“O MASSACRE DE VOLÍNIA” (“WOLYN”), Polônia, 2016, roteiro e direção de Wojtka Smarzowskiego.
Drama histórico que relembra um dos maiores massacres ocorridos na Polônia
durante a Segunda Grande Guerra. Como se sabe, a Polônia foi invadida pelos alemães
em setembro de 1939, dando início àquele que é considerado o maior conflito
mundial do Século XX. Enquanto as tropas nazistas entravam pelo oeste, para
onde foi mobilizado praticamente todo o exército polonês, alguns dias depois os
russos invadiam o país pelo leste sem encontrar praticamente nenhuma
resistência. A região de Voivodia, especialmente o vilarejo de Volínia, povoada
por poloneses, ucranianos e judeus, foi a primeira a enfrentar o terror infligido
pelos russos e depois pelos alemães. Além de russos e alemães, os habitantes de
Volínia ainda sofreram uma limpeza étnica por parte dos ucranianos – chamados de
“bandeiristas” - que mataram milhares de poloneses. O filme, em duas horas e
meia, mostra de forma bastante realista o sofrimento dos habitantes de Volínia,
incluindo cenas que certamente não farão nada bem ao estômago do espectador
mais sensível. Paralelamente a toda essa tragédia, o diretor Wojtka conta a
história de amor entre dois jovens habitantes de Volínia, a bela polonesa Zosia
Glowacka (Michalina Labacz) e o ucraniano Petro (Wasyl Wasylik). Zosia é
obrigada pelo pai a casar com um comerciante rico, em troca de alguns acres de terra,
algumas galinhas e um cavalo. De qualquer forma, o cenário trágico da guerra e
do massacre de Volínia é que prevalece neste excelente drama polonês. Vale a
pena conhecer – pelo lado histórico - mais esse fato triste e lamentável
ocorrido durante a Segunda Guerra. Sofrimento e maldade na sua mais pura
essência. Apesar de tudo, imperdível!
segunda-feira, 16 de abril de 2018
sábado, 14 de abril de 2018

sexta-feira, 13 de abril de 2018
Mais do que um filme muito
interessante e sensível, “LUCKY”,
2017, EUA, homenageia um dos atores mais importantes do cinema e da TV
norte-americanos: Harry Dean Stanton. Sua longa carreira começou em 1954 e
partir de então deslanchou com participações marcantes em séries como Bat
Masterson, O Fugitivo, Paladino do Oeste etc. No cinema, também marcou presença
em clássicos como “No Calor da Noite”, “O Poderoso Chefão 2”, “Paris, Texas” e “À
Espera de um Milagre”, entre tantos outros. Em “Lucky”, Stanton faz o papel principal, o velho Lucky, de 91 anos, solitário,
preso a uma rotina que inclui fazer alguns alongamentos logo que acorda ao som
de um tango, tomar café da manhã na lanchonete do Joe (Barry Shabaka Henley),
onde resolve palavras cruzadas, e no final da tarde curtir um Bloody Mary no bar de Elaine (Beth Grant).
Nos dois lugares, Stanton conversa com todo mundo e sempre tem na ponta da
língua um sarcasmo implacável. Aliás, o que mais gostei no filme foram os
diálogos. “Lucky” também seus momentos bem-humorados e sensíveis, como quando
ele canta, durante uma festa, uma bela canção mariach em espanhol. O filme ficou com cara de homenagem póstuma a
Stanton, que faleceu no mesmo mês (setembro de 2017) em que foi lançado nos
cinemas dos Estados Unidos. “Lucky”
foi o primeiro filme dirigido pelo conhecido ator John Carroll Lynch, com
roteiro de Logan Sparks e Drago Sumonja. Do elenco, também participam Ron
Livingston, David Linch, Tom Skerritt e James Darren. Enfim, um filme para quem
curte cinema de qualidade, digno de um ator que ficou conhecido como uma lenda do cinema independente norte-americano. Não perca!
