A atriz Jennifer Lawrence comanda o elenco
de “OPERAÇÃO RED SPARROW” (“Red Sparrow”), ano de produção 2017, EUA. Elenco,
aliás, dos mais estrelados: Joel Edgerton, Jeremy Irons, Charlotte Rampling,
Matthias Schoenaerts, Ciarán Hinds, Mary-Louise Parker, Thekla Hauten e Joely
Richardson. É um filme de espionagem baseado no romance “Red Sparrow”, escrito
por Jason Mathews, um ex-agente da CIA que resolveu ser escritor. O livro foi
adaptado para o cinema pelo roteirista Jason Mathews e a direção ficou a cargo
de Francis Lawrence, que não é parente da Jennifer e a dirigiu nos três filmes
da Saga “Jogos Vorazes”. Vamos à
história. Depois de sofrer um grave acidente em pleno palco, Dominika Egorava
(Jennifer), primeira bailarina do Bolshoi, vê sua carreira interrompida. Seu
tio Ivan Egorov (o ator belga Schoenaerts), um importante oficial do serviço
secreto russo, convence Dominika a ingressar numa escola de espiões chamada “Red
Sparrow”. Em contrapartida, ele se compromete a cuidar da mãe doente de
Dominika (Joely Richardson). Dominika se sobressai nos testes na escola e logo
é designada para uma importante missão: descobrir a identidade de um informante
que trabalha para a CIA. Ela terá que enfrentar Nathaniel Nash (Edgerton), um espião
norte-americano com larga experiência em terreno russo. Embora tenha mais blá-blá-blá
do que ação, o filme é bastante violento e tem muitas cenas de sexo, inclusive
com Jennifer Lawrence, que deixou de lado a heroína juvenil de “Jogos Vorazes”
para se transformar numa espiã voraz em sexo. Ela também aparece nua, comprovando
plenamente sua fama de mulherão. Com uma reviravolta surpreendente no desfecho,
o filme consegue prender a atenção do espectador, tornando-se um bom programa
para uma sessão da tarde.
sábado, 9 de junho de 2018
quarta-feira, 6 de junho de 2018
“ADEUS
ÍNDIA” (“VICEROY’S HOUSE”),
2017, coprodução Inglaterra/Índia, direção de Gurinder Chadha, é um drama
histórico, baseado em fatos reais, contando os bastidores de como se deu a
transição da Índia britânica para a sua independência, depois de 200 anos de
domínio imperial inglês. O filme é ambientado em 1947, quando Lord Louis
Mountbatten, bisneto da Rainha Vitoria, é designado para ocupar o cargo de último
Vice-Rei da Índia e, como tal, encarregado de administrar todo o processo de
transição, o que o levou a uma série de negociações com os líderes locais,
incluindo até o honorável Gandhi. Difícil a sua tarefa, pois os muçulmanos não
concordavam em viver com os hindus na Índia e, portanto, queriam a criação de
um outro país, o Paquistão. Para conseguir realizar o seu trabalho Mountbatten (Hugh
Bonneville) conta com o apoio incondicional de sua esposa Edwina (Gillian
Anderson) e de sua filha Pamela (Lily Travers). Mountbatten bem que tentou
apaziguar os envolvidos, mas logo verá que é impossível acabar com um ódio que
vem de séculos (vide palestinos e judeus). Lançado no Festival de Cinema de
Berlim, o filme foi massacrado pela crítica especializada. Eu gostei. Achei a
produção impecável sob o ponto de vista histórico, além de um visual
deslumbrante – os cenários são espetaculares – e uma primorosa recriação de
época, destacando-se, principalmente, os figurinos. Não tenho dúvida em
recomendar.
