quarta-feira, 16 de setembro de 2020

 

“LEGADO NOS OSSOS” (“LEGADO EM LOS HUESOS”), 2019, Espanha, 1h59m, segundo filme da Trilogia Baztá, baseada na obra da escritora de romances policiais Dolores Redondo – o primeiro foi “O Guardião Invisível”, já comentado neste blog, e o terceiro é “Oferenda à Tempestade”. Os três foram dirigidos por Fernando González Molina. Em “Legado nos Ossos”, o elenco é praticamente o mesmo do primeiro filme, com exceção da entrada, entre outros, do ator argentino Leonardo Sbaraglia e de um novo personagem, o filho recém-nascido da inspetora Amaia Salazar (Marta Etura). Desta vez, a história envolve a investigação sobre os ossos de crianças encontrados nos arredores de Elizondo, justamente a cidade natal de Amaia, cenário dos três filmes. De novo, o caso misterioso é cercado pelo sobrenatural, destacando lendas milenares, bruxarias e rituais macabros. Como no primeiro, este segundo também envolve na história, a família de Amaia, principalmente suas irmãs e a mãe, há anos internada num hospital psiquiátrico. Em “Legado nos Ossos”, o diretor Molina mantém o mesmo padrão estético do primeiro filme, como cores escuras, muitas cenas noturnas e uma chuva ininterrupta. Como suspense, funciona a contento. E só. Para terminar, aviso quer o próximo filme a ser comentado aqui será o último da trilogia, ou seja, “Oferenda à Tempestade”.         

terça-feira, 15 de setembro de 2020

 

“SANTANA” (“DIAS SANTANA”), 2015, Angola, 1h46m, roteiro e direção de Maradona Dias dos Santos e de Chris Roland, norte-americano radicado na África do Sul. Embora pouco conhecido por aqui, o cinema angolano é bastante prestigiado mundo afora, e este filme de ação acaba de chegar ao catálogo da Netflix, já alcançando o 4º lugar entre os 10 mais vistos. A história, baseada em fatos reais, começa com o assassinato de uma mãe grávida residente na periferia de Luanda, capital de Angola. Seu filho de 4 anos consegue fugir, mesmo ferido, e o bebê é salvo antes da mãe morrer. O filme dá um salto de 35 anos e os dois irmãos agora ocupam cargos importantes em Luanda. Bernado (Dalton Borralho) é general do exército e Dias (Paulo Americano) um agente da divisão de narcóticos da polícia. Depois de anos de investigações, eles descobrem a identidade do assassino da mãe, Ferreira (Rapulana Seiphemo), chefe de uma violenta gangue de traficantes. O roteiro se desenrola basicamente em torno do desejo de vingança dos irmãos. Chegar até Ferreira, porém, será uma façanha e tanto, pois o poderoso traficante anda cercado de um pequeno exército de seguranças. Muita violência, tiros, pancadaria e sangue jorrando, tudo o que pede um filme de ação, sem falar no time de atrizes mulatas do mais alto quilate. Totalmente falado em português de Portugal, “Santana” estreou no Festival de Cannes/2015, chegando agora à Netflix. Trata-se de uma boa oportunidade de conhecer um exemplar do cinema angolano. Vale a pena conferir só por curiosidade.  

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

 

“O GUARDIÃO INVISÍVEL” (“EL GUARDIÁN INVISIBLE”), 2017, Espanha, 2h09m, direção de Fernando González Molina e roteiro de Luiso Berdejo. Trata-se do primeiro filme da trilogia baseada na obra da escritora de romances policiais Dolores Redondo (as duas sequências são “Legado nos Ossos”, de 2019, e “Oferenda da Tempestade”, de 2020, que prometo assistir e comentar). “O Guardião Invisível” é centrado no trabalho da inspetora de polícia Amaia Salazar (Marta Etura) para desvendar os crimes praticados por um serial killer contra garotas na faixa dos 13 aos 16 anos. Para iniciar as investigações, Amaia é deslocada de sua delegacia em Pamplona para Elizondo, uma pequena cidade onde ela nasceu e ainda vivem suas irmãs Flora (Elvira Minguez) e Rosaura (Patrícia López Arnaiz). É nos arredores de Elizondo que são encontrados os corpos das adolescentes. Alguns amigos de infância e até membros de sua família aparecem na lista de suspeitos de Amaia, que, paralelamente às investigações, será obrigada a reviver traumas de sua infância ligados ao passado familiar. Até um ser mitológico que vive na floresta, segundo uma lenda local, pode estar envolvido nos assassinatos, embora os habitantes afirmem que ele é do bem – é nele que o título do filme se baseia. Muitas reviravoltas e um final surpreendente fazem deste suspense espanhol um ótimo programa. Os filmes dessa trilogia, todos disponíveis no catálogo Netflix, são dirigidos por Fernando Gonzáles Molina e têm como personagem principal a inspetora vivida pela excelente atriz Marta Etura.  

domingo, 13 de setembro de 2020

 

