quarta-feira, 20 de maio de 2015

“VÍCIO INERENTE” (“Inherent Vice”), 2014, EUA, é um drama bem-humorado baseado em livro de Thomas Pynchon. A história, ambientada em 1970 na cidade de Los Angeles, é centrada no detetive particular Larry “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix), que, a pedido da ex-namorada Shasta Fay Hepworth (Katherine Waterston), começa a investigar o desaparecimento do atual namorado dela, um empresário do ramo imobiliário. Em meio ao seu trabalho, “Doc” acaba se desentendendo com o detetive Christian “Bigfood” Bjorsen (Josh Brolin), encarregado oficial do caso. “Doc” passa o filme inteiro totalmente chapado, maconha como combustível – de vez em quando, cocaína. É um personagem asqueroso, sujo e maltrapilho, enfim, um hippie da pior qualidade. Seu único fator positivo é ficar igualzinho a John Lennon quando coloca aqueles óculos escuros redondinho. Joaquin Phoenix está ótimo no papel, provando que é um ator bastante versátil. A trama é meio complicada e pode confundir o espectador, principalmente pelos inúmeros personagens que aparecem no meio da história. Para complementar o quadro geral meio estranho, o escritório de “Doc” fica dentro de uma clínica médica. Tem até uma cena onde um grupo de rock aparece comendo pizza ao estilo do quadro da Santa Ceia. É claro que todo esse cenário é obra do diretor Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”, “O Mestre”, “Magnólia”), acostumado em não economizar esquisitices. Vale pelo humor, ambientação de época e, principalmente, pelo ótimo elenco, que conta também com Reese Witherspoon, Benício Del Toro, Martin Short, Owen Wilson e Eric Roberts (o irmão da Júlia). Não chega a ser bom, mas um filme bastante interessante.     

quinta-feira, 14 de maio de 2015

“A ENTREGA” (“The Drop”), EUA, 2013, é um drama, com pitadas de policial e suspense, baseado no romance “Animal Rescue”, escrito por Dennis Lehane (o autor de “Sobre Meninos e Lobos”). A trama gira em torno do bar gerenciado por Marv (James Gandolfini), que na verdade funciona como uma espécie de banco clandestino, onde gângsters, mafiosos e bandidos em geral depositam seus “lucros”. Enfim, um estabelecimento de fachada para lavagem de dinheiro. O bar, aliás, era de Marv e foi “comprado” por um chefão mafioso checheno. O braço direito de Marv é seu primo e barman Bob Saginowski (Tom Hardy). A história é filmada num ritmo bastante lento, quase arrastado. Alguns personagens parecem ter sido colocados para preencher espaços na trama, como o psicopata Eric (Matthias Schoenaertes) e Nadia (Noomi Rapace), o que no livro talvez funcione, mas no filme pouco acrescentam. Assim como o filhote de pit bull que Bob acha na lata de lixo da casa de Nádia. Além de uma figura bonitinha, nada mais acrescenta à história. De vez em quando aparecem os capangas do chefão checheno fazendo ameaças, mas fica por isso mesmo. Quando você acha que algo vai acontecer, nada acontece. Essa sensação perdura até o final, deixando o espectador com uma pergunta na ponta da língua quando o filme termina: “E daí?”. Uma estreia fraca do diretor belga Michael R. Roskam no cinema norte-americano. O filme foi o último do ator James Gandolfini, que morreu logo depois do final das filmagens. Fora esse fato, nada mais de interessante que justifique uma recomendação. 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

“A RECOMPENSA” (“Dom Hemingway”), 2013, Inglaterra, direção de Richard Shepard, é um filme que mistura gêneros como comédia, drama e ação. Mas é com base no seu afiado humor que o filme garante um entretenimento de primeira. Os diálogos são repletos de ironia e sacadas inteligentes. O ator inglês Jude Law dá um verdadeiro show na pele de Dom Hemingway, um criminoso que acaba de sair da cadeia depois de cumprir uma pena de 12 anos por roubo. Por ter ficado quieto e não ter denunciado seu antigo chefão Ivan Fontaine (Demián Bichir), que participou do roubo, Hemingway vai cobrar seu prêmio por ter ficado calado. Ele recebe de Ivan uma volumosa quantia em dinheiro, mas uma amante do chefão acaba dando um golpe e fica com tudo. Ao lado de seu fiel escudeiro e companheiro Dickie (o ótimo Richard E. Grant), ele vai tentar recuperar a grana, ao mesmo tempo em que tenta reatar com sua filha Evelyn (Emilia Clarke), a qual abandonou quando ela ainda era uma criança. Jude Law, que já foi considerado o homem mais bonito do mundo, está quase irreconhecível como Dom Hemingway: mais gordo, com acentuadas entradas de calvície, dentes mal cuidados e umas costeletas ao estilo do super-herói Wolverine. Mas ele é a alma do filme, provando mais uma vez ser um ótimo ator também em comédia. O filme tem bastante ação e é muito divertido, garantindo uma ótima sessão de cinema.    