terça-feira, 5 de junho de 2018
“MADAME”, 2017, França, direção e roteiro (com a
colaboração de Matthew Robbins) de Amanda Sthers. Um casal de norte-americanos
(Toni Collette e Karvey Keitel) muda-se para a França e decide organizar um
jantar para a alta sociedade parisiense, incluindo o prefeito da cidade e seu
namorado. A mesa está arrumada para 12 pessoas, quando de repente surge um
convidado extra, justamente o filho bêbado do anfitrião. A mesa, então, passa a
ter 13 lugares, inconcebível para a supersticiosa Anne (Collette). A solução
improvisada, já que o jantar aconteceria poucas horas depois, foi transformar a
empregada Maria (Rossy De Palma) numa madame da alta aristocracia parisiense,
com a recomendação de que não abrisse a boca, nem para falar, nem para comer ou
beber muito. Triste ilusão. Maria toma uns vinhos mais e acaba até contando
umas piadas inconvenientes, para desespero dos patrões. Só que no meio dos convidados está o
cinquentão David Reville (Michael Smiley), um importante empresário francês que se
encanta com Maria. A partir de então, o filme esquece o humor e parte para o
romance. Se já era ruim como comédia, ficou ainda pior quando enveredou para a
comédia romântica. Terminado o filme, fiquei me perguntando como estrelas
consagradas como Harvey Keitel e Toni Collette se submeteram a trabalhar nesse
abacaxi. Até a espanhola Rossy De Palma, de tantos filmes de Almodóvar, deve
ter ficado constrangida.
segunda-feira, 4 de junho de 2018
“STEFAN
ZWEIG – ADEUS, EUROPA” (“Stefan Zweig – Farewell to Europe”), 2016, coprodução Áustria/Alemanha, roteiro
e direção de Maria Schrader. Trata-se de um drama biográfico enfocando os
últimos seis anos do escritor, romancista, poeta, jornalista, dramaturgo e
biógrafo austríaco Stefan Zweig. Em 1936, perseguido pelo nazismo, Zweig (Josef
Hader) resolve fugir com a esposa Lotte (Aenne Scwarz) para a América do Sul.
Já muito famoso no mundo inteiro como um dos principais escritores do Século
XX, Zweig é tratado como uma grande personalidade, sendo convidado para proferir
palestras em cidades como Rio de Janeiro, Buenos Aires e Nova Iorque. Ele se
estabelece em Petrópolis (Rio de Janeiro) e lá escreve “Brasil, País do Futuro”, lançado em
1941. No ano seguinte, deprimido com a situação da guerra na Europa, ele se
suicida juntamente com a esposa. O filme deixa muito a desejar com relação à
obra do escritor. Não é mencionado nenhum dos livros que escreveu, principalmente
importantes biografias de gente como, por exemplo, Dostoievski, Tolstoi, Dickens,
Stendhal, Maria Antonieta, Nietzsche, Balzac etc. Também pouco se fala sobre sua
vida anterior, na Áustria. De qualquer forma, o filme é, sem dúvida, bastante
interessante. Destaco com uma das cenas de maior impacto aquela em que Zweig
participa de um congresso de escritores em Buenos Aires, durante o qual são
citados, nome por nome, os intelectuais banidos pelo regime nazista, então presos ou exilados.
De emocionar. Fora isso, vale citar o excelente trabalho do ator austríaco
Josef Hader na pele do escritor. Um show de interpretação. A quem possa
interessar, existe uma biografia bem legal sobre Zweig – “Morte no Paraíso”, de
1981 -, escrita pelo recentemente falecido jornalista Alberto Dines - a diretora Maria Schrader o leu para escrever o roteiro. Eu também li e
recomendo, assim como o filme.
domingo, 3 de junho de 2018

sexta-feira, 1 de junho de 2018

quinta-feira, 31 de maio de 2018
“TRÊS
VIDAS E UM DESTINO” (“Head in the Clouds”), coprodução EUA/Inglaterra/Espanha, 2004, escrito e
dirigido pelo inglês John Duigan. Trata-se de um drama histórico romanceado,
ambientado na Europa durante os tumultuados anos 30 e 40 do século passado. A
história é centrada na amizade dos jovens Guy Malyon (Stuart Towsend),
professor universitário, Gilda Bessé (Charlize Théron), fotógrafa e filha de um
milionário aristocrata francês, e Mia (Penélope Cruz), uma refugiada espanhola
que ganhava a vida como stripper em
Paris. Guy e Gilda se conhecem na Universidade de Cambridge, ele se apaixona e
depois vai atrás dela em Paris. Gilda é uma mulher independente, sai e vai para
cama com vários homens e, ao que se presume, também com mulheres, inclusive Mia.