segunda-feira, 9 de abril de 2018
“DEPOIS DAQUELA MONTANHA” (“THE MOUNTAIN BETWEEN US”), EUA,
2017, estrelando Kate Winslet, Idris Alba, Beau Bridges e Dermot Mulroney. Não se engane com o bom elenco. O
filme é um ABACAXI com letra maiúscula. A fotojornalista Alex (Winslet) e o
neurocirurgião Ben (Alba) estão num aeroporto aguardando o mesmo vôo. Não se
conhecem. Ela está a caminho da cidade onde casará com Mark (Mulroney). Ben está
voltando de um congresso médico. Como o
vôo é cancelado, os dois resolvem alugar um pequeno avião, com um piloto (Bridges)
que não oferece a mínima confiança. Tava na cara que algo trágico estava prestes
a acontecer. E não dá outra: o avião cai numa região montanhosa (fiquei sem
saber onde fica essa região; o filme não explica; só fiquei sabendo que as
gravações aconteceram no Canadá). Alex e Ben, além do cão labrador órfão do
piloto, tentam sobreviver ao frio intenso, tempestades de neve, quedas e nenhuma comida. E dá-lhe papo furado, num ritmo arrastado e monótono. Os dois
acabam tendo um romance que parece ter ficado para trás depois que conseguem
voltar à civilização. O desfecho é constrangedor. Consegue ser pior do que aqueles
finais horríveis daqueles filmes românticos
da pior qualidade. A grande surpresa foi constatar que o diretor é o israelense
Hany Abu-Assad, que havia dirigido dois filmes excelentes, “Paradise Now”,
indicado ao Oscar 2006, e “Omar”, também indicado ao Oscar, desta vez em 2014. O
roteiro ficou a cargo de J. Mills Goodloe e Chris Weitz, que adaptaram a
história do livro “The Mountain Between Us”, de Charles Martin. Difícil
acreditar que ótimos atores como Kate Winslet e Idris Alba tenham concordado em
participar de tamanha bomba. Se eles correram risco durante as filmagens, isso
eu não sei, mas o perigo maior sobrou para o espectador: perigo de um sono
profundo.
domingo, 8 de abril de 2018
“NA FLOR DA IDADE” (título
original “GRZELI NATELI DGEEBI”; em inglês, ficou “IN BLOOM”), 2013, roteiro e direção de Nana
Ekvtimishvili e Simon Grob. O filme foi selecionado para representar a ex-república
soviética da Geórgia na disputa do Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro (vencido
pelo italiano “La Grande Bellezza”). A história, ambientada no início dos anos
90 em Tbilisi, capital da Geórgia, é centrada na amizade entre as adolescentes
Eka (Lika Babluani) e Natia (Mariam Bokeria), mas o pano de fundo é o momento
dramático vivido pelo país. Na época, a Geórgia tinha acabado de proclamar sua
independência, logo após o colapso da União Soviética. A situação no país era
de caos: guerra civil, desabastecimento de comida e constantes apagões de
energia elétrica. Filas imensas para conseguir um pedaço de pão terminavam
sempre em confusão. Dentro desse clima sombrio, Eka e Natia viviam às turras
com suas respectivas famílias: o pai de uma era um bêbado crônico e o da outra
estava preso já há algum tempo. Mas elas seguiam sua vida em frente, se comportando
como todos os jovens da sua idade. Aliás, o enredo reserva um bom espaço para explorar o comportamento da juventude georgiana. A amizade entre Eka e Natia sempre
esteve acima dos problemas e algumas desavenças. O mais interessante do filme,
porém, é o destaque dado ao modo de vida dos georgianos, suas tradições,
cultura e folclore. O melhor momento do filme, inclusive, é justamente uma festa de
casamento onde todo mundo dança ao som de uma música típica do país. O filme
não chegou a ser exibido por aqui no circuito comercial, apenas durante a 41ª
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro/novembro de 2017.
