sexta-feira, 6 de março de 2015

O drama francês “A PEQUENA JERUSALÉM” (“La Petite Jérusalem”) é bastante esclarecedor com relação à condição da mulher diante dos preceitos da religião judaica ortodoxa. Para isso, coloca em discussão temas como religião, claro, e também  filosofia e sexo. Produzido em 2005 e dirigido pela então estreante diretora francesa Karin Albou, o filme centra a história na família de Laura (Fanny Valette), de 18 anos, estudante de Filosofia. Ela vive com a irmã Mathilde (Elsa Zylberstein), o cunhado Ariel (Bruno Todeschini), os filhos do casal e a mãe. A família mora no bairro chamado “A Pequena Jerusalém”, em virtude da presença de um grande número de judeus, na periferia de Paris. Laura gosta de um colega de trabalho, Djamel (Hédi Tillette de Clermont-Tonnerre), um imigrante ilegal argelino muçulmano. Na verdade, uma paixão proibida. Sua irmã, Mathilde, descobre que Ariel, um fervoroso judeu ortodoxo, estava tendo um caso e então coloca em xeque sua condição de amante recatada, à qual atribui a traição do marido. Ela, então, vai procurar aconselhamento para reverter a situação. O filme é bastante interessante justamente por abordar esses aspectos que cercam o cotidiano das mulheres pertencentes a famílias judaicas ortodoxas. Um filme adulto, sério, que merece ser visto. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

“GET ON UP” (ainda sem tradução por aqui), EUA, 2014, é o filme biográfico do cantor James Brown, um dos maiores fenômenos da música norte-americana e mundial, o “Rei do Soul” e o inventor do Funk. Para se ter uma ideia de quem foi James Brown (1933-2006) , basta dizer que vendeu, em sua carreira, mais de 500 milhões de discos. Outro sinal de sua importância musical: Mike Jagger é um dos produtores do filme e um de seus maiores admiradores. Brown viveu uma infância pobre, quase miserável, na Carolina do Sul. Abandonado pela mãe ainda pequeno, viveu um tempo com o pai violento, que depois foi para o exército e o deixou aos cuidados de uma tia. Brown começou a cantar na cadeia, onde cumpriu pena por roubo. Saiu e fundou o grupo “The Famous Flames”. Aí foi um sucesso atrás do outro, até se transformar num dos maiores cantores do século XX. O filme é ótimo, apesar da longa duração (139 minutos). O elenco é excelente, tendo à frente Chadwick Boseman (Brown), Viola Davis (Susie Brown, a mãe), Octavia Spencer (tia Honey), Dan Aykroyd (o empresário Ben Bart) e Nelson Ellis (Bobby Byrd, o melhor amigo). A direção é de Tate Taylor (“Histórias Cruzadas”). Os números musicais são um primor, mostrando como Brown, além de ótimo cantor e compositor, era um showman espetacular. O filme mostra que Brown tinha um ego maior até do que o seu talento, que já era enorme. Prepare-se para balançar na poltrona e conhecer um dos maiores gênios da música pop.  Imperdível!                                                                                                               
A comédia nacional “MADE IN CHINA”, 2014, é simpática e divertida. O apelo é bem popular, como a maioria das comédias feitas por aqui, mas esta, pelo menos, não parte para a baixaria. A história é ambientada no Saara, o maior centro comercial do Rio de Janeiro, uma espécia de Rua 25 de Março carioca. A Casa São Jorge, do libanês Nazir (Otávio Augusto), enfrenta a forte concorrência dos recém-chegados chineses, que abriram a Casa do Dragão bem em frente. Os artigos da Casa São Jorge, em sua maioria, vêm do Paraguai, e da concorrente, claro, da China, muito mais baratos. Francis (Regina Casé) e Andressa (Juliana Alves), vendedoras da São Jorge, tentam descobrir por que os chineses vendem suas mercadorias muito mais barato. Elas atravessam a rua e tentam dialogar com Chao (Tony Lee), sua mulher e sua filha, que não falam nossa língua. A dificuldade de comunicação gera alguns momentos bastante engraçados, ainda mais quando entra em cena Carlos Eduardo (Xande de Pilares), um malandro que namora Francis e não pode ver rabo de saia. Apesar do título, o filme é bem carioca, utilizando  linguagem típica da periferia de lá, repleta de gírias e de termos utilizados pela malandragem. O filme tem a direção de Estevão Ciavatta, marido de Regina Casé. Esta, por sinal, está bastante engraçada e menos chata do que o habitual. Otávio Augusto, como sempre, está ótimo. Mas os destaques mesmo são a morenaça Juliana Alves e Xande de Pilares como o típico malandro carioca. Enfim, um filme para quem quiser se divertir sem exigir muito.  

