de 2017, e logo depois foi exibido nos festivais de Torino e
Estocolmo. Até a primeira metade do filme eu estava gostando, envolvido pelo
forte clima de tensão. Depois, achei que a diretora descambou para um
sentimentalismo exacerbado, amenizando o impacto das cenas mais fortes. Cheguei
a achar que tinha jeito de Oscar 2019, mas fiquei decepcionado com o resultado
final. Mais interessante do que bom.
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
terça-feira, 4 de setembro de 2018
O drama norte-americano “CHAPPAQUIDDICK”, 2017, direção de John
Curran e roteiro de Andrew Logan, revela os bastidores do rumoroso caso
envolvendo o então senador Ted Kennedy no final dos anos 60. No dia 18 de julho
de 1969, Ted estava reunido com a equipe de assessores em sua casa na Ilha de
Chappaquiddick. O objetivo era combinar estratégias e iniciar o planejamento
para sua candidatura à presidência dos EUA em 1972. Enquanto seu pessoal
comemorava o início da campanha, Ted aproveitou um dos intervalos para dar um “passeio”
de carro com a assessora Mary Jo Kopecane
- aparentemente sua amante, o que o filme não entrega. No caminho, Ted
perde a direção e o carro despenca no rio, matando a moça. Segundo foi apurado
posteriormente pela polícia, Ted demorou horas para comunicar o acidente,
colocando em dúvida sua afirmação de que tentara salvar Mary Jo. É claro que o
caso virou manchete no mundo inteiro, aniquilando sua carreira política e as
pretensões de concorrer às eleições presidenciais de 1972. O filme destaca os
esforços dos assessores em lidar com a tragédia, tentando aliviar a barra do
irmão mais novo de John Kennedy. Aliás, naquele ano, o único vivo dos quatro irmãos. Outro
destaque é dado ao relacionamento de Ted com o patriarca Joseph Kennedy, já
muito velho e doente. Fica claro que Ted nunca foi o mais querido dos irmãos.
Pelo contrário, era tratado pelo pai como o ovelha negra da família. O elenco é
muito bom: Jason Clarke (Ted), Kate Mara (Mary Jo), Ed Helms (Joe Gargan,
principal assessor), Bruce Dern (Joseph Kennedy) e Clancy Brown (Robert McNamara).
O filme estreou nos Estados Unidos no dia 6 de abril de 2018 e ainda não tem
data para ser exibido por aqui.
domingo, 2 de setembro de 2018

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quinta-feira, 30 de agosto de 2018
“TUDO
NOS SEPARA” (“TOUT NOUS SÉPARE”), 2017, escrito e dirigido por
Thierry Klifa. Existem três bons motivos
para recomendar este excelente thriller
francês. Primeiro, o roteiro muito bem elaborado, originando uma história bem
interessante e repleta de suspense. O segundo bom motivo é a direção de Thierry
Klifa, que consegue manter o clima angustiante de tensão do começo ao fim,
lembrando um fio bem esticado a ponto de se romper de repente. O terceiro
motivo é o ótimo elenco, capitaneado pelas atrizes Catherine Deneuve e Diane
Kruger, com destaque também para Brigitte Sy e os atores Nicolas Duvauchelle e Nekfeu
(um rapper francês de grande sucesso, cujo nome verdadeiro é Ken Samaras). Vamos
finalmente à história: Julia Keller (Kruger) é a filha drogada e problemática
da empresária Louise Keller (Deneuve). O namorado de Júlia é Rodolphe Calavera
(Duvauchelle), um delinquente que ganha a vida traficando drogas. Ao lado de
seu companheiro Ben Torres (Nekfeu), ele se envolve com uma violenta quadrilha
de traficantes, à qual acabam devendo uma grana bem alta. Em paralelo, o clima
entre Julia e Rodolphe não está nada bom, culminando com uma briga em que ela
acaba acertando-lhe a cabeça com uma barra de ferro. O cara morre e Julia corre
para a saia da mãe, pedindo para lhe ajudar a sair dessa situação. Elas tentam encobrir
o assassinato, mas Ben desconfia e passa a chantagear Louise. No desfecho
haverá uma reviravolta surpreendente, valorizando ainda mais este bom suspense
francês. Vale a pena!
