sábado, 14 de maio de 2016

“O DONO DO JOGO” (“Pawn Sacrifice”), 2014, EUA, direção de Edward Zwick (“Diamante de Sangue” e “O Último Samurai”) e roteiro escrito por Steven Knight (“Senhores do Crime”). Para quem nunca ouviu falar, o norte-americano Bobby Fischer foi um dos maiores enxadristas do mundo. Este filme conta sua história, destacando a conquista do Campeonato Mundial de 1972, em Reykjavik, capital da Islândia, quando Fischer enfrentou e venceu o até então invencível jogador russo Boris Spassky, naquela que foi chamada a “Batalha da Guerra Fria”. Ao quebrar a hegemonia dos russos no Xadrez, Fischer ganhou notoriedade mundial. Ele já era famoso nos EUA, quando, aos 15 anos, ganhou o título de “Grande Mestre” e o Campeonato Nacional de Xadrez. O filme mostra Fischer como um gênio mentalmente perturbado, com mania de perseguição, egocêntrico e irascível. Tinha verdadeiro horror dos comunistas, embora sua mãe tenha sido filiada ao partidão. Enfim, um gênio genioso. Na vida real, teve um fim triste, como mostra o filme nos seus créditos finais. Tobey Maguire (“Homem-Aranha”) é Bobby Fischer, numa excelente interpretação. Também estão no elenco Liev Schreiber (Boris Spassky), Michael Stuhlbarg (Paul Marshall) e Peter Sarsgaard (Padre Bill Lombardy). O maior mérito do diretor Steven Zwick foi criar, de forma irrepreensível, o clima político que predominava naqueles anos, tendo como pano de fundo a Guerra Fria. A recriação de época, cenários e figurinos, também é o grande destaque desse ótimo filme, que merece ser visto não apenas pelos aficionados do Xadrez. Imperdível!    

terça-feira, 10 de maio de 2016

O tema “vingança com as próprias mãos” já ganhou inúmeros e incontáveis filmes. O melhor deles talvez ainda seja “Desejo de Matar”, com Charles Bronson, na década de 70. Assassinos matam alguém da família – ou a família inteira – do mocinho, que espera seja feita justiça pela polícia ou pela própria Justiça. Como isso não acontece, ele parte para a vingança pessoal. Clichê dos clichês. Agora chega mais um nessa linha. “EU SOU A FÚRIA” (“I Am Wrath”), 2015, EUA, traz John Travolta no papel de Stanley Hill, um ex-agente do governo americano cuja esposa é brutalmente assassinada no estacionamento de um aeroporto. A polícia não faz nada e o viúvo resolve, então, com a ajuda de um antigo companheiro, sair à caça dos criminosos. No meio do caminho, porém, descobre que os assassinos não agiram por conta própria, numa trama envolvendo policiais corruptos, um traficante de drogas psicopata e até uma alta autoridade governamental. Apesar do diretor Chuck Russell (“O Máskara”, “Queima de Arquivo” e “O Escorpião Rei”) e da presença de Travolta, além de outros atores bastante conhecidos como Christopher Meloni, Rebecca de Mornay (ainda em grande forma) e Amanda Schull, “Eu sou a Fúria” não passa de um filmeco B, que mais merecia Nicolas Cage no papel principal, o que quase aconteceu, e não Travolta, que aliás, ultimamente, só tem feito filmes medíocres. Este é mais um da lista.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O drama francês “O VALE DO AMOR” (“La Vallée de L’Amour” ou “Valley of Love”) teve sua primeira exibição no Festival de Cannes 2015, onde disputou a Palma de Ouro. A história: os atores Gérard (Gérard Depardieu) e Isabelle (Isabelle Huppert), há muitos anos separados, recebem, cada um, uma carta de Michael, o filho que se matara sete meses antes, pedindo que os dois viajem para o Death Valley (Vale da Morte), na Califórnia, em determinados dias de novembro. Lá, segundo ele escreveu nas cartas, Gérard e Isabelle teriam a oportunidade de revê-lo. Um toque de mediunidade. Durante os dias em que passam juntos, sob um calor escaldante, Gérard e Isabelle aproveitam para aparar algumas arestas do passado, entre as quais o arrependimento de ambos por não terem dado a atenção devida ao filho, com o qual não tinham relação há anos. Isabelle acredita no que o filho diz nas cartas, mas Gérard não vê com bons olhos qualquer manifestação espiritual. O diretor Guillaume Nicloux (“A Religiosa”) manteve os nomes dos atores em seus personagens. Tem até uma passagem engraçada no filme, quando Gérard é reconhecido por um hóspede do hotel, que lhe pede um autógrafo. Gérard escreve “Bob De Niro”. Falando no ator francês, ele nunca esteve tão gordo. Parece um ogro. Mas, de qualquer forma, é um grande ator. E Isabelle Huppert, a atriz competente de sempre. Os dois, praticamente os únicos protagonistas, seguram o filme. Só por Depardieu e Huppert, vale uma visita. Ah, o filme ganhou, merecidamente, o Prêmio César (o Oscar francês) de Melhor Fotografia. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016


