domingo, 8 de fevereiro de 2015

Atenção, amantes dos filmes de ação com muita pancadaria, tiros e perseguições: “DE VOLTA AO JOGO” (“John Wick”), 2014, direção de David Leitch, não nega fogo nem economiza na matança. O sangue jorra em abundância. Um crítico contou cerca de 150 mortos. Eu não contei, mas acho que ficou por aí. O filme conta a história de John Wick (Keanu Reeves), um ex-assassino ligado à máfia russa instalada em Nova Iorque que volta à ativa (daí o título) depois que bandidos roubam seu carro e matam seu cachorro, ambos de estimação. Só que o autor desses crimes é justamente o filho do poderoso Viggo Tarasov (o ator sueco Michael Nyqviste, de "Millennium"), chefão da máfia russa para a qual trabalhava Wick. É claro que o nosso herói não quer saber e parte para a vingança. Destaque para a cena da matança numa discoteca, durante a qual Wick dá um show de competência assassina. Aliás, Keanu Reeves volta com tudo aos filmes de ação, participando sem dublê em nada menos do que 90% das cenas de ação. Seu personagem é um misto de Steven Seagal, Schwarzenegger, Van Damme, Jason Statham e um pouco também de Bruce Willis, porque também apanha pra burro. Estão ainda no elenco Willem Defoe, Adrianne Palicki, Bridger Moynahan, Ian Mcshane e John Leguizano. Sem levar em consideração os clichês abundantes já vistos em tantos outros filmes de vingança, o filme apresenta ótimas cenas de ação, tem bastante humor e o ritmo é alucinante do começo ao fim. É tiro e queda: entretenimento garantido! 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

“MARINA” é uma co-produção Bélgica/Itália de 2013 que conta a história do cantor italiano Rocco Granata, baseada nas memórias escritas pelo próprio. No final dos anos 50, Granata foi um cantor de grande sucesso na Bélgica, na Europa e em vários países do mundo, tendo até se apresentado no Carnagie Hall, em Nova Iorque, em 1959. Ele ainda está vivo e, aos 76 anos, ainda toca (acordeão) e canta por aí. O filme contempla a história de Rocco até 1959, quando “estourou” nas paradas de sucesso com o hit “Marina”. Tudo começa em 1948, quando Salvatore Granata (Luigi Lo Cascio), pai de Rocco, sem emprego e sem esperança decide deixar a Itália e ir trabalhar nas minas de carvão da Bélgica. Um ano depois, Salvatore decide chamar sua família para morar com ele na Bélgica, sua mulher Ida (Donatella Finocchiaro), Rocco (Cristian Campagna quando menino e Matteo Simoni mais velho) e a irmã. O começo dos Granata em terra estrangeira é muito difícil, o que inclui não falar o flamenco, língua oficial da Bélgica. Para concretizar seu sonho de ser cantor e músico, Rocco vai enfrentar o conservadorismo do pai, que o obriga a trabalhar, como ele, nas minas de carvão. Até chegar ao sucesso, Rocco vai enfrentar inúmeros desafios, mas também conhecerá o seu grande amor, Helena (Evelien Bosmans), fonte de inspiração para a canção “Marina”. O diretor belga Stijn Coninx não economiza nos tons melodramáticos, atenuados apenas por algum humor e muita música. Preste atenção na cena em que o dono de uma loja de instrumentos musicais negocia a venda de um acordeão para o jovem Rocco: ele é o verdadeiro Rocco.                                        

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

“A DEMORA” (“La Demora”), 2012, Uruguai, direção de Rodrigo Plá, é um drama comovente, sensível e, ao mesmo tempo, muito triste, de cortar o coração. Mas muito bem feito, tanto que foi premiado em vários festivais pelo mundo afora, inclusive no prestigioso Festival de Berlim. O filme centra toda sua ação na situação desesperadora de Maria (Roxana Blanco), uma quarentona mãe solteira de três filhos pré-adolescentes que se vira do avesso para colocar dinheiro dentro de casa e cuidar do pai Agustín (Carlos Vallarino), um senhor que sofre de confusão mental e perda de memória. Um dia, ela não aguenta mais e pede socorro à irmã, que poderia cuidar do pai por um tempo. A irmã inventa mil desculpas para se livrar da tarefa. Nem visitar o pai ela vai mais. Sem outra saída, Maria decide colocar Agustín num abrigo de idosos. Também não consegue. Num ímpeto desesperado, ela resolve adotar uma atitude radical, que muita gente pensa, mas não tem coragem de fazer: abandonar o velho numa praça. O que acontece depois, só vendo o filme. Aliás, o drama merece ser visto também pela sensacional interpretação da dupla central de atores, Roxana Blanco e Carlos Vallarino, ambos premiados pelo seu desempenho. Enfim, um filme que certamente emocionará quem vive ou viveu problema semelhante ao de Maria, um tipo de sofrimento que acaba com qualquer pessoa.                                      