“THE ARBITRATION” (a Netflix manteve o título original, em inglês; na tradução para a nossa língua, “Arbitragem”), 2016, Nigéria, 1h52m. Antes de torcer o nariz pelo fato do filme ser nigeriano, saiba que a Nigéria é o segundo maior produtor de filmes do mundo, atrás da Índia e na frente dos Estados Unidos. Como existe Hollywood nos EUA, os críticos profissionais chamam a indústria do cinema na Índia de Bollywood e a da Nigéria de Nollywood. “The Arbitragion”, falado em inglês, conta a história do julgamento de um bem sucedido empresário do setor de Informática acusado de estuprar e demitir ilegalmente uma de suas funcionárias, por sinal, também sua amante. Pode ser considerado um filme de tribunal, embora não tenha juiz ou júri, apenas as partes envolvidas e seus respectivos advogados. Funciona como uma corte de conciliação. Dessa forma, com exceção de algumas cenas em flashbacks, o filme inteiro é ambientado num tipo de sala de reuniões. Frente à frente, lá estão Dara (Adesua Etomi), a acusadora, e sua advogada Owawmi (Somkele Idhalama) e, do outro lado da mesa, Gbenga (Oc Uveje), o acusado, e sua advogada, Funlaya Johnson (Ritiola Doyle), além do mediador Tomisin Bucknor (Sola Fosudo) e uma escrevente. As discussões não se referem apenas às acusações de estupro e demissão ilegal. Envolvem ainda uma questão societária, já que uma parte das ações da empresa do acusado é também alvo da luta judicial. No fim das contas, o que se espera da história é que no seu desfecho seja revelado quem está falando a verdade, ou seja, quem é a vítima e o vilão. A resposta fica por conta do espectador. O roteirista e diretor Niyi Akinmolayan é muito conhecido no país africano por ter dirigido “The Wedding Party 2”, o filme nigeriano de maior bilheteria de todos os tempos. Portanto, ao assistir “The Arbitration”, você terá a oportunidade de conhecer um pouco do cinema nigeriano.    

sábado, 12 de setembro de 2020

 

“UM GRANDE PLANO” (“FILM KTEER KBEER” – nos países de língua inglesa, ganhou o título de “Very Big Shot”), 2016, Líbano, 1h48m, disponível na plataforma Netflix. O filme marca a estreia do jovem Mir-Jean Bou Chaaya, de apenas 31 anos, como roteirista e diretor. A história é centrada nos irmãos Ziad, Joe e Jad, proprietários de uma pequena pizzaria num bairro popular de Beirute. Ziad, o mais velho, está sempre metido em confusão. Numa delas, ele e Joe são presos e acabam cumprindo pena numa penitenciária, enquanto Jad, o caçula, continua à frente da pizzaria. Cinco anos depois, quando Ziad e Jad saem da prisão cheios de planos para ganhar mais dinheiro, a situação volta a complicar. Ziad bola um plano para roubar drogas de um poderoso traficante local, para depois revendê-las na Europa. A partir daí, o filme começa a virar uma comédia. E muito divertida, principalmente depois que Ziad resolve produzir um filme para o cinema, contando com a ajuda de um cineasta amador consumidor das drogas vendidas pelos irmãos. Os bastidores das filmagens são hilariantes. Uma jogada de mestre do estreante diretor Bou Chaaya. Estão no elenco Alain Saadeh (Ziad), Tarek Yaacoub (Joe), Wissam Fares (Jad), Fouad Yammine (Charbel) e Alexandra Kahwagi (Alya). “Um Grande Plano” foi o representante do Líbano na disputa do Oscar 2017 como Melhor Filme Estrangeiro e foi exibido por aqui durante a programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Um filme realmente surpreendente, muito divertido, um ótimo entretenimento. Imperdível!    

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

 

“EL JUGADOR”, 2017, Argentina, 1h43m, marca a estreia de Dan Gueller como diretor e roteirista em longa-metragem. Para criar a história, Gueller revelou que se inspirou no romance “O Jogador”, escrito em 1867 pelo romancista russo Fiódor Dostoiévski. O filme foi divulgado como uma comédia, embora as sequências de humor sejam raras e sem muita graça. Alejandro Reynoso (Alejandro Awada) trabalha como principal assessor do rico empresário Pascual Palma (Oscar Alegre). Enviado para Mar Del Plata com o intuito de levar uma certa quantia em dinheiro para Sergio (Pablo Rago), neto do velho. Segundo Sérgio disse ao avô quando pediu a grana, ela serviria para investir num empreendimento na cidade turística. Só que, na verdade, é para comprar cocaína e depois revendê-la para os traficantes locais – uma parte, é claro, ficará para consumo próprio, do parceiro Dani (Esteban Bigliardi) e da amante Belén (Guadalupe Docampo). Aí que começa toda a confusão, primeiro porque Sérgio e os parceiros são completamente inexperientes para negociar com traficantes. Segundo, porque surge inesperadamente a irmã de Sérgio, Paulina Palma (Lali Gonzalez), que, para conseguir dinheiro para viajar pelo mundo, pede que Alejandro vá ao cassino arriscar a sorte. Logo Alejandro, um viciado crônico em jogos de azar. Para piorar a situação e aumentar ainda mais a confusão, o próprio o avô Pascual, “El Abuelo”, que aparece de surpresa para conferir “in loco” o que está acontecendo. Com exceção do veterano Alejandro Awada, o resto do elenco é muito fraco, assim como o filme inteiro. Enfim, “El Jugador” passa longe, muito longe (diria “a anos-luz”) do verdadeiro e excelente cinema argentino que já nos presentou com excelentes filmes. O estreante diretor Dan Gueller não precisava recorrer a Dostoiéviski para fazer esse verdadeiro abacaxi. Uma decepção.   