sábado, 7 de abril de 2018
Representante oficial da Islândia na disputa do Oscar 2018 de
Melhor Filmes Estrangeiro, “A SOMBRA DA ÁRVORE” (“UNDIR TRÉNU”), roteiro
e direção de Hafsteinn Gunnar Sigurdsson, é uma ótima comédia de humor negro. O enredo
percorre duas vertentes. Na primeira, Agnes (Lára Jóhanna Jónsdóttir) surpreende
o marido Atli (Steibór Hróar Steinbórsson) se masturbando na frente do
computador assistindo a um vídeo onde ele próprio faz sexo com outra mulher. O
casamento entra em crise e Atli volta a morar com os pais. Na segunda vertente,
a história é centrada em dois casais de vizinhos, um deles justamente os pais
de Atli, Inga (Edda Björguinsdóttir) e Baldwin (Sigurour Sigurjónsson), que vivem
a amargura da terceira idade, ela uma mulher insatisfeita e sempre disposta a
encarar uma briga. Na casa deles, uma grande árvore impede que os vizinhos Agnes
(Lára Jóhanna Jónsdóttir) e Atli (Steibór Hróar Steinbórsson) curtam o sol no
terraço. Começa a desavença, incluindo o sumiço do gato de Inga e do cachorro
pastor alemão de Agnes e Atli. Os casais se acusam pelo desaparecimento dos
bichos, transformando a convivência num verdadeiro inferno, com direito a
confrontos que terminam num verdadeiro banho de sangue. Apesar do contexto de
intolerância, tudo é levado no maior bom humor, tornando essa comédia um ótimo
entretenimento. Por aqui, foi exibido durante a programação da 41ª Mostra Internacional do Cinema de São Paulo, em out./nov. 2017.
quinta-feira, 5 de abril de 2018
“EU, TONYA” (“I, TONYA”), 2017, EUA, direção do australiano Craig
Gillespie (“A Garota Ideal”, “Horas
Decisivas”), com roteiro de Steven Rogers. Trata-se da cinebiografia da
patinadora artística norte-americana Tonya Harding, que às vésperas dos Jogos
Olímpicos de Inverno de 1994 participou de um plano macabro, juntamente com o
marido Jeff Gillooly e mais dois amigos: ferir sua principal rival na época,
Nancy Kerrigan, impedindo-a de disputar a competição. Na época, o caso ficou
famoso no mundo inteiro, colocando-se entre as páginas mais tristes e chocantes
do mundo esportivo. O filme mostra o início da carreira vitoriosa de Tonya, que
aos 4 anos de idade já encantava os adeptos e os fãs da patinação artística no
gelo. Ano após ano, Tonya conquistaria inúmeros torneios, tornando-se a estrela
máxima do seu esporte, a única patinadora a realizar com perfeição o “Triple
Axel”, o mais difícil e complicado movimento da patinação artística. Poucos
sabiam, porém, que por trás dessa garota havia uma mãe obcecada, violenta e
descontrolada, responsável direta não apenas pela trajetória de Tonya, mas
também por tudo de mal que a garota seria capaz de fazer para conquistar suas
vitórias. Tonya só era feliz quando estava no ringue de patinação com os
holofotes e os aplausos do público. Na verdade, sua vida particular era um
verdadeiro inferno, com sua mãe insana e o marido que a espancava quase todo
dia. Não deixe de ver os créditos finais, que explicam os destinos que tiveram
os principais personagens da história. Tudo isso está em “Eu, Tonya”, que
consagrou a australiana Margot Robbie (Tonya) como uma ótima atriz, tendo sido
indicada para receber o Oscar 2018. Seu trabalho é excelente. O diretor Gillespie
tentou deixá-la menos linda, o que é impossível. Conseguiu pelo menos
desglamourizá-la. Eu mesmo achava, antes deste filme, que Margot Robbie era
mais bonita do que competente. Ela me convenceu também do contrário. Outro
destaque do filme é a veterana Allison Janney no papel de LaVona Harding, mãe
de Tonya, o que lhe valeu, com muita justiça, o Oscar 2018 de Melhor Atriz
Coadjuvante. Enfim, um ótimo programa para curtir na telinha.
domingo, 1 de abril de 2018

sábado, 31 de março de 2018
“COLHEITA AMARGA” (“Bitter
Harvest”), 2017,
Canadá, roteiro e direção do diretor alemão George Mendeluk. Trata-se de um
drama histórico baseado em fatos reais, ambientado nos primeiros anos da década
de 30 na Rússia. Stalin ordenou a
expropriação das terras produtivas dos agricultores ucranianos, alegando que
elas pertenciam ao estado russo. Como os ucranianos não concordaram, Stalin
simplesmente mandou seu exército confiscar tudo o que era produzido na Ucrânia.