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

“ONDE ESTÃO AS CELEBRIDADES?” (“Not another Celebrity Movie”), 2013, EUA, direção de Emilio Ferrari, é mais uma daquelas comédias do gênero besteirol - e quanta besteira. Os personagens das celebridades são interpretados por atores ou sósias profissionais. Trata-se de uma paródia do filme “Onze Homens e um Segredo”, dirigido por Steven Soderbergh.  Só que nesta sátira, o objetivo não é roubar um cassino e sim sequestrar Justin Bieber, que está apresentando uma temporada de seu show no Hotel e Cassino Riviera, em Las Vegas. A história mirabolante começa com Charlie Sheen acreditando que Justin Bieber é seu filho biológico. E, como tal, pode ajudá-lo a ganhar uma grana. Ele, então, planeja o sequestro do astro teen. Para isso, convoca seus amigos George Clooney, Brad Pitt, Robert De Niro, Tom Cruise, Justin Timberlake, Angelina Jolie e Lady Gaga. Quem patrocina a aventura maluca é Donald Trump. Em meio à atrapalhada ação de sequestro, ainda aparecem fazendo “pontas” Paris Hilton, Johnny Depp, Daniel Craig, Oprah Winfrey e Ashton Kutcher, além de outras celebridades. Como não poderia deixar de ser, é tudo levado na maior palhaçada, mas não dá para negar que a caracterização dos personagens e o desempenho dos atores e sósias são realmente fantásticos, em especial George Clooney, Angelina Jolie e Tom Cruise. Mesmo quem não curte o gênero besteirol pode se divertir.   

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

“A GAROTA DA BICICLETA” (Girl on a Bicycle”), 2013, é o famoso filme “Nações Unidas”. É uma produção made USA, com direção de um norte-americano (Jeremy Leven, de “Don Juan DeMarco”) e tem nos principais papéis um ator italiano (Vincenzo Amato), uma atriz alemã (Nora Tschirner), uma atriz francesa (Louise Monot) e um ator inglês (Paddy Considini). Além disso, é todo ambientado em Paris. Trata-se de uma ótima comédia romântica, muito divertida e movimentada. Conta a história de Paolo (Amato), motorista de um ônibus turístico que percorre a capital francesa. Ele está noivo da aeromoça alemã Greta (Tschirner), mas isso não o impede, como bom italiano, de se enrabichar pela bela Cécile (Monot), a tal garota da bicicleta do título. Só que Paolo não poderia imaginar que, ao se envolver com Cécile, iria se meter na maior confusão, o que vai colocar em risco o seu noivado com Greta e envolver seu amigo Derek (Considini). Embora tenha sido rotulado de comédia romântica, é mais comédia do que romance e as situações são bastante engraçadas. Os quatro atores principais sustentam o humor com muita competência, em especial a alemã Nora Tschirner como a noiva desconfiada, e o italiano Vincenzo Amato como o atrapalhado Paolo. Louise Monot é linda e muito sexy, além de ótima comediante. Um filme delicioso e divertido, ideal para afastar o estresse. Simplesmente imperdível!  
“PÁLPEBRAS AZUIS” (“Párpados Azules”), 2007, é um drama mexicano premiadíssimo em vários festivais pelo mundo, tendo conquistado inclusive o Prêmio Especial do Júri no Sundance Film Festival, além de competir na 46ª Semana da Crítica Internacional no Festival de Cannes. Consagração exagerada, já que o filme não tem tantas qualidades para merecer tanto. A história é centrada na jovem Marina Farfán (Cecília Suarez), funcionária de uma loja que comercializa uniformes. Solitária, apática e introvertida, ela não tem amigos nem namorado, mora sozinha e seu semblante dá ideia de mulher infeliz. Na festa de 47º aniversário da loja, um sorteio premiará um funcionário com uma viagem de 10 dias, com tudo pago, para um hotel na praia de Salamandra. Marina é a vencedora. Só que tem um problema: o prêmio dá direito a um acompanhante. Ela logo pensa na irmã Lucy (Tiara Scanda). Não dá certo. Aí ela recorre a Victor Minas (Enrique Arreola), que ela conhece numa padaria. Victor, tal qual Marina, também é estranho e solitário. Os dois vivem numa solidão tão grande que o único prazer de ambos é justamente o prazer solitário. Antes da viagem, eles se encontram algumas vezes para se conhecer melhor. Os diálogos entre os dois são mínimos. O relacionamento é feito de silêncios. Um dia, ao sair para dançar com Victor, Marina pinta suas pálpebras de azul, cena que inspirou o título do filme. A produção mexicana marca a estreia do diretor Ernesto Contreras e da própria atriz Cecília Suarez. É um filme bastante interessante. Vale a pena conferir.                         