terça-feira, 3 de março de 2015

Deborah Secco já provou – tanto em novelas, em filmes e em peças de teatro – que é uma boa atriz. No cinema, sua melhor atuação foi, sem dúvida, em “Bruna Surfistinha”. No drama “BOA SORTE”, 2014, ela faz o papel de Judite, uma ex-drogada com HIV e graves problemas hepáticos Ela está internada numa clínica psiquiátrica e não tem muito tempo de vida. Enfim, uma paciente em estado terminal, que se mantém viva no automático e graças às doses de maconha levadas pela avó Célia (a sempre ótima Fernanda Montenegro). Recém-chegado à clínica, com problemas de depressão, o jovem João (João Pedro Zappa) logo faz amizade com Judite. Os dois não se desgrudam e João, sexo depois, acaba se apaixonando. Só que Judite, sabendo do histórico depressivo do rapaz, decide não alimentar essa paixão. Como não tem muito tempo de vida, ela teme que João faça alguma besteira após sua morte. O filme até comove, mas não deixa de ser arrastado, um tanto lento. Embora tenha emagrecido 11 quilos para o papel, Deborah não está assim tão convincente. Sua atuação chega a ser forçada em algumas cenas. O filme marca a estreia de Carolina Jabor (filha do próprio, Arnaldo) na ficção. Complementando as informações, a história foi baseada no conto “Frontal com Fanta”, de Jorge Furtado, que também assina o roteiro. Também estão no elenco Cassia Kis Magro (a antiga Kiss), Felipe Camargo e Gisele Fróes.

domingo, 1 de março de 2015

“BY THE GUN”, 2014, EUA, direção de James Mottern, é um drama que explora as consequências de se ingressar na Máfia, principalmente a fidelidade. No caso deste filme, a Máfia de Boston. Filho de italianos, Nick Tortano (o ator inglês Ben Barnes, o Caspian de “As Crônicas de Nárnia”), chegou garoto em Boston e logo passou a frequentar gangues. Cresceu e caiu nas graças do chefão mafioso Salvatore Vitaglia (Harvey Keitel). Nick é recomendado a ingressar na “Família”, com direito a padrinho, Jerry (Toby Jones), e a uma cerimônia formal com a presença de importantes chefões. Nick não sabe a fria em que está se metendo. Quando recebe a primeira missão – assassinar um advogado -, ele percebe que não coragem para tanto. Para piorar, acaba se apaixonando pela jovem Ali Matazano (a belezinha Leighton Meester), que nada mais é do que a filha de um violento chefão mafioso. Nick só fica valente mesmo e sai para a vingança quando a violência chega em sua família e na namorada. Aí o sangue vai jorrar de verdade. É claro que o filme passa longe – na verdade, a anos-luz – de inúmeros outros filmes do gênero, como “Os Bons Companheiros”, por exemplo, na minha opinião o melhor de todos. Vai gostar deste quem curte o tema Máfia sem se importar se a história é fraca ou se tem pouca ação e violência. Aliás, não há muitos motivos para tornar esse filme recomendável. Mediano já é um grande elogio.       
“SELMA – UMA LUTA PELA IGUALDADE” (“Selma”), 2014, direção de Ava DuVernay, é um dos melhores – senão o melhor – filmes já feitos sobre a questão racial nos EUA. A história é ambientada em 1965, ano em que o pastor protestante Martin Luther King (David Oyelowo) liderou marchas pacifistas entre a cidade de Selma e Montgomery, capital do Estado do Alabama. Seu objetivo: garantir o direito de voto aos negros. O filme mostra os bastidores dessas marchas e como elas foram planejadas, as conversas de Luther King com o então presidente Lyndon B. Johnson (Tom Wilkinson) na Casa Branca, o exacerbado racismo do governador George Wallace (Tim Roth), do Alabama, e a violência sem freios utilizada pelos policiais contra os manifestantes. Os discursos memoráveis de King também são destacados. Em um deles, ele afirma que é inconcebível que o presidente Johnson envie tropas para o Vietnam e se recuse a enviar soldados dar proteção aos participantes das marchas, afinal cidadãos norte-americanos em seu próprio país. É um filme poderoso, emocionante, uma verdadeira aula de história. Era um dos grandes favoritos a ser o destaque do Oscar 2015, mas foi claramente esnobado pela Academia. Recebeu somente duas indicações: Melhor Filme (perdeu) e Melhor Canção Original (ganhou, com “Glory”). Injusto, pois o filme é ótimo, simplesmente imperdível!  