terça-feira, 8 de setembro de 2020

 

"CALIBRE” (à disposição na plataforma Netflix), 2018, Escócia, 1h41m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Matt Palmer. Trata-se de um suspense envolvendo dois amigos que foram caçar na floresta e acabaram numa encrenca tremenda. Depois de se hospedarem num pequeno hotel de um vilarejo, Marcus (Martin McCann) e Vaughn (Jack Lowden) saíram para se divertir num bar, onde conheceram duas garotas. Marcos se deu bem com uma loira fogosa chamada Kara (Kitty Lovett), mas não imaginava que ela fosse filha de um manda-chuva do vilarejo, capaz de castrar quem chegasse perto dela. Pior, Marcus ainda forneceu maconha para a garota. Vaughn, por seu lado, ficou na conversa com Iona (Kate Bracken), a outra garota, pois, cheio de remorso, contou que sua namorada está grávida e, portanto, não tinha clima para seguir em frente. Isso não é nada diante do que viria depois. No dia seguinte, de ressaca, os amigos saíram para caçar e aí é que aconteceria um acidente bastante trágico que colocaria a dupla em grandes apuros. Não dá para comentar mais para não estragar as surpresas do roteiro. Matt Palmer acertou em cheio em seu primeiro filme, um suspense realmente de prender o fôlego, ou, como os escritores de romances policiais usam como clichê, “de eriçar os pelos da nuca”. A partir do acidente na floresta, o filme adquire um ritmo de tensão contínua, com sequências que colocam os dois amigos caçadores em situações de iminente perigo. “Calibre” é tão bom que logo na sua estreia, no Edinburgh International Film Festival, foi muito elogiado por crítica e público, chegando a ser eleito o melhor filme britânico do ano. O filme também conquistou o prêmio de Melhor Ator (Jack Lowden), além de várias indicações, pela British Academy Academy Scotland Awards. Outra façanha: conseguiu o índice de 95% de aprovação do site especializado em cinema “Rotten Tomatoes”, cuja tradição é a de ser extremamento rigoroso e dar notas baixíssimas. Enfim, “Calibre” realmente é um ótimo suspense que recomendo como imperdível.   

“GLACÉ”, 2017, minissérie francesa em 6 capítulos produzida e exibida pelos canais M6 e Gaumont Television, agora disponível na plataforma Netflix. A direção é de Pascal Chaumeil. O roteiro, escrito por Caroline Van Ruymbeke e Gérard Carré, foi inspirado no livro “Glacé”, primeiro romance policial de Bernard Minier, lançado em 2011. A história é toda ambientada durante o inverno num vilarejo no alto dos Pirineus franceses e começa com o assassinato de um cavalo puro sangue, encontrado decapitado. Como o animal pertence a um empresário rico e influente na região, a polícia é mobilizada para tentar descobrir quem são os responsáveis pelo crime. As investigações ficam por conta do detetive Martin Servaz (Charles Berling) e da capitã Rène Ziegler (Julia Piaton). Não demora muito para os policiais descobrirem que o assassinato do cavalo está ligado a uma vingança de outros crimes ocorridos no passado, envolvendo estupros e suicídios. O mistério aumenta quando as suspeitas recaem sobre Julian Hirtman (Pascal Greggory), um serial killer internado numa instituição psiquiátrica que estaria por trás de todos esses crimes. As investigações também envolverão outros personagens, como a psiquiatra Diane Berg (Nina Maurisse) e a diretora da clínica psiquiátrica, Elizabeth Ferney (Lubna Azabal), além de cidadãos proeminentes da região. "Glacé" é mais uma excelente minissérie francesa, repleta de surpresas e reviravoltas, um elenco de primeira e uma história bastante interessante, com destaque ainda para as paisagens de tirar o fôlego dos Pirineus. Ao lado de “A Louva-a-Deus”, outra ótima minissérie francesa comentada recentemente aqui no blog, “Glacé” se apresenta como um entretenimento de muita qualidade que merece ser visto.    

sábado, 5 de setembro de 2020

 