Além disso, como uma espécie de vingança, lançou o Projeto “Holodomor”, cujo
objetivo era promover a morte da população da Ucrânia por inanição. O caso
ficou conhecido como o “holocausto ucraniano”, pois causou a morte de cerca de
10 milhões de ucranianos. Esse lamentável fato histórico somente viria a
público em 1991, logo depois da desintegração da União Soviética. Esse pavoroso
genocídio colocou Stalin como um assassino pior do que Hitler. “Colheita Amarga”, em sua
fase inicial, é ambientado no vilarejo ucraniano de Smila, onde vivem as
famílias de Yuri (Max Irons) e Natalka (Samantha Barks), ambas atingidas pela
perseguição violenta de Stalin. O avô de Yuri é um herói de guerra ucraniano,
Ivan Kachaniuk (Terence Stamp), opositor ferrenho de Stalin. Numa segunda fase,
a ação muda para Kiev, para onde vai Yuri tentar a vida e ganhar dinheiro para enviar
para sua família. O filme retrata de forma bastante realista o sofrimento do
povo ucraniano, com muitas cenas de execução e tortura. Nem mesmo o romance
entre Yuri e Natalka consegue amenizar o contexto dramático deste que foi
considerado um dos maiores genocídios do Século XX. O filme merece ser visto por retratar um fato histórico tão importante.
quarta-feira, 28 de março de 2018
“O SACRIFÍCIO DO CERVO
DOURADO” (“THE KILLING OF A SACRED DEER”), 2017, Inglaterra. O título já não é muito convidativo.
E a sensação de dúvida aumenta ainda mais quando a gente lê na sinopse que o
filme foi escrito e dirigido pelo diretor grego Yórgos Lánthimos, conhecido no
mundo da Sétima Arte como um autor de filmes esquisitos, tais como “Dente
Canino” e “O Lagosta”. Ou seja, um diretor excêntrico e hermético. Tentei desvendar o
segredo do título e descobri que se refere a uma tragédia grega escrita por
Eurípedes. O diretor Yórgos levou tão a sério que o filme realmente virou uma
tragédia, repulsivo, desconfortável, perturbador e lúgubre. E olha que o elenco
não é tão ruim: Colin Farrell, Nicole Kidman e Barry Keoghan (de “Dunkirk”), só
para citar os principais nomes. Vamos à história: em suas horas de folga, o
médico Steven Murphy (Farrell), um renomado cirurgião cardíaco, sempre conversa
com o jovem Martin (Keoghan). Há anos que os dois mantém uma relação de
verdadeiros amigos. Há um elo bastante forte que une os dois: o pai de
Martin morreu durante uma operação de coração realizada por Murphy. Aos poucos,
Martin vai se aproximando da família do médico, da esposa Anna (Kidman) e dos dois
filhos Bob (Sunny Suljic) e Kim (Raffey Cassidy). A partir daí, o filme se
transforma num suspense psicológico até que interessante: será que o garoto vai
atingir a família do médico para se vingar da morte do pai? Tchan, tchan,
tchan... Não espere explicações plausíveis para o que você vai ver. Pior de
tudo é que o filme venceu o Prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes.