sábado, 28 de fevereiro de 2015

“SONG ONE”, 2014, roteiro e direção de Kate Barker-Froyland, é um drama romântico com um altíssimo nível de água com açúcar. A história: enquanto estudava tribos nômades no Marrocos para um trabalho de doutorado, a antropóloga Franny (Anne Hathaway) recebe um telefonema da mãe Karen (Mary Steenburgen) com a notícia de que seu irmão mais novo Henry (Ben Rosenfield) tinha sido atropelado e está internado em coma. Franny retorna imediatamente para casa. Numa espiada no quarto de Ben, ela acha um diário e ainda vários cartazes e CD’s de um cantor chamado James Forester, o ídolo musical do irmão. Além de peregrinar pelos locais preferidos de Ben descritos no diário, Franny resolve também conhecer o tal James Forester (o ator sul-africano Johnny Flynn), que, por coincidência, estava fazendo uns shows na cidade. Ela acha um ingresso dentro do diário de Ben e vai assistir ao show com o intuito de conhecê-lo. É fácil adivinhar o que vai acontecer entre os dois. O filme é recheado de números musicais, grande parte deles do chamado “Folk Music” ou “Folk Rock”. Qualquer que seja a denominação certa, as músicas são chatérrimas, violão e voz, incluindo de vez em quando, para piorar, aqueles falsetes irritantes. Na parte musical, de interessante mesmo só a apresentação de um cantor barbudo interpretando “O Leãozinho” (Caetano Veloso) em português. O filme é indicado apenas para aqueles românticos incuráveis que não tenham problemas com diabete, pois é açucarado demais.                                                                                                                     

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

“O REI ELEFANTE” (“The Elephant King”), co-produção EUA/Tailândia de 2006, direção de Seth Grossman. Que eu me lembre, passou em branco por aqui esse drama ambientado quase que inteiramente na Tailândia. O jovem Jake (Jonno Roberts) enfrenta problemas com a justiça norte-americana e consegue fugir – o filme não explica como - para a Tailândia. Sua mãe, Diana Hunt (Ellen Burstyn), quer que o filho volte para casa, mesmo correndo o risco de ser preso. Jake está feliz na Tailândia, ganhando um troco nas lutas vale-tudo e vendendo – e consumindo também - maconha. Ele mora numa espécie de pousada com piscina olímpica (???) e namora uma bela nativa, Lek (Florence Faivre). Diana envia o filho mais novo, o tímido Oliver (Tate Ellington), para o país asiático com o intuito de convencer o irmão a retornar para casa. Quando chega à Tailândia, porém, Oliver deixa a timidez de lado e, levado pelo irmão, cai na gandaia. Durante uma farra, Jake compra um elefante e o leva para a pousada. Trata-se da única, infeliz e inexplicável associação com o título do filme. Oliver se apaixona por Lek, e vice-versa, e Jake fica transtornado. A situação abala a relação entre os irmãos. Como já dá para perceber, a história é fraca e o filme desanda de vez em sua segunda metade, culminando com um final trágico e, ao mesmo tempo, constrangedor. Embora apareça com destaque no material de divulgação do filme, Ellen Burstyn tem uma participação mínima, quase uma ponta. A grande atriz, de tantos papeis memoráveis em ótimos filmes como “Réquiem para um Sonho”, “Alice não Mora mais Aqui” e “O Exorcista”, entre tantos outros, não merecia estar associada a um filme tão medíocre. Dessa forma, mesmo com a presença de Ellen, fica difícil recomendar.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

 “LA PETITE REINE”, França, 2014, direção de Alexis Durant-Brault (de “Carona Sinistra”), conta o drama, baseado em fatos reais, vivido pela ciclista canadense Geneviève Jeanson. Um fenômeno na modalidade, desde que surgiu, aos 16 anos, atleta olímpica e grande orgulho do Canadá, ela teve um triste final de carreira, eliminada das competições por uso de doping. O caso veio à tona em 2008, quando o médico Maurice Duquette, de Quebec, admitiu ter fornecido o medicamento EPO para a atleta, com a concordância do treinador Andre Abut. Ambos foram banidos do esporte e também proibidos de exercer suas funções. Geneviève foi suspensa pela Federação de Ciclismo de Quebec por 10 anos e resolveu abandonar as pistas. No filme, a ciclista é Julie Arseneau (a atriz canadense Laurence Leboeuf) e o técnico é JP (Patrice Robitaille). O filme mostra o esforço da ciclista nos treinamentos e a pressão psicológica exercida pelo técnico para ela conseguir cada vez mais vitórias. Ele visava, claro, o dinheiro que vinha dos prêmios e dos patrocinadores. Grande parte desse dinheiro ia para o seu bolso. Por isso, incentivava Julie a se dopar cada vez mais. Enfim, o técnico era um mau-caráter de marca maior. O filme trata Julie como vítima, o que não deixa de ter sido, mas ela era adulta o suficiente para saber que estava fazendo tudo errado, inclusive quando ia para a cama com ele. Muita gente não conhece a história dessa jovem atleta e como o doping pode encerrar carreiras tão promissoras. O filme é muito bem feito e merece ser visto, principalmente por quem curte temas ligados ao esporte.  