Na capital francesa, os três acabam morando juntos e formando um previsível ménage à trois. Até que um dia Guy e Mia
resolvem ir para a Espanha com o objetivo de ajudar a resistência ao governo
fascista de Franco. Depois que o conflito termina na Espanha, Guy volta a Paris
para procurar Gilda, mas aí começa a Segunda Guerra Mundial e a situação acaba
ficando cada vez mais difícil. Mesmo ainda muito jovens, as atrizes Charlize
Theron e Penélope Cruz, assim como o ator irlandês Stuard Towsend, já tinham
uma carreira consolidada no cinema e, sem dúvida, valorizaram ainda mais este
bom drama histórico. Destaque para a excelente recriação de época,
principalmente os figurinos, dignos de um editorial de moda dos anos 30/40. Sem
falar, é claro, na beleza e na competência das duas atrizes principais.
quarta-feira, 30 de maio de 2018

domingo, 27 de maio de 2018
“OS
FANTASMAS DE ISMAËL” (“LES FANTÔMES D’ISMAËL”), 2017, França, roteiro e direção de Arnaud
Desplechin. Acho que o cinema francês é, atualmente, o que oferece os melhores
e mais interessantes filmes. Claro que, de vez em quando, pisa na bola. A
pisada mais recente é este drama de roteiro complicado, o chamado “filme-cabeça”,
que confunde os neurônios dos espectadores. E olha que o elenco é ótimo:
Mathieu Amalric, Marion Cotillard, Charlotte Gaisbourg, Louis Garreal e Alba
Rohrwacher. O cineasta Ismaël (Amalric) vive um romance com a astrofísica Sylvia
(Gainsbourg). Há 21 anos, ele foi abandonado pela primeira esposa, Carlotta
(Cotillard), que sumiu de repente e poucos anos depois foi dada como morta. Só
que a “falecida” volta para tumultuar o ambiente, colocando em risco a
felicidade do novo casal. Sylvia fica enciumada e exige que Carlotta suma do
pedaço, o que acaba resultando um grande conflito. Alternando-se com essa
história, há uma outra: o caso de Ivan Dedalus (Garrel), que passa num teste para entrar
para a diplomacia francesa e resolve casar com a jovem Arielle Faunia
(Tohrwacher). Não há qualquer relação entre uma história e outra, a não ser que
seja um filme dentro de outro, o que não fica muito claro, pelo menos para
minha humilde inteligência. Acho que só confunde a cuca do espectador. Apesar
de pretensioso e de difícil compreensão, o filme foi selecionado para abrir o
Festival de Cannes 2017, além de ser indicado ao prêmio de Melhor Filme
Estrangeiro no Festival de Munique 2017. Ah, como destaque, recomendo a cena de
nu frontal protagonizada por Marion Cotillard, sem dúvida a melhor coisa desse
filme. Do mesmo diretor francês, recomendo “Terapia Intensiva” e “Três
Lembranças da Minha Juventude”, bem melhores do que este.
