sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

 

Uma das principais atrações do Festival Varilux de Cinema Francês em 2022, chega à Netflix o drama “O DESTINO DE HAFFMANN” (“ADIEU MONSIEUR HAFFMANN”), 2021, coprodução França/Bélgica, direção de Fred Cavayé (“À Queima-Roupa”, “Tudo Por Ela”), que também assina o roteiro com Sarah Kaminsky. Trata-se da adaptação para o cinema da peça homônima escrita em 2016 pelo ator e dramaturgo Jean-Philippe Daguerre. No início da ocupação de Paris pelos alemães, o joalheiro judeu Joseph Haffmann (Daniel Auteuil) envia sua esposa e filhos para a então zona livre da França. Ele fica na capital para resolver a questão da joalheria. Resolve “vendê-la” para o seu assistente François Mercier (Gilles Lellouche). O negócio ficou acertado de forma que, quando a guerra acabasse, Haffmann voltaria para assumir de novo a joalheria. Dessa forma, Mercier e a esposa Blanche (Sara Giraudeau) mudam-se para a casa de Haffmann, em cima da joalheria. Diante do cerco dos nazistas a Paris, Haffmann não consegue fugir e volta para a joalheria, já com o nome do assistente na placa da fachada. Mercier entra em acordo com Haffman sobre sua permanência na casa, obrigando-o a cumprir determinadas tarefas, uma delas envolvendo a própria esposa. Nesse meio tempo, a joalheria passa a ser frequentada por oficiais nazistas, que compram joias para dar de presente às suas amantes francesas. O filme segue em ritmo lento, mas longe do entediente, já que a história reserva uma boa dose de suspense e algumas surpreendentes reviravoltas. Não bastasse isso, o filme conta com dois dos melhores atores do cinema francês da atualidade, Daniel Auteuil e Gilles Lellouche, além da ótima atriz Sara Giraudau. No Festival Du Film de Sarlat (França) 2021, “O Destino de Haffmann” conquistou os prêmios de Melhor Filme e de Melhor Atriz (Giraudeau). Sem dúvida, um dos melhores lançamentos da Netflix este ano.  

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

 

“RUÍDO” (“RUIDO”), 2022, coprodução México/Argentina, 1h45m, em cartaz na Netflix, que assina a produção original, direção de Natalia Beristáin, seguindo roteiro assinado por Alo Valenzuela e Diego Enrique Osorno, este último jornalista investigativo muito conceituado e respeitado no México. Mais do que um drama bastante sensível, “Ruído” é um poderoso filme-denúncia sobre o desaparecimento de milhares de mulheres e homens atingidos pela violência proveniente dos poderosos cartéis de drogas e tráfico humano. Enfim, uma violência que impera há anos no México, com a omissão/colaboração dos governantes e da própria polícia. O foco central, porém, é o sofrimento dos familiares dos desaparecidos e sua incessante busca por uma notícia do ente querido. Julia (Julieta Egurrola), artista plástica de renome, procura a filha Gertrudes há 9 meses. Ela é a principal protagonista da história. Cansada de ouvir respostas vazias das autoridades, Julia junta-se a grupos de mães que se ajudam psicologicamente e que ainda têm esperanças de encontrar o ente querido vivo, nem que para isso tenham que subornar os policiais e outras autoridades. Para divulgar o seu drama, Julia conta ainda com a colaboração da jornalista Abril Escobedo (Teresa Ruiz). O filme acompanha o drama de Julia e de familiares que tiveram seus maridos, filhos e filhas desaparecidos, provavelmente vítimas de poderosos traficantes. Também destaca os protestos do movimento “Nenhuma a Menos”, que exige ação das autoridades e que, para isso, precisam fazer o máximo “ruído” possível, razão do título. Trata-se, portanto, de um drama bastante pesado e comovente, valorizado pelo ótimo desempenho da veterana atriz mexicana Julieta Egurrola (ela é mãe da própria diretora Natalia Beristáin, que emplaca seu terceiro longa-metragem). Importante destacar ainda a participação, no elenco, de inúmeras mulheres que sofrem o dilema de ter entes queridos desaparecidos. Ao lado dos créditos finais aparecem fotos de dezenas de desaparecidos. Trocando em miúdos, “Ruído” é um filme triste, mas poderoso como denúncia.        

sábado, 14 de janeiro de 2023

 