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

“LAR DOCE INFERNO” (“Home Sweet Hell”), 2014, direção de Anthony Burns (seu segundo filme),   é uma comédia de humor negro com pitadas de filme trash. A bela Katherine Heigl é a estrela do filme. A atriz, ótima comediante, interpreta Mona, a ciumenta, mandona e megera esposa do empresário Don Champagne (Patrick Wilson), dono de uma loja de móveis e decoração. Além dos atributos acima, Mona também é severa e exigente demais com os dois filhos, aos quais educa como um verdadeiro oficial nazista. Mona também é metódica com relação a fazer sexo com o marido. Quando este chega “animado”, ela lembra que só vai fazer sexo no dia 9, conforme está estipulado em sua agenda. Marido fiel, Don encara o jejum forçado como coisas do casamento, pelo menos até a chegada de uma nova vendedora à sua loja. A jovem e sedutora Dusty (a atriz panamenha Jordana Brewster) vai fazer com que Don reveja seus conceitos com relação à fidelidade. É claro que a situação acabará se complicando, pois Dusty parece não ser apenas uma mulher fogosa sedenta por sexo. Mona acaba descobrindo o caso e aí seu lado psicótico vai aflorar de uma forma terrível. O filme começa como uma comédia normal, vira humor negro e acaba num trash sanguinolento. Pena que o desfecho é abrupto demais, dando a sensação de que vem parte II por aí, embora o filme não mereça tanto. Um destaque a ser mencionado é a presença do sumido ator Jim Belushi no elenco. Como entretenimento, até que funciona.                                                                                                            

domingo, 22 de fevereiro de 2015

 
 “MARVELLOUS”, 2014, Reino Unido, é um telefilme produzido e exibido pela BBC Two. Tomara que chegue por aqui, nem que seja por intermédio de alguma emissora de TV. O filme é ótimo. Conta a história verdadeira de Neil Baldwin (Toby Jones), o “Nello”, um sujeito limitado pelo seu retardo mental e que se transformou numa figura folclórica e querida por todos na cidade de Westlands, na Inglaterra. Durante algum tempo, “Nello” trabalhou como palhaço num circo. Depois de perder o emprego, voltou para a casa da mãe, Mary (Gemma Jones), que a essa altura já estava bastante doente. Preocupada com o futuro do filho, Mary levou-o a uma agência de empregos. Ele não aceitou nenhuma sugestão. Queria, porque queria, ser reverendo ou técnico de futebol. A cena é hilariante. Com sua ingenuidade e carisma, “Nello” foi fazendo amigos tanto na Universidade de Keele, onde ficava na entrada do prédio dando as boas-vindas aos novos alunos, como na Igreja local, onde costumava conversar com os padres. Mas foi no clube de futebol Stoke City que ele faria o sucesso que o tornou quase que uma celebridade. Quando Lou Macari (Tony Curran) assumiu como técnico do time, que na época disputava a 2ª Divisão – hoje está na Premier League -, convidou “Nello” para ser o roupeiro da equipe. No vestiário, durante as preleções do técnico antes das partidas, “Nello” aparecia com alguma fantasia e sempre animava o ambiente, aliviando a tensão dos jogadores. Macari passou a acreditar que “Nello” era um fator motivacional importante para o time. O roteirista Peter Bowker e o diretor Julian Farino form muito felizes em colocar o verdadeiro Neil Baldwin contracenando com Toby Jones, um recurso que nem sempre dá certo, mas neste caso ficou muito bom. A história de “Nello” é uma lição de vida e de superação. Um filme tocante, sensível e muito comovente.                                                                                                          