“ATORMENTADO
PELO PASSADO” (“ROMANS”),
2016, Inglaterra, primeiro longa-metragem dirigido pelos irmãos Ludwig e Paul
Shammasian, mais conhecidos no meio cinematográfico como diretores de curtas. A
história é centrada em Malky (Orlando Bloom), um operário que vive de bicos na
área da construção civil. Ele namora a bela Emma (Janet Montgomery), tem muitos
amigos e vive para cuidar da mãe (Anne Reid, em ótima atuação). Tudo vai bem até Malky ser
contratado para a equipe de demolição da antiga igreja local. Seu passado vem à
tona com a triste recordação de um fato ocorrido naquela mesma igreja há 25
anos: ele foi abusado sexualmente por um padre. A partir daí, Malky passa a
agir com violência, entra em depressão e seu relacionamento com os amigos, com
a namorada e com a própria mãe vira um verdadeiro inferno. Para piorar a
situação, Malky descobre que o líder da nova igreja será o mesmo padre que o
violentou. E por aí vai esse drama um tanto desagradável, pesado e arrastado,
muito difícil de digerir por quem está a fim de um bom entretenimento. A fraca atuação
de Orlando Bloom, mais conhecido por filmes como “O Senhor dos Anéis” e “Piratas
do Caribe”, não justifica sua escolha para o personagem principal. Enfim, não
dá para recomendar.
sexta-feira, 25 de maio de 2018
“O
QUE TE FAZ MAIS FORTE” (“STRONGER”),
2017, EUA, direção de David Gordon Green. Todo mundo lembra do atentado
ocorrido no dia 15 de abril de 2013 durante a Maratona de Boston, quando a
explosão de duas bombas matou três pessoas e deixou 264 feridas, muitas
gravemente. Um dos feridos com maior gravidade foi o jovem Jeff Bauman, de 28
anos, que perdeu as duas pernas abaixo dos joelhos e se transformou num
verdadeiro herói nacional ao ajudar o FBI a descobrir a identidade de um dos
terroristas. Bauman escreveu uma autobiografia na qual se baseou o roteirista
John Pollono para adaptá-la ao cinema. O filme conta em detalhes o sofrimento
pelo qual Bauman (Jake Gyllenhaal) passou depois do acidente, os primeiros
curativos (a cena é de arrepiar), as sofridas sessões de fisioterapia, as horas
de desespero e angústia, o apoio dos pais e amigos e o tumultuado romance com a
jovem Erin Hurley (Tatiana Maslany). Também ganham destaque no filme as
homenagens que Bauman recebeu da cidade de Boston durante os concorridos jogos
das equipes locais de beisebol e futebol americano. O foco principal, porém, é
o esforço de Bauman para superar a tragédia com muita coragem e perseverança.
Gostei do filme, mas fiquei muito triste ao ver a ótima atriz inglesa Miranda
Richardson (que faz a mãe de Bauman) tão fora de forma, envelhecida e enorme de
gorda, mas mesmo assim ainda muito competente.
quarta-feira, 23 de maio de 2018
“OBEDIÊNCIA
PERFEITA” (“OBEDIENCIA PERFECTA”),
2014, México, roteiro e direção de Luis Urquiza (seu primeiro e único longa-metragem).
A história toca numa ferida das mais purulentas envolvendo a Igreja Católica,
ou seja, o abuso sexual praticado por seus padres. No caso, o padre mexicano Angel
de La Cruz (Juan Manuel Bernal), fundador da Ordem Cruz de Cristo, que durante quase
duas décadas abusou sexualmente de jovens seminaristas – praticamente adolescentes.
Seu jovem “preferido” era Julián (Sebastián Aguirre), que ao entrar no
seminário de Angel ganhou o pseudônimo de Sacramento Santos. Baseado nos
preceitos de Ignácio de Loyola, fundador da Ordem dos Jesuítas, Angel adotava
como ensinamento básico e regra obrigatória a “obediência perfeita”, fazer tudo
o que os padres superiores mandarem, inclusive “aquilo”. Toda a história
contada no filme foi baseada no livro “Los Legionários de Cristo”, escrito por
Ernesto Alcocer, cujo personagem principal é o padre Marcial Maciel Degollado
(1920-2008), processado e depois excomungado pelo Papa Bento XVI. O diretor
Urquiza disse, em entrevista, que resolveu fazer o filme depois que soube que o
Papa João Paulo II, em sua gestão, acobertou o padre Marcial. O filme não precisou escancarar em imagens explícitas os detalhes
escabrosos da rotina do seminário, embora apresente cenas bastante
perturbadoras envolvendo os padres e os jovens seminaristas. O filme é muito
bom, com maior destaque para o desempenho do ator Juan Manuel Bernal como o
padre Angel. Sua atuação é impressionante, fazendo você sentir uma repugnância quase assassina pelo personagem, ironicamente chamado de Angel. Por esse trabalho, Bernal
conquistou o Prêmio Ariel (o Oscar mexicano) de Melhor Ator em 2015.