“A LUTA DE UMA VIDA” (“THE SURVIVOR”), 2022, em cartaz na Amazon Prime Video, 2h10m, coprodução Canadá/Hungria/EUA, direção de Barry Levinson, com roteiro assinado por Justine Juel Gillmer. A história é baseada em fatos reais descritos no livro homônimo escrito por Alan Scott Haft. Trata-se da incrível história do judeu polonês Hertzka Haft (1925-2007), que fugiu do campo de concentração de Auschwitz perto do final da Segunda Guerra Mundial. Durante o tempo em que ficou prisioneiro, Hertzka foi obrigado a lutar boxe com outros prisioneiros de Auschwitz para entreter os oficiais e os soldados alemães. Ao final do conflito, ele se torna boxeador profissional, chegando aos Estados Unidos alguns anos depois com o nome de Harry Haft. Na época em que foi preso pelos alemães, Hertzka (Ben Foster) vivia um romance com a jovem e bela Leah Krishinsky (a atriz israelense Dar Zuzovsky), também prisioneira dos nazistas. Já nos Estados Unidos, Harry acredita que Leah ainda esteja viva e, por isso, pede a ajuda do jornalista Emory Anderson (Peter Sarsgaard) para divulgar sua história e, dessa forma, atrair a atenção de Leah – se estiver viva. O tempo passa e, sem conseguir notícias, Harry resolve desafiar Rocky Marciano, um lutador em franca ascensão. Ele consegue chegar ao ringue com Marciano e apanha feio, mas consegue a divulgação que queria. Em meio à dúvida de que Leah ainda esteja viva, Harry acaba se apaixonando por Miriam (Vick Krieps), funcionária daquele escritório de imigrantes judeus. O filme destaca em flashbacks o que aconteceu com Hertzka em Auschwitz e os sérios traumas que ele carregou pelo resto de sua vida. Impressionante o desempenho do ator norte-americano Ben Foster, irreconhecível pela maquiagem que foi obrigado a usar. Merecia, no mínimo, uma indicação ao Oscar. Também estão no elenco Danny DeVito, John Leguizamo, Billy Matgnussen e Anthony Molinari. Não devemos esquecer do excelente trabalho do veterano cineasta Barry Levinson, que volta a dirigir um filme depois de sete anos. Aos 80 anos, ainda mostra grande forma. Só lembrando, Levinson ganhou o Oscar de Melhor Diretor em 1989 por “Rain Man”. Também fazem parte do seu extenso currículo filmes como “Bom Dia, Vietnã”, Bugsy” e “Ruas da Liberdade”. Talvez a pandemia de Covid tenha prejudicado a carreira de “A Luta de Uma Vida” nos cinemas, mas graças à Amazon Prime Video chega até nós esse maravilhoso drama biográfico. IMPERDÍVEL, assim mesmo, com maiúsculas.       

                           

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

 



“MERGULHO” (“LA CAÍDA”), 2022, Argentina, 1h34m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de Lucía Puenzo (“XXY”, “O Médico Alemão”), 1h34m, roteiro assinado por Mónica Herrera, Samara Ibrahim, Tatiana Merenuk e Maréa Renée Prudencio. Drama baseado em fatos reais que aborda temas sensíveis como assédio sexual no esporte e pressão psicológica enfrentada por  atletas de alto nível competitivo. A história é centrada em Mariel (Karla Souza), atleta veterana da equipe olímpica de saltos ornamentais do México. Às vésperas das Olimpíadas de Atenas (2004), a parceira de Mariel sofre um acidente. Braulio (Hernán Mendoza), o treinador, escala a jovem Nadia (Deja Ebergenyi), de 14 anos, para treinar com Mariel, que, de início, não aceita a nova parceira. Talvez um misto de ciúme ou insegurança, já que Mariel disputará sua última olimpíada e quer de qualquer jeito ganhar uma medalha. A relação entre ela e o treinador fica cada vez mais conflituosa, gerando um grande mal estar na equipe. Perto do desfecho, uma revelação bombástica dá uma reviravolta na história, valorizando ainda mais este ótimo drama argentino. Não há dúvida de que a bela atriz mexicana Karla Souza, naturalizada norte-americana, é o principal trunfo do filme. Para o papel de Mariel, ela treinou saltos durante três anos. Sua atuação é primorosa. Só para lembrar, Karla Souza fez grande sucesso ao atuar na série mexicana “Verano de Amor”, em 2009. Dois anos depois, estreou no cinema com o filme “Sem Prada Nem Nada”. Também arrasou no papel de Laurel Castillo na série “How To Get Away With Murder”. Trocando em miúdos, “Mergulho” é um drama poderoso e muito esclarecedor, mais um gol de placa do cinema argentino.     

                           

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

 

“RESISTÊNCIA” (“RESISTANCE”), 2020, em cartaz na Netflix, coprodução Inglaterra/França/Alemanha/EUA, 120 minutos, roteiro e direção do cineasta venezuelano Jonathan Jakubowicz. Filme conta mais um episódio heroico ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, totalmente baseado em fatos reais. Eu já conhecia o mímico francês Marcel Marceau como um dos artistas mais famosos artistas mímicos do Século XX. Só não sabia que ele, ainda jovem, foi um herói francês, responsável pelo salvamento de milhares de crianças órfãs durante o conflito. Marcel juntou-se à Resistência francesa por intermédio de um grupo de escoteiros judeus, entregando-se de corpo e alma à luta contra os nazistas que invadiram a França. Com seus amigos da Resistência, Marcel arriscou a vida levando as crianças através dos Alpes até a Suíça. O elenco é excelente: Jesse Eisenberg, Clémence Poésy, Matthias Schweighöfer, Bella Ramsey, Vich Kerekes, Félix Moati e Karl Markovics. Destaque para as rápidas aparições de Ed Harris e do ator venezuelano Edgar Ramirez, que já havia feito “Mãos de Pedra” dirigido pelo seu conterrâneo Jonathan Jakubowicz. O lado histórico destaca ainda a presença de Klaus Barbie (Schweihöfer), oficial da SS nazista também conhecido como “O Açougueiro de Lyon” ou “O Carniceiro de Lyon. O filme é excelente, retratando um fato histórico da maior relevância e ainda por apresentar um aspecto de Marcel Marceau pouco conhecido por aqui. Sem dúvida, um dos melhores lançamentos do ano da Netflix.    