sábado, 21 de fevereiro de 2015

“UM SANTO VIZINHO” (“St. Vincent”), EUA, 2014, direção de Theodore Melfi. O ator Bill Murray arrasa nesta comédia. Ele faz o papel de Vin, um veterano da Guerra do Vietnam rabugento, jogador inveterado e alcoólatra. Mas tem um coração enorme, a ponto de se disfarçar de médico para visitar sua mulher, que está “fora do ar” num hospital, só para transmitir boas notícias sobre a sua saúde. Ele mora sozinho e, de vez em quando, recebe a visita da prostituta Daka (Naomi Watts), que está grávida. Essa rotina é quebrada quando chegam seus novos vizinhos, Maggie (Melissa McCarthy) e seu filho Oliver (Jaeden Lieberher), um garoto esperto de 12 anos. Maggie é enfermeira numa clínica radiológica e luta com o ex-marido na justiça pela guarda do filho. Um dia, Maggie pede a Vin que fique de babá de Oliver enquanto trabalha. Como está devendo uma grana preta para um agiota (dívida de jogo), Vin topa o serviço desde que seja pago. E assim ele e Oliver começam uma grande amizade, o que inclui levar o menino para as corridas de cavalo e a bares pouco recomendados, além de ensiná-lo a brigar. Essa amizade resultará no momento mais comovente do filme, quando o menino resolve fazer uma homenagem a Vin no trabalho de Religião da escola. É realmente muito emocionante, de lacrimejar. Além da história bem contada, divertida e sensível, o filme tem o trunfo do desempenho dos atores. Além de Murray, Naomi Watts está ótima como a prostituta grávida, assim como o garoto Jaeden Lieberher e a comediante Melissa MacCarthy, esta um pouco mais contida do que em outros filmes, provando que é boa atriz também em papeis mais dramáticos. Mas o destaque maior é mesmo Murray, em estado de graça, combinando com o título do filme. Entretenimento garantido!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

“LIVRAI-NOS DO MAL” (“Deliver us From Devil”), 2014, reúne dois gêneros de filme: policial e terror. Foi concebido com todos os ingredientes de ambos: mistério, ação, suspense, mortes violentas, possessão demoníaca, exorcismo e sustos à vontade, incluindo o famoso clichê de bonecos ganhando vida no quarto de uma criança. Pior de tudo é que a história é baseada em fatos reais, narrados no livro escrito pelo policial Ralph Sarchie, que garante ter visto e vivido todas as situações mostradas no filme. Tudo começa em 2010, quando soldados norte-americanos no Iraque entram numa espécie de tumba e dão de cara com ele, o demo. O filme pula para 2013, em Nova Iorque. Um bebê é achado morto numa lixeira e logo depois uma mãe descontrolada joga o filho de três anos no fosso dos leões do zoológico. O policial Ralph Sarchie (Eric Bana) é encarregado de investigar os crimes. Em meio às investigações, Ralph é procurado pelo padre Mendoza (o ator venezuelano Édigar Ramírez), especialista em demonologia e exorcismo. Juntos, eles saem a campo para tentar encontrar os culpados e, quando encontram, não será nada fácil enfrentá-los. Vai sobrar também para a esposa Jen (Olivia Munn) e a filha do policial. Como terror é a praia do diretor Scott Derrickson (de “A Entidade” e “O Exorcismo de Emily Rose”), não deu outra: o filme é muito bom. E, melhor, sem aqueles efeitos especiais ridículos que estragam qualquer filme, principalmente os de terror. Um ótimo entretenimento para quem tem estômago forte.                                                                                                      

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

“O AMOR É ESTRANHO” (“Love is Strange”), 2014, é um drama norte-americano independente centrado na história do casal George (Alfred Molina) e Ben (John Lithgow). Pelos nomes já deu pra perceber: trata-se de um casal gay da terceira idade. Apesar de não ter cenas de sexo ou nudez (beijo gay já não choca mais), o filme teve problemas com a rigorosa censura dos EUA e só foi liberado para maiores de 17 anos, o que prejudicou sua distribuição e restringiu o número das salas de cinema. Voltando à história: George e Ben vivem juntos há 39 anos e, com o incentivo de amigos e familiares, resolvem se casar. Só que George coloca as fotos do casamento no Facebook . A diretoria da escola onde George ensina música fica sabendo da história, vê as fotos e o demite. A situação financeira do casal fica difícil - Ben vive de aposentadoria - e eles são obrigados a deixar o apartamento onde moram. Como alternativa provisória, George vai morar com um casal de amigos policiais gays e Ben se hospeda na casa de um sobrinho casado com a escritora Kate (Marisa Tomei). Esta vive se queixando que Ben quer conversar toda hora e tira sua concentração do trabalho. Por seu lado, George não se sente à vontade na casa dos policiais. Fica se achando um estranho. De qualquer forma, mesmo separados, George e Ben continuam se amando. A distância e a saudade acabam reforçando esse amor, dando margem a algumas - poucas - cenas comoventes. O filme até que é sensível, mas é lento demais, chegando a ser monótono em alguns momentos. O roteiro e a direção são de Ira Sachs, que já havia feito um filme com temática gay, aliás, muito bom, “Deixe a Luz Acesa”, de 2012. O brasileiro Maurício Zacharias, que vive há anos nos EUA, ajudou a escrever o roteiro. Além deste e de “Deixe a Luz Acesa”, Maurício escreveu também os roteiros dos nacionais “O Céu de Suely”, “Trinta” e “Madame Satã”.                                             