domingo, 20 de maio de 2018

“O
INSULTO” (L’INSULTE”),
2017, Líbano (o título original, em francês, é por causa da coprodução com a
Bélgica), roteiro e direção de Ziad Doueiri (“O Atentado” e “West Beyrouth”). Ambientada
em Beirute, a história começa a ser desenrolada a partir de um incidente simples
– o mecânico Tony Hanna (Adel Karam) lavava a sacada de seu apartamento quando
a água saiu pelo encanamento quebrado e caiu sobre Yasser Abdallah Salameh (Kamel
El Basha), engenheiro responsável por uma obra naquela rua. Um xinga o outro e
vice-versa. Começa a troca de insultos. O desentendimento toma proporções
maiores quando os insultos tocam nas feridas de ambas as partes, ou seja, Tony
é um cristão libanês e Yasser um refugiado palestino. O conflito acaba na
Justiça e o filme vira um “filme de tribunal”. Mais do que isso: transforma-se
numa pendência jurídica que acaba mobilizando a mídia libanesa, levando o caso
para as primeiras páginas dos jornais e para o noticiário televisivo. Graças a
um primoroso roteiro, o filme aborda as mais importantes questões que envolvem
o Líbano desde a segunda metade do Século 20, como os massacres de cristãos em
Damour (1976) e dos palestinos em Sabra e Chatila (1982). Todos os fatos
políticos da época são recordados durante o julgamento, tanto pela defesa como
pela acusação. Apesar do tema árido e um tanto pesado, o filme conta com
momentos de grande sensibilidade. Os atores são ótimos (Kamel El Basha foi
eleito o melhor ator no Festival de Veneza). O filme é uma verdadeira aula de
cinema, com destaque para o roteiro, que, a partir de um acidente aparentemente
trivial, consegue abordar os principais aspectos políticos e religiosos que fizeram
do Líbano um dos países mais conflituosos do Oriente Médio. O filme é tão bom
que chegou ao Oscar 2018 como um dos cinco finalistas na categoria Melhor Filme
Estrangeiro. Assisti a todos e posso afirmar com toda certeza: “O Insulto”
merecia ganhar a estatueta. Simplesmente imperdível!
terça-feira, 15 de maio de 2018
“LETRAS
DA MORTE” (“HANGMAN”),
2017, EUA, direção de Johnny Martin e roteiro da dupla Charles Huttinger e
Michael Caissie. Trata-se de um suspense policial que tem como maior atrativo a
presença de Al Pacino como o detetive aposentado Ray Archer, que volta à ativa
para ajudar o detetive Will Ruiney (Karl Urban) nas investigações para
descobrir a identidade do serial killer
responsável por várias mortes. O assassino é brincalhão, pois além de enforcar
as vítimas, desenha do lado uma forca com aqueles espaços para colocar as
letras. Como os crimes ganharam repercussão, a jornalista Christ Davies
(Brittany Snow) é autorizada pelo comando da polícia a acompanhar os detetives aos
locais dos crimes e nas investigações. Este é o quinto filme dirigido por
Johnny Martin, mais conhecido em Hollywood por ter trabalhado como stuntman (dublê) em inúmeros filmes de ação. Tudo bem que “Hangman” não é
nenhuma maravilha, mas dá para ver sem exigir muito dos neurônios. Como
informação adicional, acrescento que o filme ganhou um zero bem redondo do
pessoal do site Rotten Tomatoes, especializado em críticas de cinema e TV. A
opção é sua.