“ISTAMBUL VERMELHO” (“ISTANBUL KIRMIZISI”), 2018, co-produção Turquia/Itália, 1h49m, roteiro e direção do cineasta turco Ferzan Özpetek. A história é baseada no romance “Rosso Istambul”, escrito pelo próprio Özpetek. Toda a trama é centrada em Orhan (Halit Ergenç), que trabalha em Londres como editor. Após alguns anos, ele volta a Istambul para visitar o amigo Deniz (Nejat Isler), escritor cujos livros são editados por Orhan. Nas longas conversas que ambos engatam madrugada adentro, Orhan fica sabendo a origem de alguns personagens do último livro escrito por Deniz e fica surpreso em descobrir suas verdadeiras identidades na vida real. No dia seguinte, Deniz desaparece misteriosamente, deixando em pânico toda a sua família e, principalmente, o seu editor. O sumiço do escritor é realmente intrigante. Por outro lado, em sua permanência em Istambul, Orhan será afetado por recordações não muito agradáveis do seu passado, um deles bastante trágico. Ele também vai rever um amor do passado, a bela Neval (Tuba Büyüküstün), e se confrontar com Yusuf (Mehmet Günsür), um drogado que teve uma forte ligação com Deniz e que talvez saiba do paradeiro do escritor. Para filmar “Istambul Vermelho”, Ferzan Özpetec voltou à Turquia depois de 16 anos radicado na Itália, onde fez questão de se naturalizar. Definitivamente, "Istambul Vermelho" não é um filme feito para o público comum, embora possa ser visto sem gastar muito os neurônios. Conheci o roteirista e diretor turco naturalizado italiano quando assisti ao ótimo “Saturno em Oposição”, de 2007, assim como “A Janela da Frente” e “O Primeiro que Disse”, entre outros produzidos na Itália. “Istambul Vermelho” acrescenta mais um gol de placa na carreira de Ferzan Özpetek. Quem curte cinema de qualidade deve visitar a obra do cineasta turco. Ah, “Istambul Vermelho” está disponível na plataforma Netflix.     

 

“FREAKS – VOCÊ É UM DE NÓS” (“FREAKS – DU BIST EINE VON UNS”), 2020, Alemanha, 1h32m, produção e distribuição Netflix, direção de Felix Binder, a partir de roteiro escrito por Marc O. Seng. Vamos à história. Desde criança, Wendy (Cornelia Gröschel) demonstrava ter poderes especiais que costumamos ver somente em super-heróis nos quadrinhos e no cinema. Depois de uma demonstração prática na escola, Wendy foi levada aos cuidados da dra. Stern (Nina Kunzendorf), uma renomada psiquiatra. Para conter os poderes de Wendy, ela receitou uma medicação especial para a vida toda. O filme dá um salto no tempo e agora Wendy aparece casada, com um filho, e trabalhando como cozinheira numa lanchonete. Ao conhecer Marek (Wotan Wilke Möhring), um morador de rua cuja fome é saciada com restos de comida jogados no lixo, ela descobre que ele também tem os mesmos poderes, assim como seu colega de trabalho na lanchonete, o jovem Elmar (Tim Oliver Schultrz). Ao combinarem deixar de tomar os remédios para com seus poderes livrarem o mundo do mal, o trio terá que lidar com muitas situações inusitadas, principalmente por conta de Elmar, que se autodenomina “Electroman” devido ao seu poder de dar choque nas pessoas e sua capacidade de desligar a energia de uma cidade. A polícia é mobilizada para prender o trio e entregá-lo de volta aos cuidados da dra. Stern.  Embora perca seu ritmo de aventura na segunda metade, “Freaks” não deixa de ser uma ótima opção para uma sessão da tarde com a família, pois tem muito humor, efeitos especiais da melhor qualidade – sem os exageros costumeiros - menções a uma série de super-heróis e boas sequências de ação.  Aliás, não deixe de assistir à cena que acontece após os créditos finais, que dá a ideia de que poderá haver um “Freaks 2”.             

terça-feira, 1 de setembro de 2020

“A LOUVA-A-DEUS” (“LA MANTE”) é uma excelente minissérie francesa – uma das melhores do conteúdo Netflix – com seis capítulos, cada um com cerca de 55 minutos. Foi produzida e exibida pela TV francesa TF1 em outubro de 2017, estreando na Netflix no dia 30 de dezembro de 2017. Ao investigar o terceiro assassinato seguido, a polícia descobre que o modus operandi é o mesmo de uma serial killer que aterrorizou a França na década de 90. Responsável por 8 mortes com requintes de crueldade, Jeanne Deber (Carole Bouquet), conhecida também pelo apelido de a “Louva-a-Deus”, estava presa há mais de 20 anos. Diante das evidências de que o novo assassino não passa de um imitador, a polícia resolveu pedir a ajuda justamente de Jeanne Deber. Por uma fantástica coincidência, o detetive Damien Carrot (Fred Testot), encarregado das investigações, é filho da famosa assassina. O serial killer não parou de matar. A polícia terá que se desdobrar para encontrar o assassino, só revelado no desfecho. O roteiro, assinado por Alice Chegaray-Breugnot, Grégoire Demaison, Nicolas Jean e Laurente Vivier, a cada capítulo inventa um possível suspeito, oferecendo ao espectador a chance de adivinhar a verdadeira identidade do assassino. Esse jogo faz com que esta minissérie prenda a atenção do início ao fim, tornando-se um ótimo entretenimento. Destaque para o excelente elenco, comandado por Carole Bouquet, que chegou a ser uma das mais belas atrizes francesas, uma verdadeira diva nos anos 70/80/90. Ao seu lado, atuam, além de Fred Testot, Manon Azem – a atriz francesa mais bonita do atual cinema francês -, Frédérique Bel, Pascal demolon, Élodie Navarre, Robinson Stévenin e Jacques Werber. A direção ficou a cargo de Alexandre Laurent, bastante conhecido na França como roteirista e diretor de séries televisivas. “A Louva-a-Deus” é um suspense psicológico da melhor qualidade. Imperdível!         