segunda-feira, 26 de março de 2018

sábado, 24 de março de 2018
“MÁS NOTÍCIAS PARA O SR. MARS” (“Des Nouvelles de La Planète Mars”), 2015,
França/Bélgica, roteiro e direção do alemão Dominik Moll. Trata-se de uma
comédia muito engraçada sobre um engenheiro, Phillippe Mars (François Damiens),
que de repente se vê às voltas com várias situações que vão deixá-lo à beira de
um ataque de nervos. Começa que sua ex-mulher, Myrian (Léa Drucker), uma
repórter de TV, é obrigada a cobrir um evento internacional em Bruxelas
(Bélgica) e pede a Phillippe que cuide dos seus dois filhos adolescentes. Como
se não bastasse, sua irmã Xanaé Mars (Olivia Cotê) promove uma exposição de
quadros nos quais retrata os pais completamente nús e, mais tarde, obriga Phillippe
a ficar com seu cachorrinho de estimação. O suplício de Phillippe ainda não
terminou. Jérôme (Vincent Macaigne), seu colega de trabalho no escritório, tem
um surto psicótico, é internado numa clínica e depois liberado, indo pedir “asilo”
na casa de Phillippe, levando a tiracolo uma paciente pela qual se apaixona, a
birutinha Chloé (a maravilhosa atriz belga Verlee Baetens, do ótimo “Alabama
Monroe”). A confusão está formada, garantindo boas risadas durante a maior
parte do tempo. Só que nos minutos finais, o filme perde o ritmo de comédia e
passa a adotar momentos do mais puro sentimentalismo, sem prejudicar o resultado final. Em todo caso, vale pelos diálogos bem humorados e pelas
situações divertidas. Uma delas, a aparição dos fantasmas dos pais de Phillippe, dois velhinhos simpáticos que alegram o ambiente. Sem dúvida, um ótimo programa.
sexta-feira, 23 de março de 2018
“O FILHO DE JOSEPH” (“Les Fils de Joseph”), 2016,
França, escrito e dirigido por Eugène Green. A história é centrada no jovem
Vincent (Victor Ezenfis), de 15 anos, criado pela mãe solteira Marie (Natacha
Régnier). Vincent insiste que ela revele o nome do seu pai, que durante anos foi um segredo trancado a sete chaves. A mãe sempre tinha a mesma resposta: “Você não tem pai”. Um dia, porém, Vincent, garoto
esperto, acaba descobrindo a identidade do pai, Oscar Pormenor (Mathieu
Amalric), um importante editor de livros. Em meio a uma vingança planejada por
Vincent contra o próprio pai, surge na história Joseph (Fabrizio Rongione),
irmão de Oscar, que aparece do nada para pedir um empréstimo. Logo fica
evidente que os irmãos nunca se deram e continuarão assim depois que Oscar recusa-se
a atender ao pedido de Joseph. Papo vai, papo vem, Joseph faz amizade com
Vincent, que fica interessado em Marie. Até
aí o filme fica interessante, mas perde o ritmo no final, principalmente quando, numa longa cena, Joseph,
Marie e Vincent caminham na praia com um burrinho, uma referência explícita à
cena bíblica de José e Maria a caminho de Belém. Trata-se de mais uma
excentricidade do diretor norte-americano radicado na França, responsável pelo elogiado
“La Sapienza”, também difícil de digerir. Na maioria de seus filmes, Eugène Green faz questão de colocar pitadas de humor negro, diálogos com pretensões intelectuais e uma certa erudição. Em "O Filho de Joseph", por exemplo, ele dá grande destaque a um quadro pendurado no quarto do jovem Vincent, "O Sacrifício de Isaac", pintado por Caravaggio no Século 17. Resumo da ópera: Eugène quis fazer um filme com pretensões intelectuais, mas acabou reforçando ainda mais a sua imagem de diretor excêntrico. Como informação adicional, lembro
que assinam a produção Luc e Jean-Pierre, conhecidos como os Irmãos Dardenne, consagrados
diretores belgas. “O Filho de Joseph” é apenas interessante, longe de agradar o
grande público.