domingo, 10 de maio de 2015

Depois de emplacar boas comédias no início de carreira, o que um tornaram um astro, Adam Sandler fez muitos filmes medianos, até mesmo medíocres. Nos últimos anos, porém, tenta dar uma guinada de qualidade. Ele melhorou muito seu currículo ao abandonar aquela cara de garoto bobão que já não faz mais sentido quando se chega quase aos 50 anos (ele tem 48). No ano passado, fez um papel sério no bom drama “Homens, Mulheres e Filhos” e agora volta à comédia em “TROCANDO OS PÉS” (“The Cobbler"), 2014, direção de Thomas McCarthy. Aliás, uma ótima comédia. Aqui, Sandler é Max Simkin, um sapateiro de descendência judaica proprietário de uma sapataria em Nova Iorque. Desde seu tataravô, todos exercem a profissão. Ao utilizar uma antiga máquina de costurar solas de sapato, Max descobre um poder mágico. Ao experimentar um par de sapatos costurados pela tal máquina, Max se transforma fisicamente no dono. Além das situações muito engraçadas que a mágica proporciona, também dá margem a momentos de rara sensibilidade, quando Max veste os sapatos do pai (Dustin Hoffman) para atender a um desejo da mãe. Trata-se de uma das cenas mais tocantes do filme. No final, acontece uma surpreendente reviravolta, o que dá um toque de qualidade a mais nessa história que por si só já é bastante interessante. Estão ainda no elenco Steve Buscemi, Ellen Barkin, Melonie Dias e Dan Stevens. Finalmente, um filme de Adam Sandler que merece ser recomendado.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

“GAROTA DE PROGRAMA” (“Call Girl”), 2012, é um filme sueco baseado em fatos reais. A história é estarrecedora. “Havia algo de podre no reino da Suécia” poderia ser a outra opção de título. Nos anos 70, uma rede de prostituição chefiada por Dagmar Glans (Pernilla August) tinha como seus principais clientes desde ministros do governo – inclusive o da Justiça – e políticos até empresários e figuras importantes da alta sociedade de Estocolmo. Dagmar promovia festas de luxo, verdadeiras orgias palacianas, além de aliciar jovens, inclusive menores, para ingressar na profissão mais antiga do mundo. Foi o caso de Íris (Sofia Karemyr) e Sonja (Josefin Asplund). É baseada no recrutamento e na “atuação” dessas duas jovens que o diretor estreante Mikael Marcimain desenvolve toda a história. Houve uma investigação e até uma tentativa de prender Dagmar e denunciar os ilustres “clientes”, mas o caso foi abafado. Inacreditável que esse tipo de impunidade possa ter acontecido num país tão sério como a Suécia. Se o filme já é bom pela história em si, vale mais ainda pela primorosa ambientação de época. Figurinos, cenários, trilha sonora, enfim, tudo foi feito com muito capricho. Para quem viveu essa época, trata-se de uma ótima viagem no tempo. Há ainda algumas cenas de sexo e nudismo, mas realizadas sem apelar para a vulgaridade. Destaque para as ótimas atuações da veterana atriz Pernilla August, que atuou na obra-prima “Fanny and Alexander” (1982), de Ingmar Bergman, e da jovem estreante Sofia Karemyr. Filme sério e de qualidade. Recomendo sem fazer figa.      