VINGANÇA” (“VENDETTA”), 2015, Estados Unidos, 1h46m, direção das gêmeas Sylvia e Jen Soska, com roteiro de Justin Shady. A história: o detetive Mason Danvers (Dean Cain) e sua esposa Jocelyn (Kyra Zagorsky) vivem um momento especial no casamento. Ela está grávida. Mas essa felicidade não dura muito. Jocelyn é brutalmente assassinada por Victor Abbott (Paul Donald Wight II), um marginal que havia sido preso por Danvers anos antes. Detido em flagrante pelo crime, Abbott volta à prisão. O policial resolve retribuir na mesma moeda: mata o irmão de Victor. Mas a vingança não para por aí: ele quer ficar frente à frente com o assassino de sua esposa. Para isso, ela forja sua própria prisão e vai para a penitenciária onde está Victor, que, em conluio com o diretor da unidade, manda e desmanda no pedaço, transformando a vingança de Danvers numa missão quase suicida. O ator Dean Cain é o mais conhecido do elenco, graças ao seu papel de Super-Homem na série “Lois & Clark: The New Adventures of Superman”, que fez grande sucesso na década de 90. Mas o personagem que mais se destaca é o do vilão Victor Abbott, interpretado pelo lutador profissional de luta-livre Paul Donald Wight II, conhecido nos ringues como “Big Show”, um gigante de 2m13, fortão e mal-encarado, uma figura que realmente assusta qualquer um. As gêmeas diretoras Sylvia e Jen Soska, mais conhecidas por dirigir filmes de terror, não economizam nas pancadarias, fazendo sangue jorrar pela telinha o filme inteiro, em quantidade suficiente para abastecer de plasma qualquer hospital. “Vingança”, portanto, deve agradar o público que gosta de ação e violência. Assista com a faca nos dentes.        

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

 

“SECUESTRO”, 2016, Espanha, 1h45m, produção e distribuição Netflix (o título original foi mantido). A direção é de Mar Tagarona e roteiro de Oriol Paulo. Tudo começa quando um garoto é encontrado ferido numa estrada no meio do mato. Levado a um hospital e depois a uma delegacia, ele é identificado como Victor (Marc Domènech), de 10 anos, flho único da renomada advogada Patrícia de Lucas (Blanca Portillo). Victor é deficiente auditivo e, quando interrogado pelo detetive Ernesto (Antonio Dechent), responde por meio de sinais, traduzidos pela mãe. Segundo o menino, um homem o sequestrou na porta da escola e o prendeu num esconderijo distante da cidade. Ele afirma que conseguiu fugir devido a uma distração do sequestrador. A polícia pede a Victor que ajude na elaboração de um retrato falado do homem. Com a descrição, a polícia chega a um tal de Charlie (Andres Herrera), um fracassado que gasta todo dinheiro apostando em rinhas de cachorro. Todos os indícios realmente apontam para Charlie, mas não há provas contundentes de sua participação no sequestro. Dessa forma, a polícia o deixa em liberdade. A advogada não se conforma e pede que o ex-marido Raúl (José Coronado) e pai do menino providencie uma maneira de dar uma lição no suposto sequestrador. A partir daí, uma sequência de fatos inesperados e reviravoltas começam a acontecer, tornando o filme ainda mais envolvente e instigante. Não há dúvidas que o grande trunfo de “Secuestro” é o primoroso roteiro escrito por Oriol Paulo, que tem em seu currículo ótimos thrillers como “Um Contratempo”, “O Corpo” e “Os Olhos de Júlia”, só para citar alguns. Méritos também para a diretora Mar Targarona (“O Fotógrafo de Mauthausen”), que também é atriz, roteirista e produtora. Seu nome verdadeiro é Maria Del Mar Targarona Borrás. Enfim, “Secuestro” é um filme que prende a atenção do começo ao fim. Recomendo.   

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

 


“ALERTA LOBO” (“LE CHANT DU LOUP”), 2019, França, 1h56m, distribuição Netflix, primeiro longa escrito e dirigido por Antonin Baudry. A história começa acompanhando o trabalho da tripulação de um submarino da marinha francesa com o objetivo de resgatar mergulhares no litoral da Síria. A missão é bem sucedida graças à eficiência do jovem Chanteraide (François Civil), o oficial de sonar especialista em identificar sons em grandes profundidades. Tanto é sua competência que todo mundo o chama de “Ouvidos de Ouro”. Nessa mesma missão, Chanteraide detecta a presença, nas proximidades, de um destroyer e de outro submarino que pode ser um antigo submarino russo comprado pelos jihadistas sírios ou mesmo um outro russo nuclear. Alerta máximo. E o filme segue por aí naquela tensão típica que caracteriza a possibilidade do início de uma guerra nuclear. Além de François Civil, o ator francês do momento, estão no elenco Mathieu Kassovitz, Omar Sy (“Intocáveis”), Jean-Yves Bertellot, Reda Kateb e a atriz alemã Paula Beer. Uma informação adicional: o diretor Antonin Baudry é, na verdade, um diplomata francês na vida real, mas gosta de escrever roteiros e desenhar histórias em quadrinhos. Neste seu primeiro filme ele fez um bom trabalho, conseguindo manter o suspense da situação até o desfecho. O resultado final, porém, ficou devendo. “Alerta Lobo” foi exibido por aqui em junho de 2019 durante a programação do Festival Varilux de Cinema Francês.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