“QUE VIVA EISENSTEIN!” (“Eisenstein in Guanajuato”), 2014, México, direção de Peter Greenaway. Os filmes do veterano cineasta britânico não são para iniciantes. Sabe disso quem já assistiu a alguns deles, como “O Livro de Cabeceira”, “Afogando em Números” e, principalmente, “O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante”. Baseado num fato real, ou seja, a viagem do diretor russo Sergei Eisenstein ao México, em 1931, para filmar “Que Viva México!”, Greenaway inventou uma série de acontecimentos que provavelmente foram frutos de sua fértil imaginação. E transformou tudo num filme em que fica difícil distinguir a ficção da realidade. Uma biografia surreal. Greenaway apresenta um Eisenstein (o ator finlandês Elmer Bäck) excêntrico, egocêntrico, verborrágico e inconveniente, o que talvez não tenha sido o diretor de filmes conceituados como “Encouraçado Potemkin”, “Greve” e “Outubro”. Greenaway utiliza um recurso visual bastante interessante para ilustrar as conversas de Eisenstein com seu guia mexicano, Palomino Cañedo (Luis Alberti). Cada vez que o diretor russo cita o nome de uma personalidade, seja um artista de cinema, escritor, filósofo ou político, imediatamente aparece na tela a foto de quem é citado. Num desses diálogos, Eisenstein cita os artistas que teve a oportunidade de conhecer em sua viagem a Hollywood, o que entendi ser uma homenagem de Greenaway ao cinema do Tio Sam. Achei que o diretor britânico explorou em demasia a homossexualidade do diretor russo, inclusive por intermédio de longas cenas de sexo entre ele e o seu guia mexicano. O filme estreou no 65º Festival de Berlim, em fevereiro de 2015, sem muitos elogios. Enfim, mais um filme de Greenaway difícil de digerir, mas interessante de assistir.
 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Produzido em 2008 inicialmente para ser exibido na TV francesa, o drama “A BELA JUNIE” (“La Belle Personne”) ganhou espaço no circuito comercial de cinemas e fez sucesso junto ao público jovem e também adulto. Trata-se de uma adaptação do romance “La Princesse de Clèves”, escrito no século 17 por Madame de La Fayette. O roteiro e a direção ficaram a cargo de Christophe Honoré. A jovem Junie (Lea Seydoux), de 16 anos, vai morar em Paris na casa dos tios depois da morte de seus pais. Em seu novo colégio, Junie começa a atrair a atenção de outros jovens, encantados por sua beleza. Jacques Nemours (Louis Garrel), professor de italiano, acaba se apaixonando por Junie, mas ela está namorando Otto (Grégore Leprince-Ringuet), um rapaz tímido e quieto. Em meio a esse triângulo amoroso, o filme transcorre abordando a insegurança dos jovens a respeito de suas emoções, paixões, desilusões e ciúmes. O filme não é apenas interessante pela história em si, mas também pela oportunidade de ver alguns atores franceses que hoje são sucesso em início de carreira, como Lea Seydoux (morena e um pouco mais gordinha, mas já uma ótima atriz), Louis Garrel e Anaïs Demoustier.  Assim como é interessante a pequena e quase anônima participação da atriz Chiara Mastroianni. Gostei e recomendo.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