segunda-feira, 19 de março de 2018
“ROMAN J. ISRAEL” (“Roman J. Israel, Esq.”), roteiro
e direção de Dan Gilroy (do excelente “O Abutre”, com Jake Gyllenhaal), conta a
história de um advogado criminalista brilhante, Roman Israel (Denzel
Washington), mas um tipo bastante estranho: gordo, desajeitado, roupas cafonas
e um cabelo “black power” igual aos
ativistas dos anos 60/70 – ele idolatra especialmente Angela Davis. Durante
anos, ele atuou nos bastidores do escritório e dos tribunais, elaborando as estratégias de defesa que seu
sócio, Willian Henry Jackson, utilizava, com grande sucesso nos julgamentos. Quando Willian sofre um ataque cardíaco e entra em coma, Roman é obrigado a
assumir o seu trabalho nos tribunais. Só que Roman é um advogado radicalmente
idealista, seguindo à risca os princípios morais e éticos da profissão. Pode estar
diante de um juiz no tribunal ou de um importante promotor, ele não tem medo de
enfrentar qualquer autoridade para fazer valer as suas convicções. Depois que seu
escritório é fechado, ele passa a trabalhar para outro advogado de sucesso,
George Pierce (o ator irlandês Colin Farrel), um verdadeiro “tubarão” no meio
jurídico, advogado/empresário que só enxerga o Direito como uma forma de ganhar
dinheiro, sem concessões à ética da profissão. Mais um grande trabalho de Denzel
Washington, que, pelo papel, foi indicado ao prêmio de “Melhor Ator” no Oscar
2018. Denzel já havia conquistado a estatueta de Melhor Ator em 2002 por “Dia
de Treinamento” e a de Melhor Ator Coadjuvante por “Glory”, em 1990. “Roman J. Israel” tem como seu maior
trunfo justamente o desempenho de Denzel, embora a história também seja ótima e
o filme muito bom.
sábado, 17 de março de 2018

quarta-feira, 14 de março de 2018
“MARK FELT – O HOMEM QUE DERRUBOU A CASA BRANCA” (“Mark Felt: The Man Who Brought Down The White House"), 2017,
EUA, roteiro e direção de Peter Landesman. Quem não se lembra do famoso caso
Watergate e a consequente renúncia do presidente Richard Nixon em 1974? Quem
não se lembra também que tudo aconteceu depois que um informante misterioso
entregou todo o esquema escabroso da Casa Branca (invasão à sede do Partido
Democrata) aos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do jornal Washington
Post? Até 2005, a identidade do informante, na época apelidado de “Garganta
Profunda” (“Deep Throat”), ficou escondida. Até que Mark Felt resolveu escrever
um livro de memórias, “A G-Man’s Life”, juntamente com o advogado John D. O’Connor.
Contou tudo, desde a tramoia da Casa Branca para esconder a responsabilidade de
Nixon e o esquema engendrado pelo governo para nomear um homem de confiança
para ocupar o posto de nº 1 do FBI no lugar do recém-falecido J. Edgar Hoover.
Felt seria o substituto natural, já que era o nº 2. Além disso, Felt conta em
detalhes o que aconteceu nos bastidores da Casa Branca e do FBI durante aquela
grave crise política, para enfim confessar que foi ele mesmo quem entregou tudo
aos jornalistas do Washington Post. O elenco é ótimo: Liam Neeson, Diane Lane,
Maika Monroe, Josh Lucas Tony Goldwyn, Eddie Marsan, Noah Wyle, Tom Sizemore e
Kate Walsh. Embora a crítica especializada não tenha gostado do filme, eu
gostei muito, pois adoro todos esses filmes que revelam os bastidores de casos
importantes, como foi o de Watergate. Eu achei um filmaço!
terça-feira, 13 de março de 2018
“A GAROTA DESCONHECIDA” (“Lafille inconnue”), 2016,
Bélgica, roteiro e direção de Jean-Pierre e Luc Dardenne, mais conhecidos como
os Irmãos Dardenne. A história é centrada na jovem médica Jenny (Adèle Haenel),
que assumiu interinamente os trabalhos de uma clínica pertencente a um
experiente médico que foi seu mentor na faculdade e na fase de residência. Além
de atender os pacientes na clínica, a dra. Jenny também tem como rotina de
trabalho visitas a pessoas idosas e com dificuldade de locomoção. Em
determinada noite, uma hora após fechar a clínica, a campainha toca e Jenny,
dado o adiantado da hora, resolve não atender. Depois, porém, ela fica sabendo que
quem tocou a campainha foi uma imigrante africana que na mesma noite seria
encontrada morta. Pronto, acabou o sossego para a médica, que não se conforma
com o fato da moça ter sido enterrada como indigente porque ninguém apareceu
para reclamar o cadáver. A assim o filme segue com a dra. Jenny tentando achar
a família da falecida, o que lhe acarretará alguns perigos por parte de alguns
marginais. O pessoal que assistiu o filme no Festival de Cannes, público,
jornalistas e críticos, não gostou. Numa das sessões, o filme chegou a ser
vaiado. Realmente, não é o melhor dos Irmãos Dardenne, que já nos presentearam
com ótimas produções como “A Garota da Bicicleta” e “A Criança”. De qualquer
forma, impossível não elogiar a excelente atuação de Adèle Haenel, jovem atriz
francesa que está entre as melhores de sua geração. Quem quiser conferir outros
trabalhos magistrais de Haenel, recomendo “Amor à Primeira Briga” e “Os Homens
que Elas Amavam”.