 

sábado, 31 de janeiro de 2015

“SNIPER AMERICANO” (“American Sniper”), 2014, EUA, dirigido por Clint Eastwood, conta a história real do soldado Chris Kyle, atirador de elite das forças especiais da Marinha dos EUA – os navy seals -, que em 10 anos, em missões no Iraque, assassinou 150 inimigos. Virou herói. No topo de edifícios, Chris (Bradley Cooper) era encarregado de alvejar qualquer pessoa que colocasse em risco os soldados americanos. Às vezes o inimigo era apenas um garoto ou uma mulher carregando uma granada ou um lança-morteiros. Para Chris, não importava quem era o inimigo, embora ficasse chateado nesses casos. Para ele, o que importava mesmo era salvar seus companheiros. Nos 10 anos (1999 a 2009) em que foi atirador de elite, Chris cumpriu 4 longas missões no Iraque, totalizando mais de mil dias. Entre os 150 inimigos que matou estava um atirador de elite recrutado na Síria e que já havia participado de Jogos Olímpicos. A esposa de Chris, Taya Renae (Sienna Miller), sofria muito quando o marido estava em missão, principalmente por temer que ele voltasse num caixão. O filme de Eastwood teve seis indicações para concorrer ao Oscar 2015, entre as quais Melhor Filme e Melho Ator. Independente se ganhar ou não alguma estatueta, o filme é muito bom, apesar do tom um tanto patriótico adotado por Eastwood. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O drama “HOMENS, MULHERES E FILHOS” (“Men, Women & Children”), EUA, 2014, do diretor canadense Jason Reitman (de “Amor sem Escalas” e “Juno”), aborda um assunto bastante atual: a interferência cada vez maior da Internet em nosso cotidiano, em nossas ações, em nossas atitudes. A mensagem do filme é bastante clara: estamos conectados virtualmente, mas desconectados na vida real. Reitman exemplifica apresentando famílias de classe média disfuncionais, com problemas de relacionamento e, principalmente, falta de comunicação, além de adolescentes em crise. O casal que não se relaciona mais sexualmente e encontra uma saída nas redes sociais, o rapaz que abandona o time de futebol por causa de um jogo virtual, a menina que se torna obcecada por regime, a garota que quer ser uma celebridade cinematográfica e até uma vilã virtual, que costuma invadir o computador da filha e até responder e-mails em nome dela. Enfim, são várias histórias de pessoas psicologicamente abaladas e que têm, em comum, alguma influência nefasta da Internet. Embora com um elenco de peso (Jennifer Garner, Adam Sandler, Ansel Elgort, Judy Greer, Rosemarie Dewitt e Kaitlin Dever), o filme foi um grande fracasso nos EUA, onde ficou apenas um mês em cartaz com pouco público. Como curiosidade, a voz que narra a história em off pertence à atriz inglesa Emma Thompson. De qualquer forma, o filme não é tão ruim quanto parece, mas não é tão bom que mereça uma avaliação ou recomendação entusiasmada. Mas não deixa de ser interessante.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