“PAIXÕES UNIDAS” (“United Passions – La Légende du Football”), 2014, direção de Frédéric Auburtin, é um filme dos mais interessantes para quem curte futebol. Em suas quase duas horas de duração, conta a história dos 111 anos da FIFA (Federação Internacional de Futebol), desde sua fundação em Paris, em 1904, até a Copa do Mundo na África do Sul, em 2010. O filme dá destaque especial a três dos principais personagens que construíram essa história, Jules Rimet (Gérard Depardieu), João Havelange (Sam Neill) e Joseph Blatter (Tim Roth). A produção francesa destaca também os bastidores e os intensos preparativos para a realização da primeira Copa do Mundo de Futebol, no Uruguai, em 1930, e a final de 1950, no Maracanã, quando o Uruguai calou 200 mil torcedores com sua vitória sobre a seleção brasileira. Também são destacados os bastidores das negociações da FIFA com fabricantes de materiais esportivos, a eleição de João Havelange e depois de Blatter e as crises financeiras da entidade. Pena que essa história tão bonita tenha sido manchada pela acusação de corrupção que atingiu seus principais dirigentes em 2015, o que prejudicou, e muito, o lançamento dessa caprichada produção francesa. De qualquer forma, trata-se de um filme que merece ser visto. 
Grande vencedor da “Palma de Ouro” do Festival de Cannes 2015, “DHEEPAN, O REFÚGIO“ (“DHEEPAN”) é mais um ótimo filme do diretor francês Jacques Audiard (de “O Profeta” e “Ferrugem e Osso”), também autor do roteiro. Audiard aborda o drama dos refugiados, tema tão em evidência nos últimos tempos. A história é focada em três personagens que fogem do Sri Lanka: Dheepan (Antonythasan Jesuthasan), um ex-soldado envolvido na guerra civil, Yalini (Kalieaswari Srinivasan), que perdeu toda a família, e a menina órfã Illayaal (Claudine Vinasithmby). Eles se conhecem num campo de refugiados e, fingindo ser uma família, conseguem chegar à França. Só que, ao invés de encontrar um mar de rosas, encontram um oceano de espinhos. Os três vão morar num conjunto habitacional barra-pesada na periferia de Paris. Em meio à briga de gangues e tiroteios quase que diários, Dheepan arruma emprego como zelador de um prédio e Yalini vai trabalhar como cuidadora de um idoso. Mesmo que o contexto seja bastante dramático, Audiard adiciona pitadas de humor e momentos de sensibilidade, tornando esse filme muito agradável de assistir. Destaque para o excelente trabalho do ator que interpreta Dheepan. O filme é quase todo falado em tâmil, um dos idiomas oficiais do Sri Lanka. Quem aprecia filmes de qualidade não pode perder.