sábado, 2 de maio de 2015

“SARKI SÖYLEYEN KADINLAR” (“Singing Women”, traduzido para o inglês) é um filme turco de 2013 dirigido por Reha Erdem. Um drama muito entediante e esquisito, tornando as suas duas horas de duração um verdadeiro martírio. O pano de fundo da história é a previsão da chegada de um violento terremoto numa ilha do litoral da Turquia, próxima a Istambul. Além disso, acontece uma epidemia que está matando os cavalos da ilha. Enquanto a maioria da população obedece à ordem das autoridades de abandonar o local, outros preferem ficar. E é nesses poucos habitantes que restam que o diretor Reha Erdem foca sua história. Há um médico com um passado político tenebroso, um idoso cujo filho, além de depressivo, tem uma doença grave, uma mulher com poderes sobrenaturais e seu irmão debilóide, uma jovem infeliz que foge de um namorado e, claro, os cavalos morrendo pela ilha. Muitos dos diálogos não têm qualquer nexo, assim como a maioria das situações. Dá para perceber que o diretor Erdem teve a pretensão de realizar um filme poético, valorizando a força das mulheres da ilha diante das dificuldades. O filme é esquisito, difícil de entender, assim como é difícil decifrá-lo e comentá-lo. A única certeza é a de que se destina a um público restrito, amante dos chamados filmes de arte.                                                                                                                                                    

quinta-feira, 30 de abril de 2015

’71 é um ótimo drama inglês ambientado em 1971 (daí o título) em Belfast (Irlanda do Norte). A história tem como pano de fundo o conflito envolvendo de um lado os militantes católicos do IRA (Exército Republicano Irlandês) e de outro os protestantes e o Exército britânico. A violência imperava naquela época, o que incluía muitos atos terroristas, atentados à bomba e protestos que terminavam em depredação, mortes e pancadaria generalizada. O soldado britânico Gary (Jack O’Connell, do recente “Invencível”, dirigido por Angelina Jolie) e seu pelotão são designados para conter um motim na zona de guerra de Belfast. No meio da confusão, um soldado é morto com um tiro no rosto e Gary é violentamente espancado. Os manifestantes são em maior número e a situação foge de controle, o que obriga o pelotão do Exército a fugir com o rabo entre as pernas, abandonando Gary à sua própria sorte. O filme quase inteiro mostra o jovem soldado tentando escapar do pessoal do IRA. A caçada pela cidade é de uma tensão angustiante, no que o diretor francês estreante Yann Demange soube transformar num suspense de prender o ar. Produzido em 2013, o filme estreou com muitos elogios no Festival de Berlim/2014. Realmente, é  muito bom.    

segunda-feira, 27 de abril de 2015

“118 DIAS” (“Rosewater”), 2014, EUA, conta o drama vivido em 2009 pelo jornalista iraniano Maziar Bahari (Gael Garcia Bernal), que ficou preso por 118 dias numa prisão de Teerã acusado de ser espião do Ocidente e de Israel. Colaborador da Revista Newsweek e residindo em Londres com a esposa Paola (Claire Foy), Bahari foi enviado ao Irã para cobrir as eleições presidenciais daquele ano. Mahmoud Ahmadinejad disputava a reeleição e seu principal oponente era Mir Hussein Mussavi. Ahmadinejad foi reeleito. Por causa da desconfiança de que houve fraude na apuração dos votos, aconteceram várias manifestações pelo país. Numa delas, em Teerã, um manifestante foi morto com um tiro. Bahari captou o flagrante com sua câmera de vídeo e foi aí que a polícia secreta de Ahmadinejad encontrou motivo para prendê-lo. Durante um período de 118 dias, o jornalista sofreu uma grande pressão psicológica, sendo frequentemente interrogado e torturado. Na solidão de sua cela, Bahari sofre alucinações e conversa com os fantasmas da sua irmã Maryan (Golshifteh Farahani) e de seu pai Baba Akbar (Haluk Bilginer), ambos assassinados por motivos políticos. Depois de libertado graças à mobilização internacional liderada por Hilary Clinton, o jornalista escreve o livro “They Can Came for Me: A Family’s Story of Love, Captivity and Survivel”, no qual o diretor Jon Stewart se baseou para escrever o roteiro do filme. No bom elenco, destaque especial para o ator dinamarquês Kim Bodnia, que interpreta o interrogador numa atuação magistral. Até o ator mexicano Gael Garcia Bernal, normalmente mediano, está bem no papel do jornalista preso. Um filme de grande impacto.       
                                           