                           

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

 

“VINGANÇA E REDENÇÃO” (“WHITE ELEPHANT”), 2022, Estados Unidos, 1h36m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de Jesse V. Johnson, que também assina o roteiro com Erik Martinez e Katharine Lee McEwen. Ao longo dos meus (muitos) anos de cinéfilo amador, aprendi que um bom elenco nem sempre salva um filme. “Vingança e Redenção” comprova a minha tese. No elenco, astros como Bruce Willis, Olga Kurylenko, Michael Rooker e John Malkovich, além do ator mexicano Vadhir Derbve, que querem transformar no novo galã de Hollywood. O filme é todo centrado na policial Vanessa (Olga Kurylenko), que vira alvo de uma gangue depois de testemunhar, ao lado de seu parceiro, o assassinato de um poderoso traficante de drogas. A história também envolve a máfia russa e uma violenta gangue mexicana. Especialista em artes marciais, Vanessa terá de fugir não só dos traficantes, mas de alguns policiais corruptos que também querem sua cabeça. As cenas de ação são simplesmente risíveis, com gente caindo com atraso depois de levar um tiro, figurantes agindo de modo patético e, pior, o sangue jorrando em cascatas visivelmente feito de suco de uva, além de diálogos tão fracos que se tornam risíveis. Aqueles atores que citei atuam no piloto automático e o roteiro não ajuda em nada, pois de repente, no meio do drama, surgem algumas pitadas de humor negro fora do contexto. Trata-se de mais um dos últimos filmes do ator Bruce Willis antes de anunciar sua aposentadoria depois de descobrir que sofre de uma doença incurável (afasia). Um detalhe que eu não conhecia e muita gente não deve saber: Bruce Willis nasceu na Alemanha Ocidental, filho de um soldado norte-americano e de uma alemã. A atriz Olga Kurylenko, ucraniana naturalizada francesa, não convence como uma policial durona, já que é magra e bonita demais para o papel. John Malkovich pouco aparece, mas já dá pra ver que está mais do que na hora de se aposentar. Os únicos que se salvam são Michael Rooker (“Walking Dead, “Guardiões da Galáxia”) e o mexicano Vahir Derbez. Somando os prós e os contras, dá contras de lavada.     

                           

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

 

“LEGADO EXPLOSIVO” (“HONEST THIEF”), 2020, Estados Unidos, em cartaz na Netflix, 1h32m, roteiro e direção de Mark Williams (“Agente das Sombras”). Mais um filme de ação com o veterano ator irlandês Liam Neeson, que desde 2008, com “Busca Implacável”, se transformou em um astro do gênero. Mesmo aos 68 anos, ele ainda dá conta do recado. Desta vez, ele é Tom Carter, um assaltante de bancos bem sucedido, nunca deixou pistas, age sozinho e nunca matou ninguém. A polícia e o FBI o chamam de “Assaltante Fantasma”. Depois de dez anos praticando assaltos, ele consegue juntar 9 milhões de dólares e, incrível, jamais gastou um tostão desse dinheiro. Diz que vive da aposentadoria como fuzileiro naval. Quando conhece Annie (Kate Walsh), ele se apaixona e resolve se entregar ao FBI, prometendo devolver todo dinheiro roubado em troca de uma pena mais leve. Sua intenção é levar uma vida honesta com Annie. Só que dá tudo errado, pois dois agentes do FBI roubam seu dinheiro, matam um colega e acusam Tom pelo assassinato. Daí para a frente, Tom tentará provar sua inocência e ainda proteger sua amada dos vilões. O filme tem algumas boas cenas de ação, com explosões, tiros e perseguições, mas o ritmo não convence como uma atração típica do gênero. Completam o elenco Jai Courtney, Anthony Ramos, Robert Patrick e Jeffrey Donovan. A história carece de credibilidade. Já pensou, você tem 9 milhões de dólares, promete entregar tudo ao FBI e ainda pedir uma pena mais leve. Tudo por causa de uma feiosa cinquentona. O filme depende apenas do desempenho e carisma de Liam Neeson para salvar o entretenimento. Com uma pipoca, até que dá para assistir.    

 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

 

“ARREMESSANDO ALTO” (“HUSTLE”), 2022, Estados Unidos, 1h57m, produção Netflix em parceria com o Estúdio Happy Maddison, do ator Adam Sendler, e com a Springhill Company, do craque Lebron James, direção de Jeremiah Zagar, seguindo roteiro assinado por Taylor Materne e Will Fetters. Como já deu pra perceber, o tema do filme é o basquete. Conforme o material de divulgação, trata-se de “um filme feito por fãs do basquete para os fãs do basquete”. O personagem central é Stanley Sugerman (Adam Sandler), um caça-talentos profissional do basquete que viaja o mundo inteiro com o objetivo de descobrir novos valores para a NBA, a maior liga de basquete dos Estados Unidos e do mundo. Stanley é contratado pelo time do Philadelphia 76ers. Chateado por não ter descoberto um talento de peso há vários anos, ele parte para a Europa disposto a apagar as últimas decepções. Pois é numa quadra pública de rua em Madrid que Stanley parece ter descoberto uma joia rara, o jogador amador Bo Cruz (Juancho Hernan Gomez). Nos Estados Unidos, enquanto espera a vez para participar de “peneiras” de clubes profissionais, o atleta espanhol é submetido a treinos rigorosos, lembrando aqueles a que se submetia Rocky Balboa (Sylvester Stallone). No filme de 1976. For o intenso treinamento físico, Cruz também vai encarar muito treino com bola na quadra. Também estão no elenco Queen Latifah como a esposa de Stanley, uma escalação totalmente errada, pois o casal não combina e não tem quem qualquer química entre os atores, Ben Foster, Jordan Hull e uma rápida aparição do veterano Robert Duvall. Além disso, aparecem figurantes de luxo, como ex-astros Shaquille O’Neal, Julius Irving, Charles Barkely, Dick Nowitzki e Boban Marjanovic. Continuo não gostando do ator Adam Sandler nem atuando em dramas e muito menos naquelas tantas comédias sem graça que tive a infelicidade de assistir. “Arremessando Alto” é um filme só para fãs do basquete, o que exclui grande parte do público feminino. De qualquer forma, não me convenceu.    