“NASCIDO EM ALGUM LUGAR” (“Né Quelque Part”), 2012, é uma comédia francesa cuja história é inspirada em fatos que aconteceram com o próprio diretor, o francês de família argelina Mohamed Hamidi. No filme, ele é Farid (Tewfik Jallab), nascido na França de pais argelinos que saíram do país natal na década de 60. Ao receber a notícia de que a casa que construiu e em que morou num pequeno vilarejo da Argélia será desapropriada, Hadj (Mohamed Majder), pai de Farid, fica nervoso e é internado num hospital. Ele pede a Farid que vá até a Argélia e resolva o problema, não deixando desapropriar a casa de tantas recordações para a família. Quando chega ao vilarejo, Farid logo faz amizade com um primo trambiqueiro (Jamel Debbouze), o que lhe custará um grande aborrecimento. Com um pouco de conhecimento que adquiriu no curso de Direito que faz na França, Farid vai enfrentar as autoridades locais e tentar reverter a desapropriação não só da casa de seu pai como de outras pessoas do vilarejo. Em sua estada, Farid vai conhecer muito da cultura e das tradições argelinas, além da história de sua família. É nas conversas entre os moradores, com a participação de Farid, que o diretor Hamidi extrai os momentos mais engraçados do filme, mostrando que o bom humor também faz parte do cotidiano daquelas pessoas. O ator Mohamed Majder, que interpreta o pai de Farid, morreu logo após o término das filmagens, em janeiro de 2013, e a ele é dedicado o filme.  

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

“ALABAMA MONROE" (“The Broken Circle Breakdown”), de 2012, é um belo e comovente drama belga que conta a história do amor de um cantor, tocador de banjo e líder de uma banda country, Didier (Johan Heldenbergh), por uma tatuadora, Elise (Veerle Baetens). Ele é ateu e ela, apesar de toda tatuada, é religiosa. Eles se casam, têm uma filha e vivem felizes, mas não para sempre. Uma doença grave que terminará em morte irá quebrar o círculo de felicidade, o que remete ao título do filme. Apesar do tema dramático, o filme alterna momentos de bom humor e sensibilidade, principalmente quando a banda se apresenta nos palcos, agora com Elise como crooner. No meio de tudo isso, o diretor Felix Van Groeningen ainda encontra espaço para discutir a questão dos estudos das células-tronco e a eutanásia. Os dois atores principais são espetaculares. Como curiosidade, o filme é todo falado em Flemish, dialeto alemão do norte da Bélgica. Se você for de chorar, esqueça a pipoca e separe uma caixa de lenços de papel. Sem exagero, um dos melhores filmes deste século.  