domingo, 13 de maio de 2018
“O
ESTRANGEIRO (“THE FOREIGNER”),
2017, é uma coprodução China/Inglaterra reunindo dois grandes astros do cinema atual:
Jackie Chan e Pierce Brosnan. É um filme de muita ação, explosões, perseguições
e pancadaria. O empresário chinês naturalizado inglês Quan Ngoo Minh (Chan),
dono de um restaurante em Londres, passa o filme inteiro tentando descobrir os autores
do atentado à bomba que matou sua filha. Assumiu a autoria uma organização
terrorista irlandesa. Para conseguir o seu objetivo, Quan pressiona o
vice-ministro da Irlanda, Liam Henessy (Brosnan), a fornecer alguma pista. O
chinês é “osso duro de roer” e vai fazer da vida de Henessy um verdadeiro
inferno. A história é baseada no livro “The Chinaman”, escrito por Stephen
Leather e adaptado para o cinema pelo roteirista David Marconi. O filme é
dirigido por um especialista em filmes de ação, o neo-zeolandês Martin Campbell,
o mesmo de dois filmes da franquia James Bond, “GoldenEye” e “Casino Royale”,
além de “A Lenda do Zorro” e “O Fim da Escuridão”. Serve para uma sessão da
tarde com pipoca.
“HABI,
A ESTRANGEIRA” (“Habi, La Extranjera”), 2013, Argentina/Brasil (um dos produtores é o nosso
diretor Walter Salles, além da participação da atriz Maria Luisa Mendonça).
Trata-se do primeiro longa-metragem escrito e dirigido por María Florencia
Álvarez, mais conhecida na Argentina como diretora de curtas. A história é
centrada na jovem Analía (Martina Juncadella), de 20 anos de idade, que viaja
de sua pequena cidade no interior da Argentina para a capital Buenos Aires com
o objetivo de entregar algumas peças de artesanato. Ao tentar encontrar o
endereço para entregar mais uma peça, ela entra por engano numa casa onde transcorre
um velório muçulmano. Como foi bem tratada e recebida com carinho, ela resolve
ficar e acaba participando das orações. A jovem gostou do ambiente e das pessoas
e passa a frequentar a comunidade muçulmana, querendo aprender árabe e conhecer
a religião, além de adotar alguns hábitos das mulheres, como, por exemplo, o
uso do chador. Para ser melhor recebida, ela adota o nome de Habiba Rafat e diz
para todo mundo que nasceu no Líbano. Dessa forma, uma viagem que seria um “bate-e-volta”
transforma-se numa estadia de vários dias. Mesmo sem dinheiro, ela consegue
alugar um quarto numa pensão espelunca, onde conhece Margarita (Maria Luisa
Mendonça), uma brasileira radicada na Argentina e que vive às turras com o
namorado cafajeste argentino. Claro que nem tudo será um mar de rosas,
principalmente depois que ela conhece um jovem muçulmano e se apaixona. Enfim,
um filme apenas interessante, mas longe de merecer uma recomendação
entusiasmada.