domingo, 26 de agosto de 2018
“O
MOTORISTA DE TÁXI” (“TAEKSI WOONJUNSA”), 2017, Coreia do Sul, roteiro
e direção de Jang Hoon. Mais um excelente exemplar do cada vez melhor cinema
sul-coreano. A história é baseada em incríveis fatos reais ocorridos em maio de
1980, quando o motorista de táxi Man-Seop (Song Kang-Ho, o ator sul-coreano mais popular da atualidade), afundado em dívidas,
aceita levar o jornalista alemão Peter (Tohmas Kretschmann) de Seul para a
cidade de Gwangiu, onde o exército do ditador Chun Doo-Hwan promovia uma
sangrenta repressão contra os contrários ao governo, assassinando centenas de
civis, principalmente estudantes. Alheio aos acontecimentos, Man-Seop acha que
sua missão será tranquila. Mal sabe ele que será envolvido nas manifestações,
correndo risco de vida, ele e o jornalista alemão. O grande mérito desse filme
é relembrar com realismo o que aconteceu naquela época, ou seja, um fato
histórico da maior importância. Apesar do contexto violento da história, o
diretor Jang Hoon conseguiu alguma sensibilidade com a amizade entre o
motorista de táxi e o jornalista alemão. Nos créditos finais, o verdadeiro
jornalista alemão aparece vinte e tantos anos depois dando um depoimento emocionado
sobre essa amizade, afirmando que teria a maior alegria em reencontrar o amigo
sul-coreano, o que, infelizmente, não aconteceu. O filme é ótimo, imperdível! Para
terminar, lembro que foi o filme escolhido para representar a Coreia do Sul na
disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro.
O drama argentino “MATER”, 2017, foi inspirado na peça
teatral “El Viento em um Violin”, do dramaturgo Claudio Tolcachir. O elenco do
filme é o mesmo que atuou na peça, ou seja, Lautaro Perotti, Araceli Dvoskin,
Tamara Kiper, Inda Lavalle e Miriam Cordeiro. Este é o primeiro longa-metragem escrito
e dirigido por Pablo D’Alo Abba, mais conhecido na Argentina como realizador de
documentários. A história de “MATER”
é centrada no jovem Dario (Perotti), mimado, folgado e dependente da mãe Mecha
(Miriam Odorico), que toma todas as decisões pelo filho e o domina na base da rédea
curta. Vendo que seu filho, aos 30 anos, não quer nada com a hora da Argentina,
Mecha paga umas consultas com um psicólogo, sem resultados. As sessões são um
fracasso, pois Dario se acha um gênio da psicologia e quer ensinar o coitado do
psicólogo. As sessões até que rendem alguns momentos bem-humorados. Corre em
paralelo a história de Celeste (Tamara Kiper) e Lena (Inda Lavalle), que querem
ser mães – ou pais, lá sei eu – e resolvem encontrar um homem numa balada. O
escolhido é justamente Dario, que é obrigado na base da força a consumar o ato.
Por aquelas coincidências que só acontecem em filme, uma das lésbicas é filha
de Nora (Araceli Dvoskin), empregada há muitos anos na casa de Dario. A
confusão está formada, e as duas famílias vão ter que resolver com quem ficará
a criança. Mais um bom filme argentino que merece ser visto.
sábado, 25 de agosto de 2018
“O
DESAPARECIMENTO DE SIDNEY HALL” (“The Vanishing of Sidney Hall”), USA,
2017, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Shawn Christensen. Filme
independente muito interessante e bem elaborado, com um elenco de muita
competência: Logan Lerman (“Percy Jackson”), Elle Fanning, Michelle Monaghan,
Blake Jenner, Kyle Chandler e Nathan Lane. A história é centrada no jovem
escritor Sidney Hall (Lerman), que desde o colégio sonhava em ser escritor.