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

“BABÁ FORA DE CONTROLE” (“Babysitting”), 2014, é uma comédia francesa bastante divertida, o que não deixa de ser uma raridade no cinema atual. A história é centrada em Franck (Philippe Lacheau), recepcionista de uma grande editora parisiense. Ele adora desenhar histórias em quadrinhos e quer seguir essa carreira. No dia do seu 30º aniversário, Franck planeja uma grande festa com seus amigos, mas seu patrão, sr. Schaudel (o ótimo Gérard Jugnot), o convoca para ser babá de seu filho Rémi (Enzo Tomasini), de 10 anos, por um dia. Com a promessa feita por Schaudel de analisar seus desenhos, Franck aceita a missão e cancela a festa. Só que seus amigos insistem na comemoração e, sem avisar Franck, farão uma surpresa que colocará a casa de Schaudel literalmente de pernas para o ar. Na manhã seguinte, a polícia localiza Schaudel para avisá-lo da bagunça na sua casa e que seu filho havia sumido. Schaudel e a esposa (Clotilde Courau) voltam apavorados para casa, onde assistem, ao lado dos policiais, a um vídeo gravado por um dos amigos de Franck registrando tudo o que aconteceu de noite e de madrugada. É uma sucessão de momentos hilariantes e situações bastante engraçadas. O filme não perde o pique do começo ao fim, num ritmo quase alucinante. O ator comediante Lacheau, além de atuar, escreveu e dirigiu, ao lado de Nicolas Benamou. Não deixe de ver e se divertir!               
Se no filme argentino “Abutres” (2010), dirigido por Pablo Trapero, Ricardo Darín era um advogado à espreita e forjador de acidentes de trânsito para depois ganhar indenizações das seguradoras, em “O ABUTRE” (“The Nightcrawler”), 2014, EUA, o ator Jake Gylenhaal é Louis Bloom, um cinegrafista amador que filma ocorrências policiais de madrugada para depois vender as imagens a telejornais matutinos. A cidade é Los Angeles, ou seja, garantia de material farto. Bloom é um sujeito fracassado, desempregado e trambiqueiro. Um dia, tem a ideia de se transformar numa espécie de paparazzo macabro, seguindo ambulâncias e viaturas da polícia para filmar pessoas morrendo. Ele vende as imagens para uma pequena emissora de TV local, cuja diretora de telejornais, Nina Romina (Rene Russo), é adepta de notícias sensacionalistas e imagens chocantes para elevar o índice de audiência. Bloom não tem escrúpulos em forjar situações, o que inclui arrastar vítimas de acidente de trânsito para conseguir um ângulo de filmagem melhor e ainda colocar seu assistente Rick (Riz Ahmed) em situações de perigo. Sua ousadia chega ao cúmulo de, antes de a polícia chegar, invadir uma casa para filmar os cadáveres de vítimas de um violento tiroteio. O filme é muito bom, chega a ter cenas realmente eletrizantes, e Gylenhaal está ótimo (merecia uma indicação ao Oscar). Chegou a emagrecer 10 quilos para fazer o personagem ficar parecido, segundo ele próprio, com “um coiote faminto”. Dan Gilroy, o diretor, é conhecido como roteirista de filmes como “O Legado Bourne” e agora dirige seu primeiro filme. Um destaque especial para a atriz Rene Russo - por sinal, esposa do diretor -, que aos 60 anos continua bonita e charmosa.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Para tentar decifrar as mensagens secretas nazistas criptografadas, o governo britânico criou o Projeto Ultra e convidou os maiores gênios da matemática e da lógica da Inglaterra para fazer parte da equipe. O trabalho desse pessoal é mostrado no filme “O JOGO DA IMITAÇÃO” (“The Imitation Game”), 2014. O personagem central da história é Alan Turing (Benedict Cumberbatch), que por sua inteligência e espírito de liderança viria chefiar o grupo. Alan, com a ajuda de sua equipe, e mesmo a despeito da desconfiança das autoridades inglesas envolvidas no projeto, inventou uma máquina (considerada a precursora dos computadores atuais) bastante complexa que, depois de muito trabalho, conseguiu finalmente decifrar as mensagens dos nazistas, contribuindo para vitórias importantes dos aliados durante a Segunda Grande Guerra. A homossexualidade de Alan também é destacada no filme. Em 1952, Alan seria preso por atentado ao pudor e submetido a um tratamento hormonal conhecido como “castração química”. Ou era isso ou a prisão. Como o Projeto Ultra era supersecreto, as autoridades policiais não sabiam o que Alan havia feito. Dirigidos pelo norueguês Morten Tyldum (do ótimo “Headhunters”), ainda estão no elenco Keira Knightley, Matthew Goode, Mark Strong e Charles Dance. O filme é muito bom e, com justiça, recebeu 8 indicações ao Oscar 2015, entre as quais Melhor Filme, Melhor Ator (Cumberbatch), Melhor Atriz Coadjuvante (Keira) e Melhor Diretor. Imperdível!

Ao ser exibido no Festival de Berlim, em fevereiro de 2014, o suspense “AS DUAS FACES DE JANEIRO” (“The Two Faces of January”), EUA, 2013, dividiu os críticos. Na verdade, a acolhida geral foi bem morna, com poucos elogios. A história, baseada em livro da escritora de romances policiais Patricia Highsmith, é ambientada em 1962 e começa na Acrópole de Atenas, na Grécia.  Aqui, o guia norte-americano Rydal (Oscar Isaac) conhece Chester MacFarland (Viggo Mortensen) e Colette (Kirsten Dunst), turistas que vieram dos EUA. Rydal é um trambiqueiro notório, enganando turistas principalmente na hora de trocar seus dólares por dracmas (a moeda em uso na Grécia até ser substituída pelo euro em 2002). Depois de deixar o casal no hotel, Rydal encontra no táxi uma pulseira de Colette. Rydal está no corredor do hotel para devolver a pulseira quando surpreende Chester arrastando o corpo de um homem. A partir daí, Rydal torna-se cúmplice de um provável assassinato e, por causa de sua atração por Colette, vai ajudar o casal a sair de Atenas. Os três fogem para a Ilha de Creta e depois para Istambul, na Turquia. Já dá para advinhar que as paisagens são muito bonitas, valorizadas por uma excelente fotografia. Tanto a história como o desenrolar da trama e o tipo de suspense lembram muito os filmes de Alfred Hitchcock, o que já é um bom aval para recomendar este que é o filme de estreia do diretor iraniano Hossein Amini. 