domingo, 1 de maio de 2016

Numa das cenas iniciais do filme, Isabel (Ana de Armas) está esperando o trem no metrô quando um homem de repente levita sobre os trilhos. Quando sai à rua, ela começa a ver fantasmas. Pensei na hora: lá vem bomba! Não deu outra. “FILHA DE DEUS” (“Exposed”), EUA, 2015, direção de Declan Dale, é um “abacaxi” dos mais azedos.  Nem o astro Keanu Reeves consegue salvar. Reeves interpreta o detetive Scott Galban, encarregado de investigar o misterioso assassinato do seu parceiro numa estação do metrô. Durante as investigações, o policial descobrirá que seu falecido parceiro não era “flor que se cheire”. Era corrupto e mau-caráter. O detetive Scott vai atrás dos principais suspeitos, mas o verdadeiro assassino só é apresentado no final, numa revelação bombástica. O filme é muito fraco, com problemas sérios de roteiro, principalmente com relação às aparições vistas por Isabel, que não têm nada a ver com a história. Apesar de bonita, ainda falta muito para a cubana Ana de Armas ser considerada uma boa atriz. Reeves atua no piloto automático, devagar quase parando. O último filme bom em que atuou foi “De Volta ao Jogo”, de 2014. A única que se salva é Mira Sorvino como Janine, viúva do policial morto. 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Rodado em 2012 e lançado no Festival de Berlim/2015, “CAVALEIRO DE COPAS” (“Knight of Cups”), é mais um filme enigmático, indecifrável e, acima de tudo, insuportável, escrito e dirigido pelo cineasta/filósofo norte-americano Terrence Malick. Sofrimento puro aguentar os seus 118 minutos de duração. Malick repete a mesma  estrutura narrativa dos abomináveis “Árvore da Vida” e “Amor Pleno”, ou seja, um narrador com voz sussurrante (Ben Kingsley), frases desconexas, reflexões filosóficas e poucos diálogos entre os personagens. Tudo isso ilustrado por imagens do céu cheio de nuvens, cidades iluminadas, praias e florestas. Um caos visual, mesmo que algumas imagens sejam belíssimas. Entre as reflexões filosóficas, que não têm nada a ver com o filme, estão pérolas como “O único jeito de sair é entrando”, ou “Eu estou na escuridão, mas acredito na luz”, ou “A realidade não é a realidade”, ou “Não perca tudo só porque perdeu uma parte”. O personagem principal é Rick (Christian Bale), um escritor/roteirista de Hollywood que atravessa uma crise existencial. Estão ainda no elenco Natalie Portman, Cate Blanchett, Imogen Poots, Freida Pinto, Teresa Palmer, Isabel Lucas, Brian Dennehy e Antonio Bandeiras. Um ótimo elenco para tanta bobagem. O tal "Cavaleiro de Copas" refere-se a uma carta do Tarô. Se você ainda não assistiu a nenhum filme de Malick, assista a este por curiosidade e veja se eu não tenho razão. 

terça-feira, 26 de abril de 2016

“HECTOR E A PROCURA DA FELICIDADE” (“Hector and the search for happiness”), 2014, Canadá/Alemanha, direção de Peter Chelsom. Comédia romântica com pitadas de aventura. O psiquiatra Hector (Simon Pegg), de tanto as lamúrias dos seus pacientes, também entra em crise existencial, no que acaba estremecendo sua relação com a namorada Clara (Rosamund Pike). Para tentar resolver seus problemas e também os de seus pacientes, Hector resolve sair pelo mundo para tentar descobrir como ser feliz, ou como encontrar a felicidade. Seu périplo inclui a China, com uma visita ao Nepal, e o interior da África. Neste último, aliás, ele passará por grandes perigos, como ser sequestrado e preso por rebeldes. A história é baseada no romance “Le Voyage D’Hector ou la Recherche de Bonheur”, de François Lelord. Até que o filme é agradável, leve e com uma mensagem bastante otimista sobre a felicidade. Além do simpático ator inglês Simon Pegg e da competente e charmosa Rosamund Pike, o elenco conta ainda com participações especiais de Christopher Plummer, Toni Collette, Jean Reno e do ator sueco Stellan Skarsgard. Um bom programa para uma sessão com pipoca.                  

 

sábado, 23 de abril de 2016

Em 1987, John Boorman dirigiu “Esperança e Glória” (“Hope and Glory”), um belo filme (indicado ao Oscar em cinco categorias) que retrata o cotidiano de uma família inglesa durante a Segunda Grande Guerra sob a ótica do garoto Bill. Em 2014, o veterano cineasta inglês (“Amargo Pesadelo” e “Excalibur”) resolveu filmar uma sequência, que chegou até a nós com o nome de “RAINHA E PAÍS” (“Queen and Country”), trazendo de volta o personagem principal Bill (Callun Turner). A história deste segundo filme é ambientada em 1952 e Bill, aos 18 anos, está alistado no exército inglês em treinamento para a Guerra da Coreia. Desta vez, Boorman acrescentou um tom de sátira e comédia ao filme, principalmente nas cenas filmadas no quartel. Os amigos Bill e Percy (Caleb Landry Jones) aprontam o tempo inteiro e os oficiais são tratados de maneira caricatural. Em suas folgas, Bill conhece a bela e enigmática Ophelia (Tamsin Egerton), por quem se apaixona e que mais tarde descobrirá que é uma outra pessoa. O filme não é ruim, tem alguns bons momentos e pode ser visto como um agradável entretenimento, mas não oferece muitos motivos para uma recomendação entusiasmada. O título estranho, tanto o original quanto a tradução, está associado à coroação da Rainha Elizabeth II naquele ano, numa cerimônia que mobilizou toda a população da Inglaterra. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016