sábado, 25 de abril de 2015

Após assistir à comédia australiana “A PEQUENA MORTE” (“The Little Death”), 2014, fiquei intrigado com o título do filme. Mas depois descobri a ligação: a expressão “Pequenequena Morte” é uma metáfora para o Orgasmo. Ou seja, tem tudo a ver com o filme, cujo tema principal é o Sexo. A história envolve vários casais - na faixa dos 30/40 anos - residentes em Sydney que estão encontrando problemas em seu relacionamento sexual. Tudo por conta de uma tara ou fetiche de um dos cônjuges: uma tem o sonho de ser estuprada; outra só tem desejo sexual quando o marido chora; outro descobre que só tem vontade de fazer sexo com a esposa se ela estiver dormindo; e ainda outro que, ao realizar o sonho da esposa de transar com um ator, acaba achando que tem o dom de representar... E vai por aí afora. O filme reserva o melhor para o desfecho, quando uma intérprete da língua dos sinais intermedia uma conversa de um rapaz surdo-mudo com uma moça do disque-sexo. Hilariante. O diretor Josh Lawson, que escreveu o roteiro e protagoniza um dos personagens (o marido da mulher que sonha em ser estuprada), soube dosar as situações com muito humor, inteligência e – o mais importante - sem apelar para a baixaria, coisa rara nas comédias sobre sexo. Além de Lawson, estão no elenco Lisa McCune, Bojana Novakovic, Patrick Brammall e Kate Mulvany. Um filme bastante divertido e muito interessante.   

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Inexplicavelmente elogiado pelos críticos profissionais – ganhou até o Grande Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes 2014 -, o drama ucraniano “A GANGUE” (“Plemya”) tenta inovar o conceito de cinema mudo colocando seus atores atuando através da linguagem dos sinais. O único som é o do ambiente. A história é centrada num jovem recém-chegado a um internato especializado em deficientes auditivos. Ele entra para uma gangue que pratica furtos e logo se destaca por sua ousadia. Mas entra em desgraça ao se envolver com a namorada do chefão. O filme é muito violento e tem algumas cenas de sexo quase explícito. Não é só por isso que o filme é bastante desagradável. Os gestos dos atores são sempre nervosos, praticamente histéricos, o que faz parecer que estão sempre querendo se livrar de um ataque de mosquitos. Como foi seu filme de estreia, o diretor Miroslav Slaboshpytskiy provavelmente queria chocar as plateias e garantir publicidade. Conseguiu pelo menos chocar, o que aconteceu durante sua exibição na última Mostra São Paulo. De qualquer forma, pode ser interessante para quem curte filmes esquisitos. Mas, repito, é muito incômodo, causa desconforto a cada cena. Sem dúvida, um filme distante "anos-luz” do que costumamos chamar de entretenimento.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Em “PASOLINI”, 2014, uma co-produção França/Itália/Bélgica, o polêmico diretor norte-americano Abel Ferrara conta como foram os últimos dias de vida do também polêmico diretor italiano Pier Paolo Pasolini. Homossexual assumido, Pasolini foi assassinado a pauladas por um garoto de programa. Ferrara enfoca a intimidade de Pasolini nas cenas em que está em casa com a irmã e a mãe, jantares em seu restaurante preferido, sozinho e com amigos, e suas andanças pela noite afora em busca de garotos de programa. Numa das cenas de maior impacto, garotos estão enfileirados aguardando pelo sexo oral de Pasolini. Ferrara também reproduz algumas das últimas entrevistas dadas pelo diretor italiano, nas quais ele fala sobre política, filosofia, literatura e cinema. Não podemos esquecer que Pasolini, além de diretor de cinema, era um respeitado filósofo, cronista, roteirista e dramaturgo. Enfim, um intelectual dos mais influentes naquela época. Numa das entrevistas, Pasolini pede que o entrevistador envie as perguntas por escrito, pois ele confessa ter dificuldade em se expressar verbalmente. Willem Defoe, com sua reconhecida competência, interpreta Pasolini. Também estão no elenco Ricardo Scamarcio, a portuguesa Maria de Medeiros e Ninetto Davoli. O filme, que estreou no Festival de Veneza 2014, deve ser exibido por aqui apenas nos circuitos de arte. 