“S.W.A.T. – OPERAÇÃO ESCORPIÃO” (“S.W.A.T. - UNDER SIEGE”), 2017, Estados Unidos, 1h39m, direção de Tny Giglio e roteiro de Jonas Barnes e Keith Domingue. A história é ambientada na cidade de Seattle. No feriado de 4 de julho, depois de prender os membros de uma gangue ligada a um chefão do trafico internacional, agentes da SWAT descobrem que a quadrilha mantém prisioneiro – e sob tortura - um homem misterioso cujo codinome é “Escorpião” (Michael Jai White, o brucutu do momento dos filmes de ação). Segundo afirmou aos policiais, ele estava sendo torturado para revelar um segredo que pode significar bilhões de dólares. “Escorpião” ainda afirmou que a quadrilha não desistirá de prendê-lo novamente. O oficial Travis Hall (Sam Jaeger) promete protegê-lo, mantendo-o em segurança na sede da SWAT. Ward (Ty Olsson), o chefão da quadrilha, convoca um pequeno exército de mercenários para invadir a unidade da SWAT e resgatar “Escorpião”. O cerco começa de forma violenta, mas os agentes não se entregarão facilmente. Em meio a muita pancadaria, tiros, explosões e muitos mortos pelo caminho, o filme segue até o desfecho mais do que previsível. Não dá para levar a história muito a sério, principalmente pelas muitas falhas do roteiro. É aquele tão de filme B, com produção barata, um ou dois atores conhecidos e fatos que acontecem sem nenhuma explicação. O filme é repleto de clichês e segue a linha de filmes como "Assalto à 13ª DP", de 2005, este sim, muito bom. Para concluir: só mesmo os fanáticos por filmes de ação poderão gostar, ao contrário de quem prefere aqueles que exigem um pouco mais dos neurônios. De qualquer forma, há gosto para tudo.


                     

 

“A TENENTE DE CARGIL” (“GUNJAN SAXENA: THE CARGIL GIRL”), 2020, Índia, 1h52m, roteiro e direção de Shran Sharma (seu longa de estreia). A história é inspirada na vida de Gunjan Saxena, a primeira pilota de combate a ser aceita pela Força Aérea Indiana. Desde criança, Saxena era apaixonada por aviões e sempre falou para os pais e amigos que um dia iria ser pilota de voo. Seu sonho, porém, não era compartilhado pela mãe e pelo irmão mais velho, nem pelos demais familiares. Afinal, numa sociedade machista como a da Índia, mulher era criada para ser mãe e dona de casa. O único que acreditou nela e a incentivou foi o pai – aliás, a relação entre pai e filha é um dos destaques da história, resultando em diálogos e cenas bastante comoventes. Saxena (Janhvi Kapoor) cresceu e finalmente conseguiu ingressar na etapa de treinamento da Força Aérea, enfrentando as reações de rejeição dos machistas colegas de turma. Somente com a ajuda de um oficial mais liberal é que ela começou o treinamento prático como pilota de helicóptero. De maio a junho de 1999, durante a chamada Guerra de Cargil, quando soldados paquistaneses se infiltraram em território indiano, Saxane, que na ocasião tinha apenas 19 anos, foi a responsável por um ato heroico, resgatando oficiais e soldados feridos em meio a um combate. Somente após essa façanha é que ela conseguiu o respeito de toda a comunidade militar, tornando-se uma verdadeira heroína nacional. Sem dúvida, a história é bastante interessante, principalmente do ponto de vista da condição de segunda classe que as mulheres indianas sempre viveram. Saxane venceu esse preconceito, abrindo caminho para que outras resolvessem ingressar na carreira militar em seu país. “A Tenente de Cargil” está disponível na plataforma Netflix desde o dia 12 de agosto de 2020.                     

sábado, 22 de agosto de 2020

 

“CRIMES DE FAMÍLIA” (“CRÍMENES DE FAMILIA”), 2020, Argentina, 1h39m, direção de Sebastián Schindel, seguindo roteiro escrito por Pablo Del Teso. Recentemente lançado na plataforma Netflix, trata-se de um drama que narra os fatos que envolvem uma família estável e de alto poder aquisitivo. Alícia (Cecilia Roth) e Ignácio (Miguel Angel Sola) vivem um casamento estável, tentando conviver com os problemas causados por Daniel (Benjamím Amadeo), de 30 anos, que nunca trabalhou, é viciado em drogas e que agora enfrenta problemas com a justiça, acusado de espancar e estuprar a ex-mulher, da qual era obrigado a manter distância por ordem judicial. Mesmo com todas as evidências que comprovam a culpa de Daniel, Alícia ainda acredita que seu filho está sendo injustiçado. O caso acaba em julgamento. Ao mesmo tempo, Alícia vive um outro dilema envolvendo sua empregada Gladys (Yanina Ávila), também presa acusada de infanticídio. Como se não bastasse, toda essa situação ainda contribuirá para abalar seu casamento de tantos anos. A segunda parte do filme é dedicada ao julgamento de Daniel e, logo em seguida, ao de Gladys. Perto do desfecho, uma surpreendente revelação agravará ainda mais o sofrimento de Alícia. O roteiro não economiza no contexto dramático ao abordar temas áridos e desagradáveis, como aborto, abuso sexual, alcoolismo, drogas, violência doméstica e outros tantos que causam tanto sofrimento às famílias. Mais um filme sério, envolvente e de qualidade do cinema argentino. Imperdível!                   