“COPENHAGEN”, 2014, Canadá/Dinamarca/EUA, é um filme independente dirigido pelo jovem cineasta canadense Mark Raso. Trata-se de sua estreia em longas. Antes, era conhecido como competente diretor de curtas, um deles, “Under”, premiadíssimo em vários festivais. A “Copenhagen” do título é mesmo a capital da Dinamarca, cenário em que se desenrolará quase toda a história (o visual é de primeira). Copenhagen é a última etapa da viagem do jovem canadense William (o ator inglês Gethin Anthony) depois de passear, em companhia de um casal de amigos, por vários países da Europa. Seu objetivo é visitar o avô e conhecer a história de sua família – seu pai nasceu em Copenhagen. Depois de uma discussão com os amigos, William fica sozinho na capital dinamarquesa. Não por muito tempo, porém, pois logo conhece uma bela adolescente, Effy (Frederikke Dahl Hansen), que se oferece para servir de cicerone. É claro que vai pintar um clima entre os dois, apesar da grande diferença de idade. O filme até que é interessante, mas não entusiasma muito. Os diálogos são afetados, pretensiosos, e em alguns momentos chegam a cansar. Outro aspecto negativo é o próprio William, personagem dos mais desagradáveis, prepotente, se acha o centro do Universo, além de ser dado a grosserias.  De bom mesmo, os cenários de Copenhagen e a jovem e bela dinamarquesa. Pouco para garantir um bom programa. Prefira o chocolate. Com K, claro.       

“ENSINA-ME O AMOR” (“How to make love like an Englishman” nos EUA e Canadá; “Some Kind of Beautiful”, na Inglaterra), 2014, EUA/Inglaterra, direção de Tom Vaughan. Apesar do título novelesco e um tanto cafona dado aqui no Brasil, esta comédia romântica é muito agradável e divertida, com Pierce Brosnan e Salma Hayek em momentos inspiradíssimos – os dois já fizeram par romântico em “Ladrão de Diamantes” (2004). Richard Haig (Brosnan) é professor da literatura inglesa na famosa universidade de Cambridge e mulherengo crônico. Ele se envolve com a jovem estudante norte-americana Kate (Jessica Alba), uma de suas alunas. Logo aparece no cenário a irmã de Kate, Olivia (Hayek), recém-saída de um divórcio tumultuado. Como era de se esperar, Richard vai arrastar suas asas também para Olivia. A situação se complica ainda mais quando Kate fica grávida do professor. A relação entre os três acaba gerando situações de grande efeito cômico. A cena em que Olivia imita o orgasmo dos homens é hilariante, comprovando a aptidão da atriz mexicana para a comédia. Brosnan também está ótimo como o professor conquistador, charmoso e cínico. No papel de Gordon, pai de Richard, o ator Malcolm McDowell também arrasa na comédia. Enfim, um ótimo programa para uma sessão da tarde com pipoca. Diversão garantida! 


     

terça-feira, 12 de abril de 2016

“TRUMBO – LISTA NEGRA” (“Trumbo”), 2015, EUA, aborda um período da vida de Dalton Trumbo, um dos mais competentes roteiristas que já passaram por Hollywood. Em 1947, acusado de pertencer ao Partido Comunista, Trumbo foi chamado a depor no Comitê de Atividades Antiamericanas e se recusou a colaborar, o que resultou em sua prisão por quase um ano. Muitos artistas, diretores e executivos dos grandes estúdios também foram convocados a depor, sendo que alguns, para manter o trabalho, acabaram entregando os próprios companheiros. Mesmo depois de libertado, Trumbo continuou  proibido de trabalhar e aparecer nos créditos. Para sobreviver, escrevia roteiros utilizando nomes de outros roteiristas e pseudônimos. Foi assim que ganhou dois Oscars de Melhor Roteiro: “A Princesa e o Plebeu” (1953), roteiro assinado por seu amigo Ian McLellan Hunter, e “Arenas Sangrentas” (1956), sob o pseudônimo de Robert Rich. Somente em 1959, depois de ter escrito o roteiro de “Êxodus”, é que Trumbo voltou a aparecer nos créditos. Em 1971, escreveu e dirigiu (primeira experiência como diretor) “Johnny vai à Guerra”, um dos filmes que mais me tocaram. “Trumbo” é um filmaço, desde a direção competente de Jay Roach, a recriação de época, o roteiro primoroso e o ótimo elenco, com destaque para Bryan Cranston, que interpreta Trumbo, indicado ao Oscar de Melhor Ator - perdeu, injustamente, para DiCaprio, o atual queridinho da Academia. Também atuam no filme Diane Lane, Helen Mirren, John Goodman e Elle Fanning. Obrigatório para quem gosta de cinema. Imperdível para todo mundo!               