domingo, 19 de abril de 2015

“LA ISLA MÍNIMA”, 2014, é um suspense policial espanhol da melhor qualidade. A história é ambientada em 1980. Os detetives Pedro (Raúl Arévalo) e Juan (Javier Gutiérrez) são deslocados de Madri para investigar o desaparecimento de duas jovens irmãs numa pequena cidade localizada numa ilha às margens do Rio Guadalquivir, sul da Espanha. Os parceiros policiais não têm nenhuma afinidade. Pensam de maneira diferente inclusive quando se trata de discutir a situação política da Espanha. O mais velho, Juan, além de esconder um passado tenebroso como integrante da polícia secreta de Franco, gosta de dar uns sopados nos interrogados. As irmãs são encontradas mortas e os laudos concluem que, antes de ser assassinadas, foram estupradas e torturadas. Com o avanço das investigações, Pedro e Juan conseguem desvendar outras mortes misteriosas ocorridas na região. O clima de tensão e suspense perdura do começo ao fim do filme, proporcionando um ótimo entretenimento para quem gosta do gênero policial. O filme é tão bom que mereceu nada menos do que 17 indicações ao Prêmio Goya/2015 (o Oscar espanhol), vencendo nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor (Alberto Rodriguez), Atriz Revelação (Nerea Barros), Roteiro Original, Trilha Original, Fotografia, Direção de Arte, Figurino e Montagem. Realmente, é muito bom.                                                                                                                                                            

sábado, 18 de abril de 2015

“UMA PROMESSA” (“Une Promesse”), 2013, é um drama francês dirigido por Patrice Leconte. É falado em inglês e tem nos principais papéis os ingleses Alan Rickman e Rebbeca Hall, além do ator escocês Richard Madden. Para reforçar ainda mais o contexto globalizado, a trama é baseada em romance do grande escritor austríaco Stefan Zweig. Ambientada na Alemanha de 1912, a história começa com a chegada do jovem Friedrich Zeitz (Madden) para trabalhar na usina siderúrgica de propriedade do empresário Karl Hoffmeinster (Rickman). Com seu conhecimento do processo de produção e sua visão arrojada, Friedrich logo cai nas graças de Karl, que promove o jovem a seu consultor e secretário particular. Essa aproximação levará Friedrich a conhecer Lotte (Rebecca Hall), pela qual se apaixona perdidamente. E o sentimento é recíproco. Só que o empresário transfere Friedrich para o México para cuidar de um novo negócio. Dessa forma, o jovem e a mulher casada se separam e prometem renovar o amor dali a dois anos, quando Friedrich deveria voltar à Alemanha. Esta é a promessa estabelecida no título. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, porém, ele não consegue voltar e acaba se estabelecendo no México. Será que o destino irá uní-los novamente? Tchan, tchan, tchan, tchan...  Para um drama romântico, até que o filme funciona, mas o desfecho repentino decepciona. Uma coisa não se pode negar: Rebecca Hall, além de linda, é uma ótima atriz.                          

“O ANO MAIS VIOLENTO” (“A Most Violent Year”), 2014, é um drama ambientado em Nova Iorque em 1981, um dos anos de maior índice de criminalidade da história daquela cidade norte-americana. Daí o título do filme. Nesse contexto de extrema violência, o empresário Abel Morales (Oscar Isaac), imigrante colombiano, tenta alavancar os negócios de sua empresa ligada à atividade de distribuição de combustíveis. Para isso, está negociando a compra de um local para construir um centro de armazenamento e precisa, urgentemente, de uma montanha de dinheiro. Enquanto sai atrás de empréstimos, Abel sofre uma enorme pressão por parte dos concorrentes, grupo que inclui desde empresários desonestos até a máfia italiana, que roubam suas cargas e espancam seus motoristas. Como se não bastasse, Abel ainda enfrenta um procurador corrupto, Lawrence (David Oylowo, de “Selma”), que o ameaça com a aplicação das mais variadas e injustas multas. Com a ajuda da esposa Anna (Jessica Chastain), Abel tenta aguentar toda essa pressão, o que não será muito fácil num ano tão violento. O enredo é meio complicado e a gente só começa a entender o que está acontecendo lá pela metade do filme. Como já tinha feito em “Margin Call – O Dia Antes do Fim”, o diretor J.C. Chandor não dá nada mastigado para o espectador. O filme comprova o talento do ator guatemalteco Oscar Isaac, cuja semelhança com o ator Al Pacino dos tempos de “O Poderoso Chefão” é impressionante. Outro trunfo desse excelente drama é a fotografia em tons sombrios de Branford Young. Quase uma obra de arte. A caracterização de época também é excelente, com destaque para os figurinos. Jessica Chastain, por exemplo, veste as roupas da coleção Vintage Armani de 1981. Resumindo, um filme de muita qualidade. 