 

                           

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

 

“SEGREDOS DO PASSADO” (“THE DRY”), 2021, em cartaz na Amazon Prime Video, coprodução Austrália/EUA/Inglaterra, 1h57m, direção de Robert Connolly, que também assina o roteiro com Harry Cripps. A história é baseada no livro “A Seca”, de Jane Harper, publicado no Brasil em 2019 pela editora Morro Branco. A trama é centrada no agente federal Aaron Falk (Eric Bana), que volta à sua cidade natal, depois de 20 anos, para participar do funeral de um antigo amigo, que suspostamente se suicidou depois de assassinar a esposa e um dos filhos. Aaron resolve ajudar a polícia local na busca da verdade pelo que realmente aconteceu. Ao mesmo tempo, Aaron revive suas lembranças sobre uma tragédia ocorrida há 20 anos, vitimando uma de suas jovens amigas. Entre idas e vindas ao passado, através de inúmeros e cansativos flashbacks, o filme relembra os fatos que antecederam à morte da amiga. Na época, o próprio Aaron foi considerado suspeito, o que resultou na sua saída da cidade. Dessa forma, ele resolve ficar na cidade também para desvendar o mistério de 20 anos atrás, além da auxiliar a polícia a resolver o caso do amigo acusado de matar a família. O filme é muito lento, à beira do entediante, talvez para combinar com o cenário desértico do lugar, onde não chove há exatos 324 dias. Essa lentidão incomoda tanto quanto o fraco desempenho do ator Eric Bana (“Munique”, “Troia”), que passa o filme inteiro com cara de paisagem, sem nenhuma expressão que mostre qualquer emoção. Também estão no elenco Genevieve O’Reilly, Keir O’Donnell, John Polson, Sam Corlett, Bebe Bettencourt, Júlia Blake e Bruce Spence. Por incrível que pareça, o filme foi sucesso de bilheteria nos cinemas da Austrália e até já teve anunciada sua continuação, mais uma vez inspirada em um livro de Harper (“Força da Natureza”). Difícil de acreditar, pois “Segredos do Passado” é fraco, entediante e com uma história pouco convincente.            

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

 

“OS PEQUENOS VESTÍGIOS” (“THE LITTLE THINGS”), 2021, Estados Unidos, 2h08m, em cartaz na Amazon Prime Video, roteiro e direção de John Lee Hancock. Suspense policial que traz um trio de atores consagrados, todos já premiados com o Oscar: Denzel Washington, Rami Malek e Jared Leto. A história, ambientada nos anos 90, é centrada no policial Joe “Deke” Deacon (Washington), ex-detetive de Los Angeles e que agora é delegado adjunto do Condado de Kern. Ele é enviado a Los Angeles para uma simples coleta de provas, mas acaba se envolvendo na investigação da morte de seis mulheres. O modus operandi é o mesmo, o que indica que se trata de um serial killer. Com sua capacidade de captar pequenos vestígios, Deacon ajudará o delegado Jim Baxter (Malek) a resolver as mortes e chegar ao assassino. O ritmo do filme é um tanto lento, não há muita ação e a verborragia corre solta, em intermináveis diálogos de pouca consistência. Denzel Washington e Jared Leto não decepcionam e comprovam, mais uma vez, que são ótimos atores. Rami Malek, porém, chega a irritar fazendo biquinho, o que nos faz lembrar com seu personagem Freddie Mercury em “Bohemian Rhapsody”, aí sim sua melhor interpretação, pela qual ganhou o Oscar. Ainda estão no elenco Natalie Morales, Olivia Washington, Sofia Vassilieva, Jason James Bichter e Michael Hyatt. “Os Pequenos Vestígios”, apesar do ótimo trio de atores, não consegue deslanchar nem como policial e muito menos como suspense. O roteiro não ajuda, culminando com um desfecho bastante duvidoso. Enfim, vale apenas pelos três atores.              