 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Ambientado num cenário de escombros numa Berlim destruída do pós-guerra, o drama alemão “PHOENIX”, 2014, conta a história de Nelly Lenz (Nina Hoss), uma ex-cantora judia sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, de onde foi resgatada com o rosto totalmente desfigurado. Para reconstruí-lo, ela é levada para uma operação cirúrgica na Suíça. Sua amiga Lena Winter (Nina Kunzendorf), que trabalha numa agência recrutadora de judeus, pretende levá-la depois para a Palestina. Nelly, porém, tem outros planos. Quer voltar a Berlim para se defrontar com o ex-marido, Johnny (Ronald Zehrfeld), que ela acredita tê-la traído entregando-a para os nazistas. Nelly retorna a Berlim e vai atrás do paradeiro de Johnny. Acaba encontrando-o numa boate chamada “Phoenix” (o nome também é associado ao ressurgimento de Nelly, literalmente, das cinzas). Quando Nelly aparece, Johnny não a reconhece, mas tem a ideia de colocar em prática um plano para conseguir a herança da ex-mulher, cuja família é bastante abonada. O roteiro foi adaptado do romance “Le Retour des Cendres” (“O Retorno das Cinzas”), de Hubert Monteilhet, e a direção coube a Christian Petzold (“Bárbara”). A produção é simples, elenco mínimo, poucas locações. Ficou com cara de adaptação de uma peça de teatro ou um filme de segunda linha feito para TV. Se há algo a destacar, sem dúvida é o desempenho de Nina Hoss, talvez a melhor atriz alemã da atualidade.  

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Quando assinou a direção do longa nacional “Dois Coelhos”, em 2012, o brasileiro (santista, por sinal)  Afonso Poyart atraiu a atenção do pessoal de Hollywood. Daí surgiu o convite para dirigir o suspense policial “PRESSÁGIOS DE UM CRIME” (“SOLACE”), com astros do porte de Anthony Hopkins, Colin Farrell, Jeffrey Dean Morgan e Abbie Cornish, entre outros. A história, escrita por Ted Griffin, é centrada na caça a um serial killer que está matando um monte de gente. Encarregados da investigação, os agentes do FBI Joe Merriwether (Dean Morgan) e Khaterine Cowles (Cornish) não conseguem pistas sobre o criminoso. Joe resolve pedir ajuda ao Dr. John Clancy (Hopkins), que em outras oportunidades ajudou a polícia a desvendar vários crimes utilizando seus poderes de vidente. Imagens fantasmagóricas, aparições repentinas, alucinações. Tudo muito fantasioso para o meu gosto. Não posso deixar de destacar, porém, o clima de tensão que acompanha o filme do começo ao fim, além das cenas de ação, muito bem feitas, tudo num ritmo bastante acelerado, uma marca do diretor. Uma boa estreia de Poyart, mais um brasileiro que desponta no cenário do cinema mundial.  