                                                                                                                                                        

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Em 1995, a norte-americana Cheryl Strayed, então com 26 anos de idade, resolveu encarar uma aventura daquelas: percorrer a pé e sozinha a trilha conhecida como “Pacific Crest Trail”, ou seja, 1.100 milhas (4.200 km), da fronteira do México até o Canadá pela Cost a do Oceano Pacífico. Para contar a aventura, Cheryl escreveu o livro “A Jornada de uma Mulher em Busca do Recomeço”, que depois, em 2014, virou o filme “LIVRE” (“Wild”), com a atriz Reese Witherspoon como a jovem aventureira. Ao contrário de tantos malucos que encaram desafios perigosos para superar seus limites e virar celebridade, Cheryl tinha como objetivo expurgar alguns fatos do seu passado recente, como seu divórcio, a morte da mãe, Bobbi (Laura Dern), e, principalmente, se livrar do sexo promíscuo que praticava e do vício das drogas pesadas. Enfim, refletir sobre sua vida de fracassos e, quem sabe, dar a volta por cima. O filme, dirigido pelo canadense Jean-Marc Vallée, acompanha a trajetória da viagem de Cheryl, além de relembrar, em flashbacks, sua infância, o relacionamento com a mãe, o pai bêbado e violento e as orgias regadas a sexo e drogas. Witherspoon foi indicada ao Oscar como Melhor Atriz e Laura Dern como Melhor Atriz Coadjuvante, mas não ganharam. O filme é bastante reflexivo, o que justifica seu ritmo um tanto lento, mas é bem feito e merece ser visto, principalmente pelo fato de contar uma incrível história real, o que valoriza qualquer produção. 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

“SEGREDOS DE UM CRIME” (“Felony”), 2013, é um suspense policial australiano cujo maior trunfo é o elenco: Joel Edgerton, Tom Wilkinson, Jai Courtney e Melissa George. A história envolve o drama vivido pelo detetive Malcolm Toohey (Edgerton), que ao voltar de uma festa atropela acidentalmente um garoto. Só que, ao ligar para a emergência e para a polícia, ele mente dizendo que encontrara o garoto caído na estrada. Apesar da mentira, Malcolm é bom caráter e considerado um ótimo policial, além de ter um casamento bastante estável com a enfermeira Julie (Melissa George). Mas depois do que aconteceu, ele fica com um grande problema de consciência, o que o leva a querer contar a verdade, principalmente depois que soube que o estado da vítima é grave e ela corre o risco de morrer. A verdade é encoberta pelo detetive Carl Summer (Wilkinson), melhor amigo de Malcolm. Só que o detetive Jim Melic (Jai Courtney), que vem acompanhando o caso desde a cena do acidente, começa a desconfiar que existe uma armação para proteger Malcolm. E ele não vai sossegar enquanto não descobrir a verdade, ainda mais depois que se apaixonou pela mãe do menino atropelado, Ankhila Sarduka (Sarah Roberts). Mesmo enquadrado no gênero policial, o filme, dirigido por Mattew Saville, tem pouca ou quase nenhuma ação, a não ser no começo. O suspense fica a cargo de uma certa tensão psicológica, acompanhando o dilema de Malcolm: revelar a verdade ou continuar escondendo o que realmente aconteceu. É o que prende a atenção até o final do filme. Como curiosidade, o ator Joel Edgerton também é autor do roteiro. 