sábado, 24 de janeiro de 2015

Uns escolhem escalar os picos mais altos do mundo, outros pular de bungee jump ou atravessar o topo de edifícios  equilibrando-se numa corda e ainda aqueles que se arriscam nadando entre tubarões. Enfim, há louco e aventureiro para tudo. “TRILHAS” (“Tracks”), 2013, conta uma dessas histórias malucas. Em 1977, a jovem australiana Robin Davidson (Mia Wasikowska), então com 26 anos, com o apoio da Revista National Geographic, decide atravessar o impiedoso deserto da Austrália a partir da cidade de Alice Springs até o Oceano Índico, totalizando uma distância de 2.700 quilômetros. Com um detalhe: a pé. E apenas com a companhia de sua cadela de estimação e quatro camelos – a viagem durou 9 meses. De vez em quando, em seu caminho, aparecia o fotógrafo da revista Rick Smolan (Adam Driver) para tirar algumas fotos. Uma aventura e tanto, repleta de perigos e sacrifícios. Em alguns momentos, tal era o seu nível de exaustão, Robin pensou em desistir. Mas foi até o fim, o que na época tornou a moça mundialmente famosa. Aliás, depois disso, Robin continuou aventurando-se pelo mundo afora, incluindo atravessar os EUA numa moto e trabalhar como guia turístico na Índia. Para quem gosta de viagens inusitadas e de sofrer junto com o viajante, “TRILHAS” é um ótimo programa.
A bonita e competente atriz norte-americana Maria Bello já trabalhou em bons filmes como “Marcas da Violência”, “Os Suspeitos” e “O Troco”. Ultimamente, porém, suas escolhas não têm sido das melhores. A mais recente delas é o suspense “BIG DRIVER- EM BUSCA DE VINGANÇA” (“Big Driver”), produzido em 2014 para o Canal Lifetime e dirigido por Mikael Salomon (“O Enigma de Andômeda”). Trata-se de uma história baseada num conto do escritor Stephen King. Bello interpreta Tess Thorne, uma famosa escritora de romances policiais, de mistério e suspense – assim como King. Convidada para autografar seu mais recente livro, Tess vai a uma pequena cidade de New England. Uma de suas fãs sugere que ela faça a viagem de volta utilizando-se de uma estrada no meio da floresta. Aí começa o maior pesadelo para Tess, que será vítima de um psicopata sexual. Além de estuprada, ela é violentamente espancada e depois deixada para morrer dentro de um tubo de drenagem. Só que ela não morre. Quando se recupera, Tess parte para a vingança. Para curtir o filme, o espectador tem de entrar no clima das histórias de Stephen King e aceitar que a protagonista converse com fantasmas, com os mortos e até com o GPS do seu carro. Nada que mereça uma recomendação entusiasmada.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Uma sensação no mínimo desagradável é o que se tem ao assistir ao drama grego “O GAROTO QUE COME ALPISTE” (“To Agori Troei To Fagito tou Pouliou” no original, ou “Boy Eating the Bird’s Food” em inglês). O filme é bastante indigesto e deprimente. Trata-se de uma chocante alegoria à grave situação econômica da Grécia a partir de 2010. O jovem Yorgos (Yiannis Papadopoulos), de 23 anos, é um cantor lírico desempregado, não tem amigos e está distanciado da família. Vaga pelas ruas de Atenas remexendo nas latas de lixo para encontrar o que comer. Quando não encontra, divide o alpiste com seu canário e se alimenta com o próprio sêmen depois de se masturbar (desagradável ou não é?). De vez em quando, entra no apartamento do vizinho, um velho doente, para roubar comida e alguns objetos para vender no penhor. Com a mente entravada por dias sem comer, Yorgos tenta manter a pouca sanidade que lhe resta, mas ele é a verdadeira personificação do fracasso. E aí ninguém dá jeito. O filme marcou a estreia de Yiannis Papadopoulos na direção. Começou bem, pois o filme foi indicado para representar a Grécia no Oscar/2014 de Melhor Filme Estrangeiro. De qualquer forma, é bom alertar o espectador desavisado: não espere um entretenimento agradável. Pelo contrário. 
O drama polonês “EM NOME DO...” (“W Imie...”), 2012, estreou no Festival Internacional de Cinema de Berlim/2013 e causou grande polêmica. Não é para menos, pois o filme aborda o tema homossexualidade na Igreja. E mais: produzido no país mais católico da Europa. O padre Adam (Andrzej Chyra) é responsável por uma paróquia no interior da Polônia. Além das missas, confissões e de outras atribuições da sua função, Adam cuida de um centro comunitário que abriga jovens problemáticos à beira da delinquência. Ele é muito querido por todos e muito dedicado. Joga futebol com os rapazes, participa das festas da cidade e está sempre disposto a ajudar a quem precisa, seja com uma palavra de carinho ou um conselho. Só que ele vive o terrível dilema da tentação da carne. Adam é homossexual enrustido e luta consigo mesmo para não sucumbir ao desejo, principalmente com relação aos jovens do centro comunitário. Para piorar, ele é assediado por uma jovem e fogosa paroquiana, ainda por cima casada. A diretora Malgoska Szumowska (de “Elas”, com Juliette Binoche) trata o tema com sobriedade e até alguma sensibilidade, aprofundando-se no sofrimento solitário do padre Adam e seu sacrifício para resguardar sua identidade sexual. O trabalho do ator Andrzej Chyra é fenomenal, um trunfo a mais desse excelente drama polonês.    