 

domingo, 25 de dezembro de 2022

 

“TRÊS CRISTOS” (“THREE CHRISTS”), 2017, Estados Unidos, 1h49m, em cartaz na Netflix, direção de Jon Avnet, que também assina o roteiro com a colaboração de Eric Nazarian. Cinco anos depois de ser lançado nos EUA, chega por aqui, pela Netflix, este bom drama baseado em uma história real ocorrida no final da década de 50 no hospital estadual psiquiátrico Ypsilant, no Michigan. Os fatos que contribuíram para a elaboração do roteiro foram baseados no livro “The Three Christs of Ypsilant”, escrito em 1964 por Milton Rokeach. Vamos à história. Depois de abandonar a universidade, onde era professor, o psiquiatra Alan Stone (Richard Gere) é contratado pelo hospital Ypsilant. Ele é designado para tratar de três pacientes especiais esquizofrênicos que acreditavam ser a reencarnação de Jesus Cristo: Joseph (o ator anão Peter Dinklage), Leon (Walton Goggins) e Clyde (Bradley Whitford). Embora a situação sugira uma comédia, o filme em nenhum momento parte para o humor. Pelo contrário, é tudo levado muito a sério. O dr. Alan Stone resolve enfrentar a direção do hospital no que se refere aos tratamentos tradicionais da época, como choques elétricos, lobotomia, sedação e camisa de força. Stone é favorável à terapia falada, ou seja, prefere condicionar o tratamento à interação com os pacientes por intermédio do diálogo. O ator Richard Gere, embora mantenha o carisma e o charme habituais, aparece envelhecido e pouco convincente no papel do psiquiatra. Também estão no elenco nomes conhecidos como Julianna Margulies, Kevin Pollak, Jane Alexander, Charlotte Hope e Stephen Root. “Três Cristos” é um filme bastante interessante, pois destaca como era o tratamento um tanto desumano aplicado na época aos pacientes psiquiátricos. Filme pode ser indicado, principalmente, para estudantes de psicologia e psiquiatria, embora sirva também como um bom programa para os espectadores comuns.         

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

 

“BARDO, FALSA CRÔNICA DE ALGUMAS VERDADES” ("BARDO, FALSA CRÓNICA DE UNAS CUANTAS VERDADES”), 2022, México, 2h40m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção do cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu. Em 2000, quando dirigiu “Amores Perros”, o diretor mexicano chamou a atenção de Hollywood. Logo estava morando em Los Angeles, realizando filmes que foram devidamente reconhecidos com importantes premiações, como “Babel”, “Birdman”, “21 Gramas” e “O Regresso”, conquistando a simpatia da crítica especializada. Com “Bardo”, Iñárritu realiza uma viagem existencial de volta ao México, criando como personagem principal e seu alter ego o jornalista e documentarista Silverio Gacho (Daniel Giménez Cacho), que depois de 20 anos morando em Los Angeles, volta ao México para ser homenageado por um grande prêmio internacional que recebeu. Juntamente com a esposa e os dois filhos, Silverio terá a oportunidade de se reconciliar com o passado, revendo familiares, amigos e pessoas que o ajudaram na carreira de cineasta. Não espere uma narrativa linear. Muito pelo contrário, trata-se de uma viagem surreal dentro de um clima onírico, repleto de simbolismos e delírios estéticos. O visual é surpreendente e muito criativo, mas a ponto de deixar o espectador pouco à vontade com tantas cenas sem pé nem cabeça. Puro surrealismo, uma experiência metalinguística. Talvez uma demonstração de que o diretor mexicano se transformou em um cineasta egocêntrico e pretensioso. Apesar dos pesares, “Bardo” foi selecionado para representar o México na disputa do Oscar 2023 de Melhor Filme Internacional, com o aval, mais uma vez, da crítica especializada. Para mim, como simples cinéfilo amador, “Bardo” é apenas mais um filme interessante, mas difícil de digerir. Por aqui, foi visto durante a 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2022.         

 

domingo, 18 de dezembro de 2022

 

“A QUEDA DO IMPÉRIO AMERICANO” (“LA CHUTE DE L’EMPIRE AMÉRICAIN”), 2018, Canadá, disponível na plataforma Netflix, direção e roteiro de Denys Arcand. Eu já conhecia a qualidade do cineasta franco-suíço depois de assistir “O Declínio do Império Americano”, de 1986, e o premiadíssimo “Invasões Bárbaras”, de 2003, entre outros. Arcand sempre fez cinema sério e de muita qualidade, discutindo os prós e contras do capitalismo. Ele repete a fórmula em “A Queda do Império Americano”, ao qual acrescenta temas como filosofia, modo de vida, romance e suspense policial, com pitadas de humor na dose certa. A história toda é centrada em Pierre (Alexandre Landry), um sujeito bonachão, tímido e ativista da causa dos moradores de rua, voluntário em um albergue. Para se sustentar, ele trabalha em uma empresa de entregas, embora seja PHD em Filosofia. Certo dia ele acaba presenciando um tiroteio e vê dois ladrões sendo mortos. Ao lado dos corpos, duas enormes sacolas cheias de dólares canadenses. Pierre resolve esconder as sacolas até a chegada da polícia, quando então se torna uma provável testemunha ou um possível suspeito. Ele consegue ludibriar os policiais e vai para casa com as sacolas. O que fazer com tanto dinheiro? Para contornar esse problema, Pierre contará com a ajuda de Camille (Maripier Morin), uma garota de programa pela qual se apaixona, e de Synvain Bigras (Remy Girald), um presidiário em condicional que cursa Administração de Empresas. Aí começa uma grande confusão, envolvendo até mesmo um grande investidor. A situação fica ainda pior quando se descobre que o dinheiro pertence a um poderoso mafioso de Montreal. O roteiro destaca diálogos primorosos. Como em seus filmes mais conhecidos, Denys Arcand faz questão de fazer uma crítica ao sistema capitalista e a importância que se dá ao dinheiro sem que haja uma preocupação com os menos favorecidos, no caso do filme, os moradores de rua de Montreal. Enfim, “A Queda do Império Americano” é um oásis diante da mediocridade geral, um filme inteligente e bem-humorado, indicado para os cinéfilos mais exigentes. Imperdível!       