segunda-feira, 12 de março de 2018
Vencedor do Oscar/2018 de Melhor
Filme Estrangeiro, o drama chileno “UMA
MULHER FANTÁSTICA” (“UNA MUJER
FANTÁSTICA”), roteiro e direção de Sebastián Lelio (do espetacular “Glória”),
teve sua primeira exibição ocorrida durante o Festival de Berlim, em fevereiro
de 2017, causando grande polêmica. Afinal, sua história é toda centrada na
garçonete/cantora transexual Marina (Daniela Vega, também transexual e cantora
lírica na vida real). Ela mora com o namorado bem mais velho Orlando (Francisco
Reyes), que logo no começo do filme sofre a ruptura de um aneurisma e acaba
falecendo. Pressionada pela família de Orlando, que não se conformava com o
romance – afinal, quando os dois se conheceram Orlando ainda era casado –, a polícia
começa a desconfiar que Marina pode ter assassinado o companheiro. Mesmo
sofrendo esse tipo de perseguição, incluindo a humilhação de ser proibida de
comparecer ao velório e ao enterro de Orlando, Marina enfrenta tudo com muita
coragem. Numa das cenas mais bonitas do filme, Marina está andando por uma rua
e, de repente, é atingida de frente por uma violenta ventania. Ela se enverga,
luta contra o vento e consegue se manter de pé. Daniela Vega é uma atriz espetacular. Um belo filme, sem dúvida, mas
preferia que o austríaco “Corpo e Alma” fosse o vencedor do Oscar.
domingo, 11 de março de 2018
“FEITO NA AMÉRICA” (“AMERICAN MADE”), 2017, direção
de Doug Liman, com roteiro de Gary Spinelli, conta a incrível história, baseada
em fatos reais, do piloto de aviação Barry Seal (Tom Cruise), que no fim dos
anos 70 abandonou uma carreira segura como piloto da TWA (Trans World Airlines)
depois de ser recrutado pela CIA para fotografar bases de guerrilheiros rebeldes
e zonas dedicadas à produção de drogas em países da América do Sul e Central. Nesse
trabalho, que entrou pelos anos 80, Seal contrabandeou armas para os “contras”
da Nicarágua e depois, cooptado pelos traficantes colombianos, incluindo Pablo Escobar,
transportou toneladas de cocaína da Colômbia para os Estados Unidos. Ganhou
rios de dinheiro, ficou milionário, mas depois teve de pagar o preço por essa
vida arriscada e aventureira. Toda essa história é contada num ritmo alucinante,
com muita ação. Os vôos arriscados e os perigos inerentes ao trabalho de piloto
servindo aos traficantes são o ponto alto do filme. O diretor Doug Liman é especialista
em filmes de ação. Dirigiu, por exemplo, “A Identidade Bourne”, “No Limite do
Amanhã” e “Na Mira do Atirador”, entre outros. “Feito na América” também
ratifica o astro Tom Cruise como um ótimo ator de filmes de ação. Neste, especialmente,
ele dá show. Excelente entretenimento!