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

“PRESERVATION” é um filme norte-americano de terror e suspense produzido em 2014 e dirigido por Christopher Denham. Os irmãos Mike (Aaron Staton) e Sean Neary (Pablo Schreiber), acompanhados de Wit (Wrenn Schmidt), esposa de Mike, viajam para uma reserva florestal abandonada com o objetivo de passar o final de semana caçando cervos. Logo na primeira noite eles são roubados: alguém furtou sua barraca, suas armas, suas roupas, praticamente tudo o que levaram para o acampamento. Além disso, na testa de cada um está desenhado um X. Quando saem em busca do responsável ou dos responsáveis pelo roubo, os três acabam sendo literalmente caçados. Aí vão se arrepender amargamente de terem inventado o programa. Nem a reviravolta final salva esse filme, que marca a estreia na direção de Christopher Denham, um ator que já participou de muitos filmes, inclusive “Argo”. Péssimo começo, pois o filme é fraco, o suspense é mínimo e termina sem explicar qual a motivação que levou os agressores a fazer o que fizeram. Fica difícil encontrar alguma qualidade que motive uma recomendação. Na verdade, fica mais difícil ainda dizer se o filme é de horror ou se o próprio filme é um horror. Fico com a segunda opção.                                                                                             

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015


Alexandre, de 11 anos, acorda com um chiclete grudado nos cabelos. Prenúncio de um dia ruim? Ruim não. Péssimo. Para Alexandre e toda a família Cooper, será um dia inesquecível. Melhor, para esquecer. “ALEXANDRE E O DIA TERRÍVEL, HORRÍVEL, ESPANTOSO E HORROROSO” (“Alexander and the Terrible, Horrible, no Good, Very Bad Day”), 2014, direção de Miguel Arteta, é uma comédia da Disney muito divertida e movimentada. O título enorme já dá uma ideia do tamanho da encrenca que envolverá toda a família Cooper. O pai (Steve Carell), desempregado há 7 meses, recebe um convite para uma entrevista de trabalho; a mãe (Jennifer Garner) tem uma reunião importante na editora em que trabalha cujo resultado poderá alçá-la ao cargo de vice-presidente; Anthony (Dylan Minnette), o filho mais velho, tem exame de habilitação para motorista; Emily (Kerri Dorsey) vai representar Peter Pan no teatro da escola. Sem contar que neste mesmo dia Alexandre faz 12 anos. Ainda tem o bebê de colo, que, apesar de não ter nenhum compromisso, vai participar da bagunça. Como o título deixa antever, tudo sairá errado, o que garante situações hilariantes e cenas muito engraçadas, tudo num ritmo alucinante, digno das melhores comédias. O filme, embora feito para agradar a todas as idades, foi inspirado numa história de um livro infantil escrito por Judith Viorst. Outro destaque do filme é a participação numa ponta do veterano comediante Dick Van Dyke no papel do próprio. Um programão!   
É raro assistir a um filme e, ao final, aclamar: “Que filmaço!”. É o caso desse fabuloso e contundente drama “WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO” (“Whiplash”), 2014, EUA, cuja história é centrada numa verdadeira guerra psicológica entre um jovem baterista, Andrew (Miles Teller), e Terence Fletcher (J.K. Simmons), um exigente regente da orquestra de jazz do Conservatório Shaffer, considerada a melhor escola de música dos EUA. Andrew quer seguir os passos de seu grande ídolo, o baterista de jazz Buddy Rich. Na verdade, ele quer ser ainda melhor e, para isso, não se importa em se submeter a um exaustivo e quase sobre-humano treinamento particular que costuma lhe tirar sangue das mãos (o ator Miles Teller, de 27 anos, toca bateria desde os 15). Quando se inscreve no Conservatório Shaffer, Andrew terá Fletcher como seu professor. Aí a coisa vai pegar. Fletcher encarna no baterista, humilhando-o durante os ensaios e exigindo que treine ainda mais. Andrew encara de frente o desafio do professor e nem se importa até mesmo quando este o esbofeteia na frente da orquestra. Pelo contrário, a tortura psicológica e física vai incentivá-lo ainda mais a superar seus limites e topar o enfrentamento com Fletcher. Sua obsessão de ser o melhor baterista faz com que ele deixe tudo de lado, inclusive a namorada que tanto gosta, Nicole (Melissa Benoist). Mas é no embate entre Andrew e Fletcher que o filme ganha em força e dramaticidade. Mesmo quem não gosta de música, bateria ou jazz, vai curtir esse grande filme, escrito e dirigido pelo jovem Damien Chazelle, um talento já comprovado pelo ótimo suspense “Toque de Mestre”. “WHIPLASH" foi indicado a cinco categorias no Oscar de 2015, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante (o veterano Simmons). Repito: filmaço! 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