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

“ERROS DO CORPO HUMANO” (“Errors of the Human Body”), 2011, é uma co-produção Alemanha/EUA com direção de Eron Sheean. Trata-se de um drama de ficção com algumas pitadas de suspense. Geoff Burton (Michael Eklund), um renomado cientista canadense, é convidado para participar de uma experiência num mundialmente respeitado instituto para Biologia Celular e Molecular e Genética em Dresden (Alemanha). Aqui, sob a supervisão da dra. Rebecca Müller (Karoline Herfurth), está sendo desenvolvido um experimento que objetiva a busca do gene da regeneração humana. Geoff topa na hora, pois o estudo tem relação com a doença que acometeu seu filho ainda bebê. Como é possível prever, muitos diálogos são difíceis de entender, a não ser que você seja um cientista, um biólogo ou um geneticista. É claro que logo aparece o   famoso vilão de laboratório, o cientista com cara de maluco Jarek (Tomas Lemarquis), que será o responsável pela criação de um vírus devastador. Ao tentar desmascarar Jarek, Geoff acaba contaminado pelo vírus e, claro, correrá um grande risco de vida. Admira que um filme alemão seja tão ruim. O resultado final é constrangedor, a começar pelo ator canadense Michael Eklund, que passa o filme inteiro com olhos de peixe morto e ar de coitado, mesmo antes de ser contaminado. O personagem Jarek é tão ridículo e constrangedor que mais parece um vilão de filme infantil ou saído de um filme dos Trapalhões. Em todo esse contexto medíocre, surpreende a participação da ótima atriz alemã Karoline Herfurth, de “O Leitor”. De tão ruim, o filme, na verdade, deveria se chamar “Erros da Mente Humana”, referência óbvia ao criador desse abacaxi.     