Sempre foi um jovem rebelde, mas muito inteligente. Seus textos no jornal da
escola eram bastante elogiados, até que um dia resolveu escrever um livro que
virou best-seller e o levou à fama, inclusive sendo indicado ao badalado Prêmio
Pulitzer. Em meio à jornada literária de Sidney, o roteiro destaca também, em
flashbacks, o seu primeiro grande amor e depois sua esposa, a bela Melody (Fanning),
a amizade com seu colega de classe Brertt Newport (Jenner) e sua relação com a
mãe (Michelle Monaghan). Depois do sucesso alcançado com seu primeiro livro,
Sidney some do mapa, vira andarilho/mendigo e sai pela estrada de ferro afora a
bordo de trens de carga. Seu sumiço é investigado por um policial misterioso (Chandler), seguindo uma pista referente ao incêndio de vários livros escritos justamente por Sidney. Enfim, um filme que se mostra acima da média vigente, como comprovam as
críticas positivas quando estreou no Festival de Sundance 2017.
“15h17
– TREM PARA PARIS” (“The 15:17 to Paris”), EUA, 2018, direção de
Clint Eastwood, com roteiro de Dorothy Blyskal. O filme conta a história dos
três norte-americanos que evitaram o ataque de um terrorista árabe num trem de
alta velocidade que ia de Amsterdam (Holanda) para Paris no dia 21 de agosto de
2015. Armado com um fuzil AK-47, pistolas e munição suficiente para matar os
554 passageiros do trem, o terrorista marroquino Ayoub El-Khazzani foi dominado
e preso pelos três rapazes, o soldado Alek Skarlatos, o piloto da Força Aérea
Spencer Stone e Jaleel White. O filme volta no tempo para mostrar a antiga
amizade que uniu os rapazes até os dias atuais, culminando com o ato heroico em
território francês. A grande inovação de Eastwood foi escalar os próprios
personagens para representá-los no filme. Não prejudicou em nada, embora a
gente perceba, em algumas cenas, que não são atores profissionais. Aliás, as
atrizes Jenna Fischer e Judy Greer foram duas das poucas profissionais do
elenco. Ator em 71 filmes e diretor em outros 40, além de quatro Oscar no
currículo, Eastwood tem respeito e crédito suficientes para fazer o que quiser
no cinema. Para escrever o
roteiro, Dorothy Blyskal baseou-se no livro “The 15:17 to Paris: The True Story
of a Terrorist, a Train and Three American Soldiers”, de Jeffrey E. Stern. Em se
tratando de Eastwood, eu esperava um filme bem melhor. Não que seja ruim, mas bem abaixo da qualidade de outros filmes do grande Eastwood. Vale
apenas pela história incrível de heroísmo.
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Ao contrário do que diz o
material de divulgação, “DEIXE A LUZ DO
SOL ENTRAR” (“UN BEAU SOLEIL
INTÉRIEUR”), 2017, França, não é uma comédia romântica, mas sim um drama.
Talvez comédia dramática, mas romantismo passa longe. A história é centrada na
vida amorosa da artista plástica Isabelle (Juliette Binoche). Mulher de meia-idade, divorciada e com uma filha, Isabella vive vários relacionamentos, ao mesmo
tempo em que tem um amante fixo, Vincent (Xavier Beauvois), um banqueiro
arrogante e ainda por cima casado. Ela quer mais afeição e busca conseguir
quando sai pela noite para dançar, programa que acaba quase sempre na cama com
alguém. Foi assim com um ator de teatro (Nicolas Duvauchelle, que tem uma incrível
semelhança com o grande Marcello Mastroianni jovem), com um diretor de galeria
e com outros tantos. Mesmo com essa variedade de amantes, Isabelle sofre de
carência afetiva, pois quase sempre seus romances acabam rápido, entre brigas e
desilusões. Já no final, Isabelle consulta um terapeuta (Gérard Depardieu, em
participação especial) para tentar resolver sua carência. Aos 54 anos, Juliette
Binoche ainda é uma mulher muito bonita, charmosa e sensual, além de ótima
atriz (ela é a mais bem-paga do cinema francês). Binoche tem um Oscar de Melhor
Atriz Coadjuvante por “O Paciente Inglês”, de 1996, e nada menos do que seis
indicações para o César (o Oscar francês), sendo que numa delas, justamente em “Deixe
a Luz do Sol Entrar”, conquistou o prêmio de Melhor Atriz. Realmente, ela é
fantástica, a alma desse bom drama francês dirigido pela veterana diretora Claire
Denis (“Minha Terra, África”, “Desejo e Obsessão” e “35 Doses de Rum”).