"ESCOBAR: PARAÍSO PERDIDO” (“Paradise Lost”) é uma co-produção França/Espanha de 2014 que conta uma história baseada em fatos reais ocorridos no início da década de 90. Os irmãos canadenses Nick (Josh Hutcherson, de “Jogos Vorazes”) e Dylon (Brady Corbet) chegam a uma praia da Colômbia para surfar. Gostam tanto que resolvem morar por lá mesmo. Nick vai conhecer a jovem Maria (a atriz espanhola Claudia Traisa), que nada mais é do que a sobrinha querida do poderoso traficante Pablo Escobar (Benício Del Toro). Nick é muito bem recebido por Escobar. “Você é como se fosse meu filho”, diz o traficante, recebendo-o como mais um integrante da família, a ponto de eliminar sumariamente uma gangue de marginais que um dia maltratou o novo afilhado. Nick vai perceber, com o tempo, que pertencer à família de Escobar significa também participar dos negócios. Nick vai sofrer na própria pele o que Escobar destina aos seus piores inimigos. O ator espanhol Carlos Bardem, irmão na vida real de Javier, interpreta o braço direito e o dedo no gatilho de Escobar. Um capanga sanguinário que adora ver sangue jorrar. Totalmente filmado em locações no Panamá, o filme marca a estreia na direção do ator e roteirista italiano Andre Di Stefano. Será difícil, para quem viu Benício Del Toro na pele de Guevara no filme biográfico “Che”, dissociá-lo da imagem do guerrilheiro, ainda mais quando deixa crescer a barba. O mais interessante do filme é como Escobar se auto-idolatrava, o que fica bem claro na conversa que tem com um padre no final, quando dá a entender que está acima de Deus. Teve o fim que merecia, embora tardio.   
“FOXCATCHER – Uma História que chocou o Mundo”, 2014, EUA, é mais um drama baseado em fatos reais. Conta a história do envolvimento do campeão olímpico de luta greco-romana Mark Schultz (Channing Tatum) e de seu irmão e treinador David (Mark Ruffalo) com o excêntrico milionário John du Pont (Steve Carell), herdeiro de uma grande indústria de armamentos. O filme começa ambientado em 1987, quando Mark e David treinam para disputar o campeonato mundial da modalidade e com vistas também às Olimpíadas de Seul, em 1988. Foi nessa época que du Pont entra em contato com Mark e o convida para treinar em sua enorme fazenda chamada Foxcatcher, onde o milionário construiu um centro de treinamento, alojamento para atletas e formou uma equipe própria. Mark aceita o convite, mas seu irmão não. A convivência com du Pont não será muito boa para Mark – o filme insinua um assédio sexual por parte de du Pont. Ao perceber que seu irmão está com problemas, David decide ir para Foxcatcher e participar dos treinamentos. A convivência entre os três será bastante conflituosa, terminando em tragédia alguns anos depois. O filme, embora indicado ao Oscar 2015 em cinco categorias, não deve agradar a todo tipo de público, principalmente o feminino, já que o tema é essencialmente masculino. Os atores estão muito bem, especialmente Channing Tatoom fazendo papel de lutador grandalhão meio bobalhão, tanto no jeito de andar como no de se expressar. Steve Carrel, completamente irreconhecível como du Pont, também está ótimo. A direção é de Bennett Miller (de “Capote” e “O Homem que mudou o Jogo”).                                                                            