domingo, 5 de abril de 2015

“O MENSAGEIRO” (“Kill the Messenger”), 2014, EUA, direção de Michael Cuesta. Filmaço, daqueles de prender a gente na poltrona sem piscar nem dar um pio. A história, baseada em fatos reais, é centrada no jornalista investigativo Gary Webb (Jeremy Renner), do pequeno jornal San Jose Mercury News, da cidade de San José (Califórnia). Em meados dos anos 90, ele descobre a ligação da CIA com traficantes de cocaína da Nicarágua e denuncia tudo numa série de reportagens, que o levaram a conquistar o Prêmio Pulitzer de Jornalismo. Só que, no meio do caminho, a CIA e a grande imprensa norte-americana, aqui incluídos Washington Post e o New York Times, “mordidos” pelo furo que tomaram, iniciam uma campanha impiedosa para desacreditar o jornalista, acusando-o de forjar provas e utilizar fontes pouco confiáveis. Essa reviravolta acabou com a trajetória jornalística de Gary, que anos depois teria um fim trágico. O filme segue o mesmo estilo de suspense que consagrou “Todos os Homens do Presidente”, sobre o escândalo Watergate. Trata-se de uma verdadeira aula de jornalismo investigativo, mostrando que, para praticá-lo, é preciso perspicácia, esperteza, talento e, acima de tudo, muita coragem. O filme, repito, é muito bom e conta com um elenco de primeira: além de Renner (ótimo), atuam Rosemarie DeWitt, Michael Sheen, Mary Elizabeth Winstead, Ray Liotta, Andy Garcia, Oliver Platt, Robert Patrick e Paz Vega.                                   
Pouco antes de participar de “Cinquenta Tons de Cinza”, o ator irlandês Jamie Dornan trabalhou no drama romântico “VOANDO PARA CASA” (“Flying Home” ou “Racing Hearts”). O filme, dirigido por Dominique Deruddere, é uma co-produção Bélgica/França. A história é bastante açucarada e lembra as adaptações para o cinema dos romances do escritor Nicholas Sparks. A estrutura é a mesma: o mocinho e a mocinha se conhecem no começo, se afastam por um algum motivo e no desfecho se reencontram e vivem felizes para sempre – clichê dos clichês dos filmes românticos. No filme belga, Coli (Dornan) é um audacioso executivo de uma grande firma de investimentos de Nova Iorque. Fecha negócios milionários em todo o mundo. Ao negociar um contrato de bilhões de euros com um Sheik árabe (Ali Suliman), este condiciona o negócio à compra de um pombo-correio campeão, cujo proprietário, Jos Pauwels (Jan DeCleir), mora na região de Flanders, na Bélgica. É para lá que vai Colin, com o objetivo de adquirir a ave para o Sheik. Só que ele não contava conhecer e se apaixonar pela neta de Pauwels, Isabelle (Charlotte DeBruyne). Ao mentir para convencer Pauwels a vender o pombo, Colin desperta a ira de Isabelle e aí o romance naufraga. Será que o casal terá a chance de se reencontrar? Glicose pura, mas bem acima do nível dos dramas românticos habituais. 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

“PEQUENOS ACIDENTES” (“Little Accidents”), 2014, EUA, é um drama independente ambientado numa pequena cidade americana cuja economia gira em torno de uma mina de carvão. A história envolve dois acontecimentos trágicos: um acidente na mina que matou 10 operários e a morte acidental de um garoto, justamente o filho do gerente da mina. De um lado, o processo investigativo do acidente que matou os mineiros, no qual a principal testemunha é Amos Jenkins (Boyd Holbrook), único sobrevivente da tragédia. Do outro lado, a investigação da polícia sobre o desaparecimento do garoto, vitimado por um acidente envolvendo Owen (Jacob Lofland), cujo pai era uma das vítimas fatais na mina. Bill Doyle (Josh Lucas), gerente da mina, está sendo investigado e, para piorar, não vive um bom momento em seu casamento com Diane (Elizabeth Banks), o que vai resultar em traição por uma das partes. As tramas caminham em paralelo até o final, sem muitas reviravoltas ou surpresas. O filme é praticamente a adaptação de um curta, com o mesmo nome e temática, realizado em 2010 pela jovem diretora Sara Colangelo, que também dirige o longa. Não deixa de ser uma produção interessante, principalmente pela oportunidade de rever a atriz Chloë Sevigny, há um tempo sumida, como a viúva mãe de Owen.
Em “ADEUS À LINGUAGEM” (“Adieu au Langage”), 2013, do diretor francês Jean-Luc Godard, um personagem prevê que um dia teremos de contratar intérpretes para explicar o que dizemos uns aos outros, pois hoje ninguém está se entendendo. O mesmo vale para mais esse atentado cometido por Godard contra a arte cinematográfica, cuja premissa principal é oferecer entretenimento, diversão. Godard talvez seja o mais indecifrável dos cineastas indecifráveis. Pior que Terrence Malick (”A Árvore da Vida”) e outros diretores que se acham gênios, aclamados  por críticos afetados. Nesse filme, como é de seu estilo, Godard monta um mosaico de imagens desconexas, acrescentando citações filosóficas, políticas e históricas. Não há uma história. Em meio à parafernália visual e verborrágica, um casal anda pelado pela casa dizendo frases sem sentido um para o outro e um cachorro é filmado em várias situações. Numa delas, uma voz em off comenta que os bichos não estão pelados, pois estão pelados. Inteligente, não? E por aí vai Godard, que, para fazer esse filme, deve ter tido um tipo de surto criativo à base de algum alucinógeno. O pior de tudo é que “Adie au langage” foi eleito o melhor filme de 2014 por alguns críticos norte-americanos e, no mesmo ano, venceu o Prêmio do Júri do Festival de Cannes. Em resumo, Godard é um chato de galocha, ou galoche, em francês. Repetindo o que me disse Rubem Ewald Filho, “Crítico adora filme que não entende”. Em todo caso, assista e tire suas conclusões.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