domingo, 19 de agosto de 2018

sábado, 18 de agosto de 2018
Representante de Israel na
disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro e premiado em vários
festivais de cinema pelo mundo afora, o drama “FOXTROT” surpreende positivamente pelo modo de filmar criativo, um
roteiro inteligente e bem elaborado, um humor sutil e um desfecho dos mais inesperados.
Ah, e tem dois atores israelenses maravilhosos, Sarah Adler e Lior Ashkenazi,
que formam o casal de pais que vive em Tel Aviv e que um dia recebem a notícia
de que seu filho Jonathan, soldado do exército, foi morto num atentado. Arrasados,
Michael e Daphna Feldmann entram numa espiral de tristeza, desilusão e histerismo,
comprometendo até o casamento. Um corte abrupto e a história muda radicalmente
de cenário, passando a enfocar quatro jovens soldados num posto de fronteira,
entre eles Jonathan. Numa vistoria de rotina a um veículo com quatro jovens
árabes, os soldados israelenses cometem um equívoco que acaba numa tragédia. As
autoridades israelenses, porém, resolvem esconder o ocorrido da maneira mais
sórdida. Prefiro não comentar o restante do filme, já que está reservada uma
grande surpresa no desfecho. Só posso adiantar a principal mensagem do filme: ninguém
pode com a força do destino. O filme causou grande polêmica em Israel, já que
mexeu com os brios do seu exército, uma instituição sagrada para os
israelenses. A ministra da Cultura Miri Regev fez duras críticas ao filme,
considerando-o uma espécia de traidor da pátrica. O filme foi escrito e
dirigido por Samuel Maoz, consagrado diretor israelense que venceu o “Leão de
Ouro” no Festival de Veneza de 2009 com “Lebanon”. “FOXTROT” foi premiado em festivais como o de Toronto, Zagreb e Londres,
além de conquistar o “Leão de Prata” (2º lugar) no Festival de Cinema de Veneza
em 2017. Um filme muito interessante que merece ser visto por quem aprecia
cinema de qualidade.
sexta-feira, 17 de agosto de 2018

segunda-feira, 13 de agosto de 2018
“HONRA AO MÉRITO” (“THANK YOU FOR YOUR SERVICE”) – já vi capinha de DVD do mesmo filme com o título “Marcas
da Guerra” – 2017, EUA, estreia na direção de Jason Dean Hall. Um dos melhores
filmes que já vi sobre o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), distúrbio
ou perturbação mental que
atinge,
principalmente, os soldados que retornam de uma frente de guerra. Um aspecto
que valoriza ainda mais esse filme é o fato de ter sido baseado em fatos reais
narrados no livro escrito pelo jornalista David Finkel, do Jornal Washington
Post. A história é centrada em três soldados que voltaram do Iraque após um
período de um ano e três meses. Traumatizados com o que viram e com o que
vivenciaram, eles têm pesadelos diários, dificuldade de se socializar, inclusive
com a própria família, e muitos deles com tendências suicidas. O personagem
principal é o sargento Adam Schumann (Miles Teller), que se sente responsável
por alguns fatos trágicos ocorridos com seu pelotão. O filme revela, de uma
forma contundente, um fato um tanto desconhecido para nós: o governo
norte-americano não valoriza muito os seus veteranos de guerra – sinta a ironia
do título original. São milhares de soldados que precisam de ajuda psicológica
e que entram numa fila pior que o nosso SUS para comprovar que realmente
estiveram numa zona de guerra e precisam de ajuda. O ator Miles Teller, do espetacular “Whiplash:
Em Busca da Perfeição, de 2014, comprova mais uma vez sua competência, num
papel que exige um forte tom dramático. O filme é muito bom, sério,
esclarecedor, um gol de placa do estreante diretor Jason Dean Hall, mais
conhecido como excelente roteirista. É dele, por exemplo, o roteiro do ótimo “Sniper Americano”, de
2014.