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

 

“A HORA FINAL” (“LA HORA FINAL”), 2018, Peru, 1h57m, distribuição Netflix, roteiro e direção de Eduardo Mendoza de Echave. Baseada em fatos reais, a história conta como os agentes especiais do Grupo Especial de Inteligência (GEIN) conseguiram localizar e prender Abimael Guzmán, fundador e chefe do Sendero Luminoso, organização terrorista responsável por sequestros, atentatos à bomba e execuções que resultaram na morte de mais de 30 mil pessoas no Peru, entre policiais, políticos, empresários e civis. O grupo agia desde o início dos anos 60 e só foi desmantelado a partir da “Operação Vitória”, que resultou na prisão de Guzmán, no dia 12 de setembro de 1992, ou seja, “A Hora Final”. O roteiro do filme é centrado no trabalho dos agentes do GEIN que durante anos trabalharam nas buscas do paradeiro de Guzmán. Em especial, o filme destaca os agentes Carlos Zambrano (Pietro Sibille) e Gabriela Coronado (Nidia Bermejo) e seus problemas pessoais. Zambrano, por exemplo, estava sofrendo um processo de separação da sua mulher, cansada do seu sumiço por dias e, às vezes, por meses, por conta de seu trabalho investigativo. Gabriela enfrentava um problema ainda maior, pois descobriu que seu irmão caçula pertencia ao Sendero Luminoso. Mesmo com uma produção simples e elenco de poucos atores profissionais, “A Hora Final” consegue contar, com competência, os bastidores desse importante episódio da história recente do Peru. Eu gostei e recomendo.            

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

 

“1898 – OS ÚLTIMOS DAS FILIPINAS” (“1898 – LOS ÚLTIMOS DE FILIPINAS”), 2016, Espanha, 2h09m, roteiro de Alejandro Hernández e direção de Salvador Calvo (do ótimo “Adú”). O filme conta um fato histórico ocorrido em 1898 nas Filipinas, até então colônia espanhola. Naquele ano, um pelotão de 50 soldados foi enviado para retomar a aldeia de Beler ocupada pelos rebeldes do grupo Katipunan, que lutavam pela independência das Filipinas e que no ano anterior ocuparam a aldeia assassinando dezenas de soldados espanhóis. Como não havia alojamentos adequados na aldeia, os soldados transformaram a igreja do vilarejo em quartel. Não demorou muito e os rebeldes, em muito maior número, começaram a atacar a igreja. O cerco durou quase um ano, período em que os confrontos, quase que diários, resultaram em muitos mortos, principalmente do lado dos rebeldes. Ao mesmo tempo, alguns soldados espanhóis foram atingidos por doenças como a malária e a beribéri (doença que desidrata e mata em dois ou três dias). Além disso, por causa do cerco dos rebeldes à igreja, começou a faltar água, comida e remédios. A situação ficava cada vez pior e não havia outra alternativa senão a rendição, hipótese imediatamente rejeitada pelo tenente Martín Cerezo (Luis Tosar), que desde a morte do capitão Enrique de Las Morenas (Eduard Fernández) comandava o pelotão. Mesmo depois que um oficial espanhol chegou de Manila informando que a guerra das Filipinas havia acabado, Cerezo não acreditou e permaneceu firme em seu reduto na igreja (ele e os soldados isolados na igreja não sabiam que a Espanha havia perdido não só as Filipinas, como também Porto Rico e Cuba). O filme acompanha o sofrimento dos jovens soldados espanhóis, muitos deles inexperientes em combate, mas que resistiram ao inimigo enquanto puderam, transformando Beler no último bastião do império espanhol nas Filipinas. Resumo da ópera: o filme é muito bom, principalmente por destacar um fato histórico pouco conhecido entre nós.             

terça-feira, 18 de agosto de 2020

 