 

                           

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

 

“MEU NOME É VINGANÇA” (“IL MIO NOME È VENDETTA”), 2022, Itália, produção original e distribuição Netflix, 1h30m, direção de Cosimo Gomez, que também assina o roteiro com a colaboração de Andrea Nobili e Sandrone Dazieri. Como milhares de cinéfilos mundo afora, eu já sabia que não haveria mais filmes sobre a Máfia tão bons quanto “O Poderoso Chefão” e “Os Bons Companheiros”. Nem mesmo o cinema italiano conseguiu chegar perto desses dois clássicos do cinema de Hollywood. Prova disso é este recente lançamento da Netflix. Santo Romeo (Alessandro Gassman, filho do grande e saudoso ator Vittorio Gassmam), trabalhou como capanga do poderoso chefão mafioso Don Angelo (Remo Girone). Era um matador impiedoso. Depois que casou e teve uma filha, Santo abandonou a “família” de Don Angelo e tentou recomeçar a vida escondendo-se em uma pequena cidade do interior da Itália. Localizado sem querer por causa de uma foto feita pela filha Sofia (Ginevra Francesconi) que viralizou na internet, Santo passou a ser alvo da sua ex-quadrilha. Depois de tanto tempo, por que Don Angelo queria se vingar de Santo? A falta dessa resposta é uma das falhas do roteiro. Pois a turma do poderoso mafioso chega na casa de Santo e mata sua esposa e o cunhado. Sofia consegue escapar e avisa o pai sobre o que aconteceu. Claro que Santo vai atrás dos assassinos, levando a filha a tiracolo. Sua vingança também tem como alvo o próprio Don Angelo. Embora tenha alguma ação, o filme não se desenvolve ponto de exigir uma atenção maior do espectador. Tudo é muito previsível e, ao mesmo tempo, inverossímil. Enfim, um filme que não faz jus aos bons filmes de Máfia, muito menos ao respeitado cinema italiano.  

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

 

“O AMANTE DE LADY CHATTERLEY” (“LADY CHATTERLEY’S LOVER”), 2022, coprodução Inglaterra/Estados Unidos, 2h06m, em cartaz na Netfllix, direção da cineasta francesa Laure de Clermont, seguindo roteiro assinado por David Magee. Trata-se de mais uma adaptação para o cinema do clássico escrito por D.H. Lawrence (1885-1930), um grande sucesso da literatura mundial. Nesta recente adaptação, Lady Chatterley é interpretada por Emma Corrin (a princesa de Gales na série “The Crown”). No romance, seu nome de solteira é Constance Reid, que se casou com o aristocrata Clifford Chatterley (Matthew Duckett), quando então ganhou o título de Lady Chatterley. Resumindo, Clifford vai para o front da Primeira Guerra e retorna gravemente ferido, ficando inutilizado da cintura para baixo. Não demora muito e Lady Chatterley acaba arrumando um amante, justamente um empregado de Clifford, o guarda-caça Oliver Mellors (Jack O’Connell). Como no livro, que na época do lançamento – final dos anos 20 – chegou a ser proibido em vários países, inclusive na Inglaterra, o filme recorre ao erotismo quase explícito, mas longe da vulgaridade. O roteiro é bem delineado, os diálogos são bem escritos, a fotografia é primorosa e o elenco é ótimo, destacando-se a bela e competente Emma Corrin. Também estão no elenco Faye Marsay, Ella Hunt e Joely Richardson. Como curiosidade, Joely, filha de Vanessa Radgrave, interpretou Lady Chatterley em uma série da BBC em 1993. Trocando em miúdos, “O Amante de Lady Chatterley” é mais uma excelente adaptação cinematográfica de um grande clássico da literatura.  

 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

 



“AS LINHAS TORTAS DE DEUS” (“LOS RENGLONES TORCIDOS DE DIOS”), 2022, Espanha, produção original e distribuição Netflix, 2h34m, direção de Oriol Paulo, que também assina o roteiro com a colaboração de Guillem Clua e Lara Sendim. Trata-se de um suspense psicológico adaptado para o cinema do livro homônimo escrito por Torcuato Luca de Tena em 1979, o mesmo ano em que a história é ambientada. A detetive particular Alice Gould (Bárbara Lennie) é admitida em um hospital psiquiátrico para investigar a morte violenta e misteriosa de um paciente. Quem a contratou foi Federico Del Omo (Joan Crosas), pai da vítima. Para ingressar no manicômio como paciente, Alice inventa uma situação patológica, identificando-se como paranoica e mentirosa compulsiva. Uma junta de psiquiatras, comandada pelo diretor Samuel Alvar (Eduard Fernández), aprova a condição da moça, internando-a. O roteiro conduz o espectador a imaginar se Alice é mesmo uma detetive ou então uma doida varrida, dúvida que permanecerá até o desfecho. São tantas as possibilidades e reviravoltas que fica difícil imaginar o que realmente está acontecendo e o que acontecerá. O ritmo do filme é lento e pouco confortável, pois são mais de duas horas e meia de projeção. Se a história não é lá muito verossímil e o ambiente interno do manicômio desagradável e chocante, pelo menos podemos curtir o talento da atriz Bárbara Lennie, que carrega o filme nas costas. Isto só não basta para motivar uma recomendação entusiasmada. É ver para crer. Em todo caso, quando foi exibido durante o Festival Goya (o Oscar espanhol), o filme mereceu elogios e seis indicações ao prêmio máximo.        