domingo, 12 de agosto de 2018
O drama alemão “EM
PEDAÇOS” (“AUS DEM NICHTS”), 2017, roteiro e direção do turco radicado na
Alemanha Fatih Akin, conta a história de Katja Sekerci (Diane Kruger), uma
mulher atingida por uma terrível tragédia: a morte de seu marido Nuri Sekerci
(Numan Acar) e do filho Rocco num atentado terrorista. No início das
investigações, a polícia descobre que o marido de Katja,
um imigrante turco, havia cumprido pena por tráfico de drogas e, a partir daí,
passa a desconfiar que o assassinato tem a ver com alguma vingança de
traficantes. Enquanto a polícia investiga, Katja entra em depressão, passa a
beber e a usar drogas, contando apenas com o apoio de sua amiga Birgit (Samia
Chancrin) e do advogado amigo da família Danilo Fava (Denis Moschitto). Depois
de algum tempo, a polícia alemã consegue prender os terroristas, um jovem casal
ligado ao movimento neonazista. Eles vão a julgamento e são defendidos pelo
advogado Vertidiger Haberbeck (o ótimo Johannes Krisch), enquanto a acusação fica
a cargo do advogado Danilo. O resultado do julgamento é anunciado e Katja não
se conforma, o que a leva a planejar uma vingança com as próprias mãos. A parte
final do filme é repleta de suspense, culminando com um desfecho dos mais surpreendentes
e chocantes. A atuação da atriz alemã Diane Kruger como a viúva arrasada é
sensacional, tanto que conquistou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de
Cannes. O filme é ótimo, como comprovam a conquista do Globo de Ouro como
Melhor Filme Estrangeiro e a indicação como representante da Alemanha ao Oscar
2018. Como ganhou o Globo de Ouro, esperava-se que ficasse entre os cinco
finalistas de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar, o que, surpreendentemente, não
aconteceu. Resumo da ópera: um filmaço!
sábado, 11 de agosto de 2018
“EUTANÁSIA” (“Armomurhaaja” – pesquisei a tradução
literal: “A Graça de Assassino"), 2017, Finlândia, roteiro
e direção de Teemu Nikki. Trata-se de
uma comédia de humor negro centrada num mecânico de meia-idade, Veijo Haukka
(Matti Onnismaa), que utiliza as dependências de sua oficina para sacrificar
animais domésticos. As pessoas levam seus bichinhos para Veijo porque ele cobra
o “serviço” muito mais barato do que a veterinária do vilarejo. Ele utiliza dois
métodos: um tiro na cabeça do animal ou asfixia por gás. O solitário e esquisito
Veijo é metido a psicólogo de bichos. Ele analisa cada um deles antes de sacrificá-lo
e diz se ele foi feliz ou não, bem tratado ou não. Em meio a esse trabalho,
Veijo faz visitas ao pai que está para morrer e encontra tempo para ter um caso
com a enfermeira do hospital, uma jovem completamente biruta. Além disso, o
filme ainda destaca um grupo de alienados neonazistas que se intitulam “matadores
de negros”. Que fique claro que a matança dos animais não é explícita, mas
apenas sugerida. Mesmo assim, não é nada agradável imaginar o que acontece. Na verdade,
o filme é mórbido demais, desagradável de assistir. Mesmo assim, depois de
estrear no Festival de Toronto 2017, venceu os prêmios de Melhor Roteiro e
Melhor Música no Jussi 2018, o Oscar finlandês, onde também foi indicado como
Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz Coadjuvante. Aqui no Brasil, foi exibido
na programação da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro
de 2017. Só para espectadores com estômago forte.