PINK, 2016, Índia, distribuição Netflix, 2h16m, direção de Aniruddha Roy Chowdhury, com roteiro de Ritesh Shah. O pano de fundo envolve temas muito polêmicos e atuais na Índia: o machismo exacerbado, a condição feminina, relegada à segunda categoria, e a cultura do estupro. Tudo começa com três rapazes e três moças se conhecendo em um show de rock. Eles convidam as moças para tomar umas e outras num resort. Papo vai, papo vem, bebidas no meio, Rajveer Singh (Angad Bedi) parte para cima de Minal (Taapse Pannu) agarrando-a à força. Ela insiste em dizer não, ele em dizer sim, e os dois acabam se desentendendo. Quando não aguenta mais a insistência do rapaz, cada vez mais agressivo, ela o agride com uma garrafa, bem acima do olho esquerdo. A situação leva as moças a fugirem correndo, enquanto os amigos de Rajveer o levam para o hospital. Em seguida, vão à delegacia registrar a ocorrência, fazendo questão de dizer que Minal tinha tentado matar Rajveer e que as moças não passam de prostitutas. Logo depois, elas também registram queixa na delegacia, mas os policiais não dão bola e, pior, aconselham que elas não prossigam com a reclamação, pois a família de Rajveer é bastante influente. Claro que Minal acaba presa por tentativa de homicídio. O julgamento é marcado e um vizinho das moças, o advogado Deepak Sehgal (Amitabh Bachchan), resolve defender Aminal. A segunda parte do filme é dedicada totalmente ao julgamento, o que deixa a história ainda melhor, principalmente quando Deepak, nas alegações finais, faz um discurso brilhante e comovente em defesa não só de Minal, mas de todas as mulheres indianas colocadas numa condição inferior por uma cultura machista e preconceituosa. A atriz Taapse Pannu, que hoje é uma das principais estrelas de Bollywood, e o veterano ator Amitabh Bachchan voltariam a atuar juntos em 2019 no drama “Badla”, onde ele também faz o papel de advogado da personagem vivida por Taapse. Por sua mensagem em defesa das mulheres, “Pink” foi selecionado para uma exibição especial na ONU, em Nova Iorque. Além disso, foi escolhido pelo governo do estado indiano do Rajastão para fazer parte do treinamento dos policiais de como lidar com o público feminino. Portanto, “Pink” se consagrou como mais um grande sucesso de Bollywood, aclamado pela crítica e pelo público mundo afora. Recomendo.         

domingo, 16 de agosto de 2020

 

Quem não se apaixonou alguma vez por sua professora ou seu professor? Na maioria das vezes, claro, nunca se declarou, ao contrário do que acontece em “O QUE PODERÍAMOS SER” (“LO QUE PODRÍAMOS SER”), 2018, México, 1h34m, direção de Javier Colinas, que também escreveu o roteiro com a colaboração de Luís Ernesto Franco (ator principal do filme). O jovem Santiago (Franco) apaixona-se perdidamente pela professora de cinema Amanda (Sophie Alexander-Katz), pelo menos uns quinze anos mais velha. O assédio de Santiago, dentro e fora da sala de aula, começou a incomodar a professora, que rejeitava todas as tentativas do jovem. Mas como dizia o velho ditado, água mole em pedra dura tanto bate até que fura, Santiago conseguiu furar o gelo de Amanda, que acabou não resistindo. Papo vai papo vem, os dois acabam na cama e passam a não se desgrudar. O romance já se tornara público entre a turma de Santiago, além de toda a escola, incluindo o seu diretor, e o emprego de Amanda fica na corda bamba. Nesse meio tempo, ela recebe o convite para participar de um importante projeto de produção cinematográfica nos Estados Unidos. Será que aceitará e colocará um ponto final no romance com seu aluno? Fico devendo a resposta, já que não pretendo antecipar o que ocorrerá até o desfecho. Isso posto, recomendo assistir “O Que Poderíamos Ser” como um entretenimento leve e romântico. Vale a pena conferir.      

 

GUERRA FRIA (HON ZIN – nos países de língua inglesa, COLD WAR), 2012, Hong Kong (à disposição na plataforma Netflix), 2h06m, roteiro e direção de Lok Man Leung. A história é baseada em fatos reais ocorridos em 1999 na cidade de Hong Kong, até então considerada a cidade mais segura da Ásia. Ao mesmo tempo em que ocorria um atentado à bomba, uma van da unidade de emergência da Força Policial da cidade, com cinco policiais de elite, era sequestrada. Como o comissário geral da polícia estava numa conferência mundial em Copenhagen (Dinamarca), as investigações ficaram sob o comando dos vice-comissários Sean Lou (Aaron Kwok) e Joe Lee (Eddie Peng), que logo se desentenderam, cada um querendo impor o seu estilo de agir. Sean Lou ganhou a parada, mesmo porque o filho de Lee era um dos policiais sequestrados. Durante as investigações, os sequestradores exigiram uma grande soma de dinheiro, no que foram atendidos. Só que, na hora do resgate, os sequestradores diminuíram o valor do resgate, confundindo a polícia. Seria descoberto depois que toda a ação da polícia era antecipada pelos criminosos, o que deixava claro que havia um informante dentro da força policial. Só no desfecho é que tudo será esclarecido. Na última cena do filme, o comissário Sean Lou recebe um misterioso telefonema informando que sua esposa e seu filho haviam sido sequestrados. Logo depois, o final, deixando claro que o filme teria uma sequência, o que realmente aconteceu, mas somente em 2016. A primeira exibição de “Guerra Fria” ocorreu na abertura do 17º Busan International Filme Festival (Coreia do Sul), onde recebeu várias premiações, assim como aconteceu em outros festivais mundo afora. As cenas aéreas mostrando a cidade de Hong Kong de cima são espetaculares, certamente feitas por um drone. Mas, sem dúvida, o grande destaque são as sequências de ação, que estão se tornando uma especialidade do cinema asiático, principalmente o chinês e o sul-coreano.