 

 

                           

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

 

“UM HOMEM DE AÇÃO” (“UM HOMBRE DE ACCIÓN”), 2022, Espanha, produção original e distribuição Netflix, 1h51m, direção de Javier Ruiz Caldera, seguindo roteiro assinado por Patxi Amezcua. Trata-se da versão biográfica para o cinema da vida do famoso anarquista espanhol Lucio Urtubia Jiménez (1931-2020), amigo de Albert Camus, André Breton e do mítico anarquista espanhol Quico Sabaté. Chegou, inclusive, a conversar com Che Guevara sobre um plano para desestabilizar a economia dos Estados Unidos. O filme acompanha a vida de Lucio de 1940 até 1980, deste a infância pobre até a marginalidade, começando com pequenos assaltos até chegar ao contrabando, assalto a bancos e falsificador de dinheiro, cheques e documentos. Em 1954, se refugiou na França. Depois de fugir da Espanha, Lucio começa a trabalhar como pedreiro e casa com a ativista Anne (Liah O’Prey), mas jamais abandona o causa anarquista, ingressando na Juventude Libertária "Fédération Anarchiste". Esperto, ele sempre escapa das garras do inspetor Costello (Alexandre Blazy), da polícia parisiense, até o dia em que começa a falsificar e trocar cheques de viagem do norte-americano e poderoso First National Citry Bank. Também estão no elenco Fred Tatien, Ana Polvorosa e Miki Esparbé. Além da incrível história propriamente dita, a primorosa reconstituição de época – cenários, figurinos, trilha sonora - é mais um dos trunfos desse ótimo drama biográfico espanhol, com um fundo político muito forte sobre os movimentos de esquerda na Europa. Sem dúvida, um dos melhores lançamentos da Netflix em 2022. Imperdível!                    

 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

 

“FRAÇÃO DE SEGUNDOS” (10 MINUTES GONE”), 2019, coprodução EUA/Canadá, 1h29m, em cartaz na Netflix, direção de Brian A. Miller, seguindo roteiro de Jeff Jingle e Kelvin Mao. Suspense policial que começa prometendo muito e acaba mesmo só na promessa. A história gira em torno de um assalto a um banco na região central da cidade de Cincinnati (Ohio). Tudo é muito confuso, começando pelo alvo do assalto: o que a gangue queria roubar? Enquanto o assalto acontece – e dá errado, pois um alarme dispara e logo chega a polícia -, alguns homens acompanham tudo pela janela de um edifício, um deles Rex (Bruce Willis), que parece ser o sujeito que contratou a gangue. Quando o assalto termina, o bando foge, deixando para trás dois de seus integrantes, um dos quais será assassinado. Sobra seu irmão, Frank (Michael Chiklis), que sai em busca de vingança, acreditando ter sido enganado pelo resto do grupo. Os diálogos são patéticos, de um nível subterrâneo, e as cenas são pra lá de constrangedoras. Afinal, quem é aquela loira que fala pelo telefone em Buenos Aires? Terrível. Mais um daqueles filmes para deletar da memória, lembrando mais uma vez o final da carreira lamentável do ator Bruce Willis, afastado recentemente dos estúdios por razões médicas. Nos últimos anos, Willis apareceu em dezenas de filmes medíocres quase sempre interpretando personagens secundários, mas o material de divulgação insistindo em colocá-lo em destaque, caracterizando evidente propaganda enganosa. “Fração de Segundos” é muito ruim.                               

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

 

“SAÍDA À FRANCESA” (“FRENCH EXIT”), 2021, Amazon Prime Video, coprodução Canadá/Irlanda/Inglaterra, 1h53m, direção de Azazel Jacobs, seguindo roteiro de Patrick DeWitt - autor do livro homônimo que deu origem ao filme. Trata-se de uma comédia dramática centrada no relacionamento complicado entre a viúva Francis Price (Michelle Pfeiffer) e seu filho único Malcolm (Lucas Hedges). Socialite conhecida em Nova York, antes de alto quilate, mas agora completamente falida, Francis resolve aceitar a sugestão da amiga Joan (Susan Coyne) para morar em seu apartamento vazio em Paris e fugir dos escândalos que fizeram de sua vida um inferno, como a acusação da morte do marido, a prisão e a falência. Juntando o dinheiro que restou, Francis parte para a capital francesa levando o filho e o gato Jack. É muito fácil resumir a personalidade da viúva como uma mulher possessiva, depressiva, arrogante e amarga. Seu pensamento: gastar todo o dinheiro que sobrou e morrer. Antes disso, porém, o apartamento parisiense se transforma numa verdadeira romaria de personagens. Primeiro uma vizinha intrometida, madame Reynard (a ótima Valerie Mahaffey), depois a jovem vidente Madeleine (Danielle MacDonald), e ainda Julius (Isaach de Bankolé), detetive particular contratado para localizar o gato da viúva. A confusão não termina por aqui. Ainda chegarão ao apartamento Susan (Imogen Poots), a antiga namorada de Malcolm, que chega dos Estados Unidos carregando o novo namorado a tiracolo, o bonitão Tom (Daniel Di Tomasso). E, para terminar, também chega Joan, a proprietária do apartamento. Não espere um ritmo acelerado e sim uma certa lentidão, mas com bons diálogos. Toda a história gira em torno da viúva Frances, personagem valorizada não apenas pelo roteiro, mas pelo ótimo desempenho da veterana atriz Michelle Pfeiffer, indicada ao Globo de Ouro por esse papel. Sem dúvida, Pfeiffer dá um show. Aos 64 anos, ela continua bonita e adoravelmente charmosa. Só ela vale o ingresso, mas também é preciso destacar como o filme consegue ser agradável sem exagerar no drama e muito menos na comédia. Um filme adulto que merece ser conferido e uma ótima oportunidade para curtir o imenso talento de Michelle Pfeiffer, ainda em grande forma.                                  