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
“O FANTASMA DA SICÍLIA” (o título original ficou sendo “Sicilian Ghost Story”,
talvez para facilitar a entrada do filme nos países de língua inglesa – achava mais legal se o título fosse em italiano, "Il Fantasma Della Sicilia" em tradução literal), 2017, Itália, escrito e dirigido por Fabio Grassadonia e Antonio Piazza,
os mesmos de “Salvo” (2013). O pano de fundo é o assustador predomínio da Máfia na Sicília
nos anos 80. O garoto Giuseppe, de 13 anos, some misteriosamente numa floresta
próxima ao vilarejo onde mora. Na verdade, como se poderá verificar no
transcorrer da história, o adolescente foi sequestrado pela máfia siciliana em
represália às delações de seu pai, também integrante da organização criminosa.
Para amenizar o contexto trágico, Grassadonia e Piazza construíram o roteiro
baseados no romance entre Giuseppe (Gaetano Fernandez) e Luna (a estreante
Julia Jedlikowska). Os dois tinham uma
ligação muito forte de amizade que depois se transformou em paixão juvenil
antes do desaparecimento do garoto. Durante os dois anos seguintes, Luna jamais
esqueceu de Giuseppe, tentando encontrá-lo de tudo o que é jeito. O filme vira
uma fábula diante da fantasia de Luna em imaginar o encontro com seu grande amor,
em cenas que os diretores transformaram em bela poesia visual. O filme é bom,
mas talvez arrastado demais. Nos créditos finais aparece a explicação de
que o filme é dedicado a Giuseppe Di Matteo (1981-1996), um jovem sequestrado e
assassinado pela máfia siciliana, o caso real em que a história é baseada. “O Fantasma da Sicília”
foi escolhido para abrir a Semana da Crítica no Festival de Cannes 2017, além de ter conquistado o prêmio de melhor roteiro no Festival de Sundance (EUA). Por aqui, foi exibido, também em 2017, durante a programação do Festival do Cinema Italiano, realizado em oito cidades brasileiras.
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
“EM BUSCA DA LIBERDADE” (“ON WINGS OF EAGLES”), 2017, China/EUA, roteiro e direção da dupla Stephen
Shin e Michael Parker. A história é baseada em fatos reais, ou seja, a vida do corredor
escocês Eric Liddell, medalha de ouro nos 400 metros da Olimpíada de Paris, em
1924. Uma parte da biografia de Liddell já havia sido apresentada em “Carruagem
de Fogo”, Oscar de melhor filme em 1981. No filme “Em Busca da Liberdade”, o
enfoque é dado ao trabalho de missionário presbiteriano que Liddell desenvolveu
na China anos depois da medalha de ouro, dando aulas para crianças das
comunidades pobres. Em 1941, porém, quando a China é invadida pelo Japão, Liddell
sofrerá na pele as consequências da guerra, sendo preso e muitas vezes
torturado num campo de concentração japonês destinado a norte-americanos e
britânicos. Vale a pena assistir porque a história é bastante interessante,
principalmente por apresentar o empenho de um astro do esporte num esforço de
solidariedade humana. Um exemplo e tanto!
domingo, 5 de agosto de 2018
Representante oficial da
Lituânia na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, o drama “FROST”
(“Serksnas”), escrito e dirigido por Sharunas Bartas, conta a história de
um casal de namorados, Rokas (Mantas Janciaauskas) e Inga (Lyja Maknaviciute),
que aceita o pedido de um amigo para conduzir uma van com ajuda humanitária –
roupas e mantimentos – para a população civil da Ucrânia. Na verdade, o estilo
é de um road movie, saindo da Lituânia,
passando pela região fronteiriça da Polônia, até chegar à Ucrânia. No meio do
caminho, eles encontram vários personagens com os quais conversam sobre a
situação de conflito na Ucrânia e na Crimeia. Um desses personagens é a
jornalista Marianne (participação especial da atriz francesa Vanessa Paradis,
ex-mulher do ator Johnny Depp). A viagem dos namorados transcorre em meio a
cenários gélidos, estradas sob a neve e, provavelmente, a muitos graus abaixo
de zero. É angustiante acompanhar os viajantes por esses cenários melancólicos.