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O drama grego “MISS VIOLENCE”, 2012, é um dos filmes mais perturbadores dos últimos anos. Não recomendo aos espectadores mais sensíveis. Escrito e dirigido por Alexandros Avranas, o filme acompanha o cotidiano de uma família constituída de avô e avó, filhas e netos. A história já começa de maneira trágica: durante a comemoração do seu aniversário de 11 anos, Aggelikie (Chloe Bolota) se mata pulando do apartamento. A partir daí, o espectador é levado a querer descobrir os motivos que levaram a menina ao suicídio. A polícia e assistência social também querem saber o que de fato aconteceu. Aos poucos, o filme vai relevando o que se passa de sórdido naquela família. Não faltam cenas de tortura psicológica, agressões verbais, tabefes familiares, incesto, estupro, situações que tornam o filme ainda mais desagradável e incômodo. A cada cena, o clima claustrofóbico e de tensão vai aumentando de forma constante, o que revela o bom trabalho do diretor Avranas. Apesar de todo o contexto desconfortável para o espectador, o filme é muito bom e o elenco melhor ainda, com destaque para o trabalho do ator Themis Panou, o avô e vilão da história. No Festival de Veneza 2013, quando foi exibido pela primeira vez, o filme recebeu os prêmios de Melhor Diretor (Avranas) e Melhor Ator (Panou). Recomendo, mas apenas para quem tem estômago forte.    

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O drama “O BENFEITOR” (“The Benefactor”), EUA, 2015, direção de Andrew Renzi, traz Richard Gere como Franny, um ricaço presidente de uma fundação que administra um grande hospital. Cinco anos depois de provocar um acidente de trânsito que ocasionou na morte de um casal de amigos, Franny, além de um grave ferimento na perna, que o obriga a andar de bengala e tomar morfina, ainda carrega o trauma pela perda dos amigos. Ele se transformou num homem irascível, prepotente e manipulador. Pior: viciado em morfina. Ele se acha responsável pela vida da filha dos falecidos, Olivia (Dakota Fanning), que está prestes a se casar com Luke (Theo James). Franny tentará comandar a vida do jovem casal, interferindo nas suas decisões, o que acabará gerando conflitos e desavenças. O astro Gere está bastante envelhecido e já provou ser um bom ator, mas fez mais uma escolha infeliz, assim como aconteceu com seus dois filmes anteriores, os fracos “O Encontro” (“Time Out of Mind”), onde interpreta um morador de rua, e “O Exótico Hotel Marigold 2”. Em “O Benfeitor”, Gere tenta alcançar o tom dramático exigido para o papel, mas sua atuação ficou forçada demais. Claro que a legião de fãs do astro não deve perder o filme, relevando sua qualidade duvidosa.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

“ONDULAÇÃO” (“Curling”), 2010, Canadá, é um drama centralizado no relacionamento de Jean-François (Emmanuel Bilodeau) com a filha de 12 anos, Julyvonne (Philomène Bilodeau, filha de Emmanuel na vida real). Eles vivem em Saint-Hilaire, cidade ao sul de Montreal, cujos cenários são de um frio gélido, em meio a muita neve. Emmanuel é um homem solitário, tímido, superprotetor com relação à filha, a ponto de não deixá-la ir para a escola. Sozinha, sem amigos, a adolescente tem como única distração caminhar pelas redondezas de sua casa, na frente da qual passa uma estrada. Até que um dia ela encontra alguns cadáveres num bosque. Será com eles que Julyvonne, finalmente, interagirá socialmente. Coisa de louco. Coisa do diretor canadense Denis Côté (do esquisito “Vic + Flo Viram um Urso”), que também escreveu o roteiro. Aliás, Côté destaca no filme várias cenas mostrando partidas de “Curling” (título original do filme), aquele esporte praticado numa pista de gelo e que consiste no deslizamento de uma pedra de granito, cujo trajeto é acompanhado por “varredores”, que tentam impulsionar ou deter a pedra. No geral, o filme é altamente depressivo e, por isso mesmo, passa longe de um entretenimento agradável.            