 

 

                           

sábado, 3 de dezembro de 2022

 

“A SUSPEITA”, 2021, Brasil, 1h56m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção do estreante Pedro Peregrino, mais conhecido como diretor de séries e novelas, com roteiro assinado por Thiago Dottori e Newton Cannito. Trata-se de um suspense policial morno, sem muita ação, com ritmo lento, quase parando. Começa o filme e lá está a comissária Lúcia (Glória Pires). policial do setor de inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro, recebendo do médico o triste diagnóstico: ela está com Alzheimer que começa a evoluir rapidamente. Ao mesmo tempo, Lúcia descobre um esquema criminoso envolvendo colegas da própria polícia e um poderoso traficante. Em meio a esta investigação ocorre o assassinato de um escritor e de um policial parceiro de Lúcia. O exame de balística chega à conclusão de que as balas partiram do revólver de Lúcia, que pretende provar sua inocência, nem que para isso seja obrigada a envolver seu próprio chefe de polícia (Charles Fricks) e um delegado (Gustavo Machado). O filme estreou no 49º Festival de Gramado, que premiou a atuação de Glória Pires com um troféu “Kikito”. Realmente, se há um bom motivo para assistir “A Suspeita”, é justamente a atuação de Glória. Aliás, o único motivo.                          

 

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

 

“O PAI QUE MOVE MONTANHAS” (“TATA MUTA MUNTII” ou, como foi lançado nos países de língua inglesa, “THE FATHER WHO MOVES MOUNTAINS”), 2021, coprodução Romênia/Suécia, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Daniel Sandu. Quando soube que seu filho estava desaparecido nas montanhas Bucegi, região central da Romênia, Mircea (Adrian Titieni) fará tudo e mais um pouco para encontrá-lo, nem que para isso seja obrigado a vender todo o seu patrimônio. Seu filho e a namorada sumiram há vários dias e, diante do frio intenso de inverno, é quase certo que estejam mortos. Mircea não desiste, é um exemplo de obstinação, persistência e obsessão desmedida e persistência, alegando que, mesmo estando morto, ele quer encontrar o corpo do filho de qualquer maneira. Como oficial da reserva, Mircea recruta agentes da inteligência para ajudar nas buscas, utilizando para isso dos mais modernos equipamentos. Mircea é um homem acostumado a comandar e se mostra inúmeras vezes com uma arrogância irritante. Além desse trabalho todo, Mircea é obrigado a administrar os ataques histéricos da ex-mulher, mãe do garoto, e tentar conter os pedidos da atual esposa, que está grávida, para que abandone as buscas. Além do bom elenco, há que se destacar os cenários deslumbrantes em que a história se desenvolve. É mais um bom drama do cinema romeno, mas nada tão especial que mereça uma indicação entusiasmada.                         

 

terça-feira, 29 de novembro de 2022

 

“O PACIENTE PERDIDO” (“LE PATIENT”), 2022, França, produção original e distribuição Netflix, 1h32m, direção de Christophe Charrier, que também assina o roteiro com Elodie Namer, adaptado do livro homônimo escrito por Timothé Le Boucher. Trata-se de um suspense psicológico que começa com uma cena trágica: dentro de uma casa, três mortos a tiros, um sobrevivente esfaqueado e uma moça desaparecida. As vítimas fatais são da família Grimaud, Beth (Audrey Dana), seu marido Marc (Stéphane Rideu) e o sobrinho Dylan (Matthieu Lucci). O sobrevivente é o filho do casal, um jovem de 19 anos, Thomas (Txomin Vergez), e a moça desaparecida é sua irmã Laura (Rebecca Williams). A polícia não sabe o que exatamente aconteceu na casa e a única pessoa capaz de decifrar o mistério é justamente Thomas, só que ele está em coma há três anos. Quando acorda, ele começa a participar de sessões especiais com a psicóloga Anna Kieffer (Clotilde Hesme), que tentará avivar as memórias fragmentadas do rapaz, a princípio desconexas. A partir daí, o filme ingressa num labirinto mental complexo e angustiante, com as lembranças de Thomas em cenas de flashbacks. O desfecho revela uma surpreendente reviravolta, valorizando ainda mais o suspense. Aviso: é um filme altamente depressivo, à beira do desagradável, mas tem o seu valor como cinema.