O desfecho transforma-se num suspense de grande tensão, pois Rokas se perde
pelo caminho e vai parar direto na violenta zona de conflito bélico separatista
da Ucrânia. O ritmo do filme é extremamente lento, o que, no resultado final,
não prejudica sua qualidade como cinema. Mas é bom esclarecer: não é um filme
para neófitos. Estreou e foi uma das atrações da Quinzena de Realizadores do
Festival de Cannes 2017.
sábado, 4 de agosto de 2018
“ASSASSINO EM SÉRIE” (“Xin Li Zui Zhi Cheng Shi
Guang”), 2017, China, roteiro e direção de Xu Jizhou
(seu primeiro longa-metragem). Confesso que fiquei em dúvida: assisto ou não
assisto? Afinal, não tinha referências, nem do diretor nem dos atores, ainda
mais um policial chinês. Decidi conferir e, para minha surpresa, acabei
assistindo a um ótimo filme policial, com muita ação, suspense e cenas bastante
criativas – a sequência inicial, uma perseguição na roda gigante de um parque
de diversões, é espetacular. A história é centrada na busca de um serial killer
que se intitula “A Luz da Cidade”, um psicopata metido a justiceiro que mata
pessoas que cometeram crimes e que conseguiram escapar da polícia e da justiça.
Para tentar identificá-lo e prendê-lo, entram em ação o psicólogo criminal Fang
Mu (Chao Deng) e a especialista forense Mi Nan (Liu Shishi). Com seu grande poder de dedução, Fang Mu consegue
chegar a um suspeito dos mais evidentes, mas precisa provar que ele é o
assassino. Muitas reviravoltas acontecerão até o desfecho, incluindo uma briga
das mais sangrentas entre o vilão e o mocinho. A história é baseada no livro
homônimo escrito por Mi Lei, um professor de psicologia criminal na China
Police University. Um ótimo programa para quem curte filmes policiais.
quinta-feira, 2 de agosto de 2018
Mais um filme argentino
para dar inveja a nosotros: “A
CORDILHEIRA” (“La Cordillera”), 2017, roteiro e direção de Santiago
Mitre. Trata-se de um drama político, tendo como pano de fundo uma conferência
dos presidentes latino-americanos no Chile, cujo principal objetivo é discutir
e aprovar um tratado de compra e venda de petróleo entre as nações
participantes. O astro Ricardo Darín é novamente o protagonista principal, no
papel do presidente argentino Hernán Blanco. O filme é quase todo destinado a
mostrar os bastidores da cúpula, as intrigas e negociatas por trás do pano. Participam
da reunião e têm papel de destaque, além do presidente argentino, o presidente do
Brasil, Oliveira Prette, (o ator brasileiro Leonardo Franco), a presidente do
Chile, Paula Sherson (Paulina Garcia), e líderes de outros países, sem falar na
presença, na calada da noite, do representante do governo dos EUA, Dereck McKinnley
(Christian Slater em participação especial), este último apresentado como um
sujeito arrogante e sem escrúpulos com muitos dólares para comprar votos. O
presidente do Brasil também não é mostrado de forma muito simpática, mas
autoritário e um tanto ignorante (lembraram de alguém?). Em meio ao estresse
político da reunião, onde cada presidente é obrigado a firmar uma posição, o
indeciso presidente argentino ainda tem de administrar as atitudes de sua filha
Marina Blanco (Dolores Fonzi), uma jovem com graves problemas psicológicos. Achei
o filme muito bom e destaco principalmente os cenários deslumbrantes da
Cordilheira dos Andes, um show de visual. Para dar mais crédito à minha opinião sobre o filme, lembro que o jovem
diretor Santiago Mitre, de 37 anos, é o mesmo do excelente “Paulina”. Mas sua
qualidade maior é como roteirista, como provam filmes como “Leonora”, “Elefante
Branco”, “Paulina” e, principalmente, “Abutres”. “A Cordilheira” foi
exibido por aqui durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em
outubro de 2017, e participou da mostra “Um Certain Regard” no Festival de
Cannes 2017.
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