quinta-feira, 10 de maio de 2018
Existem alguns bons motivos para
assistir “THE FORGIVEN” (na tradução
literal para o português, “O Perdoado”, mas não sei será traduzido assim por
aqui), 2017, Inglaterra. O principal deles é a história em si, baseada em fatos
reais, ou seja, o período pós-Apartheid na África do Sul, quando o presidente
eleito Nelson Mandela constituiu a Comissão de Verdade e Reconciliação, com o
objetivo de julgar os crimes cometidos entre 21 de março de 1960, quando houve
o famoso massacre de Sharpeville, e 10 de maio de 1994, dia da posse de
Mandela. O Arcebispo Desmond Tutu foi encarregado de presidir a Comissão. Nos
julgamentos, as famílias das pessoas assassinadas, geralmente por motivos
racistas, eram colocadas frente a frente com os assassinos (geralmente policiais do antigo regime), resultando excelentes
cenas para o filme. Numa delas, a mãe de uma jovem que havia sido brutalmente
morta encara o assassino, fala poucas e boas e no fim acaba o perdoando, num
dos momentos mais tocantes do filme. Outro bom motivo é a presença de dois
ótimos atores, Forest Whitaker como Desmond Tutu, e Eric Bana como Piet
Blomfield, um assassino cruel sentenciado à prisão perpétua. Outro fator que
merece destaque é o trabalho do experiente roteirista e diretor inglês Roland
Joffé, responsável por clássicos como “Os Gritos do Silêncio” (1984), “A Missão”
(1986), e “Vatel – Um Banquete para o Rei” (2000), entre tantos outros. Ao
elaborar “The Forgiven”, Joffé baseou-se na peça “The Archbishop and The
Antichrist”, escrita por Michael Ashton, que também colaborou com o roteiro. Enfim,
estão aí expostos os motivos para você curtir esse excelente filme, que estreou,
com elogios, durante o Festival de Cinema de Londres/2017.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
“UMA
ESPÉCIE DE FAMÍLIA” (“Una Especie de Familia”), Argentina, 2017, roteiro e direção de
Diego Lerman. Trata-se de um drama (dramalhão, na verdade) centrado na médica
Malena (Bárbara Lennie), que, depois de perder um filho na fase de gestação, resolve
adotar um bebê. Ela consegue a doação por intermédio de uma moça de família
pobre que mora num vilarejo da província de Misiones, a 800 km de Buenos Aires.
Tudo acertado, Malena ruma para acompanhar o parto de Marcela (Yanina Ávila), a tal mãe que concordou em doar a criança. Depois que o bebê nasce, porém, a família de Marcela surpreende com a
decisão de entregar o bebê se a médica pagar 10 mil dólares. Além disso, quer
que o marido de Malena, Mariano (Claudio Tolcachir), assuma a paternidade do
bebê e o registre em seu nome. Imbróglio formado, resta a Malena conseguir o
dinheiro e ainda convencer o marido a assinar o termo de paternidade. A situação
engrossa de vez e mais não dá para contar porque o que vai acontecer talvez
seja difícil de adivinhar. Deixo esse suspense para o espectador. O filme vale
principalmente pela ótima atuação da bela e competente atriz espanhola Bárbara
Lennie, que trabalhou sob a direção de Pedro Almodóvar em “A Pele que Habito”,
além de ter participado do elenco do “Mel com Laranjas”. Mas a atuação que mais
surpreende é a da estreante Yanina Ávila como a mãe biológica da criança. O
filme foi exibido por aqui durante a 41º Mostra Internacional de Cinema de São
Paulo, em outubro de 2017.
domingo, 6 de maio de 2018
Confesso de cara que não foi fácil
resistir até o final das 2h7min de duração do drama romeno “ANA, MON AMOUR”, 2017, escrito
e dirigido por Calin Peter Netzer, o mesmo diretor do ótimo “Instinto Materno”.
A história é baseada no livro “Luminita, Mon Amor”, escrito por Cezar Paul-Bädescu
(que também colaborou na elaboração do roteiro). O tédio já começa com dois
estudantes de filosofia discutindo Nietzsche. Dessa forma erudita é que começa
o romance entre Ana (Diana Cavallioti) e Toma (Mircea Postelnicu). A partir
daí, o filme acompanha a relação tumultuada entre os dois durante muitos anos
depois. Ana é uma mulher depressiva crônica, tem ataques de ansiedade e pânico
e é emocionalmente perturbada, talvez porque tenha sido estuprada pelo padrasto
quando era adolescente – pelo menos é o que o filme dá a entender. Toma é
inseguro, também depressivo, fuma sem parar e se entrega totalmente aos
defeitos de Ana, que se transforma numa obsessão para ele ao longo dos anos em que ficam juntos. Para aguentar o
tranco, Toma se submete a sessões de psicanálise mostradas ao espectador de
forma bastante tediosa. Um aviso importante para quem se sujeitar a acompanhar esse
drama: tire as crianças da sala, pois tem cenas de nú frontal e de sexo explícito,
aliás, de muito mau gosto. Outra cena que choca é aquela em que Toma é obrigado
a limpar as sujeiras de Ana depois de um surto. A cena que achei mais
interessante, porém, é aquela em que os editores do jornal em que Toma trabalha discutem
a pauta da próxima edição. A ideia é colocar, como destaque, uma entrevista com
o escritor brasileiro Paulo Coelho. Toma é contra, dizendo que Coelho não é bom
escritor e que, por isso, não merece destaque, ao que foi contestado pelo
editor-chefe, que defende a entrevista dizendo que nenhum escritor no mundo
vende tanto quanto Paulo Coelho. O filme estreou no 67º Festival de Berlim e
foi exibido por aqui durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo,
em outubro de 2017.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
“A
FILHA” (“The Daughter”),
2015, Austrália, estreia do ator suíço Simon Stone como roteirista e diretor.
Para escrever a história, ele se baseou na peça “O Pato Selvagem”, escrita pelo
dramaturgo norueguês Henrik Ibsen em 1884. Não conheço a peça de Ibsen para
poder analisar melhor sua adaptação para o cinema, mas não deve ter sido uma
tarefa muito fácil, tendo em vista a forte carga emocional e dramática que
envolve os personagens do começo ao final do filme. Talvez por isso mesmo,
Stone escalou um excelente elenco: Paul Schneider, Geoffry Rush, Miranda Otto,
Ewen Leslie, Anna Torv, Odessa Young e Sam Neil. Mas vamos à história: ao
retornar à cidade natal para o casamento do pai (Rush) com uma ex-empregada da
casa (Anna Torv), Cristian (Schneider) é surpreendido com o fora dado por
telefone pela sua noiva. Ele entra em depressão e acaba se encrencando com o pai,
um homem prepotente que não admite ser contrariado. A situação acaba piorando,
e muito, depois que Cristian descobre um antigo segredo envolvendo o próprio
pai e Charlotte (Miranda Otto), esposa do amigo Oliver. As verdades lançadas no
ventilador atingirão todo mundo, principalmente a jovem Hedvig (Odessa), filha
de Charlotte e Oliver. É drama que não acaba mais. Achei que a interpretação à
beira da histeria acabou constrangendo alguns atores. Vejam e comprovem.
quarta-feira, 2 de maio de 2018
O drama nacional “COMO NOSSOS PAIS” é o quarto longa-metragem escrito e dirigido
pela diretora Laís Bodanksy. A história é centrada na personagem Rosa (a ótima
Maria Ribeiro), uma mulher beirando os 40 anos e que vive uma fase infeliz. É
casada com Dado (Paulo Vilhena), um marido pouco participativo na família. Rosa
é obrigada a lidar sozinha com a rebeldia precoce das filhas pré-adolescentes, com os problemas da casa e, além disso, perde o emprego e, para coroar as “boas” notícias, ainda
descobre que o marido está tendo um caso com uma colega de trabalho mais nova.
Se você pensa que desgraça é pouca, Rosa ainda vai ter que digerir um segredo
bombástico revelado pela mãe Clarice (Clarisse Abujamra) num almoço de família.
A história acompanha o desgaste do casamento de Rosa, seu difícil
relacionamento com a mãe, o carinho que tem pelo padrasto irresponsável Homero (Jorge Mautner)
e uma “pulada de cerca” com um amigo (Felipe Rocha). O filme é muito bom, tanto
que conquistou seis “kikitos” no 45º Festival de Gramado, incluindo Direção, Melhor
Atriz (Maria Ribeiro), Atriz Coadjuvante (Clarisse Abujamra) e Ator Coadjuvante
(Paulo Vilhena). No desfecho, ainda podemos curtir a música “Como Nossos Pais”,
de Belchior e imortalizada por Elis Regina, só que instrumental, mas ainda
assim linda e emocionante demais.
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