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O dia não poderia ser pior para Judd Altman (Jason Bateman). É o dia do aniversário de sua esposa Quinn (Abigail Spencer) e ele resolve sair do emprego mais cedo para fazer uma surpresa, levando um bolo de presente. Na verdade, quem vai ter a surpresa é ele: Quinn está na cama com outro homem. Ainda abalado, Judd recebe um telefone minutos depois do flagrante: seu pai acaba de falecer. Assim, de forma agitada, começa a comédia “SETE DIAS SEM FIM” (“This is Where I Leave You”), 2014, EUA. No velório, Judd reencontra, depois de muito tempo sem se ver, os três irmãos Paul (Corey Stoll), Wendy (Tina Fey) e Phillip (Adam Driver), além da mãe Hillary (Jane Fonda), uma coroa metida a periguete. Segundo Hillary, o desejo do falecido é que a família participe da Shivah, uma cerimônia fúnebre tradicional do judaísmo. Dessa forma, eles ficarão sete dias juntos na casa da mãe, recebendo convidados. É claro que muitas confusões vão acontecer, desde uma cunhada que assedia Judd sexualmente até o encontro de cigarros de maconha num paletó do falecido. Conflitos entre os irmãos são inevitáveis e a mãe tentará manter o controle. Aliás, a melhor reviravolta está reservada para o final, quando Hillary será responsável por uma notícia que vai chocar a todos – de uma maneira bem-humorada, claro. A comédia, dirigida por Shawn Levy (de “Uma Noite no Museu”), mantém o ritmo do começo ao fim. A cada momento está acontecendo um fato novo. Trata-se de uma ótima opção de entretenimento. Diversão garantida!
Mesmo no auge de sua carreira, quando fazia bons filmes de ação e estava em evidência, Nicolas Cage sempre ficou muito longe de ser um bom ator. Essa distância aumentou ainda mais nos últimos tempos. Cage envelheceu e ficou mais canastrão, o que pode ser comprovado no recente “O Imperador” e neste “DYING OF THE LIGHT” (ainda sem tradução por aqui, embora alguns sites tenham traduzido por conta própria, um por “Morrendo da Luz” e outro por “Vingança ao Anoitecer”). Trata-se de uma produção de 2014, direção de Paul Schrader (“Gigolô Americano” e “O Acompanhante”). É um filme pretensamente de ação e suspense, com Cage fazendo o veterano agente da CIA Evan Lake. Há mais de 20 anos, Lake foi preso e torturado pelo terrorista muçulmano Muhammad Banir (Alexander Karim). A tortura foi violenta e Lake carrega sequelas até hoje. Ele quer vingança. Só que é diagnosticado com demência e obrigado a se aposentar por invalidez. Em meio a esse dilema, Milton Shultz (Anton Yelchin), seu colega de CIA, descobre o paradeiro de Banir. Como talvez sua última missão, Lake resolve viajar para o Quênia, onde se esconde o muçulmano, e Milton vai junto. Antes, os dois passam por Bucarest (Romênia), onde trabalha o médico responsável pelo tratamento de Karim, que também está muito doente. Aliás, a cena em que os dois doentes se encontram é nada menos do que constrangedora. A atriz francesa Irène Jacob também está no elenco como uma espiã que teve um antigo caso com Lake. Harrison Ford estava certo para fazer o papel de Lake, mas desistiu no último momento. Quem sabe, com ele, o resultado teria sido um pouco melhor.      

sábado, 14 de fevereiro de 2015

“ASSALTO AMERICANO” (American Heist”), 2014, é um filme de ação canadense, estrelado por Hayden Christensen, Adrien Brody e Jordana Brewster.  Trata-se de um remake de “Facínoras Mascarados” (O Grande Roubo de St. Louis), de 1959. Frankie (Brody) sai da cadeia depois de 10 anos cumprindo pena por ter atirado num policial. Ele procura James (Hayden Christensen), seu irmão mais novo que também havia sido preso mas que agora procura se endireitar trabalhando como mecânico numa oficina de veículos. Frankie promete que vai mudar de vida, mas foi só encontrar dois antigos parceiros para voltar à criminalidade. O grupo planeja um assalto a um grande banco e James é “cooptado” a participar, o que também acabará envolvendo sua namorada Emily (Jordana Brewster), que trabalha na polícia como atendente de chamadas de emergência. O filme só empolga a partir do momento em que o plano de assalto é colocado em prática. Aí sim, a ação toma conta, com o acréscimo de muito suspense. O diretor de origem armênia Sarik Andreasyan acerta a mão nas cenas de tiroteio e perseguição. Apesar de repleto de clichês, trata-se de um bom programa para quem curte filmes de ação. Apenas um reparo à dupla de atores que protagoniza os irmãos. Fisicamente, Adrian Brody não tem qualquer semelhança com o ator canadense Hayden Christensen. Adrian é muito feio, narigudo e tem cabelos pretos, ao contrário do jovem galã Hayden, loiro e bonito. Talvez tenham sido gerados por pais diferentes, mas o filme não esclarece essa parte.