“ACIMA DAS NUVENS” (“Clouds of Sils Maria”), 2014, é mais um grande filme com a assinatura do diretor francês Olivier Assayas (de “Depois de Maio”). A história é centrada na atriz Maria Enders (Juliette Binoche), que, beirando os 50 anos, é convidada para reencenar a mesma peça que a catapultou ao estrelato quando tinha apenas 18 anos. Ela interpretava a jovem Sigrid, que na peça tem um caso amoroso com Helena, sua chefe e vinte anos mais velha. É claro que, agora, Enders interpretará Helena. Para ensaiar o texto, ela se isola numa cabana nos Alpes Suíços com sua assistente  Valentine (Kristen Stewart). Enders não vive um bom momento em sua vida pessoal. Recém-saída de um divórcio e abalada pela súbita morte do amigo e dramaturgo Wilhelm Melchior (autor da peça), ela ainda tem que lidar com o fato de estar ficando mais velha, sentimento reforçado pelo convite para interpretar Helena. É um filme feito de diálogos – aliás, muito inteligentes -, a maioria deles relacionados com a psicologia dos personagens da peça. Os diálogos também colocam em discussão a amizade e a convivência entre a atriz fragilizada e sua assistente, uma relação que dá a entender que existe algo mais do que apenas o vínculo profissional. Não é, definitivamente, um filme para o grande público. Mas é muito bom e tem no elenco seu maior trunfo, com ótimos desempenhos de Binoche (como se fosse novidade) e Kristen Stewart, além de Chloë Grace Moretz, como a jovem atriz Jo-Ann Ellis. O cenário, nada menos do que deslumbrante dos Alpes Suíços, é outro destaque desse filme que consagra Assayas como um dos melhores diretores do cinema europeu atual.                                                                                                                                               

domingo, 29 de março de 2015

O drama “FORÇA MAIOR” (“Force Majeure”) foi o candidato oficial da Suécia na disputa pela estatueta do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro/2015. Não ficou entre os cinco finalistas, mas ganhou rasgados elogios dos críticos. Realmente, é muito bom, mas um tanto inacessível para o grande público. Trata-se de um drama bastante pesado, um verdadeiro tratado psicológico do comportamento humano, sua instabilidade, fragilidade e desequilíbrio. Não duvido que esteja sendo exibido durante as aulas nas faculdades de Psiquiatria e Psicologia pelo mundo afora. Tomas (Johannes Bah Kuhnke), sua esposa Ebba (Lisa Loven Kongsli) e os dois filhos Vera (Clara Wettergreen) e Harry (Vicent Wettergreen) – irmãos também na vida real – vão passar as férias e esquiar nos Alpes Franceses. Tudo vai às mil maravilhas quando, de repente, durante almoço no terraço do hotel, a família e os outros hóspedes são surpreendidos pelo que parecia ser uma avalanche destruidora. Não passou de um susto, mas o fato de Tomas ter fugido correndo sem pensar na mulher e nos filhos desencadeará uma grande crise familiar e conjugal. A partir desse episódio, o filme, através dos diálogos íntimos entre o casal e mais as conversas que terão com amigos discutindo o que ocorreu, transforma-se em algo como uma longa sessão de terapia, o que não deixa de ser interessante. Em seu quarto longa, o diretor sueco Ruben Östlund realizou um filme de grande impacto.