“FILHA DISTANTE” (“Días de Pesca”), 2012, direção de Carlos Sorin, é mais um bom e sensível filme argentino. Conta a história de Marco Tucci (Alejandro Awada), que, aos 52 anos, depois de um problema sério de saúde, resolve mudar de vida. Deixa de fumar e de beber e começa a praticar exercícios físicos. Marco aproveita essa fase de mudança para também reencontrar a filha Anna (Victoria Almeida), que não vê há anos, retomar o relacionamento de outrora e aparar algumas arestas do passado. Para isso, Marco utiliza a desculpa de tirar umas férias para pescar tubarões no litoral da Patagônia, onde sua filha mora. Saindo de Buenos Aires, ele pega estrada de carro e, pelo caminho, com seu sorriso simpático e cativante, vai fazendo amizades. Ao chegar à cidade onde sua filha morava, vai descobrir que ela já havia mudado há uns três anos, sem avisar, o que já dá uma ideia da distância entre os dois – não apenas geográfica. No reencontro com a filha e o neto, que não conhecia, acontece um dos momentos mais tocantes do filme, quando, durante o jantar, Anna pede a Marco que cante “aquela canção”. Marco então canta a ária “Che Gelida Manina” a capella. Apesar de todos os esforços de Marco, a reaproximação será mais difícil do que ele imaginava. Além da história em si, o filme é bastante interessante porque toda a ação se desenrola em meio aos cenários deslumbrantes e belas paisagens, embora um tanto melancólicas, da Patagônia. Com exceção dos dois protagonistas principais, o restante do elenco é composto somente por atores amadores. Mais um gol de placa do cinema argentino.                                                                                          

domingo, 18 de janeiro de 2015

“SUSPENSÃO DA REALIDADE” (“Suspension of Disbelief”), 2012, é um drama inglês bastante criativo e instigante. Em sua trama policialesca, mescla o gênero noir com muito erotismo e um certo suspense. Na festa de aniversário de sua filha Sarah (Rebecca Nighty), o escritor e roteirista de cinema Martin (o ator alemão Sebastian Koch, de “A Vida dos Outros”), em crise criativa, conhece a exuberante Angelique (a atriz holandesa Lotte Verbeek). Conversam durante algum tempo e depois ele vai dormir. Dois dias depois, Angelique aparece morta, aparentemente, por afogamento. Em meio às investigações da polícia, aparece em cena Therese (Verbeek), a irmã gêmea de Angelique. Tal qual a irmã, Therese também é uma jovem sedutora. Por suas atitudes, difícil acreditar que ela tenha boas intenções. O aparecimento de Therese vai aumentar ainda mais o mistério com relação à morte de Angelique. Envolvido na história, Martin volta a encontrar ideias para um novo roteiro de filme. A partir daí, ficção e realidade se misturam num jogo que estimula o cérebro do espectador. A bela atriz holandesa Verbeek, como a mulher fatal em dose dupla, está ótima. É um filme bastante diferente e interessante, com a assinatura de Mike Figgs, diretor inglês que tem no currículo filmes como “Despedida em Las Vegas”, de 1996, que deu um Oscar de melhor ator para Nicolas Cage. Há 9 anos que ele não dirigia um longa. Quem curte cinema de qualidade e fora do padrão habitual vai gostar.              
A atriz Kristen Stewart, da Série Crepúsculo, faz a personagem principal do drama “CAMP X-RAY”, 2013, dirigido por Peter Sattler, que também escreveu o roteiro. Kristen é a soldado Amy Cole, uma jovem que sai de sua pequena cidade do interior dos EUA e se alista no exército. Seu objetivo é ir para o Iraque, conhecer uma nova cultura e, principalmente, conseguir a oportunidade de uma viagem para o Exterior, o que nunca conseguiu fazer. Só que ela é enviada para uma nova unidade da Prisão de Guantánamo, em Cuba, criada logo após o 11 de setembro de 2001. A missão de Amy é vigiar uma dezena de celas ocupadas por terroristas envolvidos com o atentado. A ordem é específica: não deixar que cometam suicídio. Uma das regras a serem cumpridas é jamais conversar com um detento. Só que Amy a descumpre e dá atenção especial para Ali (Payman Maadi, de “A Separação”), com o qual costuma conversar em seus turnos. Esse tipo de situação já foi mostrada em muitos outros filmes. Um clichê dos mais desgastados. No caso desse filme, chega a ser até inverossímil, já que em seu primeiro dia no corredor das celas Amy é atingida por um “coquetel” (como chamam um bolo de fezes) lançado por Ali, situação que mais provoca inimigos do que amigos. Resumo da ópera: o filme é fraco. Também não é fácil suportar quase duas horas em frente à telinha para ver a ação ser desenrolada quase que inteiramente num corredor de prisão. Stewart precisa ser mais rigorosa em suas próximas escolhas, já que provou que, além de bonita, é uma boa atriz, como já comprovaram filmes como o recente “Acima das Nuvens” e “On the Road”.