segunda-feira, 28 de março de 2016

Se você tem a intenção de assistir ao drama húngaro “O CAVALO DE TURIM” (“A Torinói Ló”), 2011, arme-se primeiro de uma enorme – melhor, de uma descomunal – dose de paciência. Altamente depressivo e monótono, o filme, rodado em preto e branco, tem como ponto de partida, segundo a sinopse oficial, um fato que teria acontecido no dia 3 de janeiro de 1889, em Turim (Itália), quando o filósofo Friedrich Nietzsche evitou que um cavalo continuasse a ser chicoteado pelo dono. Nada disso aparece no filme. Ainda segundo a sinopse, a ideia do filme é justamente mostrar o que teria acontecido com o animal depois do seu encontro com Nietzsche. Venhamos e convenhamos, tudo muito esquisito. Na verdade, o filme se concentra no cotidiano de um velho fazendeiro pobre e sua filha. A rotina dos dois ocupa praticamente as duas horas e meia da produção. A filha levanta, veste um monte de roupas. Depois, veste o pai com um monte de roupas, vai até o poço buscar água, leva feno para o cavalo, cozinha duas batatas para o almoço etc. O diretor Béla Tarr repete todas essas atividades cotidianas em cada um dos seis dias em que o filme é dividido. Enquanto isso, fora da casa uma tempestade de vento não para nunca. Quase não há diálogos e as cenas são longas demais, deixando o filme ainda mais modorrento. Pai e filha esbanjam infelicidade e é impossível não se contaminar pelo clima depressivo. Apesar de tudo isso, foi o vencedor do Urso de Prata – Grande Prêmio do Festival de Berlim 2011 e ainda foi indicado para representar a Hungria na disputa do Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro. Assista e tire suas próprias conclusões.  
Cercado de enorme polêmica, chega até nós, finalmente, “CHATÔ, O REI DO BRASIL”, a tão aguardada cinebiografia de Assis Chateaubriand - fundador dos Diários Associados, Rádio e TV Tupi - baseada no livro de Fernando Morais. As filmagens começaram em 1995 e só foram concluídas em 2015. Nesse período, o diretor Guilherme Fontes foi julgado e acusado numa ação judicial de má utilização de verbas públicas, processo ainda em andamento na Justiça. As filmagens foram tão complicadas que várias cenas tiveram que ser refeitas anos depois. No filme, você poderá notar a atriz Leandra Leal novinha, ainda em início de carreira, e a aparição de atores que já morreram, como José Lewgoy e Walmor Chagas. Fontes realizou uma adaptação livre da obra de Fernando Morais. Como um músico de jazz, improvisou, fez quase uma versão onírica, com visual tropicalista. Exagerou na dose. O roteiro é um tanto confuso, com idas e vindas em flashbacks, além de muitas cenas contendo alucinações do personagem principal, confundindo o espectador com relação à compreensão do que é real ou imaginário. O elenco é ótimo, assim como a recriação de época, os cenários, a fotografia. Mas o resultado final não foi aquele que se esperava depois de tanta polêmica. O livro retrata melhor quem foi realmente Assis Chateaubriand. Ou seja, o livro é bem melhor...  

sexta-feira, 25 de março de 2016

No começo de 2005, a jovem holandesa Sophie Van Der Stap descobriu que tinha um tumor na pleura, inoperável e agressivo. A partir daí, ao invés de entrar em depressão ou se entregar, ela resolveu enfrentar a doença começando por escrever um diário. Essas memórias, inicialmente divulgadas através de um blog, se transformaram num livro de grande sucesso e foram adaptadas para o cinema em 2013, resultando no drama “A GAROTA DAS NOVE PERUCAS” (“Hente Bin ich Blond”), Alemanha/Bélgica, direção de Marc Rothemund (“Uma Mulher contra Hitler”). A história mostra a trajetória de Sophie (Lisa Tomaschewsky) desde ochoque da descoberta da doença, o desespero da família e as diversas fases do tratamento, incluindo as sessões de quimioterapia e radioterapia. Tudo de forma quase didática. Também como forma de amenizar o seu sofrimento, Sophie compra nove perucas (daí o título), cada uma diferente da outra. Ela chega a dar nome às perucas (Daisy, Platina, Stela, Blondie etc.) e quando as usa assume uma personalidade diferente. E, nesse contexto, impossível não destacar o excelente desempenho da atriz alemã Lisa Tomaschewsky, num primor de interpretação. Apesar do pano de fundo trágico, o roteiro abre espaço para o humor e o romance, além de momentos comoventes. Sem dúvida, um filme muito interessante que vale ser conferido.