quinta-feira, 8 de março de 2018
“EM CIMA DO MURO” (“L’EMBARRAS DU CHOIX”), 2017,
França, roteiro e direção de Eric Lavaine (“Sobre Amigos, Amor e Vinho”). Trata-se
de uma simpática e agradável comédia romântica com alguns diálogos inteligentes
e bons momentos de humor. Aos 40 anos, Juliette (a feiosa/charmosa Alexandra
Lamy, 46 anos na vida real) conserva um defeito que carrega desde criança: é
indecisa demais. Para escolher um esmalte ou uma roupa, depende sempre da
opinião das amigas Joelle (Anne Marivin) e Sonia (Sabrina Ouazani), além dos
conselhos do pai. Um dia, com a ajuda de Joelle e Sonia, Juliette entra num
site de relacionamentos e acaba conhecendo Paul (Jamie Bamber), um bonitão
escocês pelo qual se apaixona perdidamente. Ao mesmo tempo, porém, ela conhece
Étienne (Arnaud Ducret), um charmoso professor de culinária. Pinta nova paixão. E agora? Qual deles ela escolherá?
Mais uma indecisão que lhe trará grandes problemas. A partir daí, o filme ganha
algumas situações muito engraçadas, pois Juliette, sem saber o que fazer, vai
tentar “enrolar” os dois, mas não é esperta o suficiente. No gênero “comédia
romântica”, trata-se de um filme acima da média, mesmo que não exija muito dos
neurônios.
quarta-feira, 7 de março de 2018
Selecionado para representar o
Nepal na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, “SOL BRANCO” (“SETO
SURYA”, título original, e nos países de língua inglesa “White Sun”), é o segundo
longa-metragem escrito e dirigido pelo nepalês Deepak Rauniyar – o primeiro foi
Higway, de 2012. A história é ambientada num pequeno vilarejo montanhoso cuja população
continua arraigada às tradições milenares do Tibete. Um de seus antigos
moradores, Chandra (Dayahang Rai), chega à aldeia depois de lutar ao lado dos
rebeldes maoístas – apoiados pela China, claro – contra o governo monárquico (a
guerra civil se estendeu por 10 anos, de 1996 até 2006, ocasionando a morte de 12.700
pessoas). Chandra voltou para participar do enterro do pai. Ao chegar, Chandra
passou a discutir com o irmão Suraj (Rabindra Singh Baniya) por motivos
políticos e também por disputarem a mesma mulher. Pela tradição, o corpo do pai
tem de ser levado pelos filhos, mas Suraj se recusa a fazê-lo com o irmão maoísta.
Está criado o impasse, envolvendo ainda as lideranças do vilarejo e até mesmo
as crianças. Apesar do contexto dramático, a situação acaba gerando um certo
humor negro, o que torna essa produção do Nepal, de curta duração (89 minutos),
um entretenimento dos mais agradáveis. Um dos trunfos do diretor Rauniyar foi a
utilização de atores amadores, o que tornou a história mais realista.
segunda-feira, 5 de março de 2018
“TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME” (“Three Billboards Outside Ebbing,
Missouri”), EUA, 2017, roteiro e direção de Martin McDonagh.
Com este sensacional thriller policial, Frances McDormand acaba de ganhar seu
segundo Oscar como Melhor Atriz (o primeiro foi por “Fargo”, em 1998). Ela
interpreta Mildred Hayes, uma mãe que teve a filha assassinada e que se revolta
com o fato da polícia local, comandada pelo xerife Bill Willoughby (Wood
Harrelson), não ter encontrado o assassino. Decide, então, comprar espaço
publicitário em três outdoors de estrada e lá escreve acusações contra o
xerife. O fato provoca uma série de reações não só por parte da polícia como também da população
local, já que todo mundo adora Bill. Jason Dixon (Sam Rockwell), um dos policiais
da cidade, toma as dores do chefe/xerife e começa a perseguir Mildred, que jamais
se intimida. Pelo contrário, parte também para a violência – algumas cenas
lembram o estilo de Tarantino. Frances McDormand dá um show como a mulher
durona que não tem medo de partir para a briga. Outro destaque é o ator Sam
Rockwell, também com justiça vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.
Sempre achei Rockwell um ótimo ator, mas pouco aproveitado por Hollywood. Quem
sabe a partir de agora sua carreira deslanche de vez. Ponto também para o
diretor Martin McDonagh, responsável por outros dois bons filmes, “Na Mira do
Chefe” e “Sete Psicopatas e um Shih Tzu”, este último também com Sam